Ciência para pastores – BTCast ABC2 077
27/05/2025
Ciência para pastores – BTCast ABC2 077
Muito bem , muito bem, muito bem, está no ar mais um BTCast ABC2! Neste episódio, Bibo e Tiago Pereira conversam com Gustavo Assi e Filipe Breder sobre como o saber científico pode auxiliar pastores e líderes. Pastores precisam ser cientistas? Claro que não. Mas será que podem ignorar completamente a linguagem, os métodos e os frutos da Ciência? Neste episódio, refletimos sobre como líderes espirituais — mesmo sem formação científica — podem se beneficiar do saber acadêmico. O que acontece quando pastores escutam com atenção os cientistas da própria comunidade de fé? Como o diálogo entre púlpito e universidade pode fortalecer a igreja e ampliar sua relevância no mundo? Essas e outras perguntas serão respondidas neste BTCast ABC2, uma parceria Bibotalk e Associação Brasileira de Cristãos na Ciência!
Aqui é o artigo que a gente citou algumas vezes: https://cristaosnaciencia.org.br/gostaria-que-pastor-soubesse/
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Conheça o programa Ciência e Sapiência, material da ABC2 para as escolas:
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– BTCasts ABC2: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAJQRa75AUS1NKO-lWMikCot
– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9
Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Tem um ponto, cara, que a igreja precisa entender como que ela enxerga os cientistas cristãos. Cientistas cristãos são como sacerdotes. Cara, há um sacerdócio em se fazer ciência. Em que sentido? Primeiro, se nós entendemos que há uma revelação de Deus no mundo natural, assim como há uma revelação de Deus na palavra, né, no ministério da palavra escriturada e na pessoa de Cristo, e há uma revelação de Deus na sua obra, no mundo natural. É necessário que esse livro seja lido. E os cientistas são os leitores treinados, bem capacitados, com a com o linguajar adequado para ler o livro da revelação natural de Deus e desvelar verdades de Deus desse livro para o povo. Então, tem um sacerdócio aí. Bibotalk e Associação Brasileira de Cristãos na Ciência apresenta BT ABC2. [Música] Muito bem, muito bem, muito bem. Começa mais um BTQ ABC2 de número 77. Caramba, 77 episódios falando sobre fé e ciência. E eu quero dizer o seguinte, você até pode ser um pastor não preparado para falar sobre ciência, mas proibir vacina de púlpito é mancada demais. Olá, eu sou Gustavo Ace e nesse mundo complexo em que nós vivemos, ninguém dá conta de tudo sozinho e é bom pedir ajuda. Boa, boa. Ninguém dá conta. Eu sou o Thiago Pereira e cientistas precisam de pastores, mas os pastores também podem aprender com os cientistas. Eu vou mudar tua entrada. A tua entrada tá errada, Thaago. Eu vou dizer, a minha única contribuição nesse podcast vai ser corrigir a tua entrada. É, tem que ser, é, tem que ser vice-versa. Ah, tá. Então, entendeu? Cientistas precisam de pastores, pastores precisam de cientistas. Isso aí, precisam, mano. Porque é essa galera que não precisa, que não consulta cientista, que proíbe vacina no pú. Você foi muito light na volta. É, é, é. Mas tu disse muito bonito. É, foi mais light. Foi mais light. Foi, foi, foi mais light. Tem que ser tipo, é, um precisa do outro, entendeu, mano? que daí complementa o que o Gustavo as falou, entendeu? Acabou o episódio. Obrigado. Valeu, Felipe. Obrigado pela sua não participação. Muito obrigado. Eu sou Felipe Breder e além da Bíblia, o pastor também pode se especializar no outro livro de Deus. Ó, aluno fiel da BC2 aí, hein, gente? Estamos aqui em mais um episódio da BC2. Olha, eu tô muito feliz, hein? 77 episódios. Na verdade, tem mais episódios sobre fé e ciência aqui em Bibotalk, porque tem alguns episódios que a BC2 fazia com a gente antes de termos essa parceria fixa de podcasts mensais. Então, são mais de 80 episódios aí falando sobre fé e ciência. Muito obrigado à Associação Brasileira de Cristãos na Ciência, que tenho certeza que é um serviço público e e ministerial que a gente presta à igreja de Jesus aí, que é sensacional. [Música] Pessoal, queria apresentar para você que tá chegando aqui pela primeira vez hoje e relembrar a vocês que já nos acompanham sobre o trabalho da BC2, o trabalho da academia BC2 e tudo aquilo que a gente tem produzido nesses anos. Lembrar a vocês que nós temos os nossos sites, nós temos as nossas redes sociais e nós temos ali muito material produzido, nós temos os nossos livros publicados junto com a editora Thomas Nelson Brasil, junto com a editora Ultimato. Nós temos séries muito importantes para fortalecer o diálogo entre fé e ciência e para te oferecer recursos para trabalhar nessa área, nas áreas diversas que nós temos oferecido. Nós temos no site da Academia BC2 a nossa revista, a revista Unos Mundos. Se você não conhece ainda, vale a pena entrar na nos mundos, conhecer os nossos conteúdos, conhecer os textos, os artigos que têm sido publicados, as resenhas, os ensaios, os simpósios, as entrevistas apresentadas na Entremundos, que é o nosso canal de entrevistas da revista ou nos mundos. E há muita coisa importante, muita coisa interessante, muita coisa que você pode utilizar nas suas comunidades, nos seus estudos, na universidade, na igreja, na escola. E em falando em escola, eu quero lembrar a todos vocês que nós temos o programa Ciência e Sapiência. Sim, é um programa oferecido para escolas de ensino médio. Esse currículo que pode ser utilizado por escolas confissionais. Ah, e nós queremos que você conheça. Existem propostas já para o segundo semestre. Então, se você ainda não conhece, você quer algo que já pode começar a ser utilizado a partir do segundo semestre em suas escolas, não deixe de conhecer, de entrar no site do Ciência Sapiência, de conhecer esse material, de pedir uma amra, de solicitar uma reunião, um contato com a nossa equipe que pode entrar em contato diretamente com você e fazer você conhecer mais, conhecer melhor o programa Ciência e Sappiência, um programa para o ensino médio sobre fé e ciência. E gente, nós temos muitas outras coisas, nós temos muitas iniciativas em curso, nós temos muitos materiais. Então não deixe de conhecer os trabalhos da BC2, não deixe de conhecer os nossos o nosso site, os nossos materiais publicados, não deixe de conhecer as nossas redes sociais, porque sempre vai ter novidade por lá. E agora, sem mais delongas, vamos pro nosso papo que tá maravilhoso, tá sensacional. Eu tenho certeza que você vai ser muito edificado com a conversa que nós tivemos nesse [Música] episódio. Hoje vamos falar sobre o tema ciência para pastores. Afinal, pastores precisam entender de ciência? Precisamos ter alguma noção de ciência? Os pastores precisam estar antenados no mundo da ciência. Qual a relevância disso para o ministério da igreja? Qual a relevância? Um pastor que já tem tanta coisa para se preocupar, um pastor que tem que preparar os seus sermões, estudos bíblicos, fazer sepultamentos, fazer casamentos, cuidar da laje da igreja, né? Tantas coisas. Ele ainda precisa saber de ciência. Já não é muita coisa. Os pastores já não estão cansados e sobrecarregados e sem motivos de cantar uma linda canção. E eles não são Joseph Climber. E ainda eles precisam saber de ciência qual que é a pauta, qual que é a ideia desse BTC aqui. Vocês querem tornar o ministério pastoral mais pesado? Eu não, eu queria entender aí, mas eu vou só dei essa entrada e tchau. Vai, Thiago, assume aí porque eu fiquei preocupado agora com a classe pastoral, cara. É, é bem, é bem isso mesmo. Eu, a gente viu, é bem isso mesmo. Beleza, Thago. Show de bola. É aí, ó. É bem isso. É, a gente precisa resolver tudo isso. A gente precisa dar mais coisa pros pastores fazerem. Aí a gente vai tentar conversar para ver que que a gente resolve. A gente tem uma pesquisa que foi realizada em 2021 no Reino Unido e os caras avaliaram ali os pastores clérigos, né, enfim, né, o pessoal que tá na liderança da igreja no Reino Unido, anglicanos principalmente, mas não só, sobre a relação deles com ciência, né? E eles encontraram ali que a grande maioria dos pastores, eles se preocupam com questões da ciência, eles gostam, né? Estão assim interessados e eu acho que é uma coisa da sociedade como todo, né? Todo mundo de alguma forma