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A fé vem pelo ouvir

Ciência para pastores – BTCast ABC2 077

Ciência para pastores – BTCast ABC2 077

Ciência para pastores – BTCast ABC2 077

Muito bem , muito bem, muito bem, está no ar mais um BTCast ABC2! Neste episódio, Bibo e Tiago Pereira conversam com Gustavo Assi e Filipe Breder sobre como o saber científico pode auxiliar pastores e líderes. Pastores precisam ser cientistas? Claro que não. Mas será que podem ignorar completamente a linguagem, os métodos e os frutos da Ciência? Neste episódio, refletimos sobre como líderes espirituais — mesmo sem formação científica — podem se beneficiar do saber acadêmico. O que acontece quando pastores escutam com atenção os cientistas da própria comunidade de fé? Como o diálogo entre púlpito e universidade pode fortalecer a igreja e ampliar sua relevância no mundo? Essas e outras perguntas serão respondidas neste BTCast ABC2, uma parceria Bibotalk e Associação Brasileira de Cristãos na Ciência!

Aqui é o artigo que a gente citou algumas vezes: https://cristaosnaciencia.org.br/gostaria-que-pastor-soubesse/

Conheça a Revista Unus Mundus: https://unusmundus.academiaabc2.org.br/

Conheça o programa Ciência e Sapiência, material da ABC2 para as escolas:

Ciência & Sapiência – Formas de Conhecimento

Conheça os livros da coleção de Filosofia da ABC2 em parceria com a Editora Ultimato: https://amzn.to/3tZmjNQ

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Playlists legais para você maratonar:

– Série Gigantes: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAK7V6Bz-YUuESPPiCi6Gy2B
– Série Os Outros: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALUz4ZnUbe1id7GI4BVDs-O
– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
– Série Origens Cristãs: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALjBXZp2y9551ayHWhdKBS5
– BTCasts MC: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAInhfKseQ-DMuNBW1V081oF
– BTCasts ABC2: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAJQRa75AUS1NKO-lWMikCot
– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9

Legendas automáticas:

Tem um ponto, cara, que a igreja precisa
entender como que ela enxerga os
cientistas cristãos. Cientistas cristãos
são como sacerdotes. Cara, há um
sacerdócio em se fazer ciência. Em que
sentido? Primeiro, se nós entendemos que
há uma revelação de Deus no mundo
natural, assim como há uma revelação de
Deus na palavra, né, no ministério da
palavra escriturada e na pessoa de
Cristo, e há uma revelação de Deus na
sua obra, no mundo natural. É necessário
que esse livro seja lido. E os
cientistas são os leitores treinados,
bem capacitados, com a com o linguajar
adequado para ler o livro da revelação
natural de Deus e desvelar verdades de
Deus desse livro para o povo. Então, tem
um sacerdócio aí.
Bibotalk e Associação Brasileira de
Cristãos na Ciência apresenta BT ABC2.
[Música]
Muito bem, muito bem, muito bem. Começa
mais um BTQ ABC2 de número 77. Caramba,
77 episódios falando sobre fé e ciência.
E eu quero dizer o seguinte, você até
pode ser um pastor não preparado para
falar sobre ciência, mas proibir vacina
de púlpito é mancada demais. Olá, eu sou
Gustavo Ace e nesse mundo complexo em
que nós vivemos, ninguém dá conta de
tudo sozinho e é bom pedir ajuda. Boa,
boa. Ninguém dá conta. Eu sou o Thiago
Pereira e cientistas precisam de
pastores, mas os pastores também podem
aprender com os cientistas. Eu vou mudar
tua entrada. A tua entrada tá errada,
Thaago. Eu vou dizer, a minha única
contribuição nesse podcast vai ser
corrigir a tua entrada. É, tem que ser,
é, tem que ser vice-versa. Ah, tá.
Então, entendeu? Cientistas precisam de
pastores, pastores precisam de
cientistas. Isso aí, precisam, mano.
Porque é essa galera que não precisa,
que não consulta cientista, que proíbe
vacina no pú.
Você foi muito light na volta. É, é, é.
Mas tu disse muito bonito. É, foi mais
light. Foi mais light. Foi, foi, foi
mais light. Tem que ser tipo, é, um
precisa do outro, entendeu, mano? que
daí complementa o que o Gustavo as
falou, entendeu? Acabou o episódio.
Obrigado. Valeu, Felipe. Obrigado pela
sua não participação. Muito obrigado. Eu
sou Felipe Breder e além da Bíblia, o
pastor também pode se especializar no
outro livro de Deus. Ó, aluno fiel da
BC2 aí, hein, gente? Estamos aqui em
mais um episódio da BC2. Olha, eu tô
muito feliz, hein? 77 episódios. Na
verdade, tem mais episódios sobre fé e
ciência aqui em Bibotalk, porque tem
alguns episódios que a BC2 fazia com a
gente antes de termos essa parceria fixa
de podcasts mensais. Então, são mais de
80 episódios aí falando sobre fé e
ciência. Muito obrigado à Associação
Brasileira de Cristãos na Ciência, que
tenho certeza que é um serviço público e
e ministerial que a gente presta à
igreja de Jesus aí, que é sensacional.
[Música]
Pessoal, queria apresentar para você que
tá chegando aqui pela primeira vez hoje
e relembrar a vocês que já nos
acompanham sobre o trabalho da BC2, o
trabalho da academia BC2 e tudo aquilo
que a gente tem produzido nesses anos.
Lembrar a vocês que nós temos os nossos
sites, nós temos as nossas redes sociais
e nós temos ali muito material
produzido, nós temos os nossos livros
publicados junto com a editora Thomas
Nelson Brasil, junto com a editora
Ultimato. Nós temos séries muito
importantes para fortalecer o diálogo
entre fé e ciência e para te oferecer
recursos para trabalhar nessa área, nas
áreas diversas que nós temos oferecido.
Nós temos no site da Academia BC2 a
nossa revista, a revista Unos Mundos. Se
você não conhece ainda, vale a pena
entrar na nos mundos, conhecer os nossos
conteúdos, conhecer os textos, os
artigos que têm sido publicados, as
resenhas, os ensaios, os simpósios, as
entrevistas apresentadas na Entremundos,
que é o nosso canal de entrevistas da
revista ou nos mundos. E há muita coisa
importante, muita coisa interessante,
muita coisa que você pode utilizar nas
suas comunidades, nos seus estudos, na
universidade, na igreja, na escola. E em
falando em escola, eu quero lembrar a
todos vocês que nós temos o programa
Ciência e Sapiência. Sim, é um programa
oferecido para escolas de ensino médio.
Esse currículo que pode ser utilizado
por escolas confissionais. Ah, e nós
queremos que você conheça. Existem
propostas já para o segundo semestre.
Então, se você ainda não conhece, você
quer algo que já pode começar a ser
utilizado a partir do segundo semestre
em suas escolas, não deixe de conhecer,
de entrar no site do Ciência Sapiência,
de conhecer esse material, de pedir uma
amra, de solicitar uma reunião, um
contato com a nossa equipe que pode
entrar em contato diretamente com você e
fazer você conhecer mais, conhecer
melhor o programa Ciência e Sappiência,
um programa para o ensino médio sobre fé
e ciência. E gente, nós temos muitas
outras coisas, nós temos muitas
iniciativas em curso, nós temos muitos
materiais. Então não deixe de conhecer
os trabalhos da BC2, não deixe de
conhecer os nossos o nosso site, os
nossos materiais publicados, não deixe
de conhecer as nossas redes sociais,
porque sempre vai ter novidade por lá. E
agora, sem mais delongas, vamos pro
nosso papo que tá maravilhoso, tá
sensacional. Eu tenho certeza que você
vai ser muito edificado com a conversa
que nós tivemos nesse
[Música]
episódio. Hoje vamos falar sobre o tema
ciência para pastores. Afinal, pastores
precisam entender de ciência? Precisamos
ter alguma noção de ciência? Os pastores
precisam estar antenados no mundo da
ciência. Qual a relevância disso para o
ministério da igreja? Qual a relevância?
Um pastor que já tem tanta coisa para se
preocupar, um pastor que tem que
preparar os seus sermões, estudos
bíblicos, fazer sepultamentos, fazer
casamentos, cuidar da laje da igreja,
né? Tantas coisas. Ele ainda precisa
saber de ciência. Já não é muita coisa.
Os pastores já não estão cansados e
sobrecarregados e sem motivos de cantar
uma linda canção. E eles não são Joseph
Climber. E ainda eles precisam saber de
ciência qual que é a pauta, qual que é a
ideia desse BTC aqui. Vocês querem
tornar o ministério pastoral mais
pesado? Eu não, eu queria entender aí,
mas eu vou só dei essa entrada e tchau.
