Sofrer, Servir, Sorrir – Filipenses 2.1-11 | Ákilla Nascimento | IBNU
19/05/2025
Sofrer, Servir, Sorrir – Filipenses 2.1-11 | Ákilla Nascimento | IBNU
A jornada cristã é marcada por um paradoxo profundo: sofrimento, serviço e alegria não se excluem, mas coexistem na vida do discípulo de Cristo. Esta reflexão inspiradora, centrada em Filipenses 2:5-11, conduz o espectador por uma análise teológica rica e sensível sobre a mente do Messias e o caminho que ele nos chama a seguir.
Mesmo aprisionado, o apóstolo Paulo escreve aos filipenses com gratidão e alegria, evidenciando que viver a fé cristã vai além da lógica humana: envolve abnegação, comunhão e uma confiança plena em Deus, mesmo nas adversidades. A mensagem destaca que sofrer por amor a Cristo não é sinal de derrota, mas de obediência e glória futura.
Explora-se como a encarnação, morte e exaltação de Jesus se tornam modelo de vida, desafiando os cristãos a desenvolverem unidade e santidade, vivendo como cidadãos do Reino, mesmo em meio à oposição do mundo. A cruz, antes símbolo de vergonha, torna-se o maior sinal da glória de Deus.
Este vídeo é um convite poderoso à transformação interior e à vivência plena do evangelho, com coragem e esperança.
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Fonte: Com IBNU
Legendas automáticas:
Sofrer, servir e sorrir. Você já pensou um pouquinho sobre essas palavras de Jesus de que nós deveríamos nos alegrar quando nós fôssemos perseguidos? Você já pensou sobre essa palavra de Paulo de que nós deveríamos completar a aflição ou sofrimentos de Jesus e nos alegrarmos por isso? Pois é, nem sempre é muito fácil entender o que isso quer dizer. Nem sempre é muito fácil replicar a história que Jesus e Paulo nos contam. e nos instruem a repetir. Por isso, eu convido você a pensar hoje sobre o texto de Filipenses, capítulo 2, dos versículos 5 a 11, em especial, mas tudo aquilo que Paulo está tratando em especial nesse capítulo 2 da carta aos [Música] Filipenses. Sofrer, servir e sorrir. Existe uma estranha relação dentro dos evangelhos na Bíblia como um todo, mas que se torna mais claro na pessoa de Jesus e muito presente também nas cartas de Paulo entre a vocação para o serviço e a necessidade do sofrimento. Eu não sei se você já prestou muita atenção nessas passagens. Por exemplo, Mateus, capítulo 5, versículo 11. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os perseguirem, os insultarem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus. Ou quando a gente olha para o texto bíblico também na carta de Paulo aos Colossenses, no capítulo 1, versículo 24, Paulo vai afirmar o seguinte: "Agora me alegro em meus sofrimentos por vocês e completo no meu corpo o que resta das aflições, do sofrimento de Cristo em favor do seu corpo, que é a igreja." Não só em Colossenses, mas também em Romanos, no capítulo 8, no versículo 17, um texto bastante eh conhecido do apóstolo Paulo, ele vai afirmar o seguinte, que nós somos filhos de Deus, herdeiros e coerdeiros com Cristo, mas logo depois ele faz a seguinte afirmação: se de fato participamos dos seus sofrimentos, uma referência ao sofrimento de Cristo Jesus. E ele está falando da importância de sofrer com Cristo Jesus. Então, Jesus no Evangelho de Mateus, Paulo em Colossenses, Paulo em Romanos e também Paulo em outras passagens e os outros apóstolos nos seus escritos colocam pra gente uma relação que não é muito fácil de entender. Por que é que isso não é tão fácil de entender? Porque a gente também tem uma palavra muito clara e essa palavra é repetida em muitos momentos sobre a nossa expectativa da ausência do sofrimento. A esperança que nos é garantida, a esperança que nos é reafirmada é de quê? No tempo futuro, na chegada dessa consumação do reino de Deus, toda morte, toda dor, toda tristeza, ou seja, todo sofrimento será banido da nova criação, da nova Jerusalém. A nossa esperança, mais do que simplesmente ser salvos por Jesus, é ser salvos para uma condição de ausência de sofrimento. O próprio Paulo, acabei de citar o texto de Apocalipse, capítulo 21 versículo 4, mas o próprio Paulo, no texto que a gente acabou de ler em Romanos 8, coloca isso pra gente. Presta atenção no versículo 17 e no versículo 18. Se somos filhos, então somos herdeiros. Herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. Se veja a condicional, de fato, participamos dos seus sofrimentos para que também participemos da sua glória. Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada. Então, Paulo admite o sofrimento. Paulo fala que é necessário participar dos sofrimentos de Cristo, mas ele está olhando lá pra frente, que é a glória que nós partilharemos com Jesus. E a ideia desse texto aqui é: eu tô colocando na balança e parece que não tá nem na mesma proporção, não está na mesma dimensão o sofrimento que hoje nós temos, que hoje nós não devemos evitar ter. E a glória que em nós será revelada, a glória que em nós será manifesta. Como é que a gente entende isso? Porque é que em alguns momentos existe uma alegria no sofrimento, existe um certo prazer ou uma confirmação em passar por coisas que são muito difíceis de serem suportadas. Será que a ideia do texto bíblico é basicamente que nós somos limpos, purgados, nós somos purificados por meio da dor que a gente passa? Existe um mérito na dor? Existe um mérito em ser perseguido? Existe algo que é bom em si mesmo em experimentar essas coisas? E me parece que a resposta muito clara do texto bíblico é: não. Essas coisas não são boas em si mesmos ou não são boas em si mesmas. Ela apenas está apontando para uma realidade que é inevitável. E o texto que mais claramente, pelo menos que eu consigo me recordar agora, que esclarece como é que tudo isso funciona, é a carta de Paulo aos Filipenses. Eu vou convidar você para ler a carta de Paulo aos Filipenses, no capítulo 2, versículos 1 até o 11, e perceber que existe algo mais e existe algo muito importante nessa relação entre sofrer, servir e sorrir de acordo com a própria história de Paulo e no fundo de acordo com a própria história do Messias. Filipenses capítulo 2, versículo 1 até o 11. Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo modo, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que embora sendo Deus não considerou que o ser igual a Deus era algo a que a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens, e sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou na mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho nos céus, na terra e debaixo da terra. E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor para a glória de Deus Pai. Por que que a carta aos Filipenses é tão importante pra gente entender essa relação entre sofrimento, serviço e sorriso? Porque Paulo está escrevendo uma carta que é preenchida de gratidão e preenchida de alegria. Mas Paulo está escrevendo da prisão. A gente não sabe com toda certeza. A maior parte dos estudiosos tradicionalmente acreditam que Paulo está preso em Roma quando ele escreve essa carta. Alguns outros estudiosos consideram que é possível que ele estivesse preso em Éfeso, mas o fato seguro é que Paulo está preso. E ele escreve essa carta para a igreja que se reúne na cidade de Filipos. E a cidade de Filipos está no norte da Grécia. É uma cidade que estava envolvida como boa parte das cidades daquele território ao longo dos séculos que precederam esse momento que Paulo escreve. envolvida em guerras, envolvida em conquistas e envolvida também em destruição e reconstrução. Nesse momento que Paulo escreve, Filipos era uma colônia romana. E essa colônia romana tinha recebido há não muito tempo atrás um grande contingente de pessoas que vinham como soldados aposentados, lutaram nas guerras romanas, sobreviveram a essas guerras e receberam de Roma o direito de habitar em um determinado lugar com direito à terra, com direito à condições de um soldado aposentado e que constituíram novas famílias nesse território há relativamente pouco tempo antes da escrita da carta aos filipenses. Um outro grupo importante são as famílias que já estavam ali há muito tempo e provavelmente essas pessoas eram ressentidas desses novos habitantes que não tinham ligação com a história do lugar, eh que não tinham relação com as tradições daquele lugar, mas que agora precisavam conviver com esses soldados aposentados e com a sua família. Ah, e também existia uma parcela muito grande da população, que era a parcela de escravos. Provavelmente, no mínimo 50% da população era feita de escravos. Então pense comigo nesse contexto social que não é o mais simples de tudo. Você tem soldados romanos que não são enviados para a cidade de Roma, porque Roma também não quer um grande conjunto de soldados com bastante sangue na sua mão, querendo receber a recompensa da sua luta, todos concentrados na capital do império. Você tem pessoas que estão ali ou famílias que estão ali há muito tempo. Você tem escravos que não têm direitos, mas que formam boa parte da população. e você tem uma grande, é, tensão entre esses grupos por ter expectativas, por ter cultura, por ter eh uma forma de vida que são que é diferente entre si. E ao mesmo tempo, todas essas pessoas provavelmente estavam representadas naquilo que era a igreja que se reunia na cidade de Filipos. A igreja também partilhava dessas tensões que existia lá fora e que era uma realidade aqui dentro. Paulo, então, quando escreve para essas pessoas, está numa condição de prisão. E uma coisa que ele entende que é difícil e é desafiador para aquela igreja, tanto pela condição que ele passava, mas também pela condição que eles estavam, era de conseguir manter a unidade do corpo de Cristo, conseguir viver como uma só família, como um só corpo. Por que é que isso é tão importante? A gente percebe que essa é uma ênfase da carta aos Filipenses e essa é uma ênfase de vários outros escritos de Paulos. Você vai lembrar aí do texto de Efésios, capítulo 4, quando ele começa falando da única fé a uma só fé, um só batismo, um só Senhor, um Deus que é sobre todos. Então, existe uma forte preocupação de Paulo na carta aos Filipenses, na carta aos Efésios, na carta aos Romanos, em Colossenses, de preservar a unidade do corpo de Cristo. Mas ele sabia que isso se dava dentro de um contexto bastante desafiador na igreja aos Filipenses. a gente