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MANUAL DE PROFECIA MESSIÂNICA – ANTONIO NETO | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #68

MANUAL DE PROFECIA MESSIÂNICA – ANTONIO NETO | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #68

MANUAL DE PROFECIA MESSIÂNICA – ANTONIO NETO | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #68

Neste episódio do podcast Edições Vida Nova, Antonio Neto conversa conosco e apresenta o livro Manual de Profecia Messiânica, de Michael Rydelnik e Edwin Blum. Aqui abordamos as seguintes questões:

– Quais são as características de uma profecia?
– As profecias bíblicas são apenas sobre o Messias?
– Como caracterizar uma profecia messiânica?
– Como o Antigo Testamento apresenta as profecias sobre o Messias?

Adquira o livro: https://bit.ly/3Oba080

#ProfeciaMessiânica #EstudoBíblico #jesuscristo #podcast #edicoesvidanova
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Legendas automáticas:

[Música]
E aí, eu sou Saor Lucena, apresentador
do podcast da editora Vida Nova. E aqui
a gente procura conversar com autores,
pastores e teólogos em geral sobre os
livros lançados pela editora Vida Nova e
as questões importantes que eles
abordam. E hoje nós vamos falar aqui de
um verdadeiro calhamaço, um livraço, que
é esse aqui que você consegue ler o
título tanto de lado quanto também aqui
pela capa. O manual de profecia
messiânica. Estudos e exposições sobre o
Messias no Antigo Testamento dos
editores Michael Ryonek e Edwin Bloom.
Se você quer entender mais sobre o que é
uma profecia, o que é uma profecia
messiânica, aliás, quem é o Messias, o
que é o Messias, o que isso significa e
o que o Antigo Testamento como um todo
vai falar a respeito do Messias, que nós
sabemos sim que é Jesus, mas o que é que
ele fala a respeito do Messias? Que
profecias sobre o Messias Jesus cumpre?
Será que tem alguma que ele não cumpriu?
Ou pelo menos não ainda? Se você quer
saber quais as principais abordagens
para encontrar uma interpretação válida
de uma profecia messiânica e aquelas que
são equivocadas, você precisa ler esse
livro e ouvir a conversa de hoje, onde o
Antônio Neto vai conversar com a gente
para nos fazer entender mais sobre esse
tema. Antônio Neto, seja muito bem-vindo
ao podcast da editora Vida Nova. É um
prazer ter você aqui com a gente mais
uma vez, meu irmão. Prazer meu, Saú.
Obrigado mais uma vez pela confiança,
pelo convite. Espero que a gente possa
aqui fazer um um bom trabalho para
servir o bem, servir bem as pessoas, os
os que vão nos assistir.
Amém. Amém. Tenho certeza que vai ser
uma conversa proveitosa, principalmente
a tirar pela última que a gente teve.
Então já fica até um parênteses aqui de
recomendação para quem nos ouve, de dar
uma olhada sobre o outro episódio do
podcast da Vida Nova que nós gravamos
falando sobre pregação expositiva, né, a
partir dos livros da vida nova, os
livros que estão ligados ao Nove Marcas
também. Fica aí uma recomendação pro
pessoal dar uma ouvida lá. Mas vamos
agora continuar aqui falando hoje sobre
esses assuntos que a gente tem para
abordar. E antes disso, antes de entrar
no assunto em si, queria que você se
apresentasse mais uma vez, porque eu sei
que tem gente chegando aqui pela
primeira vez, Antônio Neto. Então, era
bom você falar um pouco do seu
ministério para o pessoal entender quem
é que vai conversar com a gente. Claro,
eu moro aqui na cidade de Pinhais, em no
Paraná. Eu sou cearense, né? Eu sou
nascido, crescido e estudei no Ceará, no
Seminário Batista do Cariri.
Fui missionário por por alguns anos e
depois me tornei pastor. E nesse
processo acabei parando aqui na cidade
de Pinhais, no Paraná, onde eu sou
membro da Igreja Batista Calvário, aqui
mesmo na cidade de Pinhais. E a nossa
igreja aqui tá com um projeto de
plantação
na cidade de Araucária, na zona sul de
Curitiba, né, na região metropolitana,
parte sul da cidade de Curitiba.
E então eu tenho servido ali, ah, Deus
me trouxe de volta para esse trabalho de
plantação de igrejas
e eu tenho tido então a honra de servir
ali. E também na Escola Teológica
Charles Spuron. A escola teológica
Charles Spuron mudou a sua sede pra
Igreja Batista Calvário aqui de Pinhais.
E a Igreja Batista aqui cede o prédio,
né, para que a gente tenha ali as nossas
salas, escritório e tudo mais. E então e
as nossas aulas, né? E então a gente tem
desenvolvido um ministério para tentar
levar boa teologia para essa região aqui
e também paraa região sul aqui do nosso
país, né? Então, já est já temos alguns
polos eh da escola Charles Espjon aqui
na região em São Paulo. Ah, também vamos
com a graça de Deus começar em Santa
Catarina e Deus tem então nos dado esse
privilégio de poder servir aqui no na
região sul do país através dessa
plantação e da escola Charles Espjon.
Muito bom, meu irmão. Excelente. Que
Deus continue abençoando aí seu
ministério. Eu sei aí dos perrengues e
alegrias também de plantar uma igreja.
Passei por isso aqui. Tô nesse trabalho
de plantação e sei que é um desafio, mas
é uma bção do Senhor. Que Deus continue
conduzindo. E hoje vamos falar aqui de
mais um livro da editora Vida Nova.
Talvez o maior livro que eu já tenha
segurado em mãos aqui em um único
volume. Um livro que é o manual de
profecia messiânica. Um livro que tem
aqui mais de 2.000 páginas. Deixa eu ver
exatamente quantas páginas esse livro
tem, porque é muito grande. Não tem
duas, não tem 2.000 não, na verdade me
enganei. Tem 1563 páginas, mas assim é
um livro imenso, né? E um livro muito
bom, bem melhor do que para segurar a
porta, para nos falar sobre profecias
messiânicas, né? Aqui o subtítulo do
livro é Estudos e exposições sobre o
Messias no Antigo Testamento. Então,
nesse calhamaço aqui, nós vamos falar
sobre esse tema de profecia. E por isso
eu acho que nada melhor do que nós
iniciarmos a conversa definindo o que é
profecia, porque normalmente quando as
pessoas falam sobre esse assunto, elas
pensam a respeito apenas de um tipo de
profecia que é aquela profetada
geralmente, né, de alguém adivinhar o
seu futuro, dizer: "Ah, com quem você
vai casar? Qual o que que você vai ter
de problema ou de soluções pra vida?"
Mas o que é profecia nas escrituras? De
que tipo de profecias nós vamos falar
aqui nesse livro? Beleza. Esse livro,
Saul, ele é uma, na verdade, uma
coletânea, né, uma de vários escritores,
escrevendo sobre diversos assuntos,
todos eles relacionados a essa questão
da profecia e da profecia messiânica.
