Sermão: A Palavra Viva
11/09/2025
Quarto sermão da série "A Bíblia", feito pelo pastor Marcelo Rezende na igreja Um Lugar Comunidade.
Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade
Fonte: Edson Nunes
Legendas automáticas:
Nosso Deus, nosso Pai, que a tua voz agora ecoe em nossos corações, como nós pedimos essa música, Senhor. >> Que teu espírito sopre sobre todos nós >> e que o poder da tua palavra nos renove para vivermos sempre de acordo com a tua vontade. Esteja aqui entre nós agora nos ensinando. É o que nós te pedimos em nome de Jesus. Amém. >> Amém. Meus queridos, bom dia. Feliz sábado para vocês que estão aqui no Shopping Pátio Egienópolis. E para você que tá acompanhando a gente através das nossas redes sociais, bom dia, boa tarde, boa noite, não sei qual que é o momento seu, mas agora nós estamos todos juntos unidos pra gente poder mais uma vez aprender um pouquinho dentro dessa série especial que nós aqui estamos desenvolvendo a cada sábado, que tem como tema a Bíblia, a forma correta de entender o significado dela, a importância dela e a natureza da Bíblia pra gente. E para começar hoje, eu quero ler para vocês o texto de Isaías, capítulo 40. Isaías 40, do verso 6 em diante, que diz assim: Se você tem aí a sua Bíblia física ou aplicativo, o que seja, acompanhe comigo a leitura aqui desse texto. Uma voz diz: "Proclame". E alguém pergunta: "Quei de proclamar? Toda a humanidade é erva e toda sua glória como a flor do campo. A erva seca e as flores caem, soprando nelas o hálito do Senhor. Na verdade, o povo é erva. A erva seca e as flores caem, mas a palavra do nosso Deus permanece para sempre. Quando a gente lê aqui esse texto, duas coisas geralmente são ressaltadas dessa leitura. Primeira delas, é essa soberania, essa certeza, esse direcionamento eh fiel de que aquilo que Deus diz, aquilo que ele promete, aquilo que ele profetiza se cumpre e acontece. É o poder soberano de Deus. As pessoas leem esse texto sobe contrasta toda a falibilidade, toda a transitoriedade da humanidade, da cultura humana, com a eternidade, com a perenidade daquilo que é de Deus, daquilo que vem de Deus. E por isso diz assim: "A palavra do Senhor permanece para sempre". Mas uma outra ideia que também ressalta aqui desse texto, geralmente ela é usada quando a gente faz estudos bíblicos, né? quando a gente vai ler o que a Bíblia fala a respeito dela mesma, essa é a ideia de que a palavra de Deus permanece para sempre. E muitas pessoas falam assim que o texto da palavra de Deus, com base nesse verso que eu li, foi divinamente preservado, porque Deus zela pela sua palavra. Tudo que foi escrito foi preservado, foi eh divinamente protegido de maneira sobrenatural, chegou até os nossos dias carregando exatamente as mesmas palavras que foram sopradas por Deus para os profetas, para os apóstolos e para os autores dos textos bíblicos. E esse negócio é é tão sério, né? essa crença, essa certeza de que a Bíblia é imutável e todas as palavras da Bíblia são imutáveis, inerrantes e infalíveis em todos os seus aspectos. Que para vocês terem uma ideia, essa semana eu tava dando uma zapeada na Amazon e tava ali procurando uma tradução de uma Bíblia que eu achei interessante, né, pelos pressupostos teóricos dos textos originais que essa Bíblia traduz. E a propaganda da Bíblia dizia o seguinte, eu tirei da Amazon aqui, vou ler para vocês. Sabe aquela aquela descrição ali do do livro, né? diz assim aquela tradução, né? é a coleção das exatas palavras infalivelmente assopradas por Deus para mentes e dedos dos escritores por ele usados e depois por ele providencialmente preservadas com absoluta perfeição ao nível de cada tio e juso ininterrupto pelos crentes de todas as igrejas fiéis, sendo a única base para todas as traduções usadas em todas as línguas e nações, desde as bíblias de Lutero, de Tinder, do século X, espelhando o mais literalmente possível os exatos textos massorético e textos receptos. Vou explicar isso para vocês aqui. Que embasaram a King James em 1611, os quais são a impressão das exatas palavras em hebraico e grego, perfeitamente inspiradas por Deus e através dos séculos, pela sua providência, perfeitamente preservadas e incessantemente em uso pelas igrejas fiéis. Cansa, né? É mole. Isso aqui que é convicção. Eu li esse negócio, falei: "Não, eu tenho que comprar essa aqui, viu? Porque eu nunca vi um negócio desse jeito aqui. A coisa que a bênção saiu da tela quando eu li esse negócio. Nem um tio, nem um jota. A coisa divinamente preservada. Será que é assim mesmo? Para vocês terem uma ideia como esse negócio não se sustenta muito, é só a gente pensar num exemplo bem simples que eu vou dar para vocês aqui e que todo mundo conhece. A oração do Pai Nosso, não é? Se eu pedisse para vocês orarem o Pai Nosso, comigo aqui em voz alta nesse momento, eu tenho certeza que a gente ia começar tudo junto, mas num determinado momento é dar uma dissonância no meio da reza, né? Não acontece isso, né? É aquela coisa, né? Uns vão falar assim, né? Perdoa as nossas ofensas, perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Aí uma outra galera ia falar assim: "E perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores". E aí uns terminar a oração da seguinte forma: "E não nos deixeis cair em tentação, mas livra-nos do mal ou livrai-nos do mal. Amém. E aí outros vão continuar: Porque teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém. Não é assim? Aqui nós temos dois problemas na oração do Pai Nosso. Primeiro é de tradução, né? A palavra ofeilema. as nossas dívidas ou nossas ofensas são dois conceitos diferentes. Um tem a ver com moral, outro tem a ver com dinheiro, né? Com os impactos do mal, do pecado cometido, né? Mas eu não vou falar de tradução hoje aqui. Isso aqui é tema da próxima da da próxima mensagem aqui da série. O segundo problema é de crítica textual, porque você tem um trecho da oração que uns falam e outros não. Agora Jesus falou essas palavras. Jesus não falou essas palavras, não é? E aí, como que a gente faz? Se você pegar uma Bíblia física e for ler o texto de Mateus 6, a oração do Pai Nosso, você vai perceber que na maioria das Bíblias modernas, principalmente as Bíblias publicadas pela sociedade bíblica do Brasil, você vai ver um colchetezinho ali. Em algumas outras Bíblias, esse texto, ele vai ter uma notinha de rodapé que vai dizer assim: "Esse texto não se encontra nos melhores manuscritos ou nos manuscritos mais antigos". Coisa do tipo assim, né? E aí é que vem a questão. As pessoas olham uma uma essas dificuldades e fala assim: "Ah, mas é fácil resolver isso. Vamos para o texto original", não é mesmo? E o texto original é o grego e o hebraico. Só que aí é que tá o problema. Eu não quero chocar ninguém aqui, mas vou dizer para vocês uma verdade. Não existe texto original. Existem línguas originais, mas o texto original não existe. O texto original foi perdido. O texto original é o que a gente chama de autógrafo, aquele que foi escrito pela mão dos autores da Bíblia. Eles duraram pouquinho tempo só. E o que a gente tem é cópia da cópia da cópia da cópia. E assim foi, até imprimirem as Bíblias e chegarem pra gente nas traduções modernas que a gente lê hoje. E aí você pensa, pô, acabou, vou jogar minha Bíblia fora, vou ler outro livro sagrado. Esquece, né? Não precisa chegar tanto não, calma, tá? segura comigo aqui, foca, presta atenção, porque no final aqui dessa dessa dessa aula sermão, eu quero que vocês entendam qual que é o ponto aqui. E é sobre isso que eu quero conversar com vocês, sobre essa questão das mudanças no texto. Porque para vocês terem uma ideia, a Bíblia ela foi impressa no século X com a invenção da imprensa, século XV, século X, ela começou a circular de maneira impressa, mas antes disso, o texto era escrito à mão. E foi escrito à mão por centenas, por milhares de anos, por escribas. E alguns deles eram especializados, sabiam que estavam fazendo, eram treinados, outros não. Outros eram amadores, voluntários. E e esse texto que foi copiado e recopiado acontecia a vez ou outra de carregar defeitos e problemas. Imagina você copiando um texto. Imagina só, você entra num quarto, uma luzinha de vela, e fica ali escrevendo horas e horas e horas e copiando com fome, com sono, com frio. Muitas vezes, né? É impossível não perder uma coisa, não escapar lá uma palavrinha, alguma coisa assim, não é mesmo? E essas mudanças aconteciam, algumas de forma involuntária, outras não. Mas as mudanças eh eh que aparecem no texto, elas são consideradas hoje, a gente chama de leituras variantes ou variantes textuais. A maioria delas é inofensiva, são inofensivas, melhor dizendo, são simples, né? Tipo, ah, é para escrever uma palavra com e o escribe escrevia com i na pronúncia dele. Ou então é Cristo Jesus, ele escrevia Jesus Cristo. Entende? Essas são as variantes textuais que a gente encontra no texto do Novo Testamento. Para vocês terem uma ideia, o texto do Novo Testamento, que eu tô usando como exemplo aqui, ele tem aproximadamente 140.000 palavras em grego. Das 140 140.000 palavras em grego, nós temos aproximadamente cerca de 500.000 1000 variantes textuais, muito mais variante do que palavras escritas, vocês terem uma ideia. E a gente tem que ter cuidado para não cair nos dois extremos. E é isso que e eu gostaria de deixar bem claro para vocês aqui. Primeiro, o extremo do ceticismo radical. Ah, o texto foi perdido, a gente perdeu toda a mensagem, a gente não tem mais acesso àquilo que foi comunicado pelos autores da Bíblia. E gente famosa aí, como um cara chamado Bart Herman, que escreveu um livro aí, o que Jesus disse, o que Jesus não disse, que foi famoso no passado. Aí esse cara é dessa linha, se perdeu, acabou, já era. E outras pessoas vão para uma crença de confiança absoluta de que nem um J, nem um tio, nada se perdeu, que é o que eu li para vocês aqui agora, que também é um outro extremo. E a coisa não é desse jeito, tá? Então, a gente tem que saber entender duas coisas. Quantas são essas variantes? E só no Novo Testamento, eu já falei, tem cerca de 500.000. E qual a qualidade dessas variantes? E esses exemplos que eu dei para vocês aqui já mostram que essas variantes elas são simples, coisa boba. 90%, até um pouco mais dessas variantes, elas não vão mexer em nada no texto, mas existem alterações que também foram feitas com intenção, mudanças intencionais. O escriba, ele quis consertar, melhorar o negócio que ele tinha diante dele ou então ressaltar alguma crença que ele tinha. E aí essas variantes são as variantes possíveis e viáveis, elas são o objeto de um estudo mais detalhado. E as pessoas hoje estudam essas variantes e a história do texto para poder reconstruir o que pode ter sido o texto mais próximo do original que a gente tem acesso nos dias de hoje. E essa é a ciência da crítica textual. E eu quero falar um pouquinho disso aqui para vocês. Só que a gente tem dois blocos de textos sagrados, né? Nós temos o Antigo Testamento escrito em hebraico, em aramaico, e nós temos o Novo Testamento em grego. E a história da transmissão desses textos, ela é diferente. O Antigo Testamento de um jeito e o Novo Testamento do outro, não é? Para vocês terem uma ideia, como esse negócio de copiar a Bíblia era um negócio complicado, a gente vê em alguns eh colofões, que é o nome, né? O nome das anotações que os escribas faziam nas margens, a gente vê frases assim: "O cara fazia aquele trabalho todo difícil". Aí ele escrevia no final essa frase aqui, ó. Remenir regrapsasa tafo graf de menonos plestatos. Bonito, né? Fique, né? Né? Tá. Mas o que que isso quer dizer? A mão que escreveu isso apodrece em uma tumba, mas o escrito permanece até a plenitude dos tempos, né? É bonito, né? Alguns tinham essa ideia da tarefa sagrada que eles estavam realizando. Por isso, quando a gente olha a história do texto, texto hebraico aqui, em primeiro lugar, a gente vê esse espírito dessa consciência daquilo que estava sendo produzido paraa eternidade. A gente olha o texto que chegou para nós da Bíblia hebraica, o texto que a gente conhece como texto massorético. Por que que ele tem esse nome? Porque ele foi produzido na Idade Média por escribas altamente competentes, judeus, que eram chamados de maçoretas. Massora eram as anotações e as técnicas que eles desenvolveram para proteger e padronizar o texto que eles copiavam. Eles contavam as letras, era toda uma ciência assim. Então, o texto massorético é um texto estável, padronizado, é um texto seguro, mas ele não reflete. Olha o que eu vou dizer aqui para vocês, o texto original da Bíblia hebraica no Antigo Testamento nos seus detalhes. Por que eu digo isso? Porque existem tradições também diferentes do texto da Bíblia hebraica. Uma delas mais conhecida é a Septoaginta. Aqui vocês estão vendo uma folha da Septoaginta. Que que é a Septoaginta? Septoaginta é uma tradução do Antigo Testamento, do hebraico pro grego, que começou a ser feita mais ou menos 300 anos antes de Jesus lá no Egito, em Alexandria. Tem toda uma lenda de 70 sábios, daí vem o nome Septoaginta, né, que traduziram. É uma lenda, tá? Foi um processo lento. Ela começou a ser feita naquela época e ela levou mais ou menos uns 300 anos para poder terminar. E quando você olha os manuscritos da Septoaginta, ela é bem diferente do que a gente tem hoje. Eu tenho aqui uma uma edição moderna da Septoaginta e até mesmo dentro dela você percebe algumas diferenças no texto que chegou pra gente aqui, mas esse é o texto traduzido da Bíblia hebraica e ela tem uma característica, muito dela parece com o texto hebraico que a gente conhece, do texto massorético, mas tem diferenças, tem mudanças, tem textos que que eles têm uma estrutura diferente. E algumas pessoas chegou até a pensar que esses caras que traduziram a Septoaginta, eles tiveram acesso a um texto hebraico diferente daquele que a gente conhece hoje. Em alguns momentos, a Septoaginta, ela não segue o texto hebraico de maneira fiel. Ela faz paráfrases, ela faz adaptações, porque ela é fruto de muitas mãos que produziram esse texto. E a ideia de traduzir de uma língua para outra já traz consigo esse poder de alterar aquilo que no texto original ou no texto que eles tinham diante deles eh eh trazia. Então essa é uma realidade da tradução, não é? E por isso alguns pesquisadores, eles desenvolveram a teoria no passado do dos três textos hebraicos. Que que é isso? A teoria dos três textos. O texto que a gente conhecia hebraico era o texto da Idade Média, texto massorético, pouquíssimos fragmentos antes disso e o texto da Septoaginta, que é uma tradução. E aí eles chegaram à seguinte conclusão. Existiu lá um original hebraico. E esse texto hebraico, ele ele era conhecido de três formas. Na Babilônia era conhecido de um jeito. Por quê? Porque o povo judeu foi exilado na Babilônia. Então lá na Babilônia existia um texto hebraico que deu origem a esse texto massorético que a gente conhece. Existia também um texto hebraico que circulava na Palestina e esse texto influenciou a formação do Pentateuco samaritano. E existia um outro texto hebraico que foi para lá no Egito e tá aí como fonte da Septoaginta. Era o que eles pensavam. Então, havia diferenças nesses textos e eles isolaram a teoria dos três textos. Mais essa teoria dos três textos, ela já caiu em desuso e ela foi abandonada depois da descoberta mais famosa arqueológica do século XX, que é a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto. Vocês já ouviram falar dos manuscritos do Mar Morto? Em 1947, uns beduínos, pastorzinhos, estavam lá cuidando das cabras deles aí nessa região. E uma das cabras caiu numa caverna, num buraco. Não é essa que vocês estão vendo. Essa é a caverna número quatro, né? Que é a mais famosa, a mais bonita. Por isso que eu trouxe ela para vocês aqui, mas é uma cavernaí que tá aí um desses cantos. Aí a cabrinha caiu lá e aí no escuro ele com medo de pular lá dentro, né? Não sabia a profundidade do buraco. Ele pega uma pedra e ele joga a pedra para poder ouvir onde que a pedra ia cair. Nessa que ele joga a pedra, ele escuta barulho de vaso, de cerâmica se quebrando. E aí a curiosidade vence o medo, né? O cara pulou lá dentro e quando ele entra ali, ele encontra uns jarros assim, uns vasos de barro. que tinham rolos de pergaminho. Pergaminho são folhas feitas de couro. Ele encontrou uns pergaminhos escritos em hebraico ali. E aí o que que ele e os outros pastores ali decidiram fazer? Vamos vender esse negócio. E eles levaram para vender. E alguns manuscritos foram adquiridos por um líder lá da igreja eh ortodoxa Síria de Jerusalém, um cara chamado Atanásio Samuel. E ele levou esses manuscritos para vender nos Estados Unidos. era a ideia dele. Outros foram adquiridos por um outro pesquisador chamado eh Sukik. E o Sukquenik, ele adquire esses manuscritos e vai levar pra Universidade Hebraica de Jerusalém. E aí vocês estão vendo Suenique analisando alguns fragmentos dos manuscritos do Mar Morto. E aí quando eles vão analisar os manuscritos do Mar Morto, eles começam a entender como é que funcionou esse processo de transmissão do texto. Porque o texto conhecido que a gente tinha é o texto da Idade Média. Esse que vocês estão vendo aí é o Códice de Alepo. Códice porque é o caderno, é o formato de livro. O Códice de Alepo, ele data do final, ele data do século do século X da nossa era, finalzinho do século X. E ele não tá completo, tem folhas aí, trechos que estão faltando. Para você ter uma ideia, ele começa em Deuteronômio. Quase toda a Torá foi perdida do códice de Alepo, né? E o cód o texto mais famoso, que é a base das bíblias hebraicas, que a gente usa até hoje e que é o texto traduzido na Bíblia que você lê, é o Códice de Leningrado, que é que vocês estão vendo ele aqui. Esse códice de Leningrado. E o códice de Leningrado eu tenho aqui para vocês verem nessa edição da Bíblia Hebraica Estut Gartência. Esse é o códice de Leningrado inteiro aqui, que é o texto base para as traduções que a gente usa em português, tá? Mas olhando os manuscritos do Mar Morto, o que que eles perceberam? Essa teoria das três famílias de texto hebraico foi pro chão. Por quê? Porque eles encontraram o texto dito babilônico lá, encontraram o texto dito palestino, lá encontraram o texto egípcio lá também. E encontraram textos que eles nunca tinham visto. Entende? tudo sendo usado ao mesmo tempo por todo mundo. Então eles perceberam que existia uma fluidez muito maior do texto bíblico naquele tempo. Para vocês terem uma ideia, a Septoaginta, quando você lê os livros de Jeremias e Ezequiel, o texto da Septoaginta é bem menor do que o texto da Bíblia hebraica que a gente conhece. falta pedaços do texto lá e ordens do livro de Jeremias estão ao contrário, estão em outros lugares, blocos inteiros em outros lugares do texto em relação ao texto massorético que a gente conhece. Então as pessoas pensavam assim: "Ah, os caras seaginta comeram bola, né? Os caras erraram eh faltou alguma coisa, esqueceram de copiar e tal". Só que aí encontraram manuscritos hebraicos lá no noem em em em Cumbra e naquela região do deserto da Judeia que traziam o texto hebraico do mesmo jeitinho da Septoaginta, com a mesma estrutura do livro do profeta Jeremias e Ezequiel. A história de Davi e Golias na Septoaginta, ela é bem menor, tem muitas informações que não aparecem lá. E eles encontraram também textos hebraicos que combinavam com a versão da Septoaginta. encontraram textos hebraicos parecidos com o texto massorético. A maioria deles é parecido com o texto que a gente conhece, mas encontraram versões diferentes também e textos que eram diferentes também. E aí é aquilo que eu disse para vocês, eles chegaram à conclusão de que haviam famílias diferentes de textos, haviam edições diferentes de textos. O texto da Bíblia hebraica foi editada, foi editado, melhor dizendo. Quando você lê hoje a Torá, você percebe que há momentos do texto que diz assim: "Muda o nome do lugar", né? lugar tal que se chama hoje tal coisa ou então tal coisa está aí até os dias de hoje. Porque provavelmente depois do exílio da Babilônia alguém editou o texto, atualizou o texto, modificou o texto. E essas atualizações e edições estavam acontecendo em textos escritos, enquanto outros textos sagrados estavam sendo produzidos. E tudo isso circulava junto no mesmo tempo. Quando você lê as citações do Novo Testamento da Septoaginta, Paulo cita de um jeito, às vezes ele segue o texto que a gente conhece, às vezes ele segue uma outra versão da Septoaginta que a gente não conhece e às vezes ele mistura o hebraico com o grego e coisas do tipo assim, porque a coisa era muito mais fluída, muito mais livre do que a gente imagina hoje. Mas então como é que o texto hebraico se tornou um texto padrão como texto massorético? Porque no ano 70 da nossa era, Jerusalém foi destruída. E os romanos varreram toda aquela região, acabando com todo o foco de rebelião que eles conheciam. E muitas comunidades, principalmente esses caras que produziram esses textos, eles foram exterminados também. Saduceus desapareceram. Sobrou um grupo só. Quem que sobra? Os fariseus que vão dar origem ao judaísmo rabínico. E eles levaram consigo a tradição de texto que eles conheciam, que é o texto prótomassorético, que deu origem ao texto massorético que a gente conhece. E as edições modernas da Bíblia que a gente tem, todas elas vão trazer o códice de leningrado, ou pelo menos a maioria delas. Essa é a Bíblia esturgartência que eu mostrei para vocês aqui. Uma outra edição também que tá sendo publicada ainda é a Bíblia hebraica quinta, assim que ela é chamada. E um outro projeto que também ainda está em andamento, que é da Bíblia hebraica, da Universidade de Jerusalém. Se você perceber aqui a diferença desse texto, não é o texto bíblico em si. O texto bíblico em si é o mesmo. Eles estão usando o códice de leningrado. Mas o que tem de diferente aqui são as notas de rodapé, que nós chamamos de aparato crítico. Aqui nós temos as tradições textuais, as variantes textuais, onde você encontra cada uma dessas variantes, em que lugar elas estão. Não só no texto hebraico, na Septoaginta, na peixita, que é a versão ciríaca, na tradução latina de Jerônima, Vugata, se vocês quiserem, eu tô com elas aqui também, só não coloquei aqui porque não ia caber, né? Se quiser dar uma lidinha depois aqui, fica à vontade, tá? Pode comparar os textos aqui, mas tá tudo aqui, tá? Então, essas versões elas aparecem aqui e o que muda é que à medida que as pesquisas vão avançando, o aparato crítico ele vai ficando cada vez mais denso, tá vendo? cada vez mais repleto de informações. Então, olha só, aqui você tem um pedacinho de texto bíblico e tudo isso aqui de informações aqui, ó, pro que tá escrito aqui em cima, tá? Então, esse é o estado atual da Bíblia hebraica. Nós também temos versões da Bíblia hebraica que você pode adquirir, como essa aqui, ó, o Taná publicado pela editora Sefer aqui no Brasil, que traz não o códice de Lemingrado, mas elas vão se focar no códice de Alepo. Como ele não tá completo, eles preenchem com aquilo que falta, mas a base é o códice de Alepo. E tem também uma outra versão da Bíblia hebraica que também é publicada e pode ser adquirida, que é a Bíblia Hebraica Rabínica. Ela já data do século X e ela é fruto de um de uma eh coleção de manuscritos massoréticos que foram reunidos nessa época e publicados aqui nessa versão. É essa versão aqui feita por esse cara chamado Ben Raim, que é louvada lá na propaganda da Bíblia da Amazon, que eu falei como a mais fiel que nem um J, nem um tio, sabe? É essa versão aqui que é do século X, tá bom? Para vocês terem uma ideia, quando a gente olha pro texto do Novo Testamento, a coisa fica um pouquinho mais complicada. Se já tá complicado aqui. Calma que piora, né? Fica um pouquinho mais difícil, né? A gente tem acesso a a fragmentos de papiros bem lá do início da era cristã. Vocês estão vendo aqui o papiro P52, que é o texto mais antigo do Novo Testamento que a gente conhece. Ele é um fragmento em códice do Evangelho de João. Aqui é João capítulo 18. E por que que eu falo que é um códice? Porque ele tá escrito nos dois lados. Aqui são fotos dos dois lados do mesmo fragmento. E ele é pequenininho, ele tá enorme aqui nessa tela, mas ele é do tamanho de um cartão de crédito. Ele é pequenininho. É o P52. É o texto mais antigo que a gente tem. E ele é em formato de códice. Códice é esse formato de caderno que vocês estão vendo, que é o formato de livro que a gente lê até hoje, né? Os cristãos usavam muito códice, ao passo que os judeus usavam mais os rolos na sinagoga. Então o códice se tornou uma marca dos escritos cristãos. E assim que eles copiavam os textos deles. Mas nós temos textos muito antigos que também chegaram até a gente. Esse que vocês estão vendo é o papiro P. Todo papiro é P, né? Chamado de P. P de papiro. O papiro é feito de planta, né? É uma folha que é feita de de juncos ali, que você esmaga e tal e faz aquela folha. Esse é o papilo P45. Vocês estão vendo aqui um trecho dos Evangelhos. E esse também é um outro famoso, é o P66. Eles datam do segundo século, no máximo do terceiro século da nossa era. Esses que eu tô mostrando para vocês aqui. E o P66, tão vendo aqui o caderno, né, do do do códice que chegou até a gente. E aqui vocês estão vendo o comecinho do evangelho de João. E dá para ler normalmente o texto aqui. Se você pegar aqui em cima, dá para ver aqui, ó. Enarg enrologos caiologos en proston. Aí come um pedaço aqui, certo? Mas dá para ler o texto. Então você pode ver, é um bloco de texto, não tem separação de palavras, é tudo escrito em maiúsculo, tudo junto. E aí você pergunta assim: "Como é que eu sei as datas desses manuscritos?" Pelo estilo de escrita e dos materiais usados neles. A caligrafia mostra a época que eles foram produzidos. Já viu a escrita antiga das nossas avós e bisavóz, como é que as letras são diferentes? Você lê um texto, você sabe que ele é antigo, não é? É a mesma coisa esse tipo de escrita. E os materiais a escrita, eles vão mudando com o pastor dos séculos. E é assim que a gente vai datando os os papiros. Depois dos papiros, nós temos os chamados unciais. Uncia, uncial é letra maiúscula, que foram escritos em pergaminho, em couro, em folhas de couro. E esse aqui é um dos mais famosos, é o manuscrito, é o o pergaminho do códice sinaítico, data do século da nossa era. Ele tem esse nome porque ele foi encontrado aí no século XIX por um cara chamado Tisendorf, no mosteiro de Santa Catarina, lá no Monte Sinai. no pé do Monte Sinai. O outro famoso é o Códice Vaticano, que tem esse nome porque ele tá lá na biblioteca do Vaticano. Ele é um dos testemunhos mais fiéis do texto do Novo Testamento que a gente tem, o Códice Vaticano, né? Além do Códice Vaticano, outro que também é famoso e também é muito usado para reconstruir o texto do Novo Testamento é o Códice Alexandrino, que é do século V. Esse esse século, esse esse manuscrito. Os outros dois, Sinaí e Vaticano do século V, Codice Alexandrino do século V. E esse é o Efraim Reescritos, que também é do século V. Por que que ele tem esse nome? Ele é um palimpto. Que que é palimpe se, né? Tá complicado o negócio aqui, né? Mas o que que é o palimpecesto? Esses livros eram escritos em couro e o couro é caro para você produzir. Então, às vezes, quando você queria escrever um outro livro, você tinha que usar o couro de um material já existente. Uma alma bendita pegou a Bíblia e raspou o texto da Bíblia e escreveram em cima do texto um sermão de um cara chamado Efraim, sabe? Então ficou Efraim reescritos, né? é o nome do do manuscrito aqui. Então, com técnicas especiais, com luz especial, você ilumina o texto e você vê o texto grego escrito por baixo do texto que tá por cima dele hoje, entendeu? Então, por isso você consegue ver esse texto e perceber que era um texto antiquíssimo e muito valioso. Esses textos antigos são usados paraa gente poder ter uma ideia e reconstruir os textos do Novo Testamento, como a gente conhece. Mas a história do Novo Testamento, ela é complexa, porque ela abrange muitos séculos e uma produção que começa de maneira descontrolada de cópias e depois ela vai lentamente sendo padronizada. Quando a gente olha aqui, ó, aqui é o comecinho da história, tá? Primeiro século até os outros séculos aqui. E aqui é a quantidade de textos e manuscritos que chegaram até nós sendo produzidos na época. Aqui no começo da era cristã, a produção não era controlada. E são exatamente esses textos que estavam mais próximos dos textos originais, percebe? A gente tem poucos deles que sobreviveram e a produção não era controlada. Eles eram feitos assim, de maneira espontânea, por iniciativa particular, por gente especializada e por gente que não tinha nem ideia do que tava fazendo. Então tem textos bons e textos ruins. E aqui vem uma coisa interessante, a gente tem que pesar a evidência. Nem sempre o que é mais antigo é bom e nem sempre aquilo que você encontra na maioria dos textos é original. Você tem que entender as evidências externas e internas para você poder analisar o que você tá lendo diante de você, tá? Então aqui você tem esses papiros, ó, o papiro aqui em vermelhinho e os unciais dessa época aqui. Aí acontece uma mudança. A perseguição dos cristãos que inviabilizavam uma produção mais controlada de manuscritos, ela para. Por quê? Porque o cristianismo se torna a religião oficial do Império Romano. E aí quando o cristianismo se torna oficial, você começa a ter aqui uma produção de cópias mais controladas voltadas para atender as necessidades da igreja nesse período. E aí você começa a ter um aumento da produção desses manuscritos. E aí vem um outro detalhe histórico importante. No século X acontece o grande cisma, a grande separação da Igreja Ortodoxa do Oriente com a Igreja Católica do Ocidente. Nesse período aqui, ó, antes desse grande cisma, a igreja do Ocidente, ela começou a passar por um processo de latinização. O latim foi se tornando a língua mais importante e as traduções latinas da Bíblia começaram a ser mais usadas. A vulgata latina de Jerônimo é um exemplo disso, que foi a tradução e é a tradução bíblica oficial da Igreja Católica até os dias de hoje, a Vulgata Latina, que é desse período aí, tá? Então, o ocidente vai usar mais latim e o grego vai ficando mais pras igrejas do Oriente. E aí com a separação, quando os católicos amaldiçoam os ortodoxos, os ortodoxos amaldiçou os católicos, eles se separam de forma definitiva, você tem aqui uma concentração dos manuscritos gregos no Oriente. E aqui você tem uma explosão de de produção controlada e já mais padronizada. Então, a maior parte dos textos do Novo Testamento que nós temos hoje, eles datam desse período aqui, ó, dessa época do século 9 paraa frente, entendeu? É chamado de texto majoritário, porque a maior parte dos testemunhas que chegaram até nós são dessa época aqui e eles são diferentes, eles não têm mais aquelas letras grandes, eles são minúsculos, tá? Aqui vocês estão vendo o texto grego escrito a mão e letra minúscula, né? E aqui vocês estão vendo aqui algumas cópias desses textos que já são mais bonitos, são mais bem produzidos, porque os escribas aqui já são especializados, eles estão produzindo o texto para ser usado na liturgia da igreja, da igreja ortodoxa, entende? Então, esses são os manuscritos que nós temos, né, do texto dito majoritário. E a gente pode ler o texto majoritário. Eu mesmo tenho aqui uma edição do texto majoritário, vocês estão vendo que a gente pode comprar hoje aqui. Esse é o texto bizantino, ele também é chamado dessa forma. é o texto da produção da igreja do Oriente. Tá bom? Mas aí o que acontece? Outro evento histórico importante. Em 1453, Constantinopla caiu na mão do império otomano. Os cristãos daquela região, eles fogem em massa paraa Europa. E como eles usavam grego, eles vão levar os manuscritos gregos pra Europa. A Europa é inundada, invadida por manuscritos gregos. E aí, nessa época da renascença, século XV, século X, não é aquele período, há um interesse em se voltar para as fontes em todos os aspectos da cultura. E o interesse nas línguas originais da Bíblia, ele cresce. E aí nós temos edições das Bíblias em hebraico e grego sendo impressas, porque aí já havia a imprensa criada por Gutenberg. Então, um homem chamado Erasmo de Rotterdam, vocês já ouviram falar dele, ele vai editar o o Novo Testamento grego e ele vai publicar o Novo Testamento dele e depois esse esse Novo Testamento, ele vai ser corrigido e editado por uns irmãos Euzevir, esse é o nome da da galera lá. E eles vão publicar o que eles chamam de textos receptos, que é o que vocês estão vendo aqui na minha mão. O texto recepto. Eles dizem: "Esse é o texto que foi recebido pelos pela igreja da mão dos apóstolos". É esse texto aqui o da propaganda da Amazon, tá? É esse daqui. Tá vendo? Do século X esse texto aqui, tá? O texto receptos é o texto produzido, original da mão dos apóstolos. Mas esse texto ele é descendente do texto majoritário. Ele é daquela família. O texto majoritário tem várias famílias. Várias famílias. Para vocês terem uma ideia, uma família famosa e conhecida é essa daqui, ó, a família 35 do texto majoritário, né? Alguns dizem assim: "Não, o texto melhor de todos majoritário é a família 35". Esse é o original. Então tem uma briga para poder entender qual é o melhor, qual não é o melhor. Então, mas o texto receptos, ele é o texto que ele descende dessa família, mas ele não é o melhor, porque ele foi produzido com oito manuscritos que eles tinham acesso naquela época e conheciam. Então eles, e não eram os melhores também do texto majoritário, mas ele foi o texto base para tradução da Bíblia de Lutero, tradução da King James e a tradução feita pelo pastor protestante João Ferreira de Almeida, tá? Em português, a a edição antiga é o texto receptos, tá bom? E você pode ter acesso a essa tradução. Se você lê Almeida revista e corrigida, é a tradição majoritária receptos que você tá lendo. Se você lê Almeida Corrigida Fiel, é o texto receptos que você tá lendo. Só que outros manuscritos foram sendo descobert descobertos com o passar do tempo, manuscritos mais antigos. E aí eles deram eh eh ensejo à formação daquilo que a gente chama de texto crítico. Que que é o texto crítico? do texto eclético. Ele é um texto reconstruído com toda a ciência que vai pesar essas evidências. Eles vão, eles vão reconstruir aquilo que eles consideram que é o texto mais próximo ao original do Novo Testamento. E é um texto que tá em constante revisão, porque as descobertas elas vão aparecendo com o passar do tempo. Então, constantemente ele é editado. Então, nós temos duas tradições do texto crítico. Essa aqui do lado esquerdo é a edição conhecida como Nestlé Alland. E ela está na 28ª edição. É a mais recente, é essa que eu tenho na mão aqui que vocês estão vendo. É Nestle Alland 28 que a gente fala. e o texto das Sociedades Bíblicas Unidas, que está na quinta edição, que é esse que vocês estão vendo ali do outro lado, esse vermelhinho aqui, tá? É UBS5 e na 28, é assim que eles são chamados. Qual é a diferença deles? O texto grego em si é o mesmo, não muda. Eles acompanham um ao outro tudo aquilo que eles estão fazendo. O que muda é o aparato crítico deles. A na 28, a Nestle Alland tem um aparato crítico muito mais denso, muito mais técnico, ao passo que a UBS5 tem um aparato crítico mais voltado para estudantes de teologia, para pastores, para tradutores mais amadores, assim, entendeu? Embora aqui eu selecionei aqui o texto do Evangelho de João, né? Esse aqui é o Na 28. Aqui tá até pequenininho, né? o aparato crítico dele, né? E aqui da UBS5 tá maior, mas o aparato crítico da Na28 ele é muito mais denso, entendeu? Então essa é a realidade dos textos que a gente tem hoje. Se você lê Nova Almeida Atualizada ou Almeida Atualizada, é o texto crítico que você tá lendo. Se você lê Nova Versão Internacional, e ela é muito usada aqui na comunidade, né? Nova versão Internacional é o texto crítico que você tá lendo. E se você lê a Nova Almeida Atualizada e a nova versão internacional 2023 publicada pela Thomas Nelson, você está lendo o Novo Testamento 28 da Nestley Alland e o Novo Testamento UBS5. São as edições em português que traduzem esse texto aqui hoje pra gente. E já tá para sair o 29 e o se já vocês terem uma ideia, já tá no forno já para sair, tá? Porque é fruto dessas pesquisas, né? Mas pra gente finalizar aqui, eu quero compartilhar para vocês o que eu queria deixar como mensagem. E é uma experiência que eu tive com um desses manuscritos mais famosos da Bíblia. Isso aconteceu há uns anos atrás lá em Israel. Eu por muitos anos guiei caravanas de de turistas na terra santa, como a gente fala, né, pra terra de Israel. E levei muita gente para lá, muitos. E quem sabe um dia leva aqui também, né, a galera aqui, né, pra gente fazer um passeio e aprender as coisas em loco, né? E nesse lugar aí, no museu do livro, e esse é o museu do livro em Jerusalém, nesse lugar nós temos os manuscritos do Mar Morto que foram descobertos, eles estão guardados aí e alguns deles estão expostos. Então, o teto do do museu imita a tampa de um jarro, tá vendo? E quando você entra lá dentro, ó, essa é um jardim bonito que tem lá fora. Quando você entra lá dentro, no centro você tem o rolo de Isaías grande que foi descoberto lá. Ele fica no meio assim, é uma cópia dele, é uma foto, né, para falar a verdade. O original tá guardado, mas ele tá ali no centro para você ver o rolo de Isaías. E e o vidro, né, a parte de cima imita aquele aquele eh eu esqueci o nome disso agora, mas é onde você segura, né, aquela manopla lá que você segura para você girar o rolo, sabe? Então, a parte de cima imita isso ali e você vê a tampa do vaso por dentro quando você entra lá dentro, como se você entrasse dentro do vaso, né? Então esse é o rolo de Isaías que fica exposto ali no centro. Mas abaixo do rolo de Isaías tem uma escada e você desce na parte de baixo do museu. E lá na parte de baixo do museu você encontra o códice de Alepo, que é a Bíblia hebraica mais antiga que a gente conhece. Tá guardada lá no museu do livro em Israel. E eu tava ali olhando o códice de alepo e eu tava lendo o códice de Alepo junto com um amigo meu e eu tava lendo em voz alta o texto em hebraico, né? E eu esqueci que eu tava no lugar que todo mundo fala hebraico, né? Ô, tô em Israel, meu, né? E eu tô lá, né? Todo inocente, todo pimpão, lendo lá em hebraico lá e tal. E uma senhora israelense, ela me viu e eu tava ali lendo, tentando traduzir, tentando entender tal, naquele esforço todo. Aí ela me viu lendo, e eu tava lendo em voz alta, né? E aí ela me viu e claro, vendo eu lendo em hebraico em voz alta, ela percebeu que eu não era israelense, né, né, lá, sei lá, meu erro de pronúncia, não sei, ela percebeu, mas ela achou bonito aquilo. E ela chegou para mim e falou assim: "Que lindo, né, seu interesse pela língua da Bíblia, que coisa mais linda." Você percebeu uma coisa bonita? Olha, nós estamos dentro de um vaso, de um jarro. As escrituras foram preservadas dentro de um jarro. Nós somos a palavra. A palavra tá em nós. Nós estamos aqui dentro do jarro. Ela falou isso para mim. E na hora que ela falou isso para mim, naquele momento, explodiu na minha mente um texto de Paulo, que é Novo Testamento, né, e grego ainda por cima, né? O texto de Segundo Coríntios, capítulo 3, eu quero terminar lendo ele para vocês aqui. Segundo Coríntios, capítulo 3, diz assim, Segundo Coríntios 3, verso 2 em diante, Paulo diz assim: "Vocês são a nossa carta escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos. Vocês manifestam que são a carta de Cristo produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas com o espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações. E é por meio de Cristo que temos tal confiança em Deus. Não que por nós mesmos sejamos capazes de pensar alguma coisa como se partisse de nós. Pelo contrário, a nossa capacidade vem de Deus, o qual nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, não do texto fixo, mas do espírito, porque a letra mata, mas o espírito vivifica. E no capítulo 4, no versículo 6, ele continua dizendo assim: "Porque Deus, que disse das trevas resplandei essa luz". E essa frase não tá lá em Gênesis desse jeito, né? Ou como Paulo é livre lá, fala: "Haja luz". E ele fala: Deus disse: "Das trevas resplandeça a luz". Ele já tá mudando o texto aqui, não é? Ele mesmo resplandeceu em nosso coração para a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo. Temos, porém, esse tesouro em vaso de barro, para que se veja a excelência do poder que provém de Deus e não de nós. Nós temos esse tesouro em vaso de barro. Palavra de Deus é viva. Palavra de Deus não é o texto. Palavra de Deus não é o livro. Entendam isso. O texto é importante, claro que é, só que o texto é a mídia. O texto é o meio. O texto é uma forma da mensagem ser comunicada. O texto é perfeito, não é? Tem falha de transmissão, tem. Mas a mensagem tá aqui. Só que a palavra só é viva se essa mensagem for vida dentro de mim. Se ela se tornar carne, pensamento, emoções, sentimentos, pulsões, ações, atitudes na minha vida. Agora, do contrário, não é a palavra viva. Ela tem o mesmo valor do jornal da semana passada que ficou obsoleto. Pode ser leitura interessante, pode ser leitura arqueológica, pode ser o que for, mas não é poder de Deus na minha vida. A mensagem foi preservada e essa mensagem chegou para nós. Se você comparar tudo isso daqui, eu tenho todas as tradições de texto aqui que vocês estão vendo. A mensagem tá aqui. Eu não tô falando que a Bíblia não tem importância. É claro que ela é importante, é por meio dela que eu conheço a mensagem, mas a palavra de Deus é viva. Ela não tá presa no texto. Tem gente que idolatra a Bíblia e faz dela um ídolo de papel. Tem gente que acha que é pecado colocar algum livro em cima da Bíblia, né? Então imagina hoje aqui, olha só, eu vou de ponta cabeça pro inferno, né? Se bem que é Bíblia, né? Então é Bíblia em cima de Bíblia aqui, então não tem problema. Então pode ser. Então tá beleza. Aqui eu não posso colocar o tablet em cima dela. Aí é o pecado, né? Mas tem gente que vê que que que pensa dessa forma. Eu entendo o respeito pelo texto, acho bonito, mas para mim sober idolatria, entende? É um ídolo de papel que a gente fez. A palavra de Deus não é papel. Palavra de Deus é mais que o texto. Palavra de Deus não é doutrina. Palavra de Deus não é conceito filosófico. A palavra de Deus é uma pessoa. Palavra de Deus é Jesus. E eu vou falar mais disso daqui uns próximos sábados para vocês, mas eu só quero terminar aqui fazendo um exercício de pensamento com vocês. Imagina se a Bíblia hoje desaparecesse, sumisse, se acabasse, se não tivesse acesso nem a Almeida, nem a NVI, nem a aplicativo, nada disso. Como é que você ia fazer? Como é que ia ser a sua espiritualidade? Como é que ia ser o seu relacionamento? Como você ia falar de Deus para as pessoas? que que você ia carregar dentro de você? Porque essa era a realidade dos primeiros cristãos lá no início da era cristã, no primeiro século, no segundo século. Esses caras não tinham cópias das cartas de Paulo, não tinha a Bíblia hebraica ou aceptto aginta na casa deles. Eles carregavam a palavra neles, entende? Eles conheciam os ensinos, eles ouviam os ensinos, mas eles eram habitados pelo poder do Espírito Santo, pela presença do Senhor ressurreto na vida deles. E com esse poder eles mudaram o mundo, eles enfrentaram perseguições. Atos fala que eles viraram o mundo de cabeça para baixo. É o que fala. E fizeram tudo isso não porque eles tinham a Bíblia ou porque eles eram motivados pelo texto, mas eles tinham o poder do Espírito Santo dentro deles, porque eles eram a palavra viva de Deus. Hoje, se a Bíblia desaparecesse, se o texto fosse permanentemente totalmente corrompido, Deus ainda ia continuar falando. O espírito dele ainda ia continuar se movendo. Ele ainda ia continuar realizando maravilhas e milagres e transformações, porque você é a carta de Cristo, você é a palavra de Deus, você é habitado por esse espírito e Deus fala em você, para você e através de você. Senhor nosso Deus, nós agradecemos a Ti comunica a mensagem do Evangelho, mas mais ainda pelo Espírito que nos inunda e nos transforma em cartas vivas de Cristo. Que o Senhor fale através de nós e por nosso intermédio paraa vida de muitas pessoas e que sejamos habitados pelo poder da tua palavra que é Jesus em nós. É o que nós te pedimos em nome de Jesus. Amém. Amém. M.