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A fé vem pelo ouvir

Obra: A terceira margem do rio | Rina Furuta & Isabel Costa | IBNU

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[Música]
o Boa noite você sejam todos muito
bem-vindos
[Música]
k
[Música]
C
[Música]
Boa noite você está aqui no canal da
ibnu sejam todos muito bem-vindos a mais
uma live do ler para crer estou aqui com
a Rina é um prazer muito grande ter você
conosco E aí Rina tudo bem oi belzinha
olá olá você que tá aí conosco também
seu sejam todos
bem-vindos então vamos começar vamos lá
Como amel disse essa é mais uma live do
ler para crer que é o clube de leitura
da ibnu se você quiser participar basta
enviar uma mensagem aí para conexão ibnu
que você vai ser colocada ali na lista
que vai recebendo as comunicações sobre
as obras que a gente vai desenvolver
Hoje a gente vai falar sobre um conto do
José Guimarães Rosa
que é assim extraordinário é um conto
que arrebata corações e suscita
interpretações as mais variadas portanto
se você jogar no Google você vai
encontrar muita coisa e essa
possibilidade de interpretações tão
variadas e
diferenciadas já aponta paraa
genialidade do Rosa né O Rosa que é
considerado o maior autor brasileiro do
Sé século XX esse médico Mineiro
Diplomata pessoa que falava oito línguas
Lia outras quatro estudava a gramática
de mais 11 então assim uma pessoa normal
né como eu aber você não sei mas assim a
gente vê que era um homem extremamente
capaz que foi abençoado por Deus
agraciado por Deus com o dom de
compreender as línguas não é nem só a
língua portuguesa o idioma português mas
tantas
outras essa
habilidade conferiu ao Rosa uma
sensibilidade ímpar também para perceber
o cenário campesino Campestre a vida
rural que é um cenário eh de muita
predileção do rosa para construir a as
histórias né a terceira margem do rio
foi publicado em 62 no
coletânea coletânea primeiras histórias
que é uma coletânea de contos onde as
personagens estão sempre movimentando se
deslocando indo de um lugar pro outro e
onde A viagem é usada como uma como um
símbolo do existir né porque afinal de
contas a vida é uma grande viagem que a
gente tem checking checkout né Tem hora
de chegar e a hora de Partir primeiras
Histórias
Um a margem do rio a terceira margem do
rio que é o nosso conto de hoje a
terceira margem do rio já é um conto
instigante logo no seu título né Por que
um rio tem duas margens Como assim uma
terceira O que é essa
terceira ti Carara o leitor já se depara
com essa pergunta cuja resposta ele não
vai encontrar de maneira óbvia no correr
do conto já que o autor não repete essa
expressão terceira margem em nenhum
momento mais do seu texto Este texto
conta a história de um pai um pai que
desde pequeno foi foi considerado uma
pessoa né na sua vida adulta o autor vai
dizer que ele era um homem
eh cumpridor que era um homem ordeiro
que era um homem responsável e também
era um homem quieto ele diz até assim
ele qualifica assim o narrador é o filho
tá ele tinha três filhos narrador é um
dos
filhos nosso pai era homem cumpridor
ordeiro Positivo né então esse homem que
é muito previsível até porque é uma
pessoa que mantém a palavra dada que
cumpre as suas seus compromissos
firmados um dia ele chega para sua
esposa
e diz que ele tá indo embora a certa
altura da vida Ele Decide encomendar a
construção de uma canoa uma canoa
especial essa família embora a a
história se desenrole no cenário Rural
não é uma família de extrema necessidade
é uma família que tem lá sua fazenda a
sua terra que tem condição de contratar
um um Professor pros seus filhos que tem
alguma condição financeira Ah E aí esse
pai encomenda essa Canoa uma canoa de
altíssima qualidade de pau vinhático que
é um pau uma madeira né que é
considerada uma das melhores para você
construir aí pequenas embarcações aí ele
pede pro artesão que vai fazer essa
madeira essa marceneiro né que ela tenha
um lugar apenas para ex ente um justo
lugar que ele vai falar pra pessoa que
ocupa quando essa cana fica
pronta esse pai as personagens não t
nome tá gente parece coisa do Saramago
né Saramago também não nome nada e
quando um autor não nomina personagem
pode ser que a intenção dela dele esteja
em
universalizar o tema eu acho que caso do
Rosa aqui que já em outras histórias
nomina suas personagens nem pode ter
sido isso porque o tema do conto é uma
relação de entre pai e filho que é uma
relação Universal né então ele vai falar
o pai o filho a
mãe o pai chega pra mãe eles moravam
a cerca de 1
km do Rio que era um rio muito
amplo né As Margens eram tão amplas que
você não conseguia ver o outro lado e
também er o rio muito fundo e nós
sabemos que quanto mais profundo o rio é
mais serenas são suas águas mais
silentes né o autor até faz essa
comparação do Rio com o pai falando que
o rio sempre estava ali quieto silente
como rio o pai também era assim eh essa
Canoa
chega e a família vai toda paraa margem
do rio sem entender aquilo que tá
acontecendo sem acreditar que o pai vai
de fato colocar esse plano em ação e ele
faz isso né quando eles chegam lá essa
mãe que era uma mãe de temperamento eh e
papel também totalmente diferente do pai
ao contrário do pai na realidade Vamos
pensar que em função é paterna n que
antigamente a função paterna ela era
sempre exercida ou majoritariamente
exercida pelo masculino pela figura
masculina porque as famílias eram assim
constituídas com o passar do tempo a
configuração social foi se alterando
muito e a gente não tá falando só de de
casais eh homoafetivos ou homosexuais
não a gente tá falando de mães solteiras
de avós que criam os filhos né Então
essa função do pai essa função paterna
que antes era exercida majoritariamente
pelo
masculino hoje em dia ela tá muito
estendida a outras
pessoas as mães exercem essa função
paterna os avós exercem essa função
paterna quando o pai se retira ou é
retirado né neste caso o pai ainda não
havia se retirado e mesmo assim essa mãe
é ela quem a tudo rege e com todos ralha
né diariamente o autor vai dizer ou seja
ela ocupa essa função paterna
de de correção né de Norma de lei de
regulação é uma mulher de um
temperamento eh muito forte e que diante
do Silêncio do pai acabou eh
potencializando isso né Quem se
interessar pelo prejuízo do Silêncio do
masculino Numa família tem um livro que
se chama o silêncio de Adão eu me
esqueci o nome do autor
eh não vou encontrar aqui agora mas esse
livro ele é muito importante e pode
ajudar né Para que essas famílias
busquem
