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A fé vem pelo ouvir

Hermenêutica e racismo – BTCast 476

Hermenêutica e racismo – BTCast 476

Hermenêutica e racismo – BTCast 476

Muito bem, muito bem, muito bem, começa mais um BTCast, o seu podcast de teologia! Nesse episódio de estreia da nossa BTWeek, Rodrigo Bibo conversa com Leonardo Cruz, Ana Bezerra, Jacira Monteiro e Higor Ferreira para falar sobre hermenêutica e racismo. Como os dois lados usam e usaram a bíblia para justificar seus pensamentos muitas vezes racistas e entender como através da história esses homens e mulheres se equivocaram nessas questões. Como era a questão do racismo no Brasil? A igreja protestante tinha relevância e influência nessas questões na época? A hermenêutica racista existe? Como entender? A teologia da substituição é racista? Isso e muito mais agora, nesse BTCast!


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O podcast cristão do Bibotalk tem a missão de ensinar teologia em áudio a fim de ver o crescimento bíblico-teológico da igreja brasileira.

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[Música]
teologia é nosso Esporte
[Música]
muito bem muito bem muito bem começa
mais uma btu e que aqui em bivotal.com
eu sou o Rodrigo bivo e tenho a honra de
Dizer para vocês que vocês terão uma
semana de podcasts aqui em bioport.com
seja no nosso site no nosso YouTube no
Spotify Deezer Amazon Apple apps de
Podcast você por uma semana vai ter a
nossa presença aqui discutindo um tema
que é fundamental para nossa sociedade
que é Bíblia e racismo por uma semana de
maneira séria acadêmica e teológica
vamos discutir esse tema galera
separamos aqui alguns temas sensacionais
convidados sensacionais para que você
pense com a gente esta temática Bíblia e
racismo e eu já quero começar aqui
agradecendo a editora Thomas Nelson
Brasil que está patrocinando esta BT
Week essa Editora que é Nossa parceira
que lança aí os nossos livros que tem um
podcast com a gente aqui na casa ela
está tornando possível essa discussão
então quero pedir a você siga Thomas
Nelson nas redes sociais adquira os seus
livros porque isso ajuda bastante também
essa Editora a continuar produzindo boa
literatura teológica e também
financiando projetos e podcasts que
edificam a igreja brasileira que é o
caso aqui do bibotal Quero Agradecer aos
amigos e amigas que estão fazendo
acontecer essa btwick junto comigo na
verdade eu tô aqui só de orelha
aprendendo com essas mentes esferas
Começando por elas pela Ana e pela
Jacira mulheres incríveis inteligentes
que sabem falar do que estão falando e
eu tenho certeza que você será ricamente
abençoado com a presença delas aqui
neste podcast Agradeço ao Léo
basicamente isso nasceu da cabeça do Léo
da mente do Léo A ideia foi dele e ele
trouxe o Igor para essa história
professor de história que inclusive
para essa história professor de história
tem muita história né saber teu i a Amei
conhecer o Igor e eu trouxe o Paulo Cruz
aqui para falar de Martin Luther King
foi sensacional então agradeço a esses
homens e essas mulheres que fizeram essa
btu comigo gente sim ó você vai ter uma
semana aí de Podcast um publicado a cada
dia segunda terça quarta quinta e sexta
para nós pensarmos essa temática que é
sensacional neste primeiro episódio
hermenêutica e racismo como a Bíblia foi
usada dos dois lados tanto para
perpetuar a escravidão como para lutar
por liberdade vamos para esse episódio
mas antes é claro os nossos recados
paroquiais
[Música]
e não sei aquelas paroquiais dessa btwi
que eu quero agradecer mais uma vez a
Thomas Nelson Brasil que permite e que
financia esse projeto e por isso a gente
pode estar aqui por uma semana pensando
esse tema tão importante galera Quero
Dizer para vocês aí que ela tem o
engajamento cultural um curso intensivo
sobre questões contemporâneas e as
diferentes perspectivas cristãs de
josral e Karen Prior tá Gente esse livro
aqui ele é muito legal ele lembra
bastante a pegada do livro do Johnny
Stop o Cristão Em uma sociedade não
Cristã que é o livro que nós estamos
utilizando no btcast Plus não sei se
você conhece mas é um detecast Onde nós
estamos passando o capítulo por capítulo
deste livro do Johnny stott que é também
lançado pela Thomas Nelson Brasil neste
engajamento cultural aqui você vai ter
vários temas também discutido em
perspectivas diferentes então é um livro
muito legal de ler muito rico e nós
temos assim gente vários temas como
cristianismo e cultura o modo como
ensinar a Bíblia e o engajamento
cultural daí tem questões contemporâneas
sexualidade tem muita coisa envolvendo a
questão da sexualidade inclusive gênero
e Sexo repensando relacionamento entre
pessoas do mesmo sexo você tem aqui a
resposta teológica e Pastoral para
desforia de gênero Você tem o papel do
homem e da mulher você minha vida humana
e a tecnologia reprodutiva imigração e
Raça aqui ó inclusive toca dentro do
tema desta BT Week você tem criação e o
cuidado das criaturas temos o assunto da
política aqui em vários capítulos
discutindo a questão da política temos a
questão do trabalho a questão da arte a
questão da guerra e também o engajamento
cultural orientado pelo evangelho gente
livro sensacional gostoso de ler
engajamento cultural Josh chadral e
Karen Prior um curso intensivo sobre
questões contemporâneas e as diferentes
perspectivas cristãs o link para esse
livro tá aqui na descrição deste
Episódio da BT Week Aliás a gente vai
recomendar ele em todos os episódios
porque é um livro que vale muito a pena
você ter na sua biblioteca e pesquisar E
outra ele é um livro que abre portas
desses temas para outros autores Então
vale a pena você ter aí como ponto de
partida este livro engajamento cultural
da Thomas Nelson Brasil embora pra esse
episódio que eu tenho que você vai
gostar demais
[Música]
Caraca gente estamos aqui olha num papo
gente eu não tenho eu não tenho roupa
para estar nesse podcast mas estamos aí
com uma pauta que o nosso amigo Léo Cruz
esse integrante aqui do btcast né já
apresentou para a gente tantas pausas
legais e podcast legais trouxe aí essa
galera que manja desse tema Bíblia
período da escravidão aliás esse tema da
escravidão já tivemos alguns btcashes
aqui falando desse tema da escravidão
muito legal e a gente vai ampliar
obviamente fazer outros recortes daquilo
que nós já conversamos sobre esse tema
aqui em bivotal.com no nosso podcast
então Joga aí escravidão bibliotal que
do Google gente usa o Google antes de me
perguntar se a gente já fez um podcast
sobre joga o tema mas me botar algo no
Google que vai dar tudo certo e você vai
achar o tema se a gente fez ou não Tá
então a gente já tem pelo menos uns dois
podcast sobre a escravidão um de forma
geral um falando sobre John Wesley e
tivemos já também dois ou três Episódio
sobre racismo e a gente agora tá aqui
para discutir um pouquinho sobre
hermenêutica sobre o uso da Bíblia tanto
para defender né o status quo Não tudo
bem manter escravos negros como não
espera aí vamos libertar essa galera e
Léo eu queria que você apresentasse aqui
eh alguns dos nossos convidados a Ana já
é conhecida aqui da casa do buttow que
já participou de um ou dois podcasts da
bc2 E agora me corrijando é porque eu
gravo com tanta gente que eu não sei
onde quem participou na onde no que e
também do podcast que é uma nutrição do
livro do Snow me Collie uma mensagem uma
leitura Negra aliás sensacional
sensacional esse podcast esse livro ah
Jacira é a primeira vez que grava aqui
com a gente certo Jacira é Jacira como é
Podcast tem que falar
É verdade eu achei que a Jacira só ia
ficar balançando a cabeça assim a
primeira vez que eu tô participando eu
só Jacira Monteiro Sou A autora do livro
eu estigma da cor também faço
pós-graduação em Teologia bíblica e
energética do novo testamento e é um
prazer estar aqui né nesse podcast que
eu já uso há tanto tempo tá participando
É uma honra
a Ana também aí Alguns eventos de
teologia pelo Brasil e tal é muito legal
e vocês estiveram no btd se não me falha
a memória tiveram no btd e não tiveram
você não Jacira Que absurdo assim mas a
Ana esteve junto com o maridão e tal
antes né o último evento antes de partir
para a América para o seu sanduíche
doutoral muito legal e Léo Tem um
brother aí que eu não conheço mas se é
teu amigo é meu amigo também o Igor mais
conhecido também como questão de
História o Igor ele é um cara assim que
eu ele é amigo de um amigo meu da
faculdade famoso aí Pedro Pedrinho
abraço pra você provavelmente você vai
ouvir isso aí eu conheci o Igor por
indicação do Pedro e acompanha o
trabalho do Igor assim no Instagram e
ele é um cara com uma didática é
incrível para falar sobre história da
África sobre escravidão e muito crente
também por isso que ele tá aqui com a
gente aí a bondade do Léo né do do
carinho do elogio Mas é isso a gente tem
produzido na internet algum tempo mas há
muito mais tempo também sou professor né
do aulão uns 14 anos já comecei cedo até
com 18 anos de idade já dava aula e
desde então nunca parei sou professor do
Colégio Pedro II aqui no Rio de Janeiro
trabalha com temáticas raciais de dragão
África na pós-graduação e também sou
professor de um modo geral de ensino
médio e minha pesquisa toda É nisso né
escolarização de negros racismo
preconceito de classe intercrosados
Então pegando no Brasil século 19 para
cá E aí então é para contribuir também
com um toquezinho outro de teologia que
talvez a gente possa ter para trazer
aqui olha aí gente perceberam que o time
é de peso e tem o Léo né da casa aqui
também enfim Léo olha só Tu é o dono
dessa pauta e eu vi aqui que você tem
uns slenders né inclusive disclemer já
remete ao meu amigo Mac a galera
pergunta quando é com máquina foi
intencional Olha o Léo é um grande 2020
também do btcast já fez uma homenagem
velada ou agora não tão velada almanaque
que falava dos displayers e tal enfim
Léo que disclemers são esse aí pra gente
tratar desse assunto né o uso da Bíblia
na história aí do racismo da escravidão
enfim usada aí pelos dois lados gente é
bem legal vai ter hermenêutica aqui hein
hermenêutica racista
hermenêuticabolicionista tem muita coisa
legal tá assim ouça antes de julgar
qualquer coisa cuidado aí com o seu
preconceito tá bom dá uma ouvida até o
final para você tecer os seus
comentários porque o que me dá raiva é
gente que só lê o título do episódio já
começa a comentar Nossa não seja essa
pessoa não só com bibotal mas em
qualquer lugar do planeta tá não seja
essa pessoa que vê a Redline ali e já
sai por aí emitindo opiniões Calma calma
seja menos Léo mas aí que esclamers são
esses aí meu irmão então eu vou jogar
aqui o pauta dos disclemas e a galera
também vai contribuir depois o primeiro
deles antes da gente entrar na nossa
pauta em si é que algumas questões aqui
de uso da história da procriação do
passado a já discutiu no Episódio
primeiro episódio de história da bc2 tem
aqui no bibliotal e também no episódio
sobre humanidade também tem algumas
coisas ali então a gente não vai entrar
assim muito é detalhes de algumas
questões um pouquinho mais de abordagem
agora indo já para o que a gente vai
conversar tem alguns cuidados que a
gente precisa ter vamos limpar o terreno
aqui primeiro eu vou usar na nossa
primeira situação aqui o que o Tinker
fala sobre moralismo você aí que a lei
todo tipo eu deve lembrar que mais de um
livro ele fala do Cuidado que a gente
precisa ter para não colocar a nossa
régua moral como um critério para eu me
julgar superior ou mais digno que os
outros o que que são problema porque
embora nós cristãos aqui todos
concordemos que existem verdades
fundamentais e absolutas toda a nossa
visão moral ela tem algumas coisas que
são contextuais então eu não posso pegar
aquilo que é do meu contexto e dizer que
é o certo se quando eu mudar para outro
contexto que ela vai ser errado o que
que eu quero dizer com isso dentro do
nosso tema aqui a gente vai ter alguns
caminhos possíveis deles ao meu ver são
os principais o primeiro que a gente
quer evitar é usar o nosso conhecimento
atual sobre o que foi escravidão sobre
esse passado e transformar esse episódio
numa espécie de Malhação de Judas olha
um caso público gente só dá um Google
vocês vão ver Jonathan Edwards teve
escravos Jorge White filtro defendeu
escravidão olha feio o bobo chato não lê
ele não sei o quê não a gente não tá
aqui para isso a gente fez é esse o
nível da Galera na internet mesmo a
gente quer explicar como que esses caras
que a gente ainda toma como referencial
de fé cristã puderam acreditar nisso
óbvio que a gente não vai conseguir
entrar na cabeça deles mas a gente
consegue ter algumas pistas do porque
eles estavam mais inclinados a seguir
uma postura escravista do que não e a
outra postura que a gente quer evitar do
moralismo é porque eles são referenciais
de fé para a gente ainda hoje dizer que
o erro deles não foi tão grave assim
porque era do contexto da época então a
gente pode dar uma relevada E isso não
funciona desse jeito porque assim se a
gente diz que ele só defenderam essa
posição e outras tantas erradas pelo
contexto da época o que garante que a
gente hoje não esteja agindo da mesma
forma ou seja ele tá pegando pesado
porque essa passada de pano é boa vai
essa passada de pano aí Ah mano nem a
gente vai usar ela um pouco
eu tô falando é esse que eu sou branco
aqui desse rolê né eu sou eu sou o
branco aqui do Rolê mas não falando
sério agora é uma passada de pano isso
aí inegável mas de alguma forma ainda
que não justifica não dá uma explicada
eles tinham eles tinham condições de
pensar diferente na época essa é a
