A historia do preconceito | Raízes | Origens
06/09/2024
A historia do preconceito | Raízes | Origens
Nesse episódio mergulharemos em uma análise dolorosa, explorando os sinuosos caminhos que conduziram ao surgimento do preconceito racial.
Episódio 10 da temporada Raízes da Jornada Humana.
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Fonte: Origens NT
Legendas automáticas:
[Música] ao longo dos séculos as raízes da história humana se teceu com fios de padrões comportamentais que ecoam através dos tempos desde tempos imemoriais até os dias atuais testemunhamos a perpetuação de impulsos fundamentais como a busca por expandir fronteiras o Florescer do Comércio a curiosidade exploratória que nos leva a desbravar terras desconhecidas e inegavelmente a presença inabalável da que se mantém como uma Âncora emocional e espiritual ao longo das eras e continentes foi assim com as grandiosas civilizações antigas como os sumérios acádios e babilônios e foi assim por séculos a fio a fé sendo o elemento mais intrínseco da vida na Idade Média a Igreja Católica reg guia-se como uma força incontestável com seus tentáculos de influência alcançando todos os Extratos da sociedade além do seu papel espiritual Central a igreja exercia um controle inegável sobre os domínios políticos educacionais e mesmo sobre o pensamento coletivo Entretanto a complexidade da natureza humana revela uma dualidade intrigante a fé um farol de esperança e consolo para muitos Quando deturpada e instrumentalizada por interesses escusos pode facilmente transformar-se em uma ferramenta de justificação para os mais atrozes atos É nesse ponto que mergul amos em uma análise dolorosa explorando os sinuosos caminhos que conduziram ao surgimento do preconceito racial observando como a deturpação e manipulação de textos sagrados como a Bíblia foram utilizados para legitimar práticas desumanas perpetuando ciclos de opressão e sofrimento ao longo dos séculos [Música] na [Aplausos] [Música] olhando para o passado parece que nunca houve no mundo um momento em que todas as pessoas viveram em paz no relato bíblico por exemplo uma das primeiras ações da humanidade foi um assassinato onde Caim matou seu irmão Abel desde aí sempre houve ódio no mundo e olhando abaixo da superfície as pessoas nunca precisaram de muito para se odiarem mas quando o ódio se tornou uma questão de pele quando o ódio passou a ser direcionado às características físicas de um indivíduo para entender melhor esse assunto é necessário recuar no tempo e abordar uma prática tão antiga quanto as próprias civilizações a escravidão o motivo para escravizar motivos para praticar a escravização de povos eles são variados ao longo da história né então a questão da cor e a questão de de de ver o outro como subhumano Aristóteles por exemplo achava que a escravidão era uma ordem natural das coisas nenhum vínculo a cor ele achava que alguns povos simplesmente nasceram para serem servos para servirem outros povos né para ele isso era um dado da natureza mas na justificativa dele não havia nenhum aspecto racial envolvido então a novidade a partir do século XV 16 1 é esse ingrediente racial a origem da escravidão está relacionada às guerras e conquistas no antigo Oriente um indivíduo poderia se tornar um escravo por vários motivos por ser Prisioneiro de guerra por contrair uma dívida e pagar com trabalho durante um tempo específico ou pela vida toda ou mesmo por ter cometido um crime e ser punido com a escravidão o próprio código de hamurabi apresentava itens que legislava sobre a relação do escravo e seu senhor os antigos documentos assírios por exemplo constantemente mencionavam um grande número de escravos trazidos dos quatro cantos do mundo era uma prática comum na Mesopotâmia e em grande parte do mundo que tomou novos contornos a partir do século X 15 se tratava de um momento de tensões políticas na Europa o império otomano crescia e aos poucos começou a ocupar uma Região estratégica comercial Este Mar no meio das terras liga os continentes europeu asiático e africano e era o principal eixo econômico das rotas comerciais Esse controle acabou forçando a Europa Cristã a buscar novas rotas de comércio com o aprimoramento da tecnologia marítima a possibilidade de chegar mais longe e com a permissão da Igreja Católica surgia também o objetivo de expandir o domínio europeu descobrir novas terras difundir o cristianismo e encontrar novas fontes de Comércio e de escravos Portugal o primeiro país a se lançar na sua empreitada recorre a África a princípio não havia nenhum elemento racial não passava de uma atividade puramente econômica no entanto aos poucos com novas guerras e conquistas negro e escravo se tornam sinônimos antes do século XV das grandes navegações e E do comércio de escravizados negros africanos Ah não havia essa vinculação de hierarquia entre povos e grupos relacionados à cor da pele ah era mais uma questão etnocêntrica Nacional digamos e para usar uma palavra de hoje seria mais genofobia então eu tenho aão ao estrangeiro por quê Porque ele não é do meu povo Então a partir do século XV eh com a descoberto da da chamada as Índias ocidentais então V o escravo africano negro a questão do ódio pela cor então o negro era sinônimo de escravo comeou foi um longo processo n do século X até o século X que na minha opinião foi o auge disso então na minha Ótica o sistema escravista gerou o racismo e não o contrário porque a escravidão antecede essa questão de cor sempre houve escravidão decorrer da história da humanidade a gente tem diferentes tipos de racismo a gente pode dividi-los da seguinte forma né o racismo ele tem um componente fundamental basilar que é o preconceito e ele vai se manifestar ele vai desaguar ele vai enfim se fazer presente na sociedade através de ações discriminatórias Então a gente tem preconceito de discriminação por vezes a gente pode usar isso na linguagem de forma intercambiável mas cada uma cada uma cada palavra cada expressão vai designar de forma específica um tipo de Conduta como brasileiros a gente consegue perceber bem isso através do momento em que a servidão que é uma outra realidade comum a história da humanidade ganha contornos raciais então a cor da pele em especial torna-se o o motivo ou a razão pela qual essas hierarquias sociais vão sendo estabelecidas e mais do que isso elas vão sendo solidificadas E quando é que a gente eh tem isso na nossa história bem a gente tem a partir do momento que o tráfico eh torna-se Transatlântico Ou seja você começa a ter eh o cativeiro sendo necessariamente designado pela cor de pele E essas pessoas sendo marcadas necessariamente como inferiores e por essa razão indignas de liberdade ou igualdade a concepção tradicional de dominação muitas vezes é associada à ideia de violência direta como se o controle sobre um povo só pudesse ser alcançado por meio da força física no entanto Talvez seja mais eficaz exercer sobre aqueles que não resistem ativamente mas internalizam uma sensação de inferioridade a verdadeira essência da dominação resite em convencer o outro de sua própria inferioridade seja por meio de preconceito sobre sua aparência inteligência Fé ou cultura antes mesmo de qualquer ato de opressão é essencial construir discursos e práticas que desumanizam e subjugue aqueles que desejamos controlar Essa é a semente do horror que precede qualquer forma de violência física talvez foi à medida que o tráfico de pessoas persistia como um negócio altamente lucrativo que tornou-se necessário encontrar justificativas além do aspecto puramente econômico para sua continuidade talvez foi a tentativa de lidar com a multiplicidade de seres humanos que suscitou a ideia de que nem todos tivessem a mesma origem pessoas tão diferentes Vivendo em lugares tão distantes simplesmente não podem ser fruto da mesma árvore genealógica a proposição de que alguns foram destinados à subjugação enquanto outros foram considerados amaldiçoados para servir não seria por si só uma forma de subjulgar o escravo tendo a Bíblia como escudo foi dito então que uns eram humanos criados por Deus outros selvagens seres sem alma e sem chance de salvação no entanto sabendo que a base da Bíblia e do Cristianismo diz que todos são iguais diante de Deus como foi possível instrumentalizá-los para justificar um ato tão terrível como a escravidão então a palavra é distorção bom eles usavam alguns textos chave né A Maldição de c a suposta maldição de Caim eh a própria prática da servidão que a gente chama de escravidão no antigo testamento algumas pessoas preferem chamar de Servidão porque eram práticas diferentes nenhuma escravidão é boa mas aquela do Antigo Testamento comparada ao que houve né com os negros escravizados negros africanos O que houve no Brasil por exemplo uma das piores coisas da história da humanidade O que havia no antigo testamento não chegava perto disso então eles usavam esses textos por exemplo a maldição de C Filho de Noé que viu o