Baquaqua, Divino e narrativas de liberdade (retratos de baquaqua e divino) – BTCast 478
16/11/2022
Baquaqua, Divino e narrativas de liberdade (retratos de baquaqua e divino) – BTCast 478
Muito bem, muito bem, muito bem, começa mais um BTCast, o seu podcast de teologia! Nesse episódio de estreia da nossa BTWeek, Rodrigo Bibo conversa com Leonardo Cruz e Higor Ferreira para falar sobre Baquaqua, Divino e a escravidão. Você sabe o que esses nomes significam? Como esses personagens foram relevantes para a fé cristã e também para esse período de escravidão? Como se deu essa luta deles nesse tema? Saiba mais sobre a vida desses homens que lutaram muito pela liberdade e sua relevância para a fé cristã. Mahommah Gardo Baquaqua foi um homem africano, sequestrado escravizado por traficantes. Nativo de Zooggoo na África Central, um reino tributário do reino de Bergoo, trabalhou no Brasil como cativo, contudo conseguiu fugir para Nova York em 1847 garantindo sua liberdade. A história de Agostinho deixa muita perguntas sem resposta. Pouco se sabe da vida dele, de onde veio, para onde foi. O que se sabe é que ele era um negro letrado e que fundou a primeira igreja protestante brasileira, e que essa igreja era negra. Sabe-se também que na sua trajetória política conheceu Sabino, o líder da revolta baiana conhecida como a sabinada. Ele participou da Confederação do Equador. Quer saber mais sobre essas histórias? Isso e muito mais agora, nesse BTCast!
@leo_cruz_96
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O podcast cristão do Bibotalk tem a missão de ensinar teologia em áudio a fim de ver o crescimento bíblico-teológico da igreja brasileira.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
[Música] muito bem muito bem muito bem começa mais um btcast aqui na btu Bíblia e racismo estamos no terceiro episódio E hoje vamos falar sobre duas figuras históricas aliás gente figuras históricas ou personagens históricas ou as duas formas são possíveis já quero começar sendo já aprendendo isso aqui olha eu acho que cabe tudo isso aí né figuras históricas históricos personagens sujeito Depende do que você quer enfatizar né Depende do discurso que você propõe Mas cabe tudo agentes históricos cabe bem aqui para esses dois personagens que a gente vai falar hoje hein Olha só que legal terceiro episódio da btwick Bíblia racismo Léo Cruz e igor@ questão de história se você ainda não segue segue lá no Tik Tok no Instagram @ questão de história e Leo Qual é o teu Instagram Léo Onde é que tu mais age no Twitter né Léo no Twitter mas o teu Twitter é mais esquisito não é @_96 olha aí Léo underline Cruz underline 90 e 96 vocês cara meu deus do céu Sério mano é uma criança gente é um menino é um menino prodígio gênio Tem quantos anos Igor eu tenho 32 nasci em noventa Caraca se que legal mano Poxa eu nasci em 82 tô com quarentinho aí é nós mas gente olha só então Léo Cruz e Igor professor de história estão com a gente aí nesses episódios falando sobre Bíblia e racismo já tivemos dois episódios sensacionais Tá bom então volta aí caso você chegou aqui nesse Episódio por conta do nome ou alguém compartilhou com você sabe que nós estamos numa semana inteira pensando a questão da hermenêutica da Bíblia da questão do racismo então tem muita informação legal pra gente pensar e se conscientizar Hoje vamos falar então de dois agentes históricos a gente falou do Luther King no episódio passado uma história Mega conhecida aí que a gente deu alguns contornos e fez algumas colocações até relacionando com a questão da fé e vimos como questões teológicas é influenciam nessa luta aí pela questão da liberdade e hoje Léo e gordo duas personagens aí que a é vocês realmente cavocam a história porque até a gente entendida e dos Paranauê tipo nossa nunca ouvi falar debaqua nossa então assim Hoje vamos falar dessas desses dois agentes sujeitos históricos aí porque nós temos também no Brasil lutas pela Liberdade que merecem ser conhecidas bem vou aqui me recolher e deixar os meus dois amigos aí conversarem porque gente ó Parabéns Quero Agradecer aqui a vocês aí agradecer ao léu né pela ideia de fazer essa btu aí que e esses podcast sobre Bíblia racismo hermenêutica aí me apresentou o Igor cara gente boa demais bem-vindo à família Igor e estamos gente é Igor com a gata não é o Igor ele não é o Igor do Flow está bom ele é o Igor é só o Igor mesmo com h e gente boa tá bom [Música] E aí Vamos lá gente No Brasil temos histórias legais para conhecer também sobre essa luta e por onde a gente começa já me localizem eu gosto de ser localizado na linha do tempo entendeu Tipo bem assim didático de documentário o ano era de 1800 essas duas figuras aí sobre as quais a gente vai falar elas são do século 19 ali da metade do século 19 mais ou menos e é um século bem interessante escravismo não apenas porque ele ainda permanece ali muito presente nas chamadas sociedades atlânticas Então pega tanto a África como as Américas e também algum nível Europa mas também porque o século XIX é um século que tem muita documentação então a gente consegue localizar muita coisa acaba sendo até um lugar mais tranquilo para pesquisa histórica Geralmente quem trabalha com a minha temática trabalha com temática de escravidão algo assim costuma fugir um pouquinho no século 18 se puder ou então pega ali aquele último quartel os últimos 25 anos no caso e século 17 mano é loucura é difícil né mas claro tem fonte também mas quem quer muita fonte assim Ir para arquivos sem enxurrado de fonte vai no século XIX Então são duas figuras de um século onde ainda a permanecer da escravidão e no qual a muita documentação disponível para a gente e aí a gente acaba conseguindo fazer toda essa perscrita aí da vida dessas pessoas de algumas figuras históricas importantes como a gente falou personagens para poder enfatizar questão do protagonismo deles que nos ajuda a pensar não apenas as suas trajetórias de modo isolado mas a interação dessas trajetórias com o contexto maior dos cabíveis colonial e também com as lutas pela Liberdade porque são figuras que estão pensando e agindo em favor da libertação pessoal e também algum nível de uma libertação coletiva e nesse caso desse podcast de hoje duas figuras que também mobilizam a fé cristã para isso Ou que também não é uma Norma não quer dizer que todos assim eu façam mas essas duas aí tem essa característica esses dois personagens dessa característica e é por isso que está fazendo catequese bora bora bora então bora lá ó Isso é muito legal né enfim depois a gente Divino Divino mais divino mestre Olha aí ele tem o nome ou esse é o apelido ou esse é o nome apelido o nome dele é Agostinho José Pereira reconhecido como Martinho Lutero negro Caraca que da hora bem vamos por quem que a gente começa né que são duas figuras de alguma forma não estão conectadas pessoalmente mas estão na mesma luta mas em momentos um pouco diferentes ou lugares diferentes por quem que a gente Comece então para falar mais uma história inspiradora da luta pela Liberdade e tendo como plano de fundo a fé cristã eu acho que a gente pode começar pelo bacura né o bacupar é uma figura fundamental né que é muito mais conhecida até por algumas pessoas pelo fato de ter uma autobiografia que foi aí explorada historicamente Então eu acho que tem esse traço importante tinha José