Racismos nas Américas – BTCast 480
18/11/2022
Racismos nas Américas – BTCast 480
Muito bem, muito bem, muito bem, começa mais um BTCast, o seu podcast de teologia! Nesse episódio de estreia da nossa BTWeek, Rodrigo Bibo conversa com Leonardo Cruz, Ana Bezerra, Jacira Monteiro e Higor Ferreira para falar sobre racismos nas Américas. Temos um "racismo à brasileira"? Será que não existia racismo na antiguidade? Como, através da história, o racismo acontecia na sociedade? Isso e muito mais agora, nesse BTCast!
Tweets by leo_cruz_96
https://www.instagram.com/anabezerrafelicio/
https://www.instagram.com/jacirapvm/
https://www.instagram.com/questaodehistoria/
Compre o livro "Engajamento Cultural" https://amzn.to/3EtkPOU
Compre o livro "Eu tenho um sonho" https://amzn.to/3hIgjTy
Compre o livor "O cristão em uma sociedade não cristã" https://amzn.to/3USTaw7
Inscreva-se para o BTDay 15 de Abril em São Paulo https://doity.com.br/bt-day–espiritualidade-para-uma-sociedade-cansada
Adquira o app Pilgrim com desconto: https://bit.ly/3APSjVE
Compre na El Shaddai, use nosso link https://www.ellivros.com.br/?utm_source=bibotalk&utm_medium=social&utm_campaign=homesite
Entre em nossa lista de distribuição no Telegram: https://t.me/bibotalktelegram
Seja um Mantenedor do Bibotalk: Envie um e-mail para [email protected]
Torne-se um Prime na Amazon https://amzn.to/2HYnMta
Vantagens de ser Prime: – frete grátis nos produtos enviados pela Amazon – séries e filmes originais e um variado catálogo de outros filmes e séries. – descontos especiais – tudo isso por menos de dez reais mensais
Quer estudar comigo na EBT? Envie um email para [email protected]
O podcast cristão do Bibotalk tem a missão de ensinar teologia em áudio a fim de ver o crescimento bíblico-teológico da igreja brasileira.
Arte da capa: Guilherme Match (conheça o trabalho dele http://instagram.com/yohke)
Para baixar basta clicar em Download com o botão direito do mouse e escolher a opção Salvar link como.
LINKS PERMANENTES
Torne-se um Mantenedor do Bibotalk, https://bibotalk.com/mantenedores/
Compre na Amazon pelo link do Bibotalk – bibotalk.com/amazon
AMAZON PRIME no Brasil: séries, filmes, livros, frete grátis e mais rápido, tudo isso por muito pouco, MUITO POUCO, faça seu teste grátis https://amzn.to/2HYnMta
BTCast no Spotify https://spoti.fi/2zSqqwU
nosso email: [email protected]
Canal de Distribuição no Telegram, https://telegram.me/bibotalktelegram
FEED https://bibotalk.com/categoria/podcast/feed/
Redes Sociais facebook.com/bibotalk | twitter.com/bibotalk | instagram.com/bibotalk
Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
[Música] muito bem muito bem muito bem começa mais um btcast de número 480 o último episódio desta btwick que foi sensacional falando sobre Bíblia e racismo quanta coisa Nós aprendemos esse episódio Inclusive eu vou ouvir essa btu porque uma coisa é gravar outra coisa é ouvir e é muito bom poder aprender gente tudo que nós ensinamos aqui e olha só essa btwick está acontecendo porque Léo Igor eu falei o Léo meio enrolado né É porque eu chamo de Léo o esposo da Ana que se chama Leandro então eu olhei aqui pra Ana e aí eu quase igual um Bueno como é que é o Galvão Bueno ele enrola a língua pra falar o r e o RR também Leonardo então o Léo está aqui então o que aconteceu graças ao léu ao Igor a Ana e a Jacira e também é uma participação especial do Paulo Cruz ali no episódio de martelo Júnior Então eu quero começar agradecendo a vocês meus amigos editor Palmas aí para Jacira a Ana Igor e Leo Muito obrigado meus amigos por terem aceito aí esse desafio de gravar em cinco podcast sobre esse tema tão importante e eu fico feliz que a gente tem muito mais ainda para gravar sobre esse assunto e com certeza vocês voltaram aqui para falar ainda mais sobre este assunto Bíblia escravidão racismo E tantas outras coisas então muito obrigado e também agradecemos a Thomas Brasil que financiou essa btu aí a Thomas do Brasil que é parceira do bibliotal que lança os livros aqui da casa bivotal e também lança vários outros livros na linha de teologia devoção e tem muitos livros e a gente quer que você conheça o catálogo da Thomas Elsa então vai lá tem o link aqui da Thomas Nelson na descrição deste podcast tá bom inclusive o livro engajamento cultural tem o falado desse livro aqui ao longo dessa btwick vai lá porque ele vai ser uma ótima introdução a vários temas do que diz respeito à relação do Cristão com a sociedade então tem lá o tema do racismo o tema da Guerra o tema da teoria de gênero entre outros né como o cristão deve e engajar culturalmente deu uma chance para esse livro e também nessa mesma pegada o Cristão numa sociedade não Cristã de Johnny stott que é o livro que a gente tá usando no btcast plus e é sensacional E tem também o livro que a gente falou lá no Martin Luther King Júnior o livro da Harper colins que é o discurso do Martelo Luther King Júnior eu tenho um sonho numa versão bilíngue capa linda sensacional um belo presente aí tá bom mas é isso chega então vamos lá galera seguinte nesse último episódio a gente vai falar sobre racismo e nós temos racismo em todo o mundo mas a gente ouve muito falar dos racismo nos Estados Unidos até fizemos o episódio sobre o Martin Luther King Júnior e obviamente temos racismo aqui no Brasil e Existe diferença no racismo aqui no Brasil para o racismo lá dos Estados Unidos Aliás a gente poderia falar da Europa também em algum momento eu sei que a Ana tem aí 15 páginas escritas sobre racismos Brasil Europa e por aí vai mas racismo é pecado né a chassis ele já escreveu um livro sobre isso e a gente falou sobre isso no feminilidade né racismo é pecado mas Existe diferença como esse pecado se Man aqui no Brasil e lá nos Estados Unidos muito bem meus amigos ajude-nos a entender essa diferença se é que ela existe Ah eu vou começar falando aqui do conceito de racismo mesmo para a gente entender para onde essa essa discussão ela vai se encaminhar porque acontece a seguinte coisa É racismo muitos vão dizer que só existe depois do século 19 especialmente da publicação lá do da origem das espécies do Darwin que se eu não me engano eu sei que em português foi ali na década de 1870 em inglês eu não tô lembrado agora mas por que envolve a questão do Darwinismo Social teoria da evolução das sociedades essas coisas mas o que acontece é sabendo que tem esse fenômeno mais contemporâneo em que um povo consegue elaborar um conjunto de ideias estruturas de instituições para excluir outros povos a gente tem um efeito retrospectivo Então espera aí será que não tinha por exemplo é racismo na antiguidade E aí qual que é a grande questão aqui a palavra ela quando ela é transposta para um período mais ao passado ela é usada de um sentido um tanto mais genérico para apresentar essa exclusão de um povo mobilizada por outro e a partir desse questionamento eles vão resgatar a linguagem usada nas fontes naqueles povos mais antigos para nomear essa exclusão para falar do caso que a Ana conhece mágica do império romano é questão do bárbaro não tinha a noção de raça a gente diria de forma muito genérica aqui para ser didático que seria racismo paciente quiser ser preciso não é racismo é uma outra coisa mas essa questão de existir de uma forma moderna e contemporânea esse modelo de exclusão tanto sistemática de um povo mobilizado por outro lança essa luz pra gente voltar atrás e querer saber se tinha isso em outro momento e aí nesse sentido que a gente vai explicar aqui um tanto das diferenças entre Brasil e Estados Unidos e a gente explicou em algumas coisas ao longo dos outros episódios é parte da percepção de também existem certos tipos de exclusão que poderiam ser dessa forma bastanteérica chamada de racismo mais a discussão não para por aí a gente precisa entender como elas se manifestam então para o negro ser se tornado cativo na África do século 17 onde não tinha as Charles Darwin para falar de Darwinismo Social era um outro jeito que a cabeça da Galera funcionava E a gente chegou a explicar isso no episódio sobre hermenêutica então assim nesse sentido mais preciso racismo é uma coisa mais próxima do nosso tempo no sentido bem genérico pra gente ser didático aqui é um problema que faz parte das relações humanas de um povo entre outro mas a gente não poderia chamar tudo de racismo sem qualquer sem qualquer baliza sem qualquer critério porque essas esse tipo de exclusão étnica ela funciona com bases diferentes inclusive bases que não tem relação com o racismo moderno Esse é o principal limpeza de terreno que a gente precisa fazer e meus amigos Se quiserem me corrigir ou acrescentar alguma coisa tem liberdade agora não acho que é isso que o Léo falou mesmo existem bases pré-modernas pro racismo como fala a gente busca na antiguidade essas bases estão lá mas a construção do conceito é uma coisa mais moderna contemporânea Então se a gente usa o conceito de racismo para o passado talvez a gente de fato Cometa nacronismo mas não quer dizer que não haja modalidade de exclusão no passado e no presente baseadozinho origem tradições culturais enfim indiferenças né então a gente encontra isso sim em outros momentos históricos Mas isso é reforçado culturalmente na época moderna a partir da época moderna a gente começa a perceber assim uma construção mais próxima do que seria esse conceito de raça contemporâneo amadurecimento disso de uns dois séculos para cá com essa ideia de racismo científico né de encontrar bases da ciência para legitimar as diferenças é dos marcadores físicos das pessoas e até de modo mais é profundo dos marcadores identitários também porque você acaba criando uma ideia de inerência quer dizer o negro é inerentemente uma coisa o branco é inerentemente outra coisa você vai reforçando certo estigmas é por aí mesmo gente Existe alguma explicação porque a sociedade faz esse tipo de coisa assim uma pergunta eu acho que bem Ampla e não sei se ela se tem uma resposta Mas por que que o ser humano tem essa mania de classificar de excluir de fazer é criar um grupo majoritário Existe alguma Gênese Ok Gênesis 3 beleza mas assim em termos sociológicos antropológicos alguma explicação do porquê e até mesmo tipo não negro não é gente sabe tem alguma explicação para isso então a resposta que eu acho que a gente pode produzir aqui sem querer ser decisivo né porque tem formas diferentes Isso não é um tema que tem uma resposta única mas assim é a compreensão que eu tenho a luz de tudo que eu já li é que classificação é uma coisa natural ao ser humano o ser humano é um ser classificador então ele classifica as coisas O problema é se não é nem a classificação dela a gente classifica agora o problema é a classificação quando isso vem enrolado atrelado ao estigma que você coloca todo um grupo humano todo um segmento num lugar de experiência num lugar de incapacidade então classificar é uma coisa própria do ser humano o ser humano classifica o que é O que é abrigo O que é bom o que é mal Isso faz parte do ser humano Talvez seja tão antigo quanto o ser humano é faz parte do que a gente é o problema é quando vem essa classificação construindo um conjunto de interações de exclusão Eu acho que o grande ponto pra gente é esse não é porque classificar as pessoas ah eu sou mais alto que o outro o outro é mais baixo o outro é mais gordinho o outro é mais magrinho a pele de um é mais escuro que a pele do outro bom são constatações o momento que a constatação vira uma construção teórica sobre o outro sobretudo depreciando é o momento que a coisa fica perigosa né E aí os usos disso são os mais variados são os políticos são sociais são os econômicos são usos para a formação de exclusão histórica né no caso como você falou aí o caso do nazismo Tem uma função específica disso aí que é uma questão de tradição né de apegar uma tradição de pegar uma tradição de origem né raça Ariane enquanto uma raça que é mais forte que é mais capaz então tem usos políticos mas caso ficar por classificar é um elemento constatatório natural do ser humano a gente tem com enquanto seres humanos de forma muito natural a ficarmos a classificarmos entre meu grupo e o outro grupo então o meu grupo são pessoas semelhantes a mim são pessoas que têm qualidades parecidas características parecidas comigo e eu naturalmente né a olhar para outra pessoa que é diferente classifica o outro como um outro grupo como um ser a parte então você falou que no início sobre racismo também na Europa mas existe também racismo na África né Eu sou digna abissal eu nasci guiné-bissau não sei muito sobre guiné-bissau porque eu vim morar em Brasil no Brasil quando eu era pequena a minha identidade cultural também é brasileira eu acho que é mais brasileira na verdade mas eu sei algumas coisas então inebissau é um país muito pequeno nós temos aí cerca de 1.400 pouco mais de 1.400 habitantes mas tem de 27 a 40 grupos étnicos no continente africano existe muita variação existe também racismo existe racismos por exemplo com relação ao que o Igor acabou de falar de algumas etnias que são mais baixas que a outra e que no período da Guerra ela sofreu mais algumas etnias que tem sei lá a cabeça um pouco mais achatada que a outra tem a preconceitos raciais com outro por causa dessas características e é importante trazer para o contexto Brasileiro né o racismo aqui tá muito mais relacionadas questões fenóticas ao fenótipo negro onde as pessoas classificam como algo ruim então a questão da classificação não é um problema em si como o Igor falou a questão é que quando coloca uma pessoa que tem uma característica diferente como algo como uma posição inferior aí Que Nós entramos no programa do pecado Talvez para terminar que esse ponto mas tem uma coisa relevante aí que falou sobre o racismo em África e que serve para a gente puxar a discussão da formação do colônias aqui no Brasil e na América do Norte que é o seguinte esse tipo de exclusão como a gente já mesmo falou é tão antiga quanto a própria humanidade mas a grande ponto aqui é que depois da expansão comercial europeia é os próprios povos africanos eles se apropriaram dessa categorização europeia branca que se era pretensavelmente Universal e quando a gente vai chegando mais próximo do século 19 ali a gente vê também uma certa tomada de consciência nas fontes dos próprios das próprias lutas ali entre africanos de que cara isso é um problema porque além das classificações que ele já tinham para excluir é um grupo étnico de outro eles estão se excluindo com base num critério que vem de fora que vem da Europa e passou a permear aquele ambiente também e fica uma coisa um tanto quanto a princípio confusa de entender porque a gente aqui na América no centro aqui no senso comum Colonial é a gente tá acostumado só com um branco e preto basicamente né a gente se distanciou dos critérios de exclusão que talvez operassem entre os indígenas no Brasil que são nativos gente não tem muito esse Tato no senso comum mas na África nem tanto então eles percebem bastante isso que além desses critérios que já existiam eles passaram a fazer parte de um conjunto em que às vezes esse critério europeu passou a ser um normativo Então o que a Jacira falou do da cabeça mais achatada e tal isso tudo vem já de uma de uma base do Darwinismo Social e tudo mais do início da antropologia moderna que tentava fazer essas analogias e isso acaba se mesclando com com bases que estão ali presente na própria África ou até mesmo no caso aqui da América em que o Davi Essa visão da Eugenia da vida social ela acaba sofrendo adaptações por conta dos critérios de distinção de cor que já existiam aqui é no Brasil e na América Espanhola então elas têm uma dinâmica muito diferente do que acontece nos Estados Unidos e na Europa então para resumir as formas que o a gente percebe a manifestação do racismo elas não são uniformes elas não são médicas elas acabam se cruzando muito das vezes e isso torna a situação muito mais complexa porque a gente eh às vezes pequenos detalhes nos mostram que existe uma base uma base racial por trás ou até mesmo assista nesse sentido mas ao mesmo tempo porque é só um detalhe parecia algo tão natural tipo ah então implicando com isso é só o cabelo assim a gente tá falando só do cabelo é só do nariz não é nada demais esse tipo de coisa [Música] que você mandou super bem No próximo tópico da nossa conversa né eu podia copiar você e achar que eu que tava fazendo essa pergunta maravilhosa mas não foi você que levantou a bola então por gentileza pra onde a gente vai aqui nesse podcast porque assim pra galera entender que a gente deu só essa introdução e agora para nós entendermos essas diferenças e tal de racismo que acontece Aqui Acontece lá mas como é que você tinha sugerido para eu perguntar sensacional é agora basicamente seria eu tô fazendo papel de Bíblia aqui gente foi levado muito bem né Muito bem Olha aí é uma patente nova inclusive no podcasts agora eu sou General bíblico então basicamente a gente pensar como é que essa operação do racismo ela vai ser transportada para as relações Americanas como é que ela vai ser desenvolvida e construída aqui nesses ambientes coloniais com essa presença massiva de pessoas oriundas da África então pensar nisso historicamente e também fazer essa escapulação aí essa projeção melhor dizendo para o presente como é que foi isso como é que foi esse processo colonial e de que forma isso ajudou a estruturar essas Relações raciais estão confusas e até perversas que nós temos no presente aí caraca e aí tu fez a pergunta e vocês respondem inclusive você mesmo por favor responda sua própria provocação três exemplos aqui um deles a gente não vai abordar que é o Caribe mas é o seguinte a quantidade de a quantidade e alocação desse contingente de africanos que chega na América por conta do tráfico ela importa pra gente entender a dinâmicas porque Brasil Estados Unidos e Caribe foram os três principais portas chegada dos cativos e no caso Dois Estados Unidos de forma geral eles ficaram alocado no que a gente chama das grandes plantações plantations fazendo de algodão de milho essas coisas no Brasil já existe um número continente bem maior de Africanos aqui no episódio sobre o macaco aí o divino mestre a gente até Falou dá um pouquinho das diferentes relações de emprego mesmo porque o bacá chegou a ser ajudante de feira então quebra um pouco essa imagem da lavoura da Senzala que as pessoas normalmente carregam e o Caribe tinha uma não tinha um contingente muito grande de Africanos Mas tinha uma proporção enorme eu me lembro que no século 18 na Jamaica proporciona de nove negros para um branco assim era uma coisa que não tinha nem nos Estados Unidos e nem aqui no Brasil esse tipo de proporção então isso explica também o quanto a revolução haitiana foi impactante para para mentalidade africana porque em proporção uma quantidade enorme de gente negra numa condição de servilidade é uma minoria da minoria Branca ali na nas colônias no Caribe e sempre girando em torno do do cultivo de Açúcar era isso era muito era muito marcante no Caribe diferente um tanto dos Estados Unidos e principalmente do Brasil em que as atividades nas quais os negros foram inseridos eram bem eram bem mais diversas dependendo do lugar então assim isso já é um primeiro ponto a quantidade de cativos e onde eles foram alocados já é um ponto de partida para a gente perceber as diferentes dinâmicas que surgem daí eu acho que cabe muito estudo aqui né como willa falou da contabilidade no período da escravidão que é um estudo que não é tão explorado no campo contábil é mais da parte qualitativa da contabilidade Geralmente as pessoas venham a contabilidade mais no estilo quantitativo é tanto que aqui no Brasil só tem praticamente uma universidade que você não tem enganada é a Universidade Federal de Santa Catarina que trabalha com contabilidade numa perspectiva qualitativa geralmente universidades federais aqui no Brasil quantitativo mas aí quando a gente olha dos dados aí que o Léo inclusive trouxe para o Brasil foram trazidos quatro a cinco milhões de negros africanos e para os Estados Unidos foram levados cerca de 400 mil Então a gente tem uma proporcionalidade muito maior tem um site chamados imagem dos escravos é um banco de dados online com relação a dados mesmos que eles mapearam de quantidade de pessoas que foram trazidos e também com relação a porcentagem de homens porcentagem de crianças a proporcionalidade de pessoas que foram embarcadas a proporcionalidade de pessoas que desembarcaram quantos morreram nesse trajeto Porque é importante também entender que passava-se muito tempo no mar vários deles alguns deles se suicidaram vários deles acabavam morrendo por causa das condições que eram colocados nesses navios que eram condições precários e vários deles morriam de doença enfim e a minha pesquisa é com relação também essa questão dos Mortos durante a viagem que se você for olhar lá nos leva o banco de dados e começa o Transatlântico de escravos você vê que existe uma porcentagem grande também de pessoas mortas e isso não era bom para os investidores nessa época se chamava de no tráfico negreiro que eram é o senhor de escravos então toda essa mercadoria entre aspas perdida ela era algo que pesava no bolso desses investidores então com relação a essas questões de dados mesmo e proporção Para se entender bem inclusive com relação a homens mulheres crianças que eram trazidos Para se entender como foi feito esse esse movimento Eu acho que o site leve Voyage é um mais indicado e o mais completo nesse sentido só para complementar aquilo que vocês estão falando aqui eu acho interessante também como a gente será falando dos investidores trazer rapidamente né uma coisa que muitas vezes é ignorado que é como a Europa inteira participou de maneira direta ou indireta desse tráfico muitas vezes a gente olha como vindo de um país que foi colonizado somente será para Portugal Espanha e Inglaterra né E no entanto nós por exemplo diversas famílias italianas como a família de Médici tantas outras ativamente participando financiamento dessas viagens de capturas de escravos então era realmente um tráfico um comércio extremamente rentável à época e que enriqueceu a Europa como vários países europeus né e não somente os países que talvez estavam diretamente envolvido isso é tão verdade que existem nessa mesma época de 1.600 assim diversos quadros em que da nobreza europeia que morava na Europa então não estavam aqui no continente americano ele sendo servidos por diversos africanos né esses quadros que representam então a gente vê também uma presença dos escravizados africanos na Europa alguns iam para lá também servir essa nobreza além de enriquecer de todas as formas essas grandes nobrezas europeias aqui como a gente falou Ela traz o impacto demográfico gigantesco então assim a dinâmica social e relações sociais elas transformadas para sempre de fato é isso para sempre como o próprio Léo colocou você tem uma toda uma formação Econômica em torno dessa mão de obra que inclusive faz com que essa sociedade sejam conhecidos como sociedades escravistas ou seja sociedade sem as quais Mas quais melhor dizendo você não consegue desenvolver nada sem a mão de obscada então a mão de obscava é a base ela é o fundamento para o desenvolvimento social Então se a gente acaba dando noite pro dia por exemplo essa sociedade estravam elas travam porque porque esses africanos eles produziam rigorosamente tudo desde o setor de serviço a construção civil tudo que você pode imaginar depender dos escravos e isso ajuda Inclusive a gente a montar uma nova percepção sobre a operação a presença e o legado técnico cultural dos africanos porque porque geralmente a imagem que se passa pra gente é como se o africano fosse alguém incapaz o europeu alguém completamente capaz e que o africano era ensinado pela Sapiência europeia e na verdade muitas vezes o europeu que é o diretor da mão de obra não sabe nem produzir nada e ele depende do africano com as suas competências prévias produzidas da África para produzir alguma coisa quando você muda essa percepção quando você estabelece essa forma perspectiva Isso muda o seu paradigma porque você começa a perceber que na verdade a o saber muitas vezes técnico está na mão desses africanos né E aí como eu falei Essa cidade é filtrada a partir disso e tem todo uma narrativa de exclusão que vai ser perpetrada para poder legitimar as diferenças aí entre os livros e os escravos e portanto nesse caso específico entre os brancos e os negros que até o fenômeno curioso que já foi trabalhar para os criadores é que eventualmente Quando surge um escravo Branco a sociedade se compadece nesse indivíduo isso é possível às vezes rolamento a partir de intercooter sexual forçado né então o sexo não consensual e muitas vezes essas mulheres escravas Têm filhos mais claros Mas eles são escravos né E aí a sociedade se compadecem compadecimento né Muito como parece hoje em dia né aquele a pessoa que se compadece do mendigo que é bonito né o cara é bonito e branco ele não pode ser mendigo né O resto tudo bem né O resto é mendigo né Faz parte tá dentro do Repertório estético comum mendigo eu sei que pode parecer chocante eu falar isso mas eu tô querendo ser provocativo mesmo cara não é não é Teve um caso desculpa agora um assunto muito aleatório mas aconteceu no Brasil Exatamente exatamente cara não pode ser mendigo Ah então os outros podem então o problema da sociedade não é meio de câncer é quem é que tá na mente de câncer então na mesma maneira como o problema da sociedade brasileira não era escravidão é quem tá nela Então o negro africano afrodescendente ele ele ocupa esse lugar e naturalmente isso vai criando obstáculos para as suas vidas de modo que tanto da sociedades Americanas como do Caribe como na América do Sul no caso tinha no Brasil aqui que é a maior sociedade escravista das Américas colocou 5 milhões de pessoas numa montante de 10 11 milhões então quase 50% do Brasil é nessa sociedade mesmo depois da libertação os obstáculos permanecem porque o o preconceito que é construído essa diferença construída não se desfaz sobre lógica de lei né você não não impede a frequência da Explosão pela de uma Norma simplesmente porque as pessoas continuam odiando continuam rechaçando continuam construindo uma ideia de inferioridade né de um ser primvo de um ser selvagem e muito bíblico inclusive reforçado por uma filosofia Iluminista gestada na Europa você pega os escritos por exemplo de desde autores para iluministas até chegamos iluministas aí pensando por exemplo rede eu e Cante você vê cara que faz em contribuições importantes para a filosofia ninguém tem dúvida disso mas que por outro lado reforçam o paradigma do da África atrasada e do negro incapaz né Eu acho que é o próprio Cântico que fala que nunca conheceu dentre os negros deportados E aí muitas aspas né traficado O cara tá usando um termo fofo um negócio pesado dentre os negros deportados nenhum que mesmo livre ou seja mesmo depois de alcançar a liberdade demonstrasse alguma competência para as artes Então você imagina que como isso fortalece um estigma um estigma da cor fazendo aqui né uma alusão o estigma da raça que vai ser perpetuada na sociedade e aí obviamente mesmo diante da Liberdade que uma liberdade jurídica você não tem muitas vezes nos Estados Unidos no Caribe no Brasil a penetração desse cara como um sujeito de direitos né que é a segunda exclusão né porque uma exclusão jurídica cara escravo mas não quer dizer que o fim da escravidão significa a inserção desse indivíduo porque Liberdade não é apenas um traço jurídico é um traço de pertença de possibilidade e de penetração em ambientes e de usufruto de uma vida melhor mais pacífica e também com bens culturais e materiais [Música] [Aplausos] [Música] o Igor tava falando desse sistema aqui de exclusão que tem nível jurídico institucional é agora um bom momento da gente começar a perceber as diferenças entre América do Sul nosso caso aqui do Brasil e América do Norte que o que acontece é o seguinte a gente sabe que os pioneiros da exploração Colonial foram Portugal Espanha e isso permitiu uma certa margem de manobra para eles porque entre aspas tinha mais territórios disponíveis para serem conquistados tinha muito mais coisas explorada tinha mais novas rotas entre apostas comerciais a serem estabelecidos e quando a gente vai falar de quem colonizou a América do Norte no caso Inglaterra França e Holanda Eles já dão start na colonização um pouquinho depois e ao mesmo tempo que eles não têm a vantagem da margem de manobra que Portugal e Espanha tiveram eles enfrentaram outros tipos de dificuldade que é o seguinte eles são menos territórios disponíveis nesse sentido não dava para o caso da Invasão Holandesa aqui no Brasil é bem tipo bem exemplar dissollandês quisesse vir para América do Sul ele tinha que entrar em guerra com Portugal não era chegar aqui e montar ali um interposto comercial e tentar negociar ou invadir o território de uma Nação Indígena só ele tinha que enfrentar o império Português E além disso ao contrário de Portugal Espanha as localizações que entre aspas sobraram para Inglaterra França e Holanda era um espaço que não tinham um contingente indígena muito grande ou organizado porque se a gente for pensar no caso da Espanha onde hoje é o México e peru tem o império Asteca e o império Inca Então os cara já chegam com um reino estabelecido organizado com lógica própria muita gente ali vivendo debaixo de um mesmo tipo de poder outros querendo resistir a esse poder imperialista algo que é o que não acontece com esse tipo de de importância no caso da América do Norte e como é que se desenrolam as situações aqui tem um Historiador aliás dois que falam bastante disso é o Anthony pagdan E o John Elliot o que que eles vão dizer diante desse cenário aqui na América jurisdição espanhola e Portuguesa ela precisou lidar em Como inserir esse contingente enorme de pessoas na estrutura Colonial porque não dava para negar que andava para negligenciar essas pessoas porque elas eram muitas então surge Aliás adapta-se o que surge na reconquista espanhola que é o sistema de A Lenda de Sangre a legenda de cor legenda do sangue que inclusive Alguns vão até especular que é daí que surge aquela gíria fulana Sangue Bom que é o seguinte existe um critério para você estabelecer Quais pessoas estariam no topo da sociedade e de acesso aos recursos e quais estariam na base esse topo é garantido se você tem se você tem ascendência cristã ou nesse caso se seus pais não são os Cravos africanos ou se eles são muçulmanos ou se eles são judeus a base da perseguição aos judeus na inquisição espanhola Inclusive a partir disso E aí quando chega aqui outro Gal Espanha indígena nessa equação e o negro ele tá no fundo dessa escala porque tem a premissa que o indígena ele se foi evangelizado é o bom nativo então ele se converter e o negro por conta do contato ali com os povos ao norte da África ele rejeitou o cristianismo e abraçou o Islã então isso já colocava o negro um pouquinho mais o fundo dessa escala e o que aconteceu nos Estados Unidos foi o seguinte criou-se uma espécie de jurisdição que era menos focado nas pessoas e mais na terra e na propriedade Então os nativos e os africanos que chegam para o sistema escravista eles vão ficando na margem porque o sistema ele tá focado na garantia de propriedade e de terra aos colonos europeus então isso gera algumas tensões que a gente até brincou em off da colônia de férias aqui da colonização portuguesa ou da escravidão ser mais branda no Brasil porque a gente tem quadros como um famosíssimo do The Break tem um senhor um senhor de cravos e a esposa dele comendo uma mesa e tem vários negros ao redor ali na casa e parece tudo muito Pacífico mas ao mesmo tempo esse quadro ele é muito revelador porque a gente vê um negro na portaria da casa a gente vê o negro abanando os senhores a criança negra brincando aos pés da senhora negro servindo os senhores mas estão em todo lugar menos em um que na mesa e isso revela como esse esse racismo funciona no Brasil de forma diferente no caso no caso americano inglês/-americano em que os negros Eles foram sendo empurrados para margem por conta do sistema jurídico que foi se construindo para tentar colocar e determinar os lugares de brancos e não brancos nas colônias se a gente for comparar Então essa realidade exclusão pela lei que veio acontecer nos Estados Unidos a gente pode falar que no Brasil foi tão bem feito que não precisou de lei e de fato na Constituição de 1924 que era você percebe que a cidadania brasileira lá vocês podem ler os artigos ela é relegada o estrangeiro que nasce aqui o descendente de europeu fala desculpa eu falei 1924 mas é 1824 né então tem uma descrição de quem são os súditos do Rei são os filhos de estrangeiro que nascem aqui e tem na descrição e a constituição é muito clara para o negro para o escravizado africano né que muitas vezes era chamado de africano para ele ele não é nem estrangeiro ele não é súdito ele não é cidadão então assim essa constituição ela faz ela é muito emblemática daquilo que acontece vai acontecer no Brasil até os dias de hoje para o negro é relegado do silêncio e a insegurança jurídica porque ele não era o Sud ele não era um cidadão ele não era um estrangeiro nem aqui sabe não tava nesse status de estrangeiro como outros estavam e aqui eu tô citando né é um analista de discurso Fábio Ramos Barbosa Filho esse professor da Federal do Rio Grande do Sul ele mostra como aí só que o negro africano mesmo sem aparecer nas leis e nenhuma definição nada ele aparece em alguns momentos né E que são em processos judiciais e descrições da polícia de quando ele se comportavam mal quando eles fazia E aí a Revolta dos Malês na Bahia é o grande exemplo disso então quando que o africano ele vem a ser um sujeito somente em Altos da polícia somente em descrições ah hoje foram presos tantos africanos porque estavam de turbando a ordem pública e não sei o quê então é esse ser humano que é como a Jacira falou muitas vezes contabilizado com uma mercadoria só que quando ele é tratado para criminalidade ele se torna um ser humano é porque é um animal não pode cometer um crime uma mercadoria não comete um crime E então a gente vê que esse status que veio acontecendo no Brasil depois ele vai ser ainda mais formalizado quando realmente as teorias raciais aí eu tô indo num século na frente quando a teorias raciais que o Leonardo o Igor tava falando antes que se misturam com a Teoria da Evolução realmente encontra no Brasil um solo fértil e aqui eu tô falando do movimento higienista e eugenista dos anos 20 dos anos 30 1920 1930 e aí eu até recomendo né Se alguém quiser ler o espetáculo das raças ela faz uma muito bom de como que nasceram as primeiras instituições científicas e museus do Brasil e todo esse Nascimento dessas instituições científica ela ele tem tudo a ver com teorias raciais que estavam muito em volta naquela época e qual que era o problema desses médicos que Teoricamente eles queriam solucionar problemas de saneamento problemas de higiene que existiam diversas doenças né no meio dessa população tão grande então e relegada a si mesmo eles tinham um problema o Brasil esse país dos trópicos não se desenvolve e aí a explicações que eles achavam era aqui deve ser o calor dos trópicos que faz com que o branco que vem aqui não consiga se desenvolver deve ser a miscigenação porque aquela ao fim da escravidão né No começo já fazia uns 40 anos que a escravidão Já não existia mais a população de classe mais baixa era já muito miscigenada então a miscigenação para alguns desses médicos era visto como um problema para alguns era visto como uma ponte de saída e aí a gente vê aqui até a diferença que aconteceu nos Estados Unidos que foi uma exclusão E aí uma subsequente segregação e aqui a uma uma Fingida né inclusão do negro mas inclusão como por meio da miscigenação e por meio do apagamento de quem ele era de quem ele deveria ser E aí tudo isso assim lá pelos anos 40 é todas essas teorias eugenistas elas vão caindo mesmo assim parece que na ciência não não pegou o pé mas isso ficou no Imaginário brasileiro no subconsciente na cultura mesmo na cultura que a gente sempre acaba tendo que falar que a democracia racial é o mito é que é muitas pessoas chegam e fala ai eu não vejo o dente diferença entre negro e branco as pessoas muitas pessoas querem falamsamente que vão casar com branco para branquear a família então na cultura popular não imaginaram popular do brasileiro todas essas teorias raciais dessas pessoas que com certeza não leram os médicos higienesis que eu tô falando aqui só que tá aí presente numa cultura e isso afeta né até hoje essa grande Negra miscigenada e não branca que tem no Brasil eu vou juntar o que Ana falou com um ponto que o Igor levantou lá atrás de que legislação sozinho não muda essa essa situação eu vou resgatar um exemplo do século 18 que é um documento que eu cheguei na minha monografia que é o a carta do Marquês de Pombal para formação da companhia Geral do comércio dos Vinhos do alto Douro que fica na cidade do Porto nessa carta ele diz o seguinte Olha a gente tem que dar um jeito de incluir comerciante judeu judeu tem dinheiro para caramba e ele tem que fazer a parte disso então para fazer isso eu vou eliminar por lei uma coisa chamada de efeito mecânico que é o seguinte é a compreensão de que aqueles que são do sangue ruim que são do sangue manchado eles é só as pessoas destinadas aos trabalhos indígenas trabalhos manuais dos quais estão envolvidos é o trabalho na lavoura o trabalho nas oficinas de artesanato por causa das manufaturas e o comércio do qual os judeus eram um grande parte em Portugal mas o que acontece mesmo com essa com esse com essa decisão de acabar com defeito mecânico por lei Existem várias consultas ao conselho Ultramarino de gente reclamando que queria contratar judeu depois chegava lá as pessoas bloqueavam essa contratação por conta do efeito mecânico com o negro a gente vê isso com a ordenação de padres o negro serve para Ser coroinha serve para limpar igreja serve para abrir porta mas quando o negro quer entrar no seminário não pode porque é defeito mecânico ele tem ascendência escrava a família passada dele trabalhou de forma indígena Então não vai poder servir a igreja e esse tipo de coisa fica enraizado a ponto de ter um outro Historiador que fala desse momento higienista que a Ana tava comentando que é Jerry Davila que ele vai dizer que no Brasil essa questão do Darwinismo Social ela pegou essa característica mais fluida dessa distinção de cor do defeito mecânico em que o negro ele poderia se enriquecer e o branco ele poderia se enfretecer se ele fosse mais exposto aquilo que era entre aspas degenerativo que era intrínseco a raça negra então isso esse tipo de coisa de o negro Só serve para o trabalho manual por exemplo explica uma frase que eu vi que preto Só serve para ser diácono na igreja só serve para ver a porta da igreja não serve para dar aula porque tá mais ligado os trabalhos manuais então assim é porque o cara lá era diácono negro e fez uma besteira assim bobagem assim foi apagar a luz e acendeu não sei o que aí alguém soltou essa lá não pode é uma dica é uma adaptação daquele xingamento Ah só pode ser isso mesmo normal não normal não que é uma a gente aprende né É um tipo de xingamento é recorrente exato normalmente vem acontecendo pode deixar editor não tenho medo não eu falei errado e é isso mesmo é recorrente normal porque é recorrente cara ele fez essa adaptação né Tipo ele não tem consciência disso tudo desse pano de fundo histórico conceitual que a gente tá trazendo Mas uma vez que eu como Historiador tem isso aí é o defeito o tal do defeito mecânico que o negro Só serve para fazer trabalho manual e isso vem antes do Darwinismo Social e quando chega o genismo aqui no Brasil essas coisas elas vão elas vão se adaptando então isso são exemplos de que só legislação não muda eh a cabeça das pessoas Ô gente barra aqui desculpa aqui eu sei que tem Igor na fila aqui mas é quando vocês falam esse higienismo eu queria agora que vocês definem acho que já foi definido aqui na conversa mas só pra galera entender né O que que é esse higienismo aqui no Brasil e se teve isso lá nos Estados Unidos e assim em definições bens e bem enciclopédicas como é que a gente definiria esse higienismo e tal aqui e lá no começo do século passado lá nos anos 20 nos anos 10 começaram a acontecer diversos congressos científicos internacionais financiados por diversos instituições de pesquisa e tudo é em que se tentava entender qual seria o futuro dessas Nações colonizadas eram congressos de medicina era um congressos científicos e aqui no Brasil existe o movimento higienista médicos e genistas esses médicos eugenistas e assim o que acontece é que eles misturavam diversos questões que para eles eram estritamente científicas a questão do saneamento básico Brasil questão de doenças que existiam febre amarela doenças que pegavam a população era realmente um movimento de conjuntos de médicos espalhados pelo Brasil e junto com isso eles tinham também essas teorias eugenistas porque eles eles achavam que estavam fazendo isso hoje a gente leu os discursos dele a gente pensa meu Deus que que é isso que eles estão falando estão misturando a raça e aí ele por exemplo para eles o mestiço ainda que ele não era tão ruim quanto negro né assim mas ele ainda era muito dócil muito emocional é fazer com que ele não conseguia se desenvolver e tudo mais então eles misturavam todas essas esses conceitos raciais que hoje a gente sabe que não é assim com outros conceitos que tem a ver assim com saneamento e isso no próprio livro do engajamento cultural tem um artigo que ela é afundadora do Judy pro E aí no antigo Ela começa falando sobre essa questão de que só a legislação não muda a existência do racismo ela fala que mesmo nos Estados Unidos mesmo sendo criado assinatura da declaração de que todas as pessoas são criadas iguais ainda assim esse ideal não foi levado para a prática ela começa o artigo dela falando sobre isso no artigo dela os desafios do racismo dentro das igrejas evangélicas E isso se aplica também a realidade brasileira tem o uma provocação que o Laurentino Gomes Ele fala numa entrevista que ele deu ao jornal é o país dizendo que no Brasil é necessário uma segunda Abolição na verdade que a primeira Abolição não integrou de forma Total os negros africanos na sociedade brasileira E aí ele também fala que abre aspas se você quiser entender o Brasil é uma dimensão mais profunda precisa estudar a escravidão tudo que fomos no passado porque somos hoje e que nós gostaríamos de ser no futuro tem a ver com a escravidão então é o que os meus colegas já falaram dos meus amigos já falaram aqui sobre a questão da escravidão se manifestando aqui no Brasil dos negros estarem em posições de base eu acho que até interessante a gente trazer aqui eu não sei se os meus amigos concordam comigo mas eu acho que existe sim a brasileira que é a lei dos Estados Unidos do Apartheid dos separatismo eu acho que funciona o Brasil como Ana falou foi feito de uma forma tão perfeita aqui no Brasil que não precisou nem de leito já tá muito bem institucionalizado então Teve um caso recente aí do humorista é de Júnior que sofreu racismo na sua residência de São Paulo né na zona oeste de São Paulo a sua vizinha expulsou ele não queria que ele pegasse o mesmo elevador que o Ed e também deu ofensas racista injúrias raciais tanto aconteceu o racismo que ele não ela não queria que eles tivessem o mesmo espaço Quando aconteceu as injurias raciais e mesmo esse caso tendo acontecido dia 12 de Outubro né já vai fazer quase um mês mesmo ele tendo denunciado a essa questão do racismo que ele sofreu na delegacia ainda assim até agora não foi feito nada e o que que eu quero dizer com jink Crown é brasileira Aqui nós temos aí lugares bem específicos onde as pessoas reconhecem que os negros estão e lugares onde os negros não deveriam estar Então essa vizinha do Eddie ela simplesmente viu ele nesse local que era uma zona de São Paulo e entendeu que ele não deveria estar nesse lugar basta a gente encontra pessoas negras quando a gente tá nesses espaços é mais ricos mais eletizados a gente percebe pelos olhares as pessoas não reconhecendo como se fosse um local próprio para nós ou mesmo uma pessoa falando mesmo então eu acho que muitas coisas que foram feitas aqui no Brasil não necessariamente a partir de lei a como aconteceu nos Estados Unidos de uma forma mais explícita digamos assim mas que está na realidade brasileira [Música] eu acho que tem coisa importante que ela trouxe aqui sobre as coisas tem que se debruçar que é basicamente a ideia de como ela falou lá nos Estados Unidos tem uma para quem não sabe o que é isso são conjuntos de leis senegacionistas são leis que formalizam a separação espacial internacional específicos mas lá você tem isso formalizado nos Estados Unidos eu tenho um bairro do negro específico mas tem né não tá formalizado o bairro do negro mas ele tá lá então todo mundo sabe onde é que é então a gente tem semelhança de sair e até interessante ver isso tem filme pensar sobre a questão americana como o filme que mostra como ele vence na Alemanha nazista mas quando ele volta para casa ele encontra os mesmos obstáculos que ele encontra velocidade como alemã né Bom enfim lá nos Estados Unidos tem essas leis Então são leis que obstaculam a presença Negra nas coisas que impedem que interditam formalmente no Brasil nós não temos uma lei Então como a gente tava falando você não tem uma lei que formaliza a separação do negro muita gente tá como é que fala assim ah o negro era proibido de entrar na escola não era no Brasil foi habita na escola o negro e o branco o governo na mesma escola o negro não era proibido de entrar no mesmo hospital o negro não era proibido de de frequentar os mesmos espaços você não tem essa proibição no Brasil é o negro não podia votar não havia nisso na República Brasileira é tão pouco no império quem não pode é o escravo os cara na condição jurídica alguém pode fazer aqui a né interdição não mas pô o negro é escravo nem todo negro você tem um negro no entanto há desfeito disso embora não tenhamos uma lei de enrole que crie uma interdição formal aos negros o conjunto relacional o conjunto das interações podem ser interditas porque porque eu sempre falo isso é permissão não é o mesmo que acolhimento permitir que um negro esteja no mesmo espaço que o branco não significa que ele será acolhido de igual maneira e exemplos históricos nós temos variados por exemplo a gente tem o Thomas holloway que faz um livro sobre a polícia no Rio de Janeiro a polícia na corte uma coisa assim que trata sobre o século XIX ele fala que sobre os negros recaia uma espécie de suspeição generalizada ou seja o negro tá sempre sob Suspeita você tá vendo um negro com algum grupo tá fazendo alguma coisa já tem suspeita então assim não é a mesma coisa com branco então existe uma suspeita constante de que o negro pode estar o quê tramando se articulando projetando alguma coisa houve uma reunião de negros temos que saber o que é porque há riscos incluídos nisso aí mesmo que sejam negros Livres não importa né Mesmo que seja um cristãos porque eu falo mesmo aqui não porque eu concordo com isso mas porque é uma sociedade brasileira cuja religião oficial era aquele contexto é o catolicismo né Não importa eles estão reunidos existe um medo aqui o segundo exemplo histórico que a gente pode citar é a questão das escolas que é um exemplo que eu estudei particularmente tem a ver com a minha doutorado que a ideia da inserção do negro nas escolas públicas e nós encontramos nós encontramos negros nas escolas mas o que que a gente percebe também denúncias dos Pais indicando que os meninos brancos e meninos negros não convivem bem porque os pais dos meninos brancos não aceitam muito bem porque o professor não trata muito bem então é possível as pessoas no mesmo ambiente terem acesso a Dois Mundos completamente diferentes é que a gente tinham até na escola de currículo né currículo não é só o que se ensina é o Como se ensina é todo o conjunto de intencionalidade subjacente é o que se ensina Então vamos dar um exemplo aqui toda uma sala de aula tô com um bico que é mais clarinho tô com a Jacira que é mais escura né Então as duas pessoas juntas então na mesma sala o bico não faz uma pergunta eu sou atento ao vivo eu e aí por que que você quer perguntar fala para mim não vou te emprestar o livro não sei o que pararácido depois faz uma pergunta Espera aí já sei eu tô ocupado aqui então a jacia tava no mesmo espaço mas ela não tem acesso ao mesmo universo ou seja duas pessoas no mesmo ambiente podem ter acesso a currículos completamente porque porque a interação que o professor estabelece com um e com outro é diferente porque eu olho pro Bibo e eu vejo um potencial médico e eu olho para Jacira eu não vejo isso então a forma como eu represento eles no meu Imaginário muda a forma como interaja com eles e a grande provocação que eles tem que fazer aqui talvez nesse que seja se eu tiver enganado pode me corrigir nosso último episódio da semana da BT Week é o seguinte Será que isso também não é operado nas igrejas Será que isso também não é realidade institucional de Muitas igrejas ninguém tá impedido negro de entrar na igreja ninguém tá impedindo não tá impedido no sentido de que tem uma carteirinha né que eu olho assim ó você não está no meu né no meu colometro né impedido de entrar você pode entrar beleza mas será que Os cultos que essas pessoas estão recebendo são as mesmas coisas será que as interações com a instituição com as pessoas com a pregação do evangelho com louvor é a mesma interação será que as palavras as vezes não são muito racialmente despreocupadas de modo aferir pessoas porque a gente pode falar não preconceito foi nos Estados Unidos tem aquela de 60 comex e lá tinha aquele impedimentos não podiam entrar nas igrejas não podiam frequentar Ok light tem isso aqui a gente não tem nessa modalidade Mas será que o usufruto da Liberdade negra é rigorosamente igual a liberdade branca e essa que a gente pergunta então na minha concepção particular o Brasil ele é sofisticado no pior sentido o Brasil é sofisticado no livro de uma perversidade porque porque a gente consegue operar o nosso racismo aqui sem assumi-lo ele não tá assumido ele tá no gestos Ele tá nos olhares Ele tá nos comentários ele tá nas sugestões matrimoniais ele tendo uma série de coisas mas ele não existe porque porque ele não tá formalizado então o Brasil ele conseguiu fazer uma coisa incrível ele consegue apontar os defeitos das demais Nações americanos essa persistência não raciocinar nos Estados Unidos terrível aqui no Brasil no Brasil a gente não tem isso mas eventualmente escapo eventualmente ele aparece eventualmente nos símbolos nas práticas ele tá ali presente então como a jacê falou mas não temos uma lei de um cruel mas nós temos sim uma permanência das práticas que De algum modo denotam que o racismo ele tá entra isso que é difícil quando uma coisa está entranhada você não nota ela já tá naturalizada você tem aquela aquela ferida né como a gente fala até esqueci como é que é o termo né que tá ali mas que a gente não sente mais alguém pode até me ajudar aqui que cauterizou né já catar cauterizado Então tá ali mas não tá sentindo e o Brasil é esse caso e nós como igreja temos que pensar nisso também assim que eu comecei a frequentar a Presbiteriana e falei assim OK sou calvinista vou entender melhor como é que funciona e aí eu tava pedindo texto para uns amigos e mandaram um que estava analisando neopentecostalismo E aí eu vou ler um trecho aqui do texto que a crítica dele é o culto pentecostal e esbarra no Pentecostal também é um misticismo e ele vai dizer qual é a origem desse vai dizer que basicamente a Cosmologia não Pentecostal brasileira é sincretizada pelo cristianismo europeu animismo dos índios e feticismo dos africanos Qual que é o problema que desse desse texto tá não é que animesul ou feticismo seja um conceito que a gente não não posso usar a questão é o seguinte é o texto aqui isso aqui ele resume uma linha do texto de dizer que a teologia reformada ela tá ligada a razão ao aquilo que é ponderado aquilo que é moderado aquilo que é sistematicamente estabelecido ao que é ordenado e depois o autor ele vai conectar a duas categorias duas raças traços inerentes animismo 2 índios feticismo 2 africanos como se não tivesse religião alimenista na África e aí oculta no início né porque talvez dependendo do conceito de religião a gente tem a problema então é o seguinte o cara ele tá olhando para isso aqui dizendo Olha se você é negro e receber por exemplo um culto no culto lá de missões um pessoal da África vestido caracterizado tocando os atabaques exóticos pode mas se os africanos da sua igreja querem fazer isso não pode porque fere a ordem do culto entendeu é esse tipo de coisa que a gente tá falando aqui isso acontece também fora da igreja pelo exemplo que a Ana trouxe do higienismo porque falando juntando com o tema que a Carol Igor que a educação nas reformas de educação do estado novo a gente vê muita coisa assim queremos professores uma educação mais racional uma educação mais técnica mais competente Mas isso é aquilo que são termos a princípio neutros mas quando a gente olha para outras coisas que esses reformistas da educação tão produzindo a gente vê que inteligência o branco tem o negro não tem possibilidade no sentido de ser amoroso Generoso o branco tem o negro não tem então a tia da escola vai ser branca não vai ser negra se for Negra ela vai ficar lá na Caixa Prego que ninguém vê vai pra escola que recebe negro não vai pra escola que a gente mostra de propaganda esse tipo de coisa que a gente tá falando gente Às vezes tem na nossa igreja umas relações que falam Somos aqui ortodoxos todos somos irmãos em Cristo basta você ser fiel mas se às vezes o homem e uma mulher deixa o cabelo crescer um pouquinho mais é falta de referência você toca uma música mais Black no culto já tá no ritmo do né ritmo litúrgico esse tipo de coisa que tá ali no detalhe que às vezes parece para quem não tem essa noção do background uma militância te proporcional e razoável mas não essas coisas são pequenos pontos que nos mostram para camadas bem mais profundas de como a formação do Brasil ela passa estritamente é o principalmente melhor dizendo por uma exclusão racial e É nesse sentido que o enesar ele fala que o racismo como o nosso conhecemos hoje é o filho perverso do Iluminismo e porque todas essas coisas que o Igor o Léo estava trazendo assim a gente percebe que tudo isso se mascara de um discurso racional e com isso eu não quero pegar o Iluminismo jogar tudo no saco não é isso que a gente né tá fazendo nada não nós viemos Depois desses movimentos intelectuais que caracterizaram aquilo que a gente chama iluminismo porém toda essa racionalidade europeia ela Ela trouxe hoje hoje diversas críticas sabe essa nacionalidade a toda essa sistematização que trouxe que foi trazida pelo iluminismo e uma das críticas que se pode fazer é essa né Essa classificação que vem totalmente assim né É totalmente evolutiva e com essa perspectiva evolutiva de que existem sim essas coisas mais Racionais que no caso são europeias são brancas e aí se volta né que aí o que aí todo mundo precisa de um mito fundador aí se volta a antiguidade clássica greco-romana e se projetam coisas que nós entendemos hoje daquilo que os gregos e os romanos diziam sendo que ler em suas próprias lentes pelo Como como é possível nos fazer hoje que a gente não sabe tudo que eles pensavam e diziam a gente percebe que não é não era uma sociedade tão tão racional como se dizia né filosofia se misturava com religião com uma maneira de viver você é só você abrir um diálogo de Platão que você percebe que o que se idealiza do passado grego Romano ele é literalmente idealizado quando você entra em contato com o texto você já percebe isso eu tô trazendo aqui tudo isso porque porque é justamente às vezes essas questões que acabam acontecendo Então a gente faz referência sem nenhum problema em nossas igrejas a mitologia aí é que outra outra questão que acontece a mitologia né greco-romana só que é um problema fazer referência a mitologia africana sabe então a gente tem esses julgamentos de valor e muitas vezes a gente nem sabe porque que eles estão aí mas a gente está reproduzido aí [Música] então e aí no sentido educação brasileira também a gente pode pensar algumas coisas a gente pode pensar como essa questão da Visão sobre África né E sobre negros e sobre a Europa também Ela opera muito na cabeça dos pais dos Estudantes é eu como professor de escola pública tem um projeto lá no Colégio Pedro II chamado muito além de wakanda no qual a gente ensina a África para os estudantes e obviamente o nome faz alusão aqui é o Pantera Negra porque o akanda talvez seja a única que muita gente conhece que curiosamente é uma África que não existe então A ideia é que os alunos possam conhecer uma África que de fato existe né e aqui a ideia do projeto não é fazer um agradar ninguém ou então elogiar por elogiar África ou detonar podertonar é simplesmente mostrar que a África é um espaço histórico é um espaço histórico de interação com vícios virtudes todas suas questões é embutidas e o que a gente percebe é que no meu caso eu consigo fazer um trabalho legal os alunos participam quem me segue nas redes sociais saber que eu coloco lá as interações que os alunos criam as coisas que eles fazem só que muitos professores têm enorme dificuldade de fazer elaborações sobre a África na escola embora seja lei Nós temos duas leis aí que institui o ensino de história da África e África brasileira nas escolas é as duas são produto de lutas políticas naturalmente A primeira é a 10.639 de 2003 e a segunda é a 11.645 de 2008 que reforça a lei anterior e a creche também a necessidade de ensino de história indígena é para poder entender quem de fato nós somos porque você tem que entender essas matrizes pra te entender a formação para compreender a formação no Brasil e muitos professores encontram enorme dificuldade de fazer isso sobretudo por resistência de alunos do campo evangélico porque Muitos pais entendem que ensinar a África é ensinar é iniciar Os estudantes e religiosidade africana vamos dizer assim vamos lá eu acho que como eu tô no Sul a coisa já