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A fé vem pelo ouvir

Sermão: Amor que Une

Sermão: Amor que Une

Sermão: Amor que Une

Sexto sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Eterno nosso pai, nosso rei,
muito obrigado pela tua graça que nos
restaura, nos transforma.
Muito obrigado por reinar sobre nós, não
como um rei tirano, um déspota, mas como
um pai,
um pai que está sempre disposto a
receber seus filhos, abraçar seus
filhos, amar seus filhos.
Agora que mais uma vez vamos estudar a
tua palavra, abre a nossa mente, o nosso
coração,
o que nós te imporamos em nome de Jesus
Cristo. Amém. Amém. Olá,
tudo bem? Bom dia para você que tá aqui,
né, no
Shopping Patópolis. E bom dia, boa
tarde, boa noite para você que tá não
sei aonde assistindo a gente. É um
prazer receber você aqui na comunidade.
Bom, hoje a gente tá terminando
ah a série Arvá, a série sobre amor e
falamos um pouquinho sobre a
o amor fiel, constante, perfeito de Deus
e também bastante sobre o nosso amor
imperfeito, inconstante e também muitas
vezes infiel. e essa dificuldade que a
gente tem de experimentar e de viver
esse amor. Ah, hoje a gente vai falar
sobre um dos livros talvez
eh
mais complexos de todo o Antigo
Testamento, o livro de Cântico dos
Cânticos. E eu lembro quando eu eu
pensei em estudar, né, fazer mestrado,
doutorado e tal. Aí eu falei, vou falar
sobre Cântico dos Cânticos. Nunca
ninguém falou sobre esse livro. E aí eu
entrei no mestrado e descobri que todo
mundo já tinha falado sobre esse livro.
Na verdade, junto com Gênesis é um dos
livros mais estudados da história da
humanidade, né? E aí a gente quando é
ignorante a gente não sabe dessas
coisas, né? Mas foi uma jornada
interessante eh estudar esse livro e
depois mudei, obviamente, mas é um livro
muito difícil, é um livro com muitas
complexidades, é um livro recheado de
muitas metáforas e ele
a voz principal do poema é uma voz
feminina, é uma é uma mulher que guia o
poema, que que vai construindo, ajudando
na construção desse poema até ao ponto
de alguns teólogos, alguns estudiosos
sugerirem uma autoria feminina para
Cântico dos Cânticos ali com pinceladas
eh de um homem, né, nesse processo. Mas
é um livro que tem muito que a gente
chama de sobreposições metafóricas, né?
São metáforas que vão se aglutinando, se
ajuntando e vão se sobrepondo. Em que
sentido? Por exemplo, ah, o jardim em
Cântico dos Cânticos, ele é um lugar,
mas em alguns momentos o jardim é uma
pessoa, é a mulher. Em outros momentos,
o jardim é uma parte da mulher. Então,
que que é o que tá acontecendo com o
jardim em cada momento do poema? É uma é
uma tarefa pro exegeta, para aquele que
interpreta descobrir o que que tá
rolando no poema. Então isso são
sobreposições metafóricas, metáforas que
não têm apenas uma uma ideia, mas ideias
vão se acumulando e formando essa
metáfora complexa em Cântico dos
Cânticos, o que é recheado. O livro
também tem algumas dificuldades pro
leitor de antigamente, pro leitor até o
dia de hoje também encontra as mesmas
dificuldades, que é uma carga grande de
erotismo, né? bastante erotismo,
bastante sensualidade, bastante
sexualidade. As pessoas têm uma
dificuldade enorme de encaixarem isso
com a Bíblia, né? Então, a mulher em
determinados momentos, ela descreve o
homem e partes físicas do homem. Em
determinados momentos, o homem descreve
partes da mulher e descrições que pra
gente são estranhas, né? Seus dentes são
como os dentes das égas de faraó e tal.
Seus olhos são como a da pomba, né?
