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A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 21/11

Davar Live – 21/11

Davar Live – 21/11

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Pessoal, boa noite. Bem-vindos aí a mais
uma live.
Estamos aí de volta. Semana passada não
deu, mas hoje estamos aí.
Uma boa noite,
uma boa sexta-feira à noite, um bom
sábado aí para quem tá acompanhando a
gente aí. Eu já queria fazer aquela
pergunta de sempre, né? Ver se o som tá
bom, se o áudio e o vídeo estão OK. Eu
acho que sim. Dei uma testada aqui,
parece que tá tudo funcionando, né? Mas
mas é isso daí, gente.
Então,
como vocês estão, né? Eh, semana passada
a gente não teve live, eu tive um outro
compromisso
e na na sexta-feira anterior a gente
teve uma uma live. Opa, o Oziel já deu
um som e vídeo OK aqui. Obrigado, viu,
Oziel? Boa noite para você. Na outra, na
outra sexta-feira anterior, a gente teve
live e a gente comentou aqui de uma de
uma coisa que a gente ia continuar
falando hoje, né? E hoje eu acho que tem
até umas coisas até mais interessantes
sobre aquele assunto, um pouco mais
práticas que a gente tinha falado lá na
outra semana que a gente tinha
comentado, não sei se vocês lembram, que
a gente estava falando das diferenças
fundamentais entre o monoteísmo e o
politeísmo, né? O monoteísmo e o
paganismo, né? Ou melhor, né? pra gente
não usar essa nomenclatura, monoteísmo e
politeísmo,
a religião bíblica e o paganismo,
como a gente comentou, eh, baseados aí
em algumas algumas ideias do YZ, que é o
Kaufman, né, que ele
ele vai tentar fazer essa diferença. A
gente vai falar sobre isso um pouquinho
mais paraa frente, então hoje, né, ou
pode ser daqui a pouco também. Eu dei
uma olhada na nossa na nossa comunidade
essa noite.
O José Lima aqui, boa noite. Eh, eu dei
uma olhada na nossa comunidade, na na
nas mensagens. Eu não não vi nada
específico essa semana, pessoal
comentando pra gente comentar hoje.
Então, por enquanto a gente vai ficar só
nisso e depois a gente vai conversando
aqui. Normalmente no chat dá certo, né?
Inclusive, acho que na última
sexta-feira a gente nem continuou o
assunto, a gente só foi conversando com
o chat mesmo. E quando eu vi já tinha
dado a hora, né? Eh, o Osel pergunta:
"Calfman, a religião de Israel." Isso
mesmo, isso mesmo, Ozel, devia até ter
pego ele. É um livro,
é um livro verdinho que tá ali.
Não sei se vocês conseguem ver.
É esse livro aqui,
esse aqui, esse verdinho e bran e branco
que tá [risadas] aqui.
Eh,
comprei essa semana porque tu indicou no
primeiro vídeo da série de Isaías. É,
exatamente. Eu comento dele porque ele
fala
sobre Isaías. Deixa eu ver que que é que
ele comenta sobre Isaías, que eu falei
na série, que Isaías 6
não é o chamado de Isaías, mas é um
segundo chamado, como se ele tivesse
começado a mensagem lá no começo do
livro e depois eh ele foi meio que
chamado de novo, né? E aí o capítulo 6
seria um um uma segundo chamado de
Isaías, se eu não me engano, é isso que
ele comenta sobre Isaías, mas é um livro
bacana mesmo.
Eh, você achou, Zé, onde você achou?
Você achou no online? Você comprou em
português? É uma edição antiga, com uma
coisa de cebo. Como que é essa versão
que você conseguiu aí? Eu tava todo
orgulhoso achando que só eu tinha essa
edição, que ninguém mais tinha, mas acho
que não, né?
Eh,
e aí acho que na outra semana então a
gente nem chegou a fazer a continuação.
A gente tinha deixado para hoje, aliás,
tinha deixado paraa semana passada. Aí
semana passada não teve, então vamos
continuar hoje. Eu acho que a gente já
podia até começar com CEO, estante
virtual. É exato. O meu eu também peguei
daí. Legal. Bacana. Então, a gente podia
até começar daí mesmo, né? Vamos começar
então só relembrando alguns pontos. que
a gente falou na outra semana,
enquanto o pessoal vai chegando aí na
live, vai pondo os comentários aí, vai,
de repente a gente
a gente tem outras perguntas que são
colocadas aí que a gente pode falar
depois, né?
Então, para dar uma relembrada, que que
a gente falou naquela outra semana,
a gente falou de uma estrutura básica
fundamental
que esse pensador ou ecalfman comenta
que faz diferença entre o pensamento
pagão e o pensamento da religião
bíblica, né? Então, a gente até comentou
aqui eh agora a pouco que a gente vai
evitar usar essa expressão politeísmo e
monoteísmo,
porque o ponto que o Kaufman coloca que
eu concordo, que eu tô trazendo aqui, o
que eu concordo, né? é que o ponto não é
eh não é uma questão aritmética o que
faz a diferença entre o politeísmo e o
monoteísmo. Por isso que a gente não vai
usar essas nomenclaturas, porque não é
uma questão de mono ou poli, não é a
questão de um deus só ou muitos, né?
