Sermão: Idolatrando a Deus
26/06/2025
Terceiro sermão da série Que amor é esse, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Eterno nosso pai, nosso rei. Obrigado, Senhor, pelo teu amor. Obrigado por enxergar em nós o que ninguém mais vê. Agora, mais uma vez que vamos estudar sobre esse amor. Que teu espírito caminhe conosco. É o que nós te pedimos em nome de Jesus. Amém, Senhor. Amém. [Música] Bom dia, tudo bem? Prazer receber você aqui no Teatro All, no Shopping Pat Genópolis e é um prazer receber você aí onde quer que você esteja, sua casa, seu carro, eh, no ônibus, no metrô, no avião, sei lá, qualquer lugar. Bom que vocês escolheram eh passar esse tempo com a gente. Aproveitando, a gente tá com uma pesquisa no ar. Você pode acessar as nossas as nossas redes para ver essa pesquisa e se você se sente de alguma maneira parte da comunidade ou se você gosta de acompanhar os nossos conteúdos e se você frequenta aqui também o teatro All, por favor, responda essa pergunta para nos ajudar a entendermos decisões que precisamos tomar em relação à comunidade, tá bom? Eh, nós estamos na série amor é esse? É uma série que lida com o livro de Oséias. E a gente escolheu essa série porque muitos de vocês aqui na saída do teatro e também eh através das mensagens nas redes sociais ficavam pedindo: "Ah, fala do livro de Oséias, fala do livro de José, não sei que lá, tal, tal, tal". Estamos falando de Oséias. Pastor Aqudan abriu a série dando um panorama geral sobre o livro de Oséas, falando sobre as questões que que envolvem, né, esse livro, eh, políticas, sociais, uma época de bonança material, mas de extrema corrupção do povo. Semana passada a gente falou sobre os primeiros três capítulos de Oséias, sobre essa essa ação simbólica do profeta Oséias, que Deus ordena que ele case com uma mulher adúltera e tenha filhos com ela e tal, e como simboliza o amor de Deus. que sempre nos amou e sempre nos amará. E hoje a gente vai falar da segunda sessão literária do livro de Oséias. Então, lembrando, Osés tem três sessões, capítulo 1 a tr, depois capítulo 4 a 11 e por fim capítulo 12 a 14. E a gente dividiu assim para ficar fácil. E o centro, né, o processo de divisão dessas sessões tem a ver com o uso da palavra reiv, né, que é essa palavra, esse termo técnico que tem a ver com um processo judicial, com um uma questão jurídica. Deus tá apresentando uma acusação formal contra Israel numa espécie de tribunal e dizendo: "Olha, vocês romperam com aliança, vocês quebraram o nosso matrimônio, vocês quebraram essa essa relação eh que a gente construiu, essa relação jurídica, inclusive, porque a aliança era um uma uma relação jurídica, né? Era feita uma aliança, animais eram cortados e tudo, tinha todo um processo, o Monte Sinai, né? a gente tem aspersão de sangue. Então, e nesse nesse nessa aliança vocês quebraram. Então, agora eu tô apresentando, movendo uma ação contra vocês nesse processo jurídico. E no capítulo 1 a 3, no 4 a 11 e no 12 a 14 isso vai se repetir, tá? E a gente vai entender um pouquinho agora essa segunda sessão. Essa segunda sessão do capítulo 4 a 11. Se você tem a sua Bíblia, você já pode abrir, deixar abertinho aí a partir do capítulo 4ro, a gente vai ter algumas subsessões. Nessa sessão do capítulo 4 a 11, a gente vai ter sete subsessões. E como a gente já falou, Zéas é um livro complexo, que ele não tem marcadores muito muito claros, marcadores textuais muito claros. a gente vai perceber o uso de verbos no infinitivo. Então, vez outra vão aparecer verbos aqui no no infinitivo, não, no imperativo, desculpa. Vão aparecer verbos no imperativo marcando o início dessas sete sessões. Então, a primeira sessão tá ali no capítulo 4ro, vai do verso 1 até o verso 19. E o verbo ouvir aparece aí no imperativo logo no início, capítulo 4, verso 1, diz: "Ouçam a palavra do Senhor, porque ele tem uma acusação, né? Ele tem um rive contra vocês." Depois, a segunda sessão, a gente vai encontrar no capítulo 5, do verso 1 a 7. E o novamente o verbo no imperativo é o verbo ouvir. A terceira sessão tá também no capítulo 5, no verso 8, do verso 8 ao 15, essa terceira sessão. E o verbo aqui eh no imperativo é o verbo tocar. E é o verbo tocar o chofar. Toque o chofar. Então é Deus conclamando ali o povo para ouvir as acusações que ele tem. do capítulo 6 verso 1 até o capítulo 8 verso 14, tá? A quarta sessão. E o verbo que tá no imperativo aqui no início do capítulo 6, no verso 1, é o verbo ralar, que significa ir, ouvir. Então ele vai dizer assim: "Venham", né? Venham para o Senhor, ele nos despedaçou, etc, etc. A quinta sessão tá lá no capítulo eh 9, no verso 1, e tá precedida de uma de uma partícula negativa. Então o texto diz: "Não se regozije, ó Israel, não se alegre, porque eu tenho uma série de acusações contra você". A sexta sessão tá no capítulo 9, verso 14, vai até o capítulo 10 verso 11. E o verbo que tá no imperativo é o verbo natã, que é o verbo dar. Eh, Deus faz a pergunta retórica: "O que eu vou dar para eles, né? O que eu vou dar para Israel e tal". E ali no capítulo 10, no verso 12, a gente tem o início da última sessão, a sétima sessão, eh, do capítulo 10, 12 até o final do capítulo 11, no verso 11. E o imperativo aqui é são vários verbos que aparecem aqui no início no imperativo, mas os dois primeiros são semear e colher. Então, Deus dá uma ordem de que Israel semeia a justiça, de que de para a fidelidade, para que possa colher bons frutos. E na sequência o texto vai dizer que Israel não eh semeou a justiça, semeou outras coisas e por isso vai colher outras coisas também. Então são essas sete sessões que subsessões que compõem esta sessão maior, tá? E dessas sete sessões, subcessões, seis subcessões são acusações pura e simplesmente são seis daços de texto que vão martelar coisas que Israel fez, coisas que aconteceram e assim por diante. E só na última subcessão, na sétima, é que a gente vai ter uma mudança de humor. Bom, nesse processo de acusação, várias metáforas sexuais vão ser usadas o tempo todo. E a ideia de prostituição vai aparecer o tempo todo, de adultério vai aparecer o tempo todo, tá? com várias vários eh palavras diferentes e tal, mas as nuances estão lá presentes. E há uma tendência na na na interpretação dessas dessas ideias, né, desses conteúdos sexuais, de que se trata de uma espécie de metonímia. É como se a ideia de adultério e de prostituição tivesse diretamente vinculada à ideia de idolatria, a ideia de adorar a outros deuses. Então, a prostituição é um é um pedaço, é um recorte ou simboliza diretamente a ideia de idolatria, de adoração aos outros deuses. Só que a construção dessa dessas nuances aqui, a gente falou um pouco disso na semana passada, dessa dessa questão sexual, é mais metafórica do que metonímica, porque a metáfora ela é mais completa, ela não é a parte de um todo, ela não é uma relação de sinedoc, que são é uma outra figura de linguagem e tal, mas ela é ela vai descrever uma complexidade de relacionamentos. E é importante a gente lembrar que a ideia de prostituição, ela aparece no plural. São adultérios, são prostituições, tá no plural. Então indica uma variedade de situações, que é o que a gente vai eh trabalhar aqui hoje. E a gente vai perceber que existe um tipo de idolatria ou um processo idolátrico nesse nesse contexto de Osés que Deus vai acusar de uma maneira muito forte. E a gente vai começar com capítulo 4, verso 1, falando exatamente sobre sobre esse tipo específico de idolatria que é importante. Capítulo 4, verso 1, diz: "Israelitas, ouçam a palavra do Senhor, porque o Senhor tem uma acusação, um rive, contra vocês que vivem nessa terra. A fidelidade e o amor desapareceram dessa terra." E aqui não é a palavra amor que aparece, mas é a palavra rede, significa graça ou misericórdia. Então, a fidelidade e a graça desapareceram dessa terra, como também o conhecimento de Deus, que em hebraico a expressão Daat e Yahué. Então, a graça e a fidelidade desapareceram e desapareceu também o conhecimento de Deus, tá? daat vem de do verbo iadá, que é importante aqui nesse processo. Eh, no capítulo 4 verso 6, ele vai falar novamente desse dessa situação. Ele vai dizer assim: "Meu, meu povo foi destruído por falta de conhecimento. Uma vez que vocês rejeitaram conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes. Uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei os seus filhos. Então, ele tá acusando os sacerdotes de ignorarem o conhecimento de Deus e, portanto, ignorarem a lei de Deus, tá? E aí vai ter um detalhe que vai ficar claro no capítulo 5, quando ele vai trabalhar essa ideia do conhecimento. Mais uma vez, capítulo 5, verso 3, diz: "Eu conheço Efraim". E aqui ele vai usar o verbo iadá. Eu conheço Efraim. Israel não pode se esconder de mim. Efraim agora se lançou à prostituição. Israel se corrompeu. Verso 4. Suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus. Um espírito de prostituição está no coração deles. Não conhecem o Senhor. E aqui ele usa duas vezes o verboadá. Duas vezes o verboadá. Eu conheço Efraim. Eu conheço Israel. Eu conheço o meu povo. Mas o meu povo se afastou de mim. O meu povo se prostituiu. O meu povo está com o espírito de prostituição. E aqui a expressão é forte, porque ru espírito zenunim, espírito de adultérios ou espírito de prostituições. Então são várias. Eles não me conhecem. Ele usa novamente o verbo yadá. Quando a gente vai entendendo o uso do verbo adá na Bíblia, a gente percebe que tem uma uma complexidade associada a esse uso, porque o verbo adá, ele não tem a ver com o conhecimento teórico, com um conhecimento cognitivo, com alguma coisa que você estuda e aprende. E a dá tem a ver com relacionamento e relacionamento íntimo. Tanto é que, por exemplo, o verbo adá é usado para descrever relação sexual. Então, lá em Gênesis, né, por exemplo, no capítulo 4, diz que Adão conheceu Eva e ela gerou Caim. Então, quando vai falar dessa, desse relacionamento sexual, usa o verbo iadá, porque iadá tem a ver com esse relacionamento profundo e íntimo de intimidade física. Então, não é algo que é apenas cognitivo, é algo que é relacional, que tem a ver com intimidade, inclusive intimidade física. Então, Deus vai dizer: "Israel não me conhece". A graça e a misericórdia sumiram. Sumiu também o conhecimento de Deus. Eu conheço Efraim, eu conheço o meu povo, eu conheço Israel, mas Israel não me conhece. E não só não me conhece, como prefere o relacionamento com outros deuses. Então aqui ele vai usar a ideia desse relacionamento físico e íntimo para descrever o que ele tem por Israel, mas Israel não tem por ele, mas o que Israel prefere ter com outros deuses, com outras situações. No próprio texto, voltando no capítulo 4, no verso 10, a gente tem um verso que é muito importante pra construção do raciocínio. Capítulo 4, verso 10, ele diz assim: "Eles comerão, mas não terão o suficiente. Eles se prostituirão, mas não aumentarão a próle, porque abandonaram o Senhor para se entregarem." Esses abandonaram o Senhor para se entregar. A tradução mais literal seria o seguinte: "Pois do Senhor eles se esqueceram e se esqueceram para guardar e ele vai usar o verbo chamar". Então eles se esquecem de Deus, se esquecem do Senhor para guardar. E ele usa o verbo chamar. Esse verbo chamar é um verbo que é comum, que tem a ver com obediência, etc. e tal e que aparece várias vezes, por exemplo, no livro de Deuteronômio, associado à ideia de guardar os mandamentos, de guardar o sábado, por exemplo, Levítico, eh, capítulo 5 e tal, aparece com a ideia de guardar o sábado. Em Levítico, em Deuteronômio 29, aparece com a ideia de guardar a lei. Então, vocês me esqueceram para guardar. Vocês me esqueceram para guardar o conhecimento de Deus. Sumiu. Como sumiu a misericórdia e a graça. Vocês me esqueceram para guardar. Eu conheço vocês, mas vocês não me conhecem. Vocês preferem conhecer outros deuses, vocês preferem o adultério, a prostituição. E nessa nessa construção dessa dessa ideia, dessas nuances, talvez o verso mais famoso de Oséias é essencial pra gente entender o que que Deus tá falando através do profeta. No capítulo 6, verso 6, Deus através do profeta fala assim: "Pois eu quero misericórdia. É isso que eu quero, é isso que eu desejo e não sacrifícios. Eu quero conhecimento de Deus ao invés de holocaustos. Eu não quero sacrifício, eu quero misericórdia. Eu quero res, eu quero graça. Eu não quero holocaustos, eu quero conhecimento de Deus. Então aqui ele faz dois paralelos. Ele coloca em paralelo sacrifícios e holocausto. E ele coloca em paralelo graça e conhecimento de Deus. Ou seja, a idolatria que ele tá construindo aqui, que Deus tá falando, uma das idolatrias que Deus tá condenando através do profeta é a idolatria do próprio Deus. Ou seja, Israel não somente abandonou a Deus para servir outros deuses, como Israel abandonou a Deus para servir o próprio Deus, colocando a performance religiosa e o guardar os mandamentos no lugar do próprio Deus. Então, é como se a lei, é como se os rituais substituíssem quem Deus é estivessem pro povo no lugar de Deus. E essa realidade fica clara em vários profetas, como por exemplo profeta Isaías. No capítulo 1 de Isaías, Isaías pega pesado com o povo dizendo assim: "Vocês vão ao templo, vocês adoram." E Deus fala através de Isaías assim: "Quem mandou vocês virem oferecer sacrifício? Quem mandou vocês guardarem as festas, os sábados, etc? Quem mandou vocês fazerem isso? Vocês vêm aqui, eu não escuto. Vocês vêm aqui, eu não vejo. Porque as mãos de vocês estão sujas de sangue. Vocês abandonaram direito dos dos menosprezados, dos mais fracos, do órfão, da viúva e etc. A construção é: vocês colocaram no meu lugar coisas que eu falei, vocês colocaram no meu lugar a minha lei. Só que ao guardarem a lei, vocês estão perdendo o meu conhecimento. Vocês deixaram de se relacionar comigo. Então, Deus tá acusando o povo através do profeta Osas de uma idolatria dele mesmo. Ao invés de me conhecerem, vocês estão me adorando idólatramente, de maneira idólatra, como colocando a performance religiosa, colocando a guarda dos mandamentos, colocando o o a no meu lugar fazer coisas para mim, para me agradar. Isso é idolatria. Então, não é apenas a idolatria de outros deuses, é idolatria do próprio Deus. Essas são as prostituições, esses são os adultérios no plural. E essa metáfora vai sendo construída de uma maneira ainda mais elaborada. Quando ela sai do campo metafórico da sexualidade, ela vai pro campo metafórico da agricultura. Então você tem no capítulo 9, o verso 10, um texto bonito, que Deus fala assim através do profeta Osés: "Quando encontrei Israel, foi como encontrar uvas no deserto. Encontrei uma videira, uma vinícula, uma uma vinha, uvas no deserto." E quem já conhece como é que funciona a plantação de uva sabe que precisa de muita água. Mas a relacionamento de Deus com Israel é tão bonito que é como encontrar uvas no deserto. Improvável, impossível. Quando vi os antepassados de vocês, foi como ver os primeiros frutos de uma figueira, uma relação bonita, amorosa, mas eles vieram a Baal Peor, consagraram-se aquele ídolo vergonhoso e se tornaram tão repugnantes quanto aquilo que amaram. E Baor é uma história bizarra que tá relatada no livro de Números, que acontece logo após o episódio com Balaão, que tem a ver com adoração envolvendo necrofilia. E é interessante porque na jornada de Israel pelo deserto eles se afastam de Deus, mas com uma mentalidade uma mentalidade, digamos assim, pitoresca. Por exemplo, na história do bezerro de ouro, se vocês lembrarem, não é que o povo quer adorar o bezerro de ouro. O povo quer colocar o bezerro no lugar de Deus. O bezerro simboliza Deus. Nós vamos adorar a Deus, mas vamos fazer uma imagem desse Deus. E essa imagem é o bezerro de ouro. Então eles estão achando que estão adorando a Deus, mas na verdade estão sendo idólatras. E essa faceta pitoresca desse tipo de idolatria tá presente aqui no que Oséas Deus tá condenando através de Oséias. Vocês acham que vocês estão me adorando, mas na verdade vocês estão, vocês não estão, vocês estão sendo idólatras. Ele continua, capítulo 9, verso 16 diz assim: "Efraim está ferido, sua raiz está seca, eles não produzem mais frutos, eles não produzem mais uvas". Então, aquele aquele início daquele relacionamento em que Deus encontra Israel no deserto como se eles é uma uma vinha no deserto, agora esse relacionamento foi transformado porque Israel se afastou. Então, agora eles não produzem mais. Eles viraram deserto. Eles não são mais uvas no deserto. Agora eles não produzem mais fruto nenhum porque se afastaram de Deus. E essa metáfora da vinha, ela vai aparecer em outros profetas também. né? Ela vai aparecer, por exemplo, em Isaías capítulo 5. E aí, depois de dizer que eles se afastaram, que agora a terra tá seca, a raiz tá seca, ou seja, morreu, a vinha morreu, não tem mais, não é só que não tem fruto, não tem raiz, porque a raiz tá seca, a vinha morreu. E aí tem um um a continuação do verso meio pesado, né? Assim, mesmo que criem filhos, eu matarei sua próle querida. O meu Deus os rejeitará, porque não lhe deram ouvidos, serão perseguidos entre as nações. Aí começa o capítulo 10, que tá dentro dessa sessão, que é a sexta sessão, a subsessão dentro do dessa sessão maior. Capítulo 10 começa dizendo assim: Israel era como uma videira luxuriante, cobria-se de frutos. Quanto mais frutos produzia, mais altares construía. Quanto mais a sua terra prosperava, mais enfeitava suas colunas sagradas, mas o coração deles é enganoso e agora devem carregar sua culpa. E aí começa o capítulo 10 com essa ideia de que Israel é uma videira luxuriante, ou seja, uma videira que produz muitos frutos. É interessante porque ele usa a palavra aqui boquec que vem de bac. E essa é uma palavra que pode ter dois significados. pode significar alguma coisa luxuriante, alguma coisa eh vistosa, viçosa, etc e tal, mas também pode significar vazio. E o poeta podia ter usado, o profeta podia ter usado várias outras palavras, às vezes ele escolheu bacque, né, boquec da raiz baca. Por quê? Porque ela tem dois significados. Isso a gente chama de paralelismo janos. É quando no meio de um de um poema, de um de um de uma construção profética, um oráculo profético, o profeta barra poeta, ele usa uma palavra que pode significar duas coisas e as duas coisas acontecem no texto e chama paralelismo Janos, porque Janos era um Deus que tinha duas caras e é um tipo de paralelismo, é um tipo de recurso poético extremamente elaborado e difícil, porque você tem que criar um contexto em que as duas traduções sejam possíveis. E aqui você tem a palavra que significa luxuriante, alguma coisa, né, eh, robusta, alguma coisa que tem, né, um visual que tem, né, uma aparência gigantesca, etc. tal, um negócio assim vistoso e vazio ao mesmo tempo. E aí ela tá no meio de duas descrições, da descrição de uma avinha que tem raiz c que não produz frutos e na descrição sequencial de uma videira que tá produzindo muito fruto, mas conforme produz fruto aumenta a corrupção. Então as duas traduções são possíveis. Israel é uma vinha luxuriante, mas também uma vinha vazinha, vazia. E essa vinha luxurante tem a ver com a corrupção. E essa vinha vazia tem a ver com ela tá seca, com a raiz dela tá seca. Olha que elaborado. E por que que isso é impressionante? Porque na minha opinião, esse texto aqui inspira indiretamente uma fala de Jesus que eu gosto muito no Novo Testamento, que é Mateus capítulo 7. Em Mateus capítulo 7, ali no final do sermão do monte, Jesus usa uma ilustração que eu gosto sempre de falar. A gente já falou aqui várias vezes, eu não vou me alongar, mas só trazer para vocês. Mateus capítulo 7, Jesus fala das árvores, da árvore boa que produz frutos bons, e da árvore ruim que produz frutos ruins, maus, frutos maus. E ele fala: "A árvore boa que produz frutos bons, não pode produzir frutos maus. E a árvore má que produz frutos maus, não pode produzir frutos maus ou frutos bons. Lembra dessa dessa relação? O bom produz bom, não pode produzir mal. Ma produz mal, não pode produzir bom. Lembra disso? Beleza. Aí na sequência, lembra o que ele fala, que a gente já falou aqui, que é confuso, porque isso é lógico, né? O que é bom é bom, o que é mau é mau. Aí de repente ele fala assim: "Muitos dirão: "Senhor, em teu nome profetizamos, curamos, expulsamos demônios, etc e tal". E aí Jesus vai dizer: "Não conheço vocês. Vocês não fizeram a vontade do meu pai". Ou seja, Jesus menciona frutos que aparentemente são bons, mas que no caso não são. Ou seja, é possível que uma pessoa produza aparentemente frutos bons, mas é possível que esses frutos bons sejam completamente vazios, porque a raiz tá seca, porque não há conexão com Deus, porque não há conhecimento de Deus, mas aparentemente ela continua produzindo frutos bons. E essa é a atenção de Mateus 7, que é justamente a tensão dessa transição do capítulo 9 pro 10. Israel pode até est produzindo muitas uvas, mas essas uvas são frutos da corrupção, porque a raiz está seca. Essas uvas são frutos da prostituição, do adultério, da idolatria. Inclusive da idolatria a mim. Não são frutos de uma adoração verdadeira e genuína. Porque no meu lugar eles colocaram ritos. No meu lugar eles colocaram lei e abandonaram o conhecimento, abandonaram relacionamento comigo. E esse relacionamento é a graça e a misericórdia. Não quero sacrifícios, não quero holocaustos, eu quero graça, eu quero conhecimento, conhecimento de mim. E aí no finalzinho, no capítulo 11, na última subsessão, na sétima, capítulo 10, verso 12, ele começa ali, ele ainda condena o povo, condena o povo, condena o povo. Se você quiser ler capítulo 10, a partir do verso 12, ele vai falar que o povo era para ter plantado isso, mas plantou aquilo, e por isso vai colher destruição, vai colher punição. E a gente entende por toda essa narrativa do capítulo 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10. A gente entende que toda essa construção desses desse oráculo, desse grande oráculo profético, a mensagem é uma só. A mensagem é vocês quebraram a aliança, vocês romperam relacionamento comigo. Vocês estão errados. Eu fiz aqui uma acusação grande e mostrei que vocês estão errados. Eu tenho provas. Por isso vocês não têm escapatória. Vocês vão ser destruídos, vocês vão ser punidos. Eu vou acabar com vocês porque eu tô certo e vocês estão errados. A conclusão dessas de toda essa de todos esses capítulos de Oséias do 4 até o 10, o final do 10 é essa. Acabou. Não tem chance. Até a adoração a mim vocês erraram. Vocês estão me idolatrando, vocês esquecendo o que que é o meu conhecimento. E aí de repente vem o capítulo 11 e aqui tem uma mudança de humor. Aí no capítulo 11 ele começa dizendo: "Quando Israel era menino, eu amei." E aqui é a primeira vez que o verbo amar aparece em Oséias. Quando Israel era menino, eu amei. E do Egito eu chamei meu filho. Mas quanto mais eu chamava, mais eles se afastavam de mim. Eles ofereceram sacrifícios aos balins, aos deuses, e queimaram incenso para ídolos esculpidos. Mas fui eu quem ensinou Efraim andar, tomando pelos braços, mas eles não perceberam que fui eu quem os curou. Eu os conduzi com laços de bondade, com laços de amor. Tirei do seu pescoço o julgo e me inclinei para alimentá-los. Eu fui atrás deles. Eu amei, eu amei meu povo. Eu libertei, eu tirei-os do Egito. Eles não queriam saber de mim, mas eu tava lá ensinando a andar. Eu tava lá ensinando, dando comida para eles, cuidando deles, protegendo deles, curando eles. Ele fala do passado, daquilo que ele já fez pelo povo. Aqui do verso 5 ao verso 7, no capítulo 11, ele vai falar do que o povo tá fazendo no presente naquele momento. Assim, eu fiz isso, mas eles esqueceram. Agora eles querem voltar pro Egito. Eles querem me abandonar. Eles querem quebrar o nosso relacionamento e voltar pro Egito. Esse é o presente. Eles amam mais as coisas do mundo do que a mim. Aí no verso 8, no verso 9 vem a declaração de Deus sobre o que isso significa. Ele diz assim, verso 8 e 9: "Como posso desistir de você, Efraim? Como posso entregá-lo nas mãos de outros, Israel? Como posso tratá-lo como tratei Admar ou como posso fazer com você o que fiz com Zebuim? E aqui Adema e Zeboim são cidades que t uma relação com Sodoma e Gomorra no Antigo Testamento. Seja, como é que eu posso tratar vocês como eu tratei as cidades que eu destruí? O meu coração está enternecido. Despertou-se toda a minha compaixão. Literalmente as minhas entranhas estão se movendo, estão mexendo por você. Não executarei a minha ira impetuosa. Não tornarei a destruir Efraim, pois sou Deus e não sou homem. O santo no meio de vocês. Não virei com ira. Eles seguirão o Senhor, pois o Senhor rugirá como leão. Olha que lindo que ele tá dizendo aqui. Eu amei vocês, eu fiz tudo por vocês, mas agora vocês querem me largar e querem voltar pra vida antiga que vocês tinham. E por tudo que eu apresentei aqui ao longo de todos esses capítulos, ao longo de todas essas falas, o meu direito era destruir vocês. O meu direito era acabar com vocês. Esse é o processo jurídico. Sabe o processo jurídico? Eu tenho direito de condenar vocês. Mas como é que eu posso fazer isso? Como é que eu posso pensar em destruir vocês? Eu amo vocês. Eu amo vocês. E essa frase de na que eu acho linda. Eu acho, eu acho de uma beleza terrível, porque mostra quem a gente é e quem Deus é. Ele fala assim: "Eu não vou destruir vocês. Eu não vou punir vocês. Eu não vou condenar vocês." Sabe por quê? Porque eu não sou homem. Eu sou Deus. E por ser Deus, eu vou agir com graça, com amor e com misericórdia. E o que que Deus vai fazer? Verso 11 diz assim: "Virão voando do Egito como aves, da Assíria como pombas. Eu os estabelecerei em seu em seus lares palavras do Senhor." É interessante como ele faz essa do nada. Eles virão como aves voltando do Egito. Porque lá no capítulo 7, no verso 11 e 12, olha o que ele disse. Capítulo 7, verso 11 e 12. Efraim é como uma pomba, facilmente enganada e sem entendimento. Ora pela Egito, ora pela Síria. Quando se forem, atirarei sobre eles a minha rede e eu os farei descer como as aves dos céus. Quando os ouvir em sua reunião, eu os apanharei. Ele usa essa ideia, essa imagem de Israel ser como ave, ser como pomba negativamente. Eles são aves, eles são pombas. Por isso que eles estão indo atrás do Egito, por isso que eles estão indo atrás da Síria, porque eles são bobos, idiotas. E porque eles são bobos, idiotas, eu vou jogar minha rede e vou destruir eles, vou apanhar esses passarinhos todos e acabar com esses passarinhos. Eu tenho esse direito aqui no processo. Eu tenho esse direito. Eu ganhei. Eu posso fazer o que eu quiser. Eu posso cobrar porque vocês quebraram a aliança. E aí chega no final do capítulo 11, ele diz assim: "Eu vou trazer vocês como aves e como pombas de volta para mim". Ou seja, é uma reversão. Eles são aves, eles são pombos, mas eu não vou deixar eles na mão dos outros. Eu vou trazer eles para mim, eu vou salvá-los. E aqui ele fala desse novo êxodo, dessa nova libertação do Egito. A conclusão do capítulo 11 é uma reversão que é feita por Deus pelo amor e pela misericórdia de Deus, que significa o conhecimento de Deus. Quer conhecer a Deus? Ele é graça, ele é misericórdia. Ele não é sacrifício, ele não é holocausto. Ele é graça e ele é misericórdia. Sabe por quê? Porque ele reverte as situações. E você pode ler o capítulo 4, o 5, o 6, o 7, o 8, 9, o 10 e o 11. E você não vai encontrar em nenhum momento Deus dizendo assim: "Quando Israel se arrepender das suas prostituições, quando o meu povo se arrepender do seu adultério, então vou trazê-lo de volta, eu vou fazer o novo êxodo." Não. Sim. Por amor, eu amo Efraim, eu amo Israel, eu amo vocês. E porque eu amo vocês, eu vou mudar a sorte de vocês. Eu vou fazer um novo êxodo. A ação de amar é ação divina. A ação de mudar é ação divina. E Deus muda o que ele tinha direito de fazer. E ele fala: "Eu mudo". E ao invés de juízo, eu trago salvação, perdão, graça, transformação, porque eu não sou homem, eu sou Deus. E essa é a mensagem dessa segunda parte do livro de Oséias. Porque eu sou Deus e não homem. Ao invés de punir e destruir, eu vou restaurar, resgatar, porque eu amo vocês. Ter nosso pai e nosso rei. Senhor, muito obrigado porque o senhor não é como a gente. Porque ao invés de exigir os seus direitos, porque ao invés de exigir que a punição e a destruição que o Senhor tinha direito de executar, ao invés de insistir nisso, o Senhor insiste em amar, em perdoar, em agir com graça e com amor. Obrigado por esse teu amor gigantesco por cada um de nós. Que esse amor transborde nos nossos corações, no nosso coração, na nossa mente. Que esse amor transborde em nós e para além de nós, para que esse amor transforme não apenas a nossa vida, mas a vida de todos ao nosso redor. Que a gente sinta que é amado, que a gente sinta que não importa quem sejamos, somos e seremos sempre amados por ti, porque é o teu amor e o Senhor não é como a gente. O Senhor é Deus. Te agradecemos por isso, em nome de Cristo Jesus. Amém. M.