Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Sermão: Idolatrando a Deus

Sermão: Idolatrando a Deus

Sermão: Idolatrando a Deus

Terceiro sermão da série Que amor é esse, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Eterno nosso pai, nosso rei.
Obrigado, Senhor, pelo teu amor.
Obrigado por enxergar em nós
o que ninguém mais vê.
Agora, mais uma vez que vamos estudar
sobre esse amor.
Que teu espírito caminhe conosco.
É o que nós te pedimos em nome de Jesus.
Amém, Senhor. Amém.
[Música]
Bom dia, tudo bem? Prazer receber você
aqui no Teatro All, no Shopping Pat
Genópolis e é um prazer receber você aí
onde quer que você esteja, sua casa, seu
carro, eh, no ônibus, no metrô, no
avião,
sei lá, qualquer lugar. Bom que vocês
escolheram eh passar esse tempo com a
gente. Aproveitando, a gente tá com uma
pesquisa no ar. Você pode acessar as
nossas as nossas redes para ver essa
pesquisa e se você se sente de alguma
maneira parte da comunidade ou se você
gosta de acompanhar os nossos conteúdos
e se você frequenta aqui também o teatro
All, por favor, responda essa pergunta
para nos ajudar a entendermos decisões
que precisamos tomar em relação à
comunidade, tá bom? Eh, nós estamos na
série amor é esse? É uma série que lida
com o livro de Oséias. E a gente
escolheu essa série porque muitos de
vocês aqui na saída do teatro e também
eh através das mensagens nas redes
sociais ficavam pedindo: "Ah, fala do
livro de Oséias, fala do livro de José,
não sei que lá, tal, tal, tal". Estamos
falando de Oséias. Pastor Aqudan abriu a
série dando um panorama geral sobre o
livro de Oséas, falando sobre as
questões que que envolvem, né, esse
livro, eh, políticas, sociais, uma época
de bonança material, mas de extrema
corrupção do povo. Semana passada a
gente falou sobre os primeiros três
capítulos de Oséias, sobre essa essa
ação simbólica do profeta Oséias, que
Deus ordena que ele case com uma mulher
adúltera e tenha filhos com ela e tal, e
como simboliza o amor de Deus. que
sempre nos amou e sempre nos amará. E
hoje a gente vai falar da segunda sessão
literária do livro de Oséias. Então,
lembrando, Osés tem três sessões,
capítulo 1 a tr, depois capítulo 4 a 11
e por fim capítulo 12 a 14. E a gente
dividiu assim para ficar fácil. E o
centro, né, o processo de divisão dessas
sessões tem a ver com o uso da palavra
reiv, né, que é essa palavra, esse termo
técnico que tem a ver com um processo
judicial, com um uma questão jurídica.
Deus tá apresentando uma acusação formal
contra Israel numa espécie de tribunal e
dizendo: "Olha, vocês romperam com
aliança, vocês quebraram o nosso
matrimônio, vocês quebraram essa essa
relação eh que a gente construiu, essa
relação jurídica, inclusive, porque a
aliança era um uma uma relação jurídica,
né? Era feita uma aliança, animais eram
cortados e tudo, tinha todo um processo,
o Monte Sinai, né? a gente tem aspersão
de sangue. Então, e nesse nesse nessa
aliança vocês quebraram. Então, agora eu
tô apresentando, movendo uma ação contra
vocês nesse processo jurídico. E no
capítulo 1 a 3, no 4 a 11 e no 12 a 14
isso vai se repetir, tá? E a gente vai
entender um pouquinho agora essa segunda
sessão. Essa segunda sessão do capítulo
4 a 11. Se você tem a sua Bíblia, você
já pode abrir, deixar abertinho aí a
partir do capítulo 4ro, a gente vai ter
algumas subsessões. Nessa sessão do
capítulo 4 a 11, a gente vai ter sete
subsessões. E como a gente já falou,
Zéas é um livro complexo, que ele não
tem marcadores muito muito claros,
marcadores textuais muito claros. a
gente vai perceber o uso de verbos no
infinitivo. Então, vez outra vão
aparecer verbos aqui no no infinitivo,
não, no imperativo, desculpa. Vão
aparecer verbos no imperativo marcando o
início dessas sete sessões. Então, a
primeira sessão tá ali no capítulo 4ro,
vai do verso 1 até o verso 19. E o verbo
ouvir aparece aí no imperativo logo no
início, capítulo 4, verso 1, diz: "Ouçam
a palavra do Senhor, porque ele tem uma
acusação, né? Ele tem um rive contra
vocês." Depois, a segunda sessão, a
gente vai encontrar no capítulo 5, do
verso 1 a 7. E o novamente o verbo no
imperativo é o verbo ouvir. A terceira
sessão tá também no capítulo 5, no verso
8, do verso 8 ao 15, essa terceira
sessão. E o verbo aqui eh no imperativo
é o verbo tocar. E é o verbo tocar o
chofar. Toque o chofar. Então é Deus
conclamando ali o povo para ouvir as
acusações que ele tem. do capítulo 6
verso 1 até o capítulo 8 verso 14, tá? A
quarta sessão. E o verbo que tá no
imperativo aqui no início do capítulo 6,
no verso 1, é o verbo ralar, que
significa ir, ouvir. Então ele vai dizer
assim: "Venham", né? Venham para o
Senhor, ele nos despedaçou, etc, etc.
