Sermão: Do seu lado até o fim
10/07/2025
Primeiro sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Marcelo Rezende na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
eterno nosso pai, nosso rei. Muito obrigado, senhor, por Jesus Cristo, teu filho. Muito obrigado pelo amor, pela graça, pela misericórdia que através dele todos nós recebemos. Agora que mais uma vez vamos estudar a tua palavra, que teu espírito mais uma vez fale ao nosso coração, a nossa mente. É o que nós te imploramos em nome de Jesus. Amém, Senhor. Amém. Olá, [Música] seja bem-vindo aqui ao Teatro All no Shopping Patópolis. E você que tá em casa, no trabalho, no carro, no ônibus, no metrô também, seja bem-vindo. Obrigado por terem escolhido para assar esses momentos com a gente aqui. Hoje nós estamos começando uma nova série e ela tem uma uma temática curiosa. A gente tem uma construção desde o início do ano, tem uma lógica que vai sendo seguida. E essa série, ela de uma certa maneira encerra essa sequência, né? Então a gente começou trabalhando um texto, um texto e as repercussões desse texto na Bíblia inteira, que foi o texto do Bom Pastor, do Salmo 23. Então, a gente trabalhou o Salmo 23, todas as repercussões que esse salmo tem teve, né, no Antigo Testamento, no Novo Testamento. Depois a gente trabalhou uma série longa sobre a graça, um conceito, uma ideia e como essa esse conceito, essa ideia se desenvolve ao longo de toda a Bíblia, também vendo o Antigo, também vendo o Novo Testamento. Depois a gente trabalhou um livro, o livro de Oséias, foi uma série curta de quatro sábados e a gente trabalhou como esse livro foi construído, como a mensagem dele foi passada, etc, etc. Então, a gente teve um texto, a gente teve um conceito, a gente teve um livro e agora a gente vai ter uma palavra, a gente vai fazer uma série sobre uma palavra. E a palavra é a palavra amor. O verbo em hebraico amar é o verbo a substantivo hebraico é a o verbo aparece mais ou menos 150 vezes e o substantivo a ravá aparece mais ou menos 50 vezes. Então a gente tem uma gama interessante de textos aí envolvendo a palavra, né, o amor ou verbo amar. E a gente traçando uma tentativa de traçar uma etimologia dessa palavra, a etimologia é incerta. Alguns vão dizer que deriva de uma raiz arábica que significaria algo como eh estar eh emocionado, sentir um um excitamento, alguma coisa assim. E outros vão dizer que vem de um o respirar pesado também. E outros vão dizer que vem de outra raiz arábica que significa pele ou couro, né? Então, essas são duas possibilidades. Nenhuma delas é 100% eh fechada. Há bastante debate, porque etimologia de ARAV, né, da raiz a raivo derivado da raiz é incerta, tá? Ela aparece em diversos contextos com paralelos, com palavras em paralelo. E muitas vezes a gente tem uma um vislumbre de uma palavra. A gente tem um vislumbre de entender essa palavra vendo os paralelos, né? Como é que ela aparece, com que outras palavras ela aparece junta, qual o campo semântico dessa palavra. E a gente esperaria que a palavra que a RAV, que a Ravai estivesse, por exemplo, em paralelo com uma outra palavra que às vezes é traduzida como amor também, que é a palavra racha, que significa ter compaixão, sentir compaixão, um amor compassivo, alguma coisa nesse sentido. Só que a Ravá, a Rav nunca aparecem em paralelo com Raham, por exemplo, que é extremamente curioso. A rava aparece algumas vezes relacionada a uma outra palavra que às vezes também é traduzida com amor, que é a palavra, que significa graça, misericórdia em alguns textos. Mas amor vai aparecer em paralelo com outras palavras, como unir, unir-se, como ah honrar, como ter afeição, por vai aparecer em paralelo com essas palavras. Mas quando a gente vê o escopo total eh da aparição de a ravá, da palavra amor, do verbo amar, vê que o contexto geralmente envolve a ideia de um relacionamento, de um relacionamento ah e conectado, de uma coisa intensa que é vivida, uma uma um sentimento ou uma tentativa de viver uma conexão com alguém ou com alguma coisa, né? Então essa basicamente seria a ideia geral de Aravá dentro da Bíblia hebraica. A