pergunta que eu sei que a gente vai
responder nesse Episódio
pode fazer um comentário aqui não não
pode mano foi convidado para ficar no
mute aqui
tá bom E daí só para ter o teu nome aqui
até a cota mas não vai falar nada não
registrado
eu acredito que existe uma diferença
entre explicar justificar eu acho que a
gente pode explicar certos fenômenos
certas percepções de mundo agora isso
não as torna dignas né legítimas
justificadas E aí eu acho que o cuidado
o Léo Está apresentando aqui é o cuidado
de entender que são humanos com
falências com inclinações para o mal e
que De algum modo cometeram o equívocos
que para nós parece Absurdos mas de
algum modo Nós também talvez cometamos
alguns erros que no futuro serão usados
para nos julgar Ou seja a nossa
tentativa de identificar essas falhas do
passado Visa não sinalizar uma virtude
pessoal não é essa ideia é basicamente
dar uma construção só sua Histórica de
como o cristianismo se relacionou com o
tema da escravidão através de diferentes
figuras diferentes contexto então é
muito mais explicativo e muito menos a
ideia de monopolizar as virtudes para o
nosso tempo tem detrimento ao passado eu
acho que se a gente fizesse exercício a
gente vai no caminho bom isso aí menina
sobre esse fato de explicar acredito que
o discler do Léo vai no sentido de que a
gente pode explicar contextualizar né e
tudo entender as realidades históricas
os horizontes possíveis né naquela época
e tudo mais só que o que acontece
geralmente esse argumento ele é
utilizado para silenciar a discussão
quando nós encontramos encontramos
diante desses impasses a relação a
escravidão em relação às mulheres ou o
que for aí se usa esse argumentar era o
homem do seu tempo aí encerrou entendeu
Aí é só esse é o cuidado que a gente tem
que ter a gente pode entender sim o
trabalho do historiador é esse é tentar
chegar a uma compreensão mais possível
daquela época histórica porém a gente
precisar não encerrar a discussão nisso
né para falar então tudo vale porque era
época dele excelente cara sabe que eu
lembrei o assunto não é esse mas foi a
justificativa que os criadores da nova
série da HBO a casa do Dragão que a
propósito nem tá tão legal assim eles
vão ter cenas aí de abuso e tal e aí a
galera meio que pô para que de novo Tem
estupro e tal Porque na época do Game of
Throne já teve reclamações e tal aí não
porque era assim na época e tal Pô cara
que legal esses dias da Consultoria page
só para deixar registrado aí e ainda tem
mais um ponto dentro dessa questão para
a gente ir caminhando aqui no Just
clamers é que as pessoas fazem escolhas
o contexto ele joga uma série de opções
e dependendo do lugar que a gente está
tendo como ponto de partida algumas
opções elas são mais impactantes do que
outras então por exemplo se a gente tem
vão pegar o caso do Jonathan Edwards e
do George whitefood que eu já citei aqui
são conhecidos ok Um inglês branco da
aristocracia Colonial ele provavelmente
teria algum escravo doméstico a defender
a escravidão Essa era uma tendência mas
a gente tem registro histórico de inglês
brancos aristocracia Colonial na mesma
posição que optaram por não fazer isso E
aí o nosso trabalho é uma vez que alguém
na mesma condição optou por fazer
diferente qual era o horizonte possível
dessa pessoa o que que ela viu para que
ela pudesse agir na contramão E aí a
gente não cai no erro que as pessoas
dizem Ah você tá querendo impor a régua
moral do presente sobre o passado que
alguém chama de anacronismo isso pode
sim acontecer mas o devido cuidado para
evitar que isso ocorra é entender que
hoje em 2022 se alguém dissesse Olha eu
acho que é legal ter escravos a gente
tem muito mais argumentos e experiência
social para mostrar que isso é um
absurdo do que para uma pessoa de século
18 porque ela dizia olha escravidão não
é legal isso Tinha um custo muito maior
do que para alguém dizer isso hoje as
pessoas talvez elas poderia ser acusada
de um crime de traição de traição em
relação ali as leis públicas enfim e
várias outras repressões sociais porque
elas estaria jogando contra um elemento
fundamental da organização da sociedade
e a gente vai falar de uns casos desses
aqui hoje então a questão aqui do
moralismo é olhar para o passado e
entender quem tava ali mais próximo do
status pode defender a situação e quem
agiu contra a maré e entender quais eram
os elementos ali que estavam na mesa e
qualquer algumas pessoas tinham mais
inclinação aonde do que a outros e isso
ajuda a gente a refletir também sobre
como nosso contexto hoje tem forças que
nos empurram mais para um lado do que
para outro isso ajuda a gente a tomar
cuidado para evitar aí na tendência de
momento quando essa tendência tá
caminhando para um lado errado mesmo que
todo mundo esteja fazendo porque a gente
é mais forçado a seguir o fluxo do que a
gente imagina E aí Léo eu acho que tem
outra coisa interessante também que é
que você traz até o topo da teoria da
história que é o que você mencionou os
indivíduos eles estão inseridos em
certos contextos mas eles não são
determinados por esses contextos embora
eles possam informar demais os agentes
históricos Então todo toda a experiência
histórica tem que ser avaliada dentro de
certas categorias analíticas básicas né
que é toda a história vivida num certo
tempo num certo espaço e que todos os
indivíduos a partir desses
constrangimentos temporais e espaciais
tomam decisões ou seja eles têm agência
históricas tem capacidade de fazer
escolhas é claro que a margem de agência
de carga indivíduo na história varia em
função de uma série de questões Mas
todos têm algum poder de escolha algum
Poder Desse usuário e esse indivíduo em
especial que eu isso E além disso eu
acho que esse nosso nossa conversa aqui
vai também a explorar uma questão
específica que era a escravidão das
Américas Porque existe esse fenômeno à
parte e o nosso debate é parte muito
disso né a gente começa a ser remeleiros
como essas leituras foram feitas dentro
desse contexto o que a categoria
escravidão é uma categoria muito
elástica muito abrangente cabem muitos
tipos de experiências históricas
diferentes dentro que a gente chama de
escravidão e essa experiência são muito
difusas elas são diferentes entre si não
existe uma homogeneidade então quando a
gente fala a escravidão a gente tem que
entender contextos históricos E aí
quando a gente fala de escravidão
moderna a gente tá falando de uma forma
específica de expressão desse fenômeno
escravista e que afeta diretamente uma
grande comunidade de origem africana né
na sua maioria Negra e que gerou efeitos
implicações fundamentais na construção
das Américas e também na nossa própria
forma de expressar Nossa religiosidade
Cristã
[Música]
agora a gente vai para um ponto que
talvez esteja no momento esteja mais
familiar depois do livro Deus homocólice
é publicado aqui no Brasil que é questão
da teologia acadêmica e de como a gente
para entender esse processo do racismo
da interpretação bíblica a gente precisa
deixar de lado um pouco a teologia
acadêmica porque porque em primeiro
lugar nem toda elaboração teológica ela
é em si mesmo racista a gente vai ver um
caso clássico aqui que é a maldição de o
caso da maldição é evidentemente assiste
mas em outros momentos uma teologia
racista ela não é em si mesma algo que
tira dignidade de um outro grupo social
né nos casos Branco porque a gente está
falando aqui no caso desse Episódio os
brancos colocando a população negra em
situação inferior mas às vezes os
argumentos de apoio para construir uma
teologia direcionam esse raciocínio para
uma para legitimar uma situação como foi
a da escravidão e por isso que é
importante a gente tomar todo esse
cuidado que a gente está tendo aqui com
o moralismo com os Horizonte possíveis
porque às vezes tem posições que a gente
mantém até hoje mas elas não são hoje em
2022 consideradas racistas porque lá
atrás alguém percebeu que Opa ao lado
dela vinha alguma coisa que empurrava
essa posição por racismo hoje já não tem
mais essa posição e como que a gente
encontra isso que é o que usar uma
colher fala da teologia eclesiástica
Negra porque uma vez que os negros eles
não ocupavam esses espaços de reflexão
acadêmica formal no caso dos Estados
Unidos eles só vão chegar nos anos 60
então o pensamento negro ou de quem era
abolicionista tava em geral ali dentro
das igrejas dentro das comunidades que
liam a Bíblia fora desse ambiente da
teologia acadêmica mais formal então
quando a gente olha para esses espaços
em que os negros tão lendo a bíblia nas
suas igrejas nas suas comunidades e o
exabolicionistas também Principalmente
aqueles que não estão é nas instituições
se a gente for pensar no caso dos
Estados Unidos que é o que eu tenho mais
familiaridade aqueles que não estão nas
instituições acadêmicas em que mal ou
bem É no mínimo o debate sobre a
abolição ele era silenciado porque
aparentemente os dois lados bíblicos
abre e fecha aspas é nessas comunidades
de fé que esses argumentos vão sendo
construídos então quando a gente olha
para esses grupos a gente tem uma
dimensão de como a teologia ela foi
sendo construída também eh na população
em geral fora desse ambiente da Elite
teológica e que se a gente olha só para
esse ambiente talvez a gente não tenha
dimensão do tamanho do problema
Inclusive a gente reforça aí esse livro
uma leitura Negra desde uma cólen é um
livro da Mundo Cristão acho que já é de
2021 sendo que falha a memória gente
livrasso vale a pena leitura
principalmente porque a galera às vezes
falou em leitura Negra falou em discutir
racismo tem toda essa polarização no
Brasil e que é muito forte ainda e às
vezes as pessoas não ouvem os argumentos
e já colocam em determinadas espectro e
tal e não raciocínio né Gente não vamos
ser assim tá não vamos ser assim uma
coisa você traz aí que é interessante
que é uma demonstração que para aqueles
homens e mulheres do passado Era óbvio
mas que vale a pena reforçar no presente
que a teologia ela não tá presa a espaço
institucionais acadêmicos né a teologia
ela se constrói nos espaços experiência
do culto no espaço cotidiano né É na
vida comum que se pensa sobre
religiosidade Então se a gente entender
teologia não como uma sistematização
acadêmica mas como um conjunto de
experiência de reflexões sobre a vida
cristã tá todo mundo de algum modo
produzindo teologia então a gente rompe
também com certo elitismo que coloca o
teólogo como alguém muito distante né da
população e da vida comum como se para
pensar na fé eu tivesse que me afastado
do Povo né do vulgo e a verdade é que o
ambiente vulgar é um ambiente totalmente
propício e provocativo para construções
religiosas a gente vê isso nas
comunidades negras norte-americanos
fazendo as suas próprias formas de
produção de um cristianismo negro assim
como no Brasil a gente tem exemplos
histórico sobre os quais a gente pode
até falar depois mas como de um padre lá
de um pastor melhor dizendo lá no Recife
que fazia uma leitura teológica de
libertação e meio aos fiéis ali que ele
ajudava a levar né para o reino do céu
dentro da sua concepção de época Enfim
então acho que isso também tem que ser
bem avaliado para vocês poder romper com
esse paradigma de que teologia é uma
coisa de uma alta academia e que ela não
se faz no cotidiano Pelo contrário né
pelo contrário nem sempre a teologia
acadêmica chega né no chão da Igreja é
por isso até que a gente brinca aqui no
btcast que a galera fica acusando o
outro de Ah seu teólogo liberal e tal
mano a teologia Liberal nem chegou
direito no chão da igreja né então ficou
uma parada mais presa também nos
ambientes acadêmicos e às vezes tem até
essa dificuldade que é o que a gente
tenta fazer aqui no bipotal né a gente
tenta trazer coisas acadêmicas e levo
para o povo de forma geral pessoas que
não estudam teologia inclusive que o que
sabem de teologia aprendem aqui 12
microfones do btcast Então esse é um
esforço muito grande que a gente tem
aqui de tentar trazer aquilo que tem na
academia né as discussões relevantes da
teologia para o nosso público porque nem
sempre chega nem sempre chega por
exemplo né que um parente meio longo
peço desculpas mas é que eu vim do
Movimento Pentecostal cara tem muito
absurdo no Movimento Pentecostal que a
literatura eu não diria nem acadêmica
mas a Lite teológica já rechaçava já
falava contra se você pega alguns
escritos do gunarving ele já falava
contra o reteté coisa tão comum e
marcante no Movimento Pentecostal
assembleiano mas que o próprio fundador
já escrevia contra desordem a bagunça no
culto e tal então você percebe que às
vezes tem essa dificuldade mesmo das
questões acadêmicas ou das questões
teóricas e doutrinárias desaguarem mesmo
na comunidade isso é um grande esforço
cara é um grande esforço e no fundo
muito da igreja acaba sendo guiada
justamente por essa teologia do chão
essa teologia do Povo essa teologia que
nem sempre dialoga com a academia e por
isso o papel do pastor é tão importante
para fazer essa ponte né mas enfim só um
parênteses Ô Léo tô ansioso vamos pra
pauta tem muito Slender ainda não agora
é o último porque esse eu acho inclusive
o mais importante pra mim que a gente
quer protestante evangélico A gente fica
meio que num Limbo quando o assunto é
escravidão nas Américas porque no
cenário do Brasil o crescimento do
movimento protestante evangélico veio
muito muito tempo depois não né até
porque em termos historiográficos né
tanto tempo assim mas vem o tempo depois
da Abolição então assim a gente não tem
muita dimensão de como foi ser
protestante durante a escravidão no
Brasil porque é justamente no momento
final da escravidão no Brasil que as
igrejas protestantes no do
protestantismo de Missão tão chegando
aqui no Brasil então assim se for pegar
por exemplo a minha a igreja que a
Igreja Presbiteriana do Brasil ela chega
aqui e se forma institucionalmente
faltando 30 40 anos para terminar a
escravidão então ela não tem ainda uma
força uma representatividade numérica
pra gente ter esses exemplos em larga
escala Como foi no caso da formação do
Brasil com catolicismo que eu quero
dizer com tudo isso é que quando a gente
fala de teologia de gravidão isso Parece
coisa de católico pra gente e eu já ouvi
isso às vezes quando cheguei a comentar
com colegas de igreja e tal e essa
questão do apoio teológico a escravidão
Parece coisa de católico pra gente já
fazia muito sentido é ver um
protestantismo distante disso mas é o
grande problema que inclusive
missionários e pastores brasileiros do
século 19 como presbiteriano Eduardo
Carlos Pereira já apontava existia uma
influência teológica vinda dos Estados
Unidos dois missionários americanos que
reforçavam a escravidão presente no
Brasil então assim se já no século 19 no
início do protestantismo institucional
aqui no Brasil existia um pastores que
percebiam essa influência da teologia
norte-americana para diminuir amenizar a
situação da escravidão e do racismo no
Brasil Então hoje a gente precisa
continuar tendo esse mesmo cuidado seja
para ideias que surgem aqui no próprio
Brasil seja pro legado para continuidade
de ideias da nossa formação católica e
seja também para as influências
norte-americanas que a gente tenha e
esse episódio aqui ele surge justamente
para tentar suprir essa lacuna para
introduzir Esse aspecto de como que a
teologia principalmente protestante
trabalhou na questão do lado escravista
para justificar a situação de subjugação
do povo negro ou no lá da abolicionista
e a gente vai tentar fazer Pontes com o
Brasil também
quando der para fazer essas Pontes muito
bom a entrada do Igor diz que ainda tá
rolando a parada né então a gente tem
chance aí de fazer história né Igor é
isso se a gente entender a abolição como
mais do que uma assinatura de um
documento mas com uma construção de um
modo de vida em que as pessoas ligas vão
poder usufruir de bens que eles foram
negados Então acho que a gente pode
fazer muita coisa ainda muito bom se
embora então para essa pauta gente ó tô
bem emocionado mesmo acho que é um
assunto bem importante e é isso simbora
[Música]
Léo hermenêutica racista essa parada de
hermenêutica a gente tem um episódio
dois só sobre hermenêutica eu acho que é
uma é uma deficiência do btcash é que
nos falta mais essa pauta da
hermenêutica de interpretação bíblica
ainda que a gente tem vários podcasts
bíblicos e onde consequentemente a gente
acaba abordando questões hermenêuticas
mas povo tem muita dificuldade e eu
atendo muita gente no Instagram e tal
respondendo caixinha e até mesmo quando
eu converso com as pessoas as pessoas
acreditam que é o seguinte é uma Bíblia
só E é só um espírito santo então a
maioria dos cristãos eles têm essa
dificuldade de entender a diversidade no
povo de Deus porque é uma Bíblia só E é
só um espírito santo e muitos pregadores
famosos falam isso né Você pode ler a
Bíblia com o autor do lado né Como assim
se eu tivesse com a Jacira tal já Cida
mas o que que tu quis dizer que a ideia
Já Cida vai lá e me explica o que ela
quis dizer naquele trecho do livro dela
e vice-versa enfim não é bem assim com a
Bíblia né então quando a gente em
leitura colaborativa em leitura
corporativa né em leitura em conjunto da
Bíblia ou uma interpretação colaborativa
ou quando a gente lê a Bíblia a partir
da história da igreja a maioria das
pessoas têm Muita confusão e eu penso
que esse episódio vai ajudar nisso
também as pessoas entenderem como a
mesma bíblia pode ser usada para fins é
diferentes e até antagônicos então o Léo
essa hermenêutica racista o que que é
ser hermenêutica racista que você traz
aí pra gente ó a gente vai voltar aqui
naquele ponto em que Eu mencionei que
existem elaborações teológicas que não
são em si mesmo nas fascistas mas em
conjunto com outros tipos de pensamento
essas teologias elas foram direcionadas
para isso então o que a gente vai tentar
demonstrar é como um cenário foi
construído a ponto de se alguém nascesse
ou fosse formado por esse cenário
dificilmente não é impossível mas
dificilmente ela veria a escravidão como
algo ruim como algo a ser evitado o
primeiro desses pontos e o mais antigo
deles uma convicção teológica que ainda
hoje está presente que é o
supersticionismo ou conhecido como
Teologia da substituição e aqui eu vou
tentar explicar com cuidado porque
algumas pessoas devem estar com os olhos
arregalado mas como assim da
substituição racista Calma ela em si
mesma não é vai depender de outros
argumentos que caminham ao lado e a
gente vai seguir isso ainda nesse
Episódio como que a teologia da
substituição acabou contribuindo para
esse cenário a teologia da substituição
diz de maneira curta grossa a igreja
substitui Israel como povo de Deus nos
planos de Deus a partir do novo
testamento em que sentido isso passou a
ser racista ou preconceituoso a partir
do momento que ali no século terceiro
século quarto cristianismo ele vai estar
sendo do Judaísmo existe toda essa essa
argumentação para dizer que os judeu que
reconhece Jesus como senhor e salvador
ele precisa abrir mão do Judaísmo Mas
qual que é o problema se hoje pra gente
que tem as categorias já isso é cultural
isso é étnico isso é religioso já é
difícil separar o que é cultura o que a
religioso e o que étnico do Judaísmo
para aquela época muito mais então abrir
mão do Judaísmo é Não significava apenas
a pessoa deixar de seguir a dieta coxa
ou deixar de usar um determinado tipo de
roupa mas era abrir mão do que hoje a
gente chamaria de sua ajuda a idade
abrir mão da sua identidade quanto
pessoa e se a gente tomar no nosso
Horizonte a perspectiva de que o século
terceiro quarto e o quinto vão marcando
a institucionalização do cristianismo o
surgimento de uma cristandade um judeus
tornar-se Cristão era se submeter a um
tipo de poder a um tipo de cultura a sua
origem étnica era apagada e no longo
prazo o que que isso Vai resultar quando
o europeu ele vai por meio das
navegações e outros Empreendimentos
comerciais tendo contato com povos
principalmente abaixo da linha do
Equador porque curiosidade existia a
crença que a linha do Equador era tão
quente que nenhum ser humano vivia ali
então quando os portugueses descem o
cabo bojador em 1492 se eu não me engano
mas se tiver errado dá um Google aí
vocês vão descobrir a data mas quando
eles cruzam o cabo hoje a dor e vem que
tem gente andando abaixo da linha do
Equador isso dá um nó na cabeça deles
porque não se tinha essa imagem que
tinha vida basta a linha do Equador E aí
nesse empreendimento
comercial/de expansão missionária também
nesse contato com os negros e com
indígenas o europeu vai estender essa
noção dos judeu para o negro para o
indígena que a catequese do indígena e
do negro envolvia ele abrir mão de tudo
aquilo que tava ligado a sua origem
étnica cultural religiosa porque essas
divisões o que étnico religioso e
cultural não era tão Claras era tudo um
bolo só Tanto que por exemplo tem um
documento muito importante que é do
Padre Manuel da Nóbrega diálogo sobre a
conversão do Gentil ele foi escrito em
1556 e 1557 o Gentil ali não é o que a
gente aprende na escola dominical que é
todo aquele que não ajudou o Gentil é o
índio e o índio para ele poder tornar-se
cristão ele deveria abrir mão disso
daquilo que tava ligado à sua origem e
essa é abrir mão envolvia adotar o nome
Cristão adotar costumes portugueses E
por aí vai a gente chega na situação do
negro isso envolve também a si mesmo
processo de abrir mão do nome de origem
africana e adotar um nome Cristão tanto
que aqui no Brasil por exemplo acho que
a Ana tava estudando um pouco isso ela
pode até falar mais existe uma diferença
em relação aos Estados Unidos que a
maior parte dos negros aqui não
conseguiu manter vínculos inclusive no
próprio nome com os nomes de origem
africana e ter essa essa memória sobre
de onde vieram de Que família vieram de
que povo vieram da África nos Estados
Unidos Ainda teve um pouco mais de
facilidade nisso então essa visão da
Teologia da substituição elas caminhou
para essa linha a partir do momento em
que tornasse Cristão era ao mesmo tempo
submeter-se a cristandade que traduzindo
era parecer-se mais com o branco europeu
e aí sim no fim das contas o europeu ele
fez um Jesus da sua imagem semelhança e
impôs esse Jesus para os outros povos
via catequização e isso o Igor me
corrigiu aqui acaba o bojador 1434 Valeu
Eu queria falar uma coisa rapidinho
sobre o Jesus da sua imagem semelhança
que muitas vezes por causa algumas
Porque então Jesus era assim Jesus Vai
representar em diversas culturas e de
fato diversas culturas Jesus foi
representado de conforme a cultura que a
pessoa era que o aquele povo era o
problema do Jesus Branco Europeu é que
esse Jesus desta cultura foi imposto aos
outros entendeu Então se verem Jesus
fazer uma representação artística em que
você se enxerga no seu Deus porque você
é feita a imagem de semelhança dele é
algo que foi como um adversos culturas
da terra agora o problema disso é que um
Jesus foi eleito acima dos outros e aí
só desse pequeno observação é o famoso
Jesus loirão né que todo mundo que nos
livros de história aí ou até mesmo Isso
mudou um pouco acho que até na igreja
católica Não sei faz tempo que não
frequento nada mas até então na minha
catequese Jesus era o loirão né Jesus
loirão olhos azuis e tal as próprias
imagens né eu lembro de na casa da minha
avó tinha um Jesus lá bem loiro bem
loiro não vou desistir ao olho azul que
eu acho que daí talvez eu já estou
forçando a barra mas que era um cabelo
então exatamente lembra bastante o obi o
ano mas assim o o olho azul eu confesso
que eu não lembro se tinha eu acho que
não mas ele com certeza tinha um cabelo
lindão parecia propaganda da L'Oréal
assim Jesus fazendo propaganda L'Oréal
tá ligado um cabelão claro assim um
castanho bem claro puxando para o loiro
isso era muito comum assim essa imagem
de Jesus isso depois acho que até a
própria Igreja Católica foi criando
algumas consciências mas isso é inegável
e se Jesus europeu realmente é o que a
gente recebeu aqui e era muito difícil
né até teve nós tivemos um convidado
aqui de um programa sobre racismo e ele
queria interpretar Jesus e ele negro e
ele nunca dava um papel de Jesus para
ele né justamente por ele ser negro
então isso bugava a cabeça dele né E
essa é uma das razões pelas quais a
gente acaba escutando muitas vezes
enquanto o cristãos e negros que nós
estamos de alguma forma traindo né não
ter passado porque estamos incorporando
a tradição do colonizador porque o
cristianismo acabou sendo subordinado
por esse tipo de leitura é uma ideia de
uma religião europeia quando na verdade
é no próprio tempo de Jesus essa
compreensão espacial de África Europa
Oriente Médio não estava estabelecida
como hoje e a gente tem que pensar muito
mais do que alguém quanto o mundo
Mediterrâneo que em relação uma parte
com outra foi construindo a própria
cristandade então em alguns sentidos
africanos não receberam o cristianismo
eles produziram o cristianismo Então
quando você inverte esse olhar você muda
essa percepção toda sua visão sobre a
sua própria fé e o seu lugar no mundo
também alterar junto hoje a Cida se
balança a cabeça Você concorda e tal
você fica à vontade né eu sei que não
precisa esperar o seu momento da pauta
aliás seria tão educada que eu acho que
ela tá esperando Ah tá o meu nome tá
nessa parte aqui da pauta eu vou falar
nessa parte não Jacira entra rasgando aí
né pode ir fazer a sua colaboração e a
Sua percepção sobre o tema eu estou
esperando a minha parte porque eu tenho
mais a contribuir nessa parte não quero
falar besteira aqui legal então vamos
pra tua parte então já deu
supercencionismo porque o Igor Sabino
não tá aqui e aí a gente a gente corre
muitos riscos de falar desse tema aqui
presente
Sobrevivência para entender esse molho
mesmo tem que saber tem que trazer o
Igor Sabino não inclusive tô já pensando
numa pauta com ele e tal tem muita coisa
pra gente falar sobre isso bem nós temos
essa hermenêutica racista com a maldição
de cam essa clássica famosa em aí algum
Teve até Pregador Pentecostal que já
falou isso depois voltou atrás e tal mas
e aí Jacira maldição de cães
contextualiza um pouquinho para nós Até
biblicamente porque temos ouvintes que
não sabem que maldição que é essa quem é
esse clã e por aí vai em Gênesis a gente
tem um relato aí do dilúvio né e depois
do livro não é tem os seus filhos né os
três filhos sem cães e já faz E aí em
determinado momento ele faz uma Lavoura
de vinho e tal ele bebe muito fica muito
bêbado e ele fica nu e o seu filho vê
ele no Nesse contexto quando não é ele
fica sóbrio ele amaldiçoa o seu filho na
verdade ele amaldiçoa a descendência de
Campo enfim esse foi um dos pontos que
foi utilizado para
construir uma narra a parte da Bíblia
Martin Luther King em uma entrevista BBC
News ele falou que não tem como você
fazer algo que é ruim por muito tempo
sem eventualmente você racionalizar isso
E aí ele aplica isso a escravidão você
não tem como fazer uma coisa muito ruim
ao longo do tempo se você criar
justificativas para aquilo e a
escravidão foi justificada a partir de
diversas esferas a partir da esfera
moral dizendo que a cultura europeia era
superior a cultura todas as outras
