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A fé vem pelo ouvir

1984 – The Big Brother – A Rebelião | 01 O Terremoto | Josemar Bessa

1984 – The Big Brother  – A Rebelião | 01 O Terremoto | Josemar Bessa

1984 – The Big Brother – A Rebelião | 01 O Terremoto | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Sob o céu azul de 1eo de novembro de
1755, Lisboa, a joia reluzente de
Portugal pulsava com a reverência do dia
de todos os santos. Suas ruas de
paralepípedos, polidas por séculos de
passos, repousavam em silêncio, enquanto
250.000 almas se congregavam nas
catedras góticas, cujas torres
perfuravam o firmamento como lanças de
fé.
Velas tremeluziam em altares de ouro,
vitrais explodiam em mosaicos de luz
rubra e azul. E o aroma acre do incenso
envolvia os fiéis em uma promessa de
eternidade, como se o próprio céu
descesse para abraçar a cidade. Nas
naves abarrotadas, hinos subiam em
ondas, entrelaçando vozes de pescadores,
nobres e monges, todos unidos na certeza
de um Deus que governa o cosmos com
sabedoria. e
bondade. Mas como uma página rasgada de
um manuscrito proibido guardado em
cofres secretos, a terra gemeu. Um
rugido grave, confundido por alguns como
rolar de carruagens festivas atrasadas
para os cultos. Cresceu em um crescendo
aterrador, como se o próprio abismo se
abrisse
sobe. Tremores de magnitude 8.5 a 9.1,
Um, liberando a energia cataclíssmica de
475 megatons de TNT, equivalente a
32.000 bombas de Hiroshima, despedaçaram
o coração de Portugal em minutos.
Catedrais desmoronaram em avalanches de
mármore. Colunas estilhaçadas esmagaram
fiéis em oração. Vigas de carvalho
secular tombaram como árvores
arrancadas. e fragmentos de vitrais.
Outrora janelas para o divino. Choveram
como lâminas.
Antes que os sobreviventes pudessem
correr, um tsunami de ondas de 9 a 13 m
rugiu pelo rio Tejo. Um leviatã de
espuma e fúria, esmagando navios, pies
muros marítimos, arrastando corpos para
um túmulo aquático. E como se a ira da
criação não bastasse, incêndios. Dragões
libertos das entrãs da terra devoraram
Lisboa por semanas, consumindo
mosteiros, palácios, bibliotecas e
mercados, reduzindo a cidade a um
deserto de cinzas que fumegava por quase
6 anos. Estima-se que 30.000 a 40.000
vidas foram ceifadas e a devastação,
espalhando-se por 5,8 milhões de milhas
quadradas, marcou não apenas a crosta
terrestre, mas a alma do
ocidente. O grande terremoto de Lisboa
não foi uma mera tragédia de pedra e
carne. Foi um terremoto metafísico,
cujas réplicas abriram fissuras na
confiança em um Deus sábio, poderoso e
benevolente, lançando o teísmo cristão
em um tribunal público onde o mal se
tornou o acusador supremo, inaugurando a
crise moderna da teodisseia.
Entre no cubículo claustrofóbico de
Winston Smith em
1984, George Owell, 1949, onde o ar
zumbido de máquinas e o peso do olhar
onipresente do grande irmão, cujos
cartazes proclamam uma ordem tão
sufocante quanto os escombros que
sepultaram Lisboa.
com dedos trêmulos altera registros
históricos no Ministério da Verdade,
apagando verdades para conformar o
passado a narrativa do partido. Mas um
aguilhão em sua mente, um sussurro de
rebelião, o impede de se render à
mentira. Ele é um conspirador solitário,
como os fiéis que emergiram das ruínas
de Lisboa. Seus olhos embaçados pela
poeira, suas almas perfuradas por
perguntas que desafiam a ordem divina. O
criador ouve os gritos sob escombros
porque permite o mal. Seria Deus apenas
uma ilusão como a liberdade prometida
pelo partido?
1984 é nosso codice criptografado, um
manuscrito despótico que decifra a crise
da teodiceia, onde o partido como o
Iluminismo, reescreve a verdade divina,
substituindo o Deus da Bíblia por um
Deus revisionista, tão impotente quanto
o grande irmão tirânico. Wston, em
segredo, rabisca um diário proibido, um
ato de resistência contra a simulação
que nega a memória do real. Assim como
os sobreviventes de Lisboa, tatiando
entre os destroços, buscavam fragmentos
de fé em um mundo que parecia abandonado
por Deus. Ele é o herdeiro espiritual
daqueles fiéis, um buscador que sente a
eternidade no coração, como Eclesiastes
3:11, sussurra com melancolia. Deus
colocou a eternidade no coração dos
homens. Ainda assim, eles não podem
compreender o que ele fez. Mas em
Oceânia, como em Lisboa pós
1755, o verbo encarnado de João 1:14 é
suprimido. Sua luz ofuscada por uma
simulação que glorifica o sofrimento sem
propósito, desafiando a glória da cruz
que redime o mal com uma vitória que
ecoa em João 16:33. Eu venci o mundo. O
terremoto de Lisboa não foi apenas um
cataclismo físico, foi uma conspiração
cósmica que abalou as fundações do
teísmo cristão, que por séculos moldaram
o Ocidente com a certeza de um Deus
soberano, cuja providência guiava cada
folha que caía e cada coração que batia.
Pela primeira vez, desde que o
cristianismo transformara o império
romano, Deus enfrentou um julgamento
público, acusado de indiferença ante o
sofrimento de suas criaturas. Como se o
grande irmão, em sua vigilância fria,
observasse os escombros de Lisboa, sem
mover um dedo, enquanto Wston, em seu
cubículo, sente o peso de uma verdade
apagada. Nos salões esfumaçados da
Europa, como câmaras secretas, onde
conspiradores tramam contra o partido,
filósofos, teólogos, estadistas,
pastores, intelectuais reuniam-se em
debates febr, suas vozes ecoando as
interrogações proibidas de Winston. O
criador se importa com os inocentes
esmagados sob o mármore? Porque não
interveio para deter o tsunami? Seria o
mal apenas um capricho da natureza?
desvinculado do divino. Deveria Deus,
sequer ser mencionado? Essas perguntas
como lema do partido, quem controla o
passado controla o futuro. Quem controla
o presente controla o passado. Eram
dinamite lançada contra a cosmovisão
teocêntrica, marcando o início de uma
revolução intelectual que ao longo de
dois séculos e meio, colocou o Deus da
Bíblia em cheque, deixando a humanidade
perdida em um labirinto de confusão
sobre o bem, o mal e o propósito da dor.
Em o estrangeiro, Albert Cami apresenta
Merser, um homem que encara o absurdo da
vida com diferença, como se o sofrimento
fosse apenas um fato bruto, sem
significado. Lisboa, como Oceânia, é
esse palco do absurdo, onde o mal
desafia a providência divina e a crise
da teodissé se torna o grito de uma era
que, como Wston, arrisca tudo para
preservar um fragmento de verdade em seu
diário. Um vislumbre do verbo que
transcende o controle opressivo do
grande irmão. A devastação de Lisboa não
se limitou às vidas ceifadas ou às
ruínas fumegantes. Ela desencadeou uma
tempestade filosófica que varreu o
ocidente, como as ondas do Tejo varreram
os cais. Pela primeira vez, o problema
do mal não foi apenas lamentado em
púlpitos ou meditado em mosteiros. foi
levado às praças, aos cafés, aos salões,
onde vozes se erguiam em acusação contra
o criador, como Wston se ergue contra o
partido, sabendo que sua rebelião pode
custar sua alma. O terremoto, com sua
força de 475 megatons, foi mais do que
um evento geológico. Foi um divisor de
águas, um portal para era secular, onde
a fé seria desafiada não por hereges,
mas por uma nova ortodoxia, a razão
humana que, como partido, prometia
emancipação, mas entregava correntes. Os
fiéis de Lisboa, tatiando entre os
escombros, eram como Wiston, buscando um
sinal de verdade em um mundo onde a
história é reescrita e Deus apagado.