ele é conhecido a partir das fontes investigativas sobre ele daqui a pouco a gente fala melhor sobre isso mas bacura não ele é conhecido porque ele produzia uma narrativa sobre a sua própria história e acabou que isso chamou muita atenção né porque quando você se vê diante de um documento que é uma autobiografia de um sujeito que foi escravizado na África trazido Américas e passou por diferentes cidades atlânticas obviamente Isso vai ser tratado como ouro como uma coisa muito valiosa pelos historiadores e vai estar presente aí em vários cursos em várias pesquisas históricas Então acho que vale a pena agora tem uma coisa importante Bibo que é situar os do ponto de vista como você falou assim eles estão em lugares diferentes estão em lugares próximos Bom vamos lá do ponto de vista temporal Eles são muito próximos Ambos são do século 19 próximo daquele meado no século 19 ali então eles estão ali interagindo historicamente no mesmo tempo embora relacionalmente não tem um se conhecido não tenho trocado ideia tá então são histórias simultâneas vamos dizer assim em algum sentido mas que não se tocam no ponto de vista relacional e isso ajuda a gente a pensar como tem muita gente é um indício né como tem muita gente lutando por essa causa que não tá necessariamente em contato mas que tá pensando essas questões e interagindo com elas tanto no ponto de vista teórico como também do ponto de vista da prática da ação cotidiana me lembro até a reforma protestante né que começa em vários lugares da Europa sem conexão aparente né é o movimento do Espírito Santo porque o Igor ele mencionou ali no início cidades atlânticas tá ele não tá falando de Atlântida da cidade perdida gente Poxa ainda em tempos aí de wakanda Mano não não é isso não é isso é porque é o seguinte mais recentemente na história As pessoas foram percebendo que não existe o que a gente costumava chamar assim para quem que estudou na escola ali nos anos 80 90 de essa história dois Ingleses essa história dois espanhóis dois portugueses fechadinho não é É principalmente essas biografias de escravos Elas mostram que esse mundo era muito mais interconectado com vários pontos de relação e trocas entre senhores escravos entre Ingleses espanhóis portugueses mestiços crioulos e é uma coisa muito mais complexa tanto que o bacu é ele ele sai da África passa pelo Brasil Nordeste do Brasil vai para o Sudeste Vai para os Estados Unidos vai te Canadá Inglaterra e quer voltar pra África e ele assim Ele viveu tudo isso outros libertos conseguiram ter essa dinâmica de vida não só buscar libertação não Só porque foram induzidos a isso por migrações forçadas pelo cativeiro mas também porque quando Livres eles queriam lutar pela causa então foram tentar mobilizar outros escravos outros africanos ou negros pela pela causa abolicionista então assim são cidades atlânticas porque são pontos de conexão em toda uma rede comercial uma rede migratória que passa pelo Oceano Atlântico e isso é o que a gente chama de história Atlântica né dentro da pesquisa essa não aprendeu nem na escola Fala sério mas vamos lá então gente legal a gente fez achar já colocamos as peças aqui esse barco também é nome também é nome de guerra como é que é é nome próprio mesmo é o nome dele próprio é na Romar gado da capa e marromar aqui é como se fosse uma corruptela de Mohamed então tem uma correlação histórica também com o local onde ele estava situado na África ele morava numa região que ele vai chamar de zubu aí me confirmar e Léo É isso mesmo né sim é essa essa região dos una em inglês é onde hoje é cidade de judô porque até Bibo ajuda a pensar num filme que não sei quando as pessoas estão ouvindo esse podcast mas eu tô aqui presumindo que vocês estão vendo a gente no lançamento porque essa forma correta de consumir as coisas né enfim e aí é lá o filme mulher Race passa no Benny né o filme que tá agora no cinema mulher rei é esse contexto eu vi que você fez até um Rios aí falando um pouquinho sobre a região e diz que o filme é bom para caramba né mano tem alguns probleminhas mas o filme é bom o filme é bom eu gosto do filme probleminha cinematográficos ou de leitura histórica assim que tenha tentação histórica mas assim ainda assim o filme vale a pena mas a gente pode falar desse outro momento ficou boa vou pedir para ele te chamar Igor vocês falaram sobre mulher tá então ele é dessa região lá tem essa essa E então lá ele ele é escravo nessa região não ele é tirado de lá como escravo é isso é ele é um cara livre Ele é um homem livre de uma família de gente livre inclusive o pai dele ele menciona o pai dele ele usa o termo maom metano Ou seja é islâmico né ele só serve a Maomé e na autobiografia dele inclusive ele registra como é que isso funcionava aquela sociedade como é que era o culto e ele até informar uma coisa bem interessante ele fala assim eu percebo que os maom metanos são muito mais Devotos nos seus cultos do que os cristãos e é isso já é o bacura já escrevendo já sendo cristalizado né porque é bom deixar claro que ele tá escrevendo a biografia dele já depois de ter passado pelo cativeiro cristianizado né através de um contato com um pastor um missionário batista e tá voltando e refletindo sobre a sua trajetória então ele vai ser um homem livre vai trabalhar para o rei inclusive da região só que dado momento em função ali de alguns problemas locais ele vai ser escravizado o que era muita gente não sabe disso muito comum no ambiente africano tá a instituição da escravidão na África não é uma instituição que vem de fora para dentro ela já está estabelecida inclusive é uma instituição profundamente consensual tanto no ambiente africano quanto no ambiente também sul-americano de modo geral americano de um modo mais amplo então ele vai ser escravizado vai sair pelo Porto de cuidar que inclusive é o porto que aparece no filme Muriaé também e dali vai ser trazido para as Américas ele vai narrar os terrores da escravidão ali e vai narrar os terrores do Navio Negreiro Então a gente tem ali um relato de alguém que viveu no navio negreiro e vai contar um pouquinho pra gente essa trajetória mas antes morava na África ali no Berlim e aí depois vai ficar e antes de ser traficado pelos europeus ele tinha sido cativo dentro dessa dinâmica interna na África porque o bacu ele vai dizer que começou os estudos ali dentro do do Islã né para aprender o coral e ele não se dedicava muito a isso era um moleque que não gostava muito de estudar o tio dele era Ferreiro e ele não quer aprender a profissão do tio então ele vai trabalhar como carregador numa caravana até que ele em algum momento ele resolve tomar um rumo na vida e vai trabalhar serviço do rei da região dos Gugu como guardar pessoal sendo guarda pessoal do Rei bom para uma excursão para negociar com uma outra cidade que é a cidade de Sul bruku que hoje fica na região norte de Gana e lá tem uma festa ele fica bêbado quando ele acorda ele já tá sendo traficado viu pessoal drogas não compensam beber não compensa galera viu ali ou é sério esse negócio aí mano o cara foi num rolê e do Rolê tava no navio negreiro velho tava falando Navio Negreiro ele é cativo dessa região de guerra em 1831 Aí depois ele liberta E aí tem uma incursão na África que aí ele vai vir na igreja 845 E aí ele nesse ano ele faz essa trajetória que se chama de travessia