Então, eh, é um livro que vai ajudar a
entender não apenas, eh, o que é uma
profecia, né, mas também, ah, quais
profecias dizem respeito ao Messias. E
aí a pergunta, o que é então uma
profecia? Pois bem, a profecia a gente
pode definir assim, que a profecia é
aquilo que faz um profeta. E o profeta é
um agente de uma mensagem vinda da parte
de Deus. Então, a profecia, ela é uma
mensagem vinda da parte de Deus,
comunicada para as pessoas através de um
profeta. Ok? E o equívoco que muita
gente tem é de é de
confundir profecia com
previsão. Então, nem nem toda, aliás,
profecia não se resume em uma previsão.
Há profecias que contêm previsões, OK?
Então, há profetas que eles também são
videntes, ou seja, recebem mensagens da
parte de Deus que dizem respeito à
previsão de eventos futuros. Mas a
essência do que é uma profecia é uma
mensagem vinda da parte de Deus, que
muitas vezes elas vêm para consolar,
elas vêm para exhortar, para chamar as o
povo ao
arrependimento. Muitas vezes elas vêm
para transmitir a vontade de Deus, né?
algo que Deus espera que as pessoas
façam em determinado momento e por vezes
também ah para falar, para prever algo
que vai acontecer no futuro, sempre com
essa com esse propósito de exortar, de
consolar e por aí vai. O grande, o
grande texto que a gente pode dizer para
definir que profecia não é mera previsão
é que o apóstolo Pedro, ele ao se
referir ao Antigo Testamento, lá na sua
na sua carta, ele fala que nenhuma
profecia da Escritura, né, foi dada por
particular elucidação. Então ele
considera o a escritura como uma obra
profética, uma obra de profecia, OK?
Então, a gente pode dizer, por exemplo,
que a lei de
Moisés, ela foi uma mensagem dada por
Deus para Moisés entregar essa lei.
Então, Moisés agiu
como profeta, né, e entregou a lei. E é
por isso que ah a lei eh e tudo que tá
escrito nas escrituras eh também possui
sempre vai possuir um caráter profético,
né? Por exemplo, a lei. O Senhor Jesus
Cristo disse que veio cumprir a lei. Ou
seja, a lei ela não é um texto de
previsão, mas ela tem o seu elemento
profético, entende? Então, sim. Sim.
Então, é, eu, eu diria que isso é o mais
importante da gente entender sobre o que
é profecia, né? Muito bom. E aí, como
você falou, existem diversos tipos de
profecias e seus objetivos. O livro vai
abordar um tipo de profecia específica
que é a profecia messiânica. Você já
começou a dizer que tem a ver com
profecias a respeito do Messias. Então,
por favor, fala um pouco mais pra gente
que tipos de profecias sobre o Messias
são essas. E inclusive eu acho que uma
pergunta que cabe é eh o que significa
Messias? Porque a gente fala tanto de
Messias, a gente hoje já sabe, né, que
Jesus é o Messias prometido, foi o
Messias que veio para cumprir essas
promessas, essas profecias. Mas o que
significa Messias e o que são essas
profecias messiânicas?
Beleza? Então vamos lá. Eh, primeiro
vamos pensar aqui no que que significa
uma profe, aliás, vamos começar no
Messias, né? Uhum. Ah, o Messias é um
termo, eh, transliterado do hebraico
machia, que significa ungido. E essa
tradição de se referir ao Messias, ela a
a de utilizar esse termo, ela vem eh do
concerto, né, do pacto que Deus fez com
Davi. E a partir da dessa ideia de que
ah aquele que Deus haveria de enviar
para a restauração do seu povo e
consequentemente da criação, seria
alguém que viria da dinastia davídica,
seria um ungido da dinastia da vídica,
consagrado por Deus, portanto, para eh
providenciar a redenção do pecado, a
libertad ação de Israel, o governo do
mundo. Então aqui eu tô mencionando eh
já uma definição mais sistemática de de
tudo que essa figura engloba no Antigo
Testamento, OK? Então, no Antigo
Testamento, a figura que veio a se
chamar a a ser chamado, né, depois de
Davi como o Messias, ela engloba, por
exemplo, o servo, o servo sofredor
escatológico, eh, envolve o rei de
Israel da dinastia davídica, da tribo de
Judá. ah, o resgatador ou restaurador de
Israel. Você vai, ah, por exemplo, ah, v
no livro de Josué, né, a figura de Josué
como o restaurador de Israel e isso ah,
como uma espécie de imagem prévia do da
dessa figura futura do restaurant. Isso
é interessante. Depois eu quero falar
mais com você sobre essa questão de
imagem aí da figura futura. Aham. Pode
seguir. Sim. Então, então o Messias é
essa figura esperada especialmente por
Israel, mas que você já encontra essa
essa espera a desde Gênesis 3:15, na
promessa do descendente de Eva. Então,
essa eh esse indivíduo prometido da
descendência de Eva, ele começa a
receber uma série de informações no no
Antigo Testamento, uma série de de
atribuições de esperanças são
depositadas nesse indivíduo que
posteriormente ele passa a ser chamado,
portanto, de ungido da dinastia
davídica. E aí uma profecia, portanto,
messiânica diz respeito a textos do
Antigo Testamento, a, e, portanto, a
mensagens vindas da parte de Deus, ou
seja, profecias que de alguma forma
apontam ou se referem a esse indivíduo,
a esse indivíduo que posteriormente é
chamado de Messias. Então, a gente só
precisa ter esse cuidado, né, de esse
cuidado muito mais, eh, digamos assim,
metodológico de não dizer que, por
exemplo, Gênesis
3:15 é uma profecia a respeito do
Messias. É, mas quando ela foi dada ali,
quando Adão e Eva receberam essa
promessa e quando Moisés escreveu sobre
isso, esse indivíduo ainda não era
considerado, ainda não era chamado de
Messias, né?
Então, a profecia
messiânica é, portanto, a utilização de
um termo posterior do indivíduo Messias
para se referir a qualquer texto do
Antigo Testamento que refira-se de
alguma forma ou de outra. A gente pode
conversar sobre esse de alguma forma ou
de outra. Sim. a esse indivíduo que faz
parte da esperança de Israel de ser o
seu restaurador da nação de Israel, da
terra e da dinastia davídica e
restaurador da humanidade e da criação
divina. Sim. Então, no caso, você citou
aí Gênesis 3:15, um texto que eh ninguém
precisa ser um um experto nas escrituras
para saber que tá no início ali e como
um dos primeiros textos a falar sobre o
a figura do Messias, ainda que sem usar
o termo Messias até então. Seria esse o
primeiro texto? E se sim, eh, você pode
falar um pouco mais dele, né? O que é
que esse texto diz e como ele aponta
para essa figura messiânica?
