O PAPEL DE EXECUÇÃO DE PODER NAS IGREJAS E O RECONHECIMENTO SOCIAL
28/04/2025
O PAPEL DE EXECUÇÃO DE PODER NAS IGREJAS E O RECONHECIMENTO SOCIAL
Nesse vídeo, fizemos uma breve reflexão sobre temas que se rolar um papo direitinho nos comentários, voltam em novos vídeos futuramente.
Pix: bruno@reidkal.net
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Fala minha gente, tudo bem? Espero desejo, fundo no meu coração. Seja muito bem-vindo, muito bem-vindo e muito bem-vindo ao nosso canalzinho. Meu nome é Bruno Reidal e bora falar hoje sobre a questão da síndrome de postor e o problema do reconhecimento social. Sou um especialista no assunto? É óbvio que não. Contudo, eu sofri com esse lance da síndrome de impostor e também pude desenvolver nos últimos anos algumas reflexões a respeito do problema ou da questão do reconhecimento social, a qual eu gostaria de compartilhar com vocês. E eu acho que dá para fazer algumas conexões e alguns apontamentos interessantes de ponto de vista de um tristemunho. Então, lembrando aqui não é uma questão clínica de alguém que vai te dar dicas como especialista e como tratar e qualquer coisa do tipo. Procure um profissional adequado. Não sou eu. senão que eu vou compartilhar um pouco do testemunho e de algumas reflexões que eu pude desenvolver. Isso porque faz algumas semanas, algumas coisas foram aí engatilhadas. Eu tive um tempo de reflexão interessante no último feriado, tive conversas muito boas e produtivas e eu tava bolando daí compartilhar um pouco delas com vocês que acompanham o nosso conteúdo aqui do canalzinho, porque acho que pode ser interessante também para mim, para poder contar um pouco alguns apontamentos da minha trajetória, compartilhar um pouco mais aquelas histórias que ficam escondidas e que só eu vou lembrar delas, né? Ninguém mais vai saber ou ninguém ia saber. Talvez eu e vocês três que vão assistir esse vídeo também saberemos. E um dos gatilhos para que a gente trouxesse esse tipo de conteúdo aqui para no canal foi o conteúdo produzido em forma de tweet pelo Víor Fontana, teólogo Víor Fontana, que também tem um canal aqui no YouTube, que ele trouxe lá naquela outra rede, aquela rede moribunda, aparentemente destruída pelo gênio mais burro da história, e em que ele comentava a respeito da síndrome de impostor, né, como ela afeta pessoas competentes em uma determinada área em que ela pessoa então se trai, né, e ela não tem segurança no que ela tá fazendo. Ela nega sua própria capacidade, ela tem é uma situação muito ruim, gente. Já comenta a respeito disso a partir do meu tristemunho. Depois ele faz um breve comentário no sobre a síndrome de Dun Krueger. Síndrome não, o efeito de Duny Krueger, perdão, muita síndrome na cabeça. o efeito do Nick Krueger, que é aquele efeito em que a pessoa ela tem total desconhecimento sobre um tema, alguma informação desencontrada, algum aparente dado a respeito de um de uma área ou de um problema, mas ela tem muita convicção de que ela tem pleno conhecimento sobre aquilo. Ela é incapaz de reconhecer sua própria ignorância, incapacidade e sua inabilidade sobre um determinado conteúdo. Ela é a burrice convicta, né? que é um perigo hoje paraa nossa sociedade que a pessoa não só ser burra, mas ela ser burra com convicção, que isso é uma coisa muito perigosa, a burriç convicta, que é um efeito muito perigoso aí que nós temos. E nessa nesse efeito do Nink Kruger, dessa burrice convicta, ela afeta pessoas que realmente funcionam quase como o oposto aí do síndrome de impostor, né? Síndrome de postura competente que se trai e capaz de executar sua tarefa de maneira tranquila e confiar de suas capacidades e habilidades a respeito de um tema no qual ele tá preparado para executar. E o outro é o completo, incompetente que vai fazendo, tendo segurança e certeza de que sabe o que tá fazendo e na verdade não tem ideia. Então são coisas muito interessantes. E aí nisso o o Víor na nesse mesmo tweet, porque ele tem aquele tweet que aquele aquela conta do Twitter que te permite escrever longos textos, não só grunhidos em 250 caracteres. Então ele aproveitou dessa, desse privilégio, dessa vantagem para escrever esse textão. E aí nesse textão ele fala também sobre a questão do reconhecimento social. Então por isso que a gente vai falar hoje sobre síndrome de postura de reconhecimento social, indicando Axel Honet, que é um dos principais autores sociólogos a respeito do tema. muito interessante conversar sobre, né, também mistura com psicanálise, as paradas que eu não faço ideia, então não vou entrar nessa seara, vou falar de outro de outro lugar, mas já já falaremos sobre isso. E e aí por fim ele comenta, faz toda essa essa volta para poder falar sobre os pastores e lideranças religiosas que estavam atacando o livro publicado pela Scott, pela Laura, chamado uma igreja chamada Tov, né, que é um livro em que comenta e denuncia e tenta refletir sobre os problemas das relações abusivas entre lideranças religiosas e sua membresia e como