Como a gente comentou, não é como se um
panteão
de 30 deuses fosse mais parecido com a
religião bíblica do que um panteão de
60.000 deuses, entende? Então, não é uma
questão de você ir diminuindo deuses e
você chega na religião bíblica. Existe
uma diferença que é uma diferença de
conceito, né? O número tá envolvido. O
Deus bíblico ele é único, mas não é só
um deus só, né? E aí o que o Calpão vai
colocar, que a gente comentou semana
passada, é que existe uma ideia que ele
vai chamar do reino metadivino,
de que no pensamento pagão,
os deuses estão submetidos a uma esfera
de realidade que tá acima deles. Ixe,
derrubei meu fone aqui.
Os deuses estão submetidos a uma esfera
de realidade que tá acima deles e de
onde eles vieram, de onde eles se
originaram.
e que se você tem acesso a essa esfera
de realidade, esse reino metadivino,
você domina inclusive os deuses. E hoje
a gente vai falar um pouco mais de como
isso se daria na prática, tá bom? O, eu
até anotei aqui uma uma frase do Calfman
que ele coloca assim: "O que que é esse
esse reino meta divino, essa realidade
meta divina?"
E ele vai dizer, é a ideia de que há uma
esfera de realidade precedente aos
deuses e acima deles, da qual eles
dependem e cujos decretos eles devem
obedecer. Então, a gente comentou também
eh que esse reino meta divino, ele vai
se manifestar de uma maneira diferente
em cada religiosidade pagã. Então, por
exemplo, eh, dentro do pensamento grego,
o reino metadivino parece estar
relacionado com a ideia de destino,
porque os deuses eles não podem fugir do
destino. O que o destino decretou, os
deuses estão submetidos. Os deuses, os
homens, a natureza, tudo, né? Porque
tudo está submetido a essa esfera de
realidade acima de todos, o reino meta
divino. Então tá, essa ideia principal e
a gente tava falando de como o Deus
bíblico ele é ilimitado, porque dentro
do pensamento bíblico não existe esse
reino metadivino, não existe essa esfera
de realidade, não existe um um mecanismo
impessoal que tá acima de Deus e que
Deus tá submetido a ele.
Isso é uma coisa bem interessante,
porque dentro do pensamento bíblico,
Deus é completamente ilimitado. O que
não acontece em nenhuma outra religião,
nenhum nenhum outro modelo de
religiosidade pagã tem a ideia de um
deus completamente ilimitado. Os deuses
sempre são limitados a uma esfera de
realidade acima deles.
Aí uma coisa que até tinham comentado
semana passada na na última vez que a
gente falou sobre esse assunto e eu
falei que ia deixar para essa vez, né? E
aí a gente vai falar um pouco aqui sobre
algumas questões, inclusive sobre a
teoses, né, ou apoteos
que aí eh, vamos lá, existem dois
conceitos que fazem parte do pensamento
pagão e que também vão desaparecer no
pensamento bíblico, não existem, que é a
mitologia e a teogonia, né? O que que
seria isso? Eh, a mitologia seria as
histórias, as histórias de como os
deuses se tornaram deuses, como as
coisas aconteceram. Eh, são histórias
que explicam os mecanismos
universais, né? Dentro do pensamento
bíblico, Deus não tem uma mitologia,
porque não se conta a história de Deus,
né, de como ele se tornou o Deus
soberano. E ele não tem uma teogonia
também, que é uma outra coisa que diz da
origem dos deuses, de onde Deus surgiu,
de onde, como Deus passou a existir.
Isso não existe. Essa ideia é
inexistente dentro do pensamento
bíblico. Eh, Deus não tem origem, Deus
não tem teogonia, né? Existe inclusive
um livrinho, né? a teogonia de Exildo,
que ele vai contar a história dos deuses
gregos, conta lá a origem, eh,
principalmente ali a origem de Zeus, eh,
aquela história de Cronos e tal, de onde
vieram o os titãs, as ninfas, todas
essas essas criaturas mitológicas da do
pensamento grego, da mitologia grega.
Ele tem ali a teogonia de Exildo.
Eu não li esse livro inteiro, eu li só
umas partes. Seria até interessante um
dia parar e ler, porque eu tô lendo
coisas assim mais relativas a a ao
pensamento religioso de forma geral, né?
Inclusive eh o pensamento pagão também,
né? que eu acho bem interessante.
Bom, eh,
então a gente não tem dentro do
pensamento bíblico, nem a mitologia e
nem a teogonia, Deus não tem origem.
Quando a gente abre Gênesis 1, verso 1,
a gente abre e tá lá escrito: "No
princípio criou Deus os céus e a terra.
Ele já tava lá. Não se diz como Deus
surgiu, de onde ele surgiu, quem fez com
que Deus surgisse ou que de que esfera
de realidade ele emanou. Ele só estava
lá.
E o que é interessante quando a gente
coloca essas eh eh esse esse reino
metadivino em questão
é que como tudo dentro do pensamento
pagão é derivado do reino metadivino,
as fronteiras
entre a a as coisas que existem entre o
cosmos, elas não são bem definidas.
Então, as fronteiras entre o divino,
entre o humano e entre a natureza,
elas são flexíveis, elas às vezes nem
existem. Então, por exemplo, né, eh, os
deuses eles podem se relacionar com os
seres humanos e terem filhos.
