Linguagem, Fé e Comunicação: Tradução: a tradição dos tradutores traidores? | Leandro A. | IBNU | 03
29/09/2022
Linguagem, Fé e Comunicação: Tradução: a tradição dos tradutores traidores? | Leandro A. | IBNU | 03
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[Música] Olá a todos sejam muito bem-vindos a essa terceira aula do nosso curso linguagem e fé e comunicação bom dia boa tarde boa noite para o pessoal que está aí se conectando dos mais diversos lugares e hoje a gente vai falar sobre esse tema tradução a tradição dos tradutores né O que será que envolve esse tema da da tradução que isso tem a ver com a tradição e o que isso tem a ver também com a ideia de traição né a gente vai abordar aí essas três vertentes e também claro a gente vai como sempre ver aqui como algumas ideias da linguística podem oferecer aí uma contribuição para os estudos e também para prática para a própria prática nesse caso aqui da tradução a gente no contexto cristão no contexto da da Bíblia está bem acostumado né a falar de traduções de versões e lidar com essas com essas questões né Geralmente as perguntas sobre como funcionaria essa como funcionaria essa prática Geralmente vem a nossa mente e a tradução por muito tempo ela foi vista e tem sido vista como apenas uma na sua dimensão prática isso quer dizer que a chamada ciência descritiva da tradução ao estudo científico da tradução é um estudo bastante recente né a chamada tradutologia É uma disciplina como disciplina como disciplinar autônoma é um estudo bastante recente os estudos da da tradução é geralmente estavam ficavam cargo de outras de outras ciências de outras disciplinas a própria filologia né tradicionalmente aí a filosofia a mais tarde a linguística a semiótica a literatura comparada então o extratores em si né as pessoas envolvidas com a tradução não enxergavam isso não enxergavam a tradução com Contorno teórico né de maneira teórica e por esse motivo a como eu disse a tradologia que é a expressão aí da da o pensamento sobre a tradução como uma disciplina autônoma é bastante recente data Aí talvez do finalzinho do século passado né em que começam se a definirem as bases do que seria esse esse estudo Então vamos começar aqui a nossa o nosso nossa viagem nossa trajetória de hoje né que a gente vai falar um pouco de História porque o pensamento sobre a tradução ou enfim a tradução prática tradução no seu na sua acepção prática é bastante antiga a gente tem aí indícios bastante antigos de traduções e a gente também tem documentos bastante antigos de tradução entre os indícios mais antigos que a gente pode mencionar sobre tradução a gente remontaria aí a dois mil anos antes de Cristo na região da Ásia menor região próxima né o Oriente próximo ali e a gente tem indícios de que os babilônios os assírios e os hititas faziam traduções de documentos e comunicações oficiais Então essas esses indícios bastante antigos a tradição né as tradições sobre Esses povos dão conta disso De que já era uma prática Entre esses bem antigos a tradução entre as suas línguas e a gente tem um pouco mais ainda bastante antigo Mas um pouco mais recente a gente tem a chamada pedra de roseta que data do século segundo século terceiro antes de Cristo e que foi descoberta apenas aí no século 18 né E essa pedra é bastante interessante porque ela contém inscrições do egípcio na mesma pedra na mesma peça ela contém inscrições em egípcio antigo egípcio tardio e grego antigo e ela foi aí uma das um dos principais achados arqueológicos que deram origem ao início deram origem aos estudos da egitologia né o estudo dos próprios hieróglifos e se trata de tradução né de uma tradução aí é em bastante importante na história obviamente que assim a primeira grande tradução de fato documentada que a gente tem e até enfim é preservada que a gente tem é a tradução chamada de septuaginta ou tradição tradução dos 70 que é a tradução do da Bíblia Hebraica né o antigo testamento para o grego né nessa nessa época o mundo conhecido então estava helenizado por conta das das conquistas de Alexandre o Grande e por isso a língua Franca né era então um grego chamado grego comum e a septuaginta é uma tradução que coloca esse Coloca esse esse material né o a Bíblia Hebraica nessa língua de grande importância e de grande relevância naquele momento e essa é a primeira grande tradução de que se tem notícia e a tradução da Bíblia Hebraica tradução da septuaginta a porção em que nós cristãos conhecemos com o motivo testamento é ela deu esse esse pontapé inicial mais a essa interação entre as línguas na Europa começa a partir daí então é a florecer a gente tem aí o reconhecido como o primeiro tradutor europeu o livro androcio atômico perdão em 250 antes de Cristo ele traduz a odisseia de Homero grego para o latim e a tradução é para os romanos era algo bastante bastante comum havia em certa medida aí uma uma grande interação entre essas duas línguas né os romanos principalmente os romanos mais considerados mais curtos mais nobres conheciam muito bem o grego e a tradução era algo tida como era algo tido como natural embora o conceito de tradução nessa época não fosse um conceito físico um conceito fixo havia a estrada dos sonhos né as pessoas faziam as traduções mas como a gente disse anteriormente as traduções não não se não se pensava tanto na metodologia em uma metodologia para a tradução a tradução era mais vista no seu na sua característica prática do que propriamente na sua característica teórica né na sua conceituar na sua conceitualização isso era ficava notório com as palavras que eram utilizadas na época para se referir a tradução né então esse termo em si a palavra em tradução nem nem o conceito era fixo nem as palavras que eram usadas para se referir a essa prática também eram fixas tá então havia palavras comoverter converter transverter imitar sim a palavra imitar era uma das palavras usadas para se referir a esse ato de traduzir E essas palavras mostram para gente que hora o foco estava no texto né o texto de saída que a gente chama o texto Inicial texto original hora o foco do tradutor estava no texto de chegada né isso dependia do momento dependia da enfim da da cabeça ou do hábito do tradutor Enfim então é esse foco oscilava nem havia outras palavras que mostram também o foco no conteúdo o foco não só na forma mas também nas ideias que estavam sendo traduzidas e a gente tem aí o aparecimento de palavras como explicar todas essas palavras obviamente em latim a gente está falando aqui do contexto do antigo Império Romano né Então as palavras explicar explicar inclusive quer dizer desdobrar desdobrar para fora né ou dobrar para fora interpretar surge também essa palavra interpretar que denotam o sentido mais se aproximando do conteúdo ao mesmo tempo a gente tinha o uso de palavras como exprimir transferir para as ladar que já mostram para gente essa ideia