culturas especialmente a cultura
africana a partir da espera biológica e
pseudo científica a partir de estudos
como cronometria por exemplo se você der
um Google você vai conseguir entender
melhor sobre isso mas basicamente era
uma pseudociência para dizer que o
cérebro da pessoa africana da pessoa
negra estava muito mais semelhante ao
cérebro do Macaco e que o cérebro da
pessoa branca ela era muito mais
desenvolvida muito melhor estruturado
justifica para escravidão a partir da
religião a partir da Bíblia e a partir
desse mito de canto a ideia que foi
construída é que o sinal físico da
maldição de Noé para Khan foi a pele
escura de seus descendentes Esse foi um
dos primeiros pontos segundo ponto
Isidoro de Sevilha ainda 560 o padre
Isidoro de Sevilha ele localiza
geograficamente que esse local onde
foram amaldiçoados seria a África Então
essa ideia que ainda permeia em várias
as nossas igrejas de que a África foi
amaldiçoada por Deus Veio desse mito aí
do mito de canto
já falou pouco e ainda eu interrompo
Parabéns Rodrigo você é um ótimo host
mas é que é o seguinte Jacira é quando a
gente eu já ouvi falar dessa questão da
maldição de cão e tal e a própria marca
de Caim Mas é isso tem um lastro na
história assim já antigo eu achei que
isso era as bobiça de Pentecostal assim
não isso tem um lastro na história da
teologia
Caraca que assustador maluco Pô tu tá
falando aí em 500 e pouco e século vi
isso nossa então foi base foi base aí
para as escravidão e principalmente a
moderna né do da forma como foi
conjugado mas aí quando a gente vai
olhar o texto bíblico fazendo uma
exegese realmente do texto bíblico de
Gênesis primeiro a gente precisa
entender que os africanos ele nem sempre
foram escravizados então quando se
coloca que Deus criou a África para
escravidão a gente precisa voltar
realmente para o estudo de toda a África
e entender que nem sempre existiu uma
África aonde o imperialismo Foi eles
foram colonizados existe uma história de
África antes da escravidão e é preciso
lembrar disso para que a gente seja
justo historicamente segundo em Gênesis
9:24 a gente vê que não é ele não tá mal
dizendo a cama e de todos os filhos
foram para África das descendências
deles não foram para a África Esse é um
ponto importante também para a gente
entender outra coisa que não há nenhuma
referência explícita nessa passagem a
questões de raça a questão de cor Isso
aí foi imputado na Bíblia para
justificar Justamente a ideia da
escravidão a ideia racista que estava
por de trás mas que não há nenhuma
referência de forma explícita na Bíblia
isso por outro lado também Outro ponto é
que escapa a Bíblia qualquer referência
direta a África não há nenhuma
referência direta Então esse é um mito
né que começou há muito tempo atrás mas
que tem a vieses que tem voz até os
tempos atuais né mas que foi utilizado
como uma das justificativas aí para
escravidão para se fazer escravidão de
forma com a mente tranquila
entendendo-se que Deus havia criado os
africanos os negros para uma posição de
subserviência uma posição de legal antes
do Igor falar que ele já tá se
preparando ali já tá aquecendo a sua
barba é porque cara a gente tem agoxinho
provavelmente era negro Atanázio não era
o Atanázio que era chamado de anão negro
Satanás Então por ser tu tem figuras né
importantes da história da teologia e
que ainda assim você cria né você acha
um subterfúgio hermenêutico para
justificar uma barbaridade cara enfim e
é muito interessante que o aliás
interessante aqui não é a palavra
adequada né mas que foi horrível para
quem sofreu isso porque a mulher sempre
foi já complicada na história da
humanidade né a mulher não tinha a alma
já anda lá esses grego meio maluco lá e
com o negro é interessante que não foi
só mulher negra né o homem negro também
então o homem e mulher ou seja uma raça
mesmo inteira sofrendo abusos e tal cara
que doideira que doideira enfim depois
até Igor na tua fala é até indica um bom
livro sobre história da escravidão até
esse lance que a Jacira também dedicar
sobre África né porque cara a gente fala
em África aqui agora falam como leigo
mano parece que a África sempre foi
escravizada colonizada né tipo uma
parada meio a gente sempre tem essa
mentalidade da galera escravizado e tal
subjugada enfim é mas vamos lá voltando
para pauta aí gordo o maldição de câncer
que você tem uma parada para colaborar
aí também é eu acho que já será matou
bem a questão com relação a descendência
né porque a maldição foi sobre Canaã E
aí se você seguir ali à risca como a
Bíblia tá tentando construir o
desenvolvimento dessas Nações Canaã
teria ocupado a parte do Oriente Médio
vamos dizer assim é o pai dos povos
cananeus enquanto
que são os outros descendentes de
escritos de clã seria um representante
da África mesmo significa Egito então
assim a gente tem ali uma clareza de que
o próprio texto não aponta para isso E
aí a gente vai ter uma construção ao
longo de séculos dessa visão que vai ou
com a pouco a associar um ambiente a uma
certa dimensão de cor porque o conceito
de raça não tá muito bem forjado ainda
mais mais chamaríamos aqui nesse mais
moderno com o teu plano de raça né e
condição jurídica da escravidão Então
acho que isso é uma coisa importante que
vai se desenvolver como a Jacira falou
lá do início da idade média e que vai
ter avanços de recuos então isso não é
uma posição isso não representa uma
visão homogênea no meio Cristão a
posições diversas sobre isso e mesmo as
bulas papais que De algum modo tentaram
administrar Cristina escravidão muitas
vezes não recorriam aliás e não me
recordo do recurso à questão racial mas
muito mais lá no século 15 e 16 é uma
questão até de ordem religiosa uma vez
quer ver uma atenção com um mundo
islâmico afirma a atenção como um
dinâmico uma expansão da Fronteira
islâmica e até uma incorporação de
muitos europeus como escravos então
também isso é uma outra questão
importante a escravidão é um fenômeno
horizontal né no ambiente africano já
havia escravidão antes dos europeus os
europeus apenas incorporam uma estrutura
que ele estava fundamentada e dão para
ela uma ampliação uma abrangência como
num controle já havia acontecido então
na África a escravidão tinha um caráter
um pouco mais marginal não era tão
central e passa a ser uma coisa
fundamental então o escravo era produto
da Guerra agora não com a presença
europeia a escravidão vai ser a
motivação da Guerra né então antes o
escravo era produto da Guerra agora não
agora a guerra é motivada pelo Desejo da
escravização uma vez que a compradores
no litoral então europeu ele se
apresenta em como um comprador potencial
disposto a levar essa grande carga de
mão humana de mão de obra humana para as
Américas aí eu acho que tem uma outra
coisa importante assim a destacar antes
ele é um documento que a tecla separei
aqui é que essa ideia de que não havia
alma na comunidade Negra É muito mais
produto de uma leitura do presente do
que do passado porque a ideia não é
inexistência de alma porque se assim
fosse sequer haveria batismo para que
esse batismo alguém se essa pessoa é
inteligente porque não tem alma então
assim uma forma de religiosidade uma
conversão forçada violenta nos seus
termos mas a ideia de existência de alma
não é exatamente a tônica do período o
próprio padre antonil faz discurso com
relação aos negros e compara Jesus aos
africanos aos negros Por que ele faria
isso se ele não acreditasse numa
eternidade para esses indivíduos então
isso também tá em debate né em debate o
quê como é que você vai alcançar Esses
povos agora o problema é que o método
que foi encontrado foi uma tragédia que
foi a escravização então a gente
legitima escravidão você escravidão Tira
essas pessoas daquele ambiente e permite
que elas tenham acesso à luz Cristã E aí
a gente vai ter esse cenário confuso
para poder não entender mais eu até
separei um trecho aqui de um documento
George o dance chamado economia Cristã
dos Senhores no governo dois escravos é
uma obra de 1705 e que ele vai falar
assim é na página 28 ele diz o seguinte
a servidão e cativeiro teve sua primeira
origem do ludmio que fez Kan da desde
não é seu pai sabido é que dormindo este
Patriarca com menos decência descoberto
vendo escarnecendo desta vez foi
publicar logo a seus irmãos foi contar
para todo mundo né não conseguiu ver e
ficar consigo essa informação e em
castigo deixa abominável atrevimento foi
amaldiçoada do pai toda a sua
descendência que nos sentir de muitos
veja ele é mesmo fala no sentido de
muitos não é nem uma posição hegemônica
ou necessariamente homogênea é a posição
de muitos é a mesma geração dos Pretos
que nos servem e aprovando Deus esta
maldição foi condenada a escravidão e
cativeiro ou seja aqui tem uma dupla
dimensão mostra que há uma crença com
relação a essa maldição mas em
simultâneo denota para gente que não é a
única visão sobre os africanos e sobre
as comunidades negras
porque volta no que eu comentei ainda no
início do episódio que uma teologia Ela
será racista dependendo dos argumentos
de apoio então a maldição de cana é um
elemento dentro desse cenário que a
gente está montando não precisa fazer o
apelo a ela para que uma teologia se
construa de forma assista até porque
como você indicou inclusive e tem os
documentos para da questão da guerra
contra os muçulmanos que justificam a
escravidão como a Dom diversas e a
Romanos pontíficos duas bulas papais
muito importante nesse sentido que a
pauta ali para justificar o cativeiro do
negro para uma catequização forçada é a
rejeição do cristianismo pelo Islamismo
a gente trouxe a pauta aqui para
maldição de campo porque esse é um
argumento que ainda se faz presente hoje
vou dar um exemplo a Bíblia de estudo
deic na edição dela de 63 e de 91 tinha
uma nota nos Capítulos 9 e 11 de Gênesis
falando que a separação dos povos a
segregação dos povos era um projeto de
Deus que a maldição de Khan retornava
porque Deus Ele criou em Gênesis a noção
de que a humanidade cresceria e cada
povo se distinguiria e separaria uns dos
outros para cada um crescer ali dentro
dos limites que Deus te estabelecido e a
maldição de cam ela é uma tentativa
Aliás era uma iniciativa de Deus para
retornar esse projeto original que a
torre de babel tava lutando contra vai
dizer essa nota que toda a tentativa de
integração de raças ela é contra o
propósito original de Deus então assim a
gente está falando de uma bíblia de
estudo que se popularizou em inglês e
português eu não sei ainda hoje eu não
consegui ter acesso se hoje essa nota se
mantém do jeito que está mas até a
edição de 1991 essa nota ainda estava lá
então assim é uma situação muito
importante a gente tá discutindo aqui a
maldição aproveitar só para deixar as
sugestões de livros que o Bibo pediu né
Às vezes o nosso ouvinte não conhece a
gente tem a clássica coleção da Unesco
de história geral da África gratuita
você encontra em PDF pela internet desde
a época pré-histórica até o presente
então são organizações são livres
organizados que tem vários autores falam
sobre África então é uma excelente fonte
de estudo gratidão num ambiente africano
especificamente como é que ela era
operada inclusive antes da presença
europeia Eu sugiro o livro do Paulo Love
Joe acho que a vida é um na África uma
história de suas transformações e quem
quer conhecer mais sobre história no
Brasil história da escravidão no Brasil
Brasil como é que ela foi desenvolvida e
as grandes sociedades atlânticas no
Brasil sobretudo do Rio de Janeiro
Salvador Recife Porto Alegre eu
sugeriria o dicionário da escravidão e
liberdade Dalila e do Flávio Gomes que é
uma obra base e também de referência ela
é útil tanto para aqueles que são
especialistas quanto para aqueles querem
começar a entender um pouco mais esse
fenômenos prevista muito bom muito bom
então tá aí Se tiver link tem link aqui
no post
[Música]
gente seguindo essa pauta aqui galera Ó
depois eu vou botar esse podcast eu vou
botar até o arroba dessa turma aí para
você seguir no Instagram Olha isso é uma
prática que a gente tinha no passado
depois dá muito trabalho ficar caçando a
roupa da turma na época da Twitter né
agora Instagram e Twitter mas o Twitter
deles eu não vou divulgar porque eles
são muito chatos no Twitter eu gosto
mais do narcisismo do Instagram porque
no Instagram A Ana tá na Times Square né
no Twitter ela tá discutindo política eu
prefiro ela na Times Square que é mais
legal
você tem que escolher gente a raiva do
Twitter ou narcisismo do Instagram você
tem essa não tem muita né ou tem o
ostracismo do Facebook mas isso aí deixa
quieto mas vamos lá Ana tem aqui
literalismo bíblico Ou seja a gente está
falando galera de uma hermenêutica
racista ou seja de como a interpretação
bíblica foi usada para se manter aí um
status quo para permear e para
justificar escravidão E aí tem um
literalismo bíblico Como assim
primeiro você flagrou meus dois Alter
Ego né das duas redes sociais Mas tudo
bem Instagram é mais legal mesmo então
realmente Nós Somos evangélicos e uma
grande característica do evangélicolismo
ao longo de todas as gerações é isso é
você colocar a Bíblia em primeiro lugar
falar que a bíblia é a palavra de Deus é
a respiração de Deus só que existe uma
diferença entre a gente acreditar na
inspiração das escrituras e a gente
tornar a nossa leitura das escrituras
canônica e o que seria isso é o Mark
know ele chama isso de bem preciso que
seria assim a gente pegar a nossa
leitura e colocar ela na mesma altura do
que a própria escritura bíblica e isso
assim lá no segundo a metade do século
18 lá nos Estados Unidos houve muitas
discussões antes da guerra civil né
