Makários | Aula 24 | Para onde vamos depois que morremos? | Módulo 1 | Ákilla Nascimento
23/05/2025
Makários | Aula 24 | Para onde vamos depois que morremos? | Módulo 1 | Ákilla Nascimento
Aula 24 | Módulo 1
Curso de Teologia Makários
Para onde vamos quando morremos? (Teologia das Últimas Coisas)
Escatologia
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Fonte: Com IBNU
Legendas automáticas:
[Música] Olá, muito boa noite para mais uma aula do nosso curso de teologia Macários. A gente tem o prazer de receber o pessoal que já tá chegando aqui, já tá dando seu boa noite no chat e também para as pessoas que vão eh se juntar aqui à nossa conversa para a os próximos minutos aí, 1 hora3 mais ou menos, que a gente vai ter para conversar sobre escatologia. Esse com certeza é um interesse que desperta a o é um assunto que desperta o interesse de muitas pessoas. Eu pelo menos gosto de ouvir e de estudar diferentes correntes e interpretações, os textos relevantes. E eu sei também, por observar, muitos que se aproximam da teologia, muitas vezes têm o interesse de saber exatamente as questões ligadas à escatologia. Então, hoje vai ser a nossa primeira aula do assunto de escatologia e próxima semana a gente vai ter uma segunda aula sobre esse assunto na terça-feira. Essa é a nossa antipenúltima aula desse módulo. Então, na próxima terça, a gente vai ter a penúltima aula eh com saião também falando sobre escatologia e então virá o fim eh então virá o fim pelo menos desse nosso primeiro módulo. Boa noite pro pessoal que já tá chegando aí, a Marlene, a Fernanda, o Oddio, Rute, Terezinha, Paulo, a Eli, eh, o Manuel, muita gente que tá acompanhando a gente desde o começo e que é bem-vindo para mais um encontro. Uma a informação importante, um aviso, eh nós tivemos instabilidades no começo dessa semana na nossa plataforma, a gente não estava conseguindo eh subir os conteúdos para complementar o curso, porque tanto o site principal da IBN quanto o site de ensino, que é onde a gente hospeda o nosso curso, estava com dificuldades técnicas que já foram resolvidas. Por isso hoje a gente passou um tempo aí atualizando as informações. Já tem lá os quizes das últimas aulas, tem um que eu acabei de mandar uma informação necessária aqui, então nos próximos minutos eh já deve estar disponível os dois questionários das aulas de missiologia, o questionário da última aula que a professora Suzi deu eh de angelologia e demonologia. E a a gente deve ter em e também a leitura complementar da última aula. E em breve eu devo disponibilizar as duas coisas, tanto o texto da leitura complementar quanto as perguntas. Na verdade, a leitura complementar já está disponível dessa aula aqui e a parte de perguntas a gente vai complementar em breve, tá bom? Então, ah, vamos lá para a nossa, eh, aula aqui. Eu vou só, eu tinha deixado no ponto, mas deu algum probleminha aqui no navegador. Vou só compartilhar novamente a tela para que vocês consigam eh ver o que é que a gente precisa compartilhar. Deixa eu ver se vai dar certo aqui. Compartilhar essa. Eu acho que foi. Foi. Beleza. Então, pessoal, hoje a gente vai falar sobre escatologia, mais especificamente sobre escatologia individual e vocês vão entender um pouquinho eh porque a gente tá falando eh da escatologia individual. Eh, o o que é que isso significa? O que que a gente quer dizer com isso? Antes da gente falar especificamente sobre escatologia individual, vale algumas observações sobre o assunto da escatologia. O que que é escatologia? é o estudo das últimas coisas e ela está ligada à consumação da história, ou seja, esse momento do pleno estabelecimento da vontade de Deus sobre a sua criação. Esse é um assunto que cresceu em interesse por parte eh das dos cristãos de modo geral, mas também dentro da teologia do ponto de vista mais acadêmico, em especial a partir do final do século XIX, ao longo de todo o século XX, e permanece sendo um assunto de muito interesse das pessoas de forma geral, como também das pesquisas teológicas. Por que que isso aconteceu? Nós temos vários motivos para isso. A gente tem no século XX, por exemplo, duas grandes guerras, as duas guerras mundiais que acontecem na primeira metade do século XX. A gente teve também durante o século XX e agora de forma bastante acelerada no início do século XX, mudanças tecnológicas profundas, eh, que colocam em questão a maneira como a gente não só constrói a sociedade, mas a própria continuidade da raça humana, como foi, por exemplo, esse período da invenção das bombas nucleares. De repente não é só um país, mas vários países que possuem um arsenal nuclear. Então você vai lembrar bem aí das aulas de história e provavelmente muitos de vocês que viveram de perto isso, o ambiente tenso que foi o período da Guerra Fria. Eh, e se começar uma nova guerra? E se for uma guerra mundial? Eh, agora com esses com esses arsenais nucleares, será que a humanidade sobreviveria a um conflito como esse? Outra coisa é, eventos importantes na região do Oriente Médio sempre despertam discussões sobre a interpretação das profecias que associam essas etnias, eh, esses lugares de Jerusalém, Israel e outros povos. Há eventos narrados na Bíblia como eventos ligado ao fim, ao fim da história, como nós conhecemos. Eh, nós temos agora na nossa cultura e na nossa condição atual crescentes tensões geopolíticas. Todo mundo acompanha aí a guerra da Ucrânia, a guerra de eh Israel contra o Ramais, outras coisas que eh surgem como rumores de guerra. Eh, muitos desses conflitos acontecem entre potências nucleares e a gente tem ameaças existenciais também de outra natureza, como, por exemplo, a crise, a crise climática que se acelera em nosso tempo. E a gente tem ainda outros fatores, como, por exemplo, a inteligência artificial. ela promete eh crescer em relevância de uma forma muito acelerada e mudar absolutamente tudo que a gente faz em termo de produção, em termos eh de profissões ligadas ao conhecimento, que antes não foram tão ameaçadas por outras mudanças tecnológicas e agora muitas profissões são ameaçadas e por isso essas coisas geram na gente essa expectativa de que tudo será está muito diferente. Existe grande imprevisibilidade sobre o futuro e naturalmente a gente começa a se perguntar sobre esse desfecho história, não só como as coisas serão amanhã, como as coisas serão daqui a 10 anos, mas quando é que a história vai ter um desfecho final. E diante de tanta imprevisibilidade, o que é que me dá segurança? Será que nós todos vamos perder as nossas vidas diante de um conflito nuclear global? Será que a o aquecimento global vai tornar a a nossa forma de vida muito mais difícil nesse planeta? Será que não só em termos globais e mundiais, mas a minha condição como profissional, o meu sustento, o meu lugar na sociedade está ameaçado eh por um uma nova tecnologia como a inteligência artificial que surge e coloca em cheque muitas dessas coisas que estavam bem estabelecidas. Nesse contexto, é natural a gente se perguntar sobre o desfecho da história e também nós termos essa necessidade de segurança que vem a partir, e aí é onde entra o estudo da escatologia, da nossa compreensão de qual é a nossa esperança final. Então, a escatologia está ligada a essas questões e por isso que ela cresceu em interesse para muitas pessoas ao longo desses últimos eh 100, 120 anos, tá? Ah, um outro ponto que a gente precisa destacar é existem diferentes posturas dos teólogos e dos líderes cristãos quanto a escatologia. Há as pessoas que se preocupam excessivamente com escatologia. Tem gente que só ensina, tem pastor que só prega, tem estudioso que só fala sobre o livro do apocalipse ao longo de anos. Eh, existem relatos de pastores que pregaram, ou um pastor em especial que pregou durante 19 anos apenas o livro de Apocalipse na sua igreja. Esse tipo de postura costuma ser acompanhada por explicações que envolvem assim gráficos detalhados sobre o fim dos tempos. quando vai acontecer, onde vai acontecer, quem vai realizar cada uma dessas ações importantes nas narrativas do fim. É uma ideia de que nós podemos traçar uma cronologia minuciosa e assumida por esses grupos, por essas pessoas, como uma cronologia infalível a respeito dos eventos finais. A tendência é de ver cada evento do momento em que nós estamos vivendo agora, em especial os eventos que estão relacionados à nação de Israel, como sendo eventos que cumprem profecias bem identificadas da Bíblia. Nem todo mundo que lê esses textos relacionados ao fim e a Israel eh possuem essa postura, adotam essa postura. Mas em geral, as pessoas que adotam essa postura costumam ter esse tipo de leitura a respeito dos eventos do momento. Isso é uma espécie de escatomania, é esse desejo intenso, quase que exclusivo pelas questões relacionadas ao fim. Mas também existe a postura oposta, existe uma espécie de escatofobia, que é um medo ou uma aversão ou uma recusa de falar sobre os assuntos ligados ao fim dos tempos. Às vezes isso acontece como uma reação exagerada, justamente uma reação exagerada àelas pessoas que têm interpretações definidas para todo tipo de