Ninguém gosta de pomba hoje em dia,
então pomba um negócio estranho, mas os
olhos são como a pomba e tal. E aí
obviamente algumas partes que os nossos
tradutores queridos por pudor tiveram
dificuldade de traduzir porque eram
descrições de de, né,
órgãos sexuais e assim por diante ou até
ações que eram ações sexuais. Os os
tradutores tiveram muita dificuldade de
traduzir e eles suavizaram ao ponto de a
maior parte de nós quando ler Cântico
dos Cânticos não entende nada, não
entende o que tá falando e tal. A gente
tem uma ideia, né, para quem cresceu nos
anos 90 com El Tan, você sabe que quando
ele tá falando do ferrho da fechadura,
talvez não seja bem o ferrolho da
fechadura, mas enfim, você tem uma
impressão de que tá rolando alguma
coisa, mas não há certeza, porque os
tradutores eles amenizaram bastante a
tradução. Então é um livro muito
complicado por isso, porque fala de
sexualidade, fala de desejo, fala dessa
experiência de viver um amor de uma
maneira sexual. Inclusive a palavra para
amor que mais aparece ali é a palavra
dod, que é paralelo a have, mas tem essa
conotação um pouquinho mais sexualizada,
né? Então é é o comum. Então, Cântico
dos Cânticos, ele não é um tratado sobre
amor, não. Ele é um tratado sobre
desejos, sobre necessidades eh sexuais,
sobre erotismo e sobre várias coisas
interessantes, mas não é um tratado
sobre amor. Mas existe um trechinho que,
na verdade são dois versos e
curiosamente dois versos de um poema que
ela tá fazendo, que ela, a personagem
feminina, a protagonista tá fazendo, que
vão falar sobre sobre amor de uma
maneira, talvez não experimental, mas de
uma maneira mais filosófica. Então, se
você tem sua Bíblia aí, você pode abrir
em Cântico dos Cânticos, capítulo 8,
versos 6 e 7, ou procura no seu
aplicativo, capítulo 8, versos 6 e 7. E
aqui é interessante porque esses versos
aqui eles são cinco dísticos, né? Cinco
dísticos, ou seja, são eh cinco eh eh
cinco versos, mas cada um desses versos
são duas linhas, então são cinco
dísticos. E é uma uma construção muito
bonita, tem muita muita elipse de verbo,
elipse de substantivo.
É uma construção muito bonita. Eu fiz
uma tradução aqui, espero que vocês
achem interessante. Começa com
imperativo, né? Capítulo 8, versos 6 e 7
de Cântico dos Cânticos. Assim,
começando com o verbo no imperativo,
coloque-me como um selo sobre o seu
coração, como um selo sobre o teu braço,
pois forte como a morte é o amor, cruel
como o cheol, como a sepultura, o ciúme.
Suas faíscas são faíscas de fogo. É uma
chama assustadora
ou é uma chama de arroé.
Muitas águas, as muitas águas não podem
apagar o amor, nem os rios o podem
varrer.
Se um homem desce toda a riqueza da sua
casa por amor, eles certamente o
desprezariam. Eles certamente
desprezariam. Então, aqui tem um um uma
série de de construções, né? Esses cinco
eh cinco versos e cada verso, na
verdade, é um disco, são dois, né? São
duas linhas para cada verso. Tem essa
essa construção. E é uma construção
interessante porque começa com esse com
essa ação eh imperativa que ela ordena
para ele, coloque-me como um selo. E
termina com essa ideia de ação também de
um homem que dá todos os bens da sua
casa eh por amor. E no meio você tem
três imagens, né? Três imagens meio meio
comparativas de uma certa maneira, né? A
a primeira, obviamente comparativo, o
amor é forte como a morte, mas as outras
falando desse dessa chama, né? O amor é
como um fogo, as faíscas eh são uma
chama avaçaladora. E essa chama
avaçaladora ou assustadora, ela é a
palavra chama com um sufixo, que é o
sufixo Iá. E esse sufixo A, alguns
entendem como uma contração do nome para
Deus, Yahwe. Então eles traduzem como o
amor é como uma chama de Yahweué. E
outros vão dizer que não, que é um
intensificador da ideia de chama. Então
é uma chamavaçaladora, é uma chama
assustadora. E aí vai ter essa discussão
interminável, o que é, o que não é, etc.
