Sermão: Amor que Une
14/08/2025
Sexto sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Eterno nosso pai, nosso rei, muito obrigado pela tua graça que nos restaura, nos transforma. Muito obrigado por reinar sobre nós, não como um rei tirano, um déspota, mas como um pai, um pai que está sempre disposto a receber seus filhos, abraçar seus filhos, amar seus filhos. Agora que mais uma vez vamos estudar a tua palavra, abre a nossa mente, o nosso coração, o que nós te imporamos em nome de Jesus Cristo. Amém. Amém. Olá, tudo bem? Bom dia para você que tá aqui, né, no Shopping Patópolis. E bom dia, boa tarde, boa noite para você que tá não sei aonde assistindo a gente. É um prazer receber você aqui na comunidade. Bom, hoje a gente tá terminando ah a série Arvá, a série sobre amor e falamos um pouquinho sobre a o amor fiel, constante, perfeito de Deus e também bastante sobre o nosso amor imperfeito, inconstante e também muitas vezes infiel. e essa dificuldade que a gente tem de experimentar e de viver esse amor. Ah, hoje a gente vai falar sobre um dos livros talvez eh mais complexos de todo o Antigo Testamento, o livro de Cântico dos Cânticos. E eu lembro quando eu eu pensei em estudar, né, fazer mestrado, doutorado e tal. Aí eu falei, vou falar sobre Cântico dos Cânticos. Nunca ninguém falou sobre esse livro. E aí eu entrei no mestrado e descobri que todo mundo já tinha falado sobre esse livro. Na verdade, junto com Gênesis é um dos livros mais estudados da história da humanidade, né? E aí a gente quando é ignorante a gente não sabe dessas coisas, né? Mas foi uma jornada interessante eh estudar esse livro e depois mudei, obviamente, mas é um livro muito difícil, é um livro com muitas complexidades, é um livro recheado de muitas metáforas e ele a voz principal do poema é uma voz feminina, é uma é uma mulher que guia o poema, que que vai construindo, ajudando na construção desse poema até ao ponto de alguns teólogos, alguns estudiosos sugerirem uma autoria feminina para Cântico dos Cânticos ali com pinceladas eh de um homem, né, nesse processo. Mas é um livro que tem muito que a gente chama de sobreposições metafóricas, né? São metáforas que vão se aglutinando, se ajuntando e vão se sobrepondo. Em que sentido? Por exemplo, ah, o jardim em Cântico dos Cânticos, ele é um lugar, mas em alguns momentos o jardim é uma pessoa, é a mulher. Em outros momentos, o jardim é uma parte da mulher. Então, que que é o que tá acontecendo com o jardim em cada momento do poema? É uma é uma tarefa pro exegeta, para aquele que interpreta descobrir o que que tá rolando no poema. Então isso são sobreposições metafóricas, metáforas que não têm apenas uma uma ideia, mas ideias vão se acumulando e formando essa metáfora complexa em Cântico dos Cânticos, o que é recheado. O livro também tem algumas dificuldades pro leitor de antigamente, pro leitor até o dia de hoje também encontra as mesmas dificuldades, que é uma carga grande de erotismo, né? bastante erotismo, bastante sensualidade, bastante sexualidade. As pessoas têm uma dificuldade enorme de encaixarem isso com a Bíblia, né? Então, a mulher em determinados momentos, ela descreve o homem e partes físicas do homem. Em determinados momentos, o homem descreve partes da mulher e descrições que pra gente são estranhas, né? Seus dentes são como os dentes das égas de faraó e tal. Seus olhos são como a da pomba, né? Ninguém gosta de pomba hoje em dia, então pomba um negócio estranho, mas os olhos são como a pomba e tal. E aí obviamente algumas partes que os nossos tradutores queridos por pudor tiveram dificuldade de traduzir porque eram descrições de de, né, órgãos sexuais e assim por diante ou até ações que eram ações sexuais. Os os tradutores tiveram muita dificuldade de traduzir e eles suavizaram ao ponto de a maior parte de nós quando ler Cântico dos Cânticos não entende nada, não entende o que