Sermão: ESTAMOS EM CONSTRUÇÃO…
15/05/2025
Sermão: ESTAMOS EM CONSTRUÇÃO…
Décimo quinto sermão da série Graça, feito pelo pastor Marcos Apolônio na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
[Música] Deus que a pai também a mãe te agradecemos imensamente porque tem um lugar para nós. Ajuda-nos, Deus, a continuar criar um lugar seguro para que outras pessoas também que se sentem sem lar possam vir e adorar, possam lembrar-se do valor que elas têm diante dos teus olhos, diante da cruz do calvário. Amém. Sen esteja conosco, que a gente possa sair daqui alimentado. Todos nós te pedimos em teu nome. Amém. Amém. Oi, é bom estar aqui com você. Muito bom, maravilhoso. É bom estar com você que está em casa. Não sei a que horas, quando, que dia você tá assistindo isso, mas obrigado por estar conosco, por fazer parte dessa comunidade. Antes de ontem tava conversando com a Socorro lá do Nordeste e falando das das necessidades, das dificuldades dela lá no estado dela. E é maravilhoso conversar com o pessoal de longe e perceber como a gente tá conectado. É muito bom, é muito bom estar com você. A gente tá numa série bem longa e a gente tá quase terminando a série da graça. Ainda tem alguns capítulos aí. Hoje é o capítulo 15, baseado no livro de Richard e Christopher Reis, chamado Ampliação das Misericórdias de Deus. E hoje a gente, no capítulo 15, a gente vai falar sobre o concílio de Jerusalém. É um capítulo fascinante. Eu realmente recomendo que você tome um tempinho em casa, faça lá a sua lição de casa. Você quiser reportar para ganhar uma estrelinha, a gente dá uma estrelinha. Leia o capítulo 15 de de Atos, que é muito legal. Na abertura do livro tem duas citações que eu queria mencionar que são lindas. Eh, uma de Frederick Faber diz assim: "Há uma vastidão na misericórdia de Deus como a vastidão do mar. Há uma bondade na justiça de Deus que é maior que a liberdade." A outra citação é de Mateus, no capítulo 9 verso 13. É Mateus citando Oséias 6:6. que diz assim: "Vai, aprenda o que significa desejo misericórdia, não sacrifício." Como grupo, como comunidade, hoje a gente vai falar de discernimento. E parte do nosso discernimento aqui é justamente pensar naquilo que é importante, naquilo que tem valor. De que maneira que a gente pode fazer diferença, de que maneira que a gente pode ajudar. Um dos recursos que a comunidade usa para ajudar e para fazer diferença é o Instituto de Sementes. O Instituto Sementes tá aí há muito tempo, tem um impacto social incrível. Instituto Sementes ajuda pessoas em situação de vulnerabilidade. Tem um programa para pessoas que estão na rua, tem um programa odontológico, tem um programa de incentivo à educação e entre os programas que mais me fascinam, tá o programa chamado Água para o Piauí. Eu já ouvi falar há muito tempo, sempre que está envolvido e esse ano eu resolvi ir junto. É uma equipe que vai em julho agora para o interior do Piauí lá uma cidade que chama Boi Morto. A gente vai para lá ressuscitar o boi. E a ideia é ajudar construir cisternas e ajudar o pessoal que tem dificuldade com água, mas também vai vão vão médicos, né? Então clínico geral, oftalmo, gineco, odonto e saúde mental. Então a gente vai lá trabalhar. Se você quiser saber como você pode participar e de que maneira você pode ajudar, inclusive para para crescer espiritualmente, dá uma uma visitada no sementes.org.br. Você vai saber mais dos projetos que você que eu tô mencionando. Como você ajudar diretamente e indiretamente também é muito legal, fascinante. Depois eu conto para vocês do bom e morto. H, sábado passado o o pastor Edson falou de Atos 10, né? E e falamos aqui do da visão famosa clássica de de Pedro do lençol, né? Aquela aquela visão que Pedro tem. E aí ele vê um lençol aberto que desce do céu e tem vários animais ali e a mensagem, a voz diz para ele: "Vai e come". E Pedro diz assim: "Não posso." Isso acontece três vezes. E aí por final a voz diz assim: "Não chame de impuro aquilo que Deus purificou". Depois disso, Pedro é chamado para ir à casa de Cornélio. E chega na casa de Cornélio, o centurião, tem um grupo de gentios recém conversos. Aí Pedro entende a mensagem. E nos versos 34 e 35 de Atos 10 diz assim: "Deus não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita quem o teme e faz o que é justo." E para selar, confirmar o fato de que Deus de fato aprovava, chamava, convidava outras pessoas para se unirem ao grupo de cristãos, o Espírito Santo desce sobre todos eles. Isso é Atos 10. Depois, em Atos 15, a gente tem o Concílio de Jerusalém, a reunião dos líderes da igreja em Jerusalém. Por que essa reunião acontece? Qual que é, qual que é o problema? Bom, tinha um grupo de fariseus judeus que se converteram ao cristianismo. Então, os fariseus são aqueles muito estritos e muito apegados a lei. E e esses caras se convertem ao cristianismo e eles sem ninguém pedir, eles saem do lugar deles e vão conversar com os novos conversos e diz para eles assim: "Olha, vocês têm que fazer tudo isso aqui. Vocês têm que seguir a lei de as leis de Moisés e vocês têm que se que que se circuncidar." Então, uma vez eu vou chamar pastor Edson um dia pra gente ter uma série aqui só sobre circuncisão, pra gente poder falar sobre isso, né? Para quem não lembra, circuncidão é aquele processo cirúrgico de remover a pele que cobre o prepúcio do pênis, né? Então, a gente tem aí esses caras judeus agora cristãos, fariseus que andavam por lá tentando controlar o que estava dentro da calça dos outros e dizia assim: "Vocês têm que se circuncidar". Então, criou uma situação ali muito incômoda e e Pedro chega e Barnabé também e fala: "Olha, para com esse negócio, fissura essa coisa de ficar tentando controlar os outros. Para com isso." O que é interessante é que esse grupo estrito, eles queriam criar uma comunidade de minions, eles queriam criar clones, eles queriam criar cristãos que todos se pareciam que eram todos iguaizinhos, porque eles vinha gente nova, não é? E e o mais interessante para usar uma um termo pastor Edson adora, o bizarro, o bizarro da coisa é que eles diziam assim: "Vocês têm que ser dessa maneira". Se você observar essas características que eles descreviam que as pessoas tinham que ter, essas características tinham que ver com eles. Em outras palavras, para você se salvar, você tem que ser como eu. Você tem que viver como eu. Você tem que se parecer comigo, se vestir como eu, falar como eu, comer como eu, enfim, você tem que ser eu para poder se salvar. Aí Paulo e Barnabé vão para Jerusalém, reúnem todo mundo, todos os líderes da igreja, os presbíteros, os líderes dos apóstolos. E acontece o que tá lá em Atos 15. Se você tiver uma Bíblia aí, quiser seguir com a gente, ah, Atos capítulo 15 de 6 a 11. Vamos lá. diz assim: "Olha, então os apóstolos e os presbíteros se reuniram para examinar a questão. Havendo o grande debate, Pedro tomou a palavra e disse assim: "Irmãos, vocês sabem que desde há muito Deus me escolheu entre vocês para que da minha boca os gentios ouvissem a palavra do Evangelho e cressem. E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também havia concedido a nós, e não estabeleceu distinção alguma entre eles e nós, purificando-lhes o coração por meio da fé. Agora, pois, por que vocês querem tentar a Deus, pondo sobre o pescoço dos discípulos um julgo que nem os nossos pais puderam suportar e nem nós? Mas cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como eles. Fantástico. Deus mostrou e confirmou a salvação dos novos conversos dos gentios, concedendo a eles o Espírito Santo. Interessante como Pedro termina ali. Ele diz assim, ele não diz, eles são salvos pela graça como nós não. Ele diz assim, nós é que somos salvos pela graça como eles. Porque a ideia é a seguinte, o pessoal era era novo e esse grupo tava vindo para cá, eles não pertenciam, eles não eram judeus. Como que eles seriam