de apreço pela forma de atenção a forma do texto original do texto Inicial inclusive as palavras né contagem das palavras do texto original e as contribuições neolatinas né também aí com o momento momento mais tardio a gente tem o aparecimento das línguas do Império Romano que surgem como desenvolvimento do latim né as línguas chamadas românicas ou neolatinas o próprio português o espanhol francês o italiano também começam a dar contribuições e surgem termos como expor né que é colocar para fora né Colocar de outra maneira com outra visão romancear né uma contribuição aí do francês romancear surge aí com o sentido de transformar em língua romance ou língua romântica né transformar em romântico vulgarizar não tenho sentido negativo nessa palavra aqui tem sentido de popularizar então o vulgos é o vulgo era o povo né então era simplificar popularizar trazer algo que está em uma língua diferente nesse caso aqui até mesmo o latim né para uma língua Popular uma língua mais próxima das pessoas que estavam nessas regiões mais periféricas Então como contribuições neolatinas a gente tem esses termos que começam a aparecer E aí a palavra traduzir de fato vai surgir só mais adiante lá no século 15 para o século XV com esse sentido né de levar através a gente tem outras palavras que tem esse mesmo radical de traduzir né conduzir [Música] abduzir Então a gente tem aí o traduzir que é levar através atravessar de um local para outro de uma língua para outra de um contexto para outro Então esse esse estudo aí das próprias palavras que são usadas mostram para a gente um pouco da Concepção que estava por trás do ato de traduzir embora essa concepção não fosse tão discutida pelos próprios tradutores né parte disso era discutido no âmbito da filosofia da retórica de outras áreas de outras disciplinas daquela época mas não havia uma disciplina de tradução uma disciplina que pensasse sobre uma metodologia que pensasse sobre a maneira de traduzir isso aparece muito depois aparece muito tardiamente um texto é mais considerado científico sobre isso um texto considerado mais técnico Claro que existem aí as discussões filosóficas mas aparece um texto mesmo sobre é mais específico sobre tradução ainda que sobre a éjida da filosofia da própria teologia só aparece com um chá muito tempo depois E aí a gente tem as influências europeias as influências dos Romanos uma das primeiras influências que a gente tem do pensamento sobre a tradução embora que é como dizem aí os tradutores hoje em dia e na tradutologia os tradutores não falavam muito não gostavam muito de falar sobre teoria então muito do que se dizia sobre teoria da tradução metodologia de tradução era dito em prefácios notas de rodapé então não havia uma centralidade nem da do Tradutor como como alguém que que se coloca ali alguém que tem também algo a dizer nem da tradução em si havia simplesmente o foco É voltado para hora o texto original uma proximidade maior com textura original na sua forma ora é uma proximidade maior com esse conteúdo que muitas vezes era acusado né Essa aproximação maior com o conteúdo era era acusar era era base para uma acusação de traição para aproximação ao leitor como a gente vai ver aqui mas Cícero em 46 antes de Cristo escreve o de optimo gênero Oratório e nesse nessa obra ele contribui com essa pergunta né a quem se deve prestar fidelidade as palavras do texto ou pensamento que está sendo trazido por esse texto Então Aqui começa em 46 antes de Cristo né lança-se essa pergunta né Mas por que essa essa pergunta é importante a gente vai ver aqui a seguir alguns anos depois algumas décadas depois a gente tem aí em 13 antes de Cristo Horácio publicando aí a epístolas e nessa nessa epístola ele também trata do tema da aproximação do sentido né aproximação ao sentido E com isso o debate surge né sobre essas diversas divisões da tradução que estavam ali em uso naquele naquele momento notem que a gente voltou aqui um pouquinho a gente foi mais adiante falando sobre as palavras usadas para se referir a tradução nem agora a gente voltou um pouquinho do tempo né Para a gente entender o que estava acontecendo na cabeça das pessoas enquanto elas estavam usando aquelas palavras havia a ideia da tradução como imitação né inicialmente havia essa ideia de que traduzir era imitar o texto original e isso era bastante bastante visível para os romanos né para o contexto europeu porque é os Principalmente as pessoas que que de fato faziam as traduções e muitos dos que consumiam essas essas traduções né também que guiam essas traduções é em grande parte aí de textos gregos né da literatura grega clássica elas faziam isso como o método de estudo né então a tradução era uma importante ferramenta de estudo e não só de estudo como a gente imaginaria hoje né de estudo do conteúdo mas principalmente também da forma e do estilo então havia aí um interesse Muito grande é em se estudarem as estruturas do grego em se estudarem os gêneros literários né para usar uma termo da atualidade mas em perceber essas construções textuais como é que o texto era retoricamente construído e a partir disso também desenvolver essas mesmas essa mesma essas mesmas ideias essas mesmas formas filosóficas retóricas lógicas na sua língua no latim é aperfeiçoar o grego entender essas estruturas e imitar essas estruturas em latim como a gente viu nas primeiras nas primeiras aulas houve em grande medida uma imitação Por parte dos Romanos ou né para usar uma palavra aí mais talvez mais uma palavra mais legal né uma adaptação um ajuste da gramática grega para que das categorias não uso das categorias já colocadas na gramática grega para definir ou para descrever os termos latinos né a língua latina então explicar a língua latina a partir das categorias gramaticais gregas E aí a gente tem né até varão aí a gente tem essa meio que o uso desse molde né e varão ainda coloca da sua Como contribuição é uma algumas especificações principalmente sobre o verbo Latino que tinha e algumas diferenças bastante importantes em relação ao grego mas isso era um esforço muito grande que era feito então já existia essa ideia da não não só de uma comparação mas a ideia é quase que de que a linguagem enfim as próprias línguas as estruturas daquilo que era escrito a gramática era algo pertencente a um todo e que né as línguas particulares o grego e o latim eram manifestações dessa gramática que ficava aí pairando sobre as pessoas bom é no caso do grego e do latim havia e coisas em comum né havia estruturas e a estruturas em comum porque são línguas para usar um outro termo aí da gramática comparada e da filologia são línguas da mesma do mesmo tronco linguístico né são línguas do mesma da mesma origem linguística tem uma origem comum aí no indo europeu são línguas indo europeias agora comparar com uma outra língua que não faz parte desse grupo de línguas aí já ficaria