A quinta sessão tá lá no capítulo eh 9,
no verso 1, e tá precedida de uma de uma
partícula negativa. Então o texto diz:
"Não se regozije, ó Israel, não se
alegre, porque eu tenho uma série de
acusações contra você".
A sexta sessão tá no capítulo 9, verso
14, vai até o capítulo 10 verso 11. E o
verbo que tá no imperativo é o verbo
natã, que é o verbo dar.
Eh, Deus faz a pergunta retórica: "O que
eu vou dar para eles, né? O que eu vou
dar para Israel e tal". E ali no
capítulo 10, no verso 12, a gente tem o
início da última sessão, a sétima
sessão, eh, do capítulo 10, 12 até o
final do capítulo 11, no verso 11. E o
imperativo aqui é são vários verbos que
aparecem aqui no início no imperativo,
mas os dois primeiros são semear e
colher. Então, Deus dá uma ordem de que
Israel semeia a justiça, de que de para
a fidelidade, para que possa colher bons
frutos. E na sequência o texto vai dizer
que Israel não eh semeou a justiça,
semeou outras coisas e por isso vai
colher outras coisas também. Então são
essas sete sessões que subsessões que
compõem esta sessão maior, tá? E dessas
sete sessões, subcessões, seis
subcessões são acusações pura e
simplesmente
são seis
daços de texto que vão martelar coisas
que Israel fez, coisas que aconteceram e
assim por diante. E só na última
subcessão, na sétima, é que a gente vai
ter uma mudança de humor. Bom,
nesse processo de acusação, várias
metáforas sexuais vão ser usadas o tempo
todo. E a ideia de prostituição vai
aparecer o tempo todo, de adultério vai
aparecer o tempo todo, tá? com várias
vários eh palavras diferentes e tal, mas
as nuances estão lá presentes. E há uma
tendência na na na interpretação dessas
dessas ideias, né, desses conteúdos
sexuais, de que se trata de uma espécie
de metonímia. É como se a ideia de
adultério e de prostituição tivesse
diretamente vinculada à ideia de
idolatria, a ideia de adorar a outros
deuses. Então, a prostituição é um é um
pedaço, é um recorte ou simboliza
diretamente a ideia de idolatria, de
adoração aos outros deuses. Só que a
construção dessa dessas nuances aqui, a
gente falou um pouco disso na semana
passada, dessa dessa questão sexual, é
mais metafórica do que metonímica,
porque a metáfora ela é mais completa,
ela não é a parte de um todo, ela não é
uma relação de sinedoc, que são é uma
outra figura de linguagem e tal, mas ela
é ela vai descrever uma complexidade de
relacionamentos.
E é importante a gente lembrar que a
ideia de prostituição, ela aparece no
plural. São adultérios, são
prostituições, tá no plural. Então
indica uma variedade de situações, que é
o que a gente vai eh trabalhar aqui
hoje. E a gente vai perceber que existe
um tipo de idolatria ou um processo
idolátrico nesse nesse contexto de Osés
que Deus vai acusar de uma maneira muito
forte.