salvos? Ah, entraram pela graça, né? Então, compraram o ticket de graça porque os outros pagaram um preço alto. Então, tinha esse contraste, porque os que estão aqui, quem são? Ah, não. Ah, não. Quem tava aqui pagou, comprou primeira classe, né? Então são os judeus. É gente que tem sangue de Moisés correndo na veia, né? Gente que é, não são circuncidados, não. Eles obedecem toda a lei do Antigo Testamento, né? Fazem tudo que a lei mosaica manda. E esses outros, ah, não, esses chegaram depois, foram salvos pela graça. Pedro inverte a coisa. Pedro diz assim: "Não, nós somos salvos pela graça. Lembrem-se disso. Tanto quanto eles ninguém aqui tem mais valor do que ninguém. A gente percebe aqui a transformação mental que era necessária ali naquele grupo era tanto para aqueles que vinham quanto para aqueles que estavam dentro. Então a mudança, a conversão era algo que precisava acontecer continuamente. Nós não somos salvos por nada. Nós não somos salvos, dizia, dizia Pedro, a gente, a gente não é salvo porque a gente guarda o sábado. A gente não é salvo por, por guardar a lei e nem para circuncisão e nem por nada disso. Nós somos salvos, assim como eles, pela graça. Todos somos salvos pela graça. E Paulo, mais tarde eh eh reforça e elabora a questão da graça e explica com mais com mais detalhes a questão da graça, como são todos incluídos. É interessante quando você fizer a sua lição de casa lá, que depois eu vou checar, quando a gente vê Thago falando do Thago toma a palavra no concílio e fala também. E Thago faz uma referência a um Antigo Testamento. Ele diz assim: "Não, se a gente observar, se a gente prestar bem atenção e olhar lá atrás, a gente vê que o plano de Deus nunca foi de ficar só a gente." Essa não era a ideia. A ideia era trazer outras pessoas para cá, outra gente. E era um desafio. Era um por quê? Porque a outra gente, eles não eram judeus. Eles se vestiam de maneira diferente, eles comiam de maneira diferente, eles tinham sotaque diferente, tinham aparência diferente, tinham cultura, era tudo diferente. Mas aqui o que fica claro é a gente não tem que transformar os outros na gente. Isso aqui não tem nada a ver com salvação. E Thago faz uma proposta de quatro itens que os novos gentios precisam seguir. E ele diz então que o primeiro ele que eles tinham que se abster de quatro coisas principais, de sacrifícios oferecidos a ídolos, de imoralidade sexual, de animais sufocados e de sangue. Era esta a proposta de Thago. É interessante, eu acho que é interessante lembrar aqui, importante lembrar que todas essas quatro coisas, elas estavam diretamente envolvidas com os rituais de culto aos deuses. Então, não eram coisas gerais, não eram aleatórias. As quatro coisas estavam alinhadas e as quatro coisas estavam relacionadas ao fato de que praticando essas coisas de uma determinada maneira, você estava oferecendo culto aos outros deuses. Eram coisas que mantinham os o povo de Israel separado, mantinham a sua identidade de adoradores de Deus, tanto a aos sacrifícios que eram oferecidos, quanto ele quando ele fala de moralidade sexual, ele tá sendo bem específico. Então, a algumas pessoas elaboram, tentam elaborar isso aqui, incluir questões de orientação sexual e identidade e de gênero. E não é o caso aqui. Isso aqui ele tá falando de práticas específicas que eram usadas para adorar Deus de da fertilidade. Quando os pais iam lá ofereciam as filhas virgens, enfim, uma infinidade de coisa que você pode que você pode olhar aí. ah, animais sufocados, sangue, tudo isso tinha que ver com a adoração de outros deuses. Então, não praticar essas coisas mantinha o povo de Israel separado e e e santo, que também significa separado, para Deus de uma maneira especial. Eu nunca tinha me dado conta até essa semana, até estudar que até estudar esse capítulo para trazer para cá que os novos conversos não tinham que seguir todas as coisas que os antigos que os antigos judeus seguiam. A