tentar superar essas relações, pensando no contexto estadunidense e tudo mais, mas dentro do âmbito religioso e Como o pelo fato desse livro ter aberto os olhos de muitas membresias que começaram a desconfiar de certas relações de dominação existentes e como certas lideranças se aproveitavam delas para atuar em relação aos seus suas membras de maneira abusiva e inclusive acobertando abusos e tudo mais em muitos sentidos. Fique claro. Os caras começaram a atacar o livro, atacar mesmo, né? tentar descredibilizar como se tivessem propriedade de respeito. E daí, pô, mano, nesse passo, né, o cara completamente incompetente fica falando groselli e não quer discutir o mérito da questão e muito menos discutir de maneira racional e minimamente equilibrada, mesmo que seja sobre a metodologia do trabalho dos dois, dos dados que eles levantam ou a proposta que seja, não, só ataca e tal e sai arrotando autoridade espiritual como se tivesse alguma para dizer que não, isso aí não vale de nada, não tem que considerar esse tipo de crítica e apontamento. feito pelos autores. Então, toda essa volta para dar o contexto para indicar para vocês que eu, como vim desse mundo religioso, entendo muito bem essas relações e tento fazer uma análise nos meus trabalhos a respeito da religião evangélica no Brasil, em especial, que considera as estruturas institucionais e políticas que possibilitam esse tipo de relação e que não tem a ver só com a igreja, senão como com a igreja desempenha uma determinada função dentro da reprodução social como um todo. E esta reflexão aí é algo que eu acho que eu posso contribuir. Contudo, isso só foi percebido pela minha trajetória dentro do ambiente religioso e isso traz certos elementos interessantes para pensar sobre, e agora vem o pulinho do gato, a questão da síndrome de impostor e do reconhecimento social. Então, queria comentar sobre essas duas coisas, dado esse contextão e a minha trajetória, porque eu vou me utilizar aqui como exemplo para poder falar sobre essas coisas. e d uma reflexão, autorreflexão e um testemunho aí para vocês. Nesse passo também gostaria de considerar que eu sou do meio acadêmico, né? Então, então sou uma pessoa que tive minha trajetória no mundo acadêmico. Eh, hoje atuo como um profissional da educação numa determinada instituição, também envolvido no ambiente acadêmico. E se vocês não sabem, depressão, síndrome de impostor e mais um monte de cacareco. Quem sofre muito é o pessoal que vem do mundo acadêmico, que teve que fazer doutorados, cambata, a gente fica tudo maluco, inclusive por uma questão de estrutura também da academia e de como se produz ciência aqui no nosso país e em especial mesmo no mundo ocidental, os parâmetros e o tipo de estrutura que a gente utiliza, ela é bastante problemática e causa muitos sofrimentos psíquicos para os indivíduos soltos a seu bel prazer e sua força de vontade para tentar resistir aí uma série de de pressões. Mas tudo bem, tudo isso aí a gente vai conversar já, porque primeiro eu gostaria de convidar você para ser membro, membra membre, membrezinha aqui do nosso canalzinho, porque temos conteúdos exclusivos semanais para você. Estará aqui na descrição também a chave do Pix, porque vai que sobrou uma RKI, você pode dar uma força no meu trabalho e considera aí se inscrever, curtir, compartilhar e espalhar a palavra por aí, fazer algum comentário aleatório para que as pessoas sejam enganadas pelo algoritmo e cheguem aqui no nosso conteúdo. Beleza? Dito isso, sigamos para o nosso papo. Para falar sobre reconhecimento social, eh, eu não quero comentar propriamente da questão psicanalítica do bagulho, porque eu não faço ideia, não manjo disso. Tem um problema sério com a ideia de mente. E aí um dia, quem sabe, a gente bate esse papo. Mas desde que eu fiz o meu TCC, minha monografia no curso de filosofia, estudando o pensamento pragmático estadunidense, né? Meu TCC é sobre isso, minha monografia é sobre o método pragmático de John Dewy. Eh, eu tenho problema sério com a ideia de mente, tá? Eu, vixe, travo legal e tenho dificuldade de falar sobre isso. Mas dito isso, eh, o reconhecimento do âmbito estrutural, institucional, é algo que nós temos que perceber dentro do modo como nós organizamos e reproduzimos as nossas vidas, tá? Por que que é importante falar sobre isso? Porque tem uma contradição interessante entre a ideologia burguesa liberal que trata os humanos como indivíduos. Indivíduos isolados praticamente, que são autossuficientes, autorrealizáveis, né? Tem os seus direitos individuais e tudo mais. E isso é o mais importante, esse indivíduo que faz e se realiza e tudo mais. Como se ele tivesse solto, fosse filhote de chocadeira. Em relação ao modo como na história e efetivamente nós reproduzimos e temos condições para nós mesmos vivermos. Por um lado, uma ideologia que te isola e uma estrutura e um aparato jurídico que depende desse isolamento, dessa criação fictícia desse indivíduo. E, por outro, uma estrutura social efetiva e