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A fé vem pelo ouvir

O PAPEL DE EXECUÇÃO DE PODER NAS IGREJAS E O RECONHECIMENTO SOCIAL

O PAPEL DE EXECUÇÃO DE PODER NAS IGREJAS E O RECONHECIMENTO SOCIAL

O PAPEL DE EXECUÇÃO DE PODER NAS IGREJAS E O RECONHECIMENTO SOCIAL

Nesse vídeo, fizemos uma breve reflexão sobre temas que se rolar um papo direitinho nos comentários, voltam em novos vídeos futuramente.

Pix: bruno@reidkal.net

Legendas automáticas:

Fala minha gente, tudo bem? Espero
desejo, fundo no meu coração. Seja muito
bem-vindo, muito bem-vindo e muito
bem-vindo ao nosso canalzinho. Meu nome
é Bruno Reidal e bora falar hoje sobre a
questão da síndrome de postor e o
problema do reconhecimento social. Sou
um especialista no assunto? É óbvio que
não. Contudo, eu sofri com esse lance da
síndrome de impostor e também pude
desenvolver nos últimos anos algumas
reflexões a respeito do problema ou da
questão do reconhecimento social, a qual
eu gostaria de compartilhar com vocês. E
eu acho que dá para fazer algumas
conexões e alguns apontamentos
interessantes de ponto de vista de um
tristemunho. Então, lembrando aqui não é
uma questão clínica de alguém que vai te
dar dicas como especialista e como
tratar e qualquer coisa do tipo. Procure
um profissional adequado. Não sou eu.
senão que eu vou compartilhar um pouco
do testemunho e de algumas reflexões que
eu pude desenvolver. Isso porque faz
algumas semanas, algumas coisas foram aí
engatilhadas. Eu tive um tempo de
reflexão interessante no último feriado,
tive conversas muito boas e produtivas e
eu tava bolando daí compartilhar um
pouco delas com vocês que acompanham o
nosso conteúdo aqui do canalzinho,
porque acho que pode ser interessante
também para mim, para poder contar um
pouco alguns apontamentos da minha
trajetória, compartilhar um pouco mais
aquelas histórias que ficam escondidas e
que só eu vou lembrar delas, né? Ninguém
mais vai saber ou ninguém ia saber.
Talvez eu e vocês três que vão assistir
esse vídeo também saberemos. E um dos
gatilhos para que a gente trouxesse esse
tipo de conteúdo aqui para no canal foi
o conteúdo produzido em forma de tweet
pelo Víor Fontana, teólogo Víor Fontana,
que também tem um canal aqui no YouTube,
que ele trouxe lá naquela outra rede,
aquela rede moribunda, aparentemente
destruída pelo gênio mais burro da
história, e em que ele comentava a
respeito da síndrome de impostor, né,
como ela afeta pessoas competentes em
uma determinada área em que ela pessoa
então se trai, né, e ela não tem
segurança no que ela tá fazendo. Ela
nega sua própria capacidade, ela tem é
uma situação muito ruim, gente. Já
comenta a respeito disso a partir do meu
tristemunho. Depois ele faz um breve
comentário no sobre a síndrome de Dun
Krueger. Síndrome não, o efeito de Duny
Krueger, perdão, muita síndrome na
cabeça. o efeito do Nick Krueger, que é
aquele efeito em que a pessoa ela tem
total desconhecimento sobre um tema,
alguma informação desencontrada, algum
aparente dado a respeito de um de uma
área ou de um problema, mas ela tem
muita convicção de que ela tem pleno
conhecimento sobre aquilo. Ela é incapaz
de reconhecer sua própria ignorância,
incapacidade e sua inabilidade sobre um
determinado conteúdo. Ela é a burrice
convicta, né? que é um perigo hoje paraa
nossa sociedade que a pessoa não só ser
burra, mas ela ser burra com convicção,
que isso é uma coisa muito perigosa, a
burriç convicta, que é um efeito muito
perigoso aí que nós temos. E nessa nesse
efeito do Nink Kruger, dessa burrice
convicta, ela afeta pessoas que
realmente funcionam quase como o oposto
aí do síndrome de impostor, né? Síndrome
de postura competente que se trai e
capaz de executar sua tarefa de maneira
tranquila e confiar de suas capacidades
e habilidades a respeito de um tema no
qual ele tá preparado para executar. E o
outro é o completo, incompetente que vai
fazendo, tendo segurança e certeza de
que sabe o que tá fazendo e na verdade
não tem ideia. Então são coisas muito
interessantes. E aí nisso o o Víor na
nesse mesmo tweet, porque ele tem aquele
tweet que aquele aquela conta do Twitter
que te permite escrever longos textos,
não só grunhidos em 250 caracteres.
Então ele aproveitou dessa, desse
privilégio, dessa vantagem para escrever
esse textão. E aí nesse textão ele fala
também sobre a questão do reconhecimento
social. Então por isso que a gente vai
falar hoje sobre síndrome de postura de
reconhecimento social, indicando Axel
Honet, que é um dos principais autores
sociólogos a respeito do tema. muito
interessante conversar sobre, né, também
mistura com psicanálise, as paradas que
eu não faço ideia, então não vou entrar
nessa seara, vou falar de outro de outro
lugar, mas já já falaremos sobre isso.