do Meio inglês Mira ou peça porque essas narrativas de liberdade elas enfatizam muito isso e de como atravessar o Atlântico saindo da África chegando na América a percepção do mundo do cara muda e aí ele desembarca em Pernambuco né em Recife mas depois ele é comprado no mesmo ano por um confeiteiro de Olinda E aí ele fica lá um tempo com esse cara e depois ele vai para as mãos de um comerciante português a gente tem até o nome dele Clemente o Zé da e ele vem para o Rio de Janeiro e ele trabalha como um serviçal do navio isso era navio de carga e essa relação do David carga tem tem a ver para explicar como é que ele consegue a libertação dele que não é no Brasil é nos Estados Unidos [Música] Pois é então o cara rodou mesmo mas vamos lá eu queria um pouquinho não sei se vocês saberiam dizer porque o Igor falou ali do naquele narra Os horrores do Navio Negreiro a gente já ouviu falar sobre isso Inclusive tem até uma discussão sobre esse nome que não pode falar esse nome lá tentando uma discussão aí do Politicamente correto pelo que eu lembro e tal mas enfim um pouquinho sobre esse horror do que era esses navios aí eu lembro muito do filme Amistar do Spielberg é com aquele ator clássico lá que eu esqueci o nome dele agora o bicho ele tá é quase diante de tudo quanto é filme e nesse Ele é Um clássico que tu esqueceu o nome do cara né mas mano sabe aqueles coadjuvante não mas em mim é defesa eu tenho metade da audiência comigo que aqueles códigos que tu não lembra o nome do cara tu lembra o nome do ator o cara tá em tudo mas você não sabe eu ia falar sem olhar no Google Houston isso aí esse cara tem tudo e se o menino é com ele esse filme é Amistar mas enfim como é que era esses na visitar o que que o bacuca relata ou que vocês é de como professores de história só poderiam aí questão de um ou dois minutos relatar um pouquinho como é que funcionava essa dinâmica desses navios que transportavam os escravos e tal então eu vou deixar o barco a falar né eu separei um trecho aqui da biografia dele no qual ele narra o navio negreiro Então não vai ser nem a minha interpretação é aduba 4 ele fala assim a única comida que tínhamos durante a viagem era milho cozido mergulhado em água não consigo dizer quanto tempo ficamos confinados daquela maneira Mas pareceu um período muito longo nós sofremos de muitíssimo com a falta d'água Mas você era negado tudo que precisava meio litro por dia era tudo que era permitido e nada mais e um grande número de escravos morreram na travessia houve um pobre companheiro que ficou tão desesperado pela falta d'água que tentou retirar de supetão a faca do homem branco que trazia a água quando foi levado para o convés no alto e eu jamais soube o que sucedeu a ele Suponha que ele tenha sido lançado ao mar quando qualquer um de nós se rebelava a sua carne era cortada com uma faca e Pimenta e vinagre era um esfregados a fim de nos tornar dóceis inicialmente eu sofri junto com o restante de nós muito de enjoo do mar mas isso não provocava nenhuma preocupação nos nossos brutais proprietários os nossos Sofrimentos eram só nossos não tínhamos ninguém com quem compartilhar as nossas aflições ninguém para cuidar de nós nem para nos falar uma palavra de consolo alguns eram lançados ao mar enquanto ainda tinham fôlego nos seus corpos quando se pensava que uma pessoa não conseguiria viver ele se livravam dela dessa forma só duas vezes durante a viagem tivemos permissão para subir ao convés para nos lavarmos uma vez em alto mar e outra vez um pouco antes de entrarmos no porto ou seja o cara narrar aqui o terror dessa viagem né É um lugar fértil do escuro uma umidade muito grande pouca comida pouca água risco constante de morrer com doenças quando não também de ser violentada de alguma maneira ou ser jogado fora do navio se ficar enfim se fizer mais sobre ordenação Se ficar doente tem muitos riscos aí naturais e também de ação humana de uns contra os outros Nossa E aí daí a gente para uma polêmica que volta e meia aparece dos africanos escravizarem os africanos então não tem porque reclamar de racismo e consequências do racismo e tal Eu falei agora pouco que o bacura ele se tornou cativo por conta de uma incursão em 1831 quando ele ainda estava em África por conta do reino de zugui sobre o cu que são duas cidades diferentes Então isso é uma evidência do que o Google falou que a escravidão era ativa era consensual na África Mas a gente não pode dizer que são africanos escravizando africanos porque essa identidade comum ela não é construída na África ela é construída por conta dessa experiência de Sofrimento compartilhada na travessia do Atlântico então é quando esses caras que vem de nações diferentes eles são forçados sobre a mesma condição quando eles desembarcam no Brasil eles são forçados a estarem Unidos ou algo buscarem uma união porque se na África eles estavam luta contra os outros aqui eram eles contra os brancos e para os brancos eles eram tudo negro não tinha essa a diferença de origem de origem étnica ela não tinha um peso significativo a ponto de distinguiar vamos do pessoal da Guiné como povos distintos não ela tava tava tudo debaixo da categoria negro então é quando eles vão experimentar esse sofrimento compartilhado que a escravidão é infringiu sobre eles é que Inclusive a gente vê isso no bacura mas em outras histórias como por exemplo uma mais conhecida que é do o lauder coreano é que surge essa essa compreensão de que somos todos irmãos e precisamos libertar nossos irmãos e isso é construído pela escravidão na América isso não tá na África por isso que não faz sentido dizer que africanos escravizadas africanos e a gente não pode olhar de forma crítica pra escravidão porque na África essa compreensão de Irmandade africana ela ainda não tinha sido construída ela é resultado da Leitura que os africanos fazem Ao serem escravizados e Passarem a viver na América debaixo do regime da escravidão E aí isso acontece um dos problemas do filme mulher rei que é exatamente colocar na boca de personagens do século xixi africanos um discurso que é praticamente um plano africanismo fora do seu tempo então ele pega um discurso do presente e é boca de alguém do passado percebe é tem uma dimensão política nisso aí que Claro tem o seu valor mas o ponto de vista histórico É inacurado agora só complementar uma coisa que o Léo falou é embora é claro do ponto de vista relacional escrava escravo né o negro é visto como negro os senhores comprendiam que eles eram de origem diferentes inclusive usavam isso em seu favor então não por várias vezes na montagem das escravarias eles misturavam por exemplo um cara que é iboco um iorubá com outro cara que é Cabinda um Benguela um Gege coloco todos nós gravaria sobre a intenção exatamente de dificultar articulações internas uma vez que ele sabiam que embora fosse africanos era africano de origem distintas e portanto muitas vezes inclusive traziam historicamente conflitos das suas regiões de origem que tinham que ser superados ali né num outro contexto porque você elabora né bíblico A relação mas que De algum modo poderiam dificultar mas como o Léo falou é até o Robert lente fala isso antes que os europeus conhecessem a África os africanos a conheceram eles abriram antes Como assim é como se todos eles se encontrassem navio negreiro e percebessem que entre