real que ela é garantida e se reproduz de maneira comunitária, coletiva ou mesmo social, interdependente. Desde que a gente nasce, nós dependemos de uma rede imensa de pessoas trabalhando e atuando para que nós possamos persistir em vida, sobreviver e seguir aí para os nossos dias futuros. Deus queira. Então, nós sempre temos que considerar o modo como nós estamos organizando e reproduzindo essa vida. o modo como nós estamos organizando e reproduzindo estas mesmas relações que fazem com que nós possamos existir. Existem várias maneiras de nós podermos coordenar isso e tentar realizar a nossa vida, mas ela é sempre coletiva, ela é sempre comunitária, ela é sempre social, ela sempre depende de um tipo de estrutura que divide trabalhos, divide tarefas e divide funções. Nessa dinâmica de dividir trabalhos, dividir tarefas e dividir funções, nós temos pessoas que t a responsabilidade ou a posição de coordenar essas relações, coordenar a ação social, coordenar a orientação das ações individuais, dos atores sociais. Então, se a gente fosse pensar nessa relação entre ação social e estrutura social, existe uma combinação que não tem como separar, não tem como romper, na qual os indivíduos agem dentro e a depender de uma estrutura com a qual se submetem e a qual precisam reproduzir para estar vivos no dia seguinte. E uma estrutura que depende que esses indivíduos, que esses atores realizem suas tarefas para que ela mesma exista. Então, precisa de uma combinação aí que não é simples, mas que todo mundo meio que entre aspas vai entendendo e a gente vai vivenciando. Então, eu ajo para manter essas relações e essas relações existentes, essa estrutura de poder vigente depende que a minha ação esteja orientada confiando de que vale a pena dentro desses mecanismos. Então ela vai criar estruturas, ela vai tentar criar dinâmicas que fortaleçam sua própria permanência, ou seja, que faz com que os indivíduos realmente se submetam a essas relações. E os indivíduos para sua subsistência precisam defender essas estruturas, mas à medida que elas começarem a fazer mal para esses atores, eles também vão começar a achar que tem problemas nessas estruturas e vão reagir contra ela. Agem contra e a favor dela e a estrutura age contra e a favor dos indivíduos ao mesmo tempo. Não é uma coisa boa e outra ruim. são dinâmicas, minha gente, com efeitos positivos e negativos, intencionais, não intencionais e que coordenam a história. Sobre essas relações, na teoria weberiana, por exemplo, é o que se fala das relações de dominação, né? Dominação não é no sentido negativo, é um é um uma palavra utilizada para exprimir ou expressar esta relação em que há uma estrutura eh que coordena as ações orientadas dos sujeitos e os sujeitos que orientam suas ações a partir de determinadas eh possibilidades de bens e de ganhos que eles têm e que a estrutura é algo necessário para eles realizarem suas funções e viverem e permanecerem. Então, nestas relações, existe um tipo de dominação que vem um adjetivo que é legítima. Legítima por quê? Porque as pessoas envolvidas pactuam o que vale a pena, o que tá valendo, o que tá tá sossegado. Vamos aceitar esse processo. Não precisa ser um dia que todo mundo se reuniu e diz que vai valer, né? Não é isso é hipotético, mas é um tipo de regalação que vai você vai tentar entender como que está sendo coordenada uma determinada sociedade, uma determinada comunidade, como esta relação estabelece. Por que que é importante a gente pensar isso? Porque a estrutura ela não existe sem sujeitos agindo. Alguém vai desempenhar um papel de coordenar e de fazer valer uma estrutura. Essa pessoa é um ator social, uma um agente e os outros vão fazer com que essa estrutura funcione, estarão sob cargo, sob comando, sob domínio desta pessoa que executa esse papel, que está ocupando esse cargo, que está dentro da estrutura de poder que possibilita a própria realização da vida. Então ela é legítima essa relação, uma relação de dominação no sentido de que há essa coordenação, há um controle sobre, mas ele é legitimado, ele é pactuado. E aí Weber tenta criar, por exemplo, no pensamento dele diferentes tipos de dominação. Se a gente quiser utilizar a dominação patriarcal, né, tradicional, que dominação tradicional, de tipo tradicional, que nós temos como melhor exemplo a patriarcal, que é o quê? Alguém que por tradição, por valores, por ordenação e coordenação de uma comunidade para que ela permaneça, sobreviva, ocupa o cargo do páter, do patriarca. É um cargo, não é porque o cara tem filho que ele é um patriarca. É o cargo do patriarca é aquele que gere a comunidade por tradição. Ele ocupa o cargo. Então, a pessoa que ocupa aquele cargo tradicionalmente tem aquela função. É o cargo que tem esse valor, um cargo tradicional. e quem está ocupando ali se torna um patriarca. Então ele normalmente, normalmente na estrutura patriarcal, por exemplo, que é um tipo de relação tradicional, é o o o pai, o um homem senhor mais velho, cumpre certas características, tem servos, tem famílias, tem não sei o que lá, tem filhos, filhas. Esses filhos e filhas também tem filhos e tem filhas, então não é só a questão de ser pai ou mãe, senão de ocupar este cargo específico. E por tradição a um tipo de dominação estabelecida. E aí você tem uma defesa de valores, defesa de de honra, defesa de uma série de relações que faz com que esse cara seja o patriarca, o poderoso e que se autoleisla, entre aspas, em muitos momentos, mas se legisla se estiver dentro da tradição. Então tem um uma atenção aí interessante. Por outro lado, existe outro tipo de dominação que é a dominação mais impessoal, que é a dominação burocrática, né? Uma dominação legal. Legal, cuja melhor expressão seria burocrática. Leis. E aí pessoas fazem com que essas leis valham, funcionem, mas não por elas, mas de maneira impessoal. A lei é mais importante do que quem ocupa esse cargo. A pessoa pouco importa. El se torna um burocrata, um uma pecinha na dinâmica, né? E tudo bem, é esse tipo. E tem um outro poder que é o poder do carisma, o poder carismático, dominação carismática, que aí é um cara, uma pessoa que tem certos dotes e qualidades, seja um guerreiro, um herói, um profeta, um demagogo no termo que o o Weber usa, né, para um grande político que sabe utilizar bem do seu discurso em angarear o apoio popular e o apoio das pessoas. Isso também, novamente, não é negativo, é tentando entender como funciona. E há essa questão desse carisma mais pessoalizado e que é um tipo de dominação específica. Tudo isso para dizer o quê? Alguém ocupa uma posição de coordenação das relações sociais. Alguém ocupa uma posição de exercício do poder. Exercer o poder é diferente de ser a pessoa que legitima o poder. Uma comunidade pode te dar legitimidade para uma dominação. Consciente ou inconsciente, ela legitima. Outra pessoa executa a função de coordenar essa instituição, coordenar essa comunidade a partir do cargo que ocupa. O papel de coordenador, de líder, de liderança, o papel, este cargo, ele é distinto qualitativamente do papel de quem não o ocupa, da de quem não está ali. Por que que isso é importante? Porque existe uma relação de poder e de execução do poder envolvida. E poder aqui não no sentido negativo, tá? A gente não tá falando que poder como se fosse coisa ruim. Olha que mal, um poder. Não. A comunidade que constrói relações e legitima relações para que seja possível sua permanência, ou seja, cria instituições da legitimidade para para a execução do poder. Essa comunidade também tem poder, tem o poder, inclusive, de acabar com essa instituição. Se ela quiser, ela pode fazer isso, mas ela não estará executando o poder. E é diferente de executar o poder, porque aí você dentro dessa grande legitimidade dada pela comunidade, com a comunidade de vida, que tem o poder de instituir, constituir e dar legitimidade, quem tá executando vai escolher um projeto que talvez faça mal para parte da comunidade, faça bem pra maioria, faça, mas a escolher um projeto e um tipo de execução que elimina todos os demais projetos, todas as outras possibilidades e cujo objetivo deve ser retornar para a comunidade as condições necessárias para permanência e reprodução social e melhora de vida da comunidade. Em teoria, assim que funciona a dinâmica de poder, independentemente do tipo de dominação, do tipo de estrutura, tal, é tentar permanecer, prevalecer, se desenvolver e fazer bem pra comunidade. A comunidade pode derrubar essa instituição a qualquer momento, mas espera que ela se organize e execute bem em sua função. E essa instituição então ocupada ou tem cargos ocupados por pessoas. E aí o enfrentamento em última instância é entre pessoas, porque não existe a instituição no ar, existe instituição entre pessoas. mesmo a estrutura legal, burocrática e impessoal, ela é executada por seres humaninhos e ela precisa ser. Então, em último instância, somos seres humanos que produzem relações e instrumentos e tudo mais para a nossa própria vida, né? Pelo amor de Deus. Então esse cargo, essa pessoa que ocupa essa posição de dominação, de execução de poder, ela é qualitativamente distinta do demais e ela tem um prestígio. Ela tem uma função que garante um privilégio em relação às demais. E as demais nesta relação se submetem. Então, uma responsabilidade muito grande para quem ocupa essa posição de liderança. É um cargo muito sério e isso vale pra igreja, vale pra casa, vale pra associação do bairro, vale para pro estado, vale pro quem tá na prefeitura executando qualquer função, pra polícia, para sei lá mais o quê. Vale, é distinto. Por isso que a gente tem que sacar para uma empresinha qualquer. É isso, minha gente. Beleza? Tem que considerar isso, que quem ocupa este cargo, esta função, desempenha um papel qualitativamente distinto e espera-se que desempenhe de maneira boa e adequada. E as pessoas vão se submeter a essa relação. Não é porque o cara é melhor, porque o cara é pior, é porque assim se dá o processo. Em tese, são papéis distintos apenas. Contudo, na realidade prática e histórica, esta função de liderança te dá privilégios, te dá uma posição em que você decide sobre as suas ações, têm efeitos poderosos sobre os demais que lideram a sua legitimidade. Então você tem que ser muito responsável para agir, porque os efeitos intencionais e não intencionais, positivos e negativos das suas ações são terríveis, os impactos são grandes. Então qualquer co é o impacto é grande, né? Então é muita responsabilidade para as membresias, para as pessoas que na comunidade religiosa, qualquer outro espaço, não estão nesse cargo privilegiado de execução de poder. O reconhecimento é algo muito importante, é um bem de valor, ainda que não dê para pegar na mão. Percebe ser reconhecido? Ou seja, que alguém que é parte da comunidade olhe para você, perceba a sua existência, reconheça, desdobre o saber sobre a sua existência, sobre o que você fez, sobre o que você faz, é algo muito importante, ainda mais numa vida de comunidades e de relações sociais orientadas para o individualismo. Ou seja, que na contradição que a gente começou esse papo entre a ideologia burguesa individualista e as relações necessariamente históricas, comunitárias, sociais, que são sempre entre pessoas interdependentes, o reconhecimento desse indivíduo o reinsere, o fazido dentro dessa comunidade em que ele está apagado, porque está fragmentado. Não é nós, na nossa comunidade. Nós vivemos relações fragmentadas e fragmentárias e cada vez mais distantes. O reconhecimento do ponto de vista de alguém que tem valor dentro dessa dinâmica em que estamos isolados. É um tipo de experiência em que você está reinserido, recolocado, percebido, visualizado, existencialmente presente naquele espaço. Porque quem tem uma função de coordenar te viu, te vê, te coloca em luz, te faz ser percebido nessa existência. Numa comunidade mais próxima, em que nós temos relações distintas, isso talvez tenha um efeito distinto, diferente, não tão impactante quanto numa sociedade tão fragmentada e individualista como a nossa. E novamente uma fragmentação e individualismo que são próprios e necessários como ideologia para a produção e reprodução do capitalismo, que o capitalismo é isso, é fragmentar individualmente para que você se venda enquanto unidade de força de trabalho. E para isso você tem que fortalecer e cada vez mais martelar na cabeça das pessoas, que é importante você ser uma pessoa. Você é você. Identidade, acabou. Identidade só você mesmo, né? Não existe uma comunidade, o nós e tal. E nessas contradições tal, a gente tá vivenciando um monte de maluquía, inclusive hoje em dia, que pelo amor de Deus, mas escapa um pouco do escopo do nosso papo. Dei essa volta para falar que o reconhecimento social é muito importante. Eu tive muita dificuldade na minha trajetória de começar a aceitar, por exemplo, as minhas conquistas e de lidar bem com as minhas vitórias pessoais. Porque dentro do espaço em que eu cresci dentro do ambiente religioso e o qual eu valorizei muito e valorizo até hoje por n fatores, eu não tive o reconhecimento, não tive o reconhecimento das instâncias em que se espera ter o reconhecimento, que é a questão da instância do da de quem executa o poder, né, da instituição que executa o poder, das pessoas que ocupam esses cargos específicos de de realização do do poder, né, de execução. de coordenar a comunidade e tudo mais. Por que que pega para mim isso? Por n fatores, tá? Mas isso me fez bastante mal, eh, não ter o reconhecimento social. E aí eu comecei a desconfiar das minhas próprias capacidades desde muito cedo. Me fez criar um efeito de que talvez eu estivesse sempre me enganando o quanto eu sou capaz de fazer algo ou não, me enganando sobre a minha vocação, me enganando sobre as minhas missões, sobre aquilo que eu acreditava que tinha valor. Eu comecei a desconfiar sobre uma série de coisas desde muito cedo. Então eu tinha que constantemente ficar lidando dando a minha cabeça com eu me sabotando às vezes que eu realizava algo que era bom, que não necessariamente era visto pela liderança, mas era reconhecido pela comunidade. Então eu recebia um cuidado e um carinho das pessoas que estavam convivendo comigo. Sempre tive, sempre tive. Mas do ponto de vista institucional de reconhecimento desse espaço de prestígio de execução de poder, não. Eh, pelo menos não na comunidade em que eu estava. E aí entra o lance da expectativa também, né? Então eu tinha expectativa de ter esse reconhecimento e não tive. Aí entra a minha parte de criar expectativa, porque ela não viria, mas eu tava criando na minha cabeça. Então cria a expectativa que a se comprovou falsa e lidando com essa expectativa, com o reconhecimento institucional dentro do espaço que eu estava que não veio e tentando sempre realizar cada vez melhor e aperfeiçoando nos meus trabalhos e aperfeiçoando na minha relação com a comunidade cada vez mais honesta, mais transparente, atuando em diferentes áreas, diferentes campos e buscando