Vai, Thiago, assume aí porque eu fiquei
preocupado agora com a classe pastoral,
cara. É, é bem, é bem isso mesmo. Eu, a
gente viu, é bem isso mesmo. Beleza,
Thago. Show de bola. É aí, ó. É bem
isso. É, a gente precisa resolver tudo
isso. A gente precisa dar mais coisa
pros pastores fazerem. Aí a gente vai
tentar conversar para ver que que a
gente resolve. A gente tem uma pesquisa
que foi realizada em 2021 no Reino Unido
e os caras avaliaram ali os pastores
clérigos, né, enfim, né, o pessoal que
tá na liderança da igreja no Reino
Unido, anglicanos principalmente, mas
não só, sobre a relação deles com
ciência, né? E eles encontraram ali que
a grande maioria dos pastores, eles se
preocupam com questões da ciência, eles
gostam, né? Estão assim interessados e
eu acho que é uma coisa da sociedade
como todo, né? Todo mundo de alguma
forma se interessa em algum nível, né?
gosta de coisas de ciência, mas a grande
questão é que de todos esses que eram
muito interessados em ciência, não se
sentiam preparados para discutir a
ciência em público, para discutir
questões de ciência, principalmente no
púlpito, né? Então, e existe essa
desconexão muito grande entre o
interesse e a capacidade ou a confiança
para discutir a ciência em público.
Então, a gente a partir disso, né, a
gente pode pensar na nossa realidade
aqui no Brasil, como que nós eh, né,
como igreja brasileira, como
representantes da igreja brasileira, de
alguma forma podemos pensar essas
questões. A gente não tem uma pesquisa e
nacional, né, falando como que é, como
que são esses números aqui no Brasil,
mas eu queria ouvir aqui do do Gustavo
do Felipe Breder, que que eles, como que
eles têm percebido a, a relação de
pastores na igreja brasileira ou talvez
no recorte que eles têm, né, e de
perceber aí como que como que tem visto
essa relação de pastores em relação a a
ao interesse e essa confiança, talvez,
né? Será que se repete esse cenário que
tinha lá no Reino Unido aqui no Brasil?
Thiago, deixa eu comentar rapidinho eh
dessa pesquisa. É interessante que no
Reino Unido o público geral tá muito
mais envolvido com ciências do que a
média dos brasileiros, né? Enquanto o
programa de ciências nas escolas são
mais fortes, tem muitos museus, né? Tem
muitas instituições científicas de
séculos, né? Que fazem parte da
sociedade britânica, cara. Tem muitos
personagens cientistas que são
anglicanos, né? Que são da igreja
anglicana. Isso faz parte da igreja
deles ter referências lá, né, como
Farade, como Maxwell, você tem nomes
assim icônicos nas ciências que saíram
daquela igreja. E cara, e tem muitas
universidades, né, confessionais, tem
muito livro, tem muito podcast e e o
mais interessante, tem muito programa de
TV aberta, sabe? A BBC é pioneira
naqueles programas de natureza, né?
Então, eh eh é uma sociedade que fala e
e tá embebida muito mais em conhecimento
científico, principalmente conhecimento
da natureza do que aqui no Brasil. Mas
aí, olha que interessante, há há alguns
anos, eu acho que até em resposta, isso
é um pouco em resposta a essa pesquisa,
eh houve um movimento da Igreja
Anglicana de olhar pros seus pastores e
com essa preocupação de conhecimento
científico dentro da igreja. E eh eu fui
nomeado h um tempo atrás como um
conselheiro paraa comissão da ciência da
comunhão anglicana mundial, né? Nós
somos aí oito cientistas no mundo que
ajudam aquela conferência de Lbeth, né?
Que é a conferência dos bispos
anglicanos a pensar esse tema de fé e
ciência. E olha que interessante, uma
iniciativa fruto dessa comissão é um
movimento estruturado da igreja
anglicana, projeto mundial para treinar
o o clero anglicano em ciências e a sua
relação com a fé. Então tem um movimento
aí declarado, né, não escondido, mas
declarado mundial, institucional da
igreja anglicana nessa direção de
capacitar, né, ou melhorar a compreensão
do seu clero na interação entre fé e
ciência. Interessante o que o Gustavo
falou, porque realmente no Brasil parece
que no geral as pessoas se interessam um
pouco menos por ciência nas igrejas em
geral, né? Na minha realidade, na nossa
realidade de igreja, quando surgem
alguns jovens que estão na universidade
e que querem discutir assuntos que estão
em crise, como biologia, ciências
biológicas, cosmologia, e nós começamos
a falar um pouco sobre isso. Eu tive a
experiência que os jovens procuraram a
gente para falar sobre biologia,
criação, evolução e idade da terra,
essas coisas, essas crises comuns de
jovens e adolescentes que estão entrando
na universidade. E quando nós nos
propusermos a falar sobre isso na
igreja, os irmãos, a grande maioria da
igreja veio falar: "Olha, mas isso não é
um assunto importante, vamos falar de
outras coisas. Deixa para que gerar mais
polêmica, para que gerar mais dúvida,
mais curiosidade?" A gente tem que falar
aí de Jesus, do amor de Jesus. Parece
que não há tanto interesse como se não
fosse algo importante, pelo menos a
minha experiência pastoral. Isso não é
uma coisa importante, não, não vale a
pena a gente falar sobre isso. Isso é
coisa da universidade. Se se é pra gente
se, se é pra gente aprender um pouco
mais de ciência, cria lá um o grupo de
estudo lá com cinco pessoas, deixa essas
cinco pessoas falando, mas paraa igreja
como um todo, isso não é importante. Até
a gente chegar numa realidade onde
assuntos científicos se tornam realmente
muito importantes pra vida, como foi a
pandemia. E o Bíbo começou o podcast
muito falando muito bem, né? que aí
quando um assunto científico se torna
relevante como saúde, como vacina ou
polêmico, né? relevante ou polêmico.
Polêmico. Aí nós percebemos que os
nossos pastores realmente não estão
preparados e não conhecem, não tem o
mínimo conhecimento. Eu tenho percebido,
eh, Gustavo, Thago, Bibo, que a maioria
dos pastores que eu convivo,
infelizmente, não sabem o que é método
científico, um artigo científico. Falam
de artigo, mas não faz nem ideia do que
é publicar um artigo, de como funciona.
E e aí as quando surgem assuntos
importantes, a gente vê que nós estamos
despreparados para oferecer boas
respostas e respostas para mostrar que
cristianismo é é relevante, tem
respostas importantes para oferecer pra
sociedade também. Ô Felipe, tem igrejas,
cara, que em que esse ponto, esse
contexto vai ser muito importante. Pega
igrejas em centros universitários, pô,
você vai ter um monte de jovens ali,
talvez 90% da massa da juventude da tua
igreja são universitários. E muitos
estão passando por ali, cara, por tr 4,
5 anos, que é o período que eles estão
na universidade, naquela cidade. E para
eles, esse e esses pontos, né, essas
questões são fundamentais, porque é a
forma como eles vão interagir com a
cultura. a teologia deles vai interagir
com a cultura e a parte científica da
cultura naquele momento de vida de forma
muito intensa. Tem outras igrejas que
dependendo da amragem da do dos membros
ali, cara, isso vai ser um assunto tão
superficial, tão tangencial, que de fato
não precisa forçar, né, de púlpito ou
guela abaixo o uma relação entre fé e
ciência. Então, tem que analisar muito
bem o contexto da igreja, né, quando
esse é um tema importante e relevante e
quando ele é superficial, como outros
temas podem ser superficiais na nossa
carreira de fé. Então, acho que precisa
de uma boa avaliação da da igreja. Eh,
então a gente pensando assim, né, a
gente realmente precisa sempre avaliar o
contexto, né, porque existem culturas
diferentes, existem comunidades muito
diferentes, mas eu fico pensando assim,
a gente tem de fato comunidades que são
mais voltadas pro meio acadêmico ou um
público mais universitário, como o Guto
falou, e existem comunidades que não tm
uma conexão com isso, mas como o Felipe
trouxe, né, de repente comunidades que
não tinham conexão nenhuma com o meio
acadêmico, não tinha nenhum nenhum
acadêmico, nenhum cientista, nenhum
professor universitário, N nenhum
estudante universitário na sua
comunidade também se viu levada a lidar
com uma questão científica como na
pandemia, né? vira e mexe acontece
alguma coisa, uma pessoa que vai passar
por uma tem uma questão de saúde muito
séria, um um câncer ou uma doença
congênito. E aí de repente aquela
comunidade se vê diante da ciência, né,
para lidar com ela. Então, e ao mesmo
tempo que a gente tem contextualmente
igrejas ou comunidades que estão de fato
num cenário mais acadêmico e tem um
perfil mais acadêmico, existem também
outras comunidades que não tm esse
perfil, mas em algum momento também vão
precisar lidar com algum tema, né? E
pensando nisso, né, assim, eu fico
tentando entender como que um pastor
poderia lidar com a ciência. Eu acho que
dentro do que o Felipe falou aí da
primeira percepção dele ou da
comunidade, né, quando tentaram colocar
as pessoas falando: "Ah, isso não é
importante". Ou seja, já mostra que
existe uma visão. Eu acho que essa visão
tem sido a visão mais comum que a gente
encontra normalmente, né? Ou a visão
inicial é a visão de conflito, né? a
pessoa já chega nesse assunto com uma
visão de conflito, como se essa visão e
fosse a visão possível. A visão que
existe é uma visão de conflito. E aí de
repente e a gente começa a perceber que
não existem outras visões possíveis, né?
