MANUAL DE PROFECIA MESSIÂNICA – ANTONIO NETO | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #68
12/05/2025
MANUAL DE PROFECIA MESSIÂNICA – ANTONIO NETO | PODCAST EDIÇÕES VIDA NOVA #68
Neste episódio do podcast Edições Vida Nova, Antonio Neto conversa conosco e apresenta o livro Manual de Profecia Messiânica, de Michael Rydelnik e Edwin Blum. Aqui abordamos as seguintes questões:
– Quais são as características de uma profecia?
– As profecias bíblicas são apenas sobre o Messias?
– Como caracterizar uma profecia messiânica?
– Como o Antigo Testamento apresenta as profecias sobre o Messias?
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
[Música] E aí, eu sou Saor Lucena, apresentador do podcast da editora Vida Nova. E aqui a gente procura conversar com autores, pastores e teólogos em geral sobre os livros lançados pela editora Vida Nova e as questões importantes que eles abordam. E hoje nós vamos falar aqui de um verdadeiro calhamaço, um livraço, que é esse aqui que você consegue ler o título tanto de lado quanto também aqui pela capa. O manual de profecia messiânica. Estudos e exposições sobre o Messias no Antigo Testamento dos editores Michael Ryonek e Edwin Bloom. Se você quer entender mais sobre o que é uma profecia, o que é uma profecia messiânica, aliás, quem é o Messias, o que é o Messias, o que isso significa e o que o Antigo Testamento como um todo vai falar a respeito do Messias, que nós sabemos sim que é Jesus, mas o que é que ele fala a respeito do Messias? Que profecias sobre o Messias Jesus cumpre? Será que tem alguma que ele não cumpriu? Ou pelo menos não ainda? Se você quer saber quais as principais abordagens para encontrar uma interpretação válida de uma profecia messiânica e aquelas que são equivocadas, você precisa ler esse livro e ouvir a conversa de hoje, onde o Antônio Neto vai conversar com a gente para nos fazer entender mais sobre esse tema. Antônio Neto, seja muito bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. É um prazer ter você aqui com a gente mais uma vez, meu irmão. Prazer meu, Saú. Obrigado mais uma vez pela confiança, pelo convite. Espero que a gente possa aqui fazer um um bom trabalho para servir o bem, servir bem as pessoas, os os que vão nos assistir. Amém. Amém. Tenho certeza que vai ser uma conversa proveitosa, principalmente a tirar pela última que a gente teve. Então já fica até um parênteses aqui de recomendação para quem nos ouve, de dar uma olhada sobre o outro episódio do podcast da Vida Nova que nós gravamos falando sobre pregação expositiva, né, a partir dos livros da vida nova, os livros que estão ligados ao Nove Marcas também. Fica aí uma recomendação pro pessoal dar uma ouvida lá. Mas vamos agora continuar aqui falando hoje sobre esses assuntos que a gente tem para abordar. E antes disso, antes de entrar no assunto em si, queria que você se apresentasse mais uma vez, porque eu sei que tem gente chegando aqui pela primeira vez, Antônio Neto. Então, era bom você falar um pouco do seu ministério para o pessoal entender quem é que vai conversar com a gente. Claro, eu moro aqui na cidade de Pinhais, em no Paraná. Eu sou cearense, né? Eu sou nascido, crescido e estudei no Ceará, no Seminário Batista do Cariri. Fui missionário por por alguns anos e depois me tornei pastor. E nesse processo acabei parando aqui na cidade de Pinhais, no Paraná, onde eu sou membro da Igreja Batista Calvário, aqui mesmo na cidade de Pinhais. E a nossa igreja aqui tá com um projeto de plantação na cidade de Araucária, na zona sul de Curitiba, né, na região metropolitana, parte sul da cidade de Curitiba. E então eu tenho servido ali, ah, Deus me trouxe de volta para esse trabalho de plantação de igrejas e eu tenho tido então a honra de servir ali. E também na Escola Teológica Charles Spuron. A escola teológica Charles Spuron mudou a sua sede pra Igreja Batista Calvário aqui de Pinhais. E a Igreja Batista aqui cede o prédio, né, para que a gente tenha ali as nossas salas, escritório e tudo mais. E então e as nossas aulas, né? E então a gente tem desenvolvido um ministério para tentar levar boa teologia para essa região aqui e também paraa região sul aqui do nosso país, né? Então, já est já temos alguns polos eh da escola Charles Espjon aqui na região em São Paulo. Ah, também vamos com a graça de Deus começar em Santa Catarina e Deus tem então nos dado esse privilégio de poder servir aqui no na região sul do país através dessa plantação e da escola Charles Espjon. Muito bom, meu irmão. Excelente. Que Deus continue abençoando aí seu ministério. Eu sei aí dos perrengues e alegrias também de plantar uma igreja. Passei por isso aqui. Tô nesse trabalho de plantação e sei que é um desafio, mas é uma bção do Senhor. Que Deus continue conduzindo. E hoje vamos falar aqui de mais um livro da editora Vida Nova. Talvez o maior livro que eu já tenha segurado em mãos aqui em um único volume. Um livro que é o manual de profecia messiânica. Um livro que tem aqui mais de 2.000 páginas. Deixa eu ver exatamente quantas páginas esse livro tem, porque é muito grande. Não tem duas, não tem 2.000 não, na verdade me enganei. Tem 1563 páginas, mas assim é um livro imenso, né? E um livro muito bom, bem melhor do que para segurar a porta, para nos falar sobre profecias messiânicas, né? Aqui o subtítulo do livro é Estudos e exposições sobre o Messias no Antigo Testamento. Então, nesse calhamaço aqui, nós vamos falar sobre esse tema de profecia. E por isso eu acho que nada melhor do que nós iniciarmos a conversa definindo o que é profecia, porque normalmente quando as pessoas falam sobre esse assunto, elas pensam a respeito apenas de um tipo de profecia que é aquela profetada geralmente, né, de alguém adivinhar o seu futuro, dizer: "Ah, com quem você vai casar? Qual o que que você vai ter de problema ou de soluções pra vida?" Mas o que é profecia nas escrituras? De que tipo de profecias nós vamos falar aqui nesse livro? Beleza. Esse livro, Saul, ele é uma, na verdade, uma coletânea, né, uma de vários escritores, escrevendo sobre diversos assuntos, todos eles relacionados a essa questão da profecia e da profecia messiânica. Então, eh, é um livro que vai ajudar a entender não apenas, eh, o que é uma profecia, né, mas também, ah, quais profecias dizem respeito ao Messias. E aí a pergunta, o que é então uma profecia? Pois bem, a profecia a gente pode definir assim, que a profecia é aquilo que faz um profeta. E o profeta é um agente de uma mensagem vinda da parte de Deus. Então, a profecia, ela é uma mensagem vinda da parte de Deus, comunicada para as pessoas através de um profeta. Ok? E o equívoco que muita gente tem é de é de confundir profecia com previsão. Então, nem nem toda, aliás, profecia não se resume em uma previsão. Há profecias que contêm previsões, OK? Então, há profetas que eles também são videntes, ou seja, recebem mensagens da parte de Deus que dizem respeito à previsão de eventos futuros. Mas a essência do que é uma profecia é uma mensagem vinda da parte de Deus, que muitas vezes elas vêm para consolar, elas vêm para exhortar, para chamar as o povo ao arrependimento. Muitas vezes elas vêm para transmitir a vontade de Deus, né? algo que Deus espera que as pessoas façam em determinado momento e por vezes também ah para falar, para prever algo que vai acontecer no futuro, sempre com essa com esse propósito de exortar, de consolar e por aí vai. O grande, o grande texto que a gente pode dizer para definir que profecia não é mera previsão é que o apóstolo Pedro, ele ao se referir ao Antigo Testamento, lá na sua na sua carta, ele fala que nenhuma profecia da Escritura, né, foi dada por particular elucidação. Então ele considera o a escritura como uma obra profética, uma obra de profecia, OK? Então, a gente pode dizer, por exemplo, que a lei de Moisés, ela foi uma mensagem dada por Deus para Moisés entregar essa lei. Então, Moisés agiu como profeta, né, e entregou a lei. E é por isso que ah a lei eh e tudo que tá escrito nas escrituras eh também possui sempre vai possuir um caráter profético, né? Por exemplo, a lei. O Senhor Jesus Cristo disse que veio cumprir a lei. Ou seja, a lei ela não é um texto de previsão, mas ela tem o seu elemento profético, entende? Então, sim. Sim. Então, é, eu, eu diria que isso é o mais importante da gente entender sobre o que é profecia, né? Muito bom. E aí, como você falou, existem diversos tipos de profecias e seus objetivos. O livro vai abordar um tipo de profecia específica que é a profecia messiânica. Você já começou a dizer que tem a ver com profecias a respeito do Messias. Então, por favor, fala um pouco mais pra gente que tipos de profecias sobre o Messias são essas. E inclusive eu acho que uma pergunta que cabe é eh o que significa Messias? Porque a gente fala tanto de Messias, a gente hoje já sabe, né, que Jesus é o Messias prometido, foi o Messias que veio para cumprir essas promessas, essas profecias. Mas o que significa Messias e o que são essas profecias messiânicas? Beleza? Então vamos lá. Eh, primeiro vamos pensar aqui no que que significa uma profe, aliás, vamos começar no Messias, né? Uhum. Ah, o Messias é um termo, eh, transliterado do hebraico machia, que significa ungido. E essa tradição de se referir ao Messias, ela a a de utilizar esse termo, ela vem eh do concerto, né, do pacto que Deus fez com Davi. E a partir da dessa ideia de que ah aquele que Deus haveria de enviar para a restauração do seu povo e consequentemente da criação, seria alguém que viria da dinastia davídica, seria um ungido da dinastia da vídica, consagrado por Deus, portanto, para eh providenciar a redenção do pecado, a libertad ação de Israel, o governo do mundo. Então aqui eu tô mencionando eh já uma definição mais sistemática de de tudo que essa figura engloba no Antigo Testamento, OK? Então, no Antigo Testamento, a figura que veio a se chamar a a ser chamado, né, depois de Davi como o Messias, ela engloba, por exemplo, o servo, o servo sofredor escatológico, eh, envolve o rei de Israel da dinastia davídica, da tribo de Judá. ah, o resgatador ou restaurador de Israel. Você vai, ah, por exemplo, ah, v no livro de Josué, né, a figura de Josué como o restaurador de Israel e isso ah, como uma espécie de imagem prévia do da dessa figura futura do restaurant. Isso é interessante. Depois eu quero falar mais com você sobre essa questão de imagem aí da figura futura. Aham. Pode seguir. Sim. Então, então o Messias é essa figura esperada especialmente por Israel, mas que você já encontra essa essa espera a desde Gênesis 3:15, na promessa do descendente de Eva. Então, essa eh esse indivíduo prometido da descendência de Eva, ele começa a receber uma série de informações no no Antigo Testamento, uma série de de atribuições de esperanças são depositadas nesse indivíduo que posteriormente ele passa a ser chamado, portanto, de ungido da dinastia davídica. E aí uma profecia, portanto, messiânica diz respeito a textos do Antigo Testamento, a, e, portanto, a mensagens vindas da parte de Deus, ou seja, profecias que de alguma forma apontam ou se referem a esse indivíduo, a esse indivíduo que posteriormente é chamado de Messias. Então, a gente só precisa ter esse cuidado, né, de esse cuidado muito mais, eh, digamos assim, metodológico de não dizer que, por exemplo, Gênesis 3:15 é uma profecia a respeito do Messias. É, mas quando ela foi dada ali, quando Adão e Eva receberam essa promessa e quando Moisés escreveu sobre isso, esse indivíduo ainda não era considerado, ainda não era chamado de Messias, né? Então, a profecia messiânica é, portanto, a utilização de um termo posterior do indivíduo Messias para se referir a qualquer texto do Antigo Testamento que refira-se de alguma forma ou de outra. A gente pode conversar sobre esse de alguma forma ou de outra. Sim. a esse indivíduo que faz parte da esperança de Israel de ser o seu restaurador da nação de Israel, da terra e da dinastia davídica e restaurador da humanidade e da criação divina. Sim. Então, no caso, você citou aí Gênesis 3:15, um texto que eh ninguém precisa ser um um experto nas escrituras para saber que tá no início ali e como um dos primeiros textos a falar sobre o a figura do Messias, ainda que sem usar o termo Messias até então. Seria esse o primeiro texto? E se sim, eh, você pode falar um pouco mais dele, né? O que é que esse texto diz e como ele aponta para essa figura messiânica? Beleza? Então assim, Gênesis 3:15, ele é a ele é considerado o primeiro texto genuinamente messiânico. E por que que a gente diz isso? Porque porque existe uma certa intenção ali na mensagem de se referir a esse indivíduo