bastante complicado bom então a tradução é havia essa concepção da tradução como imitação como método de estudo e isso a gente não precisa ir muito longe se a gente ver os livros mais antigos de língua estrangeira em cima do língua estrangeira os próprios materiais que ensinam mais antigos né que ensinam latim clássico grego clássico geralmente esses esses materiais trabalham com tradução eles permanecem com esse traço tradicional esse traço da tradição do estudo dessas línguas porque provavelmente porque observam esses livros mais antigos de ensino da língua e são produzidos a partir deles a partir desses livros digamos fundadores fundamentais agora surge também a partir daí de Cícero de Horácio surge esse debate da tradução também como interpretação né E aí é que a as pessoas começam a olhar para a tradução como uma possibilidade de alguém ler esse texto original entender interpretar esse texto e explicar e a forma como isso seria feito né é que ou seria feito com essa tensão entre a entre a forma a expressão formal né o exprimir né ou a explicação desdobramento desse texto original E aí também surge a ideia o debate da ideia né da tradução como elaboração E aí Quando surge essa ideia da essa esse inclusive o próprio Cícero e o Horácio são geralmente bastante acusados pelos formalistas né pelas pessoas que ao longo da história defender uma tradução mais palavra por palavra né uma palavra de uma língua equivale a uma palavra da outra língua e assim por diante era um foram tem sido né durante os anos aí acusados de traição porque o de apoiar uma traição porque é quando alguém elaborasse esse texto né refisse e fizesse algo novo a partir desse texto que estava sendo interpretado traduzido né explicado é isso poderia ser visto como uma traição ou texto uma traição ao texto anterior porque numa ideia formal num pensamento mais formalista essa esse texto traduzido não contém as palavras que as palavras próprias que estavam no texto original acontece que as línguas não tem palavras que se equivalem né como a gente vai ver mais adiante essa ideia que eu consigo encontrar um equivalente para cada palavra de uma língua em outra língua é facilmente é facilmente localizável como Impossível a gente facilmente detecta isso como impossível mas a ideia da traição aqui também pode ser vista pelo outro lado nem tão tanto aquela tradução formal trai o leitor porque procurar uma correspondência ou forçar correspondências que não equivalem nem que não existem nessa língua alvo da língua da tradução na verdade O tradutor está dizendo algo que o texto original não diz então isso trai ao leitor e em certa medida também isso trai ao próprio texto original por isso essa ideia da traição por fim surge também essa ideia da tradução como comparação né então voltando lá aquela aquela prática do uso da tradução como estudo né inclusive estudos das formas estudo das da língua alvo né perdão da língua de saída da língua original da língua do texto original isso também poderia ser feito a partir daí poderia ser feita uma comparação entre essas duas línguas né uma comparação desse trabalho a produzido né Vamos pensar em termos de uma tradução literária o resultado seria uma não a mesma obra na outra língua mas uma obra comparável a obra original e aí nesses termos assim que o Horácio Horacio de Shing plágio de tradução né O que distinguiria o plágio da tradição é seria o a criatividade do tradutor do trabalho do tradutor em [Aplausos] escrever algo novo em produzir algo novo e não simplesmente imitar as palavras do texto original mas é observar comparar é interpretar as ideias e observar e imitar o estilo a retórica a as categorias textuais a maneira de organização das ideias e do texto Então a partir do de Cícero e de Horácio abrem-se essas perspectivas principais né Essas duas perspectivas que são a tradução técnica formal palavra por palavra e a tradução para frástica né quer dizer uma paráfrase daquilo que estava daquilo que havia sido dito que seria mais criativa que seria se daria em termos retóricos e nessa última nessa última esse último tipo seria então é seria então apontada como uma enfaria daria margem para uma estilística comparada quer dizer uma comparação dos estilos de escrita dos estilos textuais na língua original e na língua de chegada né tanto na língua de saída como na língua de chegada até esse momento aqui que a gente tá conversando né dos Romanos e tal a tradução era vista como como a gente já falou né era vista como Ofício um tradutor se viu por muito tempo aí até bem recentemente né o tradutor tradicionalmente se vê como um artesão um artesão que de maneira mais ou menos intuitiva vai procedendo vai vai atuando de maneira artística especialmente aqueles que lidam com tradução literária tem essa essa visão bastante ligada à arte né a arte de traduzir e é por isso que assim por esse motivo pelo fato de os tradutores em si no seu processo de tradução geralmente não não aparecerem nem os tradutores e nem o pensamento embora claro sempre há um pensamento subjacente a a qualquer operação com a linguagem né existe aí uma concepção subjacente mas essa concepção não aparecia nos textos e nem os próprios autores nem os próprios tradutores aliás aparecem nos textos Então essas discussões davam aí dentro de outras disciplinas como a gente já disse né a filosofia a filologia a mais tarde a própria linguística a literatura comparada poética né a própria semiótica também então essas outras essas outras áreas é que discutiam a tradução Nas suas com as suas com seus métodos de pensamento com seus métodos científicos mas não havia uma área autônoma em meio a tudo isso as traduções bíblicas deram uma grande contribuição para essa tradição né para essa tradição da tradução e não só as traduções as traduções era uma prática como de acordo aí com um dos dois uma das expressões italianas traducione tradicione a tradução é parte da tradição Ou seja a tradução é um pilar é Um Esteio da é um dos esteios da tradição ocidental da própria tradição cultural do ocidente se baseia em grande parte nas traduções e as traduções bíblicas dentro desse contexto deram um grande uma grande contribuição é importante contribuição né começando aí Claro a gente tem aceptuaginta né que está aí antes do lá no século segundo terceiro segundo antes de Cristo mas nesse momento aqui dessas dessas discussões no momento mais europeu que vai desembocar aí na na reforma e nos tempos da modernidade a gente tem aí a vulgata Latina que foi foi traduzida por Jerônimo a partir da revisão da do trabalho com um conjunto de textos que já existiam textos antigos traduções mais antigas latinas que já existiam que ficaram conhecidos essa coleção ficou conhecida como vetos Latina Então já havia essa coleção Jerônimo revisa trabalha sobre isso e produz então a vulgar a Latina Latina utilizada tradução né de as traduções a tradução Latina passa a ser usada pela igreja católica Romana né a igreja do ocidente ao passo que a igreja do oriente usava os textos gregos né Tanto do aceptuaginta e usava o texto grego do novo testamento essa tradução Então passa a ser bastante usada no contexto da no contexto Romano no contexto ocidental como a gente disse aqui a partir da ventos Latina que isso é feito ao passo que as traduções bíblicas não são autorizadas né as traduções bíblicas para línguas românicas as línguas populares não eram autorizadas a gente vê aqui nesse nesse tempo da idade média traduções para outras línguas mas línguas que não estavam aí atreladas ao latim ao império romano mas não havia a possibilidade aí de traduzir a bíblia nesse primeiro momento para as línguas da atual França da atual Espanha Portugal porque havia a versão oficial a tradução oficial que era a tradução era vulgata né E isso não não dava não dava direito não dava autorização não se dava autorização para que outras outras isso fosse publicado em outras línguas houve tentativas houve bastante houve bastante tentativas por exemplo houve tentativas portuguesas desde o século 14 registradas aí Dom João primeiro a Don Diniz né traduziram trechos da Bíblia mas obviamente como isso não era permitido isso não era autorizado né Essa essa esse trabalho não foi adiante embora houvesse interesse então o nosso objetivo aqui é demonstrar Justamente esse interesse nas traduções isso não aconteceu só em Portugal isso aconteceu em vários lugares O problema é que as pessoas eram bastante perseguidas se insistissem nisso e muitas pessoas foram condenadas Justamente por isso né um exemplo aí é o Luiz de Leon que traduziu o Cântico dos Cânticos para o francês e criticou a tradução da vulgata né em várias em vários trechos especialmente Jó e foi bastante né teve a sua vida bastante dificultada porque nessa época não era possível nessa essa tradução essa essa traduções não eram autorizadas ainda veio reforma né esse período aqui que o próprio Luiz deleion que estava no contexto católico no contexto protestante da reforma a tradução as traduções começaram a enfermercer né então assim embora houvesse uma proibição no contexto católico o contexto reformado [Música] efervesia e não só as traduções iam daí começavam a aparecer a partir do século 16 no século XV século 16 mas também traduções né desse contexto é formado 17 e tal mas também essas traduções passam a ter uma influência positiva nas próprias línguas dessas dessas comunidades então por exemplo a tradução de Lutero a tradução da Bíblia para o alemão teve um impacto na própria sistematização da língua uma coisa parecida também aconteceu com a as versões para o inglês as traduções para o inglês a mais conhecida a versão Candy de 1611 que também trouxe para a língua bastante contribuições tanto de palavras como de expressões que são até hoje usadas na língua que vem dessa tradução que foram expressões cunhadas nessa tradução de 1.611 algo parecido acontece também em alemão e outras línguas as traduções para as línguas particulares Traz essa aproximação né Essa popularização do texto bíblico e também é trazem contribuições para a própria sistematização das línguas locais Enquanto isso o tratamento teórico da tradução continuava sendo feito pela filosofia aí em maior parte filosofia e filosofia é porque a tradução era um ofício né era vista como um ofício e não uma ciência não como um não havia textos nem prescritivos e nem descritivos do processo de tradução Como funcionava como não funcionava era realmente uma atividade ligada assim o pensamento ligado à tradução era mais ligado à arte né ter a arte de fazer a tradução ou simplesmente algo prático né algo voltado para uma situação de necessidade Vista Então como o advento aí da linguística moderna da chamada linguística moderna a partir dissocia a gente tem a gente passa a ter a tradução com o tratamento um tratamento linguístico né Então aí a linguística moderna começa a prestar algumas contribuições para esse desenvolvimento também da dessa área né que vai isso vai desembocar no final do século passado com o aparecimento né o florecimento não sei se a gente pode falar de surgimento Mas enfim popularização o início de uma popularização maior desse desse termo paradologia e sim o nascimento de uma ciência ou de uma disciplina autônoma disciplina que tem as suas próprias características descritiva sua própria metodologia e é só para que surgem da reflexão interna né claro sempre utilizando Alguns alguns métodos interdisciplinares Mas algumas comparações interdisciplinares mas em grande parte de maneira autônoma prestando contribuições também para as outras áreas e nesse contexto a gente tem alguns nomes que se destacam primeiro deles sem dúvida é o nome do romania que foi um grande linguista de origem russa que saiu da Rússia por motivos de perseguição política foi peregrinando pela Europa até que segundo alguns relatos né de maneira aí mais ou menos Milagrosa conseguiu aportar nos Estados Unidos onde viveu até todo o restante da sua vida e foi lá trabalhou em grandes centros de linguística Como o próprio emitir deu importantes contribuições para a fonologia as áreas da fonologia para as áreas da enfim outras áreas e até mesmo áreas de relativas a literatura enfim escreve um texto sobre tradução também e apontam artigo sobre tradução em que ele aponta assim como os a posição da linguística né de que a tradução é um fenômeno de interação entre línguas e para a gente entender um pouco essa discussão Qual é a contribuição uma das contribuições da linguística para essa discussão é o fato de que a gente é aquelas ideias iniciais de que vamos traduzir palavra por palavra Vamos pensar vamos focalizar aí a nos nos na questão formal vamos vamos pensar na no sentido né da das palavras e entender interpretar esse sentido e aí a contribuição é a partir do próprio pensamento estruturalista que esse início do pensamento linguístico moderno voltar né remeter ao signo linguístico né E aí quando a gente fala de signo linguístico a gente tem duas questões primordiais aí a questão do significado e do significado e a própria questão da arbitrariedade do signo né então para a gente entender isso não que o que tudo isso quer dizer o significante como a gente disse lá na primeira aula para a linguística até a posição aí é uma das dicotomias principais do Social o significado seria a dizer de maneira mais simplificada aqui seria a palavra vocábulo na língua que evoca um conceito e o significado seria esse conceito né então para a gente explicar né um exemplo que talvez aí a um dos uma das palavras mais dadas e que é a palavra mesa pensaria na palavra mesa então quando eu digo esse sonhos mesa né esse fluxo sonoro mesa é o significado em português então o significante em português mesa que é esse essa esse vocábulo essa enunciação é o significado porque é algo que evoca um sentido que evoca um conceito e quando eu digo mesa todo mundo que me ouve Pensa nessa categoria de sentido né nesse nesse conjunto de traços que compõem essa categoria mental mesa nenhum nem a palavra nem o fluxo sonoro que eu liberei nem o conceito são o item do mundo real então quando eu se eu tiver alguma mesa para para olhar para observar né Essa esse é um item é um objeto próprio do mundo real o que eu tenho representado mentalmente o conceito que eu tenho o significado que eu tenho que eu ativo seria para a linguística seria uma normalidade Vamos colocar dessa maneira né uma normalização de todas as mesas que eu já vi na minha vida a junção dessas características né pelo fato de eu ter visto várias mesas né na minha vida eu criei um conceito nesse conceito que eu tenho na minha na minha mente nesse conceito eu tenho alguns parâmetros que me ajudam a reconhecer uma mesa identificar uma mesa quando eu vejo uma então é um objeto um objeto que pode ser de madeira ou que pode ser de metal é um objeto que geralmente tem um tampo e Tem algum tipo de pé ou de pés né tem um formato característica pode ser Redondo pode ser quadrado pode ser oval geralmente está próximo de cadeiras serve para se apoiarem outros objetos em cima né então existem uma série de características que estão atreladas esse conceito que me ajudam a reconhecer um objeto no mundo real então o conceito é uma coisa objeto do mundo real é outra e o significante é uma terceira coisa então o signo linguístico Por que que o signo linguístico é a junção né é são como se fosse uma moeda os dois lados de uma moeda o significante é essa palavra o significado é esse vocábulo que eu tenho na língua esse fluxo sonoro que eu tenho na língua que evoca essa categoria A categoria essa representação mental possui traços de sentido e esses traços de sentido que performam essa categoria mesa me ajudam a reconhecer uma mesa identificar uma mesa no mundo real qualquer mesa que eu vi eu vou comparar dizendo assim grosso modo né vou comparar com essa minha categoria E aí vou reconhecer ou não aquele aquele item como sendo tal tá então isso para explicar que a gente tem cada língua cada comunidade cada Cultura vai ter uma maneira diferente de criar tanto significantes e significados Então os significados que existem nas línguas são criados a partir das experiências daqueles falantes então por exemplo se eu for para o Polo Norte lá para o norte do Canadá para Groenlândia enfim se eu for para uma região no próximo Polo Norte as pessoas lá provavelmente as línguas que as pessoas falam por lá né nos povos mais isolados vão ter muitas palavras para neve para gelo para branco a divisão do espectro de cor vai ser muito diferente para eles e para mim talvez eles não tenham tantas palavras para outras né talvez eles não têm algumas categorias de significado que eu tenho né para inseto por exemplo talvez quem quem mora numa região onde existem mais insetos na região mais Tropical como é o caso do Brasil Provavelmente tem mais quanto mais insetos você tem na área diferente você tem palavras diferentes para esses insetos e às vezes uma outra parte da mesma da mesma do mesmo país uma outra comunidade já não tem tantas palavras porque as categorias de significados são criadas pela comunidade com base nas experiências daquele povo e o significado é arbitrário o significante arbitrário porque quando eu digo a palavra mesa não existe nada na mesa no formato da mesa que me remeta esses sonhos por isso eu digo em português digo mesa mas em inglês eu digo table que não tem nada a ver com a palavra mesa então a composição a palavra que a gente usa né o significado que a gente usa para é trazer né ativar esse significado esse conceito é uma palavra formada arbitrariamente por essa comunidade de fala e o significado da própria categoria também é formada pela comunidade com base nas experiências culturais nas experiências sociais que aquelas pessoas têm por isso é que se eu baseio a minha tradução nos significantes se eu tento procurar um significante em português e um significante em inglês e faça essa tradução né nesse cruzamento eu posso não eu posso ser facilmente induzido o erro por outro lado seu olhos apenas o significado eu também posso ter problema porque os significados são construídos de maneira diferentes nas línguas diferentes tá para a gente ver isso se a gente vê por exemplo eu comecei a falar sobre o exemplo de cores né a maneira como línguas diferentes dividem o espectro de cores é diferente então em algumas línguas a mais palavras a mais divisões de cores do que em outras línguas Então o que é visto como verde e azul algumas línguas tem uma palavra para verde claro e outra para ver de escuro outras línguas não não tem uma palavra específica Então isso é só um exemplo a tradução vai esbarrar muitas vezes nesse nessa questão e outras questões também importantes e se vocês forem tendo aí perguntas vão escrevendo para gente nos comentários que daqui a pouquinho a gente vai a gente vai começar a conversar e responder as perguntas tá então não se esqueçam aí de registrar para a gente responder daqui a pouquinho então a já primariamente com com só com esse com essa primeira com essa Primeira ideia aqui do signo linguístico a gente já tem a gente já precisa realinhar aí bastante coisa na visão da tradução né não é possível uma uma equivalência direta entre as palavras Claro Línguas muito parecidas talvez línguas é parentes né por exemplo português e o espanhol e o Galego São línguas parentes né e o português o espanhol o espanhol no caso Castelhano na surgem do galego português e O galego português surgiu do latim a partir do latim provavelmente eu vou ter categorias em comum algumas categorias em como outras diferentes provavelmente eu vou ter significado tinha muitos exemplos de palavras em português espanhol que são testemunhas disso né se você diz embaraçado o embaraçada em português é uma coisa vocês desembaraçada em espanhol é outra coisa completamente diferente se você diz é esquisito em espanhol esquisito em português são palavras completamente diferentes são significantes que ativam significados totalmente diferentes nas duas línguas Então é isso se dá porque as línguas utilizam aplicam o significantes de maneira arbitrária de maneira sem ter nenhuma sem ter nenhum lastro não ter nenhuma Âncora na palavra em si não existe nada na palavra mesa ou na palavra café enfim que remeta ao objeto do mundo real ou ao conceito por isso é que as línguas têm podem ter né palavras muito diferentes e conceitos muito diferentes outro nome é importante e a gente já tá caminhando aí para o fim dessa apresentação outro nome bastante importante é o Johnny que era conhecido pelos seus alunos como iam um linguista escocês que teve um trabalho bastante importante também das áreas de fonética e de linguística geral também escreveu sobre tradução e aliás Ele publicou um livro inteiro sobre sobre tradução e esse livro também que trouxe uma contribuição muito interessante abordou aí é a interação dos níveis de análise da linguística como é importante entender em cada língua a ideia a ideia das palavras não só a ideia do léxico daí a gente vai nas próximas aulas falar sobre esses níveis de análise também não só as palavras que existem na língua mas como é que ela se formam naquela língua e na outra como é que elas é como é que elas se juntam para formar as sentenças né como é que ela se organizam no nível da sentença no nível do discurso a questão da variabilidade as duas línguas são variáveis toda a língua natural é variável a gente estava conversando sobre isso na aula passada né então tanto aquele texto original é uma possibilidade dentre variedades que são conhecidas naquela né pelos falantes daquela língua como também o texto é de chegada também precisa entender essa variabilidade que existe no outro contexto E além disso o próprio a própria ideia de traduzibilidade né algumas coisas não são traduzíveis no sentido de que é alguns jogos de palavras por exemplo não são possíveis de se perceber na outra língua então é alguns algumas expressões idiomáticas né se existe uma uma focalização aí em uma palavra de uma expressão idiomática ela isso pode se perder na tradução né Isso pode ficar de fora da possibilidade de tradução quando a gente diz alguma coisa do tipo é pegar no pé de alguém né pegar no pé de alguém não quer dizer né puxar a perna da pessoa puxar a pessoa pelo pé não é nada disso pegar no pé de alguém tem um significado específico que todo falante de português vai compreender que não tem nenhuma relação com nem com a palavra pegar e nem com a palavra pé né tem uma outra ideia então se eu pego essa essa expressão pegar no pé e traduz ao pé da letra palavra por palavra para uma outra língua isso não vai fazer sentido e se eu tiver fazendo por uma piada um jogo de palavras em que seja necessário que a outra pessoa entenda pegar no pé ou então uma referência ao pé de alguém alguma coisa assim Isso é introduzível isso é traduzível porque a não ser que eu te encontro uma outra língua em que haja uma expressão igual uma expressão parecida uma expressão em que pegar no pé ou alguma coisa relacionada ao pé tenha esse sentido de exigir algo de alguém tenha sentido de de pedir de maneira muito insistente né de insistir com alguém ou algo do tipo então algumas algumas coisas podem ser introduzíveis quando a gente leva em consideração os níveis de análise o sentido a variabilidade nas línguas esse também é um contexto importante e é um terceiro linguista é também relacionado aí com o contexto evangélico foi o uild needa que a trabalhou como linguista no samba organização americana que se dedicou que se dedica a documentação de línguas agrafas de línguas indígenas de línguas de povos isolados e com base nisso ele escreveu um extenso trabalho sobre tradução e por conta da sua da sua relação inclusive com a tradução no contexto bíblico né ele foi capaz de fazer uma comparação bastante aprofundada da do que dizia linguística né nesse momento estrutural gerativismo estruturalismo relativismo e e outras descrições posteriores conseguiu colocar tudo isso em termos de exemplos em termos de método de tradução Como fazer uma análise de significado como fazer análises de frases como pensar Como entender o mapeamento da experiência pelo signo que a gente tratou né agora pouco é para para que a a tradução seja feita é preciso um segundo uniram e ele fala sobre isso explica com bastante detalhes sobre isso no seu livro como se faz esse mapeamento através da própria tipologia linguística né reconhecer os tipos de línguas entender esses pares de línguas que estarão envolvidos em um processo de tradução fazer um mapeamento cultural para que a tradução se comunique né tradução não é uma questão simplesmente de dizer uma palavra de outra maneira em outra língua existe aí uma um interesse na questão comunicativa né que é bastante importante né existe uma questão expressiva nem existe também uma questão comunicativa não é só expressar algo em outra língua mas também é comunicar algo em outra língua E aí pelo fato de que a significantes e significados em línguas diferentes podem ter aí é apresentações muito diferentes além isso foi só uma das coisas que a gente tratou né a gente poderia tratar em várias outras áreas de análise linguística né como as palavras se formam a diferença da formação de palavras a diferença da maneira como as palavras se organizam nenhuma uma questão aí da das tradições mais ligadas à forma traduções mais antigas inclusive língua portuguesa a gente percebe uma certa cópia do da ordem de palavras na no texto original Mas acontece que essa ordem de palavras tem a ver com a língua original né o hebraico especialmente o hebraico bíblico é uma língua que tem tipologicamente na linguística tem uma ordem verbo sujeito objeto quer dizer começa com o verbo depois vem o sujeito e depois vem o objeto o português tipo logicamente é uma língua sujeito verbo objeto então quando essa tradução é feita a ordem das palavras precisa receber atenção para que o texto é o texto final né o texto traduzido comunique de fato as pessoas a gente vê umas traduções antigas né e disse Deus as pessoas muitas pessoas já se acostumaram a essa tradução né mas a ordem em português seria e Deus disse E aí a gente vê em traduções mas recentes a gente vê essa essa a própria disposição só tô dando um exemplo aqui sintático né o exemplo de disposição de palavras mas há vários outros exemplos há várias outras questões tanto de expressões idiomáticas de construções lexicais de questões [Música] poéticas né de estilo uma coisa que introduzível que existe na poesia poesia Hebraica é bastante tem uma característica muito interessante uma das características interessantes bem interessante da poesia Hebraica é é o acróstico Então são as os poemas e acrósticos então a Salmos que são iniciados que cada grupo diversos ou até cada verso é iniciado por uma letra do alfabeto E isso não aparece obviamente em português primeiro porque a gente usa um alfabeto diferente e mesmo que né até usasse o mesmo alfabeto seria muito difícil fazer essa tradução para línguas tão diferentes por isso que você vê em vários se vê em alguns Salmos né aquelas os nomezinhos das letras hebraicas ah né antes e como se fossem títulos né porque não é possível não é traduzível a maneira como está no original que é começar o primeiro primeiro verso né do primeiro conjunto com uma palavra que começa com a primeira letra começa com a letra aí no outro conjunto diversa tem a primeira a primeira letra nesse conjunto tivesse eu bait que é segunda e assim sucessivamente isso não é possível em português isso não é traduzível né então é preciso é um mapeamento da experiência pelo signo né entender esse mapeamento que aquela língua faz entender a tipologia linguística né Quais são as modo qual é o modo de operação daquela língua entender qual é o modo de operação da língua alvo para que haja comunicação né para que haja essa interação dos textos interação das línguas fora isso a gente tem uma outra questão bastante importante tempo e lugar diferente não é isso não costuma ser sempre levado em consideração mas a contextualização também é bastante importante o contextualização do texto original com relação ao tempo ao espaço geográfico isso também bastante importante para que a tradução a comunique e não tenha diversos trechos em traduzíveis né diversos trechos que não comunicam e mesmo assim a tradução é Um Desafio e a tradução permanece na nessa nesse nessa frase bastante conhecido o tradutor continua sendo traidor não porque queira ser traidor mas no sentido de que ao se traduzir algo ao se dizer algo em outra língua vai haver detalhes vai ver nuances que vão ficar de fora vão ficar como se diz em inglês Lost vou ficar Perdidos na tradução não porque o tradutor queira Mas porque as muitas vezes não existe possibilidade linguística de se expressar determinado detalhamento então se você pensa numa língua como português que diferencia ser e estar então eu posso dizer é eu sou professor e eu posso dizer eu estou professor que são coisas diferentes isso não é possível em inglês por exemplo não é uma língua bastante conhecida não tem um verbo para ser e outro verbo para estar é só para dar um exemplo de duas línguas bastante conhecidas nossas Agora imagina determinadas questões verbais e terminando as questões de ação determinadas nuances que não são visíveis quando a gente traduz para outra língua então essa questão da da comunicação é um desafio é algo bastante complexo bastante algo bastante é que é bastante pensamento né que é bastante atenção análise linguística comparativa bastante importante e para a gente finalizar aqui eu quero só falar de mais duas pessoas ou três pessoas aqui bastante conhecidas não poderia deixar de citar já que a gente está falando de tradução não é que são o conhecido aí João Ferreira Anis de Almeida que é bastante conhecido e como a aquele que pelo menos iniciou né a tradução que leva o seu nome tradução bastante tradicional bastante conhecida no contexto dos Países de Língua Portuguesa ele começou a enganar adolescência traduzir depois de se é de se converter ao se tornar protestante em viagem pela pela Ásia e com conhecimento bastante limitado mas ele começa a fazer essa tradução mas infelizmente falece antes de terminar E aí o trabalho terminado pelo pastor e a Como que termina a tradução do Antigo Testamento a partir de Ezequiel se eu não me engano termina a tradução do Antigo Testamento e publica essa essa tradução aí com bastante dificuldade Porque como a gente viu era proibido né na no contexto católico que era hegemônico em muitos lugares Então isso é publicado num país num país que tinha ali influência reformada o próprio Jacobs era Batavo né era era do contexto Holandês Então é isso não poderia ser publicado por exemplo em Portugal não só mais tarde que isso pode ser e era bastante diferente né A primeira primeira cara tudo do autografia em língua portuguesa não era fixa então duas vezes que a mesma palavra parecida parecia de maneira diferente né havia umas letras meio diferentes ali né uma forma de gravar o s Medial era diferente do S final existe umas formas um pouquinho diferentes algumas palavras tinham grafias duplas triplas né Então quem tiver curiosidade pode depois aí pesquisar a gente tem algumas coisas começando a aparecer é claro que as primeiras as primeiras versões e faxinas são bem difíceis de de encontrar ainda mas existem versões do século 19 já do século início do século 20 que podem ser aí acessadas até de maneira completa pela pela internet Então essa essa versão aí que é uma das mais conhecidas foram feitas com um ambiente bastante dificuldade depois que começaram a ser revisadas e as pessoas começaram Claro com os com os entendimentos né pode talvez depois de ler iaca precisa Depois de ler Nina é começaram a entender o desafio da tradução E aí as traduções passaram a ser feitas por comissões né grupos de pessoas às vezes muitas vezes de vários países de vários contextos Para que houvesse a possibilidade de análise múltipla tanto das línguas originais como das línguas da língua é alvo dessa variabilidade toda de todas essas questões de contexto questões arqueológicas que iam e continuam aparecendo e explicando várias coisas várias questões antes sem Não muito bem compreendidas e as próprias e os próprios detalhes né da apresentação das línguas e tem esse também obviamente uma pessoa que não sei se vocês conhecem de repente já ouviram falar né que se chama Luiz Sayão é nosso amigo linguista ibrahista Professor pastor teólogo que trabalhou na como coordenador de algumas versões Que nós conhecemos aí hoje em dia entre elas a nova versão internacional em português Almeida Século 21 e outras bíblias de estudo outras textos também é com essa preocupação com o desafio da tradução né Não tomando a tradução como simplesmente uma transposição de palavras de uma língua para outra mas é entendendo o contextos entendendo informações da arqueologia entendendo das línguas né tanto das línguas originais como das línguas da língua portuguesa nas suas variabilidades e com outras preocupações ainda que a gente nem citou aqui uma delas é a própria legibilidade uma preocupação de que a maior número de pessoas possível pudesse ler e entender e pudesse ter essa esse texto comunicado de maneira clara e bom então é nós teríamos aí muito mais coisa para falar mas infelizmente nosso tempo não permite eu quero aqui ver as perguntas que vocês estão fazendo sobre esse tema bom então aqui a gente tem a pergunta da Marília né atualmente os cuidados e critérios para quem escreve Bíblia em paráfrase bom assim a tradução para frágica não é um problema em si né claro que a gente precisa tentar para o objetivo que a gente tem Claro que sempre tem que haver um cuidado naquilo que se está comunicando né Precisa ver aí uma sintonia uma precisa ver um alinhamento do que o texto diz texto original diz uma compreensão acho que essa é uma das partes mais complexas né uma Compreensão é Ampla do contexto um entendimento daquela língua que é uma língua muito antiga em relação a língua a nossa língua o entendimento de que impacto Aquela aquele texto teve nos seus primeiros leitores e a partir disso entender também Como comunicar isso na língua de hoje que tenham Impacto semelhante e que é a com base naquela Nossa análise aí dos análise do signo linguístico né e das próprias partes da língua que isso faça sentido né que isso seja resulte em algo traduzível Justamente