tá falando e tal. A gente tem uma ideia, né, para quem cresceu nos anos 90 com El Tan, você sabe que quando ele tá falando do ferrho da fechadura, talvez não seja bem o ferrolho da fechadura, mas enfim, você tem uma impressão de que tá rolando alguma coisa, mas não há certeza, porque os tradutores eles amenizaram bastante a tradução. Então é um livro muito complicado por isso, porque fala de sexualidade, fala de desejo, fala dessa experiência de viver um amor de uma maneira sexual. Inclusive a palavra para amor que mais aparece ali é a palavra dod, que é paralelo a have, mas tem essa conotação um pouquinho mais sexualizada, né? Então é é o comum. Então, Cântico dos Cânticos, ele não é um tratado sobre amor, não. Ele é um tratado sobre desejos, sobre necessidades eh sexuais, sobre erotismo e sobre várias coisas interessantes, mas não é um tratado sobre amor. Mas existe um trechinho que, na verdade são dois versos e curiosamente dois versos de um poema que ela tá fazendo, que ela, a personagem feminina, a protagonista tá fazendo, que vão falar sobre sobre amor de uma maneira, talvez não experimental, mas de uma maneira mais filosófica. Então, se você tem sua Bíblia aí, você pode abrir em Cântico dos Cânticos, capítulo 8, versos 6 e 7, ou procura no seu aplicativo, capítulo 8, versos 6 e 7. E aqui é interessante porque esses versos aqui eles são cinco dísticos, né? Cinco dísticos, ou seja, são eh cinco eh eh cinco versos, mas cada um desses versos são duas linhas, então são cinco dísticos. E é uma uma construção muito bonita, tem muita muita elipse de verbo, elipse de substantivo. É uma construção muito bonita. Eu fiz uma tradução aqui, espero que vocês achem interessante. Começa com imperativo, né? Capítulo 8, versos 6 e 7 de Cântico dos Cânticos. Assim, começando com o verbo no imperativo, coloque-me como um selo sobre o seu coração, como um selo sobre o teu braço, pois forte como a morte é o amor, cruel como o cheol, como a sepultura, o ciúme. Suas faíscas são faíscas de fogo. É uma chama assustadora ou é uma chama de arroé. Muitas águas, as muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios o podem varrer. Se um homem desce toda a riqueza da sua casa por amor, eles certamente o desprezariam. Eles certamente desprezariam. Então, aqui tem um um uma série de de construções, né? Esses cinco eh cinco versos e cada verso, na verdade, é um disco, são dois, né? São duas linhas para cada verso. Tem essa essa construção. E é uma construção interessante porque começa com esse com essa ação eh imperativa que ela ordena para ele, coloque-me como um selo. E termina com essa ideia de ação também de um homem que dá todos os bens da sua casa eh por amor. E no meio você tem três imagens, né? Três imagens meio meio comparativas de uma certa maneira, né? A a primeira, obviamente comparativo, o amor é forte como a morte, mas as outras falando desse dessa chama, né? O amor é como um fogo, as faíscas eh são uma chama avaçaladora. E essa chama avaçaladora ou assustadora, ela é a palavra chama com um sufixo, que é o sufixo Iá. E esse sufixo A, alguns entendem como uma contração do nome para Deus, Yahwe. Então eles traduzem como o amor é como uma chama de Yahweué. E outros vão dizer que não, que é um intensificador da ideia de chama. Então é uma chamavaçaladora, é uma chama assustadora. E aí vai ter essa discussão interminável, o que é, o que não é, etc. e tal. Eu gosto de pensar essa ideia de que é a chama de Yahweu, né, de que é a chama de Deus. O amor é como uma chama de Deus. Só que a chama de Deus na Bíblia, ela não tem uma uma conotação sempre muito positiva, né? A ideia de chama de Deus às vezes tem a ver com destruição, né? O fogo que cai do céu e queima tudo, destrói tudo. Então, chama de Deus talvez seja um negócio forte demais. Eu acho que é mais ou menos isso que ela tá fazendo nesse poema. Ela tá eh trazendo a imagem do amor, colocando essa imagem do amor como dois fenômenos da natureza intensos, muito fogo e muita água. Então esse fogo, essa faísca, quando a gente tem fogo, quando a gente tem faísca, a gente tem destruição. As coisas são destruídas com muito fogo, né? E vocês acompanham, não, eu lembro de um de umas imagens que me marcaram bastante lá da Austrália, quando pegou o fogo na Austrália, que queimou um monte de lugar e tal. E aí as imagens que vinham pra gente era da galera na praia assim e o céu super avermelhado com fumaça e tal, porque o fogo tava destruindo o país, né? começou lá no no centro da Austrália e se expandiu, se espalhou destruindo o país. E quem acompanha as notícias também sabe que todo ano, mais ou menos nessa época, tem tem uns fogos ali na região da Califórnia, da da costa eh oeste americana, né? Então, pega fogo ali, destrói tudo, muito fogo. O fogo tem um poder altamente destruidor, né? Consome tudo, destrói tudo. Então, o amor é esse fogo. Ele é maior que esse fogo, né? O amor é mais forte, tem um poder mais destruidor do que o fogo. E diz também que as muitas águas não podem varrer o amor, né? Não podem afogar o amor, não podem apagar o amor. Os rios que transbordam não podem eh varrer o amor, né? E aqui no Brasil a gente tem uma experiência com enchente. Aqui em São Paulo é muito comum você ter enchente. Geralmente nas periferias as casas são inundadas, destruídas e tal, mas recentemente a gente teve uma experiência com rios que inundaram, que transbordaram eh lá na no Rio Grande do Sul e causando uma devastação tremenda. Então o amor é um fogo é como maior que um fogo destruidor. Ele é maior, mais forte, mais poderoso do que essas muitas águas que destróem, que varr em tudo. Esse é o amor. Essa é a força do amor. Ou seja, o amor é maior que qualquer fenômeno natural destrutivo. O amor é maior. O amor é mais forte, n é mais poderoso que qualquer fenômeno natural destrutivo. Esse é o é o poder do amor. E quando a gente vê as histórias que a gente estudou eh nessa nessa série, quando a gente vê as histórias que a gente passou, o Esaú e Jacó, quando a gente vê as histórias Davi, Saul, e Davi e Jonas, então a gente vê que o amor tem esse poder mesmo destruidor de relações e tal. E esse amor, ela tá dizendo, esse amor é mais forte que tudo isso. Mas a comparação, talvez mais forte que ela faz é essa comparação de que o amor é mais forte do que a morte. O amor é é forte como a morte. E essa é uma comparação que não é só na poesia eh hebraica, mas em várias outras literaturas eh da antiguidade modernas. O amor tem essa relação com a morte, né? Essa essa comparação com a morte, às vezes negativo, às vezes de embate, mas aqui ela tá colocando de uma maneira como se o amor fosse mais forte do que a morte, né? E o que que é a morte, né? O que que é a ideia da morte? Quando a gente aprende já desde de de criança nas aulas de de biologia, né, tem um ciclo, né, da vida, né, você nasce, cresce, reproduz e morre, né, e morre. A morte é o é o definidor, é o final. Hoje em dia as pessoas estão pulando a parte do reproduzir, né? ter filho é meio trabalhoso, as pessoas estão pulando a parte do reproduzir, mas é nascer, crescer, reproduzir e morrer. E os filósofos, os teólogos, eles vão dizer que o mito primordial, o mito fundamental, aquilo que fundamenta a religião, aquilo que fundamenta a teologia, que fundamenta a filosofia, é o medo da morte. Então, tudo vai ser construído em face ao medo da morte. Você vive, você nasce já se preparando para morrer, já construindo a sua vida pro fim dela. E a morte é que vai acabar orientando tudo da sua vida, o que que vai ficar de você, as crises todas, o que você tá construindo, legado e tal, tudo isso tem a ver com a morte. A morte é esse é esse organizador da vida. Por quê? Porque a morte é para todo mundo. A morte chega para todo mundo. A morte é igual para todo mundo. Ela