Sermão: Gente comum, Vida real
07/08/2025
Sermão: Gente comum, Vida real
Quinto sermão da série AHAVAH, feito pelo pastor Marcos Apolônio na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Você já deve ter ouvido falar da missão Piauí. Alguns aqui já foram, já estiveram lá. Maravilhoso. Foi a minha primeira vez. Começo de julho, primeira semana de julho. Nós fomos num grupo de 15 pessoas. Eh, o lugar em que trabalhamos é a comunidade do Calango. A gente vai para São Raimundo Nonato. Para chegar em São Raimundo Nonato, nós somos primeiro para Petrolina. e de Petrolina tomamos um mini ônibus ali, 4 horas de viagem até chegar em Raimundo Nonato, aonde a gente ficou hospedado. E de lá a gente ia todos os dias pra comunidade do Calango para trabalhar. A comunidade do Calango pertence a um dos maiores dos maiores das maiores áreas quilombolas do do nosso país. São 119 comunidades quilombolas lá e o calango é uma delas. Nós éramos um grupo de 16 pessoas, tínhamos ali duas duas dentistas, duas estudantes de de odonto, eh uma médica, dois estudantes de medicina, assistente social. Eu estava na área de psicoterapia, saúde mental. Tínhamos também uma moça de uma ONG que trabalha com óculos. Eh, e eles levam, já levam os óculos, as armações, são padrão. E aí fazem os exames lá, tinha um oftalmologista conosco e a esposa que trabalha com ele, aí monta o óculos, faz o exame, monta o óculos, entrega o óculos pra pessoa, a pessoa sai de lá com sorriso novo e enxergando. Muito bom, muito bom, maravilhoso. Em uma semana nós fizemos 634 unidades de atendimento juntando, juntando tudo. Povo é maravilhoso. Eu saí de lá com o coração cheio. A gente vai indo buscar isso. A gente aprende antes de humildade cultural, coração aberto e para aprender um trabalho incondicional. a gente não vai lá para catequisar ninguém, a gente não vai lá para para mudar ninguém e a gente vai lá para trabalhar com para aprender de e essa essa é a postura e a gente sai de lá realmente muito humilde e e muito culpado também porque pela pela diferença, pelo disparate, pelas dificuldades que a gente encontra naquele lugar ali no Calango, pra gente chegar na cidade de São Raimundo no Nato, eh custa em média R$ R$ 80 ida e volta. Então você pode varia um pouquinho, né? Você pode ir de moto, pode ir de ônibus ou no que eles chamam de ônibus aberto, que na verdade é um pau de arara, que tem ali os bancos atrás e você pode usar aquilo. Mas pra gente ter uma referência também, uma diária para trabalhar no campo ou trabalhar e fazer alguma coisa na cidade é R$ 70. Então, a dificuldade é muito grande. A gente ficou trabalhando numa numa usou o espaço de uma igreja católica e do lado da Igreja Católica tem ali um bar e ali na igreja católica a gente se na igrejinha a gente se dividiu e nas áreas em que a gente estava trabalhando. Eh, eles plantam maiormente milho, feijão, mandioca e alguns têm são apicultores também. Mas esse ano passado não choveu nada, então uma situação muito muito complicada. A gente foi nas casas de algumas pessoas, as casas de farinha fechada sendo usadas como depósito, porque não teve água e porque não teve água não se a terra produziu muito pouco, colheram ali algum feijão e só muito pouco, uma dificuldade muito grande. A água vem eh das cisternas que o Instituto Sementes e o Instituto Luz tem construído já há bastante tempo, há algum tempo que tem construído lá. Eh, são dois, na verdade, duas equipes, né? Hoje uma vai para construir cisternas e outra vai para cuidar de saúde. Então, quando a gente saiu, tinha uma outra equipe chegando para construir para construir cisternas. Então, você tem água que é a coletada da chuva quando chove quando chove, se vai chover, vai chover entre outubro e março, aí para, aí só vai chover de novo em outubro. Esse é o normal. Mas esse ano não choveu pouquíssimo, choveu muito pouco. Eh, tem as lagoas, mas dizem que a água da lagoa de uma temporada nunca encontra com a água da lagoa da outra temporada, sempre seca tudo. Eh, aí você tem você tem poços, né, mas são poços artesianos. Você precisa cavar 800 m é a média para conseguir alcançar alguma água. E é muito complicado porque a a água que se encontra na maior parte das vezes é água salobra. Então 60% é água salgada, aí uns 20% água doce e 20% nada. Você não não pega não pega nada e tem que pagar de qualquer maneira, né? E tem os caminhões pipa que a que a prefeitura manda de vez em quando em situações como essa, mas não é não é muito e não é muito comum. né? Sofrimento muito grande, muito complicado. Uma das coisas que a gente identifica facilmente lá é como o machismo impera e como o machismo fere também todos, todas as pessoas. É claro que a maior parte do pessoal que acaba usando do machismo como instrumento de manipulação são os homens, mas não demora muito para você perceber que eles também são vítimas de um de um sistema e que aquilo fere fere a eles também uma dor muito grande, alcoolismo muito comum. É muito comum. Tem um número grande de mulheres que bebem, mas a maioria são homens. E tem uma combinação interessante porque tem tem quem tem consegue, tem uma motinho, né? Mas aí você junta o alcoolismo com a motinho e com a falta de capacete que ninguém usa. E aí você imagina o resultado. Ah, os homens a gente sente assim com poucos poucos instrumentos, pouco elaborados, sabe? Pouco, pouco maduros. Não tem muito instrumento para lidar com as dificuldades da vida. Até porque o alcoolismo sequestra o amadurecimento, né? O vício sequestra o amadurecimento, desenvolvimento da pessoa. Então eles não têm muita coisa além do álcool para ir do bar, para poder lidar com as dificuldades da vida. As mulheres muito mais elaboradas. É muito legal ver que a a o instituto já tem uma uma relação com eles, com o pessoal. Então, existe uma relação de confiança, embora não me conhecesse, eu percebi que eu atendi umas 40 pessoas. De todas elas, eu tive uma pessoa com o clássico não sei onde eu, não sei onde começar, que é muito comum, né? Eh, a maioria chegava e sentava na minha frente, senta que lá vem história, toma história aí. E então você percebia uma relação de confiança já estabelecida, um amor, um amor pela, pelo pelo grupo assim impressionante como eles amam e como se envolvem e e como são como as pessoas são gratas, não é? E de vez quando de vez em quando precisa dar uma refreada, né? Um eh a maioria dos homens que vieram conversar acima de eram acima de 50 anos. Os homens na faixa de 30 e dos 40 estavam no bar, não vinham. Um veio, né, conversar comigo nessa faixa etária. Ele falou para mim, ele falou para mim: "Eu me sinto assim encabulado de conversar com uma pessoa como você, porque você estudou, você isso, você aquilo". Eu falei: "Meu amigo, para com isso, porque se você me colocar na tua terra, eu vou morrer de fome. Eu não sei fazer nada do que você sabe fazer, né? Eu não tenho conhecimento nenhum de tudo aquilo que você sabe. E a gente teve ali uma conversa, uma conversa muito legal que trouxe muito. E as crianças, as crianças são maravilhosas. Você olha pro terreiro, você vê o porco passando, o bode, a cabra, as galinhas, as guinés e e mais uns outros bichos e as crianças no meio de todo mundo. Então você fala: "Que maravilha, as crianças têm t liberdade aqui também pelo fato de que a ali no calango, o calango é é uma área mais central, então é é um é fácil de mais fácil acesso. E aí você acha maravilhoso o fato das crianças terem aquela liberdade. Mas aí quando a gente ou falar dos abusos que que acontecem, aí a gente se preocupa com as crianças, porque as crianças estão livres, estão mais vulneráveis também. Então também é um problema. Duas crianças, dois irmãos que marcam a gente, marcaram a gente. A mim, né? Porque algumas pessoas já tinham ido antes. Tenho um um menino de 14 anos que parece tem nove, né? que eu era um barato porque ele ficava olhando pra gente, parecia que tava assistindo televisão, tava ali sempre no meio, sempre observando tudo, sempre de olho. Muitas vezes a gente percebia que não tinha ideia do que a gente tava falando, mas ele tava lá. E o irmãozinho que bem pequenininho assim, você pensa tem um ano e pouco, fala muito pouco, ele tem 3 anos. os olhos mais doces, os olhos mais apaixonados e mais alegres que você já viu na vida com toda aquela dificuldade que eles têm. Muito interessante. Eu eu tanta coisa para contar e pouco tempo. Algumas frases que eu salvei, a gente achava que vocês não iam ouvir, porque eles já se se desiludiram tanto com tantas promessas que eles duvidam que a gente primeiro lugar que a gente fosse, depois que a gente vai voltar. Ah, aqui tem comunidade. Na cidade grande não. Por isso eu voltei. Uma outra pessoa, prazer na vida é trabalhar, mas não tem trabalho. Um um o um o que um homem disse para uma mulher, mas também é tudo paraos seus filhos. É um homem que queria tudo para ele. Ouvi três vezes mulheres dizendo assim: "A casa em que eu moro, eu construí eu mesma com minhas próprias mãos". Essa é interessante uma dinâmica lá entre o homem e a mulher. Ele disse para ela: "Você nunca vai achar um homem como eu". Aí ela responde para ele: "Se eu quisesse um homem como tu, eu ficava contigo. Não ia procurar outro igual. Eu vou querer um homem muito melhor. Quero outro assim não. Um dia você vai encontrar uma mulher no teu nível. Aí você vai dar valor a mim. [Aplausos] >> Uma outra. Ele me disse que eu sou feia, por isso eu não gosto de olhar no espelho. Uma outra. O dono da casa fica ficava atrás de mim o tempo todo. Eu nunca cedi, mas nunca falei nada porque eu precisava do trabalho. Trabalhou lá por anos. Um outro que perdeu vários irmãos que bebe para caramba, ele disse assim, eu perguntei: "Do que morreram seus irmãos?" Ele falou, um morreu de acidente de caminhão atropelado, dois morreram de morte mesmo e a minha irmã morreu de parto. Quando eu comecei a perder meus irmãos, eu fui ficando doido. >> Aí de vez em quando a gente encontrava com ele, você tá bem? Ele ele dizia assim: "Eh, não vou mentir, eu não tô aqui para mentir, bebi mesmo." Teve um outro que disse assim: "A gente olha pra terra da gente, pros animais da gente, pras abelhas que a gente perdeu, a gente chora por dentro. Que homem não pode chorar, né? A gente chora por dentro. Voltem mesmo, por favor. A gente ama vocês. Aí tem a dona Zira, né? A donair é aquela que no ano passado fez e esse ano repetiu que ia cantar pra gente, queria cantar uma música de gratidão. E a música de gratidão que ela escolheu para cantar pra gente foi a Deus ingrata. Um povo muito, muito, muito querido, muito amoroso, né? Aí tem a onde mora a dona Zeira, que é no boi morto. Aí tem a casa, tem a casa da Nadira. A Nadira é líder comunitário e trabalha conosco com instituto. E tem a mãe da Nadira, aí vem a mãe da Nadira, deve ter uns 45 chutando aí. Aí tem a mãe da Nadira e aí você tá conversando com a mãe da Nadira. Ela fala da mãe dela: "Ah, a senhora tem mãe ainda?" "Tenho, tem a mãe. Cadê a mãe?" Aí você imagina que vem aquela velhinha, aí vem a mãe pulando. A a avó da Nadir, muita energia, muita alegria. Assim sair do coração, coração cheio. É muito legal. Muito bom. Deixa eu pregar, senão me manda embora. Ah, e na mensagem eu queria falar também de situações marginais. A gente tá falando sobre amor na Bíblia nessa série, né? E é o amor de Deus por quem está à margem, seja lá quem for, não é? A a vida que não é perfeita, porque não existe vida perfeita aqui, não é? eh eh uma história de graça, história de uma mulher sobrevivendo à margem da sociedade. O texto bíblico, ele deixa sempre eh em algumas histórias mais, em outras menos, deixa lacunas e e cabe a gente sentar e conversar e pensar nas possibilidades de que maneira que a gente vai preencher essas coisas, de que maneira que a gente vai entender os sentidos dessas histórias. E e eu queria convidar você para bem Josué ou no seu aplicativo ou se você tiver em casa ou onde você estiver. Josué capítulo 2, a gente vê, vai ver aqui de 1 a 7 que diz assim: "Olha, da localidade de Sitim, Josué, filho de Não, enviou secretamente dois espias, dizendo: "Vão e observem a terra e a cidade de Jericó". Eles foram, entraram na casa de uma mulher prostituta, cujo nome era Raabe, e pousaram ali. Então, a seguinte notícia chegou aos ouvidos do rei de Jericó. Eis que essa noite vieram aqui dois homens, filhos de Israel, para espiar a terra. E então o rei de Jericó mandou dizer a Raabe: "Traga para fora esses homens que vieram a você e que estão aí na sua casa, porque vieram espiar a terra". Mas a mulher, que havia escondido os dois homens, respondeu: "É verdade que os homens vieram a mim, mas eu não sabia de onde eram. Quando o portão da cidade ia ser fechado, já era escuro e eles saíram. Não sei para onde foram. Se forem depressa, atrás deles, ainda os alcançarão. Então, tá, uma série de coisas. Primeiro, eh, o contexto, o contexto histórico. Moisés tinha morrido. Josué assume a liderança do do povo de Israel que está nascendo ali e a ordem é que eles cruzem o Jordão para poder tomar posse da terra de Canaã. Josué envia dois espias para ir ver Jericó, que é a cidade de com muralhas fortificada e tal, e ele quer saber que aqui eles vão enfrentar quando chegarem lá. Aí os espiões entram em Jericóos, pedam na casa de Raabe e depois voltam para Israel com um reporte dizendo que Deus entregou a a terra para eles. Questão contexto social é mais uma vez mulher no Antigo Testamento, mulher nos tempos bíblicos, né? uma série de de uma dificuldade, uma disparidade gigante entre a o valor da mulher, a postura da mulher, a percepção da mulher, ah, como a mulher se se movia socialmente em comparação com o homem que era o senhor de tudo e a mulher vinha como parte do do dos bens dele, né? Interessante também nesse momento dessa série a gente tomar algum tempo para olhar o livro de de Cântico dos Cânticos, porque tem ali uma exceção a regra. A gente vê a mulher expressando o seu desejo sexual erótico pelo seu pelo seu companheiro. Mas isso não era a regra. A regra era bem diferente, não é? A sexualidade e a sexualidade da mulher é algo do que de que não se falava. Hoje ainda se fala com reserva na maioria dos círculos, mas naquela época então não se falava, não se reconhecia, não é? e a uma boa maneira de diminuir uma mulher ou de escolhir uma mulher era colocando em dúvida, né, em dúvida a a a sex a moral dela relacionado a a com questões relacionadas à sexualidade. Mas aqui nessa história, mais uma vez, Deus nos escandaliza porque ele apresenta uma uma história de inclusão e traz para para dentro, para perto de si, uma mulher que era considerada eh que prostituta. Ah, Deus trabalhando com o marginal. interessante porque nessa história e muitas histórias quando se lida com marginal, com questões marginais, com gente que vive à margem, a gente vê problemas muito complexos e e soluções muito simples. A gente vê dificuldades muito grandes e ferramentas muito básicas, muito muito ah muito pequenas, né? Problemas variados, soluções bem limitadas. Bom, essa é uma história esterilizada por nós, né, pelo cristianismo. A gente conhece a história, a história não é nova, a gente já cansou de ouvir, já cansou de contar essa história, inclusive pros nossos filhos. Ouvimos quando éramos pequenos e continuamos passando isso pra frente. Então, a gente a gente pinta a história como se fosse uma história de Walt Disney e conta aquela história pras crianças e e não volta para prestar atenção na história e no que a história traz. História traz trabalhadores do sexo, né? trabalhadores do sexo apresentam pra gente alguns alguns desafios, né? Eh, então quando a gente para e pensa mesmo dentro das igrejas que fazem tantas campanhas para ajudar tantas comunidades e tantas populações diferentes, quantas vezes você viu alguma campanha dentro da da igreja, das suas igrejas, para atingir, para ajudar, para dar suporte a pessoas são trabalhadores do sexo? A gente não sabe como lidar, a gente não, a gente não, a gente não tem mecanismo, a gente não, não desenvolve, a gente não para e pensa, né? O que a gente desenvolve é muito julgamento. A gente não avalia que a grande maioria das pessoas que estão que recorrem a a a esse a esse trabalho é porque não tem outra opção, porque não tinha outro recurso, não é? E e mesmo que tivesse outro recurso, como por que que a gente vai vai julgar a pessoa? Mas a a minoria fez uma escolha para estar ali e a maioria não viu outra opção além além daquela. Então, eh e além do que existe uma a a a grande hipocrisia social, né? A prostituição, dizem ser a profissão mais antiga da história, porque é completamente recriminada e discriminada e ao mesmo tempo se manteve essa essa até hoje. Por quê? Porque existe demanda, né? Então existe procura, mas a gente, a sociedade usa, mas não, mas não, não lida com uma questão que eu queria colocar aqui é que a gente vê que pensa comigo, o os espias saem lá do do meio do do povo israelita e vem para Jericó e eles entram na casa de Raab, que era prostituta. O que é que os espias foram fazer na casa de Raabe? Só para deixar a pergunta, quantas quantas casas tinham naquela cidade? Por que que eles tinham que entrar justo na casa de Raab? Enfim, a gente não fala. E mas eh uma outra questão que eu acho interessante é a ironia da história, porque se você olhar para essa história, aonde é que se encontra graça nessa história? Aonde é que as pessoas são aceitas incondicionalmente? Aonde é que todos que batem a porta entram? Na casa de Raab. A casa de Raabe é a casa da graça, é a casa da misericórdia da história. É a casa onde não se discrimina. Uma outra coisa que eu acho que é interessante é aonde é que os espias encontram a Deus? Aonde é que eles encontram a presença de Deus protegendo a eles? Na casa de Raab. Então assim, eh, e especialmente pra gente que vem de lugares onde a gente cresceu ouvindo, ah, você não pode ir aqui, você não pode ir ali, você não pode ir no cinema, você não pode ir no teatro. Na verdade, a gente não poderia nem estar aqui, porque o o os anjos de Deus não estão ali. Então, então assim, Deus que é onipresente, onde é que Deus não tá se Deus é onipresente, não é? E a gente vê, eh, a gente não precisa responder, a gente não precisa preencher todas as lacunas da história, a gente não precisa chegar a uma conclusão nas histórias, mas a gente é bom a gente poder parar e refletir. Pera aí, tem tem Vamos de que o que Deus usou nessa história que é é uma é uma história de situações extremas, de crises. Em situações extremas e em crises a gente usa o que a gente tem. Gente que vive, que vive à marge, vive em crise, usa o que tem e usa o que pode. Muitas vezes não o que quer, nem aquilo que gostaria, nem aquilo que deveria, mas aquilo que tá à mão. Então, então e é é esse tipo de contexto que a história apresenta pra gente. Uma outra coisa é que chegam lá os os guardas do rei, batem a porta e perguntam para ela: "Escuta, e entraram em sua casa dois espiões do dos israelitas lá, onde eles estão?" O que ela faz? Mente descaradamente, não é? Mente na cara limpa, mente muito bem, por sinal. Ela ela explica e convence a eles de que de que os espiões não estão lá. Como é que a gente a gente tem que dar uma uma revira a volta para poder contar isso paraa criança? Porque na verdade você não quer que sua criança minta para você, mas você tá contando para elas um uma história com fundo moral, aonde o personagem principal mente, né? Aí a gente vem com aquelas desculpas rasas, aquelas interpretações que não que não fazem muito sentido. Ah, não mentiu. Mentiu sim. Mentiu. Não tem como a gente dizer que não mentiu. Ah, não, mas foi para proteger os homens de Deus. mentiu. Questão não é se Deus usa a mentira. A questão é que Deus usa o que tem. É, é que é que Deus opera na vida da gente. Na vida da gente muitas vezes não tem muito com que trabalhar e Deus toma aquilo que tem e transforma. Uma outra coisa que eu acho que seria interessante pensar é se os guardas do rei descobrissem que ela tinha escondido os espiões, o que que eles fariam com ela? O que iria acontecer com Raab se eles descobrissem que os caras estavam escondidos lá no fundo? A vida é complexa, a vida tem muitos, muitas nuances. A vida não tem, não é perfeita, não é tão clara, não é tão simples. A vida não é uma história de crianças onde a gente diz mente, não mente, faz não faz. A vida tem muito mais implicações do que aquilo que a gente que a gente imagina. E assim que a coisa acontece. Raab conversa ali com os os espiões e e pede para eles para eles eh protegerem a família dela. O que levanta outra questão, como que era a questão? Como que era a relação dessa prostituta com a família? Será que a família dava suporte? Será que a família estava presente? Será que a família ajudava? Será que a família se preocupava com ela? Que tipo de relação que eles tinham? Só para a gente não sabe mais uma questão para deixar no gancho aí, mas ela tá preocupada com eles e ela conversa com os espiões e dizem e diz assim: "Olha, por favor, eh, cuidem da minha família". E aí eles dizem para ela, tome essa corda vermelha, pendure a corda vermelha na janela, porque todo mundo que tiver dentro da sua casa, quando a gente atacar a cidade, a gente a gente vai proteger. Atacar a cidade é uma outra discussão que hoje, 2025, a gente precisaria ter. a gente não tem tempo para isso. Tem que ver com colonização, que tem que ver com apropriação, que tem que ver com essas questões que é são muito difíceis de entender. A gente precisa do pastor Edson aqui conosco para poder sentar e e discutir sobre isso, porque é eh são aquelas ordens, entra na cidade, mata todo mundo, desde os bebês até os mais velhos. Viva com isso agora. Não são, a gente não tem essas respostas e encontrar respostas rasas caus faz um desserviço muito maior do que um serviço. Não ajuda em nada. Mas aqui Raab está preocupada com a família e eles dizem assim: "Todos que estiverem na casa estarão estarão seguros". É a corda vermelha. E a corda vermelha nos lembra o quê? Corda vermelha nos lembra a Páscoa judaica, né? Nos lembra ali um pouco depois, quando o povo se estabelece, quando, aliás, perdão, antes, quando eles estão no Egito, que eles vão fazer o sacrifício na Páscoa e eles matam o cordeiro e passam o sangue do cordeiro nos nos umbrais da porta. O sacrifício que remete ao Messias, o sacrifício que remete ao ao filho de Deus que um dia viria, é o é o sangue, mais uma vez a graça presente na casa de Raab. marginais tornando-se figuras históricas. E aqui a gente vê o empoderamento da pessoa marginal, porque Raabe agora ela é a pessoa com poder. Raab é aquela que pode salvar e salva. Raab, aquela que era excluída e que estava completamente à margem da sociedade, agora é empoderada e tem e tem a capacidade de trazer para dentro do para baixo do seu debaixo do seu teto, aquelas pessoas que poderiam se salvar. >> Interessante. A gente vê em Rab o dom, o dom da profecia, porque ela fala: "Isso vai acontecer, eu sei que isso vai acontecer". e o dom da hospitalidade que sempre esteve presente e que agora continua se manifestando de uma outra maneira e que faz e que faz toda a diferença para salvar a vida dos espias, para salvar a vida da sua família, para salvar a própria vida e acaba se tornando um instrumento de Deus ali. Ah, o livro de Crônicas e e as genealogias da Bíblia, eles não trazem mulheres, você sabe disso, né? Sempre fulano que é pai de Beltrano, que é pai de ciclano, que é pai, pai, pai, pai, pai. São sempre os homens. Mas a a gente vê Mateus quando fala da genealogia de Jesus, ele inclui quatro mulheres. Quem são essas mulheres? Tamar, Raabe, Rute e Batseba. Sabe o que une essas quatro mulheres? Um escândalo sexual. As na história das quatro, a gente vê questões sexuais envolvidas. Tamar se prostituiu para ganhar um filho. Raab é essa de que nós estamos falando hoje. Rute iniciou todo um processo de sedução ali para conseguir sobreviver. Mais uma vez uma pessoa marginal fazendo o que tem, fazendo o que pode com aquilo que tem. E Batisseba foi por um tempo amante do rei Davi. Imaginais se tornando figuras históricas. Deus nos choca com essas histórias e com essas imagens justamente pra gente diminuir o preconceito em um sentido, pra gente poder abraçar o outro e pra gente em algum momento se espera que a gente se dê conta de que, opa, maravilha, porque se tem lugar para outras pessoas, se tem lugar pra gente imperfeita, então tem lugar para mim. Porque se eu der uma boa olhada honestamente em mim, na minha família, na minha história, ela não é perfeita. Mas não existe isso. Não existe perfeição, simplesmente existe vida humana. E as e a vida é assim. Então Deus trabalha a despeito e chama e convida, considerando a complexidade humana. A história de Raab não é uma história para crianças, é uma história para adultos. Bom, Raabe se casa com Salm e eles têm um filho, Boaz. Boaz mais tarde é aquele mesmo Boaz que vai se casar com Rute. E aí eles têm um outro filho, Obed. Obed tem um filho, Jessé. Jessé é pai de quem? Davi. Aqui a gente vê Raab entrando na genealogia do Messias. Já Raabe se torna parte da vida de Jesus e da genealogia da família de Jesus. Gente comum, vida real. Vamos orar. Muito obrigado, Deus pela vida. Muito obrigado por estares conosco quando estamos em crise, quando nos sentimos marginais, quando não somos incluídos, quando sentimos que não somos parte. Tu nos chama, nos inclui, nos ajuda, nos valoriza. Que a gente possa estender essa graça a muitos, muitas outras pessoas que também se sentem não parte. Te agradecemos imensamente pelo teu amor, pelo teu cuidado em teu nome. Amém.