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A fé vem pelo ouvir

Sermão: Entre a Lei e Os Profetas

Sermão: Entre a Lei e Os Profetas

Sermão: Entre a Lei e Os Profetas

Sexto sermão da série "A Bíblia", feito pelo pastor Marcelo Rezende na igreja Um Lugar Comunidade.

Para ver o culto completo acesse / @umlugarcomunidade

Legendas automáticas:

Nosso Deus, nós te louvamos pela tua
graça, pela tua bondade.
Estarmos juntos aqui é um presente dessa
graça e dessa bondade. O acesso que nós
temos à tua palavra, a consciência do
evangelho em nós e teu espírito em nosso
coração. É por isso que nós agradecemos
a ti e nós pedimos que esse momento seja
um momento de edificação, de
crescimento, um momento de receber a tua
mensagem pra nossa vida, pro nosso
coração. Se derrame sobre todos nós aqui
agora. É o que nós te pedimos em nome de
Jesus. Amém. Amém. Amém.
Meus queridos,
bom dia, bom sábado para vocês que estão
aqui no Shopping Pátio Higópolis, no
Teatro Hall.
Paz de Jesus no coração de todos nós.
Para você também que tá acompanhando a
gente em outro momento, em outro lugar.
Paz de Cristo também para vocês. Nós
estamos hoje finalizando a nossa série
sobre a Bíblia e e eu gostei de usar
esse negócio aqui, sabe? Então vou usar
de novo aqui com vocês hoje, porque a
gente vai fazer aqui uma viagem pela
história e a gente vai conhecer aqui
algumas figuras importantes que vão
ajudar a gente a entender aqui o nosso
tema. Nós falamos sobre a Bíblia,
falamos sobre eh a forma como a Bíblia
chegou até os nossos dias, sobre a
qualidade da inspiração da Bíblia.
Falamos sobre o contexto cultural dos
autores da Bíblia. Nós falamos sobre a
maneira como o texto foi transmitido e
como ele chegou até os nossos dias. Nós
falamos sobre as traduções da Bíblia e
as dificuldades envolvendo as traduções
da Bíblia e a forma como os tradutores
também enxergam o texto e a maneira como
eles vão verter esse texto nas línguas
modernas para as quais eles traduzem.
Nós olhamos a Bíblia de uma forma geral
e uma frase que pode resumir tudo que a
gente falou aqui sobre a Bíblia e ela já
foi dita aqui outras vezes, eu vou
repetir aqui para vocês, é a frase: "A
Bíblia não caiu do céu." Vocês ouviram
essa frase aqui sendo dita várias vezes,
né? "Ela não caiu do céu, não foi um
download divino, uma coisa que veio
pronta. Ela é fruto de um processo, ela
é fruto de uma interação entre eh o
Espírito Santo, entre Deus e os homens.
Por isso que a melhor analogia, para se
entender a Bíblia é a analogia da
encarnação. Como Cristo é Deus em carne
humana, é Deus homem, a Bíblia é a
mensagem de Deus dentro da limitação da
cultura e da expressão humana. Então
essa analogia da encarnação é a melhor
forma pra gente poder entender a
natureza da Bíblia. Falar sobre a Bíblia
é importante, é necessário, mas é
difícil, porque muitas vezes eh eh
determinadas ideias da Bíblia elas vão
se chocar com pressupostos que as
pessoas têm a respeito da natureza do
texto sagrado. Então, por exemplo, vocês
já ouviram muita gente dizendo: "A
Bíblia é inerrante, a Bíblia é
infalível, a Bíblia é verbalmente
inspirada". Já ouviram essas expressões,
não é? E muitas pessoas usam essas
expressões sem entender o que elas
significam. O cara crê na Bíblia,
entende a Bíblia como palavra de Deus
autorizada. Então ela é inerrante. Ele
não sabe o que significa inerrância do
ponto de vista teológico. Não, ela ela é
inerrante porque ela é infalível. Uma
coisa não tem nada a ver com a outra,
entende? Tá ligado? Mas não é assim. A a
doutrina da inerrância, o dogma da
inerrância, para vocês terem uma ideia,
ele foi sistematizado mesmo no século
XX. E a ideia de que a Bíblia não é
apenas a regra de fé e de prática para
as pessoas, mas ela também é autoridade.
Ela é insenta de erros no que diz
respeito à história e ciência. Então eu
tenho que harmonizar a história e a
ciência com a Bíblia, entendeu? Porque
ela é autorizada do ponto de vista da
história e da ciência. Isso é
inerrância. Inspiração verbal já é uma
outra coisa. É a ideia de que Deus
inspirou não os autores para escrever,
mas Deus inspirou as palavras que eles
escolheram para escrever. Os caras foram
uma espécie de caneta divina, entendeu?
O cara vai escrever a Bíblia, Isaías
ali, então o cara sabe aquela coisa, tá
ali psicografa o texto praticamente,
entende? É a ideia da inspiração verbal.
E a gente viu aqui que se se a
inspiração verbal apareceu lá nos textos
originais, com o passar do tempo, foi
meio sendo perdida, porque variantes
entraram no texto. Nós vimos isso aqui
quando a gente estudou a transmissão do
texto, não é? Eh, infalibilidade é outra
coisa. A Bíblia é infalível não que diz
respeito à história e ciência, mas no
que diz respeito à capacidade, o poder
que ela tem de transmitir a mensagem de
Deus e a mensagem de Cristo para todas
as pessoas. No que diz respeito à a à
salvação, no que diz respeito à
espiritualidade, no que diz respeito à
mensagem do evangelho, ela é infalível.
Percebe como são conceitos diferentes e
todo mundo coloca como se fosse uma
coisa só, não é? Falar sobre a Bíblia é
complicado. E hoje eu quero abordar aqui
o último tema dessa série, que vai
tratar de um outro assunto também
complexo, que é a formação do canon da
Bíblia. Palavra canon significa
literalmente régua, de medir. Você mede
alguma coisa. Então ela é a régua, né? O
que é canônico é aquilo que é oficial,
aquilo que é medido, aquilo que é o
correto, entendeu? Aí vem a ideia canon,
tá? A formação do canon da Bíblia. E
para começar falar a respeito desse
assunto com vocês, eu quero ler um texto
do Evangelho, onde Jesus fala sobre a
importância de se buscar a verdade e de
se conhecer a verdade. E o texto que eu
leio aqui diz o seguinte, presta
atenção. Jesus diz: "Não cesse aquele
que procura de procurar até que
encontre. E quando encontrar, admirar-se
há e admirado reinará. e tendo reinado,
descansará de novo. Jesus diz: "Se os
que nos arrastam vos disserem: Eis o
reino no céu, as aves do céu passar-vos
à frente". Se vos disserem que o reino
está debaixo da terra, entrarão os
peixes do mar à vossa frente. O reino de
Deus está dentro de vós e fora. Quem se
conhecer a si mesmo encontrará este
reino, e quando vos conhecerdes,
sabereis que vós sois filhos do Pai
vivo. Se não vos conhecerdes a vós
mesmos, estais na indigência e sois a
indigência. Jesus diz: "Um homem velho
de dias não hesitará em perguntar a um
rapazinho de sete dias acerca do lugar
da vida e viverá. Porque muitos
primeiros serão últimos e os últimos
primeiros e tornar-seão um. Jesus diz:
"Conhece o que está sendo diante do teu
semblante e o que está escondido de ti
sertiá revelado pois não há coisa
escondida que não se tornará visível,
nem coisa sepultada que não será
levantada". Você poderia dizer amém aqui
para esse texto de Jesus?
