OS 9 BRADOS DO PECADOR NAS CINZAS (Sermão em Jó 7)
22/05/2025
OS 9 BRADOS DO PECADOR NAS CINZAS (Sermão em Jó 7)
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Queridos, um prazer estar com vocês de novo. Ah, eu sei que pra maioria de vocês não é de novo, mas eu estive aqui sexta-feira junto com o pessoal da Flor Caveira. Foi um tempo muito abençoado também de instrução. Eu quero convidá-lo a abrir a escritura em Jó, capítulo 7. A história de Jó é uma história muito conhecida tanto por cristãos como por não cristãos. Jó é um grande paradigma de sofrimento e perseverança do Antigo Testamento. Jó foi um homem descrito em Jó capítulo 1 como o homem mais justo que andava sobre a terra. Ele era um homem que vivia em fidelidade, vivia em amor ao Senhor, vivia em temor. E sendo um homem justo, é notado pelo diabo, não é? Deus apresenta Jó ao diabo, a força de Satanás. E Deus provoca Satanás usando a vida de Jó. Deus então, ah, em um em uma forma de humilhar as forças do mal, usa o seu filho e a fidelidade do seu filho para mostrar a grandeza e o poder da fé. Jó acaba sendo provado e testado. Jó perde tudo aquilo que ele tinha, com exceção da própria pessoa de Deus. Jó perde seus filhos. Jó perde os seus servos. Jó perde os seus bens. Jó perde a sua saúde. Jó perde os seus amigos. Os amigos de Jó que se aproximam dele, que deveriam consolá-lo no sofrimento, se tornam eles próprios mais motivo de sofrimento para Jó. Jó está nesse momento no livro sendo acusado, humilhado pelos seus amigos, que dizem que o motivo pelo qual ele estava sofrendo é porque o pecado estava oculto e escondido no seu coração. Se Jó confessasse os seus pecados, Jó não estaria mais em sofrimento. Acontece que lendo o livro, nós sabemos que essa era uma acusação profundamente injusta. Jó não estava sofrendo por causa de um pecado escondido. Jó estava sofrendo porque Deus estava se aproximando de Jó. Porque muitas vezes está perto da presença de Deus não causa nenhum gostosinho no coração. Se aproximar do Senhor faz com que as nossas carnes derretam diante do poder da sua glória e da sua presença. Deus usa o sofrimento para fazer com que Jó o conhecesse mais. Mas isso, claro, é muito doloroso. A gente tá ouvindo ao longo do livro de Jó os lamentos de um homem em colapso, um homem justo, íntegro, que perde tudo. E agora em Jó 7, Jó se volta para Deus em um lamento cru, sem maquiagem, sincero. Jó tá em ruínas. Em meio do seu grito, ele encontra palavras que saem do seu âmago. Palavras que talvez já saíram. da boca de muitos de nós. Palavras de lamento muito profundo. Esse sermão aqui em J vai ser uma travessia por nove gritos, nove brados que Jó traz no meio das suas cinzas. Talvez o um dos livros cristãos que mais me impactou no início da minha fé foi uma obra de Aw Pink chamada Os Sete Brados do Salvador na cruz, onde ele analisa e expõe os sete gritos, as sete palavras que Jesus traz na cruz. Aqui nós não temos os sete brados do Salvador. Nós temos, na verdade, nove brados de um pecador, mas que encontram resposta também na cruz perfeita de Cristo. A gente vai então olhar para essa passagem dividido em nove blocos e a gente vai ver o que Deus quer nos ensinar por meio disso. Primeiro, nós temos um Jó que lamenta que o seu sofrimento é muito longo. Está em Jó 1, ah, no versículo 1 ao versículo 4 de Jó 7. Deus, meu sofrimento é muito longo. Jó descreve a sua vida como um tipo de guerra e o seu tempo como um fardo interminável. O sofrimento de Jó não parecia ter fim. Leia comigo de 1 a quatro. Diz assim: "Não é verdade que a vida do ser humano nesse mundo não é uma luta sem fim? Não são os seus dias como de um trabalhador diarista, como o escravo que suspira pela sombra e como o trabalhador que espera pelo seu salário. Assim me deram por herança meses de desengano e me proporcionaram noites de aflição. Ao deitar-me, pergunto quando me levantarei, mas a noite é longa e estou farto de me virar na cama até o amanhecer. Quantos de nós não nos sentimos assim? Não nos sentimos como Jó, vendo da dor ser a nossa rotina, quando o alívio é só um sonho distante, como trabalhadores em um emprego muito escruciante, que muitas vezes olham pro relógio e o tempo não parece passar, muitas vezes parece que durante o nosso sofrimento o tempo está congelado. Parece que a nossa dor nunca se encerrará. Às vezes é a dor de uma doença, às vezes é uma depressão que permanece de forma insistente, muitas vezes é o desengano, é o luto, é a perda. A dor parece que se aposta de nós, incrustra nos nossos ossos e parece fazer parte de quem somos. É como se o sofrimento compusesse agora parte do nosso DNA. E procuramos a Deus e oramos e parece que a dor não passa. A resposta da cruz ao lamento de Jó é que nós temos em Cristo um Deus que entrou nesta duração humana da existência e que encarna na história. Nós temos um Deus que também veio participar de uma dor infinita. Na cruz, nós olhamos para um Cristo que recebe sobre si uma ira de Deus que paga uma eternidade de sofrimento no inferno. Durante aquele tempo da cruz, nós temos um Cristo que bebe de um cálice de ira eterna. Os nossos sofrimentos que parecem duradouros, os nossos sofrimentos que parecem longos e infinitos, são sofrimentos que diante da cruz são breves e momentâneos. É isso que Paulo fala em segunda Coríntios, capítulo 4, falando sobre o sofrimento do tempo presente e as dores dessa vida. Ele diz que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória. Paulo descreve as dores do tempo presente como breves e momentâneas. Leves e momentâneas. Enquanto