E e aí por fim ele comenta, faz toda
essa essa volta para poder falar sobre
os pastores e lideranças religiosas que
estavam atacando o livro publicado pela
Scott, pela Laura, chamado uma igreja
chamada Tov, né, que é um livro em que
comenta e denuncia e tenta refletir
sobre os problemas das relações abusivas
entre lideranças religiosas e sua
membresia e como tentar superar essas
relações, pensando no contexto
estadunidense e tudo mais, mas dentro do
âmbito religioso e Como o pelo fato
desse livro ter aberto os olhos de
muitas membresias que começaram a
desconfiar de certas relações de
dominação existentes e como certas
lideranças se aproveitavam delas para
atuar em relação aos seus suas membras
de maneira abusiva e inclusive
acobertando abusos e tudo mais em muitos
sentidos. Fique
claro. Os caras começaram a atacar o
livro, atacar mesmo, né? tentar
descredibilizar como se tivessem
propriedade de respeito. E daí, pô,
mano, nesse passo, né, o cara
completamente incompetente fica falando
groselli e não quer discutir o mérito da
questão e muito menos discutir de
maneira racional e minimamente
equilibrada, mesmo que seja sobre a
metodologia do trabalho dos dois, dos
dados que eles levantam ou a proposta
que seja, não, só ataca e tal e sai
arrotando autoridade espiritual como se
tivesse alguma para dizer que não, isso
aí não vale de nada, não tem que
considerar esse tipo de crítica e
apontamento. feito pelos autores. Então,
toda essa volta para dar o contexto para
indicar para vocês que eu, como vim
desse mundo
religioso, entendo muito bem essas
relações e tento fazer uma análise nos
meus trabalhos a respeito da religião
evangélica no Brasil, em especial, que
considera as estruturas institucionais e
políticas que possibilitam esse tipo de
relação e que não tem a ver só com a
igreja, senão como com a igreja
desempenha uma determinada função dentro
da reprodução social como um todo. E
esta reflexão aí é algo que eu acho que
eu posso contribuir. Contudo, isso só
foi percebido pela minha trajetória
dentro do ambiente religioso e isso traz
certos elementos interessantes para
pensar sobre, e agora vem o pulinho do
gato, a questão da síndrome de impostor
e do reconhecimento social. Então,
queria comentar sobre essas duas coisas,
dado esse contextão e a minha
trajetória, porque eu vou me utilizar
aqui como exemplo para poder falar sobre
essas coisas. e d uma reflexão,
autorreflexão e um testemunho aí para
vocês. Nesse passo também gostaria de
considerar que eu sou do meio acadêmico,
né? Então, então sou uma pessoa que tive
minha trajetória no mundo
acadêmico. Eh, hoje atuo como um
profissional da educação numa
determinada instituição, também
envolvido no ambiente acadêmico. E se
vocês não
sabem, depressão, síndrome de impostor e
mais um monte de cacareco. Quem sofre
muito é o pessoal que vem do mundo
acadêmico, que teve que fazer
doutorados, cambata, a gente fica tudo
maluco, inclusive por uma questão de
estrutura também da academia e de como
se produz ciência aqui no nosso país e
em especial mesmo no mundo ocidental, os
parâmetros e o tipo de estrutura que a
gente utiliza, ela é bastante
problemática e causa muitos sofrimentos
psíquicos para os indivíduos soltos a
seu bel prazer e sua força de vontade
para tentar resistir aí uma série de de
pressões. Mas tudo bem, tudo isso aí a
gente vai conversar já, porque primeiro
eu gostaria de convidar você para ser
membro, membra membre, membrezinha aqui
do nosso canalzinho, porque temos
conteúdos exclusivos semanais para você.
Estará aqui na descrição também a chave
do Pix, porque vai que sobrou uma RKI,
você pode dar uma força no meu trabalho
e considera aí se inscrever, curtir,
compartilhar e espalhar a palavra por
aí, fazer algum comentário aleatório
para que as pessoas sejam enganadas pelo
algoritmo e cheguem aqui no nosso
conteúdo. Beleza? Dito isso, sigamos
para o nosso papo. Para falar sobre
reconhecimento social, eh, eu não quero
comentar propriamente da questão
psicanalítica do bagulho, porque eu não
faço ideia, não manjo disso. Tem um
problema sério com a ideia de mente. E
aí um dia, quem sabe, a gente bate esse
papo. Mas desde que eu fiz o meu TCC,
minha monografia no curso de filosofia,
estudando o pensamento pragmático
estadunidense, né? Meu TCC é sobre isso,
minha monografia é sobre o método
pragmático de John
Dewy. Eh, eu tenho problema sério com a
ideia de mente, tá? Eu, vixe, travo
legal e tenho dificuldade de falar sobre
isso. Mas dito
isso,
eh, o reconhecimento do âmbito
estrutural, institucional, é algo que
nós temos que perceber dentro do modo
como nós organizamos e reproduzimos as
nossas vidas, tá? Por que que é
importante falar sobre isso? Porque tem
uma contradição interessante entre a
ideologia burguesa
liberal que trata os humanos como
indivíduos. Indivíduos isolados
praticamente, que são autossuficientes,
autorrealizáveis, né? Tem os seus
direitos individuais e tudo mais. E isso
é o mais importante, esse indivíduo que
faz e se realiza e tudo
mais. Como se ele tivesse solto, fosse
filhote de chocadeira.