seu pai sem roupa e tal e na verdade para você ver o nível da teologia escravista a maldição que Noé lançou sobre c não foi sobre C foi sobre o filho dele Canaã ele tinha quatro filhos então maldito seja Canaã o filho de c e ele vai ser servo de sem e de Jafé o malabarismo escravista é bom Canaã é o pai dos africanos Mas isso não tem nenhuma conexão com a realidade Canaã foi foi deu origem ao povo de Canaã que é onde fica a Palestina Hoje os outros filhos de k que foram pra África né que é o c o pai dos etíopes misraim o pai dos egípcios e o pai dos líbios então o único que recebeu a maldição de ser um escravo foi aquele que não foi pra África mas a teologia escravista ignorou tudo isso e colocou não a maldição recaiu sobre os africanos então eles têm que ser escravos de Caim por exemplo Caim e recebeu uma marca de Deus após assassinar o seu irmão Abel e para alguns essa marca foi que ele se tornou um negro então ele mudou de de cor isso é é Beira ao ridículo porque o texto não diz o que era a marca de Caim além disso a marca de Caim está no texto era para proteção dele a maldição não é sobre Caim É sobre quem matasse Caim então é a marca que ele recebeu de Deus é para que ninguém o matasse Então como é que você pega um texto desse e transforma esse texto em algo que é o oposto do que está escrito isso era a teologia escravista da época a força motriz do sistema escravista era a economia mas a justificativa a estrutura argumentativa para justificar isso era teológica filosófica científica ideológica política Então você encontra vários autores em cada uma dessas áreas justificando a A Hierarquia entre o que eles chamam de raças [Música] né a Bíblia enquanto livro não é agente moral nem a Bíblia nem a ciência nem nada produzido o ser humano é agente moral então nós tendemos ao mal a luta contra o nosso próprio eu e por conta disso mesmo livros maravilhosos e inspiradores Inclusive a bíblia pode ser usada para fins estranhos ruins negativos e não só a Bíblia mas também teólogos e filosofias todos muitos exemplos possíveis eu posso citar apenas um que talvez seja Quem sabe mais exemplificar no século X nos Estados Unidos durante ali a escravidão Americana a a guerra da secessão para ser mais específico e mesmo antes no contexto você encontrava vários eh senhores de escravos para usar um termo que se usava naquele contexto que utilizavam a bíblia justificando a escravidão então el citavam textos específicos e ali interpretavam à luz da sua própria dominação textos do Antigo Testamento e o próprio livro de Filemon no novo que embora seja um livro belíssimo e fala que eh o dono do escravo deveria recebê-lo Como seu irmão mas a interpretação era outra então como eu disse eh a Bíblia não é agente moral as pessoas são e Independente de suas ideologias ou por conta delas esse tipo de distorção acontece a impressão que a gente tem da historiografia da escravidão é que todos os cristãos defendiam isso que isso era uma unanimidade mas isso não é verdade por exemplo o argumento da maldição de C era um argumento marginalizado ele não era Dogma central de nenhuma denominação apesar de pessoas defenderem isso e você encontra textos usando isso e textos refutando isso então tem os dois lados sempre e quando você olha a teologia sendo instrumentalizada para justificar o comércio de pessoas comércio de escravos você percebe o que o historiador Mark n chama de batalha uma guerra uma crise teológica onde há dois lados você tem um lado que faz isso que justifica o tratamento desumano dado a outro e um lado no no mesmo cristianismo mes um lado combatendo isso desde o início sempre teve Oposição a isso a necessidade de se sentir superior a outro parece ser algo inato no ser humano porém não seria essa uma manifestação justamente da ausência de um criador afinal não há ponto mais elevado do que ser filho de Deus talvez é quando o homem tenta se autoafirmar que percebe quão frágil é e talvez é aí que ele sinta a necessidade de tornar o outro inferior para se sentir superior mas a verdade é que para sermos humanos no mesmo nível todos têm que ter uma origem comum se tiramos da cena a criação do homem descrita em Gênesis o processo discriminatório é inevitável estudamos o passado porque é nele que encontramos respostas para o presente seja do político ou pessoal do econômico ou cultural o passado exerce uma influência contínua sobre o presente as decisões e eventos do passado não são apenas registros distantes mas elementos que continuam a ecar no dia a dia será possível então que o início de um pensamento tão antigo Como o racismo ainda respingue no mundo que conhecemos hoje nós tivemos mais de 400 Anos de Escravidão no país então é natural que haja uma série de conceitos contra negros que persistem ainda que os mecanismos discriminatórios estatais que vigoraram durante muito tempo na história do nosso país não estejam mais presentes na legislação mas continuam continuem vivos na economia e possam inclusive Serv vistos eh em espaços onde negros não acessam espaços de poder onde são minoria apesar de serem maioria da população espaços de educação eh espaços econômicos a gente não consegue perceber essa representatividade de uma etnia que é a maior parte da população brasileira acessando com paridade os espaços de maior poder e prestígio tendo aquilo que a gente pode chamar de mobilidade social possibilidade melhoria de vida e isso tudo parece estar muito associado ao nosso histórico escravagista mas a um tipo de preconceito que foi incorporado na sociedade brasileira e esse preconceito impossibilita ou melhor dizendo dificulta a possibilidade de que alguns públicos acessem determinados espaços e gozem de determin benefícios que são ao menos oficialmente juridicamente garantidos a todos os brasileiros com a capacidade de instrumentalizar tudo que vemos pela frente da política aos esportes da Guerra ao amor sem ver as consequências a longo prazo instrumental também a religião a fé a Bíblia mas se deixamos a Bíblia falar por si só sem a que por vezes a impomos seria ela uma ferramenta de libertação no século X foi editada uma Bíblia que ficou conhecida como slave bible ou negro bible a Bíblia do escravo a Bíblia do negro essa Bíblia era uma Bíblia completamente amputada porque ela foi produzida para a evangelização de escravos então os senhores deos proprietários supostos proprietários de escravos eles eram supostos cristãos eles utilizariam essas Bíblias para evangelizar os os escravizados mas os editores perceberam que alguns textos não ajudariam então eles começaram a retirar esses textos então você não encontra a história do Êxodo você não encontra vários Salmos eh você tem 10% só do Antigo Testamento nessa Bíblia removeram profetas removeram Isaías removeram tudo e você tem só metade do novo Testamento removeram Apocalipse removeram Filemon os Evangelhos e a justificativa era nós não queremos textos que deem esperança de liberdade para essas pessoas o que que isso me ensina que quando você deixa a Bíblia inteira deixa ela falar por si não tem opressão porque se não fosse assim os editores dessa Bíblia deixariam a Bíblia entocada eles editaram a Bíblia porque entenderam esse texto não nos favorece fala da imagem de Deus em todo o ser humano da Redenção e a igualdade em Jesus Cristo e da Restauração final onde todos os povos tribos língua e Nação estarão no céu com Jesus isso para mim é um testemunho histórico poderoso de que a bíblia por si só ela é um instrumento anti-opressão uhum para usá-la como instrumento a favor da opressão você tem que amput malabarismo exegético ali o problema é que muitas vezes a nossa lente né de ler a Bíblia de encarar religiosidade é uma lente assim eh de um foco só né então a gente tem essa lente que só vê por esse lado talvez porque é assim que foi visto por um longo tempo né então ah só só posso ver dessa maneira se eu não enxergar dessa maneira eu tô enxergando errado só que daí a gente tem que perceber que isso é a nossa lente né não é é a realidade né não existe neutralidade na leitura da Bíblia né a gente tem que assumir a nossa lente e entender que lente é essa eu acho que tem tudo a ver com o que você diz que é a questão de distinção de pessoas e etc tem mais a ver com a nossa Lente do que com qualquer coisa porque a Bíblia é bem clara né o ser humano é feito a imagem e semelhança de Deus não interessa quem não interessa a cor não interessa o gênero não interessa nada o ser humano é imagem semelhante de Deus né e ponto final é é assim que começa bom alguém que se diz Cristão e manifesta comportamentos e opiniões racistas discriminatórias eh primeiro no nível secular está cometendo um crime mas também está cometendo um pecado Eu vou além eu digo que essa pessoa está promovendo uma heresia o racismo é crime pecado e heresia por quê Porque é uma negação de pelo menos três ensinos bíblicos básicos a criação a redenção e a restauração final de todas as coisas [Aplausos] [Música]