vai falar um pouco mais sobre o propósito, o por que Paulo está tão preocupado com isso na análise e no cuidado aqui de interpretar esse texto de Filipenses 2. Mas um ponto importante que precisa eh preceder essa interpretação é o fato de que Paulo está preso e ele recebe ajuda das pessoas nessa condição de prisão. Por quê? uma pessoa que estava presa dentro desse contexto do Império Romano, ela não recebia do Império Romano as condições de sobrevivência até que o seu julgamento fosse determinado. Em primeiro lugar, a prisão não era pena. Prisão era lugar de espera. Era a espera até que a sua eh o seu julgamento fosse definido. Se o preso, aquele que estava preso seria morto, receberia uma multa muito dura, se ele seria enviado para uma ilha como exílio. Eh, então Paulo está nessa condição de espera em saber o que de fato será sua pena. E enquanto ele está na prisão, ele precisa sobreviver a partir dos próprios recursos ou a partir do recurso de amigos e familiares que sustentam aquele que está aguardando o seu julgamento. Então, Paulo recebe uma ajuda financeira da igreja que está em Filipos e ele escreve essa carta como um agradecimento para aquelas pessoas. Por isso que a carta é tomada desse tom de gratidão e de certa forma é também um motivo pelo qual essa carta é tomada de um tom de alegria, de confirmação daqueles irmãos, de um vínculo muito valioso que o apóstolo reconhecia entre ele e aquela comunidade. Mas ele também aproveita essa condição e essa situação para tratar de um assunto que certamente estava sendo eh uma dificuldade daquelas pessoas, estava sendo um desafio para aquela comunidade e que era o contexto exato e apropriado para Paulo cuidar daquelas pessoas e cuidar daquela igreja nessa condição, que é o que é que significa viver como um só povo do Messias. em um mundo que não os compreende, em um mundo que é hostil à sua fé e a sua postura e posição no meio desse mundo. Como é que essa nova comunidade deveria lidar com todas essas forças de oposição? Está preso era uma coisa de eh consequência, um status social muito negativo. Existia uma eh uma expectativa e um julgamento sobre as pessoas que estão presas como algo que era referente a alguém que fez algo que é muito grave, algo que é muito reprovável. Então imagina o que era uma pessoa que chegava nessa comunidade e perguntava: "Como é que surgiu essa igreja? Como é que vocês passaram a se reunir?" E aí eles começavam a contar a história e inevitavelmente essa história passava pela presença do apóstolo Paulo. E as pessoas perguntavam: "Onde é que tá então esse líder tão importante pro nascimento da comunidade que vocês agora fazem parte? ele está preso. Isso era um testemunho que a princípio era para ser interpretado como algo muito ruim, muito vergonhoso. As pessoas talvez fossem tentadas a esconder esse fato. E ao mesmo tempo o que a gente percebe é que Paulo se orgulha de estar preso. Se é um estigma, se é tão difícil pra gente hoje falar sobre um parente, sobre um amigo, sobre uma pessoa próxima que está na prisão, imagine naquela época, imagine naquele contexto que a prisão era algo muito mais inóspito, que as penas eram muito mais duras e consequentemente o juízo que as pessoas faziam sobre por que alguém está preso era ainda mais eh reprovável, era uma coisa Ainda mais difícil de se aceitar. Paulo enfrenta essa realidade e Paulo se orgulha das suas correntes. Paulo se orgulha da sua prisão. Por quê? Porque ele argumenta que ele segue o Messias crucificado. E ele deixa muito claro que as pessoas que estavam naquela comunidade sabiam que ele estava preso por causa do testemunho de Jesus. Paulo está dizendo que o motivo pelo qual ele não se envergonha da sua prisão é porque ele não se envergonha do evangelho. E ele não se envergonha da sua prisão porque a sua prisão é um testemunho que a vida do Messias estava sendo manifesta por meio da vida do próprio Paulo. Uma palavra que é central na maneira como Paulo vai desenvolver toda essa questão é a palavra coinonia. E essa palavra geralmente é traduzido como comunhão. Mas comunhão, infelizmente, é uma palavra que ganhou conotações muito diferentes hoje do que era dentro do contexto bíblico. Coinonia, na época de Paulo era basicamente parceria e parceria de muitas naturezas diferentes. A gente podia ser parceiro de negócios, a gente podia ser parceiro de trabalho. Se eu tenho coinonia com você nesse contexto de trabalho, é porque eu e você somos parceiros. Nós trabalhamos juntos ou nós fazemos negócios juntos. Coinonia também era parceria no no sentido familiar. Se nós temos coinonia nesse sentido de vínculo familiar, é porque nós somos membros da mesma família. E uma outra coisa é que coinonia comunicava o sentido de propósito. Nós temos esse vínculo, nós temos essa relação para alcançar um fim. E Paulo está usando Coinonia para falar da relação de todas as pessoas que faziam parte daquela comunidade. Que parceria era essa que eles tinham? Qual é a natureza dessa coinonia que eles partilhavam? é a coinonia que como propósito tinha a finalidade de anunciar o fato de que o Messias crucificado era o Senhor sobre o mundo todo. E a outra