se interessa em algum nível, né? gosta de coisas de ciência, mas a grande questão é que de todos esses que eram muito interessados em ciência, não se sentiam preparados para discutir a ciência em público, para discutir questões de ciência, principalmente no púlpito, né? Então, e existe essa desconexão muito grande entre o interesse e a capacidade ou a confiança para discutir a ciência em público. Então, a gente a partir disso, né, a gente pode pensar na nossa realidade aqui no Brasil, como que nós eh, né, como igreja brasileira, como representantes da igreja brasileira, de alguma forma podemos pensar essas questões. A gente não tem uma pesquisa e nacional, né, falando como que é, como que são esses números aqui no Brasil, mas eu queria ouvir aqui do do Gustavo do Felipe Breder, que que eles, como que eles têm percebido a, a relação de pastores na igreja brasileira ou talvez no recorte que eles têm, né, e de perceber aí como que como que tem visto essa relação de pastores em relação a a ao interesse e essa confiança, talvez, né? Será que se repete esse cenário que tinha lá no Reino Unido aqui no Brasil? Thiago, deixa eu comentar rapidinho eh dessa pesquisa. É interessante que no Reino Unido o público geral tá muito mais envolvido com ciências do que a média dos brasileiros, né? Enquanto o programa de ciências nas escolas são mais fortes, tem muitos museus, né? Tem muitas instituições científicas de séculos, né? Que fazem parte da sociedade britânica, cara. Tem muitos personagens cientistas que são anglicanos, né? Que são da igreja anglicana. Isso faz parte da igreja deles ter referências lá, né, como Farade, como Maxwell, você tem nomes assim icônicos nas ciências que saíram daquela igreja. E cara, e tem muitas universidades, né, confessionais, tem muito livro, tem muito podcast e e o mais interessante, tem muito programa de TV aberta, sabe? A BBC é pioneira naqueles programas de natureza, né? Então, eh eh é uma sociedade que fala e e tá embebida muito mais em conhecimento científico, principalmente conhecimento da natureza do que aqui no Brasil. Mas aí, olha que interessante, há há alguns anos, eu acho que até em resposta, isso é um pouco em resposta a essa pesquisa, eh houve um movimento da Igreja Anglicana de olhar pros seus pastores e com essa preocupação de conhecimento científico dentro da igreja. E eh eu fui nomeado h um tempo atrás como um conselheiro paraa comissão da ciência da comunhão anglicana mundial, né? Nós somos aí oito cientistas no mundo que ajudam aquela conferência de Lbeth, né? Que é a conferência dos bispos anglicanos a pensar esse tema de fé e ciência. E olha que interessante, uma iniciativa fruto dessa comissão é um movimento estruturado da igreja anglicana, projeto mundial para treinar o o clero anglicano em ciências e a sua relação com a fé. Então tem um movimento aí declarado, né, não escondido, mas declarado mundial, institucional da igreja anglicana nessa direção de capacitar, né, ou melhorar a compreensão do seu clero na interação entre fé e ciência. Interessante o que o Gustavo falou, porque realmente no Brasil parece que no geral as pessoas se interessam um pouco menos por ciência nas igrejas em geral, né? Na minha realidade, na nossa realidade de igreja, quando surgem alguns jovens que estão na universidade e que querem discutir assuntos que estão em crise, como biologia, ciências biológicas, cosmologia, e nós começamos a falar um pouco sobre isso. Eu tive a experiência que os jovens procuraram a gente para falar sobre biologia, criação, evolução e idade da terra, essas coisas, essas crises comuns de jovens e adolescentes que estão entrando na universidade. E quando nós nos propusermos a falar sobre isso na igreja, os irmãos, a grande maioria da igreja veio falar: "Olha, mas isso não é um assunto importante, vamos falar de outras coisas. Deixa para que gerar mais polêmica, para que gerar mais dúvida, mais curiosidade?" A gente tem que falar aí de Jesus, do amor de Jesus. Parece que não há tanto interesse como se não fosse algo importante, pelo menos a minha experiência pastoral. Isso não é uma coisa importante, não, não vale a pena a gente falar sobre isso. Isso é coisa da universidade. Se se é pra gente se, se é pra gente aprender um pouco mais de ciência, cria lá um o grupo de estudo lá com cinco pessoas, deixa essas cinco pessoas falando, mas paraa igreja como um todo, isso não é importante. Até a gente chegar numa realidade onde assuntos científicos se tornam realmente muito importantes pra vida, como foi a pandemia. E o Bíbo começou o podcast muito falando muito bem, né? que aí quando um assunto científico se torna relevante como saúde, como vacina ou polêmico, né? relevante ou polêmico. Polêmico. Aí nós percebemos que os nossos pastores realmente não estão preparados e não conhecem, não tem o mínimo conhecimento. Eu tenho percebido, eh, Gustavo, Thago, Bibo, que a maioria dos pastores que eu convivo, infelizmente, não sabem o que é método científico, um artigo científico. Falam de artigo, mas não faz nem ideia do que é publicar um artigo, de como funciona. E e aí as quando surgem assuntos importantes, a gente vê que nós estamos despreparados para oferecer boas respostas e respostas para mostrar que cristianismo é é relevante, tem respostas importantes para oferecer pra sociedade também. Ô Felipe, tem igrejas, cara, que em que esse ponto, esse contexto vai ser muito importante. Pega igrejas em centros universitários, pô, você vai ter um monte de jovens ali, talvez 90% da massa da juventude da tua igreja são universitários. E muitos estão passando por ali, cara, por tr 4, 5 anos, que é o período que eles estão na universidade, naquela cidade. E para eles, esse e esses pontos, né, essas questões são fundamentais, porque é a forma como eles vão interagir com a cultura. a teologia deles vai interagir com a cultura e a parte científica da cultura naquele momento de vida de forma muito intensa. Tem outras igrejas que dependendo da amragem da do dos membros ali, cara, isso vai ser um assunto tão superficial, tão tangencial, que de fato não precisa forçar, né, de púlpito ou guela abaixo o uma relação entre fé e ciência. Então, tem que analisar muito bem o contexto da igreja, né, quando esse é um tema importante e relevante e quando ele é superficial, como outros temas podem ser superficiais na nossa carreira de fé. Então, acho que precisa de uma boa avaliação da da igreja. Eh, então a gente pensando assim, né, a gente realmente precisa sempre avaliar o contexto, né, porque existem culturas diferentes, existem comunidades muito diferentes, mas eu fico pensando assim, a gente tem de fato comunidades que são mais voltadas pro meio acadêmico ou um público mais universitário, como o Guto falou, e existem comunidades que não tm uma conexão com isso, mas como o Felipe trouxe, né, de repente comunidades que não tinham conexão nenhuma com o meio acadêmico, não tinha nenhum nenhum acadêmico, nenhum cientista, nenhum professor universitário, N nenhum estudante universitário na sua comunidade também se viu levada a lidar com uma questão científica como na pandemia, né? vira e mexe acontece alguma coisa, uma pessoa que vai passar por uma tem uma questão de saúde muito séria, um um câncer ou uma doença congênito. E aí de repente aquela comunidade se vê diante da ciência, né, para lidar com ela. Então, e ao mesmo tempo que a gente tem contextualmente igrejas ou comunidades que estão de fato num cenário mais acadêmico e tem um perfil mais acadêmico, existem também outras comunidades que não tm esse perfil, mas em algum momento também vão precisar lidar com algum tema, né? E pensando nisso, né, assim, eu fico tentando entender como que um pastor poderia lidar com a ciência. Eu acho que dentro do que o Felipe falou aí da primeira percepção dele ou da comunidade, né, quando tentaram colocar as pessoas falando: "Ah, isso não é importante". Ou seja, já mostra que existe uma visão. Eu acho que essa visão tem sido a visão mais comum que a gente encontra normalmente, né? Ou a visão inicial é a visão de conflito, né? a pessoa já chega nesse assunto com uma visão de conflito, como se essa visão e fosse a visão possível. A visão que existe é uma visão de conflito. E aí de repente e a gente começa a perceber que não existem