minha trajetória pessoal, né? que aí foi algo que eu aprendi com a senhora, minha mãe que disse para mim assim: "Ó, Bruno, eu sei que você porque eu eu creio, tá?" E aí no momento testemunho aqui dentro do testemunho, outro testemunho. E eu tenho uma certa vocação para minha experiência religiosa de compartilhar com as pessoas ferramentas para que elas possam ter uma espiritualidade mais autônoma e relativamente independente, com mais capacidade enquanto sujeitos agirem na comunidade, atuarem na comunidade, participarem da comunidade com a cabeça erguida, com segurança. segurança e conhecimento sobre o que estão fazendo. Então, eu, leitura popular da Bíblia é um negócio que me pega muito, que eu quero que as pessoas leiam a Bíblia. Eu quero que elas se sintam livres para poder interpretar, discutir, conversar, compartilhar e construir cada vez mais de maneira coletiva e não você sendo só dependente de quem sim vai executar o poder, porque isso é necessário. Mas o fato de alguém executar o poder não pode se confundir com a autoridade espiritual especial que ele tem com acesso a Deus e os demais não. Então a minha ideia é não, cara, a gente compartilhar o quanto mais para que todo mundo perceba que é filho e filha de Deus e que nós temos aqui divisões, funções dentro de um espaço religioso específico, de uma organização que são distintas. Então alguém executa o poder, o outro não, mas isso não faz da pessoa ser melhor que a outra ou ter mais acesso ao divino que o outro. Então a gente tinha que, na verdade, estar conversando muito mais sobre as nossas espiritualidades, sobre nossa fé, sobre aquilo que a gente crê e estabelecer melhor aí qual é a função e o papel de cada um. Mas tudo bem. E nesse processo daí a senhora, minha mãe fala: "Você vai querer esse espaço religioso, né? Você quer atuar com um ministério de alguém que lê a Bíblia com a galera, que faz essas paradas?" Excelente. Mas você não pode ser dependente da instituição religiosa. Não é ser pastor, meu amigo. Você vai ter que ter tua caminhada, ter tua profissão, ter tua correria. Falei, pode crer. Então, tá. E aí fui fazer a minha correria, né? Fui fazer minha caminhada, fui estudar e fui ter minha trajetória acadêmica, trabalhar em outros espaços, em outros ambientes e ao mesmo tempo sempre ali vivenciando a experiência da comunidade na expectativa aí de que a gente pudesse ter transformações, mudanças e também esse âmbito do reconhecimento da transformação institucional que acho que era muito importante. E depois eu fui percebendo que não viria e aí tive outras crises. Mas o grande lance é como nunca tinha o tal do espaço eh de relativo reconhecimento, de responsabilidade, né? Então assim, você perceber que alguém tá fazendo algo bacana, você fala: "Pô, muito massa", tal. Eu comecei a desconfiar da minha própria capacidade, né? E na minha casa, o meu pai era pastor e sabiamente foi estabelecido: "Sou pastor na igreja, mas não sou seu pastor e sou seu pai em casa, não na igreja". Então vamos estabelecer essas distinções. E se você quiser aí ter tua caminhada religiosa, tua experiência da comunidade, vai ser você por você com outra pessoa que te acompanhe, porque eu sou seu pai, cara. Não pode mostrar essas coisas. E aí isso era interessante também, porque foi uma experiência muito específica que eu pude vivenciar, eh, em que meu pai, sendo pastor, não tive necessariamente esse apoio do pai que passa pro filho as coisas ao contrário. E ao mesmo tempo não tinha um apoio das outras lideranças religiosas, na verdade tinha uma relação bem esquisita e foi bem esquisito, só que do ponto de vista da comunidade que observa, né, de longe ou não participando ali do contato, parece que o cara aqui é o nepo bababicosmos, né? Então, nessa rede eu tinha que me provar mais ainda. Na minha cabeça, eu tinha que me provar. Isso foi criando várias coisas, né? Vários gatilhos. Então eu tinha que me provar que eu era muito bom no que eu tava fazendo, me provar de que eu não estava tendo privilégios, me provar e provar pros outros que eu tava conseguindo fazer algo que realmente acreditava no que eu tava fazendo e na expectativa de conseguir daí espaços em que pudesse realizar alguma transformação efetiva dentro da estrutura institucional, que dependeria do reconhecimento de quem está no âmbito institucional, de que, ó, realmente você tá fazendo sua caminhada aí, tá bacana, que que você acha que deve fazer ou vem aqui trocar uma ideia com a gente? Então essa dinâmica ela foi me criando dando a minha cabeça, porque eu tô novamente tô vivenciando isso, né? Eu fui criando mecanismos em que eu sempre desconfiava se eu tava fazendo certo, se eu era capaz de fazer aquilo que eu tava fazendo. Então eu sempre desconfio se eu sou bom mesmo que eu tô fazendo. O se não, eu acho que eu não sou, não tá sendo suficiente. Não é o suficiente. Não é o suficiente. Não, isso, isso não. Talvez eu não saiba disso. Não, não, não. Eh, se eu não tivesse reconhecimento naquele momento, é porque eu não tava fazendo direito. Eu não sabia o que eu tava fazendo, não sei o que tá acontecendo. E eu comecei a criar essas loucuras na minha cabeça. Tudo bem, até aí tudo bem. Terapia ajudou muito. Ajuda, né? Por isso, hoje eu consigo falar com um pouco mais de tranquilidade sobre esses temas, mas eu tô querendo dar essa volta eh para chegar num passo importante, que é a posição de quem ocupa um cargo de execução de poder, se não tem consciência sobre todas essas dinâmicas, produz efeitos extremamente negativos na comunidade ao executar poder, sem perceber as estruturas que dão conteúdo pro que ele tá dizendo. Então, o pastor pode acabar chegando e dizendo assim para vocês e paraa membresia: "Eu sou como vocês. Nós somos todos iguais, somos todos falhos. Só que a diferença é que a falha cometida por alguém que executa o poder não é a mesma coisa de alguém que não tem os meios para executá-lo, pelo menos dentro de um ambiente religioso, por exemplo, institucional. E ao esconder todas essas relações, a própria instituição e quem executa o cargo de poder dentro da instituição pode se esconder atrás disso, pode se jogar ali para trás e pode não ter que prestar contas à comunidade. pode acabar utilizando inclusive esse cargo de posição institucional para premiar aqueles que reforçam a própria existência da instituição, a própria permanência e rechaçar aqueles que não reforçam, aqueles que são críticos. E isso não ser visto como uma questão de execução de poder, de problemas estruturais institucionais, ser visto como uma questão pessoal, ser visto como uma questão de um rebelde, de uma rebeldia, de um dissidente. E como tem toda essa estrutura institucional envolvida, todas essas relações de reconhecimento, as outras membresias e outras pessoas que estão em busca do reconhecimento, se também não estão percebendo o que tá acontecendo, vão acompanhar a voz de quem está ali enfrentando o rebelde, o dissidente, o crítico, o grupinho chato, porque estão em busca desse prestígio da posição em que talvez elas sejam reconhecidas. Então, a luta pelo reconhecimento social está envolvida nessas dinâmicas de lutas institucionais de execução de poder e de posições que nos garantam o relativo privilégio. E isso não escapa das igrejas. Então você pode acabar tendo um monte de maluco que vai sair atacando um livro que critica as estruturas abusivas dentro de um espaço religioso, não necessariamente porque eles acreditam naquilo ali, ou não necessariamente porque eles leram que foram fazer qualquer outra coisa, senão porque estão nessa disputa pelos bens sociais, estão nessa disputa pelo bem do reconhecimento, estão nessa disputa pelo espaço privilegiado em que se pode falar. E eu nem tô falando isso que o cara tá fazendo de sacanagem, porque é mal, porque é um plano maléfico. É porque as dinâmicas sociais podem se dar assim e a gente tem que ter cada vez mais clareza a respeito disso para tomar uma posição mais decente, mais consciente, planejar melhor as nossas instituições e desarmar essas armadilhas que vão sendo colocadas no nosso caminho. E eu acho que esse tipo de reflexão ele é muito importante, né, no ambiente acadêmico. E aí, para finalizar, eu também sofri muito com esse processo, porque eu trouxe pro ambiente acadêmico uma série de coisas que eu vivenciei, na qual me construir dentro da igreja, da necessidade do reconhecimento do espaço institucional, da necessidade de ser muito melhor para ter que me provar, porque não é uma não tem que ser uma questão meritocrática, não pode ser uma questão eh pessoalizada ou não pode. E tá certo isso, né, na pelo menos na minha cabeça. Então eu tinha que fazer muito mais, eu tinha que fazer 300 vezes melhor, tinha que fazer infinitas vezes melhor. E aí qualquer ruído, qualquer crítica, qualquer apontamento me jogava na lona. Eu me sentia um lixo e incapaz de realizar o meu trabalho, literalmente. E se vinha, quem é do ambiente acadêmico, tá ligado, de alguém que ocupava uma uma posição de liderança, de de de tal e tudo mais, que tem esse prestígio, que tem essa posição, que é academicamente reconhecido e tal, ou que tá ocupando um cargo específico e tal, e essa pessoa ainda tem aquele trato cavalístico, né, como muitas vezes acontece na na academia, no na relação, né, no trato ali de um de alguma atividade acadêmica que está participando. Putz, minha cabeça ia pra casa do chapéu. E eu sei que isso são coisas que vão surgir na cabeça, a gente vai ficando maluco, né? Então, eu tive muito disso, assim, eh, eu tenho 35 anos, vou fazer 36 anos nessa ano da graça de 2025, vou fazer 36, completar 36 anos. E eu só fui aceitar que eu tenho uma habilidade específica de verdade, né, na leitura de textos, interpretação de textos e reprodução desse tipo de conteúdo. Ou seja, o que a gente chamaria de uma inteligência acadêmica, um intelectual da filosofia das humanidades, sei lá. Eu só fui reconhecer e de verdade só fui reconhecer que, pô, eu sou bom nisso, cara. Eu realmente sou inteligente nisso aqui. Eu sei fazer isso. Ano passado, 2024, depois que eu terminei meu doutorado, pude vivenciar algumas coisas que eu parei e falei: "Cara, eu sou bom nisso". E há muito tempo. Só que até ano passado eu não me permiti celebrar as minhas conquistas. Sim, de verdade. Eu sempre desconfiei de que não é o suficiente. E talvez eu nem seja tão bom assim, porque eu não tive reconhecimento esperado. E aí já era uma paranoia, já era um negócio que eu criei maluco de anos antes de vivências que eu tive dentro do ambiente religioso, no qual eu cresci, no qual eu me engajei e tal. E e aí eu fui ficando maluco, cara. E aí assim, eu tive muita dificuldade. Minha companheira que sabe, então um dia aí quem quem um dia trocar uma ideia com ela aleatoriamente vai saber, vai ver a real. Eh, esses dias a gente estava conversando, né? Porque que esse papo aqui tá surgindo? Porque eu tive muitas conversas legais nos últimos tempos sobre isso, né? E depois de já tá mais sossegado. E a gente conversando e uma uma amiga nossa falou assim: "Não, mas não é possível, pô, pelo amor de Deus, você tá de sacanagem comigo". Porque eu comentei isso, né? Falei: "Não, só fui no ano passado que eu fui comecei a aceitar que eu sei fazer o que eu tô fazendo, assim, que eu comecei a ter mais segurança do que eu tô fazendo. Curiosamente também quando eu produzi o canal, tá? Então assim, coragem maior de me expor, né, de começar um produzir vídeo na internet tem a ver com isso também. Então eu me senti mais seguro para poder fazer isso depois de 35 para 36 anos. E ela falou: "Não, não é possível". Falei: "É verdade, é verdade." Aí que comecei a entender um pouco mais de que eu talvez eu soubesse o que eu tava fazendo. E aí a amiga falou: "Não, nada a ver". Aí a minha companheira falou: "Ele chorava, você não tá entendendo." Eh, às vezes aconteciam umas coisas em casa, assim, em casa não, né? De trabalho, de coisas que aconteciam específicas. E eu começava a chorar e a minha companheira me pegou em várias dessas crises assim que eu tava quebrado e muita terapia, né, minha gente? terapia, cuidados paliativos, aleatórios pra gente poder se ajeitar. Mas que é isso é por aí que ele chorava, cara, chorava assim de ficar travado, de não conseguir respirar e a ela e eu não sabia nem o que fazer, porque vou dizer o quê? Não, você é bom, você tá fazendo o que você tá fazendo, tá ficando maluco, porque é isso, é cois de maluco bom sentido, tá gente? E aí era de brincadeira, obviamente. E aí era isso. Quer dizer, são coisas que a gente precisa tratar, que a gente precisa cuidar e que tem passa muito e passou no meu caso, no meu tristemunho aqui, sobre esse lance de como se dá essas dinâmicas de reconhecimento. E depois de muito tempo, eu percebi, inclusive que no caso específico no qual eu tava vivenciando, a as pessoas que ocuparam cargos de execução de poder institucional sabiam jogar com isso, né? sabiam eh usar dessa prestígio e desse cargo, dessa posição, como aquele desenho animado em que o cara tem uma vara, uma cenourinha na frente do burro e faz o burro ficar correndo atrás da cenourinha. E sabiam usar isso de uma maneira muito muito pragmática. E então isso me fez mais mal ainda de saber que, tipo, putz, eu fiquei numa expectativa batendo minha cabeça, achando que o mundo rodava bonitinho e na verdade o mundo não era tão bonito e tão justo e honesto e cheio de valores legais como eu esperava. Ingenuidade tendo dessas coisas. E então a gente tem que perceber que essas relações elas existem e quebrar essa esses véus mágicos que dentro da igreja protegem as lideranças que não são lideranças espirituais, são lideranças políticas, são lideranças que podem ter suas vocações, podem ter suas missões, mas elas ocupam cargos que são cargos políticos de execução de poder e cujos efeitos são potencialmente muito bons e potencialmente muito ruins, né? E e tem efeitos negativos. positivos, intencionais e não intencionais, que a gente tem que considerar. E quando se fala sobre abuso da posição religiosa eclesiástica e tal, a gente tem que pensar sobre essas relações, porque às vezes não é uma questão do indivíduo, é uma questão estrutural de como está organizada essa instituição, de como está organizada essa comunidade para executar o seu poder. E aí quando os caras jogam no indivíduo, quando eles falam: "Não, mas são é um cara isolado, não sei que aquele cara, tem gente ruim em todo lugar". Então é para não ter que mexer nessas estruturas. E aí os caras se esconde, se esconde, generaliza e a gente que se lasca. Beleza? É isso, minha gente. Espero que vocês tenham curtido essa reflexão e testemunho e que ele seja útil de alguma maneira para as pessoas que acompanharam esse vídeo até o final e tiveram essa coragem de chegar até aqui. E aí não esquece também, né, de aproveitar aí para para dar uma ajudada na curtida, comentada e a gente vai trocando ideia para poder seguir trazendo a boa nova todo dia útil até a vitória final. Valeu, minha gente.