O pai pródigo | Análise de THE LAST OF US 2×06
20/05/2025
O pai pródigo | Análise de THE LAST OF US 2×06
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Você tem filhos? Se você não tiver, talvez esse vídeo seja para você. Porque eu vou dizer, aquilo que The Last of Us, temporada dois, episódio 6, representa para aqueles que tm filhos ou filhas, te dizer se se você ainda não é pai, você não tá pronto para essa conversa ainda, certo? Nenhum episódio de The Last of Us mexeu comigo igual a esse aqui. Tava até vendo os videozinhos aqui que eu tive com a com a Catarina quando eu fui com ela no Museu Nacional da Força Aeronáutica Americana em Dalton e eu vi eu vi a mesmíssima nave que eles viram lá. Eles entraram na Apolo X e eu tava eu pude ir com a minha filha mostrar Apolo 15 pr ela. Olha a aqui. Aqui dá pra ver as marcas de queimadura. Olha da reentrada. Catarina. Ó, tá vendo isso aqui, ó? Esse preto aqui tem uma queimadura de reentrada. É porque quando toda essa parte aqui de baixo aqui, ó, tá queimado. Tu vê, ó, aqui é da reentrada na terra. Entrada da terra. Catarina, isso aqui pousou na lua, Catarina, foi? Foi. Como indo até o espaço. Eu quero ir pro espaço também. A gente pode tentar. Vamos ver. Podemos ir agora. Agora pro espaço mais difícil, cara. assim, é aquilo que o episódio apresenta pra gente em termos de de relacionamento entre pai e filho, não é? As correlações, os espelhos com relacionamento do Joel, com a Sara, filha dele na primeira temporada. Essa cena a mais que a gente teve sobre o passado do Joey, o pai dele, não é? Uma atuação lindíssima do Tony Dalton, nosso querido Lalo Salamanca lá do Ver Soul, o tema da paternidade sempre teve ali em The Last of Us nos jogos, não é? Eu não acho que é o tema principal de The Last of Us, não é paternidade, mas é o tema que sempre teve ali. E no seriado eles conseguiram construir e desenvolver isso de uma forma que que eu nunca imaginei que o New Druckman faria. Eu vou dizer, deve ser triste você não ter experiência de vida o bastante para conseguir receber a grandeza do que essa série representa, sabe? É tipo tentar assistir Breaking Bad sem ser ainda um pai de família com senso de não ter conseguir conquistado muita coisa. É tipo assistir The Bear e não nunca ter sofrido crise de ansiedade. Tem seriados que comunicam com você quando você tá no momento certo. Ser pai. Ser pai faz com que esse episódio seja uma uma obra de arte. Não só pelo pelo que ele significa e representa para um pai que assiste aquilo, mas é para mim de longe um dos roteiros mais bem fechadinhos, mais bem organizados de tudo que a gente viu, de ofs até aqui. Eu vejo muita gente reclamando, né, que muito do que acontece no seriado tira algo da experiência do jogo, mas às vezes eu acho que falta é para muitos que assistem experiência para conseguir interpretar bem as coisas que aparecem na série. Aqueles que reclamam da falta da experiência, da vingança na L e é uma reclamação que consigo entender, talvez sofram também de uma falta de experiência de conseguir se colocar ali no lugar do Joy. Quando eu pude ir lá no no museu americano, eu conhecia a experiência daqueles homens no espaço de pisar na lua, mas nada me impactou mais aquele dia do que ver os olhos da Catarina, minha filha, impressionada com toda a história de ir pros céus, de ir pro espaço, de pisar na lua. O maravilhamento de alguém que descobre que o mundo em que ela vive tem coisas muito maiores do que aquela que ela já viveu faz com que o trabalho de um pai seja muito mais valioso, muito mais valoroso, seja um um propósito muito mais glorioso do que uma vida que é vivida só para si. Vê os seus filhos descobrindo o mundo, aprendendo coisas, chegando até você, mostrando os os feitos mais bobos, mais que para eles são grandes conquistas e aquilo virá uma grande conquista para você também. se alegrar com aquilo que são lugares comuns pros adultos, mas que são novas descobertas e um grande passo paraa humanidade na mente infantil. É, é o tipo de coisa que você só entende quando você é pai e todo pai quer o melhor pro seu filho e talvez seja por isso que pais também erram. O paradoxo do amor é que todo amor carrega consigo um tipo de egoísmo, um tipo de posse. A grande questão é que as nossas relações podem deturpar essa ideia de posse e transformá-las em algo cumento, doentil e super protetivo. E esse é o paradigma desse episódio. É o paradigma da narrativa que nós temos exposta até agora. Como os nossos amores nos levam a tomar decisões e como nós lidamos com as consequências daquilo que nós fazemos por quem amamos. Até onde estamos dispostos a ir em nome daquilo que chamamos de amor? Quantas mentiras podemos contar, achando que estamos fazendo bem? Quantas lágrimas ainda serão derramadas enquanto tentamos ser um pouco melhores do que aqueles que nos feriram tentando nos amar? Bom, é sobre isso e outras coisas que a gente vai conversar no mundo cópia de hoje de The Less of Us, episódio 6, segunda temporada. É o penúltimo episódio, um episódio inteiro voltado para o passado, que não avança a história, mas aprofunda os personagens. Enquanto no jogo esses flashbacks estão aparecendo paulatinamente ao longo da narrativa, o que faz muito sentido dentro do narrativa de jogo, dentro do contexto que você tá tendo respiros dentro de uma ação. Aqui no seriado, eles escolheram condensar tudo isso num episódio só. Uma escolha polêmica, talvez um tanto arriscada, mas na minha opinião muito acertada. Fez um trabalho excelente e que só não emociona quem quem já tá desengajado com a série mesmo. Aí você que tá desengajado só assistindo para odiar de pertinho, a não tem mais o que fazer. Triste. Triste. Quem precisa odiar essa série para marcar que tá de um lado aí no no debate político, sei lá. Mas se você quiser estar com a gente tentando encontrar as mensagens por trás dos episódios, a gente tem comentado todos eles um a um, sempre nas terças-feiras aqui no nosso canal. Se você gosta disso, clica em gostei, não deixa de dar um like e assinar as notificações para você ficar sabendo sempre que houver vídeo novo e, claro, um episódio recheado de spoilers. Então, continue o seu conta em [Música] risco. Fazer um flashback para falar sobre o Joel no meio da vingança da L é usado, é uma quebra de expectativas. Quando pensamos que a reconciliação de finalmente engataria, somos peg surpresa com a memória da adolescência de Joe e Tommy. Nela, Jo assume a culpa e aceita a punição que presumiu que levaria do pai para que o irmão não sofresse. Se Joe presumiu isso, é porque o seu pai deveria pesar a mão nas punições físicas aos filhos. Mas o pai dos garotos faz o que Joe não espera. Ele divide uma cerveja, confessa a Joe suas falhas, diz que espera que o filho fosse um pai melhor quando chegasse a sua vez. Talvez tenha sido o primeiro momento de vulnerabilidade daquele homem diante do filho, que o trata ali, talvez não como um filho, mas como um parceiro que abre a cerveja, que percebe no medo que o filho tinha do que ele faria com Tomy, um reflexo, um espelho daquilo que ele não queria realmente ser, daquilo que ele não era, já que ele não reproduz exatamente o que seu pai fazia, mas que talvez, e a gente não sabe disso exatamente, fosse além daquilo que ele deveria ser como pai. Joel, como todo pai, tenta ser um pai melhor. A perda prematura de Sara o abate profundamente. Nenhum pai deveria enterrar seu filho. Não é ordem natural da vida. Emy, ele vem segunda chance de ser um pai melhor. Os aniversários de comemorados em Jackson, mostram, por um lado, as tentativas de Joel de ser um pai melhor. E parece que tá dando certo. Eles encomendava bolos, constróem um violão para ensinar a tocar, a leva para ver a escultura de um dinossauro, a leva a um museu de astronomia e nisso ele encontra sua felicidade. Ver a alegria da filha adotada e adotada ali pelas circunstâncias deixa ele muito feliz. Você deve lembrar que no terceiro episódio da primeira temporada, quando a L vê um avião caído ali no episódio do B Frank, ela fica impressionada pelo fato de que antigamente a gente conseguia se mover pelos céus, né, voar de avião e tudo mais. Esse interesse dela no mundo aeroespacial já tá ali há muito tempo e o Joe sabia disso. Ele canta a música Future Days, que diz: "Se eu tivesse de te perder, eu certamente perderia a mim mesmo. Tudo que achei de precioso não encontrei em mim mesmo. Tente, e