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A fé vem pelo ouvir

Sermão: A Palavra Viva

Sermão: A Palavra Viva

Sermão: A Palavra Viva

Quarto sermão da série "A Bíblia", feito pelo pastor Marcelo Rezende na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Nosso Deus, nosso Pai, que a tua voz
agora ecoe em nossos corações, como nós
pedimos essa música, Senhor.
>> Que teu espírito sopre sobre todos nós
>> e que o poder da tua palavra nos renove
para vivermos sempre de acordo com a tua
vontade. Esteja aqui entre nós agora nos
ensinando. É o que nós te pedimos em
nome de Jesus. Amém.
>> Amém.
Meus queridos,
bom dia. Feliz sábado para vocês que
estão aqui no Shopping Pátio
Egienópolis.
E para você que tá acompanhando a gente
através das nossas redes sociais, bom
dia, boa tarde, boa noite, não sei qual
que é o momento seu, mas agora nós
estamos todos juntos unidos pra gente
poder mais uma vez aprender um pouquinho
dentro dessa série especial que nós aqui
estamos desenvolvendo a cada sábado, que
tem como tema a Bíblia, a forma correta
de entender o significado dela, a
importância dela e a natureza da Bíblia
pra gente. E para começar hoje, eu quero
ler para vocês o texto de Isaías,
capítulo 40. Isaías 40, do verso 6 em
diante, que diz assim: Se você tem aí a
sua Bíblia física ou aplicativo, o que
seja, acompanhe comigo a leitura aqui
desse texto. Uma voz diz: "Proclame". E
alguém pergunta: "Quei de proclamar?
Toda a humanidade é erva e toda sua
glória como a flor do campo. A erva seca
e as flores caem, soprando nelas o
hálito do Senhor. Na verdade, o povo é
erva. A erva seca e as flores caem, mas
a palavra do nosso Deus permanece para
sempre. Quando a gente lê aqui esse
texto,
duas coisas geralmente são ressaltadas
dessa leitura. Primeira delas, é essa
soberania,
essa certeza, esse direcionamento
eh fiel de que aquilo que Deus diz,
aquilo que ele promete, aquilo que ele
profetiza se cumpre e acontece. É o
poder soberano de Deus. As pessoas leem
esse texto sobe
contrasta toda a falibilidade, toda a
transitoriedade da humanidade, da
cultura humana, com a eternidade, com a
perenidade daquilo que é de Deus,
daquilo que vem de Deus. E por isso diz
assim: "A palavra do Senhor permanece
para sempre". Mas uma outra ideia que
também ressalta aqui desse texto,
geralmente ela é usada quando a gente
faz estudos bíblicos, né? quando a gente
vai ler o que a Bíblia fala a respeito
dela mesma, essa é a ideia de que a
palavra de Deus permanece para sempre. E
muitas pessoas falam assim que o texto
da palavra de Deus, com base nesse verso
que eu li, foi divinamente preservado,
porque Deus zela pela sua palavra.
Tudo que foi escrito foi preservado, foi
eh divinamente protegido de maneira
sobrenatural, chegou até os nossos dias
carregando exatamente as mesmas palavras
que foram sopradas por Deus para os
profetas, para os apóstolos e para os
autores dos textos bíblicos. E esse
negócio é é tão sério, né? essa crença,
essa certeza de que a Bíblia é imutável
e todas as palavras da Bíblia são
imutáveis, inerrantes e infalíveis em
todos os seus aspectos. Que para vocês
terem uma ideia, essa semana eu tava
dando uma zapeada na Amazon e tava ali
procurando uma tradução de uma Bíblia
que eu achei interessante, né, pelos
pressupostos teóricos dos textos
originais que essa Bíblia traduz. E a
propaganda da Bíblia dizia o seguinte,
eu tirei da Amazon aqui, vou ler para
vocês. Sabe aquela aquela descrição ali
do do livro, né? diz assim aquela
tradução, né? é a coleção das exatas
palavras infalivelmente assopradas por
Deus para mentes e dedos dos escritores
por ele usados e depois por ele
providencialmente preservadas com
absoluta perfeição ao nível de cada tio
e juso ininterrupto pelos crentes de
todas as igrejas fiéis, sendo a única
base para todas as traduções usadas em
todas as línguas e nações, desde as
bíblias de Lutero, de Tinder, do século
X, espelhando o mais literalmente
possível os exatos textos massorético e
textos receptos. Vou explicar isso para
vocês aqui. Que embasaram a King James
em 1611, os quais são a impressão das
exatas palavras em hebraico e grego,
perfeitamente inspiradas por Deus e
através dos séculos, pela sua
providência, perfeitamente preservadas e
incessantemente em uso pelas igrejas
fiéis.
Cansa, né? É mole. Isso aqui que é
convicção. Eu li esse negócio, falei:
"Não, eu tenho que comprar essa aqui,
viu? Porque eu nunca vi um negócio desse
jeito aqui. A coisa que a bênção saiu da
tela quando eu li esse negócio. Nem um
tio, nem um jota. A coisa divinamente
preservada. Será que é assim mesmo? Para
vocês terem uma ideia como esse negócio
não se sustenta muito, é só a gente
pensar num exemplo bem simples que eu
vou dar para vocês aqui e que todo mundo
conhece. A oração do Pai Nosso, não é?
Se eu pedisse para vocês orarem o Pai
Nosso, comigo aqui em voz alta nesse
momento, eu tenho certeza que a gente ia
começar tudo junto, mas num determinado
momento é dar uma dissonância no meio da
reza, né? Não acontece isso, né? É
aquela coisa, né? Uns vão falar assim,
né? Perdoa as nossas ofensas, perdoai as
nossas ofensas, assim como nós perdoamos
a quem nos tem ofendido. Aí uma outra
galera ia falar assim: "E perdoa as
nossas dívidas, assim como nós perdoamos
os nossos devedores". E aí uns terminar
a oração da seguinte forma: "E não nos
deixeis cair em tentação, mas livra-nos
do mal ou livrai-nos do mal. Amém. E aí
outros vão continuar: Porque teu é o
reino, o poder e a glória para sempre.
Amém. Não é assim? Aqui nós temos dois
problemas na oração do Pai Nosso.
Primeiro é de tradução, né? A palavra
ofeilema.
as nossas dívidas ou nossas ofensas são
dois conceitos diferentes. Um tem a ver
com moral, outro tem a ver com dinheiro,
né? Com os impactos do mal, do pecado
cometido, né? Mas eu não vou falar de
tradução hoje aqui. Isso aqui é tema da
próxima da da próxima mensagem aqui da
série. O segundo problema é de crítica
textual, porque você tem um trecho da
oração que uns falam e outros não. Agora
Jesus falou essas palavras. Jesus não
falou essas palavras, não é? E aí, como
que a gente faz? Se você pegar uma
Bíblia física e for ler o texto de
Mateus 6, a oração do Pai Nosso, você
vai perceber que na maioria das Bíblias
modernas, principalmente as Bíblias
publicadas pela sociedade bíblica do
Brasil, você vai ver um colchetezinho
ali. Em algumas outras Bíblias, esse
texto, ele vai ter uma notinha de rodapé
que vai dizer assim: "Esse texto não se
encontra nos melhores manuscritos ou nos
manuscritos mais antigos". Coisa do tipo
assim, né? E aí é que vem a questão. As
pessoas olham uma uma essas dificuldades
e fala assim: "Ah, mas é fácil resolver
isso. Vamos para o texto original", não
é mesmo? E o texto original é o grego e
o hebraico. Só que aí é que tá o
problema. Eu não quero chocar ninguém
aqui, mas vou dizer para vocês uma
verdade. Não existe texto original.
Existem línguas originais, mas o texto
original não existe. O texto original
foi perdido. O texto original é o que a
gente chama de autógrafo, aquele que foi
escrito pela mão dos autores da Bíblia.
Eles duraram pouquinho tempo só. E o que
a gente tem é cópia da cópia da cópia da
cópia. E assim foi, até imprimirem as
Bíblias e chegarem pra gente nas
traduções modernas que a gente lê hoje.
E aí você pensa, pô, acabou, vou jogar
minha Bíblia fora, vou ler outro livro
sagrado. Esquece, né? Não precisa chegar
tanto não, calma, tá? segura comigo
aqui, foca, presta atenção, porque no
final aqui dessa dessa dessa aula
sermão, eu quero que vocês entendam qual
que é o ponto aqui. E é sobre isso que
eu quero conversar com vocês, sobre essa
questão das mudanças no texto. Porque
para vocês terem uma ideia, a Bíblia ela
foi impressa no século X com a invenção
da imprensa, século XV, século X, ela
começou a circular de maneira impressa,
mas antes disso, o texto era escrito à
mão. E foi escrito à mão por centenas,
por milhares de anos, por escribas. E
alguns deles eram especializados, sabiam
que estavam fazendo, eram treinados,
outros não. Outros eram amadores,
voluntários. E e esse texto que foi
copiado e recopiado acontecia a vez ou
outra de carregar defeitos e problemas.
Imagina você copiando um texto. Imagina
só, você entra num quarto, uma luzinha
de vela, e fica ali escrevendo horas e
horas e horas e copiando com fome, com
sono, com frio. Muitas vezes, né? É
impossível não perder uma coisa, não
escapar lá uma palavrinha, alguma coisa
assim, não é mesmo? E essas mudanças
aconteciam, algumas de forma
involuntária,
outras não. Mas as mudanças eh eh que
aparecem no texto, elas são consideradas
hoje, a gente chama de leituras
variantes ou variantes textuais.
A maioria delas é inofensiva, são
inofensivas, melhor dizendo, são
simples, né? Tipo, ah, é para escrever
uma palavra com e o escribe escrevia com
i na pronúncia dele. Ou então é Cristo
Jesus, ele escrevia Jesus Cristo.
Entende? Essas são as variantes textuais
que a gente encontra no texto do Novo
Testamento. Para vocês terem uma ideia,
o texto do Novo Testamento, que eu tô
usando como exemplo aqui, ele tem
aproximadamente 140.000 palavras em
grego. Das 140 140.000 palavras em
grego, nós temos aproximadamente cerca
de 500.000 1000 variantes textuais,
muito mais variante do que palavras
escritas, vocês terem uma ideia. E a
gente tem que ter cuidado para não cair
nos dois extremos. E é isso que e eu
gostaria de deixar bem claro para vocês
aqui. Primeiro, o extremo do ceticismo
radical. Ah, o texto foi perdido, a
gente perdeu toda a mensagem, a gente
não tem mais acesso àquilo que foi
comunicado pelos autores da Bíblia. E
gente famosa aí, como um cara chamado
Bart Herman, que escreveu um livro aí, o
que Jesus disse, o que Jesus não disse,
que foi famoso no passado. Aí esse cara
é dessa linha, se perdeu, acabou, já
era. E outras pessoas vão para uma
crença de confiança absoluta de que nem
um J, nem um tio, nada se perdeu, que é
o que eu li para vocês aqui agora, que
também é um outro extremo. E a coisa não
é desse jeito, tá? Então, a gente tem
que saber entender duas coisas. Quantas
são essas variantes? E só no Novo
Testamento, eu já falei, tem cerca de
500.000. E qual a qualidade dessas
variantes? E esses exemplos que eu dei
para vocês aqui já mostram que essas
variantes elas são simples, coisa boba.
90%, até um pouco mais dessas variantes,
elas não vão mexer em nada no texto, mas
existem alterações que também foram
feitas com intenção, mudanças
intencionais. O escriba, ele quis
consertar, melhorar o negócio que ele
tinha diante dele ou então ressaltar
alguma crença que ele tinha. E aí essas
variantes são as variantes possíveis e
viáveis, elas são o objeto de um estudo
mais detalhado. E as pessoas hoje
estudam essas variantes e a história do
texto para poder reconstruir o que pode
ter sido o texto mais próximo do
original que a gente tem acesso nos dias
de hoje. E essa é a ciência da crítica
textual. E eu quero falar um pouquinho
disso aqui para vocês. Só que a gente
tem dois blocos de textos sagrados, né?
