Sermão: A Redenção do Amor
24/07/2025
Terceiro sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Marcelo Rezende na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Bom dia. Feliz sábado para vocês que estão aqui no Teatro Wall do Shopping Patienópolis. Para você que está acompanhando aqui a nossa transmissão por nossos canais, nossas redes sociais, que Deus abençoe vocês também. Bom dia, boa tarde, boa noite. Não sei qual que é o tempo em que essa palavra tá chegando até você, mas independente de vocês estarem aí ou aqui, nós estamos todos agora reunidos juntos em torno da palavra do Senhor, da mesa, como eu disse aqui na oração, para sermos alimentados com o evangelho de Jesus. E antes de ler o texto da Bíblia, que vai ser a base aqui da nossa reflexão da história de hoje, eu quero ter aqui com vocês um um momento cultural. Tá? Só para introduzir aqui uma ideia, uma proposta pra gente pensar juntos. Eh, o padre Antônio Vieira, não sei quantos de vocês aqui já leram textos do padre Antônio Vieira, a gente conhece o padre Antônio Vieira como um dos maiores, senão o maior escritor em língua portuguesa do período barroco. Mas o padre Antônio Vieira, ele escreve um sermão, ele tem vários sermões fantásticos. Então você lê, são complexos, mostra uma realidade diferente da nossa. Hoje quando a gente pensa em sermão, em pregação, não é? Mas ele tem um sermão especial que eu me lembrei dele quando estava preparando a mensagem aqui para vocês, que é um sermão que ele pregou em 1645 na Capela Real de Lisboa, o sermão do mandato em que ele baseia a sua mensagem no texto de João, capítulo 13, que mostra Jesus lavando os pés dos discípulos. E e ele fala do amor, porque o texto diz assim, que Jesus, sabendo de onde ele vinha e para onde ele ia, ele amou os seus até o fim. E aí ele vai falar sobre o amor divino e o amor humano. E ele vai traçar uma comparação entre o amor divino e o amor humano. E ele vai mostrar que a grande diferença entre o amor divino e o amor humano é que nós somos ignorantes a respeito de quatro pontos que são essenciais para o amor. Nós somos ignorantes e Deus não é a respeito disso. Primeiro, nós somos ignorantes a respeito de nós mesmos. Nós não nos conhecemos. Segundo, nós somos ignorantes a respeito daquele que nós amamos, do objeto do nosso amor. Nós idealizamos as pessoas. Terceiro, nós somos ignorantes a respeito da natureza do que é o amor de verdade. Nós chamamos de amor muitas vezes aquilo que não é amor. E a quarta realidade, nós somos ignorantes a respeito do final do amor, até onde o amor nos leva ou até onde nós chegaremos amando. E ele fala que Jesus era consciente de todas essas realidades, porque ele sabia quem ele era. Ele sabia quem ele amava, inclusive até o traidor. Ele sabia, conhecia a verdadeira natureza do amor e sabia até onde o amor iria levar através das suas ações de redenção. Tinha plena consciência disso. E quando ele vai falar sobre o amor de Jesus, que ele chama de amor fino, amor puro, ele faz a citação de um santo medieval chamado São Bernardo de Claraval ou de Clervô o nome dele. E eu vou ler para vocês aqui a citação do padre Antônio Vieira que ele faz desse santo que diz assim: "Padre Antônio Vieira falando agora. Ora, vede, definindo São Bernardo, o amor fino, diz assim: querity causam nefrutum. Ó, gastei o latimzinho com vocês aqui agora, né? Né? O amor fino não busca causa e nem fruto. Se amo porque me amam, tenho amor causa. Se amo para que me amem, tem fruto. O amor fino não há de ter nem por e nem para quê. Se amo porque me amam, é obrigação. Faço o que devo. Se amo para que me amem, é negociação. Busco o que desejo. Pois como há de amar o amor para ser fino? Amo queia, amo como ut amen. Amo porque amo e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. Quem ama para que o amem é interesseiro. Quem ama não porque o amam, nem para que o amem, esse só é fino. O amor não tem que ter causa e nem desejo de objetivo para ser alcançado. É amar por amor. Amor por si mesmo. Esse é o amor fino. Esse é o amor puro. E por que que eu tô falando de amor aqui para vocês? Porque a gente tá numa série chamada Aravá, que é a palavra hebraica. Nós aqui já sabemos para amor. E nós estamos olhando narrativas do Antigo Testamento onde essa palavra aparece na história, ou a palavra ravá ou o verbo a que é o verbo amar. E hoje eu quero olhar para uma história aqui que ela é tida por muitos como um dos maiores exemplos