material profético da Bíblia. E essas pessoas então que adotam essa postura de reação exagerada, essas elas não querem ser taxadas como sensacionalistas, elas também não querem ser taxadas como arrogantes que se colocam na posição de saber exatamente como interpretar esses textos e exatamente como eh dizer exatamente como as coisas vão acontecer nos próximos dias, nos próximos anos ou quando o mundo vai acabar. Outras pessoas têm essa postura de uma escatofobia porque entendem, e isso é verdade, que esses textos são complexos, mas a compreensão dessas pessoas é: esses textos são complexos demais e por isso essas pessoas se sentem intimidadas de tratar dos assuntos da escatologia. Uma outra questão importante pra gente colocar aqui na nossa conversa é o propósito das passagens de conteúdo escatológico na Bíblia e é nutrir a esperança que as pessoas que estão em Cristo possuem e a esperança que elas devem ter frente a essa aparente imprevisibilidade da história e a esperança que elas devem ter em momentos especialmente de sofrimento que necessariamente marca a nossa experiência na era em que nós estamos ou nas duas eras em que nós estamos inseridos. Eu vou falar um pouco mais sobre esses essa sobreposição de eras já, mas é muito importante no começo da nossa conversa a gente ter essa clareza. A escatologia ou na verdade os textos que tratam dos eventos do fim foram revelados não para despertar medo, mas justamente para nos dar segurança da esperança que nós temos e a esperança que nós precisamos manter no momento de dor, de sofrimento e de dificuldade. A gente tem um exemplo muito claro de que essa é a forma como esse tipo de revelação deve ser tratada em Primeira Tessalonicenses 4:18. Esse, perdão, esse é um dos textos mais lembrados quando a gente vai falar, por exemplo, sobre o assunto do arrebatamento. Primeira Tessalonicenses, capítulo 4. Naquele contexto, depois que Paulo fala sobre o destino daqueles que já haviam partido no momento em que Jesus voltar, essa era uma dúvida que aquelas pessoas tinham. E o que será do meu irmão? O que será do meu pai que já morreu? E aquelas pessoas esperavam que o retorno de Jesus fosse iminente, fosse ainda nos seus dias. O que vai ser deles se nós estivermos vivos quando Jesus voltar? Mas eles que já não estão mais aqui, para onde eles vão? Como é que eles vão ficar? Paulo está tratando justamente dessa questão e no final, depois que ele eh constrói todo o argumento, desenvolve eh todo o assunto que ele precisava esclarecer, o que ele coloca é: "Consolem-se uns aos outros com essas palavras". Esse é um discurso, essa é uma palavra fortemente escatológica do apóstolo Paulo, Primeira Tessalonicenses, capítulo 4. E a conclusão dele, depois de falar tudo aquilo, é: "Consolem-se uns aos outros com essas palavras". Primeira Tessalonicenses 4:18. Ou seja, a partir da nossa esperança, nós temos consolo e nós temos segurança. Tem muitas questões importantes envolvidas no estudo adequado da escatologia e, mais apropriadamente, no estudo adequado dos textos bíblicos que falam sobre o momento ou os eventos finais da história. Existem ainda algumas posturas que a gente deve adotar no momento em que a gente começa a estudar escatologia. Primeiro, o estudo desse tópico de acordo com o método da teologia sistemática, que é justamente esse que nós estamos usando ao longo de todas as aulas do primeiro módulo do nosso curso Macáis, é um tópico importante. O estudo dele é muito importante, mas esse é apenas um dentre vários tópicos da teologia sistemática. A gente falou sobre a cristologia, a gente falou sobre a deontologia, a gente falou sobre pneumatologia, a gente falou sobre míologia, a gente falou sobre angelologia, a gente falou sobre muitas coisas. Todos eles são importantes, certamente alguns mais centrais do que outros. E ainda que você tenha muito interesse pela escatologia, você deve levar isso a sério, você deve estudar, mas entender que esse é um dos tópicos da teologia sistemática. Não é apropriado a gente fazer como esses que possuem a escatomania, a gente desenhar um esquema muito elaborado, muito detalhado e forçar todo o texto bíblico e todos os temas da teologia a se encaixar dentro dessa estrutura. A gente vai falar um pouco sobre estágio intermediário e você vai perceber porque é que isso é importante. Lembre dessa recomendação. Não vá desenhar um esquema super elaborado, detalhado e vá tentar costurar os vários textos bíblicos dentro dessa estrutura. Dois, esse assunto merece um estudo cuidadoso, mas não é bom fazer isso apenas a título de mera curiosidade. É ruim e é comum existir muita especulação sobre tópicos da escatologia que, na verdade são tópicos pouco explorados e pouco explicados explicados pelas escrituras. A Bíblia nem sempre dá pra gente a quantidade de detalhes sobre as questões que nós levantamos que a gente gostaria. E a escatologia é um tópico especialmente eh propício para fazer esse tipo de coisa, para cometer esse tipo de erro. Então, se você tem uma pergunta, leve leve pro texto bíblico, mas preste atenção quantos textos estão explicitamente tratando dessa questão. E o outro ponto é se o texto bíblico não está tratando disso com tanto detalhe, uma pergunta que a gente precisa se fazer é por é que isso não parece ser tão central para o texto bíblico, mas parece ser tão central para mim? A minha posição é que se submeter à autoridade das escrituras significa justamente sujeitar as nossas perguntas à Bíblia e saber se as nossas perguntas são apropriadas. Porque muitas vezes o problema não está nos dados bíblicos que a Bíblia dá ou deixa de dar, mas a pergunta que a gente tá fazendo é errada. Então é muito importante a gente reconhecer que existe limitação nos dados bíblicos. Não porque eles sejam errados, porque eles sejam falhos, mas porque a Bíblia tem 66 livros e não infinitos livros. A Bíblia nos dá informação sobre tudo que nos é necessário, mas quem faz o julgamento do que é necessário e do que não é necessário é Deus que inspirou as escrituras, não a gente. Então, quando faltar o dado bíblico, a gente precisa reconhecer que há um bom grau de incerteza sobre as questões que nós temos interesse. Em terceiro lugar, escatologia não é exclusivamente sobre o futuro. Jesus introduziu uma nova era, uma nova criação. E aqui eu vou pausar para poder explicar um pouco melhor esse argumento. A compreensão que nós já partilhamos em vários cursos, em várias aulas de BNU, em várias pregações. Se você já acompanhou alguma coisa no canal, percebeu isso, se esse é o primeiro momento que você está se deparando eh com esse ensinamento, então você vai ouvir isso e vai tentar meditar aí com bastante atenção e cuidado. Jesus ele anuncia o reino de Deus quando ele começa o seu ministério. E a Bíblia no Antigo Testamento está anunciando a todo momento que chegaria o dia do Senhor, que chegaria esse momento da ação definitiva de Deus que traria o seu domínio sobre o mundo, começando por meio dos judeus, mas se estendendo para todas as nações. E quando Jesus começa o ministério, ele diz que esse tempo chegou. Só que de acordo com os profetas do Antigo Testamento, quando isso acontecesse, quando Deus interferisse na história, trazendo a libertação final que ele prometeu que ele traria, esse seria o momento da renovação de toda a criação. Esse seria o momento da renovação mundial. Essa seria uma nova era. Isso, ainda que de forma incipiente já está em Isaías. Isso é desenvolvido no livro de Daniel e isso recebe toda a atenção do mundo no Novo Testamento, nos Evangelhos, nas cartas de Paulo, no Apocalipse, em todo o Novo Testamento. É a ideia de que com Jesus o reino de Deus chegou e por isso uma nova era iniciada. aquilo que todas as pessoas que acreditavam na ressurreição, nem todo mundo acreditava na ressurreição na época de Jesus, mas aqueles que acreditavam na ressurreição acreditava que esse seria um evento do fim da história. E no momento que acontecesse a ressurreição, seria iniciada a eternidade, seria iniciado esse momento de justiça e paz sobre a terra, de plenitude, porque a glória de Deus encheria a terra, assim como as águas cobrem o mar. E por isso esse momento marcaria o fim da história, como nós conhecemos, e o início da história na sua plenitude. O que acontece com Jesus é de fato, essas coisas acontecem de acordo com o seu ensino, de acordo com a sua morte e ressurreição, mas essas coisas acontecem enquanto a antiga era continua se desenvolvendo, enquanto a antiga criação continua existindo. Então, a gente vive nessa sobreposição de eras. O mundo, como sempre existiu, desde a criação e da criação marcada pelo pecado, Gênesis capítulo 3. Mas a partir da vinda do Messias, a partir da inauguração do reino de Deus, em especial a partir da morte e da ressurreição de Jesus, que venceu a morte, nós temos o início de uma nova era. Por isso que nós vivemos nessa tensão de duas eras. nessa tensão de duas criações. Nós somos nova criatura, nós somos os primeiros frutos dessa nova criação, mas nós vivemos ainda no mundo marcado pelo pecado. E a própria morte ainda tem domínio