e as pessoas se apoiavam muito nessa
leitura da Bíblia
somente a Bíblia Babilônia né Então essa
esse literalismo ele era muito usado Lia
sillevítico 25 e dizia-se que então os
africanos eram aqueles estrangeiros
porque eles eles entendiam que tinham um
pouquinho de dificuldade então se você
pegar Levítico e aplicar as mesmas leis
da escravidão a escravidão deles mas aí
como que eles encaixavam os africanos
muitas vezes diziam eles são os
estrangeiros porque na palavra de Deus
você não tem você tem uma Todas aquelas
leis do Jubileu e o perdão de dívidas em
que os escravos seriam libertos mas
interprete essas leis não se aplicam aos
estrangeiros né E aí você coloca o
africano como estrangeiro E aí você vê
que se conecta um pouco com o
supersensionismo que o Léo explicou
Porque se os africanos são os
estrangeiros do Povo de Deus somos nós
brancos escravistas que temos nos
escravos e muitas dessas leituras muitos
desses pastores eles realmente se
colocavam como se os Estados Unidos e
aqui é outra coisa que acontece também
né que essa teologia do Destino
Manifesto os Estados Unidos eles estavam
Ali no lugar de Israel na mesma relação
que Israel tinha com Deus no antigo
testamento seria a relação que os
Estados Unidos tinham E aí é engraçado
porque se falava muito em Vamos ler a
Bíblia somente a Bíblia mas em nenhum
lugar se explicava de que maneira os
Estados Unidos ficou respondiam a Israel
Ana não é engraçado Ana é curioso só nós
somos somos
engraçados não tem nada a ver né com
esse contexto
É interessante como em nenhum momento né
aqui no capítulo que eu tô citando o mar
que não no livro que fala sobre o
testemunho político Cristão e nesse
capítulo ele tá falando sobre o perigo e
o potencial da Bíblia na esfera pública
então lá para 1860 o que aconteceu Essa
é um evento bem específico que aconteceu
nos Estados Unidos que seriam essa
Jeremias a Jeremias eram esses encontros
de oração e jejum convocados por agentes
públicos que igrejas de diversas
iluminações participavam o intuito deles
era porque o clima de guerra a guerra
civil que depois se tornou tão famosa
ele tava chegando perto e os estados
estavam sentindo isso então esse pessoal
se reuniu e nesse jejums públicos muitos
pastores emitiram diversos discursos e
pregações e o mar que não ele Analisa
essas pregações então para você ver como
não é necessariamente teologia acadêmica
que a gente falou lá no começo e essas
pregações esses discursos públicos elas
nos mostram como que esses pastores de
meu gente aí nenhuma denominação se
salva tá de diversas denominações
estavam aí lendo a bíblia e assim ele
fala que mesmo das pessoas que eram
abolicionistas contra a escravidão essa
ideia de que os Estados Unidos eram Um
Novo Israel ela assim permeia todo mundo
sabe ninguém se salva dessa que ele
chama de uma heresia o mar que não chama
isso de heresia porque isso levava um
orgulho nacional que era herético E aí
praticamente a gente fala aqui de
literalismo bíblico e tudo porque a
Bíblia assume essa posição nessa pública
e todo mundo tá usando a Bíblia todo
mundo tá citando ela de diversas formas
e todo mundo tá dizendo que está lendo
somente a Bíblia e a gente observa essa
situação até para a gente entender como
que nós né Por exemplo nós temos aqui no
Brasil tem um grande contingente de
evangélicos E como que nós utilizamos a
Bíblia na esfera pública esse fato que
aconteceu lá perto da Abolição nos
Estados Unidos pode nos ensinar muitas
coisas então era uma leitura bíblica que
continha muita ingenuidade porque eles
acreditavam que estavam realmente sendo
Novo Israel os africanos eram aqueles
estrangeiros o evangelho estava chegando
a eles por meio dessa escravidão
existiam tantas camadas fora da Bíblia
que nada que seja como a Jacira até
explicou da maldição você não pode nem
encontrar na Bíblia essas coisas que
eles estão falando se você fizer uma
leitura então de somente a Bíblia como
ele dizer só que para eles eles estavam
lendo a bíblia literalmente Então esse é
o que é a gente chama de literalismo
bíblico não é uma leitura que você pode
contrapor a literal metafórica deixa um
jeito de ler mas o literalismo é essa
leitura em que você tá na realidade em
toda uma interpretação com uma visão de
mundo bem específica só que você tá
falando que você tá lendo só a Bíblia Ô
gente me ajuda aí vocês são ligados
nessas paradas mas por exemplo tem um
cara muito famoso na sistemática que é o
Charles Rod e ele tem uma declaração bem
infeliz né E tu aí o cara é um baita
assim teólogo sistemático inclusive já
havia e elogios que ele faz boa teologia
sistemática com boa teologia bíblica né
um dos elogios que fazem a Charles Rod
digital ele ele tá nesse bolo que a Ana
acabou de falar aí aquela declaração
dele se encaixa dentro desse bolo né
dessa dessa paçoca Me ajuda aí Léo que
declaração que é essa aí do Charles Rod
como é que ela se encaixa dentro desse
contexto que a Ana tá falando aí dentro
do elogio que você falou do ódio vamos
localizar ele faz uma boa teologia
bíblica e sistemática para o contexto do
que o século XIX oferecia de recurso
intelectual nos Estados Unidos porque
dentro desse Cristo ele vai estar entre
o topo vai estar assim Top Five Mas é
porque o século 19 exigia e aí a
declaração dele é que se os
abolicionistas estiverem certos o
caminho o jeito de Jesus e dos Apóstolos
está errado tá essa declaração dele se
você der um Google você vai achar não
tem muito mistério E por que que esse
tipo de coisa surge né aí vamos voltar
um pouquinho do podcast lá sobre o
fundamentalismo porque tem a ver com
essa treta aí porque assim como
argumento de apoio pro literalismo
bíblico os caras têm uma visão de mundo
eles acreditavam que todo ser humano por
meio dos seus sentidos conseguiam captar
um nível de verdade Universal então
assim se você tem dois olhos se você tem
uma boca se você tem o nariz de dois
ouvidos em alguma medida vai ter uma
coisa que eu vou enxergar igual a você e
isso vai ser intransponível Tá e isso é
baseado numa filosofia chamada Realismo
do senso comum escocês que ele era muito
forte principalmente entre os
presbiterianos e o que que esse tipo de
filosofia ela ela acaba tendo como
implicação né É porque ela tá muito
ligada com o empreendimento da teologia
natural de fazer o seguinte Olha a gente
tem a revelação especial que a gente
conhece Deus como salvador o que a gente
consegue conhecer de Deus a partir da
Revelação geral e a teologia natural ela
é todo esse esforço de será que eu
consigo saber ou provar que Deus existe
será que eu consigo conhecer as suas
características sua seus atributos
olhando para a natureza sem precisar das
escrituras no primeiro momento só pela
minha razão o negócio é que isso não
parou só em Deus porque Deus ele também
para os seus decretos estabelece como a
criação e sociedade funcionam então
ficou uma coisa assim será que eu
consigo pelos meus sentidos somente
saber a verdades universais sobre como
Deus quer que o mundo se Organize E aí
nesse momento aparece a gente dizendo
Olha o branco Surgiu uma terra diferente
do negro Então a gente tem que ficar
separados não pode juntar e aí eles vão
olhar para a Bíblia e vão encontrar
textos como por exemplo é Esdras e
Neemias dizendo que inclusive por meio
da violência isso tá lá de 93 por meio
da violência separaram o casamento misto
eles vão dizer tá vendo o casamento
misto é proibido porque Deus não quer
Deus quer um povo puro acho que um povo
Santo E aí quando a gente vai falar da
escravidão sendo a escravidão já com
toda essa carga do supersticionismo da
maldição de cam e da própria experiência
escravista naturalizada eles vão olhar e
dizer olha o nosso Pai da Fé Abraão
tinha escravos a Bíblia diz que ele
tinha escravos em nenhum momento do novo
testamento Paulo tá batendo frontalmente
contra a escravidão E aí por meio desse
desse argumento de texto prova em que
olha se o versículo diz logo isso é
verdade não tem esse esse passo
interpretativo de olhar por qual Prisma
por qual critério eu tô avaliando o
texto bíblico ou não por meio desse tipo
de artifício o literalismo bíblico ele
foi usado também pra justificar a
escravidão Porque como a Ana apontou os
abolicionistas também tentavam convencer
os escravistas que olha se a gente usar
o texto prova na verdade o que a gente
consegue demonstrar é que a abolição é o
correto e a escravidão é anticristã E aí
por meio desse embate em algumas
circunstâncias principalmente em alguns
seminários neutros na na discussão entre
o fundamento e Modernismo eles vão dizer
que essa discussão não deveria acontecer
porque os abre aspas são bíblicos fecha
aspas por quê Porque eles estão citando
o Versículos da Bíblia e esse é o nome
problema e isso continuou na teologia de
forma a que a separação de raças também
implicavam uma separação teológica tem
um presbiteriano que publicou em 1872 no
jornal Presbiteriano do Sul chamado
Benjamim Palmer ele vai fazer exegese de
Gênesis 11 para falar que Deus ele
dispersou os povos ali da tentativa de
Torre de Babel construir um povo com uma
língua com um costume e vai dizer que
cada povo pensa sobre Deus de forma
diferente então todos os povos deveriam
viver em segregação em distinção porque
a mistura dos povos implicaria numa
compreensão teológica errada e por isso
é situações como a integração racial
casamento misto era uma iniciativa de
satanás para corromper a ortodoxia
cristã nos Estados Unidos e é por isso
que como a gente vai caminhar agora para
o argumento abolicionista é embora as
comunidades negras que interpretassem a
Bíblia não estivessem de modo algum
conectadas com a liberar o patologia
Modernista porque o argumento deles
parece embora não tenha a mesma fonte
intelectual filosófica os conservadores
conservadores nesse sentido de conservar
a teologia escravista eles vão se dizer
que concordar com a abolição também abre
imagem para o liberalismo teológico
porque para eles principalmente a partir
do da popularização dos textos do
Benjamin Power a união de raças também
era em alguma medida a corrupção da
teologia esse mesmo argumento vai
aparecer no Apartheid depois quando a
situação lá da da África do Sul quando
ela perde o domínio Holandês passa para
o domínio inglês os holandeses criam um
esquema de separação das igrejas negras
aliás dois negros e dos brancos uma
justificação teológica é essa de que a
mistura das raças ela tava produzindo
uma corrupção teológica então a gente tá
vendo aí que essa sintonia é fina porém
muito desagradável entre teologia e
racismo ela foi sendo construída a ponto
de defender que a escravidão e a
segregação estavam contra a família era
necessariamente em correr em heresia
cara é muito louco o que é louco também
isso tudo Eu gosto de usar um termo
assim um tanto quanto zoeiro que é o tal
do salto analítico com vara que é o que
essa galera tá fazendo né Tá pegando uma
vaca fazendo um salto analítico
gigantesco porque essa incorporação de
esses Neemias como você mencionou a
mesma questão de amparar escravidão
moderna os termos da escravidão antiga
né mosaica que tinha uma natureza
própria E aí isso não é passar fome
reconhecer como eu falei é categoria
escravidão tem várias nuances eu não
estou sendo elogioso a isso apenas
reconhecendo a pluralidade desse
fenômeno né é quando você coloca esse pé
de igualdade e ignorando algumas coisas
é muito conveniente também além de um
salto né Por exemplo você tem a
proibição do sequestro E aí isso não
conta nesse momento também tem lá uma
proibição Clara ao sequestro né até a
forma de reproduzir o sistema escravista
tinha a sua forma específica tinha uma
modalidade específica para o mundo
antigo mosaico mas quando se trata é do
mundo moderno aí isso é ignorado então
você pode sequestrar pessoas ao máximo
Quantas você desejar para poder atender
uma demanda Econômica social do Sul
norte-americano sim é o que você falou é
perfeito justamente se fazer uma
equivalência Total a escravidão que ele
está ouvindo naquele momento a
escravidão bíblica Então nem mesmo a
reflexão das Diferenças daquilo que isso
não existia né em todos esses discursos
e eu queria ler uma citação que eu acho
que traz assim o peso de quanto isso era
importante para as pessoas daquela época
em toda essa discussão que aconteceu
Então esse é um pequeno trecho de um
texto do James banner então que é um
pastor abolicionista daquela época e ele
fala assim né nesses debates que ele tá
discutindo um pastor negro com as
pessoas que são a favor da escravidão
ele fala assim será que a bíblia condena
a escravidão independentemente da
circunstâncias ou não gostaria de saber
uma vez por todas meu arrependimento
minha fé minha esperança amor minha
perseverança tudo tudo me diz que não Eu
repito isso para mim mesmo mas tudo
volta a esse ponto Se eu estiver
enganado aqui se a palavra de Deus
sanciona a escravidão Eu quero um outro
livro um outro arrependimento uma outra
fé uma outra Esperança então assim esse
pastor ele está nessa nessa situação e
aquilo que o Léo até falou o quanto
custava para uma pessoa naquela época
assumir essa posição talvez muito
diferente da nossa leitura hoje depois
de muitos de várias gerações eu vejo que
as falas dele né no final gente
tranquilo no final do texto ele chega à
conclusão que a bíblia condena a
escravidão só que ele tá colocando assim
o peso o que que como a vida dele
depende disso e as outras pessoas
entendam isso né e ele é um pastor negro
então ele precisa que as pessoas
entendam isso
[Música]
Aliás a gente até pode ir para esse
ponto que o Léo já tinha cantado a bola
ali que é justamente Então essa