de ódio persecutório, de obsessão destrutiva, o amor de um, a história, melhor dizendo, de um ódio muito grande entre dois personagens. Só que é uma história que ela não começou com ódio, ela começou com amor, com respeito e com admiração. E aqui é que vem um contracenso e um paradoxo, né? Porque amor e ódio são sentimentos, são reações opostas, mas eles trabalham de maneira muito parecida, porque tanto quando você ama ou tanto quanto você odeia, você emprega uma energia muito grande em relação ao objeto, à pessoa desse relacionamento, quer seja o amor ou ódio. Você investe isso e você investe tempo, você investe energia e a única coisa que o fluxo desse investimento é diferente. a maneira como isso acontece. E muitas vezes o amor também pode se transformar em ódio. O ódio pode vir na esteira do amor, quando o amor ele não é respeitado, quando o amor ele é frustrado, quando o amor ele é traído, quando o amor de alguma maneira ele vai implicar na desconstrução do outro, na perda da identidade do outro. Então o ódio aparece muitas vezes como uma manifestação de defesa ou de ou de rejeição, mas ele acontece muitas vezes como resultado do amor. Quem muito amou também pode muito odiar. E a história que eu vou ler com vocês aqui hoje e vou usar pra gente poder refletir sobre isso é a história do amor entre Saul e Davi. O amor que se transforma em ódio. E eu quero ler com vocês e quero que você acompanhe a leitura. Vou ler aqui na minha Bíblia. Primeira Samuel capítulo 16. Ou primeiro, né? Não é primeiro, é primeiro. Primeiro livro. Primeiro Samuel, capítulo 16, do verso 14 em diante. Se você tiver Bíblia aí, pode ler a sua Bíblia. Ou se você tem o seu celular, acompanha a leitura. Você que também tá em casa ou em qualquer outro lugar que você esteja, se for possível ler, leia também. Se não, só escute, porque a Bíblia fala que bem-aventurado é aquele que lê, bem-aventurado é aquele que ouve, né? Então, o importante é a gente tá focado aqui agora no texto, né? Diz assim: "Depois que o espírito do Senhor se retirou de Saul, um espírito mal vindo da parte do Senhor o atormentava. Então os servos de Saul lhe disseram: Eis que agora um espírito mal enviado por Deus está atormentando o Senhor, ó rei. Por isso, mande que esses teus servos que estão em sua presença, busquem um homem que saiba tocar arpa. Assim, quando o espírito mal enviado por Deus vier sobre o Senhor, o homem dedilhará a arpa e o Senhor sentirá melhor. E Saul disse aos seus servos: "Então, procure um homem que saiba tocar bem arpa e tragam-no para cá". Um dos moços disse: "Conheço um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar arpa. Ele é forte, valente, homem de guerra, fala com sensatez e tem boa aparência. E o Senhor Deus está com ele. E Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: "Mande-me o seu filho Davi, aquele que está com as ovelhas". Então, Jessé pegou um jumento e o carregou de pão, um odre de vinho e um cabrito e enviou-os a Saul por meio de Davi, seu filho. Assim, Davi foi a Saul e esteve diante dele. E aqui a minha tradução, e eu acredito que a maioria da tradução de vocês também que estão acompanhando aqui a leitura, vai dizer assim: "Saul gostou muito dele, não é o que fala aí? Saul gostou muito dele e fez dele o seu escudeiro. Saul mandou dizer a Jessé: "Deixe que Davi fique aqui, pois alcançou o favor diante de mim." E sempre que o espírito mal enviado por Deus vinha sobre Saul, Davi pegava a arpa e a dedilhava. Então Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito mal se retirava dele. Eh, essa é a primeira menção de uma interação entre Davi e Saul. É o primeiro encontro deles que a gente vê na Bíblia. E nós que somos os leitores oniscientes da história, nós lemos aqui essa história até com um toque assim de melancolia, de compaixão por Saul, porque Saul se vê aqui num estado de fragilidade e ele recebe e ele praticamente adota como filho aquele que vai ser a causa ou a principal causa da ruína do seu clã, da sua família, que é Davi. Ele acolhe Davi. E Davi, ele é levado até a presença de Saul para tocar e acalmar Saul depois que ele é atormentado por um espírito mal que a Bíblia fala de uma maneira estranha, né? Vindo da parte de Deus. E pra gente poder entender bem aqui a o o contexto, o cenário dessa história, a gente tem que relembrar um pouquinho a trajetória de Saul, como Saul se torna rei. E eu quero rapidamente aqui fazer um um um panorama geral da