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A fé vem pelo ouvir

Celebração – 18/05/2025 | Ákilla Nascimento | IBNU

Celebração – 18/05/2025 | Ákilla Nascimento | IBNU

Celebração – 18/05/2025 | Ákilla Nascimento | IBNU

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[Música]
Será que quem com ferro fere com ferro
será ferido? Como é que a gente entende
essa realidade complicada? Que
realidade? Quanto conflito na
experiência humana? Quanta coisa
complicada através do histórico de
guerras, de mortes, de dor e de
sofrimento. Isso nos leva a perguntar:
que existe tanto sofrimento, tanto mal,
tanta dor do mundo? Essa é uma das
questões mais sérias, tanto da história
da filosofia como também da história da
teologia.
E a grande verdade é que ninguém
consegue ter uma resposta racional tão
completa sobre a realidade do sofrimento
e da maldade neste mundo, na experiência
humana. Mas quando a gente reflete um
pouquinho mais sobre esse tema, a partir
da perspectiva bíblica, tem tanta coisa
interessante que a gente consegue
entender. Primeiro, a própria Bíblia vai
dizer que há uma distinção muito grande
entre maldade e sofrimento. De certa
forma, todo mundo sofre pela nossa
própria condição de criatura, de ser
finito. Mas é verdade que o ser humano
nos na sua trajetória histórica, rompeu
com o criador e ao fazer isso trouxe uma
experiência de disfunção, de corte de
sintonia com a realidade divina. E essa
presença do mal, do pecado, do ferro que
fere no mundo, nos trouxe uma situação
de sofrimento que nos marca a todos. E a
escritura deixa claro que grande parte
do que acontece na nossa vida está
ligado às escolhas equivocadas que
remetem a nossa primeira escolha errada
e que marcam o sofrimento humano. No
entanto, é interessante. Ao contrário de
muita gente que imagina que as coisas
são assim, que pau que nasce torto morre
torto, que nós estamos presos num
fatalismo. Na Bíblia, coisa diferente,
ela mostra que o mal que invadiu a
experiência humana e do universo não
deveria estar aí. Ele é estranhado como
uma coisa esquisita, não faz parte
integrante da realidade. E como ele é
estranhado, ele é uma coisa semelhante à
aquilo que os bons teólogos do passado,
como Agostinho, disseram que é como a
ferrugem que consome o ferro. A ferrugem
só existe enquanto existe ferro. Se não
tiver ferro, a ferrugem desaparece. Por
isso, numa expressão um pouquinho
complicada, o mal não tem existência
ontológica. não subsiste por si mesmo.
Isso nos traz uma grande esperança, uma
esperança que diz: "O fim das armas de
ferro chegará". Porque a esperança nos
mostra que o mal que é estranho e deve
ser estranhado, rejeitado, confrontado,
um dia será
plenamente derrotado. Essa é a esperança
de quem entende o problema do mal na
realidade das Escrituras.
[Música]
Bem-vindo. Estamos prontos para mais uma
celebração da IBNW. E você é meu
convidado especial. Eu espero que você
agora nesse momento possa aproveitar as
músicas que nós vamos cantar. que você
cante, louve a Deus junto conosco, que
nós possamos aprender juntos da palavra,
ouvindo aquilo que a Bíblia nos ensina
para transformar as nossas vidas. E eu
convido você também a nesse momento a
seguir o nosso canal. Se você ainda não
segue, se inscreve aí e também procura a
gente no Instagram, no Facebook, para
que você possa estar sempre ligado com
tudo aquilo que a IBNW tem para você.
[Música]
Tu és bem-vindo ao nosso meio, Deus
bendito, eterno Pai. Tu és bem-vindo ao
nosso meio, Deus bendito, eterno
a tua presença nos alegra, tua bondade
nos atra a tua presença nos alegra, tua
bondade nos atrai.
Teus filhos somos e teu
povo aqui reunidos.
Vem,
Senhor, dá-nos perder teu vinho
novo. Recebe e troca o nosso
amor. Tu és bem-vindo ao nosso meio,
Cristo, filho de Davi. Tu és bem-vindo
ao nosso meio, Cristo, filho de Davi.
Servir-te sempre é nosso
anseio.
Dedicamos-nos a ti. Servir-te sempre é
nosso anseio.
Dedicamos-nos a ti.
[Música]
Teu servos somos corerdeiros.
[Música]
Teus
mandamentos, nossa luz.
Tu és perfeito, és o
primeiro. Amado Deus, Senhor
Jesus, tu és bem-vindo ao nosso meio.
Santo Espírito de amor, tu és bem-vindo
ao nosso meio. Santo Espírito de amor,
que lanças fora todo medo, ver o Deus
consolado.
E lanças por fora todo perdão. E o Deus
consolador. Som
fomos com teu
selo. Garante nossa
[Música]
redenção. Vem nos encher de santos e
louvor. Aquece a nossa
comunhão.
Consolador, Senhor Jesus.
Eterno
Pai.
Amém.
Amém. Amém.
[Música]
Deus é bom, queridos. Deus é muito bom.
Olha que fala no Salmos 16. Tu, o Senhor
Deus, és tudo o que tenho. O meu futuro
está nas tuas mãos. Tu diriges a minha
vida. Como são boas as bênçãos que me
dás.
como são
maravilhosas. Vamos agradecer esse
maravilhoso Deus que cuida muito de nós.
A nossa vida está nas mãos dele. Vamos
agradecer porque tudo que nós temos é
dele. Ele ele dá para os filhos dele
tudo com amor, com carinho. Vamos
agradecer ele porque ele é bom sempre.
[Música]
Cada vez que eu
abri a minha
boca, cada vez que eu
olhar na direção de alguém,
Cada vez que passo a
passo é chegar algum
lugar. Seja a tua
voz, sejam teus sonhos, sejam os teus
pés.
Cada vez que eu
tocar no rosto
entrando, cada vez que eu
fizer o que já não se
faz. Cada vez que em
silêncio perdoar a honra face.
Sejam tuas mãos, seja a tua graça e o
teu
[Música]
amor. Eu quero te
servir. Eu quero te
oferecer, viver tua
bondade, refletir tua
verdade. Eu com minha
vida te
[Música]
adorar,
mestre
amigo amado
Jesus. Este é o meu Deus.
[Música]
Cada vez que eu
abri a minha
boca, cada vez que eu
olhar na direção de
alguém, cada vez que passo a
passo eu chegar
algum
lugar. Seja a tua
voz, sejam teus olhos, sejam os teus
pés. Cada vez que
eu não
tenho canta. Cada vez que eu
fizer o que já não se faz.
Cada vez que em
silêncio
eu
vou de
nós, seja a tua graça e o teu
amor. Eu quero te servir. Eu quero Eu
quero te obedecer.
Vi tua
vontade, refletir tu a
verdade, te honrar com minha
vida em tudo te
adorar,
mestre
amigo amado,
Jesus, eu quero eu quero te servir.