proposta aqui é outra. E e Pedro é muito claro quando ele diz: "Não vamos impor sobre os caras aquilo que nem a gente aguenta, não aguentou e não funciona. E não é essa a base, a a ideia era realmente ter uma distinção muito clara, diferenciar Israel das outras nações. Aí eles preparam a carta, tem o concílio, conversa, conversa, conversa, um apresenta, outro apresenta, preparam a carta que é para ser enviada para as igrejas de uma maneira geral. Voltemos a Atos 15. E os versos são 23 em diante. Aqui diz a carta: "Os irmãos, tanto os apóstolos como os presbíteros, aos irmãos gentios em Antioquia, Síria e Silícia. Saudações. Visto sabermos que alguns que saíram de nosso meio, sem nenhuma autorização, perturbaram vocês com palavras, transtornando a mente de vocês, nos pareceu bem, chegados a pleno acordo, eleger alguns homens e enviá-los a vocês com os nossos amados Barnabé e Paulo, homens que têm arriscado a vida pelo nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Verso 28. Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós. Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês maior encargo além dessas coisas essenciais. Agora vem as coisas essenciais, as quatro que Tiago tinha mencionado. Que vocês se abstenham das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, de animais sufocados e de imoralidade sexual. Tá aí os quatro pontos. Essa era a carta e essa carta foi enviada para as igrejas, deixando claro o que era esperado dos novos conversos dos gentios. A gente fica pensando, e é difícil não não ver o paralelo do que acontece lá no início do cristianismo, dessa igreja do cristianismo, da igreja e que surge e da comunidade, do trabalho que a gente faz, do trabalho de trazer outras pessoas, do que tem valor e do que não tem valor, daquilo que é um um fardo que nem nossos pais e nem nós aguentamos e que a gente não quer colocar no pescoço dos outros. e daquilo que tem valor e daquilo que é importante. Interessante essa questão do discernimento. Discernimento aqui era a chave, porque primeiro houve é o que o Thago faz lá. Ele faz um uma interpretação das escrituras. Ele olha pro Antigo Testamento e percebe que a base teológica que havia ali e o interesse de Deus de trazer novas pessoas. O segundo ponto é o discernimento de prestar atenção aonde Deus estava atuando. Deus está atuando. As pessoas não vem pra igreja para ter uma experiência. As pessoas vêm pra igreja porque elas têm uma experiência com Deus. Dá pra gente sentar junto e falar dessa experiência? Dá pra gente reconhecer que tem alguém sentado do lado da gente que tem uma vida, que tem uma experiência que e que o espírito tem um impacto na vida dessa pessoa? Então ele não vem para mim para buscar de mim. e ele vem para mim para compartilhar comigo a experiência que ele tem. Então é prestar atenção, não naquele que parece comigo, porque o que parece comigo eu sei da experiência dele. Prestar atenção no que é diferente e como eu posso crescer com aquilo. Pareceu bem ao Espírito Santo, diz a carta. Pareceu bem ao Espírito Santo. Então é prestar atenção que Deus já está atuando na vida das pessoas. Não sou eu quem determina onde o vento assopra, onde o Espírito Santo trabalha. É o Espírito Santo que faz o trabalho. E aí ele diz: "Pareceu bem ao Espírito Santo e pareceu bem para nós." A gente parou, conversou, analisou, ouviu as histórias, prestou atenção, orou por isso e como comunidade pareceu bem também para nós. A gente também se deu conta de que aquela experiência do outro era uma experiência com Deus. é o consentimento do grupo, é a avaliação coletiva. Pastor Edson já comentou aqui que teve um uma série de coisas acontecendo com os escritores do nosso livro, porque são teólogos renomados, acadêmicos de de grande nome nos Estados Unidos, publicaram imensamente, são professores, um deles faleceu no começo do ano, o pai é pai e filho, Christopher Richard. E uma das grandes mudanças foi