história de Saul. Eh, a Bíblia fala que Samuel, profeta Samuel, ele era juiz. Não haviam reis, reis em Israel, ele era juiz sobre Israel. Ele exercia uma função espiritual e uma função de liderança administrativa também sobre o povo. E quando ele fica velho, ele nomeia dois dos seus filhos para serem juízes junto com ele. Por razões que a gente não sabe, a Bíblia não explica. A Bíblia fala que mesmo Samuel sendo um homem de Deus, os filhos dele não eram. E os filhos dele eram pessoas corruptas. Assim como os filhos do sacerdote Eli também eram pessoas do mal, os filhos de Samuel também eram. E isso vai desgastando o povo. Até que chega um momento em que os anciãos de Israel eles se reúnem, eles vão à presença de Samuel e eles pedem o rei para eles. E a gente conhece a história, né? Samuel reluta, Samuel tenta eh contornar aquela situação, mas o povo insiste querendo um rei sobre eles. E aí Deus diz assim para Samuel: "Samuel, dá o que eles querem. Não é a você que eles estão rejeitando, é a mim que eles estão rejeitando como rei sobre eles." E aí é nesse contexto que aparece a figura de Saul. Saul ele surge na história eh como um personagem assim muito inusitado. Eh, diz a Bíblia que ele é Saul da tribo de Benjamim. filho de um cara chamado Kiss. Então, guarde bem esses nomes, tá? Saul da tribo de Benjamim, filho de Quis. É o que diz a história. E ele aparece numa busca, as jumentas do pai dele se perdem. E ele cuidava delas. E ele sai procurando as jumentas do pai. E ele tá junto com o servo dele, procurando as jumentas. E o tempo vai passando, dias vão passando e eles não encontram as jumentas. E ele começa a ficar preocupado com a preocupação do pai dele em relação a eles. E aí o servo tem uma ideia, fala assim: "Olha, a gente tá aqui perto do lugar onde tem o homem de Deus. Vamos lá conversar com ele. Ele pode falar onde as jumentas estão." E ali eles vão até Samuel querendo usar Samuel meio de São Longuinho. Sabe aquela coisa, né? Né? Perdeu São Longuinho, né? Dá três pulinhos, aquele negócio, né? Então eles vão lá São Samuel Longuinho, né? Conversar com ele. Então vai lá os dois jumentos procurando as jumentas perdidas, né? Eles vão atrás lá do do profeta. Só que Samuel já havia sido eh orientado por Deus. Deus diz assim: "Olha, amanhã vai chegar aí um cara, um homem. Esse é ele. Você vai ungir ele como rei de Israel. E é assim que Saul é ungido o rei de Israel. E a unção de Saul, ela é acompanhada de muitas manifestações sobrenaturais. Porque Deus já de antemão havia avisado o profeta da visita de Saul. Saul é ungido e diz a Bíblia que o coração dele é mudado. Ele recebe o coração de Deus. Ele recebe o espírito de Deus porque ele vai profetizar entre os profetas. Então o coração de Deus e o espírito de Deus estão sobre Saul. E a narrativa bíblica vai mostrar três momentos em que Saul é aclamado como rei. Três momentos. É aquela afirmação tripla para não deixar dúvida nenhuma a respeito de uma realidade. A Bíblia tem muito dessa, né? Então, a primeira, ele é ungido o rei dessa maneira, como eu contei para vocês. As outras duas vão apresentando de uma maneira muito sutil uma graduação eh negativa da sobrenaturalidade. Sabe que eu posso dizer assim? começa com manifestações divinas e aí a coisa vai diminuindo, vai se tornando algo muito humano, uma reação muito natural das pessoas reconhecerem Saul rei. E isso já é pra gente uma maneira de preparar o leitor para um final ruim que a história vai ter. Ele começa bem, mas a coisa vai diminuindo, porque ele é ungido dessa maneira. Depois da segunda vez, o profeta Samuel tira sortes e a sorte cai sobre ele. Já é um negócio assim meio de sorte. E na terceira acontece um um cerco a uma cidade chamada Jabes Gilead. E ele vai ser aquele que vai liderar o povo para libertar a cidade de Jabes de Ele. Ele vai entrar em guerra e as pessoas reconhecem nele um líder militar competente. Então fala: "Esse cara pode ser rei". Então, é uma decisão totalmente humana. E assim ele é aclamado o rei três vezes. E depois disso, nós vemos também dois episódios em que Saul é rejeitado como rei. Ele é aclamado rei três vezes, mas em dois momentos ele é rejeitado como rei. E rejeitado por questões que aparentemente são banais, são bobas pra gente. Porque a primeira rejeição de Saul acontece quando ele vai entrar em guerra contra os filisteus e era costume fazerem sacrifícios. daquele culto, né? Aquele cultinho básico ali pedindo proteção