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A fé vem pelo ouvir

Sermão: Do seu lado até o fim

Sermão: Do seu lado até o fim

Sermão: Do seu lado até o fim

Primeiro sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Marcelo Rezende na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

eterno nosso pai, nosso rei.
Muito obrigado, senhor, por Jesus
Cristo,
teu filho.
Muito obrigado pelo amor, pela graça,
pela misericórdia que através dele todos
nós recebemos.
Agora que mais uma vez vamos estudar a
tua palavra, que teu espírito mais uma
vez fale ao nosso coração, a nossa
mente. É o que nós te imploramos em nome
de Jesus. Amém, Senhor. Amém. Olá,
[Música]
seja bem-vindo aqui
ao Teatro All no Shopping Patópolis.
E você que tá em casa, no trabalho, no
carro, no ônibus, no metrô também, seja
bem-vindo. Obrigado por terem escolhido
para assar esses momentos com a gente
aqui.
Hoje nós estamos começando uma nova
série e ela tem uma uma temática
curiosa.
A gente tem uma construção
desde o início do ano, tem uma lógica
que vai sendo seguida. E essa série, ela
de uma certa maneira encerra essa
sequência, né? Então a gente começou
trabalhando um texto,
um texto e as repercussões desse texto
na Bíblia inteira, que foi o texto do
Bom Pastor, do Salmo 23. Então, a gente
trabalhou o Salmo 23, todas as
repercussões que esse salmo tem teve,
né, no Antigo Testamento, no Novo
Testamento. Depois a gente trabalhou uma
série longa sobre a graça, um conceito,
uma ideia e como essa esse conceito,
essa ideia se desenvolve ao longo de
toda a Bíblia, também vendo o Antigo,
também vendo o Novo Testamento. Depois a
gente trabalhou um livro, o livro de
Oséias, foi uma série curta de quatro
sábados e a gente trabalhou como esse
livro foi construído, como a mensagem
dele foi passada, etc, etc. Então, a
gente teve um texto, a gente teve um
conceito, a gente teve um livro e agora
a gente vai ter uma palavra, a gente vai
fazer uma série sobre uma palavra. E a
palavra é a palavra amor.
O verbo em hebraico amar é o verbo a
substantivo hebraico é a
o verbo aparece mais ou menos 150 vezes
e o substantivo a ravá aparece mais ou
menos 50 vezes. Então a gente tem uma
gama interessante de textos aí
envolvendo a palavra, né, o amor ou
verbo amar.
E a gente
traçando uma tentativa de traçar uma
etimologia dessa palavra, a etimologia é
incerta. Alguns vão dizer que deriva de
uma raiz arábica que significaria algo
como eh estar eh emocionado, sentir um
um excitamento, alguma coisa assim. E
outros vão dizer que vem de um o
respirar pesado também. E outros vão
dizer que vem de outra raiz arábica que
significa pele ou couro, né? Então,
essas são duas possibilidades. Nenhuma
delas é 100% eh fechada. Há bastante
debate, porque etimologia de ARAV, né,
da raiz a raivo derivado da raiz é
incerta, tá? Ela aparece em diversos
contextos com paralelos, com palavras em
paralelo. E muitas vezes a gente tem uma
um vislumbre de uma palavra. A gente tem
um vislumbre de entender essa palavra
vendo os paralelos, né? Como é que ela
aparece, com que outras palavras ela
aparece junta, qual o campo semântico
dessa palavra. E a gente esperaria que a
palavra que a RAV, que a Ravai
estivesse, por exemplo, em paralelo com
uma outra palavra que às vezes é
traduzida como amor também, que é a
palavra racha, que significa ter
compaixão, sentir compaixão, um amor
compassivo, alguma coisa nesse sentido.
Só que a Ravá, a Rav nunca aparecem em
paralelo com Raham, por exemplo, que é
extremamente curioso.