Em relação ao modo como na história e
efetivamente nós reproduzimos e temos
condições para nós mesmos vivermos. Por
um lado, uma ideologia que te isola e
uma estrutura e um aparato jurídico que
depende desse isolamento, dessa criação
fictícia desse indivíduo. E, por outro,
uma estrutura social efetiva e real que
ela é garantida e se reproduz de maneira
comunitária, coletiva ou mesmo social,
interdependente. Desde que a gente
nasce, nós dependemos de uma rede imensa
de pessoas trabalhando e atuando para
que nós possamos persistir em vida,
sobreviver e seguir aí para os nossos
dias futuros. Deus
queira. Então, nós sempre temos que
considerar o modo como nós estamos
organizando e reproduzindo essa vida. o
modo como nós estamos organizando e
reproduzindo estas mesmas relações que
fazem com que nós possamos
existir. Existem várias maneiras de nós
podermos coordenar isso e tentar
realizar a nossa vida, mas ela é sempre
coletiva, ela é sempre comunitária, ela
é sempre social, ela sempre depende de
um tipo de estrutura que divide
trabalhos, divide tarefas e divide
funções. Nessa dinâmica de dividir
trabalhos, dividir tarefas e dividir
funções, nós temos pessoas que t a
responsabilidade ou a posição de
coordenar essas relações, coordenar a
ação
social, coordenar a orientação das ações
individuais, dos atores sociais.
Então, se a gente fosse pensar nessa
relação entre ação social e estrutura
social, existe uma combinação que não
tem como separar, não tem como romper,
na qual os indivíduos agem dentro e a
depender de uma estrutura com a qual se
submetem e a qual precisam reproduzir
para estar vivos no dia seguinte. E uma
estrutura que depende que esses
indivíduos, que esses atores realizem
suas tarefas para que ela mesma exista.
Então, precisa de uma combinação aí que
não é
simples, mas que todo mundo meio que
entre aspas vai entendendo e a gente vai
vivenciando. Então, eu ajo para manter
essas relações e essas relações
existentes, essa estrutura de poder
vigente depende que a minha ação esteja
orientada confiando de que vale a pena
dentro desses mecanismos. Então ela vai
criar estruturas, ela vai tentar criar
dinâmicas que fortaleçam sua própria
permanência, ou seja, que faz com que os
indivíduos realmente se submetam a essas
relações. E os indivíduos para sua
subsistência precisam defender essas
estruturas, mas à medida que elas
começarem a fazer mal para esses atores,
eles também vão começar a achar que tem
problemas nessas estruturas e vão reagir
contra ela. Agem contra e a favor dela e
a estrutura age contra e a favor dos
indivíduos ao mesmo
tempo. Não é uma coisa boa e outra ruim.
são dinâmicas, minha gente, com efeitos
positivos e negativos, intencionais, não
intencionais e que coordenam a história.
Sobre essas relações, na teoria
weberiana, por exemplo, é o que se fala
das relações de dominação, né? Dominação
não é no sentido negativo, é um é um uma
palavra utilizada para exprimir ou
expressar esta relação em que há uma
estrutura eh que coordena as ações
orientadas dos sujeitos e os sujeitos
que orientam suas ações a partir de
determinadas eh possibilidades de bens e
de ganhos que eles têm e que a estrutura
é algo necessário para eles realizarem
suas funções e viverem e permanecerem.
Então, nestas relações, existe um tipo
de dominação que vem um adjetivo que é
legítima. Legítima por quê? Porque as
pessoas envolvidas pactuam o que vale a
pena, o que tá valendo, o que tá tá
sossegado. Vamos aceitar esse processo.
Não precisa ser um dia que todo mundo se
reuniu e diz que vai valer, né? Não é
isso é hipotético, mas é um tipo de
regalação que vai você vai tentar
entender como que está sendo coordenada
uma determinada sociedade, uma
determinada comunidade, como esta
relação estabelece. Por que que é
importante a gente pensar isso? Porque a
estrutura ela não existe sem sujeitos
agindo. Alguém vai desempenhar um papel
de coordenar e de fazer valer uma
estrutura. Essa pessoa é um ator social,
uma um agente e os outros vão fazer com
que essa estrutura funcione, estarão sob
cargo, sob comando, sob domínio desta
pessoa que executa esse papel, que está
ocupando esse cargo, que está dentro da
estrutura de poder que possibilita a
própria realização da vida.
Então ela é legítima essa relação, uma
relação de dominação no sentido de que
há essa coordenação, há um controle
sobre, mas ele é legitimado, ele é
pactuado. E aí Weber tenta criar, por
exemplo, no pensamento dele diferentes
tipos de dominação. Se a gente quiser
utilizar a dominação patriarcal, né,
tradicional, que dominação tradicional,
de tipo tradicional, que nós temos como
melhor exemplo a patriarcal, que é o
quê? Alguém que por tradição, por
valores, por ordenação e coordenação de
uma comunidade para que ela permaneça,
sobreviva, ocupa o cargo do páter, do
patriarca. É um cargo, não é porque o
cara tem filho que ele é um patriarca. É
o cargo do patriarca é aquele que gere a
comunidade por tradição. Ele ocupa o
cargo. Então, a pessoa que ocupa aquele
cargo tradicionalmente tem aquela
função. É o cargo que tem esse valor, um
cargo tradicional. e quem está ocupando
ali se torna um patriarca. Então ele
normalmente, normalmente na estrutura
patriarcal, por exemplo, que é um tipo
de relação tradicional, é o o o pai, o
um homem senhor mais velho, cumpre
certas características, tem servos, tem
famílias, tem não sei o que lá, tem
filhos, filhas. Esses filhos e filhas
também tem filhos e tem filhas, então
não é só a questão de ser pai ou mãe,
senão de ocupar este cargo específico. E
por tradição a um tipo de dominação
estabelecida. E aí você tem uma defesa
de valores, defesa de de honra, defesa
de uma série de relações que faz com que
esse cara seja o patriarca, o poderoso e
que se autoleisla, entre aspas, em
muitos momentos, mas se legisla se
estiver dentro da tradição. Então tem um
uma atenção aí interessante. Por outro
lado, existe outro tipo de dominação que
é a dominação mais impessoal, que é a
dominação burocrática, né? Uma dominação
legal. Legal, cuja melhor expressão
seria burocrática. Leis. E aí pessoas
fazem com que essas leis valham,
funcionem, mas não por elas, mas de
maneira impessoal. A lei é mais
importante do que quem ocupa esse cargo.
