Sermão: Sempre nos amou, sempre nos amará
19/06/2025
Sermão: Sempre nos amou, sempre nos amará
Segundo sermão da série Que amor é esse, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Eterno nosso pai, nosso rei. Muito obrigado, Senhor, pelo amor que recebemos de ti. Muito obrigado porque esse amor não apenas transforma quem somos, mas também transborda para aqueles que estão ao nosso redor. Que esse amor continue fluindo de ti sobre nós, em nós e através de nós. E que agora que mais uma vez vamos abrir a tua palavra, que teu espírito nos alcance para que possamos entender a relevância, a profundidade desse amor por nós. É o que te pedimos em nome de Cristo. Amém, Senhor. Amém. Bom dia, bom sábado para você que tá aqui, bom dia para você que tá aqui, mas para você que tá em casa ou no carro ou no trabalho ou trabalho às vezes não é bom ficar vendo vídeo, né? Mas enfim, não sei onde você tá. É muito bom ter sua presença com a gente a qualquer hora do dia, em qualquer lugar também. Ah, a gente tá mudando a temperatura fortemente agora, né? Então, para quem é gordinho, essa é a melhor época do ano, friozinho, a gente não sua tanto, pode usar até camisa de manga comprida e tal e aí ficar de boa. Mas para aquelas pessoas em situação de vulnerabilidade é um momento de dificuldade. Então, se você puder ajudar o Instituto Sementes, fique à vontade. A gente fica muito feliz com a sua ajuda. Nós também estamos no processo de uma pesquisa feita da comunidade para entender quem são vocês, ou melhor, né, quem nós somos, né? Fica mais bonito, né? Quem nós somos. Então, se você puder tirar um tempinho para nos ajudar e responder essa essas perguntas para dizer que você faz parte ou não também, se você não quiser, eh, é isso aí. A gente tá na série amor é esse? uma série falando sobre o livro de Oséias, que foi um dos livros, talvez um dos mais pedidos nos últimos anos. Eh, gente aqui fora, gente mensagem direta e por e e-mail, e-mail é mais arcaico agora, né? Mas enfim, galera perguntando: "E aí, quando é que vocês vão falar de Oséas? Quando é que vocês vão falar de Oséias?" E a gente falou de vários textos difíceis. Eu falei: "Bom, vamos aproveitar quem já tá nessa levada de falar sobre graça e vamos falar sobre Oséias." E semana passada a gente começou com uma belíssima introdução da pastora Dan Feldberg, que alugou um triplex na cabeça de várias pessoas com uma frase impactante que disse que ela disse, né? Deus é corno, né? E as pessoas ficaram chocadas e saíram abaladas e causou um certo rebuliço na internet também. Mas a realidade do livro de Osésias é essa, né? na realidade de um Deus que é traído e continua amando, né? A gente vai falar um pouquinho sobre algum algumas nuances desse livro, que não é só um livro de mensagem difícil, de tema difícil, é um livro também de uma construção literária difícil. E aí na hora de preparar esse sermão, eu pensei no final das contas que ele parece muito como uma aula, né? Então vocês serão meus alunos hoje nessa aula dos aspectos literários importantes aqui do livro de Oséias e um pouquinho dessa desse início. Bom, o livro de Oséias ele começa de um jeito clássico, como vários livros proféticos começam. Se você tem sua Bíblia, já pode abrir, deixa aberta em Oséias. Se você tem esse aplicativo também, fica à vontade. Começa dizendo capítulo 1, verso 1. Palavra do Senhor que veio a Oséas, filho de Beri, durante os reinados de Usia, Jotão, a casa Ezequias, rei de Judá, e de Jeroboão, filho de Jeá, rei de Israel. Essa introdução inicial aqui do do profeta Oséias é a única fórmula, vamos dizer assim, que Oséias pega de outros livros e usa. O restante do livro, ele é construído sem o uso dessas fórmulas. eh essas fórmulas, essas essas repetições, essas essas coisas que a gente encontra em outros livros, marcando, por exemplo, o início de uma profecia ou o início de uma fala divina, a a vão aparecer em vários, né? Por exemplo, veio a palavra do Senhor sobre mim dizendo e tal. E essas fórmulas elas aparecem em vários lugares. Osia só usa esse início, que é um início que aparece em outros livros proféticos também. A partir do verso dois, ele meio que ignora e o texto fica um texto muito fluído, um texto muito complexo e a gente só consegue entender as divisões desse texto por sutilezas que ele vai colocando ao longo do texto, né? Então, por exemplo, há uma dificuldade inicial, porque o primeiro capítulo de Oséias, ele está escrito em forma de prosa, ele tá em narrativa, contando uma história. Já o capítulo dois está em poesia, o capítulo 3 volta pra prosa narrativa, o capítulo 4 aí até o final, no capítulo 14 volta pra poesia, tá? E não tem mais narrativa. Então você tem dois capítulos em prosa narrativa e o resto todo em poesia, né? né? O que complica, talvez a sessão mais fácil da gente demarcar seja a sessão que tá no meio do livro de de Oséias, que é sessão do capítulo 4 até o capítulo 11, porque ela tem um marcador que a gente pode chamar de fórmula no início e no fim, e ela tem uma palavrinha. Então você abre lá capítulo 4 no verso um e lá diz assim: "Israelitas, ouçam a palavra do Senhor, porque o Senhor tem uma acusação contra vocês que vivem nessa terra". E aí vai começar, né? E essa esse início aqui, ouçam a palavra do Senhor, porque ele tem uma acusação. Essa palavra acusação é a palavra riv, que é uma palavra técnica. que é um termo técnico, um termo eh eh não é usado em qualquer situação, é um termo que indica um processo judicial, um processo jurídico, é uma acusação formal, é uma acusação que implica que precisa haver um julgamento e esse julgamento precisa de um juiz, precisa de uma defesa e assim por diante, tá? Então é um termo técnico. E aí ele vai descrever a acusação e lá no finalzinho do capítulo 11 aparece assim eh verso, capítulo 11, verso 11. virão voando do Egito como aves da Assíria, como pombas, e os estabelecerei em seus lares palavra do Senhor. Então ele começa no capítulo 4, verso 1, dizendo palavra do Senhor, acusação, e termina com palavra do Senhor, tá? Não é a mesma expressão, é diferente. É davar e arro e depois neumar e tal. É um pouquinho diferente, mas é a mesma basicamente marcação no início e no fim da sessão. O capítulo 12, lá no verso 3, ele vai dizer assim, ó: "O Senhor tem uma acusação RIF, contra Judá e vai castigar Jacó de acordo com seus caminhos, de acordo com as suas ações." Então, o capítulo 4 começa dizendo que Deus tem um rif, Deus tem um processo judicial, Deus tem uma acusação contra Israel. E o capítulo 12 também começa dizendo que ele tem um riv, ele tem um processo judicial, ele tem uma acusação contra Israel. Então, basicamente esse e eh essas duas sessões, elas vão ser marcadas por essa palavra rive no início delas. Deus tem uma acusação, Deus tem um processo judicial. E esses capítulos eles vão ter uma estrutura muito semelhante que a gente vai falar nos próximos sábados. A estrutura basicamente do seguinte: há uma acusação e há promessa de restauração. Há uma acusação e há uma promessa de restauração. Então a gente tem duas sessões, 4 a 11, 12 a 14. E, portanto, nos sobra a primeira sessão do livro, que é justamente os primeiros três, que são justamente os três primeiros capítulos, capítulo 1, 2 e o três, tá? E a palavra reiv aparece lá no capítulo dois. Então, se você vai pro capítulo dois, no verso três, diz lá assim, ô, desculpa, eh, no verso, cadê? Verso dois. Repreenda a sua mãe, pois ela não é minha mulher, eu não sou o seu marido. Que ela tire, retire do rosto o sinal do adultério e do meio dos seios a infidelidade. Do contrário, a deixarei nua, como um dia em que ela nasceu. Farei dela um deserto, uma terra