sobre esse corpo. Não tem domínio absoluto, mas significa que esse corpo ainda está sujeito à morte. Então, nós vivemos entre a antiga criação e a nova criação. É isso que no jargão teológico costuma ser tratado como o já e ainda não. A eternidade já começou, mas ainda não foi plenamente estabelecida. O reino de Deus já foi inaugurado, já começou, mas ainda não foi plenamente estabelecido. Os últimos dias já começaram, mas eles ainda estão transcorrendo e chegará nesse ponto culminante da história. Por isso, a escatologia não é apenas a adivinhação do futuro. A escatologia não é simplesmente uma narrativa que está prevendo quem vai ser o anticristo, como vai ser a grande tribulação, quando se iniciará o milênio, não é previsão do futuro. Simplesmente a escatologia tem a ver com o agora e com aquilo que também vai acontecer no futuro. Por isso, a relevância do estudo e do estudo equilibrado, apropriado da escatologia, dos textos que tratam dessa realidade. A a escatologia ela tem como propósito promover em nós esperança e prontidão. A ideia não é gerar medo, a gente já falou isso, e não é dar indicação que nos permita prever o dia e a hora que Jesus irá voltar. Se você quiser um antídoto para esse erro, para esse pecado, ao meu ver, leia Mateus, capítulo 24. Jesus está falando ali que nem ele sabia o momento em que aqueles eventos ligados à sua vinda, eh, ou a sua segunda vinda ao julgamento, a esse juízo final aconteceria. nem aos anjos do céu, nem o filho do homem sabia, mas apenas ao pai era dado conhecer isso. E ele também complementa isso depois, dizendo que ele viria como ladrão. Se Jesus está dizendo que você não pode prever o momento porque ele virá como um ladrão, ele virá como outro dia, virá em um dia como um outro dia qualquer, não queira ser mais esperto do que Jesus. Aceite o fato de que ele pode voltar a qualquer momento, inclusive hoje. Por que que isso é importante? Porque a escatologia compreendida dessa maneira nos coloca em uma posição de prontidão. No momento em que o nosso Senhor voltar, eu quero estar fazendo a coisa certa. No momento em que Cristo voltar, eu quero dar contas daquilo que foi a minha fidelidade em relação à missão que ele me entregou. Eu tenho certeza que você também com a certeza de que eu estava fazendo o que eu devia no momento em que me cabia de vida, eu não sei quando a minha vida vai acabar e eu não sei quando Jesus vai voltar. Por isso, a necessidade da prontidão, da fidelidade no tempo presente. O propósito é nos colocar nessa condição adequada de cumprir a nossa missão hoje. Em último lugar, existem assuntos centrais na escatologia e assuntos secundários. Por exemplo, o fato de que Cristo vai voltar é central. O fato de que a vida após a morte é central. Nós não podemos discordar nisso. Se nós discordamos disso, se nós discordamos nessa questão, nós estamos discordando, ao meu ver, em um aspecto central da fé cristã, um aspecto central do ensino de Jesus. Agora, a interpretação particular sobre milênio, a interpretação sobre tribulação, ainda que seja importante, não é central. Por isso, não deve ser motivo de ruptura entre irmãos na fé as divergências, que não são poucas, a respeito da interpretação dos textos que falam sobre o milênio, sobre a tribulação, sobre o anticristo e outras coisas relacionadas, tá? Um próximo ponto importante aqui é a gente falar a respeito da morte. Por quê? que a gente tá falando sobre estágio intermediário e a gente também vai falar sobre aquilo que é a vida após a morte. Então, é importante a gente compreender como é que a Bíblia descreve essa realidade da morte. Nós precisamos distinguir eh entre aquilo que eu citei no começo, mas não expliquei, escatologia individual e escatologia cósmica. A escatologia individual é sobre o futuro do indivíduo e a sua eh e sobre aquilo que vai acontecer com ele após a sua morte. Já a escatologia cósmica é sobre o futuro de toda a criação. Então a primeira, a escatologia individual acontece assim que você morre. Já a segunda está relacionada com o evento que vai acontecer simultaneamente a todos no momento da segunda vinda de Cristo, certo? Então, o que acontece com a gente depois que a gente morre é uma coisa. O que acontece com toda a criação a partir do momento em que Jesus retornar é outra coisa. Primeiro ponto, a realidade da morte. A morte é um fato inevitável. Eh, e todos nós sabemos que nós vamos precisar lidar com a morte, com a pequeníssima exceção daqueles que estarão vivos no momento em que Jesus voltar. Todos nós sabemos que nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e nesse corpo nós vamos morrer. Hebreus 9:27 fala sobre e esse fato incontornável. Da mesma forma como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo. Hebreus tá tratando de um outro assunto, mas ele coloca isso de passagem. Todos nós estamos destinados a morrer uma só vez, pelo menos. Porque pelo menos a gente vai falar já já. Isso é central no argumento de Paulo em Primeira Coríntios, capítulo 15, quando ele fala sobre a universalidade da morte e o efeito da ressurreição de Cristo. É central para tudo aquilo que Paulo tá tratando nesse importante capítulo. Tem algumas passagens que a gente vai mencionar mais de uma vez. Provavelmente um dos textos mais importantes é o texto de Primeira Coríntios, capítulo 15. Então, se você nunca leu e olhou com cuidado essa passagem, anote aí essa referência, porque é um texto muito importante. E ali quando Paulo tá desenvolvendo o seu longo argumento a respeito da ressurreição, ele fala, e só faz sentido falar da ressurreição como o grande evento de triunfo de Cristo sobre a morte, porque a morte é um evento universal que entrou no mundo a partir do pecado de Adão e de Eva. Apesar da morte ter sido derrotada, isso não quer dizer que nós não morreremos. Por exemplo, Paulo, que acabou, eu acabei de mencionar, tendo escrito eh de forma magistral a respeito da ressurreição em Primeira Coríntios, capítulo 15, também em segunda Coríntios, capítulo 5, em outro momento fala algo muito relevante Romanos capítulo 8, o próprio Paulo aguardava a sua morte. É o que a gente vê em Segunda Coríntios, capítulo 5, acabei de mencionar esse texto. E Filipenses capítulo 1, no versículo 19 ao 26, você vai ver que Paulo quando está preso sabe que a morte era um evento muito real e iminente. Possivelmente ele teria que lidar com a realidade da morte muito em breve quando ele escreve as cartas da prisão. Todos nós reconhecemos isso do ponto de vista intelectual. A dificuldade está em lidar com esse fato. Ah, muitas pessoas usam vários eufemismos, várias palavras que atenuam eh a necessidade de tratar a respeito da morte, mas preferem não usar a palavra morte justamente porque se sentem desconfortáveis em lidar com isso. Mesmo diante da morte de pessoas queridas, muitas pessoas evitam inclusive o ambiente do velório. Às vezes perde um parente, às vezes perde um amigo, alguém querido, mas a pessoa faz de tudo para não estar ali naquele ambiente do velório, presenciar o sepultamento, precisar entrar em um cemitério. Tudo isso mostra pra gente que existe uma dificuldade muito grande por parte de muitas pessoas de várias convicções diferentes de lidar com o fato de que todos nós vamos morrer, de que as pessoas que nós amamos vão morrer. E por isso nós precisamos eh saber o que é que nós cremos a respeito da morte. Ainda que essa seja uma postura muito comum entre cristãos e não cristãos, o cristão, ele é chamado a enfrentar a realidade da morte com firmeza. Ainda que seja um evento inevitável, nós somos levados pelo texto bíblico a lidar com a morte, com realmo, com eh objetividade e com coragem também. Paulo reconheceu, por exemplo, o perigo constante a que ele estava sujeito quando a gente lê o texto de Segunda Coríntios 4:11. Pois nós, que estamos vivos somos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. Ou seja, Paulo ele não se intimida diante do fato de que a morte não só era um evento incontornável, mas que ele estava sujeito a essa realidade a todo momento. Segundo ponto, como vocês estão vendo aí no slide, é a natureza da morte. O que é a morte? Como é que a gente pode entender o seu significado? Várias passagens bíblicas falam da morte física, do cessar da vida do nosso corpo. Por exemplo, a gente tem uma passagem interessante que é Mateus, capítulo 10, versículo 28. Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes ten o medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno. Veja que Jesus está falando aqui de um assunto que é de nosso interesse de forma geral, mas a primeira parte do versículo é especialmente relevante. Não tenham medo dos que matam o corpo. é justamente esse cessar da vida do corpo que hoje nós experimentamos, que significa passar pela morte, como essas passagens está tratando. Em Eclesi Eclesiastes 12:27, a gente tem uma compreensão de morte, do que acontece no evento da morte, semelhante ao que a gente encontra em Mateus 10:28. Elesiastes 12:7. O pó volte à terra de onde veio, e o espírito volte a Deus que o deu. Então, existe um momento de separação entre o espírito e o corpo, de acordo com Eclesiastes 12:7, ou o corpo e a alma. De acordo com Mateus 10:28, a morte é tratada como o cessar da vida no seu estado corpóreo. Como nós estamos familiarizados? A gente já tratou sobre a constituição humana aqui no nosso curso. O homem é corpo, é alma, é espírito. E a gente explicou ali as várias posições e adotamos uma postura de priorizar a condição única, eh, a condição integrada que as dimensões visíveis e invisíveis do ser humano possui na forma de vida que nós temos no tempo presente. Agora, a gente também ressaltou ali, isso volta a ser importante aqui, que existe uma separação condicional no momento da da morte. Existe esse momento em que alma ou espírito e corpo são separados, ainda que não seja de forma definitiva. Uma coisa muito importante é a gente perceber que a morte ou a morte desse corpo não é o fim da nossa existência. Muitas vezes nós cremos nisso, mas nós não elaboramos as consequências dessa convicção. Muitas vezes a gente diz que a gente tem poucos anos de vida para fazer tudo aquilo que a gente quer ou que a gente precisa fazer, porque a morte virá sem sabermos exatamente quando e a vida é mais curta do que gostaríamos. De certa forma, isso não faz sentido na convicção cristã. É um fato que a gente não sabe quando a morte vai acontecer e é um fato de que essa vida é um sopro. Mas a nossa vida nesse corpo possui apenas a sua introdução. Uma introdução muito importante, uma introdução que tem consequências paraa eternidade, mas tudo aquilo que a gente tem de vida é muito maior do que cabe nesses 80, 70, 60, 50 anos de vida que a gente tem nesse corpo. Aquilo que realmente caracteriza a nossa existência e a vida que nós temos em Cristo. Isso nós não vamos perder nunca. Então essa morte do corpo não é a extinção da nossa existência. Além da morte física, a Bíblia fala da morte espiritual ou da morte eterna. E o que que é essa morte eterna? É a separação definitiva de Deus. O que que é morte espiritual? É a separação definitiva de Deus. Esse estado é irreversível. É a respeito disso que Jesus está alertando em Mateus 10:28 que nós devemos temer, que nós devemos ter medo, que é não o fato de perder a vida desse corpo, mas ter medo daquele que pode lançar o nosso corpo e a nossa alma no inferno, e nós estarmos eternamente separados de Deus. A morte espiritual, ela é caracterizada justamente por essa incapacidade de reagir a qualquer ação espiritual de Deus. Isso não é necessariamente uma condição eterna, porque todos nós desfrutamos dessa, desfrutamos, não, todos nós sofremos nessa condição antes da nossa nova vida que recebemos em Cristo. Por exemplo, quando a gente vê eh Efésios e acho que no capítulo dois, que Paulo vai falar que nós estávamos mortos em nossos pecados, é esse estádio, esse estágio ou esse essa condição eh de estarmos completamente insensíveis para aquilo que é a voz, a vontade e a presença de Deus, até que nós fôssemos vivificados pelo Espírito Santo a partir da obra de Cristo. A diferença é essa pode ser uma condição não apenas enquanto nós esperamos essa ação de Deus ou não apenas até o momento em que nós somos vivificados pelo espírito. Essa pode ser a condição eterna daquele que se recusa a ouvir e a se abrir para aquilo que é ação de Deus em sua vida. O que é que é mais importante na nossa conversa a respeito da morte? É aquilo que Apocalipse 21:8 vai chamar de segunda morte. Veja lá o que tá em Apocalipse capítulo 21 versículo 8. Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos, o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte. Veja que aqui ele tá descrevendo a nova Jerusalém. Mas antes de de descrever os detalhes desse novo céu e nova terra, João ele recebe como revelação do anjo que está lhe guiando e também aqui da voz que vem do trono, essa revelação de que toda essa lista de pessoas aqui está banida da nova Jerusalém, está banida desse novo céu e da nova terra. E isso em um estado irreversível. Não existe mais qualquer menção no livro do Apocalipse de que alguém que é banido da nova criação possa se arrepender e entrar na nova criação. Então, o estado de perdição e o estado de segunda morte é caracterizado justamente por essa separação irreversível da presença de Deus. Apocalipse capítulo 20 versículo 6 afirma pra gente que Cristo ou aqueles que estão em Cristo não vão experimentar segunda morte. Um pouquinho antes, a gente leu 218, um pouquinho antes no capítulo 20, ele fala o seguinte: "Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição. A segunda morte não tem poder sobre eles. Serão sacerdotes de Deus e Cristo e reinarão com ele durante 1000 anos. Então, a gente tem aqui essa segurança de que aqueles que estão em Cristo não vão passar pela segunda morte e vão partilhar com ele desse milênio, que é o que caracteriza boa parte do capítulo 20 de Apocalipse. E a gente vai ter uma aula para tratar em especial sobre o milênio. Eh, mas o que é importante destacar que essa diferença entre a primeira morte e a segunda morte. Em terceiro lugar, na nossa conversa a respeito da morte, que é a morte física, a gente deve interpretá-la como um evento natural ou não natural. É um debate muito comum, é um debate que a gente inclusive trouxe para uma das aulas aqui do Macários eh a pergunta a respeito da condição inicial de Adão e Eva. Se Adão e Eva não tivessem pecado, eles seriam imortais? Será que Adão e Eva foram criados? Inicialmente no estado de imortalidade, o texto dá a entender que a morte não é algo natural. Texto de Gênesis, capítulo 1, 2 e 3. A gente não deve eh interpretar a morte como um elemento que Deus estabeleceu na sua criação, da mesma forma como ele criou o mar, como ele criou os planetas, como ele criou os seres humanos. A morte não é algo natural. a criação de Deus. E a gente percebe isso porque tanto o texto de Gênesis como novamente no texto de Romanos, quando Paulo vai discutir muito dessa questão, a gente percebe que a morte é um intruso. A morte entrou no mundo a partir do pecado. Então, a gente percebe que eh não é bom a gente tratar da morte na nossa experiência, naquilo que a gente vê ao nosso redor, diante da dor que a gente sente, quando a gente perde alguém que nós amamos, alguém que é querido a nós, como se isso fosse um elemento natural da existência. Ainda que seja um fato incontornável, esse não é um elemento natural. a nossa condição. Nós não fomos criados paraa morte. O mundo foi criado para que a morte fosse uma característica dele desde a sua concepção inicial. A morte é narrada em Gênesis como algo que entra pelo pecado, mas entra de uma forma integral e isso inclui a sua dimensão física. Se não fosse assim, não faria sentido aquilo que a gente vê em Gênesis 3:22. Então disse o Senhor Deus, agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele tome também do fruto da árvore da vida e o coma e viva para sempre. Veja que uma das razões pelas quais Adão e Eva foram expulsos do jardim do Édenem é justamente o fato de que eles não deveriam comer da árvore da vida e permanecer naquela condição eternamente. Então, o que a gente percebe é que a Adão e Eva, mesmo antes do pecado, não haviam sido criados como seres imortais. Eles haviam sido criados como seres limitados. mas que poderiam viver eternamente caso comessem da árvore da vida. E Deus então expulsa eles até como um ato de misericórdia para que eles não permanecessem naquele estado eternamente. Primeira Coríntios 15 também faz um paralelo com esse texto e com a morte ou a morte na sua dimensão física, quando vai falar sobre a ressurreição. Visto que a morte veio por meio de um só homem, também a ressurreição dos mortos veio por meio de um só homem. Por que que isso é relevante aqui paraa nossa conversa? Porque Paulo está dizendo que a ressurreição de Jesus aconteceu no corpo. Ele ressurgiu dentre os mortos. Então isso quer dizer que a ação de Jesus na sua morte e na sua ressurreição veio para nos restabelecer a vida no corpo. Ainda que não seja o mesmo tipo de corpo, é uma vida corpórea. Isso porque a morte foi aquilo que limitou a nossa dimensão física. nós não morreríamos fisicamente não fosse a entrada do pecado no mundo. Veja como é importante ler as narrativas a respeito da ressurreição de Jesus diante daquilo que a gente lê como consequência do pecado de Adão e de Eva nas narrativas do Gênesis. Jesus não ressuscitou só em espírito, mas ressuscitou também em corpo. Adão e Eva, diante de toda essa argumentação, precisamos entender, eles não eram imortais, mas podiam viver eternamente se comessem do fruto da árvore da vida. E por isso a gente compreende que eles tinham uma espécie de imortalidade contingente, uma imortalidade dependente da árvore da vida. O último tópico aqui a respeito da morte é a gente entender os efeitos da morte. Para todos a morte é uma maldição, é um inimigo, certo? Ninguém deve olhar pra morte como uma transição natural, como a gente já argumentou. Todos nós sentimos essa inimizade com a morte, mas para quem está em Cristo, esse é o inimigo que já foi vencido. Essa é uma maldição que já foi quebrada. Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar. Pois está escrito: "Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro." Esse é o texto de Gálatas 3:13. É um texto muito importante pra gente perceber que essa maldição que recai sobre o mundo como um todo, mas sobre a humanidade em particular, a partir do pecado de Adão e Eva, é uma maldição que é quebrada na vida daquele que está em Cristo, porque em Cristo nós temos a ressurreição dos mortos. Nós agora já não provamos mais a angústia absoluta da morte. Claro que a gente continua tendo esse senso de sobrevivência. a gente continua tendo esse instinto de preservação da vida. Mas ainda que nós não desejemos a morte, ainda que a gente não se entregue àilo que é a morte como se ela tivesse um bem em si mesma, nós reconhecemos que eh no momento em que a morte chegar, o nosso fim não estará determinado pela morte desse corpo. O nosso fim não é de desconhecimento sobre o que vai acontecer depois. O nosso fim não será de condenação após a morte desse corpo. Nós fomos libertos desse medo absoluto que a morte nos coloca. É por isso que Paulo coloca no texto de Primeira Coríntios 15: "Onde está a morte o seu aguilhão?" Que é onde está a morte a sua arma que nos feria e nos colocava medo? Porque nós não sabíamos o que iria acontecer ou porque nós tínhamos medo do que iria acontecer? Essa não é mais a condição daquele que está em Cristo. A primeira morte é um efeito que Deus não anulou por meio de Cristo, certo? A primeira morte, que é a morte desse corpo, continua sendo uma consequência do pecado de Adão. Mas a condenação eterna, que essa sim era a grande inimizade que existia entre nós e Deus, essa segunda morte foi vencida por Jesus. Agora, se nós vamos morrer nesse corpo, o que a gente se pergunta é o que vai acontecer depois dessa primeira morte. E é isso que a gente vai conversar agora. Como é que a gente entende esse estado que nós nos encontramos depois a da primeira morte e antes da ressurreição dos mortos? Existem diferentes eh concepções a respeito desse estado intermediário. A primeira concepção que a gente vai tratar é o sono da alma. Essa é uma ideia de que a alma durante o período entre a morte e a ressurreição repousa num estado de inconsciência. Eh, no século X, muitos anabatistas, muitosinianos exposavam essas ideias, se aproximavam dessa ideia. Ainda hoje, uma espécie ou uma das variantes dessa doutrina é adotada pelos adventistas do sétimo dia. Então, a ideia é que durante a morte e a ressurreição, nós estamos em um estado inconsciente. Mas aqui vale uma observação importante, em especial sobre a posição dos adventistas. O sono da alma não é simplesmente a ideia de que o corpo morreu e vai ser degradado. A alma permanece existindo, mas está em um estado de inconsciência e no momento da ressurreição, essa alma acorda e recebe um corpo. Não é isso? A compreensão do sono da alma para aqueles que adotam eh de acordo com os adventistas, em especial, é a ideia quase que uma extinção do corpo e da alma no momento da morte. E existe uma nova forma de criação no momento da ressurreição dos mortos. Então, o sono da alma é uma espécie de eufemismo, porque existe uma extinção do corpo e da alma no momento da morte. Isso é porque a compreensão de que a integração entre corpo, alma e espírito é uma coisa que não pode ser quebrada nem pela morte. Então, se um morreu, todas essas dimensões que envolvem o ser humano morreram, eh, deixaram de existir, ainda que momentanamente. Bom, a base paraa ideia do sono da alma encontra-se em grande parte no fato de que as escrituras usam essa expressão com frequência, que é aqueles que dormiram. Por exemplo, em Atos 7:60, a gente tem a narrativa de Estevão. E a morte de Estevão é descrita como sono. Paulo observa que tendo Davi servido a sua própria geração, conforme os propósitos de Deus, ele adormeceu. Isso é citado eh em Atos 13:36. Também em Primeira Coríntios 15, a figura do sono aparece quatro vezes. A gente falou que Primeira Coríntios 15 seria repetido. Outro texto que a gente já citou é Primeira Tessalonicenses 4, quando tava mencionando a a o contexto em que Paulo fala, o que fala em Primeira Tessalonicenses 4, quando ele fala daqueles que já morreram, ele fala daqueles que já dormiram. Então Jesus, eh, então a gente vê que muitos textos utilizam isso. O próprio Jesus disse acerca de Lázaro: "Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas eu vou despertá-lo". João capítulo 11. E depois Jesus indica claramente que ele estava se referindo à morte de Lázaro. Isso que é importante, a interpretação literal dessas figuras, mas dessa figura em especial do sono, daquele que dormiu, daquele que adormeceu. Literalismo perde um fato muito claro e muito básico nesses textos de que o texto está utilizando uma figura de linguagem, está utilizando uma forma de eufemismo. Dormir aqui é uma referência para aqueles que já morreram. Fica muito claro que essa é a forma como Jesus utiliza isso em João capítulo 11. E fica muito claro que é disso que Paulo tá tratando também em Primeira Tessalonicenses capítulo 4 e em Primeira Coríntios capítulo 15. Os que creem no sono da alma sustentam que a pessoa é essa entidade unitária sem componentes. Assim, quando o corpo deixa de funcionar, a alma, isto é, a pessoa como um todo, deixa de existir. Então, nada sobrevive à morte física. Eh, a gente percebe que existem alguns problemas com essa concepção. O primeiro é aquele que a gente já colocou aqui, eh, o fato de que existe um caráter literário no uso dessa expressão. Existem também algumas referências bíblicas ah que falam da existência pessoal, da existência consciente entre a morte do sujeito e a ressurreição do sujeito. A mais extensa passagem que fala a respeito disso é a parábola do rico e de Lázaro. Quando a gente olha lá para Lucas capítulo 16, a gente tem essa narrativa. Uma outra referência importante é a palavra de Jesus na cruz para o ladrão. Em verdade hoje estarás comigo no paraíso. Lucas capítulo 23. Além disso, pessoas que estavam prestes a morrer, porque sabiam que corriam um perigo muito elevado, porque estavam doente, doentes, diziam que estavam entregando o espírito a Deus. Jesus mesmo disse isso: "Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito." Essa ideia de que existiria uma separação do espírito do corpo nesse estágio provisório. Um terceiro problema é saber se é legítimo que as passagens bíblicas, na verdade é não é um terceiro problema, mas ainda relacionado à aquilo que a gente colocou em primeiro lugar. se essas passagens bíblicas que se referem à morte como sono, eh, elas não estão usando uma linguagem que talvez não seja tão próxima à linguagem que nós não estamos utilizando hoje. Por isso que é importante a gente se colocar no mundo do autor bíblico para comparar essas diferenças entre a nossa linguagem e a linguagem do autor na forma como ele empregou. Outro problema paraa teoria do sono da alma é a dificuldade eh conceitual ligada à ideia de que a natureza humana é unitária, nesse sentido de que em nenhuma condição ela pode ser separada. Se de fato nada da pessoa sobrevive à morte, qual será a base para a nossa identidade? Se a alma, a pessoa inteira fica extinta, o que é que vai ganhar ressurreição na vida? Isso é interessante a gente pensar. O sujeito deixou de existir de acordo com a compreensão do sono da alma quando ele morre. O corpo não existe mais, a alma não existe mais, porque não existe corpo, alma e espírito como coisas não só que estão integradas, mas coisas que jamais podem ser separadas. Então, se um morreu, como a gente colocou, o todo morreu, nada sobrevive. O que é que marca a identidade desse sujeito no momento da ressurreição? A ressurreição não é simplesmente um ressurgir dentre os mortos nessa compreensão é quase como se fosse uma nova criação exnihil. É uma criação do nada porque não existia mais nada desse sujeito no momento da sua morte. Então a gente percebe que existem algumas eh inconsistências, algumas questões muito sérias envolvidas nessa compreensão do sono da alma. Existe uma outra compreensão muito fundamental para o catolicismo romano, que é a doutrina do purgatório. Eu não vou entrar em tantos detalhes aqui, eh, mas vale ressaltar alguns pontos históricos importantes e também teológicos. Do ponto de vista histórico, a reforma protestante está muito ligada com a doutrina do purgatório. Se você lembrar a a respeito das reivindicações de Lutério, se você lembrar do contexto que despertou a revolta em Lutéo a respeito daquilo que estava acontecendo em seus dias, você vai ver que tem a ver com uma viagem de Lutero a Roma e a percepção da grande perversão que estava sendo feita dos textos bíblicos, inclusive sobre aquilo que aconteceria com o sujeito depois da morte. Você poderia comprar as indulgências a fim de diminuir o tempo em que o sujeito permaneceria no purgatório entre a sua morte e a sua, o desfrute da vida eterna, entre o momento em que ele de fato entraria no céu para desfrutar da eternidade com Cristo. Então, a gente percebe que a doutrina do purgatório tem muita