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A fé vem pelo ouvir

Sermão: Sempre nos amou, sempre nos amará

Sermão: Sempre nos amou, sempre nos amará

Sermão: Sempre nos amou, sempre nos amará

Segundo sermão da série Que amor é esse, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Eterno nosso pai, nosso rei.
Muito obrigado, Senhor, pelo amor que
recebemos de ti.
Muito obrigado porque esse amor não
apenas transforma quem somos,
mas também transborda para aqueles que
estão ao nosso redor.
Que esse amor continue fluindo de ti
sobre nós,
em nós e através de nós.
E que agora que mais uma vez vamos abrir
a tua palavra, que teu espírito nos
alcance
para que possamos entender a relevância,
a profundidade
desse amor por nós. É o que te pedimos
em nome de Cristo. Amém, Senhor. Amém.
Bom dia,
bom sábado para você que tá aqui, bom
dia para você que tá aqui, mas para você
que tá em casa ou no carro ou no
trabalho ou trabalho às vezes não é bom
ficar vendo vídeo, né? Mas enfim, não
sei onde você tá. É muito bom ter sua
presença com a gente a qualquer hora do
dia, em qualquer lugar também.
Ah, a gente tá mudando a temperatura
fortemente agora, né? Então, para quem é
gordinho, essa é a melhor época do ano,
friozinho, a gente não sua tanto, pode
usar até camisa de manga comprida e tal
e aí ficar de boa. Mas para aquelas
pessoas em situação de vulnerabilidade
é um momento de dificuldade. Então, se
você puder ajudar o Instituto Sementes,
fique à vontade. A gente fica muito
feliz com a sua ajuda. Nós também
estamos no processo de uma pesquisa
feita da comunidade para entender quem
são vocês, ou melhor, né, quem nós
somos, né? Fica mais bonito, né? Quem
nós somos. Então, se você puder tirar um
tempinho para nos ajudar e responder
essa essas perguntas para dizer que você
faz parte ou não também, se você não
quiser, eh, é isso aí. A gente tá na
série amor é esse? uma série falando
sobre o livro de Oséias, que foi um dos
livros, talvez um dos mais pedidos nos
últimos anos. Eh, gente aqui fora, gente
mensagem direta e por e e-mail, e-mail é
mais arcaico agora, né? Mas enfim,
galera perguntando: "E aí, quando é que
vocês vão falar de Oséas? Quando é que
vocês vão falar de Oséias?"
E a gente falou de vários textos
difíceis. Eu falei: "Bom, vamos
aproveitar quem já tá nessa levada de
falar sobre graça e vamos falar sobre
Oséias." E semana passada a gente
começou com uma belíssima introdução da
pastora Dan Feldberg, que alugou um
triplex na cabeça de várias pessoas com
uma frase impactante que disse que ela
disse, né? Deus é corno, né? E as
pessoas ficaram chocadas e saíram
abaladas e causou um certo rebuliço na
internet também. Mas a realidade do
livro de Osésias é essa, né? na
realidade de um Deus que é traído e
continua amando, né? A gente vai falar
um pouquinho sobre algum algumas nuances
desse livro, que não é só um livro de
mensagem difícil, de tema difícil, é um
livro também de uma construção literária
difícil. E aí na hora de preparar esse
sermão, eu pensei no final das contas
que ele parece muito como uma aula, né?
Então vocês serão meus alunos hoje nessa
aula dos aspectos literários importantes
aqui do livro de Oséias e um pouquinho
dessa desse início. Bom, o livro de
Oséias ele começa de um jeito clássico,
como vários livros proféticos começam.
Se você tem sua Bíblia, já pode abrir,
deixa aberta em Oséias. Se você tem esse
aplicativo também, fica à vontade.
Começa dizendo capítulo 1, verso 1.
Palavra do Senhor que veio a Oséas,
filho de Beri, durante os reinados de
Usia, Jotão, a casa Ezequias, rei de
Judá, e de Jeroboão, filho de Jeá, rei
de Israel. Essa introdução inicial aqui
do do profeta Oséias é a única fórmula,
vamos dizer assim, que Oséias pega de
outros livros e usa. O restante do
livro, ele é construído sem o uso dessas
fórmulas. eh essas fórmulas, essas essas
repetições, essas essas coisas que a
gente encontra em outros livros,
marcando, por exemplo, o início de uma
profecia ou o início de uma fala divina,
a a vão aparecer em vários, né? Por
exemplo, veio a palavra do Senhor sobre
mim dizendo e tal. E essas fórmulas elas
aparecem em vários lugares. Osia só usa
esse início, que é um início que aparece
em outros livros proféticos também. A
partir do verso dois, ele meio que
ignora e o texto fica um texto muito
fluído, um texto muito complexo e a
gente só consegue entender as divisões
desse texto por sutilezas que ele vai
colocando ao longo do texto, né? Então,
por exemplo, há uma dificuldade inicial,
porque o primeiro capítulo de Oséias,
ele está escrito em forma de prosa, ele
tá em narrativa, contando uma história.
Já o capítulo dois está em poesia, o
capítulo 3 volta pra prosa narrativa, o
capítulo 4 aí até o final, no capítulo
14 volta pra poesia, tá? E não tem mais
narrativa. Então você tem dois capítulos
em prosa narrativa e o resto todo em
poesia, né? né? O que complica, talvez a
sessão mais fácil da gente demarcar seja
a sessão que tá no meio do livro de de
Oséias, que é sessão do capítulo 4 até o
capítulo 11, porque ela tem um marcador
que a gente pode chamar de fórmula no
início e no fim, e ela tem uma
palavrinha. Então você abre lá capítulo
4
no verso um e lá diz assim: "Israelitas,
ouçam a palavra do Senhor, porque o
Senhor tem uma acusação contra vocês que
vivem nessa terra". E aí vai começar,
né? E essa esse início aqui, ouçam a
palavra do Senhor, porque ele tem uma
acusação. Essa palavra acusação é a
palavra riv, que é uma palavra técnica.
que é um termo técnico, um termo eh eh
não é usado em qualquer situação, é um
termo que indica um processo judicial,
um processo jurídico, é uma acusação
formal, é uma acusação que implica que
precisa haver um julgamento e esse
julgamento precisa de um juiz, precisa
de uma defesa e assim por diante, tá?
Então é um termo técnico. E aí ele vai
descrever a acusação e lá no finalzinho
do capítulo 11 aparece assim
eh verso, capítulo 11, verso 11. virão
voando do Egito como aves da Assíria,
como pombas, e os estabelecerei em seus
lares palavra do Senhor. Então ele
começa no capítulo 4, verso 1, dizendo
palavra do Senhor, acusação, e termina
com palavra do Senhor, tá?
Não é a mesma expressão, é diferente. É
davar e arro e depois neumar e tal. É um
pouquinho diferente, mas é a mesma
basicamente marcação no início e no fim
da sessão. O capítulo 12, lá no verso 3,
ele vai dizer assim, ó: "O Senhor tem
uma acusação RIF, contra Judá e vai
castigar Jacó de acordo com seus
caminhos, de acordo com as suas ações."
Então, o capítulo 4 começa dizendo que
Deus tem um rif, Deus tem um processo
judicial, Deus tem uma acusação contra
Israel. E o capítulo 12 também começa
dizendo que ele tem um riv, ele tem um
processo judicial, ele tem uma acusação
contra Israel. Então, basicamente esse e
eh essas duas sessões, elas vão ser
marcadas por essa palavra rive no início
delas. Deus tem uma acusação, Deus tem
um processo judicial. E esses capítulos
eles vão ter uma estrutura muito
semelhante que a gente vai falar nos
próximos sábados. A estrutura
basicamente do seguinte: há uma acusação
e há promessa de restauração. Há uma
acusação e há uma promessa de
restauração. Então a gente tem duas
sessões, 4 a 11, 12 a 14. E, portanto,
nos sobra a primeira sessão do livro,
que é justamente os primeiros três, que
são justamente os três primeiros
capítulos, capítulo 1, 2 e o três, tá? E
a palavra reiv aparece lá no capítulo
dois. Então, se você vai pro capítulo
dois,
no verso três, diz lá assim,
ô, desculpa, eh, no verso,
cadê? Verso dois. Repreenda a sua mãe,
pois ela não é minha mulher, eu não sou
o seu marido. Que ela tire, retire do
rosto o sinal do adultério e do meio dos
seios a infidelidade. Do contrário, a
deixarei nua, como um dia em que ela
nasceu. Farei dela um deserto, uma terra
equida, marca marcarei, etc. Ela foi
acusada. E aqui a palavra rive vai
aparecer no verso 4. Não a tratarei com
amor dos seus filhos, porque são filhos
do adultério. Eu tenho uma acusação para
ela. Ela adulterou, tá? Então, a gente
tem a palavra Riva aparecendo em três
momentos ao longo do livro,
capítulo 2,
capítulo 4 e capítulo 12.