E a gente vai começar com capítulo 4,
verso 1, falando exatamente sobre sobre
esse tipo específico de idolatria que é
importante. Capítulo 4, verso 1, diz:
"Israelitas, ouçam a palavra do Senhor,
porque o Senhor tem uma acusação, um
rive, contra vocês que vivem nessa
terra. A fidelidade e o amor
desapareceram dessa terra." E aqui não é
a palavra amor que aparece, mas é a
palavra rede, significa graça ou
misericórdia. Então, a fidelidade e a
graça desapareceram dessa terra, como
também o conhecimento de Deus, que em
hebraico a expressão Daat e Yahué.
Então, a graça e a fidelidade
desapareceram
e desapareceu também o conhecimento de
Deus,
tá? daat vem de do verbo iadá, que é
importante aqui nesse processo. Eh, no
capítulo 4 verso 6, ele vai falar
novamente desse dessa situação. Ele vai
dizer assim: "Meu, meu povo foi
destruído por falta de conhecimento. Uma
vez que vocês rejeitaram conhecimento,
eu também os rejeito como meus
sacerdotes. Uma vez que vocês ignoraram
a lei do seu Deus, eu também ignorarei
os seus filhos. Então, ele tá acusando
os sacerdotes de ignorarem o
conhecimento de Deus e, portanto,
ignorarem a lei de Deus, tá?
E aí vai ter um detalhe que vai ficar
claro no capítulo 5, quando ele vai
trabalhar essa ideia do conhecimento.
Mais uma vez, capítulo 5, verso 3, diz:
"Eu conheço Efraim".
E aqui ele vai usar o verbo iadá.
Eu conheço Efraim. Israel não pode se
esconder de mim. Efraim agora se lançou
à prostituição. Israel se corrompeu.
Verso 4. Suas ações não lhes permitem
voltar para o seu Deus. Um espírito de
prostituição está no coração deles. Não
conhecem o Senhor. E aqui ele usa duas
vezes o verboadá. Duas vezes o verboadá.
Eu conheço Efraim.
Eu conheço Israel. Eu conheço o meu
povo. Mas o meu povo se afastou de mim.
O meu povo se prostituiu. O meu povo
está com o espírito de prostituição. E
aqui a expressão é forte, porque ru
espírito zenunim, espírito de adultérios
ou espírito de prostituições. Então são
várias.
Eles não me conhecem. Ele usa novamente
o verbo yadá.
Quando a gente vai entendendo o uso do
verbo adá na Bíblia, a gente percebe que
tem uma uma complexidade associada a
esse uso, porque o verbo adá, ele não
tem a ver com o conhecimento teórico,
com um conhecimento cognitivo, com
alguma coisa que você estuda e aprende.
E a dá tem a ver com relacionamento e
relacionamento íntimo. Tanto é que, por
exemplo, o verbo adá é usado para
descrever relação sexual. Então, lá em
Gênesis, né, por exemplo, no capítulo 4,
diz que Adão conheceu Eva e ela gerou
Caim.
Então, quando vai falar dessa, desse
relacionamento sexual, usa o verbo iadá,
porque iadá tem a ver com esse
relacionamento profundo e íntimo
de intimidade física.
Então, não é algo que é apenas
cognitivo, é algo que é relacional,
que tem a ver com intimidade, inclusive
intimidade física.
Então, Deus vai dizer: "Israel não me
conhece".
A graça e a misericórdia sumiram. Sumiu
também o conhecimento de Deus.
Eu conheço Efraim, eu conheço o meu
povo, eu conheço Israel, mas Israel não
me conhece.
E não só não me conhece, como prefere
o relacionamento com outros deuses.
Então aqui ele vai usar a ideia desse
relacionamento físico e íntimo para
descrever o que ele tem por Israel, mas
Israel não tem por ele, mas o que Israel
prefere ter com outros deuses,
com outras situações.
No próprio texto, voltando no capítulo
4, no verso 10, a gente tem um verso que
é muito importante pra construção do
raciocínio.
Capítulo 4, verso 10, ele diz assim:
"Eles comerão, mas não terão o
suficiente. Eles se prostituirão, mas
não aumentarão a próle, porque
abandonaram o Senhor para se
entregarem."