relação com aquilo que foi a mudança de perspectiva que acontece a partir da reforma protestante. Mas o que é que diz a doutrina do purgatório? Existem três estados para aquele que morre no presente momento hoje. Para onde é que o sujeito vai depois eh de uma doença, de um acidente? Enfim, depois que o sujeito morre, ele pode ir pro inferno, se ele não está em um estado de graça. Ele pode ir para o céu se ele está em um estado de pleno aperfeiçoamento, de plena graça com Deus. Ou seja, ele não só está em comunhão com Deus, em comunhão com a igreja, mas ele também se penitenciou dos seus pecados veniais, dos seus pecados mais brandos. O que que são os pecados veniais? São os pecados que são considerados como erros, como desvios da vontade de Deus, mas não são suficientes para quebrar o estado de graça com Deus. Para esses pecados é que deve existir a penitência. Mas se o sujeito morreu em estado em que ele não se penitenciou de todos os seus pecados, ele vai pro purgatório, que é um estado de sofrimento. É por isso o nome dessa doutrina. é o estado em que ele vai ser purgado, limpo, purificado dos seus erros e dos seus pecados. E é lá que ele então vai passar por um período de tempo prolongado até que todos esses pecados eh tenham sido purificados da sua alma. Só a partir desse momento é que ele entra no paraíso. De onde é que isso veio? Isso veio de um texto bíblico em especial e também da tradição. O texto bíblico que os católicos fazem referência é o texto de segunda Macabeus 1243 a 45. E eu vou ler aqui brevemente porque é de fato interessante pra gente compreender como surgiu essa doutrina. Depois, tendo Judas Macabeus organizado uma coleta individual, enviou a Jerusalém cerca de 2.000 draquimas de prata, a fim de que se oferecesse um sacrifício pelo pecado. Agiu assim absolutamente bem e nobremente com o pensamento na ressurreição. De fato, se ele não esperasse que os que haviam sucumbido iriam ressuscitar, seria supérfluo e tolo rezar pelos mortos. Mas se considerava que uma belíssima recompensa estava reservada para os que adormecem na piedade. Então era santo e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado. Então, de acordo com o texto de segunda Macabeus, sacrifícios que podem ser feitos pelos vivos servem para espiar os pecados daqueles que já morreram, para que eles pudessem, após esse período de purificação, entrar no paraíso. E o texto do Novo Testamento, que é mais citado pelos católicos também na conexão com a doutrina do purgatório é Mateus 12:32. Mas se alguém falar contra o Espírito Santo ou pecar contra o Espírito Santo, blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo, nem no porvi. É, o que a gente percebe é que, primeiro esse texto de trás paraa frente de Mateus 12:32, dificilmente está falando a respeito eh de um pecados que podem ser perdoados na vida do porvir em contraste com a blasfêmia do Espírito Santo, que não poderá ser perdoada no mundo vindouro e nenhum outro texto do Novo Testamento, muito menos do Antigo Testamento, a gente encontra essa ideia de que os pecados podem ser purificados após a morte. Aquilo que é o foco do texto de Mateus e da discussão sobre o pecado contra o Espírito Santo é que aquilo que se faz como blasfêmia contra o Espírito Santo na vida presente tem suas consequências no presente e no futuro. É um estado irreversível. Por que que é um estado irreversível? Já falamos disso em outras aulas. Porque a blasfêmia contra o Espírito Santo é a negação última, a negação absoluta do testemunho que o Espírito dá de que Jesus é o Cristo, é o filho enviado por Deus. Por isso é que essa pessoa não poderá ser perdoada nem no presente, nem no porvi, nem na vida após ou no período após a morte. Porque essa pessoa negou a única possibilidade de perdão e consequentemente a única possibilidade de nova vida que há apenas para aqueles que estão em Cristo. Por isso é que esse texto é tão relevante, mas não é relevante ou não é apropriado para fundamentar toda uma explicação de pecados que supostamente poderiam ser purificados após a morte. Outro ponto complicado da da doutrina do purgatório, pelo menos para nós protestantes, e também para aquilo que é a compreensão dos judeus a respeito da Bíblia Hebraica, do nosso Antigo Testamento, é que esse é um texto que vem de um livro apócrifo. Esse é um texto deuterocanônico. A gente não acredita que esse é um texto que ao longo de toda a tradição do povo de Israel, ao longo de toda a tradição do povo de Deus, teve pleno consenso, que era um livro inspirado por diferenças teológicas significativas em relação aos outros livros, também por razões históricas de composição, enfim. Então, nem a Bíblia hebraica, nem a Bíblia protestante possui o livro de Macabeus como um livro eh inspirado. A outra coisa é a doutrina do purgatório tem todo um detalhamento que não vem de qualquer texto bíblico, seja ele canônico do ponto de vista católico, protestante ou judaico. Eh, mas vem a partir da tradição, vem a partir daquilo que os pais da igreja falavam. Então, é por essas razões que a gente percebe que esse não é um caminho apropriado. Em último lugar, o argumento teológico. Se a gente acredita que o purgatório, de fato, é um estado de purificação após a morte, isso se dá por meio do sofrimento que o sujeito tem nesse período do purgatório. Isso também pode ser abreviado por aquilo que são sacrifícios e as ofertas que nós podemos oferecer nós que estamos vivos em função da condição daquele que morreu e está no purgatório. Nós estamos pregando de certa forma uma pregação, uma salvação que é fundamentada nas obras, uma salvação que é fundamentada no esforço, seja do sujeito, não tanto no esforço, mas eh no sofrimento que pode lhe trazer salvação. Então, é quase como se o sofrimento fosse redentivo, como se a dor envolvida no período do purgatório fosse redentivo, que nós que estamos vivos podemos ser a causa da salvação desse que já morreu. Uma outra posição mais recente e bem menos eh aceita, essa a gente colocou mais para dizer que existe, mas não tem tanta relevância quanto as duas anteriores, é ressurreição instantânea. Isso é detalhado por um teólogo chamado WDES. E ele sustenta que Paulo possuía duas concepções diferentes da nossa ressurreição. Uma que está em Primeira Coríntios, capítulo 15, que a gente já mencionou várias vezes, e outra concepção em Segunda Coríntios, capítulo 5. É como se no intervalo entre a escrita da primeira carta e a segunda carta aos Coríntios, Paulo tivesse mudado de opinião. Porém, eh, nós precisamos entender bem os motivos pelos quais ele falou isso e por que isso não é tão adequado. Ah, ali no texto de Segunda Coríntios, capítulo 5, Paulo vai falar sobre esse temor de ficar despido, do qual ele fala no versículo 3. E supostamente essa foi a posição que foi suplantada ou é a posição que suplantou aquilo que ele pensava quando ele escreveu Primeira Coríntios capítulo 15. Essa consciência de que estar revestido em ambos os lados da morte é fundamental para Paulo. E está revestido aqui é a ideia de que o sujeito tem o corpo glorificado. David quando analisa Segunda Coríntios 15 conclui que quando Paulo escreveu Segunda Coríntios, ele já não cria mais nesse estado intermediário, esse período entre a primeira morte e a nossa ressurreição. Antes, por ocasião da morte, haverá uma transição imediata para o estado final, uma recepção instantânea desse corpo glorificado. Mas será que ele realmente resolveu o problema ao interpretar Segunda Coríntios dessa maneira? Ele trabalha na pressuposição de que a natureza é uma unidade absoluta. Veja como o assunto da escatologia individual está muito ligado ao assunto da antropologia também. O fato é que a antropologia de Paulo era tal que ele podia defender tanto a ressurreição futura, esse momento em que receberíamos o corpo glorificado, como também uma sobrevivência desencarnada, ainda que fosse uma sobrevivência desencarnada transitória. Essas ideias elas não são contraditórias, mas partes complementares de um todo. e a gente vai falar qual é a solução que nós estamos propondo aqui. Claro que a gente não tá tirando isso da nossa cabeça. Existem vários textos que fundamentam isso e várias pessoas que ao longo da história interpretaram esses textos assim também. A solução que Davis dá não é tão bíblica quanto ele mesmo parece pensar, porque existe uma série de passagens em que Paulo associa a transformação do corpo a uma ressurreição futura, juntamente com o segundo advento. O segundo advento, o segundo momento da vinda de Jesus, por exemplo, Filipenses capítulo 3 e Primeira Tessalonicenses, capítulo 4, dois textos que a gente já citou hoje. Paulo dá muito destaque à segunda vinda como a ocasião de livramento final e de glorificação. Jesus mesmo, quando deu ênfase a um tempo futuro em que os mortos serão ressuscitados, eles ele fala justamente nesses termos da ressurreição a partir da sua segunda vinda. O texto relevante nessa discussão é João capítulo 5 do 25 até o 29. E aí a gente passa para uma proposta alternativa que é uma concepção da vida após a morte em dois estágios. Aqui