A rava aparece algumas vezes relacionada
a uma outra palavra que às vezes também
é traduzida com amor, que é a palavra,
que significa graça, misericórdia em
alguns textos. Mas amor vai aparecer em
paralelo com outras palavras, como unir,
unir-se, como ah honrar, como ter
afeição, por vai aparecer em paralelo
com essas palavras. Mas quando a gente
vê o escopo total eh da aparição de a
ravá, da palavra amor, do verbo amar, vê
que o contexto geralmente envolve a
ideia de um relacionamento, de um
relacionamento ah e conectado, de uma
coisa intensa que é vivida, uma uma um
sentimento ou uma tentativa de viver uma
conexão com alguém ou com alguma coisa,
né? Então essa basicamente seria a ideia
geral de Aravá dentro da Bíblia
hebraica.
A primeira vez que a palavra vai
aparecer na Bíblia, que o que a raiz vai
aparecer na Bíblia, que a ideia de amor
então vai aparecer na Bíblia, é num
contexto curioso que é Gênesis capítulo
22. Então, no início dos primeiros
capítulos de Gênesis, ah, amar, amor não
aparece, mas vai aparecer pela primeira
vez no contexto de Gênesis 22. que é
justamente o contexto de Abraão levando
Isaque para ser sacrificado, né? E o
texto diz que Deus aparece para Abraão e
diz: "Abraão, pega teu filho, teu único
filho, aquele que você ama
e leva para ser sacrificado." Então, é
Deus que nomeia aquilo que Abraão sente
pelo filho, né? amor. E aí o texto
continua e é interessante porque Abraão
sobre a montanha, sobe a montanha e ao
subir a montanha, então quando ele vai
oferecer Isaque em sacrifício, o anjo do
Senhor aparece, segura a mão dele, diz:
"Você não precisa sacrificar teu filho,
teu único filho, porque agora eu sei que
você teme a mim, que você me obedeceu,
você obedeceu aquilo que eu mandei."
Então, a primeira vez que amor aparece,
aparece nesse contexto de obediência. E
ao longo do livro de Gênesis, a palavra
amor vai aparecer relacionado à família.
Geralmente ali em Gênesis vai aparecer
relacionado a família. Então é o pai que
ama o filho. Depois a gente vai ter um
amor entre o homem e a mulher, porque
Isaque se casa com Rebeca e diz o texto
que ela o consola e ele a ama, né? Ele a
ama. E é um contexto meio meio bizarro,
né? O galera freudiana gosta desse
texto, porque Isaque, ao se casar com
Rebeca e ser consolado por ela, ele
passa a noite núpsies e a lua de mel na
tenda da mãe que tinha morrido, né?
Negócio um pouquinho estranho ali, né,
pra nossa cultura. Mas é bem, tem umas
explicações aí importantes. Depois vai
aparecer num outro contexto familiar que
é dizendo que Isaque amava Esaú e Rebeca
amava Jacó.
Então vai ter todo um contexto ali, esse
amor de Isaque por Esaú, eh, e o amor de
Rebeca por Jacó, vai dar problema.
Depois aparece na história de Jacó,
dizendo que Jacó amava Raquel, mas
desprezava Lia. E aí quando você vai
juntando essas histórias de amor no
livro de Gênesis, você vai percebendo
que a ideia de amor é um pouco
anticlimática, que a ideia de amor é um
pouquinho meio pesada. O amor é um amor
que leva o filho para morrer, que, né,
consola da morte da mãe, um pai que ama
mais um filho e a outro que ama outro dá
problema lá, os irmãos brigam e depois
Jacó com as esposas também causa um
problema. Então, o amor em Gênesis é um
amor incompleto, é um amor imperfeito, é
um amor familiar complexo.
