A Revelação de Deus: Além da Filosofia
02/05/2025
A Revelação de Deus: Além da Filosofia
Explore a profunda reflexão sobre a revelação de Deus e sua relação com a filosofia no nosso novo vídeo, "A Revelação de Deus: Além da Filosofia". Através de uma análise das ideias de Descartes e a compreensão da Trindade, discutimos como a percepção de Deus vai além de conceitos abstratos, apresentando-O como uma realidade viva e atuante. Vamos entender como a auto-revelação divina nos direciona a um entendimento mais profundo de Seu caráter, justiça e bondade.
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[Música] Quando Decart se ocupou do problema da existência de Deus, ele acreditou ser possível prová-la tão somente pelo emprego da razão. Para nós, no entanto, a existência de Deus não se constitui um problema. Olhando para a mesma questão, mas do ponto de vista do discurso pastoral, a partir da missão de Deus, somos informados de que a trindade se revelou como Deus e isso nos basta. Deus não é uma abstração, um conceito, mas uma realidade. Deus é imutável, não por definição, mas porque ele assim se revelou. Só há um Deus e não precisamos que o definam para nós. E só saberemos a respeito desse Deus o que ele nos disser próprio. A revelação é uma iniciativa e prerrogativa dele. Daí por não temos que responder à pergunta: "O que é o Deus?" A autorrevelação de Deus não pressupõe nosso desejo de querer [Música] conhecê-lo. Teríamos que ser um Deus para responder a pergunta: o que é o Deus? Só um Deus pode falar de outro. Não temos essa [Música] prerrogativa. Se só existe um Deus e não dois, três, etc., dependemos dele para nos revelar qualquer coisa sobre sua natureza e seu caráter. Certamente existem outros seres espirituais, mas nenhum deles está na mesma categoria de Deus. [Música] Nós convivemos com anjos, demônios, principados, potestades, mas eles como nós também não se enquadram na categoria da divindade. Logo, a pergunta: como se define Deus não faz qualquer sentido? Tudo que podemos afirmar sobre ele é Deus. É, essa foi a resposta de Deus a Moisés quando este perguntou: "Qual é o teu [Música] nome?" A pergunta de Moisés faz sentido porque ele estava imerso numa cultura politeísta. Para Moisés era preciso dar um nome para esse Deus para distingui-lo das outras [Música] divindades. Implícito na pergunta está o fato de que ele sabia de outros que eram mencionados como deuses e estes têm nomes. Moisés disse a Deus: "Quando eu for aos filhos de Israel e disser: "O Deus de vossos pais me enviou até vós e me perguntarem: "Qual é o seu nome? Que direi? Disse Deus a Moisés: "Eu sou aquele que é." E disse mais: "Assimás o Eu sou me enviou até vós." Êxodo 3:13 e 14. Podemos nos perguntar: Deus precisaria de um nome? Dar um nome a ele só faria sentido se Deus fosse submisso a alguém ou a um outro Deus, ou se houvesse alguém igual a ele. Nomear é um ato de autoridade. Se Deus estivesse sob o domínio ou governo de outro Deus, este daria um nome a ele para distingui-lo de si. ou se houvesse outro Deus de quem o Deus que falava com Moisés precisasse se distinguir, como nós que precisamos de um nome para nos diferenciar uns dos outros. Mas com Deus não é assim. Se existe um só e único Deus resultado da decisão da trindade sobre como se relacionaria com a sua criação, logo não há a necessidade de [Música] nomeá-lo. Quando falou a Moisés, Deus que só fala por meio do Cristo, tinha em mente deixar claro que não havia outro Deus. Era, portanto, inútil querer dar-lhe um nome. A Moisés Deus de fato disse: "Não há outro igual a mim. Existe apenas um Deus. Quando você falar com o povo, apenas diga o eu sou me enviou". [Música] Entendeu? O que podemos concluir de tudo isso? Primeiro que a questão ontológica, isto é, do ser de Deus, não tem lugar num discurso pastoral a partir da missão de Deus. O que importa é o caráter dele, o que diz de si mesmo e como age em relação à sua criação. Se Deus for como Decarte o imaginou, como puro exercício da razão, como um teorema ou uma abstração, então fomos deixados à deriva, sem rumo e sem destino. Para deístas como Decart, Deus criou tudo, mas teria se ausentado para não mais voltar. Nossa fé, ao contrário, é num Deus criador e sustentador, Senhor absoluto de todas as [Música] coisas. Sendo a trindade tão poderosa, porque houve rebelião? O que a Trindade Santa apresenta como Deus criador sepreende da revelação. Não é o seu poder, mas o seu caráter que dá o tom de sua conduta. Se ele tivesse impedido a rebelião, teríamos um Deus despótico, autocrata, suscetível a mudanças de [Música] humor. Esse não é o caráter de Deus. A rebelião diz muito sobre o caráter de Deus. [Música] Diz, por exemplo, que ele é um Deus que se compromete com a sua criação. Mesmo quando uma de suas criaturas se rebela, ele a sustenta. Parece paradoxal, mas é assim que Deus age. Seu gesto de tolerância fala da bondade de Deus, embora essa afirmação possa soar absurda. A benignidade da trindade, porém, deve ser entendida em seu contexto mais geral, isto é, em relação à sua decisão de como ser Deus. Primeiro, quem quer que tivesse se rebelado contra Deus, se a trindade fosse Deus de forma diferente, teria deixado de [Música] existir. A justiça foi satisfeita, isto é, a consequência do pecado, o erro de alvo da humanidade gerou a nossa morte. Porém, o que deveria ter sido desexistência, deixar de existir, virou morte espiritual e física. Deus atenuou a consequência porque nos perdoou a priori, isto é, a partir da sua onisciência. A humanidade errou o alvo da sua existência. A humanidade entendeu que ser a imagem de Deus na criação seria poder decidir sobre o que seria bom ou mal para si e para a criação. Porém, ser imagem e semelhança de Deus seria demonstrar pela unidade a toda a criação a realidade da unidade das três pessoas eternas, que sendo cada qual em si mesma, decidiu estar uma na outra em perfeita unidade para se tornar o Deus, criando em si mesma o universo em toda a sua extensão e conteúdo para se relacionar com este a partir do relacionamento com a [Música] humanidade. Trindade que seria adorada como Deus do universo pela humanidade, o que faria do planeta Éden lugar de delícias, o lugar da adoração ao Deus eterno em todo o universo. A redenção por nova criação nos foi oferecida. Quando morreu e ressuscitou a mais de dois milênios, Jesus de Nazaré, o Cristo, manifestou seu sacrifício e vitória assumidos antes que houvesse tempo em nosso favor, promovendo a redenção, a vitória sobre o nosso erro. Vitória esta decidida pela trindade antes da criação de todas as coisas para nos regenerar. E no entanto, eram nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi trespassado por causa das nossas transgressões, esmagado em virtude de nossas [Música] iniquidades. O castigo que havia aqui de nos trazer a paz caiu sobre ele. Sim, por suas feridas fomos curados. Ele não morreu para pagar pelos nossos pecados, mas para vencer onde fomos derrotados e assim livrar-nos dos nossos pecados pela transformação de nossa natureza humana. O caráter divino não é revelado pelo nosso discurso sobre Deus, mas pelos atos de Deus, sempre lembrando que a inspiração que gerou as Escrituras Sagradas é ato divino. Deus não se manifesta, portanto, a partir do que dizemos dele, mas o que ele revela de si quando age são seus atos que nos dizem como ele se [Música] apresenta. Quando pensamos em Deus, temos que nos livrar da perspectiva meramente ontológica que reduz Deus a um ente metafísico. O que Deus decidiu manifestar, seu caráter e seus atributos. já está dado na revelação que fez de si. Daí o despropósito de se procurar por provas ontológicas de [Música] Deus. Isso seria reduzi-lo, transformá-lo numa necessidade lógica. Decart e depois dele Kant operou a redução de Deus a uma necessidade lógica. Em Kante temos os imperativos categóricos e as três críticas. Decarte remeteu tudo a Deus, Kant a máquina. Não é que com Cante Deus deixa de servir como uma causa necessária, hipótese tampão, mas que pouco a pouco ele vai fugindo da necessidade de Deus como explicação para as ideias inatas, até que Deus seja descartado por ser [Música] obsoleto. A filosofia não precisa mais de Deus, pode virar-se sem ele. Como notou Bon Hoffer num mundo tornado adulto, o ser humano superou a heteronomia. De fato, teonomia seria um termo mais preciso e assim conquistou a desejada autonomia. Num mundo assim autônomo, Deus deixa de ser uma hipótese operacional. Deus está morto e não sentimos a sua falta. Num assim, Deus foi conspurcado, passou a categoria de fenômeno classificável, analisável, descartável. A Bíblia, porém, parte de outros pressupostos. Ela simplesmente afirma: "A trindade é e historicamente decidiu relacionar-se com sua criação, tornando-se por definição, o Deus da criação, uma vez que a criatura só pode responder ao criador que decidiu se relacionar com ela adorando o criador, agora Deus". [Música] Não precisamos passar atestado de indigência intelectual para admitir isso. Trata-se apenas de uma constatação. A partir daí, passamos a nos perguntar como Deus se manifesta, qual o seu caráter e como ele age. O Deus cristão é um Deus que age na [Música] história. A Bíblia mostra a todo tempo o agir de Deus na história, na história do povo de Israel, que estava sob o julgo dos egípcios, na história do povo sírio que Deus trouxe de Kir. Na história dos filisteus, que ele trouxe de Caftor. Na história dos cananeus, quando Deus os julgou, Deus levantou profetas, salvou homens, libertou nações, condenou opressores, conclamou os homens ao senso de equidade, tomou o partido dos despossuídos. Esse é o caráter de um Deus que age salvando, libertando, julgando, acolhendo, protegendo e [Música] saciando. É a partir do seu agir no passado que podemos saber como Deus agirá hoje e no futuro, de que lado ele está e o que exige do ser humano. Nossa conversão não consiste em afirmar a existência da trindade, mas a partir da apresentação da trindade como Deus, consiste em agir de acordo com o caráter assumido e comunicado pela trindade, como Deus na história, o que ele revelou de si nessa história. A mera confissão da fé em sua existência não significa lá grande coisa, porque até os demônios creem e estremecem. Tiago 2:19. O desafio que temos diante de nós é conciliar fé com ação. Tu tens fé e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras, que eu te mostrarei a fé pelas minhas obras. Tiago 2:18. Para muitos, Deus é apenas um ente metafísico, muito bem descrito, desse analisado. Um Deus assim não afeta ninguém, não muda nada e nada tem a nos dizer. Reduzido a uma ideia, Deus é descrito, mas não crido, disseado, mas não honrado, estudado, mas não amado, perscrutado, mas não adorado. Deus, como ente filosófico torna-se uma necessidade lógica, uma explicação, um axioma. [Música] O Deus das Escrituras manifesta-se como pessoa, marcado pelo seu caráter, que é todo amor, promotor da unidade e justiça, promotor da equidade. Quando falamos lá atrás sobre os atributos de Deus e a partir da pretensa classificação incomunicáveis e incomunicáveis, queríamos ressaltar o seu caráter, o modo como ele [Música] age. A filosofia e a teologia natural se ocuparam por séculos dos atributos ditos incomunicáveis, infinitude, imutabilidade, eternidade e assim por diante de Deus. Porém, a despeito do valor científico dos seus resultados, nada acrescentaram ao nosso conhecimento de Deus. Por quê? simplesmente porque os atributos de Deus já estão dados com a sua [Música] autorrevelação. Deus já se revelou como aquele que é, como eu sou. Ontologicamente, Deus já está definido na revelação que fez de si aos homens. É inútil, portanto, todo esforço para especular sobre Deus e seu