de Deus na batalha e tal. E ele combina com o profeta Samuel para Samuel fazer o sacrifício, liderar a cerimônia. Só que Samuel diz o seguinte: "Olha, eu vou atrasar 7 dias. Segura aí 7 dias, depois de sete dias eu faço o sacrifício." Só que ele demora mais, passa dos s dias e Saul, ele começa a perceber o povo inquieto e os soldados não querem guerrear sem a bênção de Deus. E eles começam a debandar. E nessa preocupação de não perder a mão do povo, dos soldados, ele decide ele mesmo fazer o sacrifício. E quando ele faz o sacrifício, quem que aparece assim, ó? Tchã, o profeta Samuel. E quando Samuel chega, fala assim: "Olha, por causa disso, você vai ser rejeitado por Deus. Deus vai tirar o reino de você e vai dar a um homem melhor do que você." Essa é a fala, o homem segundo o coração dele. Essa é a primeira rejeição de Saul. E a segunda, que é a mais conhecida, ela acontece depois de uma guerra que era uma guerra santa, que Saul tinha que coordenar e empregar contra os amalequitas. E a guerra santa, ou a guerra herem, como ela é chamada na Bíblia, é uma guerra diferente das demais. Não é simplesmente o confronto entre povos, inimigos, nações adversárias. A guerra santa é uma guerra de juízo. Israel era utilizado como instrumento de Deus para execução do juízo de Deus. eram guerras raras, mas aconteciam. E quando isso acontecia, a ordem de Deus era para que todo o povo adversário fosse exterminado. Animais, homens, mulheres, crianças, todo mundo. Era para varrer o povo. Essa era a ordem de Deus. E Saul recebe essa ordem de lutar uma guerra santa contra os amalequitas. Mas ele não cumpre a ordem. Ele poupa os animais porque os seus soldados vão pilhar os despojos. E ele com medo ali dos soldados, ele permite isso acontecer. Ele vai poupar a vida de muitas pessoas e ele vai levar o rei Agage. Guarde esse nome também, Agag. O rei dos amalequitas. Ele leva a Gague como prisioneiro de guerra. E aí entra de novo Samuel em cena. E quando Samuel chega, ele fala: "Por causa da sua desobediência, Deus vai tirar o reino de você, a mesma coisa e vai dar para um outro homem segundo o coração dele." E ele se desespera. Ele sai atrás de Samuel, ele rasga um pedaço do manto do Samuel, que é uma cena emblemática também, né? para mostrar a perda ali do reino. Ele pede perdão, ele lamenta. Mas Deus, tanto Deus quanto Samuel são inflexíveis. A rejeição é definitiva sobre a casa de Saul. Só que isso não acontece assim de maneira mecânica, sem dor. Porque diz a Bíblia que o profeta Samuel, ele passa a noite inteira lamentando, chorando e intercedendo por Saul. E a própria Bíblia fala que Deus se arrepende de ter escolhido Saul como rei. E aqui acontece aquele paradoxo que a gente já abordou aqui em outras séries com vocês, que essa complexidade das emoções e dos sentimentos divinos. Deus não é um ser eh impassível, distante, porque aqui ele rejeita Saul, mas ele mesmo sofre com a rejeição e lamenta a rejeição do escolhido dele. Ele também sofre esse sentimento. E aqui a gente vê essa vulnerabilidade do coração divino, porque quem ama se submete a amar e também se submete a não ser amado. Essa essa é a ambiguidade do amor e a complexidade do amor. Você pode amar e você pode se frustrar. Você pode se decepcionar com o ser amado. E aqui você vê Deus sofrendo exatamente isso, sofrendo a decepção, sofrendo a rejeição. Não é um ato de juízo sobre Saul, é um ato de profunda dor. Deus se relaciona e ele se torna vulnerável com o relacionamento, com a natureza e a qualidade de relacionamento que ele tem com as suas criaturas. É assim que a Bíblia mostra Deus aqui. E aí acontece uma coisa interessante a partir de agora, porque nós vamos ver aqui um triângulo amoroso estranho, que é entre Deus, Saul e Davi. E aqui Davi aparece no momento do texto que eu li para vocês, que nós lemos juntos. Ele é introduzido na corte por causa de uma fragilidade do rei. Saul se torna uma pessoa completamente atormentada. Ele se afunda em doenças psíquicas. espirituais. Ele é atormentado por esse espírito que fala aqui, que vem da parte de Deus e e é uma solução que é apresentada para ele, né? Olha, traz um músico aqui, ele vai tocar arpa e você vai ficar bem. E aí Davi aparece. Mas olha que coisa interessante, né? Quais são as qualidades para um músico? Que que o músico tem que ter para poder ser efetivo? Tem que saber música, tem que ter o domical, tem que ter habilidade, não é? Isso é suficiente. Mas quando