equida, marca marcarei, etc. Ela foi acusada. E aqui a palavra rive vai aparecer no verso 4. Não a tratarei com amor dos seus filhos, porque são filhos do adultério. Eu tenho uma acusação para ela. Ela adulterou, tá? Então, a gente tem a palavra Riva aparecendo em três momentos ao longo do livro, capítulo 2, capítulo 4 e capítulo 12. Portanto, as três sessões incluem a ideia de um processo judicial, tá? Portanto, o centro do livro, se que é que a gente pode dizer isso, né? O centro literário ou a ideia literária do livro é que o livro se trata de um processo judicial. que Deus está movendo contra Israel. Todos entenderam isso? Processo judicial que Deus está movendo contra o seu povo, tá? Capítulo 2, capítulo 4 e capítulo 12 vão ter essa palavrinha. E esse processo judicial, ele consiste dessas acusações e no final promessas de restauração. Bom, a ordem inicial do livro, no capítulo 1, verso 2, é de que Oséia se case com uma mulher de prostituições, que ele vá atrás dessa mulher e se case com essa mulher de prostituições. E aqui muitas pessoas vão discutir se Oséas realmente foi e casou com uma mulher de prostituições, porque essa é uma ordem meio absurda, uma ordem que Deus dá meio absurda. Por que que você vai fazer uma pessoa se casar com uma uma prostituta, né? Deus vai mandar você se casar com uma prostituta. Se prostituição é condenada na Bíblia, Deus vai lá e manda um profeta casar com essa prostituta. E o nome desse profeta e a moral desse profeta aí e a mácula que isso vai trazer pra família dele e além disso, para ele ter filhos com essa prostituta? Então essa é uma discussão que muitos vão ter e muitos vão dizer assim: "Não, isso é uma alegoria, não, isso é um eh é só uma ilustração, não era para Oséias realmente casar com aquela mulher. Não, não é factual que ele tenha casado com essa mulher. A, a pastora falou um pouquinho disso semana passada também. A questão é que Oséias não é o único profeta que recebe uma ordem dessa de experimentar ou de fazer uma encenação ou como a gente chama de uma ação simbólica, performar alguma coisa que tenha uma mensagem naquela performance. Então, a gente tem, por exemplo, Jeremias e Ezequiel, principalmente Jeremias, são profetas que eles vão ter várias ações simbólicas, várias ações que tinham uma mensagem. Então, por exemplo, a Jeremias deita de um lado, fica deitado desse lado tanto tempo, agora deita do outro lado, fica, sei lá, sete dias, agora deita do outro lado, fica 300 e tantos dias deitado do outro lado. Porque eu vou, vou cuidar de vocês, proteger vocês durante x tempo, mas eu vou mandar destruir durante x tempo. Jeremias esconde um rolo, um um um novelo num na tal, porque é assim que eu vou fazer com o povo de Israel. Jeremias vai lá, esconde, tal, tal, tal. Não, agora cozinha em cima de fezes, porque isso é o que o povo fez e tal, tal, tal. E Jeremias vai ficar ali na porta, na beira da cidade, dormindo, cozinhando e tal, pá, pá, para encenar pro povo, tá? Então, essas essas encenações, essas ações simbólicas proféticas, elas aconteciam de fato. Obviamente nenhuma delas foi tão pesada quanto vai e casa com uma mulher de prostituições. Mas é isso que Deus manda. Então, é muito mais provável que isso realmente tenha acontecido, que Osés realmente tenha casado com mulher do que não. Porque a ideia de que o profeta não é só a boca de Deus, mas o profeta, ele inteiro, ele é um meio completo de pregação da palavra de Deus. Então, ele não vai apenas falar, ele vai viver, ele vai experimentar aquilo que ele tá pregando também, tá? E esse é o caso de Oséas com Gômer. E aí quando a gente volta lá pro capítulo um, a gente vai para alguns problemas complexos, né? Fora esses todos que a gente tá falando, tem alguns outros problemas complexos. O verso dois diz assim: "Quando o Senhor começou a falar por meio de Osé, disse-lhe: Vá, tome uma mulher adúltera e filhos da infidelidade, porque a nação é culpada dos mais do mais vergonhoso adultério por afastar-se do Senhor." E Osés foi e se casou com Gomer, filha de Diblaim. Ela engravidou e lhe deu um filho. Que a gente tem alguns problemas aqui nessa primeira descrição inicial de Oséias, porque a ordem de Deus é case com uma mulher adúltera. E a expressão é ashet zenonim. Só que aset zenunim não aparece nenhum outro lugar para descrever prostituição. Geralmente mulher de prostituição, ela é um outro termo que se usa geralmente também no singular, né? zoná aqui tá no plural, é uma mulher de prostituições, é um zenonim. E aset geralmente é uma expressão usada para descrever uma mulher casada. Então esse é um primeiro problema. A palavra usada não descreve, por exemplo, uma prostituta ritual, uma prostituta que trabalhava em em templos de adoração de deuses. Não descreve também não descreve essa expressão asetenim. Uma mulher que trabalhava, por exemplo, sei lá, num bordel ou na rua, descreve, a palavra, a expressão é bem complexa, porque ela parece descrever uma mulher que se casou e adulterou. E adulterou. e adulterou. E adulterou e assim sucessivamente. E por adulterar, ela foi repudiada pelo seu marido e agora ela vive as custas de amantes. Então a ideia parece que é uma mulher que já saiu de casa, que já tinha se casado e que tinha sido repudiada pelo marido por sucessivas traições. Por isso que tá no plural. é uma mulher de prostituições. Ou se a gente fosse traduzir mais literalmente, seria uma esposa de prostituições. Então, Osés está casando aqui com uma mulher que já foi repudiada por outro marido, tá? E aqui é é uma expressão que parece mais estranha, mas ela é mais pesada. Por quê? Não é que ela precisa, ela se prostitui porque ela precisa do dinheiro ou ela se prostitui porque o pai expulsou de casa ou porque ela não, ela escolhe. Ela casou, ela tinha casa, ela tinha tudo. Ela escolhe viver na rua daqu. Entenderam como é mais profunda e mais pesada aqui? Essa essa expressão zenonim é mais complexa, só que piora porque além de dizer que ela é essa esposa de prostituições, diz assim: "E filhos da infidelidade". Só que em hebraico tá e alde, né? De era de criança. E alde zenunim. Eles são filhos de prostituições também. Aí o negócio começa a ficar complexo. Ou seja, parece indicar que essa mulher, essa esposa adúltera de prostituições no plural, ou seja, que tinha se prostituído várias vezes para viver. Além disso, ela tinha filhos decorrentes dessas prostituições. E Osés agora vai recolher todo mundo sob o cuidado dele. Então, não tá levando só uma mulher, ele tá levando provavelmente essa mulher e esses filhos. Só que aí tem uma questão metafórica aqui que complica a situação, porque esses filhos de prostituição, eles também são usados, porque a expressão é confusa, eles também são usados em prostituição, eles também se prostituíram, que é essa que parece indicar a expressão. E aí a gente precisa entender todo o contexto e como esse contexto vai se desenrolando, porque Deus comanda ou depois que ele Deus comanda que Osé se case e depois que ele se casa com essa com Gommer, ele tem filhos. E aí a descrição desses filhos, do nome desses talvez ajude a gente entender essa construção inicial. Primeiro filho, então, é Jesrael. E diz o texto bíblico, verso 4, dele o nome, né? O Senhor disse a Osés, dele o nome de Jesrael, porque logo castigarei a nasia de Jeú, por causa do massacre ocorrido em Jesrael, e darei fim ao reinado de ao reino de Israel, e naquele dia quebrarei o arco de Israel no vale de Jesreel. Então, o nome da pessoa é o nome de um lugar, Jesreel. É tipo você dar o nome pro seu filho de Ipiranga, porque nas margens do rio Ipiranga Dom Pedro declarou tal papai independente, né? É por causa de um lugar. Aconteceu alguma coisa nesse lugar. E a história que tá aludida aqui em Oséias é a história que tá lá no livro, na segunda parte do livro de Reis, no capítulo 10. Je se torna rei. O pastoran falou isso semana passada. Era uma bagunça. Todo mundo matava todo mundo para ser rei. Foram vários reis durante um curto período de tempo. E aí Geu assume e Jeu quer ganhar moral com a galera. Jeu ele quer ganhar apoio. E como é que ele resolve ganhar apoio? Matando. É um bom jeito, né? Não pode negar que é um bom jeito de ganhar apoio. Mata todo mundo, sobra só quem quem tá do seu lado. Mas ele começa matando gente que parece que ele tá fazendo coisas boas. Então, por exemplo, Deus tinha ordenado que a dinastia de Acabe acabasse. Então, Jeú vai lá e mata todo mundo da dinastia de Acabe. Jeú também reúne o sacerdote de Baal e mata todo o sacerdote de Baudo isso acontece em Jesrael, esse banho de sangue. Só que qual o problema? Jeú não é que ele é um rei que quer adorar a Deus, que quer fazer a vontade de Deus, não. Ele quer ganhar apoio da galera. Tanto é que ele continua da idolatria. Ele adora outros deuses que não Baal. que Braul ele manda matar a galera, mas ele vai adorar outros deuses. Então Jeú não tá fazendo nada daquilo porque Deus mandou. Ele tá fazendo aquilo para ganhar o favor de Deus, para ganhar o o favor de Deus, o favor da galera, para ficar bem com a galera. Tão entendendo? E lá em Segunda Reis 10 parece que isso foi positivo, mas aqui em Oséias isso é condenado. Deus deu: "Eu não, aquilo ali eu vou punir Israel por aquilo que aconteceu". Porque a ideia justamente que Jeú fez aquilo para ganhar apoio e não porque Deus tinha mandado. Ele aparentemente estava fazendo a vontade de Deus, mas não estava. Abre um parênteses rapidinho. Lembram lá quando a gente já falou de Mateus, né? Quando Jesus fala lá Mateus 7 lá, muitos dirão que curaram em meu nome, que expulsaram demônios em meu expulsaram demônios em meu nome, mas eu vou dizer: "Não conheço vocês". que vocês não fizeram a vontade do meu pai. Então, muitas vezes pessoas aparentam estar fazendo a vontade de Deus, aparentam estar fazendo coisas boas, mas no fundo a motivação é péssima e é o caso de Jeú aqui. Esse é o primeiro filho que Oséas tem com Gomer. O segundo filho é o nome Lamá. loruham que indica basicamente as pessoas traduzem como não amor, né, ou a não amada. Mas a a melhor tradução seria assim, eh, a que não merece pena. Então, o segundo filho é não merece pena. Por quê? Porque Israel não merece pena. Eu tratei Israel com amor, Judá com amor, com carinho, mas eles me traíram, eles adulteraram. Por isso eu não vou ter pena. Eu não vou ter pena de Israel, não vou ter pena de Judá. E o terceiro filho lá no verso 8 é o L am Ami, não meu povo. E ele diz lá no verso, no verso 9, por que que o nome é Não, meu povo? Porque vocês não são o meu povo e eu não sou o Deus de vocês. E aqui essa frase é forte porque essa é uma das frases mais importantes no processo de aliança de Deus com Israel desde Êxodo, desde Gênesis, mas principalmente Êxodo. Se vocês lembrarem Êxodo 19, quando Deus manda, primeiro, quando Deus manda Moisés libertar o povo, ele fala: "Porque Israel é meu povo, eu sou o Deus deles, etc e tal". Mas em Êxodo 19, quando eles vão fazer a aliança, Deus fala: "Vocês são o meu povo e eu sou o Deus de vocês". Então, quando ele fala que um dos filhos é não meu povo, porque vocês não são o meu povo, porque eu não sou o Deus de vocês, o que ele tá querendo dizer é que aquele processo de aliança que foi feito agora é desfeito. Tá desfeito. Entenderam? Tudo que foi feito agora está desfeito. Então, os três nomes, os três nomes das da dos filhos de de Oséias com Gômer, eles são nomes que apontam paraa prostituição de Israel. Então, é possível que essa expressão inicial mulher de prostituições e filho de prostituição, talvez tivesse referindo a esses filhos. Agora, não só Gomer. E aqui vem uma parte importante, presta atenção, que às vezes é difícil, não trava o o HD. Aí vamos lá. A mulher de Oséias Gomer é um símbolo de Israel porque ela é uma mulher de prostituições, como Israel é um povo de prostituições. Mas os nomes dos filhos de Gomer com exés também indicam as prostituições de Israel. Então, quando você analisa a expressão inicial mulher de prostituições e filhos de prostituições, você entende que tem uma sobreposição metafórica. Ou seja, tem a metáfora da mulher acontecendo. A mulher é infiel, mas os filhos também são infiéis. Entenderam isso? A mulher é um símbolo do povo, mas os filhos também são símbolo do povo numa sobreposição metafórica. E a gente tem outra sobreposição metafórica que vai ficar claro no capítulo 2. Ela vai ficar clara no capítulo 2, mas ela vai aparecer no capítulo 4 a 14 direto, que é a ideia de que essa mulher infiel, ela simboliza o povo, mas ela também simboliza a terra. Não só o povo traiu a Deus, mas a terra também traiu a Deus. E Deus vai resgatar o povo, mas Deus também vai resgatar a terra. Outro parêntese para explicar. Sobreposição metafórica é um recurso literário extremamente complexo e difícil. Ele aparece em alguns livros da Bíblia. O mais clássico é Cântico dos Cânticos. Se você tá lendo o cântico, se você já leu o cântico dos câncos alguma vez na vida, você sabe que uma hora o jardim é um lugar para onde os amantes vão, o homem e a mulher vão lá para se amar e outras horas o jardim é a própria mulher. Então ela convida eles para irem no jardim e ele diz que ela é um jardim. Isso é uma sobreposição metafórica. Então, há uma metáfora acontecendo de um lugar e a metáfora acontecendo de uma pessoa ali em Cântico dos Cânticos. Uma hora o fruto é um fruto, outra hora o fruto significa um um órgão sexual. Então ali em Cântico dos Cânticos você tem sobreposições metafóricas também, mas aqui em Osés isso tá rolando. E é por isso que o livro de Osés é um livro difícil de ler. As pessoas às vezes não se dão conta, porque há sobreposições metafóricas. Uma outra característica que torna o livro de José difícil de ler é uma mudança repentina de humor, que é uma marca clássica da chamada profecia clássica. Então, por exemplo, você tá lendo lá e a gente leu aqui verso 9. Vocês não são o meu povo, eu não sou o Deus de vocês. No verso 10, na segunda parte, diz assim: "No lugar onde se dizia a eles, vocês não são o meu povo, eles são eles serão chamados filhos do Deus vivo. O povo de Judá e o povo de Israel serão reunidos, e eles designarão para si um só líder e se levantarão da terra, pois será grande o dia em Jezel. Então vocês não são o meu povo, eu não sou o Deus de vocês. Aí de repente Deus fala: "Mas naquele dia vocês vão ser o meu povo, eu vou ser o Deus de vocês. E Jesreel, que é o lugar do da chacina, da morte do sangue, que era ruim, agora é o lugar bom onde o povo vai se levantar. Então, uma mudança repentina de humor, de uma condenação, de uma acusação, de uma coisa pesada para de repente restauração. Isso tá acontecendo aqui no capítulo 1. Então, do verso 2 até o verso 10, parte primeira parte do verso 10, Israel é condenado. Vocês são como uma mulher adúltera, vocês são como uma mulher infiel, uma mulher que trai o marido, que faz isso, que faz aquilo. Vocês são infiéis, vocês são isso, vocês são aquilo. Vocês me cornearam. Vocês, os filhos de vocês indicam as traições que vocês fizeram contra mim. Vocês não são mais o meu povo. Eu não sou mais o Deus de vocês, mas eu amo vocês. Vocês vão ser para sempre meu povo. Eu sempre vou estar com vocês, etc. e tal. Vá, do nada. E o capítulo o capítulo 3 vai ser a repetição do capítulo um, de uma maneira resumida. Então, abre lá no capítulo três, tem poucos