>> Amém.
>> Amém. Vocês acabaram de dizer amém pro
Evangelho apócrifo de Tomé.
Pois é. Jesus não disse isso que eu
falei aqui para vocês.
Ou se disse, falou diferente. Sabe
aquela coisa, fala, mas fala diferente,
né? É. Pois é. Esse evangelho não é o
evangelho canônico, é o evangelho
apócrifo com umas notinhas assim
místicas e gnósticas de Tomé. Parece até
algumas frases de Jesus, né? Quando a
gente lê assim algumas frases com as
quais nós estamos familiarizados, mas
ele carrega a ideia de que você conhece
você mesmo, você conhece Deus e que o
conhecimento de Deus é uma coisa
misteriosa, restrita apenas a alguns
poucos iniciados. Essa faz parte de uma
teologia que foi se manifestar lá no
segundo, no terceiro século da nossa
era. E não foi o apóstolo Tomé que
escreveu esse evangelho aqui. Uso o nome
dele, mas não foi escrito por ele. É só
para dar uma autoridade para que esse
texto seja mais aceito pelas pessoas,
né? Agora fica a pergunta: por que então
alguns evangelhos foram tirados ou não
entraram na lista do canon e alguns
entraram? Quem escolheu os livros?
Quando esses livros foram escolhidos?
Quando que eles passaram a ser aceitos?
Qual a intenção das pessoas que
organizaram essa lista? Como que a gente
pode conhecer essa história? Vocês já
ouviram várias histórias a respeito
disso? Várias lendas e teorias são
apresentadas sobre a formação do canon
da Bíblia. Eu quero fazer hoje com vocês
aqui uma viagem na história para poder
explicar um pouquinho a respeito disso,
tá? Quando a gente abre uma edição comum
da Bíblia, como essa que eu tenho aqui
na minha mão, que eu uso aqui, a Nova
Almeida atualizada,
a gente vê as listas dos livros que
fazem parte da Bíblia. São 39 do Antigo
Testamento e 27 do Novo Testamento. Só
que nem sempre foi assim. Para vocês
terem uma ideia, várias denominações
cristãs t canons diferentes.
A a a igreja Etíope, ela tem um canon de
mais de 80 livros. Aqui vocês estão
vendo 66. A Igreja Cristã Etípe tem mais
de 80. A Bíblia católica tem livros que
não aparecem aqui. A organização da
Bíblia hebraica é diferente dessa que
vocês estão vendo aqui. Vocês terem uma
ideia? Aqui eu tenho um exemplar do
tanar. Que que é tan? Tanar é o que a
gente chama de Antigo Testamento, tá? A
Bíblia dos judeus. Então você tem três
sessções, a Torá, os profetas e depois
os escritos. Perceba que não existe Novo
Testamento na Bíblia hebraica, tá? É só
o que a gente chama de Antigo
Testamento. Ele não termina em
Malaquias. A Bíblia hebraica vai
terminar, é que aqui cortou, né? Não dá
para ver, mas a Bíblia hebraica vai
terminar em segundo Crônicas. O Antigo
Testamento cristão termina em Malaquias.
falando do Elias que viria, olhando pra
vinda do Messias. E o Evangelho de
Mateus começa apresentando João Batista.
Percebe o link que faz, né, a ideia da
profecia do Antigo Testamento e o
cumprimento em Jesus novo. O canon
judaico termina em segundo crônicas uma
ordem do rei Ciro para que o povo volte
da Babilônia e reconstrua Jerusalém.
Então, termina passando um uma visão
geral da história de Israel, tendo no
foco a terra prometida sendo devolvida
para eles. Esse é a ideia teológica no
final do cano da Bíblia hebraica, como a
gente conhece, tá? Então, a ordem dos
livros ela parece diferente. A
septoaginta, que é a tradição, a
tradução do hebraico pro grego, que foi
feita no terceiro século antes de
Cristo, ela traz também uma outra ordem
de livros e livros a mais que a gente
nem conhece. Aqui você começa a
perceber, ó, começa aqui a lista, ó,
Gênesis e vai, vai que olha quantos
livros você encontra na Septoaginta.
Então, além dos que a gente conhece,
você vai achar sabedoria de Salomão,
você vai achar os livros Tobias, Judite,
Macabeus, primeiro Macabeus, segundo
Macabeus, terceiro Macabeus, quarto
Macabeus, odde de Salomão, vai encontrar
acréscimos o livro de Ester, acréscimos
no livro de Daniel, você vai encontrar
vários outros textos que a gente não tem
baru, né, que vão aparecer aqui. Alguns
aparecem nas edições católicas da
Bíblia, outros não. Então, é uma outra
listagem, é uma outra organização que
você encontra aqui na Bíblia Católica.
Aqui é uma Bíblia de Jerusalém que eu
coloquei para vocês verem. Vocês vão
perceber que a divisão de três que você
vê lá na Bíblia hebraica, não é? Torá,
profetas e escritos. Torá,
neviim e ketuvim. O acróstico fica tan
por isso que é chamado de tanar, o
Antigo Testamento, tá? Essa divisão ela
não aparece nas bíblias católicas aqui.
Então você tem o Pentateuco, os cinco
livros de Moisés, livros históricos,
você tem aqui livros poéticos e
sapienciais que eles chamam, você tem
livros proféticos e o Novo Testamento,
como a gente conhece. E aqui você
encontra sabedoria de Salomão,
Eclesiástico, além do Eclesiastes, você
encontra também eh os livros de Baru,
você encontra Macabeus, primeiro
Macabeus, segundo Macabeus, né? Então,
alguns livros da Septoaginta eles
aparecem aqui no canon da Bíblia
Católica. Então, é difícil, é complicado
falar sobre o canon da Bíblia, a
história da Bíblia, porque até a maneira
de você se referir à Bíblia é difícil.