a gente vê aqui a descrição do currículo de Davi, vai além disso. Olha o que que a Bíblia fala sobre o currículo dele. Diz assim no versículo 18 do capítulo 16 que eu li para vocês. Conheço o filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar harpa. Até aí beleza, é o suficiente. Mas aqui fala o texto, ele é forte e valente. Qual que é a importância disso pro músico? Homem de guerra. Não >> sabe, ele não tinha nem lutado com Golias ainda e já tem fama de ser homem de guerra. Homem de guerra fala com sensatéis, né? E tem boa aparência e o Senhor Deus está com ele. Então, olha só, isso aqui é um currículo de um rei, percebe? Não é de músico. É como se o próprio Davi tivesse escrito o currículo dele pra vaga do trono que tá lá, né? Aqui, ó, o currículozinho aqui, né? Né? Ele serve para ser rei. E aí você tem aqui nesse encontro Saul que tem a consciência da sua rejeição e Davi, que já havia sido ungido secretamente por Samuel como rei de Israel. Essa é a cena. Mas só nós que estamos lendo sabemos disso. Por isso que é um encontro muito triste, porque aqui a gente vê uma inversão das coisas. Você tem uma figura de realeza de poder, que é o rei Saul. Mas quem exerce autoridade e influência sobre o rei é Davi. Davi não está aqui como alguém que está servindo apenas. Ele tem um controle. É um poder quase que mágico que ele tem de tocar a harpa dele e aliviar o rei. E é essa fragilidade de Saul que vai fazer com que Davi se torne o estagiário da corte. Ele entra na casa de Saul e ele vai aprender toda a complexidade da política do reino. Ele vai entender o que é ser rei acompanhando saú de perto. E aqui vem um detalhe interessante no texto que eu li para vocês. As nossas traduções modernas, a maioria delas vai dizer assim que Saul gostou muito de Davi. Foi o que eu li para vocês aqui, não é? Mas o texto hebraico não usa a palavra gostou. O texto hebraico diz: "Saul amou muito Davi". Em nenhum lugar da Bíblia é dito que alguém amou Saul. E também Saul não ama ninguém, só ama uma pessoa. Ele não ama os filhos dele, ele não ama Israel, não fala nem que ele ama Deus. Ele só ama um que é Davi. Saul amou muito Davi e escolheu Davi para ser o seu filho adotivo e o seu homem de maior confiança. Porque ser escudeiro é o cara que vai est lá na guerra e você confia a sua vida na mão dele. É quem vai se colocar na linha de frente para poder te proteger. E você não põe qualquer um para poder exercer essa função. Davi é o escudeiro de Saul. Essa é a qualidade aqui de relacionamento entre eles. Só que o foco vai mudar porque o coração de Deus que Saul tinha agora passa para Davi. O espírito de Deus que Saul tinha agora cai sobre Davi. E é o espírito de Deus através de Davi que vai acalmar Saul que já vivia essa rejeição e por causa das suas próprias escolhas, já não tinha mais esse contato com Deus, já não tinha mais essa comunicação com Deus. E Deus, por intermédio de Davi, vai abençoar Saul agora, percebe? Essa que é a dinâmica da história que a gente tá vendo. E Davi vai se tornar assim uma figura de captação do amor e admiração de todo mundo. É uma coisa assim meio que magnética, entende? Saul ama Davi. Jôatas, o filho de Saul, vai amar Davi. Micael, a filha de Saul, vai amar Davi. O povo vai amar Davi. Todo mundo ama Davi. É um negócio hipnótico assim, o poder que ele tem de ser amado. E o próprio nome dele também é interessante, porque David em hebraico é um nome que ele é fundamentado na palavra DOD, que é amado. Então ele já é amado no nome dele. As mesmas letras, né? A, o, o, o, a letra que é usada pro som o também é usado para ver em hebraico, né? O valve. Se tem um pinguinho em cima, ele é o o, sabe? Se não tem pinguinho, ele é o V. Então, David, Dod, amado. E também é uma palavra que pode ser traduzida como tio ou ironicamente como amigo. O amigo de Saul é Davi, o amado. Entende? Então, imagina só, né? Hebraico é uma coisa interessante, né? Imagina você falar assim, né? O meu amado tio Davi, né? É a mesma coisa assim, o meu amado Davi, meu amado amigo Davi, é tudo a mesma coisa. Então ele é o amado já por excelência. E esse, a palavra dod, ela é profundamente relacionada e paralela com a palavra a, amor. Então, ele é o objeto amor. E aí a gente percebe que eh ele vai surgir na história como um segundo Saul, porque quando ele vai guerrear contra Golias, Saul era o homem mais alto do povo. Diz a história que ele se destaca pela altura dele, pelo porte que ele