Davar Live – 21/11
22/11/2025
– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt
Fonte: Davar – Religião e Opinião
Legendas automáticas:
Pessoal, boa noite. Bem-vindos aí a mais uma live. Estamos aí de volta. Semana passada não deu, mas hoje estamos aí. Uma boa noite, uma boa sexta-feira à noite, um bom sábado aí para quem tá acompanhando a gente aí. Eu já queria fazer aquela pergunta de sempre, né? Ver se o som tá bom, se o áudio e o vídeo estão OK. Eu acho que sim. Dei uma testada aqui, parece que tá tudo funcionando, né? Mas mas é isso daí, gente. Então, como vocês estão, né? Eh, semana passada a gente não teve live, eu tive um outro compromisso e na na sexta-feira anterior a gente teve uma uma live. Opa, o Oziel já deu um som e vídeo OK aqui. Obrigado, viu, Oziel? Boa noite para você. Na outra, na outra sexta-feira anterior, a gente teve live e a gente comentou aqui de uma de uma coisa que a gente ia continuar falando hoje, né? E hoje eu acho que tem até umas coisas até mais interessantes sobre aquele assunto, um pouco mais práticas que a gente tinha falado lá na outra semana que a gente tinha comentado, não sei se vocês lembram, que a gente estava falando das diferenças fundamentais entre o monoteísmo e o politeísmo, né? O monoteísmo e o paganismo, né? Ou melhor, né? pra gente não usar essa nomenclatura, monoteísmo e politeísmo, a religião bíblica e o paganismo, como a gente comentou, eh, baseados aí em algumas algumas ideias do YZ, que é o Kaufman, né, que ele ele vai tentar fazer essa diferença. A gente vai falar sobre isso um pouquinho mais paraa frente, então hoje, né, ou pode ser daqui a pouco também. Eu dei uma olhada na nossa na nossa comunidade essa noite. O José Lima aqui, boa noite. Eh, eu dei uma olhada na nossa comunidade, na na nas mensagens. Eu não não vi nada específico essa semana, pessoal comentando pra gente comentar hoje. Então, por enquanto a gente vai ficar só nisso e depois a gente vai conversando aqui. Normalmente no chat dá certo, né? Inclusive, acho que na última sexta-feira a gente nem continuou o assunto, a gente só foi conversando com o chat mesmo. E quando eu vi já tinha dado a hora, né? Eh, o Osel pergunta: "Calfman, a religião de Israel." Isso mesmo, isso mesmo, Ozel, devia até ter pego ele. É um livro, é um livro verdinho que tá ali. Não sei se vocês conseguem ver. É esse livro aqui, esse aqui, esse verdinho e bran e branco que tá [risadas] aqui. Eh, comprei essa semana porque tu indicou no primeiro vídeo da série de Isaías. É, exatamente. Eu comento dele porque ele fala sobre Isaías. Deixa eu ver que que é que ele comenta sobre Isaías, que eu falei na série, que Isaías 6 não é o chamado de Isaías, mas é um segundo chamado, como se ele tivesse começado a mensagem lá no começo do livro e depois eh ele foi meio que chamado de novo, né? E aí o capítulo 6 seria um um uma segundo chamado de Isaías, se eu não me engano, é isso que ele comenta sobre Isaías, mas é um livro bacana mesmo. Eh, você achou, Zé, onde você achou? Você achou no online? Você comprou em português? É uma edição antiga, com uma coisa de cebo. Como que é essa versão que você conseguiu aí? Eu tava todo orgulhoso achando que só eu tinha essa edição, que ninguém mais tinha, mas acho que não, né? Eh, e aí acho que na outra semana então a gente nem chegou a fazer a continuação. A gente tinha deixado para hoje, aliás, tinha deixado paraa semana passada. Aí semana passada não teve, então vamos continuar hoje. Eu acho que a gente já podia até começar com CEO, estante virtual. É exato. O meu eu também peguei daí. Legal. Bacana. Então, a gente podia até começar daí mesmo, né? Vamos começar então só relembrando alguns pontos. que a gente falou na outra semana, enquanto o pessoal vai chegando aí na live, vai pondo os comentários aí, vai, de repente a gente a gente tem outras perguntas que são colocadas aí que a gente pode falar depois, né? Então, para dar uma relembrada, que que a gente falou naquela outra semana, a gente falou de uma estrutura básica fundamental que esse pensador ou ecalfman comenta que faz diferença entre o pensamento pagão e o pensamento da religião bíblica, né? Então, a gente até comentou aqui eh agora a pouco que a gente vai evitar usar essa expressão politeísmo e monoteísmo, porque o ponto que o Kaufman coloca que eu concordo, que eu tô trazendo aqui, o que eu concordo, né? é que o ponto não é eh não é uma questão aritmética o que faz a diferença entre o politeísmo e o monoteísmo. Por isso que a gente não vai usar essas nomenclaturas, porque não é uma questão de mono ou poli, não é a questão de um deus só ou muitos, né? Como a gente comentou, não é como se um panteão de 30 deuses fosse mais parecido com a religião bíblica do que um panteão de 60.000 deuses, entende? Então, não é uma questão de você ir diminuindo deuses e você chega na religião bíblica. Existe uma diferença que é uma diferença de conceito, né? O número tá envolvido. O Deus bíblico ele é único, mas não é só um deus só, né? E aí o que o Calpão vai colocar, que a gente comentou semana passada, é que existe uma ideia que ele vai chamar do reino metadivino, de que no pensamento pagão, os deuses estão submetidos a uma esfera de realidade que tá acima deles. Ixe, derrubei meu fone aqui. Os deuses estão submetidos a uma esfera de realidade que tá acima deles e de onde eles vieram, de onde eles se originaram. e que se você tem acesso a essa esfera de realidade, esse reino metadivino, você domina inclusive os deuses. E hoje a gente vai falar um pouco mais de como isso se daria na prática, tá bom? O, eu até anotei aqui uma uma frase do Calfman que ele coloca assim: "O que que é esse esse reino meta divino, essa realidade meta divina?" E ele vai dizer, é a ideia de que há uma esfera de realidade precedente aos deuses e acima deles, da qual eles dependem e cujos decretos eles devem obedecer. Então, a gente comentou também eh que esse reino meta divino, ele vai se manifestar de uma maneira diferente em cada religiosidade pagã. Então, por exemplo, eh, dentro do pensamento grego, o reino metadivino parece estar relacionado com a ideia de destino, porque os deuses eles não podem fugir do destino. O que o destino decretou, os deuses estão submetidos. Os deuses, os homens, a natureza, tudo, né? Porque tudo está submetido a essa esfera de realidade acima de todos, o reino meta divino. Então tá, essa ideia principal e a gente tava falando de como o Deus bíblico ele é ilimitado, porque dentro do pensamento bíblico não existe esse reino metadivino, não existe essa esfera de realidade, não existe um um mecanismo impessoal que tá acima de Deus e que Deus tá submetido a ele. Isso é uma coisa bem interessante, porque dentro do pensamento bíblico, Deus é completamente ilimitado. O que não acontece em nenhuma outra religião, nenhum nenhum outro modelo de religiosidade pagã tem a ideia de um deus completamente ilimitado. Os deuses sempre são limitados a uma esfera de realidade acima deles. Aí uma coisa que até tinham comentado semana passada na na última vez que a gente falou sobre esse assunto e eu falei que ia deixar para essa vez, né? E aí a gente vai falar um pouco aqui sobre algumas questões, inclusive sobre a teoses, né, ou apoteos que aí eh, vamos lá, existem dois conceitos que fazem parte do pensamento pagão e que também vão desaparecer no pensamento bíblico, não existem, que é a mitologia e a teogonia, né? O que que seria isso? Eh, a mitologia seria as histórias, as histórias de como os deuses se tornaram deuses, como as coisas aconteceram. Eh, são histórias que explicam os mecanismos universais, né? Dentro do pensamento bíblico, Deus não tem uma mitologia, porque não se conta a história de Deus, né, de como ele se tornou o Deus soberano. E ele não tem uma teogonia também, que é uma outra coisa que diz da origem dos deuses, de onde Deus surgiu, de onde, como Deus passou a existir. Isso não existe. Essa ideia é inexistente dentro do pensamento bíblico. Eh, Deus não tem origem, Deus não tem teogonia, né? Existe inclusive um livrinho, né? a teogonia de Exildo, que ele vai contar a história dos deuses gregos, conta lá a origem, eh, principalmente ali a origem de Zeus, eh, aquela história de Cronos e tal, de onde vieram o os titãs, as ninfas, todas essas essas criaturas mitológicas da do pensamento grego, da mitologia grega. Ele tem ali a teogonia de Exildo. Eu não li esse livro inteiro, eu li só umas partes. Seria até interessante um dia parar e ler, porque eu tô lendo coisas assim mais relativas a a ao pensamento religioso de forma geral, né? Inclusive eh o pensamento pagão também, né? que eu acho bem interessante. Bom, eh, então a gente não tem dentro do pensamento bíblico, nem a mitologia e nem a teogonia, Deus não tem origem. Quando a gente abre Gênesis 1, verso 1, a gente abre e tá lá escrito: "No princípio criou Deus os céus e a terra. Ele já tava lá. Não se diz como Deus surgiu, de onde ele surgiu, quem fez com que Deus surgisse ou que de que esfera de realidade ele emanou. Ele só estava lá. E o que é interessante quando a gente coloca essas eh eh esse esse reino metadivino em questão é que como tudo dentro do pensamento pagão é derivado do reino metadivino, as fronteiras entre a a as coisas que existem entre o cosmos, elas não são bem definidas. Então, as fronteiras entre o divino, entre o humano e entre a natureza, elas são flexíveis, elas às vezes nem existem. Então, por exemplo, né, eh, os deuses eles podem se relacionar com os seres humanos e terem filhos. Isso é interessante porque a gente tem uma ideia que é que é parece ser uma ideia que que existe só dentro da da eh da da ciência moderna, que é o que que define uma espécie é que se um um animal consegue cruzar com outro animal e nascer um um um filhote dessa desse cruzamento, então esses animais pertencem à mesma espécie, por mais que eles tenham características diferentes, né? Então, por exemplo, você pega um cachorro e outro cachorro, por mais que eles tenham características diferentes e você consegue cruzar eles e ter filhotes, quer dizer que tá. Então, isso é um um um sinal de que eles pertencem à mesma espécie. Essa ideia, apesar de ser uma ideia da da ciência moderna, essa é uma ideia que é observável, né? se no passado as pessoas já percebiam isso, que você não consegue cruzar uma serpente com um elefante, né? Isso a as pessoas observavam o mundo antigamente também, né? Então, a ideia de que os deuses e os homens podem ter filhos colocam aí essa diferença entre deuses e humanos não muito nítida. Inclusive, a