Esses abandonaram o Senhor para se
entregar. A tradução mais
literal seria o seguinte: "Pois do
Senhor eles se esqueceram e se
esqueceram para guardar e ele vai usar o
verbo chamar". Então eles se esquecem de
Deus, se esquecem do Senhor para
guardar. E ele usa o verbo chamar. Esse
verbo chamar é um verbo que é comum, que
tem a ver com obediência, etc. e tal e
que aparece várias vezes, por exemplo,
no livro de Deuteronômio, associado à
ideia de guardar os mandamentos, de
guardar o sábado, por exemplo, Levítico,
eh, capítulo 5 e tal, aparece com a
ideia de guardar o sábado. Em Levítico,
em Deuteronômio 29, aparece com a ideia
de guardar a lei.
Então, vocês me esqueceram
para guardar.
Vocês me esqueceram para guardar o
conhecimento de Deus.
Sumiu. Como sumiu a misericórdia e a
graça.
Vocês me esqueceram para guardar.
Eu conheço vocês, mas vocês não me
conhecem. Vocês preferem conhecer
outros deuses,
vocês preferem o adultério, a
prostituição.
E nessa nessa construção dessa dessa
ideia, dessas nuances,
talvez o verso mais famoso de Oséias é
essencial pra gente entender o que que
Deus tá falando através do profeta. No
capítulo 6, verso 6, Deus através do
profeta fala assim: "Pois eu quero
misericórdia. É isso que eu quero, é
isso que eu desejo e não sacrifícios.
Eu quero conhecimento de Deus ao invés
de holocaustos.
Eu não quero sacrifício, eu quero
misericórdia. Eu quero res, eu quero
graça.
Eu não quero holocaustos, eu quero
conhecimento de Deus.
Então aqui ele faz dois paralelos. Ele
coloca em paralelo sacrifícios e
holocausto.
E ele coloca em paralelo graça e
conhecimento de Deus.
Ou seja, a idolatria que ele tá
construindo aqui, que Deus tá falando,
uma das idolatrias que Deus tá
condenando através do profeta é a
idolatria do próprio Deus.
Ou seja, Israel não somente abandonou a
Deus para servir outros deuses, como
Israel abandonou a Deus para servir o
próprio Deus,
colocando a performance religiosa e o
guardar os mandamentos no lugar do
próprio Deus.
Então, é como se a lei, é como se os
rituais substituíssem quem Deus é
estivessem pro povo no lugar de Deus.
E essa realidade fica clara em vários
profetas, como por exemplo profeta
Isaías. No capítulo 1 de Isaías,
Isaías pega pesado com o povo dizendo
assim: "Vocês vão ao templo, vocês
adoram." E Deus fala através de Isaías
assim: "Quem mandou vocês virem oferecer
sacrifício? Quem mandou vocês guardarem
as festas, os sábados, etc? Quem mandou
vocês fazerem isso? Vocês vêm aqui, eu
não escuto. Vocês vêm aqui, eu não vejo.
Porque as mãos de vocês estão sujas de
sangue.
Vocês abandonaram direito dos dos
menosprezados, dos mais fracos, do
órfão, da viúva e etc.
A construção é: vocês colocaram no meu
lugar
coisas que eu falei, vocês colocaram no
meu lugar a minha lei.
Só que ao guardarem a lei, vocês estão
perdendo o meu conhecimento.
Vocês deixaram de se relacionar comigo.
Então, Deus tá acusando o povo através
do profeta Osas de uma idolatria dele
mesmo.
Ao invés de me conhecerem,
vocês estão me adorando idólatramente,
de maneira idólatra,
como colocando a performance religiosa,
colocando a guarda dos mandamentos,
colocando o o a no meu lugar fazer
coisas para mim, para me agradar.
Isso é idolatria.
Então, não é apenas a idolatria de
outros deuses, é idolatria do próprio
Deus.
Essas são as prostituições, esses são os
adultérios
no plural.
E essa metáfora vai sendo construída de
uma maneira ainda mais elaborada. Quando
ela sai do campo metafórico da
sexualidade, ela vai pro campo
metafórico da agricultura.