Isso é interessante porque a gente tem
uma ideia que é que é parece ser uma
ideia que que existe só dentro da da eh
da da ciência moderna, que é o que que
define uma espécie é que se um um animal
consegue cruzar com outro animal e
nascer um um um filhote dessa desse
cruzamento, então esses animais
pertencem à mesma espécie, por mais que
eles tenham características diferentes,
né? Então, por exemplo, você pega um
cachorro e outro cachorro, por mais que
eles tenham características diferentes e
você consegue cruzar eles e ter
filhotes, quer dizer que tá. Então, isso
é um um um sinal de que eles pertencem à
mesma espécie. Essa ideia, apesar de ser
uma ideia da da ciência moderna, essa é
uma ideia que é observável, né? se no
passado as pessoas já percebiam isso,
que você não consegue cruzar uma
serpente com um elefante, né? Isso a as
pessoas observavam o mundo antigamente
também, né? Então, a ideia de que os
deuses e os homens podem ter filhos
colocam aí essa diferença entre deuses e
humanos não muito nítida. Inclusive, a
gente tem ideias de povos inteiros que
se diziam descendentes de deuses. Por
exemplo, o o eh os espartanos que
falavam que eles eram descendentes de de
Hércules, né, de Hércles. Então, todo
mundo ali é é descendente. Eles têm um,
digamos assim, uma ascendência divina.
Então, todo mundo ali tem um pouquinho
de um sangue divino. Então, a ideia de
que um Deus ele é separado da humanidade
não é tão fixa assim dentro do
pensamento pagão. Essas linhas elas são
eh elas são mais móveis e entre a
natureza também.
E talvez essa seja uma das ideias mais
interessantes quando a gente presta
atenção na ideia de deuses de forma
geral na antiguidade, é que muitas vezes
esses deuses se confundem com os
fenômenos naturais, né? Então, por
exemplo, a gente tem várias vezes, a
Bíblia até fala fala de deuses que são
deuses de elementos naturais, apesar da
Bíblia não usar essas expressões. Então,
por exemplo, Baal é um deus da
tempestade dentro do do dentro do
panteão cananita, né?
Ele é um Deus da tempestade, apesar da
Bíblia não usar esse título. Eh, e ele
repete um pouco a ideia de Thor,
eh, que Baal, filho de El, que era uma a
a divindade maior dentro do do do
panteão cananita. E você também tem
Thor, filho de Odin, que é a divindade
maior dentro ali do do pensamento
nórdico, da religião nórdica. E Thor
também é um deus da tempestade, né? De
certa forma, Zeus também é um Deus da
tempestade, ele que joga os raios e tal.
Então, o que que acontece? Quando o os
antigos olhavam um fenômeno natural,
a explicação que eles davam para esses
fenômenos
eram os deuses, são as divindades.
Quando eles viam uma tempestade se
aproximando, aqueles mon aquele monte de
raios, né, de relâmpagos, trovões e tal,
eles falavam: "Isso é a fúria dos
deuses". Daí é Zeus jogando os os
trovões com a fúria dele ou é Thor
jogando o o trovões com o Mionir ou é
Baal que que tá trazendo essa tempestade
e tal. Os fenômenos naturais eles se
misturam com os deuses. O sol dentro do
do pensamento ali do antigo Oriente
Médio é chame. Dentro do pensamento
grego é Hélios. Eh, o mar é o domínio de
Poseidon. O mar é o domínio de Yam. Você
tem
deuses relacionados com os fenômenos
naturais. E até que ponto esse fenômeno
é o próprio Deus, é uma coisa que é
muito confusa dentro do pensamento
pagão. Porque eles, dentro do pensamento
pagão, não existe a ideia de uma
natureza pura, desprovida de divindade.
É sempre misturado, entende? Eh, é muito
interessante isso, porque essa vai ser
uma diferença bem importante pro pro
pensamento bíblico. Apesar do Deus
bíblico às vezes ele se manifestar em
uma tempestade, às vezes ele se
manifestar em uma sarça ardente, ele se
manifestar no fogo,
Deus não é a tempestade, Deus não é o
fogo, Deus não é a sarça ardente.
Aquilo é só uma maneira de Deus se
manifestar. Mas no pensamento bíblico
existe uma separação muito bem definida
entre Deus e a natureza, entre Deus e o
ser humano e até entre o ser humano e a
natureza também. Essa fronteira que
também dentro do pensamento pagão se
mistura um pouco mais. No pensamento
bíblico existe um pouco de diferença. Aí
até quando tiver a própria criação do
mundo, o ser humano ele é criado em um
de uma forma colocado em um patamar
diferente do restante da natureza, né?
Então
as fronteiras
entre o divino e o humano e a natureza,
elas são relativas, né? Inclusive, e aí
a gente vai entrar na ideia de teoses,
né? Que que seria a teosis ou a
apoteosis?
A ideia de um ser humano que ele ele se
torna tão bom, tão forte, que ele
alcança o patamar divino. Então, seria
não um um deus
perdendo a divindade, mas o caminho
contrário, um ser humano ganhando a
divindade, né? Eh, eu não sei se
tecnicamente a gente pode dizer que o
Hércules, a história de Hércules é uma
apoteose, mas sem dúvida tem elementos
apoteóticos aí de que ele era um
semideus e aí os 12 trabalhos são dados
para Hércules. Quando ele cumpre esses
12 trabalhos, ele é reconhecido como
poderoso bastante para se tornar um
Deus. E a partir daí ele passa a ser
reconhecido como um Deus, né?