Visão de diálogo, como a gente tem feito
na BC2, né? Uma buscando
complementaridade, buscando ali um um
relacionamento, né? Uma interação, até
uma integração às vezes entre a fé e a
ciência. E de fato, né, parece que os
nossos os a maioria das nossas
lideranças não estão por dentro disso. E
eu fico me perguntando assim, como que
isso chega nesse ponto, né, ou como que
a gente pode talvez pensar num num ponto
de virada, se é que isso é possível. Eu
acho que uma outra pergunta decorrente
disso, mas pode dizer, Guto, vai lá,
depois eu pergunto. É porque, cara, eu
quero defender um pouco a barra aí do
dos pastores também, né? Eh, cara, não é
de se esperar que um pastor precise ter
formação profunda em ciências naturais,
cara. Não é, né? Ainda mais no nosso
sistema de ensino. É muito provável que
o pastor foi pro seminário, cara, por
ter identificado a sua vocação, seu
chamado pastoral, mas também porque ele
tinha afinidade lá paraas ciências
humanas, cara, pras letras, pra
sociologia, pros estudos sociais em
geral. Eh, provavelmente não é porque
ele era apaixonado por física, química e
matemática no ensino médio, né? E muito
provavelmente ele passou raspando de
física, quiba e matemática no ensino
médio e foi seguir uma carreira aí no no
campo pastoral, o que é legítimo. Então,
o meu o meu ponto é o seguinte: é
natural você encontrar pastores que cuja
formação científica tenha parado lá na
média cinco do ensino médio, porque
depois disso não foi necessário ter um
contato com ciência de forma mais
profunda até que chegue o dia em que
caia uma bomba na comunidade dele, na
igreja dele, de uma questão científica
interação com teologia ou com a fé.
Puxa, aí ele tá ele tá no no num campo
minado. E e aí e aí nesse ponto eu acho
que pode faltar subsídio de formação
para ele poder lidar adequadamente com o
campo de fé e ciência. E aí geralmente,
cara, em primeiro lugar eu noto uma
visão de cautela dos pastores, sabe? Que
para mim pode expressar assim um medo de
um desconhecido, né? Os pastores ficam
sobrecarregados de informação num mundo
que fala muito sobre ciência, numa
visão, uma cosmovisão cientificista,
onde a ciência é dona de todas as
verdades. O mundo vem com essa carga
para dentro da igreja. Daí a posição do
pastor é de cautela, de defesa, né? Eu
não sei direito o que significa, então
melhor eu me defender. E aí, cara, essa,
na minha opinião, é uma postura genuína
e honesta, só que ela pode rapidamente
se tornar uma postura que assume um
conflito ontológico entre ciência e fé,
ou pelo menos um, sei lá, um um conflito
entre o conhecimento científico e o
conhecimento teológico, né? E aí muitos
pastores pendem para esse lado do
conflito por desconhecimento, mas aí eu
acho que outros vão numa direção oposta,
assim, que na minha opinião é igualmente
equivocada, né? Que é de tentar fazer
forçadamente uma fusão entre teologia e
ciência, sem conhecer muito do campo
científico, né? Atropelando, cara,
assim, deformando teologia, deformando a
ciência numa tentativa humana de fazer
as duas se encaixarem na mesma caixa,
sabe? Então, eh, seja de um lado para
uma para uma indo para um lado de
conflito antagico entre os dois lados,
indo para um lado de fusão completa,
para mim são dois caminhos que são
naturais, mas que são equivocados. E aí,
na minha opinião, ó, tem essas duas
posições extremas são consequência de
nós não termos desenvolvido na igreja e
nos seminários uma boa teologia da
ciência. OK? Meu ponto é, é fundamental
num mundo em que nós estamos envolvidos
em verdades científicas o tempo inteiro,
em que um adolescente sente que tem a
informação científica na palma da mão no
celular e que ele vê nas manchetes o
tempo inteiro. Ciência afirma que
cientistas afirmam que, né, como a
verdade, a dona das verdades, é
fundamental que os nossos pastores,
líderes, eh, corpo pastoral, de forma
geral, não tô falando só do pregador
titular da igreja, não, que aqueles que
pastoreiam na igreja tenham uma boa
teologia da ciência. O que que é uma boa
teologia da ciência, cara? A gente abre
conversa para para várias horas, mas eu
acho que o ponto é esse. Falta na igreja
hoje uma boa teologia da ciência em
prática. Eh, eu confesso que no
seminário eu não tive nada mesmo assim
ligado para essa relação eh fé e ciência
que eu lembre também, né? Confesso que
eu não fui um aluno muito exemplar no
seminário, assim, eu lembro que eu tive
filosofia da ciência. Eu lembro que eu
tive essa disciplina, aliás, mas no
seminário teve, é, no seminário eu tive
filosofia da ciência, porque eu acho que
o Mac e o MEC já é um bom caminho. É, já
é um bom caminho, não. E foi com o
Euller. O Euller é foi um baita
professor. Eu lamento muito. Eu gostaria
de ter aula com o Euller com a cabeça
que eu tenho agora, né? Não, com a
cabeça de um piá, eu não era tão piá
assim, mas enfim, eu não levava tão a
sério talvez os estudos como eu devesse.
Mas o Eer é era um baita cara, era um
professor de seminário ao mesmo tempo
que era professor de universidade
também. Então naquela época eu já
discutia transumanismo. Então mano, em
2000 e tô falando de 2005, então 2005 o
Eulor já trazia para nós discussões de
transumanismo, entende? O gravou com a
gente, parênteses, o gravou com a gente
sobre bioética. Tem um episódio aí.
Gravou sobre bioética. Ele é um cara
sensacional, Euller. Então assim,
provavelmente ele já trouxe alguma coisa
arejada para nós. Assim, confesso que
ele já deve ter trazido alguma coisa
arejada para nós. O Marcelinho Cabral da
BC2 já deu aula nessa faculdade onde eu
me formei sobre filosofia da ciência
também e tal. Mas eu digo assim, eh,
deve ter tido, né, nas aulas do Elder,
deve ter tido um pouco dessa, é, porque
a gente ia muito paraa área da bioética,
né, não tanto para essa relação tão
estreita de fé e ciência como a BC2, por
exemplo, desenvolve e tal, mas com
certeza o Eer já trouxe pra gente um
pouco esses ares assim dessa relação fé
e ciência e tal, mas porque tinha que
ser uma disciplina mesmo, né, no
seminário, tipo assim, um semestre
estudando isso, tá ligado? Para e para
ser uma coisa basilar, né? Eh, ô Bibo,
eu não sei como foi a tua pitada de a
tua imersão em ciências no seminário,
mas a minha crítica geralmente é assim:
A gente não pode, cara, eh, reduzir
ciência no seminário, algumas pitadas,
sabe, de ah, o assunto polêmico é isso,
ou fé e ciência é aquele negócio ali, ó,
e resolve, dá uma lacradinha ali, sabe?
fala, "Não, vai ser assim. Você já leu
esse livro? Assiste esse esse vídeo no
YouTube ouve aquele podcast e pronto.
Então, é como se fosse como você ticasse
uma caixinha de satisfeita o o critério,
o requisito de ter ciência no seminário
dando esta palestra. Cara, é muito mais
profundo. É você desenvolver uma
teologia da ciência e vai olhar dentro
para mim, para mim, ela tá dentro de uma
boa teologia da natureza. Como é que o
cristão enxerga a ciência? Não é habitar
nos pontos polêmicos, sabe? É algo muito
mais profundo e estruturante. Aliás.
Então já fica o desafio pro próximo
BTCash ABC2, ou melhor, algum BTCh ABC2.
O que é uma teologia da ciência? O que é
uma teologia da ciência? Não, eu quero
isso agora, semana que vem na minha
mesa. Aliás, agora o Guto falando, eu me
sinto, a gente tem que sentir até meio
envergonhado, né? 77 episódios e a gente
não tem um episódio sobre isso. Aliás,
tem isso, isso é muito bom. Tem se a
gente varrer os episódios. É exato. Se a
gente varrer os episódios, na verdade eu
vou dizer isso está em todos eles
ouvindo quando a dois fala, ela está
fazendo uma teologia da ciência, tá por
detrás de tudo. Examente. Tem, tá
indireto, né? Um parêntese inútil aqui.
Bem, se é inútil não devia fazer, né?
Mas enfim, eu acabei de lançar um livro
como se tornar um criston. Mas vamos lá.