lá a voz né a o o a participação do pai
na família ok voltando pro
texto essa Mãe chega tá todo mundo ali
os três filhos estão ali e o pai
resoluto tranquilo resoluto sem dar
nenhuma
recomendação sem levar nada para comer
ou nenhuma muda Extra de roupa para
vestir e ele se posiciona para se
despedir e a mãe diz uma frase que o
rosa eh colocou de maneira genial diz o
seguinte Nossa mãe a gente achou o que
ela is
esbravejar mas persistiu somente Alva de
pálida mas com beiço e bramou olha só o
filho tá contando a gente achou que ela
ia esbravejar mas ela não esbraveja ela
brama quem brama essa nota eu devo ao
professor
Hansen livro docente em Literatura da
USP que que explicou Isso numa das suas
aulas e e foi muito bonito ele fala quem
brama a onça
brama mulher o Larry c o autor do leitos
de Adão Ai obrigada tá nos comentários
aí o de lean colocou Obrigada Bel
Obrigada de lean Larry Crab isso mesmo
eh o professor h vai falar essa mulher
ela brama ela não esbraveja mas ela
brama quem brama a onça brama Então veja
que potência que tem um felino Mas você
já viu uma onça Ela não fica
esbravejando como um cão raivoso apesar
de toda a sua raiva de toda a sua
prontidão para o combate
ela consegue ali gerir a sua emoção tão
forte e ela brama essa mãe
brama você vai ou você fique você nunca
volte ser
ou você através desse distanciamento
linguístico o rosa vai sinalizando
também o distanciamento
emocional você vai ou você fica que você
nunca
volte e o filho que tá aí no meio
dessa dessa atensão entre o casal né
porque o pai ele faz que vai responder
mas nosso pai suspendeu a resposta e me
espiou Manso Ele olhou pra criança né
fez um sinal pra criança
vir a criança ali dividida porque temia
A Ira da minha mãe mas queria ser pedir
do Pai ela se aproxima e o pai a abençoa
e a criança pede o seguinte Pai o senhor
me leva junto nessa sua
Canoa o
pai o afasta com a mão Coloca a mão
sobre ele né o abençoa mas faz um sinal
para ele voltar essa criança volta para
essa mãe né Essa mãe que com essa frase
você vai ou se fica e você nunca volte o
professor winick também Professor livre
docente de literatura da USPA na sua
aula sobre esse texto diz o seguinte
essa mãe ela faz
aquilo que fazemos quando já não podemos
fazer algo da Ordem do que não quer né
Isso é tão comum né entre os casais essa
dinâmica Sei lá o marido quer emem tal
lugar e a mulher fala ah não queria que
você fosse e tal eu não concordo E aí
ele contraargumenta não mas eu quero ir
por isso por isso por isso a conversa
vai crescendo chega num ponto que Fer
então vai então vai não pode ir pode ir
né que é mais com esse caso aqui o
professor vzn tá falando você dá ordem
daquilo que você não quer mas que você
não tem condição mais de Contrariar a
pessoa vai fazer Independente de você
concordar ou
não esse pai se afasta entra na Canoa
deixa ali a sua família e vai indo pelo
rio o autor diz o seguinte nosso pai não
voltou por que que ele não voltou porque
ele não tinha ido a nenhuma
parte esse pai não
desaparece ele se mantém ali naquelas
mediações
ora oculto ora revelado ora oculto ora
revelado né esse rio a algumas alguns
quilômetros de
distância ele tem os seus bregos com os
seus matagais ele tem as suas Ilhas
apesar do pai não aportar em nenhuma
Ilha porque o que o pai se propôs foi o
seguinte eu estou saindo da vida
terrestre embora ainda não tenha saído
da vida terrena né porque ele eh coloca
para si é que ele não vai mais pisar em
terra firme ele vai viver no meio do rio
ele vai ficar parado dentro de uma canoa
E no meio desse movimento que é o Rio o
rio tá sempre em constante movimento
então é uma situação muito difícil pra
família e aqui talvez v a pena você já
começar a fazer
alguns algumas conexões com as suas
próprias relações com as suas relações
pors vezes algumas
pessoas estabelecem esse tipo de relação
com a gente elas não se retiram
plenamente nem ficam plenamente
né fica aquele lusco Fusco aquela
alternância de maneira que você não sabe
se ela está ou não está com você se você
pode ou não contar com ela né É isso que
esse pai faz eh como eu Adiantei para
vocês no início da nossa
conversa Existem várias possibilidades
de interpretação desse texto algumas
pessoas vão interpretar eh isso como se
fosse um rito de passagem
como se atravessar o Rio fosse uma
metáfora para você atravessar essa vida
tem gente que inclusive acha que esse
pai eh tá morto que isso poderia ser
interpretado dessa maneira
né eu vou me distanciar um pouco dessas
interpretações embora eh Concorde que
todas elas eh são
possíveis mas eu gostaria de pensar do
ponto de vista mesmo do do abandono né
do ponto de vista da rejeição de quando
alguém se retira da nossa vida e nos
caso que ainda o faz sem dar explicações
né É difícil quando alguém se retira da
nossa vida a gente quer entender o
porquê a gente quer entender também o
para quê mas rosa não tem como objetivo
nos responder essas perguntas
que o pai tá fazendo isso em nenhum
momento o autor se Analisa para que o
pai tá fazendo isso em nenhum momento o
autor sinalisa talvez porque seja
Ah que o que nos interessa aqui não é
nem o porque a pessoa fez isso com você
nem para que ela fez isso com você mas
como você responde a isso que essa
pessoa fez como se você se coloca diante
desse abandono né você vai se ter a
margem dessa decisão como essa criança
ficou porque o pai
vai causa-se um burburinho na comunidade
as pessoas começam a especular bem só
podem só só pode haver uma dessas três
possibilidades doideira
promessa ou lepra que eles vão pensar
ele deve est com uma doença muito grave
contagiosa por isso ele se isolou ouou
pensar ele enlouqueceu ficou doido né ou
vou pensar ele deve estar pagando alguma
promessa então no afã de Soter uma
resposta que o autor inclusive não nos
dá os vizinhos os parentes começam a
fazer vigílias à margem do rio eles
acendem al as suas fogueiras e começam a
rezar rezar rezar esperando esse pai
voltar num desses momentos ali já na
primeira noite olha que bonito esse
texto do do do que o que acontece né que
o rosa
escreve o autor contando filho eu mesmo
cumpria de fazer a parte dele cada dia
levando um tanto de comida furtada ele
teve uma ideia só que aqui o rosa não
disse que ele teve né a ideia que
senti que bonito isso ele tá lá à margem
é bonito mas também é complicado e a
gente vai falar né Por qu ele tá à
margem no meio lá das orações daquele
povo e ele sente uma ideia não é que ele
tem uma ideia ele sente né Essa coisa da
gente sentir
eh é difícil né porque sobretudo no
