TRAFICANTES EVANGÉLICOS
29/06/2023
Rodrigo Bibo e André Reinke conversam com Viviane Costa sobre os novos bandidos de Deus. Traficantes evangélicos é resultado de uma pesquisa que investiga o fenômeno da associação entre traficantes de drogas e a fé evangélica nas comunidades do Rio de Janeiro. Esse fenômeno narcorreligioso carioca instiga perguntas provocantes, como: é possível ser traficante e evangélico? É possível dizer quem são os traficantes evangélicos? Existe um perfil evangélico comum entre os que se autodeclaram cristãos?
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
E aí, aí, alô, alô, alô, alô, um, dois, um, dois, vocês tão me ouvindo? E aí, pessoal, sejam bem-vindos a mais uma live aqui no canal do YouTube do Bibo Talk. Tivemos uma live na segunda-feira, onde eu não estava medicado. Se você ver aquela live, você vai perceber que eu estava muito fora do tom, mas foi engraçado demais, né, gente? Meu Deus, agora tô com o remedinho tomado, na miligrama certa. E tá tudo certo. Galera, sejam muito bem-vindos a essa live. Já vai me dizendo aí de que cidade você tá falando, se meu áudio tá bom, se a minha imagem tá boa, beleza? Uma live hoje com um tema novo pra mim e, ó, eu tenho perguntas também. Já quero dizer o seguinte, vai assistindo a live aqui, deixa um pouquinho os comentários de lado, que senão vira um assunto paralelo nos comentários. Depois a gente vai abrir espaço para perguntas, beleza? E a nossa convidada, Viviane Costa, vai responder algumas perguntas que vocês fizerem aí nos comentários, mas deixa o papo rolar primeiro, beleza? E temos André Raiker aqui também, que vai nos ajudar. Salvador presente, Rio de Janeiro presente, Curitiba, áudio bom, obrigado. Bruna, boa tarde, Bibo, sou de Itaguaí, Rio de Janeiro. Muito legal, muito obrigado. Vai dizendo aí, gente, vai dando um like também aí, ó, 59 pessoas assistindo, 69 agora. Sai do chat aqui, dá um likezinho, pega o RL, joga nas redes sociais, convida o pessoal pra vir pra essa live aqui. A live vai demorar aí aproximadamente 40 minutos, uma hora, um papo aqui pra gente, um papo introdutório sobre esse tema aí que é teológico, é antropológico, é sociológico, religioso, enfim, um tema bem interessante. Ô, louco, Rio de Janeiro dominando aí, Porto Velho, Viçosa, Minas Gerais. Felipe, manda pra cá um doce de leite, pelo amor de Deus. Ah, de Douglas, a tua pergunta é boa, a gente faz no final, mas eu não vou lembrar. Gente, não é que assim, ó, falando bem sério, na hora da pergunta, se você quiser fazer um super chat, faz porque daí a a pergunta se brilha aqui pra mim, ela aparece, tá bom? Você pode dar um real de super chat, mas isso ajuda. Volta Redonda, ah, boa tarde, sou de São Paulo. Você é muito top. Obrigado, Carina, porque você não me conhece. Quem me conhece não acha tão top assim. Fortaleza, olha aí, Sara Cavalcante, muito bem. Muito bem. São Bento do Sul, caramba, Rodrigo, São Bento do Sul aqui de Santa Catarina? Meu Deus, que que é isso? Alguém de São Bento do Sul, o que que é isso? Boston. Ô, MA é Massachusetts? Ô, Massa, eu queria morar em Massachusetts. Eu não sei falar Connecticut, Connect, Connect, Massachusetts eu até consigo, agora Connecticut eu não consigo falar. Muito bem, Vilma, Vilma Boston, muito legal. Ah, é isso aí, gente. Muito obrigado. Vai dizendo aí, Mossoró, Rio Grande do Norte, São Paulo, São Paulo, Uberlândia, Minas Gerais, a terra onde não tem taxista. Vamos lá, Piritu, Piratuba. Americana, olha aí, muito bom. Vou chamar aqui o André Reinke, ele tá comigo nessa empreitada aqui. Seja bem-vindo, André Reinke, aqui pra nossa entrevista. E aí, tudo certo? Prazer. Tudo bom? É nós, tamo junto, misturado. Hoje, né, inclusive essa live aqui foi uma das propostas do André aqui. Ele leu o livro, falou assim: "Mano, a gente precisa falar sobre isso". Eu falei: "Beleza, bora. Você tem contato com a autora?" "Tenho". Então, simbora falar sobre traficantes evangélicos. Quem são e a quem servem os novos bandidos de Deus. Olha aqui, ó. Livro da Viviane Costa, tá? Uma parceria da God Books com a Thomas Nelson Brasil. Gostei muito dessa capa do Rafael Brum, ele é um dos capistas oficiais da Thomas. Eu acho que é dele, né? Rafael Brum. Olha aí, ó. Tá aí, gente. Eu tenho, eu tenho autografado pela autora aqui, ó. Caraca, mano, aí sim, hein? Aí no no no mercado, no mercado paralelo vale mais. Ela foi no meu lançamento lá no Rio de Janeiro, do lançamento. mano. Sinal que de ti ela gosta. Eu tive no Rio, acho que ela não foi, pelo menos eu não vi, né? Feio, vou perguntar pra ela pessoalmente aí depois. Mas sem gente, recebam com muitos likes. Ah, é, e aí Bibo, do BTD de Floripa, vou estar, dá aí um oi para você, beleza Gaba, é nós no BTD. Gente, recebam com muitos likes, curtidas e aplausos no chat. Viviane Costa, seja bem-vinda, querida. Olá, gente. Tô por aqui, eu não tive na sexta-feira, mas eu assisti você completamente descontrolado. Na conversa, agitadíssimo mais do que o normal. Agitadíssimo. Cara, eu, é assim, é que eu, eu, eu passei, eu tava numa semana tão, tão turbulenta, vindo de uma semana, que eu acho que eu, eu, eu, eu extravasei. Eu, eu, sei lá, acho que daí eu, eu economizei na terapia, mas gente, eu não tomei Red Bull, eu tomei um cafezinho só, eu tava a base de água e bolo de milho, acredita? Enfim, acho que eu não te vi por isso, eu tava trabalhando, tava atendendo no consultório. Aliás, vou falar isso, você é pastora, pesquisadora, psicoterapeuta, meu Deus, é mãe? Eu ouvi você falar minha filha trouxe aqui. Duas filhas, uma de 18 e uma que faz 15 agora. Caraca, uma começou muito cedo, outra tem, outra tá na religião do Tom Cruise. Eu tenho 40 anos. Então. Eu tenho 40, olha a diferença, caraca. Ela é da cientologia. É, tá na, é da religião do Tom Cruise, cara, que não pode, tá louco. Parabéns, Bibo, legal. Então tem essas multitarefas aí. Vivi, seja bem-vinda então aqui ao nosso, ao nosso papo, obrigado por ter aceito o convite. E gente, olha só, é, é um tema bem difícil, eu tô até um pouco nervoso, que eu não quero errar nenhuma palavra, porque eu tenho medo, né? Eu tava no Rio com medo, eu tava brincando, gente, me leva logo para Joinville, pelo amor de Deus. Que eu ainda vou fazer uma live sobre esse tema. Mas Vivi, vamos lá, traficantes evangélicos. Primeiro eu quero saber por que essa pesquisa, por que, como é que foi fazer essa pesquisa, por que esse tema, tá? O que que te levou a escrever, não sei se foi um trabalho acadêmico seu e que daí virou o livro, ou não, foi uma curiosidade que foi ganhando corpo e você foi escrevendo? Por que esse tema, né, sobre traficantes evangélicos? Que coisa é essa? Então, minha mãe me faz essa pergunta toda semana, né? Minha filha, tanta coisa. é preocupada. Tanta coisa para você fazer nessa vida, né? A menina boa, inteligente, uma mulher de Deus, vai escrever sobre esse assunto, traficante evangélico, assistindo as reportagens do Rio de Janeiro. Mas você sabe que eu não ia pesquisar isso, assim, não tinha essa intenção. Eu fiz faculdade de teologia na Facade, na faculdade da Assembleia de Deus aqui no Rio. E quando eu terminei, eu estava num processo de muitas mudanças na minha vida pessoal. E comecei a dar aula em algumas igrejas, eu criei um instituto de teologia, inclusive aqui, né, nessa conversa que a gente tá conversando num num canal absurdo de de formação teológica, de pensamento teológico. Eu tava fazendo isso em 2015, 2016, presencial nas favelas do Rio de Janeiro. Então, no Vidigal, no Rio das Pedras, é, na zona norte do Rio, onde tem algumas favelas, inclusive Parada de Lucas e Cidade Alta, que são essas onde eu pesquiso agora. Mas o meu meu objetivo ali era pensar teologia de forma interdenominacional, principalmente igrejas pentecostais ou pentecostalizadas. E aí, nessas entradas e saídas de território, comecei a ver esse território mudando. Então, eu pregava nessas igrejas, dava aula, ainda ainda dou aula, ainda prego, mas assim, nesse período de forma muito mais frequente. E aí eu comecei a ver o cenário dessas favelas mudando muito rapidamente para para quem tava vendo de fora, né, no caso, que não tava muito acostumado ainda, porque eu venho de Nova Iguaçu. Nova Iguaçu, a gente tá muito acostumado com dominação de milicianos. Então, é primeiro com como grupo de extermínio, depois como aqueles que vão tomando conta do território com gato net, né, que é uma internet paralela, o o o o gás de botijão de gás, né, gás de cozinha, é, segurança dos lugares, eles cobram uma taxa de segurança do comércio local. Então, isso daí para mim já estava muito tranquilo. Mas essa dinâmica do tráfico Tranquilo assim, é também é uma coisinha é leve, é leve, coisinha. Eu curtindo, eu curtindo. Eu estava eu já estava muito acostumada com isso, aquela coisa da minha mãe dizer: "Olha, entra cedo em casa porque estão dizendo que hoje aí vai cair um em cinco". E aí a gente entrava cedo e e 10 horas da noite a gente ouvia barulho de cavalo passando. E aquelas cavalgadas assim, a gente sabia que os milicianos estavam andando na rua e realmente no dia seguinte tinha quatro, cinco num valão e aí todo mundo dizia: "Morreu porque fez besteira, morreu porque estava fazendo coisa errada". Então, essa dinâmica da da milícia já eu eu já estava acostumada de certa forma desde 10, 12 anos de idade, mas quando chego na favela e tenho esse contato com com a dinâmica do tráfico de drogas que até então era muito diferente, agora ela começa a se