Eh, cara, é, o pessoal à vezes pergunta
um tema, isso deve acontecer com o
Felipe também. Ô, vocês já falaram sobre
isso? Cara, a gente sabe que já falou,
só que tá diluído em vários outros
temas, entendeu? Então, às vezes eu
pego, faço isso. Mano, eu sei que eu já
falei sobre esse tema em algum episódio,
mas daí eu pego, crio um episódio
exatamente com o tema dessa dúvida,
entendeu? Porque, mano, houve tudo que a
gente faz aí, é muito legal e tá diluído
aí, né? Aí você igual no BTPo, né, que
hoje é um dos programas de maiores
sucesso do Bibotalk. Pô, você e o Cacau
já responderam essa pergunta? Cara,
assim, do jeito que tu já perguntou, a
gente não respondeu, mas, mano, lá nos
episódios a gente já respondeu alguma
coisa assim e tal, mas a gente tem que
ter um episódio mesmo sobre isso, né? o
que é uma teologia da ciência. Até para
ajudar, ô Guto, até para ajudar aí a
galera de seminário que acabou de ouvir
esse essa tua fala, falou: "Tá, mano,
mas como é que eu faço isso agora?"
Entende? Ô, Bibo, vou vou revelar um
segredo aqui. Esse é o meu projeto de
livro, cara. Um dia, um dia eu tô
escrevendo, tô montando, é assim, não
sou um teólogo, mas tô na interface e
quero falar para teólogos também, cara,
o que é uma boa teologia da ciência,
entendeu? O que compõe uma boa teologia
da ciência. Eu já quero, vou publicar
para ti. Manda para mim que eu publico.
Vamos pensar junto. Mas eu tô
estruturando, estruturando esse livro. É
meu. Pode me dar minutos, tá? Eu quero
semana que vem na minha mesa, então.
Obrigado. Beijo.
[Música]
Eh, eu tô pensando aqui que isso, isso é
maravilhoso, né? Assim, a gente pensar
pensar de forma teológica a ciência. E
eu vejo também que realmente, né, existe
uma dificuldade muito grande por
desconhecimento, por uma falta de
formação na área da grande maioria dos
pastores sobre eh o que é ciência, né?
Eu, como o Bibo falou aí, filosofia da
ciência, essas coisas todas. E
principalmente quando a gente se adentra
em questões mais técnicas, né, da
ciência, questões técnicas do campo da
biologia, do campo da da física ou do
campo da cosmologia ou vai no campo da
economia da de outras das humanidades.
São questões técnicas e são muitas
áreas, né, assim, eh, um cientista não
entende a ciência de outras áreas, então
quanto mais um pastor, um alguém que tá
ali no mundo da igreja, né? Mas eu tenho
pensado também, eu tô estou pensando
nisso agora, sobre como existem dois
lados, talvez que a gente pode encarar a
a ciência, por assim dizer, né? Existe
esse lado técnico, esse lado acadêmico,
esse lado eh teórico da ciência, mas
existe também eh por outro lado, a vida
do cientista, o cientista como pessoa,
né? O o cara que é um trabalhador, um
profissional da área que tá na igreja,
né? E esse cara, ele tem uma vida, ele
tem uma forma de de enxergar as coisas
que é vem justamente dessa carreira dele
no meio acadêmico, na ciência. E eu acho
que esse é um ponto que talvez seja
interessante pensar um pouco agora o que
é o cientista, né? Talvez pros pastores
ou até na formação dos pastores
entenderem que eh existe o sujeito, né?
O sujeito que faz ciência, existe aquele
cara que tá ali todo dia e ele tem
algumas características próprias, né? E
eu tô lembrando aqui porque um tem um
artigo do And Crouch que muitos devem
conhecer que tá no site da BC2, a gente
vai colocar o link aqui na descrição do
do episódio, é onde ele vai relatando o
And Crow, ele ele enfim, né, conhecido e
escritor, né, tem muitos livros na área
de de vida cristã, de tecnologia e tudo
mais. Ele foi editor da Christian Today
e ele vai contando nesse artigo sobre a
esposa dele que é cientista, ela é
física e e ele fala: "Eu não entendo
nada de física. Eu não faço ideia do das
coisas que ela me explica. Eu não
entendo bulhufas porque é tudo muito
complicado, muito específico do campo da
física e tudo mais, mas vivendo com a
minha esposa, né, que é física, eu
aprendi como que os cientistas enxergam
o mundo, né, assim, eu comecei a
perceber como que é o mundo do
cientista, o mundo onde onde ele está
inserido, né? E e talvez é nessa área
que de fato, né, os cientistas podem
contribuir para a ajudar a igreja a
entender um pouco da vida da ciência e
onde os cientistas precisam ser
conhecidos para que eles possam ser
pastoreados, né? Eu não sei se vocês já
perceberam isso na caminhada de vocês,
se vocês já lidaram, né, com com isso,
né, assim, com a presença do cientista
na igreja ou com que a igreja lida com
isso, né, como que o pastor lida com Tem
ali que é cientista e aquele cara que
fica assim, tipo, ele ele tem um papo
que ninguém gosta muito porque é um papo
meio chato, que ninguém entende, ou ele
é um cara que não consegue se colocar,
ou até mesmo um cara que tem coisas a
contribuir, mas a gente não sabe como
lidar com ele. Que que vocês, eu não sei
se vocês já pensaram nisso, vocês já
lidaram com isso? Sim. É, eu eu eu acho
interessante porque o que o Gustavo
falou, é o que eu penso, o pastor ele
não precisa estudar especificamente um
ramo científico ou os termos científicos
ou ou se tornar um cientista, mas
conhecer basicamente os os famosos
modelos, né, do conflito ou da fusão, do
diálogo, entender como a ciência
funciona e como o cientista pensa, isso
realmente transforma o nosso pastorei.
Eu digo por experiência prática, porque
a gente acabou de receber aqui na nossa
igreja um rapaz que ele é pós um
cientista, pósdutor e e que ele tá
estudando bactérias, ah, é um biólogo
estudando bactérias, ele pensa, as
questões dele são muito diferentes do
que as questões comuns das pessoas na
igreja. E quando nós começamos a
conversar e e ele percebeu que eu eu não
sou um cientista, né? Eu eu não não eu
não conheço termos científicos, mas
quando ele percebeu que eu tenho um
pequeno conhecimento do que é um método
científico, do que é uma hipótese, do
que é, né, essa de como pensa o o o esse
meio científico foi transformador para
ele e ele falou: "Agora eu conheci
alguém que me entende". E aí nós
começamos a conversar, ele começou:
"Cara, essa é a igreja que eu quero
ficar, eu preciso de você."
E ele começou a abrir o coração sobre as
dúvidas que ele tinha a respeito de
Deus, que ele nunca tinha tido coragem
de conversar com ninguém sobre e sobre
os as dúvidas que ele tinha. Ele não
tinha coragem de conversar com ninguém
sobre as opiniões que ele tinha de
biologia. E a partir desse momento que
que ele encontrou em mim, né, como um
pastor, alguém que entendia esse
universo científico, a mente do
cientista, essa foi a ponte de entrada
para que ele abrisse o coração e
começasse a contar realmente dramas que
ele tava vivendo na vida dele, de
relacionamento, de casamento, de
família. Então assim, o o o por isso que
eu digo, o pastor conhecer um pouco do
universo, do que é a ciência, vai com
certeza alcançar o coração desse, vai
ajudar a alcançar o coração desses
cientistas, né? E o que você comentou
tenha vivido isso na prática? Sem
dúvida. Muito bom. Mas tem um ponto,
cara, que a igreja precisa entender como
que ela enxerga os cientistas cristãos.
Cientistas cristãos são como sacerdotes.
Cara, há um sacerdócio em se fazer
ciência. Em que sentido? Primeiro, se
nós entendemos que há uma revelação de
Deus no mundo natural, assim como há uma
revelação de Deus na palavra, né, no
ministério da palavra escriturada e na
pessoa de Cristo, e há uma revelação de
Deus na sua obra, no mundo natural, é
necessário que esse livro seja lido. E
os cientistas são os leitores treinados,
bem capacitados, com a com o linguajar
adequado para ler o livro da revelação
natural de Deus e desvelar verdades de
Deus desse livro para o povo. Então, tem
um sacerdócio aí. A, o cientista
cristão, ele se debruça sobre uma
revelação e ele serve ao povo ao mesmo
tempo que ele serve a Deus. Então, a
gente precisa enxergar tanto o teólogo
que se debruça sobre a palavra e faz boa
teologia e alimenta a igreja, olhando
para um dos livros da revelação de Deus,
o cientista é um sacerdote que se
debruça e alimenta a igreja com verdades
de Deus vindas do outro livro. Nós não
temos o direito de escolher um dos
livros apenas e desprezar o outro. Deus
nos deu os dois livros da revelação de
Deus, porque ele quer nos revelar
verdades dele das duas fontes, mas nós
precisamos então equipar e ouvir os
sacerdotes treinados nos dois ramos.
Então, o cientista cristão tem uma
função de responsabilidade dentro do
corpo. O corpo tem que reconhecer isso.
A igreja tem que reconhecer que é bom
termos cientistas cristãos, porque eles
vão nos ajudar a ler a revelação de Deus
na natureza. Assim como os pastores que
fazem diálogo teológico com esses
cientistas, tem que entender que há
verdades reveladas tanto na palavra com
a sua função especial de nos salvar e
apresentar a Cristo, que é aquele que
salva, quanto na revelação natural, que
enriquece a nossa fé e apresenta as
maravilhas das obras do criador. Então,
nesse sentido, cara, a igreja tem que
ver cientista como um sacerdote e mais,
cientista tem que se enxergar como um
sacerdote, né? Então, requer uma
humildade, um serviço diante da face de
Deus, um serviço especializado colocado
a a diante do trono para servir ao rei e
servir ao povo, né? É uma função de
representantes, porque nem todos os
membros do povo serão cientistas.
Portanto, há uma representação num
recorte menor do povo. Nem todos os os
membros do corpo serão teólogos. Então
você confia no treinamento e no acesso e
no tempo dedicado e na responsabilidade
de você trazer informação que são
verdades de Deus das duas revelações
para alimentar a igreja. Cara, isso é
assim desde a história da humanidade, do
povo de Deus, sempre com representantes
treinados, capacitados para se debruçar
sobre as revelações de Deus. O cientista
é muito mais do que só aquele dentro da
igreja. Cientista cristão é mais do que
aquele cara que fica no laboratório, mas
é aquele cara que faz uma interface
entre conhecimento do mundo natural,
alimentando a igreja e sobre a revelação
geral de Deus. É, aí fica o desafio, né?
Porque isso é maravilhoso. Só que na
igreja ho dia a gente corre o risco de
pensar assim: "Então, então o o
cientista já é esse sacerdote? Se o
cientista já é esse sacerdote, o pastor
não precisa de ciência, entendeu? O
pastor não precisa estudar ou conhecer
ciência, que eu acho que é o tema aqui
do nosso nosso BTC, né, de como mudar
essa realidade. Isso. Isso é aí que aí
tem o caminho mínimo do meio, né, cara?
Para ver diálogo entre essas duas
comunidades, alguém tem que entender
minimamente da outra. O cientista
cristão tem que entender minimamente de
teologia para poder dialogar com a
comunidade teológica. E o pastor tem que
entender minimamente e até entender a
autoridade do campo científico nas
verdades do mundo natural para poder
dialogar com o campo científico. De
novo, eu não defendo que todo mundo tem
que ser super especializado nos dois
campos, não dá tempo, não tem vida para
isso, mas tem que ter algum tipo de
caminho do meio. É, eu acho que tudo
parte do pastor ter uma boa teologia,
uma teologia saudável, entende? Porque,
por exemplo, assim, e isso é a tarefa do
pastor, né? Ter uma teologia saudável.
Agora, quando o pastor tem teologas
esquisitas, é incrível como a autoridade
pastoral arrasta até mesmo pessoas com
doutorado para loucuras teológicas,
sabe? E aí, mano, é todo tipo de loucura
teológica, entende? Ou autoridades
políticas, né? Autoridades políticas
acabaram fazendo pessoas que sempre
defenderam o SUS, por exemplo, a não
defenderem vacina no tempo da pandemia.
Eu vivenciei isso na minha família, né?
Pessoas formadas, né? formadas com
doutorado, que sempre foram carteira de
vacinação todo em dia. E aí do nada
autoridades políticas vieram com
discurso e a pessoa não é isso aí mesmo,
essa vacina é um problema. Ou outras
coisas, né, pastores com teologas da
batalha espiritual e tal, uma
hermenêutica completamente esquisita
sobre textos bíblicos. E aí tem aquele
cara lá, ele é doutor em geografia, o
cara manja de geografia, mas daí na
igreja ele tá lendo Benirim, entende?
Então assim, e aí fica de aí e é
incrível como às vezes ou até uma
leitura errada e ou uma leitura
equivocada de alguns textos bíblicos de
Gênesis e tal, aí a pessoa vai lá,
estuda biologia, paleontologia na
faculdade, mas chega na igreja, ela não
sabe o que fazer com as informações. E
aí, como o pastor tem autoridade
espiritual, por assim dizer, né, como
alguns gostam de falar, ela fala: "Mano,
pior que o meu curso tá todo errado
mesmo." É uma conspiração, né, da
academia para que a Bíblia seja
desacreditada. O sujeito vai lá fazer
história e aí ele vai perceber, ele vai,
ele vai encontrar uma série de conflitos
com o relato bíblico em última análise.
Mas é como o pastor dele também não sabe
ler, entende? O próprio Antigo
Testamento, não sabe explicar porque que
Deus mandou matar, não sabe explicar as
hipérboles e isso e aquilo. Pô, mas a a
história não confirma esse dado da
Bíblia aqui, mano, a história tá errada,
tá ligado? Porque não, a Bíblia é a
palavra de Deus, ela não tá errada. É o
meu, é o meu curso de história que tá
errado, entende? E aí, se o pastor não
sabe lidar com o mínimo da hermenêutica,
lidar com essas tensões dos textos
bíblicos, né, com os os silêncios que
nós temos na Bíblia sobre vários
assuntos, aí a gente tem inclusive
cristãos que estão lá fazendo eh
estudando, tão na academia e não
acreditam na existência de dinossauros.
É, aí aí dói. É, é, exatamente. Eu
queria publicamente aqui agradecer a
ABC2, porque eu sou pastor, sou um
pastor batista e eu acredita em
dinossauro, né?
e acredita dinossauro. Mas eu sou um
pastor e na minha formação do seminário,
na minha formação teológica, como o
Gustavo falou, nós não fomos ensinado
sobre uma teologia da ciência. Eu nunca
aprendi qual é o papel da teologia e o
limite da teologia, qual que é o papel
da ciência e o limite da ciência. E isso
gera muita confusão na vida dos
pastores. E a ABC2 me apresentou um
universo onde como pastor eu consigo ter
mais clareza em em dialogar com
cientistas do tipo, olha, até esse ponto
a teologia me leva. Agora, eu preciso da
opinião de um cientista a respeito da
natureza, de como ele pensa, porque se
não a gente tem aquela ideia do conflito
ou de que a teologia vai trazer resposta
para todas as esferas da vida, sendo que
ah não cabe a ela trazer respostas sobre
algumas esferas da ciência. E a mesma
coisa da ciência. E aí eu já ouvi
pastores fazendo afirmações científicas
que quando, se tiver um cientista
escutando a pregação dele, vai falar:
"Mas não é isso que a ciência
diz, não é? Não é, não é isso que a
ciência tá falando. Esse pastor acha que
conhece ciência, mas não sabe o que é
ciência. Pegando o tema do nosso
betecast aqui, ah, um caminho saudável
seria realmente de que todo pastor
tivesse alguma capacitação ou no
seminário ou fizesse cursos da ABC2,
encontros com a ABC2, de ter essa essa e
essa noção básica de qual é o papel da
teologia, qual que é o papel da ciência
e como as duas tão até certo ponto e e e
precisam dialogar, né? E eu creio que o
o pastor vai conseguir responder as
questões da sociedade, do mundo e das
pessoas, da nossa cultura de forma mais
sábia. Eh, é muito tentador olhar paraa
ciência e já colocar na ciência o
conflito de que ela é o ídolo, ela é o
Baal que a gente precisa destruir porque
ela tá afirmando ser dona da verdade.
Mas quando a gente começa a entender
realmente o que é a ciência, nós
descobrimos que o problema não é a
ciência, o método científico, mas quando
nós transformamos a ciência realmente,
né, nas respostas para todas as questões
da vida, aí ela se tornam aí o ela pode
se tornar um ídolo, mas não
necessariamente. Eh, eu acho que eh dá
para pensar justamente e voltar lá na
minha entrada, né, sobre como que os
pastores podem aprender com os
cientistas, né, eh como que os pastores
ou como a própria vida da igreja pode eh
ser muito abençoada e e se beneficiar de
ter cientistas e de entender o que é o
mundo da ciência, né? O tor voltando no
no artigo que eu citei anteriormente do
Androuch, porque ele vai justamente
falar isso, né? Assim, existem
características do cientista que que
podem ensinar muito à igreja e que podem
ajudar inclusive na vida do próprio
cientista, assim, quando ele é
pastoreado e quando ele quando a vida na
igreja, quando a vida devocional dele
encaixa, né, de alguma forma, justamente
porque o ele vai comentar no artigo que
os os cientistas eles eles têm algumas
características muito características
muito próprias assim que existem em
outras áreas de atuação, em outras áreas
profissionais, mas o cientista tem algo
específico assim que é diferente, né?
Principalmente quando entra na questão
de maravilhamento, né? O cientista, ao
contrário de muitas outras áreas de
atuação que de profissões que podem ter,
né? O cientista ele tem uma capacidade
de maravilhamento, parece que diferente
e mais agussada do que outras
profissões, né? Aí, por exemplo, outras,
sei lá, um advogado, ele pode se
maravilhar as leis e com o processo de
tudo isso, com o sistema jurídico. Um
cozinheiro pode ser. Truco, eu truco
essa aí, cara. Eu sou eu sou engenheiro
e eu truco que os advogados se
maravilham com as leis. Tá louco. Olha,
eu conheço gente que que que parece que
parece que se maravilha. É, um
engenheiro se maravilha com a
matemática, com os cálculos ali, com as
estruturas, mas o cientista ele consegue
olhar para um negócio muito estranho.