Então você tem no capítulo 9,
o verso 10, um texto bonito, que Deus
fala assim através do profeta Osés:
"Quando encontrei Israel, foi como
encontrar uvas no deserto. Encontrei uma
videira, uma vinícula, uma uma vinha,
uvas no deserto."
E quem já conhece como é que funciona a
plantação de uva sabe que precisa de
muita água.
Mas a relacionamento de Deus com Israel
é tão bonito que é como encontrar uvas
no deserto.
Improvável, impossível.
Quando vi os antepassados de vocês, foi
como ver os primeiros frutos de uma
figueira,
uma relação bonita, amorosa,
mas eles vieram a Baal Peor,
consagraram-se aquele ídolo vergonhoso e
se tornaram tão repugnantes quanto
aquilo que amaram.
E Baor é uma história bizarra que tá
relatada no livro de Números, que
acontece logo após o episódio com
Balaão, que tem a ver com adoração
envolvendo necrofilia.
E é interessante porque na jornada de
Israel pelo deserto eles se afastam de
Deus, mas com uma mentalidade
uma mentalidade, digamos assim,
pitoresca.
Por exemplo, na história do bezerro de
ouro, se vocês lembrarem, não é que o
povo quer adorar o bezerro de ouro.
O povo quer colocar o bezerro no lugar
de Deus. O bezerro simboliza Deus. Nós
vamos adorar a Deus, mas vamos fazer uma
imagem desse Deus. E essa imagem é o
bezerro de ouro. Então eles estão
achando que estão adorando a Deus, mas
na verdade estão sendo idólatras.
E essa
faceta pitoresca desse tipo de idolatria
tá presente aqui no que Oséas Deus tá
condenando através de Oséias.
Vocês acham que vocês estão me adorando,
mas na verdade vocês estão,
vocês não estão, vocês estão sendo
idólatras.
Ele continua,
capítulo 9, verso 16 diz assim: "Efraim
está ferido, sua raiz está seca, eles
não produzem mais frutos, eles não
produzem mais uvas". Então, aquele
aquele início daquele relacionamento em
que Deus encontra Israel no deserto como
se eles é uma uma vinha no deserto,
agora esse relacionamento foi
transformado porque Israel se afastou.
Então, agora eles não produzem mais.
Eles viraram deserto. Eles não são mais
uvas no deserto. Agora eles não produzem
mais fruto nenhum porque se afastaram de
Deus.
E essa metáfora da vinha, ela vai
aparecer em outros profetas também. né?
Ela vai aparecer, por exemplo, em Isaías
capítulo 5.
E aí, depois de dizer que eles se
afastaram, que agora a terra tá seca, a
raiz tá seca, ou seja, morreu, a vinha
morreu,
não tem mais, não é só que não tem
fruto, não tem raiz, porque a raiz tá
seca, a vinha morreu.
E aí tem um um a continuação do verso
meio pesado, né? Assim, mesmo que criem
filhos, eu matarei sua próle querida. O
meu Deus os rejeitará, porque não lhe
deram ouvidos, serão perseguidos entre
as nações. Aí começa o capítulo 10, que
tá dentro dessa sessão,
que é a sexta sessão, a subsessão dentro
do dessa sessão maior. Capítulo 10
começa dizendo assim: Israel era como
uma videira luxuriante,
cobria-se de frutos.
Quanto mais frutos produzia, mais
altares construía. Quanto mais a sua
terra prosperava, mais enfeitava suas
colunas sagradas, mas o coração deles é
enganoso e agora devem carregar sua
culpa. E aí começa o capítulo 10 com
essa ideia de que Israel é uma videira
luxuriante, ou seja, uma videira que
produz muitos frutos.
É interessante porque ele usa a palavra
aqui boquec que vem de bac. E essa é uma
palavra que pode ter dois significados.
pode significar alguma coisa luxuriante,
alguma coisa eh vistosa, viçosa, etc e
tal, mas também pode significar vazio.
E o poeta podia ter usado, o profeta
podia ter usado várias outras palavras,
às vezes ele escolheu bacque, né, boquec
da raiz baca. Por quê? Porque ela tem
dois significados.
Isso a gente chama de paralelismo janos.