tinha. Então, o o o desafiante lógico para enfrentar o gigante é o mais alto, é o mais forte, o mais poderoso, que é Saul. Mas Saul não vai guerrear contra o gigante. Quem vai guerrear é Davi. E Davi vai usar qual arma para lutar contra Golias? Ele vai usar a funda, o Stiling lá do passado, da antiguidade, né? E a funda era a arma característica da tribo de Benjamim. O povo de Benjamim, eles eram exíbios atiradores de funda, que é a arma da tribo do rei Saul. Então ele vai lutar no lugar de Saul usando a arma do rei, entende? E é assim que ele vence Golias dessa maneira. E aí ele se torna a celebridade nacional. E aqui a gente percebe como o a persona de Saul vai ser descrita. Saul é descrito como alguém que tinha tremenda dificuldade de honrar sua palavra. Saul ele é apresentado como uma pessoa que valorizava demais a opinião alheia dos outros e por isso ele relativizava o compromisso dele com Deus. Saul, ele não tinha coragem de enfrentar os desafios e ele tem um ciúme terrível de Davi. No TikTok da galera daquela época lá, né? A trend era dancinha com a musiquinha. Saul matou milhares, Davi seus 10 milhares. É galera lá dançando, sabe aquela coisa, né? E Saul ficava louco vendo um negócio desse, né? Ligava a televisão para ver o jornal, né? Para ver notícia, né? Metade das notícias eram sobre os feitos de Davi e só umas notinhas ali mencionava Saul e ele ficava ah ah, sabe, é odioso com isso. Ele passava em revista as suas tropas, o pessoal batia continência de cara fechada para ele, mas quando Davi passava, ó, general Davi, como vai, ô Davi, né? E Saul começa a se tornar essa figura amarga. E aí acontece aquilo que eu disse para vocês, o amor vai dando lugar ao ódio de maneira tão intensa como ele nasceu. Quando se sente traído, frustrado, quando o foco do investimento relacional vai mudando a sua direção. Então ele passa agora a se tornar aquele que odeia Davi e ele vai se lançar numa perseguição irrefreada contra Davi. Ele se torna, por incrível que pareça, o primeiro anticristo da Bíblia, Saul. Porque a palavra ungido em hebraico é maias e em grego é a palavra cristos. Então Davi é o Messias de Deus. Ele é o Cristo de Deus, como ele também era. Saul também era. E ele é o primeiro que vai dedicar todos os seus esforços para eliminar o Messias do Senhor. Porque ele acredita que o trono é dele. Ele ocupa o lugar dele. Ele não é simplesmente um instrumento de Deus sobre o povo. O trono é dele. O povo pertence a ele. Ele toma a história nas suas mãos, as rédeas das suas mãos. E ele vai agir com um sentimento que muitas vezes a gente tem também de olhar a vida pelo nosso olhar e entender que nós sabemos aquilo que é pertinente para nossa felicidade. E a gente quer usar Deus como um gênio da lâmpada para poder alcançar os nossos desejos, os nossos sonhos de felicidade. É esse o sentimento de Saul, que a gente sabe muito bem como é que é na vida. E ele começa a perseguir Davi. Só que a Bíblia fala que ele também tinha muita dificuldade em perdoar e de manter suas reconciliações, porque por duas vezes a vida dele é poupada por Davi. E uma das mais emblemáticas é quando ele está num lugar chamado Engede, no deserto lá do sul de Israel. E Davi está escondido numa caverna e ele vai atrás de Davi. E diz a Bíblia, é uma coisa bizarra, que Saul tem um piriri, sabe? Ele tava meio ruinzão ali, ah, aquela coisa, né? E aí ele resolve ir numa caverna ali tranquilinho para ter aquele momento a sós de meditação, né? E ele pensa que ele está só porque lá dentro, no fundo da caverna, o exército inteiro de Davi tá ali vendo aquela cena linda, o rei naquela posição, todo mundo vendo. E aí aquela cena bizarra, eles vendo o rei daquela forma, pior que Napoleão, né? Quando perde a guerra, como o povo fala, um cara chega para Davi e fala assim: "Olha, aproveita a chance, o rei tá aí, né? tá na tua mão, mata ele, o trono é teu. E aí Davi olha, pensa e ele fala: "Não, não vou estender a mão contra o ungido do Senhor. Ele corta só um pedacinho do manto." Quando ele corta o pedacinho do manto, Saul sai da caverna, aí ele mostra, né? Ó, Deus te colocou na minha mão, eu pouppei tua vida. Aí Saul se arrepende, Saul chora. Meu filho Davi, você vai ser um rei melhor que eu e meu Davi, como eu te amo e aquela coisa toda. Só que depois ele volta a perseguir Davi. Depois ele volta da mesma forma a dedicar aquele ódio intenso. E a vida dele também é poupada uma segunda vez. E aí a gente vê o final da