CRITICAMOS NIETZSCHE
22/05/2025
Pix: bruno@reikdal.net
Livro: https://www.editorafi.org/293bruno
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Fala minha gente, tudo bem? Bora lá para mais um conteúdo totalmente excelente aqui no nosso canalzinho e o tema do vídeo é uma única palavra Niet. Sim, nós vamos hoje trabalhar de maneira crítica um aspecto fundamental e central do pensamento de Friedrich Nietz, esse filósofo do século XIX que tanto influenciou uma série de outras correntes durante o século XX. Contudo, porém, entretanto, todavia, caso você tenha caído aqui completamente paraquedas, afinal NIT atrai muita gente. Não sei se é o seu belo bigode ou se é o tipo de filosofia que ele produziu, que chama a atenção de bastante gente, mas você talvez chegue aqui sem fazer a mínima ideia de quem seja eu. Então, deixa eu me apresentar brevemente. Meu nome é Bruno Requidal, sou doutor em economia política mundial, mestre em filosofia graduado em filosofia, formado em teologia, além de profissional da educação, educador popular, militante no Partido Comunista desse país, além de companheiro de uma mulher maravilhosa, pai de uma criança incrível, editor da revista Zelota e nas horas vagas produzindo conteúdo aqui para esse canalzinho. Eu espero que você curta e curte também esse vídeo, comenta para já, espalha a palavra por aí, dá uma olhadinha na descrição porque lá tem a chave do Pix, vai que tá sobrando uma merreca aí, você pode apoiar o meu trabalho. Além disso, deve ser membro, membra, membro, membresia do nosso canal, porque somos um pequeno grupo, né, grupinho pequeno, mas fiel e resistente, além de que temos conteúdos exclusivos para vocês e cursos que temos ofertados e disponibilizados para quem é membro, membro, membra, membresia aqui do nosso canalzinho. Firmeza? Fica aí essas dicas, esse essa apresentação, essas afirmações e vamos direto para o conteúdo desse vídeo. Afinal, nós queremos discutir NIT e NIT chama bastante atenção, mas vamos lá. a gente vai fazer uma crítica, um um apontamento crítico ao aspecto central do pensamento de Niet, que é a questão da vontade de poder. A gente vai discutir aqui alguns desdobramentos desse conceito e desse conteúdo dentro do modo como estamos organizados enquanto sociedade hoje, de maneira geral, seus impactos e suas sua papel ideológico desempenhado dentro da reprodução social e também tentando dar sentido e conteúdo para as discussões que aparecem no âmbito da filosofia nitiana a respeito de poder e política. Porque afinal se considerarmos e trabalharmos a questão do poder sem considerar quais são suas implicações políticas, de que poder estamos falando e como é possível a gente vivenciar, experimentar ou realizar poder sem discutir ou tratar de temas e questões políticas. Mas tudo bem, vamos devagar. Esse é o primeiro apontamento. Nós vamos falar sobre a vontade de poder, sobre o seu suas implicações políticas e para além disso, eu quero tratar que filosofia, assim como outras produções eh humanas, seja na ciência, seja nos no âmbito da das artes, né, seja numa música, assistindo um filme, seja a gente eh fazendo qualquer outro tipo de atividade e pensando, refletindo sobre essa atividade que seja compreendida como uma resolução de problemas. Ou seja, nós produzimos conceitos, nós discutimos conceitos para resolver problemas. Eu não quero aqui discutir se Niet é feio, se ele é bobo, se ele é em céu, se ele gosta de pug, se ele não gosta de pug, se ele toma chá, se ele toma café, se ele coloca o feijão por baixo ou por cima do arroz. Aqui o que nos interessa é propriamente entender o papel de sua filosofia na resolução de problemas e em quais âmbitos. Tudo bem? Ah, mas é importante a estética. Sim, fundamental. Os afetos. Fundamental. a nossa vivência enquanto seres viventes constituídos histórica e geneticamente num desenvolvimento evolutivo e comunitário. Dependemos de todos esses âmbitos. E esses âmbitos aqui, quando eu falo sobre resolução de problemas, atendimento das necessidades humanas, estão envolvidos. fazer uma música, porque isso faz um bem danado deleite, nos dá ânimo, sentido de vida, nos inspira efeitos fundamentais paraa nossa reprodução de vida, assim como música, como filmes, como peça, como escrever poesia, como mais um monte de outras coisas que a gente poderia aqui conversar a respeito, tá? Então vamos tratar aqui nesse canalzinho, nesse momento, para que a gente possa seguir esse papo, uma análise, uma discussão a respeito da filosofia nitiana, não fazendo as taxações, senão buscando aí compreender o papel que ele desempenha