Beleza? Então assim, Gênesis 3:15, ele é
a ele é considerado o primeiro texto
genuinamente messiânico. E por que que a
gente diz isso? Porque porque existe uma
certa
intenção ali na mensagem de se referir a
esse indivíduo futuro, né? A esse
indivíduo que marca a esperança do povo
de Deus.
E isso é diferente de você dizer que
esse é o primeiro texto que pode ser
relacionado com Jesus. Porque não? Você
vê, por exemplo, no princípio criou Deus
os céus e a terra. O apóstolo João
claramente relaciona esse no princípio
com com Jesus, certo? Então, a profecia
messiânica, ela não é
necessariamente qualquer texto que tenha
uma relação com Jesus. Tá? Eh, a
profecia messiânica é um texto que, eh,
na tradição dos estudos do Antigo
Testamento, os os próprios judeus, né, e
a própria igreja cristã, os próprios
apóstolos e escritores do Novo
Testamento, eles olham para esses textos
do Antigo Testamento e encontram nesse
texto referências que ah que possuem
algum tipo de intencionalidade para
apontar no Messias.
E o primeiro dele é o texto de Gênesis
3:15, porque nesse texto é dito ali:
"Porémizade entre ti e a mulher" falando
aqui, Deus falando com a serpente, né?
por inimizade entre ti, a serpente e a
mulher, entre a tua descendência e o seu
descendente. Então aqui você eh encontra
de cara assim, de forma bem explícita,
Deus prometendo um descendente da
mulher. OK? E como é que então a gente
sabe que isso daqui é, portanto, um
texto messiânico? Porque pela
continuação do próprio Antigo Testamento
e depois no Novo Testamento, a
continuação da ideia da do
descendente, ah, do que o texto depois
fala de esmagar a cabeça da serpente, o
apóstolo Paulo utiliza esse texto, né,
que Jesus
esmagará a cabeça da da serpente. Então,
então todas essas ideias aqui, elas são
trabalhadas nas Escrituras para se
referir ao Messias, para se referir, no
final das contas a Jesus. Então, Jesus,
ele é posteriormente descrito como sendo
esse descendente nascido de mulher.
Lembrando aqui da frase do apóstolo
Paulo, né? Ele é o nascido de mulher.
Ele é o filho de Eva que veio para
vencer Satanás e vencer o o império das
trevas. OK? Uhum. Sim. Isso é muito
interessante, né? Você vê como ali no
capítulo que descreve a queda do homem,
como o homem está sendo separado de Deus
e da vida eterna por causa do seu
pecado, ou seja, de forma justa. Mas ao
mesmo tempo Deus já demonstra a graça de
prometer uma salvação que o homem não
poderia conquistar por si mesmo. Isso é
sempre algo que que me chama muito
atenção, porque algumas pessoas têm
aquela compreensão equivocada de que,
ah, o Deus do Antigo Testamento é um
Deus, o do Novo é outro, porque o Deus
do Antigo é um Deus severo, que não
demonstra graça. E o Deus do Novo é um
Deus que é o tempo todo gracioso e que
não fala de punição e justiça. Mas
quando você olha pr as escrituras como
um todo, você vê que o Deus das
Escrituras, o Deus que existe, o Deus
verdadeiro, ele é um só. Ele é imutável
mesmo hoje, ontem e sempre. E ele é o
Deus do antigo e do Novo, da com as
mesmas características. No novo, ele
demonstra graça, mas também demonstra
justiça e fala de condenação aos ímpios.
E no antigo ele demonstra condenação e
justiça, mas ele demonstra graça e já
demonstra graça numa promessa messiânica
sobre Jesus que viria para salvar já no
momento que o homem peca ali, né? Então
essa é uma profecia que realmente a
gente passa tão despercebido nas
primeiras leituras, mas a primeira vez
que me chamaram atenção para isso, isso
marcou. Isso marcou assim. Aham. É isso
mesmo. É isso mesmo. Isso, essa
desconexão que muitos fazem do Deus do
antigo com o Deus do Novo revela apenas
uma falta de real compreensão, inclusive
sobre a relação do Antigo Testamento no
Novo.
especialmente diante do fato de que nas
palavras de Greg Bill, né, o grande
estudioso do uso do Antigo Testamento no
Novo, ah, o Novo Testamento, na verdade
é o Antigo Testamento explicado. Ele é
um Antigo Testamento,
revelado. Eh, eh, ele é um comentário
ali do do Antigo Testamento, né? vai
deixando mais claro isso. Isso.
Exatamente. Então, seria um
absurdo você supor que os escritores do
Novo Testamento, da igreja cristã,
digamos assim, eles pensam no Deus do
Antigo Testamento como alguém diferente
do Deus do Novo Testamento, sendo que
são as Escrituras do Antigo Testamento
que fornecem o fundamento para aquilo
que eles falam no Novo Testamento.
Então, a principal razão pela qual os
apóstolos creram que Jesus era o
Messias, não foi os milagres de Jesus. E
é interessante isso. Se se a gente
lembrar do do caso lá do rico e do
Lázaro, que o rico pede, né, para que
ah, para que Lázaro volte e fale para os
seus irmãos que estavam na terra. E aí,
Abraão diz: "Olha, eles têm Moisés e os
profetas". OK? Ou seja, eh, o apóstolo
João, por exemplo, quando ele fala lá do
que que mudou na cabeça dos apóstolos,
ele diz: "Olha, que depois que Jesus
ressuscitou, então eles creram na
palavra. Jesus mesmo diz para os seus
detratores ali, olha, eh, examinem as
escrituras, porque elas que testificam a
meu respeito. Exato. Exato. Então, a
razão
principal dos apóstolos terem crdo em
Jesus como Messias. Ah, e aí agora eu me
lembrei também da história lá do caminho
de Emaús, entende? Hum. Então, quando
Jesus tá caminhando com seus discípulos
ali no caminho de Emaús, ele não diz
assim: "Olha aqui, olha, eu ressuscitei,
olha aqui, pega aqui em mim". Tudo ele
diz isso depois por causa de Tomé, né?
Mas o que ele faz é uma exposição das
Escrituras.
Sim.
Então, ah, então as escrituras do Antigo
Testamento, elas revelam a graça de Deus
ao apontarem para a providência divina
para nossa redenção.
Amém. As escrituras são sobre um Deus
que busca a redenção do seu povo e não
um Deus que tá punindo arbitrariamente,
aleatoriamente as pessoas e por aí vai,
né? Sim. Sim. Não, isso é muito
interessante, é algo que precisa ser
enfatizado aqui, porque a gente tá
falando de um livro de mais de 1500
páginas a respeito do Antigo Testamento.
Infelizmente nós sabemos que há cristãos
que olham para o Antigo Testamento como
se ele tivesse menos valor, como se, ah,
não, a gente tá na nova aliança, então a
gente tem que ler só o Novo Testamento.