A ideia de apoteose não existe na
Bíblia, aliás, não tem nada mais
estranho a Bíblia do que a apoteose,
embora muita gente faça a confusão entre
a ideia de Jesus e a ideia de apoteose.
Eh, porque Jesus seria um um ponto de
tensão dentro do pensamento bíblico,
justamente porque não é natural no
pensamento bíblico alguém ter a natureza
humana e divina ao mesmo tempo, né? E é
por isso que Jesus se torna um grande
mistério, como Paulo fala, a encarnação
de Cristo se torna um grande mistério,
se torna uma coisa contrainttuitiva
dentro do pensamento bíblico. Jesus não
é uma apoteose, porque ele não é um ser
humano comum que foi tão bom que
alcançou o status de Deus. Não é isso,
não é esse eh não é esse pensamento que
tem na Bíblia quando ela tá falando
sobre Jesus, né? Pelo contrário, a gente
tem um Deus que é tão ilimitado
que ele pode inclusive
se esvaziar,
se encarnar e assumir uma forma humana.
Eh, não para, como acontece dentro do
pensamento grego, não para ele ter
mulheres e ter filhos de de semideuses
entre os deuses e os homens, mas para
ensinar o ser humano a essência do
divino, pro pro ser humano poder se
reconectar com o divino novamente, né? E
para pro ser humano poder ser redimido
pelo sacrifício divino, que é um
conceito absolutamente estranho ao
pensamento grego, né? Então aqui o o
a apoteose ela
não faz parte do pensamento bíblico.
Apesar de ter elementos que parecem e
algumas pessoas confundem, a apteose não
existe dentro do pensamento eh do
pensamento bíblico, né? Essas
diferenças, esses limites entre o humano
divino e o natural eh são muito bem
estabelecidos.
E aí entra um ponto
que também é uma consequência desse
pensamento do derivado da ideia de um
reino metadivino, que é a ideia de
magia, como a magia funciona no
pensamento pagão.
Como a origem do poder não está nos
deuses, mas em uma esfera de realidade
que tá acima dos deuses. Quando eu
acesso essa esfera de realidade, eu
tenho o poder absoluto, poder inclusive
para matar deuses. Existem armas,
existem e eh armas mágicas, existem
amuletos que podem matar deuses dentro
do pensamento pagão.
Isso quando esses amuletos, essas armas,
esses esses elementos mágicos estão
relacionados com o reino metadivino.
Então você tendo a isso daqui, a gente
já comentou antes aqui, né? Se você tem
um um um artefato mágico
e com esse artefato mágico você faz o
ritual correto, você tá manipulando as
engrenagens
dessa desse sistema
meta divino que tá acima dos deuses. É
por isso que a gente tem a ideia do de,
por exemplo, você tem uma varinha
mágica, você fala abra cadabra e o
coelho sai da cartola, né? Como esse
coelho saiu da cartola? Como você
explica isso? Você não explica porque
você tá falando de mecanismos que estão
acima da natureza dos deuses e da da
humanidade.
Eh, quando você acessa esse poder, você
acessa o poder absoluto.
Só que eh ele nunca é acessado de forma
absoluta também, né? é sempre em partes.
Você com o ritual correto, você consegue
eh o favor dos deuses e manipular os
deuses, porque você tá usando forças que
tão acima dos deuses.
E porque isso é muito importante quando
a gente fala aqui dentro da religião
bíblica, porque isso é inexistente
dentro do pensamento bíblico. Você não
tem no pensamento bíblico um artefato
mágico, um ritual que consegue manipular
Deus. A gente tem exemplos até opostos,
né? Por o que que confunde também quando
a gente tá falando desses elementos é
que dentro do pensamento bíblico existe
ritual e existem objetos sagrados.
Por exemplo, a arca da aliança é um
objeto sagrado, certo? Certo? Existe um
ritual correto para se manipular a arca
da aliança. Correto? Correto. Você eh
pega os sacerdotes,
passa a a aqueles varões na nas argolas
que tem nos cantos da arca, coloca ela
sobre os ombros dos sacerdotes e eles
caminham com a arca. Então esse é o
jeito certo, é o ritual correto de se
manipular a arca. Então, em tese, se eu
tenho um objeto sagrado e eu tenho o
ritual correto, eu consigo manipular
Deus. E é isso que os israelitas tentam
fazer em um momento quando eles estão
perdendo uma batalha pros filisteus. E
eles têm a brilhante ideia, olha, a
gente tá perdendo a a batalha, então a
gente precisa ganhar o favor divino.
Como a gente faz isso? A gente usa um
objeto sagrado e a gente usa o ritual
correto. É um pensamento totalmente
pagão, né?
E quando isso acontece, qual é o
resultado?
Os israelitas perdem, os sacerdotes são
mortos e a arca é levada para um templo
pagão.