A pessoa pouco importa. El se torna um
burocrata, um uma pecinha na dinâmica,
né? E tudo bem, é esse tipo. E tem um
outro poder que é o poder do carisma, o
poder carismático, dominação
carismática, que aí é um cara, uma
pessoa que tem certos dotes e
qualidades, seja um guerreiro, um herói,
um
profeta, um demagogo no termo que o o
Weber usa, né, para um grande político
que sabe utilizar bem do seu discurso em
angarear o apoio popular e o apoio das
pessoas. Isso também, novamente, não é
negativo, é tentando entender como
funciona. E há essa questão desse
carisma mais pessoalizado e que é um
tipo de dominação específica. Tudo isso
para dizer o quê? Alguém ocupa uma
posição de coordenação das relações
sociais. Alguém ocupa uma posição de
exercício do poder. Exercer o poder é
diferente de ser a pessoa que legitima o
poder. Uma comunidade pode te dar
legitimidade para uma dominação.
Consciente ou inconsciente, ela
legitima. Outra pessoa executa a função
de coordenar essa instituição, coordenar
essa comunidade a partir do cargo que
ocupa. O papel de coordenador, de líder,
de liderança, o papel, este cargo, ele é
distinto
qualitativamente do papel de quem não o
ocupa, da de quem não está
ali. Por que que isso é importante?
Porque existe uma relação de poder e de
execução do poder envolvida. E poder
aqui não no sentido negativo, tá? A
gente não tá falando que poder como se
fosse coisa ruim. Olha que mal, um
poder. Não. A comunidade que constrói
relações e legitima relações para que
seja possível sua permanência, ou seja,
cria instituições da legitimidade para
para a execução do poder. Essa
comunidade também tem poder, tem o
poder, inclusive, de acabar com essa
instituição. Se ela quiser, ela pode
fazer isso, mas ela não estará
executando o poder. E é diferente de
executar o poder, porque aí você dentro
dessa grande legitimidade dada pela
comunidade, com a comunidade de vida,
que tem o poder de instituir, constituir
e dar legitimidade, quem tá executando
vai escolher um projeto que talvez faça
mal para parte da comunidade, faça bem
pra maioria, faça, mas a escolher um
projeto e um tipo de execução que
elimina todos os demais projetos, todas
as outras possibilidades e cujo objetivo
deve ser retornar para a comunidade as
condições necessárias para permanência e
reprodução social e melhora de vida da
comunidade. Em teoria, assim que
funciona a dinâmica de poder,
independentemente do tipo de dominação,
do tipo de estrutura, tal, é tentar
permanecer, prevalecer, se desenvolver e
fazer bem pra comunidade. A comunidade
pode derrubar essa instituição a
qualquer momento, mas espera que ela se
organize e execute bem em sua função. E
essa instituição então ocupada ou tem
cargos ocupados por pessoas. E aí o
enfrentamento em última instância é
entre pessoas, porque não existe a
instituição no ar, existe instituição
entre pessoas. mesmo a estrutura legal,
burocrática e impessoal, ela é executada
por seres humaninhos e ela precisa ser.
Então, em último instância, somos seres
humanos que produzem relações e
instrumentos e tudo mais para a nossa
própria vida, né? Pelo amor de Deus.
Então esse cargo, essa pessoa que ocupa
essa posição de dominação, de execução
de poder, ela é qualitativamente
distinta do demais e ela tem um
prestígio. Ela tem uma função que
garante um privilégio em relação às
demais. E as demais nesta relação se
submetem. Então, uma responsabilidade
muito grande para quem ocupa essa
posição de liderança. É um cargo muito
sério e isso vale pra igreja, vale pra
casa, vale pra associação do bairro,
vale para pro estado, vale pro quem tá
na prefeitura executando qualquer
função, pra polícia, para sei lá mais o
quê. Vale, é distinto. Por isso que a
gente tem que sacar para uma empresinha
qualquer. É isso, minha gente. Beleza?
Tem que considerar isso, que quem ocupa
este cargo, esta função, desempenha um
papel qualitativamente distinto e
espera-se que desempenhe de maneira boa
e adequada. E as pessoas vão se submeter
a essa relação. Não é porque o cara é
melhor, porque o cara é pior, é porque
assim se dá o
processo. Em tese, são papéis distintos
apenas. Contudo, na realidade prática e
histórica, esta função de liderança te
dá privilégios, te dá uma posição em que
você decide sobre as suas ações, têm
efeitos poderosos sobre os demais que
lideram a sua legitimidade. Então você
tem que ser muito responsável para agir,
porque os efeitos intencionais e não
intencionais, positivos e negativos das
suas ações são
terríveis, os impactos são grandes.
Então qualquer co é o impacto é grande,
né? Então é muita
responsabilidade para as
membresias, para as pessoas que na
comunidade religiosa, qualquer outro
espaço, não estão nesse cargo
privilegiado de execução de poder.
O
reconhecimento é algo muito importante,
é um bem de valor, ainda que não dê para
pegar na
mão.
Percebe ser reconhecido?
Ou seja, que alguém que é parte da
comunidade olhe para
você, perceba a sua
existência,
reconheça,
desdobre o saber sobre a sua existência,
sobre o que você fez, sobre o que você
faz, é algo muito
importante, ainda mais numa vida de
comunidades e de relações sociais
orientadas para o individualismo. Ou
seja, que na contradição que a gente
começou esse papo entre a ideologia
burguesa individualista e as relações
necessariamente históricas,
comunitárias, sociais, que são sempre
entre pessoas
interdependentes, o reconhecimento desse
indivíduo o reinsere, o fazido dentro
dessa comunidade em que ele está
apagado, porque está fragmentado. Não é
nós, na nossa comunidade. Nós vivemos
relações fragmentadas e fragmentárias e
cada vez mais distantes. O
reconhecimento do ponto de vista de
alguém que tem valor dentro dessa
dinâmica em que estamos isolados. É um
tipo de experiência em que você está
reinserido,
recolocado, percebido, visualizado,
existencialmente presente naquele
espaço. Porque quem tem uma função de
coordenar te viu, te vê, te coloca em
luz, te faz ser percebido nessa
existência.
Numa comunidade mais próxima, em que nós
temos relações distintas, isso talvez
tenha um efeito distinto, diferente, não
tão impactante quanto numa sociedade tão
fragmentada e individualista como a
nossa. E novamente uma fragmentação e
individualismo que são próprios e
necessários como ideologia para a
produção e reprodução do capitalismo,
que o capitalismo é isso, é fragmentar
individualmente para que você se venda
enquanto unidade de força de trabalho. E
para isso você tem que fortalecer e cada
vez mais martelar na cabeça das pessoas,
que é importante você ser uma pessoa.
Você é você. Identidade, acabou.
Identidade só você mesmo, né? Não existe
uma comunidade, o nós e tal. E nessas
contradições tal, a gente tá vivenciando
um monte de maluquía, inclusive hoje em
dia, que pelo amor de Deus, mas escapa
um pouco do escopo do nosso
papo. Dei essa volta para falar que o
reconhecimento social é muito
importante. Eu tive muita dificuldade na
minha
trajetória de começar a aceitar, por
exemplo, as minhas
conquistas e de lidar bem com as minhas
vitórias pessoais.
Porque dentro do espaço em que eu cresci
dentro do ambiente religioso e o qual eu
valorizei muito e valorizo até hoje por
n
fatores, eu não tive o
reconhecimento, não tive o
reconhecimento das instâncias em que se
espera ter o reconhecimento, que é a
questão da instância do da de quem
executa o poder, né, da instituição que
executa o poder, das pessoas que ocupam
esses cargos específicos de de
realização do do poder, né, de execução.
de coordenar a comunidade e tudo mais.
Por que que pega para mim
isso? Por n fatores, tá? Mas isso me fez
bastante mal, eh, não ter o
reconhecimento social. E aí eu comecei a
desconfiar das minhas próprias
capacidades desde muito
cedo. Me fez criar um efeito de que
talvez eu estivesse sempre me enganando
o quanto eu sou capaz de fazer algo ou
não, me enganando sobre a minha vocação,
me enganando sobre as minhas missões,
sobre aquilo que eu acreditava que tinha
valor. Eu comecei a desconfiar sobre uma
série de coisas desde muito cedo. Então
eu tinha que constantemente ficar
lidando dando a minha cabeça com eu me
sabotando às vezes que eu realizava algo
que era bom, que não necessariamente era
visto pela liderança, mas era
reconhecido pela comunidade. Então eu
recebia um cuidado e um carinho das
pessoas que estavam convivendo comigo.
Sempre tive, sempre tive. Mas do ponto
de vista institucional de reconhecimento
desse espaço de prestígio de execução de
poder,
não. Eh, pelo menos não na comunidade em
que eu estava. E aí entra o lance da
expectativa também, né? Então eu tinha
expectativa de ter esse reconhecimento e
não tive. Aí entra a minha parte de
criar expectativa, porque ela não viria,
mas eu tava criando na minha cabeça.
