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Makários | Gn: Como o mundo começou, parece que deu errado e será consertado? |Mód. 2 – A. 3 |Ákilla

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Aula 3 | Módulo 2
Curso de Teologia Makários
Gênesis: Como o mundo começou, parece que deu errado e será consertado?
Pentateuco
Introdução a Gênesis

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เฮ
[Música]
Amor,
meu
amoroso.
[Música]
muito Muito boa noite para todo mundo
que já chegou paraa nossa aula do curso
de teologia Macares. Vocês são
bem-vindos para mais um encontro do
nosso curso que já tá chegando aí a um
ponto muito interessante da sua jornada.
A gente já teve um primeiro ciclo de
aulas tratando da teologia sistemática.
Na aula, na semana passada, nós
começamos as aulas a respeito do
panorama bíblico e da maneira mais
apropriada da gente conseguir
interpretar o texto bíblico na sua
grande diversidade
de gêneros, de formas de comunicação, de
aspectos teológicos variados que a gente
encontra em um livro tão grande e em um
livro escrito em condições tão
diferentes como é o texto bíblico.
Bom, muito boa noite para, para Marlene,
pro Joaquim, para Ana, Fernanda, G e El
Eli, Carla, várias pessoas que o Márcio,
várias pessoas que já chegaram aqui, eh,
e já estão participando com a gente. Ah,
só para situar quem tá chegando agora,
essa é a terceira aula do segundo módulo
do nosso curso de teologia. Se você
começou hoje, então volta para assistir
no mínimo as duas aulas anteriores em
que a gente falou sobre introdução ao
Pentateuco, perdão, a introdução ao
Antigo Testamento, que foi a aula um, e
a introdução ao Pentateuco, que foi a
aula que a gente teve na quinta-feira
passada. Hoje nós vamos dar continuidade
fazendo uma introdução ao livro de
Gênesis. Ah, e aqui eu vou fazer uma
pausa. Várias pessoas perguntaram aí
sobre a saúde do Saião. Graças a Deus,
ele já está em uma condição muito
melhor. A cirurgia foi um sucesso.
Espera-se que todo o a causa que gerou
eh o AVC que ele teve há duas semanas
atrás e também vários outros AVCs que
ele teve ao longo da vida em em menores
condições, em menores proporções. que a
gente espera é que esse problema tenha
sido resolvido e agora ele não tenha que
se preocupar mais eh com essa
fragilidade.
Ah, ele já esteve presente aqui na
celebração da IBNU presencialmente no
domingo, já está retomando suas
atividades aos poucos, então isso é
sinal que a sua recuperação está indo
muito bem. Se Deus quiser, muito em
breve Saião vai voltar a participar aqui
das nossas aulas do curso Macários, tá?
Então, eh, fiquem aí atentos às nossas
comunicações, porque provavelmente vocês
vão ter uma folguinha de mim, do Jonatas
da Suz, enfim, do de Lean e vão ter
novamente aula com o saião em breve, tá?
Ah, bom. Vamos começar então
falando sobre o assunto específico da
aula de hoje, que é o livro de Gênesis,
o livro do princípio ou mais
precisamente o livro dos princípios,
porque Gênesis é o livro que dá origem a
várias questões fundamentais da
revelação bíblica, narrando a origem de
muita coisa.
Ah, dentro da estrutura do nosso segundo
módulo, a abordagem que a gente vai
adotar é falar sobre os aspectos que são
válidos para o Antigo Testamento como um
todo, como a gente fez na aula de número
um, a gente vai falar sobre aquilo que é
válido para os grupos bíblicos. Então, o
que são as características e quais são
os passos que a gente deve se atentar
para interpretar o pentateuco? Quais são
as características e os passos que a
gente deve se atentar para interpretar
os livros históricos, os livros poéticos
e de sabedoria, eh para tratar daquilo
que são os profetas. E o terceiro nível
de abordagem, então o primeiro é o
Antigo Testamento, segundo são os grupos
bíblicos e o terceiro nível de abordagem
é falar de livros específicos desses
grupos que exemplificam aquilo que a
gente está falando e que tratam de
aspectos fundamentais da revelação
bíblica. Claro que alguém poderia
argumentar que tudo que está na Bíblia é
fundamental, nada é dispensável. É
verdade, mas a gente também entende que
há algumas características em alguns
livros que são mais eh básicas e
fundamentais pra gente entender o todo
narrativa do que outro. Então, por
exemplo, falar sobre Gênesis num curso
de panorama, de introdução ao Antigo
Testamento, é uma opção, não é uma
necessidade. Ninguém consegue contar
essa história apropriadamente, sem fazer
isso com o livro de Gênesis, de forma
semelhante também com o livro de Êxodo.
Além disso, a gente vai falar sobre o
livro de Levítico, mas a gente não vai
ter tempo para falar sobre Números e
Deuteronômio, ainda que também sejam
muito importantes, porque a gente tem 66
livros bíblicos, então a gente não vai
conseguir dedicar uma aula para cada
livro bíblico, tá? Assim, a gente vai
fazer com os históricos, os poéticos,
todos os grupos de livros bíblicos do
Antigo e do Novo Testamento. A gente vai
escolher eh algumas alguns dos livros
para que a gente possa dar uma
introdução mais detalhada. E obviamente
a escolha natural é começar com o livro
de Gênesis. Então, vamos lá para alguns
eh algumas informações
introdutórias e muito importantes pra
gente compreender bem o livro de
Gênesis. Como você já deve ter se
deparado ao longo do tempo, o livro de
Gênesis em hebraico é Bit e dentro dos
cinco livros do Pentateuco, né, Gênesis,
Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio,
o nome de cada um desses livros em
hebraico são suas primeiras palavras ou
sua primeira palavra. E a primeira
palavra que a gente encontra no texto
bíblico em Gênesis é Bchit, que é esse
eh essa origem, esse princípio. E
Gênesis, obviamente, é o livro do
princípio ou livro das origens e origens
em mais de um sentido. Por quê?
Porque o livro de Gênesis narra a origem
da criação,
narra a origem do povo de Israel a
partir do chamado a Abraão e narra a
origem da aliança de Deus com Israel. Na
verdade, originalmente a origem de Deus,
a origem da aliança de Deus com Abraão,
que é a aliança que, na verdade, é feita
para abençoar todas as famílias da
terra. Então, a gente tem várias
narrativas básicas e fundamentais que t
o seu começo aqui no livro de Gênesis.
Não faz sentido nenhum ler a Bíblia ou
tentar compreender as escrituras pulando
o livro de Gênesis. E a base para a boa
parte é seguro afirmar para toda a
teologia do Antigo Testamento, é
justamente aquilo que a gente encontra
na teologia do livro de Gênesis. Esse é
formação bastante eh óbvia, o primeiro
livro do Pentateuco, mas nem todo mundo
sabe que Pentateuco e Torá significam ou
indicam o mesmo conjunto de livros, né?
Isso que a gente acabou de chamar de
Pentateucos, cinco primeiros livros da
Bíblia, é o que tradicionalmente na sua
eh referência hebraica é chamado de
Torá, que é ensino, que é lei, que é
orientação.
Não dá pra gente então entender o resto
sem entender o começo e o princípio da
narrativa bíblica. Gênesis não é um
livro que pode ser avaliado do lado e
nas mesmas categorias que a gente lê um
livro de ciência nos termos modernos. Se
você pegar o livro de física mecânica,
você vai encontrar a parte de
cinemática, de dinâmica, explicação
sobre aceleração, sobre força, sobre
gravidade. Não tem como a gente ler o
livro de Gênesis com os mesmos critérios
que a gente lê um livro de física. um
livro de outra ciência natural qualquer,
ainda que as afirmações que a gente
encontra em Gênesis tenham toda a
relevância para o empreendimento
científico.
Gênesis também não é uma obra de
biografia, ainda que a gente aprenda
muito com as narrativas a respeito de
Abraão e Sara, a respeito de Isaque, de
Esaú, de Jacó, dos das dos 12 eh filhos
de Israel que vão dar origem às 12
tribos. Todos os personagens nos ensinam
muito, mas esse não é uma um livro de
biografias, uma coletânea de biografias.
Esse também não é um compêndio de
história, ainda que registre eventos que
aconteceram no palco da história. Então,
o que que Gênesis é? Se não é um livro
de ciência, se não é uma biografia ou
uma coletânia de biografias, se não é um
compêndio de história, então o que que
Gênesis é? Gênesis é um livro de
teologia,
ainda que não seja organizado da mesma
forma como nós organizamos a teologia
sistemática. A gente acabou de estudar
teologia sistemática e vocês vão lembrar
das grandes categorias que formavam ou
que formam um livro e um compêndio de
teologia sistemática. Não é exatamente
desse jeito que a gente encontra a
linguagem e a estrutura de Gênesis, mas
ainda assim é justamente sobre esse tema
da revelação de Deus que Gênesis trata.