É quando no meio de um de um poema, de
um de um de uma construção profética, um
oráculo profético, o profeta barra
poeta, ele usa uma palavra que pode
significar duas coisas e as duas coisas
acontecem no texto e chama paralelismo
Janos, porque Janos era um Deus que
tinha duas caras
e é um tipo de paralelismo, é um tipo de
recurso poético extremamente elaborado e
difícil, porque você tem que criar um
contexto em que as duas traduções sejam
possíveis.
E aqui você tem a palavra que significa
luxuriante,
alguma coisa, né, eh, robusta, alguma
coisa que tem, né, um visual que tem,
né, uma aparência
gigantesca, etc. tal, um negócio assim
vistoso e vazio ao mesmo tempo.
E aí ela tá no meio de duas descrições,
da descrição de uma avinha que tem raiz
c que não produz frutos e na descrição
sequencial de uma videira que tá
produzindo muito fruto, mas conforme
produz fruto aumenta a corrupção.
Então as duas traduções são possíveis.
Israel é uma vinha luxuriante, mas
também uma vinha vazinha, vazia.
E essa vinha luxurante tem a ver com a
corrupção. E essa vinha vazia tem a ver
com ela tá seca, com a raiz dela tá
seca.
Olha que elaborado.
E por que que isso é impressionante?
Porque na minha opinião,
esse texto aqui inspira indiretamente
uma fala de Jesus que eu gosto muito no
Novo Testamento, que é Mateus capítulo
7.
Em Mateus capítulo 7, ali no final do
sermão do monte, Jesus usa uma
ilustração que eu gosto sempre de falar.
A gente já falou aqui várias vezes, eu
não vou me alongar, mas só trazer para
vocês.
Mateus capítulo 7, Jesus fala das
árvores, da árvore boa que produz frutos
bons, e da árvore ruim que produz frutos
ruins, maus, frutos maus. E ele fala: "A
árvore boa que produz frutos bons, não
pode produzir frutos maus. E a árvore má
que produz frutos maus, não pode
produzir frutos maus ou frutos bons.
Lembra dessa dessa relação? O bom produz
bom, não pode produzir mal. Ma produz
mal, não pode produzir bom. Lembra
disso? Beleza. Aí na sequência, lembra o
que ele fala, que a gente já falou aqui,
que é confuso, porque isso é lógico, né?
O que é bom é bom, o que é mau é mau. Aí
de repente ele fala assim: "Muitos
dirão: "Senhor, em teu nome
profetizamos, curamos, expulsamos
demônios, etc e tal". E aí Jesus vai
dizer: "Não conheço vocês. Vocês não
fizeram a vontade do meu pai".
Ou seja, Jesus menciona frutos que
aparentemente são bons, mas que no caso
não são.
Ou seja, é possível que uma pessoa
produza aparentemente frutos bons,
mas é possível que esses frutos bons
sejam completamente vazios,
porque a raiz tá seca,
porque não há conexão com Deus, porque
não há conhecimento de Deus, mas
aparentemente ela continua produzindo
frutos bons.
E essa é a atenção de Mateus 7, que é
justamente a tensão dessa transição do
capítulo 9 pro 10.
Israel pode até est produzindo muitas
uvas,
mas essas uvas são frutos da corrupção,
porque a raiz está seca. Essas uvas são
frutos da prostituição, do adultério, da
idolatria. Inclusive da idolatria a mim.
Não são frutos de uma adoração
verdadeira e genuína.
Porque no meu lugar eles colocaram
ritos. No meu lugar eles colocaram lei
e abandonaram o conhecimento,
abandonaram relacionamento comigo.
E esse relacionamento é a graça e a
misericórdia.
Não quero sacrifícios, não quero
holocaustos, eu quero graça, eu quero
conhecimento,
conhecimento de mim.
E aí no finalzinho, no capítulo 11, na
última subsessão, na sétima, capítulo
10, verso 12, ele começa ali, ele ainda
condena o povo, condena o povo, condena
o povo. Se você quiser ler capítulo 10,
a partir do verso 12, ele vai falar que
o povo era para ter plantado isso, mas
plantou aquilo, e por isso vai colher
destruição, vai colher punição.
E a gente entende por toda essa
narrativa do capítulo 4, 5, 6, 7, 8, 9,
10.
A gente entende que toda essa construção
desses desse oráculo, desse grande
oráculo profético, a mensagem é uma só.
A mensagem é vocês
quebraram a aliança, vocês romperam
relacionamento comigo.
Vocês estão errados. Eu fiz aqui uma
acusação grande e mostrei que vocês
estão errados. Eu tenho provas.
Por isso vocês não têm escapatória.
Vocês vão ser destruídos,
vocês vão ser punidos. Eu vou acabar com
vocês porque eu tô certo e vocês estão
errados.
A conclusão dessas de toda essa de todos
esses capítulos de Oséias do 4 até o 10,
o final do 10 é essa. Acabou.
Não tem chance.
Até a adoração a mim vocês erraram.
Vocês estão me idolatrando,
vocês esquecendo o que que é o meu
conhecimento.
E aí de repente vem o capítulo 11 e aqui
tem uma mudança de humor. Aí no capítulo
11 ele começa dizendo: "Quando Israel
era menino, eu amei."
E aqui é a primeira vez que o verbo amar
aparece em Oséias.
Quando Israel era menino, eu amei.
E do Egito eu chamei meu filho.
Mas quanto mais eu chamava, mais eles se
afastavam de mim. Eles ofereceram
sacrifícios aos balins, aos deuses, e
queimaram incenso para ídolos
esculpidos.
Mas fui eu quem ensinou Efraim andar,
tomando pelos braços,
mas eles não perceberam que fui eu quem
os curou. Eu os conduzi com laços de
bondade,
com laços de amor. Tirei do seu pescoço
o julgo e me inclinei para alimentá-los.
Eu fui atrás deles. Eu amei, eu amei meu
povo. Eu libertei, eu tirei-os do Egito.
Eles não queriam saber de mim, mas eu
tava lá ensinando a andar. Eu tava lá
ensinando, dando comida para eles,
cuidando deles, protegendo deles,
curando eles.
Ele fala do passado, daquilo que ele já
fez pelo povo.
Aqui do verso 5 ao verso 7, no capítulo
11, ele vai falar do que o povo tá
fazendo no presente naquele momento.
Assim, eu fiz isso, mas eles esqueceram.
Agora eles querem voltar pro Egito.
Eles querem me abandonar. Eles querem
quebrar o nosso relacionamento e voltar
pro Egito.
Esse é o presente. Eles amam mais as
coisas do mundo do que a mim.
Aí no verso 8, no verso 9
vem a
declaração de Deus sobre o que isso
significa.
Ele diz assim, verso 8 e 9: "Como posso
desistir de você, Efraim?
Como posso entregá-lo nas mãos de
outros, Israel?
Como posso tratá-lo como tratei Admar ou
como posso fazer com você o que fiz com
Zebuim?
E aqui Adema e Zeboim são cidades que t
uma relação com Sodoma e Gomorra no
Antigo Testamento.
Seja, como é que eu posso tratar vocês
como eu tratei as cidades que eu
destruí? O meu coração está enternecido.
Despertou-se toda a minha compaixão.
Literalmente as minhas entranhas estão
se movendo, estão mexendo por você.
Não executarei a minha ira impetuosa.
Não tornarei a destruir Efraim, pois sou
Deus e não sou homem.
O santo no meio de vocês. Não virei com
ira.
Eles seguirão o Senhor, pois o Senhor
rugirá como leão. Olha que lindo que ele
tá dizendo aqui.
Eu amei vocês,
eu fiz tudo por vocês,
mas agora vocês querem me largar e
querem voltar pra vida antiga que vocês
tinham.
E por tudo que eu apresentei aqui ao
longo de todos esses capítulos, ao longo
de todas essas falas,
o meu direito era destruir vocês.
O meu direito era acabar com vocês. Esse
é o processo jurídico.
Sabe o processo jurídico? Eu tenho
direito de condenar vocês.
Mas como é que eu posso fazer isso?
Como é que eu posso pensar em destruir
vocês? Eu amo vocês.
Eu amo vocês.
E essa frase de na que eu acho linda. Eu
acho, eu acho de uma beleza terrível,
porque mostra quem a gente é e quem Deus
é. Ele fala assim: "Eu não vou destruir
vocês. Eu não vou punir vocês. Eu não
vou condenar vocês." Sabe por quê?
Porque eu não sou homem.
Eu sou Deus.
E por ser Deus,
eu vou agir com graça, com amor e com
misericórdia.
E o que que Deus vai fazer?
Verso 11 diz assim: "Virão voando do
Egito como aves, da Assíria como pombas.
Eu os estabelecerei em seu em seus lares
palavras do Senhor." É interessante como
ele faz essa do nada. Eles virão como
aves voltando do Egito. Porque lá no
capítulo 7, no verso 11 e 12,
olha o que ele disse. Capítulo 7, verso
11 e 12.
Efraim é como uma pomba, facilmente
enganada e sem entendimento. Ora pela
Egito, ora pela Síria.
Quando se forem, atirarei sobre eles a
minha rede e eu os farei descer como as
aves dos céus. Quando os ouvir em sua
reunião, eu os apanharei.
Ele usa essa ideia, essa imagem de
Israel ser como ave, ser como pomba
negativamente.
Eles são aves, eles são pombas. Por isso
que eles estão indo atrás do Egito, por
isso que eles estão indo atrás da Síria,
porque eles são bobos,
idiotas.
E porque eles são bobos, idiotas, eu vou
jogar minha rede e vou destruir eles,
vou apanhar esses passarinhos todos e
acabar com esses passarinhos.
Eu tenho esse direito
aqui no processo. Eu tenho esse direito.
Eu ganhei. Eu posso fazer o que eu
quiser. Eu posso cobrar porque vocês
quebraram a aliança. E aí chega no final
do capítulo 11, ele diz assim: "Eu vou
trazer vocês como aves e como pombas de
volta para mim".
Ou seja, é uma reversão.
Eles são aves, eles são pombos, mas eu
não vou deixar eles na mão dos outros.
Eu vou trazer eles para mim, eu vou
salvá-los.
E aqui ele fala desse novo êxodo,
dessa nova libertação do Egito.
A conclusão do capítulo 11 é uma
reversão que é feita por Deus
pelo amor e pela misericórdia de Deus,
que significa o conhecimento de Deus.
Quer conhecer a Deus? Ele é graça, ele é
misericórdia.
Ele não é sacrifício, ele não é
holocausto. Ele é graça e ele é
misericórdia. Sabe por quê? Porque ele
reverte as situações.
E você pode ler o capítulo 4, o 5, o 6,
o 7, o 8, 9, o 10 e o 11. E você não vai
encontrar em nenhum momento
Deus dizendo assim: "Quando Israel se
arrepender das suas prostituições,
quando o meu povo se arrepender do seu
adultério, então vou trazê-lo de volta,
eu vou fazer o novo êxodo." Não. Sim.
Por amor, eu amo Efraim, eu amo Israel,
eu amo vocês. E porque eu amo vocês, eu
vou mudar a sorte de vocês.
Eu vou fazer um novo êxodo. A ação de
amar é ação divina. A ação de mudar é
ação divina.
E Deus muda o que ele tinha direito de
fazer. E ele fala: "Eu mudo".
E ao invés de juízo, eu trago salvação,
perdão, graça, transformação,
porque eu não sou homem, eu sou Deus.
E essa é a mensagem
dessa segunda parte do livro de Oséias.
Porque eu sou Deus e não homem. Ao invés
de punir e destruir,
eu vou restaurar, resgatar, porque eu
amo vocês.
Ter nosso pai e nosso rei.
Senhor, muito obrigado porque o senhor
não é como a gente.
Porque ao invés de exigir os seus
direitos, porque ao invés de exigir que
a punição e a destruição que o Senhor
tinha direito de executar,
ao invés de insistir nisso, o Senhor
insiste em amar, em perdoar, em agir com
graça e com amor.
Obrigado por esse teu amor gigantesco
por cada um de nós.
Que esse amor transborde
nos nossos corações, no nosso coração,
na nossa mente.
Que esse amor transborde em nós e para
além de nós,
para que esse amor transforme não apenas
a nossa vida, mas a vida de todos ao
nosso redor.
Que a gente sinta que é amado,
que a gente sinta que não importa quem
sejamos, somos e seremos sempre amados
por ti, porque é o teu amor e o Senhor
não é como a gente. O Senhor é Deus.
Te agradecemos por isso, em nome de
Cristo Jesus. Amém. M.

Tags: