Silêncio: o sofrimento de Deus – obra de Shusako Endo | Rina Furuta, Ákilla Nascimento & Luiz Sayão
29/11/2022
Silêncio: o sofrimento de Deus – obra de Shusako Endo | Rina Furuta, Ákilla Nascimento & Luiz Sayão
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[Música] Boa noite a todos que estão acompanhando a nossa Live da IPO Hoje a gente vai conversar a respeito de um livro bastante relevante um tema muito diferente daquilo que costuma ser a nossa experiência mas que desperta algumas questões algumas reflexões muito importantes para a nossa conversa para forma como a gente enxerga o evangelho a Bíblia e tantos outros temas relacionado a obra que a gente vai conversar hoje e aqui para a nossa conversa estamos com saião e com a henna a última vez que a gente teve uma live desse desse mesmo projeto a gente nem chegou a falar exatamente do ministério ler a crer Mas é uma iniciativa que a renda E isso tem a levantado assim experiências muito preciosas eu pelo menos eu acompanhei as outras duas é leituras que a gente teve aqui e é muito bom a gente ter essa experiência também com a Literatura e com a fé Boa noite Isso aí é um boa noite Rina boa noite aquilan boa noite Rina sejam todos bem-vindos a gente certamente entende valoriza muito a relação da Fé com a literatura né e a literatura no seu âmbito mais amplo né com a riqueza de narrativas que desafiam a realidade que interpretam a realidade que encaminham a vida né e afinal de contas Deus nos mandou um livro capacidade de escrever Outros tantos né como é que essas conversas literárias se definem e hoje de uma maneira muito especial temos aí um autor japonês premiado e que teve uma obra extraordinária e a Rina vai nos ajudar aqui falando um pouquinho mais aí qual que é reina ou grande elemento a grande obra de hoje aí a gente vai conversar a respeito Oi professora oyacla é você que está ouvindo a gente boa noite a todos hoje nós vamos falar sobre silêncio livro que é considerado a obra-prima de chusar com endos é um autor japonês católico que dedicou a sua vida em escrever livros que versam sobre esperança e descrença sobre fé e falta de fé e tem uma boa bibliografia mas a sua obra-prima é o silêncio que foi inclusive adaptado para o cinema através do marketings corcels que faz um prefácio belíssimo inclusive na edição do livro Esse livro foi publicado em 66 então a gente está falando de segunda metade do século 20 mas ele Versa sobre o Japão do século XVII metade do século 17 não quero contexto Jacó nessa época a fé cristã havia chegado no século 16 né a violino metade do século 16 através dos primeiros missionários Jesuítas e encontrou um ambiente de muito interesse por essa expressão de fé tanto que a palavra foi sendo empregada rapidamente ali você tinha 150 mil cristãos japoneses e a primeira missão que chega chega em 1549 né com Francisco Xavier depois de 30 anos 79 uma segunda emissão vai com inclusive padres católicos inseridos junto com os portugueses e ali quando Eles encontram aquela comunidade é tão Florida né e prosperando no evangelho ele fala nós precisamos preparar uma liderança na então nós precisamos construir seminários e escolas para fortalecer essa liderança Nativa Isso foi em 1579 30 anos depois no entanto é em seguida começa a ser a arrefecer esse florescimento do Evangelho através da percepção Cristã porque eu já convém enfrentando guerras tem também toda uma relação comercial envolvida que a gente não consegue destrinchar aqui por causa do tempo mas o importante é saber que os cristãos começam a enfrentar uma grande perseguição do governo né e a história do Endo ele ou em dor vai exatamente sobre isso essa aqui é a obra e tem como personagem principal Sebastião Rodrigues que é um sacerdote Jesuíta Rodrigues é um personagem fictício esse romance É fictício mas ele é ancorado em fatos reais Inclusive tem o personagem que é real que é cristão Ferreira que é o professor foi o professor do fictício São Sebastião Rodrigues no seminário como que começa isso você deixou o Rodrigues é um homem de ele é honesto em sua intenção mas ele é iludido acerca da sua condição então ele é muito orgulhoso como toda pessoa iludida né acabam correndo no orgulho ele é muito orgulhoso da sua Fé do seu transfundo teológico dos seus dogmas da sua certeza da sua religiosidade e sabendo lá em Portugal que Cristóvão Ferreira que estava na ascerca já de 30 anos já havia apostatada em razão da perseguição das autoridades japonesas para sufocar o cristianismo na ilha ele não acredita né Ferreira vinha enviando cartas com relatórios ao clero em Portugal sistematicamente e de repente ele para uma investigação vai dar conta de que ele havia apostatado ele havia renegado a fé em Cristo e você deixou o Rodrigo não consegue acreditar naquilo né porque não é possível aquele que estavam a Ferreira aquele homem de grande capacidade teológica aquele Professor Brilhante de espírito vivificado o homem corajoso de bravura sabe como a alma idômica ter apostatado ele fala não é possível E aí ele passa a insistir com clero para ir uma missão para emissão ao Japão para procurar a verdade a respeito de Cristóvão Ferreira no entanto ele acaba encontrando a verdade é respeito de si ele foi que o Rodrigues Ele foi nascido e criado num país Cristão né que é Portugal que é um país que enfrenta oposição muito pelo contrário a fé até incentivada né então ele não dimensionava o que é que ele poderia encontrar por lá quando ele chega no Japão procurando Cristóvão Ferreira ele já vai clandestinarmente porque o Japão havia fechado os seus portos ali para a entrada de missionários então ele passa pela África e aí vai para Macau na China e de Macau entre escondido no navio chinês com guia japonês que se chama japonês [Risadas] eu chamo logo de Kiki que é para facilitar a minha vida Mas enfim ele entra com esse guia que vai encaminhando o Rodrigues a igreja clandestina porque você tinha pesado o evangelho estar sendo perseguido você tinha um criptor cristãos nós somos pseudo cristãos né o cripto é aquilo que está oculto Então os cristãos escondidos que frequentavam os templos budistas e cumpriu aqueles rituais durante o dia que a gente que as autoridades pensassem que eles eram budistas Mas professavam mesmo no coração e praticavam a noite nas cabanas e não sei da sua comunidade íntima a fé em Jesus Cristo e o estudo do Evangelho né quando o Cristóvão quando Rodrigo chega lá ele fica longo tempo escondido numa Cabana e os cristãos os cristãos perseguidos passam a levar os seus filhos seus bebês para se batizasse e fazer um filas intermináveis para para confessarem né ao sacerdote suas angústias e também partilharem as suas dúvidas Então ele vai trabalhando ali até que chega uma mente em que ele é descoberto né E aí ele passa inclusive em todos esses contatos que ele faz sempre perguntar você conheceu o Cristóvão Ferreira etc porque porque Ferreira até o momento em que ele foi capturado que isso foi em 1643 16 32 né Ferreira foi muito útil nas mãos de Deus em nome da igreja na propagação do Evangelho Ferreira enfrentou perseguições severas né duas especificamente são registros históricos né a obra