Se você fala assim, Antigo Testamento e
Novo Testamento, você tá carregando
teologicamente essa definição. Porque
quando você fala antigo, dá ideia de
ultrapassado, dá uma ideia de coisa que
venceu, perdeu a validade. É o Antigo
Testamento, o Novo, só que é importante,
entende? Se você fala Bíblia hebraica
para se referir ao Antigo Testamento,
você também não tá sendo muito correto,
porque a Bíblia não tá escrito toda em
hebraico, tem textos em aramaico na no
Antigo Testamento. Então, Bíblia
hebraica também não faz ju. Se você
chamar o Antigo Testamento, como alguns
falam, né, de uma maneira mais
politicamente correta, o primeiro
testamento pro judeu não é primeiro
testamento, porque o judeu não tem o
novo, é um testamento só. E se você fala
primeiro testamento, o novo vira o
segundo. Se ele é segundo, ele perde a
importância, entendeu? Tá em segunda
categoria, segundo plano, entende? Você
ofende alguns, percebe como é que é
complicado falar, não é? Então é difícil
até a a a forma como a gente se refere a
esses textos. E como é que o canon foi
sendo formado? O cano foi formado num
processo de maneira muito lenta. Mais ou
menos 400 anos antes de Cristo, a Torá,
os livros de Moisés, Gênesis, Êxodo,
Levítico, Número e Deuteronômio, eles já
estavam bem firmados, bem reconhecidos e
aceitos por todo mundo, pelo menos os
judeus ali que liam a Bíblia, que liam a
escritura. Então, você já tem a Torá já
consolidada. A septoaginta, que é a
tradução da Torá, ou melhor, a tradução
do Antigo Testamento, ela começa através
da Torá. Ela começou traduzindo a Torá e
depois, lentamente ela foi traduzindo os
outros textos hebraicos. Por volta do
segundo século e já comecinho da era
cristã, você já tem os profetas já assim
mais consolidados, alguns ainda são
discutidos, mas a terceira sessão
chamada de escritos, ela tá aberta.
Então, não tenho consenso sobre quais
livros fazem parte dessa sessão. Isso na
época de Jesus. E ainda um outro detalhe
interessante, vários outros textos que
são considerados apócrifos, eles eram
considerados como escritura inspirada
nesse período. Porque existe uma
definição que eu queria colocar para
vocês aqui, pra gente poder entender
melhor. Eh, o conceito de escritura, ele
é anterior ao conceito de canon.
Escritura é todo texto que tem
autoridade, texto autoritativo, texto
inspirado, texto que eh tem o poder de
ser referência de ensino. Isso é
escritura. Então, seria uma espécie de
canon um. Tá me referindo aqui para
ficar mais fácil, mais técnico. Canon um
é escritura. Canon do é a lista dos
textos inspirados. Então, muitos textos
canon um que eram reconhecidos na na no
passado, não entraram no canon do.
Quando você lê o Antigo Testamento, por
exemplo, você vai perceber a menção de
vários livros da Bíblia que a gente não
tem, que se perderam. Livros das guerras
do Senhor, visão do profeta Ido, visão
do profeta Natã.
Nunca li esse livro na vida, né? Mas
eles são mencionados lá. São textos que
eram considerados canon um. tiveram um
período de autoridade, eles foram
reconhecidos, mas eles eram limitados na
sua influência e acabaram não entrando
no canon dois na lista final, entende?
Tem muito disso quando você começa a
perceber a história como esse cano vai
sendo formado. Então é importante a
gente entender isso. E no primeiro
século, na época ali de Jesus, o canon
tava aberto. Quando você lê, por
exemplo, os manuscritos do Mar Morto e
você percebe toda aquela coleção que foi
encontrada lá no deserto da Judeia, e eu
falei disso para vocês aqui da vez que
eu preguei sobre a história da
transmissão do texto, a gente vê eh
livros que não entraram na Bíblia, no
Antigo Testamento, mas eram considerados
escritura inspirada, como, por exemplo,
primeiro livro de Enoque, livro do
jubileu e rolo do templo. Eles liam
esses textos como escritura inspirada. E
para vocês terem uma ideia, o livro de
Enoque, ele aparece no Novo Testamento,
um livro que é um livro apócrifo, que
não foi escrito por Enoque, entendeu?
Ele aparece no Novo Testamento. Esse
texto aqui, ó, é de Enoque. Diz assim:
"Olhem que ele vem com uma multidão de
seus santos para executar o julgamento
sobre todos e aniquilará os ímpios e
castigará toda a carne por todas as
obras ímpias, as quais ele hão
perversamente cometido, e de todas as
palavras altivas e duras que os malvados
pecadores falaram contra ele." E aí
Judas, que escreve a carta de Judas,
Judas, irmão de Jesus, irmão de Thago,
não é? Não é o Judas Iscariotes, embora
tenha o Evangelho de Judas Iscariotes,
né? Eu eu eu tenho, eu já li várias
vezes. É é uma viagem, é um é surreal,
né? É interessante, né? Mas olha só,
Judas, né? O irmão de Jesus, ele vai
dizer o seguinte: "Foi a respeito deles
que também profetizou Enoque, o sétimo
depois de Adão, dizendo, ele atribui ao
Enoque lá de Gênesis esse texto e não
foi Enoque escreveu, percebe?" E ele diz
isso. E ele fala assim: "Eis que o
Senhor vem com milhares de seus santos
para exercer juízo contra todos e para
convencer todos os ímpios a respeito de
todas as obras ímpias que praticaram e a
respeito de todas as palavras insolentes
que os ímpios pecadores proferiram
contra ele." O mesmo texto que eu li
para vocês, percebe? Enoque 1 verso 9,
tá citado no Novo Testamento. E ele cita
também um outro texto que se perdeu, que
chama A assunção de Moisés. Quando ele
fala de Miguel contendendo contra o
diabo pelo corpo de Moisés, aquele é um
texto apócrifo, entende? Para ele é
escritura um, é um texto que tem
autoridade, mas não entrou na Bíblia e
não é reconhecida dessa forma. Entende
como é que é coisa complexa? Então o
canon tava aberto nessa época e muitas
pessoas eh eh tinham acesso a outras
tradições de texto. No finalzinho do
primeiro século, a gente já começa a
perceber o indício dessa divisão de lei,
profetas e escritos. Flávio José, que é
o historiador conhecido, ele faz menção
a 22 livros da Bíblia hebraica e ele
meio que estrutura entre lei, profetas e
escritos dos antepassados. Ele vai falar
assim. Então, a gente vê mais ou menos
essa essa partição em três, né? O canon
tripartite da Bíblia hebraica. Eh, a
gente também vê uma ideia assim no
Evangelho de Lucas, quando fala que
Jesus falou tudo que a respeito dele
constava na lei, nos profetas e nos
Salmos. Diz assim: Salmos se referindo a
essa sessão dos escritos. A gente não
sabe se é porque era o primeiro livro
que abria a sessão ou se porque era o
livro mais importante, mas mostrando que
havia ainda uma coisa nebulosa nessa
parte dos escritos, eles estavam
abertos, entendeu? Então a gente percebe
isso, né? Existe uma história que eu não
sei se alguém aqui já ouviu falar de um
concílio que acontece no ano 90 da nossa
era, o concílio eh de Jamena, o concílio
de Avne, quando os rabinos judeus que
sobreviveram à destruição de Jerusalém
no ano 70, eles vão se reunir e vão
fechar o canon da Bíblia hebraica,
deixando de fora os livros chamados
deuterocanônicos ou os apócrifos da
Septoaginta, entende? Só que esse
concílio não aconteceu dessa forma, tá?
é mais uma além dessa história. Houve
sim uma escola de tradição judaica em
Avne, fundada por um rabino chamado
Yohanan Benzakai. Mas ali a discussão
deles era como manter a identidade
judaica agora que eles não tinham mais o
templo. E eles vão discutir sim sobre
textos da Bíblia. Eles vão discutir a
respeito da validade ou não de alguns
textos. Por exemplo, Eclesiastes foi
discutido, Cântico dos Cânticos, que é
muito sensual, né? foi discutido também
o livro de Ester, foi discutido para ver
se ele era ou não era um livro inspirado
ou não. Então, essas discussões sobre o
cano, elas vão se arrastando até final
do segundo século. Esse camarada aqui
chamado Melito de Sardes era cristão,
diz a história que ele viaja para
Jerusalém por volta do ano 170 para
querer descobrir qual era a ordem do
canon que os judeus usavam do Antigo
Testamento. E ele é um dos primeiros que
vai se referir, um dos primeiros
cristãos que vai dizer que eles tinham
um Antigo Testamento. Ele vai dizer
assim. E vai dizer também que esse
Antigo Testamento era composto da lei e
dos profetas. Então ele ele faz uma
lista parecida com aquela que a gente
conhece, mas ele deixa de fora o livro
de Ester, mostrando que o livro de Ester
também não era um livro muito bem aceito
até final do segundo século, né? Então,
as discussões vão acontecendo e quando a
gente olha a Septoaginta, que é a
tradução do hebraico pro grego, a coisa
fica muito mais complicada ainda, porque
como eu disse para vocês, ela vai sendo
traduzida num processo lento, né? Vai
começando lá no terceiro século e até no
segundo século ela ainda não tava
consolidada, a septoaginta. E é a
Septoaginta, que é a tradução grega do
Antigo Testamento que os cristãos vão
usar. Paulo vai citar a maioria dos
textos que Paulo cita. Todos são da
Septoaginta. Ele faz algumas outras
versões dele, ele tem algumas outras
versões, mas a maioria é Septoaginta. Os
cristãos vão estar usando a Septoaginta.
E a Septoaginta, ela vai incluir não
apenas livros considerados inspirados
pelos judeus, mas ela é uma coleção de
cultura judaica. Então ela vai trazer
também escritos que foram produzidos e
foram eh compilados tempos depois dos
profetas. Então vai aparecer os
Macabeus, vai aparecer Tobias, Judite,
Baruque, tudo isso que eu mencionei para
vocês aqui como coleção judaica. E essas
coleções circulavam e os judeus que
viviam fora da terra de Israel, eles
usavam a Septoaginta e os cristãos
também foram influenciados por ela.
Então, que tipo de septoaginta os
apóstolos conheceram, a gente não sabe,
porque não havia um livro encadernado
para se comprar na livraria, entendeu?
Septoaginta não tinha isso. Uma coisa é
fato, eles não citam esses livros aqui
deocanônicos de maneira explícita no
texto do Novo Testamento. Algumas
alusões parecem que você encontra aqui e
ali, mas eles não são citados assim. Se
eles aceitavam ou não, a gente não sabe,
mas o fato é que os cristãos depois dos
apóstolos, eles usam a Septoaginta e e
eles aceitam esses livros como parte do
canon do Antigo Testamento. Então, a
gente percebe isso. Agora, pra gente
fechar aqui essa história do Antigo
Testamento, que que a gente aprende
disso aqui? O canon bíblico não existia
como uma lista fixa nessa época, até
final do segundo século, entende? Havia
uma ampla variedade de textos
autoritativos, incluindo a Torá, os
profetas e outros escritos. O conceito
de escritura era muito mais fluido,
aberto à tradição oral e escrita e ainda
possível de debate e passível de debate,
porque eles vão discutindo isso com o
passar dos séculos. A septuaginta servia
como a Bíblia dos primeiros cristãos,
trazendo inclusive os douterocanônicos
que influenciaram fortemente a fé
primitiva. Então é isso que a gente
entende desse período da história. E
para vocês terem uma ideia, esse aqui é
o códice de Alepo que eu já mostrei para
vocês já, né? O códice de Alepo aí
famoso, né? O Códice de Alepo, que é do
século X, ele não termina com o Segundo
Crônicas, ele termina com Esdras. É o
último livro, porque o finalzinho do
livro de Esras, ele diz assim:
"Lembra-te de mim, Deus, para o meu
bem". A palavra Elohim e a palavra T.
Bom, então Elohim e Tov é um eco a
Gênesis 1. Viu Deus tudo aquilo que ele
havia feito, Elohim e viu que era muito
bom. Tov meod, muito bom, sabe? Então é
uma forma de harmonizar o final com o
começo, entende? Essa era a ideia de
quem organizou o cano. Para vocês terem
uma compreensão que até o século X as
ordens ainda eram muito fluidas,
percebe? Da Bíblia que a gente tem aqui.
O Novo Testamento, então, é outra
história, gera uma outra complexidade,
tá? A gente eh tem assim no Novo
Testamento grupos de textos que foram
feitos num período muito curto, no
primeiro século, diferente da Bíblia
hebraica, que são séculos de escrita, de
revelação. O Novo Testamento, ele é
produzido num período muito curtinho. E
quando a gente começa a estudar a
história da circulação do texto, a gente
começa a perceber que logo no início as
cartas de Paulo começaram a circular
como uma coleção e eles eram
considerados escritura. autoritativa
pelos cristãos. As cartas de Paulo. E é
interessante que a forma como essa
coleção é montada, ela vai seguindo uma
estrutura, um padrão. Então, quando a
gente percebe assim manuscritos eh das
cartas de Paulo que sobreviveram até os
nossos dias, manuscritos muito antigos,
eles têm uma organização muito parecida.
A coleção começa com Romanos, depois
você tem Primeiro e Segundo Coríntios,
aí você tem Gálatas. Algumas coleções
vão colocar Hebreus como carta de Paulo,
outros não. Hebreus é meio contestada,
mas a gente vê também um padrão assim
como se existisse um um arquétipo de
autoridade, uma uma recensão que foi
feita do texto lá no passado que serviu
de modelo pros demais, entende? Você tem
as cartas agrupadas assim, primeiro as
cartas para as igrejas, depois as cartas
pros indivíduos. E você tem assim as
cartas sempre colocadas juntas, né? as
as que são duplas colocadas juntas.
Primeiro e segundo Coríntios, primeiro e
segundo Tessalonicenses são colocadas
juntas assim. Entende onde veio essa
ordem? E outra coisa, quando as cartas
foram escritas e enviadas, Paulo não
colocou assim: "Carta de Paulo aos
Romanos, título" e escreveu o texto. Ele
não pôs título, não tinha título,
entende? E como é que todo mundo sabia
direitinho quem eram os destinatários
dessas cartas? E nunca ninguém levantou
dúvida a respeito disso, entende? Porque
tudo leva a indicar que lá no princípio
alguém ligado a Paulo, algum dos seus
colaboradores ou até mesmo o próprio
Paulo, começou a organizar essas cartas,
esse canon, e por isso ele foi
considerado autoritativo e modelo para
todo mundo seguir depois. Mas a ordem
das cartas, como a gente conhece, e a
posição delas no Novo Testamento só vai
aparecer como definitivo no século IX na
tradição bizantina do texto grego, que é
o que a gente tem hoje, tá? Até lá a
coisa vai sendo bagunçada e tem carta
que é aceita e tem carta que não é
aceita, né? Os evangelhos eles vão sendo
reconhecidos como autoritativo logo no
começo. Mateus, Marcos, Lucas e João. E
esse camarada aqui, Justino Mártir, ele
lá no por no meado em meados do segundo
século, ele vai dizer que os cristãos
costumavam se reunir para ler a memória
dos apóstolos, os evangelhos e os
profetas. Então eles liam os evangelhos
e os profetas. Isso já era costume.
Porque ao contrário do que muita gente
dizia no passado, a ideia de que os
evangelhos foram escritos para
comunidades isoladas, os cristãos não
eram isolados. Havia uma internet gospel
naquela época ali, entende? Havia uma
rede assim, sabe? Uma rede social mesmo,
assim. Eles utilizavam toda a estrutura
do Império Romano para poder comunicar,
mandar cartas e livros uns pros outros.
Então eles tinham acesso aos escritos. E
os evangelhos eles não são escritos para
comunidades locais, eles foram
planejados para serem lidos de maneira
ampla para várias pessoas, entende? E
eles começaram a circular com muita
intensidade. Tanto que em meados do
segundo século eles já eram lidos pelos
cristãos os evangelhos, né? E
principalmente os quatro que a gente
conhece que são vistos como
autoritativos, tá? Eh, só voltando aqui
um pouquinho, essa sessão aqui da Bíblia
é a que vai sendo mais discutida nesse
período. Você tem aqui os evangelhos, as
cartas de Paulo, e você tem as cartas
chamadas de epístolas gerais ou cartas
católicas. Católico aqui não no sentido
da igreja católica, tá? Católico no
sentido da palavra que significa
universal. Cataicó em grego, universal,
tá? Então, as epístolas gerais e elas
são sete, Tiago, duas de Pedro, três de
João e uma de Judas, o irmão de Jesus. E
esse Tiago aqui é o irmão de Jesus, tá?
Não é o apóstolo nenhum dos apóstolos, é
o irmão de Jesus que se converteu depois
e se tornou o líder da igreja de
Jerusalém. Esse Thiago é irmão desse
Judas aqui, entendeu? E por que Tiago,
Pedro e João? Porque lá no texto do Novo
Testamento, eles são reconhecidos como
as colunas da igreja, Pedro, Tiago e
João. E essa coleção forma sete cartas e
sete também é um número simbólico. Então
ela foi organizada propositalmente,
pegando escritos desses desses dessas
três figuras principais e Judas também
para, ao que tudo indica, né, isso, as
pesquisas modernas elas vão nessa
direção para contrabalancear a teologia
de Paulo, entende? para dar uma visão da
liderança de Jerusalém ao evangelho que
Paulo pregava. Lembra das disputas do
concílio de Jerusalém, aquela questão de
judeus, gentios, de lei, de obras,
entende? Então, para dar uma balanceada
a visão dos evangelhos segundo as
colunas das igrejas da igreja de
Jerusalém. Então, por isso você tem essa
coleção aqui. Mas essa coleção, ela não
foi aceita assim de maneira pronta.
Origens que escreve no terceiro século
da nossa era, ele não aceitava todos
esses livros. Ele cita segunda Pedro,
segundo a João, mas tem alguns que ele
ainda tem reserva e ele não vê isso como
uma coleção fechada. A gente só vai
enxergar esses sete sendo mencionados
por Eusébio de Cesareia, que vai
escrever sobre eles no quarto século da
nossa era. Eusébio de Cesareia apresenta
as sete cartas, mas algumas ele
considera falsas, ele não aceita todas
elas. Então ele tem dúvida com algumas
dessas cartas aqui. E isso no quarto
século da nossa era. Vocês verem como
que a coisa é lenta, entende? Como o
período é lento. O primeiro canon
cristão que a gente conhece foi
organizado por esse camarada aí, ó,
Marcião de Sinope, que não é nenhum
brasileirinho do Mato Grosso, não, tá?
Sinope aí é na Turquia, não é no Mato
Grosso, né? O Marcião é considerado um
herege, por quê? Porque Marcião, ele não
aceitava o Antigo Testamento, nem o Deus
do Antigo Testamento. Ele dizia que o
Deus do Antigo Testamento era mau e o
Deus do Novo Testamento é bonzinho.
Então essa ideia de que o Deus do Antigo
Testamento é uma coisa, do Novo é outra
que a gente vê até hoje, né? É a ideia
do Marcião. Então o que que Marcião faz?
Ele vai editar um canon da Bíblia que
vai tirar todo o Antigo Testamento. Ele
rejeita três dos quatro evangelhos. Ele
aceita só o de Lucas e ele edita ainda o
Evangelho de Lucas e só algumas cartas
de Paulo. Essa é é a Bíblia do Marcião.
E aí quando Marcião começa, né, a
desenvolver essas teorias, os cristãos
vão começar a organizar listas para
poder combater a heresia do Marcião para
mostrar de fato quais eram as escrituras
que representavam a identidade da
ortodoxia cristã. Entende? É aí que
começa a aparecer o canon. E você vê
Irineu de Leão no final do segundo
século ou Irineu de Leon, né, que vai
organizar um canon falando dos quatro
evangelhos contrariando Marcião e das
cartas de Paulo, incluindo cartas que
Marcião não aceitava, tá? Então isso no
final do segundo século. E aí vem o tal
do Concílio de Niceia. Vocês já ouviram
essa história de que Constantino, que
era o imperador romano, que havia se
convertido ao cristianismo, Constantino
no ano 325, no Concílio de Niceia, ele
editou a Bíblia. Já ouviram essa
história, né? Que ele que definiu os
livros da Bíblia, ele tira aqueles que
falavam de um Jesus diferente, né? E ele
escolhe aqueles que defendiam o
pensamento dele, a ortodoxia cristã. E
isso é muito popular no Código da 20,
né? No livro Código da 20, que muita
gente leu aí. Só que isso é uma lenda,
isso é uma história que não tem base
nenhuma na realidade, entende? Porque no
concílio de Niceia, o canon não foi
discutido. A discussão do concílio de
Niceia era a natureza de Jesus, divino,
humano, se ele era gerado, criado. Essa
é a discussão principal do concílio de
Niceia. Constantino queria unificar a
teologia cristã e ele vai discutir esses
assuntos no concílio de Niceia. Mas ele
deu um empurrão pra formação do canon,
porque ele vai pedir pro Euseb de
Cesareia produzir 50 cópias da Bíblia
para ser usadas nas igrejas de
Constantinopla. E o Eusébio lá que eu
mencionei para vocês, ele vai montar um
canon, uma lista. E nessa lista de
Eusébio, ele vai dividir a lista em duas
partes. Homologúmena, que são aqueles
incontestáveis e aceitos, e
antilegômena,
tá? Aqueles que ele tinha dúvida. Então
ele vai colocar aqui os quatro
evangelhos, os Atos, as cartas de Paulo
juntamente com Hebreus, primeira Pedro,
primeira João e Apocalipse de João. Isso
para ele é indiscutível. Só que ele tem
dúvida sobre Tiago, Judas, segunda
Pedro, segunda e terceiro a João. Ele
não tem muita, bota muita fé nesses,
não, entende? Mas essa é a lista que o
Eusébio vai fazer, tá? E a gente tem um
outro testemunho também do do canon do
Novo Testamento, que é esse texto que
vocês estão vendo aqui. Ele é chamado de
fragmento muratoriano.