e tal. Eu gosto de pensar essa ideia de
que é a chama de Yahweu, né, de que é a
chama de Deus. O amor é como uma chama
de Deus.
Só que a chama de Deus na Bíblia, ela
não tem uma uma conotação sempre muito
positiva, né? A ideia de chama de Deus
às vezes tem a ver com destruição, né? O
fogo que cai do céu e queima tudo,
destrói tudo. Então, chama de Deus
talvez seja um negócio forte demais. Eu
acho que é mais ou menos isso que ela tá
fazendo nesse poema. Ela tá eh trazendo
a imagem do amor, colocando essa imagem
do amor como
dois fenômenos da natureza intensos,
muito fogo e muita água. Então esse
fogo, essa faísca, quando a gente tem
fogo, quando a gente tem faísca, a gente
tem destruição. As coisas são destruídas
com muito fogo, né? E vocês acompanham,
não, eu lembro de um de umas imagens que
me marcaram bastante lá da Austrália,
quando pegou o fogo na Austrália, que
queimou um monte de lugar e tal. E aí as
imagens que vinham pra gente era da
galera na praia assim e o céu super
avermelhado com fumaça e tal, porque o
fogo tava destruindo o país, né? começou
lá no no centro da Austrália e se
expandiu, se espalhou destruindo o país.
E quem acompanha as notícias também sabe
que todo ano, mais ou menos nessa época,
tem tem uns fogos ali na região da
Califórnia, da da costa eh oeste
americana, né? Então, pega fogo ali,
destrói tudo, muito fogo. O fogo tem um
poder altamente destruidor, né? Consome
tudo, destrói tudo. Então, o amor é esse
fogo. Ele é maior que esse fogo, né?
O amor é mais forte, tem um poder mais
destruidor do que o fogo. E diz também
que as muitas águas não podem varrer o
amor, né? Não podem afogar o amor, não
podem apagar o amor. Os rios que
transbordam não podem eh varrer o amor,
né? E aqui no Brasil a gente tem uma
experiência com enchente. Aqui em São
Paulo é muito comum você ter enchente.
Geralmente nas periferias as casas são
inundadas, destruídas e tal, mas
recentemente a gente teve uma
experiência com rios que inundaram, que
transbordaram eh lá na no Rio Grande do
Sul e causando uma devastação tremenda.
Então o amor é um fogo é como maior que
um fogo destruidor. Ele é maior, mais
forte, mais poderoso do que essas muitas
águas que destróem, que varr em tudo.
Esse é o amor. Essa é a força do amor.
Ou seja, o amor é maior que qualquer
fenômeno natural destrutivo. O amor é
maior. O amor é mais forte, n é mais
poderoso que qualquer fenômeno natural
destrutivo. Esse é o é o poder do amor.
E quando a gente vê as histórias que a
gente estudou eh nessa nessa série,
quando a gente vê as histórias que a
gente passou, o Esaú e Jacó, quando a
gente vê as histórias Davi, Saul, e Davi
e Jonas, então a gente vê que o amor tem
esse poder mesmo destruidor de relações
e tal. E esse amor, ela tá dizendo, esse
amor é mais forte que tudo isso. Mas a
comparação, talvez mais forte que ela
faz é essa comparação de que o amor é
mais forte do que a morte. O amor é é
forte como a morte. E essa é uma
comparação que não é só na poesia eh
hebraica, mas em várias outras
literaturas eh da antiguidade modernas.