nosso meio hoje tem mundo ah eu senti no
coração como se somente o sentir fosse
Ah o que bastasse para que que a gente
se
empenhasse naquilo que sentiu né um
caminho a partir
dali a minha emoção é a régua da minha
decisão eu vou decidir o que fazer
orientado só pelo que eu sinto isso é
muito perigoso né Aqui nós estamos
falando de uma criança e eu acho que dá
para compreender porque uma criança não
tem um repertório que um adulto tem ela
não tem Tem outros critérios para só
pesar as suas decisões ela nem sabe
fazer isso a criança sim é guiada pelas
suas emor não tem nem aparelho neuronal
para isso córtex préfrontal dela não tá
amadurecido isso vai acontecer lá pelos
24 25 anos então de fato ela precisa de
um adulto ali acrescentando as outras
habilidades que ela precisa para tomar
decisões
eh acertadas mas essa criança ela não
tinha com quem conversar o pai que era a
figura com quem ela era alucinada ela
era alucinada com esse pai esse menino
era alucinado com o pai o
abandona a
mãe não abandona presencialmente mas
também a parte da retirada do pai não
toca mais o nome dele o nome do o pai
vira um tabu que são do pai vira um tabu
apesar de todo dia ali os parentes os
vizinhos estarem se empenhando
para tentar trazer o pai de volta né mas
ele sente uma ideia ele fala eu vou
levar comida para ele ele não levou nada
ah eu vou furtar as coisinhas que
sobraram os restinhos de comida aqui d
de casa e vou pegar uma muda de roupa
levar deixar um canto na beira do rio
num lugar protegido lá e que seja
alcançável para ele olha só que nós
temos uma
inversão é o pai que alimenta filho não
é o filho que aliment o pai é o pai que
guarda o filho não é o filho que guarda
o pai a gente tá falando de um filho
criança né não é um filho
adulto quando há uma inversão de papéis
Numa
família quando há essa desordem o
resultado não vai ser bom a primeira
desordem a gente já viu que é uma mãe
que cumpre a função paterna em casa
é um pai que é silente e é uma mãe que é
irací né agora segunda desordem é um
filho tão pequenino que fica preocupado
em como o que que o pai tá comendo se o
pai tá tá o que que o pai tá vestindo se
o pai tá passando frio ou não se o pai
tá com fome ou não isso vai trazer
consequências
né essa criança passa a ser atormentada
por essa preocupação
E aí ele diz o seguinte isso de levar
essa comida lá na margem do rio isso que
eu fiz e refiz sempre
né e ele achava que a mãe não sabia
então ele pegava os restinhos lá de
coisinhas de comida escondido mas ele
percebe a certa
altura que Nossa mãe sabia desse meu
encargo só se encobrindo de não saber só
despistando dando a entender que não
sabia
ela mesma deixava
facilitado sobra de coisas né então o
pai o filho alimenta o pai e a mãe
alimenta o comportamento do filho minha
gente que loucura é essa né e eu sei que
não é tão simples de repente Porque
inicialmente a mãe pode ter se
arrependido da sua postura tão
inflexível né E aí foi correr
dar um jeito desse pai
voltar eu sei que não é tão simples
porque a mãe pode ter visto o sofrimento
dessa criança
e ter achado que essa era uma forma ali
de ajudá-lo a elaborar esse sofrimento
já que ela não conseguia falar com seus
filhos sobre isso agora
eh para concertar um problema acaba se
criando o outro né Porque a criança o
tempo vai passando os anos vão correndo
e a criança assume para si a
responsabilidade de alimentar e de
vestir o pai quando era o pai que devia
estar fazendo isso temos um problema aí
é um Fardo muito pesado para essa
criança
carregar a mãe Além disso que que ela
faz ela manda vir o Tio pra fazenda o
irmão dela lá para ajudar com os
negócios ela manda vir o professor o
mestre para educar as crianças ela
incumbe o padre de fazer lá que
visitassem lá a praia né à margem lá do
Rio e e fizesse lá suas orações e ela
também arranja para que venham dois
soldados a fim de intimidar pelo medo
ali ou seja ela recorre a tudo na
expectativa de que o pai volte né Então
aquela frase você vai ou você fica você
você nunca volte você vê que ela foi
naquele momento você já disse algo num
momento que foi muito duro né e que
depois você acabou tendo que recuar
a ira queridos ela
é uma má conselheira para nós que somos
humanos né a ir em si ela não é má a ela
é uma emoção como qualquer
outra
Depende de quem é é o irado então A Ira
de Deus não é problema nenhum muito pelo
contrário a escritura aponta que a ira
de Deus também é uma expressão da sua
glória né porque Deus se ira diante de
toda a
injustiça a questão é que nós humanos
não conhecemos no caso concreto todas as
variáveis de uma situação nem pisamos no
coração do outro para saber
sempre de maneira
inerrante o que é justo e até onde é
justo então a ira no ser humano que não
é
onisciente ela precisa ser tratada com
muita prudência com muita prudência
senão você acaba falando e fazendo
coisas das quais você vai se arrepender
e depois você vai ter que recuar eu falo
para vocês minha boca tá mais perto no
meu ouvido né porque temperamento
colérico pareça fácil para ir mas pela
graça do Senhor Jesus Cristo e também né
o tempo ele vem trazendo pra gente
alguma alguma maturidade sobre isso essa
mãe tem que recuar o que disse e passa a
fazer de tudo para que esse pai volte
Então ela Ela traz o representante da
lei de Deus não resolveu Ela traz o
representante da a lei dos homens que
são soldados mas não adiant o caso ganha
tanta repercussão que até os jornalistas
da cidade se interessam eles alugam uma
lancha para ir lá fotografar esse pai
que não fala com ninguém ele tá sempre a
distância a apega como o autor diz e a
fala a distância de ser eh eh tocado ou
de ouvir e falar com alguém né
Eh quando eles vão lá com a lancha o pai
da linha vai quilômetros pra frente sem
embrenha lá nesses Brejos a gente tá
falando de um rio de proporções e e
gigantescas né não dá pra gente pensar
que aquele Riozinho que tem ali no nosso
bairro mas nem pra gente achar que é um
rio do tamanho do tit que que é Comprido
mas não é não é largo né a gente tá
falando de um rio do qual você não vê a
outra margem então pai se esconde lá no
prédio no meio da dos juncos né ninguém
consegue achá tá bom o a criança diz o
seguinte o narrador o tempo passa e a
gente teve que se acostumar com aquilo
na verdade a gente nunca mesmo se
acostumou né porque eu no que queria e
no que não queria só com o nosso pai me
achava assunto que eu jogava para trás
os meus pensamentos mas de nada
adiantava por quê Porque ele falava que
ele ele não entendia de maneira nenhuma