Eu quero te
oferecer, viver tua
bondade, tua
verdade, te honrar com minha
vida em tudo te adorando.
me amar
Jesus. Este é o
[Música]
meu meu
[Música]
querer. Jesus.
Chegamos no nosso momento de oração e eu
te convido a se juntar a mim para que a
gente possa levar os nossos pedidos e
agradecimentos a Deus.
Pai, obrigado por mais essa semana,
Senhor. Obrigado porque o Senhor tem
cuidado de nós, tem nos protegido,
Senhor. Pai, peço que a tua poderosa mão
continue conosco, nos guiando, nos
guardando. E por aqueles, Pai, que estão
em situações de
dificuldade financeira, de saúde, peço
que o Senhor esteja com cada um, levando
tua paz, consolando os corações, abrindo
portas e levando toda a saúde, Senhor,
física, emocional e
espiritual. Nós oramos e te pedimos em
nome de Jesus. Amém.
[Música]
Nada nos
separará dos laços do teu grande amor.
De longe ouvimos o amor que chama,
paixão profunda, bondade e graça se
derramando. É tão profundo, tão imenso e
cobre luz. É furioso, poderoso e abraça
luz. Só ele pode devolver. a vida aos
corações. O pai que seu
filho nos
deu, o filho que por
todos
morreu. Em nós
derrama amor e graça e nos convida.
A sua mesa nos
alcançando. É tão profundo, tão imenso e
cobre luz. É furioso, poderoso e abraça
luz. Só ele pode devolver a vida aos
[Música]
corações. É tão profundo, tão imenso que
cobre.
Éhoso, poderoso e abraça luz. Só ele
pode devolver a vida aos
[Música]
corações. A vida aos
corações. Aos nossos
corações. Só ele pode
devolver a vida aos nossos
corações. É tão profundo, tão imenso e
cobre luz. Você é furioso, poderoso e
abraça a luz. Só ele pode devolver a
vida aos
corações. Pois só
el profundo, tão imenso e cobre luz.
Furioso, poderoso e abraça luz. Só ele
pode devolver a vida aos
[Música]
corações. É tão profundo teu imenso e
cobre-nos. Éo, poderoso e abraça luz. Só
ele pode devolver a vida aos
corações. É tão profundo, tão que luz. É
furioso, poderoso e abraça a luz. Só ele
foi de devolver a vida os
[Aplausos]
[Música]
corações. Sofrer, servir e sorrir.
Existe uma estranha relação dentro dos
Evangelhos na Bíblia como um todo, mas
que se torna mais claro na pessoa de
Jesus e muito presente também nas cartas
de Paulo entre a vocação para o serviço
e a necessidade do sofrimento. Eu não
sei se você já prestou muita atenção
nessas passagens. Por exemplo, Mateus
capítulo 5, versículo 11.
Bem-aventurados serão vocês quando, por
minha causa os perseguirem, os
insultarem e levantarem todo tipo de
calúnia contra vocês. Alegrem-se e
regozijem-se, porque grande é a
recompensa de vocês nos céus. Ou quando
a gente olha para o texto bíblico também
na carta de Paulo aos Colossenses, no
capítulo 1, versículo 24, Paulo vai
afirmar o seguinte: "Agora me alegro em
meus sofrimentos por vocês e completo no
meu corpo o que resta das aflições, do
sofrimento de Cristo em favor do seu
corpo, que é a igreja." Não só em
Colossenses, mas também em Romanos, no
capítulo 8, no versículo 17, um texto
bastante eh conhecido do apóstolo Paulo,
ele vai afirmar o seguinte, que nós
somos filhos de Deus, herdeiros e
coerdeiros com Cristo, mas logo depois
ele faz a seguinte
afirmação: se de fato participamos dos
seus sofrimentos. uma referência ao
sofrimento de Cristo Jesus. E ele está
falando da importância de sofrer com
Cristo Jesus. Então, Jesus no Evangelho
de Mateus, Paulo em Colossenses, Paulo
em Romanos e também Paulo em outras
passagens e os outros apóstolos nos seus
escritos colocam pra gente uma relação
que não é muito fácil de entender. Por
que é que isso não é tão fácil de
entender? Porque a gente também tem uma
palavra muito clara e essa palavra é
repetida em muitos momentos sobre a
nossa expectativa da ausência do
sofrimento. A esperança que nos é
garantida, a esperança que nos é
reafirmada é de quê? No tempo futuro, na
chegada dessa consumação do reino de
Deus, toda a morte, toda dor, toda
tristeza, ou seja, todo sofrimento será
banido da nova criação, da nova
Jerusalém. A nossa esperança, mais do
que simplesmente ser salvos por Jesus, é
ser salvos para uma condição de ausência
de sofrimento. O próprio Paulo, acabei
de citar o texto de Apocalipse, capítulo
21 versículo 4, mas o próprio Paulo, no
texto que a gente acabou de ler em
Romanos 8, coloca isso pra gente. Presta
atenção no versículo 17 e no versículo
18. Se somos filhos, então somos
herdeiros. Herdeiros de Deus e
coerdeiros com Cristo. Se veja a
condicional, de fato, participamos dos
seus sofrimentos para que também
participemos da sua glória. Considero
que os nossos sofrimentos atuais não
podem ser comparados com a glória que em
nós será revelada. Então, Paulo admite o
sofrimento. Paulo fala que é necessário
participar dos sofrimentos de Cristo,
mas ele está olhando lá pra frente, que
é a glória que nós partilharemos com
Jesus. E a ideia desse texto aqui é: Eu
tô colocando na balança e parece que não
tá nem na mesma proporção, não está na
mesma dimensão o sofrimento que hoje nós
temos, que hoje nós não devemos evitar
ter.
E a glória que em nós será revelada, a
glória que em nós será manifesta. Como é
que a gente entende isso? Porque é que
em alguns momentos existe uma alegria no
sofrimento, existe um certo prazer ou
uma confirmação em passar por coisas que
são muito difíceis de serem suportadas.
Será que a ideia do texto bíblico é
basicamente que nós somos limpos,
purgados, nós somos purificados por meio
da dor que a gente passa? Existe um
mérito na dor? Existe um mérito em ser
perseguido? Existe algo que é bom em si
mesmo em experimentar essas coisas? E me
parece que a resposta muito clara do
texto bíblico é: não. Essas coisas não
são boas em si mesmos ou não são boas em
si mesmas. Ela apenas está
apontando para uma realidade que é
inevitável. E o texto que mais
claramente, pelo menos que eu consigo me
recordar agora, que esclarece como é que
tudo isso funciona, é a carta de Paulo
aos Filipenses. Eu vou convidar você
para ler a carta de Paulo aos
Filipenses, no capítulo 2, versículos 1
até o 11, e perceber que existe algo
mais e existe algo muito importante
nessa relação entre sofrer, servir e
sorrir de acordo com a própria história
de Paulo e no fundo de acordo com a
própria história do Messias. Filipenses
capítulo 2, versículo 1 até o 11.
Se por estarmos em Cristo nós temos
alguma motivação, alguma exortação de
amor, alguma comunhão no espírito,
alguma profunda afeição e compaixão,
completem a minha alegria, tendo o mesmo
modo de pensar, o mesmo modo, o mesmo
amor, um só espírito e uma só
atitude. Nada façam por ambição egoísta
ou por vaidade, mas humildemente
considerem os outros superiores a si
mesmos. Cada um cuide não somente dos
seus interesses, mas também dos
interesses dos outros.
Seja a atitude de vocês, a mesma de
Cristo
Jesus, que embora sendo Deus, não
considerou que o ser igual a Deus era
algo a que a que devia apegar-se, mas
esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser
servo, tornando-se semelhante aos
homens, e, sendo encontrado em forma
humana, humilhou-se a si mesmo e foi
obediente até a morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus o exaltou a mais alta
posição e lhe deu o nome que está acima
de todo nome, para que ao nome de Jesus
se dobre todo joelho nos céus, na terra
e debaixo da terra. E toda língua
confesse que Jesus Cristo é o Senhor
para a glória de Deus Pai. Por que que a
carta aos Filipenses é tão importante
pra gente entender essa relação entre
sofrimento, serviço e sorriso?
Porque Paulo está escrevendo uma carta
que é preenchida de gratidão e
preenchida de alegria. Mas Paulo está
escrevendo da prisão. A gente não sabe
com toda certeza. A maior parte dos
estudiosos tradicionalmente acreditam
que Paulo está preso em Roma quando ele
escreve essa carta. Alguns outros
estudiosos consideram que é possível que
ele estivesse preso em Éfeso, mas o fato
seguro é que Paulo está preso. E ele
escreve essa carta para a igreja que se
reúne na cidade de Filipos. E a cidade
de Filipos está no norte da Grécia. É
uma cidade que estava envolvida como boa
parte das cidades daquele território ao
longo dos séculos que precederam esse
momento que Paulo escreve. envolvida em
guerras, envolvida em conquistas e
envolvida também em destruição e
reconstrução. Nesse momento que Paulo
escreve, Filipos era uma colônia romana.
E essa colônia romana tinha recebido há
não muito tempo atrás um grande
contingente de pessoas que vinham como
soldados aposentados, lutaram nas
guerras romanas, sobreviveram a essas
guerras e receberam de Roma o direito de
habitar em um determinado lugar com
direito à terra, com direito a condições
de um soldado aposentado e que
constituíram novas famílias nesse
território há relativamente pouco tempo
antes da escrita da carta aos
filipenses. Um outro grupo importante
são as famílias que já estavam ali há
muito tempo e provavelmente essas
pessoas eram ressentidas desses novos
habitantes que não tinham ligação com a
história do lugar, eh que não tinham
relação com as tradições daquele lugar,
mas que agora precisavam conviver com
esses soldados aposentados e com a sua
família. Ah, e também existia uma
parcela muito grande da população, que
era a parcela de escravos.
Provavelmente, no mínimo 50% da
população era feita de escravos. Então
pense comigo nesse contexto social que
não é o mais simples de tudo. Você tem
soldados romanos que não são enviados
para a cidade de Roma, porque Roma
também não quer um grande conjunto de
soldados com bastante sangue na sua mão,
querendo receber a recompensa da sua
luta, todos concentrados na capital do
império. Você tem pessoas que estão ali
ou famílias que estão ali há muito
tempo. Você tem escravos que não têm
direitos, mas que formam boa parte da
população. e você tem uma grande
eh tensão entre esses grupos por ter
expectativas, por ter cultura, por ter
eh uma forma de vida que são que é
diferente entre si. E ao mesmo tempo,
todas essas pessoas provavelmente
estavam representadas naquilo que era a
igreja que se reunia na cidade de
Filipos. A igreja também partilhava
dessas tensões que existia lá fora e que
era uma realidade aqui dentro.
Paulo, então, quando escreve para essas
pessoas, está numa condição de prisão. E
uma coisa que ele entende que é difícil
e é desafiador para aquela igreja, tanto
pela condição que ele passava, mas
também pela condição que eles estavam,
era de conseguir manter a unidade do
corpo de Cristo, conseguir viver como
uma só família, como um só corpo. Por
que é que isso é tão importante? A gente
percebe que essa é uma ênfase da carta
aos Filipenses e essa é uma ênfase de
vários outros escritos de Paulos. Você
vai lembrar aí do texto de Efésios,
capítulo 4, quando ele começa falando da
única fé a uma só fé, um só batismo, um
só Senhor, um Deus que é sobre todos.
Então, existe uma forte preocupação de
Paulo na carta aos Filipenses, na carta
aos Efésios, na carta aos Romanos, em
Colossenses, de preservar a unidade do
corpo de Cristo. Mas ele sabia que isso
se dava dentro de um contexto bastante
desafiador na igreja aos Filipenses. a
gente vai falar um pouco mais sobre o
propósito, por que Paulo está tão
preocupado com isso na análise e no
cuidado aqui de interpretar esse texto
de Filipenses 2. Mas um ponto importante
que precisa eh preceder essa
interpretação é o fato de que Paulo está
preso e ele recebe ajuda das pessoas
nessa condição de prisão. Por quê? uma
pessoa que estava presa dentro desse
contexto do Império Romano, ela não
recebia do Império Romano as condições
de sobrevivência até que o seu
julgamento fosse determinado. Em
primeiro lugar, a prisão não era pena.
Prisão era lugar de espera, era a espera
até que a sua eh o seu julgamento fosse
definido. Se o preso, aquele que estava
preso seria morto, receberia uma multa
muito dura, se ele seria enviado para
uma ilha como exílio. Eh, então Paulo
está nessa condição de espera em saber o
que de fato será sua pena. E enquanto
ele está na prisão, ele precisa
sobreviver a partir dos próprios
recursos ou a partir do recurso de
amigos e familiares que sustentam aquele
que está aguardando o seu
julgamento. Então, Paulo recebe uma
ajuda financeira da igreja que está em
Filipos e ele escreve essa carta como um
agradecimento para aquelas pessoas. Por
isso que a carta é tomada desse tom de
gratidão e de certa forma é também um
motivo pelo qual essa carta é tomada de
um tom de alegria, de confirmação
daqueles irmãos, de um vínculo muito
valioso que o apóstolo reconhecia entre
ele e aquela comunidade. Mas ele também
aproveita essa condição e essa situação
para tratar de um assunto que certamente
estava sendo eh uma dificuldade daquelas
pessoas, estava sendo um desafio para
aquela comunidade e que era o contexto
exato e apropriado para Paulo cuidar
daquelas pessoas e cuidar daquela igreja
nessa condição, que é o que é que
significa viver como um só povo do
Messias.
em um mundo que não os compreende, em um
mundo que é hostil à sua fé e a sua
postura e posição no meio desse mundo.
Como é que essa nova comunidade deveria
lidar com todas essas forças de
oposição?
Está preso era uma coisa de eh
consequência, um status social muito
negativo. Existia uma eh uma expectativa
e um julgamento sobre as pessoas que
estão presas como algo que era referente
a alguém que fez algo que é muito grave,
algo que é muito reprovável. Então,
imagina o que era uma pessoa que chegava
nessa comunidade e perguntava como é que
surgiu essa igreja, como é que vocês
passaram a se reunir. E aí eles
começavam a contar a história e
inevitavelmente essa história passava
pela presença do apóstolo Paulo. E as
pessoas perguntavam: "Onde é que tá
então esse líder tão importante pro
nascimento da comunidade que vocês agora
fazem parte? ele está preso. Isso era um
testemunho que a princípio era para ser
interpretado como algo muito ruim, muito
vergonhoso. As pessoas talvez fossem
tentadas a esconder esse fato. E ao
mesmo tempo o que a gente percebe é que
Paulo se orgulha de estar preso. Se é um
estigma, se é tão difícil pra gente hoje
falar sobre um parente, sobre um amigo,
sobre uma pessoa próxima que está na
prisão, imagine naquela época, imagine
naquele contexto que a prisão era algo
muito mais inóspito, que as penas eram
muito mais duras e consequentemente o
juízo que as pessoas faziam sobre por
que alguém está preso era ainda mais eh
reprovável, era uma coisa Ainda mais
difícil de se aceitar, Paulo enfrenta
essa realidade e Paulo se orgulha das
suas correntes. Paulo se orgulha da sua
prisão. Por quê? Porque ele argumenta
que ele segue o Messias crucificado. E
ele deixa muito claro que as pessoas que
estavam naquela comunidade sabiam que
ele estava preso por causa do testemunho
de Jesus.
Paulo está dizendo que o motivo pelo
qual ele não se envergonha da sua prisão
é porque ele não se envergonha do
evangelho. E ele não se envergonha da
sua prisão porque a sua prisão é um
testemunho que a vida do Messias estava
sendo manifesta por meio da vida do
próprio Paulo. Uma palavra que é central
na maneira como Paulo vai desenvolver
toda essa questão é a palavra coinunia.
E essa palavra geralmente é traduzido
como comunhão. Mas comunhão,
infelizmente, é uma palavra que ganhou
conotações muito diferentes hoje do que
era dentro do contexto bíblico.
Coinonia, na época de Paulo era
basicamente parceria e parceria de
muitas naturezas diferentes. A gente
podia ser parceiro de negócios, a gente
podia ser parceiro de trabalho. Se eu
tenho coinonia com você nesse contexto
de trabalho, é porque eu e você somos
parceiros. nós trabalhamos juntos ou nós
fazemos negócios juntos. Coinonia também
era parceria no no sentido familiar. Se
nós temos coinonia nesse sentido de
vínculo familiar, é porque nós somos
membros da mesma família. E uma outra
coisa é que coinonia comunicava o
sentido de propósito. Nós temos esse
vínculo, nós temos essa relação para
alcançar um fim. E Paulo está usando
Coinonia para falar da relação de todas
as pessoas que faziam parte daquela
comunidade. Que parceria era essa que
eles tinham? Qual é a natureza dessa
coinonia que eles partilhavam? é a
coinonia que como propósito tinha a
finalidade de anunciar o fato de que o
Messias crucificado era o Senhor sobre o
mundo todo. E a outra consequência é que
nós também partilhávamos de coinonia
nesses vários outros sentidos que eram
possíveis pra palavra coinonia. Nós
somos parceiros de trabalho, nós
partilhamos o esforço da construção de
algo e nós somos parceiros familiares.
Nós somos membros da mesma família.
Coinonia, comunhão nesse sentido, é
muito mais do que ter um tempo prazeroso
com pessoas que a gente admira. Coinonia
é, nós temos um vínculo que nos coloca
na mesma família, na mesma missão, no
mesmo corpo. E o argumento de Paulo é:
vocês precisam
preservar a coinonia. Vocês precisam
preservar a unidade, porque isso é o
testemunho
poderoso que convence o mundo, como
coloca Jesus no capítulo 17 de João, que
convence o mundo de que o Messias, de
que Cristo, o Messias crucificado, foi
enviado pelo Pai e de que a partir do
seu sacrifício, da sua ressurreição, ele
constituiu uma família que é capaz de
superar todas as barreiras sociais e
culturais.
Tudo aquilo que sempre nos dividiu é
superado pelo poder que esse Messias
derrama sobre nós e estabelece quando
nos une na mesma família. Então, por
exemplo, o que é a possibilidade de
alguém que era um escravo, sem direito
nenhum, nasceu escravo, viveu a vida
toda como escravo, sempre foi explorado.
Agora, chamar o seu dono, o seu senhor,
aquele que tinha direito de fazer
praticamente qualquer coisa que se que
ele quisesse com a vida desse escravo,
de repente esse escravo começa a chamar
o seu senhor de irmão. E esse senhor
começa a reconhecer que aquele que ele
sempre entendeu como sua propriedade,
agora é membro da sua própria família.
cominunia, parceria, comunhão, unidade.
É o testemunho poderoso que essas
pessoas precisavam dar de que Messias,
de que o Messias era Senhor sobre o
mundo todo. E uma segunda preocupação
também muito clara de Paulo na sequência
do capítulo 2, logo depois da parte que
a gente leu, é santidade. Existe uma
nova forma de ser humano. Santidade no
contexto bíblico é algo muito diferente
do que as pessoas pensam de ser alguém
que é é mais limpinho, alguém que faz as
coisas de forma um pouco eh mais
exemplar, que é uma pessoa direitinha.
Isso é muito distante do que é santidade
no texto bíblico. Santidade significa
que Jesus nos revelou como seres humanos
que existe uma nova forma de humanidade,
existe uma nova forma de se portar nesse
mundo que foi criado por Deus. que foi
bem feito e que Deus se alegrou quando
criou, que ele também fez os seres
humanos de uma maneira que deveriam
refletir essa glória divina sobre a
criação. Existe uma nova humanidade que
é estabelecida por Jesus e uma nova
forma de agir no mundo que foi feito
pelo próprio Jesus.
E quando a gente pensa sobre os dois
temas, unidade do corpo de Cristo e
santidade do corpo de Cristo, a gente
precisa perceber que a parte difícil é
manter as duas coisas ao mesmo tempo.
Unidade sem santidade é relativamente
fácil. A gente aceita tudo, a gente não
confronta nada, a gente não precisa
acertar nossas diferenças, a gente só
precisa permanecer como um só
corpo. Santidade sem unidade também é
fácil, porque se a gente tem um
compromisso de fazer a coisa certa, mas
quando outra pessoa faz de modo
diferente, quando outra pessoa tem outra
postura e outra interpretação, a gente
abandona essa parceria. Eu sou santo
porque eu decidi agir da forma correta e
da forma correta e eu não tenho nenhuma
relação com o que você quer fazer. Eu só
me relaciono com você até o momento que
você concorda comigo, até o momento que
você se submete à minha vontade. Unidade
sem santidade é fácil. Santidade sem
unidade também é. Mas nenhum dos dois
cenários é satisfatório para aquilo que
Paulo está falando, que é o testemunho
da igreja que vai convencer o mundo por
meio da ação do Espírito Santo, que de
fato convence o homem do pecado, da
justiça e do juízo. As duas coisas
precisam caminhar juntas. E Paulo tá
dizendo o seguinte: "Isso só vai ser
possível se vocês desenvolverem uma nova
mente. Isso só vai ser possível se vocês
tiverem a mente do Messias. A mente do
Messias é muito mais do que adicionar
novas informações a esse corpo de
conhecimento que vocês já possuem sobre
como o mundo é, sobre como nós devemos
viver, o que nós devemos fazer. Não. A
mente do Messias é: "Permitam que a
vida, as palavras, o ministério, a morte
e a ressurreição de Jesus ensinem
você, ensinem vocês como corpo de Cristo
a pensarem sobre todas as coisas de uma
forma absolutamente nova. Existe uma
transformação completa na maneira como
nós nos entendemos, como entendemos a
nossa relação, como entendemos o mundo
todo, como entendemos o próprio Deus a
partir daquilo que é a pessoa de Jesus.
Pensar com a mente do Messias é pensar
com uma nova mente a partir daquilo que
é a pessoa de Jesus.
E no centro da revelação que esse
Messias nos traz, no centro daquilo que
está pensar de uma nova maneira, está
essa relação que a gente começou a nossa
reflexão
hoje. Sofrimento e
celebração, sofrimento, serviço e
sorriso fazem parte da mesma realidade,
fazem parte da mesma jornada. Essas
coisas andam juntas, pelo menos nesse
momento da nossa vida, pelo menos nesse
momento em que estamos na tensão entre
uma nova era e uma antiga era, entre um
novo mundo inaugurado por Jesus, mas um
antigo mundo que ainda não passou. No
momento em que nós nos
encontramos, sofrimento, serviço e
sorriso fazem parte. celebração, ao
mesmo tempo que se experimenta
humilhação, fazem parte da mesma
condição, da mesma pessoa e da mesma
jornada, não só que o Messias
passou, sofreu e recebeu como
glorificação, mas também a nossa própria
história. Por isso que Paulo não se
envergonha do seu próprio sofrimento, da
sua prisão e das suas algemas.
Seguir Jesus significa confrontar o que
aí está, mas também significa acreditar
que tudo o que aí está será
transformado. Seguir Jesus significa que
o sofrimento é uma parte inevitável da
nossa vida. Por quê? Porque nós estamos
confrontando o mundo em todas as suas
maneiras de ser mundo, em todas as suas
maneiras de exercer poder. Nós estamos
confrontando o mundo em todas as suas
formas de se organizar como sociedade.
Nós estamos confrontando o mundo em
todas as suas formas de categorizar as
pessoas. Nós estamos confrontando o
mundo em todas as formas de atribuir
valor às coisas. Por isso que quando nós
seguimos a Jesus e o caminho do Messias
crucificado, nós necessariamente vamos
não só confrontar, mas receber a
retaliação desse mundo. Seguir a
Jesus é confrontar o que aí está, mas é
acreditar que tudo que está posto será
transformado. E a gente então passa
rapidamente no capítulo 1, versículo 27
até o 24, como um bloco principal. a
gente leu do capítulo eh 2, versículo 1
em diante, mas esses primeiros quatro
versículos do capítulo 2 estão muito
próximos aquilo que Paulo está falando
no final do capítulo 1 da carta aos
Filipenses do do 24. Ele
vai desenvolvendo esse argumento sobre a
necessidade de agir como um só corpo e a
importância de nós fazermos isso como um
anúncio público do evangelho. O
evangelho precisa ser abertamente,
publicamente anunciado como esse poder
de Deus paraa salvação de todo aquele
que crê. E a expressão que Paulo usa
para falar sobre essa vocação pública
que a gente tem é cidadania. A
cidadania, que era uma realidade muito
conhecida por aquelas pessoas, é usada
por Paulo aqui, mas de uma maneira
diferente. Vocês são cidadãos de uma
forma como mais ninguém é cidadão. Vocês
precisam exercer a sua cidadania de
forma digna, de forma digna do
evangelho. E essa missão que vocês
possuem de exercer essa cidadania de uma
maneira digna é possível apenas por meio
da unidade. que é o que ele vai colocar
no versículo que a gente leu. Filipenses
capítulo capítulo 2, versículo 2. Esse
mesmo modo de pensar, mesmo amor, um só
espírito e uma só atitude. É o que Paulo
está apresentando pra gente. Não tem
como cumprir essa vocação e essa missão,
exercer essa
cidadania se cada um andar em seu
próprio caminho, se cada um seguir a sua
jornada da forma que entende ser melhor,
sem conseguir construir o consenso, sem
conseguir construir a
parceria, sem conseguir ter uma coinonia
profunda com as pessoas que
necessariamente vão pensar diferente em
muitos momentos, vão agir de uma forma
que nos frustra. e nos decepciona, que
vão apontar também os nossos pecados.
Aprender a viver com uma só atitude, com
um só amor, com um só modo de pensar,
está naquilo que é o coração da mensagem
do evangelho e do testemunho que nós
damos ao mundo. Essa unidade confronta o
mundo e lembra a todos os poderes. Vocês
serão derrotados. Veja como é poderosa a
mensagem que Paulo está colocando aqui
nesses versículos. Ele não está falando
isso explicitamente nos versículos 1 a
4, mas ele está construindo isso com o
exemplo que ele dá, em especial de
Filipenses, capítulo 2, versículo 5 até
o 11. Nesse texto que a gente vai olhar
com um pouco mais de calma, ele está
construindo esse argumento no todo da
carta. No momento em que vocês agem com
unidade, vocês confrontam todos os
poderes que tentam, que forçam, que
pressionam vocês a se fragmentarem, se
disunirem, se afastarem um do outro,
dizendo: "Aquilo que nos une como um só
corpo é o mesmo Deus, é o mesmo poder
que irá derrotar todos os outros
poderes, todos os poderes no mundo que
entraram para corromper a criação divina
serão derrotadas. E a nossa unidade é
testemunho disso. Essa unidade confronta
o mundo e traz essa mensagem. E por isso
que a gente vai entrar agora no
versículo 5 do capítulo 2 até o
versículo 11, que é essa poesia muito
lembrada e muito recorrente nas nossas
explicações sobre o que foi o ato da
encarnação de Jesus. Mas veja que entre
o versículo 5 e o versículo 11 estão
dois argumentos, um antes e um depois. O
argumento que vem antes de Filipenses
2:5 é o argumento sobre a unidade.
Filipenses 1:27 até o 24. O argumento
que vem depois é sobre santidade.
Filipenses 2 versículo 12 até o
versículo 18. Então,
entre essas duas partes que falam sobre
unidade e sobre santidade, está o
exemplo da pessoa de Jesus, está a
poesia que comunica o que é que Jesus
fez, quem é que Jesus é. Ou seja, é como
se Paulo, pela própria estrutura da
carta, estivesse mostrando pra gente que
Jesus é a personificação desse poderoso
testemunho de unidade e santidade na
mesma pessoa que estabelece o novo mundo
e a nova realidade que caracteriza o seu
povo. O povo do Messias deve seguir a
unidade e a santidade, porque Cristo é
um com o Pai e é plenamente santo e
manifesta a sua santidade por meio da
obediência ao Pai até sofrer morte e
morte de cruz. A pessoa de Jesus é o
centro do argumento de Paulo e a
personificação daquilo que ele está
dizendo que a igreja precisa fazer.
Então Paulo está aqui colocando nessa
poesia o exemplo da pessoa de Jesus. Mas
quando Paulo faz isso, ele faz por meio
de uma linguagem que é completamente
diferente do que ele estava da que ele
estava utilizando antes e completamente
diferente da linguagem que ele usa
depois do versículo 11. Porque Paulo usa
a linguagem da poesia. Ele está falando
muitas coisas ao mesmo tempo. E existem
coisas que nós não temos como falar de
outra forma. A única maneira de falar
tanto, tão bem e em tão pouco espaço de
uma mesma realidade é usando a linguagem
da poesia. Eu sei que na nossa cultura e
na nossa forma de pensar, as coisas que
realmente são importantes são
explicadas. as coisas que são realmente
valiosas é a linguagem eh que é
utilizada com precisão, é a linguagem do
que é técnico, do que pode ser utilizado
para construir algo. A gente é muito
ligado a essa concretude explicativa,
racional sobre a realidade. E muitos
momentos a gente perde de vista que as
coisas mais importantes sobre Deus,
sobre nós, sobre a nossa relação com
Deus não podem ser expressas de outra
forma que não seja por meio da poesia. E
um estudioso e chamado Enty Wright
afirma o seguinte. No texto de
Filipenses, capítulo 2, ele diz que o
que é primário é a
poesia. A explicação teológica vem em
segundo lugar. O que realmente importa
aqui é você ler, meditar e permitir que
essa poesia transforme a pessoa que você
é. compreender a explicação teológica,
que é isso que a gente tá fazendo
agora, é a parte secundária, importante,
mas muito menos importante, do que
permitir que essa poesia tenha força
sobre o seu coração e sobre a
transformação da mente que você possui.
Esse mesmo estudioso traz uma explicação
muito detalhada e profunda que serviu
como referência para a maior parte do
argumento que é a nossa explicação de
Filipenses 2 aqui. Mas ele mesmo
reconhece isso. O que é primário aqui é
ler e permitir que essa poesia faça o
seu trabalho. Mas já que a gente precisa
em algum momento também parar para
tentar compreender e a gente se propõe a
explicar, a gente precisa compreender
que esses versículos, esses sete
versículos, na verdade formam a
confluência. São muitos afluentes que
estão desaguando no mesmo rio, que é
essa poesia. Existem muitos fios que
estão sendo tecidos em paralelos, em
paralelo, aparentemente completamente
diferentes, mas que no final estão
formando uma mesma imagem e uma imagem
muito
coerente. E o que é que a gente quer
dizer com isso? É que a mesma poesia
conta várias histórias em níveis
distintos. A mesma poesia está falando
sobre a mesma pessoa, o mesmo Deus, mas
quando conta a história da mesma pessoa
e do mesmo Deus, está contando a
história de várias outras pessoas, está
unindo várias
eh partes daquilo que é a revelação
bíblica. Então, por exemplo, quando a
gente olha explicitamente pro Paulo tá
falando, é muito claro que ele tá
contando a história de Jesus. A gente vê
no versículo 5 e a partir em especial do
versículo 6 que ele está dizendo que
Jesus, embora sendo Deus, não considerou
que o ser igual a Deus era algo que
devia pegar-se. Depois ele vai falar
sobre essa encarnação, humilhação, morte
de cruz, exaltação acima de todo nome e
aquele por meio de quem o próprio Pai é
glorificado. Então Paulo claramente está
contando a história de Jesus. Mas em
segundo lugar, Paulo também está
contando a história do servo sofredor,
um personagem muito conhecido do povo de
Israel. Porque o servo sofredor é a
figura central de Isaías, capítulo 40
até o 55. Esse longo poema de 16
capítulos fala sobre Israel como um
servo e estranhamente fala sobre um
servo que toma o lugar de Israel. Essas
perspectivas, elas estão sendo
trabalhadas e desenvolvidas de uma
maneira que é muito poderosa, muito
apelativa, mas até certo ponto muito
misteriosa. No texto de Isaías, capítulo
40 até o versículo 5. E ali o profeta
Isaías fala que esse servo fez por
Israel e por meio de Israel fez pelo
mundo o que Israel e o mundo precisavam,
mas não podiam obter. o que eles
precisavam, mas não conseguiriam
conquistar, não fosse o trabalho desse
servo sofredor que toma o lugar do povo
de Israel e, em último lugar toma o
lugar do próprio mundo. Então, a gente
fala que Filipenses capítulo 2, 5 a 11 é
a história de Jesus, mas é a história
também do servo sofredor. Existem vários
ecos desse cântico que são encontradas
encontrados na linguagem de Paulo aqui.
Em terceiro lugar, essa é a história da
humanidade. É a história do próprio Adão
e de toda a descendência que veio por
meio de Adão. Porque nós fomos criados
em glória. Nem sempre a gente atribui ao
Salmo número oito a importância que ele
deveria ter na nossa compreensão de quem
nós somos. Nós fomos feitos um pouco só
menor que os anjos.
E fomos dotados, fomos formados em
glória para governar sobre toda a
criação. Esse era o nosso destino a
partir do ato criativo e generoso da
parte de Deus. Mas além do Salmo 8, a
gente escuta aqui as vozes de Gênesis
capítulo 1, 2 e 3. Porque Gênesis 1 e 2
fala exatamente a mesma coisa. Fomos
feitos à imagem e semelhança de Deus.
Mas Gênesis 3, nós perdemos essa glória.
Não deixamos de ser imagem e semelhança,
mas nós já não partilhamos essa mesma
glória com Deus que possuíamos antes da
entrada do pecado e da morte do mundo. E
quando a gente ouve a história de Jesus,
a gente está escutando a história do
próprio Adão. É muito semelhante ao
argumento de Paulo em Romanos capítulo
5. Porque Jesus recupera esse destino da
humanidade. Ele possuía a glória do
próprio Deus. Ele não se apegou ao fato
de ser Deus. Não explorou esse fato. Ou
seja, ele não usou simplesmente o
direito que ele tinha de sempre
permanecer com essa glória, mas assumiu
uma forma humana, não deixando de ser
Deus, mas assumindo uma forma que era
humilhante diante da sua própria
condição de Deus. E quando ele assume
isso, faz o que ele faz, ele é exaltado
acima de todas as criaturas. E como o
homem ele resgata essa vocação humana de
ser preenchido novamente pela glória
divina, mas agora ele ressuscita e é
exaltado como homem, o Deus que sempre
foi, mas junto com ele constituindo um
povo que recebe novamente essa glória
que Deus nunca desejou que fosse perdida
pela humanidade. Essa é a história de
Jesus. Essa é a história do servo
sofredor. Essa é a história da
humanidade. Mas mais surpreendente do
que tudo isso, talvez muito mais
importante do que o segundo e o terceiro
ponto que a gente
colocou, é perceber que essa é a
história de Deus. Essa é a história do
próprio Deus. Isaías
40 até o 55 é uma
declaração contundente, talvez uma das
declarações mais contundentes do
monoteísmo de Israel. Israel, existe
apenas um Deus. Eu sou o Deus que criou
vocês. Eu sou o Deus que libertou vocês
do Egito. Eu sou o Deus que permiti que
vocês fossem para o exílio. Mas eu serei
o Deus que resgatarei vocês desse
exílio. E quando eu fizer isso, vocês
perceberão a glória da minha presença
retornando para o meio do povo de uma
forma que vocês nunca experimentaram.
Deus falou que ele mesmo em pessoa faria
isso. Ele mesmo traria libertação, ele
mesmo retornaria para o meio de Israel.
E o que é que Paulo está comunicando
aqui quando ele usa a linguagem de
Isaías 40 a 55? Mas para falar de Jesus,
ele está dizendo que Yahé, o próprio
Deus, o criador dos céus e da terra, o
Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó,
finalmente cumpriu aquilo que ele disse
que iria cumprir. Mas para contar essa
história, nós necessariamente precisamos
contar a história de Jesus. Então, a
história de Jesus é a história do
próprio Deus. E Paulo não está colocando
isso aqui de uma forma forçada. Ele não
está dizendo, existe um só Deus. Paulo
permanece com o monoteísmo judaico que
sempre o caracterizou e tá tentando
encaixar aqui lateralmente Jesus dizer:
"Ó, não, mas ele tem características
parecidas com o Pai, ele faz coisas
poderosas como o próprio pai". Não, ele
está encontrando o Deus único e
verdadeiro na pessoa de Jesus. Contar a
história de Deus é necessariamente
contar a história de Jesus. E Deus falou
o seguinte nesse mesmo texto de Isaías
40:55: "Essa glória que eu possuo, eu
não partilho com nenhum outro Deus. Essa
glória que apenas eu tenho, eu não
partilho com nenhuma outra divindade,
porque não existem outras divindades." E
aqui a gente encontra o fato de que Deus
partilha essa glória com Jesus. Por quê?
Porque Deus voltou atrás no que disse.
Porque existe agora uma segunda
divindade que é tão importante quanto o
próprio Yahvé? Não, porque nós
encontramos a glória do Deus único na
glória do Filho. Aquele que vê o filho
vê ao pai. Então, o que Jesus faz é o
que Deus sempre quis que fosse feito. E
em quinto lugar, de certa forma, essa é
a história de César. é a forma como
Paulo está
confrontando o próprio Império Romano,
porque nem sempre a gente tem essa
clareza, mas
César tinha o discurso, tinha os feitos
e exigia por parte de todos aqueles que
faziam, que constituíam o Império
Romano, uma postura não só de
reconhecimento legal, de reconhecimento
do seu poderio militar, mas de
reconhecimento da sua própria glória.
César, quando conquistava aquilo que
conquistava, esperava e conseguia o
reconhecimento de que ele era o grande
imperador, mas que ele era senhor do
mundo. Além de ser o Kos, o Senhor sobre
o mundo, ele era adorado como um deus.
Isso nem sempre fez parte daquilo que
era a tradição romana, mas a partir de
um certo ponto da história do Império
Romano, os imperadores passaram a exigir
a adoração a eles como se eles fossem
deuses, como se eles fossem o Deus que
governa sobre o mundo todo. Então Paulo
está contando a história de Jesus como
sendo esse Krius, esse Senhor que está
acima de todo nome, acima de César,
acima de todas as potestades, acima de
todos os poderes que atuam sobre esse
nome, está o nome que o próprio Cristo
recebeu do Pai.
Então, a gente percebe
aqui que essa é uma história, mas é uma
história que conta muitas histórias ao
mesmo tempo. A história de Jesus, a
história do servo sofredor, a história
da humanidade, a história do próprio
Deus, a história dos poderosos da terra,
a história de César. E César tinha uma
forma muito característica de dizer que
ele era o Senhor sobre o mundo todo.
Quando algum tipo de insurreição
acontecia no Império Romano, qual era o
símbolo de humilhação desses que
tentavam usurpar de Roma o seu poder? A
cruz. A cruz era o símbolo justamente de
Roma declarar o seu poder e de tornar
aquele que era muito menor do que Roma
em algo ainda
mais ainda mais baixo, ainda mais
humilhado, ainda mais eh subtraído de
qualquer dignidade, porque era morto.
Mas não apenas morto, era morto de uma
forma vechatória,
vergonhosa. Jesus então é morto dessa
forma. usando o símbolo que sempre
serviu para humilhar, sempre serviu para
pisar e esmagar sobre todo aquele que
tinha audácia de se levantar contra o
Senhor do mundo todo. E ao mesmo tempo,
de uma forma muito, muito curiosa, a
cruz passou a ser o sinal da glória de
Cristo. Veja como esse símbolo passa por
uma
transformação extremamente
relevante. aquilo que alguns estudiosos,
não só do texto de Filipenses, mas de
outros textos que observam e que tratam
dessa transformação da cruz como um
símbolo de vergonha para um símbolo de
glória, vão dizer que foi necessário a
reflexão teológica mais profunda e mais
genial para perceber que tudo aquilo que
estava associado ao maior símbolo de
humilhação passou a significar o símbolo
da glorificação.
Jesus é capaz de revelar o amor de
Deus que se manifesta coroando o Messias
na morte e morte de cruz. Quando a gente
começa a perceber que Paulo não se
envergonha do evangelho porque o seu
Messias morreu numa cruz, a gente começa
a perceber a força que essa poesia tem.
E a gente começa a perceber porque que
Paulo fala o seguinte: "Olha, deixe que
a mente de vocês seja
transformada, seja completamente
renovada à luz daquilo que aconteceu com
o nosso Messias. Permita que a mente do
Messias transforme a mente que vocês
possuem. Ou seja, deixe essa poesia
transformar as pessoas que vocês são.
Porque quando você começa a olhar pra
história de Jesus como sendo a história
de todos nós, a história do próprio
Deus, você começa a perceber que o
exemplo que ele deu não é só um exemplo.
O exemplo que ele deu é o único caminho
pelo qual nós chegamos ao Pai. é
replicando a história de Cristo, é
completando os seus sofrimentos, é
participando com ele em sua dor, que nós
também vamos descobrir a sua glória. É
quando nós percebemos que servir a
Deus, servir ao
próximo e fazer isso da forma como Jesus
nos
ordena, a gente começa a perceber que
ser pisado, ser rejeitado, ser
incompreendido não deve ser um motivo
simplesmente de lamento, não deve ser um
motivo de crise em nossa fé, em nosso
coração, porque nós
associamos essas reações de dor e de
rejeição a uma espécie de rejeição do
próprio Deus. Não, Jesus não sofreu
porque o Pai o rejeitou. Jesus sofreu
justamente porque o Pai aprovou a sua
obediência a um ponto em que ele sofre a
morte e morte de cruz. Jesus molda e
estabelece um novo caminho. Esse é um
vivo caminho. Esse é um caminho de
esperança. Nós temos esperança na glória
de Cristo. Somos com ele coerdeiros da
glória que o Pai partilha com o Filho.
Mas isso necessariamente vai
envolver a continuidade da história do
Messias. Se nós de fato nos sentimos
muito confortáveis na vida que nós
temos, na fé que nós exercemos, na
maneira como nós estamos fazendo essa
coisa, é porque tem algo profundamente
errado. Não tem como a gente se
reconciliar com o
mundo que compreende e faz todas as
coisas que faz em oposição aquilo que é
a vontade e a forma como o próprio
Cristo manifesta o poder e o amor de
Deus. Ou nós seguimos o caminho de
Cristo e confrontamos o mundo, ou nós
estamos completamente conformados à
realidade do mundo. Por isso, no momento
em que você replicar a história de
Jesus, no momento em que você seguir
pelo caminho do Cristo crucificado,
lembre-se disso. Haverá sofrimento. Isso
é a forma certa de serviço. E por isso
você deve sorrir, por isso você deve se
alegrar. Porque se nós estamos
participando com ele em seus
sofrimentos, nós também vamos participar
com ele em sua glória. A história do
Messias precisa ser a nossa história.
Permita que essa poesia molde e defina a
forma diferente como você cumpre a
vocação que Jesus lhe entregou e deu e
que só
você pode fazer no lugar e nas condições
em que você está. manifestar o amor de
Deus ao mundo, a sua família, as pessoas
que estão em necessidade, as pessoas que
lhe confrontam, as pessoas que trazem
sofrimento a você, significa manifestar
essas pessoas o Messias e o Messias
crucificado. O Messias que ressuscitou
em glória. É verdade, mas é o Messias
crucificado, que se entregou por amor,
que mostrou que sofrimento e exaltação
fazem parte da mesma jornada e da mesma
fé que nós temos no Senhor, que é o
Senhor sobre o mundo todo. Por isso, o
nosso convite a você é experimentar essa
vida e essa nova vida em Cristo de uma
outra maneira.
Sofrer, servir e sorrir devem fazer
parte da sua história, devem fazer parte
da sua relação com Deus e com todas as
pessoas que estão ao seu
[Música]
redor. Talvez uma das coisas mais
curiosas e surpreendentes que existe na
nossa caminhada de fé é que Deus de fato
não precisa de nada. E você pode
imaginar, mas como é que eu pegando o
meu dinheiro, o sujo dinheiro desse
mundo, vou ajudar a Deus? Com certeza a
gente não vai ajudar Deus. Deus não
precisa do dinheiro de ninguém. E
certamente ninguém deve imaginar, olha,
eu vou dar algum dinheiro, alguma
contribuição para ver se Deus me ajuda.
Isso não funciona dessa maneira. A
questão é diferente. Pessoas que são
atingidas pelo amor de Deus, pela graça
de Deus, pelo evangelho e mudam a sua
caminhada, tem desejo de fazer com que o
evangelho seja ouvido, a palavra seja
ensinada, as pessoas necessitadas sejam
acudidas, as pessoas doentes sejam
amparadas, as pessoas nos projetos
missionários e humanitários continuem a
servir com evangelho. Então, não é que a
gente faz qualquer coisa para dar para
Deus, mas o amor de Deus mexe com a
gente pra gente servir as pessoas que
estão sendo abençoadas pela mensagem,
pelo poder do reino de Deus. Por isso a
gente convida você, se for do fundo do
seu coração, se for com alegria, se for
algo que envolve o seu dízimo, oferta,
contribuição, doação, que você faça isso
livremente. Aí vem uma comunidade séria,
uma comunidade responsável e que aplica
esses recursos naquilo que realmente faz
diferença e é importante. Então, nós
agradecemos a sua contribuição, a sua
parceria para que a gente faça com que
essa mensagem se torne realidade prática
e abençoe as pessoas na lida do dia a
dia. Deus seja louvado. Nós agradecemos
ao Senhor por isso, em nome de Jesus.
Amém.
[Música]
Queremos te agradecer por participar
conosco de mais uma celebração aqui na
IBNU, esse conteúdo que é desenvolvido
para abençoar a sua vida e das pessoas
que você conhece. Por isso, nós
convidamos você a ser nosso parceiro.
Divulga esse conteúdo, entrega esse link
pras pessoas que você conhece, manda lá
nas suas listas de transmissão do
WhatsApp, manda pras pessoas que você
gosta, pras pessoas que você não gosta
também, manda pro pessoal vir aqui ouvir
uma palavra muito abençoada. baseada no
texto bíblico. E nós queremos te
convidar também a participar das nossas
outras atividades. Nós temos atividades
online e temos atividades também
presenciais. Todas elas são avisadas lá
nas nossas redes sociais, tanto no
Facebook como no Instagram. se inscreve
nos nossos canais para você ficar por
dentro de tudo. Como você sabe, na
próxima semana estamos aqui novamente.
[Música]
[Aplausos]
[Música]
Nada nos separ.
dos laços do teu grande
[Música]
amor. De longe ouvimos o amor que chama,
paixão profunda, bondade e graça se
derramando. É tão profundo, tão imenso e
cobre luz. É furioso, poderoso e abraça
luz. Só ele pode devolver a vida aos
corações. O pai que seu
filho nos deu,
o filho que por
todos
morreu. Nós derrama amor e graça e nos
convida a sua mesa nos
alcançando. É tão profundo, tão imenso e
cobre-nos. É furioso, poderoso e abraça
luz. Só ele pode devolver a vida aos
[Música]
corações. É tão profundo teu imenso e
cobre luz. É curioso, poderoso e abraça
luz. Só ele pode devolver a vida aos
[Música]
corações. A vida os
corações nossos
corações. Só ele pode
devolver a vida aos nossos
corações. É tão profundo, tão imenso e
cobre luz. Você é furioso, poderoso e
abraça a luz. Só ele pode devolver a
vida aos
corações. Foi só
ele é tão profundo, tão imenso e cobre
luz. Furioso, poderoso e abraça luz. Só
ele pode devolver a vida aos
[Música]
corações. É tão profundo, tão imenso e
cobre-nos. Éo, poderoso e abraça luz. Só
ele pode devolver a vida os
corações. É
tão luz. É furioso, poderoso e abraços.
Só ele pode devolver a vida aos
corações. Oké.
[Aplausos]
[Música]
[Aplausos]
[Música]
เ

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