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Linguagem, Fé e Comunicação: Tradução: a tradição dos tradutores traidores? | Leandro A. | IBNU | 03

Linguagem, Fé e Comunicação: Tradução: a tradição dos tradutores traidores? | Leandro A. | IBNU | 03

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[Música]
Olá a todos sejam muito bem-vindos a
essa terceira aula do nosso curso
linguagem e fé e comunicação
bom dia boa tarde boa noite para o
pessoal que está aí se conectando dos
mais diversos lugares e hoje a gente vai
falar sobre esse tema
tradução a tradição dos tradutores
né O que será que
envolve esse tema da da tradução que
isso tem a ver com a tradição e o que
isso tem a ver também com a ideia de
traição né a gente vai abordar aí
essas três vertentes
e também claro a gente vai como sempre
ver aqui como algumas ideias da
linguística podem
oferecer aí uma contribuição para os
estudos e também para prática para a
própria prática nesse caso aqui da
tradução a gente
no contexto
cristão no contexto
da da Bíblia está bem acostumado né a
falar de traduções de versões e lidar
com essas com essas questões né
Geralmente
as perguntas sobre como funcionaria
essa
como funcionaria essa prática Geralmente
vem a nossa mente e a tradução por muito
tempo ela foi vista e tem sido vista
como apenas uma na sua dimensão prática
isso quer dizer que a chamada ciência
descritiva da tradução ao estudo
científico da tradução é um estudo
bastante recente né a chamada
tradutologia
É uma disciplina como disciplina
como disciplinar autônoma é um estudo
bastante recente os estudos da da
tradução é geralmente
estavam ficavam cargo de outras de
outras ciências de outras disciplinas
a própria filologia né tradicionalmente
aí a filosofia
a mais tarde a linguística a semiótica a
literatura comparada então
o extratores em si né as pessoas
envolvidas com a tradução não
enxergavam isso não enxergavam a
tradução
com Contorno teórico né de maneira
teórica e por esse motivo a como eu
disse a tradologia que é a expressão aí
da da o pensamento sobre a tradução como
uma disciplina autônoma é bastante
recente data Aí talvez
do finalzinho do século passado
né em que começam se a
definirem as bases do que seria esse
esse estudo
Então vamos começar aqui a nossa
o nosso nossa viagem nossa trajetória de
hoje né que a gente vai falar um pouco
de História porque o pensamento sobre a
tradução ou enfim a tradução prática
tradução no seu
na sua acepção prática é bastante antiga
a gente tem aí indícios bastante antigos
de traduções e a gente também tem
documentos bastante antigos de tradução
entre os indícios mais antigos que a
gente pode
mencionar sobre tradução
a gente remontaria aí a dois mil anos
antes de Cristo
na região da Ásia menor
região próxima né o Oriente próximo ali
e a gente tem indícios de que os
babilônios os assírios e os hititas
faziam traduções de documentos e
comunicações
oficiais
Então essas
esses indícios bastante antigos a
tradição né as tradições sobre Esses
povos dão conta disso De que
já era uma prática Entre esses bem
antigos
a tradução entre as suas línguas
e a gente tem um pouco mais ainda
bastante antigo Mas um pouco mais
recente a gente tem a chamada pedra de
roseta que data do século segundo século
terceiro antes de Cristo
e que foi descoberta apenas aí no século
18 né E essa pedra é bastante
interessante porque ela contém
inscrições do egípcio na mesma pedra na
mesma peça ela contém inscrições em
egípcio antigo egípcio tardio e grego
antigo e ela foi aí uma das um dos
principais achados
arqueológicos que
deram origem ao início
deram origem aos estudos da egitologia
né o estudo dos próprios
hieróglifos e
se trata de tradução né de uma tradução
aí é em bastante importante
na história
obviamente que assim a primeira grande
tradução de fato
documentada que a gente tem e até enfim
é
preservada que a gente tem é a tradução
chamada de septuaginta ou tradição
tradução dos 70 que é a tradução do da
Bíblia Hebraica né o antigo testamento
para o grego né
nessa nessa época o mundo conhecido
então estava helenizado por conta das
das conquistas de Alexandre o Grande e
por isso
a língua Franca né era então um grego
chamado grego comum
e a septuaginta é uma tradução
que coloca esse Coloca esse esse
material né o a Bíblia Hebraica
nessa língua de grande importância e de
grande relevância
naquele momento e essa é a primeira
grande tradução de que se tem notícia
e a tradução da Bíblia Hebraica tradução
da septuaginta a porção em que nós
cristãos conhecemos com o motivo
testamento
é ela deu esse
esse pontapé inicial mais a essa
interação entre as línguas na Europa
começa a partir daí então é a florecer a
gente tem aí
o reconhecido como o primeiro tradutor
europeu o livro androcio atômico perdão
em 250 antes de Cristo ele traduz a
odisseia de Homero grego para o latim
e a tradução é para os romanos era algo
bastante bastante comum havia em certa
medida aí uma uma grande
interação entre essas duas línguas né
os romanos principalmente os romanos
mais considerados mais curtos mais
nobres
conheciam muito bem o grego e a tradução
era algo tida como era algo tido como
natural embora o conceito de tradução
nessa época não fosse um conceito físico
um conceito fixo
havia a estrada dos sonhos né as pessoas
faziam as traduções mas como a gente
disse anteriormente
as traduções não não se não se pensava
tanto na metodologia em uma metodologia
para a tradução a tradução era mais
vista no seu na sua característica
prática do que propriamente na sua
característica
teórica né na sua conceituar na sua
conceitualização isso era ficava notório
com as palavras que eram utilizadas na
época para se referir a tradução né
então esse termo em si a palavra em
tradução
nem nem o conceito era fixo nem as
palavras que eram usadas para
se referir a essa prática também eram
fixas tá então havia palavras comoverter
converter
transverter imitar sim a palavra imitar
era uma das palavras usadas para se
referir a esse ato de traduzir
E essas palavras mostram para gente que
hora o foco estava no texto né o texto
de saída que a gente chama o texto
Inicial texto original hora o foco do
tradutor estava no texto de chegada né
isso dependia do momento dependia da
enfim da
da cabeça ou do hábito do tradutor
Enfim então é esse foco oscilava nem
havia outras palavras que mostram também
o foco no conteúdo o foco não só na
forma mas também nas ideias que estavam
sendo traduzidas e a gente tem aí
o aparecimento de palavras como explicar
todas essas palavras obviamente em latim
a gente está falando aqui do contexto do
antigo Império Romano né Então as
palavras explicar explicar inclusive
quer dizer
desdobrar
desdobrar para fora né ou dobrar para
fora
interpretar
surge também essa palavra interpretar
que
denotam o sentido mais se aproximando do
conteúdo
ao mesmo tempo a gente tinha o uso de
palavras como exprimir transferir para
as ladar que já mostram para gente essa
ideia de
apreço pela forma de atenção a forma do
texto original do texto Inicial
inclusive as palavras né contagem das
palavras do texto original
e as contribuições neolatinas né também
aí com o momento momento mais tardio a
gente tem o aparecimento das línguas
do Império Romano que surgem como
desenvolvimento do latim né as línguas
chamadas românicas ou neolatinas o
próprio português o espanhol francês o
italiano também começam a dar
contribuições e surgem termos como expor
né que é colocar para fora né Colocar de
outra maneira com outra visão
romancear né uma contribuição aí do
francês romancear surge aí com o sentido
de transformar em língua romance ou
língua romântica né transformar em
romântico
vulgarizar não tenho sentido negativo
nessa palavra aqui tem sentido de
popularizar então o vulgos é o vulgo era
o povo né então era simplificar
popularizar trazer algo
que está em uma língua
diferente nesse caso aqui até mesmo o
latim né para uma língua Popular uma
língua mais próxima das pessoas que
estavam nessas regiões mais periféricas
Então como contribuições neolatinas a
gente tem esses termos que começam a
aparecer
E aí a palavra traduzir de fato vai
surgir só mais adiante lá no século 15
para o século XV com esse sentido né de
levar através a gente tem outras
palavras que tem esse mesmo radical de
traduzir né conduzir
[Música]
abduzir
Então a gente tem aí o traduzir que é
levar através atravessar de um local
para outro de uma língua para outra de
um contexto para outro
Então esse esse estudo aí das próprias
palavras que são usadas mostram para a
gente um pouco da Concepção que estava
por trás do ato de traduzir embora essa
concepção não fosse tão discutida pelos
próprios tradutores né parte disso era
discutido no âmbito da filosofia da
retórica
de outras áreas de outras disciplinas
daquela época mas não havia
uma disciplina de tradução uma
disciplina que pensasse sobre uma
metodologia que pensasse sobre a maneira
de traduzir isso aparece muito depois
aparece muito tardiamente um texto é
mais considerado científico sobre isso
um texto considerado mais
técnico Claro que existem aí as
discussões filosóficas mas
aparece um texto mesmo sobre
é mais específico sobre tradução ainda
que sobre a éjida da
filosofia da própria teologia só aparece
com um chá muito tempo depois
E aí a gente tem as influências
europeias as influências dos Romanos
uma das primeiras influências que a
gente tem do pensamento sobre a tradução
embora que é como dizem aí os tradutores
hoje em dia e na tradutologia
os tradutores não falavam muito não
gostavam muito de falar sobre teoria
então muito do que se dizia sobre teoria
da tradução metodologia de tradução era
dito em prefácios notas de rodapé então
não havia uma centralidade nem da
do Tradutor como como alguém que que se
coloca ali alguém que tem também algo a
dizer nem da tradução em si havia
simplesmente o foco É voltado para hora
o texto original uma proximidade maior
com textura original na sua forma ora é
uma proximidade maior
com esse conteúdo que muitas vezes era
acusado né Essa aproximação maior com o
conteúdo era
era acusar era era base para uma
acusação de
traição para aproximação ao leitor como
a gente vai ver aqui mas Cícero
em 46 antes de Cristo
escreve o de optimo gênero Oratório e
nesse nessa obra ele contribui com essa
pergunta né a quem se deve prestar
fidelidade as palavras do texto ou
pensamento que está
sendo trazido por esse texto Então Aqui
começa em 46 antes de Cristo né
lança-se essa pergunta né Mas por que
essa essa pergunta
é importante a gente vai ver aqui a
seguir
alguns anos depois algumas décadas
depois a gente tem aí em 13 antes de
Cristo Horácio
publicando aí a epístolas e nessa nessa
epístola
ele também trata do tema
da aproximação do sentido né aproximação
ao sentido
E com isso o debate surge né sobre essas
diversas divisões da tradução que
estavam ali em uso naquele naquele
momento notem que a gente voltou aqui um
pouquinho a gente foi mais adiante
falando sobre as palavras usadas para se
referir a tradução nem agora a gente
voltou um pouquinho do tempo né Para a
gente entender o que estava acontecendo
na cabeça das pessoas enquanto elas
estavam usando aquelas palavras
havia a ideia da tradução como imitação
né inicialmente havia essa ideia de que
traduzir era imitar o texto original
e isso era bastante
bastante visível para os romanos né para
o contexto europeu porque é
os Principalmente as pessoas que que de
fato faziam as traduções e muitos dos
que consumiam essas essas traduções né
também que guiam essas traduções é em
grande parte aí de textos gregos né da
literatura grega clássica
elas faziam isso como o método de estudo
né então a tradução era uma importante
ferramenta de estudo e não só
de estudo como a gente imaginaria hoje
né de estudo do conteúdo mas
principalmente também da forma e do
estilo então havia aí um interesse Muito
grande
é em se estudarem as estruturas do grego
em se estudarem os gêneros literários né
para usar uma termo da atualidade mas em
perceber essas construções textuais como
é que o texto era retoricamente
construído
e a partir disso também desenvolver
essas mesmas essa mesma essas mesmas
ideias essas mesmas formas filosóficas
retóricas lógicas na sua língua no latim
é aperfeiçoar o grego entender essas
estruturas e imitar essas estruturas em
latim como a gente viu nas primeiras nas
primeiras aulas houve em grande medida
uma imitação Por parte dos Romanos ou né
para usar uma palavra aí mais
talvez mais uma palavra mais legal né
uma adaptação um ajuste da gramática
grega
para que das categorias não uso das
categorias já colocadas na gramática
grega
para definir ou para descrever os termos
latinos né a língua latina então
explicar a língua latina a partir das
categorias
gramaticais gregas
E aí a gente tem né até varão aí a gente
tem essa meio que o uso desse molde né e
varão ainda coloca da sua Como
contribuição
é uma algumas especificações
principalmente sobre o verbo Latino que
tinha e algumas diferenças bastante
importantes em relação ao grego mas isso
era um esforço muito grande
que era feito então já existia essa
ideia
da não não só de uma comparação mas a
ideia é quase que de que a linguagem
enfim as próprias línguas as estruturas
daquilo que era escrito a gramática era
algo
pertencente a um todo e que né as
línguas particulares o grego e o latim
eram manifestações dessa gramática que
ficava aí pairando sobre as pessoas bom
é no caso do grego e do latim havia e
coisas em comum né havia
estruturas e a estruturas em comum
porque são línguas
para usar um outro termo aí da gramática
comparada e da filologia são línguas da
mesma do mesmo tronco linguístico né são
línguas do mesma da mesma origem
linguística tem uma origem comum aí no
indo europeu são línguas indo europeias
agora comparar com uma outra língua que
não faz parte desse grupo de línguas aí
já ficaria bastante complicado
bom então a tradução é havia essa
concepção da tradução como imitação como
método de estudo e isso a gente não
precisa ir muito longe se a gente ver os
livros mais antigos de
língua estrangeira em cima do língua
estrangeira os próprios materiais que
ensinam mais antigos né que ensinam
latim clássico grego clássico geralmente
esses esses materiais trabalham com
tradução eles
permanecem com esse traço
tradicional esse traço da tradição do
estudo dessas línguas porque
provavelmente porque observam esses
livros mais
antigos de ensino da língua e são
produzidos a partir deles a partir
desses livros
digamos fundadores fundamentais
agora surge também a partir daí de
Cícero de Horácio surge esse debate da
tradução também como interpretação né E
aí é que a
as pessoas começam a olhar para a
tradução como uma possibilidade de
alguém ler esse texto original entender
interpretar esse texto e explicar e a
forma como isso seria feito né
é que ou seria feito com essa tensão
entre a entre a forma a expressão formal
né
o exprimir né ou a explicação
desdobramento desse texto original
E aí também surge a ideia o debate da
ideia né da tradução como elaboração
E aí Quando surge essa ideia da essa
esse inclusive o próprio Cícero e o
Horácio são geralmente bastante
acusados pelos formalistas né pelas
pessoas que ao longo da história
defender uma tradução mais palavra por
palavra né uma palavra de uma língua
equivale a uma palavra da outra língua e
assim por diante
era um foram tem sido né durante
os anos aí acusados de traição porque o
de apoiar uma traição porque
é quando alguém elaborasse esse texto né
refisse e fizesse algo novo a partir
desse texto que estava sendo
interpretado traduzido né explicado
é isso poderia ser visto como uma
traição ou texto uma traição ao texto
anterior porque numa ideia formal num
pensamento mais formalista essa esse
texto traduzido não contém as palavras
que as palavras próprias que estavam no
texto original acontece que
as línguas não tem palavras que se
equivalem né como a gente vai ver mais
adiante
essa ideia que eu consigo encontrar um
equivalente para cada palavra
de uma língua em outra língua é
facilmente é
facilmente localizável como Impossível a
gente facilmente
detecta isso como impossível mas a ideia
da traição aqui
também pode ser vista pelo outro lado
nem tão tanto aquela tradução formal
trai o leitor porque
procurar uma correspondência ou forçar
correspondências que não equivalem
nem que não existem
nessa língua alvo da língua da tradução
na verdade O tradutor está dizendo algo
que o texto original não diz então isso
trai ao leitor e em certa medida também
isso trai ao próprio texto original por
isso essa ideia da traição
por fim surge também essa ideia da
tradução como comparação né então
voltando lá aquela aquela prática do uso
da tradução como
estudo né inclusive estudos das formas
estudo das
da língua alvo né perdão da língua de
saída da língua original da língua do
texto original
isso também poderia ser feito a partir
daí poderia ser feita uma comparação
entre essas duas línguas né uma
comparação desse trabalho a produzido né
Vamos pensar em termos de uma tradução
literária o resultado seria uma não a
mesma obra na outra língua mas uma obra
comparável
a obra original
e aí nesses termos assim que o Horácio
Horacio de Shing plágio de tradução né O
que distinguiria o plágio da tradição é
seria o a criatividade do tradutor do
trabalho do tradutor em
[Aplausos]
escrever algo novo em produzir algo novo
e não simplesmente
imitar as palavras do texto original
mas é
observar comparar é interpretar as
ideias e observar e imitar o estilo a
retórica a as categorias textuais a
maneira de organização das ideias e do
texto
Então a partir do de Cícero e de Horácio
abrem-se essas perspectivas principais
né Essas duas perspectivas que são a
tradução técnica formal palavra por
palavra
e a tradução para frástica né quer dizer
uma paráfrase daquilo que estava daquilo
que havia sido dito que seria mais
criativa que seria se daria em termos
retóricos
e nessa última nessa última esse último
tipo seria então
é
seria então apontada como uma
enfaria daria margem para uma
estilística comparada quer dizer uma
comparação dos estilos de escrita dos
estilos textuais na língua original e na
língua de chegada né tanto na língua de
saída como na língua de chegada
até esse momento aqui que a gente tá
conversando né dos Romanos e tal
a tradução era vista como como a gente
já falou né era vista como Ofício um
tradutor
se viu por muito tempo aí até bem
recentemente né o tradutor
tradicionalmente se vê como um artesão
um artesão que de maneira mais ou menos
intuitiva vai
procedendo vai vai
atuando de maneira artística
especialmente aqueles que lidam com
tradução literária tem essa essa visão
bastante ligada à arte né a arte de
traduzir
e é por isso que assim por esse motivo
pelo fato de os tradutores
em si no seu processo de tradução
geralmente não não aparecerem nem os
tradutores e nem o pensamento embora
claro sempre há um pensamento subjacente
a a qualquer operação com a linguagem né
existe aí uma concepção
subjacente mas essa concepção não
aparecia nos textos e nem os próprios
autores nem os próprios tradutores aliás
aparecem nos textos Então essas
discussões davam aí
dentro de outras disciplinas
como a gente já disse né a filosofia a
filologia
a mais tarde a própria linguística
a literatura comparada poética né a
própria semiótica também então essas
outras essas outras áreas é que
discutiam a tradução Nas suas com as
suas com seus métodos
de pensamento com seus métodos
científicos mas não havia uma área
autônoma
em meio a tudo isso
as traduções bíblicas deram uma grande
contribuição para essa tradição né para
essa tradição da tradução
e
não só as traduções
as traduções era uma prática como de
acordo aí com um dos dois
uma das expressões italianas
traducione tradicione
a tradução é parte da tradição Ou seja a
tradução é um pilar é Um Esteio da é um
dos esteios da tradição ocidental da
própria tradição
cultural do ocidente se baseia em grande
parte nas traduções e as traduções
bíblicas dentro desse contexto deram um
grande
uma grande contribuição é importante
contribuição né começando aí Claro a
gente tem aceptuaginta né que
está aí antes do
lá no século segundo
terceiro segundo antes de Cristo mas
nesse momento aqui dessas dessas
discussões no momento mais europeu
que vai desembocar aí na na reforma e
nos tempos da modernidade a gente tem aí
a
vulgata Latina que foi
foi
traduzida por Jerônimo
a partir da revisão da
do trabalho com um conjunto de textos
que já existiam textos antigos traduções
mais antigas latinas que já existiam que
ficaram conhecidos essa coleção ficou
conhecida como vetos Latina Então já
havia essa coleção Jerônimo
revisa
trabalha sobre isso e
produz então a vulgar a Latina
Latina utilizada tradução né de as
traduções a tradução Latina passa a ser
usada pela
igreja católica Romana né a igreja do
ocidente ao passo que a igreja do
oriente usava os textos gregos né
Tanto do
aceptuaginta e usava o texto grego do
novo testamento essa tradução Então
passa a ser bastante usada no contexto
da no contexto Romano no contexto
ocidental
como a gente disse aqui a partir da
ventos Latina que isso é feito ao passo
que as traduções bíblicas não são
autorizadas né as traduções bíblicas
para línguas românicas as línguas
populares não eram autorizadas a gente
vê aqui nesse nesse tempo da idade média
traduções para outras línguas mas
línguas que não estavam aí atreladas ao
latim ao império romano mas não havia a
possibilidade aí de
traduzir a bíblia nesse primeiro momento
para as línguas da atual França da atual
Espanha Portugal porque
havia a versão oficial a tradução
oficial que era a tradução
era vulgata né E isso não não dava
não dava direito não dava autorização
não se dava autorização para que outras
outras
isso fosse publicado em outras línguas
houve tentativas houve bastante houve
bastante tentativas por exemplo houve
tentativas portuguesas desde o século 14
registradas aí Dom João primeiro
a Don Diniz né traduziram trechos da
Bíblia mas obviamente como isso não era
permitido isso não era autorizado né
Essa essa
esse trabalho não foi adiante embora
houvesse interesse então o nosso
objetivo aqui é demonstrar Justamente
esse interesse nas traduções isso não
aconteceu só em Portugal isso aconteceu
em vários lugares O problema é que as
pessoas
eram
bastante perseguidas
se insistissem nisso e muitas pessoas
foram condenadas
Justamente por isso né um exemplo aí é o
Luiz de Leon que traduziu o Cântico dos
Cânticos
para
o francês e
criticou a tradução da vulgata né em
várias em vários trechos especialmente
Jó
e foi bastante né teve a sua vida
bastante dificultada porque nessa época
não era possível nessa essa tradução
essa essa
traduções não eram autorizadas ainda
veio reforma né esse período aqui que o
próprio Luiz deleion que estava no
contexto católico
no contexto protestante da reforma
a
tradução as traduções começaram a
enfermercer né então assim embora
houvesse uma proibição no contexto
católico o contexto reformado
[Música]
efervesia e não só
as traduções iam daí começavam a
aparecer a partir do século 16 no século
XV século 16
mas também traduções né desse contexto é
formado
17 e tal mas também essas traduções
passam a ter uma
influência positiva nas próprias línguas
dessas dessas comunidades então por
exemplo a tradução de Lutero a tradução
da Bíblia para o alemão teve um impacto
na própria sistematização da língua
uma coisa parecida também aconteceu com
a as versões para o inglês as traduções
para o inglês
a mais conhecida a versão Candy de 1611
que também trouxe para a língua bastante
contribuições tanto de palavras como de
expressões que são até hoje usadas
na língua que vem dessa tradução que
foram expressões cunhadas nessa tradução
de 1.611 algo parecido acontece também
em alemão e outras línguas as traduções
para as línguas particulares
Traz essa aproximação né Essa
popularização do texto bíblico e também
é trazem
contribuições para a própria
sistematização das línguas locais
Enquanto isso o tratamento teórico da
tradução continuava sendo feito pela
filosofia aí em maior parte filosofia e
filosofia
é porque a
tradução era um ofício né era vista como
um ofício e não uma ciência não como um
não havia textos nem prescritivos e nem
descritivos do processo de tradução Como
funcionava como não funcionava era
realmente uma
atividade
ligada assim o pensamento ligado à
tradução era mais ligado à arte né ter a
arte de fazer a tradução ou simplesmente
algo prático né algo voltado para
uma situação de necessidade Vista
Então como o advento aí da linguística
moderna da chamada linguística moderna a
partir dissocia a gente tem a gente
passa a ter a tradução com o tratamento
um tratamento linguístico né Então aí a
linguística moderna começa
a prestar algumas contribuições para
esse desenvolvimento também
da
dessa área né que vai isso vai
desembocar no final do século passado
com o
aparecimento né o florecimento não sei
se a gente pode falar de surgimento Mas
enfim popularização o início de uma
popularização maior desse desse termo
paradologia
e sim o nascimento de uma ciência ou de
uma disciplina autônoma disciplina que
tem as suas próprias
características descritiva sua própria
metodologia e é só para que surgem da
reflexão
interna né claro sempre utilizando
Alguns alguns
métodos interdisciplinares Mas algumas
comparações interdisciplinares mas
em grande parte de maneira
autônoma prestando contribuições também
para as outras áreas
e nesse contexto a gente tem alguns
nomes que se destacam primeiro deles sem
dúvida é o nome do romania
que foi um grande linguista de origem
russa que
saiu da Rússia por motivos de
perseguição
política foi
peregrinando pela Europa até que segundo
alguns relatos né de maneira aí mais ou
menos Milagrosa conseguiu aportar nos
Estados Unidos onde viveu até todo o
restante da sua vida e foi lá trabalhou
em grandes centros de linguística Como o
próprio emitir
deu importantes contribuições para a
fonologia as áreas da fonologia para as
áreas da
enfim outras áreas e até mesmo áreas de
relativas a literatura
enfim
escreve um texto sobre tradução também
e apontam artigo sobre tradução em que
ele
aponta assim como os a posição da
linguística né de que a tradução é um
fenômeno de interação entre línguas
e para a gente entender um pouco essa
discussão Qual é a contribuição uma das
contribuições da linguística para essa
discussão é o fato de que a gente
é aquelas ideias iniciais de que vamos
traduzir palavra por palavra Vamos
pensar vamos focalizar aí a nos nos
na questão formal vamos vamos pensar na
no sentido né da das palavras e entender
interpretar esse sentido e aí a
contribuição é a partir do próprio
pensamento estruturalista que esse
início
do pensamento linguístico moderno
voltar né remeter ao signo linguístico
né E aí quando a gente fala de signo
linguístico a gente tem duas questões
primordiais aí a questão do significado
e do significado e a própria questão da
arbitrariedade do signo né então para a
gente entender isso não que o que tudo
isso quer dizer
o significante como a gente disse lá na
primeira aula para a
linguística até a posição aí é uma das
dicotomias principais do Social o
significado seria a
dizer de maneira mais simplificada aqui
seria a palavra vocábulo na língua que
evoca
um conceito e o significado seria esse
conceito né então para a gente explicar
né
um exemplo que talvez aí a um dos uma
das palavras mais dadas e que é a
palavra mesa pensaria na palavra mesa
então quando eu digo esse sonhos mesa né
esse fluxo sonoro mesa é o significado
em português então o significante em
português mesa que é esse essa esse
vocábulo essa enunciação
é o significado porque é algo que evoca
um sentido que evoca um conceito e
quando eu digo mesa todo mundo que me
ouve Pensa nessa categoria de sentido né
nesse nesse conjunto de traços
que
compõem essa categoria mental mesa
nenhum nem a palavra nem o fluxo sonoro
que eu liberei nem o conceito são o item
do mundo real
então quando eu se eu tiver alguma mesa
para para olhar para observar né Essa
esse é um item é um objeto próprio do
mundo real
o que eu tenho representado mentalmente
o conceito que eu tenho o significado
que eu tenho que eu ativo
seria para a linguística seria uma
normalidade Vamos colocar dessa maneira
né uma normalização de todas as mesas
que eu já vi na minha vida a junção
dessas características né pelo fato de
eu ter visto várias mesas né na minha
vida eu criei um conceito nesse conceito
que eu tenho na minha na minha mente
nesse conceito eu tenho alguns
parâmetros que me ajudam a reconhecer
uma mesa identificar uma mesa quando eu
vejo uma
então é um objeto um objeto que pode ser
de madeira ou que pode ser de metal é um
objeto que geralmente tem um tampo e Tem
algum tipo de pé ou de pés
né tem um formato característica pode
ser Redondo pode ser quadrado pode ser
oval geralmente está próximo de cadeiras
serve para se apoiarem outros objetos em
cima né então existem uma série de
características que estão atreladas esse
conceito que me ajudam a reconhecer um
objeto no mundo real então o conceito é
uma coisa objeto do mundo real é outra
e o significante é uma terceira coisa
então o signo linguístico Por que que o
signo linguístico é a junção né é são
como se fosse uma moeda os dois lados de
uma moeda o significante é essa
palavra o significado é esse vocábulo
que eu tenho na língua esse fluxo sonoro
que eu tenho na língua que evoca essa
categoria A categoria essa representação
mental possui traços de sentido e esses
traços de sentido que performam essa
categoria mesa
me
ajudam a reconhecer uma mesa identificar
uma mesa no mundo real qualquer mesa que
eu vi eu vou comparar dizendo assim
grosso modo né vou comparar
com essa minha categoria E aí vou
reconhecer ou não aquele aquele item
como sendo tal tá então
isso para explicar que
a gente tem cada língua cada comunidade
cada Cultura
vai ter uma maneira diferente
de criar tanto significantes e
significados Então os significados que
existem nas línguas
são criados a partir das experiências
daqueles falantes
então por exemplo se eu for para o
Polo Norte lá para o norte do Canadá
para Groenlândia enfim se eu for para
uma região
no próximo Polo Norte
as pessoas lá provavelmente as línguas
que as pessoas falam por lá né nos povos
mais isolados
vão ter muitas palavras para neve para
gelo para branco
a divisão do espectro de cor vai ser
muito diferente para eles e para mim
talvez eles não tenham tantas palavras
para outras né talvez eles não têm
algumas categorias de significado
que eu tenho
né para inseto por exemplo talvez quem
quem mora numa região onde existem mais
insetos na região mais Tropical como é o
caso do Brasil
Provavelmente tem mais quanto mais
insetos você tem
na área diferente você tem palavras
diferentes para esses insetos e às vezes
uma outra parte da mesma da mesma do
mesmo país uma outra comunidade já não
tem tantas palavras porque as categorias
de significados são criadas pela
comunidade com base nas experiências
daquele povo
e o significado é arbitrário
o significante arbitrário porque quando
eu digo a palavra mesa não existe nada
na mesa no formato da mesa que me remeta
esses sonhos
por isso eu digo em português digo mesa
mas em inglês eu digo table que não tem
nada a ver com a palavra mesa
então a composição a
palavra que a gente usa né o significado
que a gente usa para é
trazer né ativar esse significado esse
conceito é uma palavra formada
arbitrariamente por essa comunidade de
fala e o significado da própria
categoria também é formada pela
comunidade com base nas experiências
culturais nas experiências sociais que
aquelas pessoas têm por isso é que
se eu baseio a minha tradução
nos significantes
se eu tento procurar um significante em
português e um significante em inglês e
faça essa
tradução né nesse cruzamento
eu posso não eu posso ser facilmente
induzido o erro
por outro lado seu olhos apenas o
significado eu também posso ter problema
porque os significados são construídos
de maneira diferentes nas línguas
diferentes tá para a gente ver isso se a
gente vê por exemplo eu comecei a falar
sobre o exemplo de cores né a maneira
como línguas diferentes
dividem o espectro de cores
é diferente
então em algumas línguas a mais palavras
a mais divisões de cores do que em
outras línguas
Então o que é visto como verde e azul
algumas línguas tem uma palavra para
verde claro e outra para ver de escuro
outras línguas não
não tem uma palavra específica
Então isso é só um exemplo
a tradução vai esbarrar muitas vezes
nesse nessa questão e outras questões
também importantes e se vocês forem
tendo aí perguntas vão escrevendo para
gente nos comentários que daqui a
pouquinho a gente vai a gente vai
começar a conversar e responder as
perguntas tá então não se esqueçam aí de
registrar para a gente responder daqui a
pouquinho
então a já primariamente
com com só com esse com essa primeira
com essa Primeira ideia aqui do signo
linguístico a gente já tem
a gente já precisa realinhar aí bastante
coisa na visão da tradução né não é
possível uma uma equivalência direta
entre as palavras Claro Línguas muito
parecidas talvez línguas é parentes né
por exemplo português e o espanhol
e o Galego São línguas parentes né e o
português o espanhol o espanhol no caso
Castelhano na surgem do galego português
e O galego português surgiu do latim a
partir do latim
provavelmente
eu vou ter categorias em comum algumas
categorias em como outras diferentes
provavelmente eu vou ter significado
tinha muitos exemplos de palavras
em português espanhol que são
testemunhas disso né se você diz
embaraçado o embaraçada em português é
uma coisa vocês desembaraçada em
espanhol é outra coisa completamente
diferente
se você diz é
esquisito em espanhol esquisito em
português são palavras completamente
diferentes
são significantes que ativam
significados totalmente diferentes nas
duas línguas
Então é isso se dá porque as línguas
utilizam aplicam o significantes de
maneira arbitrária de maneira
sem ter nenhuma
sem ter nenhum lastro não ter nenhuma
Âncora na palavra em si não existe nada
na palavra mesa ou na palavra
café enfim que remeta ao objeto do mundo
real ou ao conceito por isso é que as
línguas têm podem ter né palavras muito
diferentes e conceitos muito diferentes
outro nome é importante e a gente já tá
caminhando aí para o fim
dessa apresentação outro nome bastante
importante é o
Johnny
que era conhecido pelos seus alunos como
iam
um linguista escocês
que teve um trabalho bastante importante
também das áreas de fonética e de
linguística geral também escreveu sobre
tradução e aliás Ele publicou um livro
inteiro sobre sobre tradução e esse
livro também que trouxe uma contribuição
muito interessante
abordou aí é a interação dos níveis de
análise da linguística como é importante
entender em cada língua a ideia
a ideia das palavras não só a ideia do
léxico daí a gente vai nas próximas
aulas falar sobre esses níveis de
análise também
não só as palavras que existem na língua
mas como é que ela se formam naquela
língua e na outra como é que elas é como
é que elas se juntam para formar as
sentenças né como é que ela se organizam
no nível da sentença no nível do
discurso a questão da variabilidade as
duas línguas são variáveis toda a língua
natural é variável a gente estava
conversando sobre isso na aula passada
né então tanto aquele texto original é
uma possibilidade dentre variedades que
são conhecidas naquela né pelos falantes
daquela língua como também o texto é de
chegada também precisa entender essa
variabilidade que existe no outro
contexto
E além disso o próprio a própria ideia
de traduzibilidade né algumas coisas não
são traduzíveis no sentido de que
é alguns jogos de palavras por exemplo
não são possíveis de se perceber na
outra língua então é alguns algumas
expressões idiomáticas né se existe uma
uma focalização aí em uma palavra de uma
expressão idiomática ela isso pode se
perder na tradução né Isso pode ficar de
fora
da possibilidade de tradução quando a
gente diz
alguma coisa do tipo
é pegar no pé de alguém né pegar no pé
de alguém não quer dizer né puxar a
perna da pessoa puxar a pessoa pelo pé
não é nada disso pegar no pé de alguém
tem um significado específico que todo
falante de português vai compreender que
não tem nenhuma relação com nem com a
palavra pegar e nem com a palavra pé né
tem uma outra ideia
então se eu pego essa essa expressão
pegar no pé e traduz ao pé da letra
palavra por palavra para uma outra
língua isso não vai fazer sentido e se
eu tiver fazendo por uma piada um jogo
de palavras
em que seja necessário que a outra
pessoa entenda pegar no pé ou então uma
referência ao pé de alguém alguma coisa
assim Isso é introduzível isso é
traduzível porque a não ser que eu te
encontro uma outra língua em que haja
uma expressão igual uma expressão
parecida uma expressão em que pegar no
pé ou alguma coisa relacionada ao pé
tenha esse sentido de exigir algo de
alguém tenha sentido de de
pedir de maneira muito insistente né de
insistir com alguém ou algo do tipo
então algumas algumas coisas podem ser
introduzíveis quando a gente leva em
consideração os níveis de análise o
sentido a variabilidade nas línguas
esse também é um contexto importante e
é um terceiro linguista é também
relacionado aí com o contexto evangélico
foi o uild needa que a trabalhou como
linguista
no samba
organização americana que se dedicou que
se dedica a documentação de línguas
agrafas de línguas indígenas de línguas
de povos isolados
e com base nisso ele escreveu um extenso
trabalho sobre tradução
e por conta da sua da sua relação
inclusive com a tradução no contexto
bíblico né ele foi capaz de fazer uma
comparação bastante aprofundada
da do que dizia linguística né nesse
momento estrutural gerativismo
estruturalismo relativismo e e
outras
descrições
posteriores conseguiu colocar tudo isso
em termos de exemplos em termos de
método de tradução Como fazer uma
análise de significado como fazer
análises de frases como pensar
Como entender o mapeamento da
experiência pelo signo que a gente
tratou né agora pouco
é para para que a a tradução seja feita
é preciso um segundo uniram e ele fala
sobre isso explica com bastante detalhes
sobre isso no seu livro
como se faz esse mapeamento através da
própria tipologia linguística né
reconhecer os tipos de línguas
entender esses pares de línguas que
estarão envolvidos em um processo de
tradução fazer um mapeamento cultural
para que a tradução
se comunique né tradução não é uma
questão simplesmente de dizer uma
palavra de outra maneira em outra língua
existe aí uma um interesse na questão
comunicativa né
que é bastante importante né
existe uma questão expressiva nem existe
também uma questão comunicativa não é só
expressar algo em outra língua mas
também é comunicar algo em outra língua
E aí
pelo fato de que a
significantes e significados em línguas
diferentes podem ter aí é
apresentações muito diferentes além isso
foi só uma das coisas que a gente tratou
né a gente poderia tratar em várias
outras áreas de análise linguística né
como as palavras se formam a diferença
da formação de palavras a diferença
da maneira como as palavras se organizam
nenhuma uma questão aí da das tradições
mais ligadas à forma
traduções mais antigas inclusive língua
portuguesa a gente percebe
uma certa cópia do
da ordem de palavras
na no texto original Mas acontece que
essa ordem de palavras tem a ver com a
língua original né o hebraico
especialmente o hebraico bíblico é uma
língua que tem
tipologicamente na linguística tem uma
ordem verbo sujeito objeto quer dizer
começa com o verbo depois vem o sujeito
e depois vem o objeto o português tipo
logicamente é uma língua sujeito verbo
objeto
então quando essa tradução é feita
a ordem das palavras precisa receber
atenção para que o texto é o texto final
né o texto traduzido comunique de fato
as pessoas a gente vê umas traduções
antigas né e disse Deus
as pessoas muitas pessoas já se
acostumaram a essa tradução né mas a
ordem em português seria e Deus disse
E aí a gente vê em traduções
mas recentes a gente vê essa essa a
própria disposição só tô dando um
exemplo aqui sintático né o exemplo de
disposição de palavras mas há vários
outros exemplos há várias outras
questões tanto de expressões idiomáticas
de construções lexicais de questões
[Música]
poéticas né de estilo
uma coisa que introduzível
que existe na poesia poesia Hebraica é
bastante tem uma característica muito
interessante uma das características
interessantes bem interessante da poesia
Hebraica é é o acróstico Então são as os
poemas e acrósticos então a Salmos que
são
iniciados que cada
grupo diversos ou até cada verso é
iniciado por uma letra do alfabeto
E isso não aparece obviamente em
português primeiro porque a gente usa um
alfabeto diferente
e mesmo que
né até usasse o mesmo alfabeto seria
muito difícil fazer essa tradução para
línguas tão diferentes por isso que você
vê em vários se vê em alguns Salmos né
aquelas os nomezinhos das letras
hebraicas ah né
antes e como se fossem títulos né porque
não é possível não é traduzível a
maneira como está no original que é
começar o primeiro primeiro verso né do
primeiro conjunto com uma palavra que
começa com a primeira letra começa com a
letra aí no outro conjunto diversa tem a
primeira a primeira letra
nesse conjunto tivesse eu bait que é
segunda e assim sucessivamente isso não
é possível em português isso não é
traduzível né então é preciso é um
mapeamento da experiência pelo signo né
entender esse mapeamento que aquela
língua faz
entender a tipologia linguística né
Quais são as
modo qual é o modo de operação daquela
língua
entender qual é o modo de operação da
língua alvo
para que haja comunicação né para que
haja essa interação dos textos interação
das línguas fora isso a gente tem uma
outra questão bastante importante tempo
e lugar diferente não é
isso não costuma
ser sempre levado em consideração mas a
contextualização também é bastante
importante o contextualização do texto
original com relação ao tempo ao espaço
geográfico
isso também bastante importante para
que a tradução a comunique e não tenha
diversos trechos em traduzíveis né
diversos trechos que não comunicam e
mesmo assim a tradução é Um Desafio e a
tradução
permanece
na nessa
nesse nessa frase bastante conhecido o
tradutor continua sendo traidor não
porque queira ser
traidor mas no sentido de que ao se
traduzir algo ao se dizer algo em outra
língua
vai haver detalhes vai ver nuances que
vão ficar de fora vão ficar como se diz
em inglês Lost vou ficar Perdidos na
tradução não porque o tradutor queira
Mas porque as muitas vezes não existe
possibilidade linguística de se
expressar determinado detalhamento
então se você pensa numa língua
como português que diferencia ser e
estar
então eu posso dizer
é eu sou professor e eu posso dizer eu
estou professor que são coisas
diferentes isso não é possível em inglês
por exemplo
não é uma língua bastante conhecida não
tem um verbo para ser e outro verbo para
estar
é só para dar um exemplo de duas línguas
bastante conhecidas nossas
Agora imagina determinadas questões
verbais e terminando as questões de ação
determinadas nuances que não são
visíveis quando a gente traduz para
outra língua
então essa questão da da comunicação é
um desafio é algo bastante complexo
bastante algo bastante é que é bastante
pensamento né que é bastante atenção
análise linguística comparativa bastante
importante e para a gente finalizar aqui
eu quero só falar de mais
duas pessoas ou três pessoas aqui
bastante conhecidas não poderia deixar
de citar já que a gente está falando de
tradução não é
que são o conhecido aí
João Ferreira Anis de Almeida
que é bastante conhecido e como
a
aquele que pelo menos iniciou né a
tradução que leva o seu nome
tradução bastante tradicional bastante
conhecida no contexto dos Países de
Língua Portuguesa ele começou a enganar
adolescência traduzir depois de se é de
se converter ao
se tornar protestante em viagem pela
pela Ásia
e com conhecimento bastante limitado mas
ele começa a fazer essa tradução mas
infelizmente falece antes de terminar E
aí o trabalho terminado pelo pastor e a
Como
que termina a tradução
do Antigo Testamento a partir de
Ezequiel se eu não me engano termina a
tradução do Antigo Testamento e publica
essa essa tradução aí com bastante
dificuldade Porque como a gente viu era
proibido né na no contexto católico que
era hegemônico em muitos lugares Então
isso é publicado num país num país que
tinha ali influência reformada
o próprio Jacobs era Batavo né era era
do contexto Holandês Então
é isso não poderia ser publicado por
exemplo em Portugal não só mais tarde
que isso pode ser e era bastante
diferente né A primeira primeira cara
tudo do autografia em língua portuguesa
não era fixa então duas vezes que a
mesma palavra parecida parecia de
maneira diferente né havia umas letras
meio diferentes ali né uma forma de
gravar o s Medial era diferente do S
final existe
umas formas um pouquinho diferentes
algumas palavras tinham grafias
duplas triplas né
Então quem tiver curiosidade pode depois
aí pesquisar a gente tem algumas coisas
começando a aparecer é claro que as
primeiras as primeiras versões e faxinas
são bem difíceis de de encontrar ainda
mas existem versões do século 19
já do século início do século 20 que
podem ser aí acessadas até de maneira
completa
pela pela internet Então essa essa
versão aí que é uma das mais conhecidas
foram feitas com um ambiente bastante
dificuldade depois que começaram a ser
revisadas e as pessoas começaram Claro
com os com os entendimentos né pode
talvez depois de ler iaca precisa Depois
de ler Nina é começaram a entender o
desafio da tradução
E aí as
traduções passaram a ser feitas por
comissões né grupos de pessoas às vezes
muitas vezes de vários países de vários
contextos
Para que houvesse a possibilidade de
análise múltipla tanto das línguas
originais como das línguas da língua
é alvo dessa variabilidade toda de todas
essas questões de contexto questões
arqueológicas que iam e continuam
aparecendo e explicando várias coisas
várias questões antes sem Não muito bem
compreendidas e as próprias e os
próprios detalhes né da apresentação das
línguas
e tem esse também obviamente uma pessoa
que não sei se vocês conhecem de repente
já ouviram falar né que se chama Luiz
Sayão é
nosso amigo linguista ibrahista
Professor pastor teólogo que trabalhou
na como coordenador de algumas versões
Que nós conhecemos aí hoje em dia entre
elas a nova versão internacional em
português
Almeida Século 21 e outras bíblias de
estudo outras textos também é com essa
preocupação
com o desafio da tradução né Não tomando
a tradução como simplesmente uma
transposição de palavras de uma língua
para outra mas é entendendo o contextos
entendendo informações da arqueologia
entendendo das línguas né tanto das
línguas originais como
das línguas
da língua portuguesa nas suas
variabilidades e com outras preocupações
ainda que a gente nem citou aqui uma
delas é a própria legibilidade
uma preocupação de que a maior número de
pessoas possível pudesse ler e entender
e pudesse ter essa esse texto
comunicado de maneira clara
e bom então é nós teríamos aí muito mais
coisa para falar mas infelizmente nosso
tempo não permite eu quero aqui ver as
perguntas
que vocês estão
fazendo
sobre esse tema
bom então aqui a gente tem a pergunta da
Marília né atualmente os cuidados e
critérios para quem escreve Bíblia em
paráfrase bom
assim
a tradução para frágica não é um
problema em si né
claro que a gente precisa tentar para o
objetivo que a gente tem Claro que
sempre tem que haver um cuidado naquilo
que se está comunicando né
Precisa ver aí uma sintonia uma
precisa ver um alinhamento do que o
texto diz texto original diz uma
compreensão acho que essa é uma das
partes mais complexas né uma Compreensão
é Ampla do contexto um entendimento
daquela língua que é uma língua muito
antiga em relação a língua a nossa
língua o entendimento de que impacto
Aquela aquele texto teve nos seus
primeiros leitores
e a partir disso entender também
Como comunicar isso na língua de hoje
que tenham Impacto semelhante e que
é
a com base naquela Nossa análise aí dos
análise do signo linguístico né e das
próprias partes da língua que isso faça
sentido né que isso seja
resulte em algo traduzível Justamente
por isso que a paráfrase é mais
complicada porque a paráfrase é feita
geralmente por uma pessoa
é feita de maneira um pouco mais
um pouco mais rápida
e a análise que é feita não é uma
análise talvez tão
tão complexa né então é mais uma leitura
com o entendimento dentro dos meios que
que são possíveis para que ele para
aquele é leitor para que ele tradutor e
essa essa paráfrase então que que é
feita geralmente é um pouco mais um
texto um pouco
mais solto eu vou dizer que uma palavra
que não com sentido negativo né que isso
seja de compromissado mas é que é
não há espaço Talvez para um cuidado tão
detalhado como aquele que acontece no
âmbito de uma comissão que há inclusive
aí a discussão trabalhos mas mas é
detidos sobre a questão linguística
nós temos aqui a pergunta dos desenhos
representativos na Bíblia bom em muitos
e muitos espaços e muitas culturas os a
questão artística esteve atrelada a
fé e a religião
em outros contextos não em outros
contextos menos né
existem aí algumas diferenças
bastante interessante
se analisar
entre os romanos o que os romanos
costumavam fazer mais era uma questão
mais ligada à escultura e os já os
ortodoxos os gregos tinha uma questão
mais
as pessoas brincam dizendo que os
romanos eram mais três deles e os
ortodoxos mais dois de E aí nesse nesse
sentido havia essa representação bom a
arte sempre teve atrelada
historicamente
desde até antes do
Advento do cristianismo nessas culturas
Tá mas em outras em outras culturas não
e outras comunidades não e na nossa no
nosso
nosso contexto Cristão brasileiro de
perfil mais protestante mais evangélico
é houve uma uma rejeição de Algumas
propostas mais artísticas
talvez aí pela pela avaliação ou pela
relação que muita gente fazia
entre
a essas representações artísticas e
outras profissões de fé outras culturas
e outras religiões então
não sei se eu respondi eu acho que é
mais ou menos por aí
quanto a traição o português tem sido
muito utilizado com estruturas de outros
idiomas
olha Júlio realmente ainda hoje pela
manhã estava conversando com um aluno
daí do
da Universidade
trabalha com contexto de de jogos né de
videogames e tal e ele comentava comigo
várias palavras e verbos enfim é Que Tem
surgido ultimamente
no na comunicação desses desses jovens
né muitos dessas muitas dessas palavras
não são né Tem minhas dúvidas Elas
seriam compreensíveis num contexto maior
no contexto Mais amplo essas essas
traduções assim mais apressadas vão vão
criando
espécie de dialetos né vão criando aí
maneiras de comunicação que separam as
chamadas tribos gerações mas recentes
que tem um perfil
mas específico se identificam pelo uso
dessas palavras né quase que aí uma
criação
de não de uma língua mas de uma
variedade de uma língua que identifica
essa esse grupo então isso realmente
fica bastante difícil de as pessoas de
outras gerações
entenderem esse e se aproximarem em
algumas delas eu estava dizendo
justamente a ele que isso algumas
relação meio apressadas né palavras que
já existem em português e que poderiam
ser usadas mas que acabam sendo isso não
só no contexto dos Games isso também no
contexto de algumas áreas mais
recentes a própria
área de Tecnologia da Informação
as áreas ligadas às tecnologias né
costumam ter aí e as áreas também de
negócios relativos a negócios também
costumam ter bastante termos importados
alguns deles interessantes conceitos que
a gente não que não tem facilmente
acessar vídeos mas alguns outros que a
gente tem em português e a gente acaba
gerando palavras em duplicidade
talvez por algumas traduções mas
apressadas
nós temos aqui o estudo do grego avançou
muito fora do Brasil mas aqui as
gramáticas não avançaram no que tange a
análise de discursos sintaxe como isso
influencia as nossas traduções modernas
uma boa pergunta
simplesmente Aí talvez mais tarde uma
apropriação das mesmas categorias
gramaticais
[Música]
em materiais mais conhecidos nem
gramáticas mais conhecidas até no início
do estruturalismo mas parece que a coisa
estacionou ali pelos anos 50 e 60 né no
Brasil em termos de modelo E aí os
estudos de discursos estudos é de de
sintaxe mesmo se trata de negativa e
análise do discurso mais estruturalista
[Música]
voltada para
semântica formal
acaba não sendo tão aprofundado e tem
uma outra questão né muitos dos cursos
são ou deveriam ser mais instrumentais
isso quer dizer que o texto o ensino de
uma língua no contexto de seminário
deveria ser mais voltado para ajudar a
pessoa ler aquela língua do que ensinar
as categorias gramaticais daquela língua
então assim até mesmo a maneira de
formatação dos cursos
Fica devendo
não estão generalizando obviamente mas
muitos cursos
mais antigos e mais conhecidos acabam
sendo somente os quadrinhos o quadrinhos
dos pronomes o quadrinhos dos artigos o
quadrinhos dos verbos
e
quando Poderias assim
isso poderia ser um pouquinho mais
alinhado com a própria leitura em si dos
textos
e dos
a própria prática com a língua né com a
língua que se quer
que se quer ativar
sobre a influência disso nas traduções
modernas
[Música]
eu acredito que
não sei se nas traduções modernas isso
influencia tanto porque obviamente as
comissões que que
participam desses traduções não são
comissões de alunos
então é
essas
nessas comissões há muito mais material
sendo discutido e sendo
né da maioria pelo menos naquelas que
sobre as quais eu tenho notícia é muito
mais material sendo discutido do que
aquilo que de fato acaba fazendo parte
dos estudos no contexto de seminário e
até mesmo de pós-graduação
então é
hoje a gente tem materiais mais com mais
notas rodapé a gente tem materiais mais
que quando acontece uma uma questão de
introduzirbilidade isso é explicado de
alguma maneira
acho que
consegui responder mais ou menos aí
muito bem meus caros não houver mais
alguma
mais alguma pergunta eu já vou até por
conta do nosso horário me despedindo por
essa a gente ainda teria muito mais
coisa para falar a própria tradução
automática as traduções automatizadas a
gente tem crescido aí com a inteligência
artificial
enfim por conta dos algoritmos e dos do
manejo de de grandes volumes de dados
mas isso também é uma coisa que a gente
pode retomar Em outro momento
vou me despedindo de vocês e já vou
fazendo aqui o convite para nossa
próxima para o nosso próximo encontro né
nossa nosso próximo encontro
Qual a língua mais difícil do mundo
você tem essa pergunta qual é a língua
mais difícil Será que existe uma língua
mais difícil do que todas as outras aqui
indica que o português é quem diga que é
português quando vai estudar sentasse né
Vai estudar análise sintática as pessoas
ficam com essa ideia de que o português
é a língua mais difícil do mundo não sei
se você também tem essa essa pergunta
fica aí então o convite para nossa
próxima aula quinta-feira a gente vai
abordar esse tema
Uma boa noite para todos bom dia boa
tarde e a gente se vê então na semana
que vem até lá

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