era tão tranquila que para nós de não ter essas paradas que eu nem lembro desse tipo de discussão aqui lembrando gente eu também ligado em questão de escola então talvez até teve discussão e passou batido por mim mas espera aí teve que ter uma manifestação legal para que se ensine nas escolas as nossas origens e matrizes né africanas e depois indígenas porque antes do currículo escolar não tinha isso ou ou o que tinha era muito errado e enviesado o que que tinha antes dessa lei de 2003 e depois esqueci o outro ano agora é porque na verdade o lugar do negro era relegado no lugar da escravidão então assim sempre que você falava de africano a única narrativa né fazendo uso aqui da categoria que a China Amanda se tornou muito pública né então assim a história é a única como eu tava falando fazendo aqui alusão uma categoria que chama Amanda diz tornou muito pública nos últimos anos a nigeriana tinha uma mana diz é a história é a única sobre o negro no Brasil era a história da escravidão então eu até tinha até aquelas cenas muito comuns bêbados tipo assim você começa a falar de escravidão aí os alunos brancos olha pro negro tipo assim automático cara olha pro negro tipo assim a tua história né Então rola muito essa identificação falou de africano de escravidão As pessoas olham para o cara negro da sala de aula e essa é a única forma que ele tinha de se compreender nesse mundo então A grande questão não era que o que se ensinava sobre escravidão estivesse necessariamente errado nos últimos 20 30 anos embora é claro a gente sempre relatório Surf chique nos últimos 100 anos para trás com certeza porque aí era muita bobagem junta nos livros de história nos companheiros de história mas os últimos 30 40 anos não a questão era o reducionismo entendeu É como se você lesse a Bíblia só lembra dos Evangelhos vamos dizer assim você vai tirar muita coisa seria melhor analogia mas eu quero dizer assim uma parte só entendeu Você vai pegar a parte mais importante né Vamos lá você lendo a bíblia só lendo o sei lá a gente aqui como Cristão Valeu vai lá Levítico entendeu você ignora tudo o resto e pensar em África é pensar numa realidade o que acontece porque a gente tem ideia galera achando que a África porque ninguém tá interagindo ninguém tá fazendo nada e a gente precisa urgentemente salvar essa galera que não sabe o que tá fazendo então isso aí permanecemente dos alunos e o tinha feito porque porque pessoas como a Jacira eu a Ana vão sofrer um olhar vão ser alvo de uma percepção do tipo assim ah esse cara aí é produto daquele ali né então isso só reforça o preconceito então a lei veio para poder tentar estabelecer o ensino um pouco mais sistemático e detalhe de a lei não fala sobre ensino de história da África é essa história não é em todas as disciplinas da Educação Básica os professores precisam inserir algo sobre a África falou de biologia pensa algo no campo da África biologia com o ambiente africano geografia africana química pensa em químicos impensadores em físicos não tem nenhum físico africano só tem os físicos europeus não tem nenhum físico medievalista africano para a gente poder mostrar que eles passam espaço produção de conhecimento e o meu projeto segundo vai nesse sentido ela poder fazer esse trabalho A grande questão aqui infelizmente esse tipo de elaboração ainda depende muito de figuras e aqui eu tô fazendo Jabá para mim tô fazendo uma constatação como eu figuras que individualmente forçam a entrada disso nas escolas porque as instituições escolares ainda não entenderam isso dinheiro porque os professores também não tem a formação suficiente para isso e segundo que não adianta fazer uma lei ah fez a lei tá bom tem lei que proíbe tem que matar a gente e tem assassinato né então assim a lei por lei não é verdade ah fez a lei Pô legal a lei ela informa sobre as intenções mas ela não determina as ações ela informa sobre intenções Ah não determina que você vai fazer então é preciso também é a cultura vai ter que preparar professores tem que preparar as pessoas Então é por causa disso que a lei foi feita né para poder dar esse Amparo E aí no final das contas a gente sabe que todo esse cenário de resistência é um ensino de África brasileiro que for tá muito vinculada a um certo debate É que muita gente vai traduzir numa categoria aqui gera polêmicas porque ela não é uma categoria ainda definitiva mas que está em discussão né está em construção e reconstrução que é tal o tal do racismo estrutural Mas mesmo que a gente possa rejeitar a categoria A ideia de uma trajetória racial de exclusão que é o que eu mais gosto tá que trajetória racial de dá uma ideia de operação dos indivíduos os indivíduos se tornam protagonistas é uma trajetória de ação Então a nossa trajetória racial de exclusão é real e ela gera esse tipo de interdição esse tipo de de rejeição do tipo não não Vamos ensinar isso aqui porque o cara confunde ensinar sobre a África com iniciação religiosa o cara confunde ensinar sobre África com fazer propaganda de alguma coisa quando na verdade nós estamos simplesmente ensinando aqui olha veja só você que existe em humanos interagindo no tempo e no espaço e o espaço é o espaço africano né Então esse é o propósito E a gente precisa entender como é que essa história racial de exclusão opera muitas coisas ou racismo estrutural pra quem prefere a categoria opera muitas coisas no nosso cotidiano naturalizando certas práticas que são muito perversas e aí gente e propostas é você tem esse esse projeto que você faz mas grosso modo que a gente poderia falar para os ouvintes de iniciações de coisas que estão acontecendo e até mesmo postura Nossa enquanto o Cristão né porque a gente poderia passar de orientação e nessa reta final do podcast eu acho deixando a questão do racismo estrutural algumas pessoas elas têm um certo um certo temor com a categoria porque geralmente quem usa racismo estrutural tá ligado a teoria crítica e ela tem uma base marxista considerável então fica aquela coisa de Ah tá mudando margem para o Marxismo para a esquerda etc etc e aí como saída acaba optando por algo que não ajuda em nada que é restringir racismo ação individual quando o sujeito é racista quando xinga o outro de preto essas coisas mas o ponto é ninguém considera razoável agir dessa forma principalmente racista se não tiver um background em que ela se ampare então assim ao mesmo tempo que a gente possa talvez rejeitar essa essa base marxista por trás do que do que se chama de raciocínio estrutural a gente acredita numa coisa que se chama depravação Total Então a gente tem enquanto Cristão uma base teológica para afirmar que as ações e instituições humanas são manchadas pelo pecado se racismo é a gente vai encontrar isso em dimensões mais coletivas mais sistêmicas e não existe só o no caso teoria crítica ou Marxismo para a gente basear a nossa perspectiva de racismo tem um mundo de pensadores então isso são reducionismo que acaba na prática servindo para silenciar o tema do racismo porque acusa quem está pensando o racismo a sério sempre de militante E aí por mais que seja honestidade intelectual dialogar com a teoria a teoria crítica porque são esses caras que estão puxando a discussão Não é obrigação nem necessidade a gente aderir a base deles tem várias possibilidades Então quem fecha a porta geralmente ali tá querendo silenciar discussão porque o calo tá apertando Essa é a impressão que eu tenho e aí uma saída para isso assim e aí a Ana que tá no grupo de virtudes intelectuais do que eu são virtudes intelectuais a gente ser honesto com as teorias que a gente abraça com as nossas bases como que a gente vai dialogar isso e a outra é resgatar as dimensões africanas da teologia Cristã porque um cara que como eu citei aqui que diz que o culto Cristão não tem nada de africano porque o africano ele é feito xixista ele não lembra que Agostinho foi africano ele não lembra que o Reino do Congo era um reino Cristão inclusive viam os cravos do Congo que já eram cristãos para América e dizia que deveria ser cristianizar eles também em alguns casos que não se tinha essa noção cristianismo etio enfim várias coisas que a gente poderia inclusive usar a ponte da do ensino de África nas escolas para trabalhar com as igrejas Às vezes a gente poderia fazer mas porque a gente silencia a discussão com medo de parecer militante a gente acaba não fazendo e aí eu termino dizendo o seguinte se a gente tem medo de assumir certas posições para não parece ser militante quem tá normatizando o nosso discurso não é a Bíblia é a militância que a gente critica que a gente não quer aparecer com ele e não parecer com Jesus Exato eu acho que o caminho é realmente não ficar assim excluindo e demonizando diminuindo pessoas que podem até não ter a mesma base de pensamento que nós que somos discutir sobre o problema né Talvez seja a vez de nós Cristão sentarmos discutir e ver o que que nós temos porque poxa a nossa a nossa tradição Cristã é muito rica realmente para poder para que a gente possa se referir a esses problemas eu lembro aqui somente dos hábitos do coração DJ que é Smith quando ele fala que Nós criamos nós amamos né aquilo que nós fazemos todos os dias aquilo que se torna ele se respira em Aristóteles uma segunda natureza porque então a gente vai se tornando Virtuoso né conforme a gente faz algumas coisas repetidamente a ele explica assim por isso o motivo do culto Cristão e tudo mais e ele mesmo no próprio livro né você é o que você ama ele fala que é assim que se formam os preconceitos quando nós temos esse Imaginário social ele cita de ar no espelho esse sociólogo Cristão que é formado justamente por hábitos por hábitos que a gente vê daquilo que a gente sai em constante relação isso vai moldando os nossos desejos e é