Então cria a expectativa que a se
comprovou falsa e lidando com essa
expectativa, com o reconhecimento
institucional dentro do espaço que eu
estava que não
veio e tentando sempre realizar cada vez
melhor e aperfeiçoando nos meus
trabalhos e aperfeiçoando na minha
relação com a comunidade cada vez mais
honesta, mais transparente, atuando em
diferentes áreas, diferentes campos e
buscando minha trajetória pessoal, né?
que aí foi algo que eu aprendi com a
senhora, minha mãe que disse para mim
assim: "Ó, Bruno, eu sei que você porque
eu eu creio, tá?" E aí no momento
testemunho aqui dentro do testemunho,
outro testemunho. E eu tenho uma certa
vocação para minha experiência religiosa
de compartilhar com as pessoas
ferramentas para que elas possam ter uma
espiritualidade mais
autônoma e relativamente independente,
com mais capacidade enquanto sujeitos
agirem na comunidade, atuarem na
comunidade, participarem da comunidade
com a cabeça erguida, com segurança.
segurança e conhecimento sobre o que
estão fazendo. Então, eu, leitura
popular da Bíblia é um negócio que me
pega muito, que eu quero que as pessoas
leiam a Bíblia. Eu quero que elas se
sintam livres para poder interpretar,
discutir, conversar, compartilhar e
construir cada vez mais de maneira
coletiva e não você sendo só dependente
de quem sim vai executar o poder, porque
isso é necessário. Mas o fato de alguém
executar o poder não pode se confundir
com a autoridade espiritual especial que
ele tem com acesso a Deus e os demais
não. Então a minha ideia é não, cara, a
gente compartilhar o quanto mais para
que todo mundo perceba que é filho e
filha de Deus e que nós temos aqui
divisões, funções dentro de um espaço
religioso específico, de uma organização
que são distintas. Então alguém executa
o poder, o outro não, mas isso não faz
da pessoa ser melhor que a outra ou ter
mais acesso ao divino que o outro. Então
a gente tinha que, na verdade, estar
conversando muito mais sobre as nossas
espiritualidades, sobre nossa fé, sobre
aquilo que a gente crê e estabelecer
melhor aí qual é a função e o papel de
cada um. Mas tudo bem.
E nesse processo daí a senhora, minha
mãe fala: "Você vai querer esse espaço
religioso, né? Você quer atuar com um
ministério de alguém que lê a Bíblia com
a galera, que faz essas paradas?"
Excelente. Mas você não pode ser
dependente da instituição religiosa. Não
é ser pastor, meu amigo. Você vai ter
que ter tua caminhada, ter tua
profissão, ter tua correria. Falei, pode
crer. Então, tá. E aí fui fazer a minha
correria, né? Fui fazer minha caminhada,
fui estudar e fui ter minha trajetória
acadêmica, trabalhar em outros espaços,
em outros ambientes e ao mesmo tempo
sempre ali vivenciando a experiência da
comunidade na expectativa aí de que a
gente pudesse ter transformações,
mudanças e também esse âmbito do
reconhecimento da transformação
institucional que acho que era muito
importante. E depois eu fui percebendo
que não viria e aí tive outras crises.
Mas o grande lance é como nunca tinha o
tal do
espaço eh de relativo reconhecimento, de
responsabilidade, né? Então assim, você
perceber que alguém tá fazendo algo
bacana, você fala: "Pô, muito massa",
tal. Eu comecei a desconfiar da minha
própria capacidade, né? E na minha casa,
o meu pai era
pastor
e sabiamente foi estabelecido: "Sou
pastor na igreja, mas não sou seu
pastor e sou seu pai em casa, não na
igreja".
Então vamos estabelecer essas
distinções. E se você quiser aí ter tua
caminhada religiosa, tua experiência da
comunidade, vai ser você por você com
outra pessoa que te acompanhe, porque eu
sou seu pai, cara. Não pode mostrar
essas coisas. E aí isso era interessante
também, porque foi uma experiência muito
específica que eu pude
vivenciar, eh, em que meu pai, sendo
pastor, não tive necessariamente esse
apoio do pai que passa pro filho as
coisas ao contrário. E ao mesmo tempo
não tinha um apoio das outras lideranças
religiosas, na verdade tinha uma relação
bem esquisita e foi bem esquisito, só
que do ponto de vista da comunidade que
observa, né, de longe ou não
participando ali do contato, parece que
o cara aqui é o nepo
bababicosmos, né?
Então, nessa rede eu tinha que me provar
mais ainda. Na minha cabeça, eu tinha
que me provar. Isso foi criando várias
coisas, né? Vários gatilhos. Então eu
tinha que me provar que eu era muito bom
no que eu tava fazendo, me provar de que
eu não estava tendo privilégios, me
provar e provar pros outros que eu tava
conseguindo fazer algo que realmente
acreditava no que eu tava fazendo e na
expectativa de conseguir daí espaços em
que pudesse realizar alguma
transformação efetiva dentro da
estrutura institucional, que dependeria
do reconhecimento de quem está no âmbito
institucional, de que, ó, realmente você
tá fazendo sua caminhada aí, tá bacana,
que que você acha que deve fazer ou vem
aqui trocar uma ideia com a gente? Então
essa dinâmica ela foi me criando dando a
minha cabeça, porque eu tô novamente tô
vivenciando isso, né? Eu fui criando
mecanismos em que eu sempre desconfiava
se eu tava fazendo certo, se eu era
capaz de fazer aquilo que eu tava
fazendo. Então eu sempre desconfio se eu
sou bom mesmo que eu tô fazendo. O se
não, eu acho que eu não sou, não tá
sendo suficiente. Não é o suficiente.
Não é o suficiente. Não, isso, isso não.
Talvez eu não saiba disso. Não, não,
não. Eh, se eu não tivesse
reconhecimento naquele momento, é porque
eu não tava fazendo direito. Eu não
sabia o que eu tava fazendo, não sei o
que tá acontecendo. E eu comecei a criar
essas loucuras na minha cabeça. Tudo
bem, até aí tudo bem. Terapia ajudou
muito. Ajuda, né?
Por isso, hoje eu consigo falar com um
pouco mais de tranquilidade sobre esses
temas, mas eu tô querendo dar essa
volta eh para chegar num passo
importante, que
é a posição de quem ocupa um cargo de
execução de poder, se não tem
consciência sobre todas essas
dinâmicas, produz efeitos extremamente
negativos na
comunidade ao executar
poder, sem perceber as estruturas que
dão conteúdo pro que ele tá dizendo.
Então, o pastor pode acabar chegando e
dizendo assim para
vocês e paraa membresia: "Eu sou como
vocês. Nós somos todos iguais, somos
todos
falhos. Só que a diferença é que a falha
cometida por alguém que executa o poder
não é a mesma coisa de alguém que não
tem os meios para executá-lo, pelo menos
dentro de um ambiente religioso, por
exemplo, institucional.
E ao esconder todas essas
relações, a própria instituição e quem
executa o cargo de poder dentro da
instituição pode se esconder atrás
disso, pode se jogar ali para trás e
pode não ter que prestar contas à
comunidade. pode acabar utilizando
inclusive esse cargo de posição
institucional para premiar aqueles que
reforçam a própria existência da
instituição, a própria permanência e
rechaçar aqueles que não reforçam,
aqueles que são críticos.
E isso não ser visto como uma questão de
execução de poder, de problemas
estruturais institucionais, ser visto
como uma questão pessoal, ser visto como
uma questão de um rebelde, de uma
rebeldia, de um dissidente. E como tem
toda essa estrutura institucional
envolvida, todas essas relações de
reconhecimento, as outras membresias e
outras pessoas que estão em busca do
reconhecimento, se também não estão
percebendo o que tá acontecendo, vão
acompanhar a voz de quem está ali
enfrentando o rebelde, o dissidente, o
crítico, o grupinho
chato, porque estão em busca desse
prestígio da posição em que talvez elas
sejam reconhecidas. Então, a luta pelo
reconhecimento social está envolvida
nessas dinâmicas de lutas institucionais
de execução de poder e de posições que
nos garantam o relativo privilégio. E
isso não escapa das igrejas.
Então você pode acabar tendo um monte de
maluco que vai sair atacando um livro
que critica as estruturas abusivas
dentro de um espaço religioso, não
necessariamente porque eles acreditam
naquilo ali, ou não necessariamente
porque eles leram que foram fazer
qualquer outra coisa, senão porque estão
nessa disputa pelos bens sociais, estão
nessa disputa pelo bem do
reconhecimento, estão nessa disputa pelo
espaço privilegiado em que se pode
falar. E eu nem tô falando isso que o
cara tá fazendo de sacanagem, porque é
mal, porque é um plano maléfico. É
porque as dinâmicas sociais podem se dar
assim e a gente tem que ter cada vez
mais clareza a respeito disso para tomar
uma posição mais decente, mais
consciente, planejar melhor as nossas
instituições e desarmar essas armadilhas
que vão sendo colocadas no nosso
caminho. E eu acho que esse tipo de
reflexão ele é muito importante, né, no
ambiente acadêmico. E aí, para
finalizar, eu também sofri muito com
esse processo, porque eu trouxe pro
ambiente acadêmico uma série de coisas
que eu vivenciei, na qual me construir
dentro da igreja, da necessidade do
reconhecimento do espaço institucional,
da necessidade de ser muito melhor para
ter que me provar, porque não é uma não
tem que ser uma questão meritocrática,
não pode ser uma questão eh pessoalizada
ou não pode. E tá certo isso, né, na
pelo menos na minha cabeça. Então eu
tinha que fazer muito mais, eu tinha que
fazer 300 vezes melhor, tinha que fazer
infinitas vezes melhor. E aí qualquer
ruído, qualquer crítica, qualquer
apontamento me jogava na lona. Eu me
sentia um lixo e incapaz de realizar o
meu trabalho, literalmente. E se vinha,
quem é do ambiente acadêmico, tá ligado,
de alguém que ocupava uma uma posição de
liderança, de de de tal e tudo mais, que
tem esse prestígio, que tem essa
posição, que é academicamente
reconhecido e tal, ou que tá ocupando um
cargo específico e tal, e essa pessoa
ainda tem aquele trato cavalístico, né,
como muitas vezes acontece na na
academia, no na relação, né, no trato
ali de um de alguma atividade acadêmica
que está participando. Putz, minha
cabeça ia pra casa do chapéu. E eu sei
que isso são coisas que vão surgir na
cabeça, a gente vai ficando maluco, né?
Então, eu tive muito disso, assim, eh,
eu tenho 35 anos, vou fazer 36 anos
nessa ano da graça de 2025, vou fazer
36, completar 36 anos.
E eu só fui aceitar que eu tenho uma
habilidade
específica de verdade, né, na leitura de
textos, interpretação de textos e
reprodução desse tipo de conteúdo. Ou
seja, o que a gente chamaria de uma
inteligência acadêmica, um intelectual
da filosofia das humanidades, sei lá. Eu
só fui reconhecer e de verdade só fui
reconhecer que, pô, eu sou bom nisso,
cara. Eu realmente sou inteligente nisso
aqui. Eu sei fazer isso. Ano
passado,
2024, depois que eu terminei meu
doutorado, pude vivenciar algumas coisas
que eu parei e falei: "Cara, eu sou bom
nisso". E há muito
tempo. Só que até ano passado eu não me
permiti celebrar as minhas conquistas.
