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A fé vem pelo ouvir

OS 9 BRADOS DO PECADOR NAS CINZAS (Sermão em Jó 7)

OS 9 BRADOS DO PECADOR NAS CINZAS (Sermão em Jó 7)

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Legendas automáticas:

Queridos, um prazer estar com vocês de
novo. Ah, eu sei que pra maioria de
vocês não é de novo, mas eu estive aqui
sexta-feira junto com o pessoal da Flor
Caveira. Foi um tempo muito abençoado
também de instrução. Eu quero convidá-lo
a abrir a escritura em Jó, capítulo
7. A história de Jó é uma história muito
conhecida tanto por cristãos como por
não cristãos. Jó é um grande paradigma
de sofrimento e perseverança do Antigo
Testamento. Jó foi um homem descrito em
Jó capítulo 1 como o homem mais justo
que andava sobre a terra. Ele era um
homem que vivia em fidelidade, vivia em
amor ao Senhor, vivia em temor. E sendo
um homem justo, é notado pelo diabo, não
é? Deus apresenta Jó ao diabo, a força
de Satanás. E Deus provoca Satanás
usando a vida de Jó. Deus então, ah, em
um em uma forma de humilhar as forças do
mal, usa o seu filho e a fidelidade do
seu filho para mostrar a grandeza e o
poder da fé. Jó acaba sendo provado e
testado. Jó perde tudo aquilo que ele
tinha, com exceção da própria pessoa de
Deus. Jó perde seus filhos. Jó perde os
seus servos. Jó perde os seus bens. Jó
perde a sua saúde. Jó perde os seus
amigos. Os amigos de Jó que se aproximam
dele, que deveriam consolá-lo no
sofrimento, se tornam eles próprios mais
motivo de sofrimento para Jó. Jó está
nesse momento no livro sendo acusado,
humilhado pelos seus amigos, que dizem
que o motivo pelo qual ele estava
sofrendo é porque o pecado estava oculto
e escondido no seu coração. Se Jó
confessasse os seus pecados, Jó não
estaria mais em sofrimento. Acontece que
lendo o livro, nós sabemos que essa era
uma acusação profundamente injusta. Jó
não estava sofrendo por causa de um
pecado escondido. Jó estava sofrendo
porque Deus estava se aproximando de Jó.
Porque muitas vezes está perto da
presença de Deus não causa nenhum
gostosinho no coração. Se aproximar do
Senhor faz com que as nossas carnes
derretam diante do poder da sua glória e
da sua presença. Deus usa o sofrimento
para fazer com que Jó o conhecesse mais.
Mas isso, claro, é muito doloroso. A
gente tá ouvindo ao longo do livro de Jó
os lamentos de um homem em colapso, um
homem justo, íntegro, que perde tudo. E
agora em Jó
7, Jó se volta para Deus em um lamento
cru, sem maquiagem, sincero. Jó tá em
ruínas. Em meio do seu grito, ele
encontra palavras que saem do seu âmago.
Palavras que talvez já saíram. da boca
de muitos de nós. Palavras de lamento
muito profundo. Esse sermão aqui em J
vai ser uma travessia por nove gritos,
nove brados que Jó traz no meio das suas
cinzas. Talvez o um dos livros cristãos
que mais me impactou no início da minha
fé foi uma obra de Aw Pink chamada Os
Sete Brados do Salvador na cruz, onde
ele analisa e expõe os sete gritos, as
sete palavras que Jesus traz na cruz.
Aqui nós não temos os sete brados do
Salvador. Nós temos, na verdade, nove
brados de um pecador, mas que encontram
resposta também na cruz perfeita de
Cristo. A gente vai então olhar para
essa passagem dividido em nove blocos e
a gente vai ver o que Deus quer nos
ensinar por meio disso. Primeiro, nós
temos um Jó que lamenta que o seu
sofrimento é muito longo. Está em Jó 1,
ah, no versículo 1 ao versículo 4 de Jó
7. Deus, meu sofrimento é muito longo.
Jó descreve a sua vida como um tipo de
guerra e o seu tempo como um fardo
interminável. O sofrimento de Jó não
parecia ter fim. Leia comigo de 1 a
quatro. Diz assim: "Não é verdade que a
vida do ser humano nesse mundo não é uma
luta sem fim?
Não são os seus dias como de um
trabalhador diarista, como o escravo que
suspira pela sombra e como o trabalhador
que espera pelo seu salário. Assim me
deram por herança meses de desengano e
me proporcionaram noites de aflição. Ao
deitar-me, pergunto quando me
levantarei, mas a noite é longa e estou
farto de me virar na cama até o
amanhecer. Quantos de nós não nos
sentimos assim?
Não nos sentimos como Jó, vendo da dor
ser a nossa rotina, quando o alívio é só
um sonho distante, como trabalhadores em
um emprego muito escruciante, que muitas
vezes olham pro relógio e o tempo não
parece passar, muitas vezes parece que
durante o nosso sofrimento o tempo está
congelado. Parece que a nossa dor nunca
se encerrará.
Às vezes é a dor de uma doença, às vezes
é uma depressão que permanece de forma
insistente, muitas vezes é o desengano,
é o luto, é a perda. A dor parece que se
aposta de nós, incrustra nos nossos
ossos e parece fazer parte de quem
somos. É como se o sofrimento compusesse
agora parte do nosso DNA. E procuramos a
Deus e oramos e parece que a dor não
passa. A resposta da cruz ao lamento de
Jó é que nós temos em Cristo um Deus que
entrou nesta duração humana da
existência e que encarna na história.
Nós temos um Deus que também veio
participar de uma dor infinita. Na cruz,
nós olhamos para um Cristo que recebe
sobre si uma ira de Deus que paga uma
eternidade de sofrimento no inferno.
Durante aquele tempo da cruz, nós temos
um Cristo que bebe de um cálice de ira
eterna. Os nossos sofrimentos que
parecem duradouros, os nossos
sofrimentos que parecem longos e
infinitos, são sofrimentos que diante da
cruz são breves e momentâneos. É isso
que Paulo fala em segunda Coríntios,
capítulo 4, falando sobre o sofrimento
do tempo presente e as dores dessa vida.
Ele diz que a nossa leve e momentânea
tribulação produz para nós um peso
eterno de glória. Paulo descreve as
dores do tempo presente como breves e
momentâneas. Leves e momentâneas.