futuro, né? A esse indivíduo que marca a esperança do povo de Deus. E isso é diferente de você dizer que esse é o primeiro texto que pode ser relacionado com Jesus. Porque não? Você vê, por exemplo, no princípio criou Deus os céus e a terra. O apóstolo João claramente relaciona esse no princípio com com Jesus, certo? Então, a profecia messiânica, ela não é necessariamente qualquer texto que tenha uma relação com Jesus. Tá? Eh, a profecia messiânica é um texto que, eh, na tradição dos estudos do Antigo Testamento, os os próprios judeus, né, e a própria igreja cristã, os próprios apóstolos e escritores do Novo Testamento, eles olham para esses textos do Antigo Testamento e encontram nesse texto referências que ah que possuem algum tipo de intencionalidade para apontar no Messias. E o primeiro dele é o texto de Gênesis 3:15, porque nesse texto é dito ali: "Porémizade entre ti e a mulher" falando aqui, Deus falando com a serpente, né? por inimizade entre ti, a serpente e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Então aqui você eh encontra de cara assim, de forma bem explícita, Deus prometendo um descendente da mulher. OK? E como é que então a gente sabe que isso daqui é, portanto, um texto messiânico? Porque pela continuação do próprio Antigo Testamento e depois no Novo Testamento, a continuação da ideia da do descendente, ah, do que o texto depois fala de esmagar a cabeça da serpente, o apóstolo Paulo utiliza esse texto, né, que Jesus esmagará a cabeça da da serpente. Então, então todas essas ideias aqui, elas são trabalhadas nas Escrituras para se referir ao Messias, para se referir, no final das contas a Jesus. Então, Jesus, ele é posteriormente descrito como sendo esse descendente nascido de mulher. Lembrando aqui da frase do apóstolo Paulo, né? Ele é o nascido de mulher. Ele é o filho de Eva que veio para vencer Satanás e vencer o o império das trevas. OK? Uhum. Sim. Isso é muito interessante, né? Você vê como ali no capítulo que descreve a queda do homem, como o homem está sendo separado de Deus e da vida eterna por causa do seu pecado, ou seja, de forma justa. Mas ao mesmo tempo Deus já demonstra a graça de prometer uma salvação que o homem não poderia conquistar por si mesmo. Isso é sempre algo que que me chama muito atenção, porque algumas pessoas têm aquela compreensão equivocada de que, ah, o Deus do Antigo Testamento é um Deus, o do Novo é outro, porque o Deus do Antigo é um Deus severo, que não demonstra graça. E o Deus do Novo é um Deus que é o tempo todo gracioso e que não fala de punição e justiça. Mas quando você olha pr as escrituras como um todo, você vê que o Deus das Escrituras, o Deus que existe, o Deus verdadeiro, ele é um só. Ele é imutável mesmo hoje, ontem e sempre. E ele é o Deus do antigo e do Novo, da com as mesmas características. No novo, ele demonstra graça, mas também demonstra justiça e fala de condenação aos ímpios. E no antigo ele demonstra condenação e justiça, mas ele demonstra graça e já demonstra graça numa promessa messiânica sobre Jesus que viria para salvar já no momento que o homem peca ali, né? Então essa é uma profecia que realmente a gente passa tão despercebido nas primeiras leituras, mas a primeira vez que me chamaram atenção para isso, isso marcou. Isso marcou assim. Aham. É isso mesmo. É isso mesmo. Isso, essa desconexão que muitos fazem do Deus do antigo com o Deus do Novo revela apenas uma falta de real compreensão, inclusive sobre a relação do Antigo Testamento no Novo. especialmente diante do fato de que nas palavras de Greg Bill, né, o grande estudioso do uso do Antigo Testamento no Novo, ah, o Novo Testamento, na verdade é o Antigo Testamento explicado. Ele é um Antigo Testamento, revelado. Eh, eh, ele é um comentário ali do do Antigo Testamento, né? vai deixando mais claro isso. Isso. Exatamente. Então, seria um absurdo você supor que os escritores do Novo Testamento, da igreja cristã, digamos assim, eles pensam no Deus do Antigo Testamento como alguém diferente do Deus do Novo Testamento, sendo que são as Escrituras do Antigo Testamento que fornecem o fundamento para aquilo que eles falam no Novo Testamento. Então, a principal razão pela qual os apóstolos creram que Jesus era o Messias, não foi os milagres de Jesus. E é interessante isso. Se se a gente lembrar do do caso lá do rico e do Lázaro, que o rico pede, né, para que ah, para que Lázaro volte e fale para os seus irmãos que estavam na terra. E aí, Abraão diz: "Olha, eles têm Moisés e os profetas". OK? Ou seja, eh, o apóstolo João, por exemplo, quando ele fala lá do que que mudou na cabeça dos apóstolos, ele diz: "Olha, que depois que Jesus ressuscitou, então eles creram na palavra. Jesus mesmo diz para os seus detratores ali, olha, eh, examinem as escrituras, porque elas que testificam a meu respeito. Exato. Exato. Então, a razão principal dos apóstolos terem crdo em Jesus como Messias. Ah, e aí agora eu me lembrei também da história lá do caminho de Emaús, entende? Hum. Então, quando Jesus tá caminhando com seus discípulos ali no caminho de Emaús, ele não diz assim: "Olha aqui, olha, eu ressuscitei, olha aqui, pega aqui em mim". Tudo ele diz isso depois por causa de Tomé, né? Mas o que ele faz é uma exposição das Escrituras. Sim. Então, ah, então as escrituras do Antigo Testamento, elas revelam a graça de Deus ao apontarem para a providência divina para nossa redenção. Amém. As escrituras são sobre um Deus que busca a redenção do seu povo e não um Deus que tá punindo arbitrariamente, aleatoriamente as pessoas e por aí vai, né? Sim. Sim. Não, isso é muito interessante, é algo que precisa ser enfatizado aqui, porque a gente tá falando de um livro de mais de 1500 páginas a respeito do Antigo Testamento. Infelizmente nós sabemos que há cristãos que olham para o Antigo Testamento como se ele tivesse menos valor, como se, ah, não, a gente tá na nova aliança, então a gente tem que ler só o Novo Testamento. Mas você olha para o Novo Testamento e você vê, como você já citou aí, né, Neto, e a as Escrituras do Novo Testamento apontando para o antigo o tempo todo. Até um dos textos que nós mais usamos para falarmos da autoridade, inerrância, inspiração das escrituras, que tá lá em segunda Timóteo 3:16. Ele fala especialmente no primeiro momento da escritura do Antigo Testamento, que é o que realmente estava mais formado ali. Então, ainda que por tabela ele também se refira do novo, que é se inspirada, mas ele fala principalmente do antigo. Então, a gente precisa conhecer o antigo. E aí a utilidade de um livro desse aqui que nos ajuda a entender como o Antigo Testamento fala de coisas que foram cumpridas por Cristo na nova aliança, na no Novo Testamento e que tem importância para nossa vida ainda hoje e para promessas que nós aguardamos também, né? Então isso é isso é muito interessante. E Saul, só só complementando o que você tá falando, uma das coisas que eu mais gostei nesse livro é que ele ele pode ser dividido basicamente em duas partes. E eu acho isso algo valioso, né? A primeira parte ela é uma parte muito mais metodológica. E para quem tá assistindo a gente, não se assuste, não é que é uma parte técnica daquelas partes chatas. é uma parte onde ele vai realmente discutir as questões hermenêuticas, as questões de como lidar com os textos messiânicos, eh os diversos como interpretar isso, os diversos debates que existem, ah, como tem textos messiânicos, ah, que como são como que a literatura rabínica entendeu os textos messiânicos, isso é extremamente curioso. Interessante. Você vê ali os rabinos naquele período intertestamentário dos 400 anos entre Malaquias e Mateus, né? Como é que eles liam esses textos messiânicos? Que aí você começa a descobrir que muita coisa que a gente encontra no Novo Testamento é, na verdade reflexo de uma forma que já existia de entender esses textos messiânicos. E depois ali eh, da segunda parte, ele começa a fazer uma espécie de comentário de dos principais e de todos os principais mesmos, certo? textos messiânicos do Antigo Testamento. Então, eh para quem para quem quer ter uma espécie de compreensão completa, né, tanto da questão hermenêutica e metodológica, como para quem quer utilizar, por exemplo, num sermão ou num num escrito mais acadêmico, nas questões de uso do Antigo Testamento no Novo. Então essa obra aqui ela é extremamente completa, já vista o tamanho dela, né? Com certeza. Com certeza. Agora, Neto, uma pergunta que também é importante da gente abordar a partir de tudo que a gente falou é que talvez algumas pessoas comecem a ter impressão agora de que nós estamos então dizendo que absolutamente todos os textos do Antigo Testamento se referem de alguma maneira a Jesus. Jesus fala um pouco sobre isso, sobre as escrituras testificarem sobre ele. Você mesmo citou esse texto. Ah, a gente sabe que há conexões, mas é assim mesmo. É absolutamente todas as passagens do Antigo Testamento falam sobre Jesus. Eu tenho que olhar para cada palavra, para cada expressão ali, pensar Jesus tá aqui de alguma maneira e eu preciso descobrir como essa palavra se refere a ele. É isso que significa entender que as escrituras testificam sobre Cristo? Pois bem, assim, a gente a gente precisa primeiro entender o que é que o Senhor Jesus Cristo quis dizer quando ele falou que as escrituras testificam a seu respeito, tá? Então Jesus não estava ali dizendo que absolutamente qualquer texto do Antigo Testamento testificam a seu respeito. OK? Então, isso é uma isso é uma forma de se falar, isso é uma forma de se comunicar, como por exemplo, eh, eu dizer que ah, que um determinado livro, por exemplo, eh, vamos pensar aqui no próprio livro que a gente tá falando, profecia messiânica, né? Eu posso dizer, olha, esse livro fala a respeito da da do debate sobre os cumprimentos, sobre as autorias e cumprimentos. Então isso não quer dizer que o livro é inteiro sobre isso. OK? Então, o que Jesus está dizendo é que é nas Escrituras que nós vamos encontrar a justificativa, o testemunho daquilo que Jesus estava falando e ensinando. Jesus está apontando quais são, qual é a testemunha principal do seu ministério, o que é que eles deveriam utilizar para entender o que Jesus falou e o que Jesus fez e o que aconteceu na sua ressurreição. é, são as escrituras. Agora, quando a gente vai, portanto, para para o Antigo Testamento, nós precisamos entender que, eh, de alguma forma, de alguma forma, quando nós vamos ensinar, ou, ou, ou melhor dizer, pregar o Antigo Testamento, o fato de nós já termos o Novo Testamento implica na enorme importância de você pegar o que você tá lendo no Antigo Testamento e relacionar com Jesus. Por quê? Porque nós já temos o Novo Testamento. E quando nós temos o Novo Testamento, isso significa dizer que eu não posso ir pro Antigo Testamento, ler, interpretar e vir direto para os nossos dias aplicar. Eu preciso considerar o a realidade do Novo Testamento. E qual a implicação disso? A implicação é que qualquer texto do Antigo Testamento pode ser relacionado com Jesus. Por quê? por causa da nossa realidade no Novo Testamento. Vamos, deixa eu lhe dar um um exemplo aqui e até esse exemplo vai mostrar o que que deve ou não deve ser feito. Vamos pegar a história de Caim e Abel, OK? Ah, então você tem ali a história de Caimando Abel. E aí, ah, como é que como é que eu relaciono esse texto com o Novo Testamento ou com a realidade de Jesus? Primeira coisa que a gente tem que sempre fazer é se perguntar: Há algum texto do Novo Testamento que faça uma relação desse texto com Jesus? No caso, tem. No caso de Caim Abel, você tem um texto lá na epístola aos Hebreus que fala do sangue de Abel, comparando isso também com o sangue da nova aliança, que é superior ao sangue de Abel, que clama contra o seu irmão, certo? Então, ah, primeira coisa que eu tenho que fazer é me perguntar como é que o Novo Testamento relaciona esse texto com Jesus. Pensar agora em outras relações, por exemplo, ah, eu posso relacionar e dizer assim: "Olha, assim como Abel foi morto injustamente, Jesus também foi morto injustamente, certo?" Então, essa relação eh eu posso fazer apenas no sentido de comparação. Por quê? Porque essa relação não é feita no texto. O texto de Caim Abel não foi escrito para se referir ao Messias que iria sofrer injustamente. Uhum. Entende? Então, então qual é o cuidado, portanto, qual é o cuidado que a gente tem que tomar? Primeiro, só faça uma relação direta de um texto do Antigo Testamento com o Novo quando essa relação for feita pelo Novo Testamento. OK? E segundo lugar, quando a relação não for feita no Novo Testamento, então a a relação que você vai fazer de um de um fato, de um texto do Antigo Testamento com Jesus, sempre será uma relação indireta, sempre será uma relação ética. Ou você mostrar, por exemplo, que Jesus é que é um bom exemplo disso, que Jesus eh que aquilo que, por exemplo, Caim fez de errado, Jesus demonstrou ser o correto, aquilo que ã aquilo que LW fez ou que a mulher de Ló fez olhando para trás, Jesus nos ensinou o que fazer corretamente. Então, esse tipo de relação ética, de comparação, de história e tudo indireta, você pode fazer, OK? Quando a relação for direta, e aí eu vou repetir só pela questão da importância, se você for fazer uma relação direta, olha, esse texto ele se refere diretamente a Jesus, então vá no Novo Testamento e veja se o Novo Testamento faz essa relação. Sim, isso é interessante. Então, você consideraria isso como práticas adequadas para evitar interpretações equivocadas de profecias messiânicas? Porque a gente sabe que essa é uma outra dificuldade, né? Se tem pessoas que vão passar batidas por vários textos que são genuinamente messiânicos e não vão perceber, a não ser que realmente estudem com mais profundidade, olhem, como você falou para o Novo Testamento e tudo mais, tem gente que vê profecia messiânica e tudo. Então, você acha que essas práticas que você passou aí são boas práticas para evitar essas interpretações equivocadas? Sim. Então, se eu eu se eu puder alistar, Saul, eu diria o seguinte: existem três práticas, eh, três coisinhas que é o essencial, ah, e que inclusive isso é é o que é ensinado nesse livro, né, no livro Manual de Profecia Messiânica. Então são três, três elementos, três coisas que precisam que o intérprete tenha, o leitor da Bíblia tenha em mente para ele lidar bem com profecias e especificamente com profecias messiânicas. Primeiro, é importante entender o que é profecia à luz de como os próprios escritores bíblicos entendiam que era profecia, não à luz do que a gente imagina hoje no século XX, que é uma profecia. E aqui nesse ponto, Saul, eu eu diria que isso é talvez o elemento mais importante. Eu gosto sempre de dizer, olha, se se os nossos ouvintes aqui pudess puderem sair dessa live com uma lição na sua mente, eu diria que é essa daqui que eu vou falar agora, tá? A profecia, exatamente aí, profecia, ela ela é muito mais a respeito de padrões, de estabelecimento de padrões e referências do que de predições. Ou seja, um texto para ele ser profético, ele não precisa necessariamente ter um padrão. Quando eu digo profético, profético no sentido também de previsão, ele não precisa necessariamente ter uma previsão direta, algo do tipo, é isso que vai acontecer. O Messias vai ser assim, ponto final. É, por exemplo, ele vai nascer em Belém. Então, para um texto ser profético, ele não precisa necessariamente ter uma previsão direta. o que ele precisa para ser profético, porque isso é uma marca da profecia, é o estabelecimento de padrões, aquilo que é chamado de padrão profético. Então, deixa eu explicar dando um exemplo, tá? Ah, no Salmo 16, o Davi diz lá: "Porque pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja corrupção". Lá no no em Atos capítulo 2, Pedro ele diz que Davi ele estava profetizando ali. E a razão pela qual Pedro diz que Davi estava profetizando não é porque Pedro lê o Salmo 16 e encontra ali um texto com uma previsão. Então Davi não tá dizendo: "Olha, o Messias vai ressuscitar dos mortos". Pedro, o salmista não tá dizendo, fazendo essa previsão. O que o salmista tá fazendo é estabelecendo um padrão. Qual é o padrão? Ah, o Messias, digamos assim, ou ungido, ele é alguém que não passa pela corrupção. Ele é alguém que, portanto, não sofre a corrupção depois da sua morte. Então, quando Pedro olha e diz o seguinte: "Olha, Davi morreu e está sepultado até hoje, mas Jesus morreu e ressuscitou". Ou seja, Jesus exemplifica, Jesus demonstra o cumprimento deste padrão que foi estabelecido por Davi no Salmo 16. Então veja, texto profético não é apenas texto que tem previsão. Texto profético é texto que estabelece um padrão. OK? Vamos lá. Aqui é o primeiro, os dois próximos vão ser mais rápido. O segundo é você entender os textos do Antigo Testamento em seu próprio contexto. É você ver os textos ah do que são que estão lá no Antigo Testamento e ver qual a intenção dos escritores quando eles escreveram esse texto, tá certo? E então em terceiro lugar, o terceiro elemento é você procurar identificar como que o Novo Testamento entende os textos do Antigo Testamento que que estabelecem padrões a respeito de Jesus. Por que Saul? Porque interpretação profética de um texto precisa ser feito por um profeta. Então, apenas profetas é que são capazes de encontrar padrões divinos em um determinado texto, em um evento, entende? Então, ah, desculpa que eu tô me demorando um pouquinho mais, mas é como eu disse, isso aqui é o mais importante de tudo. Sim, sim. Preciso explicar. Então assim, eh, veja, uma pessoa que estava passando pelo o calvário, pelo Golgota ali, quando Jesus estava sendo crucificado, essa pessoa iria olhar para aquele evento histórico e vi ver ali três homens crucificados, os romanos crucificando eles. E a pessoa ia interpretar, olhar para aquilo, dizer o seguinte: "Olha, os romanos estão crucificando pessoas. Eles, o, o ser humano normal, ele é capaz de olhar para textos e para fatos históricos e entendê-los apenas como eles são. Agora, o profeta é o que olha para Jesus crucificado e diz: "Esse é o filho de Deus morrendo em resgate das pessoas". Isso, isso é o estabelecimento, é a percepção de que um determinado evento histórico ele é profético, ele transmite uma mensagem divina. Então, Saul, apenas profetas é que podem ler um determinado texto, no caso textos do Antigo Testamento, e identificar em textos quais são os seus padrões proféticos que se cumprem em Cristo. Portanto, quando a gente for no Antigo Testamento, nós só podemos dizer que um texto do Antigo Testamento se relaciona diretamente, refere-se diretamente a Jesus se nós tivermos um fundamento no Novo Testamento. OK. Uhum. Pronto. Sim. Sim. Terminei meu monólogo aqui. Não, mas isso é muito importante porque talvez seja uma das coisas mais úteis que esse livro faz aqui é nos ajudar a corrigir interpretações equivocadas e claro a outra parte tão importante, nos mostrar interpretações adequadas. E aí, como você falou, né, essa interpretação direta que a gente vai trazer com toda a autoridade de assim diz o Senhor e aqui nós temos esse padrão, é só o profeta que realmente vai ser capaz. Agora, como você falou em outro momento, isso não anula que nós possamos encontrar eh padrões indiretos que se assemelham e dizer aqui parece que o autor quer nos lembrar de disso aqui, disso aqui, né? Ou ou aqui nós vemos essa similaridade. Então, é importante entender isso. Inclusive, de forma breve aqui pra gente falar, ah, esses padrões têm a ver também com aquilo que a gente chama de tipologia, Neto, porque assim, são coisas que são muito abordadas, né? Esse termo tipologia é muito falado quando nós estamos conversando sobre profecias. Tem a ver com isso? Sim, absolutamente tudo a ver, certo? A a tipologia eh é exatamente uma prática hermenêutica eh de percepção da relação entre personagens bíblicos, entre eventos bíblicos, instituições que possuem de fato algum tipo de relação, tá certo? Hã, a Bíblia, Saul, ela é cheia de de estabelecimento de padrões que as que o povo de Deus, ele deveria olhar ou ler, no caso, e perceber na percepção de um determinado padrão, você perceber que isso tá em continuidade com algo que Deus fez história. Então, deixa eu dar só dar um exemplo bem interessante de tipologia, que é um exemplo que é dado no livro, né, manual de profecia messiânica, que é de como ah a relação entre Adão e Noé, entre Gênesis 1 e 2 e Gênesis de 7 a 9. Interessante isso, né? No caso, o vento de Deus, ele sopra as águas na história de Noé. E aí você tem o vento de Deus. Ah, o espírito de Deus sobre as águas na história de Adão. Você tem os animais indo até Noé e você tem os animais indo até Adão para que Adão desse o nome. Você tem ah Deus dando um mandato para Noé, certo? Onde e Deus dando mandato para Adão. Então, qual a relevância disso? é que na história bíblica você tem determinados eventos que acontecem nesse ponto, personagens que acontecem nesse ponto aqui da história, que ele forma uma imagem e é daí que surge o termo tipo, vem de do grego tipos, que é imagem. Então esse evento, esse personagem ou esse texto, ele estabelece um padrão, uma imagem. E aí textos posteriores ou eventos e tudo quando eles eh replicam replicam esse padrão anterior, aqui nós temos um caso de tipologia, tá? Uhum. É o caso, por exemplo, de do de Mateus, falando lá do texto do de Oséias, né? Do Egito chamei o meu filho. Então aqui você tem um evento de Deus chamando Israel para fora do Egito. E esse evento ele é replicado na história de Jesus, entende? Então, o estudo dessa relação de um evento do antigo eh com outro, do próprio antigo ou do novo, é chamado de tipologia, né? E aí é importante que o pessoal saiba que existe um debate que é o quê? o debate se tipologia se torna método hermenêutico, ou seja, se eu posso ir pro Antigo Testamento e encontrar ali referências, padrões sobre Jesus, o Novo Testamento, em qualquer texto que eu quiser, certo? Uhum. E eu particularmente penso que não, como eu expliquei anteriormente, eu entendo que a percepção de padrões proféticos, isso eh isso requer que a pessoa que perceba esse padrão também seja um um profeta. E por isso apenas nós só podemos considerar como tipologia aquilo que os próprios escritores bíblicos relacionam com textos anteriores. Interessante. Então, isso que você tá falando, como você acabou de comentar, Neto, é algo debatido, né? esse tipo de de qual seria a abordagem hermenêutica interpretativa que a gente pode usar para olhar as profecias messiânicas, certo? Quais são as principais abordagens que nós temos na atualidade a respeito disso? Porque assim, eu sei que, por exemplo, antigamente nós tínhamos uma linha mais simbólica, né? Eu quero que você mesmo comente, então não quero adiantar, mas vê tudo de a partir de símbolos aí também uma linha muito literal. Como é que são essas principais abordagens? Certo? Então, essas abordagens, elas são abordagens para resolver um uma questão, um problema. Qual é o problema? É basicamente o seguinte: como que os textos do Antigo Testamento eles podem ser compreendidos ah como referindo-se a Jesus ou ao Messias, tá? Então, a primeira abordagem que a gente sempre tem que colocar por uma questão assim de de sei lá, nem sei porque que tem que colocar, mas é a abordagem dos liberais, da teologia liberal, que defende o seguinte, que ah é o chamado abordagem histórica ou cumprimento histórico, né, que os eventos do Antigo Testamento, aquilo que foi dito no Antigo Testamento, os textos, eles não possuem absolutamente nenhuma referência ao Messias, tá certo? Então, a intenção autoral dos textos do Antigo Testamento, elas não nenhum momento era para se referir a uma figura posterior histórica, o Messias, tá? E eu só queria fazer um um parênteses aqui, que não é porque ah os liberais dizem que nenhum texto do Antigo Testamento realmente se refere ao Messias, ah, que é liberal, não é porque os liberais dizem isso, que seria liberal dizer que um determinado texto não se refere ao Messias, tá entendendo? Uhum. Então, só para abrir aqui a a diferença entre a totalidade, né? Uma coisa é você dizer que nenhum texto se refere ao Messias, o que seria uma ação de uma teologia liberal e de você dizer, ó, há textos que se referem ao Messias. Esse aqui, no entanto, nós não temos como afirmar isso ou ele não é sobre o Messias, né? Exatamente. Então é é tipo uma pessoa que lê Daniel 9, texto das 70 semanas e que entende que o ungido ali que fala no final da na da última semana e tudo. Ahã. Se uma pessoa diz: "Não, eu não creio que isso daqui se refira ao Messias". Ela não tá necessariamente sendo um liberal, certo? O liberal é aquele que diz que absolutamente nenhum, tá? Sim. Agora, no meio evangélico, eu vou destacar que tem várias, mas eu vou destacar aqui as principais. Existe eh o chamado cumprimento duplo, que é a teoria do sensus plenor. Qual é a teoria do sensus plenor? É que os escritores do Antigo Testamento, quando eles escreveram os textos do Antigo Testamento, eles escreveram com uma pretensão, uma intenção autoral. de realmente não se referir diretamente ao Messias ou não se referir ao Messias. Quando a gente chega no Novo Testamento, é que os escritores do Novo Testamento, ao interpretar o texto do Antigo Testamento, eles percebem um sentido mais profundo. E aí que vem a expressão sensus plenor, OK? Então, o segredo do sensus pleno é você saber que o texto do Antigo Testamento, ele não tinha uma intenção autoral de se referir ao Messias e que essa ah essa atribuição, portanto, de um texto para o Messias é feito no Novo Testamento, dando um sentido mais pleno. Isso é chamado de cumprimento duplo, né? Aí você tem também a abordagem tipológica, que eu já expliquei aqui, tá? E a abordagem tipológica, ela afirma o seguinte, que os escritores do Antigo Testamento, eles escreveram falando sobre eventos, sobre personagens e e ao fazerem isso, eles estabeleceram consciente ou inconscientemente, eles estabeleceram padrões proféticos, imagens que quando chega no Novo Testamento, os escritores do Novo Test testamento identificam essas imagens e aplicam a Jesus. Ok? Uhum. Agora, ah, existe também a abordagem do Walter Kaiser, e não é segredo, que o Walter Kaiser é um dos teólogos que mais me influencia. E a abordagem do Kaiser é o que ele chama de epigenético. O que é uma abordagem epigenética? é que eh as profecias a respeito do Messias, elas foram dadas de fato com a intenção de se referir a um Messias, né? Só que elas vão, elas vão sendo acumuladas em diversas figuras históricas e eventos históricos dentro do Antigo Testamento. Então, a diferenciação do Walter Kaiser para o modelo tipológico é que o Walter Kaiser ele entende, nesse modelo epigenético, ele entende que havia sim uma certa pretensão de que aquele texto contribuísse no construto de textos que falam a respeito do Messias, tá? E interessante, e existem a existem as abordagens judaicas também, as abordagens do Midrash, né, e do PER, que eles entendem que os intérpretes do Novo Testamento, eles utilizavam essas técnicas judaicas de interpretação e que, por isso eles se sentiam livres e criativos para encontrar referências sobre Jesus eh onde eles quisessem, né? Então, em textos que tinham pretensão de falar sobre o Messias, em textos que não tinham pretensão, que a razão pela qual eles pegam textos como esse de Oéias ou Salmo 16 e aplicam para Jesus é simplesmente porque eles tinham uma certa criatividade escatológica, uma certa criatividade profética e não necessariamente que esses textos apontavam para Jesus. Agora, diante de tudo isso, tá? O que que a gente faz, né? Qual a abordagem a gente utiliza? É, como eu disse anteriormente, o segredo aqui que eu entendo é você deixar com que o Novo Testamento estabeleça as regras do jogo, tá? Existem textos do Novo Testamento que leem o Antigo Testamento como um pescher, como um midrasche judaico. Existem. Então diga aqui, a abordagem é midrática. Existem textos do Novo Testamento que utilizam uma abordagem tipológica? Existem. Então, utiliza a abordagem tipológica. Meu ponto de vista pessoal, eu não creio nem no cumprimento histórico, né, ou na abordagem histórica e nem na abordagem do senso, mas tanto a tipológica quanto a epigenética, quanto a abordagem judaica dos midrashtes e do pester, você vai encontrar no Novo Testamento. E além dessas três, existe uma outra que é a mais simples de todas, que são a abordagem da profecia direta, ou seja, os textos que fazem uma profecia direta sobre Jesus, né? Uhum. Como Gênesis 3:15 e alguns outros. Então, deixe o Novo Testamento estabelecer como você vai entender os textos messiânicos do Antigo Testamento. Excelente. Excelente. Eu agradeço essa contribuição aqui porque eu sei que realmente a gente tá falando de um assunto debatido com detalhes a serem explicados e o nosso objetivo aqui no podcast é abordar isso de forma panorâmica. Então, agradeço essa explicação aqui e já faço parênteses aqui antes da gente continuar a conversa, que se os nossos ouvintes querem acompanhar essas informações com mais profundidade até exemplos ali, aqui no livro vai ter um capítulo falando sobre as abordagens e realmente é onde você vai ganhar mais profundidade. Imagina abordar tudo que esse livro fala no podcast, né? seria um podcast mais, seria uma novela aí, seria uma série interminável assim, porque não é o objetivo, mas aqui você tem um baita ah conteúdo para aprofundar. Agora, caminhando aqui pro final, Neto, eh eu queria que você tentasse destacar assim pra gente, pode fazer isso de forma mais rápida, sem se aprofundar tanto, mas quais são as principais profecias sobre o Messias no Antigo Testamento, né? Tem muitas. O livro vai falar sobre elas. O livro vai fazer a abordagem livro a livro, né? Cada livro do Antigo Testamento, ele vai abordar aqui as profecias que são encontradas ali. Então, quem quiser a lista completa tem que adquirir o livro. Mas para destacar assim, quais você chamaria atenção, Neto? Vamos lá. Gênesis 3:15, porque é a primeira e eu diria a base de todas as outras. Segundo a Gênesis 12, eh, não apenas 12, mas os outros textos que falam sobre a aliança que Deus tá fazendo ali com Abraão, que é entendido pelo apóstolo Paulo como não é uma descendência necessariamente, mas sou descendente. Paulo lendo as profe os textos da aliança com Abraão, segundo Samuel capítulo 7, que é o pacto que Deus faz com Davi, prometendo a Davi um herdeiro que estabeleceria a dinastia e a casa de Davi para sempre traria descanso a Israel. Eu dei uma pulada aqui, mas eu também colocaria eh alguns textos no livro de Josué, especialmente pelo fato de que existem muitas similaridades entre Josué e Jesus, o próprio nome, o atravessar o Jordão, certo? O o a ideia de Josué como um restaurador e por aí vai. Também não podemos esquecer o Salmo 2, porque ele é mencionado em alguns momentos no Novo Testamento. O Salmo 110 é também bastante mencionado no Novo Testamento. Isaías 61 é importantíssimo porque o próprio Jesus lê esse texto falando de si mesmo. E ali nós temos quando Jesus lê o texto de Isaías 61, aqui nós temos um dos maiores exemplos, maior um dos não, o principal modelo de alguém lendo um texto messiânico. É o próprio Messias lendo um texto messiânico, né? Sim. Eu também colocaria Daniel 7, porque o próprio Jesus utiliza a expressão filho do homem como a expressão predileta que Jesus utilizava a seu respeito, tá? É, e um parêntese aqui bem rápido é que isso é interessante, né? Porque a gente acha às vezes que filho do homem é uma expressão para destacar a humanidade de Jesus. E ainda que Jesus seja completamente homem também, ele é completamente Deus. O que ele tá querendo destacar com esse título é muito mais a divindade e a soberania que é da figura citada ali em Daniel, né? Então são duas expressões como que são muito mal compreendidas, né? Filho de Deus, filho do homem. Então tem muita gente que acredita que a expressão filho de Deus, ela é necessariamente uma expressão metafísica, né, de Jesus como sendo o filho gerado eternamente do pai. Só que filho de Deus é uma expressão messiânica e filho do homem também. Não é uma expressão metafísica da natureza humana de Jesus. É uma expressão messiânica tirada de Daniel capítulo 7. Por isso, Daniel 7 eu também colocaria no meu rol das profecias messiânicas mais importantes. E sim, Zacarias também. As profecias messiânicas que tem lá no livro de Zacarias, elas moldam muito da escatologia do Novo Testamento, né? Da relação de Jesus com o Monte Oliveiras, de Jesus assentando-se no seu trono, julgando e tudo. Então, muito muito do do da escatologia do próprio Senhor Jesus Cristo é estabelecida em torno do livro de Zacarias. Muito bom. Tem todas essas que você citou são abordadas aqui no livro, né, para os nossos ouvintes poderem se aprofundar. Ah, uma outra que a gente chegou a mencionar antes, que eu gostaria de acrescentar aqui, é Isaías 53, né, do servo sofredor também. Eh, é muito interessante porque foi se construindo a ideia de um Messias que viria já como um conquistador, que iria ali trazer justiça. E Jesus veio antes como um servo sofredor, mas ainda vem também como um o Messias poderoso para reinar e fazer justiça, né? O que eu leva quando só te interrompendo, quando eu fiz essa lista aqui, eh, eu tinha aquela sensação assim, rapaz, eu acho que eu tô deixando alguma coisa de fora, eu tô esquecendo alguma coisa. Você acabou de mencionar Isaías 53, pelo amor de Deus, como é que eu pude esquecer Isaías, né? 53. Mas muito obrigado por complementar mesmo. E é isso, a gente vai somando aí. Se eu puder ajudar em alguma coisa aí na na sua conversa, tá ótimo. Tenho aprendido com você aqui. Mas inclusive eh a gente caminhando aqui pro fim, isso que eu falei sobre Isaías 53 e as imagens do Messias me leva a última pergunta que a gente vai ter tempo de tratar aqui, que é Jesus cumpriu todas as profecias messiânicas, Neto? Então, ah, se a gente for entender, Saul, as profecias messiânicas muito mais como estabelecimento de padrões do que de previsões, a gente precisa dizer que sim. Certo? O que é que eu quero dizer com isso? Existem profecias messiânicas que elas contêm algum algumas previsões, como por exemplo, eh, em Zacarias você tem ali a aquela batalha final onde o rei enviado por Deus, ele ele encosta seus pés do monte das oliveiras e tudo mais, certo? Então você tem profecias messiânicas no Antigo Testamento que falam a respeito da segunda vinda e isso ainda não se cumpriu, certo? Mas eh, mas se a gente for esticar um pouquinho o conceito de profecia, não apenas para previsão, mas para estabelecimento de padrões, então nós precisamos dizer que sim, hoje nós sabemos que que quem há de cumprir aquela previsão, de realizar aquela previsão, é Jesus. Então, nesse sentido, Jesus cumpre isso. O padrão já está identificado. A pretensão do escritor bíblico, que era, portanto, o estabelecimento do padrão profético. Isso já tá cumprido, isso já tá identificado. Jesus disse que ah que ele veio para cumprir a lei. Você tem o o livro de Mateus ah falando de Jesus como cumprimento de diversos desses padrões estabelecidos no Antigo Testamento, certo? E não apenas Mateus, os quatro evangelhos todos. Então, então sim, eu diria que sim, que Jesus cumpriu as profecias messiânicas se elas forem tomadas como identificação e não mera previsão. Uhum. interessante. Então, é qualificar como é que você entende isso, né? Nesse sentido, sim. E no outro que você falou, ele virá para cumprir aquilo que ele já começou, né? Eh, terminar de mostrar as características do Messias. Muito, muito bom, Neto. Eu agradeço por esse tempo de conversa. Foi muito legal falar com você sobre esse livro que realmente é um é um livro diferente aqui, né, que a Vida Nova trouxe pra gente. Eu acho que a gente não tem nada parecido disponível aqui em português e não sei nem se em inglês a gente tem. Mais um livro aqui que uma editora é confiável traz pra gente de bons autores, abordando as escrituras com cuidado, com diligência, com esse esse olhar de quem tá mostrando pra gente como o Antigo Testamento também é palavra de Deus valiosa, inclusive para nos falar a respeito dessa figura que é quem faz a divisão da nossa vida, né? Não é só entre Antigo e Novo Testamento, é entre antiga vida e nova vida que nós recebemos no Messias, em Jesus, né? Então, para aqueles que ficaram interessados, já vão atrás aí de adquirir o manual de profecia messiânica. E Neto, mais uma vez obrigado por esse tempo de conversa. Valeu, Saul. Obrigado, cara. Também, obviamente, quero agradecer a editora Vida Nova por esse material. Eh, é uma visão interessante traduzir, trazer pro português essa eh eh esse que é uma tradução do do Muri, né, Muri Companion sobre um determinado assunto reunindo eruditos de diversas de eruditos de diversas instituições em torno de um assunto e criar um uma obra realmente completa, né? E aí a gente já tem esse aí do manual de profecia messiânica. Então eu louvo a Deus por essa visão da editora Vida Nova e pelo enorme privilégio que eu tenho de poder estar aqui contigo, conversando contigo e servindo, ah, ajudando a levar essa boa literatura para mais e mais pessoas. Amém, meu irmão. Privilégio é nosso. Espero que esse seja mais um de muitos outros podcasts que a gente possa gravar aqui juntos. E que Deus continue abençoando sua vida, sua família, seu ministério. Amém. Você aí de casa que gostou da conversa, não só adquira o livro, mas também fique de olho aí nos outros episódios que nós já gravamos. Já temos dezenas e dezenas de episódios para você assistir e também outros vindo por aí. Então se inscreva na sua plataforma de podcast preferida, se inscreva no YouTube se você quer não apenas ouvir, mas assistir a essas conversas e também nos ajude deixando aí seu feedback com like, comentando e compartilhando esse vídeo com outras pessoas. É isso aí, até a próxima. Valeu, [Música]