dentro da reprodução social e como os âbitos em que atua na resolução de problemas. Beleza? Acho que isso aqui nesses quase cinco primeiros minutos já deu uma boa introdução do que pretendemos fazer. Então, faremos, como eu não vou conseguir fazer edição ou cortes nesse vídeo, eh, afinal estou sem tempo e atrasado para o trabalho. Eu fiz aqui minha cola para poder seguir um pequeno roteirinho, eh, e a gente poder discutir, né? Então, você, inclusive, fique à vontade de comentar criticamente aqui os os apontamentos que eu fizer. Quem sabe a gente segue um diálogo e uma discussão para próximos conteúdos. Dito isso, o núcleo e o do pensamento de ní, o núcleo central, é a vontade de poder, né? A vontade de poder é algo fundamental pra gente poder pensar ou trabalhar a filosofia nitiana. E acho que todo mundo vai concordar com isso. Ninguém vai se opor de que esse é um núcleo central. Dito isso, se nós perguntássemos para Niet ou buscássemos na filosofia nitiana qual é a política que ele propõe ou que ele pretende com sua filosofia, nós não encontraríamos. Não há um sistema político proposto, não há uma estrutura de filosofia política eh eh bem desenvolvida e coordenada para apontar os rumos, apontar um caminho. Não há propriamente uma discussão sobre a política, sobre os meios para execução de poder. Há poder, mas a gente não tem uma discussão sobre os meios de execução de poder, a coordenação desse poder, como realizar esse poder. apenas uma discussão sobre o poder, aparentemente sem política. Esse é o primeiro aspecto que eu gostaria de destacar. E é claro que alguém poderia dizer nesse exato momento, mas é que Niet não se pretende a fazer um sistema filosófico. Ele é o filósofo do martelo. Ele veio aqui não para erigir ou bater uma laje e levantar uma parede dentro do sistema filosófico. Ele veio para derrubar todas as paredes. Ele veio aqui para botar tudo no chão e sair destruindo. Tudo bem, tranquilo. Posso aceitar esse ponto? Então, sigamos para os desdobramentos que temos a partir das marteladas. Tudo bem? Vamos pensar em discutir poder sem falar sobre uma estruturação da política e um planejamento sobre essa política. Quais serão os efeitos disso propriamente dito paraa nossa organização e paraa nossa sobrevivência enquanto comunidade? Quais são as políticas que desembocam de não tratar da política explícita e claramente? Aí que eu tô querendo jogar. Eu acho que eu já antecipei algumas coisas e dá para sacar por onde vamos, mas nós vamos aprofundar um pouquinho mais. Dito isso, que que me parece quando a gente fala sobre poder sem discutir política, sem discutir meios de execução do poder, sem discutir estruturação e organização política, sem falar sobre como criar mecanismos reais e suficientes para que nós possamos coordenar as nossas ações comunitária e coletivamente, a gente corre dois riscos. O primeiro, esvaziamento da política. Ou seja, pouco me importa quais são esses meios, pouco me importa quais são essas formas, pouco me importa a vida coletiva e a coordenação dessa vida comum. É um risco. É isso que Niet propôs? Não estou dizendo isso. Estou derivando nesse momento um risco que nós temos. O primeiro que seja esvaziamento da política. Não me interessa. Interessa apenas a realização da minha vontade de poder ou da vontade de poder desse forte, desse que é o um super humano que entendeu a necessidade de assenhorar-se sobre si e quem sabe assenhorar-se sobre o resto do mundo. Mas aí é um outro problema. O segundo aspecto, além do esvaziamento da política que a gente pode correr o risco, é o tal do conteúdo desse poder. Se não há explicitamente uma política apresentada, qual o conteúdo? O que dá conteúdo para esse termo poder? O que dá conteúdo para que nós falemos sobre poder? E aí eu gostaria de utilizar uma peça satírica e crítica a Sócrates, né? Eh, que é de Aristófanes, As nuvens. Em As nuvens tem uma cena que eu sempre digo aqui no canal e nos vídeos. É uma cena muito bacana porque é uma cena uma cena de comédia, né? uma peça de uma comédia, uma sátira ali. E tem um jovem, um adolescente que foi ter aulas com Sócrates, mas o pai dele tinha proibido ele de ter aulas com Sócrates. Então ele vai ali ter aula com Sócrates. Inclusive está aqui o nosso camarada Tinho. Eu chamei ele carinhosamente de Tinho, que é o nosso Sócratinho, né? Pequenininho aqui. O Tinho foi ter aula com Sócrates. E quando ele chega com Sócrates para ter aula, ele fala eh ele aprende que ele tem que falar a verdade, né? que não pode mentir. Ele volta para casa, chega em casa, o pai recebe esse adolescente e fala: "Filho, onde você tava?" Ele estava tendo aula com Sócrates. Pai, mas eu havia proibido. Pois é, pai, mas eu fui ter aulas com Sócrates. E o pai vai lá e faz algo que você não deve fazer. Está errado o que esse pai fez. Ele dá uma surra no moleque, bateu no menino, agride o menino. O menino olha para ele, o adolescente, fala: "Pai, por que você me bateu?" E o pai diz: "Porque eu te amo muito". E o menino olha e fala: "Pode deixar, pai, quando eu crescer, eu vou te amar muito também". A ironia desta cena é exatamente para indicar que o conteúdo da palavra amor não está desconectado para esse jovem da violência, da agressão. Porque o que dá sentido para dizer: "Eu te amo, por isso te bato". Ele pode fazer: "Pode deixar que eu vou te amar quando eu crescer". com o sentido, a agressão, a violência, esse tipo de conflito direto. O que dá conteúdo para as palavras e para os conceitos, para os termos, não é o conceito em si, a palavra em cima, senão o meio no qual ela está envolvido e como a coordenação das relações estão estabelecidas e sendo realizadas na história efetivamente. E aí vai enchendo de conteúdo e de sentido os termos, as palavras e as experiências que nós temos aí com as nossas relações. Dito isso, poder terá sentido político sobre quais relações? Então, discutir o conteúdo de poder do pensamento de Niet em relação à nossa produção e reprodução social, as implicações que tem dentro dessa dinâmica é fundamental. Porque eu falar de vontade de poder, sem conectar com uma política, o conteúdo dessa palavra poder é cheio de que? O que o enche, o que o preenche de sentido? Percebe? Então isso é muito importante, mas a gente vai com mais calma. Estou apenas desdobrando pouquinho a pouquinho o nosso papo. Dito isso, a gente tem um filósofo Niet, que é um filósofo que fala sobre a vontade de poder e que tenta então ser um insubmisso, alguém que não vai se submeter. Nós estamos muito docilizados, nós estamos aqui aceitando uma moral de escravos. E a gente poderia perguntar quem são esses escravos, né, no pensamento de Niet? E talvez a gente descobrisse que são esses fracos que não têm vontade e força suficiente e que por isso, se organizam buscam estruturar relações em que limite o poder dos fortes, daqueles que realmente são bravos, daqueles que realmente têm vontade de poder suficiente. Então, é uma organização aí que falseia ou que atrapalha certas relações que seriam muito mais coerentes e consistentes com o que é o mundo real, vamos dizer assim, a vida como ela se dá dentro do pensamento, da modo como Niet percebe. É, e aí esse esse grupo ele busca igualdade, esse grupo de escravos, essa moral de escravos busca se se coordenar e estabelecer regras que atrapalham aí padronizações que não são boas, padronizações que no fundo impedem que a vontade se realize e siga seu curso. Então a gente vai ter aí um cara que vai querer quebrar essas e essas paredes, que vai quebrar essas amarras, essas correntes, esses limites que são colocados à vontade. Então, uma filosofia que você pretende muito poderosa e muito cheia de vontade aí, derrubando tudo e todos nas ideias. Eh, e aí a gente tem então um um uma situação em que do ponto de vista daqueles que se sentem controlados e oprimidos pelo excesso de padrões e de regras que são colocadas e reproduzidas dentro de uma determinada ordem, faz todo sentido. E é necessário quebrar isso, inclusive porque dentro da filosofia de Niet, essa questão da vontade de poder está conectada com a vontade de vida, a vontade de viver, a vida se realizando. Há uma combinação muito interessante e que a gente tem que considerar. E aí, minha gente, isso do Nit é bacana da gente ver porque vem do de Schopenhauer. O Schopenhauer que não falava propriamente vontade de poder, ele até cita e utiliza vontade de poder, mas para ele o mais importante era vontade de vida ou vontade eh vontade em si mesma, a vontade em si. Era vontade, ter vontade. Mas o primeiro Schopenhauer, porque Schopenhauer é aquele filósofo de fases, né? um filósofo de fases complicado e perfeitinho que chega até nós. E o Schopenhauer em sua primeira fase, né, essa primeira fase que ele tem, é uma fase bastante positiva, no sentido de que é uma afirmação de vida mesmo e que compreende essa vontade de maneira bastante animada, de bastante intensa e num num querer viver, um querer viver distinto do que vem posteriormente nos outros Schopenhauers, nas outras fases de Schopenhauer, em que essa vontade de viver, essa vontade de vida começa começa a ser compreendida em sentido muito negativo. É uma vontade em si, é um querer por querer e é um querer então que já não tá necessariamente conectado com esse ímpeto e esse impulso de viver. Ele pode começar a se conectar com um âmbito mais niilista, ou seja, no âmbito de um vazio em que o próprio sentido de vida já não está no horizonte. E aí essa vontade, vontade em si já abre margem para o rumo que Niet vai tomar, porque ele vai se apropriar dessa conexão entre vontade e vida. Porém, contudo, entretanto, todavia, não será mais vontade conectado como vontade de vida. Eh, Viljun Leben, eu acho que assim que fala, Viljun Leben, vontade de vida, senão e vir vinzurm, vontade de poder. Vinzurmart, você vê que o meu alemão é totalmente excelente, né? Então, vontade de vida, o outro vontade de poder. Para NIT, não vai ser vontade de poder. E aí vida estará identificada com poder, estará ali conectada com esse âmbito. Mas nisso e nesse passo já já a gente vai ler uns trechos de Niet e de um outro autor que já já eu comento. Nesses passos de inite e do que ele vai desenvolvendo, ele abre margem ao caminhar para esse esse rumo do vontade de poder, do identificar poder com vida e do mais forte, da força que se realiza. E e é isso que a gente tá tentando. Esse conteúdo de poder, ele vai criando cada vez mais um aspecto de dominação e assenhoramento. Senhorar-se sobre, ser senhor, ter força sobre, colocar-se do ponto de vista de quem tá lascado, é um oprimido. Eu considero bastante útil esse tipo de discussão em relação a uma situação de opressão. Porém, não é esse o critério colocado no pensamento de Niet. Ele pode ser útil na mão de alguém que tá lutando com contra uma determinada estrutura hegemonizada. Mas não há outro critério além dessa vontade do vamos ser brabo. Não há outro critério que exige uma justificação, uma justificativa, uma plauseabilidade na coordenação com seu coletivo e com sua comunidade. É um assim orar se soube deu por mim mesmo. Da subjetividade que vai para cima e que não tem que se justificar, que não tem que dar razões. Ela faz, ela vai na martelada, ela não tem que dar razões para outra pessoa. E o limite disso é que a margem para que eu me assenhore sobre o outro, que eu seja senhor de outrem, de outro humaninho. Não há critério que limite essa vontade para que ela tenha que dar razões, que ela tenha que se justificar, que ela tenha que apresentar para a comunidade, para um coletivo, o por devemos fazer isso e como nos coordenaremos, porque afinal ela foi construída para ser contra essa estrutura em que exige esses padrões e essas coordenações. E aí entram nas ambiguidades, nas contradições que a gente precisa analisar dentro da nossa reprodução social e como se dá o mundo. Toda essa construção, eu tô caminhando pra gente entender que o poder vai ser compreendido a partir de então, especialmente a partir de Niet, não conectado com uma vontade de vida de um querer viver. E isso implicaria então como que nós vamos viver e vamos, já que temos essa vontade e esse querer, como a gente vai se organizar. É um querer viver de vida e de poder subjetivo de mim para mim mesmo e vamos para cima, não tenho que dar razões, não tenho que ter esse tipo de coisa. A gente vai construir um poder que é dominar, ser dominador, ser imponente, se impor, colocar-se sobre tudo e sobre todos, a senhorar-se. E é claro que quem tá contra uma hegemonia, contra uma estrutura que tá majoritária, vai, é isso que a gente precisa, porque nos dá potência, nos anima, dá tesão de lutar contra esse negócio que é distinto. que essa mesmo discurso sobre poder estiver nas mãos de quem já tem meios para executar esse poder. É a senhorar se soube e não há nenhum outro critério, nenhuma outra espaço de delimitação. Então, quem já tem como executar poder e vai para cima, terra arrasada. O que para, o que limita? os senhores que querem continuar se assenhorando. Então, veja que é importante discutir esse poder, compreender aí suas funções em diferentes âmbitos e espaços, mas e de um ponto de vista de uma totalidade de relações em que esse mesmo discurso sobre o poder cai na mão de quem tá já dominando, já é senhor sobre. Dito isso, tem um autor que eu quero utilizar aqui como comentarista de Niet. É um autor muito pouco problemático também e com poucas questões que são levantadas diante dele. Também pouco polêmico, assim como Niet, quase nada polêmico. É Heidegger. Heidegger tem um livro, só não tá aqui para eu poder pegar a fonte direto e ler com vocês, porque esse livro ele é um catatal dessa lapa aqui que eu não tenho mais espaço para deixar na minha casa. da minha casa é um apartamento bem pequenininho, então esse essa lapada de livro tá na casa dos meus pais. É um senhor de um livro grande dessa lapa aqui que é um são comentários aí trabalhos de de Heidegger sobre Niet, comentando Niet. Eh, e aí eu não tive como trazer aqui esse livraço Niet, porque tem um belo NIT na capa, inclusive assim, olhando pro lado com aquele bigodão e foi escrito por Heidegger. E eu quero utilizar Heidegger como comentador de Niet para entender o desdobramento no na redução dessa compreensão de vontade de poder em seu sentido negativo, ou seja, sem nenhum outro critério que conecte de alguma maneira com uma vontade de viver. e que aí então, portanto, exige que nós tenhamos certos impulsos fundamentais que nos ajudem na coordenação das relações sociais e da coordenação da nossa comunidade e não propriamente na destruição de tudo. Mas passo a passo. Vamos ver então o o Heidegger, né, que comentando o Niet. Inclusive esse livro que eu ganhei, essa essa lapada aí e eu ganhei da minha companheira, não é hoje minha minha esposa, minha companheira. Contraímos matrimônio. Eu adoro essa expressão, contrair o matrimônio, porque parece que você aí pegou uma doença no meio do caminho, né? contraí uma gripe, contraí um patrimônio, um matrimônio. Patrimônio não contraí nenhum, infelizmente. Não tem nenhum patrimônio, mas matrimônio contraí, contraí no dia seguinte, depois de ter ficado um poucoente por outras razões. E aí a gente e a gente ainda namorava, ela me deu essa lapada, né? E era um livro grande para caramba e era caro e ela me deu de presente, ou seja, uma mulher para casar, para casar, coisa que o Niet não fez. Eu não podia perder essa oportunidade de falar isso. Bom, vamos lá, lendo Heidegger. Mas eu não tenho aqui o o livraço, então eu trouxe o meu livrinho porque eu utilizei esse livraço para escrever o meu texto de mestrado. Fetização do poder como fundamento da corrupção. Esse livrinho aqui que você pode baixar gratuitamente na editora FI e eu vou deixar na descrição do vídeo para você baixar o PDF. Caso você não goste de PDF, queira comprar o livro físico, você pode comprar diretamente a unidade com editora FIM. Eu não ganho absolutamente nada com quando com isso, né? Ao contrário, a ideia é a gente poder fortalecer uma editora que promove a produção de ciência, a produção científica e o conhecimento acadêmico. E aí e eles liberam o PDF gratuito. E caso você queira adquirir a unidade, muito bom, porque você vai poder ler o físico e vai ajudar a galera lá da editora a manter o seu trabalho. Mas é isso, tá? Eu vou deixar na descrição do vídeo. E aqui eu já tenho as citações separadas porque eu utilizei exatamente Niet e Heidegger e um breve comentário sobre Schopenha mediados para um autor que me ajudou a fazer esse tipo de leitura e crítica, que é o Henrique Del que é o principal autor aqui da do meu livrinho, o pensamento do Dusel. E ele faz esse tipo de arroz zoado que a gente tá construindo até agora. Só que aí, claro que não adianta eu ficar confiando no Dúcielo. Eu fui ver se tinha sentido o que ele tava falando. Então, a gente foi ler lerideg. Afinal aqui nós prezamos pelo pela construção científica e pela busca da verdade. Eu poderia simplesmente fazer uma apreciação de de gosto, de preferências e seguir aí doutrinariamente o Dúcio, porque ele diz: "Tá tudo certo". E ficar focado num autor que eu gosto, ao invés de fazer uma crítica a esse autor ou mesmo considerar que ele pode tá errado, né? Não quero aqui fazer só uma defesa da autoridade, eu quero ver se tá certo. E aí eu fui atrás e achei coisas interessantíssimas, tanto no comentário de Hid Granite quanto nos próprios textos de Niet. Fica a dica aí, faça o trabalho científico de maneira qualificada. É importante, defendamos a ciência e a busca pela verdade. E aí, minha gente, seguinte, eu vou ler alguns trechos que eu acho interessantes, né? Porque o Heideger como como comentador de Niet, ele consegue apresentar os desdobramentos nesse sentido negativo que eu tô querendo apresentar sobre Niet. Que que que que Heider comenta, né, especialmente a respeito da vontade, da verdade e tal, comenta o seguinte: Niet, equipara frequentemente poder e força, a capacidade reunida em si e pronta para a atuação, o estar em condições de, né? Então, e que para poder, força, você realizar, você fazer é uma filosofia da mobilização, uma filosofia dos impulsos, né, da realização dessa força inicial. Eh, e aí ele comenta, contudo, o poder, né, além de poder, força, esse impulso, é igualmente o ser poderoso no sentido da realização, dominação, da afirmação de si, do mesmo, da força para assenhorar-se sobre, para ser senhor de. E isso é muito importante porque é o seguinte, se você tem força para senhorar-se sobre, o que te limita? Faça aí você fala: "Pô, da hora é nós." Só que eu moro no Capão Redondo, meu amigo. Sou um assalariado explorado por três atividades diferentes de trabalho e de capital. Quais são as condições que eu tenho para ser senhor sobre o quê? Que me cabe ser senhor? Assim orar-se sobre minha companheira? Assim orar-me sobre a minha filha? A senhorar-me sobre os meus vizinhos e colegas? Não. Ser senhor sobre sobre quem? Sobre o quê? De que estamos falando? De quem estamos falando? Quais são os desdobramentos políticos e de relação efetivo nesse tipo de compreensão de mundo? Fica a dica, mas vamos continuar. H mais um trechinho que eu acho bacana aqui. Ah, cadê, cadê? A vida, né? Pronto. A vida, isso é o ente na totalidade, é em sua essência fundamental e em seu próprio fundamento essencial vontade de poder. E nada além disso. A vida é vontade de poder. Algo duplo e ao mesmo tempo singular vem à tona com essa sentença. Um. O ente na totalidade é vida. A essência da vida é vontade de poder. E aqui é dizer, gente, tudo é vontade de poder e é poder. E é poder. Então a gente tem que exercer o nosso. A vida é isso. E num sentido dominador de controle. Isso é o Heidegger interpretando o NIT. Óbvio que é fal isso não é o N entra no mundo das interpretações, das perspectivas. Mas não é isso que a gente vai fazer. a gente quer conectar essa compreensão e esse tipo de trabalho dentro das relações sociais em busca de critérios pra gente poder fazer a crítica a esse tipo de conteúdo, porque ele não tá solto no ar e nem preso numa essência de NIT, ele está nas relações sociais, históricas nas quais nós estamos vivenciando. E essa ideia de que a vida é vontade de poder, e poder é ir para cima, é ser forte, sem orar-se sobre na mão de quem já tem poder, efetivo de executar, é capaz de executar o poder porque tem meios para é simplesmente tô nem aí para vocês, não tenho o que me justificar e me mantenho aqui. Me tira se você quiser. E para quem tá embaixo é cada um por si, porque eu não tenho nenhum motivo para ter que dar razões ou me justificar pros camarada. Inclusive, se eu tiver que fazer isso e me submeter a uma ordem consentida aqui entre nós, eu corro o risco de ser chamado aí alguém que tá de moral de escravo. Então é isso, é é esse tipo de elemento que a gente tem que considerar. Pode ser um um recurso, com certeza, porque o ponto de vista de assimilar a vontade de poder conectar à vida, ou seja, realmente nós temos um impulso vivo de que a gente quer viver. Eu quero viver, eu quero desfrutar dessa vida, eu quero morder ela com todos os dentes, como diria Emanuel Levines, né? um filósofo francês que eu gosto bastante, judeu lituano francês que eu gosto bastante, pô, eu quero quero ter tesão de ver, eu quero poder desfrutar isso, quero botar para fora, quero fazer de um monte de coisa da hora, excelente, só que eu não tô sozinho nesse mundo. E esse mundo não tá no além, ele está aqui sobre determinadas relações de produção, sobre determinadas relações de domínio. É necessário que nós coordenemos as nossas relações familiares, as nossas relações intersubivas, as nossas relações de vizinhos. Eu não posso achar que porque eu posso, que eu sou brabo, que não sei o que lá, eu faço qualquer coisa com quem eu quiser. Não posso. Eu tenho que ter limites. E esses limites, eles não são dados dentro das próprias implicações da realidade e da própria estrutura da filosofia lintiana, que não se pretende como uma sistematização das relações políticas. Então é um poder pelo poder, um poder de vida, um poder de que me anima, que me tem sentido, porque realmente nós temos esse impulso e eu quero, mas eu tenho que ampliar isso. Eu tenho que ser crítico ao autor e crítico aos desdobramentos do seu pensamento dentro das nossas relações, certo? Então é isso que eu tô querendo tratar. Ah, joga fora esse bigodudo. Não, mano, acho útil para caramba. Só que é útil até a página meia, não é nem a página dois, até um pouquinho, porque eu tenho que parar e pera, mas olha a realidade, pô. com quem, contra quem e por quem a gente pode utilizar determinados aspectos desse pensamento. E aqui a gente tá trabalhando, perdão, aqui no núcleo fundamental do pensamento de Niet, que é a vontade de poder. E aí no livro de Niets, né, vontade de potência ou vontade de poder, que o pessoal diz: "Não, mas não é dele, foi a irmã dele que selecionou e soltou". Sim, mas foi escrito pela minha mãe, né? Não, sério, gente, o cara produziu, o cara escreveu e tem sentido dentro de sua obra, infelizmente. Só que aí mostra aquelas coisas que a gente não queria, que é tipo os cadernos chamados cadernos negros de Heidegger, né? Guardou aí por não sei quantos anos e depois foi soltando também com a irmã. Não sei que esse pessoal tem com a irmã, mas foi soltando depois, né? Pediu pro pessoal guardar e ó, solta depois de não sei quantos anos que eu morrer, porque tem alguma coisa aí, hein? Vamos lá. Niet tinha vontade de potência diz o seguinte: a vida é uma consequência da guerra. A própria sociedade é um meio para a guerra. E eu quero citar esse aforismo, exatamente porque ele sintetiza uma compreensão completamente negativa de poder que se conecta com o asshorar-se sobre e a vida vontade de poder que o Heideger interpreta. Ou seja, é uma interpretação totalmente negativa que Heidegger abraça com muita vontade. É isso. E qual que é o problema disso? Tem vontade de viver e vontade de poder ali que a gente quer desfrutar? Tem. E esse é um aspecto negativo? Não, executar poder não é necessariamente negativo. Poder não é só dominação. Poder não é só essa essa eh potência de guerra e de violência e de acabar com as condições e quebrar tudo. Poder também é criar as condições para que nós possamos viver no dia seguinte. Isso é executar poder, é a gente se organizar e criar os mecanismos, as estruturas, as instituições que garantem que no dia seguinte a gente não se destrua e possamos viver a vida. Afinal, eu tô cheio de vontade, mas não tem condição de viver, meu amigo. Você pode ter a vontade que você quiser, não dá, tem que estar vivo. E para est vivo, dentro de uma espécie gregária, comunitária, biologicamente, historicamente constituída, evoluída desta maneira, é necessário, em seu modo de realidade, coordenar as relações entre os pares e os grupos para criar os meios coletivos para garantir as condições do dia seguinte. E dentro de uma sociedade que apesar de no mercado parecer estar tudo fragmentado e cada um por si, nós estamos profundamente interconectados, interdependentes dos trabalhos sociais de uns com os outros. É uma divisão complexa de trabalho e cada vez mais complexa, que aparentemente nos fragmenta, mas estamos cada vez mais conectados e dependentes de outros. Então, perceber essas relações, eu não posso discutir poder sem considerar esse movimento. Eu tenho que me coordenar com a minha classe, eu tenho que me coordenar com os camaradas, eu já vivo assim, eu dependo disso. Então, como nós transformamos essas relações para poder viver? E aí a vontade de poder seja vontade de poder de vida, de realizar a vida e não de ser brabo e não de não ter critérios ou conteúdos para preencher. Porque se a gente não tem conteúdo claro do que vai significar esse poder, ele vai dentro das relações sociais que a gente tem dar sentido de poder como poder meu para mim e azar o seu. Cada um com seu cada qual. farinha pouca meu pirão primeiro. É assim, como é que sobrevive, minha gente? Eu tô falando praticamente para resolução de problemas, entendeu? Então isso são são algumas coisas que eu acho que é importante da gente considerar. Eh, e aí, deixa eu ver se tem mais alguma situação que eu gostaria de fazer. Não, tudo bem. Acho que eu já falei bastante sobre esse essa. Ah, pronto. A última última última última última, né? esse caráter negativo que eu tô falando do poder, né, que o Heideger vai sacar de Niet e que tá em Niet, a gente não dá para negar, perdão, foi mal aí quem gosta, mas tá, pô. E aí a gente tem que pensar, beleza, mas eu posso usar a meu favor, tal, pode usar um monte de coisa a favor. Eu uso Levinares, por exemplo, que é um conservador, já usei Chesterton, que é outro conservador. Eh, trabalho criticamente a obra de um monte de gente aqui no Brasil e utilizo, pô, que é isso, gente? Porque a questão não é o autor, a questão é como a gente vai resolver os nossos problemas. Só que agora quando eu leio a filosofia, a teoria, compreensão de alguém sobre uma determinada relação, o que que ele tá enfrentando, eu olho pra realidade, quais são os efeitos que isso causa ou pode causar dentro do tipo de relação que a gente tem, me exige um tipo de crítica que não tá no autor ou na defesa dele, mas na resolução dos nossos problemas sociais, na resolução de ou no caso sociais, mas poderia ser qualquer outro problema, na resolução de problemas, como isso contribui para resolver esse problema. E aí a gente consegue discutir sobre, mas aí pra gente fechar, a vontade, né? A vontade, a vontade em Niet, de acordo com Heidegger, como comentador de Niet, reside o ser senhor sobre o exercer poder sobre o que é aberto no querer e é fixado nele. O querer mesmo é um assenhoramento sobre que se estende para além de si. Querer é em si um poder. Aí eu já, minha filha já discordaria desse ponto, mas a gente já fala. O poder é o querer que é constante em si. Vontade é poder e poder é vontade e assenhorar-se para além de si, podendo ser, portanto, sobre outrem, sobre outra pessoa, semar-se sobre o que tiver diante de mim. E é engraçado, né? Porque o querer é poder, né? Eu tô querendo, então vai e realiza os seus meios. Minha filha diria não, porque ela, minha filha tá obsecada com a expressão querer não é poder. E aí eu utilizei uma piada maravilhosa do Nando Viana, que é ele tem um um uma sequência de piadas que são os heróis que ele faria, né? Os heróis da Marvel é tudo embaçado. Ele falou assim, eu faria uns herói bem merda. E aí ele falou que ele faria o super querer, que não tem poder nenhum. No final, querer não é poder. Eu acho essa piada muito boa. Perdão aí se vocês não gostam, mas eu gosto. De todo modo, essa construção que a gente fez, né, do para chegar nesse assorar se sobre, não preciso dar justificativa, não preciso de plausibilidade, não preciso de verdades, não preciso de razoabilidade. Cara, isso no limite é um problema danado paraa coordenação e organização da classe trabalhadora, pra coordenação e e reorganização de uma estrutura econômica, um modo de produção e de forma social que garanta as condições de produção e reprodução da vida de amanhã. Porque sem nenhum critério, meu, eu quero ser sobre, eu sou senhor sobre, tenho vontade de eu saio explodindo tudo e dane-se. E se a pessoa tem meios para fazer tal coisa, aí complica mais ainda. Se a gente não distingue o que é uma classe e como em cada classe esse tipo de elemento surge, de discussão sobre o poder, sobre não verdade, não isso, não aquilo, acaba com tudo, a gente só tá fazendo besteira porque não tá utilizando uma coisa importante que é o cérebro. E eu tenho cérebro, não tenho medo de usá-lo. Eu gostaria que vocês fizessem o mesmo. Dito isso, dentro do âmbito acadêmico, por exemplo, pode ser que seja extremamente interessante quebrar estruturas hegemonizadas que aparentam ser cientes. Aí cumprem papel de ideologia. Quebrar estruturas hegemonizadas de modos de produção de conhecimento, em que a gente pode flexibilizar, a gente pode repensar, a gente pode reestruturar. E aí é uma discussão sobre enfrentamento de poder, sobre dogmatização, né? ser dogmático é uma desgraça. Então a gente pode confundir dogmatização com verdade, tá errado. Então, pô, vamos quebrar esse negócio, conceito de uma verdade única, fechada como dogma. É, realmente não pode ser dogma. Tem que estar dentro de um de um de um espaço científico de produção, reprodução de conhecimento, com crítica, com transformação, com evolução de pensamento, resolução de problemas, novas resoluções de problema. Não dá para tratar uma verdade fixa, essencial e transcendental. Eu acho que todo mundo vai concordar com isso, obviamente. Só que aí veja, é um âmbito acadêmico, um espaço específico em que faz esse tipo de enfrentamento, faz esse tipo de discussão e que limita esse lance da vontade de poder, do ser brabo e tal, não sei o que lá. Há um campo, há um lugar, há uma resolução de problema específico. é distinto de eu generalizar isso para todo tipo de relação, todo tipo de estrutura, todo tipo de organização, todo tipo de coletivo, todo tipo de partido, tudo que é tudo na esvaziamento da política por um lado, e por outro, como eu tinha comentado, uma política um poder que é cheio ou entupido de conteúdo dentro de relações de mercado, fragmentárias, individualistas, subjetivistas e que que separam mais as pessoas do que qualquer outra coisa. Eu tenho que ser bravo, eu tenho que ser senhor, eu tenho que ser forte. e a solidariedade, a fraternidade, a organização da classe trabalhadora e como a gente coordena os meios necessários para realizar os nossos fins, como a gente se associa para poder transformar esse mundo. Tem que ter uma complexificação da análise e da compreensão da realidade social e uma complexificação no uso de teorias e do próprio conceito, no caso de vontade de poder, que aparentemente seria sem política, mas parece que não. não teria nem como. E eu imagino que vocês concordarem, concordariam com isso. Dito isso, minha gente, espero que vocês tenham curtido esse tipo de conteúdo. Nós seguiremos aqui trazendo a boa nova todo dia útil até a vitória final. Valeu, minha gente, até breve.