Enquanto estamos sofrendo, não parece
leve. Enquanto estamos vivendo a dor,
aqueles minutos de sofrimento, aquelas
horas de lamento, aqueles dias e meses
de luto, tudo aquilo parece infinito.
Mas quando olhamos para o resultado
eterno de uma permanência fiel, mesmo em
meio à dor, toda essa existência se
torna breve. Tudo isso fica leve, fica
momentâneo, porque há um peso eterno de
glória sendo produzido por uma vida de
fidelidade em dor. Por isso que em
segunda Coríntios 4, Paulo ainda vai
dizer que nós não fixamos os olhos
naquilo que vemos, porque o que vemos é
passageiro, porque o que vemos é
transitório. Ele tá falando do
sofrimento. O sofrimento passa. Se não
passar com o tratamento, se não passar
com a terapia, se não passar com o
tempo, passará com a eternidade. Uma
hora o sofrimento vai, seja nessa vida,
seja na próxima vida. Por isso que
Agostinho de Ipona, no século V certeiro
ao dizer que a paciência é a companheira
da sabedoria. Se nós queremos viver
fiéis diante desse Cristo, precisamos
que o Espírito Santo traga para nós uma
paciência para enfrentar a sua
aprovação, mesmo que ela pareça
infinita, mesmo que ela pareça infinda,
nós temos um sumo sacerdote que soube o
que era sofrer. Segundo Hebreus,
capítulo 4. E esse sumo sacerdote que
entrou na história e viveu ao nosso
lado, nos convida a uma eternidade de
glória nele. Quando o sofrimento parecer
infinito, quando a dor parecer
infindável, sim, lamente diante de Deus,
mas tenha fé que em breve nós estaremos
de fato diante daquilo que não só parece
infinito enquanto passamos por ele, mas
será de fato infinito em uma glória
eterna com Cristo nos céus. Jó precisava
conseguir vislumbrar a grandeza daquilo
que existiria depois do sofrimento. Mas
há um segundo lamento. O segundo lamento
de Jó é Deus, o meu corpo está
destruído. Esse é o verso cinco. Jó
sente o colapso físico, doenças,
feridas, pus. Ele descreve que vermes
entram e saem de suas feridas. Se isso
não for uma metáfora, se for uma coisa
literal, imagine que chocante era o
tamanho do da sua dor física. Ele diz no
verso 5: "O meu
corpo está
vestido de vermes e de crostas
terrosas. Minha pele racha e de novo
forma pulso." A dor física é uma
realidade de muitos e o corpo, que
deveria ser instrumento de vida, às
vezes se torna para nós uma prisão. Às
vezes perdemos movimentos. Às vezes o
nosso corpo define. Às vezes um câncer,
um cancro terminal diz que o nosso corpo
parece que não é mais nosso. Nós não, às
vezes, não reconhecemos mais quem somos
por meio do decaimento da nossa
fisicalidade. Muitas vezes o corpo, que
deveria ser parte da criação de Deus e
das coisas boas que recebemos se torna
ele próprio uma prisão. Muitos tentam
escapar do corpo como se ele fosse uma
gaiola de dor e sofrimento. Cristãos que
enfrentam dores crônicas, cristãos que
enfrentam paralisias, cristãos que
enfrentam terríveis sofrimentos,
terríveis dores por causa do
corpo. Que consolador, não é?
saber que adoramos um Cristo que também
sofreu no corpo. Cristo não só sofreu
psicologicamente, Cristo não só sofreu
espiritualmente, Cristo sofreu
fisicamente. E quando lamentamos diante
de Deus, Deus, o meu corpo está
destruído, nós podemos olhar com
confiança para um Cristo que teve o
corpo destruído por um momento para
então ressurgir nesse mesmo corpo, para
nos prometer também um novo corpo. A
promessa que temos na cruz, irmãos, como
resposta ao lamento da dor física e do
corpo que se esva, é de que há primeiro
um Cristo por meio da um Cristo que por
meio de suas pisaduras fomos sarados. A
nossa cura espiritual veio por meio do
sofrimento físico do Cristo. Então,
quando passamos pelo sofrimento físico,
nós passamos pelo sofrimento que Cristo
passou. Quando Jó lamenta então a
derrocada do seu corpo, Jó não sabe
ainda, não percebe ainda que ele vive
algo que o seu redentor viveria. É pela
sua pisadura, pelas suas pisaduras que
fomos sarados. Jesus tomou um corpo e
permitiu que esse corpo fosse moído,
transpassado, crucificado. É pela ferida
do lado do Cristo que nós encontramos
cura não só pro nosso corpo, porque
muitas vezes cremos e o corpo continua
doente, mas cura paraa nossa alma e pro
nosso relacionamento com Deus.
Quando sofremos no corpo, nós nos
tornamos mais parecidos com o único Deus
que tem
cicatrizes. Os falsos deuses, sempre
fortes, não sabem o que é ser um deus
que morre. Um Deus que mesmo depois de
ressurreto mostra suas mãos conferidas e
uma cicatriz do lado. O Deus que nos
salva é um Deus cujo corpo foi ferido.
Por isso que o famoso pregador Batista
de Londres, Charles Spurgion, disse que
o sofrimento é a ferramenta mais afiada
de Deus para esculpir em nós a imagem do
seu filho. Há um filho que sofreu. a um
filho que assumiu a fragilidade para
promover a ressurreição em corpos
glorificados, como é prometido em
Primeiro Coríntios 15. Nós não
ressuscitaremos como
gasparzinhos, como seres etéreis, como
fantasmas. Não. Há uma promessa de um
novo corpo. E a promessa é que assim
como a glória do Sol e a glória das
estrelas é diferente, esse corpo de hoje
é uma glória de uma estrela. O nosso
novo corpo será a glória de um sol.
O corpo que teremos, que nos será dado,
revestido da natureza divina, é um corpo
que não sofrerá mais. É um corpo sem o
decaimento do tempo. É um corpo sem as
dores das doenças. é um corpo que não
tem mais metástase. Quando o nosso corpo
parece uma prisão por causa das dores e
dos sofrimentos, há uma promessa de que
toda a dor é por enquanto e que um dia o
nosso novo corpo representará a glória
que é manifesta na pessoa de Deus por
meio de Cristo. Quando sofremos, Deus, o
meu corpo está destruído. Nós podemos
olhar com fé para um novo corpo que nos
será dado e que será cessado por meio de
atravessarmos o corpo de Cristo como um
véu para entrar no santuário, como
prometeu o autor de Hebreus. É por meio
do corpo partido dele que nós
encontramos a cura em um novo corpo que
nos será dado eternamente. Em terceiro
lugar, Jó lamenta: Deus não vai dar
tempo dar a volta por cima. Jó se sente
sem
futuro. Como a lançadeira do tercelão, a
sua vida passava rápido demais e ele não
vê esperança das coisas mudarem. É o que
nós lemos versos 6 a 8. Os meus dias são
mais velozes que a lançadeira do
tercelão e se findam sem esperança.
Lembra-te, ó Deus, de que a minha vida é
um sopro. Os meus olhos não tornarão a
ver
felicidade. Os olhos de quem agora me vê
não me verão mais. Os teus olhos me
procurarão e já terei
desaparecido. Quantos de nós não nos
sentimos já passados do tempo de ver
certas coisas se resolverem? Esse
casamento já tá destruído há tempo
demais. Essa doença já foi longe demais.
Esse relacionamento com os meus filhos
já foi rompido demais. Não tem mais como
voltar atrás, não tem mais como mudar.
Já, já se foi, já passei da idade, já
acumulei fracassos, já perdi as
oportunidades, não dá mais. E às vezes
nós sentimos que a dor e o sofrimento já
levaram de nós tudo o que poderia nos
dar a esperança de voltar a ter um tipo
de relacionamento com Deus vivo e eficaz
nessa vida. E tratamos a fé como se
fosse um sonho perdido da juventude.
Achamos que a nós agora, depois de tanto
tempo, só cabe o lamento, só cabe a dor
e o
sofrimento. Esquecemos que Jesus venceu
o tempo, que na cruz ele ele entrou no
fim e trouxe um novo começo. Romanos
8:24, um dos meus textos favoritos da
Escritura, diz que na esperança fomos
salvos. A nossa salvação, irmãos, é uma
salvação baseada em algo que ainda não
vemos. Porque esperança não é para
aquilo que se vê. Porque o que se vê não
é esperança, já tá aqui. Mas se ainda
não
vemos, esperamos. Somos salvos então
para esperar, porque em Cristo nunca é
tarde demais. Você lembra que enquanto
Jesus estava na cruz, havia dois
ladrões, dois bandidos em volta dele e
um dele na cruz, no leito de morte,
reconhece no
crucificado o
Messias. Veja quantos
descreram ao ver Jesus realizar
milagres. E o criminoso crê ao ver Jesus
sendo
assassinado. Ele tá numa cruz em
fraqueza. Ele está em uma cruz com o seu
corpo ferido. E ali no seu derradeiro
momento, ele reconhece um rei.
O mundo via um revolucionário que queria
tomar o lugar do imperador. Foi morto
por seu rei dos judeus.
E enquanto morria numa cruz, o ladrão
pede para entrar naquele reino. Eu quero
entrar no reino do crucificado. Eu quero
entrar no reino daquele que está sendo
rejeitado pelo mundo. Nunca é tarde
demais para encontrar o caminho do
reino. Nunca é tarde demais para
encontrar o caminho da salvação e da
esperança. Em Cristo nunca é tarde
demais. Nos últimos minutos é possível
encontrar o caminho da reconciliação.
Nos últimos minutos é possível encontrar
o caminho do perdão. Jó não sabia
quando. E nós nem sabemos quando, em que
momento da vida de Jó foi que Deus lhe
restaurou parte daquilo que havia sido
perdido. Nós não sabemos em que momento
de nossa vida Deus pode trazer cura.
Deus pode trazer solução para uma vida
de dor e sofrimento. Nós não sabemos
quando as coisas podem finalmente se
acertar, quando relacionamentos podem
ser de volta restaurados, quando
casamentos podem ser salvos, quando o
pecado pode ser
abandonado. Existe um caminho de vida
que nunca é tarde para ser trilhado. Se
nós olharmos para aquilo que é
conquistado na cruz, nós podemos ter
esperança de que não é tarde demais.
Irmãos, e se for tarde demais da
perspectiva humana? Nunca será tarde
demais da perspectiva daquele que
alcançou a história por nós e que nos
promete um lugar guardado para além de
toda a história humana. Em quarto lugar,
Jó lamenta: Deus, meu fim será
definitivo. Meu fim será de uma vez por
todas. Jó encara a morte como um fim
absoluto, sem retorno, sem voz, sem
memória, como se não houvesse uma vida
para além daquele sofrimento. Ele está
no verso 9 e 10. Assim como a nuvem se
desfaz e passa, aquele que desce à
sepultura jamais voltará a subir, nunca
mais voltará para sua casa e o lugar
onde mora nunca mais o o
conhecerá. Não é isso que o sofrimento
faz conosco? O sofrimento nos faz
esquecer da ressurreição. O sofrimento
nos faz esquecer que existe uma vida
para além do sofrimento. Muitos quando
sofrem tanto, a passam a olhar pra morte
como um tipo de silêncio eterno. Olham
pra morte como uma angústia do nada. O
sofrimento muitas vezes tira a
eternidade dos nossos olhos e nós não
conseguimos ver mais uma vida para além
daquilo. A gente descrê.
Ah, eu imagino Cristo nos céus dizendo:
"Ah, Jó, você nem sabe. Jó, você não
imagina, Jó, que um dia, um dia
morrerei, mas voltarei a subir."
Aleluia. Imagina Deus dizendo: "Jó, você
não sabe. Jó, um dia você morrerá e
voltará a subir." Porque aqueles que
pela fé permanecem não precisam ter o
medo do esquecimento, porque não seremos
esquecidos por Deus. Não precisamos ter
medo de sermos apagados da história,
porque participamos da história do
Messias. Nós não precisamos nos
preocupar com
legado. No fim das contas, o nosso
legado é a transmissão da mensagem do
evangelho para além de nós. Não
precisamos ter ser cinzas jogadas ao
vento, porque nós seremos colhidos pelo
próprio Senhor para sempre. Richard
Baxter, o puritano, escreveu que a morte
é apenas um portal paraa glória. Se nós
morrermos e perdermos essa vida, que
importa? Teremos uma glória diante de
nós. Jesus morreu. Jesus ressuscitou
para mostrar que a morte não será o fim.