Por isso que Gênesis precisa ser lido
principalmente como uma obra teológica.
É um Deus que se revela e é um Deus que
se relaciona com a humanidade. Então,
só nessas observações introdutórias, a
gente pode prestar atenção para muitos
erros que a gente pode cometer lendo o
livro de Gênesis. Se a gente quiser
tratar Gênesis como um tratado
científico, a gente vai encontrar muitas
dificuldades. Se a gente quiser tratar
Gênesis simplesmente como um conjunto de
histórias pessoais ilustrativas,
a gente também vai encontrar muitas
dificuldades, porque essas coisas
aconteceram ao longo da história. Essas
coisas tratam de pessoas, mas não são
centralmente ou prioritariamente sobre
esses personagens. Toda a história é a
respeito do Deus criador. E aí a gente
vai então para um segundo ponto
da nossa conversa a respeito de Gênesis,
que é a composição desse livro. O livro
de Gênesis, curiosamente, não sei se
você já prestou atenção nisso, não
identifica o seu autor.
Nenhum outro livro do Pentateuco
ou da Bíblia faz essa identificação
explicitamente. Gênesis foi escrito por
Moisés.
Tradicionalmente, o livro de Gênesis é
atribuído a Moisés e a bons motivos.
para essa tradição. Os outros livros do
Pentateuco, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio, vinculam Moisés a sua
composição. Diferente de Gênesis, lá a
gente tem uma ligação mais direta,
direta entre Moisés e o responsável pelo
conteúdo desses livros.
E por outro lado, a maior parte da
literatura bíblica analisa a Torá, o
Pentateu como uma unidade. Então, se é
seguro afirmar a partir da informação
desses outros livros que Moisés é o
responsável pelo seu conteúdo, então,
por inferência lógica, já que o
Pentateuco é tratado no resto da Bíblia
como uma unidade, a lei é tratada como
uma unidade, então é razoável considerar
que Moisés é responsável também pelo
conteúdo de Gênesis. Então, a gente
percebe que é completamente aceitável
que Moisés tenha se tornado o autor do
conjunto como um todo. No entanto, se a
gente colocar um pouquinho de lado essas
inferências lógicas e essa tradição, é
difícil a gente apresentar uma evidência
muito direta que associe Moisés à
composição do livro. É óbvio, não sei se
todo mundo já parou para pensar nisso,
que a gente não tem os autógrafos. O que
que é o autógrafo? É o texto que saiu.
Vamos até para um texto mais recente da
pena de João. O apocalipse de João. A
gente tem o manuscrito original do livro
do Apocalipse. A gente não tem. A gente
tem o manuscrito original dos
evangelhos. Qualquer um dos quatro
evangelhos a gente não tem. Quanto mais
dos livros que estão no Antigo
Testamento, quanto mais da Torá, a
porção mais antiga que a gente encontra.
É, pelo menos na narrativa cronológica,
os eventos narrados naturais são no
princípio da história. Nós não temos um
acesso direto a esses documentos ou
qualquer outro tipo de indicação
material ou mesmo textual de forma
direta, que mostra que Moisés é o autor
desse livro. Uma coisa que é importante
quem tá estudando a Bíblia saber é que a
maioria dos estudiosos no século XIX
tendia a dividir o livro em fontes
diferentes, não só o livro de Gênesis,
mas o Pentateuco como um todo. E essas
fontes datavam em grande parte tanto do
final do período pré-esílico, ou seja,
próximo aquele período eh que Judá, o
reino de Judá está prestes a ir pro
exílio da Babilônia e o começo do
período pós-esílico, após o retorno
durante o governo Peça para a terra,
para a cidade de Jerusalém, para o
território do reino de Judá. Então,
alguns dos autores viam de forma
diferente a maneira como o Pentateuco
foi construído com essas fontes bem
delimitadas
e que poderiam ser identificadas. Quem
tiver mais interesse de se aprofundar
nisso, pode pesquisar a respeito da
hipótese documentária. A gente não vai
comentar tanto agora aqui, mas é sobre
isso que a gente tá tratando.
Os desafios específicos dessa
perspectiva mais crítica sobre a
composição de Gênesis, eh, surgem a
partir de análises relativamente
recentes e de análises que usam,
inclusive, por exemplo, a a capacidade
computacional que a gente tem hoje em
dia para analisar documentos antigos,
para fazer comparação de vários textos
antigos. E essas análises mais recentes
contestam os critérios pelos quais essas
diversas fontes foram isoladas e
hipotetizadas no passado. Isso acontece
muito nos estudos bíblicos. Às vezes a
gente levanta uma hipótese, ela é
razoável, mas o difícil é testar. Por
que que é difícil testar? Porque às
vezes você tem um número de dados
históricos mais reduzido e aí as pessoas
passam da hipótese para a presunção ou o
pressuposto de que isso de fato é
verdade, sem ter tanto rigor histórico
nessa avaliação. E aí ao longo do tempo,
à medida que a gente vai descobrindo
novas informações, novos dados, muitas
dessas hipóteses que antes eram super
importantes na academia caem, eh, são
refutadas. Isso acontece hoje com essa
hipótese de que existiam fontes
diferentes eh que datavam desse período
pré-esílico, início do período
pós-esílico como fonte para composição
de Gênesis. De fato, o que acontece
quando a gente estuda a autoria de
Gênesis é que as teorias elas são
ilimitadas. Existem muitas opiniões
diferentes, mas a gente precisa conhecer
algumas delas e até certo ponto a gente
também precisa se posicionar
no que é que a gente acha mais razoável.
como uma explicação do ponto eh de vista
que eu estou assumindo para as próximas
informações que a gente vai discutir, eu
estou inclinado a concordar com essa
forte tradição que assume que Moisés é o
responsável principal pelo conteúdo que
a gente encontra no Pentateuco e é o
responsável pelo conteúdo que a gente
encontra em Gênesis. Mas mesmo que você
não concorde com isso, a gente pode
concordar sobre algumas características
da composição do livro. E existe uma
marca composicional
surpreendente em Gênesis, que é Gênesis
é organizado em 11 sessões. E essas 11
sessões começam com a mesma frase, com a
mesma estrutura. Esta é a história de um
recurso que é conhecido como a fórmula
de toledotes. Toledotes é gerações,
descendência ou origens. Eh, depende um
pouco da forma como o texto escolheu
traduzir. Por exemplo, a gente encontra
a primeira vez essa expressão, essa
palavra toledot é o toledot em Gênesis,
capítulo 2, versículo 4. Eu tô lendo
aqui na NVI.
Esta é a história das origens dos céus e
da terra no tempo em que foram criados.
Essa palavra aqui, origens, no contexto
de Gênesis 24, está traduzindo
justamente a palavra hebraica toedot.
Mas essa palavra vai aparecer mais 10
vezes além daquilo que a gente encontra
em Gênesis 2:4. Quais são essas
passagens? É fácil. Se você tiver aí a
Bíblia NVI, eu não sei se isso tem em
outras traduções, mas no capítulo 2,
versículo 4, que é esse texto que eu
acabei de ler, tem uma nota de rodapé.
Se você olhar essa nota de rodapé, ele
vai dar essa explicação do significado
da palavra toledot e vai indicar as
outras 10 passagens em que essa mesma
expressão acontece. Os estudiosos vão
concordar que isso é uma marca de
estrutura do livro. Existe uma outra
interpretação que a gente vai falar já
já, mas de maneira geral é bem aceito
que o livro está organizado em torno
dessa expressão das origens, as origens
que começa sendo aplicado aos céus e à
terra, mas que depois é sempre aplicado
a um indivíduo. As outras 10 aparições
da palavra toled estão se referindo a
Adão, a Noé, a Semen e todos os outros
personagens que estruturam a história de
Gênesis. O que é que isso sugere? Isso
sugere que o compilador
usou, e eu vou explicar essa palavra
compilador, eh, mas que o compilador
usou a expressão para indicar os
documentos que serviram de fontes para o
seu trabalho como compilador ou o autor
usou essa palavrinha, essa expressão
como uma forma de organizar o seu
material como uma estrutura muito clara.
Não há razão, pelo menos como ponto de
partida. Eh, pra gente duvidar que parte
do material de Gênesis já estava em
forma escrita antes do tempo de Moisés.
Nós podemos acreditar então que ele
realizou em grande parte o trabalho de
organizar, ainda que tenha sido
orientado e tenha sido inspirado pelo
próprio Deus nesse trabalho, mas de
organizar
todo esse material que o precedeu ao
invés de trabalhar nesse material como
um autor, como se Moisés tivesse sendo a
primeira pessoa que recebeu da parte de
Deus a revelação de como é que o
universo foi criado.
Como é que houve esse chamado de Abraão?