chega pro rico, ela chega pro pobre, ela chega pro alto, pro baixo, ela chega pro pro para homem, para mulher, ela chega para todo mundo. A morte chega para todo mundo. Ela é definitiva e ela chega para todo mundo. Ninguém vai escapar da morte. Todos vamos morrer. Pesado. Mas essa é a morte. Ela chega para todo mundo, ela é inevitável e o caráter dela é meio definitivo. Chegou, acabou, morreu, acabou, né? A gente tem essa experiência da finitude, né? Quando você perde alguém que você ama, não tem mais o convívio, acabou. Não tem mais a pessoa, acabou. Definitiva, a morte encerra, a morte fecha as coisas. Bote, é definitiva, é para sempre, eterna, tem todo esse peso. Só que ela diz no poema aqui, o amor é como a morte, ou seja, o amor chega para todo mundo também. O amor é definitivo. O amor é uma experiência grandiosa. E aqui é interessante porque ela não trabalha o amor como oposição à morte, como inimigo da morte. O inimigo da morte é a vida. O inimigo da vida é a morte. Mas ela trabalha com a ideia de que o amor e a morte são parecidos. Elas, eles têm ponto de contato. Essa ideia de que o amor chega para todos, de que o amor é forte, de que o amor é definitivo, de que amor é algo de que nós não podemos fugir. A gente vai experimentar, a gente vai viver o amor. Mas aqui ela coloca de uma maneira que é como se esse amor ele fosse transcendente à morte, como se ele fosse maior do que a morte, como se ele fosse aquilo que vencesse a morte, porque ele vai além, ele transcende, ele tá para além da morte. Ou seja, pode haver morte, mas o amor continua. Pode haver morte, mas o amor continua. O amor permanece. O amor ele é imortal, né? Ele não morre no final, né? O amor é imortal. Ele fica, ele dura, ele transcende a morte, ele vai para além da morte. A ideia de que esse amor é aquilo que é a certeza de que vai permanecer, é o amor. O amor como esse, como esse elemento que supera a morte. E essa é a primeira imagem que ela usa. Então, ela usa a imagem do amor como a morte e depois ela vai diminuindo a intensidade, que ela vai falar do fogo, vai falar da água. Então, esse esse poder do amor, esse amor, o amor ele é tão grandioso, ele é tão gigante que ele transcende a morte, que ele é mais forte do que o fogo, ele é mais forte do que a água, né? Ele é essa chama, ela ele é aquilo que as águas não podem destruir, nem a morte pode acabar com o amor. O amor é maior. E se você já perdeu alguém que você amava, você sabe exatamente o que ela tá dizendo, né? O amor continua, o amor permanece, o amor é imortal. E aí ela termina com uma ação que é muito interessante. Ela termina o poema com uma ação que é essa ação do homem que dá tudo o que ele possui, o que ele tem na sua casa por amor. Mas ao fazer isso, diz o texto que, né, se você buscar o amor comprando o amor, dando que você tem por amor, então diz o texto, eles o desprezariam. Ou seja, as pessoas vão desprezar essa pessoa que tenta comprar o amor, vão desprezar. E Paulo vai repetir mais ou menos isso, né, em Primeiro Coríntios, capítulo 13, quando ele fala: "Ainda que eu desse o meu corpo, que eu desse todos os bens, que eu desse tudo, que eu falasse a língua dos anjos, que eu, enfim, ainda que eu desse o meu corpo a ser queimado por amor". Não é isso. O amor não é isso. O amor não é o que você dá. Você não tem, você não tem como comprar o amor, o amor que você recebe. E aqui ele tá trazendo, é na ela tá trazendo nesse poema a ideia desse mistério do amor, desse amor que é misterioso no sentido de que não é o que você faz que que você ganha amor. Não tem como você receber o amor comprando esse amor, merecendo esse amor. Esse amor vai ser dado. Ele é misterioso. E às vezes a gente tem uma uma confusão mental de achar que amor e gratidão são parecidos, né? Às vezes a gente pergunta pras pessoas: "Ah, por que que você ama fulano, né?" "Ah, porque ele é legal comigo, porque ele é gentil comigo, porque ele me dá muitos presentes." Sei lá, parece que o amor tem a ver com o velho da lancha, né? O cara que, ah, ele tem, pô, ele me dá presente, me dá joia, ah, eu amo ele porque ele me dá. Isso não existe. Isso não é o amor. O amor não é gratidão. Gratidão é uma coisa. Você não ama todas as pessoas as quais você é grata pelo que fizeram por você. Você não ama, você tem uma gratidão. Mas não é amor. O amor ele é misterioso. Você quando você para para pensar por você ama quem você ama? Geralmente você fica bugado. Você fica pensando por que eu amo quem eu amo? Aí a biologia talên naturais não tem a ver com cheiro, com os feromônios, com não sei o que lá. Mas isso é atração. Isso não é o amor. O amor é mais profundo, ele é mais misterioso, ele é mais complexo que você ama quem você ama. Por que você ama quem você ama? Por que você escolhe amar quem você escolheu amar? É um negócio estranho, é misterioso. E é isso que ela tá falando. O amor é misterioso. Se você tentar resumir o amor a uma a uma um uma ação de compra e venda ou alguma coisa que tá relacionada ao que se faz ou que se deixa de fazer, isso não, isso daí vai ser, você vai ser desprezado. O amor não é isso. Você não tem como comprar o amor. O amor ele é ele é misterioso. Ele é inexplicável. E ele é tão inexplicável que a primeira parte do poema é uma parte forte, porque ela diz assim: "Coloque-me como um selo". É imperativo, é uma ordem. Coloque-me um selo. Eu quero um selo teu sobre mim, sobre o meu coração e sobre o meu braço. E aqui a ideia do coração se a sede do dos sentimentos, da do que e tal e o braço, se é a questão da ação de de das coisas que você faz, etc. e tal. Então, eu quero um selo teu sobre o que eu sou, sobre o meu ser, sobre o meu coração, sobre os meus sentimentos. Eu quero um selo teu sobre o meu braço também na naquilo que eu faço. Ou seja, o amor é tão misterioso, ele é tão forte, que ela quer ser propriedade dele. Porque a ideia do selo tem a ver com isso, com propriedade. Eu quero ser marcada por você. O que eu sinto, esse amor, ele é tão forte que eu quero uma marca tua que eu carregue para todo lugar. Eu quero carregar esse teu amor. Eu quero que as pessoas vejam que eu sou tua, que eu sou tua propriedade, que eu sou tua posse. Isso é forte, né? No dia de hoje a galera não curte muito isso, né? Como assim, pô? Eu sou livre, pô. Tem negócio de propriedade, né? Ninguém ninguém manda em mim, então, né? Tem essa parada, né? Ninguém manda em mim, nem meu pai manda em mim. Então, vai ser um homem que vai mandar em mim, tal. Mas não tem nada a ver com isso. Tem ideia de que esse amor ele é tão forte, ele é tão avaçalador que você quer misteriosamente você quer ser posse do outro. É como se se ela tivesse dizendo assim, aonde eu for, aonde eu estiver, eu quero que as pessoas olhem para mim e elas saibam que a gente tá junto, elas sabam que a gente é um, porque o selo é isso. Onde eu tô, tô representando aquele que o selo tá em mim. Onde eu sou, onde eu estiver, as pessoas vão estar olhando para mim e vão estar vendo você. Por isso que eu quero coloca sobre mim. Ela tá mandando, coloca o selo. Eu quero que onde eu estiver as pessoas saibam que a gente tem um negócio junto. Esse é o mistério, né? Você amar tanto a ponto de se colocar nessa posição, de querer que as pessoas vejam que você é posse de alguém. E esse é o mistério do amor. E tem um poema do Gregório de Matos que eu acho que explica bem isso daqui que a gente tá falando. Gregório de Matos, também conhecendo como boca do inferno. Ele diz assim que ele tinha várias tretas com a Igreja Católica na época. Ele diz assim, ó: "O todo sem a parte não é todo a parte sem o todo não é parte. Mas se a parte o faz todo sendo parte, não se diga que é parte sendo todo. E todo assiste inteiro em qualquer parte. E feito em partes, todo em toda parte, em qualquer parte sempre fica o todo. E aí ele continua aqui o poema. Vocês entenderam qual a ideia do selo? A ideia do é essa. Nós somos um casal, mas eu te amo tanto que mesmo quando eu tiver sozinho ou sozinha, eu quero que as pessoas saibam que a gente é um, que a gente tá junto. É a matemática lá de Gênesis, capítulo 2, quando o narrador diz assim: "Deixa o homem ao seu pai e sua mãe, ele se une a sua mulher e os dois se transformam em uma só carne." A matemática do dois em um é do todo e da parte. O casal é o todo, mas separados eles são as partes. Mas a parte carrega o todo e vice-versa. O todo do todo carrega a parte. essa relação maluca, misteriosa do amor, que faz com que isso aconteça, que faz com que isso se torne realidade. E quando a gente pensa nesse amor misterioso, que não pode ser comprado, que não pode ser merecido, ele é simplesmente dado misteriosamente. Quando a gente pensa nesse amor, que faz a gente se colocar na posição de de querer carregar esse amor para toda parte, para que as pessoas saibam em todo lugar que a gente é amado, que a gente ama aquela pessoa. Eu acho que isso tem muito a ver com a ideia do selo de Deus, de um selo que você carrega. E esse selo, segundo Jesus Cristo, é justamente o amor. E essa linguagem, ela vai aparecer lá em João, capítulo 17. Então, se você tiver sua Bíblia, abre em João, capítulo 17. A gente vai ler um trecho grande aqui. Oração de Jesus, oração sacerdotal de Jesus no Getsemane. Quando ele tá sozinho, orando, sofrendo, antes de ser preso, antes de ser julgado, antes de ser morto, ele tá orando pelos discípulos. enquanto os discípulos estão dormindo. E é uma oração longa, é linda, tem vários pontos aqui, a gente já analisou em vários momentos, mas eu queria ler com vocês a partir do verso 20. Ele diz assim, Jesus dizendo: "Não peço somente por estes, mas também por todos aqueles que vierem a crer em mim, por meio das palavras que eles falarem, a fim de que todos sejam um". Então aqui é uma coletividade que vai ser um. É essa loucura aqui do Gregório de Matos, essa loucura dessa matemática bíblica de que um monte de gente pode ser um. E como tu, ó Pai, estás em mim, eu em ti também que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes transmiti a glória que me deste para que sejam um, como nós somos, eu neles e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade, para que o mundo conheça que tu me enviaste, os amaste como também amaste a mim. Então isso daqui é o nosso selo. A gente é um, eu e você somos um. E eu quero que eles sejam um em mim. Verso 24. Pai, a minha vontade é que onde eu estou estejam eles comigo também, aqueles que tu me deste, para que vejam minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu. Eu, porém, te conheci. E também estes reconheceram que tu me enviaste. Eu lhes fiz conhecer o teu nome, ainda o farei conhecer, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu esteja neles. Esse selo de Deus, esse selo que faz com que os outros olhem pros discípulos de Cristo e digam: "Poxa, ali vão discípulos de Cristo, ali vão pessoas que servem a Deus. Esse é o amor. Essa é a marca. É a marca que você carrega. A marca de Deus em você que indica que você é um filho de Deus, que você é um seguidor de Jesus Cristo, é um amor. Como o Pai amou o filho e o filho nos amou, o texto diz que a gente vai se amar a ponto de a gente ser um e de aonde a gente tiver a gente carregar essa marca, carregar esse selo, carregar esse amor. Essa é a marca, esse é o selo. É amar. É amor. Que é amor? Imperito, inconstante, infelizmente, muitas vezes infiel. Mas não é que o amor que a gente recebeu foi assim, não. O amor é perfeito. É o amor que Deus amou, é o amor que Cristo amou, mas é um amor que ele espera quem te ame a ponto de todos nós sermos um, sermos uma unidade. Um unidade em amor. Humanidade em amor. É por isso que na missão da comunidade a gente