hermenêutica abolicionista ou seja
existe uma hermenêutica e obviamente
interpretando o mesmo livro sagrado Que
condena essa escravidão Igor traz para
nós um pouquinho aí é legal querendo já
trouxe essa questão bem pessoal Pastoral
mas tem todo um contexto histórico e tal
e se eu me lembro bem muitas dessas
lutas
abolicionistas envolvem brancos é tipo
assim é pessoas brancas precisavam ter
essa consciência que o negro já sentia
na pele literalmente né e por isso até o
apelo Como é que é o nome desse pastor
né que você acabou de ler para nós
ou seja
brancos precisavam sentir isso né por
isso toda essa mobilização a de teólogos
e pastores negros mas obviamente que é
um contexto histórico para isso se
atualiza a gente qual é a palavra
gente Você misturou você juntou atualiza
com situações
você atualiza a gente aí
Igor se atualiza que é uma coisa situa e
atualiza a gente aí por gentileza ó eu
quero virar Vereador só para poder essa
palavra entrar no dicionário tá bom E aí
vai se tornar algo e mexível vai lá
assim basicamente a gente tem essa
questão que a Ana colocou né no caso
norte-americano também enfim eu acho que
tem alguns filmes para a gente poder
pensar também sobre esses usos tá amigo
eu acho que o melhor dele seja o próprio
12 anos de escravo não quem te acompanha
o caso de um cara na história real de um
cara chamado fala manofa não sei se
vocês mesmos aqui já viram o filme ou
Janeiro um livro mas é produto de uma
biografia dele e aliás a gente tem muito
desse gênero ajudando a gente o gênero
biográfico ajuda a gente ia pensar muito
sobre essas experiências históricas e
ele passa pela mão de dois senhores ele
é ele é escravizado ilegalmente porque
ele era um homem livre do Nordeste
americano e a escravizado ilegalmente
para o sul né
finge que vão contratá-lo para trabalhar
num circo Na verdade o dopom e o vendem
para um senhor escravista no sul ele vai
ter o primeiro senhor que ele mesmo diz
que é mais benevolência você vai ter
alguns problemas com fator e vai ser
revendido por um segundo Senhor e esse
segundo Senhor ele usa das escrituras
para exatamente conformar os escravos
nessa condição de cativeiro agora o
caminho contrário também existe no
próprio filme mostra os negros no
momento ali de enterramento um funeral
eles celebrando ali a cristandade deles
cantando que aliás é título de um livro
muito importante do dia de genovese que
é o mundo que os escravos criaram
mostrando como os próprios escravos eles
construíram sentido histórico é no meio
da dor também enfim eram a gente
históricos dotados de consciência
própria e desejos próprios por causa do
Brasil eu acho que vale muito a pena
pontuar o caso de um pastor
Episódio chamado Agostinho José Pereira
Ele é bem mencionado no artigo para quem
quiser ver tem aí na internet também
fácil de achar chamado rumores e
rebeliões estratégias de resistência
escrava no Recife de 1817 a 1848 é um
texto do Marcos Car de 98 é um texto
relativamente antigo em que ele trata de
vários momentos de resistência negra e
ele vai acompanhar alguns personagens e
um dos personagens que ele cita esse
pastor Agostinho de Zé Pereira que era
conhecido como divino mestre segundo os
fiéis é um cara Alfabetizado segundo o
texto ele eram né que era
Alfabetizado sabia ler sabia escrever é
afirmava-se cristão mas não católico
falava que tinha recebido de Deus uma
revelação em sonho né aquela coisa muito
pessoal assim Deus falou com ele o
chamou e ele nas suas pregações usava a
Bíblia exatamente para fortalecer a
dimensão de liberdade então alguns
usavam Velho Testamento pentateuco sobre
tudo para afirmar a questão do cativeiro
ele fazia a leitura ao contrário ele
usava para afirmar a questão da
Liberdade fazendo muitas alusões até o
povo de Israel cativeiro do Egito né E
era visto como um cara perigoso a gente
só conhece ele bíblico a história desse
cara porque na época qualquer tipo de
ajuntamento negro sabe como é que é pô
tem uma galera ali que tá se reunindo na
casa do fulano tão fazendo o quê então
eles vão lá e dá uma revista às vezes é
só uma festa mas quem sabe não é um
ajuntamento com uma revolta E aí por
esse medo é que eles chegam lá né nesse
cara antes do Medo do comunismo tinham
medo do haitianismo isso exatamente
E aí assim qualquer galera Negra reunida
pode ser alguma coisa mais Severa eu até
escrevi um artigo há uns tempos atrás né
junto com outros dois pesquisadores e
que a gente mencionavam casa do Maranhão
que é Até que a chefia local a polícia
local tinha medo da reuniões e mandou
investigar as casas e aí no final é uma
coisa curiosa tipo assim o relato é ah
na casa do ciclano os negros se reúnem
para dançar então assim aquele medo às
vezes não se mostra verdadeiro não é
congruente mas há um medo né dessa
reunião é o tal do eh de tudo pode
acontecer né o negro ele é culpado antes
de ser avaliado tem até um vereador que
trabalha muito com isso que é algo tão
mais rola e ele usa um conceito de
suspensão generalizada quer dizer todo
negro é suspeito né você está sempre de
olho porque eles podem fazer uma
Insurreição se levantar Como foi o caso
lá em Salvador a revolta de uma leis é
uma revolta Negra escrava que acabou
sendo rapidamente dispensada mas que foi
a maior no sentido de organização de
pretensão na história do Brasil né que
já conseguiu ser documentada assim e bem
identificado legal Oi Igor aproveitando
aproveitando essa tua expertise aí
porque o Movimento Pentecostal é um
movimento negro movimento Cristão que
mais abarcou negros Eu imagino hoje em
dia não sei como é que tá mas é a
religião mais negra do Brasil foi o
pentecostalismo por muito tempo se
bobear ainda é nessas suas pesquisas é
né ainda era nessa tua pesquisa Já rolou
isso tipo no fundo é um ajuntamento de
crente lá tipo tem algum relato nesse
sentido tanto aqui como lá fora esse
relato da Gotinha é muito isso os caras
estão com medo do que ele tá
representando e no final ela juntamente
de crente
um pouco crítico porque ele encontraram
também com ele os papéis sobre Haiti
então o cara meio crente meio barulhento
tipo assim ele não tá preocupado Só com
energia Não ele tá preocupado com uma
dimensão prática também e o pessoal Rio
dele tá quando ele foi responder a
justiça quando ele falou que Deus falou
com ele diretamente de sonho isso gerou
risada e ele não Deus falou comigo e
Manteve essa posição agora uma coisa
importante também é que a própria igreja
Católica também se ocupou desse processo
porque o Léo até comentou disso mais
cedo Ah não os protestantes meio que se
colocam ao Largo disso né a gente não
tem nada a ver com isso isso é coisa dos
católica Mas entre os Católicos também
houve um esforço pela Abolição tá a
gente tem indicações de jornais disso
Salvo engano tem um jornal que é
publicado entre o final do 19 de 20 no
Brasil no Rio de Janeiro acho que é
chamado o apóstolo eu não sei a qual
Apóstolo faz referência mas é o aposta e
nesse jornal eles tinham discursos
escravistas discursos abolicionistas eu
já achei nocumentação de pároco né de
padre de outras pessoas mais assim da
Igreja Católica atendendo meninos
ingênuos para quem não sabe menino
Engenheiro não é um menino bobinho não o
menino ingênuo é o filho da Escrava que
nasceu livre né porque teve aquela Lei
do Ventre Livre no Brasil em 28 de
setembro de 71 e toda a criança que
nascesse daquela data em diante era
nascia livre embora o vento e fosse
escravo e aí aquela criança chamada de
ingênua e vários padres propondo a
educação para engenhos você encontra
associações católicas associações
filantrópicas é sem Organizações das
mais variadas se ocupando disso e
pensando no lugar no negro na sociedade
então a gente também tem que ter esse
olhar panorâmico de perceber que o
terreno histórico ele é complexo né E aí
eu acho que o último caso que vale a
pena ver você tá é de um cara chamado eu
até falei com o Léo antes da gente
gravar que é um cara islâmico africano
foi traficado para o Brasil e ele fala
da conversão dele também ele inclusive
escreve a biografia dele é porque ele é
incentivado por uma sociedade Batista
escrever Batistas abolicionistas que
incentivaram a escrever sobre a sua vida
para poder denunciar os males da
escravidão sabe qual é e aí tem um
trecho que ele fala assim ó durante
minha viagem no navio negreiro são
comentário relato da metade do século 19
tá ali 1857 por aí durante minha viagem
no navio negreiro consegui aprender um
pouco de português com aqueles homens
que mencionei antes e como meu senhor
eram português podia compreender muito
bem o que ele queria ele Deia entender
que faria tudo que ele precisava também
quanto me fosse possível Ele pareceu
bastante satisfeito com isso essa que é
a parte chave cara olha isso aqui sua
família era composta por ele sua mulher
duas crianças e uma parente além de mim
ele tinha quatro escravos ele era
católico e fazia regularmente orações
com a família duas vezes por dia mais ou
menos a seguinte maneira ele tinha um
grande relógio na entrada da sua casa
dentro do qual havia algumas imagens
feitas de Barro que eram utilizadas no
cu nós todos tínhamos que nos ajoelhar
diante delas a família na frente e os
escravos atrás fomos ensinados a entoar
algumas palavras cujo significado não
sabíamos carta reproduzir sem entender
também tínhamos que fazer o sinal da
cruz diver peso enquanto orava meu
senhor segurava um chicote na mão olha
que pedagogia né curiosa mais uma vez no
chicote na mão e aqueles que mostravam
sinais de desatenção ou sonolência eram
prontamente trazidos a consciência pelo
toque ardido do chicote então assim a
gente tem experiências cristãs das mais
diversas e o que é mais curioso Bigo é
que esse cara no futuro se converte quer
dizer não por essa experiência ele usa
isso aqui como uma denúncia de um mau
cristianismo mas lá na frente ele vai
ser acolhido por um pastor chamado juts
lá no Haiti e ele vai se converter então
pra gente ver como cristianismo ele é
plural na sua experiência histórica era
no passado e era no presente e é por
isso que esse episódio é tão importante
porque se a gente achar que isso é uma
coisa do passado a gente não reflete
sobre a forma como a gente lê e pratica
o nosso cristianismo no presente Caraca
até agora até ia fazer ia ser esse pulo
na pauta Por exemplo quando a gente fala
de presente galera O que que a gente
poderia trazer então agora de presente
nessa experiência de Bíblia e Vida Negra
a existência do negro na na igreja vocês
teriam algo assim não tá na pauta né mas
enfim às vezes já vivemos conectar com a
pauta Vamos fazer as duas cores e
conectando com a pasta muito metida em
que que é isso a gente ficar dando corda
É isso aí gente é isso aí Brasil vocês
são testemunhando trazendo para o
presente vou agora
vamos voltar um pouquinho no passado
para entender as nossa visão da igreja
de teologia inclusive para discutir
temas sensíveis como racismo a partir da
Bíblia ela também é muito baseada
naquilo que a gente não fala na igreja
então que a gente silencia se eu não me
engano essa situação essa ideia que eu
tirei foi do do livro uma igreja chamada
tove que foi publicado recentemente é
porque eu vi a situação do livro
espalhada não li o livro mas eu vi a
situação achei interessante porque que
essa questão do silenciamento ela é
relevante porque justamente essa questão
essa questão da das biografias de
escravos que o Igor tá trazendo e a
gente pode citar um episódio aqui sobre
a abolição e John Wesley e ele leu ele e
o Rubens
a biografia de um escravo chamado o
laudecuano ele era o escravo calvinista
que se converteu a partir da da pregação
do George whitefield e ele contra punho
George White dizendo você não entendeu
predestinação direito porque Deus
escolheu o povo negro também e se Deus
escolheu o povo negro Por que que a
gente tinha colocado como escravo e o
outro outros eleitos do Senhor vivem em
liberdade ele fazia esse tipo de esquema
porque porque a experiência dos negros
nessa conversão e a experiência também
dos brancos que tiveram contato com essa
experiência Negra fizeram os perceber
que existiam textos bíblicos que eram
silenciados E isso aconteceu de forma
institucional inclusive em 1807 foi
publicado um texto aliás um livro que é
chamado de a Bíblia escrava que nome
completo é parte selecionadas da Bíblia
Sagrada para uso exclusivo de escravos
nas índias orientais e colônias
britânicas ou seja não é de hoje que
entre aspas estão tentando atualizar a
Bíblia nessa Bíblia foi retirado o texto
do Êxodo texto de Jesus falando do seu
ministério que ele veio para libertar os
cativos foi retirados
menores foi retirado a carta de Filemon
então assim viu por isso que tem que ter
uma lei por isso tem que ter uma lei
para tornar a Bíblia inexível não pode
mexer na Bíblia aquele cara lá tava
certo e a gente rindo daquele Deputado
lá evangélico olha aí ó brincadeira Léo
é bem curioso deveres curioso então
assim essas experiências esse contato
com essas experiências pensando que na
cabeça do sujeito branco né ao ler essas
autobiografia ele percebia que tinha
alguma coisa que era silenciado ali
naquela sociedade a gente tem um outro
caso brasileiro do Reverendo o Eduardo
Carlos Pereira que eu já trouxe aqui ele
abre um livreto aquele publicou contra a
escravidão chamada religião cristã e sua
relação com a escravidão de 1886 ele
abre contando uma memória de infância
que ele tava ele fala que ele tava
começando a aprender a escrever ele diz
a idade mas ele fala isso então assim a
gente deve imaginaria entre os seis sete
oito anos e ele ouve um gemidos na
fazenda em que ele tava e ao ver Da onde
era esse gemidos ele viu um escravo
pedindo comida e ele ouve a conversa
dele estava vendo que esse escravo foi
castigado porque eles escapou da Senzala
indo para o Mato e ele não tinha o que
comer e voltou para pedir comida na
fazenda e ele viu ele viu feitor
castigando escravo e depois viu teve
contato com os escravo no dia seguinte e
viu as feridas ali uma situação bem bem
gráfica mesmo ele escreve e ele fala que
essa experiência de Infância tava na
base do da rejeição dele a escravidão e
a partir daí ele vai comentando textos
bíblicos e Filemon os textos dos
profetas menores o texto do Êxodo e diz
que nos púlpitos das igrejas evangélicas
brasileiras esses textos não vão falar é
esse contato com esse tipo de
experiência que faz com que uma própria
visão de Bíblia seja alterada a ponto de
não só reconhecer que a escravidão
moderna ela é fundamentalmente distinta
da escravidão bíblica mas também que
existem textos da própria Bíblia que são
silenciados nas igrejas e porque a gente
não conhece esses textos a gente não tem
recurso teológico para olhar para um
problema e que ele errado porque ele foi
naturalizado dentro do teologia eu acho
que tudo isso também dentro da pergunta
que eu vivo fez faz a gente pensar sobre
o presente na questão do Mago Day né
porque pensar sobre quem nós somos é
muito importante nesse cenário que
embora a questão da do Infame comércio
com uma cena chamada a escravidão era
chamada de um Infame comércio tenha
terminado é os efeitos as máculas
continuam elas continuam presentes na
nossa realidade Então as exclusões
simbólicas estão aí e a igreja ela não é
um ambiente hermeticamente fechado ao
que vem de fora né as questões sociais
atravessam todos os espaços
institucionais Inclusive a igreja então
muitas vezes a gente vê certas exclusões
certas falas que denotam realmente uma
exclusão simbólica e que ainda são
perpetuadas no nosso meio no tom de
brincadeiras e coisas assim então Acho
que já até explora isso bem né nas
palestras no livro dela quando ela fala
sobre esse lugar do negro na sociedade
né A questão de como a deve lidar com
isso e até as propostas para trazer Esse
aspecto a doutrina do emagodei é uma
doutrina essencial e base lá né para se
lutar contra o racismo trazendo aí a
questão da hermenêutica redentiva né
então o imago Dei essa doutrina que se
vê em Gênesis nós vemos que Deus ele
cria todas as coisas a sua própria
espécie apenas os seres humanos que Deus
ele cria a sua imagem e semelhança essa
imagem é semelhança que é imago dele
então nós somos feitos Nós pensamos
porque Deus pensa nós amamos porque Deus
ama nós fazemos o uso que nós fazemos
das faculdades mentais enfim de toda a
nossa relação com a sociedade é porque
Deus ele também faz isso claro que de
uma forma perfeita né nós fazemos de uma
forma imperfeito porque nós somos
pecadores né mas mesmo após a queda a
imagem da e permanece em todos os seres
humanos sem mago dele não está apenas
nos cristãos mas nem todos os seres
humanos Deus cria todas as pessoas a sua
imagem semelhança Então nesse sentido a
ideia aqui a partir da emmago dei todas
as pessoas têm direito a serem
respeitadas todas as pessoas são dignas
porque são feitas a imagem e semelhança
de Deus então não é porque eu sou eu
tenho dinheiro que eu devo ser
respeitada Não é porque eu tenho uma
posição privilegiada na sociedade que eu
devo ser respeitada Não é porque eu sou
branca que eu dei você respeitada não eu
devo ser respeitada pelo simples fato de
ser humano então na construção inclusive
dos direitos humanos na da das leis de
direitos humanos eles vão se basear A
partir dessa doutrina Cristã porque
apenas o cristianismo que vai trazer
esse conceito de que o ser humano ele
tem um valor simplesmente por ser humano
então a ideia de que você tem um valor
em Cristo que começa lá no Caputo
Direitos Humanos vem a partir dessa
doutrina cristã do imago dele o
professor Michael no seu livro Justice
ele fala citando e Mano é o que o
filósofo Emanuel na verdade 1724 a 1804
que ele falava dos seres humanos somos
racionais e por isso nós somos
merecedores de dignidade e respeito
então essa esse é um conceito bíblico do
imago dele e por que que é tão
interessante falar sobre o mago Day
quando a gente vai falar sobre essa
sobre esse combate ao racismo só um
pouquinho volta na declaração ali Qual é
a declaração do immanuel Kant o Sandro
cita que o Emanuel canta e ele disse que
nós seres humanos nós somos seres
Racionais e portanto nós somos
merecedores de dignidade e respeito e
esse é um conceito aí de modo geral do
que a gente tem do imago
deles Racionais ali e tal mas é de forma
geral né É porque senão é como se a
dignidade tivesse só na em quem usa
razão né e a gente sabe que tem pessoas
que não não conseguem utilizar essa
faculdade O que é curioso
é um cara que reforça assim tem umas
falas bem bem complicadas
como muitos dos filósofos do seu tempo
também né então assim por um lado tem
uma contribuição Mas por outro também se
a gente for mais a fundo da obra mas não
muda o Ponto Central da fala Jacira né
da questão da dignidade humana mas
pensando até para além de Kant né Talvez
ele tenha lançado luz para isso e tem
esse limitado em algum sentido até a um
certo sentido do que a Humanidade para
ele né com a extensão disso para ele é
outra questão mas enfim toca o bar então
a ideia do imago dele é que todas as
pessoas Independente de gênero
independente corro independente
localidade são feitas a imagem de
semelhança de Deus Portanto tem
dignidade devem ser respeitados
ele fala no seu texto o sonho sobre
porque as políticas públicas não são
apenas a única coisa que é necessário
nos Estados Unidos e aí ele fala uma
coisa vou fazer aqui uma situação ele
disse que vidas negras nunca terão
importância a menos que o preço post
final para a dignidade humana seja em
mago dele mais dependemos de políticas
públicas para fazer o trabalho pesado do
reino Mas vamos transformar os políticos
em figuras messiânicas acreditar que o
governo é o problema e a solução e por
extensão esquecer que uma sociedade
verdade verdadeiramente virtuosa é
impossível sem o evangelho Então o que o
entra no Bradley tá falando aqui é que
sem uma doutrina de que há uma dignidade
básica basilar no ser humano se a gente
for depender apenas de políticas
públicas para transformação para
validação das pessoas enfim a gente vai
acabar transformando os políticos em
figuras messiânicas que é o que a gente
vê muitos movimentos aí de combate às
injustiças onde acham que a redenção
está apenas na política mas aí ele traz
esse conceito do enalgo d que é uma base
para a gente entender que uma sociedade
realmente virtuosa uma sociedade onde há
uma Fraternidade social uma integridade
verdadeira é impossível o Evangelho é
impossível Sem essas bases de
valorização intrínseca do ser humano
Então essa é uma das formas principais
de gente combate combater o racismo
atualmente a partir dessa doutrina
bíblica inclusive foi uma doutrina que
mata em Luther King Ele usou para lutar
contra o separatismo e a escravidão né
que também aconteceu separatismo
Apartheid e as divisões que aconteciam
lá nos Estados Unidos Martin Luther King
ele cita essa doutrina na sua
autobiografia e ele não é uma construção
de agora né mas é uma construção que as
pessoas que têm hermenêutica bíblica
rede antiga já estava falando há muito
tempo e nós podemos nos utilizar disso
atualmente principalmente para não fazer
aí nas figuras messiânicas os políticos
né muito bom muito bom
[Música]
eu não lembro exatamente de como foi o
nosso Episódio sobre o John Wesley e a
escravidão mas é a caminha também nessa
direção né Acho que esse meio que é o
básico da hermenêutica redentiva né para
usar essa expressão que vocês estão
falando isso é muito bacana é muito
bacana E aí gente o que me deixa assim
tipo uau é isso é a mesma Bíblia é os
mesmos 66 Livros não tem não teve um
acréscimo né mas percebam é como a
compreensão como a leitura tá muito
pautada a partir do seu contexto a
partir do seu histórico como a gente não
lê a Bíblia sozinho mas junto conosco
lendo a Bíblia tem toda uma comunidade
tem toda uma ideologia uma filosofia uma
teologia é como a gente não se por mais
se tem o espírito santo que nos ajude na
leitura da Bíblia mas percebam como tem
essa camada é sociológica que é
fortíssima e muitas vezes acaba
suprimindo e abafando A Voz do Espírito
Santo
curioso aprendi aqui em relação a essa
questão da imago Day né porque a gente
veio trabalhando com a ideia que existem
sim teologias evidentemente racistas
existem outras que podem se tornar
dependendo dos argumentos de apoio então
quando a gente percorre todo esse
caminho que a gente segura até aqui
ficam tanto mais fácil de olhar para o
presente e principalmente para o passado
que é quando a gente já tem mais é um
distanciamento que nos permite ali um
ser uma certa frieza na análise e ver
certos caminhos que a gente olha e fala
assim Putz cara isso aqui não dá isso
aqui não importa quem defendeu isso isso
aqui é evidentemente racista que que eu
vou falar que tem a ver com a godê
existe uma teoria chamada a teoria dos
pré-adamitas que que é isso a galera que
era literalista bíblica tentava explicar
a origem dos povos e sabendo que sabendo
entre aspas que os negros Eles não têm a
condição de humanidade perfeita porque
são pagãos por herança ou porque não tem
a capacidade racional devida eles não
devem ser descendentes de Adão porque
Adão é plenamente imagem e semelhança de
Deus então cria-se uma teoria até para
explicar depois como é que Caim arranja
uma esposa quem são os filhos dos homens
que as filhas dos homens que casaram com
os filhos de Deus em Gênesis 6 criam uma
teoria de que os negros eles são parte
de um pré ser humano que surgiu antes de
Adão o Adão e o Ivo digamos assim e os
evangélicos eh nos Estados Unidos ele só
deixaram de defender essa teoria Não por
conta da Abolição mas porque a ideia de
que um ser humano existia antes de Adão
dava margem para a Teoria da Evolução
ser verdadeira então eles deram para
trás nisso por conta de uma disputa
teológica uma disputa de espaço e não
por um argumento de olha realmente a
gente estava errado e esse tipo de coisa
quando a gente tem conhecimento a gente
fica muito mais vacinado para certas
posturas que talvez a gente veja hoje de
embate que embora pareça um piedosos
como tentava se fazer parecer com a
teoria dos pré-adamitas que é uma teoria
antiga ela tem existe desde Jordano
Bruno ele que popularizou a versão
moderna é mas a manutenção desse tipo de
teoria só se justificava em relação por
conta da Manu de um sistema de
Privilégio exclusão e exploração não tem
outro argumento para isso e quando a
gente traz isso para emagodei para
igreja como é que a gente vai considerar
pessoas que se a gente for olhar para os
argumentos da própria comunidade
eclesiástica Negra
pessoas como o lado equando ubaqua aí
tantos outros que olharam para a Bíblia
e falaram Olha é Deus Ele já presente
olhar para a igreja de Novo Testamento
ele aceita pessoas de diversos povos e
essas pessoas não deixaram de pertencer
a sua não deixaram a sua origem porque
se converteram porque reconhecendo Jesus
como salvador o Eduardo Carlos Pereira
que você tem aqui ele vai dizer que o
cristianismo ele tem uma catolicidade
que aceita pessoas Independente de cor
de riqueza e condição Então como um
cristão pode considerar outro ser humano
feito em mais semelhança de Deus e tão
digno de pertence ao corpo de Cristo
quanto ele alguém inferior alguém digno
de cativeiro Aliás indigno a ponto de
ser submetido a cativeiro e tudo isso
todos esses argumentos que a gente tá
falando aqui
em peso para falar da hermenêutica
Resident Evil em específico eles perdem
peso quando a discussão ela sai do texto
prova e parte para essa para esse
pré-requisito interpretativo para essa
pré-condição de hermenêutica que é o
seguinte olha para além do texto que
movimentos a gente vai ver Deus fazendo
na Bíblia a gente vê Deus Escolhendo
gente de todo o povo tribo ligação a
gente vê Deus como libertador de Israel
como Libertador dos nossos pecados e aí
as comunidades negras especialmente aqui
para citar um caso específico os negros
da rebelião escravam demerara de 1823
que hoje demerara é Guiana os negros ali
eles se identificavam com Israel eles
diziam que eles eram Israel mas e que
sentido era diferente do caso dos
norte-americanos falou os
norte-americanos eles viviam Como Israel
em situação de conquista da terra eles
viviam Como Israel em situação de nós
estamos perto de viver a plenitude do
reino por conta do pode me Alienígena
então nós estamos super de superioridade
os negros eles viviam Como Israel na
condição de escravos na condição de
oprimidos na exilados Se Jesus ele vem
nos libertar do pecado e o pecado é
aquele que está afastado de Deus e sofre
por conta disso Aquele que tava afastado
da Liberdade social também ele precisa
ser libertar desse cativeiro então tanto
negros quanto brancos abolicionistas
eles vão mudar a chave da discussão
quando para além do texto prova eles vão
dizer que não importa qual versículo
você cite se a sua citação ela não tem
conta Deus como Libertador Israel
Libertador da humanidade do seu pecado
Você tá lendo a bíblia errada e aí que a
discussão que já mencionei de separar
ele separar não de juntar defesa da
Abolição com uma defesa de uma teologia
heterodoxo herege ela ganha mais força
porque esse argumento de mudar a postura
hermenêutica no caso do cenário
norte-americano ele é parecido com a
postura dos liberais que eles queriam
mudar para requisitos hermenêuticos