Sim, de verdade. Eu sempre desconfiei de
que não é o suficiente. E talvez eu nem
seja tão bom assim, porque eu não tive
reconhecimento esperado. E aí já era uma
paranoia, já era um negócio que eu criei
maluco de anos antes de vivências que eu
tive dentro do ambiente religioso, no
qual eu cresci, no qual eu me engajei e
tal.
E e aí eu fui ficando maluco, cara. E aí
assim, eu tive muita dificuldade. Minha
companheira que sabe, então um dia aí
quem quem um dia trocar uma ideia com
ela aleatoriamente vai saber, vai ver a
real. Eh, esses dias a gente estava
conversando, né? Porque que esse papo
aqui tá surgindo? Porque eu tive muitas
conversas legais nos últimos tempos
sobre isso, né? E depois de já tá mais
sossegado. E a gente conversando e uma
uma amiga nossa falou assim: "Não, mas
não é possível, pô, pelo amor de Deus,
você tá de sacanagem comigo". Porque eu
comentei isso, né? Falei: "Não, só fui
no ano passado que eu fui comecei a
aceitar que eu sei fazer o que eu tô
fazendo, assim, que eu comecei a ter
mais segurança do que eu tô fazendo.
Curiosamente também quando eu produzi o
canal, tá? Então assim, coragem maior de
me expor, né, de começar um produzir
vídeo na internet tem a ver com isso
também. Então eu me senti mais seguro
para poder fazer isso depois de 35 para
36 anos. E ela falou: "Não, não é
possível". Falei: "É verdade, é
verdade." Aí que comecei a entender um
pouco mais de que eu talvez eu soubesse
o que eu tava fazendo. E aí a amiga
falou: "Não, nada a ver". Aí a minha
companheira falou: "Ele chorava, você
não tá entendendo." Eh, às vezes
aconteciam umas coisas em casa, assim,
em casa não, né? De trabalho, de coisas
que aconteciam
específicas. E eu começava a chorar e a
minha companheira me pegou em várias
dessas crises assim que eu tava quebrado
e muita terapia, né, minha gente?
terapia, cuidados paliativos, aleatórios
pra gente poder se ajeitar. Mas que é
isso é por aí que ele chorava, cara,
chorava assim de ficar travado, de não
conseguir respirar e a ela e eu não
sabia nem o que fazer, porque vou dizer
o quê? Não, você é bom, você tá fazendo
o que você tá fazendo, tá ficando
maluco, porque é isso, é cois de maluco
bom sentido, tá gente? E aí era de
brincadeira, obviamente. E aí era isso.
Quer dizer, são coisas que a gente
precisa tratar, que a gente precisa
cuidar e que tem passa muito e passou no
meu caso, no meu tristemunho aqui, sobre
esse lance de como se dá essas dinâmicas
de reconhecimento. E depois de muito
tempo, eu percebi, inclusive que no caso
específico no qual eu tava vivenciando,
a as pessoas que ocuparam cargos de
execução de poder institucional sabiam
jogar com isso, né?
sabiam eh usar
dessa prestígio e desse cargo, dessa
posição, como aquele desenho animado em
que o cara tem uma vara, uma cenourinha
na frente do burro e faz o burro ficar
correndo atrás da cenourinha. E sabiam
usar isso de uma maneira muito muito
pragmática.
E então isso me fez mais mal ainda de
saber que, tipo, putz, eu fiquei numa
expectativa batendo minha cabeça,
achando que o mundo rodava bonitinho e
na verdade o mundo não era tão bonito e
tão justo e honesto e cheio de valores
legais como eu
esperava. Ingenuidade tendo dessas
coisas.
E então a gente tem que perceber que
essas relações elas existem e quebrar
essa esses véus mágicos que dentro da
igreja protegem as lideranças que não
são lideranças espirituais, são
lideranças políticas, são lideranças que
podem ter suas vocações, podem ter suas
missões, mas elas ocupam cargos que são
cargos políticos de execução de poder e
cujos efeitos são potencialmente muito
bons e potencialmente muito ruins, né? E
e tem efeitos negativos. positivos,
intencionais e não intencionais, que a
gente tem que
considerar. E quando se fala sobre abuso
da posição religiosa eclesiástica e tal,
a gente tem que pensar sobre essas
relações, porque às vezes não é uma
questão do indivíduo, é uma questão
estrutural de como está organizada essa
instituição, de como está organizada
essa comunidade para executar o seu
poder. E aí quando os caras jogam no
indivíduo, quando eles falam: "Não, mas
são é um cara isolado, não sei que
aquele cara, tem gente ruim em todo
lugar". Então é para não ter que mexer
nessas estruturas. E aí os caras se
esconde, se esconde, generaliza e a
gente que se
lasca. Beleza?
É isso, minha
gente. Espero que vocês tenham curtido
essa reflexão e testemunho e que ele
seja útil de alguma maneira para as
pessoas que acompanharam esse vídeo até
o final e tiveram essa coragem de chegar
até aqui. E aí não esquece também, né,
de aproveitar aí para para dar uma
ajudada na curtida, comentada e a gente
vai trocando
ideia para poder seguir trazendo a boa
nova todo dia útil até a vitória final.
Valeu, minha gente.

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