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A fé vem pelo ouvir

Sermão: Não Arredem o Pé

Sermão: Não Arredem o Pé

Sermão: Não Arredem o Pé

Décimo primeiro Sermão da série Graça, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse http://YouTube.com/@UCMaKF2MpWrhHASSPC1upIAw

Legendas automáticas:

Eterno nosso Pai e eterno nosso
rei. Muito obrigado por nos
amar, muito obrigado por nos receber de
braços
abertos. Obrigado por ver em nós teus
filhos
amados. E agora que mais uma vez vamos
abrir a tua
palavra, que o nosso coração e a nossa
mente estejam dispostos a te ouvir. O
que nós te imploramos em nome de Cristo.
Amém.
Bom dia para você que tá aqui, né, no
Teatro Wall, no Shopping Pat Genópolis.
Para você que tá em casa, talvez seja
boa tarde, boa noite, boa madrugada, não
sei. Mas é um prazer receber vocês e
passar esses momentos aqui com vocês. A
gente tá na série intitulado Graça. Esse
é o 11º episódio e hoje a gente eh vai
falar um pouquinho sobre o Evangelho de
Mateus, né? O Evangelho de Mateus é um
evangelho eh que faz parte desse grupo
de evangelhos sinóticos, né? são os três
evangelhos, digamos, mais, entre aspas,
históricos, que tem uma narrativa de uma
maneira um pouco mais linear. E o
evangelho de Mateus é considerado por
vários teólogos de Novo Testamento como
um evangelho, digamos, mais judaico, um
evangelho que tá mais preocupado com
questões judaicas, mais preocupado em
relatar eh Jesus como aquele que cumpre
as profecias, de pontuar Jesus como esse
cumprimento de profecias do Antigo
Testamento, da Bíblia Hebraica, né?
Parece eh, que o Evangelho de Mateus tem
esse foco narrativo, tem esse pensamento
num público específico, o público eh dos
judeus, o público daqueles que eram eh
israelitas na época de Jesus e pra
frente também. E o Evangelho de Mateus,
ele até pontua isso de uma maneira bem
bem clara em um determinado momento. É
uma passagem que aparece em Marcos,
aparece em Lucas também, mas em Mateus
aparece com uma com uma nuance. Então,
se você tem sua Bíblia, seu aplicativo,
você pode abrir em Mateus capítulo 10,
ali no momento em que Jesus envia os
discípulos para uma missão. E aí em
Mateus tem uma nuance que nos outros
Evangelhos, em Marcos e Lucas não tem.
Mateus capítulo 10 verso 5 diz assim:
"Jesus enviou os 12 com as seguintes
instruções: Não se dirijam aos gentios,
nem entrem em cidade alguma dos
samaritanos. Antes dirijam-se às ovelhas
perdidas da casa de Israel. E por onde
for, preguem essa mensagem: O reino de
Deus está próximo." Então, quando vocês
forem pregar, não vão pros gentios, não
entrem em cidades samaritanas, vão
paraas ovelhas perdidas da casa de
Israel. O meu evangelho, a minha
pregação é para as ovelhas perdidas da
casa de Israel. Há um foco narrativo
aqui. A ideia de que Jesus vai pregar
para um grupo, para um para um para um
povo específico, pro seu povo. Jesus era
judeu. Então ele vai falar pros seus,
né? E esse é o é a direção do Evangelho
de Mateus. Só que obviamente a gente tem
algumas exceções. Eu vou pontuar duas
exceções extremamente importantes que
formam, de uma certa maneira uma moldura
narrativa. A primeira dessas exceções
está lá em Mateus capítulo 8, uma
história famosa, a história de Jesus com
o centurião romano, um homem importante,
uma figura militar, romano, portanto,
como a gente costuma dizer, pagão de uma
outra religião, de uma outra eh eh etnia
e também de um outro estilo de vida.
Esse centurião tem um servo que tá
sofrendo, um servo que tá doente e ele
se achega perto de Jesus e ele pede que
Jesus cure esse servo que tá sofrendo.
E Jesus fala: "Tá bom, vamos lá". E o
centurião logo na sequência acrescenta:
"Olha, eu não sou digno de te receber na
minha casa. Então eu sei que se o Senhor
falar daqui mesmo, o meu servo lá na
casa vai ser curado. E aí Jesus diz
assim sobre essa situação com o
centurião, Mateus capítulo 8 verso 10 em
diante diz assim: "Ao ouvir isso, Jesus
admirou-se e disse aos que seguiam:
Digovos a verdade, não encontrei em
Israel ninguém com tamanha fé. Eu lhes
digo que muitos virão do oriente, do
ocidente. Sentarão à mesa com Abraão,
Isaque e Jacó no reino dos céus, mas os
súditos do reino serão lançados para
fora nas trevas, onde haverá choro e
ranger de dentes. Jesus então disse:
"Centureão: "Vá, porque como você creu,
assim acontecerá". E na mesma hora o
servo foi curado. Então Jesus diz:
"Olha, não tem ninguém com uma fé
dessa." E Jesus faz uma cura à
distância. Mas Jesus acrescenta um
detalhe interessante nessa cura à
distância. Ele diz assim:
"Olha, virão pessoas do ocidente, do
oriente, vão se sentar à mesa de Abraão,
Isaque e Jacó, mas aqueles do reino
serão lançados fora." Então vai vir
gente de longe que vai sentar na mesa,
mas os que estão na
mesa vão ser lançados fora. E aqui fica
um uma coisa meio mais explicada, né?
Que que que isso daqui quer dizer, né?
Jesus, ao mesmo tempo que ele valoriza a
fé de um gentil, de uma pessoa pagã, de
uma pessoa de fora, de uma outra crença,
de uma outro estilo de vida, ele diz que
aqueles que estão na mesa com ele, ou
seja, aqueles que estão em volta dele,
vão ser lançados fora. Muitos vão vir de
fora e os que estão dentro vão ser
lançados fora.
Maravilha. O outro episódio é um
episódio que a gente já trabalhou aqui
mais extensamente na série chamada
Excluídos incluídos. Então, se você
quiser voltar lá para ver esse episódio,
vale a pena. É a história que tá
relatada lá em Mateus, capítulo eh 15, e
que Mateus conta de um jeito e o os
outros evangelistas contam de outro, né?
Em Marcos ela é chamada de cirofení, mas
aqui em Mateus a mulher é chamada de
cananita. Então, se você tem sua Bíblia
lá,
Mateus capítulo
15, Jesus ele se retira, né, da da
região ali com judeus de Israel e tal,
ele vai para Tiro Sidom. E a região de
Tiroidon seria o que hoje é o Líbano. E
Josefo chama essa região de Tiricidom de
região de amargos
inimigos. Então, era uma região hostil a
Jesus. Jesus e aos judeus. Jesus se
retira para lá e Jesus está sentado à
mesa comendo. A gente sabe aqui pelo
contexto. E uma mulher, segundo Mateus,
uma mulher cananita se aprochega, se
achega até ele e pede para que a sua
filha endemoniada seja curada. E aqui a
gente tem alguns detalhes importantes. O
primeiro é que há uma
força adicional na narrativa quando
Mateus diz que ele era uma mulher
cananita. Por quê? Porque quando você
fala, quando você usa a expressão
cananita, o que que vem na sua mente
como leitor da Bíblia? Imagina o que
vinha na mente daqueles que estavam
escutando ou vivendo a história, né?
Você fala cananita. Canaã, você lembra
da promessa de Deus a Abraão, a Isaque,
Jacó, aquela promessa de que eles vão
herdar uma terra, a terra de Canaã, a
terra que mana leite mel. Você lembra
dos espias espiando a terra de Canaã?
Você lembra da conquista da terra de
Canaã. E aí você, ao lembrar da
conquista, você lembra de que em vários
momentos Deus mandou matar os cananitas,
inclusive matar mulheres, crianças e
animais. E Deus disse: "Vocês vão entrar
nessa terra. Eu não quero que vocês
façam aliança com as pessoas dessa
terra. Eu não quero que vocês tenham
contato. Vocês vão matar todo mundo ou
expulsar todo mundo. Ordem de Deus, né,
pro pessoal. Então, quando você fala
cananita, vem uma série de coisas
pesadas na sua cabeça, inclusive dessa
conquista da
Terra. Pessoas
pagãs, outras religiões, outro estilo de
vida, pessoas completamente de foras. é
um termo que vem carregado de
preconceito. E além dela ser uma mulher
cananita, ela vem pedir uma coisa também
carregada de bastante preconceito. Ela
vem pedir para que Deus, para que Jesus
expulse um demônio da filha dela. Seja,
a filha tá endemoniada. E a gente pensa,
bom, é óbvio, né? Mulher cananita vai
saber que costumes ela tinha, vai saber
o que ela
fazia. Seja, uma mulher cananita. Texto
vem carregado com esse preconceito que
tem uma filha endemoniada e ela vem
pedir para Jesus no meio, provavelmente
de uma refeição para que Jesus cure a
sua filha, para que Jesus expulse os
demônios. E vocês lembram que o diálogo
que se que se segue é um diálogo
complexo, é um diálogo
tenso, porque Jesus repete a ideia que
aparece em Mateus capítulo 10, que a
gente acabou de ler ainda agora, porque
Jesus diz: "Eu vim primeiro para os da
casa de Israel. Eu vim primeiro pros de
dentro. Eu vim primeiro para as pessoas
do meu povo, vim para as ovelhas
perdidas de Israel. Não vim para todo
mundo. Eu vim para aqueles que estão
aqui, pros meus. E é irônico porque
Jesus tá em Tiraidom, ou seja, ele tá
fora da região de Israel, tá num
ambiente hostil. Ele diz: "Eu não vim
para vocês, apesar de estar
aqui, eu vim pros
meus. Vocês estão fora?"
E ela insiste, não,
mas eu sei que o senhor pode, eu sei que
o senhor pode Jesus fala assim: "Olha, é
justo que eu tire o pão dos meus para
dar pros
cachorrinhos." E é uma frase dura, uma
frase difícil. O cachorrinho é um termo
desumanizador e ao mesmo tempo carregado
de
preconceito. E os judeus chamavam
samaritanos e chamavam gentios de
cachorros. E os samaritanos, os romanos,
chamavam judeus de cachorros. Também
tinha toda essa linguagem desumanizadora
entre eles, porque eles não se gostavam,
agora viviam em hostilidade. E Jesus usa
essa hostilidade. Jesus expulsa alguém
da
mesa, algo que a gente não imagina, mas
Jesus expulsa alguém falou: "Não, você
não
sai, não tem nada para você aqui,
sai." E aquela mulher não arred, o que
que ela
diz? Os cachorrinhos, até os
cachorrinhos comem das migalhas que caem
da mesa. Eu não vou embora.
Eu não vou
embora. Ela resiste à fala de Jesus, uma
fala dura,
agressiva. E aí Jesus responde dizendo,
verso 28 do capítulo 15 de
Mateus, mulher, grande é a sua fé. Seja
conforme você deseja. E naquele mesmo
instante a filha dela foi curada. Ou
seja, no
evangelho em que o foco são, é o público
judaico. Duas histórias narradas de
gentius, de pessoas pagãs, de pessoas de
fora do povo de Israel sendo curadas. E
nas duas histórias Jesus fala: "Grande é
a sua fé". Sua fé é grande, é
gigante. E essa história aqui é pesada,
porque Jesus enchota a pessoa e a pessoa
não arred do pé e diz: "Eu não vou
embora". Eu sei o que o Senhor pode
fazer. E Jesus cura. E no meio dessa
moldura, dessas duas histórias, a gente
tem um capítulo relevante, que é o
capítulo 12 do Evangelho de Mateus.
E o capítulo 12 do Evangelho de Mateus,
ele tem uma estrutura
curiosa. Ele começa do verso um em
diante até o verso eh 14, contando uma
história que a gente trabalhou aqui há
alguns dias atrás, algumas semanas
atrás, que é a história do homem da mão
ressequida, que é curado no sábado. E
vocês lembram disso que Jesus entra na
sinagoga e Jesus entra na sinagoga para
cultuar, etc. E tinha um homem com a mão
ressequida. A gente viu essa história lá
no Evangelho de Lucas. E aí Jesus tem
toda uma discussão sobre o sábado com as
pessoas e ele cura aquele homem. E
depois de curar aquele homem, Mateus e
Marcos e Lucas vão dizer que as pessoas
queriam matar Jesus porque ele curou
aquele homem no sábado e dentro da
sinagoga.
E a gente já falou que Jesus aqui ele tá
resgatando essa graça do sábado,
resgatando essa mensagem de amor e de
graça relacionada à lei, colocando que
existe alguma coisa que tá acima de
tudo, que é a graça, que é a
misericórdia, que é o amor. A gente
falou sobre isso. Os cura e as pessoas
querem
[Música]
matá-lo. Ele cura alguém no sábado
dentro da sinagoga. Ele cura um
judeu, alguém de dentro, alguém das
ovelhas perdidas da casa de Israel.
Jesus cura. Jesus age com graça, com
misericórdia, com amor e as pessoas
querem
matá-lo. E aí na sequência do Evangelho
de Mateus diz que Jesus retirou-se
daquele lugar, o verso 15, e muitos o
seguiam e ele foi curando todo
mundo. E ele dizia pras pessoas: "Olha,
não contem que eu tô fazendo isso
daqui". E aí Mateus diz que isso
aconteceu para que se cumprisse a
profecia.
E Mateus menciona Isaías capítulo
42 do verso 1 até o verso
4. E aqui a menção de Isaías é uma
menção parafrásica. Ele tá parafraseando
Isaías 40, não tá repetindo exatamente o
que tá escrito em Isaías 42.
E aqui pela linguagem que ele usa, a
gente percebe que ao invés de mencionar
septoaginta, ele tá mencionando o texto
massorético, tá mencionando o texto
hebraico, tá com a ideia na cabeça do
texto hebraico de Isaías, capítulo 42,
que tem algumas nuances diferentes, a
gente não tem tempo de explorar
aqui. E o que que diz lá em Isaías
capítulo
42? Eu vou ler para vocês, do verso 1
até o verso 7. Diz assim: "Eis o meu
servo, a quem sustento meu escolhido em
quem tenho prazer. Porém nele o meu
espírito, ele trará justiça às nações."
E aqui a palavra nações é a palavra
goim, que vem de goi, que significa
gentil ou nação. Então ele trará justiça
aos gentios.
Não gritará, nem clamará, não erguerá
sua voz nas ruas, não quebrará o caniço
rachado e não apagará o pavio fumegante.
Com fidelidade fará justiça, nem Com
fidelidade fará justiça, não mostrar
fraqueza e nem se deixará ferir até que
estabeleça a justiça na
terra. Em sua lei, as ilhas porão sua
esperança. Verso 5. É o que diz o
Senhor, aquele que criou os céus e
estendeu e espalhou a terra e tudo que
dela procede, que dá fôlego aos seus
moradores e vida aos que andam nela. Eu,
Senhor, chamei meu servo para a justiça.
Segurarei firme a sua mão. Eu guardarei
e farei dele um mediador para o povo e
uma luz para os gentios, para abrir os
olhos aos cegos, para libertar da prisão
dos cativos, para livrar do calaboços
que habitam na
escuridão. Esse é o primeiro canto do
servo. E alguns dizem que são quatro
cantos do servo aqui nessa sessão de
Isaías.
E aqui é o primeiro canto do
servo. E o que que esse cântico tá
dizendo? Tá dizendo: "Olha, Deus se
agrada do servo. O servo tem o espírito
de
Deus. O servo vai trazer justiça para os
gentios.
O servo não vai ser
violento, o servo vai ser persistente. A
mensagem que ele trazer, ele vai
persistir na missão
dele. O servo é luz, é mediador para o
povo, ou seja, para Israel, pros
gentius, ou seja, pros de fora, e pros
pequeninos, pros cegos, pros que estão
presos, pros pobres e assim por
diante. E a gente vê exatamente se
cumprindo no ministério de Jesus. Mas
quando a gente volta lá para Mateus
capítulo
12 e a gente entende que Mateus joga
esse texto logo depois da cura do homem
da mão ressequida no sábado dentro da
sinagoga, assim, pô, não faz
sentido. Jesus curou um judeu dentro de
uma sinagoga. Jesus tá curando pessoas
que estavam ao redor dele, seguindo
ele, todos do povo, parte do
povo. E aí Mateus diz assim: "Esse é o
servo do Senhor em quem está o espírito.
Ele vai trazer justiça pros gentios. Mas
ele acabou de curar um judeu e os judeus
não o reconheceram naquele momento.
Vários quiseram
matá-lo. Aí o texto
continua, tem outra história. E aqui
levaram um endemoniado para Jesus que
era cego e mudo e Jesus o curou. E todo
o povo se maravilhou e disseram: "Nossa,
olha, ele faz sinais, ele faz milagres,
etc e tal". Mas os líderes religiosos
reagiram como? Vocês lembram? Isso é uma
passagem importantíssima para alguns que
tem o tal do pecado contra o espírito,
tá? A galera, os líderes que vem Jesus
expulsando aquele demônio, vão começar a
dizer: "Ele expulsa demônios e faz
milagres". Mas não é no poder de Deus, é
no poder do diabo. Ele é filho do diabo.
Ele tá endemoniado também. Ele é filho
de Beusebu. Ele tem um pacto com capeta
para fazer isso daí.
E Jesus fala assim: "Ah, é, eu, o filho
do homem, tô vindo no poder de Deus para
curar e vocês estão dizendo que isso eu
tô fazendo pelo poder do diabo. Vocês
não têm um espírito
mais." Isso. Vocês estão pecando contra
o
espírito. E é interessante porque agora
começa a fazer um pouco de sentido. O
que que Isaías 42 começa
dizendo? O servo tem o quê?
tem o
espírito. O servo tá ungido pelo
espírito e essa unção do espírito faz
com que ele leve justiça pros gentios.
E agora ele expulso o endemoniado do
povo, ou seja, de Israel, dos
judeus, e é acusado de tá fazendo obras
em nome de Beusebu, em nome do
diabo. E aí na sequência do texto, a
partir do verso
38, então alguns dos fariseus chegaram
até ele, mestre da lei, disseram:
"Mestre, queremos ver um sinal milagroso
feito por ti."
Jesus curou um cara com a mão ressequida
na sinagoga no sábado. Todo mundo viu.
Jesus expulsou um endemoniado, cego e
mordo.
Desculpa, quase
espirrei. Jesus expulsou um endemoniado
cego e mudo
lá e foi acusado de estar fazendo obra
em nome de Deus. Esses caras vêm, esses
líderes falam assim: "A gente quer ver
mais sinais, mais milagres". E aí Jesus
fica nervoso e fala assim: "Olha, vocês
são uma geração perversa e adúltera,
porque vocês pedem um sinal
milagroso, mas nenhum sinal será dado a
vocês, exceto o sinal do profeta
Jonas." E aí ele fala: "Jonas esteve
três dias e três noites no vendido do no
ventre do peixe. E assim o filho do
homem ficará três dias e três noites no
coração da terra.
Os homens de Nínime se levantarão contra
esta geração e a condenarão, pois eles
se arrependeram com a pregação de Jonas
e agora está aqui alguém que é maior do
que Jonas. A rainha do Sul se levantará
no juízo com essa geração e a condenará,
pois é, ela veio dos confins da terra
para ouvir a sabedoria de Salomão. E
agora está aqui alguém que é maior do
que
Salomão. Jesus fala de um sinal de
Jonas. O sinal de Jonas tem a ver com a
morte e ressurreição dele, mas não
apenas com a morte e ressurreição dele.
O sinal de Jonas tem a ver com a
conversão dos
ninivitas. E aqui a gente também fez uma
série sobre isso chamado peixe e o
verme. E vocês podem assistir, são
quatro episódios. A gente fala
longamente sobre isso. Eu vou resumir
resumidamente mesmo aqui. Jonas vai
pregar em Nínive. Níive era dos
assírios. Os assírios eram inimigos de
Israel. eram pessoas extremamente
violentas. Violentas, muito
violentas. Outros costumes, outra
religião e muito
violentos. E Jonas vai pregar. Jonas não
quer pregar. Jonas Deus manda Jonas
pregar. Jonas diz que não vai pregar.
Deus manda o peixe. O peixe engole
Jonas. Tô
resumindo. O peixe vomita Jonas em
Ninive. Jonas tem que pregar em Ninive.
Vai lá, prega em Ninive. Jonas prega e
um dia ele percorre a cidade inteira.
prega de qualquer jeito, em 40 dias
vocês vão ser destruídos. E diz o texto
que a cidade toda se
arrepende. Se arrepende da violência que
eles
cometiam e Deus decide não destruir a
cidade. E Jonas fica muito bravo com
Deus. E Jonas diz: "Eu não queria vir
aqui porque eu sei que você é bonzinho,
que você perdoa as pessoas". Jonas fica
bravo com a misericórdia e a graça de
Deus. Ele não aceita que Deus seja
bonzinho com os inivitas.
E aqui Jesus diz assim: "Vocês não estão
aceitando o meu
ministério, vocês estão pedindo um
sinal. Eu vou dizer, sabe qual o sinal
de que eu sou o filho do homem? De que
eu sou o Messias? De que eu sou Cristo,
de que eu sou o cumprimento das
profecias? O sinal é o sinal de Jonas.
Eu não preciso fazer milagre. Sabe qual
o sinal de Jonas? Eu vou morrer, vou
ressuscitar. Mas não é só
isso. Os
gentios, os
ninivitas vão
crer, os de fora vão
crer, os pagãos vão
crer. E esse é o sinal. Esse é o sinal
de que eu sou o filho do homem, de que
eu sou Jesus, o Cristo, o Messias, de
que eu sou o servo prometido por Isaías.
Um evangelho que tinha um público alvo
específico, pensado por Mateus,
construído. Esse
evangelho, duas curas, dois milagres
Jesus são realçados, feitos pra gente de
fora, feitos pros gentios.
E aqui na construção do capítulo 12, que
tá no meio aí do capítulo 8 e do
capítulo 15, do centurião e da mulher
cananita. No meio esse capítulo
apresenta uma estrutura interessante.
Jesus faz o milagre pros pro povo, pros
de dentro, pros
judeus. Milagre no sábado, querem
matá-lo. Mateus fala que Jesus é o servo
que veio para trazer justiça pros
gentios. Jesus expulsa um demônio
daqueles que estavam perto, próximos do
povo, judeus.
Eles falam: "Esse cara faz obras no nome
do diabo e não de Deus. E não aceitam,
rejeitam". Na sequência, Mateus fala,
coloca na boca de Jesus as palavras,
dizendo que Jesus diz: "Eu, o milagre
que eu vou fazer é o sinal de Jonas." Ou
seja, os gentios vão crer. Os gentios
vão
crer. Aqueles que você não querem pregar
como Jonas não quis, não quis. Aqueles
que vocês não aceitam como Jonas não
aceitava. Esses vão crer e eles vão
testemunhar contra
vocês. E agora começa a fazer sentido o
que foi dito por Jesus pro
centurião e o que acontece com a mulher
cananita.
Vão vir muitos de
fora, mas muitos de dentro serão
lançados
fora. E qual é o balanço nessa
construção que Mateus tá
fazendo? Em primeiro lugar, eu quero
repetir uma coisa para vocês que é muito
importante, que a gente não pensa sobre.
Quando os evangelistas escolhem contar
as histórias que eles
[Música]
contam, é porque existe uma mensagem
nessas
histórias. Há muitas histórias que eles
podiam ter narrado sobre Jesus, mas eles
escolheram
essas. Por que essas? Por narrar do
jeito que eles narraram? Por que colocar
as palavras que eles colocaram?
Porque Mateus, esse evangelho, pensando
num público judaico do povo de Israel,
por que colocar essas histórias de curas
dos gentios? Por que citar Isaías
42 e o servo que veio para trazer
justiça pros
gentios? E quando os evangelistas
escolhem colocar na boca de Jesus
palavras que Jesus disse, mas eles
escolhem contar essas histórias e
colocar essas palavras.
Quando eles dizem Jesus disse
isso e colocam na boca de Jesus textos
do Antigo
Testamento, que são textos que falam de
gente de fora vindo, gente de fora
crendo. Existe um porquê essas escolhas
acontecerem e a gente muitas vezes não
atenta para elas.
Quando a gente termina o Evangelho de
Mateus, capítulo
28, famosa grande comissão
evangélica, o texto diz: "Vão e façam
discípulos de todas as nações". E aqui o
grego
retinê, que do hebraico é goi, que
significa
gentil. Façam discípulos entre quem?
Entre os gentios.
Batizamos em nome do Pai, do Filho e do
Espírito Santo. Ensinamos a obedecer
tudo que lhes ordenei e estarei sempre
com vocês até que venha o fim dos
tempos. Quando Mateus vai falar da
missão de Jesus, ele diz: "Ele é o servo
que veio trazer justiça pros
gentios". Quando Mateus termina o
evangelho dele, ele diz que Jesus falou:
"Vão e façam discípulos entre os
gentios".
A missão de
Jesus, a missão que a missão que Jesus
disse que era a dele, ele torna a nossa
missão. Agora, qual a relevância disso?
Como é que a gente pode entender essas
histórias amarradas por Mateus nessa
sequência que cumina nessa grande
comissão de vão e façam discípulos entre
os gentios?
Primeiro que Jesus tá
valorizando, que o evangelista que
Mateus tá valorizando contar histórias
de cura que aconteceram
fora das molduras, dos limites do povo e
dos religiosos da época. Tá dizendo que
Jesus não veio apenas para alguns, mas
Jesus veio para
todos. Para todos.
para aqueles de outras nações, pros
gentios, para aqueles de outras
religiões, para aqueles de outras
culturas, de outros estilos de vida, de
outras
realidades. Ele veio literalmente para
todos. E quando a gente pensa na mulher
cananita ou no romano, quando a gente
pensa nessas pessoas, a gente esquece
das religiões dessas
pessoas com deuses diversos.
entidades diversas, crenças
confusas. Essas pessoas, se a gente for
se comparar com a nossa realidade hoje,
são pessoas do
candomblé, da Umbanda,
espíritas e que nós temos um tremendo
preconceito. Eu era moleque no Rio,
tinha um monte de
encruzilhada, antigamente tinha mais
aquelas oferendas da encruzilhada. Como
é que você passa?
dá uma desviada, né? Porque você passa
muito perto, vai que o espírito entra em
você, né? É
diabólico. E quantas vezes a gente
escuta as histórias, né? Ai, eu tenho
medo de ir na casa de fulano que ele é
espírita. Ai, eu fui na casa de uma mãe
de santa, tem uma energia
negativa. Ai, fulana é do candomblé. se
ela fizer um trabalho contra
mim. E a gente tem
medo. E é relevante que Jesus não chega
pro Romano e fala assim: "Cara, quantos
deuses vocês têm? Você sabe que é só um,
né? Se você crê em mim como único
Deus, aí eu te aí eu curo o seu servo.
Olha, você sabe que existe uma lei. Não
terás outros deus diante de mim. Não
tomarás o nome do Senhor, teu Deus em
vão. Lembra-te do dia de sábado. Honra
teu pai e tua mãe. Você guarda a lei e
guarda. Maravilha. Então eu vou curar
teu
servo pra mulher cananita. Você não quer
ir embora? Sai. Sai. Não, não vou
embora, senor. Você vai curar tal. Não,
mas pera aí. Primeiro deixa dar um
estudo bíblico sobre a
Bíblia. Você sabe que tem o Antigo
Testamento, na Bíblia hebraica tem os
pentateucos. Já ouvi falar de Moisés?
Josué de
juízes. Jesus cura. Jesus age com
graça, assim como ele age com graça
dentro do
povo. Agora, se o povo não aceitava a
graça de Jesus para eles
mesmos, imagina se eles aceitavam a
graça de Jesus pros outros de
fora. Não aceitavam.
E aqui eu quero do
nada falar sobre uma realidade que muito
me lembra a realidade da mulher cananita
em Mateus 15, que muito me lembra a
realidade do sinal de Jonas que Jesus tá
falando. Porque se vocês conhecem
pessoas que estão aqui na comunidade ou
que estão em outras igrejas cristãs
espalhadas por aí e são
LGBT, você entende a história da mulher
cananita de fato e de verdade. Essas
pessoas são
enchotadas das igrejas
cristãs. são agredidas nas igrejas
cristãs, abusadas emocionalmente nas
igrejas
cristãs. E elas continuam vindo,
cara. Elas não arredam o
pé. São enchotadas, mas dizem: "Eu não
vou embora porque eu
creio. Eu não vou embora porque eu amo
Jesus
Cristo." Vocês t noção do que é isso?
A maior parte de nós não tem. A gente
nunca fui enchotado de lugar
nenhum. E elas não arredam pé. Eu já
falei para um amigo meu LGBT, falei
assim: "Cara, se eu tivesse sofrido 1%
do que você sofreu, eu nunca mais pisava
numa igreja. E você tá todo sábado, toda
semana na igreja, meu, você é você, sei
lá, você precisa de terapia,
né? Tá aguentando demais. Eu não sei
como é que você aguenta tanto, mas o
cara tá lá.
A gente prega para certas pessoas, para
essas pessoas e para outras pessoas.
Sabe como é que a gente prega? De
qualquer
jeito. A gente bota, a gente coloca lá,
não, Deus ama o pecador, mas odeio o
pecado e a gente prega assim, tipo,
cara, tomara que esse cara não aceite
Jesus. Tomara que ele não aceite o
evangelho, porque já vai dar muito
trabalho esse cara na
igreja. E a gente enfia um monte de
coisa. falar não, a gente inventa
celibato, tal. Aí vai inventando um
monte de coisa e jogando pá pá pá pá. Se
for assim, aí você pode vir. Se for
assado, você pode vir. Se for não sei o
que lá, você pode
vir.
Enchotando. E para mim, o sinal de
Jonas, sabe o que que é o sinal de
Jonas?
Além da morte e ressurreição de Cristo.
O sinal de Jonas é que essas pessoas
creem apesar da
gente. O sinal é que essas pessoas amam
a Deus e a Jesus Cristo apesar da gente,
porque a gente é meio como
Jonas. O fato é que Jesus chama as
pessoas de fora e diz: "Entrem à mesa de
vocês".
Mas o texto diz que muitos de dentro que
não aceitam essa graça de Jesus ampliada
e estendida a todos de
fora, é vocês que não aceitam, meu
amigo, vocês correm risco de ser
lançados
fora. Eu retomo uma ideia que já falamos
nessa
série. A graça é sim o divisor de
águas pros dois grupos.
Pros que dizem, pro que Deus diz, vinde
benditos de meu pai, pro Deus diz, não
conheço
vocês. Aceitar a graça para você e pros
outros é a mensagem de Cristo Jesus.
Ter nosso pai e nosso
rei. Senhor, a
gente a gente tem uma visão limitada do
teu
reino. A gente quer decidir para quem é
o teu
reino. A gente quer decidir como é o teu
reino. A gente quer dizer o que pode, e
o que não pode no teu
reino. Mas quando a gente lê a tua
palavra, o Senhor
constantemente, através de Jesus Cristo,
através dos profetas, o Senhor questiona
essas limitações que a gente coloca.
E o Senhor demonstra que o teu reino é
muito maior do que aquele que nós
estamos pensando que estamos construindo
para
ti. que o teu reino é gigante, se
multiplica
para
pessoas que a gente
despreza, mas que apesar da gente
aceitam Jesus Cristo como Senhor e
Salvador, mas que apesar da gente
aceitam de alguma maneira a realidade da
tua
graça. Senhor, nos ajude a abrirmos
mão das chaves que a gente acha que tem
do teu
reino e vivermos de verdade esse reino
que é para todas as pessoas,
independente de qualquer coisa. É o que
nós pedimos em nome de Cristo Jesus.
Amém.

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