eles Há muitos traços comuns Então antes que os europeus descobrissem a África os africanos já descobriram no processo de espórico caraca olha aí gente bacana bacana esse essa explicação aí voltando então para o quá quá ele vem nesse navio aqui então ele é comercializado para um confeiteiro certo seja um confeiteiro tem uma quaco aí como sei lá ajudante ou sei lá o que que um escravo fazia ele comprava as coisas na feira os cara fazia várias coisas mas no caso do que a gente tem de fonte o bacu ele ia resolver as coisas na feira Poxa então tu ele era um auxiliar do do Confeiteiro é interessante porque quando a gente pensa em escravo geralmente é uma figura e de fato aconteceu é a Senzala é o campo é o aquele cara que batia nos escravos esqueci o nome agora é exato exato a gente pensa muito em escravidão E com isso eu não tô querendo diminuir tá gente querendo ou não ele era um escravo e ele tinha um senhor mas a função dele era uma função de tipo auxiliar ele não era eu não imagino assim ele tava ali sendo açoitado ou não também não sei também né vai que ele chegava lá com a encomenda o cara como pagamento dava uma chicotada uma chibatada nele mas e assim tu falou que ele era um auxiliar como é que é assim os escravos Tinha sim Essas funções mas comuns por assim dizer porque a geralmente a gente pensa em escravidão pensa muito essa questão da Senzala né do sofrimento e tal é claro gente eu sei que é um sofrimento ser escravo mas Vocês entenderam onde eu quero chegar tipo ele era um auxiliar de um confeiteiro às vezes ele poderia até ter uma vida Tecnicamente é ok ok ok não é a palavra Olha eu usando alguém aqui mas não é possível sabe porque Bíblia porque acontece existe um Imaginário nosso sobre como a escravidão funciona esse Imaginário sempre nos associa ao ambiente da Senzala e das suas dores e é claro que esse ambiente é muito forte porque porque o Brasil é estabelecer os seus cada vez no colonial sobre essa lógica tá então o Brasil ele construiu uma dinâmica Extra muito voltada pra montagem de pequenas médias e grandes trabalhistas em regiões rurais para a produção rural em geral para exportação ou para outras funções ali próprias da ambientação Rural mas existia também outras ocupações para os escravos porque a escravidão ela tem uma capilaridade Então ela tá penetrando em todos os ambientes da sociedade então havia por exemplo uma escrava doméstica que cuidava de uma criança e que do ponto de vista comparativo obviamente usufruir de uma existência para não chamar de melhor para não apanhar aqui menos penosa entendeu mas comparativamente a gente poderia chamar de melhor porque ela não tá subordinada a certas dores que outros africanos inclusive da sua própria região Talvez né outras dores as quais eles também estavam submetidos gente querendo deixar bem claro a gente não tá diminuindo por favor gente a gente tá fazendo comparando a complexidade disso só o Episódio quando ele racismo estrutural exatamente e essa operação dos escravismo nas cidades no campo tinha suas diferenças de Fato né e o uso do fruto da vida é diferente por isso que a gente sempre fala tão importante ou mais do que pensar na Liberdade jurídica é pensar na experiência histórica porque porque a palavra escravo ela dá conta de uma série de experiências diferentes uma categoria muito abrangente por exemplo escravo na África também tinha escravo trabalhando por rei tinha escravo que era trabalhando uma casa [Música] Isso me lembra inclusive o império romano que tinha escravos com trabalhos bem manuais pesados iam para as batalhas enfim né eram experiências circenses né E lá dos Coliseu e por aí vai enfim trabalhos assim que realmente a vida era prejudicada enquanto outros escravos na escravos de César do império eram até enterrados dignamente né então você ambos eram escravos obviamente tinham a categoria de coisa por assim dizer e tinha um senhor mas em termos de qualidade de vida por assim dizer sim ou Nossa eram coisas bem abissais entre um e outro né Exatamente esse é o Ponto Central O que marca a escravidão o que denota a escravidão não é exatamente o tipo de vida que a pessoa vai levar do ponto de vista laboral mas o fato dela ser propriedade Esse é o ponto da escravidão ele é um objeto transmissível Então ele pode ser comprado vendido herdado alugado Esse é o Ponto Central e a qualidade o tipo de vida que esse carro vai ter é diretamente relacionado ao perfil do seu então existem senhores que parecem ser mais Eh vamos dizer assim tênues tá e outro senhores que são mais tirânicos então a relação é muito importante você tem que pensar o seguinte o escravo ele não é um alvo ele não é um objeto de fetiche meramente ele é um trabalhador e existem pessoas que sabem lidar melhor com seus é Operários e outros não mesmo no mundo da Liberdade como nosso hoje em dia todos nós aqui temos empregos Mas ou alguns somos autônomos né enfim mas temos trabalho e não necessariamente a forma como nós nos relacionamos com o Patronato desse trabalho quando nós não somos patrão também né é igual não é necessariamente igual então assim é claro que existe todo um conjunto de Dores não estamos negando isso com relação à escravidão porque a primeira violência já é a questão da desterritorialização arrancado no seu continente para poder ir pra outro pra trabalhar então essa dor já está aplicada aí mas existem sim é possibilidades e possibilidades e a gente vai saber onde a Bíblia impossível no filme 12 anos de escravidão quando o sol é uma nova que é uma outra história que não é Central pra gente aqui mas pode ajudar a gente pensar nesse ponto ele fala que ele vai servir bem ao Senhor dele que é o senhor Ford porque o Senhor Ford nas palavras dele eram senhor decente Porque dava para ele comida não o penalizava fisicamente com recorrência Então o senhor decente então se ele fosse um bom cativo para esse senhor decente ele provavelmente continuaria ali e não iria para mão de um de um senhor muito pior e isso inclusive bíblico tá presente na boca do bacupa o bacon fala sobre isso ele fala sobre como o senhor dele penalizava ele de modo injusto Olha que curioso ele é um escravo mas ele tá falando existe em formas justas e injustas de operar porque porque isso já em Pernambuco porque ele ia lá e vendia as coisas agora não lembro se o Pernambuco não ri mas acho que Pernambuco porque no rio ele trabalhou navio enfim é Pernambuco ele vendia as coisas e colocava ali as cesta nos pães e ele ia vender os pães e todo dia ele trazia o dinheiro certinho pro senhor e ainda assim o senhor é muito ruim com ele era muito mal batia nele era atirando enquanto outros escravos desse mesmo senhor é bebiam eram ébrios né respeitavam tanto o senhor e sofria a mesma penalização que que ele pensou bom se o tratamento é igual mesmo com uma resposta senhorial uma resposta serviu melhor dizendo diferente então vamos igualar por baixo Então ele pegou o dia todos os pães vendeu pegou dinheiro comprou uma cachaça São Luiz que sei lá uma bebida pesada ficou embriagado e apanhou mas pelo menos fiz valer o apanhar sabe como é que é porque porque o cara tem essa noção de Justiça do Tipo pô não posso eu ser um servo bom um escravo bom e apanhar Não é justo então também vou vou tocar o terror aqui vou chamar o Coreto né a coisa vai ficar estranha e nessa ocasião