Uhum. e se maravilhar com aquilo, que é
um negócio que ninguém se maravilharia e
ele traz aquilo assim, ele se se deleita
e esse deleite é um um é uma espécie de
trampolim mesmo assim para para que haja
uma adoração, né, assim. E de fato eu
vivenciei muito isso em laboratório e
tudo mais de da gente adorar a Deus
porque tá vendo um um uma coisa no
microscópio, uma coisa minúscula, uma
coisa assim boba que ninguém mais tá
vendo, mas aquilo te leva à adoração de
alguma forma, né? e entender que os
cientistas eles têm essa capacidade,
eles podem ajudar a a própria comunidade
cristã a a entender esse maravilhamento,
né? Existem outras áreas também, por
exemplo, o cientista ele é capaz de
trabalhar em comunidade, né? Assim, o
cientista ele precisa de do trabalho
corporativo. Isso tá ligado também com
outras características. O cientista, ele
a virtude da humildade intelectual,
apesar de, obviamente, nós somos humanos
caídos, existe muito ego envolvido em
todas as áreas, mas o cientista ele lida
muito, muito melhor, talvez, em, em
vários sentidos, com a questão de
humildade intelectual, porque ele é o
sujeito mais que mais entende a ideia de
que ele não sabe tudo. O cientista é o
cara que sempre sabe que ele não sabe
alguma coisa e ele tá inquieto, querendo
entender alguma coisa. E talvez essa
ideia de uma humildade intelectual possa
ser algo que nós possamos eh enquanto
liderança de igreja, pastores e tudo
mais, aprender como cientistas, né,
assim, essa ideia de uma humildade
intelectual, de entender que a gente não
sabe tudo, que a gente não tem as
resposta e que a gente precisa do outro,
né? Nesse trabalho corporativo da
ciência, às vezes num laboratório de
ciência se encontra mais humildade que
em muitos círculos cristãos de certa
forma, né? Assim, às vezes até em
escolas e ou seminários de de você tem
ali brigas deas e argumentos toda hora
alguém ninguém pode perder, né? Assim, a
gente vê isso muito muito comum.
Enquanto os cientistas estão se
remoendo, tentando entender algo que
eles não têm capacidade de entender,
porque às vezes tá muito além do do que
eles têm de ferramentas e tudo mais. E
assim, então tem muitas coisas de fato,
né? Tem o fato, por exemplo, do
cientista lidar com frustração
constantemente, né, assim, diante de um
mundo que ele não entende, diante de
experimentos, diante de coisas que,
enfim, que ele não dá conta. Então, o
cientista é esse sujeito, né? Ô, Thiago,
você pegou um ponto aí, cara, que é
fundamental, que é o do maravilhamento.
É o é um dos melhores ganchos. E aí
pastores têm que entender essa, eu vou
chamar assim, esse essa isca, sabe? para
fisgar mesmo as pessoas. Porque às vezes
a gente quer falar de ciência na igreja
e fica trazendo pro púlpito dados
científicos, fica floreando ou
salpicando o sermão de pitadinhas de
dados científicos que às vezes eh
corroboram com a tua interpretação e
acha que isso é é colocar ciência dentro
da igreja. Cara, é muito mais profundo o
gancho do maravilhamento. Ele tá num
garotinho da sala dos cordeirinhos lá de
4 anos de idade e ele tá na senhora de
90 anos de idade sentada no no banco da
igreja. Porque se maravilhar com as
obras de Deus é natural do ser humano e
do mundo que Deus criou pra gente. Faz
parte do mundo criado para a qual nós
fomos criados. Então, o gancho do
maravilhamento, pastores devem pregar
isso, sabe? faz parte de uma boa
teologia da ciência, nós nos
maravilharmos com as obras de Deus. E aí
há inúmeras formas de você pregar essa
verdade, né, cara? Você pregar sobre o
maravilhamento, você primeiro limpa o
território, porque você coloca a ciência
e as verdades científicas num território
limpo, como frutos da obra de Deus.
Segundo, você e estimula vocação em em
jovem que pode ser cientista, que às
vezes tá em dúvida se eu devo ou não
seguir carreira científica. E o
maravilhamento pode ser a isca que traz
esse peixe fora da água, entendeu? Então
eu gosto muito quando a a entrada no
campo da ciência por um leigou paraa
igreja se dá pela porta do
maravilhamento. Essa é a essência do
próprio Salmo 19, né? a gente se
deslumbra e a a obra maravilhosa de Deus
proclama alguma coisa sem usar palavras,
mas grita aos confins da terra uma
verdade, uma beleza do Criador.
Pensando nisso que você disse, né? Eu,
como quando a gente vê pastores às vezes
botando umas pitadas de informação
científica e tudo mais num sermão ou
alguma coisa assim, como se eh fosse
essa integração com a ciência que se
espera. Mas será que de fato, né, como
você disse, não é só isso e e dá para ir
muito além, né? Então eu queria pensar
assim, como que a gente consegue
integrar ou ou como seria possível
integrar a ciência e ou a o mundo da
ciência ou a vida do cientista na vida
da igreja, né, assim, se no púlpito ou
se em outras ocasiões, por exemplo, numa
EBD ou alguma coisa assim, mas ou, né,
quando eu falo no púlpito, eu penso de
fato às vezes na no próprio sermão, na
pregação, mas existem outras formas
também, né? Que que vocês pensam em
relação a isso de de como que a gente
pode integrar mais, né? a, para que seja
algo além do que as meras pitadas de uma
informação científica curiosa, porque
geralmente acaba sendo trazido assim,
né? Ah, é uma curiosidade científica que
eu inseri como uma ilustração no meu
sermão. Será que é só isso, né? Assim, a
gente pode ir muito além disso. A gente
existem outras formas. Uma das
principais tarefas nós de de nossa como
pastor é que nós somos portadores do
nome de Deus, como a igreja, como
sacerdócio, né? E nós estamos realmente,
o, o nosso objetivo é pregar o evangelho
e anunciar a a graça de Deus, o
evangelho, transformação e salvação. Mas
como pastores, nós também precisamos
oferecer boas respostas para nossa
sociedade, para nossa comunidade, aos
dilemas do coração humano, a
confrontando os ídolos da nossa cultura,
do nosso tempo. E eu creio que trazer a
ciência pro púlpito tá mais relacionado
a isso, em mostrar como que muitas vezes
a a gente tá buscando respostas
equivocadas e que a própria natureza nos
oferece um caminho, uma direção. Eu
gostei muito do exemplo que o Gustavo
trouxe, porque eu experimentei isso há
algumas semanas atrás. Eu fui pregar num
retiro em Goiânia e eu era um
acampamento muito distante da cidade.
Tava um céu absurdamente escuro e um céu
estrelado assim como eu nunca tinha
visto antes. Foi um dos céus mais foi um
dos céus mais bonitos que eu já vi. E eu
lembro que quando eu cheguei no nosso
alojamento, eu olhei para aquele céu, eu
falei com a minha esposa, eu falei:
"Amor, olha isso". E e aquilo me trouxe
um um um tremor, um temor assim, um
maravilhamento tão grande. E eu fiquei
ali os próximos 30 minutos depois
tentando tirar uma foto. E até eu postei
depois a foto que eu tirei, né? A gente
começou conversando aqui, que foi uma
com iPhone, eu pisquei dica como tirar e
ficou uma foto muito linda com a Via LCT
e tal. E aí eu lembro que naquela mesma
noite eu comecei o meu sermão naquele
acampamento falando: "Meus irmãos, vocês
estão aqui no acampamento e não sejam
loucos de não deslumbrar a glória de
Deus nesse lugar". E eu mostrei a foto
para eles que eu tirei. Vocês percebem?
Olha esse universo, o tamanho dele,
quantos e tanto, tanto de estrela de
galáxia, de galáxias e e Deus por amor
se revelou a nós aqui nesse planeta,
enviou o seu filho aqui para nós. E eu
gostei muito desse exemplo do Gustavo
que trazer isso pro púlpito como uma
forma de de maravilhamento. E eu creio
que como uma outra alternativa é o
pastor está é buscar entender um pouco
mais da ciência justamente para também
oferecer boas respostas para questões do
nosso tempo de depressão, de suicídio,
né? Essas questões práticas. Eu não
quero, eu não preciso, eu não, não devo
ficar estudando ciência só para ficar
trazendo dados científicos, como o
Thiago trouxe aqui, né? Mas como
respostas, mostrar que as escrituras
oferecem boas respostas em como nós
lidamos com a depressão, mas a ciência
também nos ajuda com isso e que pra
glória de Deus também e e mostrar que
não existe esse conflito e que trazer
ciência pra vida da igreja do pastor,
ela também nos ajuda a responder
questões muito práticas da vida, como
suicídio, depressão, doenças, câncer e e
como nós lidamos até mesmo
relacionamentos e que a ciência ela tá
muito mais interessada não em ficar
falando dentro da igreja, né, não em
ficar debatendo os assuntos polêmicos,
mas em realmente trazer respostas para
uma vida cristã mais integral como um
todo. É, é interessante porque a gente
corre o risco, né, eh, como você diz, de
usar a ciência ou usar dados ali e e aí
usar a ciência de forma muito
utilitarista, né, assim, como uma
ferramenta que me serve para provar um
argumento, mas eu só uso ela assim, né,
assim, ela ela é só uma ferramenta que
eu vou usar para provar meu ponto assim,
se ela tá dizendo o que eu quero, né? E
e aí fica esse uso muito utilitarista da
ciência. Eu me preocupo muito com isso.
Eu me incomodo com isso, né? Porque
parece que eu vejo às vezes lideranças
usando dessa forma, né? Sendo que em
outros momentos há uma há um desprezo
pela ciência. Então eu uso quando ela me
serve. E não não é para ser assim, né?
Assim, é um uma compreensão muito mais
ampla da ciência que entende que ela
pode ser de fato uma ferramenta, mas que
ela precisa ser olhada de forma
responsável. Ela tem uma autoridade no
campo dela, né? e os cientistas, né, que
que desenvolvem, eles têm autoridade
naquele campo e aquilo pode me
beneficiar ou me abençoar de forma muito
mais profunda do que só provar pontos
que eu quero provar no meu sermão, né? E
existe uma forma que a ciência usa para
lidar com dados, para lidar com
evidências, né, para analisar as
questões do mundo natural ou do mundo
real. E como que a ciência lida com
esses dados, né, assim, como como que a
ciência é cautelosa em lidar com dados,
em apresentar dados, né, assim, de forma
responsável para que aqueles dados de
fato sejam bem interpretados. Tudo isso
são coisas importantes que a ciência
pode nos ensinar e nos ajudar quando a
gente tiver lidando também com coisas
assim. Ô Thago, eu tava pensando aqui,
tentando pensar em algumas decorrências
práticas, né? Assim, de forma geral, se
a gente entende que a responsabilidade
do ensino da igreja está na mão dos
pastores, e eu concordo com isso, eu
acho que eles têm que ser responsáveis
pelo ensino da igreja. E se nós
entendemos que Jesus é o Senhor de toda
a realidade, que não tem nada que fuja
do seu governo, ciência inclusa nisso,
né? Há muito mais para se explorar sobre
ciência do que só o Salmo 19, né? Claro,
é um excelente ponto de partida, mas tem
muito mais. Uma uma boa teologia da
ciência vai além de salpicadas de
ciência no sermão ou apenas parar no
maravilhamento que é a porta de entrada.
Agora, se a gente pensa que eh levar
ciência pro púlpito se refere à pregação
no culto público, cara, eu acho que há
ocasiões mais apropriadas para nós
tratarmos de uma interação entre fé e
cultura e aqui no caso ciência na vida e
na instrução da igreja, né? Eu entendo
que tem verdades fundamentais que a
gente extrai da palavra que vão
constituir uma boa teologia da ciência
que devem fazer parte de uma boa
pregação. Mas ficar debatendo
interpretações possíveis, evidenciando
polêmicas, lacrando posições dogmáticas
no campo de ciência e fé, no sermão, eu
acho isso extremamente inadequado. Para
mim, isso é errar o alvo, entendeu? É
quando a igreja tenta fazer um movimento
de trazer esse negócio de ciência para
dentro da vida da igreja, mas erra o
alvo. Então, para mim, o alvo é uma boa
teologia da ciência. No mundo, cada vez
mais envolvido em verdade científica,
com mais jovens na tua igreja tendo
acesso à universidade, com mais gente da
tua igreja fazendo pós-graduação, com
mais informação científica chegando no
celular a toda hora, com mais questões
polêmicas aparecendo na rede social, a
igreja precisa ser alimentada com uma
boa teologia da ciência para viver numa
era científica. Então, para mim, o alvo
tá aí, sabe? Acertar numa boa teologia
da ciência. Aí vou encerrar minha fala
longa aqui, porque eu pensei quatro
coisas práticas pastores, já que nós
estamos falando de ciência para
pastores. Primeiro é uma posição de
humildade, e eu me incluo nessa porque
eu sou membro da igreja, eu faço parte
do corpo, de reconhecer que a igreja nas
suas tentativas tem errado o alvo. Às
vezes a gente tem habitado nessa
superfície de polêmicas, lidado com
temas pontuais, querendo lacrar posições
aqui e ali, achando que isso satisfaz,
né? Verifica a caixinha de que ciência
faz parte da instrução da minha igreja.
E aí na minha analogia aqui, me permita
uma analogia de mineiro agora, a gente
tem alimentado uma fome com biscoito de
polvilho. Não, não sacia a fome, sabe?
É, você tá lá com as questões profundas
sobre a interação da fé com a ciência e
você tá atacando biscoitinho de polvilho
aqui ali, adiando, ignorando as questões
e adiando as respostas. Segundo ponto,
pastores e nós membros de igreja temos
que buscar fundamento numa boa teologia
da ciência. Vai muito além de fechar
opinião sobre temas polêmicos, mas é
trazer estrutura para uma boa interação
com a ciência. Cara, os seminários
precisam perceber isso para que não é
algo que você ensine bíbl numa aula ou
às vezes nem num módulo de seminário. É
um modo de enxergar ciência que vai ser
aprendido e construído como teologia ao
longo de uma carreira inteira. em
algumas igrejas com mais intensidade,
outras com menos intensidade, mas
precisamos ter uma boa teologia da
ciência. Assim como se a gente quer
fazer assistência social na igreja, você
tem que ter uma boa teologia do que é
assistência social e não brincar de
fazer assistência social dando o sopão
na esquina e achou que você já satisfez
a caixinha de de assistência social,
entendeu? É preciso uma boa teologia
disso e fazer com excelência e
profissionalismo. Ora, no campo da
ciência é a mesma coisa. uma boa
teologia da ciência, fazer com
excelência e eh rigor. Gente, a ABC2 tá
aqui para isso, para ajudar igrejas e o
povo de Deus a desenvolver uma boa
teologia da ciência, a sair da
superfície da polêmica e entrar nas
entranhas do que é mais profundo.
Terceiro ponto para mim agora é oferecer
de forma intencional uma boa dieta
baseada nessa teologia da ciência. Cara,
não pode menosprezar a dúvida genuína de
um jovem. Você não pode dar biscoito de
polvilho quando ele tem uma dúvida
importante. Você não pode sair gritando
alto e lacrando um tema polêmico só
porque você, pastor, já tem uma opinião
sobre isso, mas você não tem ideia do
que a cristandade já pensou sobre isso
nos últimos 200 anos. Então, não dá para
lacrar, lacrar um tema assim, né? Não dá
para fazer isso num sermão de 40 minutos
ou mesmo numa única aula de EBD. Fala:
"Não, minha igreja já estudou ciência
esse ano, já tivemos uma aula de EBD
pros jovens e tá resolvido o assunto.
Daqui a 10 anos a gente revisita o tema,
sabe? tem uma porção da sua igreja que
pode estar com a barriga roncando,
porque são futuros cientistas,
vocacionado e essa porção da tua igreja
precisa de pouco mais do que biscoito de
polvilho. A gente tem que est pronto
para oferecer uma dieta mais
estruturada. ABC2 te ajuda nisso. Vai
treinar nessa área, vai buscar cristãos
sinceros e verdadeiros que vão te ajudar
a construir uma boa teologia da ciência
na tua igreja. E então por último, o
quarto ponto é: "Cara, a gente não faz
isso sozinho. Eu comecei falando assim
na minha chamada, o mundo é muito
complexo pra gente achar que alguém dá
conta de tudo e que a gente não precisa
de ajuda. Pastores, precisamos de ajuda
para pastorear o rebanho na interação
entre fé e ciência. Precisamos de gente
que saiba ler o livro da natureza, da da
criação de Deus com as lentes adequadas,
as lentes de Cristo, para poder trazer
verdades e alimentar o povo. E tem muito
cristão na ciência com boa teologia,
pronto para servir ao reino. Tem muitos
bons teólogos no mundo que escreveram
excelentes livros e cursos, estudos de
caso e modelos pra igreja que podem nos
ajudar. E aí a ABC2 tem contribuído
nesse campo para ajudar igrejas,
seminários, famílias, né? e indivíduos,
cientistas cristãos, a construir uma boa
teologia da ciência. Eu fiz um um jabá
aqui do meu ponto, Bibo, que é: "Eu
quero ver a igreja desenvolvendo uma boa
teologia da ciência, mas a gente precisa
dizer pra igreja o que que é uma boa
teologia da ciência, o que que a
constitui, né? E aí a gente tem um
trabalho, nós cientistas cristãos tem
temos um trabalho grande pela frente aí
para construir e ajudar a igreja a
enxergar uma boa teologia da ciência.
Muito legal. Eh, eu acho que a gente
acaba colocando mais um desafio, né,
para muitos pastores, principalmente de
pastores que atuam em centros eh urbanos
ou como, né, cidades que têm
universidades e tal. De fato, uma igreja
nessa situação precisa urgentemente,
porque se o pastor, né, se a diretoria
da igreja, o presbitrio, enfim, chame,
não sei como é que a sua igreja chama,
quem vai direcionando os caminhos da
igreja, mas se ela não fizer isso, cara,
e você vai aumentar aquela dicotomia
entre a vida de fé e a vida secular, né,
o sagrado e o profano, o que eu faço
para Deus e o que eu faço no mundo. É
muito importante a gente aprender a
integrar essas coisas, porque senão é é
aquele negócio, né? é o cara que tem
doutorado em geologia, mas que na igreja
tem uma teologia completamente pobre,
né? Então assim, e aí você separa, não,
aqui são as coisas da fé, né? Então aqui
é aqui eu eu acredito nas coisas da fé.
Segunda-feira eu coloco o meu jaleco
branco, vou paraa universidade. Aqui são
as coisas da universidade. Então se a
igreja não aprender a integrar bem os
dois livros de Deus, né? Algo que a
gente sempre fala aqui nos betequests
ABC2, Deus escreveu a a Bíblia e Deus
fez o mundo, né? Então, não há não há
conflito entre o livro de Deus, entre os
livros de Deus, né? O livro que Deus
escreveu e deixou registrado e revelado
na escritura e a própria criação que
também revela um pouco de si. Então, a
gente precisa aprender a fazer bem essa
integração para não criar essa
dicotomia, né, entre o sagrado e o
profano, entre o espiritual e o secular.
Não, para nós tudo é espiritual. É isso,
meus amigos. Alguma contribuição final,
Thago, Felipe? Muito bom. Não, eu achei
os os quatro pontos que o Guto trouxe ao
final aí excelentes, né? Então voltem
lá, gente. Ouça. É, os quatro capítulos
do livro dele que ele tá escrevendo
também. Lançamento ano que vem, Bienal
de São Paulo. Aguarde. Mas eu quero, eu
quero só eu quero reforçar um ponto que
foi no início da fala dele ali sobre eh
ser esse modo, né? Existe um modo com
que nós fazemos esse processo, né?
Existe uma forma cristã de fazer a coisa
acontecer, existe um uma forma de fazer
essa conversa acontecer. O que eu acho
que a gente tem mais dificuldade,
talvez, ou a gente tem uma cultura
desenvolvida na igreja, na igreja
evangélica como um todo, talvez, é que o
modo como nós fazemos essa, esse
processo, ele muitas vezes ele gera
ruídos ou gera faíscas muito
problemáticas às vezes, né? Eh, a gente
tem às vezes alguns sistemas de
apologética, de debate, de defesa da fé,
de lidar com o mundo lá fora, né, nessa
nessa dicotomia entre sagrado e secular,
em que nós somos ou que nós vemos muitas
vezes pessoas sendo muito beligerantes,
muito bélicas no combate, né? Porque
existe um combate a ser travado. E como
o Guto falou e reforçando isso, existe
um modo e a gente sempre tem enfatizado
que o modo de fazer isso precisa mudar,
né? Assim, a gente a gente pensa num
modo que seja mais acolhedor ou mais
generoso numa escuta, né, num num olhar
para o outro, né, nessa alteridade aí
que o Cacau sempre gosta de falar, né,
Bíblia? Essa visão do outro de quem é o
cientista, quem é o cara que eu sou um
pastor, mas quem é o cientista, eu sou
um cientista, mas que é o quem são os
outros membros da minha igreja? E nesse
processo a gente conseguia ouvir, a
gente conseguia entender a dúvida,
reconhecer as dúvidas de fato como
dúvidas legítimas. eh estabelecer uma
conversa, estabelecer um um um caminho
aberto de acolhimento mesmo assim e e
isso eh inverte todo o jogo, né? É nesse
processo que a gente consegue eh
desenvolver um diálogo e é nesse
processo que a gente consegue cultivar
virtudes, né? Assim, que a gente é
estimulado a cultivar virtudes que são
virtudes intelectuais e que são virtudes
cristãs também, né? Eh, é um caminho
mais longo, mais difícil, mas é um
caminho que a gente entende que é de
fato um modo a se fazer essas coisas,
porque assim a gente consegue eh lidar
com tudo isso e lidar com com o fato de
que quem está lidando com essas coisas
são pessoas. Por trás de uma teoria, por
trás de um laboratório, por trás de um
diploma, por trás de qualquer coisa,
existe uma pessoa, né? E essa pessoa eh
ela precisa ser, no final das contas,
né? Ela precisa ser amada. Minha
mensagem última pros meus queridos
pastores, a quem eu admiro, respeito e
apoio no seu ministério pastoral.
Pastores, o cientista cristão verdadeiro
é o teu maior amigo e aliado para o
pastoreio nessa área. A gente não dá
conta de fazer tudo sozinho. E ter um
bom cientista cristão que sabe ler o
livro da revelação geral e trazer
verdade de Deus pra igreja, é um aliado
no pastoreio da igreja. Use bem desse
amigo, traga ele pro serviço, faça dele
um bom sacerdote na tua comunidade e use
bem os recursos que ele foi capacitado
para desenvolver pro reino. Eu gostei
muito do que o Gustavo falou e eu queria
finalizar incentivando os pastores a
colocarem isso em prática, porque eu
tenho uma experiência pessoal de que
isso é uma grande bção. Então eu quero
só finalizar contando essa experiência
que um grupo de uns oito jovens da nossa
igreja me buscaram ajuda sobre alguns
temas polêmicos e importantes da nossa
do nosso tempo, da nossa cultura. E e
foi interessante porque eu juntei esses
jovens, falei: "Ó, vamos fazer o
seguinte, vamos pesquisar juntos isso,
eu vamos fazer um, vamos ter uma mente
científica, vamos pesquisar isso
juntos." Nós passamos então eh pedir
ajuda de algumas pessoas para me
ajudarem com isso. E a cada 15 dias nós
nos encontrávamos para conversar sobre
aquilo que a gente estava descobrindo
sobre o assunto. Então indicava alguns
livros tal sobre assuntos, não sei o
quê. E a cabeça deles começou a a
borbulhar de tanta coisa. Eu queria
incentivar os pastores, não tenham medo
de deixar os seus jovens pensarem,
pesquisarem, lerem, né, sobre o assunto.
Juntamos várias informações. Eu falei:
"E agora? Qual é a resposta que a gente
vai dar sobre isso?" E uma das moças
falar, vamos fazer um documentário sobre
esse assunto, vamos entrevistar,
descobrir que que as pessoas estão
pensando sobre. Eu acho que o Gustavo
até já foi entrevistado para esse
documentário com a Mirian aqui da nossa
igreja. E e cara, é muito legal ver como
dar espaço a esses jovens para eles
serem quase que cientistas dentro da
igreja, né? Pesquisarem, irem atrás e
buscarem a resposta. Eles estão
encantados assim em em descobrirem tudo
isso, né, com a nossa ajuda, tal. E eles
têm me ajudado a encontrar respostas,
que eram coisas que eu não sabia, cara,
coisas que eh respostas que eu não
tinha. E e eu pedi ajuda deles para eles
me ajudarem a pesquisarem essas
respostas. E tem sido uma experiência
fantástica assim com com alguns jovens
da nossa igreja. Aí, se Deus quiser,
daqui a pouco vai ter esse documentário
pronto que eles estão produzindo. Então,
incentivo os pastores assim, deem espaço
realmente para que esse diálogo aconteça
dentro da igreja. Ao invés de afastar os
seus jovens, eu tenho certeza que eles
vão ficar muito mais animados com isso.
Bom, gente, muito bom. Conselhos bem
práticos. Gente, ficamos por aqui.
Aguardem. Voltaremos com esse episódio
sobre teologia da ciência como um
complemento e deste episódio aqui. Livro
do Guto ano que vem, lançado pela Thomas
Nelson Brasil. Olha aí. E é isso,
galera. É isso, tá bom? Ouça os demais
BTCs ABC2. Você encontra eles todos no
Spotify, no YouTube, ah, na Dieser, no
Amazon Music, ah, enfim, entre outros
apps de podcast. Tá bom? É isso.
Obrigado, Thiago, pela tua presença
aqui. Mais um BTC ABC2. Excelente. É
isso aí, Guto. Sempre um prazer te
receber novamente. Grande abraço,
saudades. E Felipe, volte mais vezes.
Muito obrigado. Deus abençoe, gente. É
isso, gente. Ficamos por aqui com mais
um episódio do BTC ABC2. Voltamos na
semana que vem com mais BTCs, betpapos e
várias atrações aqui em bibotalk.com e
também no nosso canal no YouTube
Bibotalk. É isso. Fiquem todos na paz do
Senhor Jesus.
[Música]
Este podcast foi editado por Bibotalk
Produções. Yeah.

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