Em Cristo, a sepultura é um corredor.
Deus em Cristo, a morte é só um caminho,
nunca destino. Porque não morreremos
para ficar mortos. João 11:25 diz que
quem crê em mim, ainda que morra,
viverá, porque esse Cristo é a
ressurreição e a vida. Nunca permita que
a dor e o sofrimento te convençam de que
não há uma vida para além dessa. Nunca
permita que a dor e o sofrimento tirem
os teus olhos da eternidade. Pelo
contrário, que a dor e o sofrimento
apontem os teus olhos para além dessa
vida e te dei uma esperança de uma
existência plena nele e apenas nele para
sempre. Amém. Não permita. que o
sofrimento te torne cada vez mais
humano. Lembre, o sofrimento não é
redentivo. Sofrer não te faz uma pessoa
melhor
automaticamente. Sofrer pode te fazer
mais cínico. Sofrer pode te fazer mais
arrogante. Sofrer pode te deixar menos
empático. Sofrer por si só não vai te
melhorar. É quando sofremos com fé. É
quando sofremos com fidelidade. É quando
sofremos olhando para Jesus que nós
temos uma perseverança que se aprofunda.
O sofrimento pode trazer apostasia
também. O sofrimento pode fazer você
descrer também. Mas quando sofremos com
fé, nós temos olhos mais sensíveis para
enxergar uma realidade que tá para além
daqui. A quinta queixa de Jó é uma
queixa sobre a queixa. Jó diz: Deus, só
me sobrou a queixa, só me sobrou a
reclamação. Jó abre o coração. Jó não
quer mais ficar calado porque ele não
tinha mais nada além de reclamar. A sua
alma estava amarga. Ele precisava falar.
É o verso 11. Por
isso não reprimirei a minha boca. Na
angústia do meu espírito falarei, na
amargura da minha alma eu me queixarei.
Ele é um homem que está enfrentando a
dor da amargura, a dor do sofrimento.
Ele não quer ficar calado, ele não quer
deixar para lá. Ele precisa reclamar
para Deus. Irmãos, Deus sabe disso, tá?
Deus sabe que existem momentos onde as
orações viram queixas. Há momentos em
que o louvor é engolido pela dor e
achamos que estamos errados em dizer a
verdade. O que eu acho lindo é saber que
há um Cristo que ouve as nossas queixas.
Murmurar é reclamar pros
outros. Lamentar é reclamar para Deus.
Há um livro de lamentações na escritura.
E quando nós nos aproximamos do Senhor
lamentando, chorando, sofrendo, há um
Deus que nos ouve, há um Deus que sabe.
Você acha que engana Deus com palavras
bonitinhas? Você às vezes tá chateado
com alguém, tá bravo, mas não quer criar
uma cena? Aí você finge que tá tudo bem.
Como um genro querendo agradar a sogra,
que come aquela comida que ele não gosta
para tentar conquistar a família. Deus
sabe qual é o nosso paladar.
Deus sabe qual é a verdade do nosso
coração. Deus não se impressiona com
palavras
bonitas. Deus não espera a sua
falsidade.
Deus permite que você se dobre diante
dele e diga que tá doendo. Deus permite
que você se dobre diante dele e diga que
você não gostou, que se você tivesse no
lugar dele, você fazia diferente. Deus
sabe o que tá aí dentro. Não é isso que
a gente vê na oração dominical. Jesus
diz: "Não se engane que pelo muito
falar, você vai impressionar a Deus. Ele
sabe o que você vai dizer antes mesmo
que você
diga. Ele não quer a sua informação na
oração. Ele quer o seu coração na
oração. Ele não precisa que você o
instrua. Opa, eu não sabia que era disso
que você precisava, meu filho. Ele quer
que você se relacione com ele. E se
relacionar com ele é ser sincero, é ser
honesto, é muitas vezes lamentar. Timoth
Keller dizia que lamentar com Deus não é
falta de
fé. Na verdade, lamentar com Deus pode
ser a forma mais profunda da fé. É onde
você derrama diante do Senhor a verdade
sobre o que tá dentro de
você. Permita que a sua oração vire
queixa também. Diga: Deus tá doendo. Mas
queixe-se com fé.
Queixe-se confiando. Diga que dói. Diga
que você não tá gostando. Diga que você
não aguenta mais.
Mas com fé peça a força e a perseverança
necessária para aguentar. Não é o que
nós temos no próprio ministério de
Cristo no Getsemman, quando ele chega
diante do Pai e diz: "Passa de mim, se
for possível, esse
cálice". Ele queria evitar, se possível,
fosse o cálice da ira de Deus. como se
Jesus estivesse orando. Eu não quero vir
morrer e me sacrificar e levar sobre mim
a ira que era do meu povo. Ele lamenta,
ele sua sangue, mas ele se submete em
amor à vontade do Pai por nós, mas não
seja feita a minha, mas a tua vontade.
Não é esse o lamento de Cristo na cruz
quando ele cita o Salmo 22 dizendo: Deus
meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Há um Cristo que derrama a sua alma
diante do Senhor. Em Cristo, o Cristo
que lamenta, nós podemos lamentar. Em
Cristo, podemos transformar nossas
queixas em orações. O Salmo 62 diz:
"Derramai perante ele o vosso coração.
Se derrame diante de Deus". Tá doendo?
Diga que dói. Você tá sofrendo? Diga que
você tá sofrendo, porque você é um
filho. Você é um filho. Ele quer
ouvi-lo. Podemos chorar. no berço,
esperando que o pai venha no buscar.
Podemos lamentar diante dele quando dói,
pedindo um beijinho para Sará. Nós somos
filhos.
Podemos nos aproximar do Pai sem o medo
de que se a gente chorar por causa da
dor, ele vai vir nos
repreender. Ele vai se aproximar e nos
dar do seu espírito para que tenhamos
mais
perseverança. Podemos lamentar como
Cristo lamentou, sabendo que esse Cristo
nos receberá em nossos lamentos.
Lamentamos com fé, crendo que ele nos
receberá e nos amará mesmo diante da
dor. O sexto lamento de Jó. Deus, eu não
consigo descansar da dor, nem no sono.