no momento em que eles passam a aceitar que o evangelho também é para pessoas de de homossexuais, pessoas LGBT. Agora veja o que eles dizem aqui no capítulo 15. O relato de Lucas sobre o Concílio de Jerusalém oferece um modelo de como a igreja hoje pode abordar questões relacionadas à inclusão de minorias sexuais. De fato, é um modelo promissor, totalmente consistente com o fluxo da história contínua da Bíblia sobre a graça expansiva de Deus. O modelo sugere que assim como os primeiros cristãos deliberaram juntos e decidiram remover as barreiras a participação dos gentios na comunidade dos seguidores de Jesus, a igreja hoje também deve abrir suas portas totalmente para aqueles de diferentes orientações sexuais. Três critérios que a gente vê aqui presente, atenção criativa às escrituras. Então, olhar o trabalho que Deus já tinha feito e continuava fazendo. Segundo, escuta atenta às histórias para perceber aonde Deus já está trabalhando. E terceiro, conversas cuidadosas na comunidade sobre como abraçar e como trazer esse grupo que é diferente de muita gente que já está aqui. É interessante ler a história porque a gente vê um monte de problema que eles tinham lá. comunidade nova, ele estava fazendo algo novo, era diferente, era distinto. Nós estamos fazendo algo novo, precisamos de ajustes constantes e a gente nunca vai chegar lá, nunca vai ser tudo, porque a gente sempre tá progredindo. Você e eu somos chamados para construir a comunidade. A gente faz parte disso. Comunidade é o que é por nossa causa. A gente não é chamado simplesmente para sentar. A gente é, o convite é um convite à atividade. Então se é necessário haver melhora, é preciso que eu faça a minha parte para isso. Todos nós somos líderes, todos nós somos influenciadores. Aqui concílio de Jerusalém mostra um conflito, vários conflitos. Nós também temos conflitos e às vezes a gente ouve, né? Ah, eu esperava tal coisa da comunidade. A comunidade não é perfeita, nunca vai ser. Não é essa proposta, não é essa ideia. A gente não luta por isso. A gente luta para ser melhor a cada dia. Como assim? Como assim? Eles não a O pessoal da música não toca música. A minha música predileta que eu já pedi faz tanto tempo. Como assim fulano de tal não canta já faz não sei quanto tempo? Como assim eu vim aqui para ouvir o pastor Ed? Tem um tapa buraco pregando. Como assim? Tá aparecendo a outra igreja? A gente tá aprendendo a fazer o novo, gente. A gente não sabe direito fazer o novo. A gente tá tentando e vai continuar aperfeiçoando isso. A gente sabe fazer o velho. A gente sabe fazer aquilo que não funciona mais. A gente quer aprender a fazer o novo e a gente precisa aprender junto. Lembra que sábado passado o pastor Edson falou que deu um bo e ele não ia dar spoiler, mas tinha dado um problema lá entre Paulo e Silas. Se você for lá em Gálatas 2, você vai ver o que aconteceu, que é bastante interessante. Eu vou contar para vocês a fofoca. Aconteceu que o Pedro tava lá em Antioquia e ele tava com os novos conversos, o pessoal não circuncidado, essa gente que pessoal falou: "Olha, tem essas quatro regras para vocês seguirem". Só que vieram aqueles grupos de de de fariseus apareceu e aí o Pedro discretamente, mas não, se afasta dos novos para não dar uma má aparência, para não arrumar encrenca com os com os fariseus. E Paulo fica muito indignado com aquilo, fala: "Que porcaria você tá fazendo? Que negóci, mas que coisa sem lógica é essa?" E chama Pedro e e acusa ele claramente, porque no em Atos 15 a gente vê Pedro lutando e defendendo. Em em Gálatas 2 a gente vê Pedro meio que com vergonha do povo novo. Paulo fala: "Não, não tem sentido isso, gente. Que coisa mais sem lógica". E Pedro passa aquela maior vergonha ali. Eu adoro isso porque Pedro sou eu. Pedro é você. Pedro é super super humano. É a história de Pedro, né? É o Pedro que joga, que chora, que rasga as vestes, que diz para Jesus: "Se for preciso, eu morro por