O CAPITALISTA E A PROPRIEDADE PRIVADA: LENDO O MANIFESTO COMUNISTA – Parte 11
24/04/2025
O CAPITALISTA E A PROPRIEDADE PRIVADA: LENDO O MANIFESTO COMUNISTA – Parte 11
Nesse vídeo, damos sequência à nossa leitura comentada de O Manifesto Comunista
Pix: bruno@reikdal.net
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Fala minha gente, tudo bem? Bora lá para mais um conteúdo totalmente exente aqui no nosso canalzinho. Dessa vez a 11ª parte da nossa leitura de O Manifesto Comunista. Sim, nós estamos trabalhando linha a linha de maneira comentada esse texto que é tão mal interpretado, tão mal utilizado ou muitas vezes em torno do qual são criados fantasmas e espantalhos para desviar a atenção da classe trabalhadora e para deixar você com medo, pânico moral, para não tomar consciência a respeito do funcionamento da sociedade ou mesmo consciência de classe, qual a sua posição dentro da reprodução social, dentro da divisão social do trabalho. Beleza? Então nós seguiremos aqui nesse papo. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não esquece de curtir esse vídeo, comentar para que deixar espalhar a palavra por aí, divulgar para que as pessoas possam ler ou ter acesso a esse conteúdo do Manifesto Comunista, nem que seja de maneira comentada, linha a linha. E dá uma olhadinha também no na chave aqui do do Pix que tá na descrição do vídeo e considere ser membro, membra, membre, membrezia aqui do nosso canalzinho, que somos um grupo pequeno SL e resistente com conteúdos exclusivos semanais para você, beleza? quer dizer, você e todo mundo que faz parte do grupo, então é coletivo. Eu espero que vocês estejam acompanhando essa série. E na última nós começamos a falar sobre a tal da propriedade ou na verdade da necessidade de superar a propriedade burguesa, né? Existe uma forma de propriedade ou de apropriação do produto social específica no modo de produção capitalista sob. Então nós construímos como Marx critica isso e como Marx explicitamente diz: "Isso significa que você não pode ter coisas, ter posses?" Não, animal. O que significa é que você tem que saber distinguir a forma, a forma de propriedade, de apropriação do produto social específica e tentar superá-la. Afinal, afinal, como ele mesmo indica e como é muito perceptível, a forma de apropriação do produto social, do produto do trabalho social numa sociedade feudal, por exemplo, é completamente distinta da forma de apropriação desse produto numa sociedade capitalista, na forma social burguesa ou mesmo numa comunidade, numa estrutura de vida comunal ali, numa propriedade comunal, em outra maneira de organizar a vida. humana, né? Então, diferentes maneiras de produzir e de organizar essa produção. Existem diferentes formas sociais, diferentes maneiras de apropriar-se do produto total. Então, a crítica à propriedade vem disso, da crítica da forma de apropriar-se, de apropriação, de ter propriedade sobre dentro do modo de produção capitalista, da forma social burguesa. E no caso, nós vimos e trabalhamos esse tema e percebemos que eh na análise de Marx haveria um antagonismo próprio dessa forma de apropriação, que é a apropriação pelo capital e a apropriação pelo trabalho. coisas distintas. Uma coisa, a forma de de apropriar-se, de ter propriedade privada, orientada, dirigida e decidida pelo capital, outra seria pelo trabalho. E aí, nisso a gente parou nessa parte que eu vou começar a ler aqui, em que indica que ser capitalista não é só uma questão de uma posição pessoal. Ah, eu sou um capitalista. Então, você identifica aí a sua existência com o capitalista, pessoal. Não é uma questão de uma posição também social e nós vamos retomar a partir desse ponto. Então, sigamos a nossa leitura. Ser capitalista significa ocupar não somente uma posição pessoal, mas também uma posição social na produção. O capitalista é caracterizado, não só porque eu sou um capitalista, não, não é uma questão pessoal, é uma posição social, uma posição e uma função específica dentro da coordenação da divisão social do trabalho. Qual é o caráter específico desse capitalista em sua posição social? como ele detém, é dono, é proprietário privado sobre a forma de propriedade burguesa que aliena todos os demais, do meio de produção necessário para realizar o produto social que mobiliza e garante as condições de reprodução dessa própria sociedade. Ou seja, como ele é dono, como ele se apropria, como ele cerca este meio de produção que é social, que é realizado socialmente, que é produzido, reproduzido, mantido socialmente, que depende da combinação do trabalho social, mas que por