Portanto, as três sessões incluem a
ideia de um processo judicial,
tá? Portanto, o centro do livro, se que
é que a gente pode dizer isso, né? O
centro literário ou a ideia literária do
livro é que o livro se trata de um
processo judicial. que Deus está movendo
contra Israel. Todos entenderam isso?
Processo judicial que Deus está movendo
contra o seu povo, tá? Capítulo 2,
capítulo 4 e capítulo 12 vão ter essa
palavrinha. E esse processo judicial,
ele consiste dessas acusações e no final
promessas de restauração. Bom,
a ordem inicial do livro, no capítulo 1,
verso 2, é de que Oséia se case com uma
mulher de prostituições,
que ele vá atrás dessa mulher e se case
com essa mulher de prostituições.
E aqui muitas pessoas vão discutir se
Oséas realmente foi e casou com uma
mulher de prostituições, porque essa é
uma ordem meio absurda, uma ordem que
Deus dá meio absurda. Por que que você
vai fazer uma pessoa se casar com uma
uma prostituta, né? Deus vai mandar você
se casar com uma prostituta. Se
prostituição é condenada na Bíblia, Deus
vai lá e manda um profeta casar com essa
prostituta. E o nome desse profeta e a
moral desse profeta aí e a mácula que
isso vai trazer pra família dele e além
disso, para ele ter filhos com essa
prostituta?
Então essa é uma discussão que muitos
vão ter e muitos vão dizer assim: "Não,
isso é uma alegoria, não, isso é um eh é
só uma ilustração, não era para Oséias
realmente casar com aquela mulher. Não,
não é factual que ele tenha casado com
essa mulher. A, a pastora falou um
pouquinho disso semana passada também. A
questão é que Oséias não é o único
profeta que recebe uma ordem dessa
de experimentar ou de fazer uma
encenação ou como a gente chama de uma
ação simbólica,
performar alguma coisa que tenha uma
mensagem naquela performance. Então, a
gente tem, por exemplo, Jeremias e
Ezequiel, principalmente Jeremias, são
profetas que eles vão ter várias ações
simbólicas, várias ações que tinham uma
mensagem. Então, por exemplo, a Jeremias
deita de um lado, fica deitado desse
lado tanto tempo,
agora deita do outro lado, fica, sei lá,
sete dias, agora deita do outro lado,
fica 300 e tantos dias deitado do outro
lado.
Porque eu vou, vou cuidar de vocês,
proteger vocês durante x tempo, mas eu
vou mandar destruir durante x tempo.
Jeremias esconde um rolo, um um um
novelo num na tal, porque é assim que eu
vou fazer com o povo de Israel. Jeremias
vai lá, esconde, tal, tal, tal. Não,
agora cozinha em cima de fezes, porque
isso é o que o povo fez e tal, tal, tal.
E Jeremias vai ficar ali na porta, na
beira da cidade, dormindo, cozinhando e
tal, pá, pá, para encenar pro povo, tá?
Então, essas essas encenações, essas
ações simbólicas proféticas, elas
aconteciam de fato. Obviamente nenhuma
delas foi tão pesada quanto vai e casa
com uma mulher de prostituições.
Mas é isso que Deus manda. Então, é
muito mais provável que isso realmente
tenha acontecido, que Osés realmente
tenha casado com mulher do que não.
Porque a ideia de que o profeta não é só
a boca de Deus, mas o profeta, ele
inteiro, ele é um meio completo de
pregação da palavra de Deus.
Então, ele não vai apenas falar, ele vai
viver, ele vai experimentar aquilo que
ele tá pregando também, tá? E esse é o
caso de Oséas com Gômer.
E aí quando a gente volta lá pro
capítulo um, a gente vai para alguns
problemas complexos,
né? Fora esses todos que a gente tá
falando, tem alguns outros problemas
complexos. O verso dois diz assim:
"Quando o Senhor começou a falar por
meio de Osé, disse-lhe: Vá, tome uma
mulher adúltera e filhos da
infidelidade, porque a nação é culpada
dos mais do mais vergonhoso adultério
por afastar-se do Senhor." E Osés foi e
se casou com Gomer, filha de Diblaim.
Ela engravidou e lhe deu um filho.
Que a gente tem alguns problemas aqui
nessa primeira descrição inicial de
Oséias, porque a ordem de Deus é case
com uma mulher adúltera. E a expressão é
ashet zenonim.
Só que aset zenunim não aparece nenhum
outro lugar para descrever prostituição.
Geralmente mulher de prostituição, ela é
um outro termo que se usa geralmente
também no singular,
né? zoná
aqui tá no plural, é uma mulher de
prostituições, é um zenonim. E aset
geralmente é uma expressão usada para
descrever uma mulher casada.
Então esse é um primeiro problema.
A palavra usada não descreve, por
exemplo, uma prostituta ritual, uma
prostituta que trabalhava em em templos
de adoração de deuses. Não descreve
também não descreve essa expressão
asetenim. Uma mulher que trabalhava, por
exemplo, sei lá, num bordel
ou na rua,
descreve, a palavra, a expressão é bem
complexa, porque ela parece descrever
uma mulher que se casou e adulterou. E
adulterou.
e adulterou. E adulterou e assim
sucessivamente.
E por adulterar, ela foi repudiada pelo
seu marido e agora ela vive as custas de
amantes.
Então a ideia parece que é uma mulher
que já saiu de casa, que já tinha se
casado e que tinha sido repudiada pelo
marido
por sucessivas traições. Por isso que tá
no plural. é uma mulher de
prostituições. Ou se a gente fosse
traduzir mais literalmente, seria uma
esposa de prostituições.
Então, Osés está casando aqui com uma
mulher que já foi repudiada por outro
marido,
tá?
E aqui é é uma expressão que parece
mais estranha, mas ela é mais pesada.
Por quê?
Não é que ela precisa, ela se prostitui
porque ela precisa do dinheiro ou ela se
prostitui porque o pai expulsou de casa
ou porque ela não, ela escolhe. Ela
casou, ela tinha casa, ela tinha tudo.
Ela escolhe viver na rua daqu.
Entenderam como é mais profunda e mais
pesada aqui? Essa essa expressão zenonim
é mais complexa,
só que piora
porque além de dizer que ela é essa
esposa de prostituições, diz assim: "E
filhos da infidelidade". Só que em
hebraico tá e alde, né? De era de
criança. E alde zenunim. Eles são filhos
de prostituições
também.
Aí o negócio começa a ficar complexo. Ou
seja, parece indicar que essa mulher,
essa esposa adúltera de prostituições no
plural, ou seja, que tinha se
prostituído várias vezes para viver.
Além disso, ela tinha filhos decorrentes
dessas prostituições. E Osés agora vai
recolher todo mundo sob o cuidado dele.
Então, não tá levando só uma mulher, ele
tá levando provavelmente essa mulher e
esses filhos.
Só que aí tem uma questão metafórica
aqui que complica a situação,
porque esses filhos
de prostituição, eles também são usados,
porque a expressão é confusa, eles
também são usados em prostituição, eles
também se prostituíram,
que é essa que parece indicar a
expressão. E aí a gente precisa entender
todo o contexto e como esse contexto vai
se desenrolando,
porque Deus comanda ou depois que ele
Deus comanda que Osé se case e depois
que ele se casa com essa com Gommer, ele
tem filhos.
E aí a descrição desses filhos, do nome
desses talvez ajude a gente entender
essa construção inicial.
Primeiro filho, então, é Jesrael.
E diz o texto bíblico,
verso 4, dele o nome, né? O Senhor disse
a Osés, dele o nome de Jesrael, porque
logo castigarei a nasia de Jeú, por
causa do massacre ocorrido em Jesrael, e
darei fim ao reinado de ao reino de
Israel, e naquele dia quebrarei o arco
de Israel no vale de Jesreel.
Então, o nome da pessoa é o nome de um
lugar, Jesreel. É tipo você dar o nome
pro seu filho de Ipiranga, porque nas
margens do rio Ipiranga Dom Pedro
declarou tal papai independente, né?
É por causa de um lugar. Aconteceu
alguma coisa nesse lugar. E a história
que tá aludida aqui em Oséias é a
história que tá lá no livro, na segunda
parte do livro de Reis, no capítulo 10.
Je se torna rei. O pastoran falou isso
semana passada. Era uma bagunça. Todo
mundo matava todo mundo para ser rei.
Foram vários reis durante um curto
período de tempo. E aí Geu assume e Jeu
quer ganhar moral com a galera. Jeu ele
quer ganhar apoio. E como é que ele
resolve ganhar apoio? Matando. É um bom
jeito, né? Não pode negar que é um bom
jeito de ganhar apoio. Mata todo mundo,
sobra só quem quem tá do seu lado. Mas
ele começa matando gente que parece
que ele tá fazendo coisas boas. Então,
por exemplo, Deus tinha ordenado que a
dinastia de Acabe acabasse. Então, Jeú
vai lá e mata todo mundo da dinastia de
Acabe.
Jeú também reúne o sacerdote de Baal e
mata todo o sacerdote de Baudo isso
acontece em Jesrael, esse banho de
sangue. Só que qual o problema? Jeú não
é que ele é um rei que quer adorar a
Deus, que quer fazer a vontade de Deus,
não. Ele quer ganhar apoio da galera.
Tanto é que ele continua da idolatria.
Ele adora outros deuses que não Baal.
que Braul ele manda matar a galera, mas
ele vai adorar outros deuses.
Então Jeú não tá fazendo nada daquilo
porque Deus mandou. Ele tá fazendo
aquilo para ganhar o favor de Deus, para
ganhar o o favor de Deus, o favor da
galera, para ficar bem com a galera.
Tão entendendo? E lá em Segunda Reis 10
parece que isso foi positivo, mas aqui
em Oséias isso é condenado. Deus deu:
"Eu não, aquilo ali eu vou punir Israel
por aquilo que aconteceu".
Porque a ideia justamente que Jeú fez
aquilo para ganhar apoio e não porque
Deus tinha mandado. Ele aparentemente
estava fazendo a vontade de Deus,
mas não estava.
Abre um parênteses rapidinho. Lembram lá
quando a gente já falou de Mateus, né?
Quando Jesus fala lá Mateus 7 lá, muitos
dirão que curaram em meu nome, que
expulsaram demônios em meu expulsaram
demônios em meu nome, mas eu vou dizer:
"Não conheço vocês". que vocês não
fizeram a vontade do meu pai. Então,
muitas vezes pessoas aparentam estar
fazendo a vontade de Deus, aparentam
estar fazendo coisas boas, mas no fundo
a motivação é péssima e é o caso de Jeú
aqui. Esse é o primeiro filho que Oséas
tem com Gomer. O segundo filho é o nome
Lamá.
loruham
que indica basicamente as pessoas
traduzem como não amor, né, ou a não
amada. Mas a a melhor tradução seria
assim, eh, a que não merece pena.
Então, o segundo filho é não merece
pena. Por quê? Porque Israel não merece
pena. Eu tratei Israel com amor, Judá
com amor, com carinho, mas eles me
traíram, eles adulteraram. Por isso eu
não vou ter pena. Eu não vou ter pena de
Israel, não vou ter pena de Judá.
E o terceiro filho lá no verso 8 é o L
am Ami, não meu povo. E ele diz lá no
verso, no verso 9, por que que o nome é
Não, meu povo?
Porque vocês não são o meu povo e eu não
sou o Deus de vocês.
E aqui essa frase é forte porque essa é
uma das frases mais importantes no
processo de aliança de Deus com Israel
desde Êxodo, desde Gênesis, mas
principalmente Êxodo.
Se vocês lembrarem Êxodo 19, quando Deus
manda, primeiro, quando Deus manda
Moisés libertar o povo, ele fala:
"Porque Israel é meu povo, eu sou o Deus
deles, etc e tal". Mas em Êxodo 19,
quando eles vão fazer a aliança,
Deus fala: "Vocês são o meu povo e eu
sou o Deus de vocês".
Então, quando ele fala que um dos filhos
é não meu povo, porque vocês não são o
meu povo, porque eu não sou o Deus de
vocês, o que ele tá querendo dizer é que
aquele processo de aliança que foi feito
agora é desfeito.
Tá desfeito.
Entenderam?
Tudo que foi feito agora está desfeito.
Então, os três nomes,
os três nomes das da dos filhos de de
Oséias com Gômer, eles são nomes que
apontam paraa prostituição de Israel.
Então, é possível que essa expressão
inicial mulher de prostituições e filho
de prostituição, talvez tivesse
referindo a esses filhos. Agora, não só
Gomer. E aqui vem uma parte importante,
presta atenção, que às vezes é difícil,
não trava o o HD. Aí vamos lá.
A mulher de Oséias Gomer é um símbolo de
Israel porque ela é uma mulher de
prostituições, como Israel é um povo de
prostituições.
Mas os nomes dos filhos de Gomer com
exés também indicam as prostituições de
Israel.
Então, quando você analisa a expressão
inicial mulher de prostituições e filhos
de prostituições,
você entende que tem uma sobreposição
metafórica.
Ou seja, tem a metáfora da mulher
acontecendo. A mulher é infiel, mas os
filhos também são infiéis. Entenderam
isso? A mulher é um símbolo do povo, mas
os filhos também são símbolo do povo
numa sobreposição metafórica.
E a gente tem outra sobreposição
metafórica que vai ficar claro no
capítulo 2. Ela vai ficar clara no
capítulo 2, mas ela vai aparecer no
capítulo 4 a 14 direto,
que é a ideia de que essa mulher
infiel, ela simboliza o povo, mas ela
também simboliza a terra.
Não só o povo traiu a Deus, mas a terra
também traiu a Deus.
E Deus vai resgatar o povo, mas Deus
também vai resgatar a terra.
Outro parêntese para explicar.
Sobreposição metafórica é um recurso
literário extremamente complexo e
difícil. Ele aparece em alguns livros da
Bíblia. O mais clássico é Cântico dos
Cânticos.
Se você tá lendo o cântico, se você já
leu o cântico dos câncos alguma vez na
vida, você sabe que uma hora o jardim é
um lugar para onde os amantes vão, o
homem e a mulher vão lá para se amar e
outras horas o jardim é a própria
mulher.
Então ela convida eles para irem no
jardim e ele diz que ela é um jardim.
Isso é uma sobreposição metafórica.
Então, há uma metáfora acontecendo de um
lugar e a metáfora acontecendo de uma
pessoa ali em Cântico dos Cânticos.
Uma hora o fruto é um fruto, outra hora
o fruto significa um um órgão sexual.
Então ali em Cântico dos Cânticos você
tem sobreposições metafóricas também,
mas aqui em Osés isso tá rolando. E é
por isso que o livro de Osés é um livro
difícil de ler. As pessoas às vezes não
se dão conta, porque há sobreposições
metafóricas. Uma outra característica
que torna o livro de José difícil de ler
é uma mudança repentina de humor, que é
uma marca clássica da chamada profecia
clássica.
Então, por exemplo, você tá lendo lá
e a gente leu aqui verso 9. Vocês não
são o meu povo, eu não sou o Deus de
vocês. No verso 10, na segunda parte,
diz assim: "No lugar onde se dizia a
eles, vocês não são o meu povo, eles são
eles serão chamados filhos do Deus vivo.
O povo de Judá e o povo de Israel serão
reunidos, e eles designarão para si um
só líder e se levantarão da terra, pois
será grande o dia em Jezel.
Então vocês não são o meu povo, eu não
sou o Deus de vocês. Aí de repente Deus
fala: "Mas naquele dia vocês vão ser o
meu povo, eu vou ser o Deus de vocês. E
Jesreel, que é o lugar do da chacina, da
morte do sangue, que era ruim, agora é o
lugar bom onde o povo vai se levantar.
Então, uma mudança repentina de humor,
de uma condenação, de uma acusação, de
uma coisa pesada para de repente
restauração.
Isso tá acontecendo aqui no capítulo 1.
Então, do verso 2 até o verso 10, parte
primeira parte do verso 10, Israel é
condenado.
Vocês são como uma mulher adúltera,
vocês são como uma mulher infiel, uma
mulher que trai o marido, que faz isso,
que faz aquilo. Vocês são infiéis, vocês
são isso, vocês são aquilo. Vocês me
cornearam.
Vocês, os filhos de vocês indicam as
traições que vocês fizeram contra mim.
Vocês não são mais o meu povo. Eu não
sou mais o Deus de vocês, mas eu amo
vocês. Vocês vão ser para sempre meu
povo. Eu sempre vou estar com vocês,
etc. e tal. Vá, do nada.
E o capítulo o capítulo 3 vai ser a
repetição do capítulo um, de uma maneira
resumida. Então, abre lá no capítulo
três,
tem poucos versos e aqui vai ser muito
mais claro do que no capítulo um,
capítulo 3, vai dizer: "O Senhor me
disse: vá, trate novamente com a mulher,
com amor sua mulher, apesar dela ser
amada por outro homem e ser infiel, ser
adúltera. Ame-a como senhoramos relitas,
apesar deles se voltarem para outros
deuses e amarem bolos de uvas e de
passas.
Por isso, eu a comprei por 180 g de
prato e um barril e meio de cevada."
dele disse: "Você viverá comigo por
muitos dias, não será mais prostituta,
nem pertencerá a outro homem, e eu
viverei com você". Verso quatro. Pois
israelitas viverão muitos dias sem reis,
sem líder, sem sacrifício, em colunas
sagradas, sem estola sacerdotal, sem
ídolos do lar. Depois disso, os
israelitas voltarão e buscarão o Senhor,
seu Deus, e Davi, seu rei, e virão
tremendo atrás do Senhor das suas
bênçãos nos últimos dias. Então, o
capítulo 3 repete a ideia do capítulo um
agora de uma maneira mais rápida e
acumundança brusca também. Vai e ame uma
mulher adúltera e traga ela para casa.
Aí Osés fala: "Então eu fui e comprei
Gommer e voltei para casa, etc e tal".
Isso que você fez, Osés, é o símbolo do
que eu vou fazer com o povo.
Entenderam? Capítulo 1, capítulo 3.
Vocês são infiéis,
mas eu amo vocês.
E o capítulo dois que tá no meio é a
poesia. E o capítulo 2 é basicamente o
resumo do que vai acontecer do capítulo
4 até o 14.
Porque começa com Deus acusando o povo.
Então, abre lá no capítulo dois.
Repreendam a mãe de vocês. Repreendam,
pois ela não é minha mulher. Acusem.
Rive. Processo judicial. E eu não sou
mais o marido dela. Que ela retire do
rosto o sinal de adúlter no meio dos
seios da infidelidade. Do contrário, eu
a deixarei nua como no dia em que
nasceu. Farei dela um deserto,
uma terra equida, e a matarei de sede.
Então Deus vai transformar a mulher, que
é um símbolo do povo, que é um símbolo
da terra, em uma terra deserta, sem
vida, ressequida.
A mãe dos filhos, verso 5, foi infiel,
engravidou deles, está coberta de
vergonha. E ela disse: "Irei atrás dos
meus amantes que me dão comida, água,
lã, vinho, azeite e bebida".
Então você, Israel, você me traiu e foi
atrás de amantes, dizendo que são eles
que te dão a comida, que são eles que te
alimentam, que são eles que te dão a
bebida.
Você vai correr atrás de vários amantes,
mas você não vai alcançá-los. Eu não vou
deixar.
Verso oito. Ela não reconheceu que fui
eu quem deu, quem dei o trigo, o vinho,
o azeite, quem a cobriu de ouro, de
prata, que depois ele ela foi usar para
adorar Baal.
Por isso levarei o meu trigo e quando
amadurecer levarei o vinho quando ficar
pronto. Então eu vou retirar a comida.
Olha que interessante. Porque você não
me reconheceu. Você não reconheceu que
fui eu que te dei a comida, vou tirar a
comida. E aí você vai procurar amantes,
etc e tal, para eles te alimentarem. Mas
também não são eles que vão te
alimentar.
Acusação, acusação, acusação.
Verso 12. Arruinarei as suas vigueiras,
as suas videiras, as suas figueiras,
que, segundo e você, foram pagamento dos
seus amantes por aquilo que você fez. E
os animais selvagens vão devorar as suas
plantações.
Eu vou castigar você todos os dias.
Verso 13.
Condenação, acusação, condenação,
acusação. Aí de repente, verso 14,
portanto, agora eu vou atraí-la e
levá-la pro deserto. Primeiro ele diz
que vai transformar ela no deserto,
agora diz que vai levá-la pro deserto. E
o que que ele vai fazer com ela no
deserto? Eu vou falar-lhe com carinho.
Ali eu vou devolver as suas vinhas.
Farei dela o vale de Acora, uma porta de
esperança. Ali ela me responderá como
nos dias da sua infância, como no dia em
que saiu do Egito. Naquele dia declaro o
Senhor, você me chamará meu marido e não
mais me chamará meu Senhor. Tirarei dos
seus lábios os nomes dos deuses. Seus
nomes não serão mais invocados.
Naquele dia eu farei um acordo com os
animais dos campos, com os animais que
rastejam pelo chão, o arco, a espada. Eu
os abolirei da terra para que vocês
todos possam viver em paz. Eu me casarei
com você para sempre. Eu me casarei com
você com justiça e e retidão, com amor e
compaixão. Eu me casarei com você com
fidelidade. Você reconhecerá o Senhor.
Naquele dia eu responderei, declaro o
Senhor. Responderei aos céus e eles
responderei à terra. Eles responderão à
terra.
A terra responderá ao cereal, ao vinho,
azeite. E eles responderão a Jezel: "Eu
a plantarei para mim mesmo na terra.
Tratarei com amor aquela que chamei de
não amada. Direi aquela chamada não meu
povo, você é meu povo." E ela dirá: "Tu
és meu Deus".
E aqui é muito interessante quando você
percebe essa linguagem de deserto de
comida por um motivo muito simples.
Aquele deserto, comida e os animais, né?
que a gente leu aqui é muito
interessante porque aqui é basicamente
uma reversão.
A traição faz com que tudo aquilo que
foi feito em Gênesis, em Êxodo, seja
revertido.
Mas do nada Deus fala: "Apesar de vocês
terem me traído, apesar de vocês terem
me rejeitado,
ao invés de desfazer tudo que eu fiz e
transformar vocês num deserto sem vida e
sem comida,
eu, por amor, vou atrair vocês ao
deserto e do deserto eu vou fazer um
jardim novamente.
Vou fazer novamente o jardim.
com comida, com fartura e a reversão
daquilo que eu deveria ter feito pelo
que vocês fizeram. Ou seja, eu poderia
repudiar vocês, eu poderia fazer um
processo jurídico contra vocês e ganhar,
porque vocês quebraram a aliança.
Vocês quebraram a aliança, vocês
romperam a aliança, mas ao invés de
fazer tudo que eu tinha direito de
fazer, eu por amor não vou fazer. Eu vou
restaurar vocês e tudo vai voltar a ser
como era.
Vocês disseram: "Tu não és o meu Deus e
por isso eu podia chamar vocês de não
meu povo,
mas eu não vou fazer isso porque eu amo
vocês.
Eu amo vocês e vocês vão ser o meu povo
e eu vou ser o Deus de vocês."
E o que é muito louco nessa história que
tem tudo a ver com aquilo que a gente
falou do na série Graça, nos 17 sábados
da série Graça, é o seguinte:
Deus age por amor e a graça dele não
implica em nenhum momento qualquer ação
de mudança de Gômer, nem dos filhos.
Não é que em algum momento ela falou
assim: "Ai, Oséias, eu me arrependi do
que eu fiz. Me aceite novamente nos seus
braços".
Não. É Oséias que vai até ela e compra
ela de volta
e recolhe os filhos dela como se fossem
deles e tem filhos com ela. Vocês estão
entendendo?
E qual é a ação de Gôer?
simplesmente aceitar esse processo,
porque quem faz é Deus. É como se Gomer
pegasse o anel de casamento, jogasse
longe
e ao invés do marido falar assim: "Ah,
é, terminou, vamos no advogado, vamos
fazer o divórcio, tal, acabou, eu quero
isso, quero aquilo, porque você que
errou, você é a culpada do processo,
acabou".
Mas ao invés disso, ele vai, pega o
anel, traz de volta e fala assim:
"Coloca de volta no seu dedo, porque eu
te amo e eu não vou te largar".
Essa é a graça.
Esse é o amor de Deus.
É disso que trata o livro de Oséias.
O livro de Oséias é mais um pilar na
construção de uma realidade de que a
graça de Deus independe das nossas
ações, está para muito além de quem nós
somos ou deixamos de ser.
E ela inunda a nossa vida,
nos resgatando de quem nós somos,
do que nós nos tornamos,
nos trazendo novamente pros braços
daquele que sempre nos amou e sempre nos
amará.
Eterno nosso pai e nosso rei. Esse é um
livro difícil. Josés é um livro difícil,
porque é um livro que, de uma maneira
clara e dolorosa
nos ensina quem somos, para onde fomos,
mas também nos ensina de uma maneira
linda e maravilhosa quem o Senhor é e
até onde o Senhor está disposto aí para
nos trazer de volta.
Obrigado, Senhor, por esse amor.
Obrigado, Senhor, por essa graça
que em Jesus Cristo se manifestou a
nosso favor.
Em nome dele oramos. Amém.

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