Um dia, a ira sai | Análise de THE LAST OF US 2×05
13/05/2025
Um dia, a ira sai | Análise de THE LAST OF US 2×05
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Quando nós ouvimos falar de um ato violento, há basicamente três formas de reação. Primeiro, a gente pode ter a tendência de repulsa e aversão que nos leva a perguntar como é que alguém pode fazer uma coisa dessa. Existe também, em segundo lugar, a indiferença. Na medida em que atos violentos se propagam e se tornam mais comuns, a gente já não se aterroriza tanto. A cada nova violência a qual a gente é exposto, a gente se choca cada vez menos e acaba se habituando ao mal. Mas em terceiro lugar, e aqui que a coisa fica muito perigosa, é quando nós começamos a justificar e a apoiar a violência. E existem muitas formas de como a violência pode encontrar suas justificativas. Muitas vezes, quando encontramos num grupo diferente do nosso, ideais tão diferentes ou atos tão injustificáveis que a gente acaba achando que a violência vai ser a melhor resposta à aquilo. A questão é que na superfície a maioria de nós tenta se mostrar como alguém pacífico, contra a violência. Ninguém quer se dizer violento. O problema é que não sabemos o que nós estamos dispostos a fazer em nome dos nossos ideais, em nome das nossas convicções, em nome da proteção daqueles que amamos ou mesmo em nome do nosso senso de justiça, até que tudo isso seja colocado à prova. O que é que nos transporta do repúdio à violência à prática das coisas mais absurdas? Quais fatores nos dessensibilizam pro mal? Como reagir diante de fatores que vão de encontro com os nossos valores? Telest of Us tem sido extremamente bem-sucedido em discutir cada um desses assuntos e nos mostrar o perigo daquilo que Anna Hen chamou de a banalidade do mal e de como os nossos corações conseguem esconder a maldade diante da vida comum e de relacionamentos de amor, de maternidade, nos pequenos lapsos de alegria e de paz que nós encontramos quando colocamos lá dentro a nossa violência fundamental. Mas é quando estamos finalmente na sala vermelha com cano na mão. É que nós deixamos sair aquilo que por muito tempo acreditamos que poderia ficar colocado lá no fundo. Bom, esse é o mundo cópia do episódio 5 da segunda temporada de Deless of Us. Esse é o programa em que a gente faz uma análise cristando a mensagem por trás desse seriado. Se você gosta desse tipo de conteúdo, não deixa de ficar com a gente, assistir esse vídeo até o final, deixar o seu comentário, o seu gostei e a sua inscrição. E claro, esse vídeo tá cheio de spoilers no quinto episódio, então continue por sua conta risco. O quinto episódio de Theess of Us começa com um diálogo entre duas mulheres que aparentemente possuem algum posto de liderança nos lobos. Uma delas parece nitidamente abalada, como se estivesse prestes a ter um colapso nervoso. Sentada do outro lado da mesa, a outra mulher está controlada e impassível. Parece que iremos presenciar um debate entre a razão e a emoção. Descobrimos que Lizy, a mulher aparentemente emocionada, tomou uma decisão muito difícil. Ela sacrificou uma unidade de seus soldados. Na conversa, descobrimos que ela tomou essa atitude porque uma unidade de reconhecimento que ela tinha enviado descobriu que os esporos estavam se espalhando pelo ar e que a unidade havia se contaminado ao respirar o ar infectado. Então o Leon, que parece ser o líder desse esquadrão, toma a decisão de pedir a Elise que os deixasse lá para morrer, para que não só o seu grupo, mas o mundo não tivesse agora que lidar com infecção de codeps por esporos. O que Elise faz? Leon era filho dela. Elise é apresentada aqui como uma contraparte de Joel. Leon é uma contraparte de L. No entanto, Elise age de forma oposta a Joel e não decide lutar para tentar de alguma forma salvar seu filho, tentar confirmar se ele morreria mesmo, já que aquela era uma forma completamente diferente de infecção. Não, ela respeita a vontade do filho, entende que aquilo era uma condenação e tranca todos do segundo subsolo. Veja só, os lobos possuem o seu quartel general em um hospital. Que lugar mais adequado para isso do que um hospital, já que foi em um hospital que Jo decidiu salvar ele ao invés do mundo inteiro. Elise poderia ter dito ao Leonho suba aqui e venha. Talvez dê para reverter isso. A gente pode te dar um jeito, ver se é o mesmo tipo de infecção ou não. Talvez não precisemos sacrificar você, mas Elize sacrifica a unidade, só sacrifica seu filho. No Brasil, esse episódio passou no domingo que comemoramos o Dia das Mães, onde o mãe acata a decisão de um filho e o sacrifica para poupar o seu grupo e o mundo de um mal ainda maior. Diferente de Joel, que salva e deixa o mundo ainda lutando contra a infecção. Leon aceitou ser sacrificado. Ele pensou que perderia a consciência e deixaria de ser a pessoa que era. Em alguma medida, podemos conceber que quando foi sequestrada e colocada numa mesa de cirurgia também deve ter entendido que morreria ali. No entanto, Joe não estava disposto a sacrificá-la. A decisão aqui é qual violência Joel ou Elise estavam dispostos a escolher? A violência de condenar o mundo ou a violência de condenar seus filhos? O sacrifício de Leon ainda teve consequências diferentes. Ele e seu pelotão não perderam a consciência de forma total. Eles estão numa existência intermediária entre a vida e a morte, como numa espécie de estado vegetativo consciente, ou melhor, num estado fúrgico semiconsciente, onde eles talvez ainda preservem algum traço de humanidade, não sabemos o quanto ainda há da consciência original do infectado, mas condenados a inspirar e expirar fungos por anos e anos sem morrer de fato. Eles são mantidos vivos para que os fungos possam se reproduzir. mas são menos humanos do que eram. Eles estão no limar da consciência, mas ainda estão em perpétua tortura, perpretada pelo instinto de sobrevivência daqueles fungos. Dessa forma, a série nos mostra como os personagens lidam o tempo todo com questões de sacrifício e tortura como justificativa para sua sobrevivência. Os fungos sacrificam e torturam humanos para sobreviverem. Os vagalumes estavam dispostos a matar a H pela sobrevivência das pessoas. Isaac tortura e mata serafitas para conseguir informações e garantir a sobrevivência do seu grupo. Os serafitas fazem rituais de sacrifício torturante em nome da profetiza como forma de livrar o mundo de seu mal. É o caminho de uma violência que promete purificação. É o que nós vemos quando e Dina se encontram cercadas pelos stalkers. Ali em uma situação de morte certa, a que não pode ser infectada, decide se sacrificar para que Dina e o filho que ela carrega vivam. Ele age como Joel agiria aqui. O seu autício salvaria Dina e o filho ela também consideraria como dela se ela continuasse com a Dina. No entanto, o seu autício também deixaria o mundo no estado de tortura e sofrimento pelo Cpts. Ela não foi morta para fazer a vacina, mas seria morta para salvar a mulher que ela ama. Porque no fim das contas, Joel não amou o mundo tanto quanto amou Dina. naquele momento estava disposta a deixar em tortura o mundo que antes estava disposta a salvar para que Dina e seu filho sobrevivessem. A L não pode ser infectada, mas a L não é imortal. Ela pode ser mordida e pode ser rasgada até a morte. A morte de L poderia salvar Dina, mas sua morte implicaria que o mundo nunca mais teria qualquer cura, mesmo que surgisse alguém incapaz de desenvolvê-la. Novamente é uma escolha. A situação crítica leva ele à decisão de se sacrificar. Vemos que Dina ainda reluta, mas ela insiste. Vá, eu morro para que você fique viva. Você não tem opção. Isso não é análogo ao que Jo fez. Ele teve que lidar com a decisão de salvar ou o mundo e deixou sem escolha. Porém, essa escolha pareceu boa até que se mostrou que não era. Se não fosse Jess aparecendo, e é muito lindo como enxerga Joel ali, o seu salvador, como se fosse o seu redentor. Não fosse por ele. Dina e o filho teriam morrido em uma jornada de vingança sem sentido e sem propósito. Dess surge como um salvador delas. Sacrifício e tortura acompanham a jornada dos nossos personagens. É o que vemos no ritual dos serafitas. O jardim no meio de Seattle é o reduto deles. Quando Jess e Dina fogem dos lobos para lá, os lobos não têm coragem de entrar. Naquele jardim, naquela emulação infectada do Éden. Os serafitas prestam culto à profetiza, torturando e sacrificando um dos lobos que, mesmo clamando por absolção, não tem o seu clamor atendido. Não existe espaço para arrependimento, não existe espaço para redenção. Embora religiosos, eles não são misericordiosos, embora falem de purificar. Eles não chegam aos pés do que propõe o cristianismo. Quão terrível e violenta é uma doutrina do pecado que não possui uma doutrina do arrependimento. Quando existe uma condenação, mas não há nenhum caminho de redenção. É muito interessante que o lema do Serafitas é sinta seu amor, sinta o amor dela. Uma mensagem que é aparentemente de união e de bem, mas é transmitida com sangue de gem sacrificada. Aqui é um elemento que até repetido de episódios passados. O lema, que também nomeia o episódio ganha uma tripla perspectiva. A mensagem dos serafitas, o amor de Liz, que sentimos em seu colapso por ter sacrificado o seu filho, o amor de L para salvar a Dina. Talvez haja mais amores ali. Talvez o amor de Tommy indo em busca da sua sobrinha, que no caso, o amor de Dina pelo seu filho, o amor do Jess pela Dina, que talvez ainda esteja ali. Nós sentimos cada um desses amores de formas diferentes e todos estão lidando com sacrifícios que julgam necessários e que estão dispostos a fazer muitas vezes em nome do amor. Eu aqui, né, a pergunta que o Bonovox, o vocalista do YouTube, faz na música Pride. O que mais em nome do amor? E a verdade é que podemos imaginar vários cenários, mas só descobriremos o que estaremos dispostos a fazer em nome do amor quando nossas convicções são postas à prova. Nós não podemos calcular o tamanho da nossa violência pela paz dos dias comuns, mas sim pelo que sai no momento da atenção. Muitos dos que amaram o primeiro jogo destilaram uma raiva irracional pelo segundo jogo. Agora atacam violentamente a série na sua segunda temporada do mesmo jeito, de forma muitas vezes exagerada e sem muita justificativa. O que não é isso senão a perpetuação fúngica da violência. Claro que existem críticas possíveis ao jogo, a série, nada é nada é incriticável, mas o ódio, a perseguição, não é? A moça, a pobre da atriz deletou as redes sociais dela de tanto ódio, pessoas tratando a série como se fosse a pior coisa já feita do mundo, sabe? Baseado em quê? Existe uma contaminação fúgica, né, no ódio, quando você encontra uma comunidade de ódio. É bem verdade também que o amor e a força que ele diz ter esconde outra coisa. Na conversa com a psicóloga, ele diz que tá tudo bem, que superou, que se orgulha quando Gale diz que desejava que mais pessoas de Jackson tivesse o equilíbrio mental. A verdade é que não percebeu a ironia de Go. Talvez ou percebeu, não se importou. Na frente de Dina, toca música romântica, acarecia seu rosto, a beija, diz que se importa com ela. Mas no final do episódio vemos uma L disposta a matar Nora. Mesmo que ela fosse capturada pelos lobos, vemos uma L que persegue, que a observa agonizar pelos esporos respirados e não se importa. El poderia muito bem ter matado logo Nora, mas ela escolhe observá-la, agonizar, ela escolhe torturá-la, assim como Joel foi torturado. Nós temos uma L dupla aqui, uma L que quando está com a Dina é uma pessoa, mas que sempre que está sozinha demonstra quem realmente é. Esse é o triste dualismo da nossa existência, quando nós escondemos do mundo a ira, a raiva que temos dentro de nós. Uma ira que Deus vê, uma raiva que nós podemos esconder dos outros, mas que ela vai acabar se revelando. Veja, já está revelada à aquele que conhece o nosso coração. Assim como Leon está em um ciclo de inspirar os esporos e expirá-los no ar, inspirou a violência por muito tempo. Ela segurou o quanto pôde, mas assim como qualquer um que segura a respiração, em algum momento ela não consegue mais manter aquilo dentro de si e solta a violência inalada. Não pode ser infectada pelos esporos que respira, mas já está infectada pela violência que inalou desde o nascimento. Joel costumava cantar a música Future Days de Pen para é a música que ela tenta cantar no teatro e não consegue. É como se houvesse uma expectativa de dias futuros juntos entre eles dois. Expectativa que não pode mais ser cumprida. Dias que não chegaram. O episódio 5 termina com outra música de Peren Present Tense, que faz um trocadilo interessante dos dias futuros com o tempo presente. O tempo presente se mostrou diferente do que for imaginado quando ele ainda seria o futuro. Os últimos versos cantados nos créditos do episódio dizem: "Estamos tirando algo desta vasta viagem". Mas ela também canta. Você faz ideia de como a sua vida acaba? Olhe suas mãos e estude suas linhas. Você já acreditou que a estrada adiante conduz à iluminação? Parece que sem necessidade está ficando difícil achar um caminho e uma maneira de viver. E repete, você faz ideia de como esta vida acaba? Não é esse conflito que nós vemos no episódio na série? Será que todos esses personagens, com suas questões morais e valores éticos, sabem como a venda termina? Será que eles realmente acreditam que suas decisões são aquelas que conduzirão a um mundo melhor, a um tipo de iluminação? Será que na verdade todas as suas ações não estão sem necessidade, deixando mais difícil ainda achar um caminho e uma maneira melhor de viver? Será que eles não estão construindo um mundo pior? Será que isso também não é como nós muitas vezes estamos vivendo? Acreditamos que as nossas decisões são as melhores no momento que nós estamos tomando cada uma delas, mas não estamos muitas vezes tornando a vida mais difícil para nós e pros outros? Será que nós não estamos complicando as coisas? Estamos tirando algo dessa vasta viagem que é a vida triste de quem só descobrir a resposta para isso no seu leito de morte ou ainda pior depois do seu último suspiro. Quando perder a tudo e a todos que se ama. Achamos que a ira do homem produz justiça de Deus. Mas o livro de Thiago vai dizer que não. A ira do homem nunca vai produzir a verdadeira justiça, porque a nossa ira só nos separa daqueles que amamos. A Bíblia nos ensina que, por mais externamente pacíficos que pareçamos, todos nós temos violências incontroláveis no nosso coração. E essa ira interior já é a concretização interna de um ato de violência externa. É o que disse Cristo. Aquele que odeia já assassinou no coração. A verdade e nós sabemos muito bem disso. Ainda que a gente não tenha coragem de dizer é que seríamos iguais ou piores do que aqueles que nos causam revoltas, fôssemos colocados em situações propícias. Mas a Bíblia também nos ensina que Deus aplacou a violência do mundo. A Bíblia nos ensina que o amor de Deus se derramou enquanto éramos violentos como os lobos, intransigentes como serafitas, duas caras como a ele. A Bíblia nos mostra que Deus nos amou enquanto andávamos no curso deste mundo, respirando esporos de violência e de pecado. A cruz foi um ato chocantemente violento, mas profundamente amoroso de Deus. Ao sacrificar o seu filho unigênito, ele salva os imerecedores de salvação. Enquanto todos os personagens da série e talvez todos nós fora do mundo televisivo lutamos por aqueles que achamos que merecem a nossa justiça, a nossa bondade, o nosso amor. Deus é quem sacrifica o seu filho por aqueles que não merecem nada. A mensagem da graça é violentamente amorosa, é chocantemente salvadora, é assustadoramente redentiva. Como pode Deus estar disposto a sacrificar o filho que ele amou eternamente por pecadores? Mas assim ele o fez. E é nesse amor que nós vivemos a salvação. O amor que Joel não poderia entregar pela humanidade, que Dina, que ninguém pode expressar. É nesse amor que não é só uma emoção a ser sentida, mas que é um ato profundo de entrega que podemos encontrar nessa viagem da vida, significado iluminação de verdade. É esse amor que aplaca os nossos pecados e pacifica as nossas violências. É apenas o amor de Deus. A única forma de vivermos uma vida de verdade longe das violências interiores e sendo transformado por dentro é sentindo o seu amor. Não o amor dela, da profetiza, mas o amor dele que morreu na cruz em nosso lugar. Esse é o mundo cópia de Theess of Us, episódio 5 da segunda temporada. Que você tem achado da série? Nesse episódio a desse episódio, começaram a entregar aquilo que a gente que é fã do jogo, tava esperando. A gente sabe que a narrativa é diferente. Muitos fãs do jogo aí muito agressivos o dia da série. Eu tenho gostado muito, mas claro, senti falta da L que finalmente chegou, finalmente apareceu. E a gente espera que daqui pra frente, ó, daqui pra frente seja só a grande escalada da mensagem e da trama que se estabelece nessa história que a gente aprendeu a amar já há muito tempo e que agora se expressa aí de forma cinematográfica. Lembrando que toda terça-feira, 10 horas da manhã, a gente tá aqui para discutir The Telest of Fans. Então, se você quiser apoiar esse trabalho, se inscreve, a as notificações, deixa o seu like, não lhe custa nada e nos ajuda muito. 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