Jó sofria tanto que nem dormindo a dor
passava. São e é o verso 12 ao 14. Será
que eu sou o mar ou algum monstro
marinho para que me ponha sobre guarda?
Quando digo: "O meu leito me consolará,
a minha cama aliviará a minha queixa".
Então me assustas com sonhos e me
atemorizas com visões. Jó sequer
conseguia dormir. Quando ele deitava
para dormir, ele tinha pesadelos. Nem a
cama o aliviava. Até os sonhos viravam
tormentos. A dor o invadia até no
descanso. Não era só um insônia no
corpo, era um insônia na alma.
Não é isso que enfrentamos muitas vezes
na ansiedade, na depressão ou no luto
que não nos deixa dormir, quando somos
tão tocados pela dor que sequer temos o
direito de descanso, como o pai em luto
que teme dormir com medo de sonhar com o
filho. E muitas vezes deitamos esperando
algum conforto e parece que a própria
vida é um pesadelo que só passa quando
dormimos. E quando dormirmos, temos
outros pesadelos que continuam nos
acompanhando quando acordamos. Ó que dor
terrível a de Jó. Jó precisava de uma
confiança maior. Jó precisava de força.
Espurjo mais uma vez é quem disse que
não há travesseiro mais macio do que a
soberania de Deus. Para Jó era difícil.
É fácil pra gente falar, não é? Confia
na soberania, Jó.
É fácil olharmos para os irmãos em
sofrimento e dizer: "Creia que Deus é
soberano, ele está no
controle".
Irmãos, a soberania, a soberania de Deus
também
dói. O controle de Deus também machuca.
Deus é soberano, isso significa que ele
está conosco no sofrimento. Não
significa que não há
sofrimento. Sabermos que Deus é
soberano, nos consola. Significa que a
dor que nos acomete não é uma dor que
acontece à parte da vontade de Deus, mas
ainda
dói. Quando você tá fazendo uma cirurgia
para ser sarado de uma doença, talvez
haja uma boa dose de desconforto, um
desconforto, um desconforto ao qual você
se submete, porque acredita que aquele é
o único caminho de cura, mas ainda
dói. A esperança é que há um Cristo que
nos promete descanso.
Um descanso que não é físico
simplesmente é um descanso que é
espiritual. É um descanso para a alma. É
o descanso de Hebreus capítulo 4, quando
autor aos Hebreus fala do descanso que
os judeus tanto procuravam, fosse nos
sábados, fosse na terra prometida, como
um descanso que agora nos está
disponível por meio do descanso de
nossas obras na vida perfeita de Jesus.
Quando não há descanso pro
sofrimento, temos a convicção de um
descanso eterno em Cristo. Por isso que
em Mateus 11 ele diz: "Vinde a mim e eu
vos
aliviarei." Ir a Cristo é um alívio,
porque o seu fardo é leve, seu julgo é
suave, é bom tá com ele, é descanso tá
com ele, é paz tá com ele. Porque o
fardo do pecado, meus irmãos, é o
pecado, é o fardo do tormento. O
Espírito Santo é aquele que nos consola.
Mesmo no vale da sombra da morte. Há um
pastor que está conosco, nos prometendo
um lugar para
deitar em paz.
Que terrível é não conseguirmos
descansar da dor. Mas que glória é
conseguirmos lembrar da promessa de que
em breve deitaremos ao lado dele em sua
glória para sempre. Sétimo lamento de
Jó.
Deus, eu preferia morrer logo. Eu
preferia que o Senhor me
levasse. Jó deseja o fim. A dor é tanta
que a morte pareceria libertação para
ele. É o que nós temos no verso 15 e 16.
Por isso, prefiro ser
estrangulado antes a morte do que essa
tortura. Estou farto da minha
vida. Não quero viver para
sempre. Deixa-me em paz, porque os meus
dias são um sopro.
Lhe chama atenção que Jó seja
apresentado no Novo Testamento como um
modelo de
paciência, como um exemplo de
perseverança. Sabe o que isso me ensina?
é que ainda é possível ser um modelo de
fé, mesmo pedindo para
morrer, de que a dor da existência, que
às vezes nos acomete a alma, que às
vezes faz com que a gente preferisse nem
estar
vivo, não é oposta à verdadeira fé, a
verdadeira
perseverança. O sermão que eu prego em
Jó, capítulo 3 se chama Como crer se eu
quero morrer?
E Jó passa o capítulo 3 inteiro
lamentando e pedindo o fim de sua
vida. Mas Jó continua com fé no meio
disso. Parece paradoxal porque nós fomos
ensinados de que a fé genuína é aquela
aquele estado psicológico inabalável
diante das dores da vida. E a fé genuína
também pode ser uma fé que se abala. A
fé genuína também pode ser uma fé que se
desespera. A fé genuína também pode ser
uma fé que sofre. Às vezes nós não temos
empatia e achamos que a pessoa tá se
desviando, tá enfrentando o caminho da
apostasia, porque no meio do sofrimento
profundo ela coisas terríveis. Às vezes
tem ideias estúpidas, às vezes acha que
da cabo da vida é a resposta. E durante
o mais profundo da dor, no meio do olho
do furacão, às vezes a fé
genuína vai se manifestar como joelhos
fraquejantes. Também o que Jó teológica
que é isso, Jó? Creia. Que história é
essa? tá se desviando,
irmão. Era o que os amigos de Jó estavam
fazendo. O que Jó precisava era de
consolo. No meio do desespero profundo,
no meio da vontade de desaparecer, no
meio desse, no meio desse eu não aguento
mais.
Ele precisava lembrar que há um Cristo
que venceu o poder da morte, um Cristo
que nos dá sentido mesmo no meio do
sofrimento. Ele precisava lembrar
daquilo que segunda Coríntios 1:9 dizia:
"Sentimos que tínhamos recebido a
sentença de morte, mas isso aconteceu
para que não confiássemos em nós e sim
em Deus que ressuscita aos mortos. Jó
precisava de alguém que o consolasse.
Que triste que Jó não tinha nenhum
pregador do seu lado. Jó só tinha amigos
o acusando, o condenando, pegando cada
uma das suas palavras de lamento e
jogando contra
ele. E aí Jó tinha que contar paraos
seus amigos e instruir os amigos. Gente,
eu tô jogando palavras ao vento. Eu tô
sofrendo, tá doendo. E do enterro, do
velório, quando o seu amigo crente lhe
abraça tendo perdido alguém que amava
muito e pergunta: "Por que Deus?"
