Linguagem, Fé e Comunicação: As palavras têm poder? | Leandro Abrantes | IBNU | 08
03/11/2022
Linguagem, Fé e Comunicação: As palavras têm poder? | Leandro Abrantes | IBNU | 08
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[Música] Olá a todos sejam todos muito bem-vindos ao nosso curso linguagem e fé e comunicação E hoje é a nossa oitava aula do curso que tem aula de hoje né tem o título as palavras têm poder como como responder a essa a essa pergunta para muita gente as palavras tem sim tem poder e tem muito poder né E esta a gente discutir né e saber em que sentido né se as palavras têm poder Quais são esses poderes né ou esse poder Qual é esse poder que as palavras têm Quais são esses poderes que as palavras têm muita gente a ouvir essa frase já vai emendando algumas outras afirmações né do tipo muito cuidado com que você diz a gente precisa ter muito cuidado com aquilo que fala né porque as palavras têm poder muita gente usa ou a ouvir essa frase já faz uma relação Direta com aquelas frases né com aquelas expressões bastante conhecidas e bastante usadas em Muitas comunidades de fé é hoje em dia como eu declaro isso e aquilo eu profetizo assim assim eu recebo tal coisa né ultimamente ficou até bem famosa uma expressão parecida com essa essas expressões nem esse pensamento tem a ver com algo que se convencionou a chamar de confissão positiva e a confissão positiva remonta o início do século 20 a um pregador norte-americano a chamado e w Kennel então ele começa ali nas primeiras décadas do século 20 nas suas pregações na sua na sua atuação é utilizar da confissão positiva e do pensamento positivo [Música] e outras medidas na sua ênfase em cura e milagres e até mesmo um início muitos apontam este como tendo sido o início do que mais tarde viria ser a prosperidade né a ênfase na prosperidade que além da confissão positiva e do próprio pensamento positivo também é utiliza a sugestão né no sentido da sugestão hipnótica ou da sugestionamento é a própria aí hipnose de palco é bastante comum muitos meios atualmente e o próprio modelamento do inconsciente ou Enfim uma um estudo no sentido uma tentativa de modelamento do inconsciente e isso Começou a tomar bastante tomar uma forma mais tomar mais consistência é com o trabalho e a ação de no início dos anos 70 de dois jovens [Música] psicólogos de formação embora o John Granger depois tenha estudado na área feito estudos na área da linguagem mas a sua atuação era principalmente na área da Psicologia e da psicanálise né esses nomes se você não reconhece são os nomes dos criadores do que eles chamaram de programação neurolinguística que tem a ver também com essa questão da do uso das palavras de maneira a modelar o inconsciente das pessoas agora embora eles tenham dado esse nome de programação neurolinguística na verdade o construto né a as teorias enfim e a própria atuação tem muito mais a ver com a psicanálise do que propriamente com a área dos estudos de linguagem que é a neurolinguística né então para que não fique aí dúvida a programação neurolinguística nada tem a ver com a área da linguística chamada neurolinguística o que é neurolinguística é uma área que estuda a relação entre as relações da linguagem humana com as partes do cérebro e o próprio funcionamento do cérebro alguns dos estudos principais da área de neurolinguística são os estudos de afasia investigam os casos de perda de fala muitas vezes a resultado de acidente de vasculares ou então acidentes que resultam em perda de massa encefálica nem aí como essas pessoas após esses acidentes tem esse como eu uso da língua desses afásicos né dessas pessoas Depois desses acidentes ao terem algum tipo de perda de linguagem então ou perda enfim de possibilidade de uso da língua então voltando lá a programação neurolinguística que como eu disse já como eu já disse tem mais a ver com psicanálise até porque ambos eram envolvidos com estudos de psicanálise de psicanálise é mas enfim isso vai com substanciando isso vai aumentando essa substância desses movimentos de confissão positiva que crescem se expandem se multiplicam né por essa por essa época nos anos 70 já havia se multiplicado com vários outros é pregadores renomados e a confissão positiva chega então ao Brasil na década de 1980 com a difusão aqui a tradução e a difusão dos livros de que na tag e Benny principalmente não só eles mas eles principalmente E com isso muitos grupos religiosos é no Brasil em alguma medida absorve inclusive grupos mais históricos absorvem em alguma medida essas ideias da confissão positiva né Essa Ideia de chamar a realidade as coisas que ainda não existem do declarar do receber do [Música] Cuidado com as palavras no sentido de que as palavras trazem a existência as coisas que não existem as coisas serão acontecerão serão feitas Enfim pelo poder