você, não sei o quê". No dia seguinte tá lá negando Jesus, né? É o Pedro, a história do Pedro. É quem Pedro é, né? Num momento faz uma coisa, no outro momento faz outra. é um processo. Ele mostra pra gente que a gente tá num processo. E Pedro é Pedro. Não é para diminuir Pedro de maneira nenhuma. É para mostrar o processo em que a gente caminha. Às vezes a gente faz besteira, às vezes a gente acerta e continua em frente. Felizmente Pedro, assim como nós, teve mais acerto do que erro. Mas esperar que vai ser perfeito, não vai ser perfeito. A gente precisa aprender a aprender uns com os outros. Assim como os fariseus, a gente tem hábitos dos lugares que a gente traz de outros lugares e a gente precisa desaprender aquilo. Às vezes a gente ouve, a comunidade não é um lugar seguro para mim, ué, mas não é um lugar seguro para você. A gente precisa da sua ajuda, a gente precisa sentar junto e a gente precisa fazer junto. A gente vi até uma placa lá na frente dizendo assim: "Estamos em construção para nos servir melhor". A gente passa a vida tendo atitudes que separam, atitudes que marginalizam, atitudes que oprimem, atitudes que discriminam e e atitudes que tratam mal. A gente quer desaprender isso e fazer novamente. A gente tá lutando para fazer melhor. A gente tá lutando para criar um ambiente seguro. Eh, só para ilustrar o ponto, a gente tava na academia outro dia e a gente tá falando de uma série no Netflix chama adolescência. que eu recomendo muito, né? Meus filhos não são mais adolescentes, mas é uma série tremenda. Tem uma infinidade de tópicos que você tira dali que dá pra gente conversar semanas. E a gente tava falando da série e tendo reações em relação à série, tinha uma senhora na máquina do lado assim e a mulher caiu de para-queda no meio da conversa e disse assim: "É tudo mimimi". Até agora não entendi direito o que que ela ouviu, como é que tudo mimimi tinha que ver com aquilo que a gente tava falando. Mas aí ela aí ela complementa, ela diz assim: "Antigamente, aí vem antigamente a gente chamava esse grupo disso, aquele grupo daquilo, aquele grupo daquilo outro, aquele grupo daquilo outro, não tinha problema nenhum. Hoje não pode falar nada. Tudo que a gente fala as pessoas se doem. Às vezes eu falo, às vezes eu não falo nada, sabe? Naquele momento, dado as circunstâncias, o contexto todo, a pressa, o meu estado de humor, eu falei: "Melhor não deixar para lá". Aquele momento eu não falei nada, mas eu, aquilo ficou comigo e eu fiquei pensando na história do mimimi. Eu fiquei pensando, será que essa mulher em algum momento fez parte de algum desses grupos que ela tá dizendo? Porque do grupo A, claramente ela não faz parte. Ela não faz parte desse grupo racial. Do grupo B, talvez não. Do grupo C, eu não sei. Do grupo D vai saber. Deus sabe, né? Será que algum dia ela foi chamada de algum desses nomes que ela tava mencionando que causava essa reação de mimimi? Eu me lembrei de uma coisa que aconteceu comigo. Eh, quando eu tinha 12 anos, a escola onde eu estudava não tinha mais vaga. E aí eu, minha mãe procurou lá na região uma escola para mim e só encontrou vaga para eu estudar no colégio chamado João Evangelista Costa, que fica na avenida COPC, lá na zona sul, perto da onde perto da da nossa casa. E eu fui estudar lá, só que era um programa noturno e eu só tinha 12 anos e além disso eu não tinha traquejo nem malandragem nenhuma. Eu era imaturo e não inocente, eh, vulnerável e efeminado. Não deu bom. Então, ser chamado de naquele contexto era um negócio comum que eu tentava ignorar e o bichinho era o melhor que tinha. Então, ia daí morro abaixo. Você imagina o resto, você já sabe o resto. Um dia um dos meninos, os meninos vieram e falaram assim: "Olha, nós vamos pro Ibrapuera. Vamos, a gente vai cabular a aula quarta-feira e vamos pro Iberrapu era. Vai fulano. E os caras eram todos bem maiores que eu. E eu que você, que que nós vamos fazer lá? Ah, vamos brincar. A gente vai para lá de vir a gente vai. Tá aí contei nada pra minha mãe e fui para com eles. Fui bear porera. Chegou lá a galera, o plano deles todos, a imaginam planejado entre eles é que a gente que iam para lá para ter sexo comigo. Não me pergunte exatamente qual a razão. Só foi por Deus que nada físico aconteceu. Foi emocional, mas de alguma maneira lá na hora alguém intercedeu e dizer assim: "Não, isso não não vai dar legal. Vamos embora." O grupo se dispersou, a gente foi embora. Mas no outro dia, quando eu cheguei na escola, a história de que eu tinha ido para o Iberappuera com os meninos e que tinha feito sexo com todo mundo, espalhou ao fogo na escola inteira. O meu apelido da linha em diante é a ribira. foi um negócio horrível que já tratei em terapia, já tô, eu tô bem com isso, não se preocupe. Eh, mimimi. Então, você percebe o peso das palavras? Quando a gente não pertence a um grupo determinado, a gente não sabe o que significa essas coisas. Que mimimi é mimimi quando não é comigo, né? Porque se for comigo não é mimimi. A gente precisa cuidar com as brincadeiras, a gente precisa cuidar com as coisas que a gente fala. Que só é brincadeira se os dois se divertirem. Se não for diversão para os dois, isso não é brincadeira, gente. Graças a Deus a gente vive num outro momento. Graças a Deus a gente não pode sair por aí chamando as pessoas daquilo que vem na cabeça da gente. Chega disso. Passou o tempo, não é? A gente procura construir um lugar seguro para todas as pessoas. Outro dia veio um comentário que dizia assim: "Já não basta ter um pastor LGBT na comunidade, ainda tem que ter o fulano de tal com unhas pintadas e roupa colorida cantando lá na frente?" Tá bom, deixa eu desdobrar essa questão, essa pergunta em dois, duas partes. Já não basta ter um pastor LGBT? Não, não basta. Não basta. Sabe por quê? Porque uma pessoa não representa todo um grupo. Então não basta ter um pastor LGBT na comunidade, não basta ter uma mulher na direção, não basta não. A gente precisa de um lugar seguro para todas as pessoas. E a segunda parte ainda tem que ter que ter que ter um monte de gente. A a o a meta da comunidade, o alvo da comunidade, o nosso o nosso objetivo não é criar um lugar seguro para pessoas LGBT. A meta da comunidade é criar um lugar seguro, ponto final, para que todas as pessoas possam vir, para que todas as pessoas possam adorar a Deus, para que as pessoas, especialmente as pessoas que não se sentem seguras em outros lugares, possam vir e se sentir aceitas, se sentir em casa, se sentir à vontade, sem ninguém, pegando no pé e cobrando uma circuncisão. Ah, mas a pessoa é demais. A pessoa é demais. Então vamos virar essa essa essa observação. Eu sou demais. Você é demais. Demais em quê? Em que é que você é demais? Você é exuberante demais? Você fala alto demais? Você tem peso demais? Você tem peso de menos? Você come demais? Você é você tem a pele escura demais? Você tem um sotaque forte demais? Você é masculina demais? Você é efeminado demais. O que que você é demais? Porque com certeza você é de mais alguma coisa. A gente precisa cuidar muito com essas réguas que a gente usa para medir os outros, porque elas são el são elas estão super afiadas e elas ferem a todos. Vai chegar vai chegar a hora de cada um de nós de mais o quê? O que que é demais? As boas novas é que a gente pode parar de tentar agradar os outros, porque a gente não vai conseguir. A gente não vai conseguir ser aquilo que os fariseus querem que a gente seja. parecido com eles, isso não vai dar certo. Tem um livro que diz assim: "A, o título do livro é: "Não é da minha conta aquilo que você pensa meu respeito". Eu acho que eu já falei para você desse livro que eu vivo repetindo isso. Então, assim, que a pessoa pensa sobre mim, eu não quero saber não. Isso é problema dela. Não tem nada a ver comigo. O julgamento do outro pertence ao outro. Não, de fato, não tem nada a ver comigo. Tem gente que não fala, né, que fala pelas costas, tem gente que fala pela frente, que vem falar para você aquilo que eles pensam. O Ariano Soaçuna diz assim: "Eu sou muito contra falar mal das pessoas pela frente, eu acho de uma falta de educação tremenda esse negócio de pra pessoa falar na cara dela o que a gente acha dela. Constrange quem ouve e constrange quem fala. Espera um pouco a pessoa virar as costas aí você mete o pau. Aí você fala, a gente sempre vai ser de mais alguma coisa. Existe uma maneira de criar espaços seguros. Primeiro lugar, a gente pergunta paraas pessoas, para essas pessoas, para quem a gente quer criar um espaço seguro. O que é que significa um espaço seguro para elas? O que é que significa um espaço seguro para você? Como que eu crio um lugar aonde você se sinta segura conosco? Em segundo lugar, a gente não segue adiante sem a inclusão dessas pessoas nesse espaço, nessas conversas, nesse processo. É fundamental que a pessoa esteja à frente à liderança desses diálogos sobre o que significa espaços seguros para todos os grupos. Em terceiro lugar, a gente remove o julgamento. Então, hoje o meu chamado para você é é que a gente remova o julgamento, porque tem coisas que eu não consigo julgar. Eu não consigo julgar. Eu não consigo julgar, por exemplo, como é viver com útero. Não tenho um, não tem a menor capacidade. Mesmo que eu tivesse, fosse um, um ginecologista, um obstetra com décadas de experiência, ainda assim a minha experiência seria teórica, não prática. Eu não vivi com útero, eu não sei o que é. Como que eu vou ter conversas de pessoas que t sobre pessoas que t úter sem incluir essas pessoas, sem saber da opinião delas, sem pedir que elas tomem a liderança nesse processo? Só um exemplo, não tenho capacidade de julgar o outro. Então eu preciso eliminar o julgamento, porque a experiência do outro, a vida do outro, a reação do outro, o corpo do outro, a cultura do outro, a expressão do outro são do outro, não são meus. Então, eu não tenho capacidade de ter um julgamento objetivo. E em termos de cristianismo, ninguém nunca pediu pra gente ser julgar, ser juiz de ninguém. Hoje nós não queremos ter aqui um lugar de tolerância. Nós já passamos dessa fase. A gente não quer um lugar de tolerância que a gente quer um lugar sem julgamentos. Não é assim, guarde o seu julgamento para você. Não é isso que eu tô lhe pedindo. Como cristão, como parte dessa comunidade, eu estou lhe pedindo para não julgar. Ah, mas é difícil. É, mas se exercite. Vamos parar de julgar os outros. Até aquela expressãozinha, vamos deixar que Deus julga. Até essa expressão é carregada de de julgamento, porque ela pressupõe um julgamento. Ela não é uma expressão baseada na graça, não é uma expressão baseada em tudo aquilo que a gente acabou de falar. Somos salvos pela graça e não por aquilo que nós fazemos. Então, então essa expressão ela ela implica em que a gente não vai passar pelo crio de Deus. Não somos salvos por nada mais além da graça. Parafraseando Pedro no Concílio de Jerusalém, cremos que aquilo que nos salva é a graça do nosso Senhor Jesus Cristo. Nada mais. Não guardar o sábado, não. Aquilo que a gente come, a gente deixou de comer, a tradição que a gente tem ter nascido no cristianismo, quarta, quinta, sexta geração de cristãos, nada disso. O que nos salva é a graça, que é exatamente a mesma coisa que salva as pessoas que são diferentes de mim, que estão vindo e que estão se assentando aqui conosco. Deus e Pai, te agradecemos imensamente pelo teu amor por nós. Te agradecemos por esse espaço onde nós podemos conversar abertamente daquilo que está no nosso coração, aonde nós podemos planejar, aonde nós podemos ser desafiados e aonde nós podemos crescer. Esteja conosco, continue nos abençoando, continue presente em nossa vida e que nós possamos seguir construindo lugares seguros para nós e para aqueles que vêm sentar-se conosco em tua casa, a tua mesa, em teu nome. Amém. M.