Como que o pai
aguentava o não entender o não
saber é algo que nos atormenta
muitíssimo e Eis aqui outra coisa com a
qual nós devemos ter muito cuidado né
porque desde o
gênesis lembra a árvore era uma árvore
do quê era uma árvore do saber era uma
árvore do conhecimento né Ah se você
comer você saberá como Deus conhecerá
como Deus então não saber porque que as
pessoas fazem algumas coisas não saber
como elas fizeram aquilo não saber o que
está acontecendo com ela não saber
porque você está passando por
determinada
situação pode te levar a um tormento
maior do que aa em
si pode te ferir
mais do que o que de fato o outro
fez porque o não
saber ele nos
angustia né a angústia ela nasce de onde
ela nasce da dúvida do não
saber do saber mesmo que seja um saber
ruim uma notícia ruim algo ruim podem
nascer outr as emoções né a tristeza a
raiva mas a angústia ela passa desse não
saber né desse não conhecer dessa falta
e esse filho ele passa a vida com essa
dificuldade por quê Porque ele não
aceita o não
saber querido se você
tá passando por alguma situação na sua
vida em que você não sabe porque você
fez ou porque lhe fizeram né você não
sabe como que aconteceu ou como que a
outra pessoa está nem como você vai
fazer embora você já tenha tentado aí de
todas as
formas achar uma saída é muito
importante que a gente
eh coloque isso diante de Deus e
entregue esse não saber a ele né aceitar
que a gente não sabe é uma postura de
humildade a gente precisa ter essa
humildade para alcançar a saúde a saúde
é coisa para os humildes né os
arrogantes jamais alcançarão a saúde
mental porque você tem que cultivar essa
postura humilde não saber né Tem coisas
que você não sabe você tem que se mesmo
né os Progressos que a gente tem
científicos
tecnológicos
humanísticos passam por essa postura de
não se contentar com o não saber e ir
atrás de melhorar uma
situação uma questão uma relação então
isso vai
acontecer mas diante de algumas
situações cuja resposta não nos é
acessível por quê Porque está dentro do
coração do outro
né quem que poderia dizer por que o pai
fez isso o pai tá no coração dele tá lá
dentro e o coração do outro é ter que o
ser humano não pisa só Deus só Deus tem
aciência então se você tá diante de uma
situação cuja resposta dentro do coração
do outro lugar que você não pisa e o
outro não quer lhe dizer talvez seja o
momento de você se recolher e falar ah
senhor me ensina a lidar com o que eu
não
sei se você fizer essa
oração Deus pode te visitar com uma paz
que você até então não terá
experimentado por causa do seu apego a
querer saber e saber como Deus né do
mesmo jeito que Adão e Eva
fizeram senhor me ensina a lidar com que
eu não sei talvez se esse filho tivesse
feito Essa oração ele teria tido uma
vida mais tranquila mas ele não a faz né
inicialmente ele era uma criança Nem
teria como fazer toda essa elaboração
que nós fazemos aqui e aí ele vai
crescendo e também já tendo se investido
naquele lugar de que no outro elemento
pai fica ali
Ok o tempo passa
né não se fala no pai embora se Pense
nele o tempo todo as pessoas pensavam
nele Quando comi uma coisa gostosa as
pessoas pensavam nele quando choviam
muito se ele tava bem ou se não tava
Sabe aquela ausência cuja a presença é
mais forte do que a presença de quem lá
está né tem algumas ausências que são
assim são mais presentes do que a
presença de quem está ao seu lado era
assim que a ausência desse pai sobre
essa família o tempo passa e a irmã dele
se
casa olha que interessante minha irmã se
casou nossa mãe
não
festa que frase tão curta e tão
expressiva os anos se passaram a irmã tá
se casando e a mãe não quer a festa quem
né não seria natural se ele tivesse
plada minha irmã se casou mas ela não
quis festa não a mãe não quis festa né
olha essa Mãe o tempo tá passando e essa
mãe ainda continua sem aprender algumas
coisas né a irmã se casa eh o filho vai
crescendo e vai ficando cada vez mais
parecido com o pai e ele começa a se
questionar algumas perguntas que ele faz
essa altura da Vida em que ele tá maior
mas é amadurecido perguntas que que não
acompanhavam quando ele era
crie compo lás
adotou nem queria saber de
nós não tinha
afeto eu tinha afeto eu tinha respeito
epre que vezes me louv
elogi por cus
de me B procediment eu falava foi pai
que um dia me ensinou a fazer assim
Eu acho essa parte do texto é muito
comovente
porque você tem uma criança que sente
tanta falta do pai que tem tanto desejo
por esse pai que qualquer coisa boa que
ela faça ela vira pras pessoas e fala
assim foi meu pai que me ensinou a fazer
assim quando não era verdade e o autor
fala o seguinte
eh isso não era o certo não era o exato
mas era mentira por verdade porque era
mentira o pai dele havia abandonado o
pai dele não havia ensinado a fazer as
coisas que ele precisava aprender só que
era tão verdadeiro o desejo dele de que
fosse assim né era tão verdadeiro o o
amor que ele tinha por aquele pai e o
desejo da presença do pai que ele fala o
autor diz era mentira com verdade
né e em seguida esse esse filho se
pergunta se ele não se lembrava mais se
ele não queria saber da gente de mim da
minha mãe dos meus irmãos Por que então
ele não subia ou descia o Rio para
outras paragens para longe no não
encontrável porque ele não sumia por que
ele ficava ali fica se te retirou da
vida Comunitária mas continua ali no
meio do rio
E
aí o tempo continua caminhando e essa
irmã teve um
menino era o primeiro neto do pai a
filha fez questão de apresentá-lo reuniu
a família à margem do rio colocou o seu
vestido branco o autor diz que fazia uma
manhã tão bonita um dia tão bonito essa
família vai pra margem essa menina que
se veste de novo com seu vestido branco
de novo noiva chega na margem pega o
bebê segura assim e começa a gritar
chamar o pai para que o pai Conheça o
neto marido dela se coloca ao lado
segurando um guarda-sol para proteger o
bebê e a criança e essa essa
mãe ela chama muito por esse pai
suspendendo seu filhinho e não aparece
el não vem
essa menina chorou muito na margem nesse
dia toda a família se abraçou e chorou
também e a partir desse dia algumas
pessoas dessa casa tomam decisões muito
importantes Olha a construção que o
autor
faz minha irmã teve menino minha irmã
chorou minha irmã se mudou
entre essas três minha irmã teve um
menino chorou e se mudou existem outras
coisas como essas que eu falei para você
agora mas o autor vai marcando desse
jeito né
Eh para você ver que é um
processo o luto queridos o luto é um
processo o luto leva tempo para ser
elaborado mas precisa que assim seja
caso contrário a gente não consegue
tocar a nossa vida e o luto não é só um
luto de pessoas que partem
definitivamente que morrem
fisicamente mas também é o luto é a
tristeza S daquele que se retira que
morre em vida é o que essa menina se dá
conta eu não tenho pai né O que que é
luto a gente falou em setembro na Live
de Setembro bastante sobre o tema né que
essa perda irreparável de algo alguém
que você ama muito essa menina percebe
isso que ela não tem
pai e ela decide o seguinte ela decide
se mudar ela pega o marido dela o filho
dela e se muda o irmão dele faz a mesma
coisa então veja que esse evento ali na
margem do rio foi o limite para essa
filha e para esse filho
a mãe com o tempo também se muda vai
morar com a irmã então a filha elabora o
luto do pai irmã elabora o luto do pai a
mãe elabora o luto do pai e esse filho
narrador esse filho narrador diz o
seguinte eu fiquei aqui de resto eu
nunca podia querer me casar calma
aí você nunca podia querer ou você não
queria
tem uma
diferença por se você não queria se
casar Seja claro com isso assuma isso e
não fique aí se vitimizando porque não
né Não podia querer me casar porque
afinal de contas todo mundo foi embora
porque ele disse eu aqui eu fiquei aqui
de resto só restou eu né não se você não
queria se casar assuma ó eu não queria
me casar mesmo fiquei aqui porque eu não
queria me casar Tá tudo certo
e se você
queria banque o seu
desejo não diga que você não podia
querer segundo a regra de
quem que lei é essa que você mesmo e eh
eh escreveu e que você mesmo
t e cujo não cumprimento eventual não
cumprimento você meso se penaliza
né ninguém disse ninguém obrigou você a
se manter nesse lugar de nutrir e vestir
o seu pai esse lugar começou a partir do
momento que você sentiu ali a ideia em
que você teve uma
cúmplice uma mãe que deveria a certa
altura mesmo que inicialmente ten
incentivado a isso a certa altura
deveria ter te chamado e e e e
apresentado para você a realidade de uma
outra forma né porque
eh tem uma coisa gente que se chama viés
de confirmação né O que que eu vijo de
confirmação é quando eu tenho desejo e
eu passo a distorcer a realidade a favor
desse meu desejo viés de confirmar o
desejo que eu tenho aquilo que eu quero
fazer né o que eu quero decidir Então
quando você tem um desejo muito forte se
você também não tiver uma Lucidez muito
forte você passa a olhar para a vida
como Se Tudo Fosse um sinal é um sinal é
um sinal que é para eu fazer isso é um
sinal que eu para fazer aquilo né E aí
você cai numa distorção cognitiva
é uma distorção cognitiva olhar paraa
realidade de maneira distorcida
enxergando tudo um sinal engraçado né os
sinais são sempre para confirmar aquilo
que você quer fazer tem que tomar muito
cuidado com isso será que esse rapaz não
tá fazendo esse tipo de leitura eu
permaneci com as bagagens da vida nosso
pai carecia de mim
Eu tenho um
adulto que toma uma
decisão
a
executa e não se preocupa com as
consequências dela sobre a vida daqueles
que ele diz que ama o porque ele tá
fazendo isso não tá em questão se é
legítimo ilegítimo não vou questionar o
autor não tá trazendo e também não é o
foco da nossa na nossa interpretação
aqui a questão é o seguinte Eu tenho
esse
adulto como que eu vou inviabilizar a
minha vida
condenar a minha existência preocupado
com alguém que precisa de
mim e não se comportou como se
precisasse porque quando a gente precisa
de alguém a gente não pede ajuda a esse
alguém a gente não agradece esse alguém
quando recebe
ajuda a gente gente não trata esse
alguém com
consideração a gente não se
disponibiliza também para esse
alguém a gente não trata esse alguém com
reciprocidade é tudo o que esse pai não
ofereceu esse
menino então a gente tem que começar a
prestar atenção eu estou inviabilizando
a minha vida porque eu criei na minha
cabeça que eu sou muito
importante por Fulano porque o Fulano
depende de mim
né aqui a gente pode falar que talvez
até seja uma consequência na cabeça
desse filho da rejeição do abandono que
ele sofre lá atrás porque nós sabemos
isso fica claro pra gente na clínica que
um dos sintomas de rejeição é a sensação
de inutilidade sentimento de vergonha
raiva e sensação de inutilidade né Por
quê Porque você rejeita aquilo que não
serve aquilo que não presta aquilo que é
inútil então pessoas que trazem a marca
da rejeição que é uma marca muito Funda
né o nosso cérebro a rejeição acion no
mesmo circuito neuronal na dor física a
rejeição ela é
avassaladora Ela dói
fisicamente você tem na escritura
histórias de rejeição e você vê como
assim Satanás atua Ness ele gosta de
usar essa ferida que a gente tem né
porque ela é uma ferida que inclusive
vai nos marcar vai nos condicionar
diante das outras relações porque se
você traz a ferida da rejeição você
inclusive passa a se sentir rejeitada em
outras relações nas quais você não está
sendo né A rejeição ela afeta a nossa
ção
relacional Então essa criança que lá
atrás experimentou isso
e pode ter crescido e conscientemente
utilidade que que ela tenta ela tenta
fazer uma compensação ela se
disponibiliza desesperadamente a esse
pai para tentar só que isso gente isso é
inconsciente a gente entra nesses
mecanismos inconscientemente por isso
que é importante a liter ura por isso
que é importante a terapia por isso que
é importante Se deixar ler pela
escritura né para você perceber como
esses mecanismos são operantes em nós e
nós sequer percebemos e a partir do
momento que então tomamos consciência aí
sim podemos fazer algo e alterar o nosso
comportamento né porque a gente só
altera verdadeiramente o nosso
comportamento quando a gente compreende
o que verdadeiramente o causa causa
contrário a gente pode até tentar
alterar mas a certa altura não vai
funcionar né Então essa criança Será que
ela sofre disso Desse sintoma de
rejeição e tenta fazer essa compensação
para o pai o
fato é que a a aqui o professor ví ele
fala uma coisa tão bonita também porque
assim essa ele já é um adulto Mas ainda
continua querendo entender o porque o
pai fez isso e a certa altura ele diz o
seguinte nosso pai talvez fosse o o
avisado que nem Noé é o professor ví vai
falar nossa né você tá tão desesperada
atrás de uma resposta que quando não
sobrou mais nenhuma você vai pro sagrado
né Ah ele Talvez seja como Noé um
avisado né é Deus é coisa de Deus é
sinal de Deus que que a gente estava
falando que não era o caso e aí ele vai
falar o seguinte olha
tudo isso acontecia E eu não podia mal
cinar reprovar o meu pai mas já
apontavam em mim os primeiros cabelos
brancos eu eu sou um homem de tristes
palavras de que que eu tinha tanta tanta
culpa de que era que eu tinha tanta
tanta
culpa eu sofria já o começo da velice e
ele como ele fazia
né Me apertava o
coração ele estava lá e eu sou culpado
do que nem sei de dorem aberto no meu
foro e fui tomando uma ideia a partir
disso
ah a
criança esse menino era muito muito novo
quando esse pai o
abandonou a gente percebe isso porque é
coisas boas que ele passa a fazer né ele
vai falando foi meu pai que me ensinou
mas não era verdade e esses elogios que
ele recebendo dos adultos a gente sabe
que você é muito própr quando a criança
ali pequenininha faz uma coisa bacana a
gente fala Olha que bonito fez isso que
bom Parabéns né então esse já um
primeiro sinal e acho que tem outra
coisa aqui que também sinaliza para isso
na primeira infância
a criança ela tá naquela fase do
egocentrismo né em que o ego dela o eu
dela é o centro do mundo a criança ela
acha que se a mãe tá muito feliz é
porque ela fez um
desenho lindo né E que se a mãe tá muito
triste é porque ela faz alguma coisa
também ela não sabe ela não tem em si
é totalmente
esclarecido essa noção de alteridade de
alter quem que é esse outro
e exatamente por isso ela também não tem
em si plenamente desenvolvido a
habilidade de empatia de
também tentar ali perceber a realidade a
partir da condição do outro
né quem é mãe ou pai aqui Sabe às vezes
a mãe tá triste com alguma outra coisa e
a criança chega e fala Mamãe por que que
você tá triste eh porque eu não comi eu
vou comer ou vai lá e e e faz alguma
coisa ess a mãe tá muito
sorrisonovo
se governa a a se rege acontece a partir
dela né então tudo de bom que acontece
pra mãe pro pai é porque a criança deu
causa é porque ela riu É porque ela
brincou É porque ela comeu tudo né
porque ela desenhou e o contrário também
vai vai vai se
confirmar se tá acontecendo alguma coisa
ruim eu devo ter feito alguma coisa eu
devo ter ocasionado ISO de alguma
maneira por isso que pais brigando na
frente de criança a criança vai se
culpabilizar ela sempre vai sentir como
se ela fosse responsável pela
infelicidade do pai pela infelicidade da
mãe
então isso
vai acrescentar
criança uma culpa gigantesca de que que
eu era que eu tinha tanta tanta culpa na
verdade ele não tinha culpa de nada né
mas ele sentia como se tivesse por foi
rejeitado numa época em que ele se
achava o centro dos Pais essa fase de
egocentrismo que toda criança
Experimenta né Onde você tá construindo
ali essa noção de alter de outro
essa culpa acompanha na sua vida adulta
ele fala que ele já tá surgindo ali os
primeiros cabelos brancos Ele é um homem
triste Ele é um homem culpado el não
elaborou essa sua emoção né ao longo da
sua vida e aí a partir disso dessa culpa
que eu nem sei que é tão
persistente mas tão
indefinida eu sinto fortemente mas não
consigo a ar particular nominar essa
culpa e se lembra né O que a gente não
domina o que a gente não nomina a gente
não
governa lembra lá do gênes AD Adão
nomina aí os animais né você vai
governar por isso que é tão importante
você adquirir repertório
emocional linguagem emocional nominar os
seus afetos para que então você possa el
Oros aqui a gente tá caminhando pro
final tá já est terminando tá aí ele diz
o seguinte a essa altura Então eu fui
tomando ideia Olha a diferença que o
rosa faz lá atrás ele sentiu uma ideia
aqui ele foi tomando uma ideia ele foi
capturando ele foi pegando essa ideia
provavelmente ele já tem aí outros
repertórios outros critérios para compor
essa ideia dele ele decide uma coisa e
aí ele fala sou doido não na nossa casa
palavra doido não se falava nunca mais
se falou os anos todos não se condenava
ninguém de doido ninguém é doido ou
então todos todos são né A partir do
momento em que o pai teve essa postura
Olha o vocábulo doido passou a ser
tratar com outro respeito entre essa
família isso é igual autismo é igual
depressão é igual esquizofrenia
a partir de um momento do momento em que
uma família tem um autista um
esquizofrênico deprimido em casa
vocábulo passa a ser tratado com outro
respeito com outro termo é isso que o
autor tá dizendo aqui mas ele fala assim
não eu tive uma ideia eh não é doideira
eu vou fazer isso Ele Decide chegar à
margem do rio e trocar de lugar com o
pai Ele faz isso ele chega chama chama
chama chama o pai e fala assim quando o
pai
aponta ele fala pai o senhor está velho
já fez o seu tanto agora o senhor vem
não carece mais o Senhor vem e eu agora
mesmo eu tomo o seu lugar o seu lugar na
Canoa fecha aspas e assim dizendo meu
coração bateu No Compasso mais
certo então Aquele filho ele que queria
ir junto com o pai agora ele quer ir no
lugar do Pai olha a mudança e ao mesmo
tempo depois que ele diz isso pro pai né
que ele comunica lá faz a sua
descompressão afetiva meu coração bateu
No Compasso do mais
certo alo engano viés de confirmação né
Sabe aquela coisa senti uma paz no meu
coração quando faz vamos ver as
consequências desse fazer né se elas
confirmam que é por aí mesmo ou se você
não está Auto enganado na decisão que
você
tomou meu pai me escutou ficou de
pé manejou o remu na água PR água para
cá
concordado meu pai concordou
prontamente e eu Tremi tremi fundo de
repente porque antes ele tinha levantado
o braço e feito um saudar de gesto o
primeiro gesto depois de tamanhos anos
decorridos o filho treme que aquele pai
que sempre cruzou o rio ali impassível
sinaliza para ele de
volta por
favor arrepiados os cabelos eu corri
fugi me tirei de lá num procedimento
desatinado saí meu pai parecia vir da
parte do além e eu me desesperei e agora
eu estou pedindo
pedindo pedindo um perdão Então olha só
pera aí mas você não tava lá com coração
batendo no compasso certo né convicto de
que era isso mesmo que você tinha que
fazer né então a
convicção de que nós tomamos uma decisão
certa
não pode ser medida ou construída Só
pelo fato de que eu cheguei lá e falei
que eu queria
né pessoa chega lá e fala que fiz que
era certo calma vamos ver as
consequências
disso não dá para você orientar a a a
sua vida só pelo que você quer fazer a
gente tem que pesar as consequências na
hora que a consequência se confirma para
ele que essa sequência foi ele
aceitou ele tá
vindo ele aceitou prontamente tá vindo
esse filho sai
desesperado e ele passa a
sofrer essa nova culpa eu sofri o grave
e frio dos medos
adoeci sem que ninguém sei que ninguém
soube mais do meu pai eu sou homem
depois desse faliment
