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A fé vem pelo ouvir

Sermão: Gente comum, Vida real

Sermão:  Gente comum, Vida real

Sermão: Gente comum, Vida real

Quinto sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Marcos Apolônio na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Você
já deve ter ouvido falar da missão
Piauí. Alguns aqui já foram, já
estiveram lá. Maravilhoso. Foi a minha
primeira vez. Começo de julho, primeira
semana de julho. Nós fomos num grupo de
15 pessoas. Eh, o lugar em que
trabalhamos é a comunidade do Calango. A
gente vai para São Raimundo Nonato. Para
chegar em São Raimundo Nonato, nós somos
primeiro para Petrolina. e de Petrolina
tomamos um mini ônibus ali, 4 horas de
viagem até chegar em Raimundo Nonato,
aonde a gente ficou hospedado. E de lá a
gente ia todos os dias pra comunidade do
Calango para trabalhar. A comunidade do
Calango pertence a um dos maiores dos
maiores das maiores áreas quilombolas do
do nosso país. São 119 comunidades
quilombolas lá e o calango é uma delas.
Nós éramos um grupo de 16 pessoas,
tínhamos ali
duas duas dentistas, duas estudantes de
de odonto, eh uma médica, dois
estudantes de medicina, assistente
social. Eu estava na área de
psicoterapia, saúde mental. Tínhamos
também uma moça de uma ONG que trabalha
com óculos. Eh, e eles levam, já levam
os óculos, as armações, são padrão. E aí
fazem os exames lá, tinha um
oftalmologista conosco e a esposa que
trabalha com ele, aí monta o óculos, faz
o exame, monta o óculos, entrega o
óculos pra pessoa, a pessoa sai de lá
com sorriso novo e enxergando.
Muito bom, muito bom, maravilhoso. Em
uma semana nós fizemos 634 unidades de
atendimento juntando, juntando tudo.
Povo é maravilhoso. Eu saí de lá com o
coração cheio. A gente vai indo buscar
isso. A gente aprende antes de humildade
cultural, coração aberto e para aprender
um trabalho incondicional. a gente não
vai lá para catequisar ninguém, a gente
não vai lá para para mudar ninguém e a
gente vai lá para trabalhar com para
aprender de e essa essa é a postura e a
gente sai de lá realmente muito humilde
e e muito culpado também porque pela
pela diferença, pelo disparate, pelas
dificuldades que a gente encontra
naquele lugar ali no Calango, pra gente
chegar na cidade de São Raimundo no
Nato, eh custa em média R$ R$ 80 ida e
volta. Então você pode varia um
pouquinho, né? Você pode ir de moto,
pode ir de ônibus ou no que eles chamam
de ônibus aberto, que na verdade é um
pau de arara, que tem ali os bancos
atrás e você pode usar aquilo. Mas pra
gente ter uma referência também, uma
diária para trabalhar no campo ou
trabalhar e fazer alguma coisa na cidade
é R$ 70. Então, a dificuldade é muito
grande. A gente ficou trabalhando numa
numa usou o espaço de uma igreja
católica e do lado da Igreja Católica
tem ali um bar e ali na igreja católica
a gente se na igrejinha a gente se
dividiu e nas áreas em que a gente
estava trabalhando. Eh, eles plantam
maiormente milho, feijão, mandioca e
alguns têm são apicultores também. Mas
esse ano passado não choveu nada, então
uma situação muito muito complicada. A
gente foi nas casas de algumas pessoas,
as casas de farinha fechada sendo usadas
como depósito, porque não teve água e
porque não teve água não se a terra
produziu muito pouco, colheram ali algum
feijão e só muito pouco, uma dificuldade
muito grande. A água vem eh das
cisternas que o Instituto Sementes e o
Instituto Luz tem construído já há
bastante tempo, há algum tempo que tem
construído lá. Eh, são dois, na verdade,
duas equipes, né? Hoje uma vai para
construir cisternas e outra vai para
cuidar de saúde. Então, quando a gente
saiu, tinha uma outra equipe chegando
para construir para construir cisternas.
Então, você tem água que é a coletada da
chuva quando chove quando chove, se vai
chover, vai chover entre outubro e
março, aí para, aí só vai chover de novo
em outubro. Esse é o normal. Mas esse
ano não choveu pouquíssimo, choveu muito
pouco. Eh, tem as lagoas, mas dizem que
a água da lagoa de uma temporada nunca
encontra com a água da lagoa da outra
temporada, sempre seca tudo.
Eh, aí você tem você tem poços, né, mas
são poços artesianos. Você precisa cavar
800 m é a média para conseguir alcançar
alguma água. E é muito complicado porque
a a água que se encontra na maior parte
das vezes é água salobra. Então 60% é
água salgada, aí uns 20% água doce e 20%
nada. Você não não pega não pega nada e
tem que pagar de qualquer maneira, né? E
tem os caminhões pipa que a que a
prefeitura manda de vez em quando em
situações como essa, mas não é não é
muito e não é muito comum. né?
Sofrimento muito grande, muito
complicado. Uma das coisas que a gente
identifica facilmente lá é como o
machismo impera e como o machismo fere
também todos, todas as pessoas. É claro
que a maior parte do pessoal que
acaba usando do machismo como
instrumento de manipulação são os
homens, mas não demora muito para você
perceber que eles também são vítimas de
um de um sistema e que aquilo fere fere
a eles também uma dor muito grande,
alcoolismo muito comum. É muito comum.
Tem um número grande de mulheres que
bebem, mas a maioria são homens. E tem
uma combinação interessante porque tem
tem quem tem consegue, tem uma motinho,
né? Mas aí você junta o alcoolismo com a
motinho e com a falta de capacete que
ninguém usa. E aí você imagina o
resultado.
Ah, os homens
a gente sente assim com poucos poucos
instrumentos, pouco elaborados, sabe?
Pouco, pouco maduros. Não tem muito
instrumento para lidar com as
dificuldades da vida. Até porque o
alcoolismo sequestra o amadurecimento,
né? O vício sequestra o amadurecimento,
desenvolvimento da pessoa. Então eles
não têm muita coisa além do álcool para
ir do bar, para poder lidar com as
dificuldades da vida. As mulheres muito
mais elaboradas. É muito legal ver que a
a o instituto já tem uma uma relação com
eles, com o pessoal. Então, existe uma
relação de confiança, embora não me
conhecesse, eu percebi que eu atendi
umas 40 pessoas. De todas elas, eu tive
uma pessoa com o clássico não sei onde
eu, não sei onde começar, que é muito
comum, né? Eh, a maioria chegava e
sentava na minha frente, senta que lá
vem história, toma história aí. E então
você percebia uma relação de confiança
já estabelecida, um amor, um amor pela,
pelo pelo grupo assim
impressionante como eles amam e como se
envolvem e e como são como as pessoas
são gratas, não é? E de vez quando de
vez em quando precisa dar uma refreada,
né? Um eh a maioria dos homens que
vieram conversar acima de eram acima de
50 anos. Os homens na faixa de 30 e dos
40 estavam no bar, não vinham. Um veio,
né, conversar comigo nessa faixa etária.
Ele falou para mim, ele falou para mim:
"Eu me sinto assim encabulado de
conversar com uma pessoa como você,
porque você estudou, você isso, você
aquilo". Eu falei: "Meu amigo, para com
isso, porque se você me colocar na tua
terra, eu vou morrer de fome. Eu não sei
fazer nada do que você sabe fazer, né?
Eu não tenho conhecimento nenhum de tudo
aquilo que você sabe. E a gente teve ali
uma conversa, uma conversa muito legal
que trouxe muito. E as crianças, as
crianças são maravilhosas. Você olha pro
terreiro, você vê o porco passando, o
bode, a cabra, as galinhas, as guinés e
e mais uns outros bichos e as crianças
no meio de todo mundo. Então você fala:
"Que maravilha, as crianças têm t
liberdade aqui também pelo fato de que a
ali no calango, o calango é é uma área
mais central, então é é um é fácil de
mais fácil acesso.
E aí você acha maravilhoso o fato das
crianças terem aquela liberdade. Mas aí
quando a gente ou falar dos abusos que
que acontecem, aí a gente se preocupa
com as crianças, porque as crianças
estão livres, estão mais vulneráveis
também. Então também é um problema. Duas
crianças, dois irmãos que marcam a
gente, marcaram a gente. A mim, né?
Porque algumas pessoas já tinham ido
antes. Tenho um um menino de 14 anos que
parece tem nove, né? que eu era um
barato porque ele ficava olhando pra
gente, parecia que tava assistindo
televisão,
tava ali sempre no meio, sempre
observando tudo, sempre de olho. Muitas
vezes a gente percebia que não tinha
ideia do que a gente tava falando, mas
ele tava lá.
E o irmãozinho que bem pequenininho
assim, você pensa tem um ano e pouco,
fala muito pouco, ele tem 3 anos. os
olhos mais doces, os olhos mais
apaixonados e mais alegres que você já
viu na vida com toda aquela dificuldade
que eles têm. Muito interessante.
Eu eu tanta coisa para contar e pouco
tempo. Algumas frases que eu salvei, a
gente achava que vocês não iam ouvir,
porque eles já se se desiludiram tanto
com tantas promessas que eles duvidam
que a gente primeiro lugar que a gente
fosse, depois que a gente vai voltar.
Ah,
aqui tem comunidade. Na cidade grande
não. Por isso eu voltei.
Uma outra pessoa, prazer na vida é
trabalhar, mas não tem trabalho.
Um um o um o que um homem disse para uma
mulher, mas também é tudo paraos seus
filhos.
É um homem que queria tudo para ele.
Ouvi três vezes mulheres dizendo assim:
"A casa em que eu moro, eu construí eu
mesma com minhas próprias mãos".
Essa é interessante uma dinâmica lá
entre
o homem e a mulher. Ele disse para ela:
"Você nunca vai achar um homem como eu".
Aí ela responde para ele: "Se eu
quisesse um homem como tu, eu ficava
contigo.
Não ia procurar outro igual. Eu vou
querer um homem muito melhor. Quero
outro assim não. Um dia você vai
encontrar uma mulher no teu nível. Aí
você vai dar valor a mim.
[Aplausos]
>> Uma outra. Ele me disse que eu sou feia,
por isso eu não gosto de olhar no
espelho.
Uma outra. O dono da casa fica ficava
atrás de mim o tempo todo.
Eu nunca cedi, mas nunca falei nada
porque eu precisava do trabalho.
Trabalhou lá por anos.
Um outro que perdeu vários irmãos que
bebe para caramba, ele disse assim, eu
perguntei: "Do que morreram seus
irmãos?" Ele falou, um morreu de
acidente de caminhão atropelado, dois
morreram de morte mesmo
e a minha irmã morreu de parto. Quando
eu comecei a perder meus irmãos, eu fui
ficando doido.
>> Aí de vez em quando a gente encontrava
com ele, você tá bem? Ele ele dizia
assim: "Eh, não vou mentir, eu não tô
aqui para mentir, bebi mesmo."
Teve um outro que disse assim: "A gente
olha pra terra da gente, pros animais da
gente, pras abelhas que a gente perdeu,
a gente chora por dentro. Que homem não
pode chorar, né? A gente chora por
dentro. Voltem mesmo, por favor. A gente
ama vocês.
Aí tem a dona Zira, né? A donair é
aquela que no ano passado fez e esse ano
repetiu que ia cantar pra gente, queria
cantar uma música de gratidão. E a
música de gratidão que ela escolheu para
cantar pra gente foi a Deus ingrata.
Um povo muito, muito, muito querido,
muito amoroso, né? Aí tem a onde mora a
dona Zeira, que é no boi morto. Aí tem a
casa, tem a casa da Nadira. A Nadira é
líder comunitário e trabalha conosco com
instituto. E tem a mãe da Nadira, aí vem
a mãe da Nadira, deve ter uns 45
chutando aí. Aí tem a mãe da Nadira e aí
você tá conversando com a mãe da Nadira.