a gente tá falando tanto a partir do que alguns teólogos, eh, ainda que não seja exatamente nos mesmos termos e da mesma forma, mas de maneira geral o que o Millard Ericson, que é o texto que eu tenho utilizado para boa parte das aulas que eu dei aqui, outros professores também adota. E Millard Ericson é um teólogo que escreve a partir da teologia sistemática. e para biblistas ou para eh outros estudiosos com outra metodologia de pesquisa, com outras propostas, como é também Wright. NT W, ele tem essa frase que ficou bastante marcada nos escritos dele a respeito do assunto, que é o que importa não é a vida após a morte, o que importa é a vida após a vida após a morte. Ou seja, nós temos a vida no estado que nós estamos desfrutando agora nesse corpo. Quando nós morremos, nós vamos para o céu, nós vamos eh e nós desfrutamos desse estágio que Paulo chama de estar em Cristo ou estar com Cristo nos céus, que céus é o lugar onde Deus habita e céus é o lugar para onde Cristo ascendeu. quando ele deixa os seus discípulos sobre a terra e ele é entronizado após a sua ressurreição. Então, nós estamos com Cristo no céu após a morte, mas Cristo volta sobre a terra na consumação dos tempos e Cristo então estabelece essa nova criação, esse novo céu e nova terra. Nesse momento, após aí a Apocalipse capítulo 20, após o juízo, o grande juízo do trono branco, a ressurreição de todos que foram ressuscitados, alguns para a salvação, outros para condenação e perdição. Após esse ato da ressurreição, da glorificação do nosso corpo, é que nós passamos a desfrutar da vida na forma como nós permaneceremos eternamente. Então, a gente tem estado atual da vida, a gente tem morte. A partir da morte a gente vai em espírito com a nossa alma para estar com Cristo. Desfrutamos da sua presença, mas não permanecemos apenas como alma. apenas como espírito eternamente. Nós não vamos habitar o céu eternamente porque Jesus volta, nós temos a ressurreição do corpo, a glorificação do corpo e nós vamos desfrutar dos novos céus e da nova terra, a nova criação, onde céu e terra já não podem mais ser separados. Então, a gente tem vida, vida após a morte e vida após a vida após a morte. Então, essa espécie de vida após a morte em dois estágios. Estar com Cristo logo depois da morte e estar com Cristo no corpo glorificado após a ressurreição. Certo? Bom, pessoal, esse era o assunto que a gente separou de escatologia para hoje, mas existem eh muitos outros assuntos da escatologia que a gente precisa tratar aqui. Inclusive, uma coisa que a gente deve ajustar é como é que serão as próximas duas aulas, porque, pelo que eu vi, vai ter necessidade de eh dedicar um pouquinho mais de tempo para cobrir todo o conteúdo que a gente separou para o tópico de escatologia. Aqui a gente vai ter, vai acabar o primeiro módulo semana que vem, certamente, mas a maneira como a gente vai organizar isso, eh, vai precisar ainda passar aí por alguns ajustes, tá bom? Vamos, eu ia falar que eu ia tomar água, mas eu esqueci de pegar água aqui. Vou passar para as perguntas eh de vocês na medida do possível. Vou adiantar que algumas perguntas talvez sejam mais relevantes para o nosso próximo encontro, que a gente vai falar sobre milênio, tribulação. Ainda não vi as perguntas do chat, não sei se é sobre isso que vocês tão falando aqui, mas vamos lá. O seio de Abraão é o mesmo que paraíso? Sim, Fernanda. seio de Abraão, que aparece na parábola do rico e de Lázaro, é justamente essa ideia do destino final daquele que é a descendência de Abraão. Mas a descendência de Abraão também relida no Novo Testamento como aqueles que estão em Cristo. Então é paraíso como sendo o céu, o lugar de habitação de Deus. Mas lembrando sempre, é céu nesse estado de habitação de Deus, enquanto a habitação de Deus é separada da nossa habitação. Essa não será a realidade definitiva. Por Apocalipse capítulo 213, e Deus, a tenda de Deus está entre os homens. Ele decidiu habitar entre nós. Ele será o nosso Deus e nós seremos os seus povos. Então, a separação entre habitações será anulada nos novos céus e na nova terra. Vamos lá para as próximas. Deixa eu ver aqui. Tô rolando um pouquinho para localizar as perguntas. Tessalonicenses 4:13 fala que dormem no Senhor. O que quer dizer? morte. Estão no paraíso aqueles que estão em Cristo? Sim, eu não vou elaborar tanto porque a gente já dedicou um tempo bom durante a aula para falar a respeito disso, mas aquela é uma expressão que aparece tanto em João quanto em Tessalonicenses, quanto em outras passagens para falar daqueles que morrem e aqueles que estão em Cristo estão na presença de Cristo também depois da morte. O arrebatamento é morte ou os vivos serão transformados. A ideia de Primeira Tessalonicenses 4 é que as duas coisas eh acontecem. Aqueles que estão mortos nesse momento da segunda vinda de Jesus ressuscitam para receber um novo corpo. E aqueles que estão vivos não passam pela primeira morte. Eles serão transformados a partir desse momento da segunda vinda de Jesus. Mas a ideia de arrebatamento como a saída da igreja da terra para a ida aos céus e a permanência nos céus por um tempo, até que sejam transformados, sejam glorificados e venham sobre a terra, tem a ver com as discussões sobre milênio, tem a ver com as discussões sobre tribulação. Então, arrebatamento, tribulação e milênio. São três coisas que sempre andam muito próximas. poderia falar em mais detalhes, mas esse é um assunto que a gente vai tratar na próxima aula. E existe uma live muito interessante no canal da IB News sobre a teologia do arrebatamento. Se você quiser ter mais detalhes sobre a nossa explicação desse assunto, eu recomendo duas coisas, que é assistir essa live e assistir também a nossa próxima aula. É correto afirmar que todo livro de Apocalipse deve ser interpretado figuradamente ou há partes que são literais? A pergunta é muito, vou até deixar aqui para a gente, todo mundo que tá entrando aí também poder ver, não se perder. A pergunta é muito boa. Que que acontece, Marcos? Eh, todo o livro do Apocalipse usa figuras, figuras de linguagem, figuras literárias, figuras de várias eh naturezas distintas. Isso não quer dizer que não há correspondência histórica para essas figuras, que não vai acontecer em um momento exato da história. Eu acredito que as figuras de linguagem que são, os símbolos que são empregados no apocalipse, tanto falam sobre coisas que estão acontecendo ao longo de toda a história, falam sobre eventos que vão acontecer de maneira pontual na história, eh, e falam sobre essas coisas de uma maneira que desperta na gente a compreensão e o significado desses eventos mais do que a maneira como esses eventos irão acontecer na história. Quando a gente fala que algo é figurado, que algo é simbólico, a gente não está querendo dizer que esse algo não é histórico, que esse algo não vai acontecer de fato, que é apenas uma ilustração para nos dar uma lição. Não. Quando a gente ressalta o caráter simbólico do livro de Apocalipse, o que a gente está querendo dizer é, ele está explicando mais o significado da história do que nos dizendo como e quando esses eventos vão acontecer. Porque não é tão importante para o livro do Apocalipse que a gente saiba quando e como exatamente o milênio vai acontecer, quando e como as duas testemunhas vão eh surgir e vão realizar o que elas precisam realizar. quando e como o dragão eh vai atuar no mundo. O que é mais importante, se é por meio do código de barras, a invenção do helicóptero, tudo isso era muito mais comum no século XX e hoje é uma coisa para despertar riso, né? se é inteligência artificial, se é a eleição do novo papa, eh se é o presidente dos Estados Unidos, se é Putin, enfim, muito mais importante do que dizer exatamente quem é o que, quando vai acontecer isso, como esses eventos históricos vão se desenrolar. Muito mais importante é entender o significado desses eventos, o significado da história, o significado da nossa missão dentro desses eventos históricos e aquilo que a gente deve fazer no tempo presente. Então, não é simplesmente um ou outro, se é figurado ou se é literal. Algo pode ser figurado, simbólico e ainda assim ter uma certa correspondência histórica concreta e real, né? Então, vale a pena a gente se aprofundar nisso. Quem achar interessante esse tema, a gente tem um curso também aqui no canal da IBNW, que é a teologia do livro do Apocalipse. Vale a pena dar uma olhada lá, porque a gente discorre com muito mais detalhe a respeito disso. promover aqui algumas perguntas sobre eh tribulacionismo, dispensacionalismo, eu vou deixar para o nosso próximo encontro, porque é exatamente um o assunto da nossa aula que vem. A Cíntia também lembrou aqui, ó, tem uma pregação do Senhor no canal da EBN sobre a passagem do rico e do Lázaro que aborda esse tema. É muito interessante. Recomendo que assista. Excelente pregação. Eu lembro dessa pregação também, C e fala pra gente sobre a questão do inferno, em especial, eh, de uma maneira bastante aprofundada e equilibrada, tá? Não sei se alguém encontrar exatamente o título ou o link da pregação, pode colocar