sou o que não foi o que vai ficar calado
Olha isso como que esse filho passa a se
definir antes definido pela ausência do
pai agora passa a ser definido pela
ausência de si porque ele se retirou
daquilo que ele se propôs sou homem
depois desse faliment sou o que não foi
o que vai ficar calado o que não
aconteceu o que vai ficar calado sei que
agora é tarde e temo abreviar com a vida
nos rasos do mundo esse filho tá tão
entristecido que ele pensa em acabar com
a própria vida mas então que ao menos
que no artigo da Morte peguem em mim me
depositem também numa canoinha de nada
nessa água que não para de longas Beiras
e eu rio abaixo Rio a fora Rio a dentro
o
rio
Uh que história você sabe que esse conto
gente ele tem apenas quatro páginas e
ele é tão poderoso Quando você vai eh eh
buscar em outras interpretações no
Google você vai Verê que tem 1 formas de
olhar para isso eh tem gente o professor
Vinícius que ele fala que a terceira
margem é esse risco que a cano vai
fazendo no Rio que é esse lugar do
previsível do não controlar
do não
sabido sem sombra de dúvida né vai por
aí eu acho que outra coisa que dá pra
gente
pensar é que talvez essa terceira margem
seja esse
limite que o pai colocou para todos e o
filho não colocou nem para
si quando você sofre um abandono ou uma
rejeição a gente vê uma série de coisas
que você precisa fazer aqui para
elaborar né esse abandono essa rejeição
Além disso é também necessário que você
coloque limites para si né porque senão
você vai acabar criando a seu próprio
respeito
expectativas irreais
achando que você pode assumir
compromissos que na hora do vamos
ver vai estar sabido que você não é
capaz e tudo bem não ser
capaz a gente não tem que ser capaz de
tudo na vida is é uma ilusão onipotente
só tem
um a questão é quais são as minhas
incapacidades preciso ter consciência
delas para que eu não me faça
promessas impossíveis de serem cumpridas
e passe a amargurar esse tipo de
sofrimento é claro que você é um homem
depois desse faliment
é claro que é eu gostaria de conversar
com esse rapaz sabe de falar olha que
teu pai fez quando você era
criança de novo ele pode ter tido razões
para isso ele pode ter tido os motivos
não sei não vou entrar nessa Seara n Ah
tava
comprometido psiquicamente né OK
assim seja qual for o motivo
não sensação de abandono experimentado
pela criança
né Então a partir da sensação tô falando
a partir da sensação não de um de um
juízo moral sobre a postura do pai a
parte da sensação da criança Claro que
você é um homem não precisa você pensar
em abreviar a sua vida né e em se
vaticinar dessa maneira sou o que não
foi não não é não é você é
o que Deus quer que você seja basta que
você se aproprie disso dessa convicção
eu sou o que Deus quer que eu seja você
sabe queridos E aí eu vou finalizar aqui
que a escritura ela tem algumas
situações em que ela vai apontar pra
gente como é que a gente lida com a
rejeição né quando Cristo tá ali
caminhando seus discípulos de dois em
dois ele fala assim Se vocês chegarem
numa cidade para pregar a
palavra recusarem a palavra o senhor
dizer assim Ah fica lá mais um pouquinho
insiste lá viu não conversa debate até
convencer a
pessoa cria lá um uma noite lá de
argumentações de pros e contras de
réplicas e tréplicas não a escritura diz
o seguinte o próprio Senhor Jesus tá
falando lá sai da cidade vai embora e ao
sair bate o pó né das suas sandálias nem
o pó se lugar você leva segue querido
vai
adiante outras
situações O Jovem Rico chega pro senhor
Jesus tem todo aquele diálogo lá tal que
eu faço para te seguir e tal na hora do
vamos
ver esse Jovem Rico recusa ele vai
embora que que Jesus faz Jesus o ama e o
deixa
ir deixar o outro ir também é um gesto
de amor então quando eu sou
rejeitado eu tenho que seguir o meu
caminho seguir o meu caminho em amor né
outro exemplo de rejeição da escritura
Aquele filho pródigo que não quer mais
saber do pai a contrário da nossa
história aqui né que o pai não quer
saber do filho ah o filho não quer saber
do pai
eh o pai não larga tudo e vai correndo
atrás o menino ai meu filho coitado né
como é que tá Como é que vai fazer Será
que o dinheiro da herança acabou não
acabou não vai tá lá continua disponível
para o filho mas o filho precisa passar
por essa experiência ele não decidiu ir
ele precisa decidir voltar então assim
existem formas da gente lidar com a
rejeição existem formas da gente
elaborar o sentimento de rejeição n e
além de tudo isso que a gente já eh
mencionou aqui o que é mais importante
você
saber é que você foi profundo e
totalmente aceito por Cristo Jesus do
jeitinho que você é
alim do jeitinho que você está
obviamente à medida que você vai andando
com Cristo você vai sendo afetado
alterado transformado pelo presença dele
por esse amor eterno e Leal Como diz a
escritora e você trazer a sua memória
todos os dias essa verdade de que Jesus
Cristo te aceita plena total e
restritamente também é curador Pare de
mendigar a aceitação do ser
humano é normal que você a deseje o
filho sempre quer a aceitação do pai
é normal isso mas a certa altura da vida
a medida que você vai crescendo se
desenvolvendo amadurecendo
você precisa rever os seus Apegos
emocionais seus Apegos
relacionais e
compreender se não é hora de você seguir
essa Live de hoje o nosso objetivo não é
dizer o que você tem que fazer se você
deve seguir ou não por quê porque era a
sua
situação composta por variáveis que nós
não conhecemos Então não dá pra gente
dizer isso para você o objetivo da Live
de hoje é que você ao menos se questione
que você ao menos se pergunte para que
ao final da sua jornada você pare de
querer ocupar o lugar dos outros como
esse filho passa a vida toda querendo
ocupar o lugar do pai
né ali no Trino alimentando depois
querendo ficar na Canoa no lugar dele
enquanto você estiver ocupando o lugar
dos outros o seu lugar está em aberto
Qual é o seu lugar na vida essa pergunta
que a gente quer deixar hoje de fazer
pare de ocupar o lugar nos outros e
ocupe o seu lugar na vida porque
exatamente no seu lugar que Deus vai vai
poder te usar plenamente para
transformar a vida de outras pessoas
como então ele terá transformado a sua
esse é o nosso Desejo de todo o coração
e obrigado por nos ouvir até aqui nós
estamos abertos para suas participações
e para ouvir Abel a sua experiência como
leitora Bel que que você achou do texto
como é que foi para você o encontro com
essa família ah então muito interessante
né esse esse conto tem muitas lições né
paraas pras nossas vidas e como você
falou da a criança que quando ela a mãe
tá triste ou o pai tá triste ela se
culpa eu no meu ver eles o o fato do pai
não ter dito nada deixou fez ele se
sentir culpado por essa vida inteira
Acho que ele se sentiu você vê que os
outros o outro irmão e a irmã eles
viveram o período deles e a irmã cortou
o vínculo lá né quando ela apres foi lá
apresentar o bebê que ele
não ele não apareceu ela foi embora e a
mãe foi embora e todo mundo foi embora
outra coisa que eu vejo também é a falta
de diálogo ali ele terminou o
relacionamento ele foi ele mandou
construir a a a o barquinho dele lá a
canoa sem comentar com ninguém ele não
falou o que ia ele falou o que ia fazer
mas ele não contou o texto pelo menos
não nos diz o que ele queria o que ele
ia fazer ele fez de um lugar só então
ele eu acho que ele uma luta muito
grande
de de omissão de feridas de lutas
internas que ele não sabia lutar lidar
com isso então eu acho que ele além de
não havia diálogo ali porque ele chegou
simplesmente e foi embora né ele I
embora o filho falou posso ir com você
ele simplesmente colocou a mão e tirou o
filho né como abençoando o filho e fala
não você vai ficar Então o que eu eu
acho que é mais uma lição que a gente
tira do texto é que a gente precisa
conversar com as pessoas né em família
Expor os nossos problemas então eu acho
que esse pai foi muito ele tinha as suas
feridas os seus conflitos as suas
angústias e a e assim ele foi covarde
também porque ele não ele ele tinha uma
esposa e três filhos ele largou tudo e
ele pensou só nele né Eu acho que esse
esse menino que não tem
nome o a angústia dele o sofrimento dele
foi isso procurando a resposta né e o
silêncio eu eu eu eu escuto isso muitas
vezes que o silêncio é a pior coisa é
melhor você ser xingado a pessoa desabar
um monte de coisa em você do que ficar
em silêncio né do que não falar nada
então eu acho que esse questionamento
dele da vida inteira e às vezes também
no texto me deu a impressão que era
ilusório isso que o pai sumiu e
desapareceu mas ele via o pai nas
margens na cabeça dele sabe então isso
também veio na minha eu eu fiquei
pensando enquanto eu lia tal e esse
texto é é tão importante esse conto tão
pequeno que até o o Milton Nascimento e
o caitano fizeram a música né de a
terceira a terceira magem né e tal então
eu acho que foi foi é muito interessante
tudo isso é deixa nos deixa E se a gente
for esmar tem muitas outras lições né
ali que a gente aprende com com com esse
texto Então essa é a minha minha opinião
sobre o sobre o texto e eu fiquei muitas
vezes com raiva desse
Pai a gente fica mesmo né a gente fica
muito dividida porque eh você vai
entendendo que uma pessoa que tem esse
tipo de comportamento saudável ela não
está né com a mente saudável ela não
está Ela tá aí aflita e em
sofrimento mas também não dá para e
vitimizar a partir disso porque ela fez
um compromisso ela tem três filhos ela
tem uma mulher né qu ela tem em que pesa
o seu sofrimento você também tem que
considerar o sofrimento da sua família é
um texto muito complexo e essa questão
de ser uma eh eh ilusão algumas pessoas
fazem essa interpretação também se
questionam sobre isso se a criança não
estaria ali
fantasiando que eu fiquei mais inclinada
não entender dessa maneira a partir da
da da postura da filha que vai também
com seu marido e a mãe e tal e vão e
chamam e esperam né E aí ele eles choram
sofre muito porque ele não aparece não
diz nenhuma palavra mas é uma
possibilidade de leitura também e como
você bem mencionou o Milton e cicano
fizeram uma música Esse conto já virou
peça ele virou filme apesar da da
adaptação cinematográfica que foi ali
Acho que 94 96 ela se distancia muito do
texto original mas muito mesmo eu acho
que parte do texto mas daí se distancia
demais eh mas ququ maneira é uma obra
que continua inspirando os estudiosos né
Não só estudiosos mas Os Amantes da boa
literatura o Guimarães Rosa vale a pena
demais ser ligno a gente vai trabalhar
mais com ele aqui no próximo
ano e eh Obrigada Bel pelo seu acréscimo
pela sua consideração esse conto ele
mexe com a gente né Você não consegue
passar por esse conto
sem se questionar mas que isso né Por
que conversa como você tá falando
exatamente eu sou a favor da conversa do
Diálogo se pode não falar comigo depois
mas primeiro me diz o que aconteceu né
tal eu acho que também teve uma novela
não teve que tinha alguma coisa do Velho
do Rio eu não sei se foi baseado nesse
conto alguma coisa teve o Pantanal né É
porque talvez ele tenha essa se baseado
nisso né também nossa que conexão bacana
que você fez Acho que sim hein pode ter
passado aí pelo Rosa sim porque o velho
do Rio ele é essa figura é intermitente
né aparece não aparece aparece não
aparece meio lend meio lendário né É
algumas pessoas acham que o o filho lá
tá alucinando outras não tal é
eh é isso mesmo eh queridos acho que é
isso né meu vamos ficar por
aqui um abraço
eu queremos agradecer tivemos uma
participação aí do Cotrim do Paulo Prado
da Elis da
Elenice da o d lean também da li da marl
ah da
Lis loana Felipe wellon rodrigu sempre
com a gente a tamir Melo obrigada gente
um abraço para vocês Que bom que vocês
estavam conosco esse conto fica esse
essa Live fica gravada aí no no no canal
da ibu vocês podem mandar o link
assistir a qualquer momento ao Danilo
também tá aqui e e e quem quiser
participar também Bel viu vocês que
estão aí nos ouvindo sempre aqui conosco
né se você quiser participar como
convidado a gente sempre gosta de trazer
alguém para fazer essa parte experiência
do leitor manda uma mensagem pra gente
né Paulo Prado tá aí ó ó Paulo PR você
não participou ainda hein
Dean né de ol o teu telefone tá aí da
conexão e bnu entra aí para e despedid
com a gente então o telefone tá aí quem
quiser só mandar uma mensagem e a gente
responde Olha aí o Dil
voltando bom pessoal boa noite para todo
mundo na frente aqui de leão gente de
leão pastor cheg pastor fico mais
tranquil né que a gente falar algum
heresia que
o nada nada foi muito bom Foi muito bom
mesmo
é então e a d fica sempre nos Bastidores
nos dando nos ajudando aqui de Obrigada
viu que ISO Pode contar sempre comigo
sempre abraço para todo mundo boa noite
gente sigam aí tem programação a semana
inteira a gente tem amanhã tem estudo
quinta-feira tem estudo todos os dias
sábado domingo de manhã temos
programação ao vivo e também online 9:15
9:3 e 11:15 então venam boa noite gente
abra todos muito
obrigada tau pessoal

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