inclusive ele tenta se matar né Depois que ele ficar bêbado tenta se matar só que daí ele é salvo e aí como ele já escreve essa biografia no fim da sua no fim não né lá na frente da sua vida ele fala que foi a misericórdia divina foi a providência que o salvou porque ele passa a ler tudo obviamente com uma ótica Cristã legal bem a gente falou então que ele teve esse senhor Aí depois ele muda Em que momento a gente tem aí o relato da conversão ele como é que se dá né esse escravo que tem agora um contato com a fé cristã este senhor Clemente José da Costa ele era comerciante e ele vai com um navio um carregamento de café para Nova York e lá o quá já sabia que ele poderia ir no Rio de Janeiro né do Rio de Janeiro saiu do Rio de Janeiro Isso isso acho que eu falei a data eu já presumi que vocês estavam ligados que era o senhor do Rio de Janeiro a gente falou que ele vai do Confeiteiro para outro lugar daí depois a gente entrou nesse Mega parça E aí quando ele chega ele até relata que é a primeira palavra que ele aprendeu inglês era free e ele queria sair ele tentou fugir do navio inclusive mas o capitão do navios Clemente José da Costa prendeu ele e esse caso chamou a atenção dos abolicionista de Nova York que vão lá tentar convencer ela sair do navio junto com outros dois escravos um outro homem uma menina a menina decide ficar no navio ou bacaa e o outro colega é descerem sair e isso virar caso de Justiça esses abolicionistas eles vão apelar para uma lei de 1840 que dizia que todo navio chegasse com escravos no porto de Nova York esses escravos seriam automaticamente libertos E aí tem uma treta porque o capitão do navio apela para um tratado o Brasil e Inglaterra dizendo que tinha que ter negociação entre os poderes e aí fica num parece que vai dar em pizza mas no final a apelação dos abolicionistas da certo e aí o bacaa junto com esse amigo dele saiu oferecido uma viagem para ou Inglaterra ou Haiti e eles decidem ir para o Haiti por conta da revolução haitiana e já tinha abrido a escravidão E aí tinha basicamente uma república fundada por por eles escravos e lá ele tem contato com Missionários do inglês é free Will bepiche mas são os Batistas que são arminianos e lá tem a sociedade livre de missões que era uma divisão dessa free Will BEP porque esses Batistas arminianos eles eram majoritariamente a favor da da escravidão e Essa sociedade livre não e ela tava fazendo uma missão no Haiti justamente para evangelizar aqueles que agora foram libertos pela revolução haitiana e o babaca ele chega lá como cozinheiro do Reverendo nessa convivência com cozinheiro ele se converte em março de 1848 é batizado em julho do mesmo ano e dali ele começa a se alinhar com as missões da sociedade livre para tentar retornar à África e evangelizar sua família e o povo de origem dele então ele tem essa conversão ali no Haiti se envolve com uma missão Batista e depois essa Todo Esse envolvimento como um homem livre Ele Decide então que estudar e para justamente é o que levar uma conscientização para o seu continente o que que acontece então ele vai exatamente tentar levar de volta para a África vamos dizer assim levar a África cristianização É bom deixar claro que já tem que achar mesmo na África Tá mas é aquele fenômeno aquele movimento comum de muitos africanos ou descendentes que se cristianizaram ao longo do processo de modo consciente mesmo assim não é aquela conversão meio sobre a pressão né o cara que se converteu mesmo e que quer viver uma vida de devoção e muitos deles querem voltar para a África vai tentar alcançar a sua parentela alcançar a sua cidade da qual eles foram oriundos e ele vai tentar fazer isso só que o grande ponto e aí é o problema que a gente tem a gente não tem registros sobre se isso aconteceu ou não a gente não sabe o desfecho do barco a gente tem até o momento em que ele se cristianismo que ele escreve isso aí mas o momento posterior a gente não tem agora o traço interessante bíblico e que eu acho que ajuda a gente a pensar até o nosso momento atual e todos os momentos também do cristianismo de um modo geral é como ele tem acesso a diferentes cristianismos no decurso do processo da sua conversão porque lá em Pernambuco ainda lá atrás quando ele surge ali é na América do Sul para trabalhar como escravo ele narra o caso de um culto doméstico então assim o primeiro contato dele com o cristianismo não foi com o pastor batista que pegou o evangelho para ele conforme o Léo citou pra gente não foi o primeiro contato obviamente como uma sociedade catolicisada e cristianizada portanto ele teve contato com o cristianismo ele narra até o caso do culto doméstico que ele fala assim do Senhor dele né sua família era composta por ele sua mulher duas crianças e uma parente além de mim ele tinha quatro escravos ele era católico e fazia regularmente orações com a família duas vezes por dia mais ou menos da seguinte maneira ele tinha um grande relógio na entrada da sua casa dentro do qual havia algumas imagens feitas de Barro que eram utilizadas no culto nós todos tínhamos que nos ajoelhar diante delas a família na frente e os escravos atrás fomos ensinados a entoar algumas palavras cujo significado não sabemos também tínhamos de fazer o sinal da cruz diversas vezes enquanto orava meu senhor segurava um chicote na mão e aqueles que mostravam sinais de desatenção ou sonolência eram prontamente trazidos a consciência pelo toque ardido do chicote esta era principalmente a cena dos escravos que adormeciam apesar das imagens das perseguições e de outros divertimentos semelhantes ou seja o primeiro contato que ele teve com o cristianismo pelo menos narrado na sua biografia é esse aí né é um contato de cerceamento de controle então a gente percebe que ele teve contato com diferentes porque se fosse só questão do contato com o cristianismo Para ser salvo ele seria salvo tu pode da nossa teologia aqui né como a gente crê ele seria salva pelo momento se é só isso se é só o contato mas a natureza do contato o veículo do contato como ele transmite a mensagem se ele de fato é um transmissor ou só um reprodutor de uma mensagem cristã fala muita diferença e tem outras coisas também que explicam esse esse silenciamento sobre o final da história do bacura porque essa biografia não é aquela biografia do fim da vida quando ele publica em 854 ele tá ali assim a galera especula Entrando nos seus 30 anos porque porque ele tá ele usa essa biografia meio que como naquela vibe de você tem cinco minutinhos da sua atenção para me dar porque eu quero ele tava querendo buscar financiamento para voltar para a África ele ele deixou a missão Batista e foi procurar a missão Metodista nos Estados Unidos não conseguiu financiamento foi para o Canadá morou lá trabalhou ninguém sabe com o quê mas para conseguir dinheiro para publicar a biografia do Canadá ele foi pra Inglaterra tentava voltar para a África com uma missão Africana e aí em 1857 que a gente sabe que ele deixou a Inglaterra e a gente não sabe se ele conseguiu chega na África com apoio missionário ou se ele decidiu fazer tudo na força do braço e a gente espera que ele tenha conseguido mas não tem mais fonte mas são assim a própria biografia dele não é aquela proposta de uma reflexão sobre a minha vida e tudo mais completa porque na verdade era um meio de propaganda tanto que