versos e aqui vai ser muito mais claro do que no capítulo um, capítulo 3, vai dizer: "O Senhor me disse: vá, trate novamente com a mulher, com amor sua mulher, apesar dela ser amada por outro homem e ser infiel, ser adúltera. Ame-a como senhoramos relitas, apesar deles se voltarem para outros deuses e amarem bolos de uvas e de passas. Por isso, eu a comprei por 180 g de prato e um barril e meio de cevada." dele disse: "Você viverá comigo por muitos dias, não será mais prostituta, nem pertencerá a outro homem, e eu viverei com você". Verso quatro. Pois israelitas viverão muitos dias sem reis, sem líder, sem sacrifício, em colunas sagradas, sem estola sacerdotal, sem ídolos do lar. Depois disso, os israelitas voltarão e buscarão o Senhor, seu Deus, e Davi, seu rei, e virão tremendo atrás do Senhor das suas bênçãos nos últimos dias. Então, o capítulo 3 repete a ideia do capítulo um agora de uma maneira mais rápida e acumundança brusca também. Vai e ame uma mulher adúltera e traga ela para casa. Aí Osés fala: "Então eu fui e comprei Gommer e voltei para casa, etc e tal". Isso que você fez, Osés, é o símbolo do que eu vou fazer com o povo. Entenderam? Capítulo 1, capítulo 3. Vocês são infiéis, mas eu amo vocês. E o capítulo dois que tá no meio é a poesia. E o capítulo 2 é basicamente o resumo do que vai acontecer do capítulo 4 até o 14. Porque começa com Deus acusando o povo. Então, abre lá no capítulo dois. Repreendam a mãe de vocês. Repreendam, pois ela não é minha mulher. Acusem. Rive. Processo judicial. E eu não sou mais o marido dela. Que ela retire do rosto o sinal de adúlter no meio dos seios da infidelidade. Do contrário, eu a deixarei nua como no dia em que nasceu. Farei dela um deserto, uma terra equida, e a matarei de sede. Então Deus vai transformar a mulher, que é um símbolo do povo, que é um símbolo da terra, em uma terra deserta, sem vida, ressequida. A mãe dos filhos, verso 5, foi infiel, engravidou deles, está coberta de vergonha. E ela disse: "Irei atrás dos meus amantes que me dão comida, água, lã, vinho, azeite e bebida". Então você, Israel, você me traiu e foi atrás de amantes, dizendo que são eles que te dão a comida, que são eles que te alimentam, que são eles que te dão a bebida. Você vai correr atrás de vários amantes, mas você não vai alcançá-los. Eu não vou deixar. Verso oito. Ela não reconheceu que fui eu quem deu, quem dei o trigo, o vinho, o azeite, quem a cobriu de ouro, de prata, que depois ele ela foi usar para adorar Baal. Por isso levarei o meu trigo e quando amadurecer levarei o vinho quando ficar pronto. Então eu vou retirar a comida. Olha que interessante. Porque você não me reconheceu. Você não reconheceu que fui eu que te dei a comida, vou tirar a comida. E aí você vai procurar amantes, etc e tal, para eles te alimentarem. Mas também não são eles que vão te alimentar. Acusação, acusação, acusação. Verso 12. Arruinarei as suas vigueiras, as suas videiras, as suas figueiras, que, segundo e você, foram pagamento dos seus amantes por aquilo que você fez. E os animais selvagens vão devorar as suas plantações. Eu vou castigar você todos os dias. Verso 13. Condenação, acusação, condenação, acusação. Aí de repente, verso 14, portanto, agora eu vou atraí-la e levá-la pro deserto. Primeiro ele diz que vai transformar ela no deserto, agora diz que vai levá-la pro deserto. E o que que ele vai fazer com ela no deserto? Eu vou falar-lhe com carinho. Ali eu vou devolver as suas vinhas. Farei dela o vale de Acora, uma porta de esperança. Ali ela me responderá como nos dias da sua infância, como no dia em que saiu do Egito. Naquele dia declaro o Senhor, você me chamará meu marido e não mais me chamará meu Senhor. Tirarei dos seus lábios os nomes dos deuses. Seus nomes não serão mais invocados. Naquele dia eu farei um acordo com os animais dos campos, com os animais que rastejam pelo chão, o arco, a espada. Eu os abolirei da terra para que vocês todos possam viver em paz. Eu me casarei com você para sempre. Eu me casarei com você com justiça e e retidão, com amor e compaixão. Eu me casarei com você com fidelidade. Você reconhecerá o Senhor. Naquele dia eu responderei, declaro o Senhor. Responderei aos céus e eles responderei à terra. Eles responderão à terra. A terra responderá ao cereal, ao vinho, azeite. E eles responderão a Jezel: "Eu a plantarei para mim mesmo na terra. Tratarei com amor aquela que chamei de não amada. Direi aquela chamada não meu povo, você é meu povo." E ela dirá: "Tu és meu Deus". E aqui é muito interessante quando você percebe essa linguagem de deserto de comida por um motivo muito simples. Aquele deserto, comida e os animais, né? que a gente leu aqui é muito interessante porque aqui é basicamente uma reversão. A traição faz com que tudo aquilo que foi feito em Gênesis, em Êxodo, seja revertido. Mas do nada Deus fala: "Apesar de vocês terem me traído, apesar de vocês terem me rejeitado, ao invés de desfazer tudo que eu fiz e transformar vocês num deserto sem vida e sem comida, eu, por amor, vou atrair vocês ao deserto e do deserto eu vou fazer um jardim novamente. Vou fazer novamente o jardim. com comida, com fartura e a reversão daquilo que eu deveria ter feito pelo que vocês fizeram. Ou seja, eu poderia repudiar vocês, eu poderia fazer um processo jurídico contra vocês e ganhar, porque vocês quebraram a aliança. Vocês quebraram a aliança, vocês romperam a aliança, mas ao invés de fazer tudo que eu tinha direito de fazer, eu por amor não vou fazer. Eu vou restaurar vocês e tudo vai voltar a ser como era. Vocês disseram: "Tu não és o meu Deus e por isso eu podia chamar vocês de não meu povo, mas eu não vou fazer isso porque eu amo vocês. Eu amo vocês e vocês vão ser o meu povo e eu vou ser o Deus de vocês." E o que é muito louco nessa história que tem tudo a ver com aquilo que a gente falou do na série Graça, nos 17 sábados da série Graça, é o seguinte: Deus age por amor e a graça dele não implica em nenhum momento qualquer ação de mudança de Gômer, nem dos filhos. Não é que em algum momento ela falou assim: "Ai, Oséias, eu me arrependi do que eu fiz. Me aceite novamente nos seus braços". Não. É Oséias que vai até ela e compra ela de volta e recolhe os filhos dela como se fossem deles e tem filhos com ela. Vocês estão entendendo? E qual é a ação de Gôer? simplesmente aceitar esse processo, porque quem faz é Deus. É como se Gomer pegasse o anel de casamento, jogasse longe e ao invés do marido falar assim: "Ah, é, terminou, vamos no advogado, vamos fazer o divórcio, tal, acabou, eu quero isso, quero aquilo, porque você que errou, você é a culpada do processo, acabou". Mas ao invés disso, ele vai, pega o anel, traz de volta e fala assim: "Coloca de volta no seu dedo, porque eu te amo e eu não vou te largar". Essa é a graça. Esse é o amor de Deus. É disso que trata o livro de Oséias. O livro de Oséias é mais um pilar na construção de uma realidade de que a graça de Deus independe das nossas ações, está para muito além de quem nós somos ou deixamos de ser. E ela inunda a nossa vida, nos resgatando de quem nós somos, do que nós nos tornamos, nos trazendo novamente pros braços daquele que sempre nos amou e sempre nos amará. Eterno nosso pai e nosso rei. Esse é um livro difícil. Josés é um livro difícil, porque é um livro que, de uma maneira clara e dolorosa nos ensina quem somos, para onde fomos, mas também nos ensina de uma maneira linda e maravilhosa quem o Senhor é e até onde o Senhor está disposto aí para nos trazer de volta. Obrigado, Senhor, por esse amor. Obrigado, Senhor, por essa graça que em Jesus Cristo se manifestou a nosso favor. Em nome dele oramos. Amém.