Sermão: Não Arredem o Pé
10/04/2025
Décimo primeiro Sermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse http://YouTube.com/@UCMaKF2MpWrhHASSPC1upIAw
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Eterno nosso Pai e eterno nosso rei. Muito obrigado por nos amar, muito obrigado por nos receber de braços abertos. Obrigado por ver em nós teus filhos amados. E agora que mais uma vez vamos abrir a tua palavra, que o nosso coração e a nossa mente estejam dispostos a te ouvir. O que nós te imploramos em nome de Cristo. Amém. Bom dia para você que tá aqui, né, no Teatro Wall, no Shopping Pat Genópolis. Para você que tá em casa, talvez seja boa tarde, boa noite, boa madrugada, não sei. Mas é um prazer receber vocês e passar esses momentos aqui com vocês. A gente tá na série intitulado Graça. Esse é o 11º episódio e hoje a gente eh vai falar um pouquinho sobre o Evangelho de Mateus, né? O Evangelho de Mateus é um evangelho eh que faz parte desse grupo de evangelhos sinóticos, né? são os três evangelhos, digamos, mais, entre aspas, históricos, que tem uma narrativa de uma maneira um pouco mais linear. E o evangelho de Mateus é considerado por vários teólogos de Novo Testamento como um evangelho, digamos, mais judaico, um evangelho que tá mais preocupado com questões judaicas, mais preocupado em relatar eh Jesus como aquele que cumpre as profecias, de pontuar Jesus como esse cumprimento de profecias do Antigo Testamento, da Bíblia Hebraica, né? Parece eh, que o Evangelho de Mateus tem esse foco narrativo, tem esse pensamento num público específico, o público eh dos judeus, o público daqueles que eram eh israelitas na época de Jesus e pra frente também. E o Evangelho de Mateus, ele até pontua isso de uma maneira bem bem clara em um determinado momento. É uma passagem que aparece em Marcos, aparece em Lucas também, mas em Mateus aparece com uma com uma nuance. Então, se você tem sua Bíblia, seu aplicativo, você pode abrir em Mateus capítulo 10, ali no momento em que Jesus envia os discípulos para uma missão. E aí em Mateus tem uma nuance que nos outros Evangelhos, em Marcos e Lucas não tem. Mateus capítulo 10 verso 5 diz assim: "Jesus enviou os 12 com as seguintes instruções: Não se dirijam aos gentios, nem entrem em cidade alguma dos samaritanos. Antes dirijam-se às ovelhas perdidas da casa de Israel. E por onde for, preguem essa mensagem: O reino de Deus está próximo." Então, quando vocês forem pregar, não vão pros gentios, não entrem em cidades samaritanas, vão paraas ovelhas perdidas da casa de Israel. O meu evangelho, a minha pregação é para as ovelhas perdidas da casa de Israel. Há um foco narrativo aqui. A ideia de que Jesus vai pregar para um grupo, para um para um para um povo específico, pro seu povo. Jesus era judeu. Então ele vai falar pros seus, né? E esse é o é a direção do Evangelho de Mateus. Só que obviamente a gente tem algumas exceções. Eu vou pontuar duas exceções extremamente importantes que formam, de uma certa maneira uma moldura narrativa. A primeira dessas exceções está lá em Mateus capítulo 8, uma história famosa, a história de Jesus com o centurião romano, um homem importante, uma figura militar, romano, portanto, como a gente costuma dizer, pagão de uma outra religião, de uma outra eh eh etnia e também de um outro estilo de vida. Esse centurião tem um servo que tá sofrendo, um servo que tá doente e ele se achega perto de Jesus e ele pede que Jesus cure esse servo que tá sofrendo. E Jesus fala: "Tá bom, vamos lá". E o centurião logo na sequência acrescenta: "Olha, eu não sou digno de te receber na minha casa. Então eu sei que se o Senhor falar daqui mesmo, o meu servo lá na casa vai ser curado. E aí Jesus diz assim sobre essa situação com o centurião, Mateus capítulo 8 verso 10 em diante diz assim: "Ao ouvir isso, Jesus admirou-se e disse aos que seguiam: Digovos a verdade, não encontrei em Israel ninguém com tamanha fé. Eu lhes digo que muitos virão do oriente, do ocidente. Sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus, mas