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A fé vem pelo ouvir

O pai pródigo | Análise de THE LAST OF US 2×06

O pai pródigo | Análise de THE LAST OF US 2×06

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Legendas automáticas:

Você tem filhos? Se você não tiver,
talvez esse vídeo seja para você. Porque
eu vou dizer, aquilo que The Last of Us,
temporada dois, episódio 6, representa
para aqueles que tm filhos ou filhas, te
dizer se se você ainda não é pai, você
não tá pronto para essa conversa ainda,
certo? Nenhum episódio de The Last of Us
mexeu comigo igual a esse aqui. Tava até
vendo os videozinhos aqui que eu tive
com a com a Catarina quando eu fui com
ela no Museu Nacional da Força
Aeronáutica Americana em Dalton e eu vi
eu vi a mesmíssima nave que eles viram
lá. Eles entraram na Apolo X e eu tava
eu pude ir com a minha filha mostrar
Apolo 15 pr ela. Olha a aqui. Aqui
dá pra ver as marcas de queimadura. Olha
da reentrada.
Catarina. Ó, tá vendo isso aqui, ó? Esse
preto aqui tem uma queimadura de
reentrada. É porque quando toda essa
parte aqui de baixo aqui, ó, tá
queimado. Tu vê,
ó, aqui é da reentrada na
terra. Entrada da terra. Catarina, isso
aqui pousou na lua, Catarina, foi? Foi.
Como indo até o espaço. Eu quero ir pro
espaço também. A gente pode tentar.
Vamos ver. Podemos ir agora. Agora pro
espaço mais
difícil, cara. assim, é aquilo que o
episódio apresenta pra gente em termos
de de relacionamento entre pai e filho,
não é? As correlações, os espelhos com
relacionamento do Joel, com a Sara,
filha dele na primeira temporada. Essa
cena a mais que a gente teve sobre o
passado do Joey, o pai dele, não é? Uma
atuação lindíssima do Tony Dalton, nosso
querido Lalo Salamanca lá do Ver Soul, o
tema da paternidade sempre teve ali em
The Last of Us nos jogos, não é? Eu não
acho que é o tema principal de The Last
of Us, não é paternidade, mas é o tema
que sempre teve ali. E no seriado eles
conseguiram construir e desenvolver isso
de uma forma que que eu nunca imaginei
que o New Druckman faria. Eu vou dizer,
deve ser triste você não ter experiência
de vida o bastante para conseguir
receber a grandeza do que essa série
representa, sabe? É tipo tentar assistir
Breaking Bad sem ser ainda um pai de
família com senso de não ter conseguir
conquistado muita coisa. É tipo assistir
The Bear e não nunca ter sofrido crise
de ansiedade. Tem seriados que comunicam
com você quando você tá no momento
certo. Ser pai. Ser pai faz com que esse
episódio seja uma uma obra de arte. Não
só pelo pelo que ele significa e
representa para um pai que assiste
aquilo, mas é para mim de longe um dos
roteiros mais bem fechadinhos, mais bem
organizados de tudo que a gente viu, de
ofs até aqui. Eu vejo muita gente
reclamando, né, que muito do que
acontece no seriado tira algo da
experiência do jogo, mas às vezes eu
acho que falta é para muitos que
assistem experiência para conseguir
interpretar bem as coisas que aparecem
na série. Aqueles que reclamam da falta
da experiência, da vingança na L e é uma
reclamação que consigo entender, talvez
sofram também de uma falta de
experiência de conseguir se colocar ali
no lugar do Joy. Quando eu pude ir lá no
no museu americano, eu conhecia a
experiência daqueles homens no espaço de
pisar na lua, mas nada me impactou mais
aquele dia do que ver os olhos da
Catarina, minha filha, impressionada com
toda a história de ir pros céus, de ir
pro espaço, de pisar na lua. O
maravilhamento de alguém que descobre
que o mundo em que ela vive tem coisas
muito maiores do que aquela que ela já
viveu faz com que o trabalho de um pai
seja muito mais valioso, muito mais
valoroso, seja um um propósito muito
mais glorioso do que uma vida que é
vivida só para si. Vê os seus filhos
descobrindo o mundo, aprendendo coisas,
chegando até você, mostrando os os
feitos mais bobos, mais que para eles
são grandes conquistas e aquilo virá uma
grande conquista para você também. se
alegrar com aquilo que são lugares
comuns pros adultos, mas que são novas
descobertas e um grande passo paraa
humanidade na mente infantil. É, é o
tipo de coisa que você só entende quando
você é pai e todo pai quer o melhor pro
seu filho e talvez seja por isso que
pais também erram. O paradoxo do amor é
que todo amor carrega consigo um tipo de
egoísmo, um tipo de posse. A grande
questão é que as nossas relações podem
deturpar essa ideia de posse e
transformá-las em algo cumento, doentil
e super protetivo. E esse é o paradigma
desse episódio. É o paradigma da
narrativa que nós temos exposta até
agora. Como os nossos amores nos levam a
tomar decisões e como nós lidamos com as
consequências daquilo que nós fazemos
por quem amamos. Até onde estamos
dispostos a ir em nome daquilo que
chamamos de amor? Quantas mentiras
podemos contar, achando que estamos
fazendo bem? Quantas lágrimas ainda
serão derramadas enquanto tentamos ser
um pouco melhores do que aqueles que nos
feriram tentando nos amar? Bom, é sobre
isso e outras coisas que a gente vai
conversar no mundo cópia de hoje de The
Less of Us, episódio 6, segunda
temporada. É o penúltimo episódio, um
episódio inteiro voltado para o passado,
que não avança a história, mas aprofunda
os personagens. Enquanto no jogo esses
flashbacks estão aparecendo
paulatinamente ao longo da narrativa, o
que faz muito sentido dentro do
narrativa de jogo, dentro do contexto
que você tá tendo respiros dentro de uma
ação. Aqui no seriado, eles escolheram
condensar tudo isso num episódio só. Uma
escolha polêmica, talvez um tanto
arriscada, mas na minha opinião muito
acertada. Fez um trabalho excelente e
que só não emociona quem quem já tá
desengajado com a série mesmo. Aí você
que tá desengajado só assistindo para
odiar de pertinho, a não tem mais o que
fazer. Triste. Triste. Quem precisa
odiar essa série para marcar que tá de
um lado aí no no debate político, sei
lá. Mas se você quiser estar com a gente
tentando encontrar as mensagens por trás
dos episódios, a gente tem comentado
todos eles um a um, sempre nas
terças-feiras aqui no nosso canal. Se
você gosta disso, clica em gostei, não
deixa de dar um like e assinar as
notificações para você ficar sabendo
sempre que houver vídeo novo e, claro,
um episódio recheado de spoilers. Então,
continue o seu conta em
[Música]
risco. Fazer um flashback para falar
sobre o Joel no meio da vingança da L é
usado, é uma quebra de expectativas.
Quando pensamos que a reconciliação de
finalmente engataria, somos peg surpresa
com a memória da adolescência de Joe e
Tommy. Nela, Jo assume a culpa e aceita
a punição que presumiu que levaria do
pai para que o irmão não sofresse. Se
Joe presumiu isso, é porque o seu pai
deveria pesar a mão nas punições físicas
aos filhos. Mas o pai dos garotos faz o
que Joe não espera. Ele divide uma
cerveja, confessa a Joe suas falhas, diz
que espera que o filho fosse um pai
melhor quando chegasse a sua vez. Talvez
tenha sido o primeiro momento de
vulnerabilidade daquele homem diante do
filho, que o trata ali, talvez não como
um filho, mas como um parceiro que abre
a cerveja, que percebe no medo que o
filho tinha do que ele faria com Tomy,
um reflexo, um espelho daquilo que ele
não queria realmente ser, daquilo que
ele não era, já que ele não reproduz
exatamente o que seu pai fazia, mas que
talvez, e a gente não sabe disso
exatamente, fosse além daquilo que ele
deveria ser como pai. Joel, como todo
pai, tenta ser um pai melhor. A perda
prematura de Sara o abate profundamente.
Nenhum pai deveria enterrar seu filho.
Não é ordem natural da vida. Emy, ele
vem segunda chance de ser um pai melhor.
Os aniversários de comemorados em
Jackson, mostram, por um lado, as
tentativas de Joel de ser um pai melhor.
E parece que tá dando certo. Eles
encomendava bolos, constróem um violão
para ensinar a tocar, a leva para ver a
escultura de um dinossauro, a leva a um
museu de astronomia e nisso ele encontra
sua felicidade. Ver a alegria da filha
adotada e adotada ali pelas
circunstâncias deixa ele muito feliz.
Você deve lembrar que no terceiro
episódio da primeira temporada, quando a
L vê um avião caído ali no episódio do B
Frank, ela fica impressionada pelo fato
de que antigamente a gente conseguia se
mover pelos céus, né, voar de avião e
tudo mais. Esse interesse dela no mundo
aeroespacial já tá ali há muito tempo e
o Joe sabia disso. Ele canta a música
Future Days, que diz: "Se eu tivesse de
te perder, eu certamente perderia a mim
mesmo. Tudo que achei de precioso não
encontrei em mim mesmo. Tente, e algumas
vezes você será bem-sucedida em formar
esse homem em mim. Todas as minhas
partes roubadas. Não tenho mais
necessidade. Eu acredito. Eu acredito
porque posso ver nossos dias futuros,
dias de você e eu. Não é só uma música,
é uma declaração de amor. Joel prefere
negar a si mesmo para que seja feliz.
Joe experimenta aquelas alegrias na
alegria de e projeta um futuro bom entre
eles dois. É como se ele tivesse
encontrado um alívio diante de tudo que
perdeu. Joel perdeu ao não ter um pai
amoroso. Joel perdeu a sua filha e agora
ele espera que possa ser um pai melhor.
Os aniversários comemorados nunca são os
dele, mas sempre os de alguma forma isso
também parecia ser a forma como ele
conduzia sua paternidade com Sara. E eu
vou dizer, tá? Pode colocar aí, Tuller,
me mete aí na cara do Escorcesi. Tá no
Absolute Cinema. Absolute Cinema. No
primeiro episódio da primeira temporada,
Sara prepara um café da manhã de
aniversário para Joel. Devido à pressa
pro trabalho, Joel promete a Sara que
trará um bolo para que eles comemorassem
o aniversário dele juntos. Sara pega o
relógio, que é um símbolo na série, e
leva pro conserto. Inclusive, a gente
descobre que o relógio era o relógio do
pai dele. À noite, atrasado, Joe chega
sem o bolo, um bolo que ele prometeu que
compraria e agora ele jura que comprará
um bolo do dia seguinte. Sara lhe mostra
o relógio consertado e Joe passa a
usá-lo. Vê só como isso é importante
como esse roteiro é sensível. Nos
aniversários comemorados de
primeira coisa que Joe faz é dar um bolo
e depois um presente ou experiência
alegre. A promessa, o juramento que ele
não cumpriu com Sara. Agora ele se
esforça numa negação de si mesmo para
cumprir com ele. Mas é ali nesses bolos
que a gente vê um Joel que não cumpre as
suas promessas, que jura mas mente. Ele
prometeu que compraria o bolo, mas a
infecção o impediu. Outra coisa
interessantíssima é o modo como os
aniversários da L aparecem como um tipo
de contagem regressiva aqui. Nós sabemos
que chegaremos ao momento em que o
relacionamento deles foi abalado.
Sabemos que as expectativas de Joe de
dias futuros juntos não se cumpririam.
Na medida que vemos a relação deles
crescer, sabemos também da grande queda
que era iminente, porque apesar das
alegrias que eles tinham, ele também
guardava questões quanto ao seu resgate.
Ele possuía várias perguntas a fazer e
lutava com essas questões internas. As
mariposas que ela desenhava e que tatou
no seu braço não eram um sinal de
transformação como Joe pensou, mas de
que ela não via propósito na vida e que
ela sentia essa proximidade
atormentadora da morte. Tudo fica ainda
mais complicado quando a gente percebe
que foi no aniversário dele que a filha
morreu, o que faz com que o
relacionamento do Joel com aniversários
seja ainda parte do espírito da Sara
junto com ele. Quando ele vai matar o
Eldin, ele diz que quando você ama
alguém, você sempre vê o rosto dela. No
fim das contas, o Joel continua vendo o
rosto da Sara por meio da L. Quando se
muda pra garagem, a câmera foca em um
disco especial. se chama O pastor
Solitário de George Zampf. Com certeza
você já ouviu a flauta triste e chorosa
dessa composição. Tuller, toca um
trechinho aí pro pessoal. Na composição
de Zampf, a gente pode sentir o peso da
solidão de alguém que caminha sozinho,
ou, como no caso de L, de alguém que
caminha agora sem propósito na sua vida,
porque o propósito que ela teria, o
glorioso propósito de ser cura pro
mundo, lhe foi tirado e foi tirado
violentamente, sem ela saber até ali,
que foi o Joel que tirou isso dela. Ela
acaba atormentada com ideias de morte,
porque a sua morte traria vida. Mas ela
acabou sendo um tipo de filho pródigo às
avessas, que o filho pródigo estava
morto e agora viveu e por isso houve
festa. Ela queria estar morta e quando
ela volta daquela sedação, não é festa
que a comete, é um tipo diferente de
parábola. Mas as duvas de são sanadas
por meio de mais mentiras. Tudo aquilo
que ocorre com Eldin, que agora a gente
finalmente sabe o que que aconteceu com
ele, mostra para ele que o Joel, na
verdade estava mentindo desde o começo.
Quando o encontram, ele quer levá-lo de
volta aos portões da cidade para que
pelo menos ele pudesse despedir de Gio e
ouvir dela as palavras que precisava.
Que palavras seriam essas? Seria um eu
te amo, seria um eu te perdoo? A gente
não sabe, mas ele precisava dela,
precisava ouvi-la. Eu acho que é perdão.
Tem maior cara de perdão antes de
morrer. O que a gente sabe é que o Joel
promete a que deixaria ele vivo, mas
mais uma vez ele não cumpre sua
promessa. Ali ela percebe a mesma
expressão no olhar de Joel que no
juramento que ele fez no encerramento da
primeira temporada. Tanto que quando
chega Jackson, ela expõe as mentiras de
Joel e diz: "Você jurou". As palavras
são diferentes. Ele não, ela não usa a
mesma palavra. Ela não usa promessa no
inglês, ela usa jura, que é a palavra
que ele usa no fim da primeira
temporada. Então, quando ela diz você
jurou, ela não tá falando do Jin, ela tá
falando dela própria. Foi ali que ela
entendeu de fato que houve mentira da
parte do Joel sobre o seu resgate ali no
hospital. É ali que ela percebe o peso
das mentiras, o que é interessante
porque a Gale ainda trata ela como uma
grande mentirosa. Você deve lembrar isso
dos episódios passados. Gabe diz que ela
mente mente profissionalmente, mas é ela
quem revela a verdade pra Gale Parece
que ela não é tão diferente do Jo no fim
das contas, né? Mas eu já tô
tivverciando. Ou não, ou talvez não
esteja, não. Talvez ele se torne cada
vez mais parecida com o Joel à medida
que o tempo vai passando, quer ela
queira, quer não. São os elementos
passados de pai para filho, mas vou
falar disso daqui a pouco com um pouco
mais de cuidado. No fluxo aqui do do
episódio, a gente tem essa contagem
regressiva que nos leva agora ao reveon,
onde Joe obriga para defender a ie. A
discussão entre ela e Joy acontece, ela
volta para casa, mas descobrimos que ela
mentiu quando disse que não tinha
conseguido falar com Joel. Mais
mentiras, mais mentiras, mais mentiras.
Ela conversou com Joel e ele como que
entalado pelas mentiras que contou mal
consegue responder a ele. Entre meneios
e respostas curtas, ele confessa tudo.
Se na Bíblia nós temos a parábola do
filho pródigo, aqui nós temos essa
triste balada do pai pródigo. O filho
pródigo volta arrependido pra casa do
pai e depois de ter esbanjado toda a sua
herança, ele é recebido com amor. Aqui é
o pai que espera a volta da filha
adotada, mas não consegue falar muito. A
questão é que aqui não há só um pai
arrependido. a um pai com um profundo
sentimento de derrota em ter tentado ser
um pai melhor de novo e talvez não ter
conseguido. Joe aprendeu a violência e a
truculência também por meio do seu pai.
Seu pai batia nele, batia no irmão e é
por meio de socos, tiros e assassinatos
que Joe expressa o seu amor por ele
tentando salvá-la de perigos. É a
marreta da violência passando de mão em
mão. A gente já falou disso em outros
mundias. A marreta da violência sai das
mãos do pai do Joel pra mãos do Joel e
agora sai das mãos do Joel pra L.
Naquela varanda, Joel revela que a cura
só viria por meio da morte de ella. Ele
acha que vai convencê-la de que o que
ele fez foi justo, mas ela responde em
meio às lágrimas: "Então eu deveria ter
morrido. Esse era o meu propósito." E se
o propósito da vida dos nossos filhos
for algo doloroso que a gente não deseja
para
eles? Ai meu Deus, eu preciso me segurar
para poder gravar o diabo desse
roteiro. O chama de egoísta, mas ele diz
que a ama de uma forma que ela não
consegue entender. Ela nunca entenderia.
E eu vou dizer clichê, clichê de
internet. Mas é isso, eu só, eu só vou,
eu só entendi o amor dos meus pais
quando eu me tornei pai. É clichê, não
tem o que fazer, cara. Tem coisas que só
possíveis quando você passa por aquela
experiência. Ninguém pode te ensinar a
grandeza do que é o sentimento que um
pai tem para um filho. Ela nunca
entenderia. Ela nunca entenderia. É
lindo. É lindo a cena do Homem-Aranha
sacrificando a tia Mei, não é? para que
ao invés de dar a cura para ela, ter que
curar todo mundo e salvar o mundo. E
bonito, mas querido, se fosse o filho do
Peter Parker, entendeu? Ah, eu eu
matava. Morra a cidade inteira, eu vou
salvar meu filho. Você não sacrifica
aquele que sua vida passa a se resumir a
proteger e a cuidar por ninguém. Ponto.
Por ninguém. É aquela vale história, né?
Quando eu casei, eu descobri que eu
morreria por alguém. Eu eu morreria pela
minha mulher. Eu eu pularia na frente da
bala pela minha mulher. Mas quando eu
tive filhos, eu entendi o que era matar
por alguém. Eu eu mataria pelos meus
filhos. E é o tipo de coisa que só você
só entende quando você entra, né, nesse
nesse mundo louco da paternidade. Por
isso que sabe, Joe é um psicopata, Joe é
um cara, é um assassino, é um mentiroso.
Joe não é uma boa pessoa, mas ainda
assim nós estamos do lado do Joel. Isso
é um roteiro bem escrito, quando a gente
consegue ter empatia com alguém que é
claramente mal. Mas mais do que isso, é
a revelação de uma decisão que todos
nós, como pai e mãe, queríamos ter
coragem de tomar. Eu não, não importa o
mundo morra, eu vou cuidar daquele que é
meu. Será que é isso? Será que é esse o
sentimento do pai do Joel? Se algum dia
você tiver um filho, eu espero que você
faça melhor do que eu, no fim das
contas, a gente sabe, será que é isso? É
isso mesmo. Quer quer ser pai? Esse esse
é o sentimento. Essa essa é o nível de
de é o emne em mocking bird, quando ele
diz: "Olha, eu vou te dar um mocking
bird, vou te dar um passarinho, eu vou
te dar uma joia e se e se o passarinho
não cantar, eu vou quebrar o pescoço do
passarinho, entendeu? Aí se as joias não
brilharem, eu vou voltar e que vender,
eu vou fazer ele engolir". Não é a joia.
Será que será que é assim que eu sou um
pai
melhor? Ou será que em certo sentido a
gente tem que falar como pai do Joel? Eu
eu eu não sei o que eu tô fazendo, sabe?
Só tô tentando ser melhor do que foram
comigo e espero que você seja melhor
quando você passar isso adiante. Só sei
que os olhos do Joe que atuação, hein?
Que incrível ter um Nossa, eu não acho a
Bella Rumsy uma atriz ruim. O pessoal
pega no pé da Bella Rsey, mas quando
nosso querido Joe tá em tela, fala com
os olhos, é inacreditável. E naqueles
olhos a confissão de derrota. a
autoavaliação de que talvez ele não foi
um pai melhor do que o pai dele, mas ao
mesmo tempo a confiança de que mesmo com
seus erros era aquilo que ele tinha que
fazer. E não o perdoa de imediato. O
perdão nem sempre é fácil de ser dado.
Nem sempre quando o filho pródigo volta
a um pai para abraçar imediatamente.
Perdoar exige renúncia. Perdoar exige
reconhecer a ferida causada no outro.
Perdoar exige escolher que a ferida não
pode determinar nossas escolhas. Perdoar
é escolher sentir a dor da ofensa, mas
não se vingar, não retaliar. Como alguém
que teve uma vida de violência perdoaria
tão facilmente? Essa varanda foi onde
Joel reconheceu que, apesar de todos os
seus esforços, eles não foram
suficientes para dar toda a proteção que
ele queria para ele. Ele cresceria,
moraria na garagem, teria privacidade e
fariaas, tomaria suas próprias decisões.
Essa complexidade de sentimentos que é
ignorada por aqueles que estão sedentos
pela vingança de L é o que deveria nos
fazer repensar e parar por um tempo.
Como é que a gente tem lidado com a
vida? É como se a série quisesse nos
fazer repensar as nossas ações do jogo,
sabe? Por mais que a série insista,
muitos ainda estão presos na perpetuação
da vingança. É uma série ou e claro,
quem vai negar que a série tem esses
elementos é Hollywood. Pô, Hollywood não
é não é Jesus, não é Hollywood não é não
é The Chosen, é Hollywood. Vai ter os
valores do mundo, isso já é pressuposto.
Mas que profundidade a gente encontrar
ali uma discussão tão profunda sobre o
relacionamento entre pai e filho, sobre
o dilema do cuidado de uma geração para
com a outra. Não tem como isso não
trazer um pai para as lágrimas. Desculpa
aí, gente. Foi mal. Sei se eu foi mal.
Assim eu assistindo, caraca, quando
mostraram Apolo 15 que eu fui com a
minha filha, aí desculpa aí, meu irmão.
Aí, aí acabou. O pessoal aí que quer que
eu odeie a série, vocês perderam total.
O Apolo X me quebrou. Ele indo com a
filha dele na Apolo X me quebrou
completamente. Acabou para mim. Porque
aí, porque aí é
nossa, o que é aquilo? Que cena é
aquela? Que cena é aquela? Eu quero o
melhor pros meus filhos. Eu tenho
certeza que você quer o melhor pros
seus. E eu trato os meus filhos de uma
forma que eu que eu quero que eles
reconheçam o meu amor por eles, sabe? Eu
tô tô gravando aqui. Eu tava agora a
pouco brincando de cavalinho com o
Bernardo, brincando de avião com a
Catarina. Acabei de chegar de Portugal,
fiquei 11 dias em Portugal sem minha
família. Vou viajar amanhã para um
evento do doutorado lá em São Paulo. É,
é uma loucura. E tentando dar atenção
para meus filhos e é cansativo, sabe?
Mas faz valer a vida inteira. Eu quero
poder proteger meus filhos de todo mal e
eu quero que os meus filhos tenham a
mesma felicidade de caminhar com Cristo
que eu tenho. Eu quero que as músicas
que a gente canta hoje, que a gente
canta juntos hoje para Jesus, não sejam
sejam inúteis. Eu quero que Deus faça
morada no coração deles. Eu desejo estar
com os meus filhos eternamente na
glória. Eu quero que eles cresçam
sabendo quanto eu os amo. Quero que eles
sejam melhores do que eu fui. Por outro
lado, por mais que eu queira protegê-los
de de todo o mal do mundo e se eu
pudesse, eu arrancaria toda e qualquer
dor que pudesse entrar na vida deles e e
tomaria para mim no lugar deles. Eu sei
que eu não tenho um controle total sobre
como será a vida dos meus filhos. Por
mais que eu me esforce, eu não vou
conseguir impedir várias feridas físicas
e emocionais que eles passarão. Por mais
que eu me esforço para fazer eles
sorrirem e gargalharem. Eu não vou poder
impedir todas as suas lágrimas. Eu sei
que um dia eles vão sair de casa, vão
viver suas vidas. Eu espero que o
Bernardo seja um marido e um pai melhor
do que eu fui, que a Catarina seja uma
esposa e mãe melhor do que a Isa foi.
Mas eu também sei que eu não posso
controlar tudo isso. Talvez esteja aqui.
Esteja aqui o ponto quando o amor vira o
egoísmo terrível que a L denuncia. É
quando eu amo tanto que eu não quero dar
espaço para que meus filhos se
machuquem. Eu amo tanto que eu quero
roubar deles o propósito deles para que
eles não paguem o preço desse propósito.
Talvez os meus pais, se pudessem,
tirariam de mim muitas das dores que
formaram quem eu sou hoje. E dores essas
pelas quais eu sou grato hoje, porque
nenhum pai quer que seus filhos sofram,
nem que o resultado disso seja positivo
no final. Mas até onde vai a proteção,
né? Até onde é que vai o amor que
protege demais ou que no fim das contas
nem sempre a gente sabe exatamente se a
gente tá fazendo tudo certo em cada
pequeno detalhe. A gente tem a palavra
de Deus para nos guiar, mas ainda tem o
modo como a gente aplica isso na
existência. E às vezes a gente a gente
fica inseguro, né? Será que eu tô sendo
um bom pai? Será que a gente tá sendo
boas mães? Será que a gente tá fazendo
certo? No fim das contas, a esperança
que sobra e é que nossos filhos consigam
ser melhores do que nós. Eu sei que eu
vou errar nesse percurso. Eu sei que eu
vou dizer coisas que não deveriam ser
ditas. Eu sei que eu vou ignorar pedidos
genuínos de afeto por conta de algum
estresse ou cansaço. E eu sei que eu vou
ser um pai cheio de arrependimentos
também, como qualquer pai deve ser. E eu
espero que um dia eles entendam esse
amor paradoxal de um pai que ama, mas
que sabe que o seu amor pode às vezes
impedir as feridas que o próprio Deus
possa querer trazer sobre a vida deles e
que talvez os nossos filhos precisem ser
protegidos do nosso amor para que eles
possam finalmente crescer e não serem só
filhos, serem serem parceiros. Talvez
seja aí que muitos bons pais falham no
processo de ver os filhos amadurecendo.
É entender que em algum momento não é o
cinto, às vezes é sentar do lado e abrir
a cerveja, não é? que muitas vezes não é
mandar de volta para Jackson, é quando a
ele tem que dizer para ele, ó, eu não
sou sua filha, eu sou sua parceira aqui.
E e em algum momento os filhos vão virar
parceiros e aí que os pais precisam
entender que há um crescimento. Meus
filhos tem 1 ano e meio, tem 5 anos, tá
muito longe disso ainda. Mas se nós como
pais não começarmos a treinar a nossa
paternidade para filhos que crescem,
talvez a gente tenha uma quantidade de
arrependimentos muito maior do que a
gente vai conseguir lidar no futuro. E a
gente vai viver cada pequeno momento da
vida presente como uma grande contagem
regressiva pro momento em que nosso
relacionamento vai ruir com os nossos
filhos. Talvez tenha sido no final do
episódio quando caminha de volta pro
teatro em que ela e Dina se escondem
depois de entendermos que ela torturou
Nora com Kano que ela tenha entendido as
ações de Joel. Joel é quem sempre
aceitou receber as pancadas da vida como
sacrifício por aqueles que ele ama.
Ironicamente, ele é morto através de uma
violência extrema que o bate até que ele
agonize, sem conseguir respirar direito.
Agora é quem toma a marreta da violência
e tortura Nora. Agora deve ter começado
a sentir o que Joe sentiu de fato. É por
isso que ela tem ciúmes quando Jess
chega em resgate. Ela não quer perder
Dina e o bebê. É por isso que ela aceita
se sacrificar por Dina, porque ela ainda
está em busca de um propósito. É por
isso que ela volta balada pro teatro,
porque ela sente a responsabilidade e
sente todas as vezes que culpou o Joel
pelo que ele fez, sem tentar entender as
lutas internas do que ele passava. O que
torna tudo mais triste é que a L
prometeu que ia tentar perdoar o Joel e
talvez seja a única promessa cumprida em
todo esse mar de mentiras. Quando ele
tava ali deitado com o rosto desigurado
diante da morte, quando ela pede para
ele levantar, talvez seja ali o momento
em que Joel sabe que foi perdoado, que
teria sido perdoado, que torna aquele
momento de morte muito mais profundo,
muito mais viseral, mas talvez com
alguma dose a mais de beleza. Assim como
Eugene queria ver a pessoa que ele amava
uma última vez, Joel pôde ver a pessoa
que ele amava antes do seu derradeiro
fim. E aí que a gente volta pro que eu
falei no começo, a L, no fim das contas
acaba se tornando ela própria um tipo de
Joel. E eu sei que aqui eu tô talvez
indo um pouco além do que era a intenção
do autor. Não sei. Quando a responde a
Dina de que ela tava grávida, de que ah,
eu vou ser pai, o que antes parecia só
uma piada, agora talvez ganhe traços
diferentes, né? Ela não diz que vai ser
mãe. Geralmente casais homossexuais se
identificam, não é, com como duas mães,
uma coisa assim, né? Uma criança seria
duas mães, não seria um pai e uma mãe,
mas quando ela diz: "Eu vou ser pai",
isso seria mais uma forma de refletir o
papel de Joel que se cumpre por meio da
L. Já tem vários edits na internet,
inclusive mostrando trechos, não é?
Muito parecidos na filmografia da série
da L e do Joel, a Gina se portando de
forma muito parecida. Quando a L tenta
salvar a Dina no episódio passado, a
gente tem um trecho muito parecido na
temporada passada do Joel salvando,
salvando a se colocando ali, pedindo
para ela se esconder que ele vai salvar
ela. Cara, no fim das contas, o que
serão os nossos filhos? Não, algum tipo
de reprodução daquilo que a gente
incutir neles? Por mais belo que isso
seja, isso também aterroriza um pouco,
mas aí está a certeza de que um dia
nossos filhos vão entender melhor o amor
que a gente sente por eles, mesmo quando
esse amor os incomoda por algum motivo,
mesmo quando esse amor tira deles coisas
que eles acreditavam que precisavam. No
fim do flashback de Joel, nós vemos o
relógio que seu pai usava. Esse relógio
em algum momento parou, mas Sara levou
esse relógio pro conserto e deu esse
relógio presente pro pai,
ressignificando esse relógio a partir de
agora. Mas com a perda de Sara, o
relógio volta a parar através de uma
violência que tá marcada na cicatriz do
vidro estilhaçado do relógio. O relógio
permanece assim e agora é ele quem o
usa, mas ela não conserta o relógio. O
símbolo visual é da violência que tá
sendo passada de geração em geração. Mas
não só isso, talvez haja um aspecto
positivo aqui. Craig Ma, um dos
criadores e produtores da série, comenta
que não é só a dor, o trauma e a
violência que passam de geração em
geração, mas também um senso de
evolução, de crescimento e de progresso
como humanos. Embora haja toda essa dor,
há espaço para crescimento, há espaço
para desenvolvimento humano, há espaço
para repensarmos muito as nossas
atitudes como pais, para tentarmos ser
pais melhores do que os nossos pais
foram. Talvez encerrando ciclos de
violência, talvez construindo novos
ciclos de entrega, talvez entendendo
melhor o progresso na vida e na alma dos
nossos filhos. Como cristãos, temos a
esperança de termos um pai perfeito nos
céus à nossa espera. Existe um debate na
psicologia muito profundo entre o
Sigmund Freud e o Víctor Franco, onde os
dois vão discutir, claro que eles não
são contemporâneos, né? O Franco vai
posterior a Freud vai discutir com os
textos de Freud, mas o debate é
basicamente se a nossa experiência com o
nosso pai é que constrói a nossa visão
de Deus ou se a nossa experiência com
Deus que constrói a nossa visão do nosso
pai. A verdade é que como cristãos nós
temos a esperança de termos um pai
perfeito nos céus à nossa espera. Eu sei
que eu não posso proteger meus filhos de
todos os males, mas creio e confio no
meu pai celeste para guardá-los. Eu sei
que eu não vou poder dar todas as
alegrias para Catarina e pro Bernardo,
mas eu sei que o meu Pai Celeste tem
graça super abundante para alegrá-los.
Eu sei que não posso impedir que meus
filhos chorem, mas creio que meu pai
celeste há de consolá-los. Até quando
meus filhos passarem pela morte, ele
enxugará todas as suas lágrimas. O amor
de um pai cristão é só uma faísca do
amor do Pai Celestial. E o que dá paz a
um Pai cristão é a certeza de que é um
Pai Celeste que cuida dos meus filhos
quando eu não posso cuidar. Foi esse pai
que demonstrou o amor paradoxal ao
sacrificar o próprio filho para fazer de
pecadores seus filhos adotivos. Foi esse
pai que pelo seu poder ressuscitou o seu
filho para que seus filhos adotivos
também fossem ressuscitados. É esse pai
que espera na varanda da mansão celeste
com os anjos aos seus pés, o louvando de
eternidade à eternidade pelos pais e
filhos que vieram nessa terra. É esse
pai que encontraremos nos dias futuros.
É esse pai que é louvado pelo Xio
Márcios quando ele canta na sua música
sobre o filho pródigo. Tragam roupas e o
anel. Calcem logo os seus pés. Milagre.
Vinho do melhor tonel. Tanta alegria em
mim não cabe. O seu amor é tão forte,
mais que o inferno e a morte são
torrentes que arrebentam o chão. Mais
fácil secar os mares, apagar a
estrelantares que arrancar o amor do seu
coração. Na varanda do nosso pai celeste
não vai haver espaço paraa tristeza, não
vai haver espaço paraa dor, para
sofrimento ou mesmo pra violência. Na
sua varanda, os seus instrumentos não
tocarão baladas melancólicas sobre
pastores solitários. Na sua varanda de
graça há espaço para perdão, para
alegria e para contentamento. Na sua
varanda há espaço suficiente para os
pais falhos, para pais imperfeitos e que
lutam para que os filhos sejam melhores
do que eles. Na sua varanda há espaço
suficiente para todos os filhos que não
tiveram pais amorosos, que sofreram
abusos daqueles que deveriam receber
amor, que aprenderam violência quando
deveriam aprender carinho, que
vivenciaram o abandono na casa onde
deveriam desfrutar de proteção. Há
espaço nessa varanda porque as promessas
do nosso Pai Celeste sempre cumprem e os
seus juramentos nunca são quebrados.
Catarina, isso aqui pousou na lua.
Catarina, foi? Foi como indo até o
espaço. Eu quero ir pro espaço também. A
gente pode tentar. Vamos ver. Podemos ir
agora. Agora pro espaço mais difícil.
Quando a Catarina me disse: "Papai, eu
quero ir pro espaço também". Não é? E eu
disse: "Bom, vamos tentar." A gente pode
ir agora. Era só uma criança querendo
brincar de ir pro céu. Aí eu sei que um
dia entraremos não nave, não para
atravessar a mesosfera e chegar no
espaço exterior, mas rasgaremos os céus
em glória em uma jornada que não vai
acontecer na nossa imaginação, mas que
nos levará de fato para um
relacionamento inquebrável com o pai que
espera nos receber, com roupas novas,
com um novilho cevado e com um abraço
que nos fará melhores do que nunca
poderemos ser pelas nossas próprias
forças. Próxima semana a gente vai ter o
último episódio The Last of Us e a gente
vai estar aqui para comentar e encontrar
a mensagem por trás disso tudo. Tenho
gostado muito da condução da série até
aqui. Eu sei que nem todos tem gostado.
Tá tudo bem. Deixa o seu comentário aqui
também se esse seriado tem tocado em
você de alguma forma e se a gente tem
conseguido encontrar uma mensagem que
possa ficar para além de nós em cada um
desses episódios. Não deixa de se
inscrever no canal e assinar as
notificações para ficar sabendo sempre
que houver vídeo novo. Um cheiro no seu
cangote e até a próxima. M.

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