O amor tem essa relação com a morte, né?
Essa essa comparação com a morte, às
vezes negativo, às vezes de embate, mas
aqui ela tá colocando de uma maneira
como se o amor fosse mais forte do que a
morte, né? E o que que é a morte, né? O
que que é a ideia da morte? Quando a
gente aprende já desde de de criança nas
aulas de de biologia, né, tem um ciclo,
né, da vida, né, você nasce, cresce,
reproduz e morre, né, e morre. A morte é
o é o definidor, é o final. Hoje em dia
as pessoas estão pulando a parte do
reproduzir, né? ter filho é meio
trabalhoso, as pessoas estão pulando a
parte do reproduzir, mas é nascer,
crescer, reproduzir e morrer. E os
filósofos, os teólogos, eles vão dizer
que o mito primordial, o mito
fundamental, aquilo que fundamenta a
religião, aquilo que fundamenta a
teologia, que fundamenta a filosofia, é
o medo da morte.
Então, tudo vai ser construído em face
ao medo da morte. Você vive, você nasce
já se preparando para morrer, já
construindo a sua vida pro fim dela. E a
morte é que vai acabar orientando tudo
da sua vida, o que que vai ficar de
você, as crises todas, o que você tá
construindo, legado e tal, tudo isso tem
a ver com a morte. A morte é esse é esse
organizador da vida. Por quê? Porque a
morte é para todo mundo.
A morte chega para todo mundo. A morte é
igual para todo mundo. Ela chega pro
rico, ela chega pro pobre, ela chega pro
alto, pro baixo, ela chega pro pro para
homem, para mulher, ela chega para todo
mundo. A morte chega para todo mundo.
Ela é definitiva e ela chega para todo
mundo.
Ninguém vai escapar da morte. Todos
vamos morrer.
Pesado. Mas essa é a morte. Ela chega
para todo mundo, ela é inevitável
e o caráter dela é meio definitivo.
Chegou, acabou, morreu, acabou,
né? A gente tem essa experiência da
finitude, né? Quando você perde alguém
que você ama,
não tem mais o convívio, acabou. Não tem
mais a pessoa, acabou. Definitiva, a
morte encerra, a morte fecha as coisas.
Bote,
é definitiva,
é para sempre,
eterna,
tem todo esse peso. Só que ela diz no
poema aqui, o amor é como a morte, ou
seja, o amor chega para todo mundo
também.
O amor é definitivo. O amor é uma
experiência grandiosa.
E aqui é interessante porque ela não
trabalha o amor como oposição à morte,
como inimigo da morte.
O inimigo da morte é a vida. O inimigo
da vida é a morte. Mas ela trabalha com
a ideia de que o amor e a morte são
parecidos.
Elas, eles têm ponto de contato. Essa
ideia de que o amor chega para todos, de
que o amor é forte, de que o amor é
definitivo,
de que amor
é algo de que nós não podemos fugir. A
gente vai experimentar, a gente vai
viver o amor. Mas aqui ela coloca de uma
maneira que é como se esse amor ele
fosse transcendente à morte, como se ele
fosse maior do que a morte, como se ele
fosse aquilo que vencesse a morte,
porque ele vai além, ele transcende,
ele tá para além da morte. Ou seja, pode
haver morte, mas o amor continua. Pode
haver morte, mas o amor continua.
O amor permanece.
O amor ele é imortal, né? Ele não morre
no final, né? O amor é imortal. Ele
fica, ele dura, ele transcende a morte,
ele vai para além da morte.
A ideia de que esse amor é aquilo que
é a certeza de que vai permanecer, é o
amor. O amor como esse, como esse
elemento que supera a morte. E essa é a
primeira imagem que ela usa. Então, ela
usa a imagem do amor como a morte e
depois ela vai diminuindo a intensidade,
que ela vai falar do fogo, vai falar da
água.
Então, esse esse poder do amor, esse
amor, o amor ele é tão grandioso, ele é
tão
gigante que ele transcende a morte, que
ele é mais forte do que o fogo, ele é
mais forte do que a água, né? Ele é essa
chama, ela ele é aquilo que as águas não
podem destruir, nem a morte pode acabar
com o amor. O amor é maior. E se você já
perdeu alguém que você amava, você sabe
exatamente o que ela tá dizendo, né? O
amor continua, o amor permanece, o amor
é imortal.
E aí ela termina com uma ação que é
muito interessante. Ela termina o poema
com uma ação que é essa ação do homem
que dá tudo o que ele possui, o que ele
tem na sua casa por amor. Mas ao fazer
isso, diz o texto que, né, se você
buscar o amor comprando o amor, dando
que você tem por amor,
então diz o texto, eles o desprezariam.
Ou seja, as pessoas vão desprezar essa
pessoa que tenta comprar o amor, vão
desprezar. E Paulo vai repetir mais ou
menos isso, né, em Primeiro Coríntios,
capítulo 13, quando ele fala: "Ainda que
eu desse o meu corpo, que eu desse todos
os bens, que eu desse tudo, que eu
falasse a língua dos anjos, que eu,
enfim, ainda que eu desse o meu corpo a
ser queimado por amor".
Não é isso. O amor não é isso. O amor
não é o que você dá. Você não tem, você
não tem como comprar o amor, o amor que
você recebe. E aqui ele tá trazendo, é
na ela tá trazendo nesse poema a ideia
desse mistério do amor, desse amor que é
misterioso no sentido de que não é o que
você faz que que você ganha amor.
Não tem como você receber o amor
comprando esse amor, merecendo esse
amor. Esse amor vai ser dado.
Ele é misterioso.
E às vezes a gente tem uma uma confusão
mental de achar que amor e gratidão são
parecidos, né? Às vezes a gente pergunta
pras pessoas: "Ah, por que que você ama
fulano, né?" "Ah, porque ele é legal
comigo, porque ele é gentil comigo,
porque ele me dá muitos presentes." Sei
lá, parece que o amor tem a ver com o
velho da lancha, né? O cara que, ah, ele
tem, pô, ele me dá presente, me dá joia,
ah, eu amo ele porque ele me dá. Isso
não existe. Isso não é o amor. O amor
não é gratidão. Gratidão é uma coisa.
Você não ama todas as pessoas
as quais você é grata pelo que fizeram
por você. Você não ama, você tem uma
gratidão. Mas não é amor. O amor ele é
misterioso. Você quando você para para
pensar por você ama quem você ama?
Geralmente você fica bugado. Você fica
pensando por que eu amo quem eu amo? Aí
a biologia talên naturais não tem a ver
com cheiro, com os feromônios, com não
sei o que lá. Mas isso é atração. Isso
não é o amor. O amor é mais profundo,
ele é mais misterioso, ele é mais
complexo que você ama quem você ama.
Por que você ama quem você ama? Por que
você escolhe amar quem você escolheu
amar? É um negócio estranho, é
misterioso. E é isso que ela tá falando.
O amor é misterioso. Se você tentar
resumir o amor a uma a uma um uma ação
de compra e venda ou alguma coisa que tá
relacionada ao que se faz ou que se
deixa de fazer, isso não, isso daí vai
ser, você vai ser desprezado. O amor não
é isso. Você não tem como comprar o
amor. O amor ele é ele é misterioso. Ele
é inexplicável.
E ele é tão inexplicável que a primeira
parte do poema é uma parte forte, porque
ela diz assim: "Coloque-me como um
selo". É imperativo, é uma ordem.
Coloque-me um selo. Eu quero um selo teu
sobre mim,
sobre o meu coração e sobre o meu braço.
E aqui a ideia do coração se a sede do
dos sentimentos, da do que e tal e o
braço, se é a questão da ação de de das
coisas que você faz, etc. e tal. Então,
eu quero um selo teu sobre o que eu sou,
sobre o meu ser, sobre o meu coração,
sobre os meus sentimentos. Eu quero um
selo teu sobre o meu braço também na
naquilo que eu faço. Ou seja, o amor é
tão misterioso, ele é tão forte, que ela
quer ser propriedade dele. Porque a
ideia do selo tem a ver com isso, com
propriedade. Eu quero ser marcada
por você. O que eu sinto, esse amor, ele
é tão forte que eu quero uma marca tua
que eu carregue para todo lugar.
Eu
quero carregar esse teu amor. Eu quero
que as pessoas vejam que eu sou tua, que
eu sou tua propriedade, que eu sou tua
posse. Isso é forte, né? No dia de hoje
a galera não curte muito isso, né? Como
assim, pô?
Eu sou livre, pô. Tem negócio de
propriedade,
né? Ninguém ninguém manda em mim, então,
né? Tem essa parada, né? Ninguém manda
em mim, nem meu pai manda em mim. Então,
vai ser um homem que vai mandar em mim,
tal. Mas não tem nada a ver com isso.
Tem ideia de que esse amor ele é tão
forte, ele é tão avaçalador que você
quer misteriosamente você quer ser posse
do outro. É como se se ela tivesse
dizendo assim, aonde eu for, aonde eu
estiver, eu quero que as pessoas olhem
para mim e elas saibam que a gente tá
junto,
elas sabam que a gente é um,
porque o selo é isso. Onde eu tô, tô
representando aquele que o selo tá em
mim. Onde eu sou, onde eu estiver, as
pessoas vão estar olhando para mim e vão
estar vendo você. Por isso que eu quero
coloca sobre mim. Ela tá mandando,
coloca o selo. Eu quero que onde eu
estiver as pessoas saibam
que a gente tem um negócio junto.
Esse é o mistério, né? Você amar tanto a
ponto de se colocar nessa posição,
de querer que as pessoas vejam
que você é posse de alguém.
E esse é o mistério do amor. E tem um
poema do Gregório de Matos que eu acho
que explica bem isso daqui que a gente
tá falando. Gregório de Matos, também
conhecendo como boca do inferno. Ele diz
assim que ele tinha várias tretas com a
Igreja Católica na época. Ele diz assim,
ó: "O todo sem a parte não é todo a
parte sem o todo não é parte. Mas se a
parte o faz todo sendo parte, não se
diga que é parte sendo todo. E todo
assiste inteiro em qualquer parte. E
feito em partes, todo em toda parte, em
qualquer parte sempre fica o todo. E aí
ele continua aqui o poema. Vocês
entenderam qual a ideia do selo? A ideia
do é essa.
Nós somos um casal, mas eu te amo tanto
que mesmo quando eu tiver sozinho ou
sozinha, eu quero que as pessoas saibam
que a gente é um, que a gente tá junto.
É a matemática lá de Gênesis, capítulo
2, quando o narrador diz assim: "Deixa o
homem ao seu pai e sua mãe, ele se une a
sua mulher e os dois se transformam em
uma só carne." A matemática do dois em
um é do todo e da parte.
O casal é o todo,
mas separados eles são as partes. Mas a
parte carrega o todo e vice-versa. O
todo do todo carrega a parte. essa
relação maluca, misteriosa do amor, que
faz com que isso aconteça,
que faz com que isso se torne realidade.
E quando a gente pensa nesse amor
misterioso,
que não pode ser comprado, que não pode
ser merecido, ele é simplesmente dado
misteriosamente.
Quando a gente pensa nesse amor, que faz
a gente se colocar na posição de de
querer carregar esse amor para toda
parte,
para que as pessoas saibam em todo lugar
que a gente é amado, que a gente ama
aquela pessoa.
Eu acho que isso tem muito a ver com a
ideia do selo de Deus,
de um selo que você carrega.
E esse selo, segundo Jesus Cristo, é
justamente o amor. E essa linguagem, ela
vai aparecer
lá em João, capítulo 17. Então, se você
tiver sua Bíblia, abre em João, capítulo
17. A gente vai ler um trecho grande
aqui.
Oração de Jesus, oração sacerdotal de
Jesus no Getsemane. Quando ele tá
sozinho, orando, sofrendo, antes de ser
preso, antes de ser julgado, antes de
ser morto, ele tá orando pelos
discípulos. enquanto os discípulos estão
dormindo. E é uma oração longa, é linda,
tem vários pontos aqui, a gente já
analisou em vários momentos, mas eu
queria ler com vocês a partir do verso
20.
Ele diz assim, Jesus dizendo: "Não peço
somente por estes, mas também por todos
aqueles que vierem a crer em mim, por
meio das palavras que eles falarem, a
fim de que todos sejam um". Então aqui é
uma coletividade que vai ser um.
É essa loucura aqui do Gregório de
Matos, essa loucura dessa matemática
bíblica de que um monte de gente pode
ser um.
E como tu, ó Pai, estás em mim, eu em ti
também que eles estejam em nós, para que
o mundo creia que tu me enviaste.
Eu lhes transmiti a glória que me deste
para que sejam um, como nós somos, eu
neles e tu em mim, a fim de que sejam
aperfeiçoados na unidade, para que o
mundo conheça que tu me enviaste, os
amaste como também amaste a mim.
Então isso daqui é o nosso selo. A gente
é um, eu e você somos um. E eu quero que
eles sejam um em mim.
Verso 24. Pai, a minha vontade é que
onde eu estou estejam eles comigo
também, aqueles que tu me deste, para
que vejam minha glória que me
conferiste, porque me amaste antes da
fundação do mundo. Pai justo, o mundo
não te conheceu. Eu, porém, te conheci.
E também estes reconheceram que tu me
enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu
nome, ainda o farei conhecer, a fim de
que o amor com que me amaste esteja
neles e eu esteja neles.
Esse selo de Deus, esse selo que faz com
que os outros olhem pros discípulos de
Cristo e digam: "Poxa, ali vão
discípulos de Cristo, ali vão pessoas
que servem a Deus. Esse é o amor. Essa é
a marca. É a marca que você carrega.
A marca de Deus em você que indica que
você é um filho de Deus, que você é um
seguidor de Jesus Cristo, é um amor.
Como o Pai amou o filho e o filho nos
amou, o texto diz que a gente vai se
amar a ponto de a gente ser um
e de aonde a gente tiver a gente
carregar essa marca, carregar esse selo,
carregar esse amor.
Essa é a marca, esse é o selo. É amar. É
amor. Que é amor? Imperito,
inconstante,
infelizmente, muitas vezes infiel.
Mas não é que o amor que a gente recebeu
foi assim, não. O amor é perfeito. É o
amor que Deus amou, é o amor que Cristo
amou, mas é um amor que ele espera quem
te ame a ponto de todos nós sermos um,
sermos uma unidade.
Um unidade em amor.
Humanidade em amor.
É por isso que na missão da comunidade a
gente escreveu assim:
ser uma comunidade guiada pelo espírito
que ama a Deus e segue os passos Jesus,
o que significa aqui onde cada pessoa é
amada, reconhecida e valorizada como
parte do corpo de Cristo. E quando a
gente pensou nos nossos valores, valores
da comunidade, o primeiro valor é o
amor.
Agora, é óbvio, o amor que você vai
receber e o amor que você vai dar
dentro da comunidade é um amor
imperfeito, é um amor inconstante, é um
amor que muitas vezes vai ser infiel
e você vai dar e você vai receber esse
amor. E muitas vezes esse amor vai ser
ruim, vai ser duro, vai ser triste.