consequência é que nós também partilhávamos de coinonia nesses vários outros sentidos que eram possíveis pra palavra coinonia. Nós somos parceiros de trabalho, nós partilhamos o esforço da construção de algo e nós somos parceiros familiares. Nós somos membros da mesma família. Coinonia, comunhão nesse sentido, é muito mais do que ter um tempo prazeroso com pessoas que a gente admira. coinonia é, nós temos um vínculo que nos coloca na mesma família, na mesma missão, no mesmo corpo. E o argumento de Paulo é: vocês precisam preservar a coinonia. Vocês precisam preservar a unidade, porque isso é o testemunho poderoso que convence o mundo, como coloca Jesus no capítulo 17 de João, que convence o mundo de que o Messias, de que Cristo, o Messias crucificado, foi enviado pelo Pai e de que a partir do seu sacrifício, da sua ressurreição, ele constituiu uma família que é capaz de superar todas as barreiras sociais e culturais. Tudo aquilo que sempre nos dividiu é superado pelo poder que esse Messias derrama sobre nós e estabelece quando nos une na mesma família. Então, por exemplo, o que é a possibilidade de alguém que era um escravo, sem direito nenhum, nasceu escravo, viveu a vida toda como escravo, sempre foi explorado, agora chamar o seu dono, o seu senhor, aquele que tinha direito de fazer praticamente qualquer coisa que se que ele quisesse com a vida desse escravo, de repente esse escravo começa a chamar o seu senhor de irmão. E esse senhor começa a reconhecer que aquele que ele sempre entendeu como sua propriedade, agora é membro da sua própria família. coinunia, parceria, comunhão, unidade. É o testemunho poderoso que essas pessoas precisavam dar de que Messias, de que o Messias era Senhor sobre o mundo todo. E uma segunda preocupação também muito clara de Paulo na sequência do capítulo 2, logo depois da parte que a gente leu, é santidade. Existe uma nova forma de ser humano. Santidade no contexto bíblico é algo muito diferente do que as pessoas pensam de ser alguém que é é mais limpinho, alguém que faz as coisas de forma um pouco eh mais exemplar, que é uma pessoa direitinha. Isso é muito distante do que é santidade no texto bíblico. Santidade significa que Jesus nos revelou como seres humanos que existe uma nova forma de humanidade, existe uma nova forma de se portar nesse mundo que foi criado por Deus. que foi bem feito e que Deus se alegrou quando criou, que ele também fez os seres humanos de uma maneira que deveriam refletir essa glória divina sobre a criação. Existe uma nova humanidade que é estabelecida por Jesus e uma nova forma de agir no mundo que foi feito pelo próprio Jesus. E quando a gente pensa sobre os dois temas, unidade do corpo de Cristo e santidade do corpo de Cristo, a gente precisa perceber que a parte difícil é manter as duas coisas ao mesmo tempo. Unidade sem santidade é relativamente fácil. A gente aceita tudo, a gente não confronta nada, a gente não precisa acertar nossas diferenças, a gente só precisa permanecer como um só corpo. Santidade sem unidade também é fácil, porque se a gente tem um compromisso de fazer a coisa certa, mas quando outra pessoa faz de modo diferente, quando outra pessoa tem outra postura e outra interpretação, a gente abandona essa parceria. Eu sou santo porque eu decidi agir da forma correta e da forma correta e eu não tenho nenhuma relação com o que você quer fazer. Eu só me relaciono com você até o momento que você concorda comigo, até o momento que você se submete à minha vontade. Unidade sem santidade é fácil. Santidade sem unidade também é. Mas nenhum dos dois cenários é satisfatório para aquilo que Paulo está falando, que é o testemunho da igreja que vai convencer o mundo por meio da ação do Espírito Santo, que de fato convence o homem do pecado, da justiça e do juízo. As duas coisas precisam caminhar juntas. E Paulo tá dizendo o seguinte: "Isso só vai ser possível se vocês desenvolverem uma nova mente. Isso só vai ser possível se vocês tiverem a mente do Messias". A mente do Messias é muito mais do que adicionar novas informações a esse corpo de conhecimento que vocês já possuem sobre como o mundo é, sobre como nós devemos viver, o que nós devemos fazer. Não. A mente do Messias é: "Permitam que a vida, as palavras, o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus ensinem você, ensinem vocês como corpo de Cristo a pensarem sobre todas as coisas de uma forma absolutamente nova. Existe uma transformação completa na maneira como nós nos entendemos, como entendemos a nossa relação, como entendemos o mundo todo, como entendemos o próprio Deus a partir daquilo que é a pessoa de Jesus. Pensar com a mente do Messias é pensar com uma nova mente a partir daquilo que é a pessoa de Jesus. E no centro da revelação que esse Messias nos traz, no centro daquilo que está pensar de uma nova maneira, está essa relação que a gente começou a nossa reflexão hoje. Sofrimento e celebração, sofrimento, serviço e sorriso fazem parte da mesma realidade, fazem parte da mesma jornada. Essas coisas andam juntas, pelo menos nesse momento da nossa vida, pelo menos nesse momento em que estamos na tensão entre uma nova era e uma antiga era, entre um novo mundo inaugurado por Jesus, mas um antigo mundo que ainda não passou. No momento em que nós nos encontramos, sofrimento, serviço e sorriso fazem parte. celebração, ao mesmo tempo que se experimenta humilhação, fazem parte da mesma condição, da mesma pessoa e da mesma jornada, não só que o Messias passou, sofreu e recebeu como glorificação, mas também a nossa própria história. Por isso que Paulo não se envergonha do seu próprio sofrimento, da sua prisão e das suas algemas. Seguir Jesus significa confrontar o que aí está, mas também significa acreditar que tudo o que aí está será transformado. Seguir Jesus significa que o sofrimento é uma parte inevitável da nossa vida. Por quê? Porque nós estamos confrontando o mundo em todas as suas maneiras de ser mundo, em todas as suas maneiras de exercer poder. Nós estamos confrontando o mundo em todas as suas formas de se organizar como sociedade. Nós estamos confrontando o mundo em todas as suas formas de categorizar as pessoas. Nós estamos confrontando o mundo em todas as formas de atribuir valor às coisas. Por isso que quando nós seguimos a Jesus e o caminho do Messias crucificado, nós necessariamente vamos só confrontar, mas receber a retaliação desse mundo. Seguir a Jesus é confrontar o que aí está, mas é acreditar que tudo que está posto será transformado. E a gente então passa rapidamente no capítulo 1, versículo 27 até o 24, como um bloco principal. A gente leu do capítulo e 2, versículo 1 em diante. Mas esses primeiros quatro versículos do capítulo 2 estão muito próximos àquilo que Paulo está falando no final do capítulo 1 da carta aos Filipenses do do 24. Ele vai desenvolvendo esse argumento sobre a necessidade de agir como um só corpo e a importância de nós fazermos isso como um anúncio público do evangelho. O evangelho precisa ser abertamente, publicamente anunciado, como esse poder de Deus paraa salvação de todo aquele que crê. E a expressão que Paulo usa para falar sobre essa vocação pública que a gente tem é cidadania. A cidadania, que era uma realidade muito conhecida por aquelas pessoas, é usada por Paulo aqui, mas de uma maneira diferente. Vocês são cidadãos de uma forma como mais ninguém é cidadão. Vocês precisam exercer a sua cidadania de forma digna, de forma digna do evangelho. E essa missão que vocês possuem de exercer essa cidadania de uma maneira digna é possível apenas por meio da unidade. que é o que ele vai colocar no versículo que a gente leu. Filipenses capítulo capítulo 2, versículo 2. Esse mesmo modo de pensar, mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. É o que Paulo está apresentando pra gente. Não tem como cumprir essa vocação e essa missão, exercer essa cidadania se cada um andar em seu próprio caminho, se cada um seguir a sua jornada da forma que entende ser melhor, sem conseguir construir o consenso, sem conseguir construir a parceria, sem conseguir ter uma coinonia profunda com as pessoas que necessariamente vão pensar diferente em muitos momentos, vão agir de uma forma que nos frustra. e nos decepciona que vão apontar também os nossos pecados. Aprender a viver como uma só atitude, com um só amor, com um só modo de pensar, está naquilo que é o coração da mensagem do evangelho e do testemunho que nós damos ao mundo. Essa unidade confronta o mundo e lembra a todos os poderes. Vocês serão derrotados. Veja como é poderosa a mensagem que Paulo está colocando aqui nesses versículos. Ele não está falando isso explicitamente nos versículos 1 a 4, mas ele está construindo isso com o exemplo que ele dá, em especial de Filipenses, capítulo 2, versículo 5 até o 11. Nesse texto que a gente vai olhar com um pouco mais de calma, ele está construindo esse argumento no todo da carta. No momento em que vocês agem com unidade, vocês confrontam todos os poderes que tentam, que forçam, que pressionam vocês a se fragmentarem, se desunirem, se afastarem um do outro, dizendo: "Aquilo que nos une como um só corpo é o mesmo Deus, é o mesmo poder que irá derrotar todos os outros poderes, todos os poderes no mundo que entraram para corromper a criação divina serão derrotadas e a nossa unidade é testemunho disso. Essa unidade confronta o mundo e traz essa mensagem. E por isso que a gente vai entrar agora no versículo 5 do capítulo 2 até o versículo 11, que é essa poesia muito lembrada e muito recorrente nas nossas explicações sobre o que foi o ato da encarnação de Jesus. Mas veja que entre o versículo 5 e o versículo 11 estão dois argumentos, um antes e um depois. O argumento que vem antes de Filipenses 2:5 é o argumento sobre a unidade. Filipenses 1:27 até o 24. O argumento que vem depois é sobre santidade. Filipenses 2, versículo 12 até o versículo 18. Então, entre essas duas partes que falam sobre unidade e sobre santidade, está o exemplo da pessoa de Jesus, está a poesia que comunica o que é que Jesus fez, quem é que Jesus é. Ou seja, como se Paulo, pela própria estrutura da carta, estivesse mostrando pra gente que Jesus é a personificação desse poderoso testemunho de unidade e santidade na mesma pessoa que estabelece o novo mundo e a nova realidade que caracteriza o seu povo. O povo do Messias deve seguir a unidade e a santidade, porque Cristo é um com o Pai e é plenamente santo e manifesta a sua santidade por meio da obediência ao Pai até sofrer morte e morte de cruz. A pessoa de Jesus é o centro do argumento de Paulo e a personificação daquilo que ele está dizendo que a igreja precisa fazer. Então Paulo está aqui colocando nessa poesia o exemplo da pessoa de Jesus. Mas quando Paulo faz isso, ele faz por meio de uma linguagem que é completamente diferente do que ele estava da que ele estava utilizando antes e completamente diferente da linguagem que ele usa depois do versículo 11. Porque Paulo usa a linguagem da poesia. Ele está falando muitas coisas ao mesmo tempo. E existem coisas que nós não temos como falar de outra forma. A única maneira de falar tanto, tão bem e em tão pouco espaço de uma mesma realidade é usando a linguagem da poesia. Eu sei que na nossa cultura e na nossa forma de pensar, as coisas que realmente são importantes são explicadas, as coisas que são realmente valiosas é a linguagem e que é utilizada com precisão. É a linguagem do que é técnico, do que pode ser utilizado para construir algo. A gente é muito ligado a essa concretude explicativa, racional sobre a realidade. E muitos momentos a gente perde de vista que as coisas mais importantes sobre Deus, sobre nós, sobre a nossa relação com Deus não podem ser expressas de outra forma que não seja por meio da poesia. E um estudioso e chamado Enity Wright afirma o seguinte. No texto de Filipenses, capítulo 2, ele diz que o que é primário é a poesia. A explicação teológica vem em segundo lugar. O que realmente importa aqui é você ler, meditar e permitir que essa poesia transforme a pessoa que você é. compreender a explicação teológica, que é isso que a gente tá fazendo agora, é a parte secundária, importante, mas muito menos importante, do que permitir que essa poesia tenha força sobre o seu coração e sobre a transformação da mente que você possui. Esse mesmo estudioso traz uma explicação muito detalhada e profunda que serviu como referência para a maior parte do argumento, que é a nossa explicação de Filipenses 2 aqui. Mas ele mesmo reconhece isso. O que é primário aqui é ler e permitir que essa poesia faça o seu trabalho. Mas já que a gente precisa em algum momento também parar para tentar compreender e a gente se propõe a explicar, a gente precisa compreender que esses versículos, esses sete versículos, na verdade formam a confluência. São muitos afluentes que estão desaguando no mesmo rio, que é essa poesia. Existem muitos fios que estão sendo tecidos em paralelos, em paralelo, aparentemente completamente diferentes, mas que no final estão formando uma mesma imagem e uma imagem muito coerente. E o que é que a gente quer dizer com isso? É que a mesma poesia conta várias histórias em níveis distintos. A mesma poesia está falando sobre a mesma pessoa, o mesmo Deus, mas quando conta a história da mesma pessoa e do mesmo Deus, está contando a história de várias outras pessoas, está unindo várias eh partes daquilo que é a revelação bíblica. Então, por exemplo, quando a gente olha explicitamente para o que Paulo tá falando, é muito claro que ele tá contando a história de Jesus. A gente vê no versículo 5 e a partir em especial do versículo 6, que ele está dizendo que Jesus, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo que devia pegar-se. Depois ele vai falar sobre essa encarnação, humilhação, morte de cruz, exaltação acima de todo nome e aquele por meio de quem o próprio pai é glorificado. Então Paulo claramente está contando a história de Jesus. Mas em segundo lugar, Paulo também está contando a história do servo sofredor, um personagem muito conhecido do povo de Israel. Porque o servo sofredor é a figura central de Isaías, capítulo 40 até o 55. Esse longo poema de 16 capítulos fala sobre Israel como um servo e estranhamente fala sobre um servo que toma o lugar de Israel. Essas perspectivas, elas estão sendo trabalhadas e desenvolvidas de uma maneira que é muito poderosa, muito apelativa, mas até certo ponto muito misteriosa. No texto de Isaías, capítulo 40 até o versículo 5. E ali o profeta Isaías fala que esse servo fez por Israel e por meio de Israel fez pelo mundo o que Israel e o mundo precisavam, mas não podiam obter. o que eles precisavam, mas não conseguiriam conquistar, não fosse o trabalho desse servo sofredor que toma o lugar do povo de Israel e, em último lugar toma o lugar do próprio mundo. Então, a gente fala que Filipenses capítulo 2, 5 a 11 é a história de Jesus, mas é a história também do servo sofredor. Existem vários ecos desse cântico que são encontradas encontrados na linguagem de Paulo aqui. Em terceiro lugar, essa é a história da humanidade. É a história do próprio Adão e de toda a descendência que veio por meio de Adão. Porque nós fomos criados em glória. Nem sempre a gente atribui ao Salmo número oito a importância que ele deveria ter na nossa compreensão de quem nós somos. Nós fomos feitos um pouco só menor que os anjos e fomos dotados, fomos formados em glória para governar sobre toda a criação. Esse era o nosso destino a partir do ato criativo e generoso da parte de Deus. Mas além do Salmo 8, a gente escuta aqui as vozes de Gênesis, capítulo 1, 2 e 3, porque Gênesis 1 e 2 fala exatamente a mesma coisa. Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. Mas Gênesis 3, nós perdemos essa glória. Não deixamos de ser imagem e semelhança, mas nós já não partilhamos essa mesma glória com Deus que possuíamos antes da entrada do pecado e da morte do mundo. E quando a gente ouve a história de Jesus, a gente está escutando a história do próprio Adão. É muito semelhante ao argumento de Paulo em Romanos capítulo 5. Porque Jesus recupera esse destino da humanidade. Ele possuía a glória do próprio Deus. Ele não se apegou ao fato de ser Deus. Não explorou esse fato. Ou seja, ele não usou simplesmente o direito que ele tinha de sempre permanecer com essa glória, mas assumiu uma forma humana, não deixando de ser Deus, mas assumindo uma forma que era humilhante diante da sua própria condição de Deus. E quando ele assume isso, faz o que ele faz, ele é exaltado acima de todas as criaturas. E como o homem ele resgata essa vocação humana de ser preenchido novamente pela glória divina, mas agora ele ressuscita e é exaltado como homem, o Deus que sempre foi, mas junto com ele constituindo um povo que recebe novamente essa glória que Deus nunca desejou que fosse perdida pela humanidade. Essa é a história de Jesus, essa é a história do servo sofredor. Essa é a história da humanidade. Mas mais surpreendente do que tudo isso, talvez muito mais importante do que o segundo e o terceiro ponto que a gente colocou, é perceber que essa é a história de Deus. Essa é a história do próprio Deus. Isaías 40 até o 55 é uma declaração contundente, talvez uma das declarações mais contundentes do monoteísmo de Israel. Israel, existe apenas um Deus. Eu sou o Deus que criou vocês. Eu sou o Deus que libertou vocês do Egito. Eu sou o Deus que permiti que vocês fossem para o exílio, mas eu serei o Deus que resgatarei vocês desse exílio. E quando eu fizer isso, vocês perceberão a glória da minha presença retornando para o meio do povo de uma forma que vocês nunca experimentaram. Deus falou que ele mesmo em pessoa faria isso. Ele mesmo traria libertação, ele mesmo retornaria para o meio de Israel. E o que é que Paulo está comunicando aqui quando ele usa a linguagem de Isaías 40 a 55? Mas para falar de Jesus, ele está dizendo que Yahé, o próprio Deus, o criador dos céus e da terra, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, finalmente cumpriu aquilo que ele disse que iria cumprir. Mas para contar essa história, nós necessariamente precisamos contar a história de Jesus. Então, a história de Jesus é a história do próprio Deus. E Paulo não está colocando isso aqui de uma forma forçada. Ele não está dizendo, existe um só Deus. Paulo permanece com o monoteísmo judaico que sempre o caracterizou e tá tentando encaixar aqui lateralmente Jesus e dizer: "Ó, não, mas ele tem características parecidas comando do Pai. Ele faz coisas poderosas como o próprio pai." Não. Ele está encontrando o Deus único e verdadeiro na pessoa de Jesus. Contar a história de Deus é necessariamente contar a história de Jesus. E Deus falou o seguinte nesse mesmo texto de Isaías 40:55: "Essa glória que eu possuo, eu não partilho com nenhum outro Deus. Essa glória que apenas eu tenho, eu não partilho com nenhuma outra divindade, porque não existem outras divindades." E aqui a gente encontra o fato de que Deus partilha essa glória com Jesus. Por quê? Porque Deus voltou atrás no que disse. Porque existe agora uma segunda divindade que é tão importante quanto o próprio Yahé. Não, porque nós encontramos a glória do Deus único na glória do filho. Aquele que vê o filho vê ao pai. Então, o que Jesus faz é o que Deus sempre quis que fosse feito. E em quinto lugar, de certa forma, essa é a história de César. É a forma como Paulo está confrontando o próprio Império Romano. Porque nem sempre a gente tem essa clareza. Mas César tinha o discurso, tinha os feitos e exigia por parte de todos aqueles que faziam, que constituíam o Império Romano, uma postura não só de reconhecimento legal, de reconhecimento do seu poderio militar, mas de reconhecimento da sua própria glória. César, quando conquistava aquilo que conquistava, esperava e conseguia o reconhecimento de que ele era o grande imperador, mas que ele era senhor do mundo. Além de ser o Krios, o senhor sobre o mundo, ele era adorado como um deus. Isso nem sempre fez parte daquilo que era a tradição romana, mas a partir de um certo ponto da história do império romano, os imperadores passaram a exigir a adoração a eles como se eles fossem deuses, como se eles fossem o Deus que governa sobre o mundo todo. Então Paulo está contando a história de Jesus como sendo esse Kus, esse Senhor que está acima de todo nome, acima de César, acima de todas as potestades, acima de todos os poderes que atuam sobre esse nome. Está o nome que o próprio Cristo recebeu do Pai. Então, a gente percebe aqui que essa é uma história, mas é uma história que conta muitas histórias ao mesmo tempo. A história de Jesus, a história do servo sofredor, a história da humanidade, a história do próprio Deus, a história dos poderosos da terra, a história de César. E César tinha uma forma muito característica de dizer que ele era o Senhor sobre o mundo todo. Quando algum tipo de insurreição acontecia no Império Romano, qual era o símbolo de humilhação desses que tentavam usurpar de Roma o seu poder? A cruz. A cruz era o símbolo justamente de Roma declarar o seu poder e de tornar aquele que era muito menor do que Roma em algo ainda mais ainda mais baixo, ainda mais humilhado, ainda mais eh subtraído de qualquer dignidade, porque era morto, mas não apenas morto, era morto de uma forma vechatória, vergonhosa. Jesus então é morto dessa forma. usando o símbolo que sempre serviu para humilhar, sempre serviu para pisar e esmagar sobre todo aquele que tinha audácia de se levantar contra o Senhor do mundo todo. E ao mesmo tempo, de uma forma muito, muito curiosa, a cruz passou a ser o sinal da glória de Cristo. Veja como esse símbolo passa por uma transformação extremamente relevante. aquilo que alguns estudiosos, não só do texto de Filipenses, mas de outros textos que observam e que tratam dessa transformação da cruz como um símbolo de vergonha para um símbolo de glória, vão dizer que foi necessário a reflexão teológica mais profunda e mais genial para perceber que tudo aquilo que estava associado ao maior símbolo de humilhação passou a significar o símbolo da glorificação. Jesus é capaz de revelar o amor de Deus que se manifesta coroando o Messias na morte e morte de cruz. Quando a gente começa a perceber que Paulo não se envergonha do evangelho porque o seu Messias morreu numa cruz, a gente começa a perceber a força que essa poesia tem. E a gente começa a perceber porque que Paulo fala o seguinte: "Olha, deixe que a mente de vocês seja transformada, seja completamente renovada à luz daquilo que aconteceu com o nosso Messias. Permita que a mente do Messias transforme a mente que vocês possuem. Ou seja, deixe essa poesia transformar as pessoas que vocês são. Porque quando você começa a olhar pra história de Jesus como sendo a história de todos nós, a história do próprio Deus, você começa a perceber que o exemplo que ele deu não é só um exemplo. O exemplo que ele deu é o único caminho pelo qual nós chegamos ao Pai. é replicando a história de Cristo, é completando os seus sofrimentos, é participando com ele em sua dor que nós também vamos descobrir a sua glória. É quando nós percebemos que servir a Deus, servir ao próximo e fazer isso da forma como Jesus nos ordena, a gente começa a perceber que ser pisado, ser rejeitado, ser incompreendido não deve ser um motivo simplesmente de lamento, não deve ser um motivo de crise em nossa fé, em nosso nosso coração, porque nós associamos essas reações de dor e de rejeição a uma espécie de rejeição do próprio Deus. Não, Jesus não sofreu porque o Pai o rejeitou. Jesus sofreu justamente porque o Pai aprovou a sua obediência a um ponto em que ele sofre a morte e morte de cruz. Jesus molda e estabelece um novo caminho. Esse é um vivo caminho. Esse é um caminho de esperança. Nós temos esperança na glória de Cristo. Somos com ele coerdeiros da glória que o Pai partilha com o Filho. Mas isso necessariamente vai envolver a continuidade da história do Messias. Se nós de fato nos sentimos muito confortáveis na vida que nós temos, na fé que nós exercemos, na maneira como nós estamos fazendo essa coisa, é porque tem algo profundamente errado. Não tem como a gente se reconciliar com o mundo que compreende e faz todas as coisas que faz em oposição aquilo que é a vontade e a forma como o próprio Cristo manifesta o poder e o amor de Deus. Ou nós seguimos o caminho de Cristo e confrontamos o mundo, ou nós estamos completamente conformados à realidade do mundo. Por isso, no momento em que você replicar a história de Jesus, no momento em que você seguir pelo caminho do Cristo crucificado, lembre-se disso. Haverá sofrimento. Isso é a forma certa de serviço. E por isso você deve sorrir, por isso você deve se alegrar. Porque se nós estamos participando com ele em seus sofrimentos, nós também vamos participar com ele em sua glória. A história do Messias precisa ser a nossa história. Permita que essa poesia molde e defina a forma diferente como você cumpre a vocação que Jesus lhe entregou e deu e que só você pode fazer no lugar e nas condições em que você está. manifestar o amor de Deus ao mundo, a sua família, as pessoas que estão em necessidade, as pessoas que lhe confrontam, as pessoas que trazem sofrimento a você, significa manifestar essas pessoas o Messias e o Messias crucificado. O Messias que ressuscitou em glória. É verdade, mas é o Messias crucificado, que se entregou por amor, que mostrou que sofrimento e exaltação fazem parte da mesma jornada e da mesma fé que nós temos no Senhor, que é o Senhor sobre o mundo todo. Por isso, o nosso convite a você é experimentar essa vida e essa nova vida em Cristo de uma outra maneira. Sofrer, servir e sorrir devem fazer parte da sua história, devem fazer parte da sua relação com Deus e com todas as pessoas que estão ao seu redor. [Música]