história de Saul, porque Saul também é um homem que cai nas ciladas espirituais. Ele começa sendo ungido por Deus e ele termina a vida dele buscando uma média, uma feiticeira para consultar o espírito do falecido profeta Samuel para uma guerra que ele teria contra os filisteus. E nessa guerra, no monte de Gilboa, ele se mata e assim termina a história dele de uma maneira muito trágica. Só que a história de Saul não acaba. Aí a gente pensa que esse é o fim do clã de Saul e aí você tem Davi como rei do povo. Mas quando a gente vai 500 anos à frente andando no futuro, a gente vê uma outra história onde a maneira como ela é contada lembrar pra gente o o reinado de Saul, que é a história da rainha Estter. Estter é colocada, embora o nome de Deus não apareça no texto do Ester, mas ela é colocada pela providência divina como rainha. para poder libertar o povo e livrar o povo do primeiro grande extermínio dos judeus na antiguidade. Amã, que é o adversário, é aquele que vai engendrar o extermínio, a chassina do povo judeu. Diz um capítulo 3 do livro da Ester, logo no comecinho do capítulo 3, que Amã, ele era o Agajita. Quem que é o Agajita? Ele é descendente de quem? >> Agag. Do rei Agag, daquele que Saul havia poupado. Aí você fala: "Tá vendo? Saul tinha que ter feito mesmo aquilo, né? Ter exterminado todo mundo. Agora a situação, né? Ó o erro de Saul. Só que a gente esquece, muitas vezes a gente não percebe quando a gente lê o texto quem é Estter e quem é Mordecai, que era o parente dela, o primo, o tio, sei lá, dependendo da tradução, né? Eh, a Bíblia fala sobre a origem deles. E sabe o que é a origem deles? Eles são da tribo de Benjamim e eles são da família de Kiss. E quem era Kis? Kis é o pai do rei Saul. E quando a gente lê um midrache, e eu tenho aqui um midrache da da dos dos rabinos que vão comentar a história de de Ester, o Midrache vai dizer aqui o seguinte, olha só, falando da genealogia de de Mordecai e de Ester, diz assim: Mordecai, filho de Jair, filho de Simei, filho de Xemida, filho de Baaná, filho de Elá, filho de Mica, filho de Mefibossete, filho de Jonatas, filho de Saul, filho de Quis, Essa é a origem deles. Segundo esse midrache aqui, foi porque Simei amaldiçoou Davi, rei de Israel, mas Davi teve misericórdia dele, não mandou matar, pois viu por meio da profecia que desses dois justos, Mordecai e Ester, por cujas mãos Israel seria salvo, descenderiam dele. E aí que acontece a reviravolta na história, porque eles são do clã de Saul, descendentes de Saul, segundo aqui o Midrach. E eles são o instrumento para salvar o povo judeu como um todo. Eles libertam o povo judeu. Eles são revestidos de realeza. O clã de Saul se torna se torna parte da administração do poder real do império persa. E eles libertam o povo judeu. A linhagem do Messias é preservada pela libertação que eles realizam. E aqui você tem a redenção do clã de Saul. Deus reescrevendo a história do clã de Saul. O povo é liberto por intermédio deles. E o auge dessa redenção vai aparecer pra gente agora no Novo Testamento, quando aparece um outro Saul na história que também persegue o Messias da mesma forma. E a história desse Saul vai aparecer no livro de Atos. E o encontro definitivo é quando na estrada de Damasco, Saul encontra Jesus. E é interessante porque nas nossas Bíblias ela é chamado de Saulo, mas o nome dele é Saul e ele é da tribo de Benjamim. é o nome do rei da tribo de Benjamim. E ele persegue os cristãos. E quando Jesus encontra com Saulo, com Saul, ele diz assim: "Saul, Saul, por que você me persegue?" É exatamente a mesma frase que Davi fala para Saul quando encontra Saul pela última vez, quando ele está perseguindo Saul, Saul perseguindo Davi, quando Davi mostra, né, a lança do rei que estava na mão dele, o jarro de água que ele pegou do rei, da mesma forma, poupando a vida do rei, ele fala: "Por que você me persegue?" Ele fala para Saul: "Por que você me persegue?" E esse é o último encontro de Davi e Saul. E quando Saul no Novo Testamento agora, um outro Saul encontra também agora o filho de Davi, a frase é a mesma: Saul, Saul, por que você me persegue? E aí esse Saul deixa de ser o perseguidor e ele passa agora a ser o mensageiro do Messias. Ele se torna o anunciador do Messias. E o primeiro sermão que ele prega em Atos, capítulo 13, na sinagoga de Antioquia, da Psídia, é a única menção na Bíblia ao rei Saul que aparece no Novo Testamento. E é o momento em que o nome dele é mudado para Paulo. Ali ele é apresentado pela primeira vez como Paulo. Não porque ele se converteu e mudou o nome dele, como a gente fala, ele não muda o nome dele Saul. Saul é o nome judaico, hebraico dele. Paulo é o nome romano que ele tem. faz parte do sobrenome dele, esses dois nomes. E ele vai usar o nome Paulo nos contextos das viagens internacionais. É o passaporte dele. Então, por isso ele é Paulo pros estrangeiros, mas pros judeus ele nunca deixou de ser Saul. E quando ele vai pregar pela primeira vez, ele fala do rei Saul. Olha, Saul foi retirado para que Davi viesse, para que por intermédio de Davi, o Messias chegasse. E é esse que eu anuncio para vocês. E ele se torna aquele que, como ninguém, consegue sintetizar o significado da graça, da personalidade do Messias, do evento da redenção, da salvação, como nenhum outro fez. E é com base naquilo que ele ensina, naquilo que ele prega e na maneira como ele expõe a graça de Deus, que a nossa fé é construída e fundamentada até os dias de hoje nas cartas que estão aí escritas por ele no Novo Testamento. Saul de Benjamim, apóstolo do Messias. E eu acho muito bonito isso, né? Porque você vê o poder de transformação, de redenção de uma história que existe na Bíblia. Aí você pode falar assim: "Mas o que que isso tem a ver comigo?", né? muita coisa. Eu não sei aqui qual é a realidade da tua vida. Talvez você já esteja olhando paraa sua história e pensando assim: "Ah, eu já amei de forma tão errada na minha vida, já me relacionei de maneira tão nociva, tão tóxica, já odiei ou odeio com intensidade alguém ou já fui vítima do ódio de outras pessoas, de ódio injusto. Para mim já não tem mais jeito. Eu carrego em mim o DNA da minha família. Sangue ruim, né? Família é sangue ruim, não tem como mudar. É assim que é e assim que ser. Vão ter que me engolir, como a gente fala, né? Mas não há história que não possa ser mudada por esse amor fino, pelo amor puro, pelo amor de Deus que pode dar um um novo desfecho pra nossa realidade, pode reescrever o nosso futuro. Você pode melhorar e transformar a sua família em você. O DNA da tua família, o DNA da história da tua ascendência, pode seguir para um caminho totalmente diferente se você permitir esse poder do amor puro, do amor fino de Deus, transformar quem você é. Honrar pai e mãe é mandamento, como a gente fala, né? E a gente pensa que esse mandamento só se cumpre quando na velice você coloca lá seu pai, sua mãezinha numa casa de repouso ali decente, quando você compra medicamento para eles, quando você cuida deles nas enfermidades ali da velícia. Mas honrar pai e a mãe é muito mais do que isso. É você melhorar o pai e a mãe em você. Meu pai era totalmente diferente de mim. Meu pai não concordava com a minha visão de mundo. Meu pai era outra pessoa em relação a mim. Mas eu tô aqui hoje para poder melhorar a história dele na minha vida. >> Eu carrego meu pai em mim e eu quero que ele em mim seja uma nova pessoa e uma pessoa melhor pelo poder da graça de Jesus. Vocês entendem isso? E você pode ser assim também. Você pode redimir a tua história, assim como eu espero que os meus filhos sejam uma versão melhorada de mim, para que a graça de Deus atue de maneira purificadora, libertadora na minha história, como pode ser na sua também. Não tem nenhum karma que não possa ser mudado pelo poder do amor transformador de Jesus. Saul se tornou o salvador do povo. Saul se tornou o mensageiro do Messias. Você pode amar de maneira verdadeira quando o amor fino puro se manifesta em você. Você pode amar sabendo quem você é. Você pode amar sabendo de verdade quem é aquele que você ama, sem idealizações, sem construções falsas a respeito de quem é a pessoa que você ama. Você pode amar sabendo qual é a natureza do amor verdadeiro de Deus em você. E você pode ver o fim redentor que o amor vai ter na sua vida quando você se tornar um canal dele através do poder de Jesus. Eu espero que seja assim para todos nós hoje em nome de Jesus. Amém. Nosso Deus, Pai querido, que teu amor libertador reescreva a nossa história, a nossa vida. Se nós odiamos muito, podemos amar também com a mesma intensidade. Se nós fomos vítimas do ódio, seu amor pode curar e reescrever todas as nossas memórias e direcionar o nosso caminho de uma forma diferente. Tome cada um de nós nas suas mãos para que a nossa vida seja um reflexo do amor fino, do amor puro de Jesus. É o que nós pedimos em nome de Jesus. Amém. Amém. M.