a maior parte da biografia ele fala mais da África do que exatamente sobre a experiência dele no transcurso de escravidão libertação porque a ideia é fazer essa propaganda da África como o campo Missionário o gente um parentese aqui esse desejo dele de voltar para África que a gente não sabe se ele foi ou não esse desejo ele poderia colocar em risco novamente a liberdade dele porque ele saiu de lá como escravo e voltar para lá poderia ser um risco ou não as coisas já tinham evoluído lá e esse risco já não era mais factível olha difícil saber 100%, né mas assim risco sempre tem porque sobretudo na região que ele tava ali que é de onde ele veio do benim existe uma persistência dos escravismo muito grande inclusive tá aí mais um dos problemas do filme mulher Rei mas não vou falar hoje eu vou falar no futuro então assim existe uma persistência ali quando a Inglaterra tá pressionando pelo fim da escravidão seja por motivos econômicos Barro ou é ou humanitários não importa alguns pontos da África resistiam né Por exemplo o reino dalmé ali do benim existia isso então impossível impossível nunca é bebo o risco sempre existe mas assim para ser sincero nas Américas esse risco também existia porque tem muita gente sendo resgatada todo momento ou ilegalmente escravizado então a verdade é que enquanto a escravidão não fosse totalmente abolida no local onde você está o risco é sempre real ele tá sempre posto é só um dado para colaborar com isso que falou quando o a qual ele é ele é trazido para o Brasil como como escravo já se tinha aprovado a lei que proibiu o tráfico buscava porque ela só vai ser aplicada efetivamente a partir de 1850 então ele já vem pro Brasil como ilegal a princípio então tem esse detalhe o risco sempre tem porque inclusive como ele veio pro Brasil era legalmente ele entra como africano livre inclusive né o nome que se dá para essas pessoas que chegam traficadas após a lei Feijó que a lei de 1831 é africanos livres só que a sua categoria ah são os africanos vivem chegando no porto E aí o que que se faz com eles vende-se em ambiente de tráfico escravista né então assim é uma categoria histórica do Brasil africano livre para todos esses indivíduos de 500 de 31 até 50 mas que na prática funcionava como escravos e às vezes até tutelados pelo estado brasileiro gente meu Deus e aí vamos lá acabamos com uma qua- porque temos o Divino ainda né gente temos o divino mestre é só eu comentar E aí eu acho que a conexão é importante com o divino que a gente pode fazer é que o o os dois como eu falei né já a gente já falou que várias vezes então vinculados pelo cristianismo e pelo fato também de ter moral no Pernambuco em algum momento né mas e aqui tá conexão entre eles eu acho importante o próprio bacuca coloca na biografia dele um trecho nesse tom de denúncia em que ele vai mostrar a contradição que segundo ele existe entre cristianismo escravismo ele vai evidenciar isso ele falou não não existe Associação possível as duas coisas são contraditórias E aí coloca uma frase assim é dele mesmo né oh cristianismo Tu és um medicador do Sofrimentos do homem tu és o guia do cego e a força do fraco Vai tu na tua missão fala as notícias pacíficas da salvação por toda a parte e Alegre o coração do homem então o deserto se alegrará e florescerá como a Rosa então a escravidão com todos os seus horrores finalmente será assim pois ninguém possuindo o teu poder e sobre a tua influência poderá perpetuar um chamado em discrepância tão aberta então repugnante a todas as tua doutrinas ou seja para evacuar a doutrina Cristã é diametralmente oposta ao escravismo o que não quer dizer que era um pensamento acolhido por todos A gente sabe disso porque os usos são variados mas na cabeça do barco as duas coisas não casam não faz fazem sentido tanto é que segundo ele onde o cristianismo chega a escravidão sai e essa também é a visão do divino mestre que a gente tem como outro personagem para poder falar o divino mestre alcunha do Agostinho José Pereira a gente não tem muitas Fontes sobre ele até porque nós conhecemos dele vende Fontes investigativo ou seja do que ele falou quando estava sendo interrogado pela polícia em Pernambuco então a gente não tem uma biografia e tal tem basicamente desse recorte a partir de 1846 E aí tem a conexão que o Igor falou que a gente tem namorado em Pernambuco e numa cronologia muito próxima porque o bacu- qual ele chega em Pernambuco e 845 e fica até 847 então eles estavam em Pernambuco Quando aconteceu os problemas da chamada aceita do divino mestre No mestre Agostinho José Pereira que se sabe da partida no interrogatório dele é que ele era desertou do exército porque ele lutou contra a revolta da Sabinada porque a Amanda do Senhor que era o capitão do exército e depois ele fugiu para o Rio de Janeiro fugiu da Bahia para o Rio de Janeiro e lá o melhor aqui no Rio de Janeiro porque eu tô no Rio de Janeiro ele conheceu o Sabino na prisão Sabino o líder da Revolta sabe nada que a gente ama zoar os alunos na escola né Igor sabe nada tá pronta né E aí lá ele conheceu enfim mas ele disse que não tinha nenhum interesse na revolta e tal e isso tudo porque porque o divino mestre ele tá sendo investigado porque ele tem uma seita E ele se chama seita porque o catolicismo era religião predominante oficial do Brasil nesse momento uma certa que se diz Cristã que rejeita os santos que ela diz que todo cristão deve deve ler a Bíblia pessoalmente e essa aceita ela é composta basicamente de 300 seguidores é negros existem suspeitas de que ela incentive a luta contra a escravidão e faça a menção a revolução haitiana então a gente até brincou no podcast sobre hermenêutica racismo que antes do Medo do comunismo tinham medo do haitianismo que era a influência da revolução haitiana entre os escravos já que os negros o Brasil foi o maior receptor de de Africanos cativos Então tinha essas especulação que olha a gente tem que tomar cuidado aí com essa com esse pensamento com essa filosofia haitiana para não ter um caos generalizada aqui no Brasil e ele é um desse suspeito de estar disseminando essa filosofia haitiana então ele passa a ser investigado vem cá qual é a tua o que que tu prega o que tu acredita E aí começa assim interrogatório dele e aí ele fala de que ele sentiu o chamado uma visão uma visão espiritual porque ele foi chamada pregar e a partir dali ele critica os santos critica que a igreja católica e o que as fontes especulam é que ele não bate de frente com catolicinho até para não prejudicar a situação do seu seguidores e do início da igreja dele que era uma igreja de de inveja assim marcadamente protestante ênfase no livre exame mas A grande questão é que ele foi achado um documento com ele que ninguém sabia o que que era era o tal do ABC do divino mestre e tem todo uma especulação se esse documento era de fato algum texto vindo do Haiti que estimulava a Revolução Ou se era alguma outra coisa que a esposa dele falou que era um poema bonito que ela recebeu E aí na investigação desse documento os policiais vão interrogar outros seguidores de Agostinho e acabam descobrindo um pouco mais de detalhes sobre o que o grupo deles acreditava tanto em termos de escravidão e religião uma coisa importante também se destacar é que essa investigação a natureza dela ela dialoga um contexto sociocultural do