é ficção mas tá ancorada em registros históricos em 597 no Brasil 26 cristãos serem crucificados ali perto da estação ferroviária de Nagasaki onde hoje há um monumento em homenagem a esses cristãos em 16 14 quando a as autoridades japonesas passam incrementar os métodos de tortura Ferreira ver 55 cristão sendo queimados vivos entre eles havia mulheres com crianças de colo e havia chovido muito na noite anterior então a lenha tava seco fogo foi queimando lentamente e os registros históricos consta que enquanto esses irmãos eram queimados vivos a comunidade que assistia aquele martírio começou a entoar magnificar de Lucas 1 onde a escritura diz o seguinte minha alma engrandece ao senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador pois poderoso fez grandes obras grandes coisas em meu favor e santo é o seu nome e aí as autoridades japonesas ficam perplexas porque aquilo que deveria ser o veículo de para sufocar a fé no evangelho a fé em Cristo passa a ser chamado de martírio glorioso e se torna fogo entre os crentes fogo entre os que creem ai o evangelho continua sendo fortalecido e prosperando nós precisamos mudar a forma de lidar com esses cristãos em vez de matar nós precisamos torturar até que eles negam a fé e aí eles desenvolvem métodos como suplício do poço que eram quando cristãos eram colocados de cabeça para baixo sobre imposto posso chamar os seios de excrementos né e para que eles não morressem rapidamente em razão da pressão as autoridades talhavam aqui atrás da orelha e na testa para baixo o sangue fosse vocês vai lentamente e eles assim fossem conhecidos pelo cansaço pelo sangramento pelos vermes e pelas moscas dos excrementos e enfim após apostatar se negassem a fé para surpresa das autoridades japonesas que começam a com esse método além de 16 14 os cristãos continuam firmes anos se passa ninguém apostado Até que em 16 em 32 1632 A gente tem o primeiro após fazer Justamente a primeira apostasia que já seria significativa só por ser a primeira ainda se torna mais significativa porque quem foi o aposta foi Cristóvão Ferreira da missão Cristã naquele país homem de bravo endómica vocês lembram homem de grande capacidade teológica E isso se torna um escândalo Para a igreja um escândalo para os que criam né Todo mundo se surpreende muito Ferreira apostada em seguida ele desaparece não se tem mais notícia dele e é por isso que se apaixonar alguns Dizem que ele veio renegar essa apostasia outros dizem que ele foi assimilado na cultura japonesa mas sempre envergonhado de ter apostado e Sebastião Rodrigues seu ex aluno não desiste de procurar a verdade sobre Cristóvão Como eu disse no início até encontrar a verdade sobre si porque ele começa a sua busca ali em 1643 né o Ferreira ele apostar tem 16 32 passam anos Esperando notícias dele enviando delegações para investigar ocorrido não se chega nenhuma conclusão ali em 1643 você já tem os portos japoneses fechados aos navios estrangeiros e Rodrigues insiste muito com clero para ir claro vem escrito pelo cansaço acaba autorizando a vida dele esse sacerdote chega lá um tanto quanto iludida seu respeito né E vai passar pelo grande teste da fé porque a sua fé é assediada pela fome Pelo frio a sua fé sediada pela peste pelo abandono pela tortura pela morte de e sobretudo pela morte dos outros porque os autoridades japonesas passam a dizer o seguinte Olha a gente pega um sacerdote e ele não se importa de morrer por ele mas quem sabe ele não se importe de que outros moram por ele então eles passaram a aprender o sacerdotes a pegar os cristãos japoneses convertidos e colocar no poço e aí eles prendem o sacerdócio para que eles ficassem ouvindo a agonia desses cristãos e sempre dizendo Olha a postar tá apostata assim que você apostatar esse sofrimento deles vai terminar é ser um método de tortura né os cristãos sacerdotes missionários passam a ser cassados como cães a fim de serem deportados mais alguns ainda permanecem e outros continuam chegando como Rodrigues outros dois métodos de tortura que eles desenvolviam né que você tinha esse que era chamado de suplício do poço você tinha também assumir que era uma tábua de madeira onde eles colocavam os símbolos da fé cristã como imagens o Rosário também era um símbolo forte da fé cristã naquela época e eles tinham que pisar pisar esculpir e proferir ofensas e repetíveis aqui contra aqueles símbolos né e havia no terceiro perto de tortura que era as conchas As conchas perfuradas no Japão tem um ali na região de Nagasaki tem um vulcão que se chama um Zen e ele espelha a água fervente sulforosas né então eles ficavam Estacas ali os arredores do vulcão e amarravam os cristãos e com essas Conchas perfuradas eles iam derramando a água para que eles fossem sendo queimados lentamente de qualquer forma seja qual fosse o método a prioridade o governo japonês japonês é que os Mártires os cristãos eles não morressem mais fossem torturados até apostar tarde tal maneira que quando Algum deles estava na iminência da Morte um médico Inclusive era chamado para que esse preso pudesse se recuperar e voltar para o suplice é isso que Rodrigues vai encontrar quando ele chega no Japão e tem uma parte aqui na página 51 quando ele tá saindo que ele diz o seguinte para o Japão não levamos nada além de nossos próprios corações Estamos ocupados apenas com os preparativos espirituais pois tudo que Deus faz é para melhor eram três na saída um amigo fica muito doente e não consegue ir então pai o Rodrigues que era um outro amigo dele mas que perece no Japão logo depois que chega então é esse Japão que que nesse contexto que Rodrigo chega lá e aí Rodrigues começa com a sua jornada da fé porque gente a gente está dentro da trilogia amor esperança e fé e essa obra ela vem suscitar em nós algumas perguntas né Qual é o tipo da fé que nós temos é uma fé sociológica institucional mitológica é a fé na fé é a fé na força da mente no pensamento positivo ou é a fé como uma confiança no caráter imutável de Deus né com isso que que Rodrigues vai ser confrontado e a obra vem marcando como ele vai mudando a percepção a respeito de si porque ele despreza muito Pode parecer que é um olhar piedoso no começo quando ele olha para os Camponeses mas ele fala assim não é quando você pega a obra você vai entender que era aquele despreza europeu né de um homem culto muito bem nascido muito bem educado muito consciente da sua doutrina dos seus dogmas a sua certeza que olha para aqueles camponeses e o chama de bestas de carga ele fala ele nasceram só para sofrer tem essa vida sofrida E aí o Rodrigo Está sem querer a Deus onde o senhor está o senhor não está vendo o senhor está sente eu só ouço o barulho do mar porque o tempo todo ele é o barulho do mar e todas as pessoas que o recebem passam a morrer a serem capturados e não morreu uma alma e Rodrigo continua falando onde o senhor está o senhor está ouvindo o senhor vai permanecer calado até quando é nessa Progressão de fé que o que o autor vai apresentando ele fala assim olha primeiro quando o Rodrigo chega ele diz assim a respeito do seu guia que é o quiche giro os homens nascem duas categorias os fortes e os fracos os santos e os comuns os que são heróis e os que respeitam os heróis em tempos de perseguição os fortes queimam nas Chamas ou se afogam no mar já os fracos como que exigiram levam vida errante pelas montanhas quanto a ti eu agora falava comigo mesmo pertences a qual dessas categorias Rodrigues passa a ser questionar diante das barbaridades que ele vê do medo que ele passa a experimentar da sua fé que começa a oscilar aquele homem que chega ali cheio de certeza eu vou morrer como Marte eu jamais apostarrei começa a se questionar assim mais um pouco e ele já Pergunta assim porque ele nutre um grande desprezo né porque xixi O que é o seu guia que apostatou depois e ele se julgava muito superior a ele e ele continua e fala assim será que eu quero ser tão heróico assim e será que estou procurando um artigo verdadeiro martir oculto ou só esse martir glorioso Espetacular com pessoas entoando magnificar Será que estou querendo apenas a morte gloriosa é isso que eu desejo para ser louvado receber as preces e ser considerado um santo agora a gente percebe uma outra progressão na desilusão que ele tem a seu respeito Rodrigues diz para si mesmo sois frouxo não seja dignas de ser chamado Padre que você sentiu se mostrou imensa mas Piedade não é ação Piedade não é amor a piedade assim como a paixão é só uma espécie distinto Rodrigues aprendeu isso muito tempo antes sentada nos Bancos duros do seminário mas naquela época essas coisas não passavam de um conhecimento libresco agora não agora ele se confrontava chegaste a este país para sacrificar a vida por eles mas na realidade são eles as bestas de carga que sacrificam a vida por vós Esse padre entra numa profunda experiência com deus às vezes ele começa a pensar será que eu tenho medo dessa vocação sacerdotal Será que a minha fé é o que é em outros momentos ele demonstra não eu vou ficar firme eu sinto a paz porque ele começa a experimentar também todo esse trajetória mesmo no silêncio de Deus um grande consolo uma grande paz através das marcas da Graça e como nós já dissemos em outras lives estão em todas as partes se você tiver olhos você vai achar e ele começa a vê-los através de irmãos que vinham e cuidavam dele ou mesmo na prisão na última prisão quando ele entra em que está tudo tão escuro e ele começa a tratar na parede e ele vê esculpido na parede né louvar ao Senhor e aquilo ali dá para ele uma grande paz no fim eu não vou dizer qual é a gente falou deu spoiler dos dois livros anteriores né mas esse é um livro tão complexo e tão sensível tão rico que eu acho que vale a pena a gente preservar no fim Rodrigues é colocado nessa cadeia houve os cristãos sendo martirizados no poço mesmo assim ele não apostada até que ele é retirado para pisar na fomier e uma coisa que consolava Rodrigues em todo o trajeto era a sua a sua capacidade de imaginar a face de Deus ele fala que desde o seminário a expressão de Cristo em cada momento do seu ministério terreno entregava muito então durante todo esse tempo que ele passa no Japão como um sacerdote clandestino sempre que ele precisava de consolo ele fechava os olhos e imaginava de Cristo em cada momento do seu ministério terreno essa Face esse rosto era tudo que ele considerava como mais sagrado guardado dentro do seu coração e qual não é a sua surpresa que quando retirado da cadeia e colocado diante da ele se depara com a face de Cristo esculpido em bronze encalhada pregada na tábua para que ele pisa em cima dele custa essas fome e gente elas estão ainda existem no museu em Tóquio podem ser vistas resgatadas né século 17 Mas podem ser contempladas pelo público e aí Rodrigo se depara com esse grande dilema ele ele persevera na fé eu queria ler para vocês para gente encerrar que aí o professor Saião vai entrar realmente no cm teológico da questão uma coisa que Rodrigues escuta dentro do seu coração na sua consciência no momento em que ele tá profundamente abalado na sua fé e muito ressentido de Deus com o seu silêncio diante de todos aqueles Martírios ele escuta o seguinte ele diz o seguinte né Eu tava na prisão recustado na parede pensando naquele homem que eu amava eu estava sozinhos a fazer muito tempo e como sempre Eu costumava imaginar O Rosto de Cristo mas agora no escuro um rosto me dava a impressão de estar junto de mim de início o rosto ficava calado mas me perscrutava com olhos plenos de pesar e então o rosto parecer me dizer quando sofres eu sofro contigo continuarei perto de ti até o fim o silêncio de Deus nunca foi a diferença sempre foi sofrimento não é professor Saião ele sofre excelente aí a toda apresentação né do conteúdo e antes da gente entrar aí eu vou falar um pouquinho pedir para o arquiba também entrar eu acho que eu começaria né Para a gente entender o cenário É porque tem um elemento cultural e antropológico importante né porque a gente o Japão na verdade um arquipélago é que na ocasião né a religião propriamente japonesa que se desenvolve como xintoísmo mais tarde ela tá em formação é uma espécie de politeísmo animista né e o budismo é uma religião estrangeira né que vai acabar tendo presença e vai configurar a realidade política o Japão passou por uma idade média um tipo de feudalismo né do jogo natus na com conflitos muito grandes e sérios até que conseguiu uma certa estabilidade né e o iacho Tok é a pessoa que vai iniciar essa perseguição Eu eu estive em Hiroshima tive oportunidade infelizmente não conseguia Nagasaki Mas tive oportunidade de visitar o Museu com peças portuguesas né e é curioso nem todo mundo sabe que a palavra do Japonês como Gibão em outras que permanecem até hoje vinda do português por causa dessa presença e aí o japoneses começaram ficar uma liderança japonesa preocupada e aí é uma coisa interessante que todo mundo que acompanha a gente talvez nunca imaginou isso né é que existe uma suspeita muito grande né de que a presença do cristianismo nestoreano e até mesmo de comunidade judaicas tenham alcançado a China antiga e consequentemente o Japão também então há elementos de Cultura como a preocupação com limpeza higiene como a preocupação do valor dos antepassados certos elementos assim que tem uma quem olhar por exemplo um templo xintoí se olhar para um Tabernáculo hebraico né vai ver muita similaridade então tem todo um mistério por trás disso eu tô dizendo isso né até porque alguns candides aí tem até elementos que evocam coisas bíblicas para mostrar como é que esse cristianismo seu tão rápido né ainda que na sua versão católica com Jesuítas como é que isso pegou e aí eu vi todo esse receio político sério né que se desdobrou nessa perseguição que deixou milhares de Mártires né esse calcula que esse número de Cristão chegou a 300 mil né E o pessoal então o Japão percebendo que as potências europeias tinha outras intenções eles fecharam tudo deixaram espaço só para negociar com os holandeses né E com isso a gente vê alguns elementos interessantes que é que tá presente na obra também até porque o próprio Endo né ele passou por uma situação porque ele sendo católico como minoria de certa forma que é um problema sério no Japão que você sendo Cristão É como se você tivesse negando a sua identidade a sua nacionalidade né porque é visto como uma coisa estrangeira e ao mesmo tempo ele morou na França né E Ele experimentou o racismo europeu e teve essa situação assim então é curioso que tem um elemento aí que acho que é importante para a gente o que que é Evangelho o que que é fé o que que é costume né O que que é cristianismo autêntico né porque uma das discussões que fica na obra e que tá trabalhada também no próprio filme né que o escorcedes e companhia né a gente é ver se é que esse pessoal tá acreditando na mensagem será que eles estão respeitando os missionários dessa adesão da fé e eu acho isso importante aquilo e todo mundo que tá com a gente porque eu entendo que até hoje muitos missionários e ocidentais de modo geral vão por Oriente particularmente por Japão e parece que eles não Que entenderam que estão num contexto totalmente distinto que tem outras considerações que você precisa lendo o evangelho estabelecer o contato não precisa de uma leitura de Atos 17 de novo então eu começaria com essa observação E por que que essa obra é tão valiosa é tão importante porque ela mexe né exatamente nesse meio de campo que é fundamental na nossa conversa sobre a fé mas deixa eu ouvir um pouquinho das observações aí do Áquila né que também é um grande Professor aqui da IBM com a gente para a gente depois continuar para as coisas mais teológicas aí que é de calor e sairão e Rina eu eu me deparei de fato com uma mentalidade uma cultura muito novas para mim só uma observação São Paulo que é onde nós três estamos tem uma grande população de Imigrantes Japoneses mas até vim para cá eu praticamente nunca tinha convivido com qualquer descendente de japonês é isso porque tem uma concentração dos Imigrantes aqui nessa região de São Paulo e outros estados próximos então a mentalidade a cultura tudo isso é era muito diferente para mim ainda é mas quando eu cheguei aqui foi um pequeno cheque cultural dentro do meu próprio país E aí quando eu li o livro do seu saco eu achei muito interessante poder ver a narrativa de uma história da perspectiva de alguém que cresceu com mentalidade japonesa mas que eu acho que relativamente cedo experimentou a fé cristã não lembro com que idade ele secar todo com algo do tipo Mas eu percebi que fez parte do desenvolvimento dele mesmo Enquanto o indivíduo a sua fé e uma coisa que aparece na introdução no prefácio da do livro e que é trabalhado continuamente é a ideia de que o Japão é esse charco no qual nada consegue lançar suas raízes profundamente essa imagem me chamou muita atenção para entender porque que o Japão ou as outras tentativas de religião que ficam estabelecer lá não lançavam suas raízes profundamente é e uma das coisas isso não é tratado assim uma explicação diretamente mas os eventos é que vão demonstrando Porque que o Japão é esse chá uma das coisas que chamam minha atenção a gente até comentou um pouco antes de entrar aqui é a ideia dos símbolos e da formalidade chama atenção que o inui que é um perseguidor ele faz questão que os japoneses cristãos camponeses e também os padres neguem a formalidade da Fé o símbolo como a henna explicou a fomier e outras coisas mas em um dado momento ele é não apresenta a mesma preocupação com qualquer tipo de expressão de fé interior com qualquer outra forma de manifestação da Fé o mais importante para ele era essa essa negação dos símbolos e da do aspecto visível e no começo do livro chama atenção do Rodrigues o fato de que quando ele chega em uma uma aldeia aquelas pessoas elas tinham muita necessidade de receber qualquer pequena Cruz né que fosse feita de palha por parte do pai um pedaçozinho de uma imagem que ele carregasse e aí um momento ele precisa desfazer o Rosário que ele tinha levado para distribuir as partes desse Rosário e que parece ser um momento de maior assim serviço que o padre presta para aqueles cristãos camponeses é isso chama atenção do Rodrigues ele falou isso é muito estranho para mim é como se ele estivessem mais fé no símbolo do que a fé autenticamente mas eu posso negar uma coisa dessas a eles não posso eles estão sedentos disso eu não vou negar isso a eles e esse esse dilema vai crescendo até o ponto em que o próprio Rodrigues precisa se decidir se ele vai pisar na fome eu não e enfim existe um diálogo muito importante com perseguidor o principal perseguidor que que demonstra essa postura do Inoue não sei se essa a pronúncia mesmo principal magistrado mas o que me parece é que o nome percebeu que isso tava na raiz da expressão da Fé daqueles cristãos então para ele a principal estratégia se a gente conseguir fazer os negar esse símbolo nós teremos transformado cristianismo numa coisa tão diferente que já não será mais o cristianismo que trouxeram para cá ele não terá raízes ele pode existir como uma planta que tá ali na superfície que talvez tem uma aparência de planta saudável mas isso não vai persistir não vai ter profundidade não vai se espalhar as pessoas não vão querer novamente é e isso de fato demonstra é um pouco do Dilema do livro né que é quifera essa que os Camponeses e os cristãos tinham e até o discurso que o próprio Cristóvão Ferreira adota né usando o símbolo de um esqueleto de uma borboleta ele fala assim olha que no Japão o que você tem é uma borboleta presa numa teia de aranha a seiva A Essência vitalidade da borboleta não está lá mais mas o seu esqueleto a sua casca está o cristianismo no Japão ele é assim a sua essência ela foi suprimida esvaziada mas eles permanecem com sua casca mas a gente tem que prestar atenção também aí eu acho que em parte isso tem razão não sei porque como você disse Áquila quando o professor serve também mencionou no início o cristianismo ele vem me excluído com outros interesses né quando eles chegam os navios europeus eles não entrarem só sacerdotes eles vem trazendo também Comerciantes ele vem trazendo as suas sedas Então os senhores feudais ficam extremamente interessados nestes estrangeiros porque eles querem compreender essa cultura estreitar os seus laços comerciais com a Europa a coisa começa a pegar quando os japoneses que se tornam cristãos passam a demonstrar mais lealdade para com a igreja do que para com seus senhores feudais então eles passam a considerar mais importante o que O sacerdote diz do que o que o senhor do que o que o senhor feudal diz deles começam a se incomodar então com isso até tem um comandante chega do nada em espanhol você tá aí no período da união Ibérica né em que o soberano de da Espanha também governava sobre Portugal e esse Comandante chega ver aquele florescimento do cristianismo ali através da missão europeia e falar assim nossa como é que funciona isso mesmo né como é que essa tática é inteligente porque a Portugal envia Espanha por causa da união Ibérica eles enviam os missionários na frente para abrir caminho para que depois as tropas ibéricas entrem-se a posse do terrenos autoridades japoneses se espantam E aí isso acontece ali em 1587 e os Regente japonês é por isso que lá em 1579 É verdade eles chegaram aqui escola né E foi depois disso que o povo porque você tem o que você tem estudo bíblico você tem Bíblia você tem palavra o povo passou a licençar a sua fé de tal maneira porque a fé é dom de Deus né então fundamento da fé e dom de Deus mas é edificação da fé ela vem através das práticas espirituais entre elas o estudo da palavra fala assim por isso que o povo passou então a dedicaram uma lealdade muito maior ao sacerdote do que os senhores feudais E aí essa perseguição ela intensificada então você vê que Quais são as dificuldades ali no Japão essa promiscuidade comercial que existia e também acresce a questão aí cultural porque assim é nós sobretudos protestantes Temos alguma dificuldade de entender como é que um símbolo religioso pode ser tão importante para um uma pessoa da sua fé Agora fica mais fácil entender se você tem uma mãe lutada e aquela mantinha em que ela embalou a sua bebê tá sendo uma cômoda e você deixa cair água no chão você pega ela para limpar o chão mas é só uma manta é só um tecido é só algodão não esse símbolo tá carregado e significado Então essa é uma discussão Tão rica a gente estava testando uma bibliografia paralela antes de entrar aqui ao vivo que não dá para a gente né se aprofundar aqui mas tem que tomar um cuidado com esse também né o símbolo significado para que como você disse Áquila eu não acabe adorando o símbolo né e esquecendo da pessoa para quem esse símbolo aponta eu dilema é que o Rodrigues eu sempre fica em vários momentos né que tem alguns momentos que os Camponeses estão indo para o martírio e perguntam o que que a gente deve fazer quando eles colocarem a comer para a gente fizer porque se a gente não fizer a família toda Aldeia toda vai ser morta vai pagar pela minha recusa de pisar e mais de um momento ele afirma né e depois vai ter um dilema pessoal diferente mas essa questão do símbolo e se uma pessoa pode conservar a fé sem continuar conservando o símbolo parece para mim que é uma das coisas que mais afetam ali o dilema do catolicismo que chega no Japão e que se pergunta o que que é fundamental da nossa fé que pode ser renegado aqui sem que a gente tenha Tornado isso outra coisa sem que essas pessoas de tal forma que essas pessoas continuem até autêntica você sabe e professor que até nessa parte também é que além disso que você tá falando eu acho que tem uma coisa importante de observar já que a obra toda trata sobre a qualidade da fé a gente professa que a gente carrega porque na hora que ele fala muito rapidamente o Rodrigues né com esses camponeses que ele chama vê como bestas de carga ele fala é uma outra autora de levantou isso no comentário da obra e eu falei cara faz muito significado porque é uma postura de como quem diz você não tem a fé que eu tenho você não tem o preparo que eu tenho eu sou um sacerdote você é um leigo então não se preocupe pise porque você não vai dar conta mesmo de passar pelo parte o martírio deixa que eu enfrento isso sem apostar tá você pode apostar tá Não se preocupe ele tem um olhar meio que de cima para baixo com essas pessoas e essa é a grande surpresa da obra porque essas bestas de carga como ele chama esses cristãos infelizes que nasceram só para sofrer como ele vai inquirindo a Deus durante o tempo são eles que não apostaram são eles que vão para o artigo então dos seus cânticos e quando não estão sendo martirizados em toda magnificar para fortalecer a fé de quem está partindo né tão livro cheio de nuances de gradações e que merece mereceria mesmo muito mais tempo aí para a gente discorrer sobre ele eu acho que o a grandiosidade do que a gente encontra lá né dos cacuri que estão né que são esses cristãos ocultos essa dualidade que a gente encontra e que é um pouco difícil para pensar com a cabeça do Ocidente que é uma cabeça que valoriza o indivíduo acima do comunitário né E que entende que as decisões surgem a partir daí elas são preponderantemente a partir de conceitos de Abstrações quando você olha para a cultura oriental até mesmo japonesa clássica ela é muito marcada por ritualismo por uma série de simbolismo muita coisa que tem um significado a determinação da realidade é muito marcada pelo elemento comunitário e não simplesmente por uma opinião racional que o indivíduo tem a partir da sua leitura da realidade né Então nesse sentido ele faz tem toda a razão se você conseguir né é destruir o símbolo você tá aferindo a manifestação concreta de aquilo que tem a ver com pertencimento de uma comunidade entrelaçada por uma fé que ultrapassa individualidade eu vou dizer uma coisa esquisita e estranha aqui mas que o pessoal vai entender ainda mais o Acre que tá precisando de oração é uma coisa que torcer para um time de futebol do Flamengo por exemplo né que é uma coisa muito mais séria então você vê que seu jeito chega lá e ele joga fora a camisa do outro time ou ele e aquilo tem né uma tem uma certa linguagem social que tem entrelaçamento de uma série de elementos que é um símbolo que ultrapassa muito além de simplesmente alguém jogar futebol tanto é que os teóricos né da filosofia do esporte disse que o esporte é sublimação na guerra né é a maneira de lidar com então esses elementos são muito curiosos e interessantes E aí ele joga com essa dualidade né quem é que tem fé de verdade será que é o sacerdote Será que não é e levanta uma coisa que a gente não tá muito acostumado é que a fé autêntica ela passa primeiro por um caminho de de romantização [Música] é bonito o Marquito tal mas espera aí você já viu como é que é esse negócio de você acha mesmo que é o cara cantando enquanto ele tá falecendo para ele ver abrindo né e os anjos do lado dele não você nunca viu o que que é martírio de verdade e essa questão que que tenta dar um xeque-mate na mentalidade Cristã que é uma coisa eu sofrer para mim mesmo agora eu perceber né que o que eu tô mantendo como uma definição de fé firme tá fazendo um monte de pessoas ao meu lado sofrer e horrivelmente então você desloca do indivíduo para relação social e eu acho interessante porque no fundo eu vejo aí essa eu acho que é uma conversa na cabeça dele entre Japão e França né E então a coisa é Ampla e você vai encontrar uma coisa que que coloca para gente que a fé é verdadeira ela tem que passar por uma provação provação intensa que no fim das contas ao mesmo tempo que esses elementos concretos são tão bem trabalhados a gente tenta descobrir aonde que está autenticidade da situação né porque a gente tem lá como é que é o giro como é que é sigilor é um negócio muito curioso né porque no fundo no fundo ele é uma pessoa frágil né você vê que ele tem interesse ele tem coração ele até se manifesta até mais do que os outros seria quase que alguém que sai vamos dizer o denominador comum para interagir mais efetivamente e ele é tipo Judas do cenário né mas é um Judas iscariote misturado com Pedro porque ele ele não é exatamente então o que que é o aposta de né e acha que também o fato de a gente ter aí né exatamente o Ferreira que estavam Ferreira como o aposta né leva a coisa para gente em que o livro Como os estudiosos que falam a respeito dele Dizem que o livro é um tributo a todos que sofrem uma opressão terrível e que se encontram debaixo de uma situação análoga aquela E curiosamente é exatamente quem tem a melhor condição quem tem a melhor formação quem é a pessoa mais de cima é o jeito que vai abrir o bico né que é inesperado que causa todo esse processo de questionamento Então eu acho que a obra ela é admirável porque ela tem um perfil existencialista ela tem um questionamento sério e ao mesmo tempo é um questionamento que caminha na direção de controle de fificação de autenticidade de experiência de fé e por isso eu acho que é uma obra assim eu eu até eu vi eu vi Antes de ler eu tinha visto o filme né E até o dia disse para algumas pessoas que eu estava falando nem vejo o filme porque não sei se você vai conseguir né digerir todo o elemento que tá envolvido aí Porque de fato a coisa tem um nível de profundidade muito acentuada né uma parte que é fundamental que o Rodrigues ele tá falando assim se alguém vier me inquirir a respeito da minha o comportamento aquele fala voz superiores em Macau vó superiores que estão lá na Europa o que é que vocês podem prender O que é que poderis Pretender e saber levar as vidas despreocupada em Tranquilidade e segurança no lugar onde não há tumulto nem tortura É nesse lugar que exerce o vosso apostolado aí vós sois respeitados como grandes ministros de Deus então enviais os vossos soldados para o turbilhão da Batalha todavia generais que se aquecem ao fogo das tendas não deveriam repreender os soldados que caem prisioneiros que é isso que o senhor está falando né é excelente a observação aí agora eu acho que como a obra é o silêncio né e de fato a gente tem quase que um jogo de luz aí né quando você tem uma coisa iluminada outra coisa que é escura você tem uma penumbra e aí no fundo além de discutir perseguição religiosa tratar com esses elementos de perfil sociológico e cultural de lidar com o cristianismo treinado dentro de ambientes estão distintos um elemento assim que chama a atenção de modo muito forte né é a gente vê como é que a realidade é da discussão do problema do sofrimento o problema do mal né aparece no livro né porque é a maldade injustificada né De qualquer maneira Independente de cores rolar tá vendo aí tem algumas heresias aí né então é porque a gente tem nessa discussão uma série de possibilidades de ter odisseias né tem as tordiceias digamos assim mais previsíveis que dentro encaixar no eixo da história para defini-los em algum perfil escatológico como explicação ou como e ele vai por esse caminho interessantíssimo é que Deus escolheu sofrer com a gente né Essa questão por que que tantas vezes ele parece um Salmo né daqueles que diz até quando o senhor né E então várias vezes ele vai com sinceridade ele busca ele tem um questionamento dessa fé institucionalizada ele parte para uma busca de autenticidade e vamos assim dizer nada acontece né E nada acontece porque o sofrimento é pertinente a experiência da vida mesmo diante da Injustiça e é pertinente a experiência da fé é mais autêntica E aí no caso você tem esse que a gente chama de que Odisseia de comunhão né quando Deus na sua intromissão na história resolve sofrer a dor conosco que é um dos elementos fundamentais né da própria teologia do novo testamento então isso realmente é é bastante eu diria poderoso e terapêutico para quem consegue digerir adequadamente né esse sashimi com Nori bem preparado lá no meio eu posso eu tô aqui eu vou ficar calada daqui a pouco só falando demais é que eu comecei meio fora do ar né Gente vocês que estão assistindo deve ter percebido tá muito procurando wi-fi porque essa obra tira a gente do lugar mesmo né porque até eu acho que foi professor que mencionou sobre a questão do kit giro porque ele fala assim gente olha eu não sou como os outros eu não sou forte eu sou fraco e a diferença é que xixi você sabia fraco Rodrigues não ele chega se achando forte né O que te giro sabia que se ele estivesse vivendo num outro cenário em Portugal por exemplo no Portugal cristão ele seria um exemplo de cristal todo mundo olharia como olhava para Rodrigo de fé meu Deus coloca no contexto de perseguição coloca diante do Silêncio de Deus vamos ver como professor o atlas estão ressaltando com autêntica essa fé constitucional essa fé né E você se você tivesse no Japão no século 17 Será que você poderia estar tão orgulhoso da sua fé das suas boas obras né as suas doutrinas pergunta que eu me fiz também que todo leitor se faz lendo essa obra será que a gente saberia lidar com silêncio de Deus né como alguns Mártires bestas de cargas souberam lidar ou nós seríamos um Rodrigues quem querer ir a Deus mas ao final chegaria algum outro termo ou ainda é um Cristóvão Ferreira que diante do Silêncio de Deus aí o Áquila mencionou né fala bom veja bem sabe qual é o problema o problema é que aquilo Japão isso que você acha que é cristianismo não é cristianismo eles nem conseguiram entender direito por causa da questão do vocabulário tem até um trecho na obra que ele fala ah esse negócio que vocês falam que essa pessoa que você falam que é Deus é eles acham que esse negócio de Deus sol então o Cristóvão Ferreira para justificar a sua apostazia ele recorre a toda uma deturpação da doutrina Cristã restaurada no Japão para dizer que foi uma isso aconteceu em alguns aspectos Em alguns momentos sobre algumas lideranças provavelmente Mas a gente não pode dizer de todos os foram cinco seis mil cristãos martirizados né que todos eles foram enganados será que uma fé ancorada no engano no erro pode levar cinco seis mil pessoas a morrerem louvando a Deus e sem negar o Cristo eu acho muito difícil acho muito difícil essa descrição que o saco na verdade esse essa história que ele laboratório e colocou em umas situações assim que eu realmente não consegui encontrar uma resposta tô até agora pensando o que que eu faria no lugar do Rodrigues vários momentos né e uma das que é mais importante é essa é que o que que significa ter fé quando os outros morrem pela sua fé eu tenho a minha fé se eu não negar minha fé o outro é que vai morrer eu nunca tinha pensado nessa forma de martírio Eu sempre pensei numa tiro como sendo a minha morte por conta da minha fé e aí ele descreve pessoas que morrem pela fé de outro é isso de fato é muito muito difícil de imaginar o que que se deve fazer o que que é expressão contexto como esse né mas colocando um pouco de fato essa questão do silêncio que como parece ser a coisa que mais tem atenção por parte do protagonista o aparente silêncio de Deus é inegável a semelhança que esse trecho tem pelo menos com outras passagens também mas na minha memória com Apocalipse 6 10 quando Existem os Mártires justamente pelo contexto também de martírio que perguntam para Deus né até quanto o soberano eles clamavam em alta voz Até quando o soberano Santo e verdadeiro esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue e talvez as pessoas não estejam assim tão tão conscientes do contexto em que a obra O Apocalipse é escrito mas a obra de João e outras obras semelhantes como por exemplo Daniel vende um contexto como esse que é descrito aqui poxa que é justo aparentemente ele sofre as promessas de Deus ou a manifestação de Deus parece não acontecer no tempo que a gente esperava mas a gente precisa encontrar uma resposta para aquilo que a gente sabe que a gente crê A questão não é que eu estou disposto a abrir mão mas como é que eu entendo Deus participando de uma história tão sofrível como essa que a gente está inserido era essa condição de João é e era essa condição de outras pessoas que parecem também enxergar a história de forma semelhante como João enxergava né ou como ele passou a enxergar em especial por meio dessa visão e eu acho que a perspectiva do apocalipse nos ajuda a perceber um pouco a forma como muitas pessoas responderam a esse dilema que era a Deus não responde para João quando é que ele vai fazer isso aqui no Apocalipse ele diz ó quando atingir tantas mortes quando tantas pessoas forem martirizadas eu vou julgar ele assegura que no fim das contas no fim da história a todos aqueles Mártires terão a sua vida vingada ele dá uma veste branca para aquelas pessoas e a veste branca é o símbolo do exército que será vitorioso daquele Cavaleiro que será vitorioso e assegura no tempo presente A Vitória Já é garantida vocês mas chegará o tempo em que eu vou vingar a morte de todos os Mártires Então é isso eu não sei se Aparece tanto na obra de fusar com eu não percebi mas me parece ser uma coisa que faz parte da trajetória Cristã essa perspectiva de que no meio de todo esse sofrimento nem sempre existe a garantia de que Deus realmente vai responder a oração do sujeito no momento Nas condições que nos pareceriam o ato de Misericórdia mais Óbvio Por que que Deus não responde a oração de Rodrigues né É mas existe essa convicção de que Deus faz parte no tempo presente do sofrimento dessas pessoas o ato de Deus dá uma veste branca de Deus garantir que esse juízo será feito é uma forma de dizer que Deus está participando da história dessas pessoas Então acho muito importante também a gente tentar ver essa expressão da autenticidade do sofrimento e da fé que é manifesta aqui na obra é com essas outras histórias semelhantes que a gente encontra na Bíblia também né existem Paralelos muito grandes saiam mencionar os salmos que manifesta isso em vários momentos mas parece que na obra de João de Daniel e outras semelhantes existe essa proporção cósmica acontecendo é aquilo que você vê acontecendo diante dos seus olhos mas parece que isso não faz parte da experiência só do salmista isso é sofrimento da vida humana como um todo a capacidade de encontrar a presença de Deus e a resposta de Deus no sofrimento como sendo uma parte integral da experiência humana né eu tenho a impressão que a que a floração da Cerejeira Sakura aí que aparece na obra tem a ver muito com a discussão de forma e autenticidade ao mesmo tempo enquanto você tá trabalhando com uma cultura que a expressão concreta é Vital e esses Laços que marcam pertinência esse elemento sociológico definidor de como as coisas se organizam a pergunta é o que realmente está por trás dessas coisas né que que realmente Então a gente tem uma situação bastante curiosa porque o silêncio tá em toda parte né porque aparentemente diante da perseguição não tem Cristão eles estão em silêncio escondidos mas autenticidade está nesses que não falam nada e que estão no anonimato mas O Anonimato tão poderoso que é capaz de mesmo sobre um olhar porque a situação desses camponeses sobre o olhar Europeu é de desprezo e de gente ignorante inferior só vou olhar do governo japonês também é um pessoal que pode ter má influência e deve ser severamente punido mas esse pessoal que não abre a boca eles são protagonistas reais da construção da história e quando a gente olha para aqueles que estão têm a grande aparência que são os grandes teólogos e missionários europeus na hora do vamos ver eles não apresentam o resultado que a gente imaginava e quem vai aparecer no cenário aí é como traidor Por incrível que pareça ele tem um elemento de autenticidade significativa porque depois de toda os elementos externos que compõem a Trama social desaparecerem ou que sugiro vai chegar para ele vai pedir Padre eu quero me confessar porque eu sei que eu tô errado que eu fiquei então e aí o Rodrigo fica desesperado Como assim né porque ele tá preso na sua formulação teológica ele tá ainda mais ou menos em Lisboa Ou pelo menos em Macau eles não eu não posso eu não sou mais agora eu não tenho direito né E aí nesse nesse ambiente assim aparentemente herético você vê uma autenticidade e ele acaba indevidamente aceitando a confissão então quer dizer numa espécie de silêncio em relação as formas exigidas surge um elemento de autenticidade e eu acho isso tão impressionante poderoso e eu vou dizer uma coisa assim curiosa nunca essa perseguição e toda a trajetória difícil no Japão conseguiu acabar com o cristianismo lá e eu conheço um pouquinho mais próximo Japão tive algumas vezes e loucurasidade de atrás de uma série de coisas no Japão tem uma comunidade cristã pequena mas extremamente vamos dizer bem trabalhada com tem 20 universidades Cristã no Japão tem um pensamento muito profundo na área teológica tem uma série de elementos a despeito dos números né e é uma coisa curiosa até hoje o pessoal mesmo comenta lá que se o Imperador né mudar de religião depois da manhã 70% dos Japoneses se dizer né pertencente aquela religião por causa do significado social uma coisa muito difícil para uma pessoa do ocidente especialmente individualista entender esse cenário então assim é bastante interessante como essa realidade permaneceu E aí eu vou dizer uma coisa mais forte é que esse silêncio é Triunfante porque essa história foi guardada poder que ela inspirou né o nosso amigo fuçar correndo para compor essa obra e o grito silencioso daqueles macho ele está falando alto hoje invadiu Hollywood chegou lá o Martins corcese que é uma referência pegou os atores de ponta e hoje o mundo todo escuta em alto e bom som o grito silencioso poderoso dos Mártires que marcaram a história para sempre então assim aquela história que é uma flexão tem uma realidade extraordinariamente poderosa e essa é a vitória do grito silencioso Então realmente Espetacular o que a gente pode ver aí como acho que vale para a gente porque a gente vive Hoje não só na cultura como ela se define né a partir do indivíduo que que tem né predomínio dentro do ambiente social mas mais do que isso a gente vive na cultura do holofote né na cultura do marketing na cultura daquilo que parece impressionar e quando não tem autenticidade nenhuma né então a pergunta é para a gente aonde é que tá a mera forma e onde é que tá de fato aquilo que é capaz de enfrentar a morte da maneira como os Camponeses os nossos irmãos enfrentar então show de bola extraordinário aí a gente lidar com uma obra tão poderosa como essa emocionante bom a gente teve bastante interação aqui no nosso chat É mas não tivemos tantas perguntas Então quem tá participando aí se ainda tem o interesse em fazer alguma pergunta para participar da nossa conversa é um bom momento mas o Danilo coloca aqui a seguinte pergunta o silêncio de Deus está no sofrimento como por exemplo as palavras de Jesus Deus meu Deus meu porque me desamparastes seria um exemplo de Deus na presença no meio do sofrimento do próprio Jesus Com certeza né Nós temos um distanciamento intencional da parte de Deus tanto no que acontece com Jesus como em outros cenários na história bíblica e que isso tem a ver com a oportunidade diferenciada em que o sofrimento nos faz ouvir e interagir com Deus de uma maneira muito peculiar diferenciada e eu diria insubstituível bom a gente não tem a Tantas perguntas aqui então se Tivemos alguma palavra aí para gente fechar a nossa conversa acho que seria bom para a gente também estimular o pessoal a se envolver com essa obra do saco indo Ah eu posso falar Então olha gente quero partilhar com vocês assim a minha experiência pessoal como leitura mesmo e também algo que me acompanha desde a minha o início da minha jornada de fé Normalmente quando alguém se converte o versículo que ele decora junto às 16 né Porque Deus amou muito a maneira que deu seu filho de gente para todo aquele que nele crer não oferece mas tem a vida eterna eu o primeiro que eu memorizei foi no final dos tempos o amor de muitos esfriará esse versículo me catou porque eu sempre tive muito medo de estar contado Entre esses muitos cujo amor se esfriará no final dos tempos então toda vez que o meu amor começa a se esfriar que eu começo a falhar nas minhas práticas espirituais eu saio correndo atrás da igreja do Senhor buscar tanto alguém pela escritura para orar para fazer um estudo bíblico eu meus amigos se tem alguém me acompanhando sabem disso eu tô sempre chamando Fulano Vamos ler Vamos ler o Novo Testamento Vamos ler o antigo Vamos ler a Bíblia toda e tô pontuando isso porque porque se você Tá experimentando um momento de silêncio da parte de Deus e assim como Rodrigues sente a sua fé oscilando procura ajuda procure alguém é em que você veja sinais de uma fé autêntica né como professor diz a gente tem que observar a forma e autenticidade mas nós temos boas comunidades nós temos bons sacerdotes nós temos bons irmãos que estão a empenhados em realmente caminhar com Deus inclusive no silêncio dele então faça isso pelo fortalecimento da sua fé se você já recebeu o fundamento da Fé Mas ela começa a oscilar seja por qual motivo for não só o silêncio de Deus Mas de repente a falta de sentido ou até essa essa variedade de Deus falou comigo Deus falou comigo Deus falou comigo um pombo voou Deus falou comigo né porque assim tem gente que tá sofrendo uma crise de fé porque Deus silenciou tem gente que tá sofrendo porque Deus falou prometeu mundos e Fundos A prosperidade quando não sei quem o casamento como sei aonde nada se concretizou então poxa será que foi Deus quem falou seja como fosse a sua fé oscila procure ajuda e nós aqui na ibmu estamos a sua disposição para caminhar com você não porque estamos prontos Nós não somos como Rodrigues eu pelo menos estou muito mais para que te giro lá é que pastor rico é a pura verdade que se gira é um personagem problemático porque o Rodrigues e depois passa a obra inteira correndo atrás de Rodrigues em todo Porto de parada do martírio da prisão de Rodrigues ele tá sempre escondido e ele procura Olha eu sou Cristã eu sou cristão me prenda eu sou cristão ele começa a ser tomado inclusive como louco né porque tem hora que ele entrega os sacerdote a hora que ele vai lá e fala Cristão e depois ele pisa na fomier E aí se arrepende da apostasia então assim eu não sei como tá a sua fé mas eu receio muito pela fragilidade da minha e é por isso que eu não me afasto do aprisco porque ovelha sozinha é presa fácil para Lobo a gente sabe que às vezes o lobo está inclusive dentro da igreja né porque Muitos virão vestidos em pele de cordeiro e não passam de lobos mas existem de fato comunidades em que Cristo é o senhor em que ele é o bom pastor e ele Supre as suas ovelhas guiando as águas tranquilas e pastos verdejantes Então o que eu desejo para você que está nos ouvindo é que você tem a sua fé vivificada fortalecida edificada na presença de Cristo Jesus é o que eu te desejo todo o meu coração agradeço o professor Saião e o Áquila também pela participação e pela paciência com comigo gente é isso aí vou acabar porque ai meu deus do céu Ô gente esse livro põe a gente o atlas disse uma coisa que me comoveu o professor você encerra o livro e você não tem condição de dizer prontamente eu faria assim eu farei assado eu penso isso eu acho que ele é um livro que nos coloca de joelhos verdade Israel com toda certeza né é esse é o tipo de literatura valiosa né que que nos ajuda a fugir da ameaça maior do que a Perseguição que é o perigo que a gente causa a gente mesmo né E talvez exatamente por isso Deus às vezes nos coloca numa situação de limitação de Sofrimento às vezes ele fica em silêncio a gente não percebe não entende mas muito além do que pesar no fulmier a gente pode causar dificuldades impensáveis para nós mesmo então esse agir misterioso diferente incompreensível de Deus é fundamental na nossa vida e a obra ela é extraordinária no sentido que no Bom significado do tema ela tira o nosso chão no qual a gente não deveria estar pisando firmado né então muito obrigado a todos né benew está aí para ser canal muito de benção Muito obrigado Rina por esse Ministério importante ou Áquila também vamos continuar estabelecendo né as conexões entre literatura cultura e a palavra de Deus é a nossa caminhada de fé que ajuda a entender o que o livro Deus abençoe a todos e fica sempre em sintonia conosco inclusive no convite que vem a gente vai ter os nossos projetos do reino lá apresentados diversos projetos que alguém pode se interessar desenvolver e entre eles também ler para crer para para ter a visibilidade e ampliação da sintonia para abençoar muita gente Obrigado rindo Obrigado Saião pela conversa eu gostei muito da indicação desse livro dessa rodada do ministério aqui lê para crer e eu fiquei obviamente o livro não tem essa função principal mas eu fiquei imaginando o que que transposto no tempo e no espaço significa essa esse dilema que os cristãos camponeses enfrentaram na nossa Cultura a gente não fala declaradamente qualquer tipo de negação semelhante ao que é descrito aqui mas como colocou Saião existe um contexto cultural que seria semelhante a construir um falso fundamento para nossa fé na nossa cultura no nosso tempo e fica muito muito pertinente aí a dica e a recomendação desse livro para a gente entender melhor o que que significa essa fé autêntica e eu agradeço esse tempo juntos um abraço aí Áquila os nossos queridos do Japão que estão acompanhando aqui vários mandaram mensagem aí a gente tem aí com a gente a Lari e o Binho pastor seje também mandou mensagem então nós temos uma turma aí sintonizada um abraço a todos os niqueis e os brasileiros os que estão né lá na Terra do Sol Nascente aí e como um sashimi eles podem visitar esses lugares professor né eles podem ver as fome esse que tem lá e visitar o mundo mentem Nagasaki o túmulo de Ferreira que tá num templo lá no Japão né o registro da sua morte foi incinerado com a bomba atômica em 45 mas o túmulo tá lá ainda irmãos que privilégio um abraço a todos aí Deus abençoe e boa noite e bom dia né então todo mundo aí [Risadas] tchau tchau obrigada tchau tchau pessoal obrigada