gente tem ideias de povos inteiros que se diziam descendentes de deuses. Por exemplo, o o eh os espartanos que falavam que eles eram descendentes de de Hércules, né, de Hércles. Então, todo mundo ali é é descendente. Eles têm um, digamos assim, uma ascendência divina. Então, todo mundo ali tem um pouquinho de um sangue divino. Então, a ideia de que um Deus ele é separado da humanidade não é tão fixa assim dentro do pensamento pagão. Essas linhas elas são eh elas são mais móveis e entre a natureza também. E talvez essa seja uma das ideias mais interessantes quando a gente presta atenção na ideia de deuses de forma geral na antiguidade, é que muitas vezes esses deuses se confundem com os fenômenos naturais, né? Então, por exemplo, a gente tem várias vezes, a Bíblia até fala fala de deuses que são deuses de elementos naturais, apesar da Bíblia não usar essas expressões. Então, por exemplo, Baal é um deus da tempestade dentro do do dentro do panteão cananita, né? Ele é um Deus da tempestade, apesar da Bíblia não usar esse título. Eh, e ele repete um pouco a ideia de Thor, eh, que Baal, filho de El, que era uma a a divindade maior dentro do do do panteão cananita. E você também tem Thor, filho de Odin, que é a divindade maior dentro ali do do pensamento nórdico, da religião nórdica. E Thor também é um deus da tempestade, né? De certa forma, Zeus também é um Deus da tempestade, ele que joga os raios e tal. Então, o que que acontece? Quando o os antigos olhavam um fenômeno natural, a explicação que eles davam para esses fenômenos eram os deuses, são as divindades. Quando eles viam uma tempestade se aproximando, aqueles mon aquele monte de raios, né, de relâmpagos, trovões e tal, eles falavam: "Isso é a fúria dos deuses". Daí é Zeus jogando os os trovões com a fúria dele ou é Thor jogando o o trovões com o Mionir ou é Baal que que tá trazendo essa tempestade e tal. Os fenômenos naturais eles se misturam com os deuses. O sol dentro do do pensamento ali do antigo Oriente Médio é chame. Dentro do pensamento grego é Hélios. Eh, o mar é o domínio de Poseidon. O mar é o domínio de Yam. Você tem deuses relacionados com os fenômenos naturais. E até que ponto esse fenômeno é o próprio Deus, é uma coisa que é muito confusa dentro do pensamento pagão. Porque eles, dentro do pensamento pagão, não existe a ideia de uma natureza pura, desprovida de divindade. É sempre misturado, entende? Eh, é muito interessante isso, porque essa vai ser uma diferença bem importante pro pro pensamento bíblico. Apesar do Deus bíblico às vezes ele se manifestar em uma tempestade, às vezes ele se manifestar em uma sarça ardente, ele se manifestar no fogo, Deus não é a tempestade, Deus não é o fogo, Deus não é a sarça ardente. Aquilo é só uma maneira de Deus se manifestar. Mas no pensamento bíblico existe uma separação muito bem definida entre Deus e a natureza, entre Deus e o ser humano e até entre o ser humano e a natureza também. Essa fronteira que também dentro do pensamento pagão se mistura um pouco mais. No pensamento bíblico existe um pouco de diferença. Aí até quando tiver a própria criação do mundo, o ser humano ele é criado em um de uma forma colocado em um patamar diferente do restante da natureza, né? Então as fronteiras entre o divino e o humano e a natureza, elas são relativas, né? Inclusive, e aí a gente vai entrar na ideia de teoses, né? Que que seria a teosis ou a apoteosis? A ideia de um ser humano que ele ele se torna tão bom, tão forte, que ele alcança o patamar divino. Então, seria não um um deus perdendo a divindade, mas o caminho contrário, um ser humano ganhando a divindade, né? Eh, eu não sei se tecnicamente a gente pode dizer que o Hércules, a história de Hércules é uma apoteose, mas sem dúvida tem elementos apoteóticos aí de que ele era um semideus e aí os 12 trabalhos são dados para Hércules. Quando ele cumpre esses 12 trabalhos, ele é reconhecido como poderoso bastante para se tornar um Deus. E a partir daí ele passa a ser reconhecido como um Deus, né? A ideia de apoteose não existe na Bíblia, aliás, não tem nada mais estranho a Bíblia do que a apoteose, embora muita gente faça a confusão entre a ideia de Jesus e a ideia de apoteose. Eh, porque Jesus seria um um ponto de tensão dentro do pensamento bíblico, justamente porque não é natural no pensamento bíblico alguém ter a natureza humana e divina ao mesmo tempo, né? E é por isso que Jesus se torna um grande mistério, como Paulo fala, a encarnação de Cristo se torna um grande mistério, se torna uma coisa contrainttuitiva dentro do pensamento bíblico. Jesus não é uma apoteose, porque ele não é um ser humano comum que foi tão bom que alcançou o status de Deus. Não é isso, não é esse eh não é esse pensamento que tem na Bíblia quando ela tá falando sobre Jesus, né? Pelo contrário, a gente tem um Deus que é tão ilimitado que ele pode inclusive se esvaziar, se encarnar e assumir uma forma humana. Eh, não para, como acontece dentro do pensamento grego, não para ele ter mulheres e ter filhos de de semideuses entre os deuses e os homens, mas para ensinar o ser humano a essência do divino, pro pro ser humano poder se reconectar com o divino novamente, né? E para pro ser humano poder ser redimido pelo sacrifício divino, que é um conceito absolutamente estranho ao pensamento grego, né? Então aqui o o a apoteose ela não faz parte do pensamento bíblico. Apesar de ter elementos que parecem e algumas pessoas confundem, a apteose não existe dentro do pensamento eh do pensamento bíblico, né? Essas diferenças, esses limites entre o humano divino e o natural eh são muito bem estabelecidos. E aí entra um ponto que também é uma consequência desse pensamento do derivado da ideia de um reino metadivino, que é a ideia de magia, como a magia funciona no pensamento pagão. Como a origem do poder não está nos deuses, mas em uma esfera de realidade que tá acima dos deuses. Quando eu acesso essa esfera de realidade, eu tenho o poder absoluto, poder inclusive para matar deuses. Existem armas, existem e eh armas mágicas, existem amuletos que podem matar deuses dentro do pensamento pagão. Isso quando esses amuletos, essas armas, esses esses elementos mágicos estão relacionados com o reino metadivino. Então você tendo a isso daqui, a gente já comentou antes aqui, né? Se você tem um um um artefato mágico e com esse artefato mágico você faz o ritual correto, você tá manipulando as engrenagens dessa desse sistema meta divino que tá acima dos deuses. É por isso que a gente tem a ideia do de, por exemplo, você tem uma varinha mágica, você fala abra cadabra e o coelho sai da cartola, né? Como esse coelho saiu da cartola? Como você explica isso? Você não explica porque você tá falando de mecanismos que estão acima da natureza dos deuses e da da humanidade. Eh, quando você acessa esse poder, você acessa o poder absoluto. Só que eh ele nunca é acessado de forma absoluta também, né? é sempre em partes. Você com o ritual correto, você consegue eh o favor dos deuses e manipular os deuses, porque você tá usando forças que tão acima dos deuses. E porque isso é muito importante quando a gente fala aqui dentro da religião bíblica, porque isso é inexistente dentro do pensamento bíblico. Você não tem no pensamento bíblico um artefato mágico, um ritual que consegue manipular Deus. A gente tem exemplos até opostos, né? Por o que que confunde também quando a gente tá falando desses elementos é que dentro do pensamento bíblico existe ritual e existem objetos sagrados. Por exemplo, a arca da aliança é um objeto sagrado, certo? Certo? Existe um ritual correto para se manipular a arca da aliança. Correto? Correto. Você eh pega os sacerdotes, passa a a aqueles varões na nas argolas que tem nos cantos da arca, coloca ela sobre os ombros dos sacerdotes e eles caminham com a arca. Então esse é o jeito certo, é o ritual correto de se manipular a arca. Então, em tese, se eu tenho um objeto sagrado e eu tenho o ritual correto, eu consigo manipular Deus. E é isso que os israelitas tentam fazer em um momento quando eles estão perdendo uma batalha pros filisteus. E eles têm a brilhante ideia, olha, a gente tá perdendo a a batalha, então a gente precisa ganhar o favor divino. Como a gente faz isso? A gente usa um objeto sagrado e a gente usa o ritual correto. É um pensamento totalmente pagão, né? E quando isso acontece, qual é o resultado? Os israelitas perdem, os sacerdotes são mortos e a arca é levada para um templo pagão. É, essa é uma ideia interessante. É interessante ver isso porque a vontade divina ela não consegue ser manipulada pelos rituais humanos. A gente tem um outro exemplo também que é interessante, que eh o Sansão nasce é dado um ritual, né? Qual é o ritual? O ritual é ele tem algumas regras. Ele não pode cortar o cabelo, ele não pode tocar nada de uvas, ele vai ser dedicado como um voto de nazireu e aí a força dele vai ser concedida. Em certo momento parece que existe um pensamento pagão por trás disso. Com ele sendo ele próprio no corpo dele um receptáculo mágico, fazendo o ritual do jeito correto, ele tem um poder que é o poder da força física que ele tinha que era superior aos outros combatentes filisteus. E de fato, quando Sansão corta os seus cabelos, ele perde a força. E aí você pode pensar, então, tá vendo? A origem da força dele era os cabelos, mas a história, a história continua. Ele sem cabelos, ele dentro de um templo pagão, cego, ele ora, Deus, se arrepende, pede novo o poder para ele cumprir a missão dele e o poder volta, porque Deus dá o poder da forma como ele quer. Então, o ritual dentro do pensamento bíblico, ele não tem essa mesma função dentro do pensamento pagão de acessar o mecanismo que tá acima dos deuses. Mas o ritual dentro do pensamento bíblico, pelo contrário, ele ele ele tem o objetivo de demonstrar para Deus a que você se importa com alguma coisa, que você considera algo importante. Os rituais são uma sinalização para Deus do que tá dentro do coração humano, muito mais do que uma forma de manipular Deus. Quando os cabelos de sanção são cortados, ele não perde a força porque a força estava nos cabelos em si. Ele perde a força porque ele demonstrou que aquela instrução não era tão importante assim e ele acabou quebrando ela. E quando ele quebra essa instrução, Deus retira dele o poder e ele pode dar de volta quando ele quiser, né? Então, a gente tem esses dois exemplos que eu gosto, que são exemplos de primeiro um ritual que é quebrado, mas mesmo sem o ritual funcionando, o poder é concedido, que é o caso de sanção. E um ritual que é feito do jeito certo, mas o poder não é concedido, que é o caso desse e quando a arca é levada paraa guerra contra os filisteus. Isso daqui é muito importante porque não, eu vou falar no final. No final, a gente tem uma conclusão aqui sobre todos esses elementos que a gente tá falando, eh, da diferença entre o pensamento pagão e o pensamento bíblico. Uma outra diferença entre o pensamento pagão e o pensamento bíblico, que é decorrente de todas essas ideias que a gente tá falando, é como se dá a moralidade dentro desses dois sistemas de pensamento. Dentro do pensamento pagão, a moralidade ela não é derivada dos deuses. A moralidade e existem deuses que são bons, são morais e existem deuses que são ruins, né, que são maus. E existe, na grande maioria das vezes, deuses que estão ali entre uma coisa e outra. São deuses que às vezes fazem coisas boas, às vezes fazem coisas ruas. Quando você vê, por exemplo, a história de Zeus, ele é bom ou ele é mau? Eh, não dá para dizer direito. As pessoas adoram a Zeus, né? Ele parece conceder algumas dádivas aos aos humanos, mas ao mesmo tempo ele também, né? Ele também pisa bastante na bola, né? Tem uma outra característica interessante que eu nem marquei aqui, mas eu vou falar logo em seguida que tem a ver com essa história de Zeus também. Então, os deuses não têm a moralidade partindo deles. Eles não são essencialmente, primordialmente eh absolutamente bons. El a a o pensamento pagão é mais amoral. Não existe muita uma moralidade fixa nos deuses. Eles podem ser bons ou maus, depende, né? Enquanto o Deus bíblico, ele é essencialmente bom. E isso se torna até um problema quando o Deus bíblico fala que os israelitas podem eh destruir outro povo, uma coisa que a gente entende como sendo uma coisa má, como a gente concilia essas coisas e a gente faz esse esforço então para conciliar, para entender como nesse contexto específico isso poderia ser uma ordem dada por um Deus bom, porque Deus na Bíblia é sempre entendido como um Deus bom. o Deus que é eh essencialmente bom, né? A bondade deriva do Deus bíblico. Existem deuses em outras culturas que são deuses legisladores também, mas mesmo os deuses legisladores, eles não são a essência da bondade. Eles são deuses bons de forma geral. Normalmente são deuses ligados à ideia de ordem, mas eles não têm uma ideia de de que a a bondade deriva desse Deus, como acontece dentro do pensamento bíblico, entende? Então, toda a moralidade dentro do do do conceito de um Deus absoluto e bondoso vai se dar de uma forma totalmente diferente do que a moralidade se dá dentro de um conceito pagão, onde você tem o reino metadivino, os deuses submetidos a ele e os deuses se relacionando com seres humanos, né? eh a a ideia de bem e mal se dá de uma forma totalmente diferente dentro desse outro pensamento. O que eu ia falar, que eu lembrei agora, que não tá anotado, quando eu tava falando da história de Zeus também, é que os deuses dentro do pensamento pagão, eles têm necessidades, necessidades inclusive sexuais, né? A gente vê que, por exemplo, o pessoal brinca, fala que metade dos problemas da mitologia grega teriam sido resolvidos. Se Zeus ele se aguentasse um pouco ali, né? Porque a gente tem muito problema sendo causado porque Zeus fica apaixonado por uma mulher, aí ele assume uma forma humana, tem relações com essa mulher e nasce um semideus, né? Isso acontece com frequência, não só Zeus, mas os outros deuses também. Eh, e isso se torna a o o começo de muitas histórias problemáticas ali na mitologia grega. Então, os deuses têm necessidades. Eles têm necessidades de serem adorados, eles têm necessidades às vezes de serem alimentados, dependendo da cultura, de serem servidos. E se você não servir esse Deus, se você não alimentar ele, se você não cuidar dele, se você não adorar esse Deus, ele perde a força, ele pode inclusive morrer. A a ideia de morte de um Deus é uma ideia que é comum no pensamento pagão, mas ela é inexistente dentro do pensamento bíblico. Porque mesmo quando Cristo entrega a sua própria vida, a a morte pode conter a Cristo. Então ele entrega a vida dele e depois ele mesmo a toma de volta. Eh, o Deus bíblico, ele não pode ser limitado pela morte. E mesmo quando ele se autolimita pela morte, ele pode reverter isso e ressuscitar, né? O que é uma coisa absolutamente maluca, né? Não é um pensamento lógico, mas é um pensamento que funciona dentro dessa maneira de entender a divindade bíblica, dentro da dessa maneira de entender o Deus bíblico, né? Bom, e aí, gente, aqui no final, eh, eu acho que que esses são os principais pontos. Esses são os principais pontos aqui, né? Para concluir, então, por que que eu passei nesses pontos todos aqui e principalmente nessa ideia de magia e tal, é que o que acontece com frequência, e isso que eu acho que é o mais importante da gente ter em mente, é que a gente dentro de uma de um pensamento, dentro de uma religiosaidade bíblica, a gente acaba assumindo um pensamento pagão. E isso confunde muito as coisas. E aqui eu vou dizer diretamente, a gente já tá chegando no final do ano, né? É, e eu tenho aí mais de, acho que acho que tem uns dois ou três vídeos aí sobre o Natal. O Natal pode ser comemorado, não tem problema de comemorar o Natal. E o que é mais irônico nesse exemplo específico é que a ideia de que a gente não pode comemorar o Natal é uma ideia que é essencialmente pagã, né? É, isso não significa que você é obrigado a comemorar o Natal. Você não precisa comemorar se você não quiser, mas a ideia de que você não pode comemorar porque você vai estar incorrendo em uma em uma falta, em um em um pecado, é uma ideia pagã, porque a ideia de que eh essa data está foi oferecido a um deusão, foi oferecida a um deus pagão. Então, não existe nada que o Deus bíblico possa fazer para para que essa energia pagã seja retirada dessa data. É como se existisse um reino metadivino que eh que sentenciou que essa data é uma data pagã. E agora nada pode reverter isso, né? Eh, você vê o mundo como ordens e leis definidas que não podem ser revertidas pela soberania divina. Então, ao invés da gente olhar de um ponto de vista bíblico, falar: "Olha, as pessoas adoravam aqueles deuses naquela data e tudo bem, é só uma data. Então, se Deus for adorado na mesma data, tá ótimo que ele seja adorado na mesma data. Que aquela festividade pagã deixe de ser uma festividade pagã e se torne uma festividade eh dedicada ao Deus bíblico. Isso é uma maravilha. Que bom! Que bom que a gente conseguiu fazer essa essa reversão na mente das pessoas, porque isso só acontece na mente delas. A data em si, a festividade em si naquela época não tem uma essência pagã impregnada nela. Não, Deus pode fazer o que ele quiser. Os deuses, inclusive, eles não são entidades vivas, reais dentro do pensamento bíblico. Então, é, toda vez que a gente tem esse medo das entidades demoníacas, toda vez que a gente acha que existe eh um poder, um feitiço, uma energia ligada a um objeto, a uma data, a um a um a um a um ritual que seja, a um jeito de mexer a mão. Olha, se você fizer esse sinal do diabo com a mão, pronto, você foi dominado pelo diabo. Se você falar a palavra tal, né, igual quando eu tinha crianças, quando eu era criança, eu eu tinha essa essa, deixa eu reformular a frase. Quando eu era criança, tinha essa ideia de que você colocasse um disco do da Xuxa ou de não sei quem. Ao contrário, eh, você ia ouvir palavras pagãs, você não podia ouvir isso, senão você ia ser dominado e tal, é as coisas, as mensagens subliminares e tal, tudo isso. Você vem como que é uma lógica pagã atrás de tudo isso. É como se tivesse o reino metadivino lá e você tá acessando através da de objetos mágicos ou de rituais. esse reino metadivino e estabelecendo coisas que não podem ser mudadas nem por Deus. Isso é um pensamento essencialmente pagão, né? ter medos de rituais, ter medo de de magias, de objetos mágicos e tal, é uma coisa que não deveria existir na mente de quem não segue essa religiosidade, quem segue uma outra religiosidade. Isso Paulo fala várias vezes. Toda a discussão que tem sobre a carne oferecida aos deuses é baseada nisso. Paulo fala lá em Primeiro Coríntios, capítulo 8, a discussão começa no capítulo 8. Eu não não lembro exatamente onde ele fala isso, né? Mas é a partir do capítulo oito que ele vai falar: "Olha, o o problema nem é você comer um um uma carne que foi oferecida aos outros deuses, porque o Deus nem existe. Ele nem existe. A gente não tem problema com isso. A gente pode fazer qualquer coisa que a gente quiser, porque a gente não tá submetido a esses a a essas crendices desses deuses." E Paulo vai falar, a questão nem é essa. A questão é o que eu ganho com isso e principalmente o que o meu próximo vai ganhar com isso, né? Se eu não vou causar confusão na cabeça das outras pessoas que estão tentando levar uma vida religiosa com Deus. Eh, e quando eu faço isso, isso pode confundir elas, fazer elas pecarem contra a própria consciência e tal, que é o que Paulo vai falar. Então, no final das contas, o pensamento bíblico, quando você segue ele, você tira um peso do do das costas. Você não precisa ter medo. Você não precisa ter medo do escuro. Você não precisa ter medo da de uma pessoa que fala uma língua estranha e joga um feitiço em você. Você não precisa ter medo que colocaram um um um feitiço, um amuleto, alguma coisa em você. Você não precisa ter medo disso, porque dentro do pensamento bíblico não existe um ritual ou uma magia que não esteja completamente submetida à vontade de Deus. Tudo tá completamente submetido à vontade de Deus. E é por isso que Paulo vai falar: "Se Deus é por nós, quem será contra nós?" É essa e dentro dessa perspectiva, essa frase é muito forte. Se o Deus que é soberano, que tá acima de tudo, não existe ritual, não existe magia, não existe objeto mágico, não existe eh o o o mensagem subliminar, não existe nada disso que possa te afetar de alguma maneira, porque todos esses mecanismos são naturais e tudo que é natural tá submetido à vontade de Deus completamente. Então, quando a gente para para pensar nessas coisas, né, eu imagino aí vocês devem estar pensando nisso também, como é que muitas vezes a gente tenta seguir uma religiosidade bíblica, mas na verdade o que tá rodando lá no fundo, o programa que tá rodando lá no fundo, é uma lógica de uma religiosidade pagã. É uma lógica de de ver o mundo de uma forma pagã, de estar submetido a esses mecanismos impessoais que estão acima dos deuses. Quando você aceita o Deus bíblico, você tá livre, você tá livre dessas coisas. Você tá tranquilo, porque isso não é mais uma coisa que vai te afetar. Deixa eu dar uma olhada aqui então nos comentários de vocês. A Lilian chegou aí, né? Boa noite, Lilian. Eh, a Lilan falha fala aqui, inclusive, né? Povos que são se acham que são descendentes de seres especiais, às vezes barram em preconceito com outros povos e até mesmo eugenia. Pois é, muito do pensamento desses eh desses povos eh antigos ia desembocar na ideia de superioridade, superioridade racial, inclusive, né? A gente tem um sangue que é superior ao sangue que corre nas veias desses outros povos aí inferiores. É esse pensamento que acaba ficando por trás disso daí. Aí o J o José Luiz aqui, boa noite. Tô assistindo aqui de Guarujá, litoral de São Paulo. Bacana, José, um abraço aí. Eh, Deus controla a natureza. Seria isso? Ele não é o trovão, porém o controla. Então, Lilian, a gente tem uma ideia nova que aparece dentro do pensamento bíblico, que é a ideia de uma natureza desdivizada. que inclusive, e eu sei que isso é polêmico, porque tem algumas pessoas que discordam, é isso que vai possibilitar a ideia de um desenvolvimento de de uma ciência, porque agora as a natureza, ela não é mais absolutamente misteriosa, porque ela não é a manifestação dos deuses, mas ela é uma criação de Deus e que tem mecanismos próprios e autônomos que Deus criou e deixou ali funcionando. Então, a natureza foi criada por Deus, mas a natureza não é divina em si, entende? Eh, Deus pode controlar a natureza, mas a quando quando o o o sei lá, quando cai um trovão, ele não tá caindo porque Deus ficou bravo, não. Às vezes o trovão é só um trovão. Quando o sol brilha, isso não é porque Deus tem uma intenção específica, não. É só o sol, é, é só uma bola de fogo no céu. Essa ideia vai aparecer lá no começo do do livro de Gênesis. quando ele vai descrever a natureza que Deus tá criando. E aí a gente tem, por exemplo, eh, na do da das culturas ali do lado, tanto o sol quanto a lua, os nomes cham e Area, que é lua, se eu não me engano, eram nomes de divindades. O texto bíblico, ele evita até falar o nome dessas divindades. E ele vai falar de um luminar maior e um luminar menor que eles vão governar o dia e à noite, porque ela tá descrevendo justamente um mecanismo impessoal. A natureza, ela funciona sem ter um uma intenção pessoal por trás dela, entende? Ela tá lá só acontecendo. O mar é só o mar, o sol é só o sol, as nuvens são só nuvens. E aí a gente, a partindo desse pressuposto, as pessoas pensavam que bom, eh, Deus que criou esse mecanismo. Então, ao estudar esse mecanismo, eu estou me relacionando com Deus, né? Eh, ao estudar como funciona a vida, a folha, os animais, o corpo humano, eu tô entendendo como é o pensamento de Deus. Então, não é que eh a natureza é uma manifestação direta da vontade divina, mas a natureza reflete a o modo de Deus pensar. Seria assim. Inclusive os apologetas mais modernos vão falar que esse modo de Deus pensar são as leis da natureza, porque as naturezas estão submetidas a leis, leis que são distinguíveis através da lógica. E essas leis, por algum acaso, elas são desse jeito e não são daquele. Por acaso, a gravidade tem essa intensidade e não aquela. E ela é desse jeito, porque Deus decidiu que ela era desse jeito. Então, quando eu estudo a natureza, eu tô estudando a forma de Deus pensar, que é uma coisa bem bonita, né? Aí a gente vai ter o principal que fala esse pensamento é o Newton. né? Newton. Newton é uma das mentes mais brilhantes da da ciência, é talvez o cientista mais importante. Eh, e ele ele escreveu mais sobre teologia do que sobre ciência. Ele praticava a ciência de um ponto de vista teológico, eh, partindo desses pressupostos que eu tava comentando aqui agora. Então, é interessante a gente ver como o pensamento bíblico ele abre a possibilidade de pensar a natureza de um outro jeito, porque a natureza não é mais divina, a natureza não é os deuses se manifestando diretamente. Então, eu consigo estudar porque existe uma lógica por trás dela e ela funciona sozinha sem ser um grande mistério sobrenatural que tá ali, entende? Então isso é bem interessante mesmo. Aí a Lilian coloca aqui sanão, pouca inteligência. Eu acho muito fazer um parênteses aqui sobre san uma uma série que não é para menores de 18 anos e nem para pessoas que têm percepção assim sensível das coisas, que é o Game of Thrones, né, que fez bastante sucesso um tempo atrás aí. E o que eu achava interessante nos livros, principalmente, é como a a ideia dos do poder acontece na sociedade. Então, você tem um sujeito, por exemplo, que que é um um grande espadaxim, mas ele ninguém consegue vencer ele numa batalha, mas ele ele quando cortam a mão dele, ele perde todo o poder dele. Tem um outro sujeito que é euco. Ele não pode ter filhos, ele não tem, digamos, um poder viril, mas ao mesmo tempo o poder tá na forma como ele manipula as pessoas, como ele conhece tudo que tá acontecendo nos bastidores. Eh, tem a uma mulher que é muito bonita, ela não tem força física, mas ela é tão bonita que o poder tá na beleza dela. Com a beleza dela, os homens, né, se submetem a ela. E tem o outro cara que é religioso, o poder dele tá no religioso. Então, é, eu gosto, eu acho interessante toda aquela aquela série do a a Canção do Gelo e Fogo, na verdade, que é o nome dos livros, que ele vai falar como os diferentes poderes acontecem na sociedade. A gente tá falando de sanção, viu? Porque Sansão entra exatamente nessa mesma discussão. Sansão era impossível você vencer de sanção no mano a mano. Ele tinha um uma força sobrenatural. Ele não podia ser derrotado. Então o que que derrota a Sansão? é uma mulher bonita, eh, pedindo favores para ele. Então, existe um poder sobrenatural nas mãos de Sansão, mas como ele tem uma mente fraca, esse poder se torna inútil. Não adianta o cara ser super forte, ninguém vence dele, sendo que ele é manipulado por uma mulher. Eh, e aqui eu não tô falando uma mulher no sentido diminuindo, mas é uma mulher que ela não é forte como ele, mas ela derrota ele, né? Então, é muito interessante essa ideia de desse dessa dinâmica dos poderes que acontecia ali dentro do Game of Thrones. Ela acontece já no texto bíblico, que é a história de Sansão. É um homem super forte, muito poderoso, mas que esse poder dele não faz sentido porque ele é fraco em outro aspecto. E nesse outro aspecto alguém é muito mais poderoso do que ele, é muito mais manipulador, sabe seduzino e assim por diante. E a gente vê que essa é a fraqueza de sanção, né? Eu acho bem interessante essas dinâmicas de como o poder funciona em um aspecto, mas em outro não. Você tem a força física, você tem o poder da sedução, você tem o poder político, tem o poder religioso, tem o várias coisas aí que acontecem que eu acho bem legal. O texto bíblico já tinha percebido isso aí muito antes do George Martin, né? E vamos lá, então. Eh, moral versus ética, né? O o gnóstico cristão tava falando, exato. A a moralidade e a ética, que são conceitos que se misturam um pouco, né? Mas aqui quando eu eu tô falando moralidade, muita gente muita gente usa ética para se para descrever isso, mas quando eu tô falando de moralidade, eu tô falando da ideia do conceito de bem e mal, de certo, errado, de forma geral, né? Tem gente que diz que isso não seria moralidade. A moralidade seria mais a aplicação disso a normas e o conceito de certo errado de forma geral seria a ética. Mas eu tô falando de forma geral usando aí a a expressão moralidade. Aí o Egídio coloca aqui: "Você acha que a ideia de um Deus fora do tempo espaço, como defende a tradução, prejudica todo o resto da leitura bíblica? Qual tradição, Egídio, que defende isso? Eh, essa ideia de um Deus fora do tempo e do espaço, até onde eu sei, é uma ideia mais moderna, inclusive ela não é uma ideia muito antiga e ela não aparece claramente no texto bíblico, tanto que ela ela é uma ela é uma discussão, né? Eu gosto da ideia de que Deus se reduziu, se esvaziou e entrou na história junto do ser humano. Ele não tá vendo de fora, como alguns falam. Ele entrou na história, ele entrou no tempo, ele se ele criou o tempo para se limitar e se eh e se relacionar com criaturas temporais, como nós somos. Mas posso dar errado também. Aí o gnóstico cristão coloca aqui: "Elohims é igual deuses é igual divindades." Sim, o que pode ser confuso porque a palavra Elohim a gente usa esse que acontece, né? Eh, a palavra serafins, por exemplo, no plural, ela estaria gramaticalmente errada, porque a palavra plural de seraf no hebraico é serafim. Um seraf, muitos serafim. O im é o plural masculino no hebraico. Então, quando a gente fala Elohim, a gente já tá falando de um plural. Eu não vou comentar isso de novo aqui. A gente já comentou um tempo atrás em outro lugar, mas a expressão Elohim na Bíblia é usada para pro Deus bíblico e ela é assim a grosso modo, ela é uma palavra no plural. Então, a gente poderia dizer que o Deus bíblico, na verdade, são vários deuses, não, porque existe toda uma incongruência gramatical, uma esquisitice gramatical, porque apesar da palavra ter uma forma plural, todos os adjetivos, todos os verbos, tudo ligado a essa palavra, os substantivos estão no singular. Então, quando Elohim aparece com essa incongruência gramatical, ela tá se referindo a Deus. O Deus. único, o Deus bíblico, quando ela não tem essa incongruência, quando ela tá concordando em número com o verbo e no plural, então ele tá falando de muitos deuses, que é, por exemplo, lá o mandamento que aparece em Gênesis 20, em Êxodo 20, que é: "Não terás outros deuses diante de mim, Loiá, Elohim aerim, outros deuses, né? Eh, e aí ele tá falando de outros deuses, não tá falando do Deus bíblico. E o Deus bíblico aparece no dos 10 mandamentos com a mesma expressão Elohim. Então vocês vem que tem uma confusão aí como se diferencia quando ele tá falando de Deus ou de outros deus assim do que ele usa a mesma palavra no plural. Deus no texto bíblico, todos os pronomes, todos os os eh todos os verbos, todos os adjetivos estão sempre no singular, enquanto os outros deuses estão no plural. com uma ou outra exceção curiosas que aparecem aí no texto, que não é o não vou me estender muito nisso agora. Aí a Lilian comenta que a pessoa se autocensura tanto que vira alguém infeliz e amargo. Vamos comemorar Natal, festa junina, aniversário. Exato. Exato. A não ser que essa festa, essas festividades em si, sejam na sua forma uma manifestação de submissão uma uma outra entidade divina que não seja Deus, né? Mas essas festas que a gente tem, nenhuma é na forma em si. Por exemplo, eu não vou entrar em um templo pagão e me curvar ao Deus pagão e adorar esse Deus pagão. Falou: "Ah, isso aqui não não quer dizer nada não. Dentro desse contexto quer dizer essas coisas, a forma dessas coisas tá fazendo em si tem esse significado." Mas quando você tira isso desse significado, isso não tem poder nenhum, né? Eh, tenho tanto ros de gente que na hora do parabéns muda a música e começa com louvor. Af, na minha festa não. É, acontece isso também, né? Eu até entendo. Eu eu vou até passar um pano aqui, Lilian. Não que eu ache legal, eu também acho pelo menos cafona, mas eu entendo que as pessoas querem manifestar nessa nessa canção tradicional a fé delas. Então, tudo bem, né? Eu acho que não combina. Eu acho meio meio brega, mas mas tudo bem também, né? Cada um faz o que quer. Eh, aí o gnóstico cristão coloca aqui, pode até ser psicológico, mas é uma dimensão da nossa realidade e ninguém está livre disso nas suas somatizações. Acho que ele tá falando aqui desses rituais, né? Carnes sacrificadas a ídolos é igual Daniel e Paulo estão diante do mesmo contexto. Então, Oziel, aí a gente entra numa questão difícil mesmo. Daniel colocou uma risca e falou: "Ó, eu não vou passar daqui. Não vou comer essa e da mesa do rei, essa comida da mesa do rei que tem uma conotação pagã. Eu vou me abster disso. Se precisar morrer, eu morro. Mas isso, essa linha eu não cruzo. Ao mesmo tempo, esse mesmo Daniel lá no capítulo um, ele tá participando, na verdade de um grande concurso de quem conhece mais o paganismo. Porque o que que tá acontecendo naquele contexto? Ele tá estudando as culturas, as religiões dos caldeus. E o cara que mais manjasse ali da cultura dos caldeus ia ser aquele que ia frequentar a corte do rei. Então não é que Daniel fala: "Não, eu não vou abrir mão de nada. Eu estou preso nessa redoma e não posso colocar o pé para fora porque senão vou ser pego pelo paganismo". Não, eles de certa forma é como se ele tivesse tão imerso já naquela cultura pagã que ele fala: "Não, pelo menos isso, pelo menos a comida, eu vou eu vou eu vou ser intransigente". Nesse aspecto aqui, eu vou ser intransigente, eu quero manter ele. Então, às vezes a gente tem essa ideia daquele Daniel que nunca cede por nada, mas não, ele tava lá estudando as culturas dos caldeus, coisas que a gente na de igreja ia ficar escandalizado e arrepiar os cabelos. Nossa, ele tá lá sentado lendo um livro que tá falando de como Marduk criou o mundo e tal. É, ele fez isso, ele fez e era muito bom nisso. Ele sabia contar a história dos deuses provavelmente lá e tal, porque é nisso que ele foi testado, né? Ele não não ele não era um cara que tinha medo do paganismo do jeito que às vezes a gente tem hoje. Ele só estabeleceu esse limite dentro lá do contexto dele. E aí, onde eu volto aqui, tá? Eh, nossa, perdi aqui. Onde que eu tava essa mensagem? Achei a mensagem 12 aqui. Aí a Lilian põe: "Entrou uma Cersei na vida dele. Sansão era o era o o Jaime. É, tem essas Não sei se eu consigo fazer uma uma relação direta, mas é mais ou menos como se fosse isso, né? É mais ou menos como se fosse isso. Eh, há algum tempo, a produção cultural ocidental rebelde contra tudo que possui algum traço de cristinismo tem cada vez mais se aproximado de outras formas de religiosidade, a exemplo do neopaganismo, religiões, religiões orientais e assim por diante. Nesse sentido, vejo um patente enfraquecimento da identidade, algo que dá oportunidade ao islamismo vir de Europa. Nesse contexto, grande parte do entretenimento, além de ridicularizar o Deus judaico cristão, coloca a magia no centro da discussão, atingindo mentes fracas. Diz aqui o flagis 07. Olha, eu não discordo totalmente no sentido que realmente a gente vive em uma sociedade. Esse é o é o grande desafio de quem é cristão nesse mundo. Nós não vivemos em um mundo pagão e a gente não vive num mundo ateu neutro. A gente tá caminhando para uma sociedade cada vez mais pós-cristã. Então é, existe uma coisa que é natural, um movimento pendular na sociedade. Era uma sociedade muito religiosa, muito cristã e tá deixando de ser cada vez mais cristã. E com isso vem um certo ranço do cristianismo. Isso acontece mesmo. Existe, eu não discordo de você, eu acho que as pessoas que não são religiosas, elas têm um certo ranço do cristianismo e às vezes uma exaltação de outras religiosidades. E não é totalmente sem motivo também, viu? Porque o cristianismo ainda hoje pisa muito na bola também. Então, eh, quando eu digo o cristianismo, eu tô falando de alguns cristãos mais fanáticos, alguns cristãos que, na minha opinião, não estão seguindo os ensinamentos de Cristo, estão seguindo essa religiosidade proforme e querendo impor a todo mundo. Eh, e isso cria um ranço das pessoas mesmo, né? Cria um ranço nas pessoas. E a gente tem nessa situação difícil, porque as pessoas não estão só deixando de ser religiosas e se tornando neutras a religiosidade, mas elas estão se deixando de ser cristãs e se tornando avessas ao cristianismo. E essa é a é o desafio de de você viver em um mundo pós-cristão. Como falar de Jesus quando o som da palavra Jesus na mente das pessoas já se refere a um monte de coisas. Você não tá falando de uma ideia nova, mas você tá falando de uma ideia velha, entre aspas, entende? É uma ideia que as pessoas não é que elas não são cristãs porque nunca ouviram falar de Jesus. Elas não são cristãs porque a família toda dela era cristã e ela era cristã até a adolescência e a vida dela na igreja às vezes para ela foi um inferno e ela nunca mais quer ouvir falar de cristianismo. É uma situação muito diferente, muito mais complicada. muito mais complicado. Como quebrar esse ranço que as pessoas têm com cristianismo? Essa é uma pergunta muito difícil. Eu gostaria muito de saber a resposta porque eu entendo até certo ponto, sim, um ranço dessas pessoas existem. Como existe muito cristão ainda dentro do nosso contexto no Brasil existe muito cristão sem noção e existe muito cristão que não faz a menor ideia do que que é cristianismo também. Eh, e essas pessoas vão queimar o filme, entre aspas, do cristianismo. Elas vão fazer com que as pessoas tenham essa versão mesmo, né? E eu gostaria de conseguir mostrar um cristianismo diferente. Gostaria de mostrar, tudo bem, você não quer ser cristão. Ninguém pode obrigar nenhuma pessoa a seguir nenhuma fé nem nada. Mas eu gostaria pelo menos que você entendesse que o que você pensa quando você ouve a palavra cristianismo não é necessariamente o que eu penso quando eu ouço a palavra cristianismo. Eu não tô seguindo essa religião que você tem esse asco, essa religião que você tem esses traumas, que essa religião que você já tem essa história complicada. Eu sigo uma religião diferente, com o mesmo nome, com o mesmo nome, mas que a essência dela é diferente desse outro cristianismo esquisito, tosco que tem por aí. Como fazer isso? Como fazer, como passar essa mensagem para as pessoas? É difícil demais. É difícil. Eu gostaria de saber. É muito mais difícil você quebrar uma ideia negativa que se formou do que trazer uma ideia nova onde não existia nada antes. Quando uma coisa é novidade, é muito mais fácil as pessoas verem ela de uma forma positiva do que quando uma coisa já tá desgastada, quando uma ideia já tá desgastada, né? eh, eh, as pessoas que eu conheci, a experiência própria, é, é experiência anedótica, evidência anedótica, né? Não, não, não sei se isso é o olhando pra sociedade é isso que acontece, mas a, na minha experiência pessoal, as pessoas que eu conheci que tinham mais aversão ao cristianismo, que queriam mais se vestir e falar e usar elementos que estão culturalmente relacionados com o oposto do cristianismo. As pessoas que eu conheci que queriam mais se identificar como tudo que é o mais oposto possível do cristianismo. Eu tenho aqui uns dois ou três exemplos aqui pipocando na minha cabeça. São pessoas que tiveram histórias muito complicadas com cristianismo, que já foram cristãs e que quando saíram do cristianismo, elas nunca mais vão conseguir retornar, porque elas saíram com uma mente assim: "Olha, o cristianismo fez mal para mim e o cristianismo é isso". E eu sei porque eu já tive a experiência e aquilo tá fechado. Então, nessas mentes é muito difícil você quebrar essa ideia, muito difícil. E tem cada vez mais pessoas com a mente nesse nessa situação hoje em dia, né? As pessoas que sofrem mesmo, porque as igrejas erram mesmo com as pessoas, né? Os cristãos erram com as pessoas. E o, eu acho que é por isso que Jesus fala, tem uma fala de Jesus que tem muito a ver com isso, que ele fala: "Era melhor que você amarrasse uma pedra no seus no seu pescoço e jogasse ela no mar do que você fizesse tropeçar um desses meus pequeninos, né? e fazer tropeçar. Aqui a expressão que é tropeçar, que é a expressão escândalos, que às vezes aparece como escandalizar no texto bíblico, não é só fazer a pessoa ficar chocada, mas é fazer a pessoa se desviar do caminho. Quando você é um motivo de escândalo, motivo de alguém tropeçar e cair, se desviar do caminho, você tem uma culpa muito grande em cima de você, porque aquela pessoa muito dificilmente vai retornar para esse caminho, entende? Eh, eu eu entendo dessa forma, pelo menos a minha experiência pessoal me leva a pensar assim, muito difícil. Tudo em nossa vida é predestinado por Deus. Por exemplo, o dia de morrer, diz a Roselie Parreira. Olha que pergunta interessante. Difícil isso. Eh, existem pessoas que vão dizer que sim. Existem textos bíblicos que parecem dizer que sim, mas eu acho que não, porque também existem textos bíblicos que parecem dizer que não. Eu acredito que Deus criou o mundo. É mais ou menos como a gente estava falando da natureza. Deus criou um mecanismo e deixa o mecanismo funcionar por si próprio. Deus criou seres autônomos, moralmente autônomos. Eu gosto dessa expressão porque ela descreve bem essa condição da humanidade de acordo com o o que a Bíblia descreve como Deus criou o ser humano. Nós somos seres que podem escolher o bem ou o mal. Somos moralmente autônomos. Inclusive, a a ideia de bem e mal, nós podemos criar ela dentro da nossa cabeça. Eh, e Deus deu para essa para esses seres moralmente autônomos o poder de decidir sobre a vida deles. E isso é um sistema absurdamente complexo. Como Deus conhece todas as possibilidades, Deus entende o que tá acontecendo e sabe onde vai parar. Mas Deus não tá decidindo por você. Ele sabe quais são as todas as possibilidades e ele sabe o que tá dentro da sua cabeça. Então, por isso ele sabe o que que você vai fazer. É a minha forma de ver, viu? Eu não tô impondo isso não. E eu sei que existem boas boas refutações a isso, mas dentro do da complexidade que é a vida, é, você acha uma boa explicação razoável. Então, eh, Deus colocou esses seres moralmente autônomos em um mundo que funciona também de forma autônoma, segundo seguindo regras que ele estabeleceu. Mas quando é a ideia de que não existe uma folha de árvore que cai sem o consentimento divino, para mim faz muito mais sentido pensando que Deus estabeleceu as regras que fazem com que a natureza funcione desse jeito do que Deus tá intencionalmente fazendo essa folha cair agora dessa árvore, entende? E eu penso dessa forma, pelo menos, né? Eh, cadê a pessoa Roseli que perguntou? Então eu não acho que essa predestinação acontece desse jeito. Inclusive a palavra predestinação é uma palavra de de uma grande disputa teológica. Aí a gente tem duas linhas de de teologia, né? O calvinismo e armenianismo. O calvinismo entende que Deus predestinou inclusive a salvação das pessoas. Ele já conhece. Eh, mas é você que acaba decidindo, mas você já está de certa forma predestinado, porque Deus já conhece, já te estabeleceu para perdição ou para salvação, porque ele é soberano, está acima de tudo. Desculpa aí se tem algum calvinista eh vendo a live e acha que eu tô descrevendo de uma forma totalmente errada e desonesta. Eu não sou calvinista. Eu não entendo muito bem a forma como se dá esse pensamento calvinista. Eu sou mais muito, tô muito mais pro Arminiano. Embora eu acho, acho que o livre arbítrio em si é um conceito mais complicado do que parece, né? Mas eh, voltando a a à resposta ali da Roselie, mas eu entendo que não, que Deus estabeleceu essas normas, Deus deu um empurrão inicial e colocou no caminho e agora as coisas andam por si próprias. E ele pode interferir quando ele quiser também, né? Deus estabeleceu as leis da natureza, mas eu acredito que Deus pode fazer milagres também. ele pode, a qualquer momento, ele pode suspender essas leis, como a gente vê muitas vezes no texto bíblico. Então essa essa ideia é é o jeito que eu penso, né? As coisas estão funcionando. Existe um mecanismo funcionando, estabelecido por Deus. ele pode interferir, ele interfere de vez em quando, mas não necessariamente tudo é uma expressão direta da vontade eh divina, de uma deliberação divina, certo? E vai ter discussões sobre isso. Ali não comenta aqui para mim, a pessoa não quer manifestar a fé. A pessoa quer se exibir como só como se só ele fosse de Deus a mais fervorosa. Tem isso também, Lilian. É uma coisa que o próprio Jesus também fala lá no no sermão do monte, né, que existe esse tipo de religiosidade, gente que quer no ficar orando alto no meio da praça e ele já fala: "E esse não é o tipo de oração que Deus valoriza, é a oração que você faz sozinho dentro do seu quarto fechado. É isso que o teu Deus que te vê em segredo, né, faça a sua oração em segredo. Deus que tiver em segredo, é isso que que importa, né? Eh, a mesma coisa paraas caridades, o que que você faz de bem pros outros e tal. Eh, que sua mão direita não saiba o que sua mão esquerda tá fazendo e tal. olha lá, tipo, Deus eh, o em relação ao seu relacion na perspectiva do seu relacionamento com Deus, o que importa é o que você faz longe da do que as pessoas estão vendo. Então, aí eu me pergunto, como é a religiosidade dessas pessoas que estão no meio das praças querendo mostrar que são muito religiosos? Como é a religiosidade dessas pessoas quando elas estão trancadas no quarto e ninguém tá vendo? Eu tenho minhas, eu não colocaria a mão no fogo, eu diria isso, certo? Porque Jesus já alertou contra isso. Lembro que nos que tempos atrás tinha os Vamos lá, a pergunta do Eduardo Ramos. Lembro que há tempos atrás tinha os neoateus como Dawkins. Hoje a influência deles diminuir, me parece que a religião e figuras religiosas ganharam destaque até na política. Pois é, Eduardo. Pois é. Eu lembro dessa época, até comentei um tempo atrás, o que eu tava falando hoje na live e na na outra há duas lives atrás é uma resposta a um vídeo de um dessa época do YouTube, um vídeo que eu nunca gravei, eh, que tinha um vídeo lá de um ateu falando sobre a religião bíblica. Ela é só mais uma religião, não tem diferença das religiões e politeistas. E nessa época eu lembro que eu tinha até um pouco de medo. Eu falava: "Poxa, por que ninguém na igreja tá falando disso? Ninguém tá percebendo que o mundo vai virar ateu?" É a impressão que a gente tinha olhando pra internet, né? A gente olhava pra internet e falava: "Nossa, todo mundo é ateu os ateus estão ganhando o debate público e algumas figuras até hoje ainda tão aí. Por exemplo, o o Pirula, né, que é um cara que eu gosto muito inclusive da dos vídeos dele de ciência e tal. Eh, claro, apesar de discordar muito dele, do do no ponto de vista religioso, ele é ateu, hoje ele hoje ele nem é muito militante, ele quase não fala sobre o assunto, mas ele começou na internet falando principalmente sobre isso, né? Eh, e essa época era muito forte essa essa militância ateísta, principalmente no YouTube, acho que lá pros idos de 2010 por aí, né? uns 15 anos atrás. E às vezes a a impressão das coisas na internet se mostra falsa. Eu achava que existia uma população imensa de ateus se multiplicando e quando viesse o próximo senso, a gente ia tomar um imenso de um susto. Todo mundo virou ateu. Mas era uma impressão que a gente tinha por causa da internet. A internet ela causa essas distorções. E a distorção hoje acontece no sentido oposto. Parece que todo mundo é cristão, que o cristianismo manda em tudo. E não é bem assim, não. O senso mostrou esse último senso, inclusive que eh quanto é que a gente tem de evangélicos hoje no Brasil? 25, 30% 1/3 da população do Brasil é evangélica, que é um número grande, mas pensa que esse um esse 1/3 é todo tipo de evangélico. E esses evangélicos que são mais fanáticos, esses evangélicos que misturam a religião com política, esses evangélicos que querem que todo mundo siga, eh, que que querem impor uma lei, inclusive brasileira, baseada na religião evangélica e tal, eh são minoria dentro desses 30% que já são minoria dentro da população em geral. Então, assim, a internet ela distorce muito a nossa percepção sobre as coisas. Às vezes a gente tem a impressão que uma pauta virou a pauta do país e não é bem assim, né? Eu estou acalmando os meus ânimos em relação, por exemplo, à disputa política. Eh, existe um conceito de de guerra cultural e eu acho que isso existe no Brasil, mas a percepção que eu tenho hoje é mais amena do que eu tinha há um tempo atrás, que eu tô percebendo que eu tava muito influenciado pela discussão na internet, que é a ideia de que existem duas populações no Brasil com duas maneiras totalmente diferentes de ver o mundo, com duas com com com duas eh eh moralidades diferentes, com duas opiniões diferentes sobre todos os aspectos da vida e que são inconciliáveis e que isso tá rasgando o país no meio e daqui a pouco só vai ter esquerda e direita e tudo vai ser questão de de esquerda e direita. Nossa, você tá usando um celular com a capinha preta, então você é de direita, hein? Ah, não, você tá bebendo uma garrafa que é metálica por dentro. Ah, então você é de esquerda e tal. Existe isso, mas isso eu tô percebendo que é menos do que parece, porque eu fico muito influenciado pela internet. No mundo real, as pessoas são menos extremistas, menos fanáticas em relação a à ideologia política do que parece na internet. Então eu acho que também os evangélicos não são tão tão fortes quanto eles são estridentes, principalmente na internet. Acho que no mundo real as coisas não se dão assim. Eh, espero eu também, porque eu não faço parte desse tipo de de religiosidade, não. Vocês já devem saber, né? Quem me acompanha aqui, eu não vou muito para essa linha não. E eu não gosto, eu tenho horror. Eu tenho a versão completa, a mistura de religião e e política. Embora tenha uma discussão boa aí, né? O um país laico não é um país ateu. Existe uma diferença entre laicidade de estado e estado ateu. Então o estado laico pode ser um um estado laico em um país que é extremamente religioso. Uma coisa não interfere na outra. Eh, mas aí muita gente também que que defende estado laico não entende exatamente o conceito de laicidade. Eh, e fica tudo uma bagunça, né? Talvez mais para frente a gente discuta essas questões aí. Eu acho interessantes também. A Lilian comenta aqui: "Tem um fenômeno de vários evangélicos voltando ao catolicismo. Fiquei surpresa. É verdade, tá acontecendo sim também. Eu acho que é um pouco desse efeito rebote, desse efeito pêndulo de umas décadas atrás, muita gente saiu do catolicismo, foi pro protestantismo e de repente algumas pessoas estão vendo que o protestantismo não atende as necessidades espirituais dela, delas como elas achavam, né? Talvez a gente tenha um pêndulo voltando aí, né? Eh, a Lino até comenta aqui de uma live sobre livre arbítrio. Eh, é um bom tema de live. Eu eu dou uma fugida disso, sabe por quê? Porque eu sei que o livre arbítrio é um tema, Santo Agostinho fala muito disso, tem coisas, tem pensadores clássicos ali que são pensadores cristãos que falam disso e tal. E eu sei que se eu for mexer nisso, eu vou ter que dar uma estudada pelo menos sobre o que que esses caras falam, não necessariamente ler os livros. E é um assunto que eu eu não li muito sobre o assunto. Então eu tô fugindo do tema porque eu vou ter que me eu não vou conseguir falar do assunto se eu não souber pelo menos os o pensamento mais geral sobre aí sobre eh as questões filosóficas que que são colocadas aí em relação ao livre arbítrio. Tenho a minha opinião própria, que é mais bíblica em relação ao livre arbítrio, mas eu vou ter que dar uma estudada aí para saber qual que é a as questões filosóficas em relação ao assunto, né? Aí eu dou uma fugida porque eu vou ter que ler bastante. [risadas] Aí o gnóstico cristão coloca: "Meu pensamento é parecido. Os deuses são um um conceito de mediação com um absoluto incognocível. É uma mediação. É, eu não sei se eu entendi exatamente o que você quis dizer, mas talvez essa ideia do próprio CFM que a gente estava falando de existir um reino metadivino, né? Então os deuses eles não são as entidades absolutas, mas elas obedecem essas regras que foram impostas anteriores a eles e das quais eles também são derivados, né? Eles são seres poderosos vivendo num mundo de regras. É mais ou menos essa a ideia. Ou seja, existe um absoluto que tá mais lá paraa frente, eles são mediadores. É mais ou menos isso. Aí o pessoal tava comentando aqui por eh por que você rejeita a hipótese da depravação total quando diz que o ser humano é livre? Olha, Lobo Luiz, eu vou também vou dar uma fugida dessa pergunta aí. Eu vou ter que dar uma estudadinha sobre isso para falar disso com um pouco mais de de propriedade. Eu faço uma ideia sobre o assunto, mas eu eu não não quero falar e ficar registrado aqui em live, eu falar alguma bobagem muito grande, entendeu? Então eu vou dar uma estudada antes sobre o assunto. Como você interpreta o evento da feiticeira de Endor? Os espíritos dos mortos, na verdade são manifestações demoníacas. Olha, essa é uma pergunta sobre a Bíblia que é uma que tem uma sua importância e eu não sei responder. Eu não sei porque a resposta de que a feiticeira de Indoor, ela na verdade, para quem não conhece a história, só explicar aqui rapidinho, Samuel eh já tinha morrido, Saul queria muito eh eh ele queria muito falar com Samuel, ele queria muito ouvir da sabedoria de Samuel. E aí ele faz uma coisa que era proibida no antigo Israel, que é proibido dentro do do da religiosidade bíblica, que é você consultar um um feiticeiro que que fala com os mortos. Então ele vai nessa feiticeira e essa feiticeira incorpora o espírito Samuel e Samuel fala com ele e tal. Qual que é o problema? Isso não se encaixa na visão que que a que a Bíblia coloca sobre a morte, que é que é o que eu entendo, né? Eu sou adventista. também de que quem está morto está num estado de inconsciência. Ele não tá ele não tá vivo em outro em outro plano e que ele pode ser trazido para esse plano. Não. Quem está morto está dormindo, está inconsciente, não sabe de nada. Os mortos não sabem de nada, né? como diz lá em Eclesiastes. Eh, eu entendo assim, por outro lado, eu entendo que a Bíblia não é um livro tão simples assim, que existem passagens que parecem querer dizer que não é bem assim. E aí, como eu decido o que que eu acredito? Eu vejo primeiro e eh é mais fácil eu acreditar que os mortos estão dormindo e entender que tem alguns textos que são complicados ou é mais fácil eu aceitar o que parece querer dizer esses textos que são complicados. Então não, os mortos estão por aí vagando e tal a mente deles ou o corpo tá dormindo, mas eles estão vagando e tal a consciência deles. E aí eu vou ter que explicar uma outra montanha de textos bíblicos que que é claramente contra essa ideia, entende? Então eu olhando pro texto bíblico como um todo, eu acho mais fácil acreditar que os mortos não estão vivos. que os mortos não estão vivos, que os mortos não estão conscientes, que a que a mente deles não está vagando em um outro plano, que eles estão dormindo, eles estão inconscientes, eles estão mortos para todos os efeitos. É mais fácil acreditar eh isso nisso, olhando pra Bíblia como um todo, apesar de terem textos que são difíceis, né? Se eu acreditasse a outra crença, eu ia ter que explicar muito mais texto. E que tentar distorcer muito mais o texto bíblico para acabar. Então, existem questões na Bíblia que são difíceis porque existem textos que parecem ser contraditórios. precisaria estudar com muita profundidade, com profundidade cada um deles. Um texto que é complicado, para minha visão sobre o o pós pós-vida é esse texto da feiticeira Jorp. Porque para mim no texto bíblico não parece que o que tá acontecendo ali, que é o que a explicação que normalmente dão, é que um demônio que na verdade estava possuindo aquela feiticeira, o texto para mim parece ser construído de um jeito que é o próprio Samuel mesmo falando ali. Então como explica isso? Não sei. Teria que estudar mais esse texto para entender melhor. Não é uma boa resposta, né? Porque não é uma resposta, n? Mas eu não posso não admitir que existem textos muito difíceis eh para minha forma de entender a Bíblia. E se eu entendesse de outra forma também existe outros muitos textos difíceis para se adequar aquela outra forma, entendeu? É, não sei se ficou claro o que que eu tô falando aqui. Ah, Nels coloca que é bíblico. Eu sou absolutamente calvinista. É, então tem que eu tava falando, tem, não sei se tem calvinistas aqui ouvindo e eu não sei se eu fui eh se eu fui honesto, foi honesto, não, se eu fui justo em relação ao que que o o calvinismo entende, né? Essa é uma discussão que eu nem sou tão dentro dela, viu? Calminismo, calvinismo versus armenianismo. Eu não tô assim tão inteirado. Esse é o tipo de discussão que não me atrai tanto assim, sabe? eh parece muito muito muito doutrinária, muito dogmática, eh embora talvez essas visões de da Bíblia se essas teologias assim podem ser interessantes, eh, fora desse embate aí, né? Aí o Neusil vai colocar o Neusil, a Neusil, eu não lembro, essa pessoa já até me falou se é o Neusil ou acho que é anel, não é? Eh, os salvos já foram salvos desde o princípio. Se o seu nome foi escrito, foi. Mas isso não tem nada a ver com a sua atuação no mundo. Você vai agir no mundo, etc. Eh, você não sabe se realmente vai se salvar. Deus sempre soube. O que explica tudo é o conceito de eternidade. Eternidade não é o tempo sem fim. Eternidade é a ausência de tempo. Tudo que foi, é, vai ser. É. Aí está a unisciência de Deus. E Deus sempre soube de tudo. Estamos salvos e nossos nomes estão escritos no livro da Bíblia desde o princípio que os nomes não estão não entrarão. É o que diz Isaías. Eu sei eh o fim desde o princípio. A gente atua no mundo com o nosso livre arbítrio. O que vai dar exatamente no resultado final, Deus já conhece. Então é isso, gente. O calvinista, o calvinismo por uma pessoa que é calvinista, não eu tentando explicar o calvinismo. Porque você não é a favor do estado teocrático versus o laico em juízes? Eh, Deus não deve ser o rei. O estado permitir não incentiva a apostasia. Aparentemente hoje é isso. Diz aqui o lobo Luiz. Porque eu não sou a favor do estado teocrático versus o estado laico? como acontecia, por exemplo, no antigo Israel, porque não existe uma instituição que eu confie que seja o intermediário entre Deus e o homem. No antigo Israel, você tinha os sacerdotes que consultavam diretamente a Deus pela Urim e Tumim. O líder do povo era Moisés, que falava face a face com Deus. Como eh eu não acredito nem na minha eu não acredito que a minha igreja, a igreja que eu pertenço, é uma instituição que fala em nome de Deus na terra. Eu não acredito nisso, mas não acredito que haja uma instituição com essa prerrogativa mais hoje. Então, num estado teocrático, quem é que decide o que deve ser e o que não deve ser de acordo com a vontade de Deus? Para mim, essa é a grande incoerência do da teocracia hoje. A não ser que você acredita, não sei, por exemplo, eu acredito que o papa, eh, eu sou católico, por exemplo, e eu acredito que o Papa, o que ele fala é a vontade de Deus. Então, eu acredito que o Papa pode ser o rei e ele decide, porque tudo que ele vai decidir é necessariamente a vontade de Deus, OK? Mas você entende que aí você tem que ser católico e você tem que ter essa visão específica sobre o Papa. Eh, eu eu sou muito religioso, mas eu não acredito em uma figura humana que representa a vontade de Deus na Terra. Então não, essa sobreposição entre poder político e religioso, ela acaba sendo falha, porque se o sujeito é um é um poder político, só que ele age também de forma religiosa, ele age de acordo com conceitos religiosos, e se eu discordar desse conceito religioso, essa é uma questão, né? Liberdade religiosa e estado laico são exatamente a mesma coisa, porque um estado teocrático é o estado teocrático de qual religião? Ah, de cristianismo. Mas qual o cristianismo? Quando esse estado teocrático tomar uma decisão, por exemplo, sobre o como você deve se referir a Maria, eu que não sou católico, eu posso discordar desse estado teocrático. E aí, que que vai acontecer comigo? Estou sendo contra a vontade de Deus ou estou sendo contra a vontade do estado? Você vê como começa a ficar complicado essas coisas. Estado teocrático adventista. Aí é o adventismo que manda nele. Mas mesmo dentro do adventismo, eu posso discordar de uma coisa ou outra que um líder ou outro adventista fala. Os próprios líderes podem discordar de detalhes de coisas. E como isso fica politicamente? Quem é que manda? E se um sujeito que tá abaixo de o outro numa hierarquia política, ele ele declara que ele na verdade está de acordo com a vontade de Deus e aquele que tá lá em cima não está. O que acontece com essa hierarquia? Ela vai ser revertida? É muito, um estado teocrático, ele não para em pé, entende? Ele não para em pé a não ser que toda a população reconheça o mesmo líder como uma voz inquestionável. daquele que fala o que é a vontade do próprio Deus eterno e soberano, saindo da boca desse desse ser humano. E é por isso que eu sou absolutamente contra, porque eu não acredito nisso. Eu acho isso uma heresia imensa. O estado teocrato só funciona se você tiver uma massa de pessoas que têm essa crença em relação à mesma figura política ou a mesma a mesma estrutura política. Eh, eu não não quando o Estado é teocrático, se eu questiono a autoridade política, eu estou questionando a Deus, entende? Eu tô questionando uma um uma uma autoridade religiosa e não só uma autoridade política. E se eu não puder mais xingar político, o que que eu vou fazer da minha vida? [risadas] Se a gente pode mais falar mal de político, acabou. E esse essa é uma consequência direta de um estado teocrático. Você não pode falar mal de um político porque vão vir ursas e vão matar 42 crianças. Entendeu a referência? Porque eu estou falando mal de um homem de Deus e não estou falando mal de uma autoridade que deveria servir ao povo e seguir as leis da da Constituição. Essa essa questão torna a ideia da da teocracia muito frágil, muito frágil. Qual é a teologia? É teocracia em nome de quais características divinas? Quando houverem discordâncias religiosas, quem é que tá certo, quem tá errado? Quem vai decidir quem tá certo e quem tá errado? Eh, não não tem como funcionar. E o pior é que é o seguinte, de certa forma, eu entendo que eu não vou colocar isso na na nas costas dos ateus, mas se eu fosse ateu, eu pensaria assim, pelo menos, né? Você só entra nesse lugar se você se ajoelhar e orar para Deus. Tá bom, eu sou ateu, eu vou fingir que eu tô orando aqui e eu entro. Eu não, eu não teria problema se eu fosse ateu e das pessoas me obrigarem a fazer alguma coisa religiosa. Vou falar: "Eu acho, eu não acredito nisso. Eu vou só performar aqui o que que eles querem e pronto. Não acaba nem sendo ofensivo para mim. Agora, como eu sou religioso, se alguém falar que eu devo orar de um jeito específico ou se eu devo reconhecer tal pessoa específica como autoridade religiosa, aí não, meu amigo, não vou fazer. pode me prender, pode me bater, porque tem a ver com a minha crença pessoal, com a minha religiosidade e eu não vou abrir mão dela, entende? Eh, muito difícil, muito difícil. E o problema é eh não é só uma questão de ou é teocrático ou não é. A gente pode ter um estado laico com problemas problemático. E a gente pode ter um estado laico que flerta com com aspectos teocráticos. E quanto mais a gente se aproxima, cada passo que a gente dá em direção a esse caminho, esses problemas já começam a aparecer, entende? Então vai sair uma lei que tá baseado nos princípios cristãos. Tá, mas quais princípios cristãos? Quem disse que isso daí é um princípio cristão? E se eu discordar? E se eu te provar pela Bíblia que não é? Você vai mudar a lei? Entende? Essas questões começam ficar muito complicadas. Por isso que laicidade e e liberdade religiosa são a mesma coisa, é o mesmo conceito. A o estado laico foi inventado por pessoas religiosas para elas poderem exercer a religiosidade delas de forma livre. justamente porque quando há um estado teocrático não existe liberdade religiosa. A única liberdade religiosa é de uma cor só, de um tipo de religião muito específica que vai ter que pressupor muitas crenças. Se você pisa fora dessa crença, você já tá fora da liberdade religiosa. Então, para que a gente possa cada um acreditar no que quiser religiosamente, a gente só estabelece algumas regras que não são regras teológicas. Eu não não vou definir o que o outro deve acreditar ou não. Só vou definir, ó, independente do que você acredita, você não pode só fazer isso daqui nesse contexto. Eh, independente do que você acredita, você não pode sacrificar um ser humano. Ah, mas a minha não, não pode. Nesse país não dá, porque se você for sacrificar um ser humano, você começa a interferir no direito do outro e tal. E você vê que é uma questão, não é uma questão religiosa, é uma questão de de organização da sociedade. Eu, eh, na minha visão política, eu eu gosto da ideia de a gente criar um uma sociedade onde a gente possa o máximo possível fazer com que as pessoas vivam as vidas delas de acordo com a consciência pessoal delas. Por mais que seja bizarro o que que elas acreditam e o que elas pensam e a forma como elas querem viver a vida delas, o máximo possível que eu consigo conceder isso, melhor. O problema é que essas bizarristas que todos nós acreditamos, elas acabam inevitavelmente interferindo na sociedade e na vida de outras pessoas. Então, o difícil é ajustar isso. Até que ponto dá para eu tolerar uma crença que é muito extrema e estranha, eh, ao ponto que ela começa a interferir na vida dos outros. Se o cara só acredita numa coisa muito bizarra e tal, e ele faz isso, só pensa nisso dentro da casa dele sozinho, eu, ótimo, maravilha. Isso não é assunto do Estado, isso não é assunto da sociedade, é a questão pessoal dele. Mas quando é uma teocracia, já não é uma questão pessoal dele, entende? Aí eu não consigo dar essa liberdade para as pessoas acreditarem no que elas querem acreditar, porque eu eu tô fundamentando a organização e a legitimação do poder nessa sociedade com base em Deus e em uma visão específica de Deus. E aí tudo começa a ficar difícil, tudo começa a ruir. Eh, deixa eu ver aqui que eu tô vendo que o pessoal já tá colocando um monte de coisa aqui sobre isso, né? Eh, obrigado pela resposta da teocracia, diz aqui o lobo Luiz. Eu acho que existe algum nível ecumênico, mas a história também mostrou sim que monarquias podem ser muito perigosas para os cristãos. Era mais curiosidade. Eh, o problema que eu vejo é a sua conclusão, que precisamos de leis mínimas, como não matar alguém, mas sem Deus não há o princípio de nada. Toda a ideia tem algum pressuposto. E se não for eh a Bíblia, o que é? Então, eu não acho que necessariamente eh a gente não é impossível organizar uma sociedade que não esteja baseada em Deus. Até porque quando você baseia ela em Deus, que Deus esse Deus tem quais características? E aí já começa a discordância, entende? Então, sobre questões que a gente não entra em em nossa, fugiu a palavra da minha cabeça. Já tô ficando cansado. Hoje são 10:10. Eh, já vamos terminar, tá, gente? e sobre questões que a gente não consegue concordar, que é, por exemplo, o que é Deus, como é Deus, o que que ele, o que que ele definiu sobre como devemos viver e tal. Essas questões a gente não concorda. Então, cada um vive da sua forma, da sua maneira. E existe uma forma de você organizar uma sociedade, uma sociedade boa de se viver, que não esteja baseada no conceito que que alguma pessoa particular tem sobre Deus. que é só a gente definir quais são os limites que podem interferir uma pessoa na outra. Inclusive, existem boas sociedades de se viver que tem essa visão laica, eh, uma visão laica, o estado ele é formado sem partir do pressuposto de Deus. Eh, aliás, as melhores, isso, isso na verdade acaba sendo uma coisa até mais absoluta, as melhores sociedades de se viver são as sociedades mais laicas do possível. E as piores sociedades de se viver são sociedades em que há uma mistura muito grande entre religião e estado. Eh, e eu tô falando aqui, vamos lá, sociedades boas de se viver. Em que sentido? Do que que eu tô falando? Tô falando de países nórdicos. Eu tô falando de alguns países asiáticos que conseguiram se organizar muito bem, tipo Singapura e tal, e que países ruins de se viver que eu tô falando. Arábia Saudita, por exemplo. Eh, então, e é claro que eu tô falando isso do ponto de vista de uma pessoa ocidental. Eu tenho essa visão de mundo, eu sei que eu tenho essa visão de mundo, que eu valorizo muito as liberdades individuais, porque eu sou uma pessoa ocidental. crescer nesse contexto, né? Isso é um valor que eu tenho que faz parte da da da minha da da tradição da sociedade onde eu vivo. É que óbvio, quem mora na Arábia Saudita prefere morar na Arábia Saudita do que no dos países nórdicos onde tem esses montes de depravações ocidentais, né? Eh, mas eu acho que sim, é, dá pra gente organizar muito bem uma sociedade boa de se viver. sem partir de pressuposto religioso nenhum, eh, só através da lógica, né? Como é possível você fazer uma uma boa ciência sem partir de pressuposto religioso nenhum, só a partir da lógica. Eh, a ciência de se organizar uma sociedade também é uma ciência. E o ser humano tem a capacidade de fazer isso através da lógica. Eu acredito que é uma lógica que foi dada por Deus, que dá ao ser humano a capacidade de se organizar em uma boa sociedade. Eh, outras pessoas vão acreditar que não é Deus que deu essa capacidade pro ser humano, né? Mas entende onde eu quero chegar? Eu aí eu acho que a gente não vai conseguir concordar. Eu não concordo com isso, né? Eu acho que existem boas maneiras de organizar a sociedade sem partir de um pressuposto eh religioso. Eh, existe toda a ideia de de lei natural. Até Tomás de Jaquino menciona bastante, mas vejo que ao longo do tempo é um castelo de areia sem a Bíblia, apesar de existirem estados como a China de mais de 5.000 anos. Ao mesmo tempo, Emirados Árabes, por exemplo, funciona muito bem para quem é de lá. Tudo funciona muito bem na China também dentro das suas premissas deles, né? Eh, é, pois é. Aí o Lobo Luiz termina aqui agradecer esse assunto. Vai longe. Muito obrigado. Pois é, é difícil, né? É difícil. Vai longe. Eh, é, vai longe. E e também tem muito a ver com as crenças pessoais, né? Quem é do de um país eh desses que tem uma uma um vive numa sociedade mais teocrática, ele para ele é bom dentro de um contexto muito específico, se ele não experimenta outras formas de ver de de viver a vida em outros países. Isso nem necessariamente deixando de ser islâmico, né? Tanto que você tem uma uma migração muito grande de muçulmanos para outros países onde a vida é melhor. Eh, e ainda ainda que esses países sejam assim muito pouco religiosos, né? Por exemplo, os países eh os países europeus que estão tendo até problemas de o que fazer, problemas dentro, né? Discussões dentro sobre o que que é esses esses imigrantes eh muçulmanos. é bom paraa nossa sociedade ou é ruim? Uma parte vai dizer que é uma coisa péssima, que eles têm que ser expulsos. Outra parte vai dizer que não é boa essa mul, essa multiculturalidade e fica uma briga também muito grande, o que que que vai acontecer e tal, porque essa migração acontece de forma muito intensa, né? Então, bom, tem essas questões, o assunto vai longe mesmo, a gente não vai conseguir resolver o a sociedade agora no nessa live. Talvez na nas próximas a gente resolve. Mas valeu, gente. Obrigado aí pela conversa. Foi bacana aí ter vocês aí. Eh, Neozil coloca aqui: "Verdade, Roney, quanto menos interferência do estado em questões religiosas filosóficas, melhor melhor a sociedade ainda se desenvolve." Concordo com você. A crença de cada um deve ser uma escolha pessoal. Eh, e eu entendo que isso também é uma questão de crença. Eu acredito que é melhor assim. E claro que quem vive numa sociedade onde eh que que tem esse sistemas também prefere essa sociedade. Eu eu consigo entender que um muçulmano quando olha paraas sociedades ocidentais ele olha e ele deve sentir um um negócio dentro dele. Eh, assim, nossa, olha como essas sociedades se depravaram, né? Olha só, eh, sem lá, onde vai parar a sociedade. Eu entendo que as pessoas têm essa essa essa visão, né? Mas eu sou um ocidental, eu cresci aqui e para mim essa essa maneira de ver as coisas faz muito sentido. Mas tá bom, gente. Valeu. Boa noite para vocês. 10:15 já. A gente se vê aí num próximo, talvez semana que vem. E aí, deixem aí na nos comentários, eh, não aqui no no chat, que o chat é mais difícil de eu revisitar ele, mas nos comentários de vídeos, comentários de qualquer vídeo que tem no canal, pode ser nos comentários dessa live mesmo, mas nos comentários e não no chat. eh assuntos que vocês acham interessantes, que a gente pode discutir aí mais para frente em outras eh em outras lives, que aí eu posso dar uma olhadinha e trazer aqui. Já vi que tem várias ideias boas aqui. Eu vou tentar voltar aqui talvez para esse chat e já colher algumas ideias aqui com o pessoal. Livre arbítrio eu sei que é uma, mas eu esse livre arbítrio eu vou já deixar lá pra frente, tá bom, gente? Valeu, um abraço para todo mundo aí e até uma próxima, talvez semana que vem a gente se fala aí.