Brasil porque era muito comum tá sempre que houvesse reuniões de negros que a polícia é meio que fosse chamar pra investigar então isso não é uma coisa anormal era comum é totalmente recorrente no Brasil colonial então assim claro que já é Brasil Império né mas colonial do ponto de vista do modo de operação Colonial modo de produção Colonial Enfim então assim toda vez que havia uma uma junção negro juntos ali rolava uma investigação Nem que fosse para concluir Ah eles estão se reunindo para dançar eles estão se reunindo para festejar porque havia medo de qualquer reunião poderia ser uma espécie de núcleo de insurgência um núcleo de Insurreição Então a gente tem que mitigando esses núcleos aí não deixava lançar o divino mestre ele não tá propondo como Léo falou uma revolução né mas ele quer uma revolução de Fé vamos dizer assim por quê Porque ele faz duas coisas fundamentais ele é alfabetiza os fiéis então ele ajuda eles a aprender a ler a escrever e também ele enfatiza na texto bíblico as passagens vinculadas a ideia de libertação então a narrativa dele é uma narrativa emancipadora ele usa a Bíblia para este propósito Tem uma função política claro todo o uso da Bíblia tem função política quem tá ouvindo aqui pode ficar chocado com isso mas cada vez ser os documentos tá usando ele politicamente também tá E ele tem muita clareza do uso político que ele está fazendo Quem tá me ouvindo pode ficar com raiva aqui quando tá falando isso mas veja se você fala Olha nós temos que respeitar uns aos outros tem alguns políticos né então mesmo quando eu uso mais bobinho é um uso político também de uma maneira e ele tá usa Usa o político aqui Emancipador ele tá mobilizando a sua autoridade eclesiástica obtido junto aos fiéis para incentivá-los a confiar num Deus Libertador não Deus que livrou o povo da antiguidade né Israel é antes de ser Israel e também já sendo Israel como também pode libertar a gente desse cenário aqui ele pode nos ajudar Então é quase aquela ideia de nossa bandeira é o senhor né ele não ele tá fazendo muito esse discurso essa narrativa Deus pode nos livrar desses Mares dessas mazelas só que obviamente como alguém que não tá ligado a você católico como um homem quer narrado como e aqui uma questão importante né é aquele cara que é nascido no Brasil descendente de africano tá então ele é um ele não é africano então sendo ele um homem sendo ele um cara que não tá ligado ao ser católico em si ele pode ser visto como um cara perigoso né ele tem que chamar ele de um corpo perigoso o corpo intelectual e o corpo físico perigoso para as autoridades políticas da época aí dentro dessa questão de ensinar as pessoas a ler tava centrado dentro de algo que a gente conversou no episódio sobre hermenêutica que é como essa experiência Negra muda a percepção do Fio condutor da história bíblica porque a gente chegou a comentar aqui enquanto por exemplo era mais tendência dos Senhores de escravos e dos brancos no caso da América do Norte né se verem como o povo de Israel enquanto monarquia reinante receberem nesse sentido quando o divino mestre ele fala que um povo negro deveria olhar para Moisés ele tá se chegando por Israel sofredor no Israel exilado né O que depende da libertação vinda de Deus e ele que é interessante é que esse documento chamado ABC do divino mestre ficou muito tempo se especulando o que que era e em 2004 Acharam ele um arquivo em Pernambuco aliás achou-se um documento que que é consenso que se trata desse ABC do divino mestre que é uma é um poema em que todos os versos a primeira letra segue por ordem alfabética é um poema escrito pelo divino mestre e que ele usava para concretizar esses negros que seguiam ele né ali na sua igreja e nesse poema a gente vê versos falando de pagar o crime do povo ou seja nós já fomos escravos há muito tempo então como aconteceu com Moisés que o Senhor nos liberte e além de falar da importância do cristianismo como Libertador para os escravos tem duas coisas que são interessantes porque esse documento ele fala da referência do Haiti da Inglaterra como movimentos abolicionistas e ele reclama que o Brasil não olha para o Haiti para Inglaterra como referência e tem uma outra que teologicamente é mais interessante ainda é que ele ao contrário do que se acreditava na época ele diz que Adão Moisés e Jesus era um morenos ou que é um Pele Negra porque ele fala que se Jesus e Moisés sofreram como escravos eles deviam ser como a gente então eles tinham Pele Negra vou olhar aqui os dois versos Moisés Adão e Jesus ele diz do Egito segundo Moisés vinde logo libertar e já apaguemos o crime de nossas antigos pais herdeira pela natureza de dignação desta Nobre cor morena o primeiro foi Adão e sobre Jesus luz ele diz o seguinte são tão certas as experiências que nos dá a entender que dos morenos foi que Cristo quis nascer então A ideia é a seguinte se a Bíblia ela fala de um povo que sofre de um povo que precisa de libertação e os nosso senhor sofreu para nos libertar Ele é gente como a gente então ele também é negro e isso e isso é muito distintivo da teologia do divino mestre então tanto que hoje para quem tá mais ligado a teologia negra no Brasil ele é um grande diferencial porque antes de ter toda a discussão da teologia Negra ele já tá ali de forma um tanto incipiente fazendo essa essa Identificação do negro com Jesus e com o povo de Israel de libertação e esse documento eu não tô conseguindo achar a data não é sobre o mestre década de 40 sem investir 1846 é a grande investigação dele é em 46 entendeu Então ele tá escrevendo e produzindo essa daí 40 50 então ele tá agindo nesse período aí na metade mesmo no século XIX legal [Música] eu percebo acho que eu tenho aquele livro do esal Macaulay né o leitura Negra a gente tem um pouco essa ideia de que até a gente fala no episódio também sobre racismo e hermenêutica como essa passagem do êxo ela se torna uma passagem muito importante mesmo nessa leitura Negra por assim dizer da Bíblia nesses homens que refletem a sua fé e pregam a sua fé e fazem uma análise também a partir da sua realidade então assim por favor gente antes de você ficar julgando por nada a ver o cara vê Jesus como negro ou Nada a ver tem sentido gente né eles nem a parte todo mundo ler a Bíblia a partir do seu ponto de vista ou ler a Bíblia a partir da sua história Então isso é muito comum tá então assim acho que é o tipo de julgamento que não é legal fazer agora nesse momento porque a gente também não tá na pele dele então e é muito é você achar na Bíblia e ler a Bíblia a partir do seu ambiente né então eles como escravos leem a partir disso e eu percebi que é muito comum isso né diferentes lugares do mundo pode mostrar isso também tem uma cena deles lendo uma Bíblia Ilustrada e quando eles passam pelo Êxodo pelo cativeiro na Babilônia eles falam que ele sofriam como a gente olha aí cara então assim poxa é interessante interessante mesmo é com essa narrativa de libertação da Bíblia ela é apropriada então né pelos escravos como de alguma forma uma confiança em Deus que Deus há de fazer algo por eles e tal é interessante mas e aí gente em termos de Divino quá quá legados porque de ambos a gente não tem o fim da vida né pelo que conversavamos aqui em of top mas aí qual legado que esses homens deixam para nós aí nessa reflexão de Bíblia escravidão