da palavra é acontece que e agora a gente vai começar relacionar isso ver como é que a gente pode observar isso do ponto de vista dos estudos de linguagem né dos estudos de linguagem científicos de linguagem essa palavra a ideia de que uma determinada palavra acessa ou invoca uma coisa uma pessoa um objeto no mundo real tem mais a ver com um pensamento Místico não tem a ver com a ideia o entendimento nos estudos de linguagem de como as palavras se relacionam com as coisas né Essa própria prática da confissão positiva ou do pensamento positivo tem muito mais a ver nesse sentido com as práticas de ocultismo de neopaganismo de Nova Era e de religiões orientais né que é em vez de enxergar em Deus pessoal que a é aquele que é o amor é o sustentador de todas as coisas enxergam Na verdade o universo como uma unidade e todos os seres como parte desse universo né então a ideia de pedir algo ao universo ou de declarar algo ao Universo para que a natureza se encarregue de fazer determinada coisa então a confissão positiva mesmo em grupos religiosos que se identificam como cristãos ainda assim espelha essas essas práticas e essas relações por mais que algumas pessoas tentem relacionar essas essas práticas e esses estudos como ou com algo científico ou com alguma aparência científico né por isso a gente vai hoje nesse estudo ver como é que a gente entende como é que nos estudos de linguagem como em linguística a gente observa essas relações entre as palavras e as coisas que elas identificam ou com que elas se relacionam em certa medida mas eu sei que alguns vão perguntar e legitimamente um perguntar alguma coisa assim mas provérbios 18 Versículo 21 diz que a língua tem poder sobre a vida e a morte os que gostam de usá-la comerão do seu fruto em Tiago no capítulo 3 também se fala muito sobre a língua no Versículo 10 diz assim da mesma boca procedem benção e maldição Então como entender esses Versículos a luz do que a gente acabou de dizer né que essas essa questão de o poder da das palavras o poder da fala é outro que a gente ainda vai discutir não é esse de pelo fato de eu dizer alguma coisa declarar alguma coisa que algo vá é realmente que eu vá invocar o que eu vou trazer a existência alguma coisa então como entender esses Versículos é o poder da vida e da Morte está é na palavra na língua né e da mesma boca procedem benção e maldição como entender isso a gente entende esses Versículos a gente se a gente analisa o contexto deles né os versículos anteriores e posteriores enfim a gente faz uma análise um pouco mais atenta você vai perceber que eles estão tratando das consequências do uso da língua das consequências do uso e refletido das palavras e aí em vários em vários contextos realmente a uma má comunicação uma comunicação não refletida tem consequências né a o que a gente fala Tem consequências positivas ou consequências negativas por isso a gente precisa prestar muita atenção ao que a gente diz a como a gente diz as coisas também mas não esses Versículos não não apoiam não não servem de de apoio para essas essa ideia de que a palavra que se diz invoque o espírito de alguma coisa ou invo alguma coisa ou invoque uma pessoa é necessariamente nesse sentido Não Então qual seria o poder das palavras as palavras têm um uma grande um grande poder vamos dizer assim que é o poder de indexarem os conceitos de uma língua O que é isso né O que significa isso as palavras apontam né indicam conceitos que existem em uma língua o que são esses conceitos aí a gente vai voltar algumas questões que a gente mencionou já nas primeiras aulas notadamente na primeira aula e na terceira aula então se você não não acompanhou pode acompanhar está neste canal na mesma playlist as palavras e o sentido né Qual é a relação entre as palavras e o sentido e aí lá nas primeiras aulas a gente falou sobre a ideia sosidiana do signo linguístico né o signo linguístico seria então composto pelo significante e o significado o significado é a palavra em si que existe na língua né Essa é essa esse conjunto de sonhos essa sequência de sonhos que existe na língua então quando eu digo mesa por exemplo esses sonhos que eu produzo né a palavra em si é o significado e o conceito que eu tenho de mesa e esse conceito eu compartilho com todas as pessoas que falam essa língua é um conceito baseado na análise de vários na categorização de várias mesas que eu já vi Durante a minha vida e que são comuns né na região em que eu moro enfim esse esse conceito seria o significado esse conceito de mesa que não é o objeto do mundo real né é o conceito mental seria o significado e o significante repito seria a palavra que indexa né que aponta para este conceito e Ambos são diferentes da referência no mundo real então é em linguística a nossa percepção sobre a relação entre as palavras e o sentido