por isso que a paráfrase é mais complicada porque a paráfrase é feita geralmente por uma pessoa é feita de maneira um pouco mais um pouco mais rápida e a análise que é feita não é uma análise talvez tão tão complexa né então é mais uma leitura com o entendimento dentro dos meios que que são possíveis para que ele para aquele é leitor para que ele tradutor e essa essa paráfrase então que que é feita geralmente é um pouco mais um texto um pouco mais solto eu vou dizer que uma palavra que não com sentido negativo né que isso seja de compromissado mas é que é não há espaço Talvez para um cuidado tão detalhado como aquele que acontece no âmbito de uma comissão que há inclusive aí a discussão trabalhos mas mas é detidos sobre a questão linguística nós temos aqui a pergunta dos desenhos representativos na Bíblia bom em muitos e muitos espaços e muitas culturas os a questão artística esteve atrelada a fé e a religião em outros contextos não em outros contextos menos né existem aí algumas diferenças bastante interessante se analisar entre os romanos o que os romanos costumavam fazer mais era uma questão mais ligada à escultura e os já os ortodoxos os gregos tinha uma questão mais as pessoas brincam dizendo que os romanos eram mais três deles e os ortodoxos mais dois de E aí nesse nesse sentido havia essa representação bom a arte sempre teve atrelada historicamente desde até antes do Advento do cristianismo nessas culturas Tá mas em outras em outras culturas não e outras comunidades não e na nossa no nosso nosso contexto Cristão brasileiro de perfil mais protestante mais evangélico é houve uma uma rejeição de Algumas propostas mais artísticas talvez aí pela pela avaliação ou pela relação que muita gente fazia entre a essas representações artísticas e outras profissões de fé outras culturas e outras religiões então não sei se eu respondi eu acho que é mais ou menos por aí quanto a traição o português tem sido muito utilizado com estruturas de outros idiomas olha Júlio realmente ainda hoje pela manhã estava conversando com um aluno daí do da Universidade trabalha com contexto de de jogos né de videogames e tal e ele comentava comigo várias palavras e verbos enfim é Que Tem surgido ultimamente no na comunicação desses desses jovens né muitos dessas muitas dessas palavras não são né Tem minhas dúvidas Elas seriam compreensíveis num contexto maior no contexto Mais amplo essas essas traduções assim mais apressadas vão vão criando espécie de dialetos né vão criando aí maneiras de comunicação que separam as chamadas tribos gerações mas recentes que tem um perfil mas específico se identificam pelo uso dessas palavras né quase que aí uma criação de não de uma língua mas de uma variedade de uma língua que identifica essa esse grupo então isso realmente fica bastante difícil de as pessoas de outras gerações entenderem esse e se aproximarem em algumas delas eu estava dizendo justamente a ele que isso algumas relação meio apressadas né palavras que já existem em português e que poderiam ser usadas mas que acabam sendo isso não só no contexto dos Games isso também no contexto de algumas áreas mais recentes a própria área de Tecnologia da Informação as áreas ligadas às tecnologias né costumam ter aí e as áreas também de negócios relativos a negócios também costumam ter bastante termos importados alguns deles interessantes conceitos que a gente não que não tem facilmente acessar vídeos mas alguns outros que a gente tem em português e a gente acaba gerando palavras em duplicidade talvez por algumas traduções mas apressadas nós temos aqui o estudo do grego avançou muito fora do Brasil mas aqui as gramáticas não avançaram no que tange a análise de discursos sintaxe como isso influencia as nossas traduções modernas uma boa pergunta simplesmente Aí talvez mais tarde uma apropriação das mesmas categorias gramaticais [Música] em materiais mais conhecidos nem gramáticas mais conhecidas até no início do estruturalismo mas parece que a coisa estacionou ali pelos anos 50 e 60 né no Brasil em termos de modelo E aí os estudos de discursos estudos é de de sintaxe mesmo se trata de negativa e análise do discurso mais estruturalista [Música] voltada para semântica formal acaba não sendo tão aprofundado e tem uma outra questão né muitos dos cursos são ou deveriam ser mais instrumentais isso quer dizer que o texto o ensino de uma língua no contexto de seminário deveria ser mais voltado para ajudar a pessoa ler aquela língua do que ensinar as categorias gramaticais daquela língua então assim até mesmo a maneira de formatação dos cursos Fica devendo não estão generalizando obviamente mas muitos cursos mais antigos e mais conhecidos acabam sendo somente os quadrinhos o quadrinhos dos pronomes o quadrinhos dos artigos o quadrinhos dos verbos e quando Poderias assim isso poderia ser um pouquinho mais alinhado com a própria leitura em si dos textos e dos a própria prática com a língua né com a língua que se quer que se quer ativar sobre a influência disso nas traduções modernas [Música] eu acredito que não sei se nas traduções modernas isso influencia tanto porque obviamente as comissões que que participam desses traduções não são comissões de alunos então é essas nessas comissões há muito mais material sendo discutido e sendo né da maioria pelo menos naquelas que sobre as quais eu tenho notícia é muito mais material sendo discutido do que aquilo que de fato acaba fazendo parte dos estudos no contexto de seminário e até mesmo de pós-graduação então é hoje a gente tem materiais mais com mais notas rodapé a gente tem materiais mais que quando acontece uma uma questão de introduzirbilidade isso é explicado de alguma maneira acho que consegui responder mais ou menos aí muito bem meus caros não houver mais alguma mais alguma pergunta eu já vou até por conta do nosso horário me despedindo por essa a gente ainda teria muito mais coisa para falar a própria tradução automática as traduções automatizadas a gente tem crescido aí com a inteligência artificial enfim por conta dos algoritmos e dos do manejo de de grandes volumes de dados mas isso também é uma coisa que a gente pode retomar Em outro momento vou me despedindo de vocês e já vou fazendo aqui o convite para nossa próxima para o nosso próximo encontro né nossa nosso próximo encontro Qual a língua mais difícil do mundo você tem essa pergunta qual é a língua mais difícil Será que existe uma língua mais difícil do que todas as outras aqui indica que o português é quem diga que é português quando vai estudar sentasse né Vai estudar análise sintática as pessoas ficam com essa ideia de que o português é a língua mais difícil do mundo não sei se você também tem essa essa pergunta fica aí então o convite para nossa próxima aula quinta-feira a gente vai abordar esse tema Uma boa noite para todos bom dia boa tarde e a gente se vê então na semana que vem até lá