E essa complexidade da ideia de amor que
aparece, né, da do uso da palavra amor
que aparece em Gênesis, ela vai aparecer
no restante da Bíblia também, vai ter
essa essa carga de uma carga
anticlimática da ideia de amor, da do
uso da palavra amor, amar, eh, ao longo
da Bíblia hebraica. Então essa série que
é sobre amor, não espere que é um amor
estilo dia dos namorados, né? Você
comendo fundi, né? Que tá friozinho com
a sua querida, rindo, sorrindo e tirando
fotos e tal. Não, a ideia de amor, de
amar na Bíblia, é meio meio meio
anticlimática, meio meio complexa. E aí
amor vai aparecer pro relacionamento,
obviamente familiar, mas vai aparecer
também pro relacionamento ah entre
senhor e servo, entre o povo e o rei,
vai aparecer eh professor e aluno, vai
aparecer amar o estrangeiro, amar as
pessoas de longe, as pessoas que não que
não fazem parte, que são estranhas. vai
aparecer também o amor entre sogra e
nora,
que é uma raridade até o dia de hoje,
né? E vai aparecer amor entre irmãos
também numa história extremamente
bizarra que, enfim, ah, depois você pode
ler, são os filhos de Davi. Eh, o irmão
ama a irmã e dá uma treta danada. Enfim,
eh, e o amor também vai aparecer em
contextos sexuais, né? Mas se esperaria
que aparecesse mais, não aparece tanto
assim. Então, o amor tem toda essa
amplitude, o uso da palavra, a palavra
tem toda essa amplitude, essa essa
dinâmica que não dá para você encachotar
em uma coisa só, em uma ideia só. Agora,
uma das especificidades do uso de amor e
amar tem a ver com a ideia de ação,
né? O amor, ele vai aparecer, a ideia de
amar, né? O verbo amar vai aparecer com
geralmente relacionado com uma ação, com
alguma coisa que é feita. Então, por
exemplo, em Gênesis 22, o Pai ama o
Filho, por isso o pai obedece a Deus. Lá
em Provérbios, por exemplo, acho que
capítulo 12, vai aparecer que aquele que
ama a disciplina, ele busca o
conhecimento. Então, amar a disciplina é
buscar o conhecimento. E também aparece
em em contextos negativos, por exemplo,
quem ama o suborno
julga de maneira eh injusta. Então, se
você ama o suborno, você vai julgar
injustamente. Então, é interessante como
os narradores, autores bíblicos, eles
vão construindo esse esse conceito do
amor, do amar através desse uso eh eh em
situações de ação. Quando você ama a X,
você faz X. Quando você ama a Y, você
faz Y. O amor, ele é o que te leva a
agir, o que te leva a fazer.
O amor é essa, é como se fosse eh eh
mais do que um conceito, mais do que a
ideia, como se ele fosse essa esse
impulsionador para ação.
Então, eh porque eu amo, eu faço. Porque
eu amo, eu ajo. Um amor é aquilo que me
empurra a fazer alguma coisa. E se eu
amo alguma coisa, eu vou fazer aquela
coisa. Entenderam? Mais ou menos? tem
essa conexão forte entre a ideia de amar
e a ideia de agir. E ao longo da série a
gente vai trabalhar várias histórias em
que amor aparece e constrói esse esse
essa esse conceito, esse edifício eh
complexo do que significa amor. E esse
amor que leva a agir, ele obviamente
aparece também com Deus como sujeito,
né? Deus é o sujeito também eh do amor.
Ele ama. Ele ama. E porque ele ama, ele
é fiel. Porque ele ama, ele faz. Porque
ele ama, ele age, né? O amor é o amor de
Deus é esse impulsionador das ações
divinas. E ele aparece, por exemplo, num
contexto
em que isso fica mais claro, talvez.
Deuteronômio capítulo 7. Se você tem sua
Bíblia ou seu aplicativo, você pode
abrir em Deuteronômio capítulo 7. A
gente pode ler a partir do verso 6
assim: "Porque vocês são um povo santo
pro Senhor, seu Deus. O Senhor, seu
Deus, os escolheu para que de todos os
povos que há sobre a terra, vocês fossem
o seu povo próprio. O Senhor os amou e
os escolheu, não porque vocês eram mais
numerosos do que os outros povos, por,
na verdade, vocês eram menor. Verso
oito. Mas porque o Senhor os amava e
para cumprir o juramento que tinha feito
aos pais de vocês, o Senhor os tirou com
mão poderosa e os resgatou da casa da
servidão, do poder de faraó, do rei do
Egito. Portanto, saibam que o Senhor,
seu Deus, é Deus. Ele é Deus fiel, que
guarda a aliança e a misericórdia, até
1000 gerações daqueles que o amam e
obedecem os mandamentos. Então, esse
Deus que ama é o Deus que faz aliança, é
o Deus que cumpre a promessa. Porque ele
ama, ele é fiel, porque ele ama, ele
cumpre as promessas. Porque ele ama, ele
resgata. Porque ele ama, ele livra o
povo, ele salva o povo, ele liberta o
povo, ele faz os milagres que ele fez
para tirar o povo do Egito e assim por
diante. O amor é esse impulsionador da
ação de Deus, porque Deus ama, ele faz.
E aí, nesse contexto, porque Deus ama,
Deus faz, capítulo 7 continua e diz
assim,
ah, a partir do verso 12.
Portanto, se vocês derem ouvidos a estes
juízos e os guardarem cumprirem, o
Senhor, seu Deus, guardará a aliança e a
misericórdia prometida sob.
Ele os amará, os abençoará e fará com
que vocês se multipliquem. também
abençoará os filhos de vocês, o fruto da
terra, o cereal, o vinho, azeite, a cria
das vacas, das ovelhas, etc e tal. Verso
14: "Vocês serão mais abençoados que
todos os povos. Não haverá entre vocês
nem um homem infértil, nem uma mulher
infértil, nem os animais de vocês vão
ser estéreis, férteis e assim por
diante." E aqui tem essa continuação
interessante, né? Porque Deus ama,
porque Deus faz, porque Deus fez. Então
ele espera que a gente ame e que a gente
faça. E aí é interessante a construção
aqui em Deuteronômio 7, porque ele diz
assim: "Se vocês fizerem,
se vocês obedecerem, então eu vou amar
vocês ainda mais,
ainda mais. Se vocês fizerem isso daqui,
eu vou amar vocês ainda mais. Então, sem
vocês terem feito nada, eu já amei
vocês. Eu já fiz isso, já fiz aquilo, já
fiz aquele outro, etc e tal, tal, tal".
Mas se vocês fizerem, eu vou amar vocês
ainda mais.
né?
Esse amor conectado a ações.
Então, Deus ama, Deus faz. E porque ele
ama e ele faz, ele espera que você faça
também. E se você fizer, ele vai te amar
ainda mais.
E voltando um capítulo aqui, no capítulo
6 de Deuteronômio,
no famoso texto chamado Chemar Israel,
né, do verso 4 até o 9, ele diz assim:
"Escute, Israel, o Senhor nosso Deus é o
único Senhor. Portanto, portanto, ame o
Senhor seu Deus de todo o seu coração,
de toda a sua alma, com toda a sua
força. Essas palavras que hoje lhe
ordeno estarão no seu coração. Você as
ensinarás a seus filhos. dela falarás
assentado em tua casa e andando pelo
caminho ao deitar-se ao levantar-te ao
levantar-se. Também deve amarrá-las como
sinal na sua mão e elas lhe serão por
por frontal entre os teus olhos e vocês
escreverás nos obrais de suas casas nas
suas portas. Então, porque Deus ama e
faz, ele espera que você ame e faça
também.
Então, o amor de Deus,
esse amor que é manifestado nas ações
dele, na fidelidade dele, deve desaguar
no meu amor por ele, em resposta a ele,
que tem a ver com as minhas ações
também.
Isso tá presente na Bíblia toda, tá? Por
exemplo, naquele famoso texto de
Primeira João, capítulo 4, que diz: "Nós
o amamos porque ele nos amou primeiro."
Então, ele ama, ele faz. E porque ele
ama, ele faz. que ele espera que eu ame
e faça também.
E é coerente. É uma ideia coerente. É
uma ideia que faz sentido. Não é? Não
faz sentido.
Ele me ama, ele faz, ele fez, ele faz.
E ele espera que eu
o ame de volta e eu faça também nesse
relacionamento de aliança, nesse
relacionamento de compromisso.
O amor é esse compromisso, ele faz, ele
me ama. Por isso ele faz e ele espera
que eu ame e faça de volta e faz todo
sentido. É coerente.
E é assim que a gente constrói os nossos
relacionamentos de amor também, não é
verdade?
A gente ama e a gente faz. E porque a
gente ama e a gente faz, a gente espera
que o outro ame e faça também, não é
verdade?
Então, você ama a sua, a pessoa com quem
você tá junto, você ama a pessoa com
quem você se relaciona
e você faz coisas por ela. Então, você
dá um presente bonito, você leva para
jantar, leva no cinema, você trata bem,
você é carinhoso, você fala coisas
bonitas,
você gasta tempo com aquela pessoa e
tal, né? Você aprioriza em relação a
todo o resto. Você escolhe, se esse for
compromisso, você escolhe amar somente a
ela e não a mais ninguém. Ou seja, vai
ser um relacionamento só entre vocês
dois, um relacionamento sexual e tudo.
Então, há essa construção, o que que
você espera de volta?
O mesmo nível de comprometimento, não é
verdade? Você não espera o mesmo nível
de comprometimento da outra pessoa,
você espera que ela te trate como você a
trata,
não é verdade? Porque essa é a
construção do amor. Então você espera o
que você dá de amor nas suas ações
amorosas, você espera também
receber.
E aí, obviamente que essa essa
ilustração não é a melhor ilustração,
mas eu acho que assim vocês vão
entender. É que nem aquele negócio de
troca de presente de final de ano, né?
pessoal faz, tá presente, aí você vai e
compra, pô, um perfume caríssimo, uma
roupa caríssima, aí você vai embrulha e
tal, gasta, sei lá, paga em 10 vezes,
né? Você vai passar o ano todo pagando
aquele presente que você deu em
prestações suaves, né, e tal, e aí você
entrega todo feliz e tal, e aí você
ganha da pessoa uma meia,
uma meia
simples, né? Não tem fio de ouro, nada.
Uma meia.
Meia. Aí, como é que você se sente
quando isso acontece? Você se sente
injustiçado. Você fala assim: "Pô, mas
olha o que eu tô dando nessa relação.
Olha o que eu tô investindo nessa
relação. Olha as minhas ações de amor
nessa relação e olha o que eu tô
recebendo. Porque quando eu dou, eu
espero automaticamente receber no mesmo
nível e na mesma medida. Não é isso? Não
é verdade? Não é assim. Então, se eu sou
fiel, o que que eu espero?
fidelidade.
Se eu sou atencioso, o que eu espero?
Atenção. Se eu sirvo, eu espero também
ser servido. Não é a lógica, não é a
coerência. Porque se eu tô num
relacionamento de amor, como eu amo, eu
também quero ser amado.
E a pergunta simples que eu te faço hoje
não é apelo, não, tá? É só pergunta
mesmo paraa sua reflexão. Pergunta
símbolo que te faz. Isso acontece.
A maior parte de nós,
se a gente for fazer uma uma um
percentual,
a maior parte das nossas frustrações,
nos nossos relacionamentos afetivos
tem a ver com exatamente isso.
A gente não sente que a gente recebe
aquilo que a gente
entrega, aquilo que a gente dá.
a gente não sente
e a gente se frustra
porque a gente espera na mesma medida
que a gente
dá. O que eu dou, eu espero na mesma
medida receber.
E a maior parte das nossas frustrações,
do nossos relacionamentos afetivos tem a
ver com isso.
E talvez o relacionamento em que isso
fique mais claro é o relacionamento
entre pai e filho.
Porque você entrega, quem é pai sabe
exatamente o que eu tô falando. Quem é
pai e mãe, né? quem vive essa relação de
parental,
você entrega tudo, tudo.
As mães entregam inclusive o próprio
corpo
na gestação, amamentação, etc. Nesse
relacionamento. E geralmente o que você
recebe, geralmente o que você recebe
nunca vai ser compatível com aquilo que
você entregou no relacionamento parental
e faz parte.
Mas muitos pais são frustrados. Olha o
que eu fiz pelo meu filho. Olha o que
ele faz por mim. Nada. Ingrato. Ingrato.
Mas isso acontece entre amigos, isso
acontece entre pais e filhos, isso
acontece entre eh eh cônjuges.
Isso acontece em todas as dimensões da
nossa vida. A gente não recebe aquilo
que a gente dá. Agora vamos elaborar
isso.
Se esse amor
que a gente dá não é o amor que a gente
recebe, se existem se existem nossos
relacionamentos afetivos e amorosos
uma incompatibilidade entre os amores,
como é que você acha que essa relação da
gente com Deus?