não é de que a palavra invoque o sentido é ou que perdão que invoque o item do mundo real o que seja o mundo real né mas que a palavra cria um índice a palavra aponta para um conceito que é formado a partir da observação desses itens do mundo real então que a gente consegue entender a partir disso até aqui é que a palavra não é a coisa né Como diz aí a frase conhecida a palavra cachorro não morde né então a palavra não é a coisa e a palavra também não é o conceito né a palavra aponta para o conceito mas a palavra não é o conceito daquilo que ela é daquilo é para que ela aponta e falando de conceito falando dessas relações a área da linguística que estuda É essa a que estudar essas relações é a semântica lexical semântica lexical estuda as relações entre as palavras e o sentido as palavras e os sentidos e o que a gente pode observar em uma das linhas de estudo uma das linhas de pensamento na segundo a semântica lexical é que cada palavra cada lexema está atrelado a um conjunto de propriedade quer dizer cada item de sentido é composto na verdade por um conjunto de traços um conjunto de propriedades eu fiz aqui um quadro para a gente para a gente observar né se palavras e sentidos como pedra árvore cachorro e menino e eu vou dispondo aqui as características né que eu percebo dentro de cada uma dessas desse sentido desses itens de sentido na palavra pedra se eu uso a categoria vivo né a pedra não é Vivo Então coloca ali eu tenho na minha análise semântica formal a gente tem ali um menos um sinal negativo não possui esse esse item de sentido essa propriedade de sentido árvore sim é um elemento vivo o cachorro também é um elemento vivo o menino também um elemento vivo Então nesse nessa comparação e com esse traço de sentido com esse esse com essa propriedade de sentido eu consigo diferenciar apenas Pedra dos demais elementos agora se eu uso elemento animado um ser animado versus um ser inanimado né você animado a pedra é um ser inanimado a árvore também é um ser inanimado e o menino é o cachorro é um ser animado e o menino é um ser animado então aqui a gente já tem uma possibilidade um pouco maior de diferenciação o a item humano traço humano a pedra não é não tem não possui esse traço né então A negação desse traço a árvore também não é humana o cachorro também não é humano o menino sim então aqui a gente consegue diferenciar com esse que a gente consegue diferenciar todos eles de menino mas não consegue diferenciar por exemplo pedra e árvore o cachorro e a árvore tá Então na verdade se a gente a gente poderia expandir essa análise aqui colocando mais e mais características e a partir dessas características ou da observação dessas dessas dessas características é positivas ou negativas em cada para cada item de sentido a gente teria então aí um quadro um mapa de traços distintivos ou traços distintivos de sentido então pedra seria um elemento não vivo não animado e não humano uma árvore seria um ser vivo não animado não humano um cachorro seria um ser vivo animado e não humano o menino seria um ser vivo animado e humano agora é essas comparações podem seguir e podem ser mais ter menos elementos né a serem comparados por exemplo se eu comparo menino e homem essas duas palavras ou essas duas essas duas categorias de sentido eu tenho aqui vivo Ambos são ambos possuem essa categoria positiva animado ambos possuem essa categoria positiva são ambos seres animados humanos Ambos são seres humanos adulto aí menino não possui essa característica homem possui essa característica então assim a gente pode ir expandindo essa análise aqui para conseguir diferenciar os elementos o que que isso aqui indica para gente é que na verdade o que a gente chama de sentido na verdade é a reunião é a integração é a inter-relação é de vários traços diferentes de vários traços é cada palavra ou cada sentido cada unidade de sentido em que a gente chama é na semântica lexical de lexema então cada item de sentido é na verdade um conjunto é um conjunto de elementos que a gente chama de traços distintivos de sentido e esses traços é a comparação desses traços distintivos que permitem que a gente entenda as semelhanças de diferenças nas relações entre as palavras e o sentido e também permitem que a gente Entenda como é que essas palavras são usadas Quais são as relações entre as palavras os itens eficaz e o seu uso porque essas propriedades vão estabelecer as relações dessas palavras com os contextos né E dizer para a gente quando a gente deve usar uma e outra cada par de itens de sentido né cada par de lexemas tem pelo menos um traço semântico distintivo até mesmo os sinônimos então aqui a gente já começa é a falar de uma coisa é bastante importante sinônimos são palavras que significam a mesma coisa sinônimos não são palavras que tenham sentido idêntico o que tem uma