os súditos do reino serão lançados para fora nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes. Jesus então disse: "Centureão: "Vá, porque como você creu, assim acontecerá". E na mesma hora o servo foi curado. Então Jesus diz: "Olha, não tem ninguém com uma fé dessa." E Jesus faz uma cura à distância. Mas Jesus acrescenta um detalhe interessante nessa cura à distância. Ele diz assim: "Olha, virão pessoas do ocidente, do oriente, vão se sentar à mesa de Abraão, Isaque e Jacó, mas aqueles do reino serão lançados fora." Então vai vir gente de longe que vai sentar na mesa, mas os que estão na mesa vão ser lançados fora. E aqui fica um uma coisa meio mais explicada, né? Que que que isso daqui quer dizer, né? Jesus, ao mesmo tempo que ele valoriza a fé de um gentil, de uma pessoa pagã, de uma pessoa de fora, de uma outra crença, de uma outro estilo de vida, ele diz que aqueles que estão na mesa com ele, ou seja, aqueles que estão em volta dele, vão ser lançados fora. Muitos vão vir de fora e os que estão dentro vão ser lançados fora. Maravilha. O outro episódio é um episódio que a gente já trabalhou aqui mais extensamente na série chamada Excluídos incluídos. Então, se você quiser voltar lá para ver esse episódio, vale a pena. É a história que tá relatada lá em Mateus, capítulo eh 15, e que Mateus conta de um jeito e o os outros evangelistas contam de outro, né? Em Marcos ela é chamada de cirofení, mas aqui em Mateus a mulher é chamada de cananita. Então, se você tem sua Bíblia lá, Mateus capítulo 15, Jesus ele se retira, né, da da região ali com judeus de Israel e tal, ele vai para Tiro Sidom. E a região de Tiroidon seria o que hoje é o Líbano. E Josefo chama essa região de Tiricidom de região de amargos inimigos. Então, era uma região hostil a Jesus. Jesus e aos judeus. Jesus se retira para lá e Jesus está sentado à mesa comendo. A gente sabe aqui pelo contexto. E uma mulher, segundo Mateus, uma mulher cananita se aprochega, se achega até ele e pede para que a sua filha endemoniada seja curada. E aqui a gente tem alguns detalhes importantes. O primeiro é que há uma força adicional na narrativa quando Mateus diz que ele era uma mulher cananita. Por quê? Porque quando você fala, quando você usa a expressão cananita, o que que vem na sua mente como leitor da Bíblia? Imagina o que vinha na mente daqueles que estavam escutando ou vivendo a história, né? Você fala cananita. Canaã, você lembra da promessa de Deus a Abraão, a Isaque, Jacó, aquela promessa de que eles vão herdar uma terra, a terra de Canaã, a terra que mana leite mel. Você lembra dos espias espiando a terra de Canaã? Você lembra da conquista da terra de Canaã. E aí você, ao lembrar da conquista, você lembra de que em vários momentos Deus mandou matar os cananitas, inclusive matar mulheres, crianças e animais. E Deus disse: "Vocês vão entrar nessa terra. Eu não quero que vocês façam aliança com as pessoas dessa terra. Eu não quero que vocês tenham contato. Vocês vão matar todo mundo ou expulsar todo mundo. Ordem de Deus, né, pro pessoal. Então, quando você fala cananita, vem uma série de coisas pesadas na sua cabeça, inclusive dessa conquista da Terra. Pessoas pagãs, outras religiões, outro estilo de vida, pessoas completamente de foras. é um termo que vem carregado de preconceito. E além dela ser uma mulher cananita, ela vem pedir uma coisa também carregada de bastante preconceito. Ela vem pedir para que Deus, para que Jesus expulse um demônio da filha dela. Seja, a filha tá endemoniada. E a gente pensa, bom, é óbvio, né? Mulher cananita vai saber que costumes ela tinha, vai saber o que ela fazia. Seja, uma mulher cananita. Texto vem carregado com esse preconceito que tem uma filha endemoniada e ela vem pedir para Jesus no meio, provavelmente de uma refeição para que Jesus cure a sua filha, para que Jesus expulse os demônios. E vocês lembram que o diálogo que se que se segue é um diálogo complexo, é um diálogo tenso, porque Jesus repete a ideia que aparece em Mateus capítulo 10, que a gente acabou de ler ainda agora, porque Jesus diz: "Eu vim primeiro para os da casa de Israel. Eu vim primeiro pros de dentro. Eu vim primeiro para as pessoas do meu povo, vim para as ovelhas perdidas de Israel. Não vim para todo mundo. Eu vim para aqueles que estão aqui, pros meus. E é irônico porque Jesus tá em Tiraidom, ou seja, ele tá fora da região de Israel, tá num ambiente hostil. Ele diz: "Eu não vim para vocês, apesar de estar aqui, eu vim pros meus. Vocês estão fora?" E ela insiste, não, mas eu sei que o senhor pode, eu sei que o senhor pode Jesus fala assim: "Olha, é justo que eu tire o pão dos meus para dar pros cachorrinhos." E é uma frase dura, uma frase difícil. O cachorrinho é um termo desumanizador e ao mesmo tempo carregado de preconceito. E os judeus chamavam samaritanos e chamavam gentios de cachorros. E os samaritanos, os romanos, chamavam judeus de cachorros. Também tinha toda essa linguagem desumanizadora entre eles, porque eles não se gostavam, agora viviam em hostilidade. E Jesus usa essa hostilidade. Jesus expulsa alguém da mesa, algo que a gente não imagina, mas Jesus expulsa alguém falou: "Não, você não sai, não tem nada para você aqui, sai." E aquela mulher não arred, o que que ela diz? Os cachorrinhos, até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa. Eu não vou embora. Eu não vou embora. Ela resiste à fala de Jesus, uma fala dura, agressiva. E aí Jesus responde dizendo, verso 28 do capítulo 15 de Mateus, mulher, grande é a sua fé. Seja conforme você deseja. E naquele mesmo instante a filha dela foi curada. Ou seja, no evangelho em que o foco são, é o público judaico. Duas histórias narradas de gentius, de pessoas pagãs, de pessoas de fora do povo de Israel sendo curadas. E nas duas histórias Jesus fala: "Grande é a sua fé". Sua fé é grande, é gigante. E essa história aqui é pesada, porque Jesus enchota a pessoa e a pessoa não arred do pé e diz: "Eu não vou embora". Eu sei o que o Senhor pode fazer. E Jesus cura. E no meio dessa moldura, dessas duas histórias, a gente tem um capítulo relevante, que é o capítulo 12 do Evangelho de Mateus. E o capítulo 12 do Evangelho de Mateus, ele tem uma estrutura curiosa. Ele começa do verso um em diante até o verso eh 14, contando uma história que a gente trabalhou aqui há alguns dias atrás, algumas semanas atrás, que é a história do homem da mão ressequida, que é curado no sábado. E vocês lembram disso que Jesus entra na sinagoga e Jesus entra na sinagoga para cultuar, etc. E tinha um homem com a mão ressequida. A gente viu essa história lá no Evangelho de Lucas. E aí Jesus tem toda uma discussão sobre o sábado com as pessoas e ele cura aquele homem. E depois de curar aquele homem, Mateus e Marcos e Lucas vão dizer que as pessoas queriam matar Jesus porque ele curou aquele homem no sábado e dentro da sinagoga. E a gente já falou que Jesus aqui ele tá resgatando essa graça do sábado, resgatando essa mensagem de amor e de graça relacionada à lei, colocando que existe alguma coisa que tá acima de tudo, que é a graça, que é a misericórdia, que é o amor. A gente falou sobre isso. Os cura e as pessoas querem [Música] matá-lo. Ele cura alguém no sábado dentro da sinagoga. Ele cura um judeu, alguém de dentro, alguém das ovelhas perdidas da casa de Israel. Jesus cura. Jesus age com graça, com misericórdia, com amor e as pessoas querem matá-lo. E aí na sequência do Evangelho de Mateus diz que Jesus retirou-se daquele lugar, o verso 15, e muitos o seguiam e ele foi curando todo mundo. E ele dizia pras pessoas: "Olha, não contem que eu tô fazendo isso daqui". E aí Mateus diz que isso aconteceu para que se cumprisse a profecia. E Mateus menciona Isaías capítulo 42 do verso 1 até o verso 4. E aqui a menção de Isaías é uma menção parafrásica. Ele tá parafraseando Isaías 40, não tá repetindo exatamente o que tá escrito em Isaías 42. E aqui pela linguagem que ele usa, a gente percebe que ao invés de mencionar septoaginta, ele tá mencionando o texto massorético, tá mencionando o texto hebraico, tá com a ideia na cabeça do texto hebraico de Isaías, capítulo 42, que tem algumas nuances diferentes, a gente não tem tempo de explorar aqui. E o que que diz lá em Isaías capítulo 42? Eu vou ler para vocês, do verso 1 até o verso 7. Diz assim: "Eis o meu servo, a quem sustento meu escolhido em quem tenho prazer. Porém nele o meu espírito, ele trará justiça às nações." E aqui a palavra nações é a palavra goim, que vem de goi, que significa gentil ou nação. Então ele trará justiça aos gentios. Não gritará, nem clamará, não erguerá sua voz nas ruas, não quebrará o caniço rachado e não apagará o pavio fumegante. Com fidelidade fará justiça, nem Com fidelidade fará justiça, não mostrar fraqueza e nem se deixará ferir até que estabeleça a justiça na terra. Em sua lei, as ilhas porão sua esperança. Verso 5. É o que diz o Senhor, aquele que criou os céus e estendeu e espalhou a terra e tudo que dela procede, que dá fôlego aos seus moradores e vida aos que andam nela. Eu, Senhor, chamei meu servo para a justiça. Segurarei firme a sua mão. Eu guardarei e farei dele um mediador para o povo e uma luz para os gentios, para abrir os olhos aos cegos, para libertar da prisão dos cativos, para livrar do calaboços que habitam na escuridão. Esse é o primeiro canto do servo. E alguns dizem que são quatro cantos do servo aqui nessa sessão de Isaías. E aqui é o primeiro canto do servo. E o que que esse cântico tá dizendo? Tá dizendo: "Olha, Deus se agrada do servo. O servo tem o espírito de Deus. O servo vai trazer justiça para os gentios. O servo não vai ser violento, o servo vai ser persistente. A mensagem que ele trazer, ele vai persistir na missão dele. O servo é luz, é mediador para o povo, ou seja, para Israel, pros gentius, ou seja, pros de fora, e pros pequeninos, pros cegos, pros que estão presos, pros pobres e assim por diante. E a gente vê exatamente se cumprindo no ministério de Jesus. Mas quando a gente volta lá para Mateus capítulo 12 e a gente entende que Mateus joga esse texto logo depois da cura do homem da mão ressequida no sábado dentro da sinagoga, assim, pô, não faz sentido. Jesus curou um judeu dentro de uma sinagoga. Jesus tá curando pessoas que estavam ao redor dele, seguindo ele, todos do povo, parte do povo. E aí Mateus diz assim: "Esse é o servo do Senhor em quem está o espírito. Ele vai trazer justiça pros gentios. Mas ele acabou de curar um judeu e os judeus não o reconheceram naquele momento. Vários quiseram matá-lo. Aí o texto continua, tem outra história. E aqui levaram um endemoniado para Jesus que era cego e mudo e Jesus o curou. E todo o povo se maravilhou e disseram: "Nossa, olha, ele faz sinais, ele faz milagres, etc e tal". Mas os líderes religiosos reagiram como? Vocês lembram? Isso é uma passagem importantíssima para alguns que tem o tal do pecado contra o espírito, tá? A galera, os líderes que vem Jesus expulsando aquele demônio, vão começar a dizer: "Ele expulsa demônios e faz milagres". Mas não é no poder de Deus, é no poder do diabo. Ele é filho do diabo. Ele tá endemoniado também. Ele é filho de Beusebu. Ele tem um pacto com capeta para fazer isso daí. E Jesus fala assim: "Ah, é, eu, o filho do homem, tô vindo no poder de Deus para curar e vocês estão dizendo que isso eu tô fazendo pelo poder do diabo. Vocês não têm um espírito mais." Isso. Vocês estão pecando contra o espírito. E é interessante porque agora começa a fazer um pouco de sentido. O que que Isaías 42 começa dizendo? O servo tem o quê? tem o espírito. O servo tá ungido pelo espírito e essa unção do espírito faz com que ele leve justiça pros gentios. E agora ele expulso o endemoniado do povo, ou seja, de Israel, dos judeus, e é acusado de tá fazendo obras em nome de Beusebu, em nome do diabo. E aí na sequência do texto, a partir do verso 38, então alguns dos fariseus chegaram até ele, mestre da lei, disseram: "Mestre, queremos ver um sinal milagroso feito por ti." Jesus curou um cara com a mão ressequida na sinagoga no sábado. Todo mundo viu. Jesus expulsou um endemoniado, cego e mordo. Desculpa, quase espirrei. Jesus expulsou um endemoniado cego e mudo lá e foi acusado de estar fazendo obra em nome de Deus. Esses caras vêm, esses líderes falam assim: "A gente quer ver mais sinais, mais milagres". E aí Jesus fica nervoso e fala assim: "Olha, vocês são uma geração perversa e adúltera, porque vocês pedem um sinal milagroso, mas nenhum sinal será dado a vocês, exceto o sinal do profeta Jonas." E aí ele fala: "Jonas esteve três dias e três noites no vendido do no ventre do peixe. E assim o filho do homem ficará três dias e três noites no coração da terra. Os homens de Nínime se levantarão contra esta geração e a condenarão, pois eles se arrependeram com a pregação de Jonas e agora está aqui alguém que é maior do que Jonas. A rainha do Sul se levantará no juízo com essa geração e a condenará, pois é, ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E agora está aqui alguém que é maior do que Salomão. Jesus fala de um sinal de Jonas. O sinal de Jonas tem a ver com a morte e ressurreição dele, mas não apenas com a morte e ressurreição dele. O sinal de Jonas tem a ver com a conversão dos ninivitas. E aqui a gente também fez uma série sobre isso chamado peixe e o verme. E vocês podem assistir, são quatro episódios. A gente fala longamente sobre isso. Eu vou resumir resumidamente mesmo aqui. Jonas vai pregar em Nínive. Níive era dos assírios. Os assírios eram inimigos de Israel. eram pessoas extremamente violentas. Violentas, muito violentas. Outros costumes, outra religião e muito violentos. E Jonas vai pregar. Jonas não quer pregar. Jonas Deus manda Jonas pregar. Jonas diz que não vai pregar. Deus manda o peixe. O peixe engole Jonas. Tô resumindo. O peixe vomita Jonas em Ninive. Jonas tem que pregar em Ninive. Vai lá, prega em Ninive. Jonas prega e um dia ele percorre a cidade inteira. prega de qualquer jeito, em 40 dias vocês vão ser destruídos. E diz o texto que a cidade toda se arrepende. Se arrepende da violência que eles cometiam e Deus decide não destruir a cidade. E Jonas fica muito bravo com Deus. E Jonas diz: "Eu não queria vir aqui porque eu sei que você é bonzinho, que você perdoa as pessoas". Jonas fica bravo com a misericórdia e a graça de Deus. Ele não aceita que Deus seja bonzinho com os inivitas. E aqui Jesus diz assim: "Vocês não estão aceitando o meu ministério, vocês estão pedindo um sinal. Eu vou dizer, sabe qual o sinal de que eu sou o filho do homem? De que eu sou o Messias? De que eu sou Cristo, de que eu sou o cumprimento das profecias? O sinal é o sinal de Jonas. Eu não preciso fazer milagre. Sabe qual o sinal de Jonas? Eu vou morrer, vou ressuscitar. Mas não é só isso. Os gentios, os ninivitas vão crer, os de fora vão crer, os pagãos vão crer. E esse é o sinal. Esse é o sinal de que eu sou o filho do homem, de que eu sou Jesus, o Cristo, o Messias, de que eu sou o servo prometido por Isaías. Um evangelho que tinha um público alvo específico, pensado por Mateus, construído. Esse evangelho, duas curas, dois milagres Jesus são realçados, feitos pra gente de fora, feitos pros gentios. E aqui na construção do capítulo 12, que tá no meio aí do capítulo 8 e do capítulo 15, do centurião e da mulher cananita. No meio esse capítulo apresenta uma estrutura interessante. Jesus faz o milagre pros pro povo, pros de dentro, pros judeus. Milagre no sábado, querem matá-lo. Mateus fala que Jesus é o servo que veio para trazer justiça pros gentios. Jesus expulsa um demônio daqueles que estavam perto, próximos do povo, judeus. Eles falam: "Esse cara faz obras no nome do diabo e não de Deus. E não aceitam, rejeitam". Na sequência, Mateus fala, coloca na boca de Jesus as palavras, dizendo que Jesus diz: "Eu, o milagre que eu vou fazer é o sinal de Jonas." Ou seja, os gentios vão crer. Os gentios vão crer. Aqueles que você não querem pregar como Jonas não quis, não quis. Aqueles que vocês não aceitam como Jonas não aceitava. Esses vão crer e eles vão testemunhar contra vocês. E agora começa a fazer sentido o que foi dito por Jesus pro centurião e o que acontece com a mulher cananita. Vão vir muitos de fora, mas muitos de dentro serão lançados fora. E qual é o balanço nessa construção que Mateus tá fazendo? Em primeiro lugar, eu quero repetir uma coisa para vocês que é muito importante, que a gente não pensa sobre. Quando os evangelistas escolhem contar as histórias que eles [Música] contam, é porque existe uma mensagem nessas histórias. Há muitas histórias que eles podiam ter narrado sobre Jesus, mas eles escolheram essas. Por que essas? Por narrar do jeito que eles narraram? Por que colocar as palavras que eles colocaram? Porque Mateus, esse evangelho, pensando num público judaico do povo de Israel, por que colocar essas histórias de curas dos gentios? Por que citar Isaías 42 e o servo que veio para trazer justiça pros gentios? E quando os evangelistas escolhem colocar na boca de Jesus palavras que Jesus disse, mas eles escolhem contar essas histórias e colocar essas palavras. Quando eles dizem Jesus disse isso e colocam na boca de Jesus textos do Antigo Testamento, que são textos que falam de gente de fora vindo, gente de fora crendo. Existe um porquê essas escolhas acontecerem e a gente muitas vezes não atenta para elas. Quando a gente termina o Evangelho de Mateus, capítulo 28, famosa grande comissão evangélica, o texto diz: "Vão e façam discípulos de todas as nações". E aqui o grego retinê, que do hebraico é goi, que significa gentil. Façam discípulos entre quem? Entre os gentios. Batizamos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinamos a obedecer tudo que lhes ordenei e estarei sempre com vocês até que venha o fim dos tempos. Quando Mateus vai falar da missão de Jesus, ele diz: "Ele é o servo que veio trazer justiça pros gentios". Quando Mateus termina o evangelho dele, ele diz que Jesus falou: "Vão e façam discípulos entre os gentios". A missão de Jesus, a missão que a missão que Jesus disse que era a dele, ele torna a nossa missão. Agora, qual a relevância disso? Como é que a gente pode entender essas histórias amarradas por Mateus nessa sequência que cumina nessa grande comissão de vão e façam discípulos entre os gentios? Primeiro que Jesus tá valorizando, que o evangelista que Mateus tá valorizando contar histórias de cura que aconteceram fora das molduras, dos limites do povo e dos religiosos da época. Tá dizendo que Jesus não veio apenas para alguns, mas Jesus veio para todos. Para todos. para aqueles de outras nações, pros gentios, para aqueles de outras religiões, para aqueles de outras culturas, de outros estilos de vida, de outras realidades. Ele veio literalmente para todos. E quando a gente pensa na mulher cananita ou no romano, quando a gente pensa nessas pessoas, a gente esquece das religiões dessas pessoas com deuses diversos. entidades diversas, crenças confusas. Essas pessoas, se a gente for se comparar com a nossa realidade hoje, são pessoas do candomblé, da Umbanda, espíritas e que nós temos um tremendo preconceito. Eu era moleque no Rio, tinha um monte de encruzilhada, antigamente tinha mais aquelas oferendas da encruzilhada. Como é que você passa? dá uma desviada, né? Porque você passa muito perto, vai que o espírito entra em você, né? É diabólico. E quantas vezes a gente escuta as histórias, né? Ai, eu tenho medo de ir na casa de fulano que ele é espírita. Ai, eu fui na casa de uma mãe de santa, tem uma energia negativa. Ai, fulana é do candomblé. se ela fizer um trabalho contra mim. E a gente tem medo. E é relevante que Jesus não chega pro Romano e fala assim: "Cara, quantos deuses vocês têm? Você sabe que é só um, né? Se você crê em mim como único Deus, aí eu te aí eu curo o seu servo. Olha, você sabe que existe uma lei. Não terás outros deus diante de mim. Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus em vão. Lembra-te do dia de sábado. Honra teu pai e tua mãe. Você guarda a lei e guarda. Maravilha. Então eu vou curar teu servo pra mulher cananita. Você não quer ir embora? Sai. Sai. Não, não vou embora, senor. Você vai curar tal. Não, mas pera aí. Primeiro deixa dar um estudo bíblico sobre a Bíblia. Você sabe que tem o Antigo Testamento, na Bíblia hebraica tem os pentateucos. Já ouvi falar de Moisés? Josué de juízes. Jesus cura. Jesus age com graça, assim como ele age com graça dentro do povo. Agora, se o povo não aceitava a graça de Jesus para eles mesmos, imagina se eles aceitavam a graça de Jesus pros outros de fora. Não aceitavam. E aqui eu quero do nada falar sobre uma realidade que muito me lembra a realidade da mulher cananita em Mateus 15, que muito me lembra a realidade do sinal de Jonas que Jesus tá falando. Porque se vocês conhecem pessoas que estão aqui na comunidade ou que estão em outras igrejas cristãs espalhadas por aí e são LGBT, você entende a história da mulher cananita de fato e de verdade. Essas pessoas são enchotadas das igrejas cristãs. são agredidas nas igrejas cristãs, abusadas emocionalmente nas igrejas cristãs. E elas continuam vindo, cara. Elas não arredam o pé. São enchotadas, mas dizem: "Eu não vou embora porque eu creio. Eu não vou embora porque eu amo Jesus Cristo." Vocês t noção do que é isso? A maior parte de nós não tem. A gente nunca fui enchotado de lugar nenhum. E elas não arredam pé. Eu já falei para um amigo meu LGBT, falei assim: "Cara, se eu tivesse sofrido 1% do que você sofreu, eu nunca mais pisava numa igreja. E você tá todo sábado, toda semana na igreja, meu, você é você, sei lá, você precisa de terapia, né? Tá aguentando demais. Eu não sei como é que você aguenta tanto, mas o cara tá lá. A gente prega para certas pessoas, para essas pessoas e para outras pessoas. Sabe como é que a gente prega? De qualquer jeito. A gente bota, a gente coloca lá, não, Deus ama o pecador, mas odeio o pecado e a gente prega assim, tipo, cara, tomara que esse cara não aceite Jesus. Tomara que ele não aceite o evangelho, porque já vai dar muito trabalho esse cara na igreja. E a gente enfia um monte de coisa. falar não, a gente inventa celibato, tal. Aí vai inventando um monte de coisa e jogando pá pá pá pá. Se for assim, aí você pode vir. Se for assado, você pode vir. Se for não sei o que lá, você pode vir. Enchotando. E para mim, o sinal de Jonas, sabe o que que é o sinal de Jonas? Além da morte e ressurreição de Cristo. O sinal de Jonas é que essas pessoas creem apesar da gente. O sinal é que essas pessoas amam a Deus e a Jesus Cristo apesar da gente, porque a gente é meio como Jonas. O fato é que Jesus chama as pessoas de fora e diz: "Entrem à mesa de vocês". Mas o texto diz que muitos de dentro que não aceitam essa graça de Jesus ampliada e estendida a todos de fora, é vocês que não aceitam, meu amigo, vocês correm risco de ser lançados fora. Eu retomo uma ideia que já falamos nessa série. A graça é sim o divisor de águas pros dois grupos. Pros que dizem, pro que Deus diz, vinde benditos de meu pai, pro Deus diz, não conheço vocês. Aceitar a graça para você e pros outros é a mensagem de Cristo Jesus. Ter nosso pai e nosso rei. Senhor, a gente a gente tem uma visão limitada do teu reino. A gente quer decidir para quem é o teu reino. A gente quer decidir como é o teu reino. A gente quer dizer o que pode, e o que não pode no teu reino. Mas quando a gente lê a tua palavra, o Senhor constantemente, através de Jesus Cristo, através dos profetas, o Senhor questiona essas limitações que a gente coloca. E o Senhor demonstra que o teu reino é muito maior do que aquele que nós estamos pensando que estamos construindo para ti. que o teu reino é gigante, se multiplica para pessoas que a gente despreza, mas que apesar da gente aceitam Jesus Cristo como Senhor e Salvador, mas que apesar da gente aceitam de alguma maneira a realidade da tua graça. Senhor, nos ajude a abrirmos mão das chaves que a gente acha que tem do teu reino e vivermos de verdade esse reino que é para todas as pessoas, independente de qualquer coisa. É o que nós pedimos em nome de Cristo Jesus. Amém.