É, essa é uma ideia interessante. É
interessante ver isso porque a vontade
divina ela não consegue ser manipulada
pelos rituais humanos. A gente tem um
outro exemplo também que é interessante,
que eh o
Sansão
nasce
é dado um ritual, né? Qual é o ritual? O
ritual é ele tem algumas regras. Ele não
pode cortar o cabelo, ele não pode tocar
nada de uvas, ele vai ser dedicado como
um voto de nazireu
e aí a força dele vai ser concedida.
Em certo momento parece que existe um
pensamento pagão por trás disso. Com ele
sendo ele próprio no corpo dele um
receptáculo mágico, fazendo o ritual do
jeito correto, ele tem um poder que é o
poder da força física que ele tinha que
era superior aos outros combatentes
filisteus.
E de fato, quando Sansão corta os seus
cabelos,
ele perde a força. E aí você pode
pensar, então, tá vendo? A origem da
força dele era os cabelos, mas a
história, a história continua. Ele sem
cabelos, ele dentro de um templo pagão,
cego, ele ora, Deus, se arrepende, pede
novo o poder para ele cumprir a missão
dele e o poder volta, porque Deus dá o
poder da forma como ele quer. Então, o
ritual dentro do pensamento bíblico, ele
não tem essa mesma função dentro do
pensamento pagão de acessar
o mecanismo que tá acima dos deuses. Mas
o ritual dentro do pensamento bíblico,
pelo contrário, ele ele ele tem o
objetivo de demonstrar
para Deus
a que você se importa com alguma coisa,
que você considera algo importante. Os
rituais são uma sinalização para Deus do
que tá dentro do coração humano, muito
mais do que uma forma de manipular Deus.
Quando os cabelos de sanção são
cortados, ele não perde a força porque a
força estava nos cabelos em si. Ele
perde a força porque ele demonstrou que
aquela instrução não era tão importante
assim e ele acabou quebrando ela. E
quando ele quebra essa instrução, Deus
retira dele o poder e ele pode dar de
volta quando ele quiser, né? Então, a
gente tem esses dois exemplos que eu
gosto, que são exemplos de primeiro um
ritual que é quebrado,
mas mesmo sem o ritual funcionando, o
poder é concedido, que é o caso de
sanção. E um ritual que é feito do jeito
certo, mas o poder não é concedido, que
é o caso desse e quando a arca é levada
paraa guerra contra os filisteus.
Isso daqui é muito importante
porque não, eu vou falar no final. No
final, a gente tem uma conclusão aqui
sobre todos esses elementos que a gente
tá falando, eh, da diferença entre o
pensamento pagão e o pensamento bíblico.
Uma outra diferença entre o pensamento
pagão e o pensamento bíblico, que é
decorrente de todas essas ideias que a
gente tá falando, é como se dá a
moralidade dentro desses dois sistemas
de pensamento.
Dentro do pensamento pagão, a moralidade
ela não é derivada dos deuses.
A moralidade
e existem deuses que são bons, são
morais e existem deuses que são ruins,
né, que são maus. E existe, na grande
maioria das vezes, deuses que estão ali
entre uma coisa e outra. São deuses que
às vezes fazem coisas boas, às vezes
fazem coisas ruas. Quando você vê, por
exemplo, a história de Zeus, ele é bom
ou ele é mau? Eh, não dá para dizer
direito. As pessoas adoram a Zeus, né?
Ele parece conceder algumas dádivas aos
aos humanos, mas ao mesmo tempo ele
também, né? Ele também pisa bastante na
bola, né? Tem uma outra característica
interessante que eu nem marquei aqui,
mas eu vou falar logo em seguida que tem
a ver com essa história de Zeus também.
Então, os deuses não têm a moralidade
partindo deles. Eles não são
essencialmente, primordialmente
eh absolutamente
bons. El a a o pensamento pagão é mais
amoral. Não existe muita uma moralidade
fixa nos deuses. Eles podem ser bons ou
maus, depende, né? Enquanto o Deus
bíblico, ele é essencialmente bom.
E isso se torna até um problema quando o
Deus bíblico fala que os israelitas
podem eh destruir outro povo, uma coisa
que a gente entende como sendo uma coisa
má, como a gente concilia essas coisas e
a gente faz esse esforço então para
conciliar, para entender como nesse
contexto específico isso poderia ser uma
ordem dada por um Deus bom, porque Deus
na Bíblia é sempre entendido como um
Deus bom. o Deus que é eh
essencialmente bom, né? A bondade deriva
do Deus bíblico.
Existem deuses em outras culturas que
são deuses legisladores também,
mas mesmo os deuses legisladores, eles
não são a essência da bondade. Eles são
deuses bons de forma geral. Normalmente
são deuses ligados à ideia de ordem, mas
eles não têm uma ideia de de que a a
bondade deriva desse Deus, como acontece
dentro do pensamento bíblico, entende?
Então, toda a moralidade dentro do do do
conceito de um Deus absoluto e bondoso
vai se dar de uma forma totalmente
diferente do que a moralidade se dá
dentro de um conceito pagão, onde você
tem o reino metadivino, os deuses
submetidos a ele e os deuses se
relacionando com seres humanos,
né? eh a a ideia de bem e mal se dá de
uma forma totalmente diferente dentro
desse outro pensamento.
O que eu ia falar, que eu lembrei agora,
que não tá anotado, quando eu tava
falando da história de Zeus também, é
que os deuses dentro do pensamento
pagão, eles têm necessidades,
necessidades inclusive sexuais, né? A
gente vê que, por exemplo, o pessoal
brinca, fala que metade dos problemas da
mitologia grega teriam sido resolvidos.