misturar um pouco, mas até então era muito diferente, eh aquelas imagens todas de São Jorge, imagens de Nossa Senhora, imagens eh eh de São Jerônimo, Santa Anastácia, muitas imagens na na na favela, elas começam a ser substituídas. Em alguns lugares elas já tinham sido cobertas, já tinham outras imagens, eh e em outras eu fui vendo elas sendo substituídas. E nessa observação eu percebo que num determinado momento eu vejo a frase Jesus é o dono do lugar. Eita! Então assim, Jesus é o dono do lugar é o título da dissertação, porque esse é o livro que que que que vem desse trabalho, né, como resultado desse trabalho de de mestrado em Ciências da Religião numa linha de pesquisa de Linguagens da Religião na Universidade Metodista de São Paulo. Mas o título da da dissertação é esse, Jesus é o dono do lugar, porque é a primeira frase que eu vejo, que eu identifico como uma mudança eh significativa e que tinha alguma coisa para dizer, mas eu não sabia exatamente o quê. E aí com os meus alunos em sala de aula, alunos ex-traficantes, alunos ainda eh participando do movimento eh e outros alunos que que estavam naquele trânsito, né, de na tentativa de uma conversão, mas estudando Teologia, tentando aprender um pouco mais sobre o Novo Testamento, que é era a a a a disciplina que eu trabalhava muito frequentemente. Então assim, esse foi o contexto em que eu, eu comecei a pensar em pesquisar esse assunto. Quando eu vi Jesus o dono do lugar eu falei: "Não dá para uma pastora pentecostal estar dentro da favela e ver Jesus sendo usado no contexto de violência". E aí eu vou levando, é, esse, esse objeto para o mestrado pensando em provar que o nome de Jesus não pode ser usado em contexto de violência. Caraca. Hum, nossa. Não, isso, isso é uma observação importante, né? O nome de Jesus sendo usado em contexto de violência. Cara, isso já já comunica algo, né? lugar, porque quando a gente pensa nessa imagem de Deus, é, veterotestamentária, quando a gente pensa nessa imagem de Deus no Antigo Testamento, você até entende que talvez tenha uma leitura atravessada e tal, mas Jesus é o dono do lugar como assinatura de conquista de território, e aí eu só vou descobrir depois que esse Jesus é o dono do lugar é uma assinatura de uma conquista de território, é, por uma facção que tem como, como líder um, um, um jovem ordenado pastor numa igreja, é, pentecostal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense aqui no Rio. Caraca. Nossa, nossa, é. Enfim, André, se você quer dar o, alguma, a gente ia começar lá falando sobre a religiosidade brasileira, né? Mas eu já comecei a perguntar sobre o que inspirou o livro, já entramos com tudo subindo, passando a barricada e é isso aí. As primeiras coisas que me ocorreram quando ela estava falando que Jesus é o dono do lugar, é, me ocorreram a ver de um fundo teológico, não é? Que é uma teologia de domínio. Que frequenta muitos púlpitos do meio evangélico, não é? Então essa coisa, ah, Jesus é dono do lugar, eu vi isso acontecer em Marcha para Jesus, não Você passar no meio dos lugares, nós estamos tomando conta, dominando, mas é curioso porque, que eu acho interessante nesse processo todo de, que é que eu gosto muito desse assunto, que é o uso da metáfora, o uso do símbolo e tudo mais. Enquanto nós evangélicos normais, vamos dizer assim, entre aspas, é, usamos esses termos num sentido metafórico, e usamos as expressões bíblicas do tipo exército de Deus, a gente cantava, né, somos exército de Deus e tal, a gente usava isso tudo num sentido extremo, é, metafórico, é, muito simbólico assim, que trata mais a questão do símbolo profundo, esse pessoal me parece que tá usando isso de uma maneira muito mais literal do que nós jamais imaginamos usar. Isso é, é, é uma coisa que me deixa impressionado assim, né? Porque a gente fala muito da literalidade bíblica. Exato, exato. E de repente a gente se vê que nós estamos usando, transformando tudo em metáforas e tem um grupo que está à margem daquilo que nós entendemos, e eu insisto nisso, né, do mundo ético e proposto pelo evangelho, mas eles estão usando essas coisas de uma maneira literal diferente da nossa, né? Entendi. Agora vem cá, é, é, fugindo um pouquinho, ah, não é fugir, a gente vai fugir um pouquinho do tema específico da live, mas tá casado, tá dentro do, do, do guarda-chuva. Mas, por exemplo, quem acompanha filme já viu, por exemplo, né, a máfia italiana e o catolicismo, né? Ah, na série Sopranos, acho que eles também têm uma religião, eu acho que são católicos também, né, os Sopranos, ou são protestantes, agora eu não lembro. Mas enfim, são católicos. É. É, máfia católica e tal. Então parece que esse elemento religioso mesclado com, com o crime, ele não é uma novidade do Rio de Janeiro. Deixa eu só completar a tua, tua pergunta, pra responder depois, porque tem tudo a ver, né? É, a gente costuma ver em seriados, eu, por exemplo, sou fã de Sons of Anarchy. Tire as crianças da sala, proibido para menores de 18 e tal, mas é um troço fantástico, porque toda a questão religiosa católica tá junto ali e você tem inclusive os maias, que são os se intitulam los assassinos de Dios, que são católicos e extremamente violentos, bem envolvidos com tráfico de armas e tudo mais e a gente vê isso tudo com uma naturalidade, por quê? Porque são católicos. Ou são do candomblé. Uhum. E de repente você vê uma outra situação acontecendo agora com aquilo que tá no nosso campo. Então agora eu deixo a Viviane falar sobre como ela viu isso acontecer no Rio. Eu acho que o que é importante a gente pensar que um criminoso não precisa ser um arreligioso. Criminoso é uma pessoa. É um sujeito, é um indivíduo. Ok. Então essa pessoa, ela tem, é, ela tá inserida, mergulhada num caldo cultural. Num caldo cultural que que é construído não só com linguagem, é que o Budia vai falar dessa de um sistema de linguagem que que é um criador de mundo e também de manutenção de poder e também de sentido. Mas ele é uma pessoa e aí se a gente for pensar por exemplo como o Bibo falou que a gente que tinha pensado em começar essa coisa, né, da do contexto religioso brasileiro, ele é um cidadão brasileiro. Fruto de uma de uma cultura e que também compõe essa cultura, também ajuda a construir essa cultura. Então eu acho que é importante a gente a gente pensar que a religião é uma categoria de constituição existencial e social. Então não dá pra gente separar e pensar que porque a pessoa é uma criminosa, ela ela necessariamente não pode ter uma religiosidade. Outro ponto importante que o André disse, é, enquanto era um traficante católico que tava ali, né, com com medalhão de São Jorge ou se for num presídio, por exemplo, se for no sistema carcerário, as tatuagens elas comunicam muitas coisas no sistema carcerário. Então se tem uma caveira, né, o tipo de crime que a pessoa cometeu, se tem uma determinada divindade é tatuada, quer dizer que é de uma determinada facção, se tem outra divindade de outra facção. Então, tem muitas representações também nesse sentido, mas quando quando a gente olha para esse traficante que é católico, OK, como se a teologia católica legitimasse esse movimento de um traficante católico. E não legitima. O que faz com que a gente olhe e a gente aqui eu tô me incluindo mesmo, porque até então não era uma questão, é, o que faz com que a gente olhe esse traficante católico que tem uma tatuagem, uma medalha ou um São Jorge na entrada da favela é com mais naturalidade? Provavelmente seja a culturalização desse catolicismo ou desses catolicismos. E aí a gente vai ter o PR Sanches falando de catolicismo cultural, de uma catolicidade, de como que essa cultura católica e como que o catolicismo ajuda a construir essa cultura. Essa naturalização vem dessa culturalização. E aí quando a gente chega e olha o movimento evangélico e aí aí sim, Bibo, tem muito a ver com esse com essa mudança do campo religioso brasileiro, com essas múltiplas religiosidades que que que a gente conhece e a gente muitas que a gente ainda não conhece, mas muitas que a gente já consegue identificar e mais ainda, com a mudança do campo religioso brasileiro mais católico e e nas últimas décadas muito mais evangélico. Tá, ô Vivi, com isso tu quer dizer, Vivi, intimidade de dizer Vivi. Vivi, isso quer dizer então que, por exemplo, a sempre houve uma religiosidade no morro. Pode falar morro ou eu tô sendo Pode falar morro. Eu não quero errar as palavras aqui, tá? Ô gente, pelo amor de Deus, eu tô brincando, né? Então assim, então sempre existiu uma religiosidade nas comunidades. Então, quer dizer, então, é, a gente já teve então os traficantes é de religiões de matriz africanas, passando pelo catolicismo e agora tá se destacando mais a questão evangélica, pelo menos é é o que tu tem sentido na maior parte das comunidades do Rio ou não? Ainda Ou existe uma briga até não porque a facção, facção, não sei se é o termo que se usa facção, galerinha. Facção evangélica, tem a facção católica, tem a facção adventista, que daí não trabalha na sexta depois das 6 horas. Como é que rola uma parada também religiosa assim? Tipo, não, tem a facção dos evangélicos e tal, bandeira de Israel. Tem a facção da Nossa Senhora, pá, só de mulheres traficantes. Ou não? Eu tô, pô, daria uma série isso aí daí de doido, mas enfim. Tu tá viajando muito Frank Miller, né? Pois é, pô, facção de mulheres, mano, sei lá, pô. Você é muito criativo. É, as Beneditas ou Magnificat, alguma coisa assim, sei lá. As