outras visões possíveis, né? Visão de diálogo, como a gente tem feito na BC2, né? Uma buscando complementaridade, buscando ali um um relacionamento, né? Uma interação, até uma integração às vezes entre a fé e a ciência. E de fato, né, parece que os nossos os a maioria das nossas lideranças não estão por dentro disso. E eu fico me perguntando assim, como que isso chega nesse ponto, né, ou como que a gente pode talvez pensar num num ponto de virada, se é que isso é possível. Eu acho que uma outra pergunta decorrente disso, mas pode dizer, Guto, vai lá, depois eu pergunto. É porque, cara, eu quero defender um pouco a barra aí do dos pastores também, né? Eh, cara, não é de se esperar que um pastor precise ter formação profunda em ciências naturais, cara. Não é, né? Ainda mais no nosso sistema de ensino. É muito provável que o pastor foi pro seminário, cara, por ter identificado a sua vocação, seu chamado pastoral, mas também porque ele tinha afinidade lá paraas ciências humanas, cara, pras letras, pra sociologia, pros estudos sociais em geral. Eh, provavelmente não é porque ele era apaixonado por física, química e matemática no ensino médio, né? E muito provavelmente ele passou raspando de física, quiba e matemática no ensino médio e foi seguir uma carreira aí no no campo pastoral, o que é legítimo. Então, o meu o meu ponto é o seguinte: é natural você encontrar pastores que cuja formação científica tenha parado lá na média cinco do ensino médio, porque depois disso não foi necessário ter um contato com ciência de forma mais profunda até que chegue o dia em que caia uma bomba na comunidade dele, na igreja dele, de uma questão científica interação com teologia ou com a fé. Puxa, aí ele tá ele tá no no num campo minado. E e aí e aí nesse ponto eu acho que pode faltar subsídio de formação para ele poder lidar adequadamente com o campo de fé e ciência. E aí geralmente, cara, em primeiro lugar eu noto uma visão de cautela dos pastores, sabe? Que para mim pode expressar assim um medo de um desconhecido, né? Os pastores ficam sobrecarregados de informação num mundo que fala muito sobre ciência, numa visão, uma cosmovisão cientificista, onde a ciência é dona de todas as verdades. O mundo vem com essa carga para dentro da igreja. Daí a posição do pastor é de cautela, de defesa, né? Eu não sei direito o que significa, então melhor eu me defender. E aí, cara, essa, na minha opinião, é uma postura genuína e honesta, só que ela pode rapidamente se tornar uma postura que assume um conflito ontológico entre ciência e fé, ou pelo menos um, sei lá, um um conflito entre o conhecimento científico e o conhecimento teológico, né? E aí muitos pastores pendem para esse lado do conflito por desconhecimento, mas aí eu acho que outros vão numa direção oposta, assim, que na minha opinião é igualmente equivocada, né? Que é de tentar fazer forçadamente uma fusão entre teologia e ciência, sem conhecer muito do campo científico, né? Atropelando, cara, assim, deformando teologia, deformando a ciência numa tentativa humana de fazer as duas se encaixarem na mesma caixa, sabe? Então, eh, seja de um lado para uma para uma indo para um lado de conflito antagico entre os dois lados, indo para um lado de fusão completa, para mim são dois caminhos que são naturais, mas que são equivocados. E aí, na minha opinião, ó, tem essas duas posições extremas são consequência de nós não termos desenvolvido na igreja e nos seminários uma boa teologia da ciência. OK? Meu ponto é, é fundamental num mundo em que nós estamos envolvidos em verdades científicas o tempo inteiro, em que um adolescente sente que tem a informação científica na palma da mão no celular e que ele vê nas manchetes o tempo inteiro. Ciência afirma que cientistas afirmam que, né, como a verdade, a dona das verdades, é fundamental que os nossos pastores, líderes, eh, corpo pastoral, de forma geral, não tô falando só do pregador titular da igreja, não, que aqueles que pastoreiam na igreja tenham uma boa teologia da ciência. O que que é uma boa teologia da ciência, cara? A gente abre conversa para para várias horas, mas eu acho que o ponto é esse. Falta na igreja hoje uma boa teologia da ciência em prática. Eh, eu confesso que no seminário eu não tive nada mesmo assim ligado para essa relação eh fé e ciência que eu lembre também, né? Confesso que eu não fui um aluno muito exemplar no seminário, assim, eu lembro que eu tive filosofia da ciência. Eu lembro que eu tive essa disciplina, aliás, mas no seminário teve, é, no seminário eu tive filosofia da ciência, porque eu acho que o Mac e o MEC já é um bom caminho. É, já é um bom caminho, não. E foi com o Euller. O Euller é foi um baita professor. Eu lamento muito. Eu gostaria de ter aula com o Euller com a cabeça que eu tenho agora, né? Não, com a cabeça de um piá, eu não era tão piá assim, mas enfim, eu não levava tão a sério talvez os estudos como eu devesse. Mas o Eer é era um baita cara, era um professor de seminário ao mesmo tempo que era professor de universidade também. Então naquela época eu já discutia transumanismo. Então mano, em 2000 e tô falando de 2005, então 2005 o Eulor já trazia para nós discussões de transumanismo, entende? O gravou com a gente, parênteses, o gravou com a gente sobre bioética. Tem um episódio aí. Gravou sobre bioética. Ele é um cara sensacional, Euller. Então assim, provavelmente ele já trouxe alguma coisa arejada para nós. Assim, confesso que ele já deve ter trazido alguma coisa arejada para nós. O Marcelinho Cabral da BC2 já deu aula nessa faculdade onde eu me formei sobre filosofia da ciência também e tal. Mas eu digo assim, eh, deve ter tido, né, nas aulas do Elder, deve ter tido um pouco dessa, é, porque a gente ia muito paraa área da bioética, né, não tanto para essa relação tão estreita de fé e ciência como a BC2, por exemplo, desenvolve e tal, mas com certeza o Eer já trouxe pra gente um pouco esses ares assim dessa relação fé e ciência e tal, mas porque tinha que ser uma disciplina mesmo, né, no seminário, tipo assim, um semestre estudando isso, tá ligado? Para e para ser uma coisa basilar, né? Eh, ô Bibo, eu não sei como foi a tua pitada de a tua imersão em ciências no seminário, mas a minha crítica geralmente é assim: A gente não pode, cara, eh, reduzir ciência no seminário, algumas pitadas, sabe, de ah, o assunto polêmico é isso, ou fé e ciência é aquele negócio ali, ó, e resolve, dá uma lacradinha ali, sabe? fala, "Não, vai ser assim. Você já leu esse livro? Assiste esse esse vídeo no YouTube ouve aquele podcast e pronto. Então, é como se fosse como você ticasse uma caixinha de satisfeita o o critério, o requisito de ter ciência no seminário dando esta palestra. Cara, é muito mais profundo. É você desenvolver uma teologia da ciência e vai olhar dentro para mim, para mim, ela tá dentro de uma boa teologia da natureza. Como é que o cristão enxerga a ciência? Não é habitar nos pontos polêmicos, sabe? É algo muito mais profundo e estruturante. Aliás. Então já fica o desafio pro próximo BTCash ABC2, ou melhor, algum BTCh ABC2. O que é uma teologia da ciência? O que é uma teologia da ciência? Não, eu quero isso agora, semana que vem na minha mesa. Aliás, agora o Guto falando, eu me sinto, a gente tem que sentir até meio envergonhado, né? 77 episódios e a gente não tem um episódio sobre isso. Aliás, tem isso, isso é muito bom. Tem se a gente varrer os episódios. É exato. Se a gente varrer os episódios, na verdade eu vou dizer isso está em todos eles ouvindo quando a dois fala, ela está fazendo uma teologia da ciência, tá por detrás de tudo. Examente. Tem, tá indireto, né? Um parêntese inútil aqui. Bem, se é inútil não devia fazer, né? Mas enfim, eu acabei de lançar um livro como se tornar um criston. Mas vamos lá. Eh, cara, é, o pessoal à vezes pergunta um tema, isso deve acontecer com o Felipe também. Ô, vocês já falaram sobre isso? Cara, a gente sabe que já falou, só que tá diluído em vários outros temas, entendeu? Então, às vezes eu pego, faço isso. Mano, eu sei que eu já falei sobre esse tema em algum episódio, mas daí eu pego, crio um episódio exatamente com o tema dessa dúvida, entendeu? Porque, mano, houve tudo que a gente faz aí, é muito legal e tá diluído aí, né? Aí você igual no BTPo, né, que hoje é um dos programas de maiores sucesso do Bibotalk. Pô, você e o Cacau já responderam essa pergunta? Cara, assim, do jeito que tu já perguntou, a gente não respondeu, mas, mano, lá nos episódios a gente já respondeu alguma coisa assim e tal, mas a gente tem que ter um episódio mesmo sobre isso, né? o que é uma teologia da ciência. Até para ajudar, ô Guto, até para ajudar aí a galera de seminário que acabou de ouvir esse essa tua fala, falou: "Tá, mano, mas como é que eu faço isso agora?" Entende? Ô, Bibo, vou vou revelar um segredo aqui. Esse é o meu projeto de livro, cara. Um dia, um dia eu tô escrevendo, tô montando, é assim, não sou um teólogo, mas tô na interface e quero falar para teólogos também, cara, o que é uma boa teologia da ciência, entendeu? O que compõe uma boa teologia da ciência. Eu já quero, vou publicar para ti. Manda para mim que eu publico. Vamos pensar junto. Mas eu tô estruturando, estruturando esse livro. É meu. Pode me dar minutos, tá? Eu quero semana que vem na minha mesa, então. Obrigado. Beijo. [Música] Eh, eu tô pensando aqui que isso, isso é maravilhoso, né? Assim, a gente pensar pensar de forma teológica a ciência. E eu vejo também que realmente, né, existe uma dificuldade muito grande por desconhecimento, por uma falta de formação na área da grande maioria dos pastores sobre eh o que é ciência, né? Eu, como o Bibo falou aí, filosofia da ciência, essas coisas todas. E principalmente quando a gente se adentra em questões mais técnicas, né, da ciência, questões técnicas do campo da biologia, do campo da da física ou do campo da cosmologia ou vai no campo da economia da de outras das humanidades. São questões técnicas e são muitas áreas, né, assim, eh, um cientista não entende a ciência de outras áreas, então quanto mais um pastor, um alguém que tá ali no mundo da igreja, né? Mas eu tenho pensado também, eu tô estou pensando nisso agora, sobre como existem dois lados, talvez que a gente pode encarar a a ciência, por assim dizer, né? Existe esse lado técnico, esse lado acadêmico, esse lado eh teórico da ciência, mas existe também eh por outro lado, a vida do cientista, o cientista como pessoa, né? O o cara que é um trabalhador, um profissional da área que tá na igreja, né? E esse cara, ele tem uma vida, ele tem uma forma de de enxergar as coisas que é vem justamente dessa carreira dele no meio acadêmico, na ciência. E eu acho que esse é um ponto que talvez seja interessante pensar um pouco agora o que é o cientista, né? Talvez pros pastores ou até na formação dos pastores entenderem que eh existe o sujeito, né? O sujeito que faz ciência, existe aquele cara que tá ali todo dia e ele tem algumas características próprias, né? E eu tô lembrando aqui porque um tem um artigo do And Crouch que muitos devem conhecer que tá no site da BC2, a gente vai colocar o link aqui na descrição do do episódio, é onde ele vai relatando o And Crow, ele ele enfim, né, conhecido e escritor, né, tem muitos livros na área de de vida cristã, de tecnologia e tudo mais. Ele foi editor da Christian Today e ele vai contando nesse artigo sobre a esposa dele que é cientista, ela é física e e ele fala: "Eu não entendo nada de física. Eu não faço ideia do das coisas que ela me explica. Eu não entendo bulhufas porque é tudo muito complicado, muito específico do campo da física e tudo mais, mas vivendo com a minha esposa, né, que é física, eu aprendi como que os cientistas enxergam o mundo, né, assim, eu comecei a perceber como que é o mundo do cientista, o mundo onde onde ele está inserido, né? E e talvez é nessa área que de fato, né, os cientistas podem contribuir para a ajudar a igreja a entender um pouco da vida da ciência e onde os cientistas precisam ser conhecidos para que eles possam ser pastoreados, né? Eu não sei se vocês já perceberam isso na caminhada de vocês, se vocês já lidaram, né, com com isso, né, assim, com a presença do cientista na igreja ou com que a igreja lida com isso, né, como que o pastor lida com Tem ali que é cientista e aquele cara que fica assim, tipo, ele ele tem um papo que ninguém gosta muito porque é um papo meio chato, que ninguém entende, ou ele é um cara que não consegue se colocar, ou até mesmo um cara que tem coisas a contribuir, mas a gente não sabe como lidar com ele. Que que vocês, eu não sei se vocês já pensaram nisso, vocês já lidaram com isso? Sim. É, eu eu eu acho interessante porque o que o Gustavo falou, é o que eu penso, o pastor ele não precisa estudar especificamente um ramo científico ou os termos científicos ou ou se tornar um cientista, mas conhecer basicamente os os famosos modelos, né, do conflito ou da fusão, do diálogo, entender como a ciência funciona e como o cientista pensa, isso realmente transforma o nosso pastorei. Eu digo por experiência prática, porque a gente acabou de receber aqui na nossa igreja um rapaz que ele é pós um cientista, pósdutor e e que ele tá estudando bactérias, ah, é um biólogo estudando bactérias, ele pensa, as questões dele são muito diferentes do que as questões comuns das pessoas na igreja. E quando nós começamos a conversar e e ele percebeu que eu eu não sou um cientista, né? Eu eu não não eu não conheço termos científicos, mas quando ele percebeu que eu tenho um pequeno conhecimento do que é um método científico, do que é uma hipótese, do que é, né, essa de como pensa o o o esse meio científico foi transformador para ele e ele falou: "Agora eu conheci alguém que me entende". E aí nós começamos a conversar, ele começou: "Cara, essa é a igreja que eu quero ficar, eu preciso de você." E ele começou a abrir o coração sobre as dúvidas que ele tinha a respeito de Deus, que ele nunca tinha tido coragem de conversar com ninguém sobre e sobre os as dúvidas que ele tinha. Ele não tinha coragem de conversar com ninguém sobre as opiniões que ele tinha de biologia. E a partir desse momento que que ele encontrou em mim, né, como um pastor, alguém que entendia esse universo científico, a mente do cientista, essa foi a ponte de entrada para que ele abrisse o coração e começasse a contar realmente dramas que ele tava vivendo na vida dele, de relacionamento, de casamento, de família. Então assim, o o o por isso que eu digo, o pastor conhecer um pouco do universo, do que é a ciência, vai com certeza alcançar o coração desse, vai ajudar a alcançar o coração desses cientistas, né? E o que você comentou tenha vivido isso na prática? Sem dúvida. Muito bom. Mas tem um ponto, cara, que a igreja precisa entender como que ela enxerga os cientistas cristãos. Cientistas cristãos são como sacerdotes. Cara, há um sacerdócio em se fazer ciência. Em que sentido? Primeiro, se nós entendemos que há uma revelação de Deus no mundo natural, assim como há uma revelação de Deus na palavra, né, no ministério da palavra escriturada e na pessoa de Cristo, e há uma revelação de Deus na sua obra, no mundo natural, é necessário que esse livro seja lido. E os cientistas são os leitores treinados, bem capacitados, com a com o linguajar adequado para ler o livro da revelação natural de Deus e desvelar verdades de Deus desse livro para o povo. Então, tem um sacerdócio aí. A, o cientista cristão, ele se debruça sobre uma revelação e ele serve ao povo ao mesmo tempo que ele serve a Deus. Então, a gente precisa enxergar tanto o teólogo que se debruça sobre a palavra e faz boa teologia e alimenta a igreja, olhando para um dos livros da revelação de Deus, o cientista é um sacerdote que se debruça e alimenta a igreja com verdades de Deus vindas do outro livro. Nós não temos o direito de escolher um dos livros apenas e desprezar o outro. Deus nos deu os dois livros da revelação de Deus, porque ele quer nos revelar verdades dele das duas fontes, mas nós precisamos então equipar e ouvir os sacerdotes treinados nos dois ramos. Então, o cientista cristão tem uma função de responsabilidade dentro do corpo. O corpo tem que reconhecer isso. A igreja tem que reconhecer que é bom termos cientistas cristãos, porque eles vão nos ajudar a ler a revelação de Deus na natureza. Assim como os pastores que fazem diálogo teológico com esses cientistas, tem que entender que há verdades reveladas tanto na palavra com a sua função especial de nos salvar e apresentar a Cristo, que é aquele que salva, quanto na revelação natural, que enriquece a nossa