Esse texto que vocês estão vendo foi
descoberto no século XVI e ele é uma
tradução, uma tradução do original que
era grego pro latim. Alguns dizem que
esse texto data do final do segundo
século. Outros vão dizer que não, ele é
do quto século da nossa era. Ele vai
mostrar os livros do Novo Testamento
como a gente conhece. Tá? Então, o canon
muratoriano vai trazer Mateus, Marcos,
Lucas, João, Atos, as cartas de Paulo,
eh, Tiago, Primeira e Segunda, João,
Judas, Apocalipse de João, mas também
vai trazer o apocalipse de Pedro como
parte do Novo Testamento, que é um livro
considerado apócrifo, entende? Então,
também é uma lista que não tá lá muito
fechada, como a gente conhece. Esse aqui
é um manuscrito que eu já mostrei para
vocês. É o, opa, passei aqui. É o
manuscrito do códice eh, do códice
sinaítico. O códice sinaítico traz os 27
livros do Novo Testamento, os livros da
Septoaginta, como aparece na Bíblia, nas
Bíblias Católicas. Ele vai trazer toda
essa coleção, só que ele vai trazer a
epístola de Barnabé e o pastor de ermas
como parte do Novo Testamento. E isso no
quarto século da nossa era. Para vocês
verem também que até aí o cano não tava
fechado. A coisa só vai começar a ir
para uma definição maior lá no
finalzinho do quto século. Atanás de
Alexandria, esse ilustre senhor que
vocês estão vendo aqui, ele é o primeiro
que faz a lista dos 27 livros do Novo
Testamento, como a gente conhece, tá? E
ele vai chamar de Antigo Testamento e
Novo Testamento. Ele vai colocar o
padrão que a gente conhece. E esse
padrão ele é reafirmado e votado,
reconhecido pela igreja no concílio de
de Cartago que acontece em 419 da nossa
era. O Concílio de Cartago vai fechar o
Novo Testamento como a gente conhece e a
Bíblia, o Antigo Testamento, conforme as
Bíblias católicas que a gente tem
também. é o que vai ser firmado lá no
Concílio de Cartago. Mas ainda assim a
discussão permanece, porque até hoje em
vários grupos cristãos o Antigo
Testamento não é consenso, não é a mesma
coisa, não é igual, entende? Então
existe discussão a respeito disso. Qual
é o padrão para se escolher esses livros
que fizeram parte do Novo Testamento?
Aqui você tem o padrão que eles usaram.
Primeiro, apostolicidade tem que tá
ligado a um apóstolo ou alguém ligado
diretamente a um apóstolo. Ortodoxia
tem que ensinar a verdade sobre Jesus e
Deus, conforme a gente conhece desde o
princípio, tá? Antiguidade tem que ser
lá do primeiro século, eles falam.
Inspiração tem que ser inspirado. Só que
nem todo livro inspirado entrou também,
né? Tem o cano um que eu expliquei para
vocês também tem isso e catolicidade, ou
seja, a amplitude do uso. Catolicidade
aqui é a amplitude, sendo usado pelo
maior número possível de igrejas cristãs
e reconhecido por elas. Então o canon,
ele não foi votado, ele foi sendo
reconhecido com o passar dos séculos,
entende? e num trabalho muito lento,
muito moroso. E aí a gente chega na
parte final, que é na época da reforma
protestante. Martim Lutero, ele vai
traduzir a Bíblia do grego e do hebraico
pro alemão, da época dele. E e ele, ao
contrário do que muitos dizem, ele não
tirou livros da Bíblia. Lutero dizia o
seguinte, que a base de autoridade é só
a escritura, não os concílios da igreja,
a escritura e a autoridade. E fala
assim: "Ah, ele dizia só a escritura,
mas ele mesmo tirou os livros que ele
não concordava". Não é bem isso que
acontece. O que Lutero vai fazer é optar
escolher pelo canon hebraico. Ele quer
aquilo que na cabeça dele é o mais
original. Então ele vai se limitar ao
canon hebraico. E o canân hebraico não
inclui os deuterocanônicos, que os
protestantes vão chamar de apócrifos,
entende? Esses livros da Bíblia Católica
que eu mostrei para vocês, tá? Esses
livros eles foram realmente votados e
inseridos mesmo em 1546
no concílio de Trento, que é o concílio
da contrarreforma para combater as
ideias de Lutero. É ali no século X que
eles vão ser firmados mesmo como partes
da das Bíblias Católicas de maneira
indiscutível. E depois no primeiro
Concílio do Vaticano eles são mais uma
vez reafirmados. Mas é só aí, entende?
Só nesse momento aí. E aí você vê a
Bíblia católica, ela é assim com os
deuterocanônicos fazendo parte. Tobias,
Judite, primeiro e segundo Macabeus,
sabedoria, Eclesiástico, que não é o
Eclesiastes, tá? Baru Estter com
acréscimos, tem partes a mais, diferente
do hebraico, e Daniel com acréscimos.
História de Susana, Bel e o Dragão,
aparece tudo aqui em Daniel, no livro
das Bíblias católicas, tá? Então, é uma
leitura interessante, faz parte. É legal
ler esses livros aqui, mas há disputas
entre grupos religiosos. O fato, meus
queridos, é que esse negócio do canon é
uma discussão que envolve muito
autoridade.
Quem comanda, quem define, quais grupos
religiosos vão determinar o que é
autoritativo, o que não é autoritativo.
Então, há uma disputa de controle de
autoridade para poder declarar o que é
canônico e o que não é canônico. E aí a
pergunta que fica pra gente é: qual é
realmente a fonte de autoridade para
você descobrir a verdade da escritura?
Tá? Onde que eu posso realmente
descobrir a verdade da palavra, da
escritura de Deus para mim? Lutero,
quando ele vai organizar a Bíblia dele,
olha que coisa interessante, né? Essa é
a Bíblia de Lutero. Ele vai formar o
canon dele e ele tinha dúvida sobre
Hebreus, sobre eh Tiago e sobre a carta
de Judas. Então ele vai montar o canon
dele do Novo Testamento, mas ele vai
deixar no final, olha, depois de das
três cartas de João, ele vai colocar
Hebreus, vai colocar Tiago e vai colocar
Judas. Então, as Bíblias luteranas têm
uma ordem diferente dos livros do Novo
Testamento, diferente dessas que vocês
usam aqui, percebe? Por causa da do
conceito de Lutero. Lutero não tira
esses livros porque eles eram
reconhecidos pela igreja. Ele tinha
dúvidas sobre eles, mas ele inclui numa
a parte na Bíblia dele. É o que ele faz.
Eu quero ler para vocês, para falar da
autoridade da palavra. O texto agora da
Bíblia é canônica, tá? Não é apócrifo,
não. Não é pegadinha, não. Tá bom?