ser dono ele dentro desta forma de apropriação específica do capital, colhe os frutos desse trabalho social de maneira privada. E mais, na produção e reprodução ampliada de capital, ele decide os rumos dos investimentos socialmente produzidos. Afinal, ele é o dono do meio de produção e vai decidir quanto vai paraa inovação, quanto vai para outro ramo, para criação de uma nova indústria ou pra especulação financeira. Como esse ser humano pode pegar esta massa de capital produzido no processo e decidir os rumos? Ele ocupa uma posição social de coordenação da divisão social do trabalho. Ele decide sobre os rumos da produção, não só dele, da sociedade como um todo. que o modo de produzir dentro dessa estrutura industrial moderna extremamente complexa, de uma divisão social trabalho extremamente complexa, de trabalhos combinados de maneira impressionantemente ramificada, em que todo mundo depende de pequenos trabalhos distribuídos em toda a sociedade. Esse humano que tem uma posição específica decide sobre tudo ou sobre os rumos desta produção social de acordo com seus interesses individuais e pessoais, porque ele tem alguma capacidade mais elaborada, uma virtude, é mais racional, alguma coisa do tipo, não é porque ele é proprietário, privado dos meios de produção. Só que o trabalho é social. Só que a racionalização desta economia como um sistema conectado não pode ser decidida de acordo com o indivíduo que sozinho porque tá com fome, porque tá com sede, no caso não é nada disso porque não tem necessidades, né, de já tá satisfeita a fome, já tá satisfeita a sede, por pura preferência, porque ele gosta ou não gosta, ele decide sobre os rumos da economia, ele decide sobre os rumos da produção. Beleza? Ah, não, não, mas ele vai seguir ali o cálculo racional de coordenação ótima dos meios para obter um determinado fim. Ele vai a fazer uma ação racional formal, uma ração instrumental, né? Uma racionalidade econômica instrumental. Ele é um cara ali de ação econômica. Por isso que ele pode fazer isso. Ele vai fazer, ele vai fazer nas regras do mercado, ele vai fazer dentro dessa racionalidade. Sim, criatura. Mas dentro do sistema capitalista, a finalidade já tá decidida. É como ele vai obter o máximo de lucro. Então ele não tem nenhum critério para planejar esta produção e reprodução social de modo ordenado e minimamente sustentável e equilibrado, pensando no dia seguinte e só pensa no máximo de taxa de lucro. Então, se o máximo de taxa de lucro significa transferir toda a riqueza, todo o capital acumulado para um setor improdutivo, o camarada faz. Aí quando ele faz, sabe o que acontece? O setor produtivo morre, definha. E as pessoas empregadas nesse setor produtivo específico vão trabalhar de quê? Vão ser força de trabalho para onde? vai para serviços aleatórios que não emprega a galera. Extremamente que que acontece? Ah, Bruno, nada a ver. É só olhar hoje o despero de capitalista gringo estadunidense ao ver que ao deslocar o capital para o setor financeiro e transferir os custos de produção e da indústria para outros países, agora percebeu que tá numa crise bizarra, econômica, porque não produz um palito, uma agulha e não consegue empregar as pessoas de seu próprio país E a gente tá vendo essa insanidade se transbordar para além da decisão de um capitalista individual em suas eh megalomanias de lucro. Tá indo pro âmbito do uso do estado para poder recuperar esses ganhos, para tentar alguma estratégia para não se perder no caminho, para voltar a ter lucro, para não para voltar a ter conteúdo substancial em seu processo produtivo, né, para não morrer na praia, tal. E aí é isso. Então assim, a gente já tá vendo esse bagulho acontecer, a gente vê essa fita, né? E aí você não tem um planejamento racional da economia, ele é irracional, sem considerar outro fator que não entra aqui no caso, mas a gente pode discutir em outro momento e tem alguns vídeos aqui no canal que a gente falou sobre isso, sobre a irracionalidade de você não ter nenhum critério além da do ótimo, além da competitividade, da eficiência, né, de você atingir o máximo possível na nos ganhos. Por quê? Porque com esse critério você pode acabar destruindo as condições de reprodução da vida do dia seguinte, mas formalmente tá racionalmente adequado. Então você foi economicamente um sucesso do ponto de vista formal para obter o lucro, mas um imbecil porque destruiu as condições de sua própria reprodução de vida. Tem que tá vivo para poder continuar fazendo conta. Beleza? O capitalista é esse humaninho que tem essa posição social privilegiada sobre a coordenação da divisão social do trabalho. Ele decide os rumos, o futuro, porque ele é dono privado sobre a forma social burguesa de apropriação do produto social, dos meios de produção. E aí ele decide os rumos e a gente só vai seguindo de acordo com os interesses desta elite canália capitalista. Mas beleza, vamos lá. O canalia foi meramente por raiva, porque não precisaria utilizar esse adjetivo para mostrar que é um sistema burro. Mas tá, então assim, perdão aí. O capital é um produto coletivo e só pode ser posto em movimento pelos esforços combinados de muitos membros da sociedade. Em última instância, pelos esforços combinados de todos os membros da sociedade. Isso é óbvio. Ou vocês acham que vocês estão assistindo esse vídeo aqui sem depender de uma sequência bizarra de trabalhadores e trabalhadoras que criaram determinados sistemas que estão funcionando e agora nesse exato momento eles estão apertando algum botão, fazendo alguma coisa para que a internet esteja funcionando, para que a luz não acabe, para que você esteja aí aproveitando em algum determinado local sem acesso ao Wi-Fi, o seu 4G, 3G, sei lá qual G que a gente tem, 5G. O trabalho ele é combinado. A a nossa vida social ela depende de uma relação complexa de esforço combinado de toda a sociedade. Só que o planejamento e o os rumos da economia estão sendo decididos não de acordo com esta sociedade combinada, não de acordo com os interesses de lucro individual dos donos de meio de produção. Então, esta posição específica na sociedade quebra um ciclo minimamente equilibrado, quebra a possibilidade da gente ter um cálculo mais adequado para a permanência da sociedade. Mas vamos lá. O capital não é, portanto, um poder pessoal, é um poder social. Guarda essa afirmação importante. O capital não é, portanto, o poder pessoal, ele é um poder social. O capital é produto social, por isso tem que ser socialmente apropriado, dirigido, coordenado, orientado e realizado. Assim, quando o capital é transformado em propriedade comum, pertence a todos os membros da sociedade. Pertencente a todos os membros da sociedade, não é uma propriedade pessoal que se transforme em propriedade social. O que se transformou foi o caráter social da propriedade. Veja que é uma argumentação filosófica interessante que estrutura lógica que a gente precisa entender que é bacana. Não é que você agora vai transformar a propriedade pessoal numa propriedade comum, né? Você não foi ai porque eu sou bonzinho, então a gente vai trazer aqui. Você tem que transformar ou reestruturar a própria forma de apropriação, o próprio estatuto, a estrutura desta propriedade social. Isso que é importante, o caráter social da propriedade não pode ser burguês, não pode ser sob a forma desse tipo específico, porque esse tipo específico de forma de apropriar-se, de ter propriedade sobre, impede esta racionalização do processo, compreendendo que ele é coletivo, socialmente combinado e que, portanto, precisa ser racionalmente estruturado pela permanência da sociedade de maneira também coletiva e combinada. precisa trabalhar melhor esta a eh o caráter eh a propriedade, né, ou a propriedade específica, o caráter social da propriedade, pede seu caráter de classe porque deixa de ser burguesa e passa a ser outro tipo de propriedade. Vejamos agora o trabalho assalariado, né? Então aqui a gente tá inclusive nesse argumentação que mais para frente a gente vai retomar ela, inclusive, mas falou sobre o caráter da do propriedade do capital. Agora vamos ver do trabalho e do trabalho assaladeado, como é que funciona essa brincadeira. Vejamos agora o trabalho assalariado. O preço médio que se paga pelo trabalho assalariado é o mínimo de salário, ou seja, a soma dos meios de subsistência necessários para que o operário viva como operário. Preste atenção. Preço médio que se paga pelo trabalho assalariado é um salário mínimo para que você persista, exista, subsista, permaneça enquanto operário, enquanto operária, enquanto trabalhador, enquanto trabalhadora, enquanto pessoa, que é força de trabalho necessária para que toda a maquinaria social que produz capital funcione. Então, o salário mínimo tem como condição ou como caráter específico a subsistência do trabalhador, da trabalhadora. Como é que você diminui esse salário mínimo? Hum. Se tiver muita gente ofertando força de trabalho, como é uma mercadoria tal qual outra, a venda e a disposição, o pessoal vai baixando o preço, né? A gente tem que baixar o preço do nosso trabalho. O uso da disponibilidade de cargos de trabalho também, né? Quantos postos de trabalho a gente tem para ofertar para as pessoas? Vai diminuindo e subindo salários. O salário, esta forma de preço que é colocada na nossa testa enquanto mercadoria, quando nos transforma em mercadoria e que aparentemente paga pelo nosso tempo de vida, né? Tem aí como função manter a gente vivo. No caso, inclusive a gente e a nossa família. Em teoria. em teoria, porque eu preciso preparar também os filhos, as filha, a molecada para ser a próxima força de trabalho, né? A renovação da força de trabalho depende de que os as crianças sobrevivam, subsistam. E isso tem implicações interessantes pra gente analisar como funciona o cálculo da economia, não de um ponto de vista individual como famílias, porque nós nos reproduzimos socialmente em diferentes configurações familiares, mas enquanto famílias, algo a se analisar importante, mas isso também vai voltar em breve. Afinal, no manifesto comunista também se fala sobre famílias, não é? Mas isso vem em outro momento. Por conseguinte, o operário, o que o operário recebe com seu trabalho é o estritamente necessário para a mera conservação e reprodução de sua existência. Não pretendemos de modo algum abolir essa apropriação pessoal dos produtos do trabalho. Indispensável a manutenção e à reprodução da vida humana. Nós comunistas não pretendemos abolir a propriedade do trabalho, a apropriação que o trabalhador precisa ter sobre aquilo que é necessário para a reprodução da vida humana. Você pode ter coisas, você vai poder consumir, você vai poder viver e desfrutar da vida, porque isso é como se apropria do trabalho. A questão é que a forma de apropriação do trabalho dentro da sociedade burguesa, ela é a partir da propriedade privada, individualizada, específica, que também se versa sobre o modo de produzir, sobre os meios de produção e que altera o planejamento da produção e reprodução social. Então tem que mudar esta forma de apropriação, tem que superar esta apropriação voltada para o capital e torná-la em favor do trabalho de nós que trabalhamos, que produzimos, reproduzimos a sociedade, porque nós somos a própria sociedade em sua realização. Só que aí tem um camarada que é dono de algum bagulho, porque formalmente foi estabelecido que ele é dono e aí agora ele decide sobre os rumos e a vida de todo mundo. Então, se ele resolver tirar os investimentos de uma indústria num lugar e levar para outro, o pessoal que tava nesse nesse lugar que perdeu a indústria fica sem emprego. Se ele ficar com se esse pessoa ficar com fome, não tiver possibilidade de se reproduzir, de existir, de ter dignidade, de desfrutar da vida, esse presente que Deus dá, sabe o que acontece com esse pessoal? Não é visto socialmente, é só um acidente quase, porque afinal a gente se acostumou e naturalizou a forma de propriedade burguesa que orienta para o capital toda essa estrutura produtiva. E aí o trabalho, a força de trabalho, os seres humanos pouco importa para o capital. Então, superação desse tipo de propriedade não tem a ver meramente com ter ou não ter coisas, tem a ver com esta percepção aqui. Porque, gente, você vai ter a sua vida, você tem que desfrutar dela. É para vivermos e vivermos bem, correto? Só que como se estrutura a propriedade dentro da sociedade burguesa desse modo de produção capitalista, a vida humana é jogada para merda, marginalizada, colocada de lado e é só uma peça dentro desse processo produtivo. E se o cara decidiu que para ter mais lucro ele vai mudar, dane-se você, porque você é só uma pecinha, uma unidade de força de trabalho que se vende a um preço específico dentro do mercado. tem que superar o capitalismo. Uma apropriação que não deixa nenhum lucro líquido que confira poder sobre o trabalho alheio. Queremos apenas suprimir o caráter miserável desta apropriação, que faz com que o operário só viva para aumentar o capital e só viva na medida em que o exigem os interesses da classe dominante, os interesses da classe dominante, ou seja, da posição capitalista que coordena a divisão social do trabalho e decide os rumos desta sociedade. Tudo bem? Em o próximo vídeo nós continuaremos o nosso papo e vai entrar um elemento que eu gosto muito, que é a tal do trabalho vivo, que é um tema muito caro para mim pessoalmente, da tradição que eu venho de leituras de Marx e que eu acho que vai ser bastante interessante pro nosso papo. Beleza? Espero que vocês tenham curtido esse papo, esse conteúdo. Não esquece de curtir esse vídeo também, comentar, espalhar a palavra por aí, dar aquela força e a gente vai seguir aqui trazendo a boa nova todo dia útil até a vitória final. Valeu, minha gente.