obviamente com fontes diferentes as
comunidades negras elas continuavam
querendo que a bíblia era infalível
palavra de Deus autoridade de fé não
tinham nenhum acesso ou pouquíssimo
acesso ao da filosofia Iluminista
europeia mas tem alguns movimentos que
na ponta do processo interpretativo são
parecidos com os liberais então aí
cria-se uma um artifício para dizer que
defender uma postura abolicionista antes
segregação antirracista é porque o
Cristão ortodoxo cedeu a uma influência
externa ao comunismo ou geralmente o
comunismo no século 20 mas algo
iluminismo aos germanismo no século XIX
então a culpa é sempre externa não tá na
gente porque tudo isso fruto de um
hermenêutica que não considerou os
movimentos que Deus faz na Bíblia mas
tenta isolar as passagens para
justificar um viés já estabelecido
Nessas questões de leituras históricas
fazendo gancho com isso é importante
sempre lembrar também que a gente
precisa ler o texto bíblico com as suas
categorias do seu tempo né eu sei que a
gente já falou sobre isso mas assim a
própria reprodução da escravidão é
diferente no passado né E mesmo no
ambiente africano que muita gente fala
isso também poxa mas na África também
pela natureza do modelo de reprodução né
reprodução da escravidão Velho
Testamento e mesmo em contextos mais
próximos a nós e outros espaços é muito
por guerra né E aí o sobrevivente para
para poder sobreviver para que ele possa
viver se cobra dele de modo colateral um
trabalho escravo né então é colateral a
manutenção da vida do cara por dívidas
ou por crimes muitas vezes então essa
leitura que associa a escravismo e
racionalidade ela é muito mais próxima
da gente e é por isso que a nossa
experiência de cristianismo e a nossa
experiência escravista das Américas é
tão peculiar né aí a gente percebe que
essa questão da cor não estava presente
naquele contexto ela não era um morte
não era um Ponto Central se a gente pega
mesmo Atos Capítulo 13 a gente tem a
indicação ali da missão de Barnabé e
Paulo aí começa assim na igreja de
Antioquia havia profetas e Mestres
provavelmente esse cara era negro porque
é uma referência é uma característica
física Muito provavelmente
característica é essa uma cor mais
escurecida então assim isso não é uma
questão não é um problema não era um
impeditivo Essa atrelação ela é muito
mais de um medievalismo e que vai ganhar
força de fato com a modernidade europeia
e que vai ganhar traços próprios na
contemporaneidade porque a noção de raça
na modernidade é uma da
contemporaneidade é outra até com o uso
da ciência né uma ciência racial E aí
ninguém tá livre porque as coisas não
são que elas são mas aquilo que a gente
faz delas uma faca pode ser um
instrumento para poder passar Manteiga
no pão ou para definir a pessoa depende
do uso que você faz e eu acho que isso
vale também tanto para a ciência a gente
não precisa demonizar a ciência eu uso
ela pode ser equivocado pode ser muito
positivo e também na nossa fé a nossa fé
pode servir para poder te refletir sobre
essas questões de modo maduro ou pode
ser para destruir para escarnecer para
excluir isso vai depender dos outros que
a gente faz de tudo né e é por isso que
eu falei que a nossa Abolição não acabou
porque a gente ainda tem que continuar
né dizia o Joaquim Nabuco acabar com a
escravidão não basta é preciso acabar
com a obra da escravidão essas exclusões
que permanecem e que a igreja tem que
encarar né porque a igreja também foi
chamada para a justiça do reino e isso
passa também pelas questões relativas a
raças no nosso país muito bem gente que
aula de história que aula gente muito
obrigado muito obrigado mas enfim
microfone aberto aí por uma palavra
final para uma reflexão final indicação
de literatura já fizemos algumas
indicações de livros inclusive o livro
do lesão Macaulay uma leitura negra
negra negra é uma caule Negra aí ó virei
o Cebolinha agora tá assim mas enfim tem
outras talvez se vocês possam indicar eu
queria só falar umas coisas com relação
à unidade na diversidade do novo
testamento né ampliar um pouco mais a
discussão que os meninos já falaram é a
gente vê uma coisa com relação a
redenção de Cristo né que a gente
precisa se atentar enquanto Igreja
Cristo Ele veio nos redimir de volta de
Deus porque nós pecamos contra o senhor
Mas ele também ele veio nos redimir de
volta uns com os outros ele veio tirar
as barreiras que nos separam quando
seres humanos a gente voltar no Éden e
entender que a queda ela trouxe uma
divisão tanto vertical de nós com Deus
mas também horizontal de nós com o nosso
próximo e de nós com cuidado com a
natureza francischer ele fala sobre isso
dizendo que o evangelho também tem algo
a dizer para a cultura para como a gente
lida uns com os outros porque nós
enquanto seres humanos nós somos seres
sociais também Então nesse sentido a
gente precisa ter uma visão do Evangelho
do que o evangelho de fato está se
propondo a fazer então a igreja lá do
novo testamento também existe alguns
conflitos principalmente com relação ao
Ministério de Paulo de que Deus ele vai
falar isso em todo quase todas as cartas
dele Ele defende o seu ministério de Que
Deus o chamou para também falar aos
Gregos falar aos helenicos e trazê-los
de vó e estava trazendo eles também para
a comunidade dos Santos então em Atos 6
de 1 a 11 por exemplo a gente vê um
relato das viúvas helênicas que elas
estavam reclamando da Porção diária que
estavam sendo distribuídas e que a elas
estavam elas estavam sendo lesadas nesse
nessa Distribuição e os apóstolos eles
disseram não é correto a gente deixar de
pregar para poder cuidar dessa questão E
aí vai ser instituído o ministério da
diaconia a partir disso e vai ser
cuidado daquelas daquela questão
no livro dele exclusão e abraço ele traz
uma coisa muito interessante ele fala
que a partir desse momento os apóstolos
eles vão pegar algumas pessoas alguns
algumas pessoas para ficar responsável
por esse ministério diaconia e dos nomes
que a gente tem na referência bíblica
todos eles eram nomes gregos e aí ele
conclui dizendo é muito importante que
nós enquanto cristãos nós escutamos as
não é apenas ficar na posição
de defensiva mas ouvir Quem está
sofrendo isso é muito importante e isso
é um princípio bíblico não é coisa do
esquerdismo não gente não é coisa do
comunismo é um princípio bíblico é o
princípio da empatia da comunidade
porque nós somos igreja então é
necessário que a gente ouça os nossos
irmãos negros as coisas que estão
passando atualmente no meu livro chamado
quando final dou algumas dicas práticas
de combate ao racismo e uns deles é esse
você ouvir a sua comunidade né é
importante isso outra questão que a
gente vê por exemplo que o apóstolo
Paulo ele vai repreender Pedro em
Gálatas 2 11 a 14 Porque Pedro ele
estava agindo de forma dissimulada ele
estava com os gregos e de repente quando
ele viu os apóstolos chegando ele se
levanta enfim nós estamos vendo um caso
aí de discriminação de problema e Paulo
ele repreende então a gente vê essa
ideia de que existe uma diversidade e a
diversidade não é algo fácil de ser
lidado porque existe esse conceito da
gente sempre ficar com o que é
confortável para nós com o meu grupo
entre aspas então a chamada de Cristo
para reconciliação com os nossos irmãos
também tem a ver com a gente repreender
dentro de nós os nossos preconceitos a
discriminações e os problemas que a
gente tem internamente é tanto que o
Pacto de lausan no ponto lá sobre a
responsabilidade social Cristã eles
falam reafirmando essa questão da
Redenção de Cristo e que o evangelho
também tem a ver com a gente denunciar
as injustiças as discriminações e os
problemas que a gente tem na nossa
sociedade sempre lembrando unidade na
diversidade da igreja tem muito a ver
principalmente primordialmente com a
nova criação que Cristo está fazendo em
Apocalipse 7:9 nós vemos que Cristo ele
congrega em si mesmo o alvo de todas as
nações os povos e línguas Cristo ele não
está nem aí para o seu preconceito para
o seu racismo para sua discriminação ele
congrega esse povos que ele próprio
criou porque se Deus ele quisesse que
tudo fosse igual ele não teria feito
tudo diferente e a gente vê na palavra
do senhor que tudo que o senhor faz dura
eternamente Então a gente tem aí 400
Anos de Escravidão é do Povo de Deus em
Egito e a gente tem mais ou menos o
mesmo período aí de escravidão dos
africanos aqui no Brasil nessa semana de
gravação aí do podcast a gente vai
comemorar depois de amanhã aniversário
do Brasil né Brasil teve a independência
aí em
1822 mas a escravidão a libertação dos
escravos aconteceu em 1888 uma diferença
é de 66 anos então por isso que eu
comecei o podcast falando que é
impossível entender o Brasil sem
entender aí a escravidão negra e como
que isso construiu a economia brasileira
e quando a gente vê projetos aí da
hermenêutica Resident Evil em Êxodo as
leis que Deus dá a respeito de escravos
nós temos leis com relação ao Jubileu né
de libertação do escravo e não apenas
libertação mas dar condição para que
esses escravos se estabelecessem na
sociedade isso
prescreve-se nas escrituras em Levíticos
no sétimo ano de libertação e dar
condições para esses escravos que foi
essa condição aí que não foi dada os
nossos irmãos negros africanos aqui no
Brasil não foi feita uma integração a
gente tem aí colhendo problemas
estruturais sistêmicos com relação a
essa questão e é por isso que eu
concordo também com Igor a gente precisa
ir de novas e novas abolições
escravatura e assim plenamente nós vamos
viver uma unidade uma Fraternidade
humana tanto na igreja quanto na
sociedade
só vou dar uma chance para o Igor que é
o novato aqui e tal já são da casa não
tem espaço se quiser né dá uma Saideira
te dou esse espaço aí galera só queria
agradecer mesmo o convite muito honrado
com convite com a oportunidade Obrigado
Rodrigo aí o Léo que foi esse contato
também a Ana e a Jacira quem acompanha
nas redes sociais cujos trabalhos gosto
bastante Aprendo muito com todos vocês e
não posso deixar também de fazer o meu
Jabá aqui por favor sigam minha página
lá questão de história eu falo muito
sobre isso que meu tema de pesquisa né E
também Bibo tem que fazer a minha ser um
homem casado sabe como é que é mandar um
beijo minha esposa a Isabela te amo amor
e vou mandar um beijo para um amigo meu
que é o maior fã do btcast que eu
conheço que alguém ganhar Aragão ele vai
chorar quando eu falar isso então amigão
tamo junto vencemos a vida Igão
beijão e Obrigado de verdade tá gente
a Globo dos crentes Quando tiver no Rio
de Janeiro Vamos tomar um café um abraço
e vamos falar mais vezes Ana tô
brincando obviamente é claro que você
pode dar palavra final aí também já
aproveita para se despedir Aliás a
Jacira também depois volta para se
despedir né que ela só deu essa essa
pregada e daí depois a gente ficou aqui
reflexível e tal gente minha palavra
final só queria eu vou trazer só uma
citação aqui do Reverendo Emanuel
vanorden com o Reverendo o Holandês que
foi pastor no Brasil pastor
presbiteriano e morreu em 1917 E aí ele
tá ele fala assim né um recado na
realidade na igreja ele fala no dia 20
de Fevereiro de 1878 10 anos antes da
abolição foi organizada nesta cidade Rio
Grande como a igreja evangélica composta
de oito pessoas foi adotada por
unanimidade a resolução de que
considerando ser a escravidão um pecado
contra Deus e o homem nenhum
proprietário de escravos seja admitido a
igreja a menos que primeiro liberta os
seus escravos Caraca muito bom muito bom
né uma igreja de oito membros decidiu
isso né que o evangelista
no Brasil eu acho que isso pode servir
para a gente inspiração para como Igor
falou continuar essa Abolição no Brasil
e aí Léo Você quer dar sua palavra final
Jacira dá tchau para a gente
foi um prazer estar aqui com vocês
obrigada Léo pelo convite foi muito bom
Foi muito legal mesmo muita informação
Espero que o pessoal que tá ouvindo aí
possa ser edificado Obrigada vivo pelo
espaço e é isso tamo junto eu te
agradeço cara por essa pauta muito
obrigado por ajudar aí o bibotal quer
levar uma pauta tão importante que não
seria sem a sua intervenção Obrigado
mano Eu que agradeço cara mais uma vez o
espaço confiança e assim as minhas
palavras de finais eu vou retomar como
abrir esse btcast a frase do Reverendo
Eduardo Carlos Pereira a voz da justiça
e a voz de Jeová Porque Deus sempre tem
os 7.000 que não se dobraram a gente
precisa parar de usar como desculpa que
todo mundo acreditava nisso todo mundo
acredita Deus sempre tem aqueles que se
levantam para falar da Justiça A gente
precisa ouvir essas vozes Olha aí gente
e olha só digo mais ouça novamente este
Episódio porque o Léo ele tá pensando o
seguinte bi vamos fazer primeiro uma
base histórica para depois a gente vir
com biografias inclusive o Igor até numa
das suas falas falou que como biografias
tem nos ajudado a perceber aí algumas
questões do tempo antigo e tal e como
nos fazem refletir sobre o nosso tempo a
partir dessas biografias então grave bem
esse episódio aqui ok ouça mais de uma
vez procure esses btqueces aqui em suas
redes sociais Tá eu vou colocar ó Tuller
Vou colocar aqui na descrição deste
Episódio porque a gente vai voltar a
falar desse tema a partir daí de
biografias então o Léo falou bivo temos
que dar uma base histórica para a galera
primeiro depois a gente vai para as
biografias E é isso que vai acontecer se
Deus assim permitir e voltamos a semana
que vem com mais podcast é isso Fiquem
todos na paz do Senhor Jesus
este podcast Foi editado por bibotal que
Produções

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