A QUESTÃO DA LIBERDADE: LENDO O MANIFESTO COMUNISTA – Parte 13
06/05/2025
A QUESTÃO DA LIBERDADE: LENDO O MANIFESTO COMUNISTA – Parte 13
Pix: bruno@reikdal.net
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Fala minha gente, tudo bem? Bá para mais um conteúdo totalmente excelente aqui no nosso canalzinho. Desta vez a continuação da nossa leitura linha a linha comentada do manifesto comunista. Sim, esse texto tão mal tratado, tão mal cuidado, tão mal interpretado e em torno do qual são criados infinitos espantalhos e fantasmas para desviar a atenção da classe trabalhadora e distanciar de uma análise cuidadosa da realidade social, além de promover aí um grau de consciência de classe, ainda que você não concorde com que tá no livrinho. O importante é a gente se apropriar, se aproximar, discutir e ainda que para criticar, que seja de maneira qualificada e não sacando o texto fora de contexto para ser pretexto para qualquer coisa que você goste aí de fazer ou para criar pânico moral em torno da galera. Beleza? Dito isso, não esquece de curtir esse vídeo, comentar para já, espalhar a palavra por aí, dar uma olhadinha na descrição, porque lá tem a chave do Pix vai que tá sobrando uma aí para você poder apoiar o meu trabalho, além de considerar ser membro, membra, membre, membrezinha aqui do nosso Clazinho, porque temos conteúdos exclusivos para você semanalmente, além dos cursos que eu tenho ofertado e disponibilizado para a membresia do canal. E eu acho que você vai gostar bastante. Beleza? Dá uma olhadinha, considera aí, não esquece de se inscrever caso você goste desse tipo de conteúdo. E eu acho que essa leitura tem sido muito proveitosa, muito bacana. E nós vamos dar continuidade no nosso último encontro de leitura. Nós falamos um tanto sobre o papel que é desempenhado desde a sociedade capitalista, sobre esse modo de produção capitalista numa sociedade burguesa. Como dentro desta reprodução social o capital passa a desempenhar um papel de sujeito e nós acabamos nos convertendo em objetos em suas mãos. Há uma inversão desta relação na qual ele acaba decidindo sobre as nossas vidas. E o capitalista, aquele que é dono do meio de produção, acaba ocupando um papel central na manutenção dessa bagaça. Afinal, ele ocupa a posição de coordenador da Divisão Social do Trabalho à medida que decide os rumos dos investimentos e da dos produtos que são efeitos de uma produção, de uma organização social. Então, há um produto social desenvolvido sobre a combinação social de trabalho, né? vários trabalhinhos combinados, organizados, interdependentes, cujo resultado será consumido socialmente. Contudo, as decisões sobre quais os rumos desses produtos, dos investimentos, da inovação e tudo mais, são decididas não socialmente, senão de acordo com os interesses de um indivíduo em busca de lucro e não necessariamente de garantias de condições de produção e reprodução da vida no dia seguinte, o que seria propriamente uma organização econômica que pensa de maneira sustentável a própria reprodução social. Então nós vamos continuar a partir desse ponto e vamos ver aqui a questão do quê? a questão da liberdade, porque ao criticarmos a dinâmica sobre a qual essa sociedade burguesa se mantém e reproduz o modo de produção capitalista, somos acusados de estarmos contra a liberdade. Porque a liberdade, no caso, é a liberdade de um indivíduo apropriar-se do produto, do dos meios de produção e decidir sobre os rumos da produção e sobre os produtos, como eles serão feitos, realizados, concretizados na nossa história. Então a gente vai ver que ao criticar isso vão dizer: "Você está contra o livre comércio, você está contra a liberdade, você está contra aquela discurseira que a gente ouve todo dia". Mas vamos lá. Na sociedade burgua, o passado domina o presente. Na sociedade comunista é o presente que domina o passado. Na sociedade burguesa, o capital é independente e pessoal, ao passo que o indivíduo trabalha e é dependente e impessoal, que é o que eu acabei de comentar, a inversão, o capital se torna sujeito e as pessoas que são sujeitos da economia se tornam objetos, dependentes, entregues ao capital. É a supressão dessa situação que a burguesia chama de supressão da individualidade e da liberdade. Superar, ir além desse tipo de relação que é estabelecido pela forma social burguesa e o modo de produção capitalista, do ponto de vista do burguês, seria atacar a individualidade e a liberdade. Afinal, este, dentro desse aparato jurídico, o indivíduo que é dono do meio de produção, de maneira privada e que aliena todos os demais da produção que é social e decide sobre isso, ele vai defender a liberdade, a a esse tipo de individualidade abstrata e de liberdade dele fazer o que ele quiser em detrimento dos outros, exatamente pela posição privilegiada que ele ocupa dentro dessa reprodução social. Então, mudar essa estrutura social para ele é um perigo. Você tá atacando a liberdade e a individualidade. E aí dentro dessa malandragem ele esquece de avisar que no caso os trabalhadores e as trabalhadoras que não têm outra opção a não ser vender o seu próprio corpo e o tempo de sua vida em forma de salário, que é o preço pago pela mercadoria força de trabalho, que é você gastando aí sua vidinha, nós não temos essa liberdade. Não temos esta liberdade. Não temos liberdade. A gente não tem escolha. Nós estamos rendidos a esse processo, não temos participação nele, ainda que é, quer dizer, participação de decisão, né? Ainda que enquanto eh objetos desse negócio, somos determinados e somos decididos do que devemos ou como devemos fazer dentro desse mercado capitalista e tal. E individualmente o que fazemos é competir uns com os outros trabalhadores para ver quem consegue algum cargo que garanta um salário que garanta, em teoria a sua subsistência de sua família. Então tem um probleminha aí nessa organização de defesa da individualidade da liberdade, certo? E qual razão? Porque se trata efetivamente de abolir a individualidade burguesa e a independência burguesa, a liberdade burguesa. O adjetivo ele é sempre muito importante. E a gente já falou desde o primeiro vídeo aqui o que significa burguês proletário. E aí, se você não acompanha, eu recomendo que você olhe a descrição do vídeo, porque além da chave do Pix, que você pode dar uma força aí, se tiver sobrando na berreca, vê a playlist inteira desde o início em que nós trabalhamos o conceito de burguesia. O que que isso significa? Quem é o burguês? De onde vem a palavra burguês, né? Então fica aí a dica de você acompanhar. Por liberdade nas atuais relações burguesas de produção, compreende-se a liberdade de comércio. Liberdade de comprar e vender. É isso. Eles chamam de liberdade comprar e vender. Eu poder escolher. Como diria? Diria o canal do Milton Friedman. Free to choose, livre para escolher. Escolher uma gravata vermelha ou uma gravata azul, mas jamais escolher ou participar da decisão de para onde vão os investimentos sociais, para onde vai o fruto desta relação social que valoriza o valor, o capital. Para onde vai a nossa reprodução social? Essa decisão sobre o produto social e sobre a coordenação da divisão social do trabalho não pode ser decidida de maneira individual, de acordo com os interesses e egoístas próprios de um camaradinha que quer obter lucro. E não pode nem ser decidido só por questão do lucro, porque pelo lucro que nós estamos fazendo é reproduzir capital dentro dos mercados pelo próprio capital e não para melhorar a sociedade como um todo. Não há um mínimo planejamento social dos rumos da produção para onde nós vamos. E o efeito disso é que sob essa dinâmica, nós destruímos as condições de reprodução da vida como um todo, achando que estamos mandando bem, porque estamos em busca do lucro, que é o objetivo dado dentro das relações de mercado, como está estabelecido no mercado capitalista. Então é bom a gente perceber que liberdade aqui é liberdade de comprar e vender. Só que no nosso caso, nós compramos determinados bens para consumo e ponto para nossa subsistência. Enquanto o camaradinha que é dono do meio de produção, que tem capital acumulado, que decide os rumos da produção, ele não compra só para consumo, ele compra força de trabalho, que somos nós, unidades aqui produtivas. Ele compra e utiliza do capital para fazer inovação dos meios de produção quando lhe interessa. E ao desenvolver esses meios de produção, ao acumular ainda mais capital, então não é só que ele tá só consumindo, ele está consumindo de maneira produtiva, decidindo os rumos da produção. tem uma posição muito privilegiada e ainda pode no desenvolvimento do capital financeiro começar a brincar de fazer dinheiro que não tem nenhuma consistência produtiva, que não que não tem materialidade efetiva no sentido de não dá para pegar, não dá para produto, tá fazendo nada, só tá trocando valores em cima de valores, que a tal da especulação financeira, completamente improdutivo, um capital que não produz nada e ainda enriquece o camarada porque tá dentro dessa lógica desse sistema burguês. Então vamos lá, vamos entendendo o que que funciona aqui. Quem realmente tem pode brincar no mercado, quem tem capital e quem não tem, se vende. É isso. Vende o seu próprio corpinho, sua pele ao preço de salário. Mas se o tráfego desaparece, desaparecerá também a liberdade de traficar ou do caso do comércio, da troca e tal. Toda a frase sobre livre comércio, bem como todas as bravatas de nossa burguesia sobre liberdade, só tem sentido quando se referem ao comércio constrangido e ao burguês oprimido da Idade Média. Nenhum sentido tem quando se trata da supressão comunista do tráfico, das relações burguesas de produção e da própria burguesia. Veja, quando o burguês defende a liberdade, individualidade sob sua forma, ele está fazendo em relação ao modo de produção feudal servil anterior. No caso, Marx está explicitamente tratando da Europa e nós falamos isso no primeiro vídeo, explicitando de que ponto, de que posição, quem é o interlocutor do manifesto comunista. e para o interlocutor do manifesto comunista, que são os trabalhadores e as trabalhadoras da Europa Central em especial, o seu passado é definido por essa tal da idade média da modo feudal de produção, modo servil. E tem sentido esse discurso sobre liberdade dentro do comércio, sobre individualidade na forma burguesa em relação à Idade Média, em relação a esse outro modo de organizar a vida, mas não em relação à superação dessas relações burguesas, que é o que o comunista propõe, que como nós vimos anteriormente, propõe um tipo de liberdade que não é uma liberdade abstrata e só formal, senão real e que requere e garante condições de participação dos trabalhadores das trabalhadoras no processo de produção e reprodução. ção social do qual eles são partes, não como objetos, mas como sujeitos. Porque nós não somos objetos e meros objetos, nós também e efetivamente somos os sujeitos. Sujeitos vivos que dão as condições para a produção, que realizam a produção e que consomem de maneira produtiva e reprodutiva a própria reprodução social, porque a economia está a serviço dos seres humanos e não os seres humanos a serviço da economia. Contudo, no capitalismo, na forma social burguesa, é o contrário que acontece. E é por isso que quando nós falamos sobre liberdade, sobre individualidade, sobre esse ponto de negócio, não dá para desconsiderar a partir de qual mundo, de qual realidade, de qual modo de produção nós estamos tratando. Porque o que dá conteúdo, o que dá consistência às palavras, não são elas por elas mesmas, senão as relações nas quais ou estão envolvidas e das quais são fruto. Vou dar um exemplo muito rápido. Vou até sair aqui, voltar para cá e já volto para outra tela. Ó, eu gosto muito, muito, muito de um uma comédia do Aristofanes, As Nuvens, né, que faz uma sátira com Sócrates. Tinho, esse camarada aqui, ó. Você que aqui é o Tin, meu Sócratinho, meu Sócrates. Eh, e o Eropens faz um uma comédia tirando uma onda com Sócrates e ele conta a história de um jovem rapaz que era um adolescente, desobedeceu seu pai e foi ter aulas com Sócrates. O pai proibia ele de ter aulas com Sócrates, mas ele foi, foi, ficou um tempo fora, voltou para casa, o pai olha para ele, fala: "Por, que que que você tava fazendo?" E o moleque aprendeu com Socrates, que não deve mentir. Então ele disse: "Eu estava tendo aula com Socrates. Então o pai vai lá e dá uma surra no menino. Não deva fazer isso. Você não pode fazer isso em casa. está errado. Este pai está completamente errado. Ele não pode, não pode de maneira nenhuma agredir qualquer coisa desse tipo com criança. Isso não é pedagogia, isso está errado. Está completamente equivocado. Ele faz isso de maneira completamente errada. E o menino olha pro pai e fala: "Pai, por que que você me bateu?" E o pai diz pro menino: "Porque eu te amo muito". E o moleque olha pro pai e diz: "Pode deixar, pai, quando eu crescer, eu vou te amar muito também. Para esse menino, dentro dessa relação que ele tem estabelecida com o pai, no qual o pai bate e diz que bateu porque ama muito, o menino não vê contradição entre a palavra amor e a agressão. A palavra amor não tem sentido em si só, por si só. São as relações que condicionam o conteúdo dessas palavras, assim como liberdade, como individualidade, como toda a fraseologia burguesa, ela tem sentido dentro do tipo de relação e de modo de produção que nós temos e que estabelece o conteúdo e e a maneira, o modo como nós vamos trabalhar e coordenar os nossos valores, as nossas ações, os nossos princípios, né? Então, não dá para falar sobre liberdade, sobre individualidade, sem considerar quais são as relações nas quais essas palavras estão envolvidas e quais qual é o modo de produção que dá consistência para esse tipo de discussão. Beleza? Então, vamos manter aqui o foco e voltemos para a leitura do manifesto. Olha como é importante a gente considerar isso, né? Porque senão fica muito fácil ter um maluco qualquer que fica gritando aí pela família, pela pátria e pela liberdade, como os fascistas faziam século no no início do século XX, né? E que que significa pátria? Que significa família? Que que significa liberdade? Ou por Deus, pátria, liberdade, qualquer coisa do tipo. Que significado tem essas palavras? Depende das relações que estão estabelecidas, não tem valores em si mesmas. Tá bom? guarda no seu coraçãozinho. Horrorizai-vos porque queremos suprimir a propriedade privada. Queremos mesmo. Já falamos sobre a propriedade aqui, tá no na playlist. Mas em vossa sociedade a propriedade privada está suprimida para 9 décimos de seus membros, né? Então no Marx tá dizendo aqui, só 10% tem acesso aí a essa propriedade que vocês tanto defendem. Só 10% aí tem acesso ao capital e as decisões sobre o rumo da produção. No nosso caso hoje, só menos de 1%. Menos de 1% decide. Piorou, né? Mas tem gente que acha que tá melhor. E é precisamente porque não existe para estes 9 démos que ela existe para vós. Ou seja, só tem 1% se dando bem porque 99 estão lascado. Censurai-nos, portanto, por querermos abolir uma forma de propriedade que pressupõe como condição necessária que a imensa maioria da sociedade não possua propriedade. Ou seja, quer falar que a gente tá indo contra essa sociedade, quer nos censurar, porque nós dizemos que não deveria ser assim. com menos de 1% no nosso caso e 10% no caso do que o Marx tá dizendo em seu tempo pro com eh detém e o capital, os meios de produção e decidem sobre a toda a divisão social do trabalho, ou seja, ocupam o cargo de coordenação da divisão social do trabalho. E por isso você você quer nos censurar, censure, porque é isso mesmo que a gente quer. Nós queremos ir contra esta sociedade que é injusta, desigual e imbecil do ponto de vista da própria reprodução social. Aqui é um discurso, como a gente já comentou em outros vídeos, tanto moral quanto científico. Moral é quando a gente fala sobre injustiça, sobre desigualdade, sobre esses pontos que t a ver com certos valores que vão além do cálculo de coordenação dos meios para obter um determinado fim. Contudo, do ponto de vista científico e econômico, impessoal, também é imbecil a porcaria do capitalismo. Porque dentro do mercado, visando lucro, tendo apenas como valores, eficiência e competitividade, é capaz de destruir as condições de produção e reprodução da vida, achando que tá fazendo uma coisa inteligentíssima. É só você abrir a joça da sua janela e ver o que tá acontecendo hoje no planeta e que nós estamos sofrendo os efeitos da crise climática, exatamente porque não existe critério dentro desse mercado que limite essa racionalidade imbecil. O capitalismo exige isso. Ele tende a um cálculo infinito, como se fosse possível capital infinito, lucro infinito, produtividade infinita. E não tem limites, porque não tem como sujeito o ser humano, que é um ser vivente, que produz, realiza sua produção, consome sua produção e pode planejar o dia seguinte. Como não é esse o sujeito, o sujeito é o capital, o sujeito é o lucro, o sujeito é o objetivo máximo que tem essa coordenação dessa dessa sociedade em que o mercado decide sobre nós, o capital decide sobre nós, o dinheiro decide sobre nós, nesta maluquice, nesta imbecilidade, o infinito faz sentido. Mas quando a gente coloca essa materialidade corpórea dos seres humanos reais, historicamente determinados, não cabe, não cabe o capital desse sujeito, não cabe essa infinitude, ela é imbecil. Beleza? Numa palavra, numa palavra, Rogerinho, eu adoro de perdão, quem chegou aí pela primeira vez, eu sou uma pessoa fissurada em TV quase, em especial choque de cultura. Numa palavra, Rogerá. Numa palavra, censurai-nos por querermos abolir a vossa propriedade. De fato, é isso que queremos. Sim. Censure-nos por querermos abolir a sua propriedade burguês. Beleza? Vamos parar por aqui. Em breve nós continuamos a nossa leitura linha a linha comentada aqui do Manifest como início. Se você não tem acompanhado, não esqueça de olhar a descrição do vídeo, porque lá tem a playlist completa, além da chave do Pix, porque vai que tá sobrando uma merreca por aí. Seguimos trazendo a boa nova todo dia útil até a vitória final. Valeu, minha gente.