Se Zeus ele se aguentasse um pouco ali,
né? Porque a gente tem muito problema
sendo causado porque Zeus fica
apaixonado por uma mulher, aí ele assume
uma forma humana, tem relações com essa
mulher e nasce um semideus, né? Isso
acontece com frequência, não só Zeus,
mas os outros deuses também. Eh, e isso
se torna a o o começo de muitas
histórias problemáticas ali na mitologia
grega. Então, os deuses têm
necessidades. Eles têm necessidades de
serem adorados, eles têm necessidades às
vezes de serem alimentados, dependendo
da cultura, de serem servidos. E se você
não servir esse Deus, se você não
alimentar ele, se você não cuidar dele,
se você não adorar esse Deus, ele perde
a força, ele pode inclusive morrer. A a
ideia de morte de um Deus é uma ideia
que é comum no pensamento pagão, mas ela
é inexistente dentro do pensamento
bíblico. Porque mesmo quando Cristo
entrega a sua própria vida,
a a morte pode conter a Cristo. Então
ele entrega a vida dele e depois ele
mesmo a toma de volta. Eh, o Deus
bíblico, ele não pode ser limitado pela
morte. E mesmo quando ele se autolimita
pela morte, ele pode reverter isso e
ressuscitar, né? O que é uma coisa
absolutamente maluca, né? Não é um
pensamento lógico, mas é um pensamento
que funciona dentro dessa maneira de
entender a divindade bíblica, dentro da
dessa maneira de entender o Deus
bíblico, né?
Bom, e aí, gente, aqui no final, eh,
eu acho que que esses são os principais
pontos.
Esses são os principais pontos aqui, né?
Para concluir, então,
por que que eu passei nesses pontos
todos aqui e principalmente nessa ideia
de magia e tal, é que
o que acontece com frequência, e isso
que eu acho que é o mais importante da
gente ter em mente, é que a gente dentro
de uma de um pensamento, dentro de uma
religiosaidade bíblica, a gente acaba
assumindo um pensamento pagão.
E isso confunde muito as coisas. E aqui
eu vou dizer diretamente, a gente já tá
chegando no final do ano, né? É, e eu
tenho aí mais de, acho que acho que tem
uns dois ou três vídeos aí sobre o
Natal. O Natal pode ser comemorado, não
tem problema de comemorar o Natal. E o
que é mais irônico nesse exemplo
específico é que a ideia de que a gente
não pode comemorar o Natal é uma ideia
que é essencialmente pagã,
né? É, isso não significa que você é
obrigado a comemorar o Natal. Você não
precisa comemorar se você não quiser,
mas a ideia de que você não pode
comemorar porque você vai estar
incorrendo em uma em uma falta, em um em
um pecado, é uma ideia pagã, porque a
ideia de que
eh essa data está foi oferecido a um
deusão, foi oferecida a um deus pagão.
Então, não existe nada que o Deus
bíblico possa fazer para para que essa
energia pagã seja retirada dessa data. É
como se existisse um reino metadivino
que eh que sentenciou que essa data é
uma data pagã. E agora nada pode
reverter isso,
né? Eh, você
vê o mundo como
ordens e leis definidas
que não podem ser revertidas pela
soberania divina.
Então, ao invés da gente olhar de um
ponto de vista bíblico, falar: "Olha, as
pessoas adoravam aqueles deuses naquela
data
e tudo bem, é só uma data. Então, se
Deus for adorado na mesma data, tá ótimo
que ele seja adorado na mesma data. Que
aquela festividade pagã deixe de ser uma
festividade pagã e se torne uma
festividade eh dedicada ao Deus bíblico.
Isso é uma maravilha. Que bom! Que bom
que a gente conseguiu fazer essa essa
reversão na mente das pessoas, porque
isso só acontece na mente delas. A data
em si, a festividade em si naquela época
não tem uma essência pagã impregnada
nela. Não, Deus pode fazer o que ele
quiser. Os deuses, inclusive, eles não
são entidades vivas,
reais dentro do pensamento bíblico.
Então, é,
toda vez que a gente tem esse medo das
entidades demoníacas, toda vez que a
gente acha que existe eh um poder, um
feitiço, uma energia ligada a um objeto,
a uma data, a um a um a um a um ritual
que seja, a um jeito de mexer a mão.
Olha, se você fizer esse sinal do diabo
com a mão, pronto, você foi dominado
pelo diabo. Se você falar a palavra tal,
né, igual quando eu tinha crianças,
quando eu era criança, eu eu tinha essa
essa, deixa eu reformular a frase.
Quando eu era criança, tinha essa ideia
de que você colocasse um disco do da
Xuxa ou de não sei quem. Ao contrário,
eh, você ia ouvir palavras pagãs, você
não podia ouvir isso, senão você ia ser
dominado e tal, é as coisas, as
mensagens subliminares e tal, tudo isso.
Você vem como que é uma lógica pagã
atrás de tudo isso. É como se tivesse o
reino metadivino lá e você tá acessando
através da de objetos mágicos ou de
rituais.
esse reino metadivino e estabelecendo
coisas que não podem ser mudadas nem por
Deus.
Isso é um pensamento essencialmente
pagão, né? ter medos de rituais,
ter medo de de magias, de objetos
mágicos e tal, é uma coisa que não
deveria existir na mente de quem não
segue essa religiosidade, quem segue uma
outra religiosidade. Isso Paulo fala
várias vezes. Toda a discussão que tem
sobre a carne oferecida aos deuses é
baseada nisso. Paulo fala lá em Primeiro
Coríntios, capítulo 8, a discussão
começa no capítulo 8. Eu não não lembro
exatamente onde ele fala isso, né? Mas é
a partir do capítulo oito que ele vai
falar: "Olha, o o problema nem é você
comer um um uma carne que foi oferecida
aos outros deuses, porque o Deus nem
existe.
Ele nem existe. A gente não tem problema
com isso. A gente pode fazer qualquer
coisa que a gente quiser, porque a gente
não tá submetido a esses a a essas
crendices desses deuses."
E Paulo vai falar, a questão nem é essa.
A questão é
o que eu ganho com isso e principalmente
o que o meu próximo vai ganhar com isso,
né? Se eu não vou causar confusão na
cabeça das outras pessoas que estão
tentando levar uma vida religiosa com
Deus. Eh, e quando eu faço isso, isso
pode confundir elas, fazer elas pecarem
contra a própria consciência e tal, que
é o que Paulo vai falar.
Então, no final das contas,
o pensamento bíblico, quando você segue
ele, você tira um peso do do das costas.
Você não precisa ter medo.
Você não precisa ter medo do escuro.
Você não precisa ter medo da de uma
pessoa que fala uma língua estranha e
joga um feitiço em você. Você não
precisa ter medo que colocaram um um um
feitiço, um amuleto, alguma coisa em
você. Você não precisa ter medo disso,
porque dentro do pensamento bíblico não
existe um ritual ou uma magia que não
esteja completamente submetida à vontade
de Deus. Tudo tá completamente submetido
à vontade de Deus. E é por isso que
Paulo vai falar: "Se Deus é por nós,
quem será contra nós?"
É essa e dentro dessa perspectiva, essa
frase é muito forte. Se o Deus que é
soberano, que tá acima de tudo, não
existe ritual, não existe magia, não
existe objeto mágico, não existe eh o o
o mensagem subliminar, não existe nada
disso que possa te afetar de alguma
maneira, porque todos esses mecanismos
são naturais e tudo que é natural tá
submetido à vontade de Deus
completamente.
Então, quando a gente para para pensar
nessas coisas, né, eu imagino aí vocês
devem estar pensando nisso também, como
é que muitas vezes a gente tenta seguir
uma religiosidade bíblica, mas na
verdade o que tá rodando lá no fundo, o
programa que tá rodando lá no fundo, é
uma lógica de uma religiosidade pagã. É
uma lógica de de ver o mundo de uma
forma pagã, de estar submetido a esses
mecanismos impessoais que estão acima
dos deuses.
Quando você
aceita o Deus bíblico,
você tá livre, você tá livre dessas
coisas. Você tá tranquilo, porque isso
não é mais uma coisa que vai te afetar.
Deixa eu dar uma olhada aqui então nos
comentários de vocês. A Lilian chegou
aí, né? Boa noite, Lilian. Eh,
a Lilan falha fala aqui, inclusive, né?
Povos que são se acham que são
descendentes de seres especiais, às
vezes barram em preconceito com outros
povos e até mesmo eugenia. Pois é, muito
do pensamento desses
eh desses povos eh antigos
ia desembocar na ideia de superioridade,
superioridade racial, inclusive, né? A
gente tem um sangue que é superior
ao sangue que corre nas veias desses
outros povos aí inferiores. É esse
pensamento que acaba ficando por trás
disso daí.
Aí o J o José Luiz aqui, boa noite. Tô
assistindo aqui de Guarujá, litoral de
São Paulo. Bacana, José, um abraço aí.
Eh,
Deus controla a natureza. Seria isso?
Ele não é o trovão, porém o controla.
Então, Lilian,
a gente tem uma ideia nova que aparece
dentro do pensamento bíblico, que é a
ideia de uma natureza desdivizada.
que inclusive, e eu sei que isso é
polêmico, porque tem algumas pessoas que
discordam, é isso que vai possibilitar a
ideia de um desenvolvimento de de uma
ciência, porque agora as a natureza, ela
não é mais absolutamente misteriosa,
porque ela não é a manifestação dos
deuses, mas ela é uma criação de Deus e
que tem mecanismos próprios e autônomos
que Deus criou e deixou ali funcionando.
Então, a natureza foi criada por Deus,
mas a natureza não é divina em si,
entende? Eh, Deus pode controlar a
natureza, mas
a quando quando o o o sei lá, quando cai
um trovão, ele não tá caindo porque Deus
ficou bravo, não. Às vezes o trovão é só
um trovão.
Quando o sol brilha, isso não é porque
Deus tem uma intenção específica, não. É
só o sol, é, é só uma bola de fogo no
céu. Essa ideia vai aparecer lá no
começo do do livro de Gênesis. quando
ele vai descrever a natureza que Deus tá
criando.
E aí a gente tem, por exemplo, eh, na do
da das culturas ali do lado, tanto o sol
quanto a lua, os nomes cham e Area, que
é lua, se eu não me engano, eram nomes
de divindades. O texto bíblico, ele
evita até falar o nome dessas
divindades. E ele vai falar de um
luminar maior e um luminar menor que
eles vão governar o dia e à noite,
porque ela tá descrevendo justamente um
mecanismo impessoal.
A natureza, ela funciona sem ter um uma
intenção pessoal por trás dela, entende?
Ela tá lá só acontecendo. O mar é só o
mar, o sol é só o sol, as nuvens são só
nuvens. E aí a gente, a partindo desse
pressuposto,
as pessoas pensavam que bom, eh, Deus
que criou esse mecanismo. Então, ao
estudar esse mecanismo,
eu estou me relacionando com Deus, né?
Eh, ao estudar como funciona a vida, a
folha, os animais, o corpo humano, eu tô
entendendo como é o pensamento de Deus.
Então, não é que eh a natureza é uma
manifestação direta da vontade divina,
mas a natureza reflete a o modo de Deus
pensar. Seria assim. Inclusive os
apologetas mais modernos vão falar que
esse modo de Deus pensar são as leis da
natureza, porque as naturezas estão
submetidas a leis, leis que são
distinguíveis através da lógica. E essas
leis, por algum acaso, elas são desse
jeito e não são daquele. Por acaso, a
gravidade tem essa intensidade e não
aquela.
E ela é desse jeito, porque Deus decidiu
que ela era desse jeito. Então, quando
eu estudo a natureza, eu tô estudando a
forma de Deus pensar, que é uma coisa
bem bonita, né?
Aí a gente vai ter o principal que fala
esse pensamento é o Newton. né? Newton.
Newton é uma das mentes mais brilhantes
da da ciência, é talvez o cientista mais
importante.
Eh, e ele
ele escreveu mais sobre teologia do que
sobre ciência.
Ele praticava a ciência de um ponto de
vista teológico,
eh, partindo desses pressupostos que eu
tava comentando aqui agora. Então, é
interessante a gente ver como o
pensamento bíblico ele abre a
possibilidade de pensar a natureza de um
outro jeito, porque a natureza não é
mais divina, a natureza não é os deuses
se manifestando diretamente. Então, eu
consigo estudar porque existe uma lógica
por trás dela e ela funciona sozinha sem
ser um grande mistério sobrenatural que
tá ali, entende? Então isso é bem
interessante mesmo.
Aí a Lilian coloca aqui sanão, pouca
inteligência. Eu acho muito fazer um
parênteses aqui sobre san
uma uma série que não é para menores de
18 anos e nem para pessoas que têm
percepção assim sensível das coisas, que
é o Game of Thrones, né, que fez
bastante sucesso um tempo atrás aí.
E o que eu achava interessante nos
livros, principalmente,
é como a a ideia dos do poder acontece
na sociedade. Então, você tem um
sujeito, por exemplo, que que é um um
grande espadaxim,
mas ele ninguém consegue vencer ele numa
batalha, mas ele ele quando cortam a mão
dele, ele perde todo o poder dele. Tem
um outro sujeito que é euco. Ele não
pode ter filhos, ele não tem, digamos,
um poder viril, mas ao mesmo tempo o
poder tá na forma como ele manipula as
pessoas, como ele conhece tudo que tá
acontecendo nos bastidores. Eh, tem a
uma mulher que é muito bonita, ela não
tem força física, mas ela é tão bonita
que o poder tá na beleza dela. Com a
beleza dela, os homens, né, se submetem
a ela. E tem o outro cara que é
religioso, o poder dele tá no religioso.
Então, é, eu gosto, eu acho interessante
toda aquela aquela série do a a Canção
do Gelo e Fogo, na verdade, que é o nome
dos livros, que ele vai falar como os
diferentes poderes acontecem na
sociedade.
A gente tá falando de sanção, viu?
Porque Sansão entra exatamente nessa
mesma discussão.
Sansão era impossível você vencer de
sanção no mano a mano.
Ele tinha um uma força sobrenatural.
Ele não podia ser derrotado.
Então o que que derrota a Sansão?
é uma mulher bonita,
eh,
pedindo favores para ele. Então, existe
um poder sobrenatural nas mãos de
Sansão, mas como ele tem uma mente
fraca, esse poder se torna inútil. Não
adianta o cara ser super forte, ninguém
vence dele, sendo que ele é manipulado
por uma mulher.
Eh, e aqui eu não tô falando uma mulher
no sentido diminuindo, mas é uma mulher
que ela não é forte como ele, mas ela
derrota ele, né? Então, é muito
interessante essa ideia de desse
dessa dinâmica dos poderes que acontecia
ali dentro do Game of Thrones. Ela
acontece já no texto bíblico, que é a
história de Sansão. É um homem super
forte, muito poderoso, mas que esse
poder dele não faz sentido porque ele é
fraco em outro aspecto. E nesse outro
aspecto alguém é muito mais poderoso do
que ele, é muito mais manipulador, sabe
seduzino e assim por diante. E a gente
vê que essa é a fraqueza de sanção, né?
Eu acho bem interessante essas dinâmicas
de como o poder funciona em um aspecto,
mas em outro não. Você tem a força
física, você tem o poder da sedução,
você tem o poder político, tem o poder
religioso, tem o várias coisas aