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A fé vem pelo ouvir

Sermão: A Bíblia e Suas Traduções

Sermão: A Bíblia e Suas Traduções

Sermão: A Bíblia e Suas Traduções

Quinto sermão da série "A Bíblia", feito pelo pastor Edson Nunes na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Eterno nosso pai e eterno nosso rei.
Muito obrigado, Senhor, por Cristo
Jesus,
a palavra, o verbo que se fez carne.
Muito obrigado, porque através dele
todos nós temos vida e vida em
abundância.
Obrigado porque através dele todos nós
somos chamados filhos e filhas e
chamados paraa tua casa e paraa tua
mesa,
>> Senhor. Agora, mais uma vez que vamos
estudar a tua palavra, a palavra
escrita, a revelação escrita, que teu
espírito possa atuar na nossa mente, o
nosso coração. É o que nós te imploramos
em nome dele, Jesus Cristo. Amém,
Senhor. Amém.
Olá, seja bem-vindo. Muito obrigado por
estar aqui com a gente no Teatro All no
Shopping Pat Genópolis e muito obrigado
por estar com a gente aí na sua casa, no
transporte público, no seu carro ou às
vezes até no seu trabalho que não é
muito aconselhável também, né? A gente
tá numa série chamada Bíblia. é uma
série eh difícil, porque a gente lida
com temas e com coisas que a gente não
tá acostumado a lidar e a ouvir e a
estudar, mas é uma série extremamente
importante pra gente
entender o que é esse livro que a gente
julga ser um livro sagrado pra nossa
existência, pra nossa experiência, pra
nossa espiritualidade.
E se é esse livro sagrado, a gente
precisa entender ele cada vez melhor
para entender o que é justo esperar dele
e o que aquilo que não é justo a gente
esperar do texto bíblico. E a gente tem
visto ao longo das últimas semanas
questões importantes sobre esse texto, a
complexidade desse texto, a complexidade
da história desse texto, os manuscritos,
né? A gente não tem acesso aos
originais, mas às cópias. E hoje a gente
vai trabalhar mais um tema espinhoso e
complexo, que é o tema da tradução
desse texto. Como vocês já viram, pastor
Aqueldan falou, esse texto não foi
escrito em português, né, nem inglês,
nem italiano, esse texto, nem em
espanhol. Esse texto foi escrito em
hebraico,
em aramaico, algumas partes, e em grego,
novo testamento. E acho que a maior
parte de nós não conhece essas línguas,
né? Eh, não tem acesso a essas línguas.
O ideal seria que todos nós soubéssemos,
mas enfim, nem todos nós podemos estudar
hebraico, grego e aramaico, mas seria
muito bom se a gente pudesse, vocês iam
se deliciar.
Mas é um texto escrito em outra língua e
a gente vai ler na língua que a gente
conhece, na nossa língua materna ou nas
línguas que a gente aprende, a gente vai
ler essas traduções que foram feitas e a
gente precisa entender esse processo eh
de tradução. Então, a partir de uma de
um resumo, vamos dizer assim, vamos
entender essas traduções, a gente pode
fazer um resumo, a grosso modo, que é o
básico do básico do básico pra gente
entender eh como é que funcionam as
traduções que a gente tem acesso. Eu não
vou fazer aqui nenhum histórico para
vocês não ficarem cansados, mas a gente
vai trabalhar alguns conceitos bem
simples, bem simplórios e bem resumidos.
Eh, existem basicamente três tipos de
tradução do texto bíblico que vocês têm,
que nós temos acesso. Um primeiro tipo
que a gente chama de equivalência formal
ou tradução literal, que é aquela
tradução em que o tradutor ele tá
preocupado em manter a forma e o estilo
do texto de partida, tá? Do texto de
origem. A gente não vai chamar de
original para não confundir a cabeça de
vocês, mas desse texto de partida da
língua que é a língua estranha, que é a
língua estrangeira. Também não vou usar
a língua estranha que pode complicar a
cabeça de alguns. Então essa língua
estrangeira, tá? Que nós não temos
conhecimento. Então o tradutor nessa
equivalência formal, ele tá muito
preocupado com essa forma, esse estilo
do texto de partida. e ele vai tentar
manter a todo custo esse estilo, essa
forma na hora de traduzir para paraa
língua eh de de destino, né, pro texto
de destino. Então, essa tradução mais
formal, essa equivalência formal ou
tradução literal, um exemplo muito
importante que a gente tem em português
é Ameida revista e atualizada, tá? que é
um texto muito comum, a maior parte de
nós já leu esse texto em algum momento
da vida e a maior parte dos versos que a
gente sabe decora é dessa tradução,
porque é a mais foi durante muito tempo
a mais popular em língua portuguesa. Uma
outra, um outro exemplo é a Almeida
corrigida fiel, tá? São dois textos em
que a intenção do tradutor é eh a
preocupação, vamos dizer assim, do
tradutor é mais com o texto de origem,
tá? Com texto de saída, né? De partida
lá, aquele texto da outra língua, da
língua estrangeira. a gente tem o que a
gente chama de equivalência, eh,
equivalência dinâmica, tá? Ou tradução
funcional. Essa equivalência dinâmica ou
tradução funcional, ela vai tentar
manter uma equivalência,
né, entre os textos. Então, ela vai
olhar pra forma, olhar pro conteúdo do
texto de partida, do texto de origem, do
texto da língua estrangeira. e ela vai
tentar manter na língua de destino, na
língua, né, que você vai ler no
português, ela vai tentar manter essa
equivalência da forma e do conteúdo, mas
ela ao tentar manter o impacto que o
texto tinha na língua eh de partida, ela
vai talvez às vezes modificar ou mexer
em alguma coisa na língua de chegada,
tá? porque ela quer manter a a o
impacto, ela quer manter a força do
texto original. Então, ela vai tentar
equivaler, ela vai tentar ser dinâmica,
ela não vai manter a forma e o estilo se
aquilo não tiver o mesmo impacto em na
língua de destino, tá? Entenderam? Mais
ou menos? Então, ela teu preocupada com
as duas coisas, com a língua eh eh de
saída e com a língua de chegada. Ela tá
preocupada com as duas coisas. Ela tenta
manter esse equilíbrio, né? essa
equivalência. E você tem uma tradução
que não é a melhor para estudos, mas é
uma tradução que tem se popularizado,
que é essa tradução parafraseada, né?
Você pega o sentido do que foi escrito,
o sentido do texto e aí você eh eh
coloca na língua de chegada do jeito que
vai ser melhor entendido. Isso tem se
popularizado muito com diversos tipos de
tradução e até de memes na internet, né?
Então vocês já devem ter visto aquele
videozinho curto, famoso, que é
a tradução da da do da galera da, né,
dos manos, né? Eh, então tem todo um, e
aí o Senhor é meu pastor e tal e tem
toda uma mudança lá para pra galera
entender o que a Bíblia tá dizendo. Essa
paráfrase não há uma preocupação tão
grande com a forma e com o estilo. Na
verdade, não há nenhuma preocupação, mas
há preocupação sim com o entendimento,
ou seja, o foco é o entendimento das
pessoas, tá? Então, um exemplo de
tradução eh formal, de equivalência
formal é a ára, que eu já falei ao meio
da revista atualizada. Um exemplo de
tradução dinâmica, né, de equivalência
dinâmica é a Nova Almeida atualizada,
que é o texto inclusive que eu tô usando
aqui. E um exemplo de uma Bíblia
parafraseada, é uma Bíblia muito popular
chamada A mensagem que o pastor Eudine
Peterson traduziu. É uma Bíblia muito
gostosa de ler, que ela é muito fluída,
tá? Então são basicamente esses três
modelos que a gente tem, a grosso modo.
Só que a tradução de um texto é sempre
um processo complicado, é sempre
processo difícil, não é simples, ainda
mais quando envolve um certo uma certa
arte, né? Então eu lembro que o primeiro
o primeiro curso de extensão que eu fiz
assim em Bíblia foi na Universidade
Hebraica de Jerusalém e foi sobre poesia
bíblica e era uma sala com umas 10, 11
pessoas. Eh, e eu era o mais novo da
sala, na época eu tinha 24 e era o mais
novo da sala e todo mundo já tinha
mestrado, doutorado e eu tava me
graduando ainda, né, em teologia e em
letras. E aí a galera da sala era todo
mundo vinculado a alguma instituição de
tradução ou a sociedade bíblica
internacional ou algum outra igreja que
tinha tradutores que estavam traduzindo
a Bíblia para dialetos, dialetos
africanos, dialetos asiáticos e assim
por diante. Então, era uma um foi um
laboratório para mim maravilhoso, porque
eu era o mais novinho, eu ficava vendo
as discussões sobre como traduzir os
salmos, por exemplo, como é que você vai
traduzir poesia. E geralmente a pros ela
usa palavras que são mais comuns, que
são mais normais na língua, mas a poesia
não. A poesia vai usar a palavra mais
rebuscada, vai usar construções
sintáticas diferentes, vai usar uma
forma eh mais complexa e tal. Então,
traduzir poesia e manter a poesia como
poesia é uma tarefa ercúlia, é muito
complexa. E essa, aliás, por exemplo, é
uma das grandes críticas que se fazem,
que se faz a uma das traduções também
muito populares, chama a Bíblia de
Jerusalém, né, que é uma tradução
católica, que na parte da poesia a
galera ficou muito livre, foi traduzindo
meio, né, eh, como a chave e tal. Então
é muito complexo e além dessa
complexidade de entender as palavras, de
entender a sintaxe, a frase, a
organização e tudo, você tem dificuldade
de entender o estilo literário. Então o
tradutor, ele tá sempre dependente, em
primeiro lugar, de dicionários.
Maior parte das vezes o tradutor, ele
não é um etimólogo, ou seja, ele não
estudou a origem das palavras, ele não é
um filólogo, ele não sabe, ele não
estudou as palavras em si, a formação
das palavras, etc. Então ele vai
precisar de dicionários,
dicionários etimológicos. Da onde é que
vê essa palavra, de que em que língua
ela se originou? O que que ela queria
dizer na língua de origem? Como é que
ela era usada? Como é que ela tá sendo
usada na Bíblia e assim por diante.
Então ele vai depender de outros
recursos. E esses recursos eles foram se
desenvolvendo com tempo, eles não foram
não apareceram do nada, né? Então, por
exemplo, a primeira tradução ah do texto
do hebraico para outra língua, o grego,
a septoaginta, a famosa septoaginta, a
gente, vocês falaram eh semana passada,
pastor Marcelo falou um pouco, você tem
são rabinos, são judeus que tm o
conhecimento hebraico traduzindo pro
grego, né? Então você vai ter ao longo
da história processos de tradução que
vão depender de uma pessoa, de duas
pessoas que são as únicas naquele
contexto que tinham o conhecimento da
língua de dos manuscritos bíblicos.
E elas vão depender de acessos a
dicionários, a estudos etimológicos e
tal. Mas além disso, tem a questão do
estilo, do gênero literário, da da das
construções literárias do texto bíblico,
que é um conhecimento que aconteceu ou
está acontecendo nos últimos 50, 60
anos.
Então, a partir do final da década de
70, início da década de 80, que se
começou a estudar de verdade, de fato,
os estilos, eh, digamos, os gêneros
literários do texto bíblico. Ou seja, a
maior parte das nossas traduções
antigas, elas não têm essa preocupação
com o estilo literário, com o gênero.
Hum. Como é que ele escreveu? Em que
gênero literário ele escreveu? Vou dar
um exemplo que é um um um exemplo
controverso, já me rendeu problemas no
passado, então não vai ser novidade para
ninguém, mas vocês vão entender. O livro
de Ester, então é um parênteses, tem
três livros no Antigo Testamento que são
discutidos pelos rabinos sobre a
presença dele eh desses três livros no
canon,
que é o livro de Ester, uma questão da
aparição de Deus ou não, dirigindo o
processo. O livro de Cântico dos
Cânticos, pela sexualidade, sensualidade
envolvida no livro, e o livro de
Eclesiastes, por ter um tom muito
pessimista, tá? Eles vão discutir se
esses livros deveriam estar no canon, ou
seja, o canon já estava fechado. Vocês
vão, a gente vai discutir isso semana
que vem, no último episódio da série. O
canon já tava fechado e eles ainda
estavam discutindo se deveriam estar no
canon ou não.
Fecha parênteses. O livro de Sterro a
gente descobriu mais recentemente que
ele foi escrito em forma de comédia.
Ele é um estilo de comédia.
Só que quando a gente fala em comédia no
Brasil, a gente vocês logo pensam em
trapalhões, né? O Didi, o Dedé, o
Mussum, Zacarias e tal, é torta na cara.
Aí você pensa na flor do palhaço que sai
água e tal. É esse estilo que a gente
pensa. E obviamente comédia não é isso,
vocês sabem disso. Isso daí é pastelão,
né? Mas a comédia é aquele texto que é
feito para as pessoas rirem,
né? Pr as pessoas rirem. É um texto com
caricaturas,
né? Mas já viram a caricatura? Você, o
que que você faz na caricatura? Você
realça algum elemento da pessoa para
causar risada. Então, no meu caso, a
pessoa geralmente realça o meu nariz e a
minha barriga, né? Então, numa
caricatura fico com narigão e com
barrigão, porque é para causar riso. Às
vezes a gente não gosta, né? Ou vocês
filmam de baixo para cima aqui, aí fica
só minha barriga e posta o vídeo na
internet, fica bom. Pois é, né? A vida,
né, que eu vou fazer.
Mas Estter tá escrito nessa forma de
comédia pr as pessoas rirem.
Tá? Então, por exemplo, Amã, que é o
grande vilão do livro de Ester, Amã é um
paspalhão. Ele é um vilão que ninguém
tem medo, porque tudo que ele faz dá
errado.
Lembra disso? Ele quer ser exaltado pelo
rei, o rei exalta Mardoqueu. Ele quer
matar Mardoqueu, ele acaba morrendo no
lugar que ele construiu para matar
Mardoqueu, na foca. Vocês lembram das
histórias? Então ele é o cara que
ninguém tem medo porque tudo que ele faz
dá errado. Então ele é um vilão para
você rir dele.
E aqui um outro parênteses, gente,
quando a gente fala que é comédia, a
gente não tá dizendo que a história é
engraçada, é que a pessoa escolheu
contar a história de uma maneira
engraçada.
Não quer também dizer que a história
aconteceu ou não aconteceu. Não estamos
discutindo a questão histórica. Pela fé
a gente acredita que aconteceu. Tão
entendendo? Então a questão é, o
narrador escolheu contar essa história
da maneira para você rir.
Então a mã esse vilão paspalhão. Aí você
tem uma parada engraçada que é uma
crítica ao império medopersa,
só que é uma crítica feita de um jeito
engraçado. Os correios do império
medopersa são a coisa mais
impressionante da antistória antiga.
Porque o rei dá assina o decreto no
mesmo dia, todo mundo já sabe.
A parada faz que nem internet. como se
tivesse celular na época. A notícia já
sai na hora. Então o narrador ele tá
zombando do império medopés ao dizer que
os correios eram a melhor coisa que
acontecia lá. O rei não decide nada. O
rei hora tá na mão de um, hora tá na mão
de outro. Ele nunca é um cara que toma
decisão por ele mesmo. Ele é sempre
influenciado pelo outro. Por é um livro
escrito para as pessoas rirem. E como
toda boa comédia é um livro que tá
zombando
de quem tem o poder. A comédia é feita
maiormente para zombar de quem tem o
poder.
Então esse livro é para zombar do
império medopers e para mostrar o
caráter resoluto e perseverante dos
judeus.
Isso é um estilo.
Só que os nossos tradutores para todas
as línguas, inclusive inglês, etc.
portuguesa, eles não tinham esse
conhecimento dessa sutileza eh da
comédia, do gênero comédia no texto
bíblico, do uso das metáforas, dos
antropoformismos,
que é essa maneira de colocar Deus com
reações humanas, eles tinham
dificuldade.
Então eles vão ter dificuldade com
várias coisinhas que vão acontecendo no
texto bíblico.
Por exemplo, o nome Elohim, substantivo
Elohim é um substantivo plural.
Ele tá no plural, a terminação dele é de
plural.
Então o singular seria eh eloá, el e
tal. É o substantivo deus singular, mas
ele aparece no no texto bíblico
maiormente no plural, Elohim. Só que
Elohim é um designativo de divindade.
Então Baal é Elohim, Marduk é Elohim, os
deuses são Elohim dos povos. E na
Bíblia, Yahu é, Javé é Elohim. Então ele
fala: "Eu sou o Senhor Yahweu é teu
Elohim".
Entenderam? Aí alguns descobrem: "Ah,
Elohim tá no plural". Bom, o povo era
politeísta porque Elohim é deuses no
plural. Só que acontece um fenômeno na
Bíblia que a maior parte das vezes, a
esmagadora maioria das vezes em que a
palavra Elohim aparece, o verbo está no
singular,
porque ele tá se referindo a um Deus.
Isso, por exemplo, Gênesis capítulo 1,
verso 1. No princípio criou Deus os céus
e a terra. O nome aqui, o substantivo
aqui é Elohim, mas o verbo bará está no
singular,
só que acontece um fenômeno. Então,
vamos ler, por exemplo, Êxodo capítulo
32, na história do bezerro de ouro.
A Arão convoca todo mundo para entregar
joias e tal, não sei o que lá. Aí diz o
texto, verso 4, Êxodo 32, verso 4. Este,
recebendo-os das mãos deles, trabalhou o
ouro com buuril e fez dele um bezerro de
metal fundido. Então disseram: "São
estes, ó Israel, os seus deuses que
tiraram você da terra do Egito?" Aqui o
tradutor mantém Elohim com verbo no
plural para justamente passar a ideia de
deuses. E o contexto aqui é de uma
adoração pagã. Eles vão adorar uma
imagem.
Tão entendendo?
Só que, por exemplo, quando você abre a
sua Bíblia em Gênesis capítulo 20,
você tem um fenômeno interessante.
Aqui é a história de Abraão com
Abimelec. Abraão meio que mente dizendo
que Sara era irmã dele. Eu não vou nem
entrar nessa discussão que eu acho que
Abraão mente duas vezes, mas isso é uma
outra discussão. Então aqui Abraão
mentiu que Sara era irmã. Abimelec quer
casar com Sara. Sara já tava esperando o
filho da promessa. Deus aparece para
Abimelec em sonho, que a primeira vez
que Deus aparece em sonho para alguém é
para um rei pagão. E Deus fala: "Olha,
Sara, ô Abimelec, você não pode casar
com Sara, tal, tal, tal, tal, tal, tal,
tal". Aí Abimelec vai conversar com
Abraão e fala: "Abraão, Abraão, que que
que é isso que você fez, bicho?"
Aí Abraão vai se explicar. Aí ele diz
assim: "É que eu pensei, certamente,
capítulo 20 verso 11, certamente não há
temor de Deus nesse lugar e eles me
matarão por causa da minha mulher. Por
outro lado, ela é de fato minha irmã por
parte de pai, mas não por parte de mãe e
veio a ser minha mulher." Verso 13.
Quando Deus me faz sair de casa, me fez
sair de casa na casa do meu pai para
andar errante por aí, eu disse a ela:
"Olha, faça um favor para mim. Em todo
lugar que nós formos, você dirá que eu
sou o seu irmão." Só que aqui, quando
ele fala, quando Deus me fez sair de
casa, na verdade o texto tá com Elohim e
o verbo no plural.
Então, a tradução do texto deve assim:
"Quando os deuses me fizeram sair de
casa, eu falei com Sara: "Olha, diga
para todo mundo que a gente é irmão".
Então, em Êxodo 32,
o tradutor traduziu Elohim no plural,
porque o verbo estava no plural.
Mas em Gênesis 20, o tradutor escolheu
não traduzir Elohim no plural, mesmo com
o verbo no plural. Por quê? Porque ele
pensou assim: "Bom, Abraão aqui já tá
adorando a Deus. O nome dele já foi
mudado. Abraão não é mais politeísta
como aqueles que estão em volta dele,
mas ele é monoteísta.
Então o manuscrito deve est errado, deve
ter algum equívoco aqui. Eu vou corrigir
esse equívoco para as pessoas entenderem
que Abraão já é monoteísta.
Então, o tradutor, ele toma uma decisão
de traduzir de um jeito e é uma decisão
que não é uma decisão textual,
é uma decisão ideológica, filosófica,
doutrinária, o que você quiser chamar.
Tão entendendo? E aqui não significa
pensar que Abraão é politeísta ou
moniteísta. Talvez essa nem seja o
problema. Talvez Abraão estivesse se
comunicando com Abimelec da maneira que
Abimelec entendesse. E Abimelec era
politeísta. Então ele pode ter falado,
ó, quando os deuses, em vez de falar
quando deuses, ele foi quando os deuses
me fizeram sair e tal. Mas você entende
que é uma decisão do tradutor traduzir
desse jeito?
Vocês entendem, né? Outra decisão
interessante em em Êxodo capítulo 31, se
você quiser ir lá comigo, em Êxodo
capítulo 31 tem um texto que fala do
sábado, que é assim, ó, capítulo 31
verso 17. Quando Deus tá falando do
sábado como o sinal da aliança e tal,
ele diz assim, verso 17, entre mim os
filhos de Israel é sinal para sempre,
porque em seis dias o Senhor fez os céus
e a terra e no sétimo dia descansou e
tomou alento. Então aqui a gente vai ter
na Nova Almeida atualizada a palavra
alento. Aí eu notei aqui as outras
traduções. Na NVI vai dizer que Deus
descansou e não trabalhou.
Naara vai dizer que Deus descansou e
tomou alento, assim como naa. Só que no
hebraico tá chavat vai na faixa. Chavat
significa descansar, mas vai na faixa
vindo o verbo na faixa que significa
respirar, da onde inclusive vem o
substantivo nefes, que é alma, respirar,
é e enfim.
Então aqui basicamente pelo modo verbal
que tá na faixa, significa que Deus
descansou
e puxou ar.
Sabe o gordinho quando sobe escada? Eu
subo escada, chega no final da escada,
como é que o gordinho tá? Ofegante.
Aí você para no final da escada, bota a
mão assim, vai.
Você puxa o ar, não puxa o ar?
Então, o texto tá dizendo basicamente
isso. Deus, no final dos seis dias, no
sétimo dia, ele descansou e puxou a,
recuperou o fôlego
como se Deus tivesse cansado de tudo que
ele fez. Tão sacando? Só que o tradutor
falou assim: "Mano, Deus respirar,
Deus ter que, como um gordinho subir na
escada, ter que puxar ar, isso é muito
antropomórfico." Eu não vou traduzir
assim. Vou dizer, ele tomou alento, ele
deu uma descansadinha, deu uma
deitadinha e tal, pá. Não vou traduzir
Deus puxou ar.
Então o tradutor fez uma escolha e ele
vai fazer várias escolhas. As mais
engraçadas para mim são as de Cântico
dos Cânticos.
Porque os caras quando foram traduzir,
eles olharam, falaram assim: "Cara, não
dá para traduzir como tá aqui,
porque como é que a Bíblia vai ser tão
sexual assim?"
Então, tem alguns cânticos, no meio de
cântico dos cânticos, tem algumas alguns
poemas que são: "Ora a mulher
descrevendo o homem e ora o homem
descrevendo a mulher". E aí tem aquelas
partes engraçadas, né? Tipo, seus olhos
são de pombas, pô, olho de pomba, coisa
estranha para caramba. Aí tem seus seios
são como duas gazelas também. É um
negócio estranhíssimo, gazela, né?
Enfim, tem todo uma explicação, mas tem
umas partes de da descrição que são
engraçados, porque o tradutor falou
assim: "Cara, eu não vou traduzir o que
tá aqui, eu vou usar um outra parede."
Falou assim: "A tua barriga é como uma
plantação de trigo".
Plantação de trigo? Que que ele quis
dizer com isso? Tem furinho,
balança para um lado e pro outro.
Aí logo depois de falar de de barriga
com trigo, fala do umbigo. Ter umbigo é
uma taça, não sei o que lá. Só que o
texto não tá falando da barriga, tá
falando de uma região um pouquinho mais
ao sul da barriga. E umbigo não é
umbigo, é outra coisa que ela tá que ele
tá, na verdade ela ele tá dizendo para
ela que ele quer tomar aquela taça,
entendeu? Então é um convite muito mais
sexual, mas o tradutor olhou e falou
assim: "Cara, eu não posso traduzir
assim porque vai chocar, galera. Como é
que a Bíblia tem um texto que o cara tá
dizendo que quer, né, fazer um negócio
com a mulher ali? Não dá.
Então vamos trazer um eufemismo, dar uma
limpada
no exagero do texto bíblico. O tradutor
tá pensando isso.
Você tá entendendo o processo?
São escolhas que o tradutor vai fazer.
Talvez algumas escolhas sejam um
pouquinho mais teológicas e passem
imperceptíveis pra gente,
como por exemplo, o famoso texto de
Gênesis, capítulo 1, verso 1 e 2. No
princípio, criou Deus os céus e a terra.
A terra, porém, era sem forma e vazia,
e havia trevas sobre a face do abismo, e
o espírito de Deus pairava por sobre as
águas.
Aqui é uma discussão histórica.
histórica que eu quero dizer de hoje
2200 e tantos anos.
Como traduzir a expressão torro vavorro,
que é um par de palavras torro vavor.
Torro vavor aparecem juntas. Esse par de
palavras aparece junto três vezes. Uma
vez em Êxodo, uma vez em Gênesis, aqui
capítulo 1, outra vez em Jeremias,
capítulo 4, e outra vez em Isaías.
Torro aparece sozinho na Bíblia 20
vezes.
Algumas pouquíssimas vezes Torro aparece
com sentido abstrato. E só no livro do
profeta Isaías,
a maior parte das vezes a ideia de torro
e quando aparece torro vavor, quando
aparece junto nessas três vezes em
Jeremias, em Isaías, a gente consegue
perceber isso, a ideia de que é um
deserto sem vida. É um lugar que não tem
nada, não tem animais,
não tem pássaros, não tem mamíferos, não
tem, não tem luz,
tem nada. É um deserto sem nada, sem
vida.
Então, geralmente essa é a ideia do
texto quando a gente analisa o hebraico.
Só que aí quando foram traduzir, eu
anotei porque grego não é muito minha
área, quando eles foram traduzir para
Septoaginta,
influenciados
por uma filosofia grega, pelo helenismo
e tal, os tradutores traduziram torro
vavo,
a aoratus,
acatasqueuastos.
Esse acatasteuastos,
que ostus é uma pax legómena, só aparece
uma vez na Septoaginta,
tá? E a ideia, basicamente dessas duas
palavras é traduzir a seguinte impressão
de que a Terra era invisível e não
formada.
invisível e não formada.
E essa essa ideia dos tradutores a
partir da influência da filosofia grega
permaneceu ao longo do Novo Testamento.
Tanto é que em Hebreus capítulo 11,
quando a gente lê lá a fé, o filme
fundamento das coisas que não se vem,
pela fé, nós cremos que Deus fez o
visível a partir do invisível.
Então essa ideia é mantida. Mas já no
segundo século depois de Cristo, há uma
tentativa de combate ao gnosticismo.
A ideia do demiúgo, de derivação, de que
a a Deus, a matéria são derivados dessa
divindade máxima, não sei o que lá e
tal, tal, talá. Então, vai haver uma
necessidade de comprovar uma ideia de
que Deus criou a matéria, de que a
matéria não é derivada de nada, de que a
matéria, a materialidade das coisas, a
matéria mesmo é feita por Deus.
E aí para atender esse essa ideia, esse
combate a uma filosofia
para criar essa construção, começa a
falar de criação exnihilo, ou seja,
criação a partir do nada. Deus é o que
antecede a matéria. Deus é o que
antecede o tempo. Portanto, tudo que foi
feito foi feito do nada.
E aí eles vão dizer: "Bom, o verbo bará,
que é o verbo criar, só aparece quando
Deus é o sujeito.
E se Deus é o único que bará, então ele
criou a matéria
e ele criou o tempo. E Deus está fora do
tempo e Deus está fora da matéria.
Mas esse não é um conceito bíblico, esse
é um conceito filosófico para combater
uma filosofia.
E aí isso foi jogado no texto bíblico e
a tradução melhor passou a ser a Terra
era sem forma e vazia.
Essa ideia de que não tem forma não tem
matéria. E Deus cria a matéria. Então,
e aí mais recentemente a discussão é o
caos acuoso. Aí não é mais torro vavor,
agora é terrom.
Eles vão dizer que terrom, que é a
palavra abismo, é uma divindade
e que Gênesis 1 foi escrito para
combater essa essa ideia dessa divindade
e Terron aparece ali por causa disso.
E aí então vocês já ouviram falar disso,
alguns provavelmente de que Gênesis 1
está falando de um caos
acuoso.
É Deus lutando contra os monstros do
mar, contra o terrom. E aí, Gênesis 2 é
o caos terroso,
porque a terra não tinha nada, não sei o
que lá, tal, tal, tal. E Deus vence o
caos, que também é uma ideia que não
está no texto bíblico.
Não há caos, não há luta.
Aliás, quando a gente entende o estilo
literário de Gênesis 1, a gente entende
que Gênesis 1 é um relato. É basicamente
um relatório, não é uma narrativa. Sabe
por quê? Porque não tem embate, não tem
enredo.
É um relatório. Aconteceu isso,
aconteceu aquilo, aconteceu aquilo,
aconteceu aquilo, aconteceu aquilo.
Ponto final. Então, Gênesis 1 é uma
espécie de introdução sumária. No
princípio criou Deus os céus e a terra.
Pum.
Gênesis 1 2 é uma descrição de cenário
e Gênesis 13 em diante é um relatório do
que aconteceu. E ele vai contar 10
coisas que aconteceram porque a
expressão e disse Deus aparece 10 vezes,
tá entendendo? Então não tem nem enredo,
não tem como ter caos porque não tem
enredo, não tem luta.
Só que o tradutor vai tomar decisões
baseado no quê? Na doutrina, na
filosofia.
E essas decisões vão afetar a maneira
que a gente lê,
porque a gente vai ficar refém desse
tradutor. Por isso, pessoal, vamos
estudar todo mundo hebraico,
aramaico e grego.
Mas falando sério, qual é a grande
questão aqui? Isso é muito importante.
É importante a gente entender
que a tradução
é também refém de pessoas.
de circunstâncias,
de doutrinas.
Eu poderia citar inúmeros exemplos para
vocês.
Tem textos em que a palavra sacrifício
aparece que a palavra sacrifício não tá
lá.
Aí a nossa reação é: "Nossa, então a
gente tem que desconfiar do texto
bíblico." Então não é isso que a gente
tá fazendo aqui. Eu acho que talvez esse
seja o problema, né? Algumas pessoas não
entendem qual é o propósito. Qual é o
propósito? é fazer a gente refletir
sobre a complexidade do que é o texto
bíblico.
Quando a gente fala assim que usando,
né, segundo Timóteo 3 verso 16 e 17, que
foi o que a gente falou no primeiro
sábado dessa série, no primeiro no
primeiro episódio dessa série, a Bíblia
é inspirada. O que que é essa
inspiração? A gente conversou aqui. Essa
inspiração é comunicação de vida.
É Deus comunicando vida através da
Bíblia.
E como isso vai funcionar?
Vai funcionar só com o autor lá que
escreveu com Moisés, com Paulo. Só ele
foi inspirado? Não, ele foi inspirado.
Ele recebeu vida, o autor, Moisés,
Paulo, todos os autores.
Mas recebeu vida também aqueles que
copiaram.
Mas receberam vida também aqueles que
traduziram.
E recebemos vida nós que lemos, que
estudamos.
E como é que esse processo funciona?
Justamente nessa tensão da gente
entender o que a Bíblia é e o que a
Bíblia não é. Da gente entender as
complexidades e limitações da Bíblia e
da gente entender aquilo que é
transcendente nela também, que é essa
ação divina através dela na nossa vida.
Então, entender esse processo é
essencial paraa nossa maturação na fé.
A gente precisa sair de um lugar
de infantilidade em relação à Bíblia,
como se ela tivesse descido do céu,
pronta, toda escrita e perfeita e
entregue. Não é assim. São processos
históricos, circunstanciais, complexos e
difíceis.
E quando a gente fala de tradução,
o conceito melhor é o conceito de retas
paralelas.
Qual o conceito de retas paralelas? Não
importa quão próximas as retas paralelas
estejam, elas nunca se encontram.
E a ideia de tradução é justamente isso.
A tradução é uma aproximação do texto,
não é uma justa posição, é uma
aproximação.
Então, todo tradutor tá buscando se
aproximar ao máximo possível do texto,
mas é impossível
que essa aproximação seja plena e
completa.
Como é impossível que você hoje, mesmo
sabendo hebraico, grego, aramaico, leia
o texto bíblico e entenda exatamente o
que tá escrito ali. Por quê? que há um
distanciamento histórico,
circunstancial
e você vai conseguir estudar a
circunstâncias e a histórias a partir da
lente daqueles que estudaram por você,
os etnólogos, os filólogos, os
historiadores.
Vocês entenderam?
Então isso deve fazer a gente fazer,
isso deve isso tudo deve levar a gente a
duas coisas. E eu vou bater nessa tecla.
Primeiro, estudar mais.
mais e com profundidade
sair dessa infantilização da nossa
relação com a Bíblia, como se a Bíblia
fosse um livro mágico que a gente
deixasse aberto em casa e protegesse a
casa toda.
Como se a Bíblia fosse esse negócio
fácil de Senhor, me mostra a tua
resposta, pum,
abre a Bíblia, tá lá a resposta. Não é
isso.
É um texto extremamente poderoso, mas
ele é difícil, ele é complexo, ele tem
camadas e camadas e camadas que precisam
ser estudadas. E sabe quantas dessas a
gente estuda? Nenhuma.
Você não é só através de mim, de pastor,
de líder. É você precisa estudar mais,
precisa ler mais, precisa buscar mais.
Esse é o primeiro ponto. E o segundo,
para estudar a Bíblia você precisa orar.
e precisa pedir a ação do Espírito Santo
em você para que aquele estudo, aquela
leitura comunique vida para você,
comunique transformação.
E é isso que falta pra gente.
A gente quer água com açúcar, leitinho
com Nescal.
A gente não quer a parada difícil, suco
de abacaxi e limão sem açúcar,
tá ligado? Que é difícil de tomar.
Mas já experimentaram tomar suco de
limão sem açúcar antes de comer?
Gordinho sabe das coisas. Escutem isso.
Quando você toma suco de limão antes do
almoço assim, sem açúcar, as suas
papelas gustativas ficam realçadas
e aí você vai sentir muito mais sabor da
comida. Vai por mim.
Fecha a parêntese. O estudo da Bíblia
com o Espírito Santo, ele é isso. Ele é
o suco de limão. Você vai se aprofundar,
mas vai realçar o sabor das coisas.
Resumidamente, uma imagem para ficar na
sua cabeça.
A tradução é um filme preto e branco.
A tradução é um filme preto e branco. É
ótimo. As nossas traduções são ótimas.
Eu elenquei alguns problemas aqui, mas
elas são ótimas, mas elas não são filme
colorido.
E para chegar nesse filme colorido, você
precisa de muito estudo
e de muita oração pedindo o Espírito
Santo para atuar na sua vida.
E essas tensões entre a grandeza e a
limitação da Bíblia, entre as
dificuldades da Bíblia e o poder que
exala dela, porque ela apresenta para
nós Jesus Cristo, que é a palavra
encarnada. Essas tensões,
elas vão fazer com que a gente cada vez
mais se relacione com ela de uma maneira
mais profunda,
mais íntima e mais conectada com o
Espírito Santo de Deus.
Eterno nosso pai e nosso rei,
muito obrigado pela tua palavra,
o p minúsculo, pela tua bíblia.
Muito obrigado, porque essa revelação
ela não é fácil, ela não é simples, ela
não veio pronta, ela exige de nós
estudo, ela exige de nós compromisso,
ela exige de nós profundidade. E por
favor, Senhor, nos ajude a sairmos desse
lugar de infantilidade na nossa relação
com a Bíblia e buscarmos cada vez mais
profundidade no nosso estudo dela. Ao
mesmo tempo, Senhor, nos conceda o
Espírito Santo para que ao estudarmos a
Bíblia, ela continue conferindo,
comunicando vida e vida em abundância.
E que ela nos aponte, Senhor, paraa
realidade plena da tua revelação, que é
Cristo Jesus. Esse sim, a palavra com
Púsculo, a palavra que se fez carne.
É o que nós te imploramos em nome dele,
Jesus. Amen.

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