Filhas de Maria, pô, sensacional. Oi, Amazon Prime, vamos fazer uma série. Vários propósitos aqui já de título. Mas eu não diria que que a gente tá falando de maioria quando a gente fala de traficantes evangélicos. E nem que a gente tá falando de uma substituição. Na verdade, a gente tá falando de um fenômeno que começa a aparecer e não é recente, a gente, né, eh, o livro fala disso, eu costumo sempre falar sobre isso. A Cristina já estava falando sobre esse assunto, a Cristina Vital já falava sobre esse assunto no início dos anos 2000. Ela publicou um livro com o título Oração de Traficante, nesse livro ela transcreve, esse é eh, isso daí é traficantes evangélicos e aí tem Oração de Traficante também da Cris. Eh, ele coloca, ela coloca ali a oração que eles faziam no radinho todo dia 5:30 da manhã. Essa oração ainda continua acontecendo em outras favelas, ela ela tá em pesquisa na minha Karina, mas ela continua acontecendo em outras favelas, não como uma uma reza, né, com repetição, mas com um uma uma oração que acontece todos os dias com com com com alinhada assim com o propósito e com a ética local. Que é evitar confronto com a polícia, evitar que tenha confronto com a facção rival, se quiser conquistar um novo território avisa antes da facção que tá querendo conquistar esse novo território para eles poderem liberar e não ter troca de tiro. Claro que às vezes acontece de ter troca de tiro, mas a ética vai sendo apresentada também na na oração, como a proibição do crack, como a necessidade de orar, eh, de estar sempre em contato com Deus, de pedir proteção a Deus pra pra pra viver essa essa essas experiências todas que são ameaçadoras do crime no Rio. Então tudo isso aparece na nessas orações, mas não dá pra gente dizer que tem uma facção que é católica, uma facção evangélica e outra de mentira. O que dá pra gente pensar é que no caso do Terceiro Comando Puro, que é essa facção que eu pesquiso, que tem como líder o Álvaro Malaquias, o Álvaro Malaquias é esse jovem, ó, deve tem um pouco mais de 30 anos, que foi ordenado pastor, eh, na numa igreja pentecostal, não vou dizer o nome, numa igreja pentecostal da Baixada Fluminense no Rio. Hoje ele faz parte de uma outra igreja que já é dentro da comunidade Parada de Lucas, também pentecostal. Como é que é o nome? Parada de Lucas? Parada de Lucas é o nome da favela que que é de localização dele e Cidade Alta, que é uma favela, eh, eh, próxima, eh, que tem que está ali na fronteira, é onde tem a Estrela de Davi que ele colocou na caixa d'água, sinalizando ali a dominação da Mas aí eu vou cortar que eu preciso terminar essa daqui. E aí no caso do Peixão, a religião tá muito na estrutura, na ética, na estética, eh, no no no nas normas locais, nas estratégias de guerra, de quando ele vai avançar, de quando ele não vai avançar. Então as revelações e as estratégias de guerra são são dadas em momentos de oração. Eh, então tem tem uma uma Josué lutar no morro. Olha aí. Então tem uma coisa, eh, tem uma estrutura teológica na narrativa e em outro em outros em outros lugares, outros elementos desse desse desse tráfico de drogas, dessa dinâmica. Nas outras favelas não. Nas outras favelas tem traficante que é devoto de São Jorge, tem traficante que é devoto de outras religiões e tem traficantes também que vão à igreja, que tem família evangélica, que tem práticas evangélicas. Então não necessariamente é uma facção religiosa contra outra facção religiosa. Ô, Vivi, eu vou entrar nessa pergunta. Quer fazer alguma colocação, André, ou eu posso fazer a pergunta aqui que eu acho que tá que muita gente quer fazer. E eu vou fazer a pergunta agora, Vivi, porque eu acho que tu já deu uma margem para eu perguntar isso. Eh, tu falava no começo ali da nossa entrevista: "É, ele é um ser humano e como ser humano tem as suas tendências religiosas e tal". Agora, assim, tem a questão da ética, por exemplo, ah, vamos pegar, vamos falar dos, acho que evangélicos e católicos, né? Como é que eles, sendo ah, traficantes, ou eles até se denominam, né, bandidos de Deus. É uma coisa é o André, né, contrabandista de Deus que contrabandeava Bíblia lá para a janela 10/40, acho que é isso, né? O irmão André. Agora, essa galera não, eles são traficantes mesmo, enfim, e né, os bandidos de Deus. Por exemplo, eu sou um cristão. Quando eu faço uma coisa errada, tipo, dá aquele peso, assim, tipo, errei, vacilei, pô, Senhor, me perdoa e tal. Eles têm essa consciência, tipo, ou é meio que assim: "Cara, essa é minha vida, eu nasci aqui, Senhor, abençoa o rolê", tá ligado? Não sei se chegou a ter uma conversa com algum deles, porque tu foi lá, né, tu entrou, tu conversou com a galera e tal, né? E tipo assim, como é que é? Há uma consciência, tipo, "Ah, o que a gente faz é errado, mas é o que tem para hoje, então simbora em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, pei". Como é que é assim? Em nome de Jesus mesmo, no caso. Eh, assim, a gente, a gente precisa de novo olhar para algo que, que o André costuma falar sempre e no lançamento do livro dele aqui no Rio, ele até falou sobre isso, né? A leitura do Antigo Testamento tendo Jesus como chave hermenêutica, chave hermenêutica e tendo a leitura do Novo Testamento tendo, ou a leitura de Jesus tendo o Antigo Testamento como chave hermenêutica. Então, o que, o que se tem ali é uma leitura do Antigo Testamento e uma leitura de Jesus com a hermenêutica do, do Antigo Testamento. Porque aí Jesus é esse Senhor dos Exércitos, Jesus é esse guerreiro que naturalmente substitui esse essa esse arquétipo de São Jorge, que é essa divindade que está sendo substituída e também Ogum, que é uma divindade que que está sendo substituída nesse sincretismo religioso brasileiro. Então a coisa do fechamento do corpo, a coisa né da da da das rezas e das práticas que aparecem na literatura, aparece na na no cinema, então a gente tem muitas muitas muitos exemplos disso. Então tem uma leitura de Jesus com essa hermenêutica do do texto do Antigo Testamento. Para além disso, acho importante a gente dizer, para não parecer que que isso está tão desconectado da realidade realidade para quem vive lá. É é necessário haver uma relativização de muitas muitas questões sociais. Uhum. Inclusive do que é criminalizado ou não. Eita. Então no no discurso que se tem acesso ali ou na construção desse mundo a partir de uma linguagem, de uma narrativa, o criminoso é o Estado. Uhum. É isso que eu queria comentar. É eu a questão que eu aí eu já jogo para ti de volta em seguida, né? É porque você estudou sociologia, eu não estudei, mas essa questão de da ausência do Estado e de repente dessa dessa figura do traficante se ver como uma autoridade legal local para instituir uma ordem relativiza muito noções éticas que são comuns em outra situação, né? Exatamente. Então assim, o Estado, quem possibilita a chegada dos entorpecentes nas favelas é o Estado. Não é esse Estado que a gente conhece e e aparece na TV, mas o paraestado, o Estado paralelo. Então como que chega o armamento na favela? Como que chega é o entorpecente na favela? Tem uma uma estrutura institucional que de certa forma permite que isso tudo aconteça. E quando chega na favela essa narrativa é relativizada. Então, por exemplo, nessas favelas não pode se comercializar o crack. O crack não é vendido. O peixão, em referência a ao peixe mesmo, né, o símbolo do do do cristianismo primitivo, aqui o peixão eh que é esse pastor ordenado, que é o líder do desse segmento do Terceiro Comando Puro, que domina o Complexo de Israel e a Cidade Alta aqui no Rio de Janeiro Complexo de Israel. Complexo de Israel. Ele deixa claro que eh ele é o rei da erva. Então, ele trabalha com a erva, erva do campo. Então, tem algumas relativizações aqui, é claro que eu não tô reforçando o discurso e não tem a ver com isso, eu tô relatando um fenômeno, né? Esse fenômeno tem relativizações necessárias para se se manter, para existir. E outras coisas também, assim, é importante que ele diz, por exemplo, na tomada da Cidade Alta que Deus disse a ele que queria livrar a Cidade Alta de uma opressão da facção anterior. Então, ele diz assim: "Deus me disse que é para libertar a Cidade Alta do comando". Então, eu não sei se vocês vão tá aí, vão trocar tiro comigo ou não. Eu eu transcrevo essa essa esse áudio dele no no livro e ele diz: "Eu eu não sei, mas assim, Deus me prometeu a Cidade Alta, isso não tem nada a ver com os meus parceiros aqui, isso não tem nada a ver com o movimento, isso não tem nada a ver com ninguém, o negócio meu e de Deus. Ele disse que vai me dar a Cidade Alta". E ele tomou a Cidade Alta mesmo, eh em 2016 ele toma, conquista a Cidade Alta, nesse momento as as estrelas de Davi vai para cima da caixa d'água e aí ele declara, num outro áudio, que também tá transcrito no livro, que a Cidade Alta, desde agora e para sempre, é do Deus vivo lá de Israel. Então, ele considera que essa tomada de território, expansão do território, é na verdade as bênçãos de Deus sobre a vida dele, que tá dando uma revelação, um direcionamento, ele vai lá, conquista e agradece a Deus colocando um símbolo ali de dominação, que é a estrela de Davi. Cara, isso buga muito a minha cabeça porque eu sou um religioso bem quadrado, assim, né? Ainda que tem gente que acha que eu sou liberal, eu sou bem conservador em muita coisa. Né? Esse é um dos fenômenos mais fenomenais do Bibotalk é que todo mundo é absolutamente conservador. Exato, cara, exato. né? A Viviane que costuma caminhar bastante com o pessoal progressista, ela sabe que a gente é conservador, entendeu? É, eles nem gostam da gente, cara. É, é. E eles são conservadores. Pois é. Exato, é então, mas aí isso assim, porque cara, e aí eu acho que gente, tem uma fala da Viviane que eu quero aqui fazer um um um reforçar. Ninguém tá validando nada aqui, tá? Por exemplo, eu já vi comentários assim, acho que foi até em postagem da Viviane ou alguém respondendo a nossa live. Gente, traficante evangélico não existe. Gente, existe? Tá aí. A gente só a gente tá observando um fenômeno e se ele disse que ele, você pode achar que ele não seja cristão, ó, porque o que eles fazem tá errado conforme a Bíblia, tá? Você tem o direito de achar isso e tudo bem. Tranquilo aqui, mas eles existem e eles se entendem dessa maneira. E olha só, com experiências e porque a religiosidade humana, cara, é uma parada todo mundo lida com com o fenômeno da fé a partir do seu contexto. A doutrina ela é localizada. Por isso que a doutrina ao longo dos séculos ela vai ganhando alguns contornos, algumas imutáveis, né? Elas sofrem pouquíssima mutação ao longo aí dos milênios. Que é a base da fé cristã, mas cara, muitas outras coisas existe uma uma uma sabe, uma uma uma fluência porque elas são localizadas, são tempos históricos distintos e tal e isso influencia nossa forma de nos relacionarmos com a Bíblia. Que é mais ou menos o que tu pesquisa no no teu livro, né, André? Essa ideia de como um único livro vai gerando povos diferentes e compreensões diferentes, né? A gente tem um fenômeno parecido aqui para entender como pessoas que do nosso ponto de vista, aqui, meu Deus, traficante, aí, é, como é que eles podem adorar Deus? Então. aí é a questão da ressignificação da narrativa, né? Olha aí. Eu vou, é, é, é, eu, eu falo numa live outro dia, eu disse qual que era, com o, acho que não sei se era contigo até, mas, ah, então, o que que eu tava falando ali? Sobre a questão de como a narrativa do êxodo foi ressignificada ao longo da história, né? Então, ela é usada, por exemplo, para, para contar a história de Maomé. Ela é usada para contar, é, depois a própria história do retorno dos, é, dos judeus para, é, é, a terra prometida lá na ali ao século 19, século 20 e tal. Só que também é usada, por exemplo, é, pelos pais peregrinos, quando foram para, para, para, para América, nas suas pregações, elas invocavam a narrativa do êxodo, a narrativa de Josué, da conquista da terra prometida e tudo mais. E para eles é uma ressignificação do êxodo e da conquista da terra, a chegada na América. E alguém comentou, e aí eu achei interessante, alguém comentou que, ah, não, mas o exemplo não é bom, por quê? Porque eles exterminaram os índios lá. E aí eu digo, cara, aí que eu me toquei, as pessoas estão associando ressignificação exclusivamente a coisas boas e positivas. E não é, a possibilidade de ressignificação é para qualquer coisa na situação de cada um. O, o pai peregrino, quando estava lá, os, os, os, os que, os norte-americanos que foram em busca da conquista do oeste, na cabeça deles, eles não estão fazendo uma coisa perversa que é o extermínio do índio. Eles estão agindo de acordo com a ética deles, estão conquistando uma terra e exterminando os cananeus, que estão matando o seu povo, sei lá. Então, hoje, olhando de uma maneira distanciada, nós podemos, eh, dizer: "Não, tá errado, tava errado, foi um problema, foi um drama, etc.", né? E, e ter essa posição confortável daqui. E a mesma, eu, eu vejo uma situação muito parecida com uma ressignificação que acontece de narrativa para o tráfico, dentro de uma situação da qual também nós estamos numa posição confortável distante, né? Agora, de novo, sempre repetindo, né, Bibo? A gente não tá assinando embaixo que tá certo. Claro que não, claro que não. E e é um fenômeno assim, gente, eh, é por isso que eu digo que a religiosidade humana, é porque a gente não nasceu lá, né? Porque assim, por isso que eles ressignificam e fazem concessões, porque é o mundo deles, né, cara? É o mundo deles e eles querem e aí tem essa questão, né, do, do, da fé pentecostal. O pentecostalismo com a sua penetração social incrível, né? O pentecostalismo ele é incrível, porque ele vai nas camadas ricas, ele vai e nas mais pobres, né? Principalmente nas mais pobres. É a, é, é a religião do pobre e do negro no Brasil, né? É, cara, e é justamente por isso, é o pentecostalismo, porque foi ele que chegou lá e penetrou e provocou a mudança cultural, porque se tivesse sido, sei lá, os reformados, talvez eu tivesse falando de traficante reformado, não sei. Os caras vão ficar bravos comigo agora, mas, mas é a questão cultural aqui, né? E aí, Vivi? Ajuda a gente a entender isso daí. É isso, assim, eu tô ouvindo vocês falando, né? Tô pensando, eh, a gente tá falando de hermenêuticas, a gente tá falando realmente de, de leituras, novas leituras, porque a teologia, ela é viva, então as teologias que surgem das novas leituras que acontecem todos os dias, eh, são teologias que constroem novos deuses, deuses esses que a gente reconhece ou não reconhece. Então, eh, que Deus é esse do traficante, né? Tem, tem, tem um trecho no livro que eu falo isso, que Deus é esse do traficante evangélico. É, e que traficante é esse que pensa nesse Deus? Então, Ruben Alves me me ajudou a pensar antropologicamente bastante sobre sobre essas leituras e tem um texto dele que ele fala, por exemplo, sobre a formação da teologia ter a ver com um grande banquete em que você se serve de acordo com aquilo que faz sentido para você e que não faça mal ao seu estômago. E aí no no final disso, esse Deus que não faz mal ao seu estômago e que atende as suas necessidades e expectativas é o seu Deus. Então, pensar também aqui que religião e religiosidade a gente fala de coisas diferentes, então quando a gente tá falando de religiosidades, a gente tá falando de como a leitura que foi feita a partir de uma cultura, de um tempo, de um ethos, né, de um modo de viver de uma determinada localidade faz sentido para aquela pessoa e construída essa teologia de uma maneira diferenciada, mas não isolada, então tem elementos ali do pentecostalismo, mas também tem elementos do catolicismo, tem elementos do candomblé, então a gente vai vendo como que essas novas religiosidades são atravessadas pela cultura e também atravessam a cultura de volta. Porque uma não segue sem tocar a outra. Então elas estão se tocando e aí quando a gente olha para a religiosidade popular, não dá mais para a gente falar de um pentecostalismo, de um catolicismo, de um umbandismo, de um candomblecismo, então a gente tá falando de religiosidades que são vivas, que se constroem, se modificam tanto no contato com a cultura quanto tocando a cultura e sendo modificada por ela. Eu acho que é importante a gente pensar nisso. É, pois é. Aí como é que fica agora agora a gente não combinou que perguntas eu não poderia fazer, né? Aí se eu não puder fazer, tu só vai tomar uma água, levanta e vai tomar uma água, Vivi, se eu não puder fazer. Tá, não combinamos, é, foi, tá bem no flow. Pode tomar um café, eu sei que eu te censurei aqui no no privado, falei, pô, você tá tomando um café na antes da lá agora aí, ó. Mas ô Vivi, vamos lá, vamos pegar o complexo de Israel, esse é o nome? Complexo de Israel? Complexo Então assim, nós temos um líder é, que é pastor, ordenado pastor por uma comunidade evangélica, uma igreja evangélica pentecostal. E é um complexo de Israel. Como é que fica aqui, existe uma tolerância religiosa ou dentro dessas favelas, dessas comunidades, onde há uma predominância evangélica, há um tipo também de perseguição religiosa ou há uma, uma, como é que é o nome? Uma, é uma comunidade laica, por assim dizer, ou não há uma perseguição, enfim, há uma tolerância religiosa. Porque a gente às vezes ouve falar que determinada, né, que que algumas religiões de matriz, né, de matrizes africanas sofrem determinado ataque e às vezes a mídia diz que foi pessoas se denominaram evangélicas e tal. Como é que é esse, essa relação com quem não quer essa fé de Israel, assim, com quem não quer essa fé pentecostal? Tem algum relato nesse sentido? Sim, bastante. É bom a gente falar disso para separar aqui duas questões. Quando eu falo assim, os evangélicos estão perseguindo, eh, as pessoas, os moradores de religiosidade de matriz africana nas favelas. Os evangélicos como, como grupo social, não. O que a gente tá falando é que os traficantes que se declaram evangélicos estão proibindo a prática religiosa de matriz africana nesses territórios. Isso, de fato, acontece, assim, a gente não vê mais as casas de Umbanda e Candomblé ativas nesses territórios, eles foram expulsos. Muitos deles tiveram seus elementos religiosos destruídos, queimados, outros foram coagidos a eles mesmos destruírem seus elementos religiosos, a sua casa religiosa, tacaram fogo e aí na assinatura do muro aparece Jesus o dono do lugar. Então, eles destroem eh, e depois eles se apropriam desse território dizendo que agora esse território é consagrado a Jesus. Tem alguns vídeos eh, no, no YouTube que as pessoas podem procurar e vão acessar com muita facilidade eh, que é, é realmente essa, essa restrição. Não só a restrição e aí mais recentemente a gente também teve restrições de manifestações públicas de religiosidade católica. Então as procissões também foram proibidas eh nesses territórios. Então você não pode ter roupa de, de, de