Explicação de por Deus.
Não, porque veja, soberania de
Deus, às vezes você precisa é é chorar
com ele, é sofrer junto, porque daqui a
pouco, porque daqui a pouco das lágrimas
rolarem, ele sabe por Deus, ele encontra
o consolo do Senhor. Às vezes a gente é
muito racionalista, que a dor às vezes
gera confusão mesmo. E às vezes tudo que
o outro precisa é de encorajamento, não
de repreensão. Nem todo erro é para ser
repreendido, nem todo pecado é para ser
corrigido, porque o erro, o a loucura, a
falta de senso que se apresenta no meio
da provação profunda, às vezes só
precisa de um tempo para poder a pessoa
assentar emocionalmente e dizer: "Nossa,
não era isso que eu devia ter feito.
Não, realmente não era isso que eu devia
ter dito. Não, eu realmente entendo.
Deus sabe o que faz. Durante a dor não
precisamos de repreensão. Durante a dor
não precisamos de de rememorar as
verdades que já sabemos. que a dor
muitas vezes quer fazer com que a gente
esqueça. Jó quer morrer e o que ele
precisava de uma aula sobre o pecado do
suicídio. O que ele precisava era um
dilagre dele para que ele voltasse a
crer na vida. É, não é isso que Cristo
fez no seu ministério presente? Não é
isso que nós temos em todos os
evangelhos em um Cristo que condena os
orgulhosos? Mais um Cristo que chora e
lamenta e consola todos os que sofrem,
se aproximam dele? Cristo é paciente.
Cristo é manso e humilde de coração. Tão
manso e humilde que sabe que pode nos
receber com graça. Tão manso e humilde
que às vezes deixa a gente falar
besteira só para poder nos receber e nos
consolar. Para quando a gente chegar
pedindo desculpa pela besteira. Ele diz:
"Eu sei, filho. Eu sei. Ele é bom. Ele é
um bom pai. Ele às vezes ele às vezes
aceita as nossas birras.
Ele aceita as nossas dores. Ele aceita
as injustiças que dizemos contra ele no
meio da dor, as bobagens que pensamos
sobre nós mesmos. E quando nos
aproximamos envergonhados por termos
dito, pensado e feito coisas que o
deshonraram no sofrimento, ele nos
recebe e diz: "Eu sei". E o seu sangue
nos cobre quando nos aproximamos com fé.
Claro que isso não é um incentivo para
sermos fracos no sofrimento. Isso não é
um incentivo para no dia da dor a gente
achar que está justificado em falar
bobagens e prometer desgraças sobre a
nossa própria vida, mas é um consolo
quando fraquejamos para que na fraqueza
possamos lembrar que há um caminho de
perdão e de arrependimento, mesmo nas
bobagens que nós fazemos durante o dia
do sofrimento. Às vezes parece que nós
colocamos sobre nós um tipo de carga e
de cobrança espiritual de que no dia da
dor a única forma cristã de passar por
isso é de forma inviolável. É se os
outros vierem me consolar e eu consolar
eles, não é? E é uma bção quando isso
acontece, mas isso não é realidade sobre
todos nós, não o tempo todo. Quantas
vezes em
sofrimento já pude ser um modelo de fé
inabalável para quem estava à minha
volta. Mas quantas vezes em sofrimento
eu precisei do consolo, da paciência e
do abraço de quem tava da minha volta?
Quantas vezes no sofrimento eu já pude
ser um pastor e fazer os meus amigos
dizerem: "Meu Deus, olha a fé desse
homem". Mas quantas vezes em sofrimento?
Eu não tenho certeza que eu fiz alguns
amigos questionarem se eu era crente ou
não, porque há dias, há dias que a nossa
alma parece sucumbir diante da dor que
Deus coloca diante de nós. O que nós
precisamos é da certeza plena e
constante de que mesmo que a gente fale
internamente, a nossa salvação se dá por
um Cristo que nos cobre com sua
misericórdia e nos recebe sempre que nos
aproximamos de novo e de novo em fé.
Oitavo lamento de Jó. Deus, eu não sou
tão importante para sofrer tanto. Jó
sofria tanto que ele achava que era
algum tipo de protagonista da história
do sofrimento no mundo. Ele achava: "Não
sou tão importante para receber tudo
isso." Isso está no verso 17 e 18. Ele
questiona Deus por estar sendo observado
com tanta intensidade. Ele se sente
esmagado pela atenção divina. Ele só
queria ser esquecido por Deus. É o que
diz verso 17 e 18. Ó, o que é o homem
para que tu lhes dês, lhes dê tanta
importância, para que dês a ele atenção,
para que a cada manhão o visites e que a
cada momento o ponhas à
prova? Até quando não desviarás de mim o
olhar? Até quando não me darás tempo de
engolir a minha
saliva? Quanto sofrimento
desproporcional, J tá dizendo. É aquele
grito, por que eu? Nos sentimos formigas
sob a lupa de Deus, pequenos demais para
tanta pressão, como se Deus estivesse
nos queimando com o
[Música]
sol. O que Jó não
sabia é que nós, como filhos de Deus,
temos sim a atenção dele. Como filhos de
Deus, temos sim um Deus que olha para
nós. Quando no Salmo 8, o salmista fala
algo muito parecido com o que Jó diz
aqui. O que é o homem para que deles te
lembres? O que é o homem para que o
visites?
O salmista tá impressionado com o fato
de Deus se importar com o homem. Jó, por
outro lado, tá chateado de Deus se
importar com o homem. Porque se Deus se
importa com o homem, Deus também traz
provação sobre o homem. Mas, irmãos, a
provação faz parte do modo como Deus nos
abençoa também. John Newton, famoso
puritano, escreveu que se Deus está me
provando, é porque ainda sou ouro aos
seus olhos. Deus nos prova como ouro.
Deus nos purifica. e usa muitas vezes as
provações como uma bênção sobre nós. Em
Cristo descobrimos que Deus nos ama e
nos ama com intensidade. O Salmo 8 se
une a João 3:16. No salmo 8, o salmista
pergunta: "O que é o homem?" João 3:16
diz que Deus amou o mundo de tal
maneira, justamente para se aproximar
desse homem. O olhar de Deus sobre nós,
irmãos, não é um olhar de destruição. O
olhar de Deus sobre nós é um olhar de
redenção. E quando nos sentimos
esmagados por Deus pelo sofrimento,
podemos crer que este mesmo olhar que
nos coloca em um momento de dor é o
olhar que nos purifica e nos convida a
uma vida plena nele. Não podemos temer
os olhos de Deus como se fossem olhos de
ira, porque se temos Cristo, nós temos
olhos de misericórdia. Mas essa
providência, claro, às vezes é agre
doce.
Essa providência de Deus muitas vezes
nos trai. O que ele espera de nós é que
possamos olhar para Cristo, olhar para
Jesus, olhar para aquele que que também
sofreu, que é o nosso Cristo, e ter
certeza que estamos sendo, sendo
purificados e que estamos nos
aproximando do Senhor por meio da dor.
Nono lamento em
Jet.
Deus, por que você não me perdoa?
Veja, os amigos de Jó estavam acusando
Jó de pecado. Você está sofrendo porque
você está em pecado. Jó diz: "Pois qual
pecado eu cometi? Eu quero me arrepender
agora". Jó se defende. Eu não tenho
pecados escondidos. Eu eu sou um
cristão. Eu eu amo a Deus. Eu uma vida
de
justiça. Deus em Jó um diz que Jó era um
homem justo. Os amigos diziam para Jó
que ele era um homem ímpio e Jó não
sabia mais o que fazer. Parece que Jó se
convence e que na verdade ele devia ser
ímpio mesmo. Então, se ele sofria tanto,
Jó sente culpa mesmo sem saber qual
pecado cometeu. Ele se sente acusado
como um alvo de Deus. Versos
20. Que mal fiz a ti, ó espreitador da
humanidade? Porque fizeste de mim o teu
alvo, tornando-me um peso para mim
mesmo? Porque não perdoas a minha
transgressão e não tiras a minha
iniquidade? Pois agora me deitarei no pó
e se me procuras já terei
desaparecido. Jó acredita na mentira dos
seus
amigos. Jó, que era um homem de fé,
acredita que ninguém pode estar sofrendo
tanto se não estiver sendo simplesmente
punido por Deus. Jó cai no conto do
diabo. Ele
acredita que o seu sofrimento
significava que Deus o estava
rejeitando. Essa é a maior armadilha de
Satanás, irmãos. É fazer a gente achar
que se Deus nos ama, a vida vai bem. Se
a vida vai mal, é porque Deus não tá
gostando tanto assim da gente. E o homem
que Deus mais amou, o homem que Deus
mais descreveu como justo, era um homem
que Deus colocou em sofrimentos
profundos. Porque o modo como
experimentamos esse lado da eternidade
não é diretamente proporcional ao modo
como experimentaremos o relacionamento
com Deus.
Não creia na teologia da prosperidade.
Não creia nas promessas de que Deus vai
te recompensar nesta vida por todo o bem
que você faz. A recompensa que esperamos
é a recompensa para além dessa vida. O
que acontece é que muitas vezes nós nós
sucumbimos na dor de uma culpa não
nomeada, numa sensação de sermos odiados
por Deus e abandonados por Deus porque a
vida vai mal. Sentimos que somos
crianças que não sabem por questão de
castigo, mas sentem o peso do
afastamento do pai.
Irmãos, a vida não é assim. Não caia
nisso. Não caia nas mentiras do diabo.
Deus não está necessariamente lhe
punindo, porque em
Cristo toda a punição já foi tomada por
ele. Se você é crente, Deus não tá lhe
punindo. Cristo já foi punido. Deus pode
nos disciplinar para que possamos entrar
no caminho do bem. É o que acontece com
Jonas. Deus coloca tempestades em volta
de Jonas porque Jonas foge de Deus. E às
vezes membros da minha igreja perguntam:
Deus pergunta para mim, pastor, como é
que eu sei diante de Deus se eu sou
Jonas ou se eu sou
Jó? Porque Jó sofre sendo justo, Jonas
sofre fugindo. Eu tô sofrendo, eu sou
qual? E eu confesso, às vezes é difícil
saber. O consolador é saber que tanto
Jonas como Jó precisavam da mesma coisa.
Aleluia. Precisavam de arrependimento
dos próprios pecados, de fé na obra
perfeita de Jesus. Precisavam viver no
caminho de Deus, esperar com paciência
no Senhor, se consertar com Cristo. É
isso que importa no fim das contas,
irmãos. A confiança de que Deus nos
perdoa total e definitivamente.
Colossenses 2 vai dizer que ele cancelou
o escrito de dívida que havia contra nós
e o cravou na cruz. Se nós cremos então
nesse Cristo, não há por acreditar que o
sofrimento representa abandono. Não há
mais condenação para aqueles que estão
em Cristo Jesus. É Romanos 8:1. Nada
mais nos separará do amor de Deus. Nada
vai ser aprovação, idade, a fome, nada
nessa vida é poderoso para nos separar
desse Cristo. Então, se estamos indo
como ovelhas mudas ao matadouro, se
estamos sofrendo as dores e as agruras
dessa vida, podemos ter confiança que
estamos simplesmente seguindo o caminho
do Calvário. A nossa esperança para essa
vida não é de que tudo vai dar bem. As
coisas podem ser cada vez piores. O
corpo pode ter vermes entrando e saindo.
Podemos ter vontade de morrer. Podemos
ser acusados por todos. Podemos achar
que o pecado quer nos levar no fim das
contas. Podemos continuar com fé.
Richard Sibes, um dos meus puritanos
favoritos, disse que há mais graça em
Cristo do que pecado em nós. Irmãos,
somos pecadores, mas podemos confiar
profundamente no poder dessa graça
majestosa. Creia. Não deixe que a
pregação do sofrimento lhe convença de
que Deus não lhe ama. O amor de Deus não
se expressa nessa vida. em uma vida
agradável, o amor de Deus. Jó não leu a
conversa entre Deus e o diabo em Jó um.
Jó não leu Deus dizendo que ele era o
homem mais justo do universo. Jó não
podia passar umas páginas à frente e
saber qual seria o fim da história. Jó
não sabia de um monte de coisa, de um
monte de coisa que a gente sabe sobre Jó
e que hoje podemos saber sobre nós. Você
pode abrir o livro do
Apocalipse, você pode ler que a qualquer
momento ele virá. Você pode ler que em
algum momento ele vai limpar dos nossos
olhos toda lágrima. Você pode ler
Primeira Coríntios 15 e saber que há um
novo corpo destinado para você. Você
pode ler Segunda Coríntios 4 e saber que
há um peso de glória. Ler Segunda
Coríntios 5 e saber que ele vai nos dar
um novo corpo e não nos deixará despidos
da sua glória. Há muitas bênçãos
prometidas, bênçãos que podemos receber
e crer e internalizar profundamente no
meio de qualquer dor e qualquer
sofrimento.
Você pode lamentar durante a dor, mas
você precisa crer durante a dor para que
você possa permanecer. Os lamentos de
Jó, meus irmãos, talvez se nós lermos,
lermos com olhos de maldade, de
crueldade, legalistas, podemos pensar
que Jó é um herege, que Jó é um
descrente, que Jó é um
fraco, mas ele é descrito como um
perseverante. Mesmo no meio de toda essa
confusão mental, Jó continua, Jó
permanece. Ele vai misturar erro e
verdade, mentira e fé no meio dos seus
discursos de lamento e de sofrimento. E
é nesse paradoxo e é nessa contradição
que há muitas vezes em nós que nós
permanecemos, que nós continuamos. Como
quem diz, eu não sei por eu acho que
Deus me abandonou. Eu acho que Deus não
me escuta. Eu acho que Deus nem me ama.
Eu devia era morrer mesmo. Mas eu não
largo esse Jesus por nada. Eu não
entendo nada. Eu no fim das contas eu
acho que eu vou pro inferno, mas eu não
largo desse Jesus por nada nesse mundo.
Eu vou me esconder aos pés dessa cruz,
nem que Deus me mande pro inferno no
final, desse Cristo no largo. E é no
meio desse paradoxo e dessa contradição
que muitas vezes assume a nossa mente
que a gente permanece. E é a esses que
ele dirá: "Seja bem-vindo, entra no
descanso do teu Senhor, servo bom e
fiel". É a fidelidade que se expressa
mesmo na confusão. Quando chegamos nos
céus com a cabeça baixa, com medo. Eita,
será que agora que vão descobrir? Será
que agora que Deus vai dizer: "Meu
filho, que diabo? Perdeu tua vida
todinha para nada". Foi?
A gente vai chegar lá com a cabeça
baixa, morto de vergonha, e ele vai
erguer a nossa cabeça,
vai nos dar um olhar de vitória e vai
dizer: "Esse é meu. Entra no descanso do
teu Senhor. Mesmo no meio das confusões,
tudo que precisamos é crer." Jó não era
um heree. Jó era um homem sofrimento.
Ele orava em dor. E em cada uma das
dores de Jó havia uma resposta na cruz.
No fim das contas, Jó precisava de um
mediador. No fim das contas, Jó clamava
por um mediador. O mediador que nós
conhecemos, Jesus Cristo, o nosso
advogado, nosso sacerdote, nosso
cordeiro, nosso amigo. Na cruz, Deus
ouviu o grito de Jó. Na cruz, Deus ouviu
cada um dos lamentos daquele homem. E na
cruz, Deus respondeu com sangue, com
ressurreição e com esperança. E na cruz,
ele deu para cada um de nós um caminho
de vida. mesmo durante cada um dos
sofrimentos. Ele não é alheio à nossa
dor. Ele não ignora o nosso sofrimento,
mas ele responde participando conosco de
cada uma dessas dores. Ele veio e entrou
nesse mundo de lamento por nós. No seu
livro autobiográfico sobre Auschiv
chamado A noite, um judeu chamado Vissel
relata um dos momentos mais tristes, mas
mais esperançosos, na minha opinião, do
que eu já li sobre Alchevit. Eu sou
fascinado em ler a história ah sobre
Auschwitz e os campos de concentração
nazistas. É um momento negro na história
da humanidade. Há muitas histórias
poderosas sobre aquele período. E o Vel
relata um dia em que uma criança foi
enforcada em Auspits. E aí um
prisioneiro perguntou pros outros: "Onde
é que tá Deus agora?" E um dos
prisioneiros apontou pra criança e
disse: "Ele tá ali pendurado na forca".
A certeza que temos, meus irmãos, é que
durante as dores e os sofrimentos dessa
vida, há um Cristo que está sofrendo com
a gente. Há um Cristo que está
lamentando conosco. Há um Espírito
Santo, como é prometido em Romanos 8,
que geme gemidos inexprimíveis junto com
as nossas orações. Quando oramos, o Pai
não escuta só a nossa oração. Quando
oramos, o Pai escuta o lamento e o choro
e o gemido do Espírito Santo. Quando Jó
lamentava, ele achava que estava sendo
ignorado por Deus. Mas enquanto Jó
lamentava, o próprio Deus lamentava com
Jó. E o próprio Deus responde aos
lamentos de Jó por meio de Cristo. Será
que você tem conseguido encontrar esse
consolo e essa fé no seu lamento de no
meio das suas lágrimas, das suas dores,
dos seus por Deus? Por que Deus poder
ouvir dos céus? Porque você é meu,
porque eu te amo e porque eu vou te
trazer para mim. Se conseguirmos ouvir
essa voz vinda dos céus, teremos consolo
e esperança para enfrentar qualquer
dificuldade, qualquer dor nessa vida com
uma fé inabalável, a fé que Jovem
eslumbrou e que a nós está disponível na
obra perfeita do filho. Senhor, que a
tua cruz seja a nossa esperança, que a
sua cruz seja o caminho paraa vida, que
na sua cruz os nossos lamentos encontrem
resposta. que mesmo quando tudo parecer
confuso, mesmo quando não entendermos
nada, mesmo quando parecer que fomos
abandonados, mesmo quando tivermos
certeza que o diabo vem nos buscar,
mesmo quando acharmos que todo o cosmo
esmagará quem somos, quando tudo parecer
escuro e
negro, que possamos permanecer abraçados
nesse filho, ouvindo a voz do nosso
pastor, seguros em tuas mãos para
encontrarmos vida e vida em abundância.
Assim nós oramos no santo nome de Jesus.
Amém. E

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