escreveu assim: ser uma comunidade guiada pelo espírito que ama a Deus e segue os passos Jesus, o que significa aqui onde cada pessoa é amada, reconhecida e valorizada como parte do corpo de Cristo. E quando a gente pensou nos nossos valores, valores da comunidade, o primeiro valor é o amor. Agora, é óbvio, o amor que você vai receber e o amor que você vai dar dentro da comunidade é um amor imperfeito, é um amor inconstante, é um amor que muitas vezes vai ser infiel e você vai dar e você vai receber esse amor. E muitas vezes esse amor vai ser ruim, vai ser duro, vai ser triste. Mas é a ideia de que esse amor ele seja tão forte, tão forte, que ele transforme aquilo que é coletivo em humanidade. Assim como acontece com casamento, você casa, você vai vivendo com a pessoa, vai vivendo com a pessoa, vai vivendo com a pessoa. De repente vocês ficam até parecidos fisicamente. Pessoas olham para você e fala: "Nossa, vocês parecem irmãos". E às vezes vocês ficam tão próximos, tão unidos, tão que até os gostos ficam iguais. Você começa a gostar das mesmas coisas, os mesmos. E não era assim quando conheceu, entendeu? Quando eu conheci a Vanessa, comecei a namorar com a Vanessa, Vanessa era toda certinha. Vanessa acordava cedo, dormia cedo. Vanessa tomava o desejum, aquele desejum de de livro, sabe? Tudo direitinho, não tomava refrigerante, sabe? Era uma pessoa toda certinha. Eu estraguei tudo, cara. A minha influência foi nefasta na vida da Vanessa. Coitadinha, ela escolheu mal. Mas o processo de amor, ele é tão forte que as pessoas vão ficando parecidas, elas vão tendo os mesmos gozos. Às vezes você olha pra pessoa, você já sabe até o que a pessoa tá pensando. Aí você entra no carro, fala assim: "Putz, quando a pessoa falou tal coisa, é, eu pensei também a mesma coisa, não sei que lá". Tal. Esse processo de convivência, de andar junto, de de viver junto e de amar junto, ele vai transbordando a ponto de você cada vez ser mais parecido. É imperfeito, é imperfeito. É inconstante, é inconstante. Muitas vezes é infiel, é infiel, mas é esse amor que vai moldando a gente a ponto da gente começar a se parecer no quê? no amor, no amor que a gente sente por Deus, no amor que a gente recebe por de Deus e no amor que a gente sente e trabalha dentro da comunidade. Esse é o processo de sermos um como comunidade, recebermos esse amor que a gente já recebeu e agora buscarmos viver esse amor a ponto de nos aproximarmos tanto, da gente pensar parecido, da gente agir parecido, porque esse amor tá nos constrangendo, esse amor tá transbordando, esse amor tá transformando aquilo que a gente é e fazendo de um monte de gente uma comunidade. E aí, aonde a gente tá no trabalho, em casa, no jogo de futebol, no trânsito que é difícil, a gente tá amando, a gente tá vivendo esse amor como comunidade, a gente tá levando o selo da marca de Deus, do amor de Deus em todos os lugares que a gente vive e com todas as pessoas que a gente se relaciona. que esse amor que a gente recebeu transborde e que a gente viva esse amor, experimente esse amor em todos os momentos da nossa vida, a ponto de todos nós coletivamente sermos uma só comunidade. Eterno nosso pai e nosso rei. Muito obrigado, senhor pelo amor maravilhoso, perfeito, pleno, completo que a gente recebe de ti. nos perdoa, Senhor, porque nem sempre a gente consegue reproduzir esse amor na nossa experiência humana, mas nos ajude, Senhor, a como comunidade buscarmos viver esse amor, transbordarmos esse amor, para que esse amor seja não só uma marca, mas seja o selo, um selo de propriedade. Que as pessoas olhem pra gente, falam assim: "Não, aquilo ali, aquele ali é o corpo de Cristo". Por quê? Porque são pessoas que amam. São pessoas que amam, amam. e amam. Nos ajude, Senhor, na nossa imperfeição, a vivermos esse amor que recebemos de Ti, misterioso, maravilhoso. É o que nós te pedimos em nome de Cristo. Amém. M.