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O padrão humano | Raízes | Origens

O padrão humano | Raízes | Origens

O padrão humano | Raízes | Origens

Como aquilo que definimos como beleza padrão pode ter influenciado nossa percepção do que é bom, agradável ou mesmo nossa percepção de religiosidade?

Episódio 12 da temporada Raízes da Jornada Humana.

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Legendas automáticas:

O que é beleza como definir o que é belo
há quem diga que a beleza está nos olhos
de quem vê que floresce na singularidade
do olhar que a contempla Mas além de uma
estética superficial beleza uma conexão
profunda com a essência do que é humano
aquilo que criamos ou concebemos a
respeito da Beleza estão ligadas as
nossas próprias filosofias nossas
crenças e as regras estabelecidas que
adotamos ao longo do tempo o padrão de
beleza e aquilo que é considerado Belo
aos olhos humanos mudou bastante com o
tempo muitos se engana quem pensa que
beleza tem a ver apenas com gosto tem a
ver também com parâmetros ideias e
necessidades de uma sociedade ou seja o
padrão de beleza informa o que é bonito
e agradável dentro de parâmetros sociais
e a partir disso cada indivíduo pode
dizer se algo ou alguém É de fato Belo
dentro desse contexto e assim de beleza
muda conforme mudamos de época de lugar
e de
[Música]
Cultura mas como aquilo que definimos
como beleza padrão pode ter influenciado
Nossa percepção do que é bom agradável
ou mesmo nossa percepção de
religiosidade
[Música]
na
[Aplausos]
[Música]
beleza qualidade daquilo que suscita
admiração combinação de elementos que
despertam uma resposta emocional
positiva seja através da Visão audição
ou qualquer outro sentido é uma
experiência tanto pessoal quanto
Universal um reflexo da harmonia e
autenticidade e da capacidade de ver
além da superfície vemos beleza na
natureza na arte nas pessoas na
diversidade a beleza está nos olhos de
quem vê mas também no coração de quem
sente e na mente de quem a contempla Mas
por que a buscamos Por que Queremos
estar sempre rodeados daquilo que é Belo
e agradável
[Música]
isso já diziam os filósofos gregos que
há três elementos
característicos da busca do ser
humano são eles A Busca da Verdade ou
seja a compreensão do mundo ao nosso
redor E o que é certo e o que é errado A
Busca Pela bondade ou seja não apenas o
que é verdadeiro ou não mas o que me
torna uma pessoa melhor e torna os
outros pessoas melhores e A Busca Pela
beleza isso não é apenas a compreensão
da
realidade não é apenas a aquisição das
Ferramentas éticas da
realidade é a modificação da realidade
para torná-la atraente mais bonita mais
bela portanto a Beleza Estética e a
criatividade são inerentes ao ser
humano a busca por fixar a beleza em
pedra e eternizá-lo como obra de arte
não vem de hoje os egípcios tinham
desenhos elaborados e os mesopotâmicos
criaram luxuosa arquitetura mas foi na
Grécia antiga que a arte ganhou riqueza
de detalhes e refinamento talvez porque
os gregos viam a contemplação e
reprodução do Belo como valor a beleza
no entanto nunca permanece a mesma o
padrão do que é considerado Belo muda ao
longo do tempo mudado pelas influências
culturais históricas e sociais que nos
rodeiam quando estamos falando de beleza
Esse é um conceito que tem exigido muita
análise existem diversos pontos de
vista e para simplificar poderamos dizer
que a beleza culturalmente deve ser
entendida a partir dos
cânones existem cânones e existem
filosofias que apoiam os cânones por
exemplo na época do Egito agora nós
sabemos Com certeza que os egípcios
podiam se expressar visualmente de forma
realista Eles podiam absolutamente fazer
uma obra
realista no entanto eles não fizeram ou
não nos deixaram eles não se propuseram
a nos deixar a prod de obras realistas
em vez disso fizeram uma simplificação
ou uma estetização do que
conceberam Como dizia Picasso eles nos
deixaram o que pensavam e não o que viam
portanto nesse aspecto isso é evidente
em todas as épocas os gregos também
fizeram isso os gregos tinham um
conceito diferente de
beleza naturalmente suas obras
manifestam o cânone derivado da
filosofia que possuíam
o que nós acreditamos ou concebemos
sobre beleza tem a ver com nossa própria
filosofia nossas crenças e os cânones
estabelecidos que adotamos ao longo do
tempo ou que acabamos criando não é
mesmo criamos neste século XX não muito
tempo atrás o padrão de beleza estava
intimamente associado ao estatus social
na era medieval por exemplo o ideal de
beleza feminina incluí pele pálida e
corpos mais cheios esses atributos
indicavam riqueza pois sugeriam que a
pessoa não realizava trabalhos braçais
ao ar livre e podia Se permitir uma vida
de conforto e alimentação abundante mas
se pararmos para pensar hoje a relação
daquilo que estabelecemos como padrão
ainda é a mesma Afinal quem pode
alcançar o padrão de rostos harmonizados
e corpos cuidadosamente construídos
pelas lâminas de
bisturis Mas por que insist em criar um
padrão para definir o que é belo seria
talvez uma tentativa de padronizar para
controlar eu não sei se padronizar mas
fugir a gente tende a escolher os iguais
meus pares se você for ver até Teve uma
época que começou não sei se lemb quando
começou chapinha os cabelos você olhava
as fotos de formatura de escola de grupo
de escola as meninas Tod com aquele
cabelo ido e impecavelmente l era padrão
porque nós acabamos nos identificando
com aquilo que nós conhecemos com aquilo
que nós vemos
cotidianamente e
tendemos a olhar com certa desconfiança
para aquele que é diferente e a
sociologia tem até um tempo para isso é
o
etnocentrismo Ou seja é a partir da do
meu sistema de crenças e valores da
minha cultura inclusive eh da minha
etnia que eu vou julgar o mundo e
obviamente
eh isso leva a outras percepções
em todos os aspectos bom se a
minha cultura é
superior se a minha cor é superior se a
minha língua é
superior então obviamente os outros são
inferiores mas a gente tende a viver
entre os iguais
tende não que a gente Deva isso não é
entre aspas o
saudável se a percepção de beleza por
vezes foi moldada por narrativas e
imagens que refletiam contextos
históricos é possível que algumas
imagens penetraram o Imaginário coletivo
Mundial apesar de ser uma representação
Regional mesmo para aqueles que não se
reconhecem cristãos a figura de Jesus é
sem dúvida uma das maiores
personalidades da história
seus feitos extraordinários hoje levam
mais de 2 bilhões de pessoas a se
declararem cristãos ao redor do mundo os
primeiros cristãos cuidaram em não fazer
imagens ou quadros de Jesus para não
incorrer na idolatria mas à medida que o
cristianismo se espalhou pelo mundo
diferentes povos diferentes etnias
tentaram retratar aquele que é
considerado por muitos como salvador da
humanidade diante de tanta diversidade
ao redor do mundo a imagem de Jesus por
vezes também se tornou
diversa Então você
encontra a historiografia da iconografia
cristã da arte sacra mostra Jesus
identificado com chineses século XIX com
indiano veja em culturas onde o
cristianismo nem é dominante Então você
tem o Jesus indiano o Jesus chinês aí
voltando um pouco mais você tem na época
século 45 Jesus eh com barba e cabelo ah
liso um pouco antes Jesus sem barba
cabelo
encaracolado Então você tem tons de pele
diferentes na iconografia então Jesus
com pele mais escura na Etiópia você
encontra nas igrejas mais antigas né
representações de Jesus com uma pele
mais escura as representações culturais
de Jesus é um fenômeno completamente
compreensível normal você representar
Jesus de acordo com o que O que é um ser
humano para você nós estamos acostumados
aqui a um determinado eh uma determinada
aparência então eu represento Jesus na
na iconografia daquele jeito Isso é
perfeitamente normal e aceitável O
problema é a dominação cultural a
imposição quando você impõe e quando
você transforma isso em algo teológico
talvez a imagem de um Jesus com traços
asiáticos ou africanos te causa surpresa
considerando que aqui no ocidente Jesus
é sempre retratado com a pele clara
cabelos longos e feições delicadas mas
se olharmos o cristianismo com
sinceridade não faz sentido que essa
figura clássica seja real fisionomia do
Jesus histórico considerando que Ele
viveu no Oriente Médio ainda assim o
clássico persiste no Imaginário coletivo
de boa parte dos cristãos e se estende a
tudo que se refere ao cristianismo mas
para entender como uma representação
artística Regional de um determinado
momento histórico se tornou símbolo do
cristianismo temos que voltar um pouco
na
[Música]
história a impressão que a gente tem é
de que a religião cristã ela pega
um avião do Oriente Médio pega um avião
de Jerusalém e Saindo dali num voo curto
chega a
Roma e a gente não percebe
que há desenvolvimentos históricos do
cristianismo muito mais antigos que isso
mas quando você olha para trás você vê
que o fenômeno não
começou como uma um plano de
embranquecimento o fenômeno é cada
localidade cada etnia representa Jesus
identificado com aquela etnia O que
houve é que a partir ali do século
século na verdade a partir do
renascimento isso se torna mais mais
padronizado o renascimento foi um
período de renovação cultural artística
e intelectual na Europa entre os séculos
x e XV se contrapondo aos valores da
idade média os renascentistas não
negaram a religião mas Tentaram dar um
caráter mais humano às representações
divinas colocando a si mesmo como centro
do universo e medida de todas as
coisas com os olhos voltados para a
Grécia antiga Na Busca Pela beleza ideal
a imagem de Jesus passou então a ser
retratada com características europeias
influenciados pelas normas estéticas da
sociedade em que viviam tornando-o mais
identificável com a população europeia
da época em outras palavras no
Renascimento artistas passaram a
retratar Cristo a sua própria Imagem e
Semelhança fosse para que as pessoas se
identificassem com a figura de Cristo
fosse pelo uso da criatividade fato é
que o padrão de beleza europeu atribuiu
etnia para a figura de Cristo e a
espalhou pelo mundo a arte renascentista
teve um impacto duradouro na iconografia
Cristã moldando a imagem de Jesus de uma
maneira que refletia mais os ideais e
preconceitos culturais da Europa
renascentista do que a realidade
histórica você olha ali do renascimento
do século X até o século 17 16
eh Quais são as obras que ficaram
famosas né você tem A Última
Ceia da 20 você tem a o julgamento lá de
Michelangelo da Capela cistina nessas
obras essas pinturas Jesus é branco mas
não é por uma tentativa de embranquece
né porque o artista ele retrata aquilo
que eh está identificado com a sua
cultura agora isso não quer dizer que
não houve campanha de embraquecimento
houve sim só que ela é tardia Aí sim
vincular ao sistema ao comércio de
escravos a essa estrutura argumentativa
que justificava a escravidão no
finalzinho do século X em
1895 foi pintado um quadro curioso no
Brasil chamado A Redenção de Camp no
quadro vemos a avó uma mulher negra com
vestes que denotam sua simplicidade e
Servidão ela tem as mãos levantadas para
cima como se estivesse agradecendo por
um milagre do outro lado vemos o pai que
olha comul para criança ao centro ele é
branco e é o que tudo indica é um homem
português ao centro vemos a mãe com
traços mais embelezados como se dizia na
época mais clareados e ela tem ao colo o
objeto central dessa tela um menino
muito branco com cabelo liso e claro a
mulher aponta um dedo para o lado
indicando futuro o futuro ao qual a avó
agradece o futuro O Milagre aqui
representado é o embranquecimento
esse quadro É muito curioso ele reflete
Sim nesse momento da história uma
sistemática tentativa de
embranquecimento então eles previam
nessa teoria de embraquecimento que em
um século em Três Gerações o Brasil se
tornaria um país Branco via
eh Se a missina Nação fosse corretamente
dirigida então isso houve sim
a esse é um ponto o segundo ponto é o
colonialismo a Dom ação cultural então o
os países colonialistas imperialistas
quando chegavam para explorar um povo
para dominar aquele povo levava também a
religião e aí levava a imagem do Cristo
de acordo com a cultura deles não de
acordo com a cultura dos dos dos nativos
ali e aí levava o Jesus branco
eurocêntrico do cabelo liso e olhos
azuis né E e essa figura foi se tornando
cada vez mais padronizada a figura mais
utilizada de
Cristo em toda a história é uma pintura
de 1940 de um sujeito
chamado Warner
salman um Batista ele fez uma pintura
chamada cabeça de Cristo e é um Jesus
com traços brancos ângulo saxão
e essa pintura se tornou popular e onde
quer que as revistas e publicações
chegavam via missionários essa pintura
ia junto então confundiu-se nesse
momento evangelização com
colonização Eu acho que isso ajuda a
explicar esse processo de
embranquecimento
é importante fazer uma distinção entre
as representações de Jesus e o Jesus
histórico como falamos ao longo do
episódio foram várias as representações
de Jesus ao longo do tempo ilustrações
estas que instintivamente levavam em
conta contextos sociais históricos e
culturais para o fim revelar a imagem de
um Cristo considerado Belo para os
padrões da época Afinal somos seres que
buscam e valorizam a beleza mas falando
agora do Cristo histórico de Jesus de
Nazaré filho de José e Maria que viveu
na Galileia e que marcou e dividiu a
história é possível saber qual era sua
aparência seu fenótipo
a resposta mais honesta é ninguém sabe
agora existem níveis de
probabilidade ele provavelmente não era
o branco mas dificilmente ele seri negro
também dadas características de quem
habita ali naquela região da Palestina
hoje né Nós não temos como saber
exatamente como era
Jesus mas nós sabemos uma
coisa sobre ele que a Bíblia nos diz
ele não tinha beleza nem
formosura não era alguém que chamaria a
atenção por seu porte físico por seu
rosto Belo sua bela Persona nada disso
dito
isso chamava a atenção Cristo pelo seu
caráter pela sua
postura por ele ser quem ele era
acepção de pessoas Mas provavelmente ele
tinha uma uma aparência comum da época
porque o texto bíblico não não isso não
é importante pro texto bíblico
aparentemente Jesus
Ah era mais um etnicamente falando era
um judeu era comum isso não é na
cristologia do novo testamento isso não
é algo relevante
Ah quando tentaram tornar isso algo
relevante deu problema a teologia
nazista por exemplo tentou criar um
Jesus Ariano bom quem é que tem o
direito de criar um Jesus de uma etnia a
ou de uma etnia B isso não é importante
pra Bíblia e eu creio que não deveria
ser tão importante para nós da mesma
forma o próprio
Cristo já foi
representado culturalmente ainda é
amarelo branco preto e e cada cultura
representa da mesma da sua própria forma
o que não se pode é massificar e
universalizar uma única imagem de Cristo
que seja
eh deletéria porque eh minimiza e
porque traz um desconforto por não
identificação e eu acho que uma reação a
isso não não tem que passar por isso
entende é você não tem que combater uma
dominação cultural com outra se Jesus fo
instrumentalizado como uma figura de
dominação cultural você não combate isso
transformando ele numa contrad dominação
cultural não você tá usando o mesmo a
mesma arma do do opressor né você não
combate uma distor com outra distorção
contrária não a gente combate com a
verdade e a verdade é o dado bíblico Não
traz nenhuma informação relevante sobre
a aparência de Jesus Isso é uma questão
meramente uma construção sociológica uma
construção cultural aceitável normal
desde que isso não envolva eh Dominação
e opressão Todos devem se identificar
com Cristo porque Cristo veio para todos
então se eu imponho que Cristo foi esse
aqui dessa forma e eu não sou assim
compatível entre aspas né do ponto de
vista Então o que significa isso para
algumas pessoas nada porque Cristo
transcende tudo isso mas para outras
pode ser um muro pode ser uma barreira
pode ser uma separação e talvez seja
justamente Interessante não sabermos
exatamente como Cristo foi porque nós
enquanto seres humanos infelizmente
somos preconceituosos e utilizamos
qualquer naco de diferença para fazer
disso uma trincheira e e um muro de
separação somos naturalmente atraídos
pelo que é Belo e agradável por aquilo
que nos causa admiração no entanto ao
tomarmos como padrão apenas nossas
próprias características acabamos
limitando a definição de beleza já Que
beleza não é um conceito rígido mas uma
celebração da variedade Infinita da
experiência humana Mas por que é
importante viver conviver e apreciar a
diversidade Esse é um pouco o
raciocino o caminho que eu acho que as
pessoas erram
que a acharem
incentivam essas questões mais entre
iguais onde você descarta o diferente e
procura o igual e acredito que nesse
sentido eu não estou implicando com
ninguém mas estou expressando algo em
que acredito profundamente que é a
complementaridade em outras palavras
Precisamos do que é diferente isso tudo
em uma criação em um mundo onde não há
nada
igual a noção de igualdade não da
Criação em que
vivemos não existem dois flocos de Neve
idênticos não existem duas células
idênticas não existem duas pessoas
idênticas portanto essa disposição de
ser diferente me parece ser muito
importante e dessa forma quanto mais eu
for capaz de administrar a
diferença mais estarei no caminho da paz
no caminho da harmonia da felicidade e
de minha própria realização em todos os
níveis is
[Aplausos]
[Música]

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