Nós temos o Antigo Testamento escrito em
hebraico, em aramaico, e nós temos o
Novo Testamento em grego. E a história
da transmissão desses textos, ela é
diferente. O Antigo Testamento de um
jeito e o Novo Testamento do outro, não
é? Para vocês terem uma ideia, como esse
negócio de copiar a Bíblia era um
negócio complicado, a gente vê em alguns
eh colofões, que é o nome, né? O nome
das anotações que os escribas faziam nas
margens, a gente vê frases assim: "O
cara fazia aquele trabalho todo
difícil". Aí ele escrevia no final essa
frase aqui, ó. Remenir regrapsasa
tafo graf de menonos plestatos.
Bonito, né? Fique, né? Né? Tá. Mas o que
que isso quer dizer? A mão que escreveu
isso apodrece em uma tumba, mas o
escrito permanece até a plenitude dos
tempos, né? É bonito, né? Alguns tinham
essa ideia da tarefa sagrada que eles
estavam realizando. Por isso, quando a
gente olha a história do texto, texto
hebraico aqui, em primeiro lugar, a
gente vê esse espírito dessa consciência
daquilo que estava sendo produzido paraa
eternidade. A gente olha o texto que
chegou para nós da Bíblia hebraica, o
texto que a gente conhece como texto
massorético. Por que que ele tem esse
nome? Porque ele foi produzido na Idade
Média por escribas altamente
competentes, judeus, que eram chamados
de maçoretas. Massora eram as anotações
e as técnicas que eles desenvolveram
para proteger e padronizar o texto que
eles copiavam. Eles contavam as letras,
era toda uma ciência assim. Então, o
texto massorético é um texto estável,
padronizado, é um texto seguro, mas ele
não reflete. Olha o que eu vou dizer
aqui para vocês, o texto original da
Bíblia hebraica no Antigo Testamento nos
seus detalhes. Por que eu digo isso?
Porque existem tradições também
diferentes do texto da Bíblia hebraica.
Uma delas mais conhecida é a
Septoaginta. Aqui vocês estão vendo uma
folha da Septoaginta. Que que é a
Septoaginta? Septoaginta é uma tradução
do Antigo Testamento, do hebraico pro
grego, que começou a ser feita mais ou
menos 300 anos antes de Jesus lá no
Egito, em Alexandria. Tem toda uma lenda
de 70 sábios, daí vem o nome
Septoaginta, né, que traduziram. É uma
lenda, tá? Foi um processo lento. Ela
começou a ser feita naquela época e ela
levou mais ou menos uns 300 anos para
poder terminar. E quando você olha os
manuscritos da Septoaginta, ela é bem
diferente do que a gente tem hoje. Eu
tenho aqui uma uma edição moderna da
Septoaginta e até mesmo dentro dela você
percebe algumas diferenças no texto que
chegou pra gente aqui, mas esse é o
texto traduzido da Bíblia hebraica e ela
tem uma característica,
muito dela parece com o texto hebraico
que a gente conhece, do texto
massorético, mas tem diferenças, tem
mudanças, tem textos que que eles têm
uma estrutura diferente. E algumas
pessoas chegou até a pensar que esses
caras que traduziram a Septoaginta, eles
tiveram acesso a um texto hebraico
diferente daquele que a gente conhece
hoje. Em alguns momentos, a Septoaginta,
ela não segue o texto hebraico de
maneira fiel. Ela faz paráfrases, ela
faz adaptações, porque ela é fruto de
muitas mãos que produziram esse texto. E
a ideia de traduzir de uma língua para
outra já traz consigo esse poder de
alterar aquilo que no texto original ou
no texto que eles tinham diante deles eh
eh trazia. Então essa é uma realidade da
tradução, não é? E por isso alguns
pesquisadores, eles desenvolveram a
teoria no passado do dos três textos
hebraicos. Que que é isso? A teoria dos
três textos. O texto que a gente
conhecia hebraico era o texto da Idade
Média, texto massorético, pouquíssimos
fragmentos antes disso e o texto da
Septoaginta, que é uma tradução. E aí
eles chegaram à seguinte conclusão.
Existiu lá um original hebraico. E esse
texto hebraico, ele ele era conhecido de
três formas. Na Babilônia era conhecido
de um jeito. Por quê? Porque o povo
judeu foi exilado na Babilônia. Então lá
na Babilônia existia um texto hebraico
que deu origem a esse texto massorético
que a gente conhece. Existia também um
texto hebraico que circulava na
Palestina e esse texto influenciou a
formação do Pentateuco samaritano. E
existia um outro texto hebraico que foi
para lá no Egito e tá aí como fonte da
Septoaginta. Era o que eles pensavam.
Então, havia diferenças nesses textos e
eles isolaram a teoria dos três textos.
Mais essa teoria dos três textos, ela já
caiu em desuso e ela foi abandonada
depois da descoberta mais famosa
arqueológica do século XX, que é a
descoberta dos Manuscritos do Mar Morto.
Vocês já ouviram falar dos manuscritos
do Mar Morto? Em 1947, uns beduínos,
pastorzinhos, estavam lá cuidando das
cabras deles aí nessa região. E uma das
cabras caiu numa caverna, num buraco.
Não é essa que vocês estão vendo. Essa é
a caverna número quatro, né? Que é a
mais famosa, a mais bonita. Por isso que
eu trouxe ela para vocês aqui, mas é uma
cavernaí que tá aí um desses cantos. Aí
a cabrinha caiu lá e aí no escuro ele
com medo de pular lá dentro, né? Não
sabia a profundidade do buraco. Ele pega
uma pedra e ele joga a pedra para poder
ouvir onde que a pedra ia cair. Nessa
que ele joga a pedra, ele escuta barulho
de vaso, de cerâmica se quebrando. E aí
a curiosidade vence o medo, né? O cara
pulou lá dentro e quando ele entra ali,
ele encontra uns jarros assim, uns vasos
de barro. que tinham rolos de
pergaminho. Pergaminho são folhas feitas
de couro. Ele encontrou uns pergaminhos
escritos em hebraico ali. E aí o que que
ele e os outros pastores ali decidiram
fazer? Vamos vender esse negócio. E eles
levaram para vender. E alguns
manuscritos foram adquiridos por um
líder lá da igreja eh ortodoxa Síria de
Jerusalém, um cara chamado Atanásio
Samuel. E ele levou esses manuscritos
para vender nos Estados Unidos. era a
ideia dele. Outros foram adquiridos por
um outro pesquisador chamado eh Sukik. E
o Sukquenik, ele adquire esses
manuscritos e vai levar pra Universidade
Hebraica de Jerusalém. E aí vocês estão
vendo Suenique analisando alguns
fragmentos dos manuscritos do Mar Morto.
E aí quando eles vão analisar os
manuscritos do Mar Morto, eles começam a
entender como é que funcionou esse
processo de transmissão do texto. Porque
o texto conhecido que a gente tinha é o
texto da Idade Média. Esse que vocês
estão vendo aí é o Códice de Alepo.
Códice porque é o caderno, é o formato
de livro. O Códice de Alepo, ele data do
final, ele data do século do século X da
nossa era, finalzinho do século X. E ele
não tá completo, tem folhas aí, trechos
que estão faltando. Para você ter uma
ideia, ele começa em Deuteronômio. Quase
toda a Torá foi perdida do códice de
Alepo, né? E o cód o texto mais famoso,
que é a base das bíblias hebraicas, que
a gente usa até hoje e que é o texto
traduzido na Bíblia que você lê, é o
Códice de Leningrado, que é que vocês
estão vendo ele aqui. Esse códice de
Leningrado. E o códice de Leningrado eu
tenho aqui para vocês verem nessa edição
da Bíblia Hebraica Estut Gartência. Esse
é o códice de Leningrado inteiro aqui,
que é o texto base para as traduções que
a gente usa em português, tá? Mas
olhando os manuscritos do Mar Morto, o
que que eles perceberam? Essa teoria das
três famílias de texto hebraico foi pro
chão. Por quê? Porque eles encontraram o
texto dito babilônico lá, encontraram o
texto dito palestino, lá encontraram o
texto egípcio lá também. E encontraram
textos que eles nunca tinham visto.
Entende? tudo sendo usado ao mesmo tempo
por todo mundo. Então eles perceberam
que existia uma fluidez muito maior do
texto bíblico naquele tempo. Para vocês
terem uma ideia, a Septoaginta, quando
você lê os livros de Jeremias e
Ezequiel, o texto da Septoaginta é bem
menor do que o texto da Bíblia hebraica
que a gente conhece. falta pedaços do
texto lá e ordens do livro de Jeremias
estão ao contrário, estão em outros
lugares, blocos inteiros em outros
lugares do texto em relação ao texto
massorético que a gente conhece. Então
as pessoas pensavam assim: "Ah, os caras
seaginta comeram bola, né? Os caras
erraram eh faltou alguma coisa,
esqueceram de copiar e tal". Só que aí
encontraram manuscritos hebraicos lá no
noem em em em Cumbra e naquela região do
deserto da Judeia que traziam o texto
hebraico do mesmo jeitinho da
Septoaginta, com a mesma estrutura do
livro do profeta Jeremias e Ezequiel. A
história de Davi e Golias na
Septoaginta, ela é bem menor, tem muitas
informações que não aparecem lá. E eles
encontraram também textos hebraicos que
combinavam com a versão da Septoaginta.
encontraram textos hebraicos parecidos
com o texto massorético. A maioria deles
é parecido com o texto que a gente
conhece, mas encontraram versões
diferentes também e textos que eram
diferentes também. E aí é aquilo que eu
disse para vocês, eles chegaram à
conclusão de que haviam famílias
diferentes de textos, haviam edições
diferentes de textos. O texto da Bíblia
hebraica foi editada, foi editado,
melhor dizendo. Quando você lê hoje a
Torá, você percebe que há momentos do
texto que diz assim: "Muda o nome do
lugar", né? lugar tal que se chama hoje
tal coisa ou então tal coisa está aí até
os dias de hoje. Porque provavelmente
depois do exílio da Babilônia alguém
editou o texto, atualizou o texto,
modificou o texto. E essas atualizações
e edições estavam acontecendo em textos
escritos, enquanto outros textos
sagrados estavam sendo produzidos. E
tudo isso circulava junto no mesmo
tempo. Quando você lê as citações do
Novo Testamento da Septoaginta, Paulo
cita de um jeito, às vezes ele segue o
texto que a gente conhece, às vezes ele
segue uma outra versão da Septoaginta
que a gente não conhece e às vezes ele
mistura o hebraico com o grego e coisas
do tipo assim, porque a coisa era muito
mais fluída, muito mais livre do que a
gente imagina hoje. Mas então como é que
o texto hebraico se tornou um texto
padrão como texto massorético? Porque no
ano 70 da nossa era, Jerusalém foi
destruída. E os romanos varreram toda
aquela região, acabando com todo o foco
de rebelião que eles conheciam. E muitas
comunidades, principalmente esses caras
que produziram esses textos, eles foram
exterminados também. Saduceus
desapareceram. Sobrou um grupo só. Quem
que sobra? Os fariseus que vão dar
origem ao judaísmo rabínico. E eles
levaram consigo a tradição de texto que
eles conheciam, que é o texto
prótomassorético, que deu origem ao
texto massorético que a gente conhece. E
as edições modernas da Bíblia que a
gente tem, todas elas vão trazer o
códice de leningrado, ou pelo menos a
maioria delas. Essa é a Bíblia
esturgartência que eu mostrei para vocês
aqui. Uma outra edição também que tá
sendo publicada ainda é a Bíblia
hebraica quinta, assim que ela é
chamada. E um outro projeto que também
ainda está em andamento, que é da Bíblia
hebraica, da Universidade de Jerusalém.
Se você perceber aqui a diferença desse
texto, não é o texto bíblico em si. O
texto bíblico em si é o mesmo. Eles
estão usando o códice de leningrado. Mas
o que tem de diferente aqui são as notas
de rodapé, que nós chamamos de aparato
crítico. Aqui nós temos as tradições
textuais, as variantes textuais, onde
você encontra cada uma dessas variantes,
em que lugar elas estão. Não só no texto
hebraico, na Septoaginta, na peixita,
que é a versão ciríaca, na tradução
latina de Jerônima, Vugata, se vocês
quiserem, eu tô com elas aqui também, só
não coloquei aqui porque não ia caber,
né? Se quiser dar uma lidinha depois
aqui, fica à vontade, tá? Pode comparar
os textos aqui, mas tá tudo aqui, tá?
Então, essas versões elas aparecem aqui
e o que muda é que à medida que as
pesquisas vão avançando, o aparato
crítico ele vai ficando cada vez mais
denso, tá vendo? cada vez mais repleto
de informações. Então, olha só, aqui
você tem um pedacinho de texto bíblico e
tudo isso aqui de informações aqui, ó,
pro que tá escrito aqui em cima, tá?
Então, esse é o estado atual da Bíblia
hebraica. Nós também temos versões da
Bíblia hebraica que você pode adquirir,
como essa aqui, ó, o Taná publicado pela
editora Sefer aqui no Brasil, que traz
não o códice de Lemingrado, mas elas vão
se focar no códice de Alepo. Como ele
não tá completo, eles preenchem com
aquilo que falta, mas a base é o códice
de Alepo. E tem também uma outra versão
da Bíblia hebraica que também é
publicada e pode ser adquirida, que é a
Bíblia Hebraica Rabínica. Ela já data do
século X e ela é fruto de um de uma eh
coleção de manuscritos massoréticos que
foram reunidos nessa época e publicados
aqui nessa versão. É essa versão aqui
feita por esse cara chamado Ben Raim,
que é louvada lá na propaganda da Bíblia
da Amazon, que eu falei como a mais fiel
que nem um J, nem um tio, sabe? É essa
versão aqui que é do século X, tá bom?
Para vocês terem uma ideia, quando a
gente olha pro texto do Novo Testamento,
a coisa fica um pouquinho mais
complicada. Se já tá complicado aqui.
Calma que piora, né? Fica um pouquinho
mais difícil, né? A gente tem acesso a a
fragmentos de papiros bem lá do início
da era cristã. Vocês estão vendo aqui o
papiro P52,
que é o texto mais antigo do Novo
Testamento que a gente conhece. Ele é um
fragmento em códice do Evangelho de
João. Aqui é João capítulo 18. E por que
que eu falo que é um códice? Porque ele
tá escrito nos dois lados. Aqui são
fotos dos dois lados do mesmo fragmento.
E ele é pequenininho, ele tá enorme aqui
nessa tela, mas ele é do tamanho de um
cartão de crédito. Ele é pequenininho. É
o P52. É o texto mais antigo que a gente
tem. E ele é em formato de códice.
Códice é esse formato de caderno que
vocês estão vendo, que é o formato de
livro que a gente lê até hoje, né? Os
cristãos usavam muito códice, ao passo
que os judeus usavam mais os rolos na
sinagoga. Então o códice se tornou uma
marca dos escritos cristãos. E assim que
eles copiavam os textos deles. Mas nós
temos textos muito antigos que também
chegaram até a gente. Esse que vocês
estão vendo é o papiro P. Todo papiro é
P, né? Chamado de P. P de papiro. O
papiro é feito de planta, né? É uma
folha que é feita de de juncos ali, que
você esmaga e tal e faz aquela folha.
Esse é o papilo P45. Vocês estão vendo
aqui um trecho dos Evangelhos. E esse
também é um outro famoso, é o P66. Eles
datam do segundo século, no máximo do
terceiro século da nossa era. Esses que
eu tô mostrando para vocês aqui. E o
P66, tão vendo aqui o caderno, né, do do
do códice que chegou até a gente. E aqui
vocês estão vendo o comecinho do
evangelho de João. E dá para ler
normalmente o texto aqui. Se você pegar
aqui em cima, dá para ver aqui, ó. Enarg
enrologos caiologos en proston. Aí come
um pedaço aqui, certo? Mas dá para ler o
texto. Então você pode ver, é um bloco
de texto, não tem separação de palavras,
é tudo escrito em maiúsculo, tudo junto.
E aí você pergunta assim: "Como é que eu
sei as datas desses manuscritos?" Pelo
estilo de escrita e dos materiais usados
neles. A caligrafia mostra a época que
eles foram produzidos. Já viu a escrita
antiga das nossas avós e bisavóz, como é
que as letras são diferentes? Você lê um
texto, você sabe que ele é antigo, não
é? É a mesma coisa esse tipo de escrita.
E os materiais a escrita, eles vão
mudando com o pastor dos séculos. E é
assim que a gente vai datando os os
papiros. Depois dos papiros, nós temos
os chamados unciais. Uncia, uncial é
letra maiúscula, que foram escritos em
pergaminho, em couro, em folhas de
couro. E esse aqui é um dos mais
famosos, é o manuscrito, é o o
pergaminho do códice sinaítico, data do
século da nossa era. Ele tem esse nome
porque ele foi encontrado aí no século
XIX por um cara chamado Tisendorf, no
mosteiro de Santa Catarina, lá no Monte
Sinai. no pé do Monte Sinai. O outro
famoso é o Códice Vaticano, que tem esse
nome porque ele tá lá na biblioteca do
Vaticano. Ele é um dos testemunhos mais
fiéis do texto do Novo Testamento que a
gente tem, o Códice Vaticano, né? Além
do Códice Vaticano, outro que também é
famoso e também é muito usado para
reconstruir o texto do Novo Testamento é
o Códice Alexandrino, que é do século V.
Esse esse século, esse esse manuscrito.
Os outros dois, Sinaí e Vaticano do
século V, Codice Alexandrino do século
V. E esse é o Efraim Reescritos, que
também é do século V. Por que que ele
tem esse nome? Ele é um palimpto.
Que que é palimpe se, né? Tá complicado
o negócio aqui, né? Mas o que que é o
palimpecesto? Esses livros eram escritos
em couro e o couro é caro para você
produzir. Então, às vezes, quando você
queria escrever um outro livro, você
tinha que usar o couro de um material já
existente. Uma alma bendita pegou a
Bíblia e raspou o texto da Bíblia e
escreveram em cima do texto um sermão de
um cara chamado Efraim, sabe? Então
ficou Efraim reescritos, né? é o nome do
do manuscrito aqui. Então, com técnicas
especiais, com luz especial, você
ilumina o texto e você vê o texto grego
escrito por baixo do texto que tá por
cima dele hoje, entendeu? Então, por
isso você consegue ver esse texto e
perceber que era um texto antiquíssimo e
muito valioso. Esses textos antigos são
usados paraa gente poder ter uma ideia e
reconstruir os textos do Novo
Testamento, como a gente conhece. Mas a
história do Novo Testamento, ela é
complexa, porque ela abrange muitos
séculos e uma produção que começa de
maneira descontrolada de cópias e depois
ela vai lentamente sendo padronizada.