santo, né, como é chamado no Candomblé e na Umbanda no, no, no, no terreiro, eles não podem andar com as suas guias, com turbante. Então as, as expressões religiosas, não só os cultos, mas as expressões religiosas também foram impedidas eh e sim, as pessoas sabem que estão correndo risco de serem violentadas, de terem a sua casa eh, eh apedrejada, queimada. Então realmente isso acontece, mas não pela mão do, dos pastores locais ou dos evangélicos locais, mas desses traficantes que entendem que aquele lugar foi consagrado ao Senhor dos Exércitos, é um complexo de Israel porque é um complexo de favelas que foi prometida pelo Deus de Israel e por conta disso tem que ser eh, eh e aí o, o André pode trazer isso, né, os deuses antigos, as roupas antigas, as práticas antigas precisam ser destruídas e substituídas. De novo, eu vou mencionar que eles transformam em literal aquilo que a gente deixa no campo metafórico, mas a violência do nosso discurso se torna violência concreta na mão de quem tá lidando com isso lá, né? Fivi, oi, fala, Fivi. Muito rapidamente, assim, o que o André falou agora me lembrou por que que minha pesquisa mudou. Eu disse que eu fui dizer, eu fui tentar dizer que o nome de Jesus não podia ser usado em contexto de violência. E aí quando eu vi que na verdade o que eles diziam quando iam destruir um terreiro, é uma casa de umbanda e Candomblé, era aquilo que eu dizia orando nos cultos de libertação, eu entrei em choque, assim, porque eh sempre dirigi culto de libertação na igreja, sempre estive à frente de campanha de, de cura e libertação na Assembleiana desde, de, de, de de então sempre naquela coisa de Deus repreende, Deus leva para longe, eh é repreende esses demônios, repreende e e essas orações de pedir para Deus levar para longe, de tirar daquela rua, de tirar da porta da igreja, de levar, de tirar do nosso bairro, de tirar da da do nosso do nosso contexto, da nossa convivência, que é a coisa da da do simbólico da narrativa, no caso deles eles vão lá e tiram. Eles vão lá e e colocam para fora do bairro, eles vão vão lá e realmente expulsam. E aí é aí eu entendi que era possível que o nome de Jesus fosse usado em contexto de violência, dependendo da leitura que se faz do nome de Jesus, do texto bíblico. E aí a gente volta para questão da da hermenêutica e da leitura. Agora vou fazer uma pergunta assim, meu, ela pode ser uma viagem completa e a gente começa a falar do Flamengo já com o assunto aqui Rio de Janeiro. Nenhuma associação com Flamengo e traficante, gente, pelo amor de Deus, isso é só mesmo porque o Flamengo ele é vascaíno. O o Como é que é o nome dele? O Peixão? O Peixão é vascaíno. Tá, então ele tá aí. Só atualizando aqui, isso é o que a gente tava falando. É, eu tô até falando Foi lá, né, Vivi? Antes da minha pergunta, eu tô até Tu foi, tu subiu lá, tu conversou com essa galera ou foi só pelo WhatsApp na segurança do lugar? já tá querendo fazer um BTD Israel aí. BTD aí. eu convidei o André e a esposa para para irem lá com a gente. É, eu contei para o André não não quer botar os pés no Rio, cara. Imagina tu ir Não, mano, eu eu fui para o Rio segunda-feira, Deus livre, com medo da Eu nem sei para comer, não, vou comer no hotel, como no hotel, como no hotel. Gente, que isso? Não tem Copacabana aqui para você ir? Desculpa, a gente é do Sul, a gente é do Sul, querida. A gente é do contexto social Eu já fui ao Rio de Janeiro, já fui é já fui várias vezes, o pessoal aí, mas eu sempre tô caminhando com os nativos, né? É, não, caminhando com nativo e tu os Android, então tá tudo bem, mas vai lá, continua, Vivi. você não pode entrar na na nos desvios, né? Você tem que pegar a pista principal, é Dutra é Dutra, Avenida Brasil é Avenida Brasil, linha vermelha, você vai. Não entra, não desvia, porque se você desviar você vai cair numa favela. Dependendo da favela que você cair, se você disser que você é crente, você tá de boa, né? Você fala assim: "Não, que isso? Paz do Senhor, sou evangélico", tal. Mas depende de que favela você vai cair. Aqui, eu fui lá muitas vezes, não só como pesquisadora, né? Porque dando aula lá. Tenho amigos lá, tenho alunos lá, tem tem igrejas que eu entro para para pregar. Mas assim, eu entro para pregar no Vidigal, que é que é comandado por outra facção. É no Rio das Pedras, que é milícia. Então assim, eu tenho esse esse esse contato. É isso é muito importante também, viu, a gente falar, que muitas pessoas querem associar os pastores locais ao crime organizado. E muitas pessoas querem é associar esses pastores que estão ali na favela, que estão ali na na nas comunidades, tendo muito trabalho, dedicando a vida ao ministério, dedicando uma vida à igreja local, à comunidade local. E associar esses pastores ao crime organizado, à lavagem de dinheiro, na verdade não é bem assim que as coisas acontecem, não. Então assim, tem pequenas igrejas que participam e que de alguma forma entram nesse nesse transe, nessa dinâmica? Tem. Essas igrejas, inclusive, ajudam a organizar cultos em praça pública, cultos que abrem baile funk, contratar cantores evangélicos famosos para fazerem esses cultos na favela. Então realmente existe. Mas os pastores que a Cristina chama de blindagem moral e a gente chama só de gente que dá bom testemunho, esses pastores, homens de Deus, eles são respeitados na favela. E são esses homens de Deus que esses traficantes procuram quando querem uma oração, quando querem uma ajuda, quando estão doentes, quando precisam de um livramento de morte, pedem para levar o pastor na casa deles para orar por eles. Então tem ainda um respeito muito grande a esses homens de Deus, pastores evangélicos que estão nessas comunidades dedicando a vida tanto é evangelizando no sistema carcerário, é para além de de de uma de uma presença, né, também de dominação e de poder, mas que estão evangelizando e de pastores que estão fazendo isso na favela. Acho que é importante a gente falar sobre isso para não parecer que a gente está com um monte de pastor na favela participando do crime organizado. seja, todo mundo participando do crime organizado, sendo Exatamente. E não é assim Ô Vivi, a pergunta que eu ia te fazer que eu não sei se ela tem sentido e se ela, né, por favor, né, se se eu não fizer essa pergunta não fizer sentido, você você você fala que não faz. Mas, por exemplo, tem toda uma teologia, pelo que a gente hermenêutica, né? Tem uma forma de eles lerem o texto bíblico, de eles fazerem a leitura, né, de eventos do Antigo Testamento e como eles aplicam isso na vida deles, coisa que vários grupos sociais fazem, né? Todo o grupo social se apropria do texto bíblico e o ressignifica para sua realidade. Isso todo mundo faz. Isso tem que ficar, se você não entender isso, querido web espectador, você vai realmente, como já tem gente comentando aqui que não tá entendendo nada do que a gente tá falando, tá? Mas, nem vou dar bola pro comentário dele ali. Você tem que entender isso. Todos nós ressignificamos textos, né, e nos apropriamos deles de alguma forma e procuramos, obviamente, ver o contexto dele e tal, mas, enfim, isso já é um segundo passo. No primeiro passo é mas é como esse texto chega até mim, como é que ele fala, como Deus fala comigo a partir desse texto. Pensando, então, em hermenêuticas e nessa apropriação do texto bíblico, tem uma escatologia desse pessoal, no sentido assim, é, o que que eles querem? É, de vou vou pensar no Peixão, né? Cara, esse Deus me deu essa e essa comunidade. Bem, Deus tá me falando que agora o próximo passo é a Rocinha, sei lá, não sei se Rocinha é favela, comunidade, enfim, ou o Eu só ouço esse nome. É, próximo passo é é do Alemão, não sei o quê, tipo, existe uma escatologia desse pessoal ao ponto, não, cara, vai ser isso aqui é vai ser do Senhor Jesus tudo, onde eu botar a planta dos meus pés, eu vou tomar posse e tal. Existe uma escatologia, ou seja, um, e aqui eu tô usando o termo escatologia {barra} domínio, né? Tipo. Existe. entender? Existe. Tem. Existe. É, a ideia é levar o o reino de Deus, mas não o reino de Deus do do Novo Testamento. Né? A gente tava falando aqui, a ideia é levar um reino de Deus, desse Deus de Israel, que é poderoso e que e que não só santifica as pessoas, mas santifica o lugar. Eh, o próximo objetivo do Peixão, segundo as redes sociais e também o que se ouve no local, é o Complexo da Penha para a dominação da Igreja da Penha. Que é o principal símbolo religioso do catolicismo no Rio de Janeiro. Caraca, maluco. Então, a a o objetivo dele de estratégia de guerra é a tomada da Igreja da Penha no no Rio de Janeiro, isso não é segredo, tá no Twitter, eles têm Twitter oficial do Complexo de Israel, eles têm Twitter de dos perfis deles eh pessoais e assim, é claro que precisa trocar senha, precisa trocar de fake, trocar de conta, mas eles têm contas na nas redes sociais, principalmente no Twitter, apontando para essas novas estratégias. Então, como ele ele declarou que ia tomar a Cidade de Alta e tomou, eh, agora esse próximo objetivo também tá tá colocado. Mas assim, qual é o objetivo dele em dominar esse território? Segundo ele, é libertar de uma facção que não respeita os moradores, que não permite que entre o saneamento básico. Então, a ideia é realmente levar um conceito de nação, de de nação divina, de de de Israel de um Israel que é ali estabelecido a partir dessa leitura e dessa promessa que Deus fez a ele de que ele tomaria alguns lugares do Rio de Janeiro e que ele estabeleceria esse reino que tem esse Deus de Israel, mas sempre com essa assinatura de Jesus o dono do lugar, que tem nesse Deus de Israel essa essa esse Deus poderoso, mas também protetor. E aí, quando ele toma esses lugares, ele limpa a comunidade, ele pinta os muros, ele ele reidentifica esse lugar como um lugar agora tanto conquistado, quanto administrado por eles, mas que pertence aos moradores. Tanto que o slogan é, é a favela do morador, nós só administramos. Então, como esses grandes administradores, assim, desse lugar. Caraca! Enfim, André, é contigo. Faz sentido, André? Faz muito sentido. É que, é que, quando É quando eu eu me deparei com essas questões hermenêuticas, é justamente na pesquisa pro livro Nós, Nós e a Bíblia, né? De como a gente vai ressignificando as coisas e como isso depende absolutamente do contexto. E essa é uma situação limite, né? Essa é uma, é uma situação limite que você vê, puxa vida, isso chegou a sair daquilo que nós consideramos eticamente aceitável. Mas é que ao longo da história do cristianismo, o que é eticamente aceitável foi sendo esticado, pra lá e pra cá. E isso não é uma novidade, né? Aí, como historiador, você, a gente tem que botar o dedo na ferida, né? Ao longo da história se fez muitos extermínios de gente, em nome de Deus, em nome do Estado, né? Então, é, e ninguém nesse momento achou que tava fazendo alguma coisa errada, Então, a gente, é, entra num campo assim, de discussão ética, que transcende a, transcende diretamente aquilo que nós temos muito claro, né? E pra mim é, pra mim é absolutamente óbvio que um cara que se converteu, ele não, ele tem que abandonar o tráfico, abandonar isso tudo. Pra mim é absolutamente claro. Exato. Mas eu tô lidando com uma comunidade que não acha isso tão claro assim. É, é, tu começa a viver uma experiência que tu comenta ali, que eu achei bem interessante. E tinha dois traficantes lá, um, aliás, dois rapazes, um ex-traficante, que é o modelo tradicional do pentecostalismo, quer dizer, eu me converti, abandonei o tráfico e estou na igreja. E do lado um outro orando, diz, que não largou o tráfico, continua lá dentro e se converteu e está na igreja. E aí, a gente tende a resolver tudo pelo caminho do, ah, não foi uma conversão verdadeira ou sei lá o quê, e é difícil lidar com isso. Como é que eu vou dizer que não tem, né, que que o cara não crê de verdade. Né? É, de novo, sempre vai aquela coisa, é, eu tô até gaguejando porque eu não sei para onde isso. É, da hora, né? É muito complexo. Não é fácil eu dizer assim: "Não, não, isso aí tudo não é crente, acabou". Entendeu? Eu resolvo o problema na minha cabeça, mas eu eu não lido com o ser humano concreto e real que tá na minha frente. Exa, é, eu eu quero dizer assim, eu posso achar que a pessoa, e e você tem todo o direito de de achar que a pessoa, ela não é crente segundo você entende as escrituras. E como a gente disse aqui, eu também acredito que em termos das escrituras. Exato. Então, eu acho também que quem se converte não não combina assim crente e bandido de Deus, entendeu? Não, é. Cara, é que isso também é, isso dá para abrir a discussão, né? É porque eles declaradamente fazem uma coisa que a nossa sociedade, né, seja crente ou não, acha errado, né? O tráfico, ele não é aprovado pela sociedade, né? E tem leis contra isso. Mas existem outros bandidos de Deus também aceitos pela sociedade, mas isso é um outro, é uma, é o, é o segundo livro da, da Viviane. Vai então, é. seu próximo livro vai ser milicianos evangélicos e E eu acho que que a grande, e sim, né, tem muitos milicianos evangélicos no Rio de Janeiro, inclusive fazendo segurança para grandes pastores do Rio de Janeiro. E aí você entra num campo mais nebuloso ainda, porque eles dizem: "Não, mas os caras são da polícia, os caras estão na legitimidade, não tão". E aí, como é que funciona isso? Entendi. Esses caras estão dominando o território, cobrando por segurança particular, representando um estado que que exerce a justiça sem, sem, sem, sem a lei. Então, aqui no caso aqui seria vingança. Então, assim, é, é um poder paralelo que que é organizado, mas ele é organizado a partir de um outro lugar, que não é da periferia, que não é da favela, que não é do preto, que não é desse lugar de pobreza, é de um outro lugar. Então, assim, eu acho, Bibo, que que a gente precisa entender que quanto mais, aí eu comecei a falar isso lá falando do catolicismo, por que que na na tradição cristã católica, ser traficante é traficante católico não estaria OK e agora é naturalizado. É que para nós de décadas o católico não é crente, aí tá fácil, tá fácil de resolver, né? Porque o catolicismo foi culturalizado. Claro. O que acontece hoje com o movimento evangélico no Brasil é que nós estamos sendo culturalizados. Cada vez mais pessoas assumem uma identidade evangélica como elemento, como categoria de identidade social. Mas não necessariamente com rupturas que eram comuns à prática de um cristão convertido. Então, ele faz rupturas, rupturas, por exemplo, de trabalhar com determinadas profissões, rupturas de ter algumas práticas sociais, rupturas com vícios, rupturas com, né, com a com a questão de moral. Só que hoje quando a gente olha para essas múltiplas identidades evangélicas que tem no Brasil, a gente percebe que não dá mais para perceber um evangélico com rupturas marcadas. Então, essas fronteiras estão cada vez mais fluidas, cada vez mais pulverizadas e a identidade evangélica tá cada vez mais mesclada com outras identidades. Então, são identidades múltiplas com com fronteiras enfraquecidas, fragilizadas que permitem muitos elementos nessa constituição de identidade que aí a gente vai ver um evangélico acompanhado, aqui a gente fala de traficante evangélico, mas a gente poderia chamar de um evangélico traficante, de um evangélico miliciano, de um evangélico que que tá fazendo a parte do do tráfico de drogas, mas de forma mais institucionalizada. E aí, se a gente for olhar, a gente fala assim: "Não, impossível, esse cara também não é evangélico porque ele não é um convertido, um cara que carrega cocaína no helicóptero não é convertido, um cara que". Então, a gente vai vendo que tem outras identidades evangélicas aparecendo que provavelmente sejam por conta dessa dessa culturalização do que é ser evangélico no Brasil. E aí cada vez mais essas questões serão naturalizadas. É o risco que corre por a gente querer ser uma religião em disputa aqui com essa hegemonia. Olha só. Vamos abrir para umas perguntas aqui. Gente, como eu falei, se você fizer via super chat, ela se destaca aqui para mim, aparece inclusive numa aba separada, tá bom? Quem é capitalista é o YouTube, não eu, beleza? Mas vamos lá, o Kenani aqui, ó, e o Kenani fez dois reais, gente. Desses dois reais do Kenani vem 60 centavos para mim. Vamos lá, o YouTube fica com tudo, capitalista selvagem. Vamos lá, é, traficantes aludem Constantino? É, poder sobre tudo, alguma alusão ou nem há esse conhecimento histórico e tal de Constantino e de poder e tal? Não. É, eu lembro que quando a gente tava discutindo muito sobre isso e para fazer essa pesquisa eu conversei com os teóricos e com com os moradores locais, os teóricos sempre diziam assim, isso não é a religiosidade dele, ele tá usando do texto bíblico para para imposição de poder, mas não era o que eu via lá. Não é o que eu vejo lá. É realmente a a a essa construção de narrativa e de estratégia e de dinâmicas e de estética e de ética vem de uma experiência religiosa, mas sem conhecimento dessa dessa até dessa figura de Constantino e do que do que ele representa. Legal. Teve um super chat aqui do Filipe Santos que não fez pergunta. Ah, gente, mais alguma pergunta? Vamos lá. Filipe Santos, obrigado pela pelo super chat. Aproveitem, galera, não é sempre que esse tema aparece. Tem gente aqui nos comentários que eu acho que, enfim, vamos lá. Bibo, tem que vir mais o Rio. Tá, vou, pode deixar. Eu vou, pior que eu acho que vou mais duas vezes ainda nesse Rio. Vocês estão convidados para virem no Complexo de Israel, Bibo e André, quando vocês estiverem por aqui. Eu vou, se eu contigo eu vou, tá? A gente fala. É. Gente, alguém perguntou sobre o nome das denominações. Isso a Vivi não fala, tá? Ela já falou no começo da live. Quais são os nomes das denominações das quais É, são pentecostais e tal. Ela falou o nome né do do líder lá do do complexo de Israel e tal, que inclusive é pastor numa denominação, mas isso é que ela tem autorização também para falar. Mais alguma pergunta André? Mais alguma pergunta para a Vivi? Alguma coisa assim? Porque bem, já perguntamos escatologia né? Para onde eles querem ir? Uma tomada de poder, conquistar. No livro da Vivi gente, a gente tá né? É aqui tem uma pesquisa completa que a gente só arranhou a superfície com essa live. No livro da Vivi inclusive eu botei link nessa live. Acho que eu botei o link tá gente? Se eu não botei o link aqui, você vê se eu botei o link do livro da Vivi. Acho que botei né? Capaz que eu ia dar essa mancada. Boa boa, botei botei. O link o link do livro tá aqui na live tá gente? Na descrição da live você tem o link o livro da Vivi que eu acho que vai entrar, não sei ainda, mas talvez vai entrar em promoção também, mas já tá num preço bacana, mas vem o Prime Day aí. Então se você ainda não é Prime, torne-se Prime na Amazon que vai ter mais desconto ainda, mas se quiser já meio já adquiriu o preço também tá bem bem bacaninha tá? Parceria com a Agora de Books do meu amigo Maurício Zágari e que trouxe essa obra aqui para Thomas também poder levar ainda mais longe. Vamos lá, teve pessoas perguntando aqui Vocês mencionaram que o pentecostalismo levou a realidade para a situação que está hoje. Existe abertura para outras denominações ou ensinos? Eventualmente necessidade de missões? Meio que respondemos essa né? Ou não? Respondemos né? Que tem E aí? Entendeu Vivi? Quer comentar alguma coisa? Dá para ampliar alguma coisa? parte aqui eu acho que eu entendi né? Que ele fala sobre o pentecostalismo levar a a realidade para a situação que está hoje é o pentecostalismo participar disso. É o André até falou né? Que se a igreja reformada tivesse lá, talvez fosse para ficar de reformado, não sei. Mas mas a gente tem esse movimento pentecostal crescendo nas periferias, nas margens e aí é como o Bibo falou também em outros lugares, na classe média, classe média alta. Mas o pentecostalismo sim, esteve ali e e esses pentecostalismos né? Que vão se afastando do pentecostalismo clássico, eh, ou histórico, esses esses pentecostalismos que vão surgindo, sim, eh, fo- foram foram muito importantes para o- ocupados, talvez, das coisas chegarem onde estão hoje. Mas não só, né, tem um ethos de violência, um ethos de guerra. E para se dar conta dessa violência que se vive na favela, uma divindade é necessária. Essa divindade já foi São Jorge, continua sendo em alguns lugares, em muitos lugares, já foi alguma e continua sendo em muitos lugares, mas hoje também é um Deus, uma divindade evangélica com essa figura que leva o nome de Jesus, mas com o arquétipo dessa divindade do Antigo Testamento. Uhum. O Luiz Renato pergunta, não sei se ela falou no começo, como ela decidiu ver isso pelo olhar sociológico e não teológico e como ela vê a interface entre as duas? A pesquisa foi em Ciências da Religião, na na UEMSP, então, eu já estava me afastando da teologia, eh, porque inicialmente eu até queria fazer uma defesa, mas depois eu entendi que eu precisava entender o fenômeno. Então, veio a necessidade de eu entender o fenômeno mais do que tentar defender essa imagem, eh, de um Deus evangélico de acordo com o que a gente acredita nesse cristianismo, né, eh, tradicional, digamos assim. Mas eu eu percebi que eu precisava ler o fenômeno. E para ler o fenômeno de forma teológica, seria mais uma defesa da fé, digamos assim, um uma apologética do que uma leitura em si e eu e eu contribuiria muito menos, acredito, porque um traficante ou uma sociedade entendendo o que eu tô dizendo que um traficante evangélico não pode ser evangélico, é como se eu tivesse repetindo o óbvio, né? E na verdade, o que eu gostaria mesmo era era trazer essa discussão, de olhar o que está acontecendo lá, olhar a narrativa, olhar a linguagem, olhar esses deuses que nascem dessas religiosidades e apresentar essa para a gente ter essas conversas. Legal. O que você falou é bem importante, viu? Só deixa eu fazer um comentário, né? É esse exercício que nós estamos fazendo aqui, as pessoas não entenderam ainda, não é uma defesa, é um exercício de compreensão. É, a maioria entendeu, tá? Tem um ou dois aí que tão perdidos nos comentários. É um é um exercício de compreensão. Uma vez eu eu dei lá em Santa Maria, dei uma palestra lá na época da reforma, estávamos 500 anos da reforma. Então eu dei uma palestra sobre a história da reforma e tal. No final um rapaz veio conversar comigo e me perguntou, ele era uma igreja batista, eu sou batista, né? Ele me perguntou por que que os presbiterianos batizavam crianças. Eu expliquei para ele a teologia presbiteriana e calvinista para o batismo infantil. Pelo batismo. E "Ah, que legal, e tu batizou teus filhos?" Eu "Não, né?" Aí ele "Mas tu acabou de me explicar". Eu digo "Cara, tu me pediu para explicar, eu expliquei de acordo com a ótica presbiteriana. Eu sou batista". Aí ele "Então por que que tu não batizou?" Aí eu expliquei a doutrina batista. "Ah, tá, entendi". Mas é que isso é um exercício importante, a gente não faz porque a gente parte direto para a apologia, cara. Antes tu tem que entender o que que tá se passando lá para não fazer um julgamento equivocado, né? Exato. Fico pensando às vezes esses pastores que são homens de Deus que tão no meio disso, quando chega lá a mãe do menino que tá indo para um confronto de de de facções pedindo para oração para Deus proteger esse filho. Ele vai vai negar uma oração dizendo "Não, ele tá indo para o crime, vai ter que arcar com a consequência". Sabe? Então é é são situações que nós não temos noção de de comunidade, sabe? Muitas pessoas, André, estão na bíblia. Tu não quer comprar briga com o o vizinho do condomínio que é marrento. Tu imagina você lidar com uma situação lá dentro, sabe? Então a gente tem que ter mais um olhar mais piedoso para essas situações É, muito fácil falar, né? É do teclado aqui, né? Porque é um absurdo, eu negaria a oração. Ah, meu amigo, vai trabalhar na comunidade. Eu conheço eu conheci um pastor que trabalhou em comunidade e mano, tendo que salvar a vida de moça que tava se relacionando com um cara da outra facção, aí o líder da facção tem que é o líder da facção queria matar a menina e o pastor intervindo "Não, não vai, entendeu? Não, não, é aí não, a menina tava transando antes do casamento. É, tem que arcar com as consequências. Gente, no chão de fábrica tem hora que, né, não não funciona algumas coisas. É muito comum que as mães deles estejam nas igrejas, as esposas, os filhos. Então, aí a a o traficante tem família, né? Tem mãe, tem tem filho, tem esposa. Tem a fiel, que é a mulher que ele é casado e as outras mulheres na na comunidade. Então, assim, a gente precisa olhar como como cristão e entender que o reino de Deus veio para ser manifestado, né? Não para ser eh de alguma forma acusatório, como que é a ideia que não, você não é traficante evangélico, não vou orar por você. Ou você não merece minha oração, vai lá e morra, como o André falou. Não dá para fazer isso. É. A pergunta do Filipe é difícil de responder, né? Como isso pode, não, como isso está impactando, né? Não sei, assim como, por exemplo, a mistura dos evangélicos com a política teve impacto na igreja de Cristo. Ao mesmo tempo, a política, crente não se mete em política, que isso não era coisa de crente. Cara, pouco tempo atrás, eu cresci em igreja batista e a gente olhava com maus olhos o irmão que vai ser candidato a vereador. Não se mete nisso aí. E andamos para outro caminho, né? Então, claro, disso para o crime é um passo absurdo, mas só para entender que a a a os, né, isso estica, isso vai mudando. Uhum. Exato. Então, o que o que é que tu responderia, Vivi, nesse sentido? O que é que tu acha que está tá impactando na igreja de Cristo, assim? Eu sei que é uma resposta longa, mas É, muito complexo. Já já está impactando realmente, como você falou, não vai impactar, né? A gente já está impactado por isso. É, mas eu entendo, Bibo, que quanto mais a gente se seculariza, mais a gente se deixa ser apropriado. Então, a gente está se deixando apropriar. E quando você se deixa apropriar, você se dilui. Então, o movimento evangélico no Brasil hoje está crescendo? Tá, mas a que preço? Deixa eu dar uma cutucada, Viviane. Então, quer dizer que no momento em que a a a religião, vamos falar assim, né? Ela se torna uma cultura, ela representa a vitória da religião, porque ela se tornou uma supremacia e ao mesmo tempo a derrota, porque perde o seu referencial. Exatamente. Ah, isso tem laço histórico, né? Isso tem laço histórico, né, gente? Isso tem Isso tem laço histórico. olhar para quem a gente invejou durante tanto tempo, né? Quem pegou, pegou. Vamos lá, pergunta do Denilson. Fácil também de responder, tranquila de responder. Como reverter essa realidade? Já vi traficante se fechar centro espírita em nome de Jesus, botando o pai de santo para correr e os crentes comemorando. A gente respondeu mais Gente, quem chegou na metade do papo, sério, volte, porque tá muito bom, beleza? Volte, vai ficar salva essa live no canal aqui. Volte, que tá muito bom. Mas aí, é Mas é para reverter a realidade? Não sei se dá para reverter reverter, Denilson. Não sei De repente o que o Bibo e o André De repente tem outra opinião, mas eu não não sei se dá para reverter. Eu acho que a gente construiu um caminho até aqui de forma consciente. A gente só não conseguiu eh prever os riscos. Que que eu vou dizer do conforto da minha da no meu bairro de classe média em Florianópolis, eu não sei o que dizer. É muito difícil, porque assim, é Eu penso assim, vou dar uma resposta agora assim, tipo, meu, no conforto do meu escritório aqui em Joinville. Cara, eu acho que não tem como reverter, eu acho que é um bonde que já foi, entendeu? Que tá passando já e tá e tá se transformando, né? E outra, a gente falou de escatologia de da mentalidade de traficante, né? Então, você tem uma uma uma teologia bem veterotestamentária embasando essas ações e uma escatologia de domínio, de posse, né? Vamos dominar. E o evangélico gosta desse lance de domínio, né? O evangélico, não é só o traficante não, meus amigos, tá? Tem muita teologia aí, enfim, de é, de homem branco, é, que é de teologia de domínio mesmo. Então, o evangélico gosta da tomada de poder. Então, isso é um caminho aí sem volta. Tá? Isso tá acontecendo. Eu acho que a gente não tem como reverter essa realidade. Agora, a questão é: o que a gente, como é que a gente lida com ela, que é o que acho que a Viviane tá propondo. É primeiro entender o fenômeno. A partir do entendimento do fenômeno, OK, que, quais ações nós temos, né? Cara, aí a gente vai cair no ministério de misericórdia, né? Por exemplo, vários amigos meus têm igrejas a próximos a, a favelas, a comunidades e tão lá servindo a comunidade. É, eu tive agora recentemente na igreja do Kener, você pode conferir a live onde eu tava, é, sem remédio, sem a dosagem certa do remédio. E a, e a comunidade do Kener tá lá servindo a comunidade. Entende? E não faz muitas perguntas. Tá lá servindo o filho dos traficantes, é, da mãe que vai pro baile e o filho fica lá na, na, nas casas da comunidade. Entende? Servindo, tá, tá, o ministério de misericórdia, entende? E com várias ações sociais, né? Você pega a igreja da Ponte no Recife, tá lá servindo a comunidade do Pilar, né? Um dos piores IDHs lá da, do Brasil, enfim. Então, assim, é isso. Acho que isso vai despertar o ministério de misericórdia. Porque se a gente ficar só com o ministério apologético, enfim, não vai pra lugar nenhum, né? Porque no, no fundo, vai depender do quê? Vai, vai né? Com isso, então, assim, pra você que é analfabeto funcional, eu não estou dizendo: "Ah, tudo bem, galera, continuem. Estamos aqui pra abraçar vocês". Não é isso que eu tô dizendo. Pode parecer, mas não é isso. Mas é que é uma, é um trem descarrilhado que a gente não consegue mais botar no trilho. Entendeu? Então, vamos, né? Vai cair um monte, sempre cai pessoas pelo caminho, sempre tem aí alguém a, a caído pelo chão. E aí o Ministério da Misericórdia, conforme a parábola do samaritano, é isso, cara, vai ter alguém ali, a gente não sabe o que que ele tá caído no chão, mas ele tá caído no chão, né? Então, Eu acho que tem duas coisas aqui, importante de dizer. Primeiro que lá na, na, na pesquisa da Cristina, que ela começa a publicar nos anos 2000, ela diz que os evangélicos locais dessas favelas dominadas por traficantes evangélicos começavam a comemorar a chegada desses traficantes evangélicos porque eles expulsavam os, os moradores de candomblé e umbanda do local. Olha aí. Então, ela fez uma etnografia, ela entrevistou as pessoas e nessas entrevistas Mano, o que que é etnografia? Tu falou e eu não sei o que que é. É etnografia? é um, é um método de pesquisa das ciências sociais, onde ela vai reconhecer o campo, descrever o campo. É, então ela vai dizendo ali, por exemplo, quantas igrejas católicas tinha no espaço, quantas igrejas evangélicas tinham no espaço, quantos moradores tinham no local, qual era o IDH. Então ela vai ali apresentar, eh, esse, esse espaço pra gente com dados e mapeando mesmo esse, esse espaço. E nas entrevistas muitos moradores evangélicos diziam: "Ah, que bom, porque ficava uma bateção de macumba aqui até de madrugada, pelo menos eles acabaram com isso. Ah, que bom, a gente, pelo menos a gente saía ali, agora tinha um monte de, de, de oferenda, de despacho, de macumba na encruzilhada, agora não tem mais, eles acabaram com isso". Então tinha uma comemoração dos evangélicos agradecendo que os traficantes estavam inibindo e mandando o diabo embora. Então, o quanto a gente também não relativiza o que é importante pra gente, independentemente da mão, eh, eh, que, que esteja vindo essa violência. Então assim, quando a violência era sobre isso, tava ok. Outro ponto importante é que a gente não vê os evangélicos, e aqui eu tô falando dos evangélicos lá nos anos 2000, no texto da Cristina. A gente não vê os evangélicos hoje denunciando a destruição de, de terreiros de umbanda e candomblé. A gente não vê os evangélicos, eh, e aqui eu tô falando de muitos evangélicos, dizendo assim: "Olha, tem pessoas usando o nome de Deus para destruir casa de umbanda e candomblé na nas favelas do Rio de Janeiro. Deus não tem nada a ver com isso". A gente não vê os evangélicos que defendem a fé evangélica, que se consideram evangélicos verdadeiros, é, evangélicos convertidos, vindo a público, se posicionando, condenando que isso aconteça. Então, o quanto a gente também não relativiza o que é conveniente para para nossa prática religiosa. As igrejas ganham mais espaço, as igrejas ganham mais poder, as igrejas ganham mais segurança e esses essas casas de umbanda e candomblé vão sendo destruídas até certo ponto. É bom, segundo os relatos lá da Cristina Vital, em outro momento pode até não ser bom, mas também não é algo que me incomoda a ponto de eu vir denunciar e dizer: "Não é só o traficante evangélico que não que não é só o traficante que não pode ser evangélico. O traficante também não pode destruir um terreiro em nome de Deus". Não em nome do nosso Deus. Então, Pô, eu fiz um tweet em ouvir vi. Eu fiz um tweet, galera, não é legal ficar falando sobre isso. Poxa, não, eu fiz na época, ó, não é legal ficar destruindo as pessoas falando sobre isso. Não, não muito, não, porque a gente tá mais preocupado com a questão sexual, né? A pauta evangélica mais pública é o que as pessoas fazem com com o que você fez, mas é isso, é muito raro. É muito raro. Não é raro, não, é pouco, mas assim, tem, mas é realmente não é uma pauta, tipo, amplamente discutida, isso eu concordo contigo, isso eu concordo contigo. Gente, algumas perguntas aqui, é, já foram respondidas no início da live, tá? O Alexandre que pergunta, ah, quando se deu essa ruptura onde a fé evangélica pentecostal se tornou justificativa para as práticas do tráfico? Não é que se tornou, é é a fé que entrou lá e foi é ressignificada a partir da realidade deles, né? E gente, deixa eu deixa eu enfatizar aqui, sério, é é é um é um é um livro interessante, tá? É como análise de um fenômeno que faz parte da nossa história enquanto evangélicos no país, tá bom gente? É a análise de um fenômeno que a gente, é legal a gente conhecer e tá por dentro e até a ideia dessa live é fazer você é conhecer esse tema e tal e saber que a vida é é é mais complexa. É isso gente, muito obrigado. Vivi, a sua palavra final sobre isso, tá? Por gentileza, sua palavra final e obrigado por ter aceito o nosso convite, por ficar essa uma hora com a gente aqui conversando sobre esse tema tão complexo. É muito legal, muito legal. O link para quem vai comprar tá aqui na descrição da live, beleza? Fala aí Vivi. Quero agradecer gente, minha primeira vez aqui no Bibo, eu já tô falando primeira vez, né? Óbvio. Ah, gostei, gostei. Minha primeira vez aqui, é também conversando com com o André que que que foi muito bom de estar tanto na na no lançamento do livro dele aqui no Rio e ouvir a fala deles e e essa chave da leitura do Antigo Testamento para o Novo e do Novo para o para o para o Antigo, é é o que tem feito muito sentido nesses novos pentecostalismos que tem surgido é no Brasil e na América Latina. Não dá para a gente olhar para esse fenômeno como se ele fosse exclusivo nosso, né? E também não só exclusivo do do movimento evangélico, como já foi do católico, como já foi da da da Umbanda e do Candomblé, mas também não não só exclusivo do Brasil, é também da América Latina. Então assim, acho importante a gente olhar para os riscos que a gente assumiu no crescimento evangélico, a gente tá aqui, a gente teve aqui conversando sobre isso, mas eu queria convidar quem ouviu é essa conversa, quem ainda vai ouvir essa conversa, que continue olhando para o movimento evangélico e para essa mudança do campo religioso brasileiro com um olhar atento para o humano. Para a pessoa. Que deuses são esses, que religiosidades são essas que tem surgido dessas experiências e dessas leituras do texto bíblico, dessas experiências religiosas, é e aí sim a gente vai tá pronto para um ministério parecido com o de Jesus, para um ministério de manifestação do reino de Deus, para dizer: "Venham", como o Bíblia diz que o Kener tá fazendo aqui no Rio, "Venham, sentem aqui, comam com a gente". E na manifestação do reino de Deus, na troca, no olho no olho, no exemplo, na na na manifestação do corpo de Cristo no nosso corpo, eu acredito que a gente possa retomar, nem que seja em igrejinhas, em pequenos corpos de Cristos espalhados eh pelo país, eh a manifestação e o propósito da igreja de Deus aqui na Terra. Muito obrigado, André, obrigado por ter participado, por ter proposto esse tema, cara, tamo junto. Eu que agradeço, aí. É nós. E ó, gente, eu e o André vamos estar juntos, hein? Eu, olha, a gente falou do Kener aqui, a gente falou do André, a gente vai tá agora nesse sábado em Florianópolis, beleza? Ó, eu, Kener e André, Bíblia e diálogo em tempo de trincheiras. Olha, vai ser uma continuidade desse papo aqui, tá? Então, vai ser muito legal, vai ser lá na PIB de Floripa, mas ó, se vocês puderem confirmar até sexta-feira, a gente agradece, né, porque vai ter um coffee break lá, então a galera tem que se organizar também. Beleza? Ó, tá, o o link tá lá na minha bio do Instagram. Obrigado, Vivi, obrigado André, obrigado às mais de 300 pessoas que passaram por aqui na nossa live, ela vai ficar salva por aqui, você pode assistir o começo e mandar para quem para alguém que se interessa pelo tema e o link para adquirir o livro tá também na descrição desta live. E se você ainda não é Amazon Prime, torne-se Amazon Prime, beleza? Tem desconto aí, 11 e 12 de julho vai ter o Prime Day, que vai ter muita oferta, 11 e 12 de julho, mas só para quem é Prime. Se você ainda não é Prime, o link tá aqui na descrição e é 14,90, vale super a pena. Vamos ficando por aqui, fiquem todos na paz do Senhor Jesus e é nós.