aí no chat que se eu localizar eu coloco aqui para todo mundo ver também. Pergunta: Lázaro morreu duas vezes? Sim, porque a ressurreição que Jesus opera sobre Lázaro não foi ainda sobre a segunda morte que todos nós estávamos condenados a passar. foi sobre a primeira morte, a morte desse corpo. Se assim não fosse, não existiria tanta necessidade de enfatizar e centralizar o ensino da ressurreição de Jesus, como a gente encontra nos Evangelhos e a gente encontra em todo o ensino do Novo Testamento. Por que que a ressurreição de Jesus é tão importante? Porque ela é de uma natureza, tem um significado e tem os seus efeitos muito diferentes daquilo que acontece com a ressurreição de Lázaro. Jesus tinha o poder e efetivamente reverteu aquilo que foi o processo da morte do corpo de Lázaro a partir da doença que ele teve. Mas Jesus mesmo precisou morrer e ressuscitar para vencer a morte como sendo essa maldição que recaiu sobre toda a criação a partir do pecado de Adão. Essa segunda morte, essa separação eh eterna de Deus é que estava em vista na vitória que Jesus conquistou. As pessoas que morreram sem conhecer a verdadeira palavra de Deus, como será quando Jesus voltar? Bom, a gente precisa fazer aqui uma distinção ou procurar entender o que quer dizer pessoas que morreram sem conhecer a verdadeira palavra de Deus. A sua pergunta, Sorai, é sobre as pessoas que supostamente nunca tiveram uma possibilidade de arrependimento porque nunca ouviram a pregação do evangelho? Essa é uma questão que a gente já abordou em alguns momentos aqui no Macários também. Dá uma olhadinha nas aulas de soteriologia, mas como você é uma aluna muito constante, eu acho que você já passou por lá. Eu acho que a pergunta é mais no sentido de as pessoas que não se arrependeram, as pessoas que não eh não receberam o amor de Deus porque se voltaram ou voltaram às costas para o testemunho do Espírito Santo. Bom, o que a gente compreende é essas pessoas morrem e essas pessoas é muito curioso que o apocalipse fala do ades e do genena. A palavra inferno, como traduzido nas nossas nas nossas bíblias, na maioria das versões, eh está por trás da palavra inferno a palavra grega guena. É como se você tivesse o Ades e o inferno como duas coisas diferentes. Não tenho completa segurança que essa interpretação que eu vou falar agora é o que de fato acontece, mas eu vejo como uma possibilidade coerente, que é alguns dizem que o Ades é como se fosse esse lugar para onde aqueles que morrem e não estão em Cristo vão. As pessoas vão para o Ades. já é um lugar de tormento e de sofrimento, mas ainda não é o lugar definitivo da condenação dessas pessoas. Depois disso, a gente tem a narrativa do texto do Apocalipse. Acho que também no capítulo 20 falando que o Ades e a morte são lançados no GENA, no inferno. Então o inferno é que seria esse lugar da condenação eterna daqueles que morrem sem estar em Cristo Jesus. Esse é um lugar onde a punição que está reservada para essas pessoas é realizada. Tá bom? Deixa eu ver aqui o que outras pessoas estão colocando. Ó, um argumento muito bom que a Laila colocou aqui contra o sono da alma é o seguinte: os santos no céu clamam pela vingança do seu sangue. Na verdade, Laila, clamam pela vingança dos outros mártires que continuam a sofrer pelo nome de Jesus. Até quando o Senhor não vai vingar o sangue dessas pessoas? Por isso não existe sono da alma. Estão conscientes? E aí ela cita outros textos bíblicos aqui. Muito bom. Obrigado, Laila. Eu realmente não tinha pensado em utilizar o clamor dos mártires em Apocalipse 6 como fundamento para combater essa compreensão equivocada do sono da alma. Eh, que mais que nós temos aqui? Hum, deixa eu ver. Bom, o galardão descrito no Apocalipse 22:1 está inserido na escatologia individual. Vamos recuperar o texto de Apocalipse 22 12, que diz o seguinte: "Eis que venho em breve, a minha recompensa está comigo e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez". Esse texto está em pleno acordo com outros textos, Rute e demais. Quando a gente olha para o Sermão do Monte, várias vezes a ideia de recompensa é citada ali, em especial em Mateus, capítulo 6. Quando você ajudar o necessitado, não saiba sua mão direita o que faz a mão esquerda. Porque aqueles que fazem isso tocando trombeta já receberam a recompensa. Mas vocês que fazem isso em secreto não. Você que busca Deus em oração em secreto, recebe a recompensa de Deus que o vem em secreto. Então, existe essa ideia de que Deus que vem secreto recompensa as pessoas que fazem isso não para mostrar os outros, mas porque autenticamente dependem da parte de Deus e são graciosos da parte de Deus. Também fala também em Mateus capítulo 5: "Bem-aventurados serão vocês quando por minha causa os perseguirem, os insultarem e inventarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus". Isso é um ponto importante, porque em muitos momentos a gente é acanhado em tratar da realidade de recompensa e de galardão, né? galardão. Acho que é uma palavra mais comum em traduções antigas, mas é basicamente essa recompensa que nós vamos receber a partir daquilo que fizemos nessa vida na eternidade. Eh, e isso está ligado em vários textos com algo que nós fazemos ou deixamos de fazer na vida desse corpo. Por que é que isso é importante? Porque existe uma motivação muito clara na Bíblia em viver da forma como Jesus nos orienta a viver, como Deus nos eh convoca a viver, como tendo consequências reais para toda a eternidade. Existe consequências na vida presente para nós que recebemos a bênção de viver em fidelidade, em obediência. Existe a consequência paraa vida dos outros que são abençoados por isso e existe essa consequência que nós vamos receber na eternidade. Esse ensino é repetido em várias partes do Novo Testamento. Paulo também fala sobre essa expectativa daquilo que ele vai receber na vida por vir. Agora, ainda que seja um ensino inequívoco, um ensino muito seguro e sério, a gente não tem um detalhamento sobre como esse galardão vai ser dado, como essa recompensa nos vai ser dada. A gente não sabe exatamente o que é isso. A gente eh nos é assegurado que é algo muito bom, é uma recompensa, é algo muito mais valioso do que aquilo que nós entregamos por meio do nosso serviço, mas a gente não tem muitas explicações sobre a natureza dessa recompensa. Agora, o que é que não faz sentido a gente pensar nessa ideia de um acúmulo de capital celestial? A gente faz porque a gente vai receber no futuro. E se a gente não fizer no presente, a gente vai ser pobre na vida eterna. A gente vai est no céu, como muitas pessoas costumam pensar, eternidade simplesmente céu, não novos céus e nova terra, mas vai ter uma casinha. A gente vai viver na periferia da eternidade. A gente não vai viver em mansões celestiais, enquanto aquele que viveu em fidelidade vai receber muito mais do que nós que vivemos mais ou menos vamos receber. Na minha cabeça, isso não faz o menor sentido. Por quê? Para todos que vão desfrutar dessa nova criação, a nova criação é descrita como um lugar de plenitude. Não vai existir choro, não vai existir dor, não vai existir morte. Apocalipse capítulo 21 versículo 4. Ou seja, nenhuma forma de sofrimento. Então essa ideia de que eu vou ter menos e eu vou me arrepender de não ter feito tanto, porque o cara que mora do meu lado tem muito mais, é uma coisa pertinente para essa vida marcada pelo pecado que a gente está inserido. Então eu tenho certeza que as coisas que nós fazemos agora vão gerar frutos paraa eternidade. Essas recompensas existirão na eternidade. Mas na minha cabeça faz muito mais sentido de receber na eternidade essa convicção de que tudo aquilo que Deus está construindo na nova criação, essa consciência, essa clareza, foi feito a partir também da minha própria ação, da minha própria fidelidade. Não sou, não sou eu quem fez a Nova Jerusalém descer. Não sou eu o autor da redenção, mas Deus usou o meu trabalho na missão e no trabalho dele de redimir todas as coisas, de recriar todas as coisas. Isso é um pouco assim da minha forma de imaginar como é que isso pode acontecer. Mas o que eu posso falar claramente é o ensino está lá, ele é seguro, mas nós não temos tanto detalhamento sobre a natureza dessa recompensa. Bom, pessoal, eu sei que tem muitas outras coisas que a gente poderia conversar aqui, mas nosso tempo já deu pra aula não ficar gigante e a gente vai parar por aqui e vamos voltar semana que vem. Fiquem ligados, a gente tá atualizando. Eu sei que ficou coisas acumuladas das próximas das últimas aulas em termo de questionário e leitura complementar, mas a gente tá atualizando tudo isso e para o fechamento do nosso primeiro módulo, tá bom? Um forte abraço a todos, um bom estudo para vocês que vão seguir aí se aprofundando na escatologia e a gente pede para você se inscrever no canal, curte esse vídeo, deixa algum comentário aqui para ajudar a gente a divulgar tudo isso e volta aqui. Domingo tem celebração online. Semana que vem a gente continua com o curso Macários e várias outras programações. Forte abraço a todos. Bom restante de semana. Ciao. Ciao.