Quando a gente olha aqui, ó, aqui é o
comecinho da história, tá? Primeiro
século até os outros séculos aqui. E
aqui é a quantidade de textos e
manuscritos que chegaram até nós sendo
produzidos na época. Aqui no começo da
era cristã, a produção não era
controlada. E são exatamente esses
textos que estavam mais próximos dos
textos originais, percebe? A gente tem
poucos deles que sobreviveram e a
produção não era controlada. Eles eram
feitos assim, de maneira espontânea, por
iniciativa particular, por gente
especializada e por gente que não tinha
nem ideia do que tava fazendo. Então tem
textos bons e textos ruins. E aqui vem
uma coisa interessante, a gente tem que
pesar a evidência. Nem sempre o que é
mais antigo é bom e nem sempre aquilo
que você encontra na maioria dos textos
é original. Você tem que entender as
evidências externas e internas para você
poder analisar o que você tá lendo
diante de você, tá? Então aqui você tem
esses papiros, ó, o papiro aqui em
vermelhinho e os unciais dessa época
aqui. Aí acontece uma mudança. A
perseguição dos cristãos que
inviabilizavam uma produção mais
controlada de manuscritos, ela para. Por
quê? Porque o cristianismo se torna a
religião oficial do Império Romano. E aí
quando o cristianismo se torna oficial,
você começa a ter aqui uma produção de
cópias mais controladas voltadas para
atender as necessidades da igreja nesse
período. E aí você começa a ter um
aumento da produção desses manuscritos.
E aí vem um outro detalhe histórico
importante. No século X acontece o
grande cisma, a grande separação da
Igreja Ortodoxa do Oriente com a Igreja
Católica do Ocidente. Nesse período
aqui, ó, antes desse grande cisma, a
igreja do Ocidente, ela começou a passar
por um processo de latinização.
O latim foi se tornando a língua mais
importante e as traduções latinas da
Bíblia começaram a ser mais usadas. A
vulgata latina de Jerônimo é um exemplo
disso, que foi a tradução e é a tradução
bíblica oficial da Igreja Católica até
os dias de hoje, a Vulgata Latina, que é
desse período aí, tá? Então, o ocidente
vai usar mais latim e o grego vai
ficando mais pras igrejas do Oriente. E
aí com a separação, quando os católicos
amaldiçoam os ortodoxos, os ortodoxos
amaldiçou os católicos, eles se separam
de forma definitiva, você tem aqui uma
concentração dos manuscritos gregos no
Oriente. E aqui você tem uma explosão de
de produção controlada e já mais
padronizada. Então, a maior parte dos
textos do Novo Testamento que nós temos
hoje, eles datam desse período aqui, ó,
dessa época do século 9 paraa frente,
entendeu? É chamado de texto
majoritário, porque a maior parte dos
testemunhas que chegaram até nós são
dessa época aqui e eles são diferentes,
eles não têm mais aquelas letras
grandes, eles são minúsculos, tá? Aqui
vocês estão vendo o texto grego escrito
a mão e letra minúscula, né? E aqui
vocês estão vendo aqui algumas cópias
desses textos que já são mais bonitos,
são mais bem produzidos, porque os
escribas aqui já são especializados,
eles estão produzindo o texto para ser
usado na liturgia da igreja, da igreja
ortodoxa, entende? Então, esses são os
manuscritos que nós temos, né, do texto
dito majoritário. E a gente pode ler o
texto majoritário. Eu mesmo tenho aqui
uma edição do texto majoritário, vocês
estão vendo que a gente pode comprar
hoje aqui. Esse é o texto bizantino, ele
também é chamado dessa forma. é o texto
da produção da igreja do Oriente. Tá
bom? Mas aí o que acontece? Outro evento
histórico importante. Em 1453,
Constantinopla caiu na mão do império
otomano. Os cristãos daquela região,
eles fogem em massa paraa Europa. E como
eles usavam grego, eles vão levar os
manuscritos gregos pra Europa. A Europa
é inundada, invadida por manuscritos
gregos. E aí, nessa época da renascença,
século XV, século X, não é aquele
período, há um interesse em se voltar
para as fontes em todos os aspectos da
cultura. E o interesse nas línguas
originais da Bíblia, ele cresce. E aí
nós temos edições das Bíblias em
hebraico e grego sendo impressas, porque
aí já havia a imprensa criada por
Gutenberg. Então, um homem chamado
Erasmo de Rotterdam, vocês já ouviram
falar dele, ele vai editar o o Novo
Testamento grego e ele vai publicar o
Novo Testamento dele e depois esse esse
Novo Testamento, ele vai ser corrigido e
editado por uns irmãos Euzevir, esse é o
nome da da galera lá. E eles vão
publicar o que eles chamam de textos
receptos, que é o que vocês estão vendo
aqui na minha mão. O texto recepto. Eles
dizem: "Esse é o texto que foi recebido
pelos pela igreja da mão dos apóstolos".
É esse texto aqui o da propaganda da
Amazon, tá? É esse daqui. Tá vendo? Do
século X esse texto aqui, tá? O texto
receptos é o texto produzido, original
da mão dos apóstolos. Mas esse texto ele
é descendente do texto majoritário. Ele
é daquela família. O texto majoritário
tem várias famílias. Várias famílias.
Para vocês terem uma ideia, uma família
famosa e conhecida é essa daqui, ó, a
família 35 do texto majoritário, né?
Alguns dizem assim: "Não, o texto melhor
de todos majoritário é a família 35".
Esse é o original. Então tem uma briga
para poder entender qual é o melhor,
qual não é o melhor. Então, mas o texto
receptos, ele é o texto que ele descende
dessa família, mas ele não é o melhor,
porque ele foi produzido com oito
manuscritos que eles tinham acesso
naquela época e conheciam. Então eles, e
não eram os melhores também do texto
majoritário, mas ele foi o texto base
para tradução da Bíblia de Lutero,
tradução da King James e a tradução
feita pelo pastor protestante João
Ferreira de Almeida, tá? Em português, a
a edição antiga é o texto receptos, tá
bom? E você pode ter acesso a essa
tradução. Se você lê Almeida revista e
corrigida, é a tradição majoritária
receptos que você tá lendo. Se você lê
Almeida Corrigida Fiel, é o texto
receptos que você tá lendo. Só que
outros manuscritos foram sendo descobert
descobertos com o passar do tempo,
manuscritos mais antigos. E aí eles
deram eh eh ensejo à formação daquilo
que a gente chama de texto crítico. Que
que é o texto crítico? do texto
eclético. Ele é um texto reconstruído
com toda a ciência que vai pesar essas
evidências. Eles vão, eles vão
reconstruir aquilo que eles consideram
que é o texto mais próximo ao original
do Novo Testamento. E é um texto que tá
em constante revisão, porque as
descobertas elas vão aparecendo com o
passar do tempo. Então, constantemente
ele é editado. Então, nós temos duas
tradições do texto crítico. Essa aqui do
lado esquerdo é a edição conhecida como
Nestlé Alland. E ela está na 28ª edição.
É a mais recente, é essa que eu tenho na
mão aqui que vocês estão vendo. É Nestle
Alland 28 que a gente fala. e o texto
das Sociedades Bíblicas Unidas, que está
na quinta edição, que é esse que vocês
estão vendo ali do outro lado, esse
vermelhinho aqui, tá? É UBS5 e na 28, é
assim que eles são chamados. Qual é a
diferença deles? O texto grego em si é o
mesmo, não muda. Eles acompanham um ao
outro tudo aquilo que eles estão
fazendo. O que muda é o aparato crítico
deles. A na 28, a Nestle Alland tem um
aparato crítico muito mais denso, muito
mais técnico, ao passo que a UBS5 tem um
aparato crítico mais voltado para
estudantes de teologia, para pastores,
para tradutores mais amadores, assim,
entendeu? Embora aqui eu selecionei aqui
o texto do Evangelho de João, né? Esse
aqui é o Na 28. Aqui tá até
pequenininho, né? o aparato crítico
dele, né? E aqui da UBS5 tá maior, mas o
aparato crítico da Na28 ele é muito mais
denso, entendeu? Então essa é a
realidade dos textos que a gente tem
hoje. Se você lê Nova Almeida Atualizada
ou Almeida Atualizada, é o texto crítico
que você tá lendo. Se você lê Nova
Versão Internacional, e ela é muito
usada aqui na comunidade, né? Nova
versão Internacional é o texto crítico
que você tá lendo. E se você lê a Nova
Almeida Atualizada e a nova versão
internacional
2023 publicada pela Thomas Nelson, você
está lendo o Novo Testamento 28 da
Nestley Alland e o Novo Testamento UBS5.
São as edições em português que traduzem
esse texto aqui hoje pra gente. E já tá
para sair o 29 e o se já vocês terem uma
ideia, já tá no forno já para sair, tá?
Porque é fruto dessas pesquisas, né? Mas
pra gente finalizar aqui, eu quero
compartilhar para vocês o que eu queria
deixar como mensagem. E é uma
experiência que eu tive com um desses
manuscritos mais famosos da Bíblia. Isso
aconteceu há uns anos atrás lá em
Israel. Eu por muitos anos guiei
caravanas de de turistas na terra santa,
como a gente fala, né, pra terra de
Israel. E levei muita gente para lá,
muitos. E quem sabe um dia leva aqui
também, né, a galera aqui, né, pra gente
fazer um passeio e aprender as coisas em
loco, né? E nesse lugar aí, no museu do
livro, e esse é o museu do livro em
Jerusalém, nesse lugar nós temos os
manuscritos do Mar Morto que foram
descobertos, eles estão guardados aí e
alguns deles estão expostos. Então, o
teto do do museu imita a tampa de um
jarro, tá vendo? E quando você entra lá
dentro, ó, essa é um jardim bonito que
tem lá fora. Quando você entra lá
dentro, no centro você tem o rolo de
Isaías grande que foi descoberto lá. Ele
fica no meio assim, é uma cópia dele, é
uma foto, né, para falar a verdade. O
original tá guardado, mas ele tá ali no
centro para você ver o rolo de Isaías. E
e o vidro, né, a parte de cima imita
aquele aquele eh eu esqueci o nome disso
agora, mas é onde você segura, né,
aquela manopla lá que você segura para
você girar o rolo, sabe? Então, a parte
de cima imita isso ali e você vê a tampa
do vaso por dentro quando você entra lá
dentro, como se você entrasse dentro do
vaso, né? Então esse é o rolo de Isaías
que fica exposto ali no centro. Mas
abaixo do rolo de Isaías tem uma escada
e você desce na parte de baixo do museu.
E lá na parte de baixo do museu você
encontra o códice de Alepo, que é a
Bíblia hebraica mais antiga que a gente
conhece. Tá guardada lá no museu do
livro em Israel. E eu tava ali olhando o
códice de alepo e eu tava lendo o códice
de Alepo junto com um amigo meu e eu
tava lendo em voz alta o texto em
hebraico, né? E eu esqueci que eu tava
no lugar que todo mundo fala hebraico,
né? Ô, tô em Israel, meu, né? E eu tô
lá, né? Todo inocente, todo pimpão,
lendo lá em hebraico lá e tal. E uma
senhora israelense, ela me viu e eu tava
ali lendo, tentando traduzir, tentando
entender tal, naquele esforço todo. Aí
ela me viu lendo, e eu tava lendo em voz
alta, né? E aí ela me viu e claro, vendo
eu lendo em hebraico em voz alta, ela
percebeu que eu não era israelense, né,
né, lá, sei lá, meu erro de pronúncia,
não sei, ela percebeu, mas ela achou
bonito aquilo. E ela chegou para mim e
falou assim: "Que lindo, né, seu
interesse pela língua da Bíblia, que
coisa mais linda." Você percebeu uma
coisa bonita? Olha, nós estamos dentro
de um vaso, de um jarro. As escrituras
foram preservadas dentro de um jarro.
Nós somos a palavra. A palavra tá em
nós. Nós estamos aqui dentro do jarro.