liberdade eu acho que tem duas coisas importantes aí que a gente pode falar a primeira delas é demonstrar como havia uma agência né voltando aquela categoria de agente histórica havia uma agência havia um protagonismo das Comunidades populares a questão das suas lutas pela Liberdade e eu acho que isso ajuda a gente tinha pensado Inclusive a questão do abolicionismo porque a gente pensa muito abolicionismo não por várias vezes com uma ação que parte da política pública do Estado brasileiro então é uma ação da política pública mas não é só isso abolicionismo ele pode ser entendido como todo o conjunto de ações pensamentos práticas que contribuem para forjar uma sociedade mais livre E para levar essas comunidades que eram escravizadas há um lugar de mais autonomia autonomia política econômica social então quando uma figura como Agostinho tá lá ensinando outras pessoas a ler escrever ele tá de algum modo movendo abolicionismo ele tá produzindo possibilidades de fruta liberdade e a mesma coisa acontece com uma quaquaqua né em outra medida é claro que o macaco tem uma outro caminho uma outra história mas os dois estão mostrando para gente que existe ação popular quer dizer os indivíduos não estão parados no tempo esperando que o estado faça alguma coisa eles estão agindo claro como homens de fé movido também por referenciais de fé e eu acho que a segunda coisa importante é exatamente isso vão estar como cristianismo foi apropriado foi mobilizado pelas pessoas segundo também as suas dores é normal que se espera que um Deus compassivo seja compassivo com a minha dor se esse Deus que dizem para mim compassivo que amoroso e que se preocupa com o pecador existe logo ele também se preocupa com a minha dor mesmo nas vezes em que eu não consigo superá-la ou não consigo entender porque ela tá ali né mas ele se preocupa de alguma maneira ou me ajudando a superá-la ou me ajudando a ter conforto no meio dela então acho que são homens que nos ajudam a pensar nesse aspecto também na relação com a dor e com a dificuldade da vida e como o cristianismo ele não é antagônico a dureza ele não é antagônico as dificuldades esse relacionamento com elas também sim dentro dessa histórias a gente vê um ciclo Virtuoso que dá experiência a pessoa vai para a Bíblia a Bíblia leva a comunhão a Deus e de Deus ela retorna pra vida pra vida dela para analisar a experiência então esses caras eles estão sempre olhando para a escritura como uma fonte de resposta para dores deles não é não existe essa dicotomia E aí existe algo até mais amplo que transcende essa questão da Abolição mas vale para todo o século 19 que é um século de transformações muito grandes e serve para a gente pensar hoje né em termos que a gente discute se justiça social é válido para o cristão não sei o quê por conta das nossas que as nossos questionamentos políticos atuais é que no século 19 seja entre negros ou entre brancos a gente vê um grande número de pessoas que olham para problemas factives assim da sociedade falam Cara eu acho que tem uma resposta para isso na Bíblia Eu vou me dedicar encontrar seja a escravidão seja a pobreza seja desigualdade seja violência alcoolismo prostituição enfim século 19 ele é meio caótico É nesse sentido e por isso tem muitas Fontes Mas se a gente também encontra pessoas que não olham e fala assim Ah isso é coisa do mundo Jesus está voltando e vamos só pregar o evangelho e viver cada um no seu quadrado não é isso tem muita gente inclusive Principalmente aqueles que mais sofrem com esses problemas que estão olhando para o mundo e falando cara Deus tem uma resposta pra isso eu vou achar e a vida dessas pessoas é dedicada encontrar essa resposta e falar essa resposta para outras para outros irmãos legal que legal seja são ativos é ou seja reagem ao texto bíblico é um texto Vivo para comunidade isso é muito legal muito legal mesmo gente é isso barco aí Divino São personagens históricos aí a Fontes pra galera poder ler mais sobre eles enfim que que vocês têm para indicar pra galera aí o Divino não tem biografia mas tem dois artigos que a gente pode colocar aqui pra galera acessado Marcos Carvalho que é o historiador que falou da das revoltas escravas em Pernambuco e fala da história do divino mestre e o texto em que ele fala que encontrou esse documento ABC do divino mestre que é o poema que eu citei alguns versos aqui legal o link vai estar aqui na descrição deste episódio em que botar o.com e alguma recomendação Igor é do bacupar a própria biografia né você encontra biografia eu hoje em dia está sendo comercializada Então você consegue comprar E aí bebo eu vou fazer uma outra sugestão aqui mas aí é quase um Jabá que acabou de sair um livro no qual eu escrevi um artigo né E que eu falo não sobre essas figuras mas eu falo sobre essa questão da agência negra do ponto de vista da escolarização Olha a pessoas que estão se escolarizando fazendo uma luta né o livro chama-se dois letramentos escravidão escolas e professores no Brasil 8 cientista que é resultado de um projeto do CNPQ que a gente teve aí nos últimos dois anos e a gente teve como resultado essa pesquisa histórica é um livro Não Tô Ganhando Nada Com Isso não é questão de recurso mesmo é uma questão de transformar a pesquisa científica em algo mais acessível Então tá disponível o pessoal consegue também adquirir esse livro aí no qual eu falo sobre o caso de uma figura específica do Rio de Janeiro chamada Bel da Trindade é mais um desses personagens interessantes que falam pra gente sobre luta histórica escolarização e luta contra escravidão Legal muito bom muito bom e o link também está aqui na descrição deste Episódio em bivotar o.com meus amigos mais um episódio da btwick tem mais dois aí para você ouvir ainda sobre esse tema de Bíblia racismo Então tá muito legal obrigado Léo Obrigado Igor pela presença de vocês aqui nesse Episódio e ó já dá play no próximo porque tem mais dois aí para você aprender sobre esse tema e com certeza temos muito a aprender Lembrando que esse episódio chega até você com o apoio da Thomas Nelson Brasil essa Editora que tem lançado aí muitos livros na linha da teologia devocional teologia acadêmica tá Thomas é parceiro nessa btu Week aqui então já sabe Siga a Thomas Elsa nas suas redes sociais Novembro tá cheio de lançamentos aí muita coisa legal a Thomas Elson lançando inclusive ela tem um livro engajamento cultural Onde tem um capítulo que fala também sobre racismo é um livro bem legal na pegada ali do Johnny stot mas esse livro engajamento cultural ele tem outros temas que o livro do Johnny stott não tem o livro do Johnny stot também da Thomas Nelson é o Cristão Em uma sociedade não Cristã e esse livro encaixamento cultural toca em outros temas e é um livro sensacional e um desses temas obviamente que é a questão do racismo tem também sobre a questão da homossexualidade é um livro bem bacana para você estar dando uma olhada também é isso então Já sabe siga Thomas Nelson ela está apoiando esse projeto e essa bt8 que só está chegando até vocês graças aí ao empenho dos meus amigos que estão gravando comigo e também da Thomas Nelson que está financiando aí tá bom gente é nem vou nem vou me despedir porque você já vai dar play no próximo episódio a gente se vê daqui a pouco então [Música] esse podcast Foi editado por Bibo tal que Produções