Qual é o amor que ele dá?
E qual é o amor que ele recebe de volta?
Tão entendendo? Se entre a gente existe
uma frustração
de que o amor que a gente dá não é o
amor que a gente recebe,
há uma incompatibilidade, há uma
inconstância,
há uma imperfeição,
obviamente no amor que eu recebo, porque
o amor que eu dou é perfeito, não é
verdade?
Como é essa a nossa relação com Deus?
Será que Deus recebe na mesma medida que
ele dá? Que que vocês acham? É óbvio que
não.
Então, aquilo que Deus entrega o amor
que ele dá,
e ele obviamente sendo Deus, ele já sabe
que o amor que ele vai receber não é
compatível com aquilo que ele entrega.
Isso gera um problema. Qual o problema?
Ele tá dizendo assim: "Como eu amo
vocês,
eu espero que vocês me amem de volta,
mas já sabendo que aquilo que ele
entrega não vai ser aquilo que ele vai
receber".
E foi exatamente isso
que a gente estudou na série de Oséas.
Aquilo que Oséas entrega para Gomer,
fidelidade, constância, amor, não é
aquilo que ele recebe,
porque o que ele recebe é infidelidade,
inconstância,
não amor.
Então, nesse nosso relacionamento com
Deus,
há uma frustração da parte de quem? de
Deus,
que não recebe o amor que ele entrega e
que ele merecia receber de volta.
Mas ao mesmo tempo tem uma lição, porque
o nosso amor é um amor
instável,
incompleto e imperfeito.
E como remediar isso? Como resolver
isso?
E aí um outro profeta inspirado pelas
palavras de Oséias
trabalha essa questão de um jeito muito
interessante.
Jeremias, ele faz duas profecias. Ele
faz uma profecia no capítulo 25, duas
profecias específicas, né? Vamos ser
mais claro. Jeremias capítulo 25, ele
fala que o povo ia pro exílio. Deus diz
assim através dele: "Olha, vocês me
traíram. Vocês foram atrás de outros
deuses. Vocês foram injustos. Vocês
estão se maltratando um ao outro. Vocês
não estão cumprindo nada daquilo que a
gente prometeu no nosso compromisso
amoroso. Nada.
Então vou mandar vocês pro exílio. No
capítulo 29, Jeremias repete essa essa
profecia. Ó, vocês vão para exílio,
vocês vão ficar 70 anos no exílio. 70
anos no exílio
na Babilônia.
E aí ele começa a trabalhar uma
linguagem muito interessante. Se você
tem sua Bíblia aí, abre em Jeremias
capítulo 30.
Ele começa dizendo assim:
Vamos ler o verso 12.
Porque assim diz o Senhor, a sua ferida
é incurável.
O seu ferimento é grave. Não há quem
defenda a sua causa, não há remédio, nem
cura paraa sua ferida.
Então, o que você fez não tem como
remediar, não tem como resolver. O que
você fez quebrou a nossa relação. É uma
doença incurável. Não tem. Já era.
Verso 14. Todos os seus amantes se
esqueceram de você. Ou seja, você me
largou, foi atrás de outros, mas todos
já esqueceram de você. Ninguém pergunta
de você, ninguém quer saber de você,
porque eu feri você como se você fosse o
inimigo. O castigo foi cruel por causa
da grandeza da sua maldade. Você me
machucou tanto,
você me feriu tanto que eu fiz isso com
você. Eu tinha, você foi atrás dos
outros, eu deixei. Falei: "Ah, vai lá,
então tá bom. E agora você tá sofrendo
aí
e a sua ferida não tem cura."
E aí, como a gente já viu,
Deus fala, né? Fala, fala bravo, fala
duro e aí de repente Deus muda. Aí ele
diz assim, verso capítulo 31,
vamos ler a partir do verso um. Naquele
tempo, diz o Senhor, serei o Deus de
todas as tribos de Israel e elas serão o
meu povo. Assim diz o Senhor, o povo que
se livrou da espada, da espada, verso 2,
obteve favor no deserto, eu irei dar
descanso a Israel. Verso 3. De longe, o
Senhor lhe apareceu, dizendo: Com amor
eterno eu te amei, por isso com bondade
eu te atraí.
Eu vou edificar a cidade de novo, e você
será edificada, ó Virgem de Israel.
Mais uma vez você se enfeitará com seus
tamborins e sairá com o couro dos que
dançam. Mais uma vez você plantará
vinhas nos montes de Samaria, e aqueles
que plantarem comerão os frutos. Porque
verá o dia em que os atalaias gritarão
na região montanhosa de Efraim:
"Levantem-se e subamos ao Senhor em
Sião".
Então, aquela que teve amantes, agora é
chamada por Deus de virgem.
Verso 9 diz assim: "Virão com choro e
com súplicas, os levarei e os guiarei
aos ribeiros de águas por um caminho
reto em que não tropeçarão, porque eu
sou pai para Israel. Efraim é meu
primogênito."
Escutem a palavra do Senhor a nações.
Anunciem isso nas terras distantes do
mar. Digam: "Aquele que espalhou Israel
congregará e o guardará, como um pastor
faz com seus rebanhos".
Verso 13. Então a virgem se alegrará na
dança juntamente com os jovens, os
velhos. Transformarei o seu pranto em
júbilos e alegria, e eu os consolarei.
Eu lhes darei alegria em vez de
tristeza. Saciarei a fome dos sacerdotes
comida saborosa, e o meu povo se fartará
com a minha bondagem.
Verso 20. Não é Efraim, o meu filho
querido, o filho das minhas delícias,
pois sempre falo contra ele e ao mesmo
tempo me lembro dele com ternura.
E aquele continua: "Meu coração se
comoove por ele e dele certamente me
compadecerei."
Olha que linguagem que Jeremias tá
colocando aqui. De uma certa maneira ele
tá encapsulando tudo aquilo que a gente
trabalhou desde janeiro,
série do bom pastor, da graça de Oséias,
os mesmos temas. Olha como é que ele tá
construindo essa ideia do amor.
Então aqui, se a gente fosse
fazer uma ilustração, é esse esse ser
que entrega tudo, que ama, que faz, que
age sem medida por amor e recebe em
troca
nada.
Um amor tóxico, né? Tóxico.
Recebe esse amor tóxico
de volta.
Um amor que eu inveja fidelidade,
entrega infidelidade. Que eu inveja de
ações, entrega desações, né? Que ao
invés de justiça, entrega injustiça.
Tudo errado, inconstante,
imperfeito, incompleto.
É isso que Deus recebe de volta. E aí
ele fica bravo. Eu vou fazer isso, vou
fazer aquilo, eu vou destruir vocês, eu
vou fazer pá. sai falando porque ele tem
direito.
Ele tem direito, ele tá magoado.
Olha o que vocês fizeram comigo. Olha o
que eu fiz por vocês e olha o que vocês
me fizeram comigo.
Vocês quebraram a aliança que a gente
tinha, o compromisso que a gente tinha.
Vocês me traíram.
Quebra.
E ao mesmo tempo, quando ele fala, eu
vou fazer isso, vou fazer aquilo, de
repente fala assim, eu não consigo. Eu
amo vocês demais. Você é meu
primogênito. Você é a mulher querida da
minha vida. Eu amo você mais que tudo.
Eu vou te restaurar.
Foi isso que a gente viu na série de
Osés. É isso que a gente vê em Jeremias.
E como é que essa restauração vai
acontecer?
Capítulo 31 de Jeremias diz: "Eis aí vem
dias, diz o Senhor, em que firmarei uma
nova aliança com a casa de Israel e com
a casa de Judá. Não vai ser igual a
aliança que eu fiz com os pais no dia
que eu os tomei pela mão para os tirar
da terra do Egito, pois eles quebraram a
minha aliança, apesar de eu ter sido um
esposo fiel, diz o Senhor. Porque esta é
a aliança que farei com a casa de Israel
depois daquele dia, diz o Senhor, na
mente lhes imprimirei as minhas leis e
também no seu coração escreverei. Eu
serei o seu Deus e eles serão meu povo.
Olha que interessante fal, vou fazer uma
nova aliança. Não vai ser igual aquela
aliança que eu fiz lá com no êxodo. E se
vocês lembrarem na aliança do Êxodo,
lembra o que que Deus diz pro povo
quando eles estão acampados no Sinai? Em
Êxodo capítulo 19:20? Ele diz: "Vocês
são o meu povo, eu sou o Deus de vocês".
Essa linguagem da aliança que é feita em
Êxodo. E aqui ele diz assim: "Eu não vou
fazer aliança igual, vou fazer uma nova
aliança. Que aliança é essa? Eu vou ser
o Deus deles. Eles vão ser o meu povo."
Ele fala as mesmas palavras.
Sabe por que a aliança não é igual?
Porque a gente não é igual.
Porque a gente quebrou a aliança,
a gente rompeu a aliança. O nosso amor é
incompleto, imperfeito, é instável,
inconstante.
Mas o amor de Deus é o contrário. Ele é
perfeito, estável, constante.
E apesar da mágoa,
ele perdoa, ele restaura.
E essa é a diferença. E é aqui que a
gente precisa entender esses dois
pilares do amor. Existe esse amor que é
o amor perfeito, que é o amor completo,
que é o amor constante,
que é o amor fiel,
que apesar do que a gente faz e é, ele
tá lá amando, amando, amando, amando,
fazendo, fazendo, fazendo.
Mas a gente também precisa entender que
o nosso amor é inconstante, é instável,
é imperfeito.
E à medida que a gente tenta buscar esse
amor que é completo, que é perfeito, que
é estável, porque é o amor que a gente
tem que buscar, a gente precisa entender
que a gente não vai chegar lá, que a
gente vai est aqui
e que a gente tem que lidar com isso.
E ao lidar com isso, a gente precisa de
lembrar de duas coisas. E a gente vai
trabalhar ao longo da série isso. A
gente precisa lembrar de uma coisa, de
duas coisas, desculpa,
que não é só o amor que a gente recebe
dos outros, que é instável, incompleto e
imperfeito.
A gente precisa lembrar que o amor que a
gente entrega também é instável, é
incompleto e é imperfeito.
Esses dois pilares constróem a ideia de
amor dentro da Bíblia hebraica.
Há um amor que a gente busca, porque o
amor que a gente recebe, que é esse
perfeito, pleno, incompleto, estável,
que é o amor de Deus,
que tá sempre disposto a relevar aquilo
que a gente fez por amor, que tá sempre
disposto a entregar muito mais do que
recebe.
Mas há o nosso amor que é incompleto,
imperfeito, instável, inconstante.
Mas não é só o amor que eu recebo, que é
assim, é o que eu dou, que é assim
também.
como pai, como homem, como amigo, como
qualquer coisa, eu preciso reconhecer
que esse meu amor não é perfeito,
é imperfeito, é incompleto, é instável.
E por isso as pessoas que estão ao meu
redor, sendo como eu sou,
também me darão um amor que é
incompleto, imperfeito, instável e
inconstante.
E assim, quem sabe nesse processo de
aceitarmos quem a gente é, mesmo que em
busca de um ideal,
a gente consiga viver o amor de uma
maneira um pouquinho mais saudável
nas nossas vidas.
Eterno nosso pai e nosso rei,
muito obrigado por esse amor
perfeito,
completo,
constante,
que o Senhor derrama sobre nós,
que o Senhor derramou através de Jesus
Cristo, restaurando tudo, fazendo uma
nova aliança.
Esse amor que tudo entrega. Muito
obrigado por esse amor que tudo entrega
e Senhor, ao mesmo tempo, nos perdoa por
vivermos essa realidade de um amor
incompleto, instável, inconstante, que
não consegue devolver na mesma medida.
Ao mesmo tempo, Senhor, nos ajude a
entendermos que essa experiência que a
gente tem
hoje, aqui e agora, entre nós e contigo,
é essa experiência desse amor
incompleto, inconstante, imperfeito, que
uma hora quer uma coisa, outra hora quer
outra, que muda, que tem dificuldades,
que não consegue muitas vezes manter a
palavra. nos ajude, Senhor, a
entendermos essa realidade e buscarmos
esse ideal constantemente.
É o que nós te pedimos em nome de
Cristo. Amém, senhor

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