algumas vezes você será bem-sucedida em formar esse homem em mim. Todas as minhas partes roubadas. Não tenho mais necessidade. Eu acredito. Eu acredito porque posso ver nossos dias futuros, dias de você e eu. Não é só uma música, é uma declaração de amor. Joel prefere negar a si mesmo para que seja feliz. Joe experimenta aquelas alegrias na alegria de e projeta um futuro bom entre eles dois. É como se ele tivesse encontrado um alívio diante de tudo que perdeu. Joel perdeu ao não ter um pai amoroso. Joel perdeu a sua filha e agora ele espera que possa ser um pai melhor. Os aniversários comemorados nunca são os dele, mas sempre os de alguma forma isso também parecia ser a forma como ele conduzia sua paternidade com Sara. E eu vou dizer, tá? Pode colocar aí, Tuller, me mete aí na cara do Escorcesi. Tá no Absolute Cinema. Absolute Cinema. No primeiro episódio da primeira temporada, Sara prepara um café da manhã de aniversário para Joel. Devido à pressa pro trabalho, Joel promete a Sara que trará um bolo para que eles comemorassem o aniversário dele juntos. Sara pega o relógio, que é um símbolo na série, e leva pro conserto. Inclusive, a gente descobre que o relógio era o relógio do pai dele. À noite, atrasado, Joe chega sem o bolo, um bolo que ele prometeu que compraria e agora ele jura que comprará um bolo do dia seguinte. Sara lhe mostra o relógio consertado e Joe passa a usá-lo. Vê só como isso é importante como esse roteiro é sensível. Nos aniversários comemorados de primeira coisa que Joe faz é dar um bolo e depois um presente ou experiência alegre. A promessa, o juramento que ele não cumpriu com Sara. Agora ele se esforça numa negação de si mesmo para cumprir com ele. Mas é ali nesses bolos que a gente vê um Joel que não cumpre as suas promessas, que jura mas mente. Ele prometeu que compraria o bolo, mas a infecção o impediu. Outra coisa interessantíssima é o modo como os aniversários da L aparecem como um tipo de contagem regressiva aqui. Nós sabemos que chegaremos ao momento em que o relacionamento deles foi abalado. Sabemos que as expectativas de Joe de dias futuros juntos não se cumpririam. Na medida que vemos a relação deles crescer, sabemos também da grande queda que era iminente, porque apesar das alegrias que eles tinham, ele também guardava questões quanto ao seu resgate. Ele possuía várias perguntas a fazer e lutava com essas questões internas. As mariposas que ela desenhava e que tatou no seu braço não eram um sinal de transformação como Joe pensou, mas de que ela não via propósito na vida e que ela sentia essa proximidade atormentadora da morte. Tudo fica ainda mais complicado quando a gente percebe que foi no aniversário dele que a filha morreu, o que faz com que o relacionamento do Joel com aniversários seja ainda parte do espírito da Sara junto com ele. Quando ele vai matar o Eldin, ele diz que quando você ama alguém, você sempre vê o rosto dela. No fim das contas, o Joel continua vendo o rosto da Sara por meio da L. Quando se muda pra garagem, a câmera foca em um disco especial. se chama O pastor Solitário de George Zampf. Com certeza você já ouviu a flauta triste e chorosa dessa composição. Tuller, toca um trechinho aí pro pessoal. Na composição de Zampf, a gente pode sentir o peso da solidão de alguém que caminha sozinho, ou, como no caso de L, de alguém que caminha agora sem propósito na sua vida, porque o propósito que ela teria, o glorioso propósito de ser cura pro mundo, lhe foi tirado e foi tirado violentamente, sem ela saber até ali, que foi o Joel que tirou isso dela. Ela acaba atormentada com ideias de morte, porque a sua morte traria vida. Mas ela acabou sendo um tipo de filho pródigo às avessas, que o filho pródigo estava morto e agora viveu e por isso houve festa. Ela queria estar morta e quando ela volta daquela sedação, não é festa que a comete, é um tipo diferente de parábola. Mas as duvas de são sanadas por meio de mais mentiras. Tudo aquilo que ocorre com Eldin, que agora a gente finalmente sabe o que que aconteceu com ele, mostra para ele que o Joel, na verdade estava mentindo desde o começo. Quando o encontram, ele quer levá-lo de volta aos portões da cidade para que pelo menos ele pudesse despedir de Gio e ouvir dela as palavras que precisava. Que palavras seriam essas? Seria um eu te amo, seria um eu te perdoo? A gente não sabe, mas ele precisava dela, precisava ouvi-la. Eu acho que é perdão. Tem maior cara de perdão antes de morrer. O que a gente sabe é que o Joel promete a que deixaria ele vivo, mas mais uma vez ele não cumpre sua promessa. Ali ela percebe a mesma expressão no olhar de Joel que no juramento que ele fez no encerramento da primeira temporada. Tanto que quando chega Jackson, ela expõe as mentiras de Joel e diz: "Você jurou". As palavras são diferentes. Ele não, ela não usa a mesma palavra. Ela não usa promessa no inglês, ela usa jura, que é a palavra que ele usa no fim da primeira temporada. Então, quando ela diz você jurou, ela não tá falando do Jin, ela tá falando dela própria. Foi ali que ela entendeu de fato que houve mentira da parte do Joel sobre o seu resgate ali no hospital. É ali que ela percebe o peso das mentiras, o que é interessante porque a Gale ainda trata ela como uma grande mentirosa. Você deve lembrar isso dos episódios passados. Gabe diz que ela mente mente profissionalmente, mas é ela quem revela a verdade pra Gale Parece que ela não é tão diferente do Jo no fim das contas, né? Mas eu já tô tivverciando. Ou não, ou talvez não esteja, não. Talvez ele se torne cada vez mais parecida com o Joel à medida que o tempo vai passando, quer ela queira, quer não. São os elementos passados de pai para filho, mas vou falar disso daqui a pouco com um pouco mais de cuidado. No fluxo aqui do do episódio, a gente tem essa contagem regressiva que nos leva agora ao reveon, onde Joe obriga para defender a ie. A discussão entre ela e Joy acontece, ela volta para casa, mas descobrimos que ela mentiu quando disse que não tinha conseguido falar com Joel. Mais mentiras, mais mentiras, mais mentiras. Ela conversou com Joel e ele como que entalado pelas mentiras que contou mal consegue responder a ele. Entre meneios e respostas curtas, ele confessa tudo. Se na Bíblia nós temos a parábola do filho pródigo, aqui nós temos essa triste balada do pai pródigo. O filho pródigo volta arrependido pra casa do pai e depois de ter esbanjado toda a sua herança, ele é recebido com amor. Aqui é o pai que espera a volta da filha adotada, mas não consegue falar muito. A questão é que aqui não há só um pai arrependido. a um pai com um profundo sentimento de derrota em ter tentado ser um pai melhor de novo e talvez não ter conseguido. Joe aprendeu a violência e a truculência também por meio do seu pai. Seu pai batia nele, batia no irmão e é por meio de socos, tiros e assassinatos que Joe expressa o seu amor por ele tentando salvá-la de perigos. É a marreta da violência passando de mão em mão. A gente já falou disso em outros mundias. A marreta da violência sai das mãos do pai do Joel pra mãos do Joel e agora sai das mãos do Joel pra L. Naquela varanda, Joel revela que a cura só viria por meio da morte de ella. Ele acha que vai convencê-la de que o que ele fez foi justo, mas ela responde em meio às lágrimas: "Então eu deveria ter morrido. Esse era o meu propósito." E se o propósito da vida dos nossos filhos for algo doloroso que a gente não deseja para eles? Ai meu Deus, eu preciso me segurar para poder gravar o diabo desse roteiro. O chama de egoísta, mas ele diz que a ama de uma forma que ela não consegue entender. Ela nunca entenderia. E eu vou dizer clichê, clichê de internet. Mas é isso, eu só, eu só vou, eu só entendi o amor dos meus pais quando eu me tornei pai. É clichê, não tem o que fazer, cara. Tem coisas que só possíveis quando você passa por aquela experiência. Ninguém pode te ensinar a grandeza do que é o sentimento que um pai tem para um filho. Ela nunca entenderia. Ela nunca entenderia. É lindo. É lindo a cena do Homem-Aranha sacrificando a tia Mei, não é? para que ao invés de dar a cura para ela, ter que curar todo mundo e salvar o mundo. E bonito, mas querido, se fosse o filho do Peter Parker, entendeu? Ah, eu eu matava. Morra a cidade inteira, eu vou salvar meu filho. Você não sacrifica aquele que sua vida passa a se resumir a proteger e a cuidar por ninguém. Ponto. Por ninguém. É aquela vale história, né? Quando eu casei, eu descobri que eu morreria por alguém. Eu eu morreria pela minha mulher. Eu eu pularia na frente da bala pela minha mulher. Mas quando eu tive filhos, eu entendi o que era matar por alguém. Eu eu mataria pelos meus filhos. E é o tipo de coisa que só você só entende quando você entra, né, nesse nesse mundo louco da paternidade. Por isso que sabe, Joe é um psicopata, Joe é um cara, é um assassino, é um mentiroso. Joe não é uma boa pessoa, mas ainda assim nós estamos do lado do Joel. Isso é um roteiro bem escrito, quando a gente consegue ter empatia com alguém que é claramente mal. Mas mais do que isso, é a revelação de uma decisão que todos nós, como pai e mãe, queríamos ter coragem de tomar. Eu não, não importa o mundo morra, eu vou cuidar daquele que é meu. Será que é isso? Será que é esse o sentimento do pai do Joel? Se algum dia você tiver um filho, eu espero que você faça melhor do que eu, no fim das contas, a gente sabe, será que é isso? É isso mesmo. Quer quer ser pai? Esse esse é o sentimento. Essa essa é o nível de de é o emne em mocking bird, quando ele diz: "Olha, eu vou te dar um mocking bird, vou te dar um passarinho, eu vou te dar uma joia e se e se o passarinho não cantar, eu vou quebrar o pescoço do passarinho, entendeu? Aí se as joias não brilharem, eu vou voltar e que vender, eu vou fazer ele engolir". Não é a joia. Será que será que é assim que eu sou um pai melhor? Ou será que em certo sentido a gente tem que falar como pai do Joel? Eu eu eu não sei o que eu tô fazendo, sabe? Só tô tentando ser melhor do que foram comigo e espero que você seja melhor quando você passar isso adiante. Só sei que os olhos do Joe que atuação, hein? Que incrível ter um Nossa, eu não acho a Bella Rumsy uma atriz ruim. O pessoal pega no pé da Bella Rsey, mas quando nosso querido Joe tá em tela, fala com os olhos, é inacreditável. E naqueles olhos a confissão de derrota. a autoavaliação de que talvez ele não foi um pai melhor do que o pai dele, mas ao mesmo tempo a confiança de que mesmo com seus erros era aquilo que ele tinha que fazer. E não o perdoa de imediato. O perdão nem sempre é fácil de ser dado. Nem sempre quando o filho pródigo volta a um pai para abraçar imediatamente. Perdoar exige renúncia. Perdoar exige reconhecer a ferida causada no outro. Perdoar exige escolher que a ferida não pode determinar nossas escolhas. Perdoar é escolher sentir a dor da ofensa, mas não se vingar, não retaliar. Como alguém que teve uma vida de violência perdoaria tão facilmente? Essa varanda foi onde Joel reconheceu que, apesar de todos os seus esforços, eles não foram suficientes para dar toda a proteção que ele queria para ele. Ele cresceria, moraria na garagem, teria privacidade e fariaas, tomaria suas próprias decisões. Essa complexidade de sentimentos que é ignorada por aqueles que estão sedentos pela vingança de L é o que deveria nos fazer repensar e parar por um tempo. Como é que a gente tem lidado com a vida? É como se a série quisesse nos fazer repensar as nossas ações do jogo, sabe? Por mais que a série insista, muitos ainda estão presos na perpetuação da vingança. É uma série ou e claro, quem vai negar que a série tem esses elementos é Hollywood. Pô, Hollywood não é não é Jesus, não é Hollywood não é não é The Chosen, é Hollywood. Vai ter os valores do mundo, isso já é pressuposto. Mas que profundidade a gente encontrar ali uma discussão tão profunda sobre o relacionamento entre pai e filho, sobre o dilema do cuidado de uma geração para com a outra. Não tem como isso não trazer um pai para as lágrimas. Desculpa aí, gente. Foi mal. Sei se eu foi mal. Assim eu assistindo, caraca, quando mostraram Apolo 15 que eu fui com a minha filha, aí desculpa aí, meu irmão. Aí, aí acabou. O pessoal aí que quer que eu odeie a série, vocês perderam total. O Apolo X me quebrou. Ele indo com a filha dele na Apolo X me quebrou completamente. Acabou para mim. Porque aí, porque aí é nossa, o que é aquilo? Que cena é aquela? Que cena é aquela? Eu quero o melhor pros meus filhos. Eu tenho certeza que você quer o melhor pros seus. E eu trato os meus filhos de uma forma que eu que eu quero que eles reconheçam o meu amor por eles, sabe? Eu tô tô gravando aqui. Eu tava agora a pouco brincando de cavalinho com o Bernardo, brincando de avião com a Catarina. Acabei de chegar de Portugal, fiquei 11 dias em Portugal sem minha família. Vou viajar amanhã para um evento do doutorado lá em São Paulo. É, é uma loucura. E tentando dar atenção para meus filhos e é cansativo, sabe? Mas faz valer a vida inteira. Eu quero poder proteger meus filhos de todo mal e eu quero que os meus filhos tenham a mesma felicidade de caminhar com Cristo que eu tenho. Eu quero que as músicas que a gente canta hoje, que a gente canta juntos hoje para Jesus, não sejam sejam inúteis. Eu quero que Deus faça morada no coração deles. Eu desejo estar com os meus filhos eternamente na glória. Eu quero que eles cresçam sabendo quanto eu os amo. Quero que eles sejam melhores do que eu fui. Por outro lado, por mais que eu queira protegê-los de de todo o mal do mundo e se eu pudesse, eu arrancaria toda e qualquer dor que pudesse entrar na vida deles e e tomaria para mim no lugar deles. Eu sei que eu não tenho um controle total sobre como será a vida dos meus filhos. Por mais que eu me esforce, eu não vou conseguir impedir várias feridas físicas e emocionais que eles passarão. Por mais que eu me esforço para fazer eles sorrirem e gargalharem. Eu não vou poder impedir todas as suas lágrimas. Eu sei que um dia eles vão sair de casa, vão viver suas vidas. Eu espero que o Bernardo seja um marido e um pai melhor do que eu fui, que a Catarina seja uma esposa e mãe melhor do que a Isa foi. Mas eu também sei que eu não posso controlar tudo isso. Talvez esteja aqui. Esteja aqui o ponto quando o amor vira o egoísmo terrível que a L denuncia. É quando eu amo tanto que eu não quero dar espaço para que meus filhos se machuquem. Eu amo tanto que eu quero roubar deles o propósito deles para que eles não paguem o preço desse propósito. Talvez os meus pais, se pudessem, tirariam de mim muitas das dores que formaram quem eu sou hoje. E dores essas pelas quais eu sou grato hoje, porque nenhum pai quer que seus filhos sofram, nem que o resultado disso seja positivo no final. Mas até onde vai a proteção, né? Até onde é que vai o amor que protege demais ou que no fim das contas nem sempre a gente sabe exatamente se a gente tá fazendo tudo certo em cada pequeno detalhe. A gente tem a palavra de Deus para nos guiar, mas ainda tem o modo como a gente aplica isso na existência. E às vezes a gente a gente fica inseguro, né? Será que eu tô sendo um bom pai? Será que a gente tá sendo boas mães? Será que a gente tá fazendo certo? No fim das contas, a esperança que sobra e é que nossos filhos consigam ser melhores do que nós. Eu sei que eu vou errar nesse percurso. Eu sei que eu vou dizer coisas que não deveriam ser ditas. Eu sei que eu vou ignorar pedidos genuínos de afeto por conta de algum estresse ou cansaço. E eu sei que eu vou ser um pai cheio de arrependimentos também, como qualquer pai deve ser. E eu espero que um dia eles entendam esse amor paradoxal de um pai que ama, mas que sabe que o seu amor pode às vezes impedir as feridas que o próprio Deus possa querer trazer sobre a vida deles e que talvez os nossos filhos precisem ser protegidos do nosso amor para que eles possam finalmente crescer e não serem só filhos, serem serem parceiros. Talvez seja aí que muitos bons pais falham no processo de ver os filhos amadurecendo. É entender que em algum momento não é o cinto, às vezes é sentar do lado e abrir a cerveja, não é? que muitas vezes não é mandar de volta para Jackson, é quando a ele tem que dizer para ele, ó, eu não sou sua filha, eu sou sua parceira aqui. E e em algum momento os filhos vão virar parceiros e aí que os pais precisam entender que há um crescimento. Meus filhos tem 1 ano e meio, tem 5 anos, tá muito longe disso ainda. Mas se nós como pais não começarmos a treinar a nossa paternidade para filhos que crescem, talvez a gente tenha uma quantidade de arrependimentos muito maior do que a gente vai conseguir lidar no futuro. E a gente vai viver cada pequeno momento da vida presente como uma grande contagem regressiva pro momento em que nosso relacionamento vai ruir com os nossos filhos. Talvez tenha sido no final do episódio quando caminha de volta pro teatro em que ela e Dina se escondem depois de entendermos que ela torturou Nora com Kano que ela tenha entendido as ações de Joel. Joel é quem sempre aceitou receber as pancadas da vida como sacrifício por aqueles que ele ama. Ironicamente, ele é morto através de uma violência extrema que o bate até que ele agonize, sem conseguir respirar direito. Agora é quem toma a marreta da violência e tortura Nora. Agora deve ter começado a sentir o que Joe sentiu de fato. É por isso que ela tem ciúmes quando Jess chega em resgate. Ela não quer perder Dina e o bebê. É por isso que ela aceita se sacrificar por Dina, porque ela ainda está em busca de um propósito. É por isso que ela volta balada pro teatro, porque ela sente a responsabilidade e sente todas as vezes que culpou o Joel pelo que ele fez, sem tentar entender as lutas internas do que ele passava. O que torna tudo mais triste é que a L prometeu que ia tentar perdoar o Joel e talvez seja a única promessa cumprida em todo esse mar de mentiras. Quando ele tava ali deitado com o rosto desigurado diante da morte, quando ela pede para ele levantar, talvez seja ali o momento em que Joel sabe que foi perdoado, que teria sido perdoado, que torna aquele momento de morte muito mais profundo, muito mais viseral, mas talvez com alguma dose a mais de beleza. Assim como Eugene queria ver a pessoa que ele amava uma última vez, Joel pôde ver a pessoa que ele amava antes do seu derradeiro fim. E aí que a gente volta pro que eu falei no começo, a L, no fim das contas acaba se tornando ela própria um tipo de Joel. E eu sei que aqui eu tô talvez indo um pouco além do que era a intenção do autor. Não sei. Quando a responde a Dina de que ela tava grávida, de que ah, eu vou ser pai, o que antes parecia só uma piada, agora talvez ganhe traços diferentes, né? Ela não diz que vai ser mãe. Geralmente casais homossexuais se identificam, não é, com como duas mães, uma coisa assim, né? Uma criança seria duas mães, não seria um pai e uma mãe, mas quando ela diz: "Eu vou ser pai", isso seria mais uma forma de refletir o papel de Joel que se cumpre por meio da L. Já tem vários edits na internet, inclusive mostrando trechos, não é? Muito parecidos na filmografia da série da L e do Joel, a Gina se portando de forma muito parecida. Quando a L tenta salvar a Dina no episódio passado, a gente tem um trecho muito parecido na temporada passada do Joel salvando, salvando a se colocando ali, pedindo para ela se esconder que ele vai salvar ela. Cara, no fim das contas, o que serão os nossos filhos? Não, algum tipo de reprodução daquilo que a gente incutir neles? Por mais belo que isso seja, isso também aterroriza um pouco, mas aí está a certeza de que um dia nossos filhos vão entender melhor o amor que a gente sente por eles, mesmo quando esse amor os incomoda por algum motivo, mesmo quando esse amor tira deles coisas que eles acreditavam que precisavam. No fim do flashback de Joel, nós vemos o relógio que seu pai usava. Esse relógio em algum momento parou, mas Sara levou esse relógio pro conserto e deu esse relógio presente pro pai, ressignificando esse relógio a partir de agora. Mas com a perda de Sara, o relógio volta a parar através de uma violência que tá marcada na cicatriz do vidro estilhaçado do relógio. O relógio permanece assim e agora é ele quem o usa, mas ela não conserta o relógio. O símbolo visual é da violência que tá sendo passada de geração em geração. Mas não só isso, talvez haja um aspecto positivo aqui. Craig Ma, um dos criadores e produtores da série, comenta que não é só a dor, o trauma e a violência que passam de geração em geração, mas também um senso de evolução, de crescimento e de progresso como humanos. Embora haja toda essa dor, há espaço para crescimento, há espaço para desenvolvimento humano, há espaço para repensarmos muito as nossas atitudes como pais, para tentarmos ser pais melhores do que os nossos pais foram. Talvez encerrando ciclos de violência, talvez construindo novos ciclos de entrega, talvez entendendo melhor o progresso na vida e na alma dos nossos filhos. Como cristãos, temos a esperança de termos um pai perfeito nos céus à nossa espera. Existe um debate na psicologia muito profundo entre o Sigmund Freud e o Víctor Franco, onde os dois vão discutir, claro que eles não são contemporâneos, né? O Franco vai posterior a Freud vai discutir com os textos de Freud, mas o debate é basicamente se a nossa experiência com o nosso pai é que constrói a nossa visão de Deus ou se a nossa experiência com Deus que constrói a nossa visão do nosso pai. A verdade é que como cristãos nós temos a esperança de termos um pai perfeito nos céus à nossa espera. Eu sei que eu não posso proteger meus filhos de todos os males, mas creio e confio no meu pai celeste para guardá-los. Eu sei que eu não vou poder dar todas as alegrias para Catarina e pro Bernardo, mas eu sei que o meu Pai Celeste tem graça super abundante para alegrá-los. Eu sei que não posso impedir que meus filhos chorem, mas creio que meu pai celeste há de consolá-los. Até quando meus filhos passarem pela morte, ele enxugará todas as suas lágrimas. O amor de um pai cristão é só uma faísca do amor do Pai Celestial. E o que dá paz a um Pai cristão é a certeza de que é um Pai Celeste que cuida dos meus filhos quando eu não posso cuidar. Foi esse pai que demonstrou o amor paradoxal ao sacrificar o próprio filho para fazer de pecadores seus filhos adotivos. Foi esse pai que pelo seu poder ressuscitou o seu filho para que seus filhos adotivos também fossem ressuscitados. É esse pai que espera na varanda da mansão celeste com os anjos aos seus pés, o louvando de eternidade à eternidade pelos pais e filhos que vieram nessa terra. É esse pai que encontraremos nos dias futuros. É esse pai que é louvado pelo Xio Márcios quando ele canta na sua música sobre o filho pródigo. Tragam roupas e o anel. Calcem logo os seus pés. Milagre. Vinho do melhor tonel. Tanta alegria em mim não cabe. O seu amor é tão forte, mais que o inferno e a morte são torrentes que arrebentam o chão. Mais fácil secar os mares, apagar a estrelantares que arrancar o amor do seu coração. Na varanda do nosso pai celeste não vai haver espaço paraa tristeza, não vai haver espaço paraa dor, para sofrimento ou mesmo pra violência. Na sua varanda, os seus instrumentos não tocarão baladas melancólicas sobre pastores solitários. Na sua varanda de graça há espaço para perdão, para alegria e para contentamento. Na sua varanda há espaço suficiente para os pais falhos, para pais imperfeitos e que lutam para que os filhos sejam melhores do que eles. Na sua varanda há espaço suficiente para todos os filhos que não tiveram pais amorosos, que sofreram abusos daqueles que deveriam receber amor, que aprenderam violência quando deveriam aprender carinho, que vivenciaram o abandono na casa onde deveriam desfrutar de proteção. Há espaço nessa varanda porque as promessas do nosso Pai Celeste sempre cumprem e os seus juramentos nunca são quebrados. Catarina, isso aqui pousou na lua. Catarina, foi? Foi como indo até o espaço. Eu quero ir pro espaço também. A gente pode tentar. Vamos ver. Podemos ir agora. Agora pro espaço mais difícil. Quando a Catarina me disse: "Papai, eu quero ir pro espaço também". Não é? E eu disse: "Bom, vamos tentar." A gente pode ir agora. Era só uma criança querendo brincar de ir pro céu. Aí eu sei que um dia entraremos não nave, não para atravessar a mesosfera e chegar no espaço exterior, mas rasgaremos os céus em glória em uma jornada que não vai acontecer na nossa imaginação, mas que nos levará de fato para um relacionamento inquebrável com o pai que espera nos receber, com roupas novas, com um novilho cevado e com um abraço que nos fará melhores do que nunca poderemos ser pelas nossas próprias forças. Próxima semana a gente vai ter o último episódio The Last of Us e a gente vai estar aqui para comentar e encontrar a mensagem por trás disso tudo. Tenho gostado muito da condução da série até aqui. Eu sei que nem todos tem gostado. Tá tudo bem. Deixa o seu comentário aqui também se esse seriado tem tocado em você de alguma forma e se a gente tem conseguido encontrar uma mensagem que possa ficar para além de nós em cada um desses episódios. Não deixa de se inscrever no canal e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Um cheiro no seu cangote e até a próxima. M.