Para compreender a crise do mal em nossa
era, devemos traçar essa trajetória do
terremoto que abalou Lisboa a distopia
que aprisiona Won. rumo ao logos que,
com a autoridade de um rei vitorioso,
proclama em João
16:33: "Tende bom ânimo, eu venci o
mundo". O aguilhão do mal que perforou
Lisboa e pulsa na mente de Wiston é o
chamado para essa vitória. Um convite a
romper a simulação e buscar a glória que
redime o
sofrimento. As cinzas de Lisboa ainda
fumegavam um testemunho silencioso do
terremoto que abalou não apenas a terra,
mas a fé de uma civilização. quando uma
nova tempestade se formava nos salões
esfumaçados da Europa, onde filósofos
como conspiradores em uma trama
clandestina tramavam uma revolução que
mudaria o curso da história. O
Iluminismo, emergindo como uma força tão
implacável quanto as sentinelas do
partido em
1984, prometia emancipar a humanidade
das correntes do teísmo bíblico,
intronizando a razão humana como
soberana suprema. Uma rainha coroada em
um trono de pergaminhos e telescópios, o
humanismo secular. Assim como Wston
Smith, curvado em seu cubículo, sente o
aguilhão da verdade sob a vigilância do
grande irmão, que reescreve a história
para pagar qualquer vestígio de
liberdade. A Europa após Lisboa sentiu o
peso de uma nova ordem, onde o Deus da
Bíblia, outrora o arquiteto do cosmos,
foi reduzido a um ser supremo abstrato,
um espectro desprovido de transcendência
relegado à periferia como um prisioneiro
em uma sala de oceania. O Iluminismo,
com sua bandeira de liberdade, liberdade
do passado, de Deus, da autoridade,
euava o grito rebelde de Salmos 2, 1 e
3. Porque se amotinam as nações e os
povos tramam em
vão. Essa revolução mais audaciosa que a
reforma protestante do século X não
buscava recuperar a ortodoxia cristã,
mas derrubá-la, substituindo o
teocentrismo medieval por um
antropocentrismo que, como partido,
proclamava a autonomia humana enquanto
forjava correntes invisíveis, tão
opressivas quanto as telas de vigilância
que monitoram cada suspiro de Wiston.
No coração dessa conspiração
intelectual, Renê Descartes, com sua
máxima cogito, ergusum, penso, logo
existo, acendeu a primeira chama da
rebelião epistemológica, um fósforo
lançado contra o tecido da revelação
divina. Em sua busca por uma base
racional para o conhecimento, Descartes
colocou a autoconsciência humana acima
da verdade divina, como se a mente fosse
um oráculo infalível, capaz de decifrar
o cosmos sem a luz das Escrituras. Assim
como o partido reescreve o passado para
afirmar seu domínio, Descartes
reescreveu a epistemologia, declarando
que o homem, não, Deus, é a fonte do
saber.
Em os irmãos Kramazov, Fodor Dostoyevsk
através de Ivan Kramazov alerta para o
perigo dessa autonomia. Se Deus não
existe, tudo é permitido. O Iluminismo,
com sua confiança cega na razão, abriu
as portas para essa permissividade,
transformando a mente humana em um
ídolo, um grande irmão que exige
lealdade absoluta, enquanto a verdade
bíblica era submetida ao escrutínio do
método histórico crítico, uma lâmina
fiada que buscava desse a inspiração,
autoridade e suficiência das escrituras.
Como Winston de secaria registros para
pagar memórias indesejadas.
Emanuel Kant, um sucessor de descartes,
radicalizou essa revolução com a audácia
de um conspirador que decifra um código
proibido. Em religião dentro dos limites
da razão pura, Kant distinguiu o mundo
nomenal, o domínio das coisas em si,
onde a fé reside, mas é incognissível,
do mundo fenomênico, acessível pela
razão e pela ciência. A fé confinada ao
nominal tornou-se uma sombra incerta,
enquanto a razão no fenomênico assumiu o
cetro da verdade. Como o Ministério da
Verdade, que fabrica fatos para
sustentar a narrativa do partido, Kant
subordinou a revelação divina a razão
humana, declarando que todas as
reivindicações da fé devem ser julgadas
por um tribunal intelectual, não pela
voz de Deus. Essa dicotomia, como uma
câmera de vigilância que separa Won da
sua própria história, isolou o homem do
transcendente, lançando em um labirinto
de subjetivismo que pavimentou o caminho
para o pós-modernismo tão difundido no
humanismo secular que domina a nossa
cultura e, infelizmente, grande parte da
igreja de nossos dias. Em assim falou o
Zaratustra, Freder Niet lamenta a
consequência dessa ruptura. Tudo vai,
tudo volta. A roda do ser gira
eternamente. O Iluminismo, como o
partido, girava à roda da razão, mas em
vez de liberdade entregava um vazio que
ecoava nas ruas de Oceânia, onde Won com
seu diário luta para preservar um
fragmento de verdade contra a
manipulação totalitária. O Iluminismo
não apenas redefiniu a epistemologia,
transformou a visão de Deus, do homem e
da criação. O Deus bíblico, pessoal,
transcendente e imanente, a quem devemos
tudo, foi despojado de seu mistério,
domesticado em um deísmo que o reduzia a
um relojiro distante, supervisionando o
cosmos por causas secundárias
impessoais. Como o grande irmão, cuja
face é onipresente, mas cuja presença é
intangível, o deus deísta perdeu sua
providência direta, sua soberania, sua
temível incomprebilidade, tornando-se
uma caricatura do Senhor que troveja em
Isaías 6:3. Santo, santo, santo é o
Senhor dos Exércitos. Enquanto isso, o
homem foi elevado ao centro do cosmos,
um ídolo esculpido à imagem do humanismo
renascentista, como o homem vitruviano
de Leonardo da Vin com suas proporções
perfeitas ou a estátua colossal de Davi
de Michelâelo, que com seus 4,12 m
celebra a grandeza humana na galeria da
academia. O Iluminismo levou essa
idolatria a extremos, declarando o homem
à medida de todas as coisas. Como o
partido declara que a realidade é o que
ele decreta? Wiston, em seu cubículo é o
herdeiro trágico dessa ilusão,
acreditando que sua mente pode resistir
à manipulação, mas descobrindo que, sem
uma verdade transcendente, ele é apenas
um peão em um jogo de poder. A ciência,
outrora, uma serva da teologia, também
foi sequestrada por essa conspiração
iluminista. Isaac Newton, com sua visão
teísta, viu o cosmos como um mecanismo
animado pela presença divina, onde a
gravitação universal dependia da
atividade imediata de Deus. Mas sua
precisão analítica mal interpretada deu
origem a uma visão mecanicista que
excluiu o criador. Como o partido exclui
a memória para sustentar sua narrativa.
A teoria da evolução de Darwin no final
do século XIX selou essa exclusão
proclamando um cosmos regido por causas
naturalistas, onde a criação foi
reduzida à natureza, um reino de matéria
e matemática sem mistério.
Em Admirável Mundo Novo, Aldos Huxley
retrata um futuro onde a ciência
substitui a transcendência e o homem,
anestesiado por prazeres, esquece sua
alma. O Iluminismo, como o regime de
Huxley, prometia progresso, mas
entregava um desencantamento que, como
as telas de Oceânia, vigia sem consolar,
deixando Won como os pensadores
pós-Lisboa a perguntar: "Onde está a
verdade em um mundo sem Deus?"
Essa rebelião da razão como a vigilância
do partido não trouxe liberdade, mas uma
prisão de subjetivismo, onde a ética, a
epistemologia e a ciência se
desvincularam do teísmo bíblico.
Jonathan Edwards, em A Liberdade da
Vontade, alertou contra o otimismo
ilusório do Iluminismo, que rejeitava o
pecado original e intronizava a
autonomia humana. Como Wiston, que sonha
com a resistência, mas teme a sala 101.
Edward sabia que a liberdade sem Deus é
uma ilusão, um eco do aviso de Romanos
1:21. Embora conhecessem a Deus, não o
glorificaram. O Iluminismo, com sua
conspiração contra o Logos, preparou o
terreno para a crise da teodiceia, onde
o mal, como os interrogatórios do
partido, desafia a bondade divina, mas
aponta paradoxalmente para a glória de
Cristo, que em João
16:33 proclama com a força de um rei
vitorioso: "Eu venci o mundo". nos
escombros fumegantes do Iluminismo, onde
a razão, como um grande irmão de olhos
frios, reescreveu a verdade divina e
baniu o Deus da Bíblia para as sombras
de um deísmo estéril, uma nova idolatria
emergiu, tão sedutora quanto os slogans
do partido em
1984, que prometem liberdade enquanto
forjam grilhões invisíveis. O
antropocentrismo erguido como um altar
reluzente no coração da Europa pós
Lisboa proclamava o homem como a medida
de todas as coisas. Um soberano auto
intronizado que, como Wston Smith em seu
cubículo claustrofóbico, acreditava-se
capaz de moldar o destino com as mãos da
razão, apenas para descobrir que sua
liberdade era uma ilusão, uma simulação
tão opressiva quanto as telas de
vigilância de Oceânia. O Iluminismo, com
sua conspiração contra o teocentrismo,
não apenas domesticou Deus, reduzindo a
um relojiro distante que supervisiona o
cosmos por leis impessoais, ele elevou a
humanidade a um pedestal de mármore,
esculpido com a arrogância de quem, como
partido, decreta que a realidade é o que
a mente humana determina. Essa idolatria
enraizada no humanismo renascentista
floresceu em proporções titânicas,
celebrando o homem como o homem
vetruviano de Leonardo da Vin como
Wston, que rabisca um diário proibido na
esperança de preservar sua humanidade
contra a desumanização do partido, o
homem iluminista descobriu que sua
coroação era uma farsa, uma corrente
disfarçada de coroa que o aprisionava em
um ciclo de vaidade, onde o mal como os
interrogatórios da sala 101 desafiava a
sua pretensa soberania. O
antropocentrismo iluminista, como a
propaganda do partido que proclama:
"Guerra é paz, liberdade é escravidão,
ignorância é força, era uma promessa de
emancipação que entregava servidão." No
século X, o teísmo cristão, com sua
visão de um Deus soberano que faz todas
as coisas segundo o conselho da sua
vontade, Efésios 1:11. era o alicerce do
ocidente, uma cosmovisão onde o homem
criado à imagem de Deus encontrava seu
propósito na subserviência ao criador.
Em 1800, o deísmo, com seu deus abstrato
e desprovido de providência direta,
tornou-se uma alternativa elegante. Em
1900, o ateísmo como a ortodoxia do
partido era uma escolha aceitável, um
sinal de que o homem havia se declarado
o árbitro do cosmos. Essa transição mais
radical que a reforma protestante foi um
golpe de estado espiritual onde a
humanidade, como Wiston, em seu momento
de rebelião, acreditou que poderia
reescrever a história sem o criador.
Renê Descartes, com seu cogito Ergosum,
penso, logo existo, havia plantado a
semente dessa revolução, afirmando que a
autoconsciência humana, não a revelação
divina, era a base do conhecimento.
Emanuel Kant, com sua dicotomia entre o
nominal e o fenomênico, aprofundou a
ruptura, relegando a fé a um domínio
incognissível, enquanto a razão reinava
no fenomênico, como o ministério da
verdade rege a narrativa de Oceânia. Mas
o antropocentrismo levou essa rebelião a
um clímax, declarando que o homem, não
deus, era o centro gravitacional do
universo. Um soberano que como partido
controlava a verdade, a moral e o
destino. Essa idolatria do homem, como a
vigilância do grande irmão que apaga a
individualidade de Winston, tinha raízes
no humanismo renascentista que celebrava
a dignidade humana com um fervor quase
religioso. O homem vitruviano, com suas
linhas geométricas perfeitas, era um
hino, a razão e a proporção. Enquanto o
David Michelangelo, com sua musculatura
esculpida e olhar desafiador, proclamava
a humanidade como uma obra prima
autossuficiente. O Iluminismo, porém,
transformou essa celebração em uma
apoteose, onde o homem não era apenas
digno, mas divino, capaz de moldar o
cosmos sem a interferência de um
criador. Como Wston, que sonha com a
resistência ao partido, mas é traído por
sua própria fragilidade na sala 101. O
homem iluminista acreditava-se livre,
mas era escravo de sua própria
arrogância. Em um retrato de Dorian
Grey, Oscar Wild retrata Dorian, que
busca eternidade na beleza humana,
apenas para descobrir que sua alma é
consumida pela vaidade. A verdade é um
espelho que nos mostra nu e nós o
quebramos, porque é insuportavelmente
real. O Iluminismo quebrou esse espelho
negando a verdade bíblica de Romanos
3:23. Todos pecaram e carecem da glória
de Deus. E proclamando que o homem como
partido, era infalível, capaz de criar
significado sem o verbo divino. A ética,
outrora ancorada na soberania de Deus,
foi arrancada de suas raízes bíblicas e
replantada no solo árido da razão
humana. Jean Jaques Rousseau, em Emily
rejeitou a doutrina do pecado original,
proclamando o homem como uma tábula
rasa, nascido inocente, moldado pelo
livre arbítrio. Uma visão que ecuava o
pelagianismo e desafiava o
agostinianismo revivido pelo calvinismo.
Como partido que nega a história para
sustentar sua narrativa, Roussea negou a
corrupção inata, declarando que a
sociedade, não o indivíduo, era a fonte
do mal. Jonathan Edwards em pecado
original contrapôs-se a esse otimismo
ilusório, alertando que a natureza
humana sem a graça divina é um abismo de
rebelião, como Wston descobre ao ser
quebrado pelo partido. Sua humanidade
dissolvida sob a pressão da sala 101. Em
os miseráveis, Vitor Hugo, através de
Jean Valjan, mostra que a redenção vem
não da autonomia humana, mas da graça
que transcende a lei. Amar outro é ver o
rosto de Deus. O Iluminismo, porém,
rejeitou essa graça, intronizando
princípios racionais universais, como a
base da moral, como se o homem pudesse
legislar o bem sem o criador. Como já
mencionamos, a ciência sequestrada pelo
naturalismo reforçou essa ilusão de
liberdade. Isaac Newton, com sua visão
teísta, viu cosmos como um mecanismo
animado por Deus, mas sua precisão
analítica mal interpretada alimentou uma
visão mecanicista que excluiu o criador.
Como partido exclui a memória para
sustentar sua tirania. A teoria da
evolução de Darwin em
1859 selou essa exclusão, reduzindo a
criação a um jogo de acaso, onde o homem
era apenas um acidente cósmico, não
reflexo da imagem divina. Como Wston,
que busca sentido em um diário que o
partido pode destruir, o homem
iluminista buscava propósito em um
cosmos desencantado, onde a natureza
substituía a criação e o mistério dava
lugar à matemática. O Iluminismo, como o
silêncio de Oceânia, abafou o profeta,
mas o aguilhão da eternidade, como em
Eclesiastes 3:11, persistia, desafiando
a ilusão de que o homem poderia ser seu
próprio salvador. Essa ilusão de
liberdade, como a promessa do partido de
que a obediência traz poder era uma
corrente que escravizava. O
antropocentrismo iluminista, ao colocar
o homem no centro, não libertou, mas o
isolou, como Wston, que em sua rebelião
solitária descobre que sem uma verdade
transcendente sua luta é van. A crise da
teodiceia desencadeada por Lisboa
intensificou-se nesse cenário onde o
mal, como os interrogatórios do partido,
parecia triunfar, desafiando a bondade
de um deus que o Iluminismo havia
despojado de soberania. Robert Owen, em
uma nova visão da sociedade culpava as
instituições, não os indivíduos, pela
corrupção, ecuando a negação do pecado
original. Mas como partido, sua solução
reformar a sociedade sem reformar o
coração gerava mais opressão. Em onde os
fracos não tem vez, Cormac Mcart,
através do xerife Bell reflete: "O mundo
não mudou, ele sempre foi assim. E quem
escolhe o mal encontrará seu fim
inexoravelmente. O Iluminismo escolheu o
mal da autonomia e sua crise como a
Wiston aponta para o verbo que em João
16:33 proclama com a força de um trovão:
"Eu venci o mundo". Esse é apenas o
começo nessa jornada sobre a negação de
Deus e a tragédia que vivemos sobre o
humanismo secular, mas também sobre a
inexorável vitória da verdade em Cristo,
o verbo de Deus. Olhando para o Big
Brother como uma parábola, que é um
personagem fictício no romance 1984 de
George Orell, vamos continuar olhando
paraa nossa cultura humanista secular,
que domina o pensamento de nossa era,
inclusive muito do que a igreja ensina
em nossos dias, absorvendo a
antropologia, sociologia, psicologia
secular e vendo juntos a liberdade que
flui apenas da verdade de Deus nas
Escrituras e no Verbo divino.
Até a próxima. Que o vento leve o véu do
meu
ego e que em cada
passo a tua
luz. Seja em mim o traço puro e
[Música]
sincero que dissolve a sombra e refaz a
luz.
Que meu riso traga o tom da tua
graça e que o tempo molde em mim tua
estação.
[Música]
Seja seiva que me cura a
alma, raiz
eterna do meu
coração. Que o vento leve o véu do meu
[Música]
ego e que em cada passo sea a tua luz.
Seja em mim o traço puro e
sincero que dissolve a sombra e refaz a
luz.
[Música]
Que meu riso traga o tom da tua
graça e que o tempo molde em mim tua
estação.
Eja aceiva que me
cura
alma. Raiz
eterna do meu
[Música]
coração. Sopra em mim amor que
acalma seja a chama me
aquecer. Vem regar meu chão de estrada
para em teu solo florescer.
Que o ontem fique preso ao que é
passado. Que o futuro seja em ti
reescrito. Tua palavra é casa e ar
sagrado. O caminho certo entre o não e o
[Música]
infinito. Eu me renda ao pulso
do teu
ritmo e disfaça os nós que eu mesmo
fiz. Seja norte em meio ao
labirinto. O farol que insiste em ter
raiz.
Pois não há lugar além da tua
essência. Nada brilha mais que o
teu
querer. Sou um grão perdido na
[Música]
imensidão, mas no teu amor só renascer.
[Música]
Que teu
ser se entregue ao
vento, que te
sopra sobre
[Música]
mim. Cristo sej
alce. Cristo sempre em mim. M.

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