por isso e eu acredito que essa visão ela pode até nos explicar porque que muitas vezes nós ouvimos muitas falas extremamente preconceituosas de outras pessoas que também são negros nós ouvimos as nossas E como que essa pessoa tá pensando assim é porque realmente o nosso coração é nós somos ensinados a nossa sociedade nos ensina a amar algumas coisas é o dia a outros a nossa sociedade nos ensina o que é Belo e que não é belo eu vejo que nós temos muitas ferramentas mesmo para olhar para todos esses hábitos e esses amores deformados que nós temos e todos esses conceitos que o pecado deformou é como cristãos e a gente pode também simplesmente o Léo falou do virtudes então começar a trabalhar numa nova habituação que talvez seja mais instruída pelas verdades do evangelho e até mesmo por todas essas coisas que a gente tem hoje de conhecimento histórico e teológico sobre a contribuição sobre como a fé cristã Ela não é uma fé exclusivamente europeia e tudo isso assim meu gente pensa numa fé que tem recursos para responder a isso é a nossa sensacional Jacira os seus dois centavos dessa discussão ainda não lembro o engajamento cultural no artigo de home Miller ele fala que a igreja existe para promover preservar a moralidade eu acho que é importante nós enquanto cristãos levarmos a sério e entender que racismo é uma questão da ética cristã é um assunto da ética cristã e da teologia pública né então não faz muito sentido que em vários dos nossos teólogos e pessoas influentes no campo da intelectualidade cristã que fala sobre a ética cristã mas que não fala sobre essa temática tem como falar sobre essa luz da Bíblia e também analisa o engajamento cultural ela aqui a gente tem que resgatar que tertuliana Canazio Agostinho de hipona eram africanos resgatar figuras africanas que foram importantes para o cristianismo é desassociar esquiando acabou de falar que o cristianismo é apenas religião de homem branco europeu mas que a longo da história cristã tanto na Bíblia quanto na história cristã como toda a construção da história cristã existe pessoas negras existem pessoas africanas é que Deus também chama para participar do plano da salvação então eu acredito que os ambientes de Formação intelectual Cristã é um dos pontos mais importantes dos recursos mais importantes para a gente desassociar que falar de racismo apenas questão para pessoas progressistas apenas para militância mas entender que nós enquanto cristãos nós temos recursos a partir das escrituras recursos Morais e contra igreja para combater esse mal a que está no nossa sociedade e também eu gosto muito da frase militar falar sobre isso acaba que a gente tem deusa coloca como figuras messiânicas dos políticos como se somente eles podem resolver isso mas a consciência moral da sociedade é a igreja então precisa começar conosco essa essa luta também contra os males que estão na nossa sociedade queria só aproveitar para deixar como uma última fala assim dentro da temática né basicamente que é importante a gente fazer uma auto-reflexão né porque a gente tava falando sobre a categoria racismo estrutural enfim as objeções possíveis a ela ou não mas o ponto é que a gente não pode também sempre jogar tudo para fora da gente né tá numa moda hoje em dia as pessoas fazem a besteira cometem o ato do racismo e fala não mas olha só é porque é estrutural já parece que o cara é determinado pelo ambiente ele não consegue deixar de realizar e não é assim não é não é porque tem uma tendência é que necessariamente você não pode fazer aquela anamnese necessária para perceber que tem uma coisa errada né Então ela tá lá essa é a importância de da consciência negra por exemplo né você ter não sei o que que vocês pensam mas parece que encaixa com a tua fala agora tipo é importante ter um dia como esse pra gente repensar mesmo as nossas posturas para não ficar colocando tudo na conta do do meio né não porque eu fui criado assim a gente é assim mesmo e tal então cara tem um dia para você tá pensando sobre isso e entendendo o que que é e como é que você se livra disso não sei o que que vocês pensam e eu nem acho que todo mundo usa o racismo estrutural dessa maneira tem gente que usa mesmo de modo categórico com seriedade com um certo Rigor mesmo independente Como já disse é acolhimentos ou não nosso com relação à categoria mas tem gente que usa isso aí como desculpa né quer dizer se apropriou da categoria como escudo e não como como instrumento de reflexão Então fez Qualquer coisa Não mas a estrutura né então quer dizer o cara bateu numa mulher não mas é o machismo né Depois que inventaram que tudo é estrutura nunca mais ninguém foi culpado de nada quer dizer tudo é sempre externo um indivíduo Ele simplesmente ele é um sujeito que é vítima da circunstância não é assim então a gente tem que aqui basicamente foi muito disso né passou essa ideia Nossa de provocar uma reflexão mais madura mais robusta mais sofisticada sobre um tema que é importante para a sociedade e portanto também é importante para a igreja exatamente para terminar citando aqui um amigo nosso o Vitor Fontana a tradição Profética ela nunca enxerga o problema sempre nos outros ela se enxerga primeiro como parte do problema para depois resolver então assim Acho que a mensagem final é essa a gente decide fazer parte do problema ou não E se a gente cria um Deus que transforma corações a primeira transformação a perceber que a gente tem feito parte do problema muito bom gente é isso [Música] gente é isso eu sei que muito mais coisas poderiam ser ditas ainda mas acho que uma hora e 20 aí de Episódio para a gente pensar um pouquinho sobre esse tema foi uma semana inteira de podcasts com essa temática Bíblia racismo sociedade foi muito legal e quero agradecer mais uma vez comecei o programa agradecendo e termino agradecendo a vocês aí que desempenharam que estudaram gravamos aí Episódio 7 horas da manhã muito obrigado mesmo gente por todo aliás 7 horas da manhã horário de Brasília né porque a Ana acordou 5 horas da manhã lá o horário dos States então muito obrigado mesmo vocês amigos por fazerem essa btwick Agradeço também a Thomas Brasil que facilitou aí a existência dessa btwick patrocinou essa btwick muito obrigado pelo Thomas no Brasil e gente de verdade e obrigado a você ouvinte você que compartilha você que pensa junto com a gente muito obrigado mesmo e abra aqui o microfone para os meus amigos também fazerem as suas considerações finais suas palavras finais vamos lá por vo- o Léo acho que foi um dos grandes né É acho que começou o Léo que enxugou Inclusive a gente a fazer esse episódio que me apresentou o Igor e daí nasceu a ideia de fazer a btu Obrigado Léo aí então Léo é isso aí cara os microfones estão abertos Eu que agradeço o reino de Deus é o Reino de amigos e quando amigos juntos se juntam para trabalhar para o reino é com o Paulo diz o trabalho feito no oceano em vão a gente arrendeu aí uma BT Week de frutos Graças a Deus muito legal eu vou terminar aqui usando a frase do balde que ele fala que o futuro ele está falando dos Estados Unidos mas eu falo mesmo do Brasil o futuro do negro nesse país Ele vai ser tão claro ou tão escuro quanto o futuro desse país Caraca eu quero agradecer né o Bibo aí é pela abertura desse espaço né uma coisa é muito bacana poder gravar fazer parte disso e agradecer também ao Léo que fez o convite inicial para mim né a Ana a Jacira o Paulo que participa com a gente no episódio eu acho que é questão de generosidade também eu agradeço publicamente aqui é o Léo né porque ninguém é obrigado a convidar ninguém para nada então se a pessoa convida é realmente é um carinho reconhecimento então agradecer a generosidade é sempre muito importante aos ouvintes também e é um beijo aí pros meus amigos que certamente Estão Loucos nessa semana porque a galera Bíblia é muito fã clube né cara a galera fala assim pô você vai gravar com Bibo mano então a galera tá tá é polvorosa né Ei manda a real para eles a gente não é nada demais não galera é isso tudo mesmo galera é isso tudo mesmo porque se eu falar que se eu falar que é pouca coisa eu perco o status vivo não posso é verdade cara não mantém mantém a magia mantém a magia sensacional podcasts mesmo galera mas é isso que eu quero agradecer quero deixar um beijo para todo mundo e fazer um Jabá aqui lá me seguindo@ questão de história é essas questões sobre a África a história do Brasil eu tenho muitos vídeos lá pretendo fazer cursos enfim para quem quiser aprender um pouco mais é só chegar lá e é isso muito obrigado Mais uma vez é verdade O Igor é bem ativo mesmo gente no Instagram que é onde eu sigo ele bem ativo mesmo então @ questão de história os links vão estar aqui também na descrição humana também tem Instagram o Léo também tem o Léo acho que é mais Twitter né Léo O Léo é mais Twitter Jacira sua palavra final tá com vocês nessa mesa foi muito legal esses dias aí quero agradecer ao Léo Quero Agradecer os seus amigos também Ana e o Igor com quem eu aprendo tanto sigam mesmo Igor no Instagram até eu aprendo muito com o Igor também no Instagram muita coisa nova obrigada aí ao vivo também pelo espaço e que o senhor nos ajude a continuar aí no caminho da Justiça bíblica racial muito bom Lembrando que a Jacira é muito humilde não quis falar mas a Jacira tem um livro a gente falou ali no feminilidade bíblica mas é o estigma da cor da editora Quitanda então se você quiser aprender um pouquinho mais sobre racismo tem aí o livro da Jacira tá bom gente é isso ficamos por aqui mais uma BT Week e muito obrigado pela audiência de todos vocês a gente volta na semana que vem semana que vem tem mais podcast se Deus quiser assim permitir Fiquem todos na paz do Senhor Jesus [Música] este podcast Foi editado por bibotal que Produções