Mas você olha para o Novo Testamento e
você vê, como você já citou aí, né,
Neto, e a as Escrituras do Novo
Testamento apontando para o antigo o
tempo todo. Até um dos textos que nós
mais usamos para falarmos da autoridade,
inerrância, inspiração das escrituras,
que tá lá em segunda Timóteo 3:16. Ele
fala especialmente no primeiro momento
da escritura do Antigo Testamento, que é
o que realmente estava mais formado ali.
Então, ainda que por tabela ele também
se refira do novo, que é se inspirada,
mas ele fala principalmente do antigo.
Então, a gente precisa conhecer o
antigo. E aí a utilidade de um livro
desse aqui que nos ajuda a entender como
o Antigo Testamento fala de coisas que
foram cumpridas por Cristo na nova
aliança, na no Novo Testamento e que tem
importância para nossa vida ainda hoje e
para promessas que nós aguardamos
também, né? Então isso é isso é muito
interessante. E Saul, só só
complementando o que você tá falando,
uma das coisas que eu mais gostei nesse
livro é que ele ele pode ser dividido
basicamente em duas partes. E eu acho
isso algo valioso, né? A primeira parte
ela é uma parte muito mais
metodológica. E para quem tá assistindo
a gente, não se assuste, não é que é uma
parte técnica daquelas partes chatas. é
uma parte onde ele vai realmente
discutir as questões
hermenêuticas, as questões de como lidar
com os textos messiânicos, eh os
diversos como interpretar isso, os
diversos debates que existem, ah, como
tem textos messiânicos, ah, que como são
como que a literatura rabínica entendeu
os textos messiânicos, isso é
extremamente curioso.
Interessante. Você vê ali os rabinos
naquele período intertestamentário dos
400 anos entre Malaquias e Mateus, né?
Como é que eles liam esses textos
messiânicos? Que aí você começa a
descobrir que muita coisa que a gente
encontra no Novo
Testamento é, na verdade reflexo de uma
forma que já existia de entender esses
textos messiânicos.
E depois ali eh, da segunda parte, ele
começa a fazer uma espécie de comentário
de dos
principais e de todos os principais
mesmos, certo? textos messiânicos do
Antigo Testamento. Então, eh para quem
para quem quer ter uma espécie de
compreensão completa, né, tanto da
questão hermenêutica e metodológica,
como para quem quer utilizar, por
exemplo, num sermão ou num num escrito
mais acadêmico, nas questões de uso do
Antigo Testamento no Novo. Então essa
obra aqui ela é extremamente completa,
já vista o tamanho dela, né? Com
certeza. Com certeza. Agora, Neto, uma
pergunta que também é importante da
gente abordar a partir de tudo que a
gente falou é que talvez algumas pessoas
comecem a ter impressão agora de que nós
estamos então dizendo que absolutamente
todos os textos do Antigo Testamento se
referem de alguma maneira a Jesus. Jesus
fala um pouco sobre isso, sobre as
escrituras testificarem sobre ele. Você
mesmo citou esse texto. Ah, a gente sabe
que há conexões, mas é assim mesmo. É
absolutamente todas as passagens do
Antigo Testamento falam sobre Jesus. Eu
tenho que olhar para cada palavra, para
cada expressão ali, pensar Jesus tá aqui
de alguma maneira e eu preciso descobrir
como essa palavra se refere a ele. É
isso que
significa entender que as escrituras
testificam sobre Cristo? Pois bem,
assim, a gente a gente precisa primeiro
entender o que é que o Senhor Jesus
Cristo quis dizer quando ele falou que
as escrituras testificam a seu respeito,
tá?
Então Jesus não estava ali dizendo que
absolutamente qualquer texto do Antigo
Testamento testificam a seu respeito.
OK? Então, isso é uma isso é uma forma
de se falar, isso é uma forma de se
comunicar, como por exemplo, eh, eu
dizer que ah, que um determinado livro,
por exemplo, eh, vamos pensar aqui no
próprio livro que a gente tá falando,
profecia messiânica, né? Eu posso dizer,
olha, esse livro fala a respeito da da
do debate sobre os cumprimentos, sobre
as autorias e cumprimentos. Então isso
não quer dizer que o livro é inteiro
sobre isso. OK? Então, o que Jesus está
dizendo é que é nas Escrituras que nós
vamos
encontrar a justificativa, o testemunho
daquilo que Jesus estava falando e
ensinando. Jesus está apontando quais
são, qual é a testemunha principal do
seu ministério, o que é que eles
deveriam utilizar para entender o que
Jesus falou e o que Jesus fez e o que
aconteceu na sua ressurreição. é, são as
escrituras.
Agora, quando a gente vai, portanto,
para para o Antigo Testamento, nós
precisamos entender que, eh, de alguma
forma, de alguma forma, quando nós vamos
ensinar, ou, ou, ou melhor dizer, pregar
o Antigo
Testamento, o fato de nós já termos o
Novo Testamento implica na enorme
importância de você pegar o que você tá
lendo no Antigo Testamento e relacionar
com Jesus. Por quê? Porque nós já temos
o Novo Testamento. E quando nós temos o
Novo Testamento, isso significa dizer
que eu não posso ir pro Antigo
Testamento, ler, interpretar e vir
direto para os nossos dias aplicar. Eu
preciso
considerar o a realidade do Novo
Testamento. E qual a implicação disso? A
implicação é
que qualquer texto do Antigo
Testamento pode ser relacionado com
Jesus. Por quê? por causa da nossa
realidade no Novo Testamento. Vamos,
deixa eu lhe dar um um exemplo aqui e
até esse exemplo vai mostrar o que que
deve ou não deve ser feito. Vamos pegar
a história de Caim e Abel, OK? Ah, então
você tem ali a história de Caimando
Abel.
E aí, ah, como é que como é que eu
relaciono esse texto com o Novo
Testamento ou com a realidade de Jesus?
Primeira coisa que a gente tem que
sempre fazer é se perguntar: Há algum
texto do Novo Testamento que faça uma
relação desse texto com Jesus? No caso,
tem. No caso de Caim Abel, você tem um
texto lá na epístola aos Hebreus que
fala do sangue de Abel, comparando isso
também com o sangue da nova aliança, que
é superior ao sangue de Abel, que clama
contra o seu irmão, certo?
Então, ah, primeira coisa que eu tenho
que fazer é me perguntar como é que o
Novo Testamento relaciona esse texto com
Jesus. Pensar agora em outras relações,
por exemplo, ah, eu posso relacionar e
dizer assim: "Olha, assim como Abel foi
morto
injustamente, Jesus também foi morto
injustamente, certo?" Então, essa
relação eh eu posso fazer apenas no
sentido de comparação.
Por quê? Porque essa relação não é feita
no texto. O texto de Caim Abel não foi
escrito para se referir ao Messias que
iria sofrer injustamente.
Uhum. Entende?