primeira vez que a palavra vai aparecer na Bíblia, que o que a raiz vai aparecer na Bíblia, que a ideia de amor então vai aparecer na Bíblia, é num contexto curioso que é Gênesis capítulo 22. Então, no início dos primeiros capítulos de Gênesis, ah, amar, amor não aparece, mas vai aparecer pela primeira vez no contexto de Gênesis 22. que é justamente o contexto de Abraão levando Isaque para ser sacrificado, né? E o texto diz que Deus aparece para Abraão e diz: "Abraão, pega teu filho, teu único filho, aquele que você ama e leva para ser sacrificado." Então, é Deus que nomeia aquilo que Abraão sente pelo filho, né? amor. E aí o texto continua e é interessante porque Abraão sobre a montanha, sobe a montanha e ao subir a montanha, então quando ele vai oferecer Isaque em sacrifício, o anjo do Senhor aparece, segura a mão dele, diz: "Você não precisa sacrificar teu filho, teu único filho, porque agora eu sei que você teme a mim, que você me obedeceu, você obedeceu aquilo que eu mandei." Então, a primeira vez que amor aparece, aparece nesse contexto de obediência. E ao longo do livro de Gênesis, a palavra amor vai aparecer relacionado à família. Geralmente ali em Gênesis vai aparecer relacionado a família. Então é o pai que ama o filho. Depois a gente vai ter um amor entre o homem e a mulher, porque Isaque se casa com Rebeca e diz o texto que ela o consola e ele a ama, né? Ele a ama. E é um contexto meio meio bizarro, né? O galera freudiana gosta desse texto, porque Isaque, ao se casar com Rebeca e ser consolado por ela, ele passa a noite núpsies e a lua de mel na tenda da mãe que tinha morrido, né? Negócio um pouquinho estranho ali, né, pra nossa cultura. Mas é bem, tem umas explicações aí importantes. Depois vai aparecer num outro contexto familiar que é dizendo que Isaque amava Esaú e Rebeca amava Jacó. Então vai ter todo um contexto ali, esse amor de Isaque por Esaú, eh, e o amor de Rebeca por Jacó, vai dar problema. Depois aparece na história de Jacó, dizendo que Jacó amava Raquel, mas desprezava Lia. E aí quando você vai juntando essas histórias de amor no livro de Gênesis, você vai percebendo que a ideia de amor é um pouco anticlimática, que a ideia de amor é um pouquinho meio pesada. O amor é um amor que leva o filho para morrer, que, né, consola da morte da mãe, um pai que ama mais um filho e a outro que ama outro dá problema lá, os irmãos brigam e depois Jacó com as esposas também causa um problema. Então, o amor em Gênesis é um amor incompleto, é um amor imperfeito, é um amor familiar complexo. E essa complexidade da ideia de amor que aparece, né, da do uso da palavra amor que aparece em Gênesis, ela vai aparecer no restante da Bíblia também, vai ter essa essa carga de uma carga anticlimática da ideia de amor, da do uso da palavra amor, amar, eh, ao longo da Bíblia hebraica. Então essa série que é sobre amor, não espere que é um amor estilo dia dos namorados, né? Você comendo fundi, né? Que tá friozinho com a sua querida, rindo, sorrindo e tirando fotos e tal. Não, a ideia de amor, de amar na Bíblia, é meio meio meio anticlimática, meio meio complexa. E aí amor vai aparecer pro relacionamento, obviamente familiar, mas vai aparecer também pro relacionamento ah entre senhor e servo, entre o povo e o rei, vai aparecer eh professor e aluno, vai aparecer amar o estrangeiro, amar as pessoas de longe, as pessoas que não que não fazem parte, que são estranhas. vai aparecer também o amor entre sogra e nora, que é uma raridade até o dia de hoje, né? E vai aparecer amor entre irmãos também numa história extremamente bizarra que, enfim, ah, depois você pode ler, são os filhos de Davi. Eh, o irmão ama a irmã e dá uma treta danada. Enfim, eh, e o amor também vai aparecer em contextos sexuais, né? Mas se esperaria que aparecesse mais, não aparece tanto assim. Então, o amor tem toda essa amplitude, o uso da palavra, a palavra tem toda essa amplitude, essa essa dinâmica que não dá para você encachotar em uma coisa só, em uma ideia só. Agora, uma das especificidades do uso de amor e amar tem a ver com a ideia de ação, né? O amor, ele vai aparecer, a ideia de amar, né? O verbo amar vai aparecer com geralmente relacionado com uma ação, com alguma coisa que é feita. Então, por exemplo, em Gênesis 22, o Pai ama o Filho, por isso o pai obedece a Deus. Lá em Provérbios, por exemplo, acho que capítulo 12, vai aparecer que aquele que ama a disciplina, ele busca o conhecimento. Então, amar a disciplina é buscar o conhecimento. E também aparece em em contextos negativos, por exemplo, quem ama o suborno julga de maneira eh injusta. Então, se você ama o suborno, você vai julgar injustamente. Então, é interessante como os narradores, autores bíblicos, eles vão construindo esse esse conceito do amor, do amar através desse uso eh eh em situações de ação. Quando você ama a X, você faz X. Quando você ama a Y, você faz Y. O amor, ele é o que te leva a agir, o que te leva a fazer. O amor é essa, é como se fosse eh eh mais do que um conceito, mais do que a ideia, como se ele fosse essa esse impulsionador para ação. Então, eh porque eu amo, eu faço. Porque eu amo, eu ajo. Um amor é aquilo que me empurra a fazer alguma coisa. E se eu amo alguma coisa, eu vou fazer aquela coisa. Entenderam? Mais ou menos? tem essa conexão forte entre a ideia de amar e a ideia de agir. E ao longo da série a gente vai trabalhar várias histórias em que amor aparece e constrói esse esse essa esse conceito, esse edifício eh complexo do que significa amor. E esse amor que leva a agir, ele obviamente aparece também com Deus como sujeito, né? Deus é o sujeito também eh do amor. Ele ama. Ele ama. E porque ele ama, ele é fiel. Porque ele ama, ele faz. Porque ele ama, ele age, né? O amor é o amor de Deus é esse impulsionador das ações divinas. E ele aparece, por exemplo, num contexto em que isso fica mais claro, talvez. Deuteronômio capítulo 7. Se você tem sua Bíblia ou seu aplicativo, você pode abrir em Deuteronômio capítulo 7. A gente pode ler a partir do verso 6 assim: "Porque vocês são um povo santo pro Senhor, seu Deus. O Senhor, seu Deus, os escolheu para que de todos os povos que há sobre a terra, vocês fossem o seu povo próprio. O Senhor os amou e os escolheu, não porque vocês eram mais numerosos do que os outros povos, por, na verdade, vocês eram menor. Verso oito. Mas porque o Senhor os amava e para cumprir o juramento que tinha feito aos pais de vocês, o Senhor os tirou com mão poderosa e os resgatou da casa da servidão, do poder de faraó, do rei do Egito. Portanto, saibam que o Senhor, seu Deus, é Deus. Ele é Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia, até 1000 gerações daqueles que o amam e obedecem os mandamentos. Então, esse Deus que ama é o Deus que faz aliança, é o Deus que cumpre a promessa. Porque ele ama, ele é fiel, porque ele ama, ele cumpre as promessas. Porque ele ama, ele resgata. Porque ele ama, ele livra o povo, ele salva o povo, ele liberta o povo, ele faz os milagres que ele fez para tirar o povo do Egito e assim por diante. O amor é esse impulsionador da ação de Deus, porque Deus ama, ele faz. E aí, nesse contexto, porque Deus ama, Deus faz, capítulo 7 continua e diz assim, ah, a partir do verso 12. Portanto, se vocês derem ouvidos a estes juízos e os guardarem cumprirem, o Senhor, seu Deus, guardará a aliança e a misericórdia prometida sob. Ele os amará, os abençoará e fará com que vocês se multipliquem. também abençoará os filhos de vocês, o fruto da terra, o cereal, o vinho, azeite, a cria das vacas, das ovelhas, etc e tal. Verso 14: "Vocês serão mais abençoados que todos os povos. Não haverá entre vocês nem um homem infértil, nem uma mulher infértil, nem os animais de vocês vão ser estéreis, férteis e assim por diante." E aqui tem essa continuação interessante, né? Porque Deus ama, porque Deus faz, porque Deus fez. Então ele espera que a gente ame e que a gente faça. E aí é interessante a construção aqui em Deuteronômio 7, porque ele diz assim: "Se vocês fizerem, se vocês obedecerem, então eu vou amar vocês ainda mais, ainda mais. Se vocês fizerem isso daqui, eu vou amar vocês ainda mais. Então, sem vocês terem feito nada, eu já amei vocês. Eu já fiz isso, já fiz aquilo, já fiz aquele outro, etc e tal, tal, tal". Mas se vocês fizerem, eu vou amar vocês ainda mais. né? Esse amor conectado a ações. Então, Deus ama, Deus faz. E porque ele ama e ele faz, ele espera que você faça também. E se você fizer, ele vai te amar ainda mais. E voltando um capítulo aqui, no capítulo 6 de Deuteronômio, no famoso texto chamado Chemar Israel, né, do verso 4 até o 9, ele diz assim: "Escute, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Portanto, portanto, ame o Senhor seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, com toda a sua força. Essas palavras que hoje lhe ordeno estarão no seu coração. Você as ensinarás a seus filhos. dela falarás assentado em tua casa e andando pelo caminho ao deitar-se ao levantar-te ao levantar-se. Também deve amarrá-las como sinal na sua mão e elas lhe serão por por frontal entre os teus olhos e vocês escreverás nos obrais de suas casas nas suas portas. Então, porque Deus ama e faz, ele espera que você ame e faça também. Então, o amor de Deus, esse amor que é manifestado nas ações dele, na fidelidade dele, deve desaguar no meu amor por ele, em resposta a ele, que tem a ver com as minhas ações também. Isso tá presente na Bíblia toda, tá? Por exemplo, naquele famoso texto de Primeira João, capítulo 4, que diz: "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro." Então, ele ama, ele faz. E porque ele ama, ele faz. que ele espera que eu ame e faça também. E é coerente. É uma ideia coerente. É uma ideia que faz sentido. Não é? Não faz sentido. Ele me ama, ele faz, ele fez, ele faz. E ele espera que eu o ame de volta e eu faça também nesse relacionamento de aliança, nesse relacionamento de compromisso. O amor é esse compromisso, ele faz, ele me ama. Por isso ele faz e ele espera que eu ame e faça de volta e faz todo sentido. É coerente. E é assim que a gente constrói os nossos relacionamentos de amor também, não é verdade? A gente ama e a gente faz. E porque a gente ama e a gente faz, a gente espera que o outro ame e faça também, não é verdade? Então, você ama a sua, a pessoa com quem você tá junto, você ama a pessoa com quem você se relaciona e você faz coisas por ela. Então, você dá um presente bonito, você leva para jantar, leva no cinema, você trata bem, você é carinhoso, você fala coisas bonitas, você gasta tempo com aquela pessoa e tal, né? Você aprioriza em relação a todo o resto. Você escolhe, se esse for compromisso, você escolhe amar somente a ela e não a mais ninguém. Ou seja, vai ser um relacionamento só entre vocês dois, um relacionamento sexual e tudo. Então, há essa construção, o que que você espera de volta? O mesmo nível de comprometimento, não é verdade? Você não espera o mesmo nível de comprometimento da outra pessoa, você espera que ela te trate como você a trata, não é verdade? Porque essa é a construção do amor. Então você espera o que você dá de amor nas suas ações amorosas, você espera também receber. E aí, obviamente que essa essa ilustração não é a melhor ilustração, mas eu acho que assim vocês vão entender. É que nem aquele negócio de troca de presente de final de ano, né? pessoal faz, tá presente, aí você vai e compra, pô, um perfume caríssimo, uma roupa caríssima, aí você vai embrulha e tal, gasta, sei lá, paga em 10 vezes, né? Você vai passar o ano todo pagando aquele presente que você deu em prestações suaves, né, e tal, e aí você entrega todo feliz e tal, e aí você ganha da pessoa uma meia, uma meia simples, né? Não tem fio de ouro, nada. Uma meia. Meia. Aí, como é que você se sente quando isso acontece? Você se sente injustiçado. Você fala assim: "Pô, mas olha o que eu tô dando nessa relação. Olha o que eu tô investindo nessa relação. Olha as minhas ações de amor nessa relação e olha o que eu tô recebendo. Porque quando eu dou, eu espero automaticamente receber no mesmo nível e na mesma medida. Não é isso? Não é verdade? Não é assim. Então, se eu sou fiel, o que que eu espero? fidelidade. Se eu sou atencioso, o que eu espero? Atenção. Se eu sirvo, eu espero também ser servido. Não é a lógica, não é a coerência. Porque se eu tô num relacionamento de amor, como eu amo, eu também quero ser amado. E a pergunta simples que eu te faço hoje não é apelo, não, tá? É só pergunta mesmo paraa sua reflexão. Pergunta símbolo que te faz. Isso acontece. A maior parte de nós, se a gente for fazer uma uma um percentual, a maior parte das nossas frustrações, nos nossos relacionamentos afetivos tem a ver com exatamente isso. A gente não sente que a gente recebe aquilo que a gente entrega, aquilo que a gente dá. a gente não sente e a gente se frustra porque a gente espera na mesma medida que a gente dá. O que eu dou, eu espero na mesma medida receber. E a maior parte das nossas frustrações, do nossos relacionamentos afetivos tem a ver com isso. E talvez o relacionamento em que isso fique mais claro é o relacionamento entre pai e filho. Porque você entrega, quem é pai sabe exatamente o que eu tô falando. Quem é pai e mãe, né? quem vive essa relação de parental, você entrega tudo, tudo. As mães entregam inclusive o próprio corpo na gestação, amamentação, etc. Nesse relacionamento. E geralmente o que você recebe, geralmente o que você recebe nunca vai ser compatível com aquilo que você entregou no relacionamento parental e faz parte. Mas muitos pais são frustrados. Olha o que eu fiz pelo meu filho. Olha o que ele faz por mim. Nada. Ingrato. Ingrato. Mas isso acontece entre amigos, isso acontece entre pais e filhos, isso acontece entre eh eh cônjuges. Isso acontece em todas as dimensões da nossa vida. A gente não recebe aquilo que a gente dá. Agora vamos elaborar isso. Se esse amor que a gente dá não é o amor que a gente recebe, se existem se existem nossos relacionamentos afetivos e amorosos uma incompatibilidade entre os amores, como é que você acha que essa relação da gente com Deus? Qual é o amor que ele dá? E qual é o amor que ele recebe de volta? Tão entendendo? Se entre a gente existe uma frustração de que o amor que a gente dá não é o amor que a gente recebe, há uma incompatibilidade, há uma inconstância, há uma imperfeição, obviamente no amor que eu recebo, porque o amor que eu dou é perfeito, não é verdade? Como é essa a nossa relação com Deus? Será que Deus recebe na mesma medida que ele dá? Que que vocês acham? É óbvio que não. Então, aquilo que Deus entrega o amor que ele dá, e ele obviamente sendo Deus, ele já sabe que o amor que ele vai receber não é compatível com aquilo que ele entrega. Isso gera um problema. Qual o problema? Ele tá dizendo assim: "Como eu amo vocês, eu espero que vocês me amem de volta, mas já sabendo que aquilo que ele entrega não vai ser aquilo que ele vai receber". E foi exatamente isso que a gente estudou na série de Oséas. Aquilo que Oséas entrega para Gomer, fidelidade, constância, amor, não é aquilo que ele recebe, porque o que ele recebe é infidelidade, inconstância, não amor. Então, nesse nosso relacionamento com Deus, há uma frustração da parte de quem? de Deus, que não recebe o amor que ele entrega e que ele merecia receber de volta. Mas ao mesmo tempo tem uma lição, porque o nosso amor é um amor instável, incompleto e imperfeito. E como remediar isso? Como resolver isso? E aí um outro profeta inspirado pelas palavras de Oséias trabalha essa questão de um jeito muito interessante. Jeremias, ele faz duas profecias. Ele faz uma profecia no capítulo 25, duas profecias específicas, né? Vamos ser mais claro. Jeremias capítulo 25, ele fala que o povo ia pro exílio. Deus diz assim através dele: "Olha, vocês me traíram. Vocês foram atrás de outros deuses. Vocês foram injustos. Vocês estão se maltratando um ao outro. Vocês não estão cumprindo nada daquilo que a gente prometeu no nosso compromisso amoroso. Nada. Então vou mandar vocês pro exílio. No capítulo 29, Jeremias repete essa essa profecia. Ó, vocês vão para exílio, vocês vão ficar 70 anos no exílio. 70 anos no exílio na Babilônia. E aí ele começa a trabalhar uma linguagem muito interessante. Se você tem sua Bíblia aí, abre em Jeremias capítulo 30. Ele começa dizendo assim: Vamos ler o verso 12. Porque assim diz o Senhor, a sua ferida é incurável. O seu ferimento é grave. Não há quem defenda a sua causa, não há remédio, nem cura paraa sua ferida. Então, o que você fez não tem como remediar, não tem como resolver. O que você fez quebrou a nossa relação. É uma doença incurável. Não tem. Já era. Verso 14. Todos os seus amantes se esqueceram de você. Ou seja, você me largou, foi atrás de outros, mas todos já esqueceram de você. Ninguém pergunta de você, ninguém quer saber de você, porque eu feri você como se você fosse o inimigo. O castigo foi cruel por causa da grandeza da sua maldade. Você me machucou tanto, você me feriu tanto que eu fiz isso com você. Eu tinha, você foi atrás dos outros, eu deixei. Falei: "Ah, vai lá, então tá bom. E agora você tá sofrendo aí e a sua ferida não tem cura." E aí, como a gente já viu, Deus fala, né? Fala, fala bravo, fala duro e aí de repente Deus muda. Aí ele diz assim, verso capítulo 31, vamos ler a partir do verso um. Naquele tempo, diz o Senhor, serei o Deus de todas as tribos de Israel e elas serão o meu povo. Assim diz o Senhor, o povo que se livrou da espada, da espada, verso 2, obteve favor no deserto, eu irei dar descanso a Israel. Verso 3. De longe, o Senhor lhe apareceu, dizendo: Com amor eterno eu te amei, por isso com bondade eu te atraí. Eu vou edificar a cidade de novo, e você será edificada, ó Virgem de Israel. Mais uma vez você se enfeitará com seus tamborins e sairá com o couro dos que dançam. Mais uma vez você plantará vinhas nos montes de Samaria, e aqueles que plantarem comerão os frutos. Porque verá o dia em que os atalaias gritarão na região montanhosa de Efraim: "Levantem-se e subamos ao Senhor em Sião". Então, aquela que teve amantes, agora é chamada por Deus de virgem. Verso 9 diz assim: "Virão com choro e com súplicas, os levarei e os guiarei aos ribeiros de águas por um caminho reto em que não tropeçarão, porque eu sou pai para Israel. Efraim é meu primogênito." Escutem a palavra do Senhor a nações. Anunciem isso nas terras distantes do mar. Digam: "Aquele que espalhou Israel congregará e o guardará, como um pastor faz com seus rebanhos". Verso 13. Então a virgem se alegrará na dança juntamente com os jovens, os velhos. Transformarei o seu pranto em júbilos e alegria, e eu os consolarei. Eu lhes darei alegria em vez de tristeza. Saciarei a fome dos sacerdotes comida saborosa, e o meu povo se fartará com a minha bondagem. Verso 20. Não é Efraim, o meu filho querido, o filho das minhas delícias, pois sempre falo contra ele e ao mesmo tempo me lembro dele com ternura. E aquele continua: "Meu coração se comoove por ele e dele certamente me compadecerei." Olha que linguagem que Jeremias tá colocando aqui. De uma certa maneira ele tá encapsulando tudo aquilo que a gente trabalhou desde janeiro, série do bom pastor, da graça de Oséias, os mesmos temas. Olha como é que ele tá construindo essa ideia do amor. Então aqui, se a gente fosse fazer uma ilustração, é esse esse ser que entrega tudo, que ama, que faz, que age sem medida por amor e recebe em troca nada. Um amor tóxico, né? Tóxico. Recebe esse amor tóxico de volta. Um amor que eu inveja fidelidade, entrega infidelidade. Que eu inveja de ações, entrega desações, né? Que ao invés de justiça, entrega injustiça. Tudo errado, inconstante, imperfeito, incompleto. É isso que Deus recebe de volta. E aí ele fica bravo. Eu vou fazer isso, vou fazer aquilo, eu vou destruir vocês, eu vou fazer pá. sai falando porque ele tem direito. Ele tem direito, ele tá magoado. Olha o que vocês fizeram comigo. Olha o que eu fiz por vocês e olha o que vocês me fizeram comigo. Vocês quebraram a aliança que a gente tinha, o compromisso que a gente tinha. Vocês me traíram. Quebra. E ao mesmo tempo, quando ele fala, eu vou fazer isso, vou fazer aquilo, de repente fala assim, eu não consigo. Eu amo vocês demais. Você é meu primogênito. Você é a mulher querida da minha vida. Eu amo você mais que tudo. Eu vou te restaurar. Foi isso que a gente viu na série de Osés. É isso que a gente vê em Jeremias. E como é que essa restauração vai acontecer? Capítulo 31 de Jeremias diz: "Eis aí vem dias, diz o Senhor, em que firmarei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não vai ser igual a aliança que eu fiz com os pais no dia que eu os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito, pois eles quebraram a minha aliança, apesar de eu ter sido um esposo fiel, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daquele dia, diz o Senhor, na mente lhes imprimirei as minhas leis e também no seu coração escreverei. Eu serei o seu Deus e eles serão meu povo. Olha que interessante fal, vou fazer uma nova aliança. Não vai ser igual aquela aliança que eu fiz lá com no êxodo. E se vocês lembrarem na aliança do Êxodo, lembra o que que Deus diz pro povo quando eles estão acampados no Sinai? Em Êxodo capítulo 19:20? Ele diz: "Vocês são o meu povo, eu sou o Deus de vocês". Essa linguagem da aliança que é feita em Êxodo. E aqui ele diz assim: "Eu não vou fazer aliança igual, vou fazer uma nova aliança. Que aliança é essa? Eu vou ser o Deus deles. Eles vão ser o meu povo." Ele fala as mesmas palavras. Sabe por que a aliança não é igual? Porque a gente não é igual. Porque a gente quebrou a aliança, a gente rompeu a aliança. O nosso amor é incompleto, imperfeito, é instável, inconstante. Mas o amor de Deus é o contrário. Ele é perfeito, estável, constante. E apesar da mágoa, ele perdoa, ele restaura. E essa é a diferença. E é aqui que a gente precisa entender esses dois pilares do amor. Existe esse amor que é o amor perfeito, que é o amor completo, que é o amor constante, que é o amor fiel, que apesar do que a gente faz e é, ele tá lá amando, amando, amando, amando, fazendo, fazendo, fazendo. Mas a gente também precisa entender que o nosso amor é inconstante, é instável, é imperfeito. E à medida que a gente tenta buscar esse amor que é completo, que é perfeito, que é estável, porque é o amor que a gente tem que buscar, a gente precisa entender que a gente não vai chegar lá, que a gente vai est aqui e que a gente tem que lidar com isso. E ao lidar com isso, a gente precisa de lembrar de duas coisas. E a gente vai trabalhar ao longo da série isso. A gente precisa lembrar de uma coisa, de duas coisas, desculpa, que não é só o amor que a gente recebe dos outros, que é instável, incompleto e imperfeito. A gente precisa lembrar que o amor que a gente entrega também é instável, é incompleto e é imperfeito. Esses dois pilares constróem a ideia de amor dentro da Bíblia hebraica. Há um amor que a gente busca, porque o amor que a gente recebe, que é esse perfeito, pleno, incompleto, estável, que é o amor de Deus, que tá sempre disposto a relevar aquilo que a gente fez por amor, que tá sempre disposto a entregar muito mais do que recebe. Mas há o nosso amor que é incompleto, imperfeito, instável, inconstante. Mas não é só o amor que eu recebo, que é assim, é o que eu dou, que é assim também. como pai, como homem, como amigo, como qualquer coisa, eu preciso reconhecer que esse meu amor não é perfeito, é imperfeito, é incompleto, é instável. E por isso as pessoas que estão ao meu redor, sendo como eu sou, também me darão um amor que é incompleto, imperfeito, instável e inconstante. E assim, quem sabe nesse processo de aceitarmos quem a gente é, mesmo que em busca de um ideal, a gente consiga viver o amor de uma maneira um pouquinho mais saudável nas nossas vidas. Eterno nosso pai e nosso rei, muito obrigado por esse amor perfeito, completo, constante, que o Senhor derrama sobre nós, que o Senhor derramou através de Jesus Cristo, restaurando tudo, fazendo uma nova aliança. Esse amor que tudo entrega. Muito obrigado por esse amor que tudo entrega e Senhor, ao mesmo tempo, nos perdoa por vivermos essa realidade de um amor incompleto, instável, inconstante, que não consegue devolver na mesma medida. Ao mesmo tempo, Senhor, nos ajude a entendermos que essa experiência que a gente tem hoje, aqui e agora, entre nós e contigo, é essa experiência desse amor incompleto, inconstante, imperfeito, que uma hora quer uma coisa, outra hora quer outra, que muda, que tem dificuldades, que não consegue muitas vezes manter a palavra. nos ajude, Senhor, a entendermos essa realidade e buscarmos esse ideal constantemente. É o que nós te pedimos em nome de Cristo. Amém, senhor