fé e apresenta as maravilhas das obras do criador. Então, nesse sentido, cara, a igreja tem que ver cientista como um sacerdote e mais, cientista tem que se enxergar como um sacerdote, né? Então, requer uma humildade, um serviço diante da face de Deus, um serviço especializado colocado a a diante do trono para servir ao rei e servir ao povo, né? É uma função de representantes, porque nem todos os membros do povo serão cientistas. Portanto, há uma representação num recorte menor do povo. Nem todos os os membros do corpo serão teólogos. Então você confia no treinamento e no acesso e no tempo dedicado e na responsabilidade de você trazer informação que são verdades de Deus das duas revelações para alimentar a igreja. Cara, isso é assim desde a história da humanidade, do povo de Deus, sempre com representantes treinados, capacitados para se debruçar sobre as revelações de Deus. O cientista é muito mais do que só aquele dentro da igreja. Cientista cristão é mais do que aquele cara que fica no laboratório, mas é aquele cara que faz uma interface entre conhecimento do mundo natural, alimentando a igreja e sobre a revelação geral de Deus. É, aí fica o desafio, né? Porque isso é maravilhoso. Só que na igreja ho dia a gente corre o risco de pensar assim: "Então, então o o cientista já é esse sacerdote? Se o cientista já é esse sacerdote, o pastor não precisa de ciência, entendeu? O pastor não precisa estudar ou conhecer ciência, que eu acho que é o tema aqui do nosso nosso BTC, né, de como mudar essa realidade. Isso. Isso é aí que aí tem o caminho mínimo do meio, né, cara? Para ver diálogo entre essas duas comunidades, alguém tem que entender minimamente da outra. O cientista cristão tem que entender minimamente de teologia para poder dialogar com a comunidade teológica. E o pastor tem que entender minimamente e até entender a autoridade do campo científico nas verdades do mundo natural para poder dialogar com o campo científico. De novo, eu não defendo que todo mundo tem que ser super especializado nos dois campos, não dá tempo, não tem vida para isso, mas tem que ter algum tipo de caminho do meio. É, eu acho que tudo parte do pastor ter uma boa teologia, uma teologia saudável, entende? Porque, por exemplo, assim, e isso é a tarefa do pastor, né? Ter uma teologia saudável. Agora, quando o pastor tem teologas esquisitas, é incrível como a autoridade pastoral arrasta até mesmo pessoas com doutorado para loucuras teológicas, sabe? E aí, mano, é todo tipo de loucura teológica, entende? Ou autoridades políticas, né? Autoridades políticas acabaram fazendo pessoas que sempre defenderam o SUS, por exemplo, a não defenderem vacina no tempo da pandemia. Eu vivenciei isso na minha família, né? Pessoas formadas, né? formadas com doutorado, que sempre foram carteira de vacinação todo em dia. E aí do nada autoridades políticas vieram com discurso e a pessoa não é isso aí mesmo, essa vacina é um problema. Ou outras coisas, né, pastores com teologas da batalha espiritual e tal, uma hermenêutica completamente esquisita sobre textos bíblicos. E aí tem aquele cara lá, ele é doutor em geografia, o cara manja de geografia, mas daí na igreja ele tá lendo Benirim, entende? Então assim, e aí fica de aí e é incrível como às vezes ou até uma leitura errada e ou uma leitura equivocada de alguns textos bíblicos de Gênesis e tal, aí a pessoa vai lá, estuda biologia, paleontologia na faculdade, mas chega na igreja, ela não sabe o que fazer com as informações. E aí, como o pastor tem autoridade espiritual, por assim dizer, né, como alguns gostam de falar, ela fala: "Mano, pior que o meu curso tá todo errado mesmo." É uma conspiração, né, da academia para que a Bíblia seja desacreditada. O sujeito vai lá fazer história e aí ele vai perceber, ele vai, ele vai encontrar uma série de conflitos com o relato bíblico em última análise. Mas é como o pastor dele também não sabe ler, entende? O próprio Antigo Testamento, não sabe explicar porque que Deus mandou matar, não sabe explicar as hipérboles e isso e aquilo. Pô, mas a a história não confirma esse dado da Bíblia aqui, mano, a história tá errada, tá ligado? Porque não, a Bíblia é a palavra de Deus, ela não tá errada. É o meu, é o meu curso de história que tá errado, entende? E aí, se o pastor não sabe lidar com o mínimo da hermenêutica, lidar com essas tensões dos textos bíblicos, né, com os os silêncios que nós temos na Bíblia sobre vários assuntos, aí a gente tem inclusive cristãos que estão lá fazendo eh estudando, tão na academia e não acreditam na existência de dinossauros. É, aí aí dói. É, é, exatamente. Eu queria publicamente aqui agradecer a ABC2, porque eu sou pastor, sou um pastor batista e eu acredita em dinossauro, né? e acredita dinossauro. Mas eu sou um pastor e na minha formação do seminário, na minha formação teológica, como o Gustavo falou, nós não fomos ensinado sobre uma teologia da ciência. Eu nunca aprendi qual é o papel da teologia e o limite da teologia, qual que é o papel da ciência e o limite da ciência. E isso gera muita confusão na vida dos pastores. E a ABC2 me apresentou um universo onde como pastor eu consigo ter mais clareza em em dialogar com cientistas do tipo, olha, até esse ponto a teologia me leva. Agora, eu preciso da opinião de um cientista a respeito da natureza, de como ele pensa, porque se não a gente tem aquela ideia do conflito ou de que a teologia vai trazer resposta para todas as esferas da vida, sendo que ah não cabe a ela trazer respostas sobre algumas esferas da ciência. E a mesma coisa da ciência. E aí eu já ouvi pastores fazendo afirmações científicas que quando, se tiver um cientista escutando a pregação dele, vai falar: "Mas não é isso que a ciência diz, não é? Não é, não é isso que a ciência tá falando. Esse pastor acha que conhece ciência, mas não sabe o que é ciência. Pegando o tema do nosso betecast aqui, ah, um caminho saudável seria realmente de que todo pastor tivesse alguma capacitação ou no seminário ou fizesse cursos da ABC2, encontros com a ABC2, de ter essa essa e essa noção básica de qual é o papel da teologia, qual que é o papel da ciência e como as duas tão até certo ponto e e e precisam dialogar, né? E eu creio que o o pastor vai conseguir responder as questões da sociedade, do mundo e das pessoas, da nossa cultura de forma mais sábia. Eh, é muito tentador olhar paraa ciência e já colocar na ciência o conflito de que ela é o ídolo, ela é o Baal que a gente precisa destruir porque ela tá afirmando ser dona da verdade. Mas quando a gente começa a entender realmente o que é a ciência, nós descobrimos que o problema não é a ciência, o método científico, mas quando nós transformamos a ciência realmente, né, nas respostas para todas as questões da vida, aí ela se tornam aí o ela pode se tornar um ídolo, mas não necessariamente. Eh, eu acho que eh dá para pensar justamente e voltar lá na minha entrada, né, sobre como que os pastores podem aprender com os cientistas, né, eh como que os pastores ou como a própria vida da igreja pode eh ser muito abençoada e e se beneficiar de ter cientistas e de entender o que é o mundo da ciência, né? O tor voltando no no artigo que eu citei anteriormente do Androuch, porque ele vai justamente falar isso, né? Assim, existem características do cientista que que podem ensinar muito à igreja e que podem ajudar inclusive na vida do próprio cientista, assim, quando ele é pastoreado e quando ele quando a vida na igreja, quando a vida devocional dele encaixa, né, de alguma forma, justamente porque o ele vai comentar no artigo que os os cientistas eles eles têm algumas características muito características muito próprias assim que existem em outras áreas de atuação, em outras áreas profissionais, mas o cientista tem algo específico assim que é diferente, né? Principalmente quando entra na questão de maravilhamento, né? O cientista, ao contrário de muitas outras áreas de atuação que de profissões que podem ter, né? O cientista ele tem uma capacidade de maravilhamento, parece que diferente e mais agussada do que outras profissões, né? Aí, por exemplo, outras, sei lá, um advogado, ele pode se maravilhar as leis e com o processo de tudo isso, com o sistema jurídico. Um cozinheiro pode ser. Truco, eu truco essa aí, cara. Eu sou eu sou engenheiro e eu truco que os advogados se maravilham com as leis. Tá louco. Olha, eu conheço gente que que que parece que parece que se maravilha. É, um engenheiro se maravilha com a matemática, com os cálculos ali, com as estruturas, mas o cientista ele consegue olhar para um negócio muito estranho. Uhum. e se maravilhar com aquilo, que é um negócio que ninguém se maravilharia e ele traz aquilo assim, ele se se deleita e esse deleite é um um é uma espécie de trampolim mesmo assim para para que haja uma adoração, né, assim. E de fato eu vivenciei muito isso em laboratório e tudo mais de da gente adorar a Deus porque tá vendo um um uma coisa no microscópio, uma coisa minúscula, uma coisa assim boba que ninguém mais tá vendo, mas aquilo te leva à adoração de alguma forma, né? e entender que os cientistas eles têm essa capacidade, eles podem ajudar a a própria comunidade cristã a a entender esse maravilhamento, né? Existem outras áreas também, por exemplo, o cientista ele é capaz de trabalhar em comunidade, né? Assim, o cientista ele precisa de do trabalho corporativo. Isso tá ligado também com outras características. O cientista, ele a virtude da humildade intelectual, apesar de, obviamente, nós somos humanos caídos, existe muito ego envolvido em todas as áreas, mas o cientista ele lida muito, muito melhor, talvez, em, em vários sentidos, com a questão de humildade intelectual, porque ele é o sujeito mais que mais entende a ideia de que ele não sabe tudo. O cientista é o cara que sempre sabe que ele não sabe alguma coisa e ele tá inquieto, querendo entender alguma coisa. E talvez essa ideia de uma humildade intelectual possa ser algo que nós possamos eh enquanto liderança de igreja, pastores e tudo mais, aprender como cientistas, né, assim, essa ideia de uma humildade intelectual, de entender que a gente não sabe tudo, que a gente não tem as resposta e que a gente precisa do outro, né? Nesse trabalho corporativo da ciência, às vezes num laboratório de ciência se encontra mais humildade que em muitos círculos cristãos de certa forma, né? Assim, às vezes até em escolas e ou seminários de de você tem ali brigas deas e argumentos toda hora alguém ninguém pode perder, né? Assim, a gente vê isso muito muito comum. Enquanto os cientistas estão se remoendo, tentando entender algo que eles não têm capacidade de entender, porque às vezes tá muito além do do que eles têm de ferramentas e tudo mais. E assim, então tem muitas coisas de fato, né? Tem o fato, por exemplo, do cientista lidar com frustração constantemente, né, assim, diante de um mundo que ele não entende, diante de experimentos, diante de coisas que, enfim, que ele não dá conta. Então, o cientista é esse sujeito, né? Ô, Thiago, você pegou um ponto aí, cara, que é fundamental, que é o do maravilhamento. É o é um dos melhores ganchos. E aí pastores têm que entender essa, eu vou chamar assim, esse essa isca, sabe? para fisgar mesmo as pessoas. Porque às vezes a gente quer falar de ciência na igreja e fica trazendo pro púlpito dados científicos, fica floreando ou salpicando o sermão de pitadinhas de dados científicos que às vezes eh corroboram com a tua interpretação e acha que isso é é colocar ciência dentro da igreja. Cara, é muito mais profundo o gancho do maravilhamento. Ele tá num garotinho da sala dos cordeirinhos lá de 4 anos de idade e ele tá na senhora de 90 anos de idade sentada no no banco da igreja. Porque se maravilhar com as obras de Deus é natural do ser humano e do mundo que Deus criou pra gente. Faz parte do mundo criado para a qual nós fomos criados. Então, o gancho do maravilhamento, pastores devem pregar isso, sabe? faz parte de uma boa teologia da ciência, nós nos maravilharmos com as obras de Deus. E aí há inúmeras formas de você pregar essa verdade, né, cara? Você pregar sobre o maravilhamento, você primeiro limpa o território, porque você coloca a ciência e as verdades científicas num território limpo, como frutos da obra de Deus. Segundo, você e estimula vocação em em jovem que pode ser cientista, que às vezes tá em dúvida se eu devo ou não seguir carreira científica. E o maravilhamento pode ser a isca que traz esse peixe fora da água, entendeu? Então eu gosto muito quando a a entrada no campo da ciência por um leigou paraa igreja se dá pela porta do maravilhamento. Essa é a essência do próprio Salmo 19, né? a gente se deslumbra e a a obra maravilhosa de Deus proclama alguma coisa sem usar palavras, mas grita aos confins da terra uma verdade, uma beleza do Criador. Pensando nisso que você disse, né? Eu, como quando a gente vê pastores às vezes botando umas pitadas de informação científica e tudo mais num sermão ou alguma coisa assim, como se eh fosse essa integração com a ciência que se espera. Mas será que de fato, né, como você disse, não é só isso e e dá para ir muito além, né? Então eu queria pensar assim, como que a gente consegue integrar ou ou como seria possível integrar a ciência e ou a o mundo da ciência ou a vida do cientista na vida da igreja, né, assim, se no púlpito ou se em outras ocasiões, por exemplo, numa EBD ou alguma coisa assim, mas ou, né, quando eu falo no púlpito, eu penso de fato às vezes na no próprio sermão, na pregação, mas existem outras formas também, né? Que que vocês pensam em relação a isso de de como que a gente pode integrar mais, né? a, para que seja algo além do que as meras pitadas de uma informação científica curiosa, porque geralmente acaba sendo trazido assim, né? Ah, é uma curiosidade científica que eu inseri como uma ilustração no meu sermão. Será que é só isso, né? Assim, a gente pode ir muito além disso. A gente existem outras formas. Uma das principais tarefas nós de de nossa como pastor é que nós somos portadores do nome de Deus, como a igreja, como sacerdócio, né? E nós estamos realmente, o, o nosso objetivo é pregar o evangelho e anunciar a a graça de Deus, o evangelho, transformação e salvação. Mas como pastores, nós também precisamos oferecer boas respostas para nossa sociedade, para nossa comunidade, aos dilemas do coração humano, a confrontando os ídolos da nossa cultura, do nosso tempo. E eu creio que trazer a ciência pro púlpito tá mais relacionado a isso, em mostrar como que muitas vezes a a gente tá buscando respostas equivocadas e que a própria natureza nos oferece um caminho, uma direção. Eu gostei muito do exemplo que o Gustavo trouxe, porque eu experimentei isso há algumas semanas atrás. Eu fui pregar num retiro em Goiânia e eu era um acampamento muito distante da cidade. Tava um céu absurdamente escuro e um céu estrelado assim como eu nunca tinha visto antes. Foi um dos céus mais foi um dos céus mais bonitos que eu já vi. E eu lembro que quando eu cheguei no nosso alojamento, eu olhei para aquele céu, eu falei com a minha esposa, eu falei: "Amor, olha isso". E e aquilo me trouxe um um um tremor, um temor assim, um maravilhamento tão grande. E eu fiquei ali os próximos 30 minutos depois tentando tirar uma foto. E até eu postei depois a foto que eu tirei, né? A gente começou conversando aqui, que foi uma com iPhone, eu pisquei dica como tirar e ficou uma foto muito linda com a Via LCT e tal. E aí eu lembro que naquela mesma noite eu comecei o meu sermão naquele acampamento falando: "Meus irmãos, vocês estão aqui no acampamento e não sejam loucos de não deslumbrar a glória de Deus nesse lugar". E eu mostrei a foto para eles que eu tirei. Vocês percebem? Olha esse universo, o tamanho dele, quantos e tanto, tanto de estrela de galáxia, de galáxias e e Deus por amor se revelou a nós aqui nesse planeta, enviou o seu filho aqui para nós. E eu gostei muito desse exemplo do Gustavo que trazer isso pro púlpito como uma forma de de maravilhamento. E eu creio que como uma outra alternativa é o pastor está é buscar entender um pouco mais da ciência justamente para também oferecer boas respostas para questões do nosso tempo de depressão, de suicídio, né? Essas questões práticas. Eu não quero, eu não preciso, eu não, não devo ficar estudando ciência só para ficar trazendo dados científicos, como o Thiago trouxe aqui, né? Mas como respostas, mostrar que as escrituras oferecem boas respostas em como nós lidamos com a depressão, mas a ciência também nos ajuda com isso e que pra glória de Deus também e e mostrar que não existe esse conflito e que trazer ciência pra vida da igreja do pastor, ela também nos ajuda a responder questões muito práticas da vida, como suicídio, depressão, doenças, câncer e e como nós lidamos até mesmo relacionamentos e que a ciência ela tá muito mais interessada não em ficar falando dentro da igreja, né, não em ficar debatendo os assuntos polêmicos, mas em realmente trazer respostas para uma vida cristã mais integral como um todo. É, é interessante porque a gente corre o risco, né, eh, como você diz, de usar a ciência ou usar dados ali e e aí usar a ciência de forma muito utilitarista, né, assim, como uma ferramenta que me serve para provar um argumento, mas eu só uso ela assim, né, assim, ela ela é só uma ferramenta que eu vou usar para provar meu ponto assim, se ela tá dizendo o que eu quero, né? E e aí fica esse uso muito utilitarista da ciência. Eu me preocupo muito com isso. Eu me incomodo com isso, né? Porque parece que eu vejo às vezes lideranças usando dessa forma, né? Sendo que em outros momentos há uma há um desprezo pela ciência. Então eu uso quando ela me serve. E não não é para ser assim, né? Assim, é um uma compreensão muito mais ampla da ciência que entende que ela pode ser de fato uma ferramenta, mas que ela precisa ser olhada de forma responsável. Ela tem uma autoridade no campo dela, né? e os cientistas, né, que que desenvolvem, eles têm autoridade naquele campo e aquilo pode me beneficiar ou me abençoar de forma muito mais profunda do que só provar pontos que eu quero provar no meu sermão, né? E existe uma forma que a ciência usa para lidar com dados, para lidar com evidências, né, para analisar as questões do mundo natural ou do mundo real. E como que a ciência lida com esses dados, né, assim, como como que a ciência é cautelosa em lidar com dados, em apresentar dados, né, assim, de forma responsável para que aqueles dados de fato sejam bem interpretados. Tudo isso são coisas importantes que a ciência pode nos ensinar e nos ajudar quando a gente tiver lidando também com coisas assim. Ô Thago, eu tava pensando aqui, tentando pensar em algumas decorrências práticas, né? Assim, de forma geral, se a gente entende que a responsabilidade do ensino da igreja está na mão dos pastores, e eu concordo com isso, eu acho que eles têm que ser responsáveis pelo ensino da igreja. E se nós entendemos que Jesus é o Senhor de toda a realidade, que não tem nada que fuja do seu governo, ciência inclusa nisso, né? Há muito mais para se explorar sobre ciência do que só o Salmo 19, né? Claro, é um excelente ponto de partida, mas tem muito mais. Uma uma boa teologia da ciência vai além de salpicadas de ciência no sermão ou apenas parar no maravilhamento que é a porta de entrada. Agora, se a gente pensa que eh levar ciência pro púlpito se refere à pregação no culto público, cara, eu acho que há ocasiões mais apropriadas para nós tratarmos de uma interação entre fé e cultura e aqui no caso ciência na vida e na instrução da igreja, né? Eu entendo que tem verdades fundamentais que a gente extrai da palavra que vão constituir uma boa teologia da ciência que devem fazer parte de uma boa pregação. Mas ficar debatendo interpretações possíveis, evidenciando polêmicas, lacrando posições dogmáticas no campo de ciência e fé, no sermão, eu acho isso extremamente inadequado. Para mim, isso é errar o alvo, entendeu? É quando a igreja tenta fazer um movimento de trazer esse negócio de ciência para dentro da vida da igreja, mas erra o alvo. Então, para mim, o alvo é uma boa teologia da ciência. No mundo, cada vez mais envolvido em verdade científica, com mais jovens na tua igreja tendo acesso à universidade, com mais gente da tua igreja fazendo pós-graduação, com mais informação científica chegando no celular a toda hora, com mais questões polêmicas aparecendo na rede social, a igreja precisa ser alimentada com uma boa teologia da ciência para viver numa era científica. Então, para mim, o alvo tá aí, sabe? Acertar numa boa teologia da ciência. Aí vou encerrar minha fala longa aqui, porque eu pensei quatro coisas práticas pastores, já que nós estamos falando de ciência para pastores. Primeiro é uma posição de humildade, e eu me incluo nessa porque eu sou membro da igreja, eu faço parte do corpo, de reconhecer que a igreja nas suas tentativas tem errado o alvo. Às vezes a gente tem habitado nessa superfície de polêmicas, lidado com temas pontuais, querendo lacrar posições aqui e ali, achando que isso satisfaz, né? Verifica a caixinha de que ciência faz parte da instrução da minha igreja. E aí na minha analogia aqui, me permita uma analogia de mineiro agora, a gente tem alimentado uma fome com biscoito de polvilho. Não, não sacia a fome, sabe? É, você tá lá com as questões profundas sobre a interação da fé com a ciência e você tá atacando biscoitinho de polvilho aqui ali, adiando, ignorando as questões e adiando as respostas. Segundo ponto, pastores e nós membros de igreja temos que buscar fundamento numa boa teologia da ciência. Vai muito além de fechar opinião sobre temas polêmicos, mas é trazer estrutura para uma boa interação com a ciência. Cara, os seminários precisam perceber isso para que não é algo que você ensine bíbl numa aula ou às vezes nem num módulo de seminário. É um modo de enxergar ciência que vai ser aprendido e construído como teologia ao longo de uma carreira inteira. em algumas igrejas com mais intensidade, outras com menos intensidade, mas precisamos ter uma boa teologia da ciência. Assim como se a gente quer fazer assistência social na igreja, você tem que ter uma boa teologia do que é assistência social e não brincar de fazer assistência social dando o sopão na esquina e achou que você já satisfez a caixinha de de assistência social, entendeu? É preciso uma boa teologia disso e fazer com excelência e profissionalismo. Ora, no campo da ciência é a mesma coisa. uma boa teologia da ciência, fazer com excelência e eh rigor. Gente, a ABC2 tá aqui para isso, para ajudar igrejas e o povo de Deus a desenvolver uma boa teologia da ciência, a sair da superfície da polêmica e entrar nas entranhas do que é mais profundo. Terceiro ponto para mim agora é oferecer de forma intencional uma boa dieta baseada nessa teologia da ciência. Cara, não pode menosprezar a dúvida genuína de um jovem. Você não pode dar biscoito de polvilho quando ele tem uma dúvida importante. Você não pode sair gritando alto e lacrando um tema polêmico só porque você, pastor, já tem uma opinião sobre isso, mas você não tem ideia do que a cristandade já pensou sobre isso nos últimos 200 anos. Então, não dá para lacrar, lacrar um tema assim, né? Não dá para fazer isso num sermão de 40 minutos ou mesmo numa única aula de EBD. Fala: "Não, minha igreja já estudou ciência esse ano, já tivemos uma aula de EBD pros jovens e tá resolvido o assunto. Daqui a 10 anos a gente revisita o tema, sabe? tem uma porção da sua igreja que pode estar com a barriga roncando, porque são futuros cientistas, vocacionado e essa porção da tua igreja precisa de pouco mais do que biscoito de polvilho. A gente tem que est pronto para oferecer uma dieta mais estruturada. ABC2 te ajuda nisso. Vai treinar nessa área, vai buscar cristãos sinceros e verdadeiros que vão te ajudar a construir uma boa teologia da ciência na tua igreja. E então por último, o quarto ponto é: "Cara, a gente não faz isso sozinho. Eu comecei falando assim na minha chamada, o mundo é muito complexo pra gente achar que alguém dá conta de tudo e que a gente não precisa de ajuda. Pastores, precisamos de ajuda para pastorear o rebanho na interação entre fé e ciência. Precisamos de gente que saiba ler o livro da natureza, da da criação de Deus com as lentes adequadas, as lentes de Cristo, para poder trazer verdades e alimentar o povo. E tem muito cristão na ciência com boa teologia, pronto para servir ao reino. Tem muitos bons teólogos no mundo que escreveram excelentes livros e cursos, estudos de caso e modelos pra igreja que podem nos ajudar. E aí a ABC2 tem contribuído nesse campo para ajudar igrejas, seminários, famílias, né? e indivíduos, cientistas cristãos, a construir uma boa teologia da ciência. Eu fiz um um jabá aqui do meu ponto, Bibo, que é: "Eu quero ver a igreja desenvolvendo uma boa teologia da ciência, mas a gente precisa dizer pra igreja o que que é uma boa teologia da ciência, o que que a constitui, né? E aí a gente tem um trabalho, nós cientistas cristãos tem temos um trabalho grande pela frente aí para construir e ajudar a igreja a enxergar uma boa teologia da ciência. Muito legal. Eh, eu acho que a gente acaba colocando mais um desafio, né, para muitos pastores, principalmente de pastores que atuam em centros eh urbanos ou como, né, cidades que têm universidades e tal. De fato, uma igreja nessa situação precisa urgentemente, porque se o pastor, né, se a diretoria da igreja, o presbitrio, enfim, chame, não sei como é que a sua igreja chama, quem vai direcionando os caminhos da igreja, mas se ela não fizer isso, cara, e você vai aumentar aquela dicotomia entre a vida de fé e a vida secular, né, o sagrado e o profano, o que eu faço para Deus e o que eu faço no mundo. É muito importante a gente aprender a integrar essas coisas, porque senão é é aquele negócio, né? é o cara que tem doutorado em geologia, mas que na igreja tem uma teologia completamente pobre, né? Então assim, e aí você separa, não, aqui são as coisas da fé, né? Então aqui é aqui eu eu acredito nas coisas da fé. Segunda-feira eu coloco o meu jaleco branco, vou paraa universidade. Aqui são as coisas da universidade. Então se a igreja não aprender a integrar bem os dois livros de Deus, né? Algo que a gente sempre fala aqui nos betequests ABC2, Deus escreveu a a Bíblia e Deus fez o mundo, né? Então, não há não há conflito entre o livro de Deus, entre os livros de Deus, né? O livro que Deus escreveu e deixou registrado e revelado na escritura e a própria criação que também revela um pouco de si. Então, a gente precisa aprender a fazer bem essa integração para não criar essa dicotomia, né, entre o sagrado e o profano, entre o espiritual e o secular. Não, para nós tudo é espiritual. É isso, meus amigos. Alguma contribuição final, Thago, Felipe? Muito bom. Não, eu achei os os quatro pontos que o Guto trouxe ao final aí excelentes, né? Então voltem lá, gente. Ouça. É, os quatro capítulos do livro dele que ele tá escrevendo também. Lançamento ano que vem, Bienal de São Paulo. Aguarde. Mas eu quero, eu quero só eu quero reforçar um ponto que foi no início da fala dele ali sobre eh ser esse modo, né? Existe um modo com que nós fazemos esse processo, né? Existe uma forma cristã de fazer a coisa acontecer, existe um uma forma de fazer essa conversa acontecer. O que eu acho que a gente tem mais dificuldade, talvez, ou a gente tem uma cultura desenvolvida na igreja, na igreja evangélica como um todo, talvez, é que o modo como nós fazemos essa, esse processo, ele muitas vezes ele gera ruídos ou gera faíscas muito problemáticas às vezes, né? Eh, a gente tem às vezes alguns sistemas de apologética, de debate, de defesa da fé, de lidar com o mundo lá fora, né, nessa nessa dicotomia entre sagrado e secular, em que nós somos ou que nós vemos muitas vezes pessoas sendo muito beligerantes, muito bélicas no combate, né? Porque existe um combate a ser travado. E como o Guto falou e reforçando isso, existe um modo e a gente sempre tem enfatizado que o modo de fazer isso precisa mudar, né? Assim, a gente a gente pensa num modo que seja mais acolhedor ou mais generoso numa escuta, né, num num olhar para o outro, né, nessa alteridade aí que o Cacau sempre gosta de falar, né, Bíblia? Essa visão do outro de quem é o cientista, quem é o cara que eu sou um pastor, mas quem é o cientista, eu sou um cientista, mas que é o quem são os outros membros da minha igreja? E nesse processo a gente conseguia ouvir, a gente conseguia entender a dúvida, reconhecer as dúvidas de fato como dúvidas legítimas. eh estabelecer uma conversa, estabelecer um um um caminho aberto de acolhimento mesmo assim e e isso eh inverte todo o jogo, né? É nesse processo que a gente consegue eh desenvolver um diálogo e é nesse processo que a gente consegue cultivar virtudes, né? Assim, que a gente é estimulado a cultivar virtudes que são virtudes intelectuais e que são virtudes cristãs também, né? Eh, é um caminho mais longo, mais difícil, mas é um caminho que a gente entende que é de fato um modo a se fazer essas coisas, porque assim a gente consegue eh lidar com tudo isso e lidar com com o fato de que quem está lidando com essas coisas são pessoas. Por trás de uma teoria, por trás de um laboratório, por trás de um diploma, por trás de qualquer coisa, existe uma pessoa, né? E essa pessoa eh ela precisa ser, no final das contas, né? Ela precisa ser amada. Minha mensagem última pros meus queridos pastores, a quem eu admiro, respeito e apoio no seu ministério pastoral. Pastores, o cientista cristão verdadeiro é o teu maior amigo e aliado para o pastoreio nessa área. A gente não dá conta de fazer tudo sozinho. E ter um bom cientista cristão que sabe ler o livro da revelação geral e trazer verdade de Deus pra igreja, é um aliado no pastoreio da igreja. Use bem desse amigo, traga ele pro serviço, faça dele um bom sacerdote na tua comunidade e use bem os recursos que ele foi capacitado para desenvolver pro reino. Eu gostei muito do que o Gustavo falou e eu queria finalizar incentivando os pastores a colocarem isso em prática, porque eu tenho uma experiência pessoal de que isso é uma grande bção. Então eu quero só finalizar contando essa experiência que um grupo de uns oito jovens da nossa igreja me buscaram ajuda sobre alguns temas polêmicos e importantes da nossa do nosso tempo, da nossa cultura. E e foi interessante porque eu juntei esses jovens, falei: "Ó, vamos fazer o seguinte, vamos pesquisar juntos isso, eu vamos fazer um, vamos ter uma mente científica, vamos pesquisar isso juntos." Nós passamos então eh pedir ajuda de algumas pessoas para me ajudarem com isso. E a cada 15 dias nós nos encontrávamos para conversar sobre aquilo que a gente estava descobrindo sobre o assunto. Então indicava alguns livros tal sobre assuntos, não sei o quê. E a cabeça deles começou a a borbulhar de tanta coisa. Eu queria incentivar os pastores, não tenham medo de deixar os seus jovens pensarem, pesquisarem, lerem, né, sobre o assunto. Juntamos várias informações. Eu falei: "E agora? Qual é a resposta que a gente vai dar sobre isso?" E uma das moças falar, vamos fazer um documentário sobre esse assunto, vamos entrevistar, descobrir que que as pessoas estão pensando sobre. Eu acho que o Gustavo até já foi entrevistado para esse documentário com a Mirian aqui da nossa igreja. E e cara, é muito legal ver como dar espaço a esses jovens para eles serem quase que cientistas dentro da igreja, né? Pesquisarem, irem atrás e buscarem a resposta. Eles estão encantados assim em em descobrirem tudo isso, né, com a nossa ajuda, tal. E eles têm me ajudado a encontrar respostas, que eram coisas que eu não sabia, cara, coisas que eh respostas que eu não tinha. E e eu pedi ajuda deles para eles me ajudarem a pesquisarem essas respostas. E tem sido uma experiência fantástica assim com com alguns jovens da nossa igreja. Aí, se Deus quiser, daqui a pouco vai ter esse documentário pronto que eles estão produzindo. Então, incentivo os pastores assim, deem espaço realmente para que esse diálogo aconteça dentro da igreja. Ao invés de afastar os seus jovens, eu tenho certeza que eles vão ficar muito mais animados com isso. Bom, gente, muito bom. Conselhos bem práticos. Gente, ficamos por aqui. Aguardem. Voltaremos com esse episódio sobre teologia da ciência como um complemento e deste episódio aqui. Livro do Guto ano que vem, lançado pela Thomas Nelson Brasil. Olha aí. E é isso, galera. É isso, tá bom? Ouça os demais BTCs ABC2. Você encontra eles todos no Spotify, no YouTube, ah, na Dieser, no Amazon Music, ah, enfim, entre outros apps de podcast. Tá bom? É isso. Obrigado, Thiago, pela tua presença aqui. Mais um BTC ABC2. Excelente. É isso aí, Guto. Sempre um prazer te receber novamente. Grande abraço, saudades. E Felipe, volte mais vezes. Muito obrigado. Deus abençoe, gente. É isso, gente. Ficamos por aqui com mais um episódio do BTC ABC2. Voltamos na semana que vem com mais BTCs, betpapos e várias atrações aqui em bibotalk.com e também no nosso canal no YouTube Bibotalk. É isso. Fiquem todos na paz do Senhor Jesus. [Música] Este podcast foi editado por Bibotalk Produções. Yeah.