Ela fala da mãe dela: "Ah, a senhora tem
mãe ainda?" "Tenho, tem a mãe. Cadê a
mãe?" Aí você imagina que vem aquela
velhinha, aí vem a mãe pulando. A a avó
da Nadir,
muita energia, muita alegria. Assim sair
do coração, coração cheio. É muito
legal. Muito bom. Deixa eu pregar, senão
me manda embora. Ah,
e na mensagem eu queria falar também de
situações marginais. A gente tá falando
sobre amor na Bíblia nessa série, né? E
é o amor de Deus por quem está à margem,
seja lá quem for, não é? A a vida que
não é perfeita, porque não existe vida
perfeita aqui, não é? eh eh uma história
de graça, história de uma mulher
sobrevivendo à margem da sociedade. O
texto bíblico, ele deixa sempre eh em
algumas histórias mais, em outras menos,
deixa lacunas e e cabe a gente sentar e
conversar e pensar nas possibilidades de
que maneira que a gente vai preencher
essas coisas, de que maneira que a gente
vai entender os sentidos dessas
histórias. E e eu queria convidar você
para bem Josué ou no seu aplicativo ou
se você tiver em casa ou onde você
estiver. Josué capítulo 2,
a gente vê, vai ver aqui de 1 a 7 que
diz assim: "Olha, da localidade de
Sitim, Josué, filho de Não, enviou
secretamente dois espias, dizendo: "Vão
e observem a terra e a cidade de
Jericó". Eles foram, entraram na casa de
uma mulher prostituta, cujo nome era
Raabe, e pousaram ali. Então, a seguinte
notícia chegou aos ouvidos do rei de
Jericó. Eis que essa noite vieram aqui
dois homens, filhos de Israel, para
espiar a terra. E então o rei de Jericó
mandou dizer a Raabe: "Traga para fora
esses homens que vieram a você e que
estão aí na sua casa, porque vieram
espiar a terra". Mas a mulher, que havia
escondido os dois homens, respondeu: "É
verdade que os homens vieram a mim, mas
eu não sabia de onde eram. Quando o
portão da cidade ia ser fechado, já era
escuro e eles saíram. Não sei para onde
foram. Se forem depressa, atrás deles,
ainda os alcançarão. Então, tá, uma
série de coisas. Primeiro, eh, o
contexto, o contexto histórico. Moisés
tinha morrido. Josué assume a liderança
do do povo de Israel que está nascendo
ali e a ordem é que eles cruzem o Jordão
para poder tomar posse da terra de
Canaã. Josué envia dois espias para ir
ver Jericó, que é a cidade
de com muralhas fortificada e tal, e ele
quer saber que aqui eles vão enfrentar
quando chegarem lá. Aí os espiões entram
em Jericóos, pedam na casa de Raabe e
depois voltam para Israel com um reporte
dizendo que Deus entregou
a a terra para eles. Questão contexto
social é mais uma vez mulher no Antigo
Testamento, mulher nos tempos bíblicos,
né? uma série de de uma dificuldade, uma
disparidade gigante entre a o valor da
mulher, a postura da mulher, a percepção
da mulher, ah, como a mulher se se movia
socialmente em comparação com o homem
que era o senhor de tudo e a mulher
vinha como parte do do dos bens dele,
né? Interessante também nesse momento
dessa série a gente tomar algum tempo
para olhar o livro de de Cântico dos
Cânticos, porque tem ali uma exceção a
regra. A gente vê a mulher expressando o
seu desejo sexual erótico pelo seu pelo
seu companheiro. Mas isso não era a
regra. A regra era bem diferente, não é?
A sexualidade e a sexualidade da mulher
é algo do que de que não se falava. Hoje
ainda se fala com reserva na maioria dos
círculos, mas naquela época então não se
falava, não se reconhecia, não é? e a
uma boa maneira de diminuir uma mulher
ou de escolhir uma mulher era colocando
em dúvida, né, em dúvida a a a sex a
moral dela relacionado a a com questões
relacionadas à sexualidade. Mas aqui
nessa história, mais uma vez, Deus nos
escandaliza porque ele apresenta uma uma
história de inclusão e traz para para
dentro, para perto de si, uma mulher que
era considerada
eh que prostituta.
Ah, Deus trabalhando com o marginal.
interessante porque nessa história e
muitas histórias quando se lida com
marginal, com questões marginais, com
gente que vive à margem, a gente vê
problemas muito complexos e e soluções
muito simples. A gente vê dificuldades
muito grandes e ferramentas muito
básicas, muito muito ah muito pequenas,
né? Problemas variados, soluções bem
limitadas. Bom, essa é uma história
esterilizada por nós, né, pelo
cristianismo. A gente conhece a
história, a história não é nova, a gente
já cansou de ouvir, já cansou de contar
essa história, inclusive pros nossos
filhos. Ouvimos quando éramos pequenos e
continuamos passando isso pra frente.
Então, a gente a gente pinta a história
como se fosse uma história de Walt
Disney e conta aquela história pras
crianças e e não volta para prestar
atenção na história e no que a história
traz. História traz trabalhadores do
sexo, né? trabalhadores do sexo
apresentam pra gente alguns alguns
desafios, né? Eh, então quando a gente
para e pensa
mesmo dentro das igrejas que fazem
tantas campanhas para ajudar tantas
comunidades e tantas populações
diferentes, quantas vezes você viu
alguma campanha dentro da da igreja, das
suas igrejas, para atingir, para ajudar,
para dar suporte a pessoas são
trabalhadores do sexo? A gente não sabe
como lidar, a gente não, a gente não, a
gente não tem mecanismo, a gente não,
não desenvolve, a gente não para e
pensa, né? O que a gente desenvolve é
muito julgamento. A gente não avalia que
a grande maioria das pessoas que estão
que recorrem a a a esse a esse trabalho
é porque não tem outra opção, porque não
tinha outro recurso, não é? E e mesmo
que tivesse outro recurso, como por que
que a gente vai vai julgar a pessoa? Mas
a a minoria fez uma escolha para estar
ali e a maioria não viu outra opção além
além daquela. Então, eh e além do que
existe uma a a a grande hipocrisia
social, né? A prostituição, dizem ser a
profissão mais antiga da história,
porque é completamente recriminada e
discriminada e ao mesmo tempo se manteve
essa essa até hoje. Por quê? Porque
existe demanda, né? Então existe
procura, mas a gente, a sociedade usa,
mas não, mas não, não lida com uma
questão que eu queria colocar aqui é que
a gente vê que pensa comigo, o os espias
saem lá do do meio do do povo israelita
e vem para Jericó e eles entram na casa
de Raab, que era prostituta. O que é que
os espias foram fazer na casa de Raabe?
Só para deixar a pergunta, quantas
quantas casas tinham naquela cidade? Por
que que eles tinham que entrar justo na
casa de Raab? Enfim, a gente não fala. E
mas eh uma outra questão que eu acho
interessante é a ironia da história,
porque se você olhar para essa história,
aonde é que se encontra graça nessa
história?
Aonde é que as pessoas são aceitas
incondicionalmente? Aonde é que todos
que batem a porta entram? Na casa de
Raab. A casa de Raabe é a casa da graça,
é a casa da misericórdia da história. É
a casa onde não se discrimina.
Uma outra coisa que eu acho que é
interessante é aonde é que os espias
encontram a Deus? Aonde é que eles
encontram a presença de Deus protegendo
a eles? Na casa de Raab.
Então assim, eh, e especialmente pra
gente que vem de lugares onde a gente
cresceu ouvindo, ah, você não pode ir
aqui, você não pode ir ali, você não
pode ir no cinema, você não pode ir no
teatro. Na verdade, a gente não poderia
nem estar aqui, porque o o os anjos de
Deus não estão ali. Então, então assim,
Deus que é onipresente, onde é que Deus
não tá se Deus é onipresente, não é? E a
gente vê, eh,
a gente não precisa responder, a gente
não precisa preencher todas as lacunas
da história, a gente não precisa chegar
a uma conclusão nas histórias, mas a
gente é bom a gente poder parar e
refletir. Pera aí, tem tem Vamos de que
o que Deus usou nessa história que é é
uma é uma história de situações
extremas, de crises. Em situações
extremas e em crises a gente usa o que a
gente tem. Gente que vive, que vive à
marge, vive em crise, usa o que tem e
usa o que pode. Muitas vezes não o que
quer, nem aquilo que gostaria, nem
aquilo que deveria, mas aquilo que tá à
mão.
Então, então e é é esse tipo de contexto
que a história apresenta pra gente. Uma
outra coisa é que chegam lá os os
guardas do rei, batem a porta e
perguntam para ela: "Escuta, e entraram
em sua casa dois espiões do dos
israelitas lá, onde eles estão?" O que
ela faz?
Mente descaradamente, não é? Mente na
cara limpa, mente muito bem, por sinal.
Ela ela explica e convence a eles de que
de que os espiões não estão lá. Como é
que a gente a gente tem que dar uma uma
revira a volta para poder contar isso
paraa criança? Porque na verdade você
não quer que sua criança minta para
você, mas você tá contando para elas um
uma história com fundo moral, aonde o
personagem principal mente, né? Aí a
gente vem com aquelas desculpas rasas,
aquelas interpretações que não que não
fazem muito sentido. Ah, não mentiu.
Mentiu sim. Mentiu. Não tem como a gente
dizer que não mentiu. Ah, não, mas foi
para proteger os homens de Deus.
mentiu. Questão não é se Deus usa a
mentira. A questão é que Deus usa o que
tem.
É, é que é que Deus opera na vida da
gente. Na vida da gente muitas vezes não
tem muito com que trabalhar e Deus toma
aquilo que tem e transforma.
Uma outra coisa que eu acho que seria
interessante pensar é
se os guardas do rei descobrissem que
ela tinha escondido os espiões, o que
que eles fariam com ela?
O que iria acontecer com Raab se eles
descobrissem que os caras estavam
escondidos lá no fundo? A vida é
complexa, a vida tem muitos, muitas
nuances. A vida não tem, não é perfeita,
não é tão clara, não é tão simples. A
vida não é uma história de crianças onde
a gente diz mente, não mente, faz não
faz. A vida tem muito mais implicações
do que aquilo que a gente que a gente
imagina. E assim que a coisa acontece.
Raab conversa ali com os os espiões e e
pede para eles para eles eh protegerem a
família dela.
O que levanta outra questão, como que
era a questão? Como que era a relação
dessa prostituta com a família? Será que
a família dava suporte? Será que a
família estava presente? Será que a
família ajudava? Será que a família se
preocupava com ela? Que tipo de relação
que eles tinham?
Só para a gente não sabe mais uma
questão para deixar no gancho aí, mas
ela tá preocupada com eles e ela
conversa com os espiões e dizem e diz
assim: "Olha, por favor, eh, cuidem da
minha família". E aí eles dizem para
ela, tome essa corda vermelha, pendure a
corda vermelha na janela, porque todo
mundo que tiver dentro da sua casa,
quando a gente atacar a cidade, a gente
a gente vai proteger. Atacar a cidade é
uma outra discussão que hoje, 2025, a
gente precisaria ter. a gente não tem
tempo para isso. Tem que ver com
colonização, que tem que ver com
apropriação, que tem que ver com essas
questões que é são muito difíceis de
entender. A gente precisa do pastor
Edson aqui conosco para poder sentar e e
discutir sobre isso, porque é eh são
aquelas ordens, entra na cidade, mata
todo mundo, desde os bebês até os mais
velhos. Viva com isso agora.
Não são, a gente não tem essas respostas
e encontrar respostas rasas caus faz um
desserviço muito maior do que um
serviço. Não ajuda em nada.
Mas aqui Raab está preocupada com a
família e eles dizem assim: "Todos que
estiverem na casa estarão estarão
seguros".
É a corda vermelha. E a corda vermelha
nos lembra o quê?
Corda vermelha nos lembra a Páscoa
judaica, né? Nos lembra ali um pouco
depois, quando o povo se estabelece,
quando, aliás, perdão, antes, quando
eles estão no Egito, que eles vão fazer
o sacrifício na Páscoa e eles matam o
cordeiro e passam o sangue do cordeiro
nos nos umbrais da porta. O sacrifício
que remete ao Messias, o sacrifício que
remete ao ao filho de Deus que um dia
viria, é o é o sangue, mais uma vez a
graça presente na casa de Raab.
marginais tornando-se figuras
históricas. E aqui a gente vê o
empoderamento da pessoa marginal, porque
Raabe agora ela é a pessoa com poder.
Raab é aquela que pode salvar e salva.
Raab, aquela que era excluída e que
estava completamente à margem da
sociedade, agora é empoderada e tem e
tem a capacidade de trazer para dentro
do para baixo do seu debaixo do seu
teto, aquelas pessoas que poderiam se
salvar.
>> Interessante. A gente vê em Rab o dom, o
dom da profecia, porque ela fala: "Isso
vai acontecer, eu sei que isso vai
acontecer". e o dom da hospitalidade que
sempre esteve presente e que agora
continua se manifestando de uma outra
maneira e que faz e que faz toda a
diferença para salvar a vida dos espias,
para salvar a vida da sua família, para
salvar a própria vida e acaba se
tornando um instrumento de Deus ali.
Ah,
o livro de Crônicas e e as genealogias
da Bíblia, eles não trazem mulheres,
você sabe disso, né? Sempre fulano que é
pai de Beltrano, que é pai de ciclano,
que é pai, pai, pai, pai, pai. São
sempre os homens. Mas a
a gente vê Mateus quando fala da
genealogia de Jesus, ele inclui quatro
mulheres. Quem são essas mulheres?
Tamar,
Raabe, Rute e Batseba. Sabe o que une
essas quatro mulheres? Um escândalo
sexual.
As na história das quatro, a gente vê
questões sexuais envolvidas. Tamar se
prostituiu para ganhar um filho. Raab é
essa de que nós estamos falando hoje.
Rute iniciou todo um processo de sedução
ali para conseguir sobreviver. Mais uma
vez uma pessoa marginal fazendo o que
tem, fazendo o que pode com aquilo que
tem.
E Batisseba foi por um tempo amante do
rei Davi.
Imaginais se tornando figuras
históricas. Deus nos choca
com essas histórias e com essas imagens
justamente pra gente diminuir o
preconceito em um sentido, pra gente
poder abraçar o outro e pra gente em
algum momento se espera que a gente se
dê conta de que, opa, maravilha, porque
se tem lugar para outras pessoas, se tem
lugar pra gente imperfeita, então tem
lugar para mim. Porque se eu der uma boa
olhada honestamente em mim, na minha
família, na minha história, ela não é
perfeita. Mas não existe isso. Não
existe perfeição, simplesmente existe
vida humana. E as e a vida é assim.
Então Deus trabalha a despeito e chama e
convida,
considerando a complexidade humana. A
história de Raab não é uma história para
crianças, é uma história para adultos.
Bom, Raabe se casa com Salm e eles têm
um filho, Boaz.
Boaz mais tarde é aquele mesmo Boaz que
vai se casar com Rute.
E aí eles têm um outro filho, Obed. Obed
tem um filho, Jessé. Jessé é pai de
quem? Davi. Aqui a gente vê Raab
entrando na genealogia do Messias. Já
Raabe se torna parte da vida de Jesus e
da genealogia da família de Jesus. Gente
comum, vida real.
Vamos orar.
Muito obrigado, Deus pela vida. Muito
obrigado por estares conosco quando
estamos em crise, quando nos sentimos
marginais,
quando não somos incluídos, quando
sentimos que não somos parte. Tu nos
chama, nos inclui, nos ajuda,
nos valoriza.
Que a gente possa estender essa graça a
muitos, muitas outras pessoas que também
se sentem não parte. Te agradecemos
imensamente pelo teu amor, pelo teu
cuidado em teu nome. Amém.

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