Mateus capítulo 17. Quero ler para vocês
Mateus 17 do verso 1 ao verso 8, que diz
assim: "Seis dias depois, Jesus tomou
consigo Pedro e os irmãos Tiago e João,
e os levou em particular a um alto
monte. E Jesus foi transfigurado diante
deles. O seu rosto resplandecia como o
sol e as suas roupas se tornaram brancas
como a luz. E eis que lhe apareceram
Moisés e Elias falando com Jesus. Então
Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus:
"Senhor, bom é estarmos aqui. Se o
Senhor quiser, farei aqui três tendas,
uma para o Senhor, outra para Moisés e
outra para Elias."
Falava ele ainda quando uma nuvem
luminosa os envolveu. E eis vindo da
nuvem uma voz que dizia: "Este é meu
filho amado, em quem me agrado. Escutem
o que ele disse." Ao ouvirem aquela voz,
os discípulos caíram de bruços, tomados
de grande medo. Jesus aproximou-se e
tocou neles, dizendo: "Levantem-se e não
tenham medo". Então eles, levantando os
olhos, não viram mais ninguém, a não ser
Jesus.
Eh, o texto aqui do Evangelho diz que
Jesus ele toma os seus discípulos e ele
sai da região aqui da da Galileia, onde
ele geralmente ficava, e ele vai mais ao
norte de Israel, para esse lugar aqui,
ó, Cesareia de Felipe. Ele vai para lá.
E a região de Cesareia de Felipe, quando
hoje você visita esse lugar, quando a
gente vai para lá, vocês vem aqui, isso
aqui não é nuvem, não, tá? Isso que
vocês estão vendo aqui, ó, nessa no
final da estrada é o monte Hermon.
E esse pico nevado aqui do monte é o
ponto mais alto da terra de Israel. Tá
sempre nevado o monte Hermon. E ele vai
para essa região, mais precisamente para
esse local aqui que é a Cesareia de
Felipe. Hoje é chamado de Bnias esse
lugar. Bânias. Por quê? Porque aqui era
a região mais pagã do território de
Israel. Aqui nesse lugar, o deus Pan era
adorado. E eles acreditavam que essa
caverna que vocês estão vendo aqui era
um portal pro mundo inferior dos
espíritos. Então, vários rituais. Eu não
tenho tempo para descrever o que
acontecia aqui, mas era bizarro o que
acontecia nesse lugar. E Jesus vai para
aí, para esse lugar, né? Tem até um
parêntese interessante aqui, não sei
quantos assistem a série Chosen, mas num
dos episódios da série Chosen, ele vai
para aí, quando ele vai conversar com os
discípulos a respeito do que eles
achavam que ele era. Ah, Jeremias, João
Batista, mas e vocês? Quem vocês acham
que eu sou? Aí Pedro fala: "Tu és o
Cristo, filho de Deus vivo". E ele diz:
"É sobre essa pedra que eu edificarei a
minha igreja". Lembra desse episódio,
né? Acontece aí e lá na série Tos eles
reconstrem esse lugar. E quando os
discípulos chegam, eles não mostram na
série, mas eles fazem assim, eles fazem
umas caras assim de noja, ah, daquilo
que eles estão vendo. Porque o que
acontecia aí era bizarro e eu tenho
censura para descrever o que acontece
aí, entende? Não dá, é tarja preta mesmo
que acontecer. E é paraí que Jesus vai.
E nesse lugar, ainda hoje, quando a
gente visita esse lugar, a gente vê
nichos na parede onde os ídolos, os
deuses ficavam. Vocês terem uma ideia de
como era pagão mesmo esse lugar. E ele
vai para aí. E é aí, aí você tá vendo
uma reconstrução de como era esse lugar
aqui, o templo principal que dava paraa
caverna, que era acesso ao mundo dos
espíritos. É aí que pela primeira vez
ele fala de igreja. A primeira menção à
igreja é nesse lugar. Ele não fala de
igreja numa sinagoga, nem no templo de
Jerusalém. Ele fala de igreja no lugar
mais pagão de Israel, mostrando pra
gente que igreja é igreja não nos
espaços fechados, sagrados da religião,
mas é olhando a vida como ela é na cara,
enfrentando o mal, a realidade da vida e
da sociedade. É ali que a igreja é
igreja, entende? É aí que ele fala da
igreja. E depois que ele fala isso,
dessa conversa que ele tem, ele diz
assim: "Alguns os que aqui estão
presentes não passarão a morte antes que
ve, não passarão pela morte antes que
vejam o reino de Deus". E seis dias
depois, diz a Bíblia que ele vai para um
monte alto, provavelmente o monte
Hermão, que é o monte que tá aí. Esse é
o sopé do Monte Hermão, é o comecinho
dele. Ele não sobe no pico do Hermão, é
óbvio, um Hermão enorme, mas ele sobe
num ponto do monte Hermão e lá acontece
um fenômeno sobrenatural. Ele se
transfigura, ele se resplandece, ele se
torna um holofote. É um negócio
magnífico. E só Pedro, Tiago e João vem
isso. E aparecem dois personagens
misteriosos do lado deles, de Jesus,
Moisés e Elias.
E aí quando Pedro olha, ele fala:
"Senhor, vamos fazer três tendas, uma
para Moisés, pro Senhor, para Elias". E
quando ele tá falando essa besteira, né?
que Pedro aí já queria virar o papa, já
já queria fazer a igreja das três
tendas, entendeu? Para chegar aqui é só
por intermédio de nós, né? Quando ele
fala isso, desce uma nuvem, Deus está na
nuvem e uma voz calando Pedro diz assim:
"Este é meu filho amado. Escutem o que
ele disse." E quando essa voz se faz
ouvir, eles caem de bruças com medo. E
quando eles levantam os olhos, não tem
mais ninguém. E diz o texto: "Eles viram
só Jesus". E a pergunta que fica é, eu
quero terminar com isso aqui, por que
Moisés e Elias já pararam para pensar
nisso?
>> Muitas explicações a gente já ouviu
sobre isso. Talvez a mais conhecida aqui
entre vocês é aquela de que Moisés
representa um grupo escatológico de
salvos, né? os que ressuscitarão quando
Jesus voltar, os que serão ressuscitados
e Elias, aqueles que serão transladados
sem passar pela morte, porque Elias foi
levado pro céu sem morrer. Então, os que
morreram ressuscitaram e os que foram
levados pro céu sem morrer. Já ouviram
essa explicação, não é? Mas a pergunta
que fica é, não tô dizendo que ela tá
errada, tá? Mas a pergunta que fica é
também outra, quantas perguntas, né? O
que eu quero deixar para vocês aqui como
provocação, será que Pedro, Tiago e João
pensaram isso quando viram Moisés e
Elias lá? Isso é uma lição didática para
eles. Que que eles pensaram? Que que
eles entenderam quando viram esses dois
aí do lado de Jesus? Aqui vocês estão
vendo o canon da Bíblia. Moisés
representa quem?
A lei. E Elias representa quem? Os
profetas. A lei e os profetas. Porque se
é só alguém que foi pro céu sem passar
pela morte, por que que o Enoque não tá
aí? Por que que é o Elias? Entendeu?
Elias é o profeta por excelência,
entende? Então você tem a lei e os
profetas. E quem é o centro da lei dos
profetas? Quem é o glorificado do meio?
Quem apenas é glorificado? Só tem um
glorificado aqui. E diz o evangelho de
Lucas que eles conversavam com Jesus a
respeito da morte dele em Jerusalém para
mostrar que o centro temático da
Escritura é o sacrifício de Cristo. Esse
é o reino de Deus. É aí que o reino é
montado e baseado. Esse é o alicerce
para compreensão da natureza do reino de
Deus. E quando a voz diz: "Esse é meu
filho. Escutem ele". O que o próprio
Deus diz é que eu só entendo a lei e os
profetas quando eu enxergo a lei e os
profetas. pela lente de Jesus. Ele é a
escritura. É por intermédio dele que eu
entendo a palavra. Tudo aquilo que se
coaduna e que reflete a natureza e o
ensino de Jesus é palavra de Deus, é
revelação de Deus para mim. Eu entendo
Deus olhando para ele. Ele é Deus feito
gente. Ele é a palavra que se tornou
carne. Ele não é um tema da Bíblia. Ele
é o clímax da Bíblia. Eu não posso ter
uma leitura plana da Bíblia, olhando a
Bíblia e entendendo tudo com o mesmo
nível de autoridade. Essa leitura plana
da Bíblia, ela é muito limitada.
Ela vai tender ao literalismo e muitas
vezes ela vai dar base ao
fundamentalismo também. Essa leitura
plana da Bíblia, a Bíblia é mais um
relevo, entendeu? Você tem ali pontos
altos e baixos e o cume maior, o ponto
de onde você enxerga tudo é Cristo. É
através dele que eu tenho que entender a
palavra. Foi assim que ele ensinou os
discípulos a ler quando diz a Bíblia que
ele falou tudo que a respeito dele
constava na lei, nos profetas e nos
salmos. Eu não posso compreender a
verdade divorciada dele. Eu tenho que
ler a palavra pela lente daquilo que
Jesus significa. Ele é a chave para eu
interpretar o significado da escritura.
Aí tem muita gente que vai falar assim,
me ouvindo agora: "Ah, isso daí é
perigoso, isso é muito subjetivo, isso
relativiza a Bíblia". Entende? Como
falaram a respeito do sermão que eu fiz
aqui sobre a transmissão do texto,
lembra? Chegaram a falar o seguinte,
falaram para mim que eu queria fazer com
que todos vocês desconfiassem da Bíblia,
entendeu? Para que vocês não
acreditassem na Bíblia e acreditassem em
mim, ficassem aqui, ó, na minha mão, ó.
Olha como eu sou perverso, como eu sou
manipulador. Cuidado, hein? Eu estou
aqui, ó, enfeitiçando vocês com palavras
doces, aquilo que vocês querem ouvir,
né? Os falsos profetas do fim dos
tempos, entendeu? Só que muitos que
dizem isso são os que vão defender a
inerrância da Bíblia, mas vão apresentar
outras chaves hermenêuticas de
interpretação humana para entender a
Bíblia. vão apresentar outras formas
para se entender a Bíblia, outras fontes
de autoridade que não vem da palavra.
Eles vão tirar a centralidade de Cristo,
a centralidade de Cristo e vão se
colocar como os intérpretes da palavra
para vocês, como aqueles que formam o
corpo autorizado de interpretação,
entende? E aí quando isso acontece, a
ideia de que você pode ler a Bíblia por
você mesmo e pode compreender pelo
Espírito Santo o que o Evangelho ensina,
quando você entender quem é Jesus e
compreender a natureza de Deus revelada
em Cristo. Essa ideia, quando ela é
compreendida por cada um de nós, ela vai
ela vai eh eh eh derrubar, ela vai minar
todo esse poder de coersão, de controle,
de domínio que o cristianismo
tradicional engendra na mente da gente.
Conhecer Cristo como a interpretação da
palavra é libertação pra gente entender
o que a palavra diz, o espírito
verdadeiro do evangelho. Por isso, meus
queridos, leiam a Bíblia toda, mas leiam
a Bíblia pela lente de Cristo. Leia a
história de Jesus, leia os evangelhos e
veja ali Deus como homem vivendo a nossa
vida. E aprenda com Jesus como Jesus
lidou com a religião, como Jesus lidou
com o dinheiro, como Jesus lidou com a
política, como Jesus lidou com os
marginalizados, como ele lidou com os
excluídos, como ele tratou as mulheres,
como ele lidou com a sociedade. Ali você
aprende quem Deus é. E é por meio disso
que você lê toda a palavra. Assim foi
que os apóstolos ensinaram e aprenderam.
O que eu tô falando aqui foi ensinado
pelos apóstolos, pelo próprio Cristo.
Essa é a forma de entender a palavra.
Jesus é a palavra encarnada. E só para
finalizar, porque o cronômetro até
travou aqui agora, tá? Para fechar mesmo
aqui, tá bom? No evangelho de João não
aparece a transfiguração. E João foi um
dos que estavam lá na transfiguração.
Por que que ele não conta a
transfiguração se foi, ele viu aquilo?
No evangelho dele não aparece da
transfiguração, mas a lição espiritual
da transfiguração aparece no capítulo 5.
No capítulo 5, Jesus tá discutindo com
os líderes religiosos sobre a autoridade
dele. E ele vai falar o seguinte: João
Batista foi à luz e ele deu testemunho a
respeito de mim. E João Batista, ele era
o Elias, né, que haveria de vir. Ele é
identificado por Jesus como o Elias dos
tempos dele. Então você tem Elias ali,
ele deu testemunho de mim. Aí depois ele
fala assim: "Moisés escreveu a meu
respeito. Se vocês crem em Moisés, vocês
creriam creriam nas minhas palavras".
Ele fala de Moisés, da lei. Então, os
profetas e a lei. E ele vai dizer o
seguinte: "O pai dá testemunho de mim".
Ele fala em João capítulo 5. "Então você
tem Elias, os profetas, a lei e o pai
testificando de Jesus". E o o ensino
principal dessa sessão aparece aqui no
capítulo 5, num texto que vocês conhecem
de cor. Capítulo 5, versículo 39, diz
assim: "Vocês examinam as Escrituras
porque julgam ter nelas eterna e são
elas mesmas que testificam de mim.
Contudo, vocês não querem vir a mim para
terem vida". É o que ele fala. A palavra
sem Jesus não traz vida.
não traz vida. A palavra sem Jesus, ela
é usada para manipulação, para
alienação, para controle e,
infelizmente, muitas vezes, para minar e
para engendrar a intolerância entre nós.
A palavra é Cristo. Cristo é a palavra
de Deus e a Bíblia te leva até Jesus.
Essa é a missão dela. Simples assim.
Senhor Jesus, nós agradecemos pela
revelação do teu caráter, do teu
espírito nas escrituras e no Evangelho.
Que essa consciência
de quem é Deus esteja presente em nós e
que na nossa vida, seguindo seus
caminhos como discípulos teus, nós
possamos reproduzir da mesma forma os
seus valores no contato que temos com
todos aqueles que estão à nossa volta.
Que o Senhor nos ajude a ser assim. É o
que nós pedimos em teu nome. Amém.

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