Então, então qual é o cuidado, portanto,
qual é o cuidado que a gente tem que
tomar? Primeiro, só faça uma relação
direta de um texto do Antigo Testamento
com o Novo quando essa relação for feita
pelo Novo
Testamento. OK? E segundo lugar, quando
a relação não for feita no Novo
Testamento, então a a relação que você
vai fazer de um de um fato, de um texto
do Antigo Testamento com Jesus, sempre
será uma relação indireta, sempre será
uma relação ética. Ou você mostrar, por
exemplo, que Jesus é que é um bom
exemplo disso, que Jesus eh que aquilo
que, por exemplo, Caim fez de errado,
Jesus demonstrou ser o correto, aquilo
que
ã aquilo que LW fez ou que a mulher de
Ló fez olhando para trás, Jesus nos
ensinou o que fazer corretamente. Então,
esse tipo de relação ética, de
comparação, de história e tudo indireta,
você pode fazer, OK? Quando a relação
for direta, e aí eu vou repetir só pela
questão da importância, se você for
fazer uma relação direta, olha, esse
texto ele se refere diretamente a Jesus,
então vá no Novo Testamento e veja se o
Novo Testamento faz essa relação.
Sim, isso é interessante. Então, você
consideraria isso como práticas
adequadas para evitar interpretações
equivocadas de profecias messiânicas?
Porque a gente sabe que essa é uma outra
dificuldade, né? Se tem pessoas que vão
passar batidas por vários textos que são
genuinamente messiânicos e não vão
perceber, a não ser que realmente
estudem com mais profundidade, olhem,
como você falou para o Novo Testamento e
tudo mais, tem gente que vê profecia
messiânica e tudo. Então, você acha que
essas práticas que você passou aí são
boas práticas para evitar essas
interpretações equivocadas? Sim. Então,
se eu eu se eu puder alistar, Saul, eu
diria o seguinte: existem três práticas,
eh, três coisinhas que é o
essencial, ah, e que inclusive isso é é
o que é ensinado nesse livro, né, no
livro Manual de Profecia Messiânica.
Então são três, três elementos, três
coisas que precisam que o intérprete
tenha, o leitor da Bíblia tenha em mente
para ele lidar bem com profecias e
especificamente com profecias
messiânicas. Primeiro, é
importante entender o que é profecia à
luz de como os próprios escritores
bíblicos entendiam que era profecia, não
à luz do que a gente imagina hoje no
século XX, que é uma profecia. E aqui
nesse ponto, Saul, eu eu diria que isso
é talvez o elemento mais importante. Eu
gosto sempre de dizer, olha, se se os
nossos ouvintes aqui pudess puderem sair
dessa live com uma lição na sua mente,
eu diria que é essa daqui que eu vou
falar agora, tá?
A profecia, exatamente aí, profecia, ela
ela é muito mais a respeito de padrões,
de estabelecimento de padrões e
referências do que de predições. Ou
seja, um texto para ele ser profético,
ele não precisa
necessariamente ter um padrão. Quando eu
digo profético, profético no sentido
também de previsão, ele não precisa
necessariamente ter uma previsão direta,
algo do tipo, é isso que vai acontecer.
O Messias vai ser assim, ponto final. É,
por exemplo, ele vai nascer em Belém.
Então, para um texto ser profético, ele
não precisa
necessariamente ter uma previsão direta.
o que ele precisa para ser profético,
porque isso é uma marca da profecia, é o
estabelecimento de padrões, aquilo que é
chamado de padrão profético. Então,
deixa eu explicar dando um exemplo, tá?
Ah, no Salmo 16, o Davi diz lá: "Porque
pois não deixarás a minha alma na morte,
nem permitirás que o teu santo veja
corrupção".
Lá no no em Atos capítulo 2, Pedro ele
diz que Davi ele estava profetizando
ali. E a razão pela qual Pedro diz que
Davi estava profetizando não é porque
Pedro lê o Salmo 16 e encontra ali um
texto com uma previsão. Então Davi não
tá dizendo: "Olha, o Messias vai
ressuscitar dos mortos".
Pedro, o salmista não tá dizendo,
fazendo essa previsão. O que o salmista
tá fazendo é estabelecendo um padrão.
Qual é o padrão? Ah, o Messias, digamos
assim, ou ungido, ele é alguém que não
passa pela
corrupção. Ele é alguém que, portanto,
não sofre a corrupção depois da sua
morte. Então, quando Pedro olha e diz o
seguinte: "Olha, Davi morreu e está
sepultado até
hoje, mas Jesus morreu e ressuscitou".
Ou seja,
Jesus exemplifica, Jesus demonstra o
cumprimento deste padrão que foi
estabelecido por Davi no Salmo 16.
Então veja, texto profético não é apenas
texto que tem previsão. Texto profético
é texto que estabelece um padrão. OK?
Vamos lá. Aqui é o primeiro,
os dois próximos vão ser mais rápido. O
segundo é você entender os textos do
Antigo
Testamento em seu próprio contexto. É
você ver os textos ah do que são que
estão lá no Antigo Testamento e ver qual
a intenção dos escritores quando eles
escreveram esse texto, tá certo? E então
em terceiro lugar, o terceiro elemento é
você procurar
identificar como que o Novo
Testamento entende os textos do Antigo
Testamento que que estabelecem padrões a
respeito de Jesus. Por que Saul? Porque
interpretação profética de um texto
precisa ser feito por um profeta. Então,
apenas profetas é que são capazes de
encontrar padrões divinos em um
determinado texto, em um evento,
entende? Então, ah, desculpa que eu tô
me demorando um pouquinho mais, mas é
como eu disse, isso aqui é o mais
importante de tudo. Sim, sim. Preciso
explicar. Então assim, eh, veja, uma
pessoa que estava passando pelo o
calvário, pelo Golgota ali, quando Jesus
estava sendo
crucificado, essa pessoa iria olhar para
aquele evento histórico e vi ver ali
três homens crucificados, os romanos
crucificando eles. E a pessoa ia
interpretar, olhar para aquilo, dizer o
seguinte: "Olha, os romanos estão
crucificando pessoas. Eles, o, o ser
humano normal, ele é capaz de olhar para
textos e para fatos históricos e
entendê-los apenas como eles
são. Agora, o profeta é o que olha para
Jesus crucificado e diz: "Esse é o filho
de Deus morrendo em resgate das
pessoas".
Isso, isso é o estabelecimento, é a
percepção de que um determinado evento
histórico ele é profético, ele transmite
uma mensagem divina.
Então, Saul, apenas profetas é que podem
ler um determinado texto, no caso textos
do Antigo Testamento, e identificar em
textos quais são os seus padrões
proféticos que se cumprem em Cristo.
Portanto, quando a gente for no Antigo
Testamento, nós só podemos dizer que um
texto do Antigo Testamento se relaciona
diretamente, refere-se diretamente a
Jesus se nós tivermos um fundamento no
Novo Testamento. OK. Uhum. Pronto. Sim.