Como é que, porque você vai lembrar,
Moisés aparece no período do êxodo. Ele
é o líder que guia o povo na saída do
Egito. Mas antes de Moisés teve toda
essa história que a gente encontra entre
Gênesis capítulo 1 e Gênesis capítulo
50, que cobre um período histórico muito
longo e que cobre uma parte fundamental
da própria história do povo de Israel.
Então, a gente tem a história da
criação, a gente tem a história eh do
dilúvio de Noé, a gente tem a história
de Abraão, a história de todos os
patriarcas e a descida a partir de José
para o Egito. A gente tem 400 anos de
história de escravidão no Egito. Não
começa como história de escravidão, mas
é assim que se desenvolve e termina. E
aí a gente tem o surgimento de Moisés.
Tem muita história antes de Moisés. É
bem razoável que Moisés tenha herdado
documentos escritos que preservaram essa
parte da revelação de Deus que foi dada
ao longo da história e que Moisés,
divinamente inspirado, trabalha como um
organizador nesse material, naquilo que
é a forma do livro de Gênesis que nos
alcança ainda hoje. Então, isso são as
observações importantes a respeito da
composição do livro de Gênesis. Um outro
ponto que é o contexto histórico da eh
narrativa que a gente encontra em duas
sessões principais na organização de
Gênesis. Como é que a gente pode dividir
o livro de Gênesis? Tem mais de uma
maneira, mas boa parte dos estudiosos
vai concordar que primeiro a gente
encontra a história do princípio ou a
história dos princípios em Gênesis 1 até
o capítulo 11, que é a história primeva.
E depois a gente tem as narrativas
patriarcais, que a gente encontra em
Gênesis 12 até Gênesis 50, que é a
conclusão do livro de Gênesis. O relato
da história do princípio em Gênesis
possui textos que são análogos, que são
próximos em sua estrutura e em seu
estilo na literatura do antigo Oriente
Médio, ou, como alguns textos tratam, do
antigo Oriente Próximo, em especial
textos que a gente encontra na região da
Mesopotâmia, que data desse período que
a gente tá tratando aqui.
É, esses livros são escritos por volta,
ou, na verdade, a história que está
sendo contada parece ter sido escrita
por volta do ano 2000 antes de Cristo.
O texto que a gente tem registro desse
período de 2000 antes de Cristo e que
tem alguma semelhança com o texto de
Gênesis 1 a 11, é o épico de atrases ou
atrases, que é que é um épico que contém
o registro da criação, que fala sobre a
o crescimento da população inicial da
Terra e também tem uma narrativa muito
interessante sobre o dilúvio, com
semelhança.
Eh, e com semelhança, inclusive, de
alguns detalhes bem específicos do que a
gente vê em Gênesis capítulo 2 até o
capítulo 9. A história do dilúvio, do
dilúvio de Atraces,
eh, com algumas modificações também é
encontrado naquilo que é a história do
famoso épico de Guilgamesh. Não sei se
vocês já ouviram falar, tem um monte de
coisa hoje na internet que trata dessas
histórias antigas, justamente porque são
semelhantes em alguns traços com a
narrativa bíblica, mas é um fato
importante. O épico de Guilgamesch tem
várias eh comparações
históricas interessantes com o texto de
Gênesis. Outra informação eh sobre os
conceitos mesopotâmicos da criação foram
achados em diversos mitos sumérios
antigos, como e aqui vai outra obra
muito importante para essa comparação,
que é a obra intitulada Enuma Elish.
Enumelix é o relato da ascensão do deus
Marduk ao topo do panteão babilônico.
Então aqui a gente já está falando sobre
literatura babilônica.
E é comum em alguns círculos acadêmicos
acreditar, aqui onde tá a parte um pouco
mais difícil da gente digerir, acreditar
que Gênesis contém algumas versões
adaptadas da mitologia babilônica. É
como se Gênesis tivesse pego emprestado
desses eh mitos mais antigos, aquilo que
é a sua estrutura e o seu conteúdo e de
alguma forma o adaptou paraas suas
próprias convicções particulares.
Como a Mesopotâmia assume um lugar de
honra como sendo o berço da cultura do
antigo Oriente Médio. E como a
literatura babilônica é mais antiga do
que as datas geralmente aceitas do livro
de Gênesis, o que se presume é que as
semelhanças provam que o texto bíblico
depende do material babilônico. É como
se a origem de todas essas histórias
fossem os mitos babilônicos. Mas a
partir daí é que surge o texto bíblico e
é a partir daí que surgem outras
narrativas. Isso foi aceito por eh
alguns intérpretes de linha mais crítica
em razão do fato de que as raízes
étnicas de Israel são encontradas de
fato na Mesopotâmia. Não existe polêmica
aqui, porque o próprio relato bíblico
mostra pra gente que Abraão surge da
região da Mesopotâmia.
Segundo essa teoria, os israelitas tomam
emprestado os conceitos mitológicos
básicos do material babilônico, mas
quando vai passando o tempo, eles
adaptam esse material a uma perspectiva
monoteísta. Então, as histórias
babilônicas são politeístas. O povo que
é descendente de Abraão, os israelitas
tomam essas histórias emprestadas e as
transformam em histórias de um povo
monoteísta.
Qual é o problema dessa teoria? Um
problema em torno da sua implicação é
que se a gente acredita nisso, a
história que tá sendo contada no
Gênesis, a história do princípio, acaba,
na verdade, tornando-se apenas uma
mitologia. Eu sei que mito pode ser uma
palavra muito abrangente dentro dos
estudos literários, não precisa
significar uma coisa pouco poderosa, mas
aqui a gente está utilizando o mito como
uma história que não tem necessariamente
uma correspondência histórica, como se
essas coisas de fato não precisassem ter
acontecido. Então, dentro da perspectiva
mitológica, geralmente, por exemplo, não
se afirma a realidade do jardim do Éden,
que é bastante discutida em diferentes
correntes, mas também não se afirma a
realidade da arca de Noé, não se afirma
vários outros eventos que estão
narrados, em especial nesse intervalo
entre Gênesis 1 e Gênesis 11, como sendo
algo com algum tipo de fidelidade com
eventos históricos, porque Toda a
definição daquilo que está em Gênesis 1
a 11 depende apenas do que nós
categorizamos como mito.
Independentemente da definição de mito,
a gente precisa reconhecer uma coisa. E
aqui, presta atenção, que muda um pouco
o tom do argumento. A gente precisa
reconhecer que a função de Gênesis 1 a
11 em Israel é muito semelhante à função
do que o mito fazia nas várias culturas
que eh integravam esse antigo Oriente
Médio. O que que era a função desses
mitos antigos? incorporar o conceito da
origem e do funcionamento do mundo, ou
seja, como é que o mundo começou e como
é que o mundo continua existindo e
funcionando hoje. De certa forma, o
texto de Gênesis 1 a 11, independente de
você acreditar que está sendo narrado
eventos históricos ou não, esse texto,
essa porção do livro de Gênesis tem como
função dar uma explicação justamente
para essas perguntas: como o mundo
começou e como o mundo funciona ainda
hoje. Eh, como é que a gente então pode
lidar com esse fato? O seu texto de
Gênesis tem paralelos tão curiosos na
literatura suméria, nos mitos
babilônicos, em tantos outros eh
documentos e artefatos que a gente
encontra desse antigo Oriente próximo.
Como é que a gente lida com esses
estudos comparativos?
é difícil em muitos momentos e para
muitas pessoas vai soar como algo
arriscado fazer esse tipo de comparação,
mas o que acontece é que a gente não
pode se dar o luxo de ignorar essas
semelhanças entre a literatura bíblica e
o antigo Oriente próximo e esperar que
essas coisas desapareçam.
Pelo contrário, o material do Antigo
Oriente Médio deve ser usado para nos
ajudar a obter uma perspectiva adequada
da literatura israelita que está
preservada nas páginas da Bíblia. A
própria Bíblia afirma que as raízes
mesopotâmicas
dos israelitas começam nesse período e
nessa região. E o fato de Deus escolher
autores humanos, Abraão surge dessa
região nesse período. O fato de Deus
escolher autores humanos para escrever o
texto bíblico, como é o caso não só de
Moisés, mas provavelmente dos documentos
que ele herdou para compilar o texto do
Pentateuco deve nos levar a esperar
semelhanças, entre outras obras do mesmo
período. Novamente, são coisas que não
são difíceis da gente concordar, mas são
coisas que nem sempre a gente costuma
pensar, que é você tem autores que
registraram muitas dessas histórias. Eh,
você tem essas histórias sendo
transmitidas pela oralidade, mas você
tem uma história para essas informações
até o momento que chega Moisés como
aquele que vai organizar o texto de
Gênesis. Esses autores divinamente
orientados, inspirados, muitas coisas
que talvez foram sendo contadas ao longo
do tempo não foram incluídas em Gênesis,
porque Deus mostra para Moisés que
aquilo não é verdadeiro. Mas muitos
desses autores eh que foram sendo
utilizados para preservar esse
conhecimento, muito do que Moisés
escreve, ele escreve dentro de um
contexto histórico. As pessoas tinham
formas de se comunicar que não surgia do
vácuo, que não surgia do nada, como se
essas pessoas não conhecessem quem
morava ao seu lado, como se essas
pessoas não conhecessem as culturas que
o rodeavam. Então, conhecer bem essas
culturas e essas formas de comunicação é
muito importante. Apesar disso, a gente
não pode parar por aí. Por quê? Os
estudos comparativos exigem que a gente
examine essas semelhanças, mas também
examine as diferenças. E aqui onde surge
um fato muito importante. Quando a gente
empreende esse tipo de análise com uma
história primitiva, com essa história
primeva da origem do universo, da origem
dos povos sobre a Terra, o que a gente
descobre é que as diferenças na maneira
como Gênesis conta essa história supera
as semelhanças que Gênesis tem com esses
outros textos.
Então, o que a gente percebe é que as
semelhanças podem ser explicadas com
mais facilidade de outras maneiras do
que recorrer à teoria do empréstimo
literário. A gente consegue explicar
melhor esses pontos em comum, além de
simplesmente dizer que o povo de Israel
copiou os babilônios, os sumérios, os
meses enfim.
A história, por exemplo, do dilúvio é
uma história que é encontrada na
Mesopotâmia.
Eh, é uma história que é encontrada além
da fonte bíblica. E a maneira como a
história do dilúvio é contada nessas
outras fontes é semelhante à maneira
como essa história é contada no Gênesis.
Uma pessoa é advertida pela divindade a
construir um barco para salvar-se do
dilúvio. Esse dilúvio vai acontecer
muito em breve e vai destruir toda a
população. A arca é construída, a
tempestade chega, depois de as águas
baixarem, a embarcação pousa no topo de
uma montanha. Pássaros são soltos para
determinar quando os passageiros da arca
podem desembarcar com segurança. E aí a
história sempre termina com a oferta de
um sacrifício e a bênção concedida aos
sobreviventes.
Mesma estrutura em várias fontes. Essa
não é a história que a gente encontra
apenas em Gênesis novamente, a gente
encontra também no relato de outros
povos. Mas as diferenças que a gente
encontra na maneira como esse texto é
narrado em Gênesis também são diferenças
consideráveis. Por exemplo, se destaca
que a variação no tipo de embarcação que
é utilizada, quanto tempo durou o
dilúvio, quais são as pessoas que são
salvas, qual é o lugar onde a arca
pousa, qual é o resultado para o herói?
Eh, e em particular, qual é o papel dos
deuses? Nesses outros relatos, a gente
sempre está tratando de uma cultura
politeísta. Então, qual é o papel dos
deuses no dilúvio e na história de
Israel? Qual é o papel do único Deus
verdadeiro?
Esse texto, como você pode imaginar, foi
amplamente estudado ao longo da
história. E aqueles que fizeram uma
análise linguística minuciosa, uma
análise literária minuciosa, muitos
desses estudiosos concluíram que essa
ideia de dependência literária não tem
como ser comprovada. Existem outras
possibilidades para explicar essas
semelhanças. Aqui, como na maioria dos
paralelos na história do princípio, o
que se acredita ser mais provável é que
as tradições mesopotâmicas e as
tradições bíblicas basearam-se na mesma
fonte. A questão é: o que é essa fonte?
Alguns acreditam que essa fonte comum é
uma obra literária mais antiga, ou seja,
o povo de Israel, assim como outros
povos da região da Mesopotâmia,
eh, os sumérios, enfim, aqueles que vão
dar origem aos babilônios, todos eles
consultaram o mesmo livro, que não é,
obviamente é é anacrônico pensar no
livro no sentido moderno, mas todos eles
consultaram a mesma fonte para conhecer,
tomar conhe conhecimento dessa história.
Ou a outra possibilidade é que houve um
acontecimento de grandes proporções que
afetou muitas culturas, muitas eh
pessoas, muitas formas de sociedade que
existiam na mesma época. E por ser um
evento de grandes proporções, foi depois
registrado por esses vários grupos que
teriam sobrevivido ao dilúvio ou a
partir de um único eh grupo, de uma
única família, como a gente encontra na
narrativa de Noé, a diversidade de povos
que surge depois preservou a narrativa
dessa história porque foi uma história
muito importante para vários povos
diferentes conseguir explicar como é que
a gente chegou até aqui. Então, é bem
possível que a fonte em comum dessas
várias narrativas tenha sido o evento
que de fato aconteceu. De qualquer
forma, a literatura mesopotâmica
apresenta o contexto para que se
entendam algumas das questões da
história inicial de Gênesis em contraste
com a teologia do antigo Oriente Médio.
Os estudos comparativos dessas fontes
não devem ser temidos, pelo contrário,
devem ser bem feitos e se bem feitos,
valorizados, porque provê o contexto que
muitas das histórias da Bíblia possam eh
podem ser lidos de uma forma mais
coerente. Bom, falamos então da história
do princípio, que é a primeira parte aí
do contexto histórico, e agora a gente
vai falar um pouco sobre as narrativas
patriarcais em geral, e é muito
importante a gente perceber até pela
proporção que as narrativas eh
patriarcais possuem dentro do livro de
Gênesis. Se você fizer a conta aí, é
quase 80% do livro de Gênesis, só
contando a história dos patriarcas. Em
geral, as narrativas patriarcais devem
ser analisadas em contraste com o
contexto dos períodos arqueológicos
denominados Idade do bronzeiro
e idade do bronze ou 2a. Que período em
em anos é esse? É 2000 a de. Cristo até
1750.
Crist. Então coloca aí esse número na
cabeça. Entre 2.000 a de. de Cristo,
como tá no slide, em 1750
antes de Cristo. Esse é um período de
transição na região onde os patriarcas
estão. A Mesopotâmia faz a transição da
renascença suméria, um período altamente
eh desenvolvido para o período urteiro,
que é o período do domínio amorreu do
período babilônico antigo. Na prática,
a gente está falando de um eh momento
bastante remoto na história e que a
gente tem poucas informações históricas
para esclarecer o livro de Gênesis a
partir dos dados da história mundial que
a gente tem acesso eh
desse lugar e desse período que são tão
relevantes paraa história bíblica. A
única passagem de Gênesis que oferece
alguma correlação com acontecimentos da
história mundial é o capítulo 14 de
Gênesis, que não é a passagem mais fácil
de se interpretar, nem do ponto de vista
histórico, nem teológico. Então, a
gente, de fato tem esse desafio de olhar
para um ponto muito remoto na história,
4000 anos atrás, em uma porção
relativamente reduzida de terra.
Parece evidente que, com base nos dados
arqueológicos, que durante esse período
houve uma tendência geral na estrutura
social daquela região onde estavam os
patriarcas de transformar o caráter
semicedentário que eles possuíam em um
caráter urbano. E a partir daí que
começam a aparecer as cidades
fortificadas no final da idade do bronze
a, que é esse segundo período que a
gente fez referência. Em especial, isso
acontece entre 1900 e 1700 a de. Cristo.
Então, as várias cidades que a gente vê
narradas no texto de Gênesis entre o
capítulo 12 e o capítulo 50, eh, estão
surgindo nesse eh final do período do
bronze médio com o surgimento das
cidades fortificadas, as cidades
muradas. A descrição bíblica que a gente
vê é muito interessante porque é de uma
terra que é escassamente eh povoada.
Então, Abraão não tem uma transição ou
não tem um trânsito entre lugares que
são densamente povoados, mas a Terra
como um todo está escassamente povoada.
E isso há eh isso possui uma grande
fundamentação teológica ou perdão, uma
fundamentação arqueológica recente. O
que se vê naquilo que são os registros
dessa região para esse período é que
aquela não era uma região tão densamente
povoada assim. Semelhantemente, o estilo
de vida e cultura geral dos patriarcas
foram também autenticados por
descobertas arqueológicas recentes.
Ainda que muitos estudiosos tenham
contestado a historicidade dos
patriarcas, ou seja, o fato de que os
patriarcas de fato existiram sobre a
Terra, na interpretação desses
estudiosos, é como se Abraão Abraão
tivesse sido um símbolo. É como se Isaac
tivesse sido uma história ilustrativa.
Apesar de vários estudiosos duvidarem,
contestarem a historicidade dos
patriarcas,
nem o estilo literário, nem a natureza
dos fatos detalhados nos registros, nem
o contexto cultural e geográfico dão
motivo pra gente duvidar que essas
narrativas conservam a realidade, falam
o que de fato aconteceu.