Ela falou isso para mim. E na hora que
ela falou isso para mim, naquele
momento, explodiu na minha mente um
texto de Paulo, que é Novo Testamento,
né, e grego ainda por cima, né? O texto
de Segundo Coríntios, capítulo 3, eu
quero terminar lendo ele para vocês
aqui. Segundo Coríntios, capítulo 3, diz
assim, Segundo Coríntios 3, verso 2 em
diante, Paulo diz assim: "Vocês são a
nossa carta escrita em nosso coração,
conhecida e lida por todos. Vocês
manifestam que são a carta de Cristo
produzida pelo nosso ministério, escrita
não com tinta, mas com o espírito do
Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas
em tábuas de carne, isto é, nos
corações. E é por meio de Cristo que
temos tal confiança em Deus. Não que por
nós mesmos sejamos capazes de pensar
alguma coisa como se partisse de nós.
Pelo contrário, a nossa capacidade vem
de Deus, o qual nos capacitou para
sermos ministros de uma nova aliança,
não da letra, não do texto fixo, mas do
espírito, porque a letra mata, mas o
espírito vivifica. E no capítulo 4, no
versículo 6, ele continua dizendo assim:
"Porque Deus, que disse das trevas
resplandei essa luz". E essa frase não
tá lá em Gênesis desse jeito, né? Ou
como Paulo é livre lá, fala: "Haja luz".
E ele fala: Deus disse: "Das trevas
resplandeça a luz". Ele já tá mudando o
texto aqui, não é? Ele mesmo
resplandeceu em nosso coração para a
iluminação do conhecimento da glória de
Deus na face de Jesus Cristo. Temos,
porém, esse tesouro em vaso de barro,
para que se veja a excelência do poder
que provém de Deus e não de nós. Nós
temos esse tesouro em vaso de barro.
Palavra de Deus é viva. Palavra de Deus
não é o texto. Palavra de Deus não é o
livro. Entendam isso. O texto é
importante, claro que é, só que o texto
é a mídia. O texto é o meio. O texto é
uma forma da mensagem ser comunicada. O
texto é perfeito, não é? Tem falha de
transmissão, tem. Mas a mensagem tá
aqui. Só que a palavra só é viva se essa
mensagem for vida dentro de mim. Se ela
se tornar carne, pensamento, emoções,
sentimentos, pulsões, ações, atitudes na
minha vida. Agora, do contrário, não é a
palavra viva. Ela tem o mesmo valor do
jornal da semana passada que ficou
obsoleto. Pode ser leitura interessante,
pode ser leitura arqueológica, pode ser
o que for, mas não é poder de Deus na
minha vida.
A mensagem foi preservada e essa
mensagem chegou para nós. Se você
comparar tudo isso daqui, eu tenho todas
as tradições de texto aqui que vocês
estão vendo. A mensagem tá aqui.
Eu não tô falando que a Bíblia não tem
importância. É claro que ela é
importante, é por meio dela que eu
conheço a mensagem, mas a palavra de
Deus é viva. Ela não tá presa no texto.
Tem gente que idolatra a Bíblia e faz
dela um ídolo de papel. Tem gente que
acha que é pecado colocar algum livro em
cima da Bíblia, né? Então imagina hoje
aqui, olha só, eu vou de ponta cabeça
pro inferno, né? Se bem que é Bíblia,
né? Então é Bíblia em cima de Bíblia
aqui, então não tem problema. Então pode
ser. Então tá beleza. Aqui eu não posso
colocar o tablet em cima dela. Aí é o
pecado, né? Mas tem gente que vê que que
que pensa dessa forma. Eu entendo o
respeito pelo texto, acho bonito, mas
para mim sober idolatria, entende? É um
ídolo de papel que a gente fez. A
palavra de Deus não é papel. Palavra de
Deus é mais que o texto. Palavra de Deus
não é doutrina. Palavra de Deus não é
conceito filosófico. A palavra de Deus é
uma pessoa. Palavra de Deus é Jesus. E
eu vou falar mais disso daqui uns
próximos sábados para vocês, mas eu só
quero terminar aqui fazendo um exercício
de pensamento com vocês. Imagina se a
Bíblia hoje desaparecesse,
sumisse, se acabasse, se não tivesse
acesso nem a Almeida, nem a NVI, nem a
aplicativo, nada disso. Como é que você
ia fazer?
Como é que ia ser a sua espiritualidade?
Como é que ia ser o seu relacionamento?
Como você ia falar de Deus para as
pessoas?
que que você ia carregar dentro de você?
Porque essa era a realidade dos
primeiros cristãos lá no início da era
cristã, no primeiro século, no segundo
século. Esses caras não tinham cópias
das cartas de Paulo, não tinha a Bíblia
hebraica ou aceptto aginta na casa
deles. Eles carregavam a palavra neles,
entende? Eles conheciam os ensinos, eles
ouviam os ensinos, mas eles eram
habitados pelo poder do Espírito Santo,
pela presença do Senhor ressurreto na
vida deles. E com esse poder eles
mudaram o mundo, eles enfrentaram
perseguições. Atos fala que eles viraram
o mundo de cabeça para baixo. É o que
fala. E fizeram tudo isso não porque
eles tinham a Bíblia ou porque eles eram
motivados pelo texto, mas eles tinham o
poder do Espírito Santo dentro deles,
porque eles eram a palavra viva de Deus.
Hoje, se a Bíblia desaparecesse,
se o texto fosse permanentemente
totalmente corrompido, Deus ainda ia
continuar falando. O espírito dele ainda
ia continuar se movendo. Ele ainda ia
continuar realizando maravilhas e
milagres e transformações, porque você é
a carta de Cristo, você é a palavra de
Deus, você é habitado por esse espírito
e Deus fala em você, para você e através
de você.
Senhor nosso Deus, nós agradecemos a Ti
comunica a mensagem do Evangelho, mas
mais ainda pelo Espírito que nos inunda
e nos transforma em cartas vivas de
Cristo. Que o Senhor fale através de nós
e por nosso intermédio paraa vida de
muitas pessoas e que sejamos habitados
pelo poder da tua palavra que é Jesus em
nós. É o que nós te pedimos em nome de
Jesus. Amém. Amém. M.

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