identidade de sentido né as palavras as relações entre as palavras e os sentidos são um pouco mais detalhadas são um pouco mais complexas do que isso né se houvesse realmente duas palavras que significam a mesma coisa né quer dizer a ver duas palavras que significam a mesma coisa em uma língua provavelmente essas palavras iam ser consideradas variantes entre si e com o tempo uma delas ia se tornar ia cair em desuso porque não é prático não não é não faz sentido que uma língua tenha duas ou mais palavras que tenham exatamente o mesmo sentido Então as palavras têm carga semântica distinta peso semântico distinto e tem traços semânticos em comum e traços semânticos distintivos né entre si Então vamos analisar aqui essas relações entre as palavras e o sentido entre as relações entre as palavras e sentido a gente destaca aqui o quatro tipos principais a simonímia antonímia a hiponímia e a meronímia talvez você já tenha ouvido falar das duas primeiras Talvez não tenha ouvido falar das duas últimas e a gente vai falar que rapidamente sobre esses quatro tipos principais de relação entre as palavras e os sentidos né começando pela sinonímia os sinônimos são como eu já disse não são palavras que querem dizer a mesma coisa mas são palavras que tem algum tipo de compatibilidade de sentido né A gente vai ver em que termos a gente define essas compatibilidades de sentido essa compatibilidade pode ser dia letal por exemplo biscoito bolacha aipim mandioca macaxeira são sinônimos de aletais porque são palavras que tem um sentido que tem um sentido compat e são usadas e tem um uso aí diferenciado pela pela posição geográfica pelo dialeto do falante é homem e cara então você diga um homem estava ali um cara estava ali é uma compatibilidade estilística Essas palavras são são sinônimos estilísticos sinônimos de compatibilidade estilística porque a diferença entre elas é estilo de fala problema em questão vocês Fulano tem problemas nem Fulano tem questões é são é isso aqui são sinônimos de compatibilidade emotiva a gente dizer uma coisa e dizer outra a gente diz uma coisa ou diz outra com base em como a gente se importa de antes se porta afetivamente diante dessas dessas palavras ou dessas da pessoa de escrito da coisa descrita Quando eu digo azedo ou rançoso né é uma compatibilidade de colocação quer dizer depende da palavra a que se refere eu digo leite azedo né mas geralmente não se diz Leite rançoso né de se manteiga rançosa mas não se diz geralmente manteiga azeda então o mais comum é que se diga leite azedo e manteiga rançosa e esses nesse sentido aqui essas adjetivos têm são sinônimos são sinônimos de compatibilidade de colocação como compatibilidade de colocação quer dizer é a diferença entre eles é que eles são usados com palavras diferentes mas com sentido é um sentido sobreposto né bonito e Belo bonito e Belo Já é já são adjetivos que tem uma uma compatibilidade de sobreposição né são praticamente tidos como é chamado sinônimos perfeitos também aí na tradição gramatical no Brasil são chamados sinônimos perfeitos Mas mesmo palavras que são tidas como sinônimos perfeitos como bonito e Belo você percebe que elas não são usadas da mesma maneira de maneira tão intercambiável quer dizer não é que sempre eu posso trocar bonito por Belo Elas têm pesos diferentes Elas têm elas representam elas podem ter alguma conotação um pouco diferente tá então esse peso de sentido é essa esse uso mais específico é afeta até mesmo as o chamado sinônimos perfeitos os sinônimos portanto são palavras que tem relações de sentido né relações de compatibilidade de sentido e não igualdade de sentido O Chamado sinônimos absolutos são aqueles que tem maior sobreposição de traços né Maior sobreposição de traços distintivos de sentido os chamados sinônimos parciais são aqueles que tem uma menor sobreposição de traços de sentido e o chamado sinônimo de proximidade são palavras próximas que não necessariamente tem sobre que não tem nenhuma sobreposição de traços mas que tem relação pelo uso [Música] assim também a gente tem a antonímia uma outra relação entre palavras e sentido a estabelecida pela antonímia são os antônimos né O que que são antônimos são palavras Opostas né O que quer dizer palavras Opostas Na verdade são palavras que tem algum tipo de incompatibilidade de sentido e aí como é que a gente entende essa incompatibilidade essa incompatibilidade pode ser gradual por exemplo velho novo alto e baixo quente e frio então quando eu digo é velho e novo se eu digo é um livro velho e um livro novo a gradação é uma agora se eu digo país velho o território velho o território novo agradação provavelmente é bem diferente né então eu posso dizer que algo é velho porque já existe a três anos então é velho então eu sou de algum computador é velho né Acho que essa seria aí uma analogia melhor um computador velho um computador novo né e um carro velho um carro novo e um livro velho um vídeo um livro novo um livro de 1950 o livro de 1920 é um livro de 1840 um livro velho e um livro novo um livro de 2022 publicado em 2022 Então na verdade a grau se eu digo uma pessoa alta e uma pessoa baixa se eu digo um prédio alto e um prédio baixo agradação é completamente diferente por mais que o prédio seja baixo ele não vai ser da mesma altura que uma pessoa por mais baixa o alta que ela seja então a gradação é diferente então esses são sinônimos de incompatibilidade gradual existe também a incompatibilidade binária quer dizer incompatibilidade que não é gradual por exemplo se digo morto e vivo aprovado e reprovado uma pessoa não pode ser mais morto menos morto que outra ser mais vivo ou menos vivo será mais aprovado menos menos aprovado Então são antônimos discretos né são antônimos não graduais a gente tem a incompatibilidade total que a gente poderia dar como exemplo aí o caso das cores Então as cores se opõem umas as outras de maneira Total não existe uma não existe nenhuma graduação e também não existe uma uma incompatibilidade binária a relação entre o azul e o vermelho por exemplo não é uma relação de oposição é o oposto direto de azul é não Azul tudo aquilo que não azul né mas o vermelho esse não É oposto de azul agora é incompatível então tem uma incompatibilidade total por isso é também é uma espécie de antônimo tá a mesma coisa a diferença entre o azul e verde a relação semântica relação de significado entre azul e verde existe a incompatibilidade ordenada por exemplo os dias da semana até a segunda não é terça que não é a quarta né mas a disposição desses elementos é feita de maneira ordenada está existe de maneira ordenada então uma incompatibilidade Total ordenada parecida com o caso das cores e existe também compatibilidade Total não ordenada como é por exemplo lá aquela dos utensílios de mesa um prato um copo um garfo uma faca né é um copo é um não prato um prato não copo Mas isso não é uma mas eles não são diretamente opostos apesar de serem incompatíveis apesar de serem compatíveis de maneira não ordenada mas essa incompatibilidade é desenhada dentro de um campo semântico eles pertencem a um campo semântico é então são palavras próximas tá embora sejam palavras incompatíveis de sentido digamos né sentido incompatível além disso a gente tem os antônimos direcionais né os antônimos relacionais direcionais Como descer e subir comprar e vender chegar e sair que são antônimos que se a que denotam a direções né sentidos diferentes são a diferença que entre eles no sentido no sentido espacial né já seria uma relação é um pouco diferente né algumas alguns autores classificam a hiponímia a meronímia dentro da iponina hiponímia dentro da sinonímia mas porque a gente separou porque tem aqui algumas características importantes para a gente mencionar né a hiponímia tem a ver com a o sentido um sentido mais geral e um sentido mais específico é um iPhone uma palavra é imponema de outra palavra quando ela representa algo de sentido mais específico que outra por exemplo é se a gente Analisa esse quadro aqui a palavra fruta é hiperônimo de maçã de laranja e de banana maçã laranja e banana por sua vez são hipônimos de frutas são palavras mais específicas do que fruta e fruta é uma palavra mais Geral do que maçã laranja banana e assim sucessivamente tá então a relação entre essas essas palavras é uma relação de entre os sentidos dessas palavras é uma relação de hiponímia é as palavras que estão aqui na base maçã laranja e banana em relação a fruta são coimpônimos Então são co-ipônimos de fruta é fruta então hiperônimo dessas três palavras pode ter vários vários níveis né as palavras podem ter estabelecer ainda outras relações por exemplo abaixo desse quadro eu poderia continuar aqui o desenho embaixo de laranja por exemplo quais são os tipos de de laranja e possíveis hipônimos de laranja Então a gente tem laranja pêra Laranja Lima laranja da terra são hipônimos de laranja são palavras ainda itens ainda mais específicos do que o item laranja Então nesse caso aqui laranja que é um hipônimo de fruta é hiperônimo de laranja pêra Laranja Lima Laranja da Terra então aqui a gente tem a relação de e tem mais específico de sentido mais específico e a sentido mais geral E para finalizar Então a gente tem aqui a meronímia a meronímia é a relação entre as partes e o todo então por exemplo quando a gente se refere aqui a nariz e boca nariz e Bocas são meronimos de rosto são partes desse todo que é o rosto obviamente se a nariz e Bocas são meronimos que eles são partes do rosto o rosto é homônimo de nariz boca olho orelha etc né então é uma palavra que é parte do todo é um seu meronimo a palavra a relação de sentido entre o todo e a parte é relação de homônimo de olonímia entre os neurônios a gente consegue ainda subdividir dois tipos os chamados neurônios funcionais que são aqueles que podem ser destacados não podem ser [Música] que existem em separado desse todo tá então no caso para-brisa porta retrovisor são meronimos funcionais de carro funcionam juntos mas é eu posso efetivamente tirar esses itens existem esses elementos existem em separado em relação ao seu homônimo que é o carro e existem o chamados meronimos contínuos a fumaça e a chama por exemplo não podem ser separados da fogueira São porque são meronimos contínuos são partes desse tudo que não existem em separado não existem de maneira isolada Então pessoal as relações entre as relações entre as palavras e os sentidos para a linguística são o expressam esse poder das palavras né e a importância de nós prestarmos atenção a isso está é na qualidade e na forma comum nós conduzimos o discurso nós conduzimos a nossa fala como eu disse mesmo mesmo os sinônimos não possuem um sentido idêntico não existe essa essa identidade de sentir não existe essa não existem duas palavras com sentidos iguais então a dizer uma palavra específica com precisão E aí a gente volta ao que a gente andou mencionando na aula passada nas aulas anteriores né é bastante importante essa noção de precisão no discurso então dizer a como a gente viu ali né os sinônimos estilísticos os sinônimos é mesmo os chamados sinônimos perfeitos eles podem ter conotações diferentes podem ter contextualizações diferentes e por isso seu uso vai ser diferente se eu digo casa residência domicílio lá eu tenho pensamentos e usos diferentes eu não uso essas palavras da mesma maneira com exatamente o mesmo eu não posso em não posso trocar uma palavra por outra e refletidamente né não posso trocar a palavra lá por casa por a domicílio por residência embora elas sejam sinônimas eu não posso trocar essas palavras em qualquer frase eu não posso usar essas palavras de maneira igual em qualquer frase porque elas têm é características Diferentes né sejam seja pelo fato de que elas são formadas aí por traços distintivos de sentido diferente seja pelo fato de que elas né e até mesmo Por conta desses traços distintivos de sentido ela se aplicam a situações diferentes elas estão relacionadas outras palavras é que a gente chama de colocação né diferentes e por isso a gente precisa atentar para essas diferenças e essas relações que as palavras têm com o sentido quando a gente vai comunicar se a gente quer comunicar de maneira adequada e de maneira precisa E aí a gente volta a ideia e tanto contida no Versículo que a gente citou em provérbios como no Versículo a gente citou em Tiago né O Poder da língua né a vida e a morte o fato de a vida e a morte está na língua o fato de a língua ser é poder ser um mundo de problemas né poder sustentar diversas dificuldades ser como um Leme de um grande navio que Embora tenha um tamanho pequeno comparado com o corpo é capaz de ter ações é capaz de ações muito complicadas é muito problemáticas tudo isso tem a ver com as consequências do uso e refletido da fala e o uso e refletido da fala leva em consideração principalmente a disposição dos Sentidos né a maneira como os sentidos são dispostos tanto de maneira formal né que a gente viu Nessa aula como também de maneira pragmática que é a pragmática pragmática é a parte dos estudos de linguagem que lida com a contextualização daquilo que se diz a construção discursiva é como é que os discursos são construídos como eles são aplicados como eles são contextualizados quais são as situações Quais são as inferências que se podem fazer né então quando alguém diz assim a você tem fogo nem a outra pessoa responde eu não fumo Por que que ela responde eu não fumo porque né aparentemente perguntar você tem fogo e outra pessoa respondeu ou não fumo aparentemente uma conversa de doidos né aparentemente não faz o menor sentido mas porque nesse caso faz sentido uma pessoa perguntar você tem fogo porque na verdade quando ela pergunta você tem fogo é você tem isqueiro né Você tem um isqueiro para que eu possa usar para acender alguma coisa não cigarro por exemplo e a outra pessoa dizendo Eu não fumo a outra pessoa vai subir entender bom se é se não fuma então não carrega isqueiro não carrega fósforos não carrega nada parecido com isso então a tanto na noção formal tanto na ideia de como as o significado se constroem como as palavras em si se a se relacionam com esse sentido né para construir para identificar esses sentidos etc mas também o que se lê a partir dessas construções né como a gente disse nas aulas anteriores é se a gente observar como o léxico como o conjunto de palavras de uma língua funciona observando o português por exemplo o léxico tem uma característica paradigmática então olhando para o léxico eu vejo palavras que estão distribuídas como categorias como partes de categorias é nas quais a gente enxerga diversas variantes né que a gente chama linguística de flexões e a partir dessas e a partir do contexto que eu tenho do uso que eu vou fazer da frase que eu tenho para usar eu vou usar uma variante específica eu vou usar uma flexão específica daquelas então da mesma forma que isso acontece nessa noção de paradigma né e do sintagma da mesma forma que isso acontece é na entre a morfologia e a sintaxe da mesma forma que acontece quando eu vou usar uma forma específica de um verbo de um pronome de um adjetivo que se encaixe na sintaxe da frase que eu escrevo né Para que fique ali é ajustado como a gente diz também em gramática para que haja concordância da mesma forma que isso acontece também acontece a disposição na questão semântica né Então dependendo das das relações de sentido que aquelas palavras têm né E aí eu vou analisar eu vou analisar paradigmas Talvez um pouco diferente né paradigmas que Alguns linguistas chamam de frames né Então as palavras que possuem sentido as OS grupos de palavras os chamados grupos semânticos são basicamente digamos aqui de uma maneira bem simplificada né são basicamente listas mentais de palavras eu talvez listras não seja a palavra mais adequada mas são redes né de palavras que estão relacionadas umas com as outras e a partir dessas redes de palavras relacionadas umas com as outras a partir dessas relações das propriedades que cada uma dessas palavras é tem em se como ela se relacionam com o sentido é que eu vou poder selecionar a palavra mais adequada para usar em determinado contexto E como eu ia dizendo né Não só na sua questão formal de quer dizer a maneira como uma palavra se relaciona com o sentido para ter então relações com outras palavras de sinônimos mas também que pesos essas palavras têm que carga semântica essas essa palavra é tem se eu usar uma dessas palavras no meu no meu discurso meu discurso vai ter qual tipo de Tom qual o tipo de estilo eu vou eu vou transparecer né qual vai ser a leitura do meu discurso construído com uma palavra ou com outra Então isso é extremamente importante algumas pessoas não têm essa não não pensam acerca disso e acabam aí mais uma vez né acabam dizer isso né acabam se valendo muito da da sua intuição e às vezes essa essa intuição estiver bem informada né Talvez isso nem se perceba tanto mas se não for o caso pode haver aí um para usar uma palavra que a gente já usou de maneira de forma técnica mais cedo né uma incompatibilidade pode criar um problema lá e ter consequências esse discurso ser lido de forma a ter consequências é mais problemáticas até desastrosas como os textos que a gente leu os textos bíblicos que a gente leu identificam muito bem bom pessoal é se vocês tiverem mais mais perguntas podem colocando aqui a Marília pergunta onde apareceu essa questão da confissão positiva uma corrente filosófica é [Música] muitos de onde muitos clientes adotam isso bom a confissão positiva dentro quer dizer no seu uso em igrejas no seu uso Eclesiástico vamos dizer assim surge no contexto Pentecostal norte-americano [Música] nome bastante citado com relação a isso é w né que nasceu aí na segunda na em meados do século XIX e aí conta-se que no início do século 20 já nas primeiras décadas do século 20 ele começa a adotar essa essa postura esse tipo de de metodologia vamos dizer assim nas suas pregações né começa com uma ênfase muito grande nas curas e milagres e também dizem em certa medida até também em prosperidade [Música] e aliado a isso com já com essas ideias de confissão positiva nessa ideia de determinar determinar algo de profetizar algo de geralmente Essa é a Gênese como a gente já já disse no início né geralmente Essa é a linha comentada nem isso vai obviamente influenciar outros outros pregadores né um deles que também é muito muito citado é o próprio Roberts também norte-americano isso vai se disseminando e isso dentro dos de comunidades religiosos né de comunidade de fé fora das Comunidades de fé obviamente havia a própria psicanálise o próprio estudos né de de psicanálise que vão aí influenciar pensamento do de [Música] Bender e grinder que são os psicólogos norte-americanos da Califórnia que na década de 70 no início da década de 70 vão criar a chamada a chamada programação neurolinguística E aí É nesse momento que eles vão associar diversos diversas ideias sobre o inconsciente né tentando fazer Tentando criar uma uma forma de modelar esse esse inconsciente por meio por meio da palavra por meio da sugestão e até mesmo da de algumas técnicas de hipnose isso obviamente vai aumentando né isso obviamente vai vai se inicialmente isso é introduzido até mesmo na para a comunidade científica como uma nova uma nova possibilidade científica um novo estudo científico né E talvez até aí pelo nome escolhido de neurolinguística dando essa essa passando essa ideia de que seria algo relativo a linguística e algo relativo a Neurologia mas não na verdade não tem essas relações né então já nos anos nas décadas seguintes já depois da primeira década a comunidade científica não endossou né Essa minhas práticas e nem a esse modelo criado como como tendo uma afiliação como sendo afiliado Como estando relacionados à linguística e nem a propriamente a Psicologia ou a psicanálise Mas enfim continuou isso continua a formação de Bender é mais relacionada a psicologia a psicanálise né a formação inicial do grinder do grinder era em psicologia e depois ele foi estudar foi fazer continuar os seus estudos ainda na Califórnia na área de linguística mas não não os direcionamentos que foram dados a essa a essa escola ou essa enfim esse modelo não tinham a ver diretamente com a não tinham a ver diretamente com pensamento ou enfim com o com a metodologia linguística tinham mais a ver com algumas técnicas práticas utilizadas em psicanálise isso talvez explique também né o interesse de muitas de muitas pessoas ainda hoje em psicanálise pessoas que têm outras formações iniciais né pessoas que têm informação talvez aí em filosofia em Teologia justamente para entenderem mais de algumas dessas Talvez né entenderem mais algumas de algumas dessas ferramentas utilizadas que são utilizadas também que a pnl tem comum e é bom Dizer que duas coisas repetir né na verdade duas coisas primeiro existe uma área de estudo na linguística que se chama é neurolinguística que tem a ver com funcionamento do cérebro é completamente diferente tem a ver com as partes do cérebro estudar fazia enfim é uma área que trabalha com imagem cerebrais observando aí o funcionamento do cérebro especialmente no caso de pessoas que tem algum tipo de afasia causada por um acidente cerebral um acidente com perda encefálica e a outra questão também relacionada a isso é que o próprio termo programação neurolinguística ou muito usado no Brasil com pnl também não é o único utilizado né então existem outras outras nomenclaturas que também são utilizadas é terapia né terapia terapia linguística terapia neural terapia neurolinguística terapia enfim existem vários outros vários outros outras utilizadas e até não uso de nomenclatura até pessoas que usam as técnicas sem [Música] referir aí A nomenclatura outra coisa que também é importante dizer é que aqui a gente tá a gente tá abordando aqui essa questão da relação entre as palavras e os e as coisas do mundo real né as pessoas as ações os acontecimentos e essa relação exacerbada no sentido de que é a gente está analisando Principalmente dentro do contexto de de identificação Cristã dentro do contexto das Comunidades religiosas aí de identificação Cristã E aí é nesse nesse contexto é que a confissão positiva embora a ideia de pensamento positivo também exista bastante no na própria programação em busca mas não só né essas ideias existem aí nas práticas ocultistas em relações em religiões ou pensamento religioso oriental de Base orientalismo a Nova Era essas essas ideias essas práticas e tem existem aí há muito mais tempo então [Música] muito bem pessoal então é esse é o nosso tema de hoje né então aquelas aquelas frases que a gente viu no início né de Tome muito cuidado com o que diz né e as suas palavras têm poder né Realmente as palavras têm sim poder mas como a gente viu a as palavras têm o poder que a gente dá a elas no sentido de atenção ao que elas significam né como elas relacionam os sentidos então a gente precisa estar aí atento ao poder das palavras de apontarem para os sentidos que a gente quer utilizar o que a gente precisa utilizar no nosso discurso Então esse é a o poder aí das das palavras que a gente pode notar e pode observar com a ajuda da linguística não um poder Místico de fazer coisas ou de trazer coisas ou de decretar coisas etc na próxima aula a gente vai continuar essa essa série que já está chegando ao fim nessa série de estudos na nossa próxima aula é nós vamos estudar sobre o título Entendes o que leis então se você quer saber mais sobre esse tema você é meu convidado para nossa próxima aula igualmente as quintas na quinta-feira que vem né no dia no dia na quinta-feira que vem às 19 horas a gente se encontra novamente no dia 10 né não no dia 6 mas no dia 10/11 a gente se encontra novamente para continuar a falar sobre esses temas muito obrigado por ter nos acompanhado aqui Fique à vontade para ver os outros vídeos dessa playlist e das outras playlists que a gente tem aqui no canal se você ainda não tiver se inscrito inscreva-se aqui no canal E compartilhe esse material com outras pessoas que podem se interessar por ele até a quinta-feira que vem Deus abençoe