Somente porque a gente pressupõe que
coisas assim não podem acontecer,
somente pressuposições que eliminam o
envolvimento de Deus com a humanidade, é
que pode apoiar a argumentação de que
estas são apenas lendas criadas para
explicar a origem dos israelitas. Muitas
pessoas que estudam minuciosamente a
Bíblia vão sustentar essa posição. Os
patriarcas não existiram na história.
Abraão não existiu na história. Esses
eventos narrados a respeito de José e
dos seus irmãos não aconteceram no
Egito. Tudo isso é uma história para
justificar um povo, uma história para
justificar a existência de uma etnia e
uma história bastante eh otimista sobre
esses eventos que elevam esses
personagens à condição de herói. Mas uma
análise literária, uma análise
histórica, vai mostrar pra gente que a
única forma da gente afirmar isso tão
categoricamente é quando a gente
pressupõe que não existe um Deus que
possa interferir na história nos moldes
do que Gênesis está contando pra gente.
Um outro ponto muito importante pra
gente analisar é o propósito e a
mensagem que a gente encontra no livro
de Gênesis.
O propósito do livro de Gênesis é contar
a maneira e o motivo de Yahvé escolher a
família de Abraão e fazer aliança com
ela. Aqui eu tô fazendo menção a Yahvé,
mas obviamente essa menção é o nome
pessoal de de Deus, o tetragrama sagrado
Yod revrei que a gente não sabe
exatamente qual a melhor maneira de
vocalizar, mas eu vou adotar Yahvé
apenas como uma forma de fazer
referência a esse nome pessoal de Deus.
Então, é muito importante a gente partir
desse ponto. O propósito do livro de
Gênesis é contar a maneira e o motivo
pelo qual pelo qual Yahvé escolhe a
família de Abraão e faz uma aliança com
essa família. Aliança é a base
teológica, é a base da teologia e da
identidade dos israelitas. Portanto, a
história dessa família, dessa aliança e
o desenvolvimento dessa relação é dar
mais alta importância, não só para
Gênesis, mas para todo o Pentateuco, não
só para para o Pentateuco, mas para todo
o Antigo Testamento. E obviamente não só
para o Antigo Testamento, mas também
para o Novo Testamento. Por quê? Porque
Cristo vem de acordo com as profecias
que estão estabelecidas
desde aquilo que foi revelado aqui em
Gênesis, se desenvolve nos profetas até
chegar no período que a gente vê narrado
no Novo Testamento. Então, o livro de
Gênesis é o ponto fundamental para o
começo dessa aliança. E a aliança é o
ponto fundamental da teologia do livro
de Gênesis. O livro continua a narrativa
de como essa aliança foi estabelecida,
descrevendo
os vários obstáculos e as várias ameaças
que surgiram contra essa aliança. Para
toda esquina que você vira, você
encontra um problema diferente para que
essa aliança de fato aconteça, para que
essa promessa que Deus faz para Abraão
se cumpra. Finalmente nós descobrimos
como os israelitas partiram para o
Egito, já final do livro de Gênesis,
preparando o cenário para o êxodo.
Gênesis apresenta a introdução adequada
ao deus israelita Yahé. Yahé é
apresentado como o criador soberano do
mundo, feito especialmente para a
habitação humana. Aqui são pontos que
talvez você ache muito claro, muito
óbvio, mas não eram nada claros e nada
óbvios para os leitores iniciais, para
os ouvintes iniciais dessa história,
para o povo de Israel. Por quê? Porque
essa não era a perspectiva de realidade
de mundo, de Deus, ou mais precisamente
de deuses que todos os povos que estavam
no entorno de Israel possuía.
Aqui nessa afirmação que a gente acaba
de fazer de que Deus é quem cria todas
as coisas soberanamente e cria essas
coisas em especial para a habitação dos
seres humanos e mais do que isso paraa
habitação do próprio Deus, a gente já
pode identificar o contraste intencional
com o desenvolvimento da teologia
mesopotâmica, ou seja, a teologia que
estava no entorno de Israel quando tudo
isso surgiu. Porque no pensamento
mesopotâmico,
a criação recebeu duas ênfases. Por um
lado, a criação de forças e elementos
cósmicos foi descrita de forma geral
pelo nascimento da divindade
que tinha jurisdição sobre essa área.
Vou dar um exemplo para tentar
esclarecer. A criação do mar, por
exemplo, não é descrita apenas como a
criação do mar, mas como o nascimento da
deusa do mar. Quando surge ou quando
nasce a deusa do mar, é quando surge o
mar, porque o mar é o objeto que essa
deusa vai controlar. E o mar é o objeto
que define a existência da deusa do mar.
Caracteristicamente,
não existe nessas histórias do
surgimento de todos os elementos
cósmicos, um único Deus que está
dirigindo o processo. Não existe um Deus
que está supervisionando o processo
criativo. A criação se realiza por
intermédio da procriação divina. Então,
as coisas acontecem a partir das
decisões variáveis desses vários deuses
que dão surgimento a outros deuses. Por
outro lado, existe uma ênfase muito
clara na organização do cosmo e não na
criação do cosmo. aquilo que são as
histórias que tornam o mundo de alguma
forma algo um pouco mais ordeiro, recebe
muito mais ênfase do que a narrativa de
como essas coisas surgiram. E aqui é
onde a gente vê muitos contrastes com o
que Gênesis nos fala.
Ao contrário do pensamento mesopotâmico,
Gênesis está insistindo que Yahé é o
criador, não apenas o organizador,
embora também seja responsável pela
ordem que a gente encontra no cosmos. As
coisas vieram a existir a partir da
intenção e da determinação do único Deus
verdadeiro de criar todas as coisas.
Além disso, a procriação dos deuses, que
é tão comum nas narrativas
mesopotâmicas,
não é utilizada para explicar a origem
dos elementos cósmicos. A criação
procede da boca de Deus. Não é porque
Yahé se relacionou com outro Deus que
surgiram os elementos cósmicos, mas
porque Deus falou e tudo veio a existir.
Outro aspecto importante da mensagem de
Gênesis diz respeito ao papel das
pessoas no mundo recém-ci criado. E
novamente há um contraste muito grande
com a perspectiva mesopotâmica. Por quê?
Porque a mensagem fundamental de Gênesis
é que os seres humanos foram criados à
imagem de Deus. E isso já insiste na
intenção de Deus de criar os seres
humanos e na decisão de Deus de dar
dignidade para essas pessoas, para os
seres humanos.
Aqui tem um forte contraste com a
mitologia mesopotâmica, no sentido de
que na mitologia mesopotâmica a
humanidade é uma ideia posterior dos
deuses. Não é que o homem foi planejado,
desejado e feito com grande dedicação
por parte dos deuses. Por exemplo, o
mito que a gente falou no começo da
nossa aula. Nesse mito, as pessoas são
criadas para assumir o trabalho do qual
os deuses estavam cansados de fazer, ou
seja, os seres humanos nascem para ser
escravos. Em meio a esse contraste com a
teologia mesopotâmica, fica claro que a
intenção de Gênesis não é simplesmente
realizar um debate. Não é que ele estava
querendo entrar na polêmica de dizer:
"Não, a minha história é melhor do que a
sua história ou nós vamos contar mesma
história de uma forma diferente". Não. O
objetivo da narrativa de Gênesis é
estabelecer o fato de que Yahé estava
seguindo soberanamente um plano
histórico. não é simplesmente dar uma
resposta aos outros povos, mas as
narrativas de Israel se compreendem como
a revelação de um fato de que é o único
Deus verdadeiro criou todas as coisas e
criou porque quis ele está orientando os
rumos da história. O homem foi criado
com todas as vantagens e o homem foi
colocado
justamente e cuidadosamente para ser um
servo de Deus que preserva a ordem da
criação e estende a ordem da criação do
jardim do Éden. Isso é importante porque
nos leva ao próximo aspecto da mensagem
central do livro.
Os homens e mulheres, não Deus, é que
abalaram o equilíbrio e causaram a
triste condição da nossa existência
atual. Nas outras narrativas, a origem
desse problema são os deuses. Os deuses
estão em guerra. Os deuses nos fizeram
como criaturas corrompidas. E aquilo que
nós experimentamos como sofrimento é uma
consequência da decisão dos deuses. Não
em Gênesis. Em Gênesis, nós fomos feitos
à imagem e semelhança de Deus. O que
Deus fez, ele fez o bem feito. E aquilo
que é o problema do sofrimento e aquilo
que é a inimizade da criação com essas
criaturas em especial, surge a partir da
decisão humana, surge a partir do pecado
que nós cometemos. A mensagem das
narrativas patriarcais é que por meio de
muitas situações difíceis, os patriarcas
e em particular o Senhor Yahvé
preservaram
a aliança para conseguir a instituição
da família de Abraão. O texto não hesita
em nenhum momento em mostrar as
deficiências de Abraão, em em mostrar as
deficiências dos filhos de Abraão, mas
também mostrar a fidelidade de Deus de
ser constante e providencial para obter
os resultados positivos, apesar das
circunstâncias ruins. Como a gente
colocou, tem muitas histórias pessoais
no texto de Gênesis, de Gênesis 12 até o
capítulo 50. são apenas as narrativas de
indivíduos, de famílias, não a narrativa
sobre o surgimento dos povos, sobre o
surgimento dos do cosmos. Agora, esses
personagens não são heróis e não são os
principais responsáveis pelo fato de que
há esperança para a humanidade e para a
criação. Por todos eles erram, todos
eles falham. Olha a história de Abraão
que mentiu. Olha a história de Abraão
que foi impaciente com o próprio Deus em
relação ao tempo necessário para que a
promessa de Deus de que ele teria um
filho se cumprisse. Olha pra história de
Sara, que riu daquilo que era a promessa
de Deus. Olha a história eh de Isaque,
que também mentiu. Olha pra história de
Jacó, que mentiu mais do que Isaque e do
que Abraão. Então, a gente vê, olha pra
história de Judá, que é a tribo a partir
da qual há a continuidade da esperança
para o povo de Deus e que foi uma pessoa
que mentiu e que envergonhou a própria
Nora e a obviamente também a história da
redenção de Judá.
Mas o que a gente percebe é as coisas só
deram certo. As coisas só não saíram
completamente do trilho. Por quê? Porque
Deus é fiel de forma constante e
providencial para obter o resultado que
ele falou que ele iria alcançar para
Israel e por meio de Israel para toda a
humanidade. Como é que a gente pode
resumir toda a história da teologia de
Gênesis? Existe um versículo que você
vai lembrar dessa fala e que é talvez
mais importante do que você tenha
percebido na primeira vez que você leu
essa história, que é no final do livro
de Gênesis, capítulo 50, versículo 2.
José, a partir do versículo 1 e o
versículo dois é que é o foco. Versículo
1. José atirou-se sobre seu pai, chorou
sobre ele e o beijou. Em seguida, deu
ordem aos médicos que estavam ao seu
serviço, eh, que embalsamaram seu pai, a
que embalsamaram seu pai em Israel, e
eles o embalsamaram. Eu falei versículo
dois, mas eu tô lendo o versículo
errado. É o versículo 20, perdão, que é
quando José se vira para os seus irmãos.
A partir do versículo 19, José, porém,
lhes disse: "Não tenham medo. Estaria eu
no lugar de Deus?" Versículo 20. Vocês
planejaram o mal contra mim, mas Deus o
tornou em bem para que hoje fosse
preservada a vida de muitos. A história
da teologia do Gênesis está resumida
nessa fala de José. Vocês planejaram o
mal contra mim, mas Deus o tornou em bem
para que hoje fosse preservada a vida de
muitos. Então, a gente conclui essa
porção a respeito da história do
propósito e mensagem de Gênesis,
ressaltando justamente esse ato de
soberania de Deus, não apenas de iniciar
a história, de iniciar o plano de
redenção, mas também de mostrar que,
inclusive, a maldade e o pecado dos
patriarcas da sua descendência e de toda
a humanidade foi utilizada por Deus para
trazer seu bem. Vocês planejaram o mal,
mas Deus o transformou em bem. Bom, nós
temos outros aspectos que eu vou deixar
aqui no slide para que vocês possam ver
depois, que são os temas mais
importantes que a gente encontra no
livro de Gênesis. Aliança e eleição,
o monoteísmo, que caracteriza o povo de
Israel, o pecado e também, obviamente,
as origens. por conta do tempo, a gente
vai abreviar, vai passar aqui para as
perguntas, mas eu vou deixar esses
tópicos para que vocês possam eh olhar
com um pouquinho mais de cuidado qual é
a referência bibliográfica que a gente
está usando aqui, o panorama do Antigo
Testamento de John Walton. Vou deixar
aqui o nome do autor.
A gente já comentou sobre ele na
primeira aula do nosso módulo,
mas eu vou reforçar aqui. Outra coisa é
a gente já falou que colocaria para
vocês a ementa. Isso está um pouquinho
atrasado, mas essa semana ainda a gente
vai atualizar a ementa tanto do Antigo
quanto do Novo Testamento para todo o
nosso curso.
E eu volto o panorama do Antigo
Testamento, editora Vida. Eh, e aí vocês
podem se aprofundar no estudo desses
tópicos também por meio dessa referência
que a gente tá colocando aqui e de
várias outras que a gente já elencou. a
gente vai gerar esse documento e deixar
disponível na plataforma para quem tá
acompanhando o curso completo, tá bom?
Bom, vamos lá para as perguntas que
vocês colocaram aqui.
Deixa eu procurar aqui. Deixa eu ver o
que que tem.
Os escritos do Mar Morto seriam então as
cópias mais antigas preservadas. Eh,
sim, são os escritos mais antigos que a
gente tem do Antigo Testamento, que
datam do período ah próximo a Jesus, um
pouco antes de Jesus, os manuscritos
mais antigos, que são manuscritos de
2000 anos atrás. Mas veja como ainda
existe um período histórico muito
anterior entre a composição desses
livros, mesmo a compilação final desses
livros, para aqueles que admitem que
houve um processo editorial
na a composição do Antigo Testamento e o
período que data os manuscritos do Mar
Morto. Existe um intervalo considerável.
Mas o que é interessante é antes do
período em que tínhamos acesso aos
manuscritos do mamorto, os outros textos
mais antigos, se eu não estiver enganado
a respeito do Antigo Testamento, são de
quase 1000 anos depois. Então é como se
a gente tivesse dado um salto de 1000
anos para o passado quando a gente
descobriu esses manuscritos. E a notícia
é muito boa. Os textos que a gente tinha
nas nossas mãos, que a gente já tinha
acesso, eh, eram textos muito coerentes
com que a gente encontrava com os
manuscritos do Mamorto. Não teve nenhuma
grande mudança nas nossas Bíblias quando
a gente descobriu os manuscritos do Mar
Morto. Uma indicação de que o texto
bíblico foi muito bem preservado ao
longo dos tempos.
Eh, sei que não é o caso de Gênesis, mas
será que alguns livros da Bíblia,
principalmente do Novo Testamento, foram
escritos por algumas mulheres e, por
isso não foram identificados? Olha,
Jéssica, não é tanto a
a hipótese mais razoável pra gente não
encontrar a especificação desses
autores. O que muitos estudiosos apontam
é que esse não era um dado tão
fundamental numa obra antiga como é na
atualidade.
E alguns desses escritos antigos tinham
especificação de autor, como por
exemplo, em uma carta, porque faz todo
sentido que Paulo e esclareça que é ele
que está escrevendo na sua
correspondência aos coríntios. Mas em
muitos outros casos não era tão
fundamental assim a identificação dos
autores como hoje a gente julga
fundamental.
Eh, é possível que mulheres tenham
participado no processo de escrita de
alguns livros, uma vez que a gente não
sabe quem são os autores de alguns
livros? Então, a resposta é sim. Por
exemplo, a gente não sabe quem foi que
escreveu Hebreus. É muito improvável,
como alguns admitem, que tenha sido
Paulo. O estilo é muito diferente, o
vocabulário é muito diferente. E aí eu
já ouvi a hipótese e confesso que não
analisei com muitos detalhes que
Priscila, a esposa de Áila, o amigo, né,
de oua, a o casal missionário amigo de
Paulo, poderia ter sido a autora de
Hebreus. Eu realmente não consigo dar
qualquer indicação de que isso é é
razoável ou não. Acho difícil a gente
ter muito dado histórico sobre essa
hipótese, mas eu não acho que a razão
tenha sido uma consequência supostamente
de uma cultura mais patriarcal. O fato,
eu acho mais relevante é que as obras
antigas tinham prioridades diferentes,
seja na identificação dos autores, nas
informações que eles achavam que
precisavam constar ou não na obra.
Vamos ver aqui. Vamos lá. Eu vou usar
essa pergunta para tratar de um conjunto
de conjunto de outras perguntas que
talvez eh vocês se façam e talvez tenham
sido colocadas no chat. Professor, e a
origem dos dinossauros? Os dinossauros
existiram? Bom, eu acho que é
praticamente impossível negar a
existência de formas de vida e de
espécies que já não estão mais tão
presentes ou definitivamente não estão
presentes hoje no planeta. Basta você ir
para um museu de história natural que
você vai ver muitos fósseis ali. Eh,
qual é a origem dos dinossauros? A mesma
origem de todas as outras espécies
animais. Foi Deus quem criou essas
espécies. Como é que a gente então
explica o fato de que essa espécie ou
esse essas espécies que formam os
dinossauros não existem mais, enquanto
nós e tantas outras formas de vida foram
preservadas ao longo do tempo? Pois é,
esse é o tipo de pergunta que o texto de
Gênesis não tem interesse em responder.
Por isso que a gente ressaltou como
introdução da nossa aula de hoje.
Gênesis é um livro de ciências, não é?
Ele vai falar sobre vários eventos que
tenham algum tipo de relevância para o
empreendimento científico. Ao meu ver, o
próprio fato de que nós podemos fazer
ciência e que nós devemos fazer ciência
vem como uma consequência da revelação
bíblica, que é vocês não devem temer as
forças naturais. O mundo criado foi
feito como um mundo bom e Deus nos fez
com a capacidade de compreender sobre
compreender a a respeito dos fenômenos
que acontecem ao nosso redor e de
dominar sobre a criação. dominar num
sentido positivo, não dominar no sentido
de explorar, mas dominar no sentido de
eh poder fazer com que todas essas
forças naturais venham a convergir para
o propósito de glorificar Deus, de
louvar o criador. Então, nós fomos
colocados em uma condição excepcional
sobre a criação e nós temos a
responsabilidade de compreender bem
aquilo que é a realidade do mundo
físico, dos fenômenos naturais, daquilo
que nós determinamos como sendo as
perguntas científicas. A possibilidade
de fazer ciência, ao meu ver, é porque
Deus fez o mundo da forma que fez. Eu
acho que nós devemos ter esse
empreendimento científico e investigar
como é que os dinossauros ou quando a
gente tem os vestígios mais antigos dos
dinossauros e quando é que provavelmente
eles deixaram de existir e por que
deixaram de existir. Mas a gente vai
encontrar isso na Bíblia, ao meu ver, é
o lugar errado para procurar esse tipo
de informação. A Bíblia, no fim das
contas, é um livro que está falando
sobre teologia.
Eh, é um livro que está narrando
história, está narrando história. É um
livro que tem relação com empreendimento
científico, tem relação com a ciência. É
um livro que fala sobre personagens, é
um livro que fala sobre personagens, mas
eh no fim das contas ele tem um
propósito. E o propósito não é nos
explicar como os mecanismos que Deus
utilizou para criar as coisas. Mas
respondendo de forma direta, a origem
dos dinossauros veio a partir da criação
inicial de Deus? Sim, veio a partir da
palavra de Deus que criou todas as
coisas.
Deixa eu ver mais aqui as outras
perguntas.
Vamos lá.
A Bíblia relata que ela é a palavra de
Deus, independentemente de quem seja o
autor, humanamente falando. Se cremos,
cremos e ponto final, sem argumentar, já
ouvi isso de um novo convertido. Olha,
de certa forma a gente parte de um
pressuposto de confiança ou de
desconfiança a respeito do texto
bíblico. Gente, a maioria das pessoas
não parte para uma análise histórica
minuciosa sobre a composição e a autoria
dos 66 livros da Bíblia para depois
tomar uma decisão se ela crê ou não crê
nesse livro. Mas uma vez que nós
passamos a acreditar na mensagem do
evangelho, na mensagem do Deus criador
dos céus e da terra, da aliança que Deus
faz com Abraão e de tudo aquilo que está
envolvido na narrativa bíblica, é muito
razoável que a gente queira compreender
o melhor possível aquilo que está ali.
Então, esse esforço de querer saber quem
é o autor, quando escreveu, em que
contexto escreveu, porque o contexto vai
me ajudar interpretar textos que t a
possibilidade de serem interpretados de
muitas formas diferentes, isso não é um
ato eh de pouca fé ou isso não é um ato
contrário ao amadurecimento da fé. pelo
contrário, pode ser justamente o ato de
querer
compreender com o máximo de clareza
possível aquilo que eu acredito que é a
palavra de Deus. Se é palavra de Deus,
eu preciso entender bem. Se é palavra de
Deus, até onde eu puder ir, eu tenho que
ir, porque não existe nada mais
importante do que compreender e cumprir
essa vontade e essa verdade revelada.
Então,
a gente precisa responder essas questões
para compreender e para ser alcançado
pela mensagem do evangelho. Não. Mas a
gente deve se aprofundar nessas questões
e procurar compreender o máximo
possível, sim, porque isso, como coloca
Paulo, pode ajudar no nosso, no
desenvolvimento da nossa salvação,
compreender melhor o que Gênesis disse
pra gente também compreender melhor o
que Deus está falando pra gente hoje.
A, eu falei sobre a nota de rodapé, né?
A ADR me esclarece aqui que a Almeida,
revista e corrigida, também tem essa
nota em Gênesis 24. Muito bom.
Deixa eu ver mais aqui.
Ah, o Joaquim faz uma pergunta muito
interessante em Gênesis 1:3 diz assim:
"Haja luz, mas o sol, a lua e as
estrelas só foram criados no quarto
dia." Versículo 14 até o 19. Que luz é
essa? em Gênesis 13. O qual a diferença
da luz de Gênesis 13 paraa luz do sol?
Bom, depende da forma como você lê a
narrativa da criação em Gênesis capítulo
1 e Gênesis capítulo 2. Se você lê de
uma forma literalista e se você lê de
uma forma que seja uma descrição
exata em termos novamente científicos
com uma linguagem precisa a partir dos
critérios da ciência contemporânea de
como o mundo começou, você vai ser
obrigado a dizer que a luz que é criada
em Gênesis capítulo 13 vem de outros
corpos celestes que não o sol.
Porque de fato existem muitas fontes de
luz no universo. Então o universo eh
pode emitir luz a partir de outras
estrelas, a partir de outros corpos que
estão aquecidos e emitem luz a partir
das reações de fusão que acontecem ali
no meio de um eh de qualquer outro tipo
de corpo celeste que tenha essa
propriedade. Agora você vai me
questionar, sim, mas aqui diz que isso
aconteceu
no primeiro dia e depois a gente tá
comparando com o que aconteceu no quarto
dia. Então, como é que a gente conta os
dias? Pois é, aí é onde eu acho que a
ginástica para tentar fazer a definição
de dia, que hoje a gente depende do Sol
para definir o que que é um dia de 24
horas, para poder explicar o texto de
Gênesis antes da criação do Sol,
bastante forçoso. Eu acho muito
complicado conseguir definir um dia em
Gênesis capítulo 1, como sendo primeiro
um dia de 24 horas e um dia de 24 horas
que seria delimitado por um corpo
celeste que não é o sol, mas que tem
talvez as propriedades necessárias para
marcar 24 horas direitinho até que o sol
fosse criado. E a partir dali a gente
usa o sol para dizer o que é dia, o que
é noite, o que é o quarto dia, quinto
dia, sexto dia. Alguns intérpretes
tentam enxergar esse tipo de separação
de dias e de luz, definição de onde vem
a luz no texto de Gênesis.
Particularmente, eu acho bastante
forçoso. Novamente, eu acho que o texto
está nos revelando que foi Deus que
criou todas as coisas. Nada do que
surgiu surgiu espontaneamente.
Surgiu simplesmente por efeitos
aleatórios da colisão dos átomos. Tudo o
que surge surge a partir da criação de
Deus. Mas como Deus criou, não é a
preocupação de Gênesis nos relatar. Por
isso que a interpretação para esses
elementos, como luz, luminar do dia,
luminar da noite, a definição do que que
é um dia passa a ser diferente, tá bom?
Deixa eu ver aqui.
Que mais que a gente tem?
Percebendo que as histórias, vamos lá,
percebendo que as histórias são
reveladas em outras culturas, como o
dilúvio, é o Espírito Santo que atesta
que nosso, em nosso espírito que o Deus
de Abraão é o único Deus, é o único e
verdadeiro Deus, certo? Ah, Carla, claro
que a gente compreende que a ação do
Espírito Santo, ela é fundamental não só
na composição do texto bíblico, mas
também na interpretação, aquilo que a
gente chama na iluminação pra gente
interpretar adequadamente o texto
bíblico. Agora, quando a gente compara
os relatos eh a respeito do dilúvio, a
gente não precisa
entender que nós acreditamos que esse é
um relato ou é o relato apropriado
apenas do ponto de vista dessa ação
sobrenatural do Espírito Santo. Eu
acredito que ela acontece e ela é
fundamental pra gente discernir entre
diferentes propostas de narrativa para o
mesmo evento. Mas como a gente colocou,
é possível que esses vários eventos,
primeiro também sejam compreendidos como
muito semelhantes. Então vai ter muita
coisa que a gente vai concordar com os
outros eventos. Mas a interpretação de
por é que essas coisas aconteceram, que
aconteceram,
que é principalmente o envolvimento dos
deuses que a gente entende que é
diferente. Então, sim, a gente entende
que o único Deus verdadeiro
eh é o Deus que estava por trás dos
eventos eh que são narrados em Gênesis
em relação ao dilúvio. Com certeza. A
gente entende que o único Deus
verdadeiro é o Deus verdadeiro porque o
espírito nos convenceu. Mas a gente
ainda tem dentro dessa ação do espírito
a possibilidade de analisar
historicamente esses eventos e ver que
de certa forma o próprio relato bíblico
traz muitos elementos de coerência que
ao meu ver faltam em outras formas de
interpretar teologicamente esse mesmo
evento quando a gente lê as narrativas
dos outros povos da região da
Mesopotâmia.
É muito interessante, por exemplo, olhar
paraa narrativa que seus faz em
cristianismo por e simples, saindo da
condição de ateísmo para a condição de
crer que existe um deus ou deuses para
descartar várias possibilidades de
politeísmo até chegar na condição e na
necessidade de existir apenas um Deus e
esse Deus ser coerente com o Deus que é
descrito nas escrituras. Então, eh, eu,
eu acredito sim que a ação do Espírito
Santo é que nos convence no fim das
contas, mas ele também nos permite
compreender isso do ponto de vista
histórico, o que que é mais coerente,
teológico, teologicamente ou não. Então,
esse tipo de análise também é
importante.
Vamos ver aqui
que mais
pessoal tava numa discussão acalorada
aqui no chat a respeito do espírito de
Deus pairando sobre a face das águas.
A estudar a Bíblia sem considerar a
cultura da época seria cair no erro de
anacronismo, certo? Com certeza. uma eh
observação muito importante. A gente
compara os textos com aquilo que são os
documentos antigos. Por quê? Se a gente
lê o texto antigo com os parâmetros da
nossa própria época, da nossa própria
cabeça, a gente vai colocar muito mais
no texto do que de fato está ali. A
gente vai chegar a conclusões que são
apropriadas para aquilo que é a nossa
régua e avaliação da história
contemporânea. Mas como a gente colocou
na primeira aula, não faz sentido julgar
os nossos antepassados a respeito dos
critérios da contemporaneidade. A gente
precisa saber como eles pensavam, o que
eles consideravam certo, o que que eles
consideravam errado, como é que eles
contavam histórias, como é que eles
interpretavam os eventos ao seu redor.
Deixa eu ver o que mais a gente tem por
aqui.
pergunta: "O registro da história dos
patriarcas foi entre 2000 e 1750 a de.
Cristo ou a existência dos patriarcas
foi nessa época?" A existência dos
patriarcas, como sugerido eh na nossa
aula, foi nessa época. Claro que é uma
aproximação, porque novamente a gente
não tem um documento histórico que
mostra uma foto de Moisés que traz a
digital de Isaque, mas a gente tem
razões arqueológicas e históricas
sólidas o suficiente para acreditar que
eles viveram nesse período entre 2000 e
1750
antes de Cristo. O registro acontece bem
depois, segundo aquilo que a gente
também defendeu na nossa aula de hoje, a
partir do trabalho de Moisés como um
compilador do material e também como
autor daquilo que a gente encontra na
sequência de Gênesis, no resto do
Pentateuco.
Qual é o significado de a pomba ter
trazido uma planta no bico para Noé? de
forma muito direta, Ana, o fato de que
as águas haviam começado a baixar. Se o
pássaro eh ele não encontra, na verdade,
quando ele começa a voar e volta paraa
arca sem nenhum tipo de sinal, é porque
as águas estavam muito altas. Mas quando
ele encontra a
eh uma parte da planta para trazer de
volta para Noé, é o fato de que as águas
tinham começado a baixar, mas o topo das
árvores é que ainda eh apenas o topo das
árvores é que haviam despontado acima
das águas e depois quando o pássaro já
não volta mais é sinal que a água já
havia baixado de forma considerável.
Então essa é a forma como eles tinham de
verificar o estado em que se encontrava
a criação ou pelo menos a criação em
torno da arca logo ou nos dias após o
dilúvio, tá?
Acho que não entendi. O dilúvio para
todos evento de proporção grande foi o
dilúvio de Noé? Senão Deus copiou o
acontecido e fez a narrativa de Gênesis
parecida eh a de tal povos. E se foi
assim, por quê? Não judite a ideia. No
final das contas que a gente propôs é:
houve apenas um dilúvio, mas esse
dilúvio, ele foi narrado de muitas
formas diferentes, por muitas culturas
diferentes. Toda a nossa comparação e o
nosso esforço é por é que existem tantas
narrativas a respeito do dilúvio? Porque
que elas são tão parecidas em alguns
aspectos que são tão diferentes em
outros aspectos. E a nossa explicação
foi ou houve o registro desse evento em
uma fonte que todas essas culturas
consultaram em comum ou foi um fato de
grandes proporções que de fato aconteceu
eh e que impactou tanto a história da
humanidade que vários grupos registraram
esse fato, ainda que com interpretações
diferentes a respeito do seu
significado, da sua origem, eh, e de
alguns outros detalhes.
Deixa eu ver mais isso que surge aqui no
nosso chat.
Deixa eu ver aqui.
A maior parte dos judeus acredita na
queda como evento que colocou ou que
tornou toda a humanidade pecadora. Bom,
a discussão sobre pecado dentro do
judaísmo tem contornos diferentes
daquilo que a gente encontra a na
tradição cristã, na teologia cristã, até
porque muito também daquilo que são as
consequências do pecado e da maneira
como o pecado será tratado por Deus vem
da revelação que a gente encontra no
Novo Testamento.
Mais um ponto fundamental que aparece
obviamente na narrativa de Gênesis
capítulo 3 e é importante para judeus,
assim como é para os cristãos, é que
houve um fato de ruptura nesse ato de
Adão e de Eva. Como é que isso vai ser
restabelecido na eternidade? é uma coisa
que tem muitas teorias diferentes, mas a
maior parte dos judeus têm essa
compreensão que esse essa não foi a
condição inicial é que Deus nos criou.
Deus não fez a humanidade no estado de
pecado. Pelo contrário, é muito
importante para a teologia judaica,
assim como é para a nossa compreensão
enquanto cristãos e protestantes, que
Deus fez as coisas muito bem. Deus se
agradou daquilo que ele fez quando ele
concluiu toda a obra da criação. Por
isso aqui vem também a ordem do Shabat,
de descansar no sétimo dia, porque Deus
descansou da boa obra que fez os seis
primeiros dias da criação. E a partir
desse ato de Adão e de Eva, existe uma
ruptura com o criador. Existe essa
necessidade de restabelecer essa
relação. Por isso que a Torá é tão
importante. E por isso que o livro de
Gênesis está na Torá e a Torá é tratada
como a lei. Já pararam para pensar a
respeito disso? Não existe tanto caráter
legal. Não. Na verdade não existe um
texto que possa ser qualificado, uma
grande porção de texto que possa ser
qualificada como lei no livro de
Gênesis. E ainda assim Gênesis é uma
parte fundamental daquilo que é a lei
mosaica, a Torá. Eh, e a dentro da Torá,
então, a gente percebe que o
restabelecimento da relação com Deus só
faz sentido se a gente compreende a
criação e a queda nesses termos. Ainda
que tenha muita discussão sobre o que é
queda, sobre o estado que a humanidade
entra a partir da queda, há o consenso
de que há ruptura e a necessidade de
restabelecimento dessa relação. Por isso
o tabernáculo, por isso 613 mandamentos,
por isso todas toda a aliança que Deus
faz com Abraão para resolver o problema
que entra no mundo a partir de Adão.
Essa é uma compreensão judaica, não sei
se completamente aceita por todos os
judeus, mas que eu já vi sendo bastante
compreendida ou aceita por muitos
grupos, que é Adão estabelece o problema
e por meio de Abraão, Deus começa a
resolver essa condição da humanidade.
Então, os judeus acreditam na queda,
ainda que o conceito de queda possa ser
interpretado de diversas formas.
Eles acreditam sim que é a partir do
pecado de Adão que a condição humana
passa a ser uma coisa que precisa ser
remediada pela ação de Deus. E é para
isso que Deus estabelece uma aliança com
Abraão. Bom, pessoal, muito obrigado
pelo tempo de vocês, muito obrigado pela
participação. A gente vai colocar,
disponibilizar esse material dos slides
junto com leitura e com as perguntas na
nossa plataforma. Se você não sabe qual
o endereço da plataforma, basta olhar
aqui na descrição ah desse vídeo que
você vai encontrar. E a gente também
espera que você volte aqui na
quinta-feira, porque quinta-feira a
gente vai ter introdução ao livro do
Êxodo. Se Gênesis é fundamental para
entender o Pentateu, o êxodo é a
sequência que também dá origem a toda a
história da salvação da humanidade a
partir do ato de libertação que Deus
traz para o povo de Israel. Mais uma vez
a gente agradece o seu tempo, sua
atenção e a gente pede para você nos
ajudar a compartilhar
esse material e continuar participando
com a gente. Bons estudos e até o nosso
próximo encontro. Ciao. Ciao.

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