estamos sofrendo, não parece leve. Enquanto estamos vivendo a dor, aqueles minutos de sofrimento, aquelas horas de lamento, aqueles dias e meses de luto, tudo aquilo parece infinito. Mas quando olhamos para o resultado eterno de uma permanência fiel, mesmo em meio à dor, toda essa existência se torna breve. Tudo isso fica leve, fica momentâneo, porque há um peso eterno de glória sendo produzido por uma vida de fidelidade em dor. Por isso que em segunda Coríntios 4, Paulo ainda vai dizer que nós não fixamos os olhos naquilo que vemos, porque o que vemos é passageiro, porque o que vemos é transitório. Ele tá falando do sofrimento. O sofrimento passa. Se não passar com o tratamento, se não passar com a terapia, se não passar com o tempo, passará com a eternidade. Uma hora o sofrimento vai, seja nessa vida, seja na próxima vida. Por isso que Agostinho de Ipona, no século V certeiro ao dizer que a paciência é a companheira da sabedoria. Se nós queremos viver fiéis diante desse Cristo, precisamos que o Espírito Santo traga para nós uma paciência para enfrentar a sua aprovação, mesmo que ela pareça infinita, mesmo que ela pareça infinda, nós temos um sumo sacerdote que soube o que era sofrer. Segundo Hebreus, capítulo 4. E esse sumo sacerdote que entrou na história e viveu ao nosso lado, nos convida a uma eternidade de glória nele. Quando o sofrimento parecer infinito, quando a dor parecer infindável, sim, lamente diante de Deus, mas tenha fé que em breve nós estaremos de fato diante daquilo que não só parece infinito enquanto passamos por ele, mas será de fato infinito em uma glória eterna com Cristo nos céus. Jó precisava conseguir vislumbrar a grandeza daquilo que existiria depois do sofrimento. Mas há um segundo lamento. O segundo lamento de Jó é Deus, o meu corpo está destruído. Esse é o verso cinco. Jó sente o colapso físico, doenças, feridas, pus. Ele descreve que vermes entram e saem de suas feridas. Se isso não for uma metáfora, se for uma coisa literal, imagine que chocante era o tamanho do da sua dor física. Ele diz no verso 5: "O meu corpo está vestido de vermes e de crostas terrosas. Minha pele racha e de novo forma pulso." A dor física é uma realidade de muitos e o corpo, que deveria ser instrumento de vida, às vezes se torna para nós uma prisão. Às vezes perdemos movimentos. Às vezes o nosso corpo define. Às vezes um câncer, um cancro terminal diz que o nosso corpo parece que não é mais nosso. Nós não, às vezes, não reconhecemos mais quem somos por meio do decaimento da nossa fisicalidade. Muitas vezes o corpo, que deveria ser parte da criação de Deus e das coisas boas que recebemos se torna ele próprio uma prisão. Muitos tentam escapar do corpo como se ele fosse uma gaiola de dor e sofrimento. Cristãos que enfrentam dores crônicas, cristãos que enfrentam paralisias, cristãos que enfrentam terríveis sofrimentos, terríveis dores por causa do corpo. Que consolador, não é? saber que adoramos um Cristo que também sofreu no corpo. Cristo não só sofreu psicologicamente, Cristo não só sofreu espiritualmente, Cristo sofreu fisicamente. E quando lamentamos diante de Deus, Deus, o meu corpo está destruído, nós podemos olhar com confiança para um Cristo que teve o corpo destruído por um momento para então ressurgir nesse mesmo corpo, para nos prometer também um novo corpo. A promessa que temos na cruz, irmãos, como resposta ao lamento da dor física e do corpo que se esva, é de que há primeiro um Cristo por meio da um Cristo que por meio de suas pisaduras fomos sarados. A nossa cura espiritual veio por meio do sofrimento físico do Cristo. Então, quando passamos pelo sofrimento físico, nós passamos pelo sofrimento que Cristo passou. Quando Jó lamenta então a derrocada do seu corpo, Jó não sabe ainda, não percebe ainda que ele vive algo que o seu redentor viveria. É pela sua pisadura, pelas suas pisaduras que fomos sarados. Jesus tomou um corpo e permitiu que esse corpo fosse moído, transpassado, crucificado. É pela ferida do lado do Cristo que nós encontramos cura não só pro nosso corpo, porque muitas vezes cremos e o corpo continua doente, mas cura paraa nossa alma e pro nosso relacionamento com Deus. Quando sofremos no corpo, nós nos tornamos mais parecidos com o único Deus que tem cicatrizes. Os falsos deuses, sempre fortes, não sabem o que é ser um deus que morre. Um Deus que mesmo depois de ressurreto mostra suas mãos conferidas e uma cicatriz do lado. O Deus que nos salva é um Deus cujo corpo foi ferido. Por isso que o famoso pregador Batista de Londres, Charles Spurgion, disse que o sofrimento é a ferramenta mais afiada de Deus para esculpir em nós a imagem do seu filho. Há um filho que sofreu. a um filho que assumiu a fragilidade para promover a ressurreição em corpos glorificados, como é prometido em Primeiro Coríntios 15. Nós não ressuscitaremos como gasparzinhos, como seres etéreis, como fantasmas. Não. Há uma promessa de um novo corpo. E a promessa é que assim como a glória do Sol e a glória das estrelas é diferente, esse corpo de hoje é uma glória de uma estrela. O nosso novo corpo será a glória de um sol. O corpo que teremos, que nos será dado, revestido da natureza divina, é um corpo que não sofrerá mais. É um corpo sem o decaimento do tempo. É um corpo sem as dores das doenças. é um corpo que não tem mais metástase. Quando o nosso corpo parece uma prisão por causa das dores e dos sofrimentos, há uma promessa de que toda a dor é por enquanto e que um dia o nosso novo corpo representará a glória que é manifesta na pessoa de Deus por meio de Cristo. Quando sofremos, Deus, o meu corpo está destruído. Nós podemos olhar com fé para um novo corpo que nos será dado e que será cessado por meio de atravessarmos o corpo de Cristo como um véu para entrar no santuário, como prometeu o autor de Hebreus. É por meio do corpo partido dele que nós encontramos a cura em um novo corpo que nos será dado eternamente. Em terceiro lugar, Jó lamenta: Deus não vai dar tempo dar a volta por cima. Jó se sente sem futuro. Como a lançadeira do tercelão, a sua vida passava rápido demais e ele não vê esperança das coisas mudarem. É o que nós lemos versos 6 a 8. Os meus dias são mais velozes que a lançadeira do tercelão e se findam sem esperança. Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida é um sopro. Os meus olhos não tornarão a ver felicidade. Os olhos de quem agora me vê não me verão mais. Os teus olhos me procurarão e já terei desaparecido. Quantos de nós não nos sentimos já passados do tempo de ver certas coisas se resolverem? Esse casamento já tá destruído há tempo demais. Essa doença já foi longe demais. Esse relacionamento com os meus filhos já foi rompido demais. Não tem mais como voltar atrás, não tem mais como mudar. Já, já se foi, já passei da idade, já acumulei fracassos, já perdi as oportunidades, não dá mais. E às vezes nós sentimos que a dor e o sofrimento já levaram de nós tudo o que poderia nos dar a esperança de voltar a ter um tipo de relacionamento com Deus vivo e eficaz nessa vida. E tratamos a fé como se fosse um sonho perdido da juventude. Achamos que a nós agora, depois de tanto tempo, só cabe o lamento, só cabe a dor e o sofrimento. Esquecemos que Jesus venceu o tempo, que na cruz ele ele entrou no fim e trouxe um novo começo. Romanos 8:24, um dos meus textos favoritos da Escritura, diz que na esperança fomos salvos. A nossa salvação, irmãos, é uma salvação baseada em algo que ainda não vemos. Porque esperança não é para aquilo que se vê. Porque o que se vê não é esperança, já tá aqui. Mas se ainda não vemos, esperamos. Somos salvos então para esperar, porque em Cristo nunca é tarde demais. Você lembra que enquanto Jesus estava na cruz, havia dois ladrões, dois bandidos em volta dele e um dele na cruz, no leito de morte, reconhece no crucificado o Messias. Veja quantos descreram ao ver Jesus realizar milagres. E o criminoso crê ao ver Jesus sendo assassinado. Ele tá numa cruz em fraqueza. Ele está em uma cruz com o seu corpo ferido. E ali no seu derradeiro momento, ele reconhece um rei. O mundo via um revolucionário que queria tomar o lugar do imperador. Foi morto por seu rei dos judeus. E enquanto morria numa cruz, o ladrão pede para entrar naquele reino. Eu quero entrar no reino do crucificado. Eu quero entrar no reino daquele que está sendo rejeitado pelo mundo. Nunca é tarde demais para encontrar o caminho do reino. Nunca é tarde demais para encontrar o caminho da salvação e da esperança. Em Cristo nunca é tarde demais. Nos últimos minutos é possível encontrar o caminho da reconciliação. Nos últimos minutos é possível encontrar o caminho do perdão. Jó não sabia quando. E nós nem sabemos quando, em que momento da vida de Jó foi que Deus lhe restaurou parte daquilo que havia sido perdido. Nós não sabemos em que momento de nossa vida Deus pode trazer cura. Deus pode trazer solução para uma vida de dor e sofrimento. Nós não sabemos quando as coisas podem finalmente se acertar, quando relacionamentos podem ser de volta restaurados, quando casamentos podem ser salvos, quando o pecado pode ser abandonado. Existe um caminho de vida que nunca é tarde para ser trilhado. Se nós olharmos para aquilo que é conquistado na cruz, nós podemos ter esperança de que não é tarde demais. Irmãos, e se for tarde demais da perspectiva humana? Nunca será tarde demais da perspectiva daquele que alcançou a história por nós e que nos promete um lugar guardado para além de toda a história humana. Em quarto lugar, Jó lamenta: Deus, meu fim será definitivo. Meu fim será de uma vez por todas. Jó encara a morte como um fim absoluto, sem retorno, sem voz, sem memória, como se não houvesse uma vida para além daquele sofrimento. Ele está no verso 9 e 10. Assim como a nuvem se desfaz e passa, aquele que desce à sepultura jamais voltará a subir, nunca mais voltará para sua casa e o lugar onde mora nunca mais o o conhecerá. Não é isso que o sofrimento faz conosco? O sofrimento nos faz esquecer da ressurreição. O sofrimento nos faz esquecer que existe uma vida para além do sofrimento. Muitos quando sofrem tanto, a passam a olhar pra morte como um tipo de silêncio eterno. Olham pra morte como uma angústia do nada. O sofrimento muitas vezes tira a eternidade dos nossos olhos e nós não conseguimos ver mais uma vida para além daquilo. A gente descrê. Ah, eu imagino Cristo nos céus dizendo: "Ah, Jó, você nem sabe. Jó, você não imagina, Jó, que um dia, um dia morrerei, mas voltarei a subir." Aleluia. Imagina Deus dizendo: "Jó, você não sabe. Jó, um dia você morrerá e voltará a subir." Porque aqueles que pela fé permanecem não precisam ter o medo do esquecimento, porque não seremos esquecidos por Deus. Não precisamos ter medo de sermos apagados da história, porque participamos da história do Messias. Nós não precisamos nos preocupar com legado. No fim das contas, o nosso legado é a transmissão da mensagem do evangelho para além de nós. Não precisamos ter ser cinzas jogadas ao vento, porque nós seremos colhidos pelo próprio Senhor para sempre. Richard Baxter, o puritano, escreveu que a morte é apenas um portal paraa glória. Se nós morrermos e perdermos essa vida, que importa? Teremos uma glória diante de nós. Jesus morreu. Jesus ressuscitou para mostrar que a morte não será o fim. Em Cristo, a sepultura é um corredor. Deus em Cristo, a morte é só um caminho, nunca destino. Porque não morreremos para ficar mortos. João 11:25 diz que quem crê em mim, ainda que morra, viverá, porque esse Cristo é a ressurreição e a vida. Nunca permita que a dor e o sofrimento te convençam de que não há uma vida para além dessa. Nunca permita que a dor e o sofrimento tirem os teus olhos da eternidade. Pelo contrário, que a dor e o sofrimento apontem os teus olhos para além dessa vida e te dei uma esperança de uma existência plena nele e apenas nele para sempre. Amém. Não permita. que o sofrimento te torne cada vez mais humano. Lembre, o sofrimento não é redentivo. Sofrer não te faz uma pessoa melhor automaticamente. Sofrer pode te fazer mais cínico. Sofrer pode te fazer mais arrogante. Sofrer pode te deixar menos empático. Sofrer por si só não vai te melhorar. É quando sofremos com fé. É quando sofremos com fidelidade. É quando sofremos olhando para Jesus que nós temos uma perseverança que se aprofunda. O sofrimento pode trazer apostasia também. O sofrimento pode fazer você descrer também. Mas quando sofremos com fé, nós temos olhos mais sensíveis para enxergar uma realidade que tá para além daqui. A quinta queixa de Jó é uma queixa sobre a queixa. Jó diz: Deus, só me sobrou a queixa, só me sobrou a reclamação. Jó abre o coração. Jó não quer mais ficar calado porque ele não tinha mais nada além de reclamar. A sua alma estava amarga. Ele precisava falar. É o verso 11. Por isso não reprimirei a minha boca. Na angústia do meu espírito falarei, na amargura da minha alma eu me queixarei. Ele é um homem que está enfrentando a dor da amargura, a dor do sofrimento. Ele não quer ficar calado, ele não quer deixar para lá. Ele precisa reclamar para Deus. Irmãos, Deus sabe disso, tá? Deus sabe que existem momentos onde as orações viram queixas. Há momentos em que o louvor é engolido pela dor e achamos que estamos errados em dizer a verdade. O que eu acho lindo é saber que há um Cristo que ouve as nossas queixas. Murmurar é reclamar pros outros. Lamentar é reclamar para Deus. Há um livro de lamentações na escritura. E quando nós nos aproximamos do Senhor lamentando, chorando, sofrendo, há um Deus que nos ouve, há um Deus que sabe. Você acha que engana Deus com palavras bonitinhas? Você às vezes tá chateado com alguém, tá bravo, mas não quer criar uma cena? Aí você finge que tá tudo bem. Como um genro querendo agradar a sogra, que come aquela comida que ele não gosta para tentar conquistar a família. Deus sabe qual é o nosso paladar. Deus sabe qual é a verdade do nosso coração. Deus não se impressiona com palavras bonitas. Deus não espera a sua falsidade. Deus permite que você se dobre diante dele e diga que tá doendo. Deus permite que você se dobre diante dele e diga que você não gostou, que se você tivesse no lugar dele, você fazia diferente. Deus sabe o que tá aí dentro. Não é isso que a gente vê na oração dominical. Jesus diz: "Não se engane que pelo muito falar, você vai impressionar a Deus. Ele sabe o que você vai dizer antes mesmo que você diga. Ele não quer a sua informação na oração. Ele quer o seu coração na oração. Ele não precisa que você o instrua. Opa, eu não sabia que era disso que você precisava, meu filho. Ele quer que você se relacione com ele. E se relacionar com ele é ser sincero, é ser honesto, é muitas vezes lamentar. Timoth Keller dizia que lamentar com Deus não é falta de fé. Na verdade, lamentar com Deus pode ser a forma mais profunda da fé. É onde você derrama diante do Senhor a verdade sobre o que tá dentro de você. Permita que a sua oração vire queixa também. Diga: Deus tá doendo. Mas queixe-se com fé. Queixe-se confiando. Diga que dói. Diga que você não tá gostando. Diga que você não aguenta mais. Mas com fé peça a força e a perseverança necessária para aguentar. Não é o que nós temos no próprio ministério de Cristo no Getsemman, quando ele chega diante do Pai e diz: "Passa de mim, se for possível, esse cálice". Ele queria evitar, se possível, fosse o cálice da ira de Deus. como se Jesus estivesse orando. Eu não quero vir morrer e me sacrificar e levar sobre mim a ira que era do meu povo. Ele lamenta, ele sua sangue, mas ele se submete em amor à vontade do Pai por nós, mas não seja feita a minha, mas a tua vontade. Não é esse o lamento de Cristo na cruz quando ele cita o Salmo 22 dizendo: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Há um Cristo que derrama a sua alma diante do Senhor. Em Cristo, o Cristo que lamenta, nós podemos lamentar. Em Cristo, podemos transformar nossas queixas em orações. O Salmo 62 diz: "Derramai perante ele o vosso coração. Se derrame diante de Deus". Tá doendo? Diga que dói. Você tá sofrendo? Diga que você tá sofrendo, porque você é um filho. Você é um filho. Ele quer ouvi-lo. Podemos chorar. no berço, esperando que o pai venha no buscar. Podemos lamentar diante dele quando dói, pedindo um beijinho para Sará. Nós somos filhos. Podemos nos aproximar do Pai sem o medo de que se a gente chorar por causa da dor, ele vai vir nos repreender. Ele vai se aproximar e nos dar do seu espírito para que tenhamos mais perseverança. Podemos lamentar como Cristo lamentou, sabendo que esse Cristo nos receberá em nossos lamentos. Lamentamos com fé, crendo que ele nos receberá e nos amará mesmo diante da dor. O sexto lamento de Jó. Deus, eu não consigo descansar da dor, nem no sono. Jó sofria tanto que nem dormindo a dor passava. São e é o verso 12 ao 14. Será que eu sou o mar ou algum monstro marinho para que me ponha sobre guarda? Quando digo: "O meu leito me consolará, a minha cama aliviará a minha queixa". Então me assustas com sonhos e me atemorizas com visões. Jó sequer conseguia dormir. Quando ele deitava para dormir, ele tinha pesadelos. Nem a cama o aliviava. Até os sonhos viravam tormentos. A dor o invadia até no descanso. Não era só um insônia no corpo, era um insônia na alma. Não é isso que enfrentamos muitas vezes na ansiedade, na depressão ou no luto que não nos deixa dormir, quando somos tão tocados pela dor que sequer temos o direito de descanso, como o pai em luto que teme dormir com medo de sonhar com o filho. E muitas vezes deitamos esperando algum conforto e parece que a própria vida é um pesadelo que só passa quando dormimos. E quando dormirmos, temos outros pesadelos que continuam nos acompanhando quando acordamos. Ó que dor terrível a de Jó. Jó precisava de uma confiança maior. Jó precisava de força. Espurjo mais uma vez é quem disse que não há travesseiro mais macio do que a soberania de Deus. Para Jó era difícil. É fácil pra gente falar, não é? Confia na soberania, Jó. É fácil olharmos para os irmãos em sofrimento e dizer: "Creia que Deus é soberano, ele está no controle". Irmãos, a soberania, a soberania de Deus também dói. O controle de Deus também machuca. Deus é soberano, isso significa que ele está conosco no sofrimento. Não significa que não há sofrimento. Sabermos que Deus é soberano, nos consola. Significa que a dor que nos acomete não é uma dor que acontece à parte da vontade de Deus, mas ainda dói. Quando você tá fazendo uma cirurgia para ser sarado de uma doença, talvez haja uma boa dose de desconforto, um desconforto, um desconforto ao qual você se submete, porque acredita que aquele é o único caminho de cura, mas ainda dói. A esperança é que há um Cristo que nos promete descanso. Um descanso que não é físico simplesmente é um descanso que é espiritual. É um descanso para a alma. É o descanso de Hebreus capítulo 4, quando autor aos Hebreus fala do descanso que os judeus tanto procuravam, fosse nos sábados, fosse na terra prometida, como um descanso que agora nos está disponível por meio do descanso de nossas obras na vida perfeita de Jesus. Quando não há descanso pro sofrimento, temos a convicção de um descanso eterno em Cristo. Por isso que em Mateus 11 ele diz: "Vinde a mim e eu vos aliviarei." Ir a Cristo é um alívio, porque o seu fardo é leve, seu julgo é suave, é bom tá com ele, é descanso tá com ele, é paz tá com ele. Porque o fardo do pecado, meus irmãos, é o pecado, é o fardo do tormento. O Espírito Santo é aquele que nos consola. Mesmo no vale da sombra da morte. Há um pastor que está conosco, nos prometendo um lugar para deitar em paz. Que terrível é não conseguirmos descansar da dor. Mas que glória é conseguirmos lembrar da promessa de que em breve deitaremos ao lado dele em sua glória para sempre. Sétimo lamento de Jó. Deus, eu preferia morrer logo. Eu preferia que o Senhor me levasse. Jó deseja o fim. A dor é tanta que a morte pareceria libertação para ele. É o que nós temos no verso 15 e 16. Por isso, prefiro ser estrangulado antes a morte do que essa tortura. Estou farto da minha vida. Não quero viver para sempre. Deixa-me em paz, porque os meus dias são um sopro. Lhe chama atenção que Jó seja apresentado no Novo Testamento como um modelo de paciência, como um exemplo de perseverança. Sabe o que isso me ensina? é que ainda é possível ser um modelo de fé, mesmo pedindo para morrer, de que a dor da existência, que às vezes nos acomete a alma, que às vezes faz com que a gente preferisse nem estar vivo, não é oposta à verdadeira fé, a verdadeira perseverança. O sermão que eu prego em Jó, capítulo 3 se chama Como crer se eu quero morrer? E Jó passa o capítulo 3 inteiro lamentando e pedindo o fim de sua vida. Mas Jó continua com fé no meio disso. Parece paradoxal porque nós fomos ensinados de que a fé genuína é aquela aquele estado psicológico inabalável diante das dores da vida. E a fé genuína também pode ser uma fé que se abala. A fé genuína também pode ser uma fé que se desespera. A fé genuína também pode ser uma fé que sofre. Às vezes nós não temos empatia e achamos que a pessoa tá se desviando, tá enfrentando o caminho da apostasia, porque no meio do sofrimento profundo ela coisas terríveis. Às vezes tem ideias estúpidas, às vezes acha que da cabo da vida é a resposta. E durante o mais profundo da dor, no meio do olho do furacão, às vezes a fé genuína vai se manifestar como joelhos fraquejantes. Também o que Jó teológica que é isso, Jó? Creia. Que história é essa? tá se desviando, irmão. Era o que os amigos de Jó estavam fazendo. O que Jó precisava era de consolo. No meio do desespero profundo, no meio da vontade de desaparecer, no meio desse, no meio desse eu não aguento mais. Ele precisava lembrar que há um Cristo que venceu o poder da morte, um Cristo que nos dá sentido mesmo no meio do sofrimento. Ele precisava lembrar daquilo que segunda Coríntios 1:9 dizia: "Sentimos que tínhamos recebido a sentença de morte, mas isso aconteceu para que não confiássemos em nós e sim em Deus que ressuscita aos mortos. Jó precisava de alguém que o consolasse. Que triste que Jó não tinha nenhum pregador do seu lado. Jó só tinha amigos o acusando, o condenando, pegando cada uma das suas palavras de lamento e jogando contra ele. E aí Jó tinha que contar paraos seus amigos e instruir os amigos. Gente, eu tô jogando palavras ao vento. Eu tô sofrendo, tá doendo. E do enterro, do velório, quando o seu amigo crente lhe abraça tendo perdido alguém que amava muito e pergunta: "Por que Deus?" Explicação de por Deus. Não, porque veja, soberania de Deus, às vezes você precisa é é chorar com ele, é sofrer junto, porque daqui a pouco, porque daqui a pouco das lágrimas rolarem, ele sabe por Deus, ele encontra o consolo do Senhor. Às vezes a gente é muito racionalista, que a dor às vezes gera confusão mesmo. E às vezes tudo que o outro precisa é de encorajamento, não de repreensão. Nem todo erro é para ser repreendido, nem todo pecado é para ser corrigido, porque o erro, o a loucura, a falta de senso que se apresenta no meio da provação profunda, às vezes só precisa de um tempo para poder a pessoa assentar emocionalmente e dizer: "Nossa, não era isso que eu devia ter feito. Não, realmente não era isso que eu devia ter dito. Não, eu realmente entendo. Deus sabe o que faz. Durante a dor não precisamos de repreensão. Durante a dor não precisamos de de rememorar as verdades que já sabemos. que a dor muitas vezes quer fazer com que a gente esqueça. Jó quer morrer e o que ele precisava de uma aula sobre o pecado do suicídio. O que ele precisava era um dilagre dele para que ele voltasse a crer na vida. É, não é isso que Cristo fez no seu ministério presente? Não é isso que nós temos em todos os evangelhos em um Cristo que condena os orgulhosos? Mais um Cristo que chora e lamenta e consola todos os que sofrem, se aproximam dele? Cristo é paciente. Cristo é manso e humilde de coração. Tão manso e humilde que sabe que pode nos receber com graça. Tão manso e humilde que às vezes deixa a gente falar besteira só para poder nos receber e nos consolar. Para quando a gente chegar pedindo desculpa pela besteira. Ele diz: "Eu sei, filho. Eu sei. Ele é bom. Ele é um bom pai. Ele às vezes ele às vezes aceita as nossas birras. Ele aceita as nossas dores. Ele aceita as injustiças que dizemos contra ele no meio da dor, as bobagens que pensamos sobre nós mesmos. E quando nos aproximamos envergonhados por termos dito, pensado e feito coisas que o deshonraram no sofrimento, ele nos recebe e diz: "Eu sei". E o seu sangue nos cobre quando nos aproximamos com fé. Claro que isso não é um incentivo para sermos fracos no sofrimento. Isso não é um incentivo para no dia da dor a gente achar que está justificado em falar bobagens e prometer desgraças sobre a nossa própria vida, mas é um consolo quando fraquejamos para que na fraqueza possamos lembrar que há um caminho de perdão e de arrependimento, mesmo nas bobagens que nós fazemos durante o dia do sofrimento. Às vezes parece que nós colocamos sobre nós um tipo de carga e de cobrança espiritual de que no dia da dor a única forma cristã de passar por isso é de forma inviolável. É se os outros vierem me consolar e eu consolar eles, não é? E é uma bção quando isso acontece, mas isso não é realidade sobre todos nós, não o tempo todo. Quantas vezes em sofrimento já pude ser um modelo de fé inabalável para quem estava à minha volta. Mas quantas vezes em sofrimento eu precisei do consolo, da paciência e do abraço de quem tava da minha volta? Quantas vezes no sofrimento eu já pude ser um pastor e fazer os meus amigos dizerem: "Meu Deus, olha a fé desse homem". Mas quantas vezes em sofrimento? Eu não tenho certeza que eu fiz alguns amigos questionarem se eu era crente ou não, porque há dias, há dias que a nossa alma parece sucumbir diante da dor que Deus coloca diante de nós. O que nós precisamos é da certeza plena e constante de que mesmo que a gente fale internamente, a nossa salvação se dá por um Cristo que nos cobre com sua misericórdia e nos recebe sempre que nos aproximamos de novo e de novo em fé. Oitavo lamento de Jó. Deus, eu não sou tão importante para sofrer tanto. Jó sofria tanto que ele achava que era algum tipo de protagonista da história do sofrimento no mundo. Ele achava: "Não sou tão importante para receber tudo isso." Isso está no verso 17 e 18. Ele questiona Deus por estar sendo observado com tanta intensidade. Ele se sente esmagado pela atenção divina. Ele só queria ser esquecido por Deus. É o que diz verso 17 e 18. Ó, o que é o homem para que tu lhes dês, lhes dê tanta importância, para que dês a ele atenção, para que a cada manhão o visites e que a cada momento o ponhas à prova? Até quando não desviarás de mim o olhar? Até quando não me darás tempo de engolir a minha saliva? Quanto sofrimento desproporcional, J tá dizendo. É aquele grito, por que eu? Nos sentimos formigas sob a lupa de Deus, pequenos demais para tanta pressão, como se Deus estivesse nos queimando com o [Música] sol. O que Jó não sabia é que nós, como filhos de Deus, temos sim a atenção dele. Como filhos de Deus, temos sim um Deus que olha para nós. Quando no Salmo 8, o salmista fala algo muito parecido com o que Jó diz aqui. O que é o homem para que deles te lembres? O que é o homem para que o visites? O salmista tá impressionado com o fato de Deus se importar com o homem. Jó, por outro lado, tá chateado de Deus se importar com o homem. Porque se Deus se importa com o homem, Deus também traz provação sobre o homem. Mas, irmãos, a provação faz parte do modo como Deus nos abençoa também. John Newton, famoso puritano, escreveu que se Deus está me provando, é porque ainda sou ouro aos seus olhos. Deus nos prova como ouro. Deus nos purifica. e usa muitas vezes as provações como uma bênção sobre nós. Em Cristo descobrimos que Deus nos ama e nos ama com intensidade. O Salmo 8 se une a João 3:16. No salmo 8, o salmista pergunta: "O que é o homem?" João 3:16 diz que Deus amou o mundo de tal maneira, justamente para se aproximar desse homem. O olhar de Deus sobre nós, irmãos, não é um olhar de destruição. O olhar de Deus sobre nós é um olhar de redenção. E quando nos sentimos esmagados por Deus pelo sofrimento, podemos crer que este mesmo olhar que nos coloca em um momento de dor é o olhar que nos purifica e nos convida a uma vida plena nele. Não podemos temer os olhos de Deus como se fossem olhos de ira, porque se temos Cristo, nós temos olhos de misericórdia. Mas essa providência, claro, às vezes é agre doce. Essa providência de Deus muitas vezes nos trai. O que ele espera de nós é que possamos olhar para Cristo, olhar para Jesus, olhar para aquele que que também sofreu, que é o nosso Cristo, e ter certeza que estamos sendo, sendo purificados e que estamos nos aproximando do Senhor por meio da dor. Nono lamento em Jet. Deus, por que você não me perdoa? Veja, os amigos de Jó estavam acusando Jó de pecado. Você está sofrendo porque você está em pecado. Jó diz: "Pois qual pecado eu cometi? Eu quero me arrepender agora". Jó se defende. Eu não tenho pecados escondidos. Eu eu sou um cristão. Eu eu amo a Deus. Eu uma vida de justiça. Deus em Jó um diz que Jó era um homem justo. Os amigos diziam para Jó que ele era um homem ímpio e Jó não sabia mais o que fazer. Parece que Jó se convence e que na verdade ele devia ser ímpio mesmo. Então, se ele sofria tanto, Jó sente culpa mesmo sem saber qual pecado cometeu. Ele se sente acusado como um alvo de Deus. Versos 20. Que mal fiz a ti, ó espreitador da humanidade? Porque fizeste de mim o teu alvo, tornando-me um peso para mim mesmo? Porque não perdoas a minha transgressão e não tiras a minha iniquidade? Pois agora me deitarei no pó e se me procuras já terei desaparecido. Jó acredita na mentira dos seus amigos. Jó, que era um homem de fé, acredita que ninguém pode estar sofrendo tanto se não estiver sendo simplesmente punido por Deus. Jó cai no conto do diabo. Ele acredita que o seu sofrimento significava que Deus o estava rejeitando. Essa é a maior armadilha de Satanás, irmãos. É fazer a gente achar que se Deus nos ama, a vida vai bem. Se a vida vai mal, é porque Deus não tá gostando tanto assim da gente. E o homem que Deus mais amou, o homem que Deus mais descreveu como justo, era um homem que Deus colocou em sofrimentos profundos. Porque o modo como experimentamos esse lado da eternidade não é diretamente proporcional ao modo como experimentaremos o relacionamento com Deus. Não creia na teologia da prosperidade. Não creia nas promessas de que Deus vai te recompensar nesta vida por todo o bem que você faz. A recompensa que esperamos é a recompensa para além dessa vida. O que acontece é que muitas vezes nós nós sucumbimos na dor de uma culpa não nomeada, numa sensação de sermos odiados por Deus e abandonados por Deus porque a vida vai mal. Sentimos que somos crianças que não sabem por questão de castigo, mas sentem o peso do afastamento do pai. Irmãos, a vida não é assim. Não caia nisso. Não caia nas mentiras do diabo. Deus não está necessariamente lhe punindo, porque em Cristo toda a punição já foi tomada por ele. Se você é crente, Deus não tá lhe punindo. Cristo já foi punido. Deus pode nos disciplinar para que possamos entrar no caminho do bem. É o que acontece com Jonas. Deus coloca tempestades em volta de Jonas porque Jonas foge de Deus. E às vezes membros da minha igreja perguntam: Deus pergunta para mim, pastor, como é que eu sei diante de Deus se eu sou Jonas ou se eu sou Jó? Porque Jó sofre sendo justo, Jonas sofre fugindo. Eu tô sofrendo, eu sou qual? E eu confesso, às vezes é difícil saber. O consolador é saber que tanto Jonas como Jó precisavam da mesma coisa. Aleluia. Precisavam de arrependimento dos próprios pecados, de fé na obra perfeita de Jesus. Precisavam viver no caminho de Deus, esperar com paciência no Senhor, se consertar com Cristo. É isso que importa no fim das contas, irmãos. A confiança de que Deus nos perdoa total e definitivamente. Colossenses 2 vai dizer que ele cancelou o escrito de dívida que havia contra nós e o cravou na cruz. Se nós cremos então nesse Cristo, não há por acreditar que o sofrimento representa abandono. Não há mais condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus. É Romanos 8:1. Nada mais nos separará do amor de Deus. Nada vai ser aprovação, idade, a fome, nada nessa vida é poderoso para nos separar desse Cristo. Então, se estamos indo como ovelhas mudas ao matadouro, se estamos sofrendo as dores e as agruras dessa vida, podemos ter confiança que estamos simplesmente seguindo o caminho do Calvário. A nossa esperança para essa vida não é de que tudo vai dar bem. As coisas podem ser cada vez piores. O corpo pode ter vermes entrando e saindo. Podemos ter vontade de morrer. Podemos ser acusados por todos. Podemos achar que o pecado quer nos levar no fim das contas. Podemos continuar com fé. Richard Sibes, um dos meus puritanos favoritos, disse que há mais graça em Cristo do que pecado em nós. Irmãos, somos pecadores, mas podemos confiar profundamente no poder dessa graça majestosa. Creia. Não deixe que a pregação do sofrimento lhe convença de que Deus não lhe ama. O amor de Deus não se expressa nessa vida. em uma vida agradável, o amor de Deus. Jó não leu a conversa entre Deus e o diabo em Jó um. Jó não leu Deus dizendo que ele era o homem mais justo do universo. Jó não podia passar umas páginas à frente e saber qual seria o fim da história. Jó não sabia de um monte de coisa, de um monte de coisa que a gente sabe sobre Jó e que hoje podemos saber sobre nós. Você pode abrir o livro do Apocalipse, você pode ler que a qualquer momento ele virá. Você pode ler que em algum momento ele vai limpar dos nossos olhos toda lágrima. Você pode ler Primeira Coríntios 15 e saber que há um novo corpo destinado para você. Você pode ler Segunda Coríntios 4 e saber que há um peso de glória. Ler Segunda Coríntios 5 e saber que ele vai nos dar um novo corpo e não nos deixará despidos da sua glória. Há muitas bênçãos prometidas, bênçãos que podemos receber e crer e internalizar profundamente no meio de qualquer dor e qualquer sofrimento. Você pode lamentar durante a dor, mas você precisa crer durante a dor para que você possa permanecer. Os lamentos de Jó, meus irmãos, talvez se nós lermos, lermos com olhos de maldade, de crueldade, legalistas, podemos pensar que Jó é um herege, que Jó é um descrente, que Jó é um fraco, mas ele é descrito como um perseverante. Mesmo no meio de toda essa confusão mental, Jó continua, Jó permanece. Ele vai misturar erro e verdade, mentira e fé no meio dos seus discursos de lamento e de sofrimento. E é nesse paradoxo e é nessa contradição que há muitas vezes em nós que nós permanecemos, que nós continuamos. Como quem diz, eu não sei por eu acho que Deus me abandonou. Eu acho que Deus não me escuta. Eu acho que Deus nem me ama. Eu devia era morrer mesmo. Mas eu não largo esse Jesus por nada. Eu não entendo nada. Eu no fim das contas eu acho que eu vou pro inferno, mas eu não largo desse Jesus por nada nesse mundo. Eu vou me esconder aos pés dessa cruz, nem que Deus me mande pro inferno no final, desse Cristo no largo. E é no meio desse paradoxo e dessa contradição que muitas vezes assume a nossa mente que a gente permanece. E é a esses que ele dirá: "Seja bem-vindo, entra no descanso do teu Senhor, servo bom e fiel". É a fidelidade que se expressa mesmo na confusão. Quando chegamos nos céus com a cabeça baixa, com medo. Eita, será que agora que vão descobrir? Será que agora que Deus vai dizer: "Meu filho, que diabo? Perdeu tua vida todinha para nada". Foi? A gente vai chegar lá com a cabeça baixa, morto de vergonha, e ele vai erguer a nossa cabeça, vai nos dar um olhar de vitória e vai dizer: "Esse é meu. Entra no descanso do teu Senhor. Mesmo no meio das confusões, tudo que precisamos é crer." Jó não era um heree. Jó era um homem sofrimento. Ele orava em dor. E em cada uma das dores de Jó havia uma resposta na cruz. No fim das contas, Jó precisava de um mediador. No fim das contas, Jó clamava por um mediador. O mediador que nós conhecemos, Jesus Cristo, o nosso advogado, nosso sacerdote, nosso cordeiro, nosso amigo. Na cruz, Deus ouviu o grito de Jó. Na cruz, Deus ouviu cada um dos lamentos daquele homem. E na cruz, Deus respondeu com sangue, com ressurreição e com esperança. E na cruz, ele deu para cada um de nós um caminho de vida. mesmo durante cada um dos sofrimentos. Ele não é alheio à nossa dor. Ele não ignora o nosso sofrimento, mas ele responde participando conosco de cada uma dessas dores. Ele veio e entrou nesse mundo de lamento por nós. No seu livro autobiográfico sobre Auschiv chamado A noite, um judeu chamado Vissel relata um dos momentos mais tristes, mas mais esperançosos, na minha opinião, do que eu já li sobre Alchevit. Eu sou fascinado em ler a história ah sobre Auschwitz e os campos de concentração nazistas. É um momento negro na história da humanidade. Há muitas histórias poderosas sobre aquele período. E o Vel relata um dia em que uma criança foi enforcada em Auspits. E aí um prisioneiro perguntou pros outros: "Onde é que tá Deus agora?" E um dos prisioneiros apontou pra criança e disse: "Ele tá ali pendurado na forca". A certeza que temos, meus irmãos, é que durante as dores e os sofrimentos dessa vida, há um Cristo que está sofrendo com a gente. Há um Cristo que está lamentando conosco. Há um Espírito Santo, como é prometido em Romanos 8, que geme gemidos inexprimíveis junto com as nossas orações. Quando oramos, o Pai não escuta só a nossa oração. Quando oramos, o Pai escuta o lamento e o choro e o gemido do Espírito Santo. Quando Jó lamentava, ele achava que estava sendo ignorado por Deus. Mas enquanto Jó lamentava, o próprio Deus lamentava com Jó. E o próprio Deus responde aos lamentos de Jó por meio de Cristo. Será que você tem conseguido encontrar esse consolo e essa fé no seu lamento de no meio das suas lágrimas, das suas dores, dos seus por Deus? Por que Deus poder ouvir dos céus? Porque você é meu, porque eu te amo e porque eu vou te trazer para mim. Se conseguirmos ouvir essa voz vinda dos céus, teremos consolo e esperança para enfrentar qualquer dificuldade, qualquer dor nessa vida com uma fé inabalável, a fé que Jovem eslumbrou e que a nós está disponível na obra perfeita do filho. Senhor, que a tua cruz seja a nossa esperança, que a sua cruz seja o caminho paraa vida, que na sua cruz os nossos lamentos encontrem resposta. que mesmo quando tudo parecer confuso, mesmo quando não entendermos nada, mesmo quando parecer que fomos abandonados, mesmo quando tivermos certeza que o diabo vem nos buscar, mesmo quando acharmos que todo o cosmo esmagará quem somos, quando tudo parecer escuro e negro, que possamos permanecer abraçados nesse filho, ouvindo a voz do nosso pastor, seguros em tuas mãos para encontrarmos vida e vida em abundância. Assim nós oramos no santo nome de Jesus. Amém. E