Makários | Gn: Como o mundo começou, parece que deu errado e será consertado? |Mód. 2 – A. 3 |Ákilla
11/06/2025
Makários | Gn: Como o mundo começou, parece que deu errado e será consertado? |Mód. 2 – A. 3 |Ákilla
Aula 3 | Módulo 2
Curso de Teologia Makários
Gênesis: Como o mundo começou, parece que deu errado e será consertado?
Pentateuco
Introdução a Gênesis
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เฮ [Música] Amor, meu amoroso. [Música] muito Muito boa noite para todo mundo que já chegou paraa nossa aula do curso de teologia Macares. Vocês são bem-vindos para mais um encontro do nosso curso que já tá chegando aí a um ponto muito interessante da sua jornada. A gente já teve um primeiro ciclo de aulas tratando da teologia sistemática. Na aula, na semana passada, nós começamos as aulas a respeito do panorama bíblico e da maneira mais apropriada da gente conseguir interpretar o texto bíblico na sua grande diversidade de gêneros, de formas de comunicação, de aspectos teológicos variados que a gente encontra em um livro tão grande e em um livro escrito em condições tão diferentes como é o texto bíblico. Bom, muito boa noite para, para Marlene, pro Joaquim, para Ana, Fernanda, G e El Eli, Carla, várias pessoas que o Márcio, várias pessoas que já chegaram aqui, eh, e já estão participando com a gente. Ah, só para situar quem tá chegando agora, essa é a terceira aula do segundo módulo do nosso curso de teologia. Se você começou hoje, então volta para assistir no mínimo as duas aulas anteriores em que a gente falou sobre introdução ao Pentateuco, perdão, a introdução ao Antigo Testamento, que foi a aula um, e a introdução ao Pentateuco, que foi a aula que a gente teve na quinta-feira passada. Hoje nós vamos dar continuidade fazendo uma introdução ao livro de Gênesis. Ah, e aqui eu vou fazer uma pausa. Várias pessoas perguntaram aí sobre a saúde do Saião. Graças a Deus, ele já está em uma condição muito melhor. A cirurgia foi um sucesso. Espera-se que todo o a causa que gerou eh o AVC que ele teve há duas semanas atrás e também vários outros AVCs que ele teve ao longo da vida em em menores condições, em menores proporções. que a gente espera é que esse problema tenha sido resolvido e agora ele não tenha que se preocupar mais eh com essa fragilidade. Ah, ele já esteve presente aqui na celebração da IBNU presencialmente no domingo, já está retomando suas atividades aos poucos, então isso é sinal que a sua recuperação está indo muito bem. Se Deus quiser, muito em breve Saião vai voltar a participar aqui das nossas aulas do curso Macários, tá? Então, eh, fiquem aí atentos às nossas comunicações, porque provavelmente vocês vão ter uma folguinha de mim, do Jonatas da Suz, enfim, do de Lean e vão ter novamente aula com o saião em breve, tá? Ah, bom. Vamos começar então falando sobre o assunto específico da aula de hoje, que é o livro de Gênesis, o livro do princípio ou mais precisamente o livro dos princípios, porque Gênesis é o livro que dá origem a várias questões fundamentais da revelação bíblica, narrando a origem de muita coisa. Ah, dentro da estrutura do nosso segundo módulo, a abordagem que a gente vai adotar é falar sobre os aspectos que são válidos para o Antigo Testamento como um todo, como a gente fez na aula de número um, a gente vai falar sobre aquilo que é válido para os grupos bíblicos. Então, o que são as características e quais são os passos que a gente deve se atentar para interpretar o pentateuco? Quais são as características e os passos que a gente deve se atentar para interpretar os livros históricos, os livros poéticos e de sabedoria, eh para tratar daquilo que são os profetas. E o terceiro nível de abordagem, então o primeiro é o Antigo Testamento, segundo são os grupos bíblicos e o terceiro nível de abordagem é falar de livros específicos desses grupos que exemplificam aquilo que a gente está falando e que tratam de aspectos fundamentais da revelação bíblica. Claro que alguém poderia argumentar que tudo que está na Bíblia é fundamental, nada é dispensável. É verdade, mas a gente também entende que há algumas características em alguns livros que são mais eh básicas e fundamentais pra gente entender o todo narrativa do que outro. Então, por exemplo, falar sobre Gênesis num curso de panorama, de introdução ao Antigo Testamento, é uma opção, não é uma necessidade. Ninguém consegue contar essa história apropriadamente, sem fazer isso com o livro de Gênesis, de forma semelhante também com o livro de Êxodo. Além disso, a gente vai falar sobre o livro de Levítico, mas a gente não vai ter tempo para falar sobre Números e Deuteronômio, ainda que também sejam muito importantes, porque a gente tem 66 livros bíblicos, então a gente não vai conseguir dedicar uma aula para cada livro bíblico, tá? Assim, a gente vai fazer com os históricos, os poéticos, todos os grupos de livros bíblicos do Antigo e do Novo Testamento. A gente vai escolher eh algumas alguns dos livros para que a gente possa dar uma introdução mais detalhada. E obviamente a escolha natural é começar com o livro de Gênesis. Então, vamos lá para alguns eh algumas informações introdutórias e muito importantes pra gente compreender bem o livro de Gênesis. Como você já deve ter se deparado ao longo do tempo, o livro de Gênesis em hebraico é Bit e dentro dos cinco livros do Pentateuco, né, Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, o nome de cada um desses livros em hebraico são suas primeiras palavras ou sua primeira palavra. E a primeira palavra que a gente encontra no texto bíblico em Gênesis é Bchit, que é esse eh essa origem, esse princípio. E Gênesis, obviamente, é o livro do princípio ou livro das origens e origens em mais de um sentido. Por quê? Porque o livro de Gênesis narra a origem da criação, narra a origem do povo de Israel a partir do chamado a Abraão e narra a origem da aliança de Deus com Israel. Na verdade, originalmente a origem de Deus, a origem da aliança de Deus com Abraão, que é a aliança que, na verdade, é feita para abençoar todas as famílias da terra. Então, a gente tem várias narrativas básicas e fundamentais que t o seu começo aqui no livro de Gênesis. Não faz sentido nenhum ler a Bíblia ou tentar compreender as escrituras pulando o livro de Gênesis. E a base para a boa parte é seguro afirmar para toda a teologia do Antigo Testamento, é justamente aquilo que a gente encontra na teologia do livro de Gênesis. Esse é formação bastante eh óbvia, o primeiro livro do Pentateuco, mas nem todo mundo sabe que Pentateuco e Torá significam ou indicam o mesmo conjunto de livros, né? Isso que a gente acabou de chamar de Pentateucos, cinco primeiros livros da Bíblia, é o que tradicionalmente na sua eh referência hebraica é chamado de Torá, que é ensino, que é lei, que é orientação. Não dá pra gente então entender o resto sem entender o começo e o princípio da narrativa bíblica. Gênesis não é um livro que pode ser avaliado do lado e nas mesmas categorias que a gente lê um livro de ciência nos termos modernos. Se você pegar o livro de física mecânica, você vai encontrar a parte de cinemática, de dinâmica, explicação sobre aceleração, sobre força, sobre gravidade. Não tem como a gente ler o livro de Gênesis com os mesmos critérios que a gente lê um livro de física. um livro de outra ciência natural qualquer, ainda que as afirmações que a gente encontra em Gênesis tenham toda a relevância para o empreendimento científico. Gênesis também não é uma obra de biografia, ainda que a gente aprenda muito com as narrativas a respeito de Abraão e Sara, a respeito de Isaque, de Esaú, de Jacó, dos das dos 12 eh filhos de Israel que vão dar origem às 12 tribos. Todos os personagens nos ensinam muito, mas esse não é uma um livro de biografias, uma coletânea de biografias. Esse também não é um compêndio de história, ainda que registre eventos que aconteceram no palco da história. Então, o que que Gênesis é? Se não é um livro de ciência, se não é uma biografia ou uma coletânia de biografias, se não é um compêndio de história, então o que que Gênesis é? Gênesis é um livro de teologia, ainda que não seja organizado da mesma forma como nós organizamos a teologia sistemática. A gente acabou de estudar teologia sistemática e vocês vão lembrar das grandes categorias que formavam ou que formam um livro e um compêndio de teologia sistemática. Não é exatamente desse jeito que a gente encontra a linguagem e a estrutura de Gênesis, mas ainda assim é justamente sobre esse tema da revelação de Deus que Gênesis trata. Por isso que Gênesis precisa ser lido principalmente como uma obra teológica. É um Deus que se revela e é um Deus que se relaciona com a humanidade. Então, só nessas observações introdutórias, a gente pode prestar atenção para muitos erros que a gente pode cometer lendo o livro de Gênesis. Se a gente quiser tratar Gênesis como um tratado científico, a gente vai encontrar muitas dificuldades. Se a gente quiser tratar Gênesis simplesmente como um conjunto de histórias pessoais ilustrativas, a gente também vai encontrar muitas dificuldades, porque essas coisas aconteceram ao longo da história. Essas coisas tratam de pessoas, mas não são centralmente ou prioritariamente sobre esses personagens. Toda a história é a respeito do Deus criador. E aí a gente vai então para um segundo ponto da nossa conversa a respeito de Gênesis, que é a composição desse livro. O livro de Gênesis, curiosamente, não sei se você já prestou atenção nisso, não identifica o seu autor. Nenhum outro livro do Pentateuco ou da Bíblia faz essa identificação explicitamente. Gênesis foi escrito por Moisés. Tradicionalmente, o livro de Gênesis é atribuído a Moisés e a bons motivos. para essa tradição. Os outros livros do Pentateuco, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, vinculam Moisés a sua composição. Diferente de Gênesis, lá a gente tem uma ligação mais direta, direta entre Moisés e o responsável pelo conteúdo desses livros. E por outro lado, a maior parte da literatura bíblica analisa a Torá, o Pentateu como uma unidade. Então, se é seguro afirmar a partir da informação desses outros livros que Moisés é o responsável pelo seu conteúdo, então, por inferência lógica, já que o Pentateuco é tratado no resto da Bíblia como uma unidade, a lei é tratada como uma unidade, então é razoável considerar que Moisés é responsável também pelo conteúdo de Gênesis. Então, a gente percebe que é completamente aceitável que Moisés tenha se tornado o autor do conjunto como um todo. No entanto, se a gente colocar um pouquinho de lado essas inferências lógicas e essa tradição, é difícil a gente apresentar uma evidência muito direta que associe Moisés à composição do livro. É óbvio, não sei se todo mundo já parou para pensar nisso, que a gente não tem os autógrafos. O que que é o autógrafo? É o texto que saiu. Vamos até para um texto mais recente da pena de João. O apocalipse de João. A gente tem o manuscrito original do livro do Apocalipse. A gente não tem. A gente tem o manuscrito original dos evangelhos. Qualquer um dos quatro evangelhos a gente não tem. Quanto mais dos livros que estão no Antigo Testamento, quanto mais da Torá, a porção mais antiga que a gente encontra. É, pelo menos na narrativa cronológica, os eventos narrados naturais são no princípio da história. Nós não temos um acesso direto a esses documentos ou qualquer outro tipo de indicação material ou mesmo textual de forma direta, que mostra que Moisés é o autor desse livro. Uma coisa que é importante quem tá estudando a Bíblia saber é que a maioria dos estudiosos no século XIX tendia a dividir o livro em fontes diferentes, não só o livro de Gênesis, mas o Pentateuco como um todo. E essas fontes datavam em grande parte tanto do final do período pré-esílico, ou seja, próximo aquele período eh que Judá, o reino de Judá está prestes a ir pro exílio da Babilônia e o começo do período pós-esílico, após o retorno durante o governo Peça para a terra, para a cidade de Jerusalém, para o território do reino de Judá. Então, alguns dos autores viam de forma diferente a maneira como o Pentateuco foi construído com essas fontes bem delimitadas e que poderiam ser identificadas. Quem tiver mais interesse de se aprofundar nisso, pode pesquisar a respeito da hipótese documentária. A gente não vai comentar tanto agora aqui, mas é sobre isso que a gente tá tratando. Os desafios específicos dessa perspectiva mais crítica sobre a composição de Gênesis, eh, surgem a partir de análises relativamente recentes e de análises que usam, inclusive, por exemplo, a a capacidade computacional que a gente tem hoje em dia para analisar documentos antigos, para fazer comparação de vários textos antigos. E essas análises mais recentes contestam os critérios pelos quais essas diversas fontes foram isoladas e hipotetizadas no passado. Isso acontece muito nos estudos bíblicos. Às vezes a gente levanta uma hipótese, ela é razoável, mas o difícil é testar. Por que que é difícil testar? Porque às vezes você tem um número de dados históricos mais reduzido e aí as pessoas passam da hipótese para a presunção ou o pressuposto de que isso de fato é verdade, sem ter tanto rigor histórico nessa avaliação. E aí ao longo do tempo, à medida que a gente vai descobrindo novas informações, novos dados, muitas dessas hipóteses que antes eram super importantes na academia caem, eh, são refutadas. Isso acontece hoje com essa hipótese de que existiam fontes diferentes eh que datavam desse período pré-esílico, início do período pós-esílico como fonte para composição de Gênesis. De fato, o que acontece quando a gente estuda a autoria de Gênesis é que as teorias elas são ilimitadas. Existem muitas opiniões diferentes, mas a gente precisa conhecer algumas delas e até certo ponto a gente também precisa se posicionar no que é que a gente acha mais razoável. como uma explicação do ponto eh de vista que eu estou assumindo para as próximas informações que a gente vai discutir, eu estou inclinado a concordar com essa forte tradição que assume que Moisés é o responsável principal pelo conteúdo que a gente encontra no Pentateuco e é o responsável pelo conteúdo que a gente encontra em Gênesis. Mas mesmo que você não concorde com isso, a gente pode concordar sobre algumas características da composição do livro. E existe uma marca composicional surpreendente em Gênesis, que é Gênesis é organizado em 11 sessões. E essas 11 sessões começam com a mesma frase, com a mesma estrutura. Esta é a história de um recurso que é conhecido como a fórmula de toledotes. Toledotes é gerações, descendência ou origens. Eh, depende um pouco da forma como o texto escolheu traduzir. Por exemplo, a gente encontra a primeira vez essa expressão, essa palavra toledot é o toledot em Gênesis, capítulo 2, versículo 4. Eu tô lendo aqui na NVI. Esta é a história das origens dos céus e da terra no tempo em que foram criados. Essa palavra aqui, origens, no contexto de Gênesis 24, está traduzindo justamente a palavra hebraica toedot. Mas essa palavra vai aparecer mais 10 vezes além daquilo que a gente encontra em Gênesis 2:4. Quais são essas passagens? É fácil. Se você tiver aí a Bíblia NVI, eu não sei se isso tem em outras traduções, mas no capítulo 2, versículo 4, que é esse texto que eu acabei de ler, tem uma nota de rodapé. Se você olhar essa nota de rodapé, ele vai dar essa explicação do significado da palavra toledot e vai indicar as outras 10 passagens em que essa mesma expressão acontece. Os estudiosos vão concordar que isso é uma marca de estrutura do livro. Existe uma outra interpretação que a gente vai falar já já, mas de maneira geral é bem aceito que o livro está organizado em torno dessa expressão das origens, as origens que começa sendo aplicado aos céus e à terra, mas que depois é sempre aplicado a um indivíduo. As outras 10 aparições da palavra toled estão se referindo a Adão, a Noé, a Semen e todos os outros personagens que estruturam a história de Gênesis. O que é que isso sugere? Isso sugere que o compilador usou, e eu vou explicar essa palavra compilador, eh, mas que o compilador usou a expressão para indicar os documentos que serviram de fontes para o seu trabalho como compilador ou o autor usou essa palavrinha, essa expressão como uma forma de organizar o seu material como uma estrutura muito clara. Não há razão, pelo menos como ponto de partida. Eh, pra gente duvidar que parte do material de Gênesis já estava em forma escrita antes do tempo de Moisés. Nós podemos acreditar então que ele realizou em grande parte o trabalho de organizar, ainda que tenha sido orientado e tenha sido inspirado pelo próprio Deus nesse trabalho, mas de organizar todo esse material que o precedeu ao invés de trabalhar nesse material como um autor, como se Moisés tivesse sendo a primeira pessoa que recebeu da parte de Deus a revelação de como é que o universo foi criado. Como é que houve esse chamado de Abraão? Como é que, porque você vai lembrar, Moisés aparece no período do êxodo. Ele é o líder que guia o povo na saída do Egito. Mas antes de Moisés teve toda essa história que a gente encontra entre Gênesis capítulo 1 e Gênesis capítulo 50, que cobre um período histórico muito longo e que cobre uma parte fundamental da própria história do povo de Israel. Então, a gente tem a história da criação, a gente tem a história eh do dilúvio de Noé, a gente tem a história de Abraão, a história de todos os patriarcas e a descida a partir de José para o Egito. A gente tem 400 anos de história de escravidão no Egito. Não começa como história de escravidão, mas é assim que se desenvolve e termina. E aí a gente tem o surgimento de Moisés. Tem muita história antes de Moisés. É bem razoável que Moisés tenha herdado documentos escritos que preservaram essa parte da revelação de Deus que foi dada ao longo da história e que Moisés, divinamente inspirado, trabalha como um organizador nesse material, naquilo que é a forma do livro de Gênesis que nos alcança ainda hoje. Então, isso são as observações importantes a respeito da composição do livro de Gênesis. Um outro ponto que é o contexto histórico da eh narrativa que a gente encontra em duas sessões principais na organização de Gênesis. Como é que a gente pode dividir o livro de Gênesis? Tem mais de uma maneira, mas boa parte dos estudiosos vai concordar que primeiro a gente encontra a história do princípio ou a história dos princípios em Gênesis 1 até o capítulo 11, que é a história primeva. E depois a gente tem as narrativas patriarcais, que a gente encontra em Gênesis 12 até Gênesis 50, que é a conclusão do livro de Gênesis. O relato da história do princípio em Gênesis possui textos que são análogos, que são próximos em sua estrutura e em seu estilo na literatura do antigo Oriente Médio, ou, como alguns textos tratam, do antigo Oriente Próximo, em especial textos que a gente encontra na região da Mesopotâmia, que data desse período que a gente tá tratando aqui. É, esses livros são escritos por volta, ou, na verdade, a história que está sendo contada parece ter sido escrita por volta do ano 2000 antes de Cristo. O texto que a gente tem registro desse período de 2000 antes de Cristo e que tem alguma semelhança com o texto de Gênesis 1 a 11, é o épico de atrases ou atrases, que é que é um épico que contém o registro da criação, que fala sobre a o crescimento da população inicial da Terra e também tem uma narrativa muito interessante sobre o dilúvio, com semelhança. Eh, e com semelhança, inclusive, de alguns detalhes bem específicos do que a gente vê em Gênesis capítulo 2 até o capítulo 9. A história do dilúvio, do dilúvio de Atraces, eh, com algumas modificações também é encontrado naquilo que é a história do famoso épico de Guilgamesh. Não sei se vocês já ouviram falar, tem um monte de coisa hoje na internet que trata dessas histórias antigas, justamente porque são semelhantes em alguns traços com a narrativa bíblica, mas é um fato importante. O épico de Guilgamesch tem várias eh comparações históricas interessantes com o texto de Gênesis. Outra informação eh sobre os conceitos mesopotâmicos da criação foram achados em diversos mitos sumérios antigos, como e aqui vai outra obra muito importante para essa comparação, que é a obra intitulada Enuma Elish. Enumelix é o relato da ascensão do deus Marduk ao topo do panteão babilônico. Então aqui a gente já está falando sobre literatura babilônica. E é comum em alguns círculos acadêmicos acreditar, aqui onde tá a parte um pouco mais difícil da gente digerir, acreditar que Gênesis contém algumas versões adaptadas da mitologia babilônica. É como se Gênesis tivesse pego emprestado desses eh mitos mais antigos, aquilo que é a sua estrutura e o seu conteúdo e de alguma forma o adaptou paraas suas próprias convicções particulares. Como a Mesopotâmia assume um lugar de honra como sendo o berço da cultura do antigo Oriente Médio. E como a literatura babilônica é mais antiga do que as datas geralmente aceitas do livro de Gênesis, o que se presume é que as semelhanças provam que o texto bíblico depende do material babilônico. É como se a origem de todas essas histórias fossem os mitos babilônicos. Mas a partir daí é que surge o texto bíblico e é a partir daí que surgem outras narrativas. Isso foi aceito por eh alguns intérpretes de linha mais crítica em razão do fato de que as raízes étnicas de Israel são encontradas de fato na Mesopotâmia. Não existe polêmica aqui, porque o próprio relato bíblico mostra pra gente que Abraão surge da região da Mesopotâmia. Segundo essa teoria, os israelitas tomam emprestado os conceitos mitológicos básicos do material babilônico, mas quando vai passando o tempo, eles adaptam esse material a uma perspectiva monoteísta. Então, as histórias babilônicas são politeístas. O povo que é descendente de Abraão, os israelitas tomam essas histórias emprestadas e as transformam em histórias de um povo monoteísta. Qual é o problema dessa teoria? Um problema em torno da sua implicação é que se a gente acredita nisso, a história que tá sendo contada no Gênesis, a história do princípio, acaba, na verdade, tornando-se apenas uma mitologia. Eu sei que mito pode ser uma palavra muito abrangente dentro dos estudos literários, não precisa significar uma coisa pouco poderosa, mas aqui a gente está utilizando o mito como uma história que não tem necessariamente uma correspondência histórica, como se essas coisas de fato não precisassem ter acontecido. Então, dentro da perspectiva mitológica, geralmente, por exemplo, não se afirma a realidade do jardim do Éden, que é bastante discutida em diferentes correntes, mas também não se afirma a realidade da arca de Noé, não se afirma vários outros eventos que estão narrados, em especial nesse intervalo entre Gênesis 1 e Gênesis 11, como sendo algo com algum tipo de fidelidade com eventos históricos, porque Toda a definição daquilo que está em Gênesis 1 a 11 depende apenas do que nós categorizamos como mito. Independentemente da definição de mito, a gente precisa reconhecer uma coisa. E aqui, presta atenção, que muda um pouco o tom do argumento. A gente precisa reconhecer que a função de Gênesis 1 a 11 em Israel é muito semelhante à função do que o mito fazia nas várias culturas que eh integravam esse antigo Oriente Médio. O que que era a função desses mitos antigos? incorporar o conceito da origem e do funcionamento do mundo, ou seja, como é que o mundo começou e como é que o mundo continua existindo e funcionando hoje. De certa forma, o texto de Gênesis 1 a 11, independente de você acreditar que está sendo narrado eventos históricos ou não, esse texto, essa porção do livro de Gênesis tem como função dar uma explicação justamente para essas perguntas: como o mundo começou e como o mundo funciona ainda hoje. Eh, como é que a gente então pode lidar com esse fato? O seu texto de Gênesis tem paralelos tão curiosos na literatura suméria, nos mitos babilônicos, em tantos outros eh documentos e artefatos que a gente encontra desse antigo Oriente próximo. Como é que a gente lida com esses estudos comparativos? é difícil em muitos momentos e para muitas pessoas vai soar como algo arriscado fazer esse tipo de comparação, mas o que acontece é que a gente não pode se dar o luxo de ignorar essas semelhanças entre a literatura bíblica e o antigo Oriente próximo e esperar que essas coisas desapareçam. Pelo contrário, o material do Antigo Oriente Médio deve ser usado para nos ajudar a obter uma perspectiva adequada da literatura israelita que está preservada nas páginas da Bíblia. A própria Bíblia afirma que as raízes mesopotâmicas dos israelitas começam nesse período e nessa região. E o fato de Deus escolher autores humanos, Abraão surge dessa região nesse período. O fato de Deus escolher autores humanos para escrever o texto bíblico, como é o caso não só de Moisés, mas provavelmente dos documentos que ele herdou para compilar o texto do Pentateuco deve nos levar a esperar semelhanças, entre outras obras do mesmo período. Novamente, são coisas que não são difíceis da gente concordar, mas são coisas que nem sempre a gente costuma pensar, que é você tem autores que registraram muitas dessas histórias. Eh, você tem essas histórias sendo transmitidas pela oralidade, mas você tem uma história para essas informações até o momento que chega Moisés como aquele que vai organizar o texto de Gênesis. Esses autores divinamente orientados, inspirados, muitas coisas que talvez foram sendo contadas ao longo do tempo não foram incluídas em Gênesis, porque Deus mostra para Moisés que aquilo não é verdadeiro. Mas muitos desses autores eh que foram sendo utilizados para preservar esse conhecimento, muito do que Moisés escreve, ele escreve dentro de um contexto histórico. As pessoas tinham formas de se comunicar que não surgia do vácuo, que não surgia do nada, como se essas pessoas não conhecessem quem morava ao seu lado, como se essas pessoas não conhecessem as culturas que o rodeavam. Então, conhecer bem essas culturas e essas formas de comunicação é muito importante. Apesar disso, a gente não pode parar por aí. Por quê? Os estudos comparativos exigem que a gente examine essas semelhanças, mas também examine as diferenças. E aqui onde surge um fato muito importante. Quando a gente empreende esse tipo de análise com uma história primitiva, com essa história primeva da origem do universo, da origem dos povos sobre a Terra, o que a gente descobre é que as diferenças na maneira como Gênesis conta essa história supera as semelhanças que Gênesis tem com esses outros textos. Então, o que a gente percebe é que as semelhanças podem ser explicadas com mais facilidade de outras maneiras do que recorrer à teoria do empréstimo literário. A gente consegue explicar melhor esses pontos em comum, além de simplesmente dizer que o povo de Israel copiou os babilônios, os sumérios, os meses enfim. A história, por exemplo, do dilúvio é uma história que é encontrada na Mesopotâmia. Eh, é uma história que é encontrada além da fonte bíblica. E a maneira como a história do dilúvio é contada nessas outras fontes é semelhante à maneira como essa história é contada no Gênesis. Uma pessoa é advertida pela divindade a construir um barco para salvar-se do dilúvio. Esse dilúvio vai acontecer muito em breve e vai destruir toda a população. A arca é construída, a tempestade chega, depois de as águas baixarem, a embarcação pousa no topo de uma montanha. Pássaros são soltos para determinar quando os passageiros da arca podem desembarcar com segurança. E aí a história sempre termina com a oferta de um sacrifício e a bênção concedida aos sobreviventes. Mesma estrutura em várias fontes. Essa não é a história que a gente encontra apenas em Gênesis novamente, a gente encontra também no relato de outros povos. Mas as diferenças que a gente encontra na maneira como esse texto é narrado em Gênesis também são diferenças consideráveis. Por exemplo, se destaca que a variação no tipo de embarcação que é utilizada, quanto tempo durou o dilúvio, quais são as pessoas que são salvas, qual é o lugar onde a arca pousa, qual é o resultado para o herói? Eh, e em particular, qual é o papel dos deuses? Nesses outros relatos, a gente sempre está tratando de uma cultura politeísta. Então, qual é o papel dos deuses no dilúvio e na história de Israel? Qual é o papel do único Deus verdadeiro? Esse texto, como você pode imaginar, foi amplamente estudado ao longo da história. E aqueles que fizeram uma análise linguística minuciosa, uma análise literária minuciosa, muitos desses estudiosos concluíram que essa ideia de dependência literária não tem como ser comprovada. Existem outras possibilidades para explicar essas semelhanças. Aqui, como na maioria dos paralelos na história do princípio, o que se acredita ser mais provável é que as tradições mesopotâmicas e as tradições bíblicas basearam-se na mesma fonte. A questão é: o que é essa fonte? Alguns acreditam que essa fonte comum é uma obra literária mais antiga, ou seja, o povo de Israel, assim como outros povos da região da Mesopotâmia, eh, os sumérios, enfim, aqueles que vão dar origem aos babilônios, todos eles consultaram o mesmo livro, que não é, obviamente é é anacrônico pensar no livro no sentido moderno, mas todos eles consultaram a mesma fonte para conhecer, tomar conhe conhecimento dessa história. Ou a outra possibilidade é que houve um acontecimento de grandes proporções que afetou muitas culturas, muitas eh pessoas, muitas formas de sociedade que existiam na mesma época. E por ser um evento de grandes proporções, foi depois registrado por esses vários grupos que teriam sobrevivido ao dilúvio ou a partir de um único eh grupo, de uma única família, como a gente encontra na narrativa de Noé, a diversidade de povos que surge depois preservou a narrativa dessa história porque foi uma história muito importante para vários povos diferentes conseguir explicar como é que a gente chegou até aqui. Então, é bem possível que a fonte em comum dessas várias narrativas tenha sido o evento que de fato aconteceu. De qualquer forma, a literatura mesopotâmica apresenta o contexto para que se entendam algumas das questões da história inicial de Gênesis em contraste com a teologia do antigo Oriente Médio. Os estudos comparativos dessas fontes não devem ser temidos, pelo contrário, devem ser bem feitos e se bem feitos, valorizados, porque provê o contexto que muitas das histórias da Bíblia possam eh podem ser lidos de uma forma mais coerente. Bom, falamos então da história do princípio, que é a primeira parte aí do contexto histórico, e agora a gente vai falar um pouco sobre as narrativas patriarcais em geral, e é muito importante a gente perceber até pela proporção que as narrativas eh patriarcais possuem dentro do livro de Gênesis. Se você fizer a conta aí, é quase 80% do livro de Gênesis, só contando a história dos patriarcas. Em geral, as narrativas patriarcais devem ser analisadas em contraste com o contexto dos períodos arqueológicos denominados Idade do bronzeiro e idade do bronze ou 2a. Que período em em anos é esse? É 2000 a de. Cristo até 1750. Crist. Então coloca aí esse número na cabeça. Entre 2.000 a de. de Cristo, como tá no slide, em 1750 antes de Cristo. Esse é um período de transição na região onde os patriarcas estão. A Mesopotâmia faz a transição da renascença suméria, um período altamente eh desenvolvido para o período urteiro, que é o período do domínio amorreu do período babilônico antigo. Na prática, a gente está falando de um eh momento bastante remoto na história e que a gente tem poucas informações históricas para esclarecer o livro de Gênesis a partir dos dados da história mundial que a gente tem acesso eh desse lugar e desse período que são tão relevantes paraa história bíblica. A única passagem de Gênesis que oferece alguma correlação com acontecimentos da história mundial é o capítulo 14 de Gênesis, que não é a passagem mais fácil de se interpretar, nem do ponto de vista histórico, nem teológico. Então, a gente, de fato tem esse desafio de olhar para um ponto muito remoto na história, 4000 anos atrás, em uma porção relativamente reduzida de terra. Parece evidente que, com base nos dados arqueológicos, que durante esse período houve uma tendência geral na estrutura social daquela região onde estavam os patriarcas de transformar o caráter semicedentário que eles possuíam em um caráter urbano. E a partir daí que começam a aparecer as cidades fortificadas no final da idade do bronze a, que é esse segundo período que a gente fez referência. Em especial, isso acontece entre 1900 e 1700 a de. Cristo. Então, as várias cidades que a gente vê narradas no texto de Gênesis entre o capítulo 12 e o capítulo 50, eh, estão surgindo nesse eh final do período do bronze médio com o surgimento das cidades fortificadas, as cidades muradas. A descrição bíblica que a gente vê é muito interessante porque é de uma terra que é escassamente eh povoada. Então, Abraão não tem uma transição ou não tem um trânsito entre lugares que são densamente povoados, mas a Terra como um todo está escassamente povoada. E isso há eh isso possui uma grande fundamentação teológica ou perdão, uma fundamentação arqueológica recente. O que se vê naquilo que são os registros dessa região para esse período é que aquela não era uma região tão densamente povoada assim. Semelhantemente, o estilo de vida e cultura geral dos patriarcas foram também autenticados por descobertas arqueológicas recentes. Ainda que muitos estudiosos tenham contestado a historicidade dos patriarcas, ou seja, o fato de que os patriarcas de fato existiram sobre a Terra, na interpretação desses estudiosos, é como se Abraão Abraão tivesse sido um símbolo. É como se Isaac tivesse sido uma história ilustrativa. Apesar de vários estudiosos duvidarem, contestarem a historicidade dos patriarcas, nem o estilo literário, nem a natureza dos fatos detalhados nos registros, nem o contexto cultural e geográfico dão motivo pra gente duvidar que essas narrativas conservam a realidade, falam o que de fato aconteceu. Somente porque a gente pressupõe que coisas assim não podem acontecer, somente pressuposições que eliminam o envolvimento de Deus com a humanidade, é que pode apoiar a argumentação de que estas são apenas lendas criadas para explicar a origem dos israelitas. Muitas pessoas que estudam minuciosamente a Bíblia vão sustentar essa posição. Os patriarcas não existiram na história. Abraão não existiu na história. Esses eventos narrados a respeito de José e dos seus irmãos não aconteceram no Egito. Tudo isso é uma história para justificar um povo, uma história para justificar a existência de uma etnia e uma história bastante eh otimista sobre esses eventos que elevam esses personagens à condição de herói. Mas uma análise literária, uma análise histórica, vai mostrar pra gente que a única forma da gente afirmar isso tão categoricamente é quando a gente pressupõe que não existe um Deus que possa interferir na história nos moldes do que Gênesis está contando pra gente. Um outro ponto muito importante pra gente analisar é o propósito e a mensagem que a gente encontra no livro de Gênesis. O propósito do livro de Gênesis é contar a maneira e o motivo de Yahvé escolher a família de Abraão e fazer aliança com ela. Aqui eu tô fazendo menção a Yahvé, mas obviamente essa menção é o nome pessoal de de Deus, o tetragrama sagrado Yod revrei que a gente não sabe exatamente qual a melhor maneira de vocalizar, mas eu vou adotar Yahvé apenas como uma forma de fazer referência a esse nome pessoal de Deus. Então, é muito importante a gente partir desse ponto. O propósito do livro de Gênesis é contar a maneira e o motivo pelo qual pelo qual Yahvé escolhe a família de Abraão e faz uma aliança com essa família. Aliança é a base teológica, é a base da teologia e da identidade dos israelitas. Portanto, a história dessa família, dessa aliança e o desenvolvimento dessa relação é dar mais alta importância, não só para Gênesis, mas para todo o Pentateuco, não só para para o Pentateuco, mas para todo o Antigo Testamento. E obviamente não só para o Antigo Testamento, mas também para o Novo Testamento. Por quê? Porque Cristo vem de acordo com as profecias que estão estabelecidas desde aquilo que foi revelado aqui em Gênesis, se desenvolve nos profetas até chegar no período que a gente vê narrado no Novo Testamento. Então, o livro de Gênesis é o ponto fundamental para o começo dessa aliança. E a aliança é o ponto fundamental da teologia do livro de Gênesis. O livro continua a narrativa de como essa aliança foi estabelecida, descrevendo os vários obstáculos e as várias ameaças que surgiram contra essa aliança. Para toda esquina que você vira, você encontra um problema diferente para que essa aliança de fato aconteça, para que essa promessa que Deus faz para Abraão se cumpra. Finalmente nós descobrimos como os israelitas partiram para o Egito, já final do livro de Gênesis, preparando o cenário para o êxodo. Gênesis apresenta a introdução adequada ao deus israelita Yahé. Yahé é apresentado como o criador soberano do mundo, feito especialmente para a habitação humana. Aqui são pontos que talvez você ache muito claro, muito óbvio, mas não eram nada claros e nada óbvios para os leitores iniciais, para os ouvintes iniciais dessa história, para o povo de Israel. Por quê? Porque essa não era a perspectiva de realidade de mundo, de Deus, ou mais precisamente de deuses que todos os povos que estavam no entorno de Israel possuía. Aqui nessa afirmação que a gente acaba de fazer de que Deus é quem cria todas as coisas soberanamente e cria essas coisas em especial para a habitação dos seres humanos e mais do que isso paraa habitação do próprio Deus, a gente já pode identificar o contraste intencional com o desenvolvimento da teologia mesopotâmica, ou seja, a teologia que estava no entorno de Israel quando tudo isso surgiu. Porque no pensamento mesopotâmico, a criação recebeu duas ênfases. Por um lado, a criação de forças e elementos cósmicos foi descrita de forma geral pelo nascimento da divindade que tinha jurisdição sobre essa área. Vou dar um exemplo para tentar esclarecer. A criação do mar, por exemplo, não é descrita apenas como a criação do mar, mas como o nascimento da deusa do mar. Quando surge ou quando nasce a deusa do mar, é quando surge o mar, porque o mar é o objeto que essa deusa vai controlar. E o mar é o objeto que define a existência da deusa do mar. Caracteristicamente, não existe nessas histórias do surgimento de todos os elementos cósmicos, um único Deus que está dirigindo o processo. Não existe um Deus que está supervisionando o processo criativo. A criação se realiza por intermédio da procriação divina. Então, as coisas acontecem a partir das decisões variáveis desses vários deuses que dão surgimento a outros deuses. Por outro lado, existe uma ênfase muito clara na organização do cosmo e não na criação do cosmo. aquilo que são as histórias que tornam o mundo de alguma forma algo um pouco mais ordeiro, recebe muito mais ênfase do que a narrativa de como essas coisas surgiram. E aqui é onde a gente vê muitos contrastes com o que Gênesis nos fala. Ao contrário do pensamento mesopotâmico, Gênesis está insistindo que Yahé é o criador, não apenas o organizador, embora também seja responsável pela ordem que a gente encontra no cosmos. As coisas vieram a existir a partir da intenção e da determinação do único Deus verdadeiro de criar todas as coisas. Além disso, a procriação dos deuses, que é tão comum nas narrativas mesopotâmicas, não é utilizada para explicar a origem dos elementos cósmicos. A criação procede da boca de Deus. Não é porque Yahé se relacionou com outro Deus que surgiram os elementos cósmicos, mas porque Deus falou e tudo veio a existir. Outro aspecto importante da mensagem de Gênesis diz respeito ao papel das pessoas no mundo recém-ci criado. E novamente há um contraste muito grande com a perspectiva mesopotâmica. Por quê? Porque a mensagem fundamental de Gênesis é que os seres humanos foram criados à imagem de Deus. E isso já insiste na intenção de Deus de criar os seres humanos e na decisão de Deus de dar dignidade para essas pessoas, para os seres humanos. Aqui tem um forte contraste com a mitologia mesopotâmica, no sentido de que na mitologia mesopotâmica a humanidade é uma ideia posterior dos deuses. Não é que o homem foi planejado, desejado e feito com grande dedicação por parte dos deuses. Por exemplo, o mito que a gente falou no começo da nossa aula. Nesse mito, as pessoas são criadas para assumir o trabalho do qual os deuses estavam cansados de fazer, ou seja, os seres humanos nascem para ser escravos. Em meio a esse contraste com a teologia mesopotâmica, fica claro que a intenção de Gênesis não é simplesmente realizar um debate. Não é que ele estava querendo entrar na polêmica de dizer: "Não, a minha história é melhor do que a sua história ou nós vamos contar mesma história de uma forma diferente". Não. O objetivo da narrativa de Gênesis é estabelecer o fato de que Yahé estava seguindo soberanamente um plano histórico. não é simplesmente dar uma resposta aos outros povos, mas as narrativas de Israel se compreendem como a revelação de um fato de que é o único Deus verdadeiro criou todas as coisas e criou porque quis ele está orientando os rumos da história. O homem foi criado com todas as vantagens e o homem foi colocado justamente e cuidadosamente para ser um servo de Deus que preserva a ordem da criação e estende a ordem da criação do jardim do Éden. Isso é importante porque nos leva ao próximo aspecto da mensagem central do livro. Os homens e mulheres, não Deus, é que abalaram o equilíbrio e causaram a triste condição da nossa existência atual. Nas outras narrativas, a origem desse problema são os deuses. Os deuses estão em guerra. Os deuses nos fizeram como criaturas corrompidas. E aquilo que nós experimentamos como sofrimento é uma consequência da decisão dos deuses. Não em Gênesis. Em Gênesis, nós fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. O que Deus fez, ele fez o bem feito. E aquilo que é o problema do sofrimento e aquilo que é a inimizade da criação com essas criaturas em especial, surge a partir da decisão humana, surge a partir do pecado que nós cometemos. A mensagem das narrativas patriarcais é que por meio de muitas situações difíceis, os patriarcas e em particular o Senhor Yahvé preservaram a aliança para conseguir a instituição da família de Abraão. O texto não hesita em nenhum momento em mostrar as deficiências de Abraão, em em mostrar as deficiências dos filhos de Abraão, mas também mostrar a fidelidade de Deus de ser constante e providencial para obter os resultados positivos, apesar das circunstâncias ruins. Como a gente colocou, tem muitas histórias pessoais no texto de Gênesis, de Gênesis 12 até o capítulo 50. são apenas as narrativas de indivíduos, de famílias, não a narrativa sobre o surgimento dos povos, sobre o surgimento dos do cosmos. Agora, esses personagens não são heróis e não são os principais responsáveis pelo fato de que há esperança para a humanidade e para a criação. Por todos eles erram, todos eles falham. Olha a história de Abraão que mentiu. Olha a história de Abraão que foi impaciente com o próprio Deus em relação ao tempo necessário para que a promessa de Deus de que ele teria um filho se cumprisse. Olha pra história de Sara, que riu daquilo que era a promessa de Deus. Olha a história eh de Isaque, que também mentiu. Olha pra história de Jacó, que mentiu mais do que Isaque e do que Abraão. Então, a gente vê, olha pra história de Judá, que é a tribo a partir da qual há a continuidade da esperança para o povo de Deus e que foi uma pessoa que mentiu e que envergonhou a própria Nora e a obviamente também a história da redenção de Judá. Mas o que a gente percebe é as coisas só deram certo. As coisas só não saíram completamente do trilho. Por quê? Porque Deus é fiel de forma constante e providencial para obter o resultado que ele falou que ele iria alcançar para Israel e por meio de Israel para toda a humanidade. Como é que a gente pode resumir toda a história da teologia de Gênesis? Existe um versículo que você vai lembrar dessa fala e que é talvez mais importante do que você tenha percebido na primeira vez que você leu essa história, que é no final do livro de Gênesis, capítulo 50, versículo 2. José, a partir do versículo 1 e o versículo dois é que é o foco. Versículo 1. José atirou-se sobre seu pai, chorou sobre ele e o beijou. Em seguida, deu ordem aos médicos que estavam ao seu serviço, eh, que embalsamaram seu pai, a que embalsamaram seu pai em Israel, e eles o embalsamaram. Eu falei versículo dois, mas eu tô lendo o versículo errado. É o versículo 20, perdão, que é quando José se vira para os seus irmãos. A partir do versículo 19, José, porém, lhes disse: "Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus?" Versículo 20. Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem para que hoje fosse preservada a vida de muitos. A história da teologia do Gênesis está resumida nessa fala de José. Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem para que hoje fosse preservada a vida de muitos. Então, a gente conclui essa porção a respeito da história do propósito e mensagem de Gênesis, ressaltando justamente esse ato de soberania de Deus, não apenas de iniciar a história, de iniciar o plano de redenção, mas também de mostrar que, inclusive, a maldade e o pecado dos patriarcas da sua descendência e de toda a humanidade foi utilizada por Deus para trazer seu bem. Vocês planejaram o mal, mas Deus o transformou em bem. Bom, nós temos outros aspectos que eu vou deixar aqui no slide para que vocês possam ver depois, que são os temas mais importantes que a gente encontra no livro de Gênesis. Aliança e eleição, o monoteísmo, que caracteriza o povo de Israel, o pecado e também, obviamente, as origens. por conta do tempo, a gente vai abreviar, vai passar aqui para as perguntas, mas eu vou deixar esses tópicos para que vocês possam eh olhar com um pouquinho mais de cuidado qual é a referência bibliográfica que a gente está usando aqui, o panorama do Antigo Testamento de John Walton. Vou deixar aqui o nome do autor. A gente já comentou sobre ele na primeira aula do nosso módulo, mas eu vou reforçar aqui. Outra coisa é a gente já falou que colocaria para vocês a ementa. Isso está um pouquinho atrasado, mas essa semana ainda a gente vai atualizar a ementa tanto do Antigo quanto do Novo Testamento para todo o nosso curso. E eu volto o panorama do Antigo Testamento, editora Vida. Eh, e aí vocês podem se aprofundar no estudo desses tópicos também por meio dessa referência que a gente tá colocando aqui e de várias outras que a gente já elencou. a gente vai gerar esse documento e deixar disponível na plataforma para quem tá acompanhando o curso completo, tá bom? Bom, vamos lá para as perguntas que vocês colocaram aqui. Deixa eu procurar aqui. Deixa eu ver o que que tem. Os escritos do Mar Morto seriam então as cópias mais antigas preservadas. Eh, sim, são os escritos mais antigos que a gente tem do Antigo Testamento, que datam do período ah próximo a Jesus, um pouco antes de Jesus, os manuscritos mais antigos, que são manuscritos de 2000 anos atrás. Mas veja como ainda existe um período histórico muito anterior entre a composição desses livros, mesmo a compilação final desses livros, para aqueles que admitem que houve um processo editorial na a composição do Antigo Testamento e o período que data os manuscritos do Mar Morto. Existe um intervalo considerável. Mas o que é interessante é antes do período em que tínhamos acesso aos manuscritos do mamorto, os outros textos mais antigos, se eu não estiver enganado a respeito do Antigo Testamento, são de quase 1000 anos depois. Então é como se a gente tivesse dado um salto de 1000 anos para o passado quando a gente descobriu esses manuscritos. E a notícia é muito boa. Os textos que a gente tinha nas nossas mãos, que a gente já tinha acesso, eh, eram textos muito coerentes com que a gente encontrava com os manuscritos do Mamorto. Não teve nenhuma grande mudança nas nossas Bíblias quando a gente descobriu os manuscritos do Mar Morto. Uma indicação de que o texto bíblico foi muito bem preservado ao longo dos tempos. Eh, sei que não é o caso de Gênesis, mas será que alguns livros da Bíblia, principalmente do Novo Testamento, foram escritos por algumas mulheres e, por isso não foram identificados? Olha, Jéssica, não é tanto a a hipótese mais razoável pra gente não encontrar a especificação desses autores. O que muitos estudiosos apontam é que esse não era um dado tão fundamental numa obra antiga como é na atualidade. E alguns desses escritos antigos tinham especificação de autor, como por exemplo, em uma carta, porque faz todo sentido que Paulo e esclareça que é ele que está escrevendo na sua correspondência aos coríntios. Mas em muitos outros casos não era tão fundamental assim a identificação dos autores como hoje a gente julga fundamental. Eh, é possível que mulheres tenham participado no processo de escrita de alguns livros, uma vez que a gente não sabe quem são os autores de alguns livros? Então, a resposta é sim. Por exemplo, a gente não sabe quem foi que escreveu Hebreus. É muito improvável, como alguns admitem, que tenha sido Paulo. O estilo é muito diferente, o vocabulário é muito diferente. E aí eu já ouvi a hipótese e confesso que não analisei com muitos detalhes que Priscila, a esposa de Áila, o amigo, né, de oua, a o casal missionário amigo de Paulo, poderia ter sido a autora de Hebreus. Eu realmente não consigo dar qualquer indicação de que isso é é razoável ou não. Acho difícil a gente ter muito dado histórico sobre essa hipótese, mas eu não acho que a razão tenha sido uma consequência supostamente de uma cultura mais patriarcal. O fato, eu acho mais relevante é que as obras antigas tinham prioridades diferentes, seja na identificação dos autores, nas informações que eles achavam que precisavam constar ou não na obra. Vamos ver aqui. Vamos lá. Eu vou usar essa pergunta para tratar de um conjunto de conjunto de outras perguntas que talvez eh vocês se façam e talvez tenham sido colocadas no chat. Professor, e a origem dos dinossauros? Os dinossauros existiram? Bom, eu acho que é praticamente impossível negar a existência de formas de vida e de espécies que já não estão mais tão presentes ou definitivamente não estão presentes hoje no planeta. Basta você ir para um museu de história natural que você vai ver muitos fósseis ali. Eh, qual é a origem dos dinossauros? A mesma origem de todas as outras espécies animais. Foi Deus quem criou essas espécies. Como é que a gente então explica o fato de que essa espécie ou esse essas espécies que formam os dinossauros não existem mais, enquanto nós e tantas outras formas de vida foram preservadas ao longo do tempo? Pois é, esse é o tipo de pergunta que o texto de Gênesis não tem interesse em responder. Por isso que a gente ressaltou como introdução da nossa aula de hoje. Gênesis é um livro de ciências, não é? Ele vai falar sobre vários eventos que tenham algum tipo de relevância para o empreendimento científico. Ao meu ver, o próprio fato de que nós podemos fazer ciência e que nós devemos fazer ciência vem como uma consequência da revelação bíblica, que é vocês não devem temer as forças naturais. O mundo criado foi feito como um mundo bom e Deus nos fez com a capacidade de compreender sobre compreender a a respeito dos fenômenos que acontecem ao nosso redor e de dominar sobre a criação. dominar num sentido positivo, não dominar no sentido de explorar, mas dominar no sentido de eh poder fazer com que todas essas forças naturais venham a convergir para o propósito de glorificar Deus, de louvar o criador. Então, nós fomos colocados em uma condição excepcional sobre a criação e nós temos a responsabilidade de compreender bem aquilo que é a realidade do mundo físico, dos fenômenos naturais, daquilo que nós determinamos como sendo as perguntas científicas. A possibilidade de fazer ciência, ao meu ver, é porque Deus fez o mundo da forma que fez. Eu acho que nós devemos ter esse empreendimento científico e investigar como é que os dinossauros ou quando a gente tem os vestígios mais antigos dos dinossauros e quando é que provavelmente eles deixaram de existir e por que deixaram de existir. Mas a gente vai encontrar isso na Bíblia, ao meu ver, é o lugar errado para procurar esse tipo de informação. A Bíblia, no fim das contas, é um livro que está falando sobre teologia. Eh, é um livro que está narrando história, está narrando história. É um livro que tem relação com empreendimento científico, tem relação com a ciência. É um livro que fala sobre personagens, é um livro que fala sobre personagens, mas eh no fim das contas ele tem um propósito. E o propósito não é nos explicar como os mecanismos que Deus utilizou para criar as coisas. Mas respondendo de forma direta, a origem dos dinossauros veio a partir da criação inicial de Deus? Sim, veio a partir da palavra de Deus que criou todas as coisas. Deixa eu ver mais aqui as outras perguntas. Vamos lá. A Bíblia relata que ela é a palavra de Deus, independentemente de quem seja o autor, humanamente falando. Se cremos, cremos e ponto final, sem argumentar, já ouvi isso de um novo convertido. Olha, de certa forma a gente parte de um pressuposto de confiança ou de desconfiança a respeito do texto bíblico. Gente, a maioria das pessoas não parte para uma análise histórica minuciosa sobre a composição e a autoria dos 66 livros da Bíblia para depois tomar uma decisão se ela crê ou não crê nesse livro. Mas uma vez que nós passamos a acreditar na mensagem do evangelho, na mensagem do Deus criador dos céus e da terra, da aliança que Deus faz com Abraão e de tudo aquilo que está envolvido na narrativa bíblica, é muito razoável que a gente queira compreender o melhor possível aquilo que está ali. Então, esse esforço de querer saber quem é o autor, quando escreveu, em que contexto escreveu, porque o contexto vai me ajudar interpretar textos que t a possibilidade de serem interpretados de muitas formas diferentes, isso não é um ato eh de pouca fé ou isso não é um ato contrário ao amadurecimento da fé. pelo contrário, pode ser justamente o ato de querer compreender com o máximo de clareza possível aquilo que eu acredito que é a palavra de Deus. Se é palavra de Deus, eu preciso entender bem. Se é palavra de Deus, até onde eu puder ir, eu tenho que ir, porque não existe nada mais importante do que compreender e cumprir essa vontade e essa verdade revelada. Então, a gente precisa responder essas questões para compreender e para ser alcançado pela mensagem do evangelho. Não. Mas a gente deve se aprofundar nessas questões e procurar compreender o máximo possível, sim, porque isso, como coloca Paulo, pode ajudar no nosso, no desenvolvimento da nossa salvação, compreender melhor o que Gênesis disse pra gente também compreender melhor o que Deus está falando pra gente hoje. A, eu falei sobre a nota de rodapé, né? A ADR me esclarece aqui que a Almeida, revista e corrigida, também tem essa nota em Gênesis 24. Muito bom. Deixa eu ver mais aqui. Ah, o Joaquim faz uma pergunta muito interessante em Gênesis 1:3 diz assim: "Haja luz, mas o sol, a lua e as estrelas só foram criados no quarto dia." Versículo 14 até o 19. Que luz é essa? em Gênesis 13. O qual a diferença da luz de Gênesis 13 paraa luz do sol? Bom, depende da forma como você lê a narrativa da criação em Gênesis capítulo 1 e Gênesis capítulo 2. Se você lê de uma forma literalista e se você lê de uma forma que seja uma descrição exata em termos novamente científicos com uma linguagem precisa a partir dos critérios da ciência contemporânea de como o mundo começou, você vai ser obrigado a dizer que a luz que é criada em Gênesis capítulo 13 vem de outros corpos celestes que não o sol. Porque de fato existem muitas fontes de luz no universo. Então o universo eh pode emitir luz a partir de outras estrelas, a partir de outros corpos que estão aquecidos e emitem luz a partir das reações de fusão que acontecem ali no meio de um eh de qualquer outro tipo de corpo celeste que tenha essa propriedade. Agora você vai me questionar, sim, mas aqui diz que isso aconteceu no primeiro dia e depois a gente tá comparando com o que aconteceu no quarto dia. Então, como é que a gente conta os dias? Pois é, aí é onde eu acho que a ginástica para tentar fazer a definição de dia, que hoje a gente depende do Sol para definir o que que é um dia de 24 horas, para poder explicar o texto de Gênesis antes da criação do Sol, bastante forçoso. Eu acho muito complicado conseguir definir um dia em Gênesis capítulo 1, como sendo primeiro um dia de 24 horas e um dia de 24 horas que seria delimitado por um corpo celeste que não é o sol, mas que tem talvez as propriedades necessárias para marcar 24 horas direitinho até que o sol fosse criado. E a partir dali a gente usa o sol para dizer o que é dia, o que é noite, o que é o quarto dia, quinto dia, sexto dia. Alguns intérpretes tentam enxergar esse tipo de separação de dias e de luz, definição de onde vem a luz no texto de Gênesis. Particularmente, eu acho bastante forçoso. Novamente, eu acho que o texto está nos revelando que foi Deus que criou todas as coisas. Nada do que surgiu surgiu espontaneamente. Surgiu simplesmente por efeitos aleatórios da colisão dos átomos. Tudo o que surge surge a partir da criação de Deus. Mas como Deus criou, não é a preocupação de Gênesis nos relatar. Por isso que a interpretação para esses elementos, como luz, luminar do dia, luminar da noite, a definição do que que é um dia passa a ser diferente, tá bom? Deixa eu ver aqui. Que mais que a gente tem? Percebendo que as histórias, vamos lá, percebendo que as histórias são reveladas em outras culturas, como o dilúvio, é o Espírito Santo que atesta que nosso, em nosso espírito que o Deus de Abraão é o único Deus, é o único e verdadeiro Deus, certo? Ah, Carla, claro que a gente compreende que a ação do Espírito Santo, ela é fundamental não só na composição do texto bíblico, mas também na interpretação, aquilo que a gente chama na iluminação pra gente interpretar adequadamente o texto bíblico. Agora, quando a gente compara os relatos eh a respeito do dilúvio, a gente não precisa entender que nós acreditamos que esse é um relato ou é o relato apropriado apenas do ponto de vista dessa ação sobrenatural do Espírito Santo. Eu acredito que ela acontece e ela é fundamental pra gente discernir entre diferentes propostas de narrativa para o mesmo evento. Mas como a gente colocou, é possível que esses vários eventos, primeiro também sejam compreendidos como muito semelhantes. Então vai ter muita coisa que a gente vai concordar com os outros eventos. Mas a interpretação de por é que essas coisas aconteceram, que aconteceram, que é principalmente o envolvimento dos deuses que a gente entende que é diferente. Então, sim, a gente entende que o único Deus verdadeiro eh é o Deus que estava por trás dos eventos eh que são narrados em Gênesis em relação ao dilúvio. Com certeza. A gente entende que o único Deus verdadeiro é o Deus verdadeiro porque o espírito nos convenceu. Mas a gente ainda tem dentro dessa ação do espírito a possibilidade de analisar historicamente esses eventos e ver que de certa forma o próprio relato bíblico traz muitos elementos de coerência que ao meu ver faltam em outras formas de interpretar teologicamente esse mesmo evento quando a gente lê as narrativas dos outros povos da região da Mesopotâmia. É muito interessante, por exemplo, olhar paraa narrativa que seus faz em cristianismo por e simples, saindo da condição de ateísmo para a condição de crer que existe um deus ou deuses para descartar várias possibilidades de politeísmo até chegar na condição e na necessidade de existir apenas um Deus e esse Deus ser coerente com o Deus que é descrito nas escrituras. Então, eh, eu, eu acredito sim que a ação do Espírito Santo é que nos convence no fim das contas, mas ele também nos permite compreender isso do ponto de vista histórico, o que que é mais coerente, teológico, teologicamente ou não. Então, esse tipo de análise também é importante. Vamos ver aqui que mais pessoal tava numa discussão acalorada aqui no chat a respeito do espírito de Deus pairando sobre a face das águas. A estudar a Bíblia sem considerar a cultura da época seria cair no erro de anacronismo, certo? Com certeza. uma eh observação muito importante. A gente compara os textos com aquilo que são os documentos antigos. Por quê? Se a gente lê o texto antigo com os parâmetros da nossa própria época, da nossa própria cabeça, a gente vai colocar muito mais no texto do que de fato está ali. A gente vai chegar a conclusões que são apropriadas para aquilo que é a nossa régua e avaliação da história contemporânea. Mas como a gente colocou na primeira aula, não faz sentido julgar os nossos antepassados a respeito dos critérios da contemporaneidade. A gente precisa saber como eles pensavam, o que eles consideravam certo, o que que eles consideravam errado, como é que eles contavam histórias, como é que eles interpretavam os eventos ao seu redor. Deixa eu ver o que mais a gente tem por aqui. pergunta: "O registro da história dos patriarcas foi entre 2000 e 1750 a de. Cristo ou a existência dos patriarcas foi nessa época?" A existência dos patriarcas, como sugerido eh na nossa aula, foi nessa época. Claro que é uma aproximação, porque novamente a gente não tem um documento histórico que mostra uma foto de Moisés que traz a digital de Isaque, mas a gente tem razões arqueológicas e históricas sólidas o suficiente para acreditar que eles viveram nesse período entre 2000 e 1750 antes de Cristo. O registro acontece bem depois, segundo aquilo que a gente também defendeu na nossa aula de hoje, a partir do trabalho de Moisés como um compilador do material e também como autor daquilo que a gente encontra na sequência de Gênesis, no resto do Pentateuco. Qual é o significado de a pomba ter trazido uma planta no bico para Noé? de forma muito direta, Ana, o fato de que as águas haviam começado a baixar. Se o pássaro eh ele não encontra, na verdade, quando ele começa a voar e volta paraa arca sem nenhum tipo de sinal, é porque as águas estavam muito altas. Mas quando ele encontra a eh uma parte da planta para trazer de volta para Noé, é o fato de que as águas tinham começado a baixar, mas o topo das árvores é que ainda eh apenas o topo das árvores é que haviam despontado acima das águas e depois quando o pássaro já não volta mais é sinal que a água já havia baixado de forma considerável. Então essa é a forma como eles tinham de verificar o estado em que se encontrava a criação ou pelo menos a criação em torno da arca logo ou nos dias após o dilúvio, tá? Acho que não entendi. O dilúvio para todos evento de proporção grande foi o dilúvio de Noé? Senão Deus copiou o acontecido e fez a narrativa de Gênesis parecida eh a de tal povos. E se foi assim, por quê? Não judite a ideia. No final das contas que a gente propôs é: houve apenas um dilúvio, mas esse dilúvio, ele foi narrado de muitas formas diferentes, por muitas culturas diferentes. Toda a nossa comparação e o nosso esforço é por é que existem tantas narrativas a respeito do dilúvio? Porque que elas são tão parecidas em alguns aspectos que são tão diferentes em outros aspectos. E a nossa explicação foi ou houve o registro desse evento em uma fonte que todas essas culturas consultaram em comum ou foi um fato de grandes proporções que de fato aconteceu eh e que impactou tanto a história da humanidade que vários grupos registraram esse fato, ainda que com interpretações diferentes a respeito do seu significado, da sua origem, eh, e de alguns outros detalhes. Deixa eu ver mais isso que surge aqui no nosso chat. Deixa eu ver aqui. A maior parte dos judeus acredita na queda como evento que colocou ou que tornou toda a humanidade pecadora. Bom, a discussão sobre pecado dentro do judaísmo tem contornos diferentes daquilo que a gente encontra a na tradição cristã, na teologia cristã, até porque muito também daquilo que são as consequências do pecado e da maneira como o pecado será tratado por Deus vem da revelação que a gente encontra no Novo Testamento. Mais um ponto fundamental que aparece obviamente na narrativa de Gênesis capítulo 3 e é importante para judeus, assim como é para os cristãos, é que houve um fato de ruptura nesse ato de Adão e de Eva. Como é que isso vai ser restabelecido na eternidade? é uma coisa que tem muitas teorias diferentes, mas a maior parte dos judeus têm essa compreensão que esse essa não foi a condição inicial é que Deus nos criou. Deus não fez a humanidade no estado de pecado. Pelo contrário, é muito importante para a teologia judaica, assim como é para a nossa compreensão enquanto cristãos e protestantes, que Deus fez as coisas muito bem. Deus se agradou daquilo que ele fez quando ele concluiu toda a obra da criação. Por isso aqui vem também a ordem do Shabat, de descansar no sétimo dia, porque Deus descansou da boa obra que fez os seis primeiros dias da criação. E a partir desse ato de Adão e de Eva, existe uma ruptura com o criador. Existe essa necessidade de restabelecer essa relação. Por isso que a Torá é tão importante. E por isso que o livro de Gênesis está na Torá e a Torá é tratada como a lei. Já pararam para pensar a respeito disso? Não existe tanto caráter legal. Não. Na verdade não existe um texto que possa ser qualificado, uma grande porção de texto que possa ser qualificada como lei no livro de Gênesis. E ainda assim Gênesis é uma parte fundamental daquilo que é a lei mosaica, a Torá. Eh, e a dentro da Torá, então, a gente percebe que o restabelecimento da relação com Deus só faz sentido se a gente compreende a criação e a queda nesses termos. Ainda que tenha muita discussão sobre o que é queda, sobre o estado que a humanidade entra a partir da queda, há o consenso de que há ruptura e a necessidade de restabelecimento dessa relação. Por isso o tabernáculo, por isso 613 mandamentos, por isso todas toda a aliança que Deus faz com Abraão para resolver o problema que entra no mundo a partir de Adão. Essa é uma compreensão judaica, não sei se completamente aceita por todos os judeus, mas que eu já vi sendo bastante compreendida ou aceita por muitos grupos, que é Adão estabelece o problema e por meio de Abraão, Deus começa a resolver essa condição da humanidade. Então, os judeus acreditam na queda, ainda que o conceito de queda possa ser interpretado de diversas formas. Eles acreditam sim que é a partir do pecado de Adão que a condição humana passa a ser uma coisa que precisa ser remediada pela ação de Deus. E é para isso que Deus estabelece uma aliança com Abraão. Bom, pessoal, muito obrigado pelo tempo de vocês, muito obrigado pela participação. A gente vai colocar, disponibilizar esse material dos slides junto com leitura e com as perguntas na nossa plataforma. Se você não sabe qual o endereço da plataforma, basta olhar aqui na descrição ah desse vídeo que você vai encontrar. E a gente também espera que você volte aqui na quinta-feira, porque quinta-feira a gente vai ter introdução ao livro do Êxodo. Se Gênesis é fundamental para entender o Pentateu, o êxodo é a sequência que também dá origem a toda a história da salvação da humanidade a partir do ato de libertação que Deus traz para o povo de Israel. Mais uma vez a gente agradece o seu tempo, sua atenção e a gente pede para você nos ajudar a compartilhar esse material e continuar participando com a gente. Bons estudos e até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.