Mas é a ideia de que esse amor ele seja
tão forte, tão forte,
que ele transforme aquilo que é coletivo
em humanidade.
Assim como acontece com casamento,
você casa, você vai vivendo com a
pessoa, vai vivendo com a pessoa, vai
vivendo com a pessoa. De repente vocês
ficam até parecidos fisicamente. Pessoas
olham para você e fala: "Nossa, vocês
parecem irmãos".
E às vezes vocês ficam tão próximos, tão
unidos, tão que até os gostos ficam
iguais.
Você começa a gostar das mesmas coisas,
os mesmos. E não era assim quando
conheceu, entendeu? Quando eu conheci a
Vanessa, comecei a namorar com a
Vanessa,
Vanessa era toda certinha.
Vanessa acordava cedo, dormia cedo.
Vanessa tomava o desejum, aquele desejum
de de livro, sabe? Tudo direitinho, não
tomava refrigerante,
sabe? Era uma pessoa toda certinha. Eu
estraguei tudo, cara. A minha influência
foi nefasta na vida da Vanessa.
Coitadinha, ela escolheu mal.
Mas o processo de amor, ele é tão forte
que as pessoas vão ficando parecidas,
elas vão tendo os mesmos gozos. Às vezes
você olha pra pessoa, você já sabe até o
que a pessoa tá pensando. Aí você entra
no carro, fala assim: "Putz, quando a
pessoa falou tal coisa, é, eu pensei
também a mesma coisa, não sei que lá".
Tal. Esse processo de convivência, de
andar junto, de de viver junto e de amar
junto, ele vai transbordando a ponto de
você cada vez ser mais parecido.
É imperfeito, é imperfeito. É
inconstante, é inconstante. Muitas vezes
é infiel, é infiel, mas é esse amor que
vai moldando a gente a ponto da gente
começar a se parecer no quê? no amor, no
amor que a gente sente por Deus, no amor
que a gente recebe por de Deus e no amor
que a gente sente e trabalha dentro da
comunidade.
Esse é o processo de sermos um como
comunidade,
recebermos esse amor que a gente já
recebeu e agora buscarmos viver esse
amor a ponto de nos aproximarmos tanto,
da gente pensar parecido,
da gente agir parecido, porque esse amor
tá nos constrangendo, esse amor tá
transbordando, esse amor tá
transformando
aquilo que a gente é e fazendo de um
monte de gente uma comunidade.
E aí, aonde a gente tá no trabalho,
em casa,
no jogo de futebol, no trânsito que é
difícil, a gente tá amando, a gente tá
vivendo esse amor como comunidade, a
gente tá levando o selo
da marca de Deus, do amor de Deus em
todos os lugares que a gente vive e com
todas as pessoas que a gente se
relaciona.
que esse amor que a gente recebeu
transborde e que a gente viva esse amor,
experimente esse amor em todos os
momentos da nossa vida, a ponto de todos
nós coletivamente sermos uma só
comunidade.
Eterno nosso pai e nosso rei.
Muito obrigado, senhor pelo amor
maravilhoso, perfeito, pleno, completo
que a gente recebe de ti.
nos perdoa, Senhor, porque nem sempre a
gente consegue reproduzir esse amor na
nossa experiência humana,
mas nos ajude, Senhor, a como comunidade
buscarmos viver esse amor,
transbordarmos esse amor, para que esse
amor seja não só uma marca, mas seja o
selo, um selo de propriedade. Que as
pessoas olhem pra gente, falam assim:
"Não, aquilo ali, aquele ali é o corpo
de Cristo". Por quê? Porque são pessoas
que amam. São pessoas que amam, amam. e
amam.
Nos ajude, Senhor, na nossa imperfeição,
a vivermos esse amor que recebemos de
Ti, misterioso, maravilhoso. É o que nós
te pedimos em nome de Cristo. Amém. M.

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