Sim. Terminei meu monólogo
aqui. Não, mas isso é muito importante
porque talvez seja uma das coisas mais
úteis que esse livro faz aqui é nos
ajudar a corrigir interpretações
equivocadas e claro a outra parte tão
importante, nos mostrar interpretações
adequadas. E aí, como você falou, né,
essa interpretação direta que a gente
vai trazer com toda a autoridade de
assim diz o Senhor e aqui nós temos esse
padrão, é só o profeta que realmente vai
ser capaz. Agora, como você falou em
outro momento, isso não anula que nós
possamos encontrar eh padrões indiretos
que se assemelham e dizer aqui parece
que o autor quer nos lembrar de disso
aqui, disso aqui, né? Ou ou aqui nós
vemos essa similaridade. Então, é
importante entender isso. Inclusive, de
forma breve aqui pra gente falar, ah,
esses padrões têm a ver também com
aquilo que a gente chama de tipologia,
Neto, porque assim, são coisas que são
muito abordadas, né? Esse termo
tipologia é muito falado quando nós
estamos conversando sobre profecias. Tem
a ver com isso? Sim, absolutamente tudo
a ver, certo? A a
tipologia eh é exatamente uma prática
hermenêutica eh de percepção da relação
entre personagens bíblicos, entre
eventos bíblicos,
instituições que possuem de fato algum
tipo de relação, tá certo? Hã, a Bíblia,
Saul, ela é cheia de de estabelecimento
de padrões que as que o povo de Deus,
ele deveria olhar ou ler, no caso, e
perceber na percepção de um determinado
padrão, você perceber que isso tá em
continuidade com algo que Deus fez
história. Então, deixa eu dar só dar um
exemplo bem interessante de
tipologia, que é um exemplo que é dado
no livro, né, manual de profecia
messiânica, que é de como ah a relação
entre Adão e Noé, entre Gênesis 1 e 2 e
Gênesis de 7 a 9. Interessante isso, né?
No caso, o vento de Deus, ele sopra as
águas na história de Noé. E aí você tem
o vento de Deus. Ah, o espírito de Deus
sobre as águas na história de Adão. Você
tem os animais indo até Noé e você tem
os animais indo até Adão para que Adão
desse o nome. Você tem ah Deus dando um
mandato para Noé, certo? Onde e Deus
dando mandato para Adão. Então, qual a
relevância disso? é que na história
bíblica você tem determinados eventos
que acontecem nesse ponto, personagens
que acontecem nesse ponto aqui da
história, que ele forma uma imagem e é
daí que surge o termo tipo, vem de do
grego tipos, que é imagem. Então esse
evento, esse personagem ou esse texto,
ele estabelece um padrão, uma imagem. E
aí textos posteriores ou eventos e tudo
quando eles eh replicam replicam esse
padrão
anterior, aqui nós temos um caso de
tipologia, tá? Uhum. É o caso, por
exemplo, de do de Mateus, falando lá do
texto do de Oséias, né? Do Egito chamei
o meu filho. Então aqui você tem um
evento de Deus chamando Israel para fora
do Egito. E esse evento ele é replicado
na história de Jesus, entende? Então, o
estudo dessa relação de um evento do
antigo eh com outro, do próprio antigo
ou do novo, é chamado de tipologia, né?
E aí é importante que o pessoal saiba
que existe um debate que é o quê? o
debate se tipologia se torna método
hermenêutico, ou seja, se eu posso ir
pro Antigo Testamento e encontrar ali
referências,
padrões sobre Jesus, o Novo Testamento,
em qualquer texto que eu quiser, certo?
Uhum. E eu particularmente penso que
não, como eu expliquei anteriormente, eu
entendo que a percepção de padrões
proféticos, isso eh isso requer que a
pessoa que perceba esse padrão também
seja um um profeta. E por isso apenas
nós só podemos considerar como
tipologia aquilo que os próprios
escritores bíblicos relacionam com
textos anteriores.
Interessante. Então, isso que você tá
falando, como você acabou de comentar,
Neto, é algo debatido, né? esse tipo de
de qual seria a abordagem hermenêutica
interpretativa que a gente pode usar
para olhar as profecias messiânicas,
certo? Quais são as principais
abordagens que nós temos na atualidade a
respeito disso? Porque assim, eu sei
que, por exemplo, antigamente nós
tínhamos uma linha mais simbólica, né?
Eu quero que você mesmo comente, então
não quero adiantar, mas vê tudo de a
partir de símbolos aí também uma linha
muito literal. Como é que são essas
principais abordagens?
Certo? Então, essas abordagens, elas são
abordagens para resolver um uma questão,
um problema. Qual é o problema? É
basicamente o seguinte: como que os
textos do Antigo Testamento eles podem
ser
compreendidos ah como referindo-se a
Jesus ou ao Messias, tá?
Então, a primeira abordagem que a gente
sempre tem que colocar por uma questão
assim de de sei lá, nem sei porque que
tem que colocar, mas é a abordagem dos
liberais, da teologia liberal, que
defende o seguinte, que ah é o chamado
abordagem histórica ou cumprimento
histórico, né, que os eventos do Antigo
Testamento, aquilo que foi dito no
Antigo Testamento, os textos, eles
não possuem absolutamente nenhuma
referência ao Messias, tá certo? Então,
a intenção autoral dos textos do Antigo
Testamento,
elas não nenhum momento era para se
referir a uma figura posterior
histórica, o Messias, tá? E eu só queria
fazer um um parênteses aqui, que não é
porque ah os liberais dizem que nenhum
texto do Antigo Testamento realmente se
refere ao
Messias, ah, que é liberal, não é porque
os liberais dizem isso, que seria
liberal dizer que um determinado texto
não se refere ao Messias, tá entendendo?
Uhum. Então, só para abrir aqui a a
diferença entre a totalidade, né? Uma
coisa é você dizer que nenhum texto se
refere ao Messias, o que seria uma ação
de uma teologia liberal e de você dizer,
ó, há textos que se referem ao Messias.
Esse aqui, no entanto, nós não temos
como afirmar isso ou ele não é sobre o
Messias, né? Exatamente. Então é é tipo
uma pessoa que lê Daniel 9, texto das 70
semanas e que entende que o ungido ali
que fala no final da na da última semana
e tudo. Ahã. Se uma pessoa diz: "Não, eu
não creio que isso daqui se refira ao
Messias". Ela não tá necessariamente
sendo um liberal, certo? O liberal é
aquele que diz que absolutamente nenhum,
tá? Sim. Agora, no meio evangélico, eu
vou destacar que tem várias, mas eu vou
destacar aqui as principais.
Existe eh o chamado cumprimento duplo,
que é a teoria do sensus plenor. Qual é
a teoria do sensus plenor? É que os
escritores do Antigo Testamento, quando
eles escreveram os textos do Antigo
Testamento, eles escreveram com
uma pretensão, uma intenção autoral. de
realmente não se referir diretamente ao
Messias ou não se referir ao Messias.
Quando a gente chega no Novo Testamento,
é que os escritores do Novo Testamento,
ao interpretar o texto do Antigo
Testamento, eles percebem um sentido
mais
profundo. E aí que vem a expressão
sensus plenor, OK? Então, o segredo do
sensus pleno é você saber que o texto do
Antigo Testamento, ele não tinha uma
intenção autoral de se referir ao
Messias e que essa ah essa atribuição,
portanto, de um texto para o Messias é
feito no Novo Testamento, dando um
sentido mais pleno. Isso é chamado de
cumprimento duplo, né? Aí você tem
também a
abordagem tipológica, que eu já
expliquei aqui, tá? E a abordagem
tipológica, ela afirma o seguinte, que
os escritores do Antigo Testamento, eles
escreveram falando sobre eventos, sobre
personagens e e ao fazerem isso, eles
estabeleceram consciente ou
inconscientemente, eles estabeleceram
padrões proféticos, imagens que quando
chega no Novo Testamento, os escritores
do Novo Test testamento identificam
essas imagens e aplicam a Jesus. Ok?
Uhum. Agora, ah, existe também a
abordagem do Walter Kaiser, e não é
segredo, que o Walter Kaiser é um dos
teólogos que mais me influencia. E a
abordagem do Kaiser é o que ele chama de
epigenético. O que é uma abordagem
epigenética? é que eh as profecias a
respeito do Messias, elas foram dadas de
fato com a intenção de se referir a um
Messias, né? Só que elas
vão, elas vão sendo
acumuladas em diversas figuras
históricas e eventos
históricos dentro do Antigo Testamento.
Então, a diferenciação do Walter Kaiser
para o modelo tipológico é que o Walter
Kaiser ele entende, nesse modelo
epigenético, ele entende que havia sim
uma certa
pretensão de que aquele texto
contribuísse no construto de textos que
falam a respeito do Messias, tá?
E interessante, e existem a existem as
abordagens judaicas também, as
abordagens do Midrash, né, e do PER, que
eles entendem que os intérpretes do Novo
Testamento, eles utilizavam essas
técnicas judaicas de interpretação e
que, por isso eles se sentiam livres e
criativos para encontrar referências
sobre Jesus eh onde eles quisessem, né?
Então, em textos que tinham pretensão de
falar sobre o Messias, em textos que não
tinham pretensão, que a razão pela qual
eles pegam textos como esse de Oéias ou
Salmo 16 e aplicam para Jesus é
simplesmente porque eles tinham uma
certa
criatividade escatológica, uma certa
criatividade profética e não
necessariamente que esses textos
apontavam para Jesus. Agora, diante de
tudo isso, tá?
O que que a gente faz, né? Qual a
abordagem a gente utiliza? É, como eu
disse anteriormente, o segredo aqui que
eu entendo é você deixar com que o Novo
Testamento estabeleça as regras do jogo,
tá? Existem textos do Novo Testamento
que leem o Antigo Testamento como um
pescher, como um midrasche judaico.
Existem. Então diga aqui, a abordagem é
midrática. Existem textos do Novo
Testamento que utilizam uma abordagem
tipológica? Existem. Então, utiliza a
abordagem tipológica.
Meu ponto de vista pessoal, eu não creio
nem no cumprimento histórico, né, ou na
abordagem histórica e nem na abordagem
do senso, mas tanto a tipológica quanto
a epigenética, quanto a abordagem
judaica dos midrashtes e do pester, você
vai encontrar no Novo Testamento. E além
dessas três, existe uma outra que é a
mais simples de todas, que são a
abordagem da profecia direta, ou seja,
os textos que fazem uma profecia direta
sobre Jesus, né? Uhum. Como Gênesis 3:15
e alguns outros. Então, deixe o Novo
Testamento estabelecer como você vai
entender os textos messiânicos do Antigo
Testamento. Excelente. Excelente. Eu
agradeço essa contribuição aqui porque
eu sei que realmente a gente tá falando
de um assunto debatido com detalhes a
serem explicados e o nosso objetivo aqui
no podcast é abordar isso de forma
panorâmica. Então, agradeço essa
explicação aqui e já faço parênteses
aqui antes da gente continuar a
conversa, que se os nossos ouvintes
querem acompanhar essas informações com
mais profundidade até exemplos ali, aqui
no livro vai ter um capítulo falando
sobre as abordagens e realmente é onde
você vai ganhar mais profundidade.
Imagina abordar tudo que esse livro fala
no podcast, né? seria um podcast mais,
seria uma novela aí, seria uma série
interminável assim, porque não é o
objetivo, mas aqui você tem um baita ah
conteúdo para aprofundar. Agora,
caminhando aqui pro final, Neto, eh eu
queria que você tentasse destacar assim
pra gente, pode fazer isso de forma mais
rápida, sem se aprofundar tanto, mas
quais são as principais profecias sobre
o Messias no Antigo Testamento, né? Tem
muitas. O livro vai falar sobre elas. O
livro vai fazer a abordagem livro a
livro, né? Cada livro do Antigo
Testamento, ele vai abordar aqui as
profecias que são encontradas ali.
Então, quem quiser a lista completa tem
que adquirir o livro. Mas para destacar
assim, quais você chamaria atenção,
Neto? Vamos lá. Gênesis 3:15, porque é a
primeira e eu diria a base de todas as
outras.
Segundo a Gênesis 12, eh, não apenas 12,
mas os outros textos que falam sobre a
aliança que Deus tá fazendo ali com
Abraão, que é entendido pelo apóstolo
Paulo como não é uma descendência
necessariamente, mas sou descendente.
Paulo lendo as profe os textos da
aliança com Abraão, segundo Samuel
capítulo 7, que é o pacto que Deus faz
com Davi, prometendo a Davi um herdeiro
que estabeleceria a dinastia e a casa de
Davi para sempre traria descanso a
Israel. Eu dei uma pulada aqui, mas eu
também colocaria eh alguns textos no
livro de
Josué, especialmente pelo fato de que
existem muitas similaridades entre Josué
e Jesus, o próprio nome, o atravessar o
Jordão, certo? O o a ideia de Josué como
um restaurador e por aí vai.
Também não podemos esquecer o Salmo 2,
porque ele é mencionado em alguns
momentos no Novo Testamento. O Salmo 110
é também bastante mencionado no Novo
Testamento. Isaías 61 é importantíssimo
porque o próprio Jesus lê esse texto
falando de si mesmo. E ali nós temos
quando Jesus lê o texto de Isaías
61, aqui nós temos um dos maiores
exemplos, maior um dos não, o principal
modelo de alguém lendo um texto
messiânico. É o próprio Messias lendo um
texto messiânico, né? Sim. Eu também
colocaria Daniel 7, porque o próprio
Jesus utiliza a expressão filho do homem
como a expressão predileta que Jesus
utilizava a seu respeito, tá? É, e um
parêntese aqui bem rápido é que isso é
interessante, né? Porque a gente acha às
vezes que filho do homem é uma expressão
para destacar a humanidade de Jesus. E
ainda que Jesus seja completamente homem
também, ele é completamente Deus. O que
ele tá querendo destacar com esse título
é muito mais a divindade e a soberania
que é da figura citada ali em Daniel,
né? Então são duas expressões como que
são muito mal compreendidas, né? Filho
de Deus, filho do homem. Então tem muita
gente que acredita que a expressão filho
de Deus, ela é necessariamente uma
expressão metafísica, né, de Jesus como
sendo o filho gerado eternamente do pai.
Só que filho de Deus é uma expressão
messiânica e filho do homem também. Não
é uma expressão metafísica da natureza
humana de Jesus. É uma expressão
messiânica tirada de Daniel capítulo 7.
Por isso, Daniel 7 eu também colocaria
no meu rol das profecias messiânicas
mais importantes. E sim, Zacarias
também. As profecias messiânicas que tem
lá no livro de Zacarias, elas moldam
muito da escatologia do Novo Testamento,
né? Da relação de Jesus com o Monte
Oliveiras, de Jesus assentando-se no seu
trono, julgando e tudo. Então, muito
muito do do da
escatologia do próprio Senhor Jesus
Cristo é estabelecida em torno do livro
de Zacarias.
Muito bom. Tem todas essas que você
citou são abordadas aqui no livro, né,
para os nossos ouvintes poderem se
aprofundar. Ah, uma outra que a gente
chegou a mencionar antes, que eu
gostaria de acrescentar aqui, é Isaías
53, né, do servo sofredor também. Eh, é
muito interessante porque foi se
construindo a ideia de um Messias que
viria já como um conquistador, que iria
ali trazer justiça. E Jesus veio antes
como um servo sofredor, mas ainda vem
também como um o Messias poderoso para
reinar e fazer justiça, né? O que eu
leva quando só te interrompendo, quando
eu fiz essa lista aqui,
eh, eu tinha aquela sensação assim,
rapaz, eu acho que eu tô deixando alguma
coisa de fora, eu tô esquecendo alguma
coisa. Você acabou de mencionar Isaías
53, pelo amor de Deus, como é que eu
pude esquecer Isaías, né? 53. Mas muito
obrigado por complementar mesmo. E é
isso, a gente vai somando aí. Se eu
puder ajudar em alguma coisa aí na na
sua conversa, tá ótimo. Tenho aprendido
com você aqui. Mas inclusive eh a gente
caminhando aqui pro fim, isso que eu
falei sobre Isaías 53 e as imagens do
Messias me leva a última pergunta que a
gente vai ter tempo de tratar aqui, que
é Jesus cumpriu todas as profecias
messiânicas, Neto?
Então, ah, se a gente for entender,
Saul, as profecias messiânicas muito
mais como estabelecimento de
padrões do que de previsões, a gente
precisa dizer que sim. Certo? O que é
que eu quero dizer com isso? Existem
profecias messiânicas que elas contêm
algum algumas previsões, como por
exemplo, eh, em Zacarias você tem ali a
aquela batalha final onde o rei enviado
por Deus, ele ele encosta seus pés do
monte das oliveiras e tudo mais, certo?
Então você tem profecias messiânicas no
Antigo Testamento que falam a respeito
da segunda vinda e isso ainda não se
cumpriu, certo?
Mas eh, mas se a gente for esticar um
pouquinho o conceito de profecia, não
apenas para previsão, mas para
estabelecimento de padrões, então nós
precisamos dizer que sim, hoje nós
sabemos que que quem há de cumprir
aquela previsão, de realizar aquela
previsão, é Jesus. Então, nesse sentido,
Jesus cumpre isso. O padrão já está
identificado. A pretensão do escritor
bíblico, que era, portanto, o
estabelecimento do padrão profético.
Isso já tá cumprido, isso já tá
identificado. Jesus disse que ah que ele
veio para cumprir a lei. Você tem o o
livro de Mateus ah falando de Jesus como
cumprimento de diversos desses padrões
estabelecidos no Antigo Testamento,
certo? E não apenas Mateus, os quatro
evangelhos todos. Então, então sim, eu
diria que sim, que Jesus cumpriu as
profecias messiânicas se elas forem
tomadas como identificação e não mera
previsão. Uhum. interessante. Então, é
qualificar como é que você entende isso,
né? Nesse sentido, sim. E no outro que
você falou, ele virá para cumprir aquilo
que ele já começou, né? Eh, terminar de
mostrar as características do Messias.
Muito, muito bom, Neto. Eu agradeço por
esse tempo de conversa. Foi muito legal
falar com você sobre esse livro que
realmente é um é um livro diferente
aqui, né, que a Vida Nova trouxe pra
gente. Eu acho que a gente não tem nada
parecido disponível aqui em português e
não sei nem se em inglês a gente tem.
Mais um livro aqui que uma editora é
confiável traz pra gente de bons
autores, abordando as escrituras com
cuidado, com diligência, com esse esse
olhar de quem tá mostrando pra gente
como o Antigo Testamento também é
palavra de Deus valiosa, inclusive para
nos falar a respeito dessa figura que é
quem faz a divisão da nossa vida, né?
Não é só entre Antigo e Novo Testamento,
é entre antiga vida e nova vida que nós
recebemos no Messias, em Jesus, né?
Então, para aqueles que ficaram
interessados, já vão atrás aí de
adquirir o manual de profecia
messiânica. E Neto, mais uma vez
obrigado por esse tempo de conversa.
Valeu, Saul. Obrigado, cara. Também,
obviamente, quero agradecer a editora
Vida Nova por esse material. Eh, é uma
visão
interessante traduzir, trazer pro
português essa eh eh esse que é uma
tradução do do Muri, né, Muri Companion
sobre um determinado assunto reunindo
eruditos de diversas de eruditos de
diversas instituições em torno de um
assunto e criar um uma obra realmente
completa, né? E aí a gente já tem esse
aí do manual de profecia messiânica.
Então eu louvo a Deus por essa visão da
editora Vida Nova e pelo enorme
privilégio que eu tenho de poder estar
aqui contigo, conversando contigo e
servindo, ah, ajudando a levar essa boa
literatura para mais e mais pessoas.
Amém, meu irmão. Privilégio é nosso.
Espero que esse seja mais um de muitos
outros podcasts que a gente possa gravar
aqui juntos. E que Deus continue
abençoando sua vida, sua família, seu
ministério. Amém. Você aí de casa que
gostou da conversa, não só adquira o
livro, mas também fique de olho aí nos
outros episódios que nós já gravamos. Já
temos dezenas e dezenas de episódios
para você assistir e também outros vindo
por aí. Então se inscreva na sua
plataforma de podcast preferida, se
inscreva no YouTube se você quer não
apenas ouvir, mas assistir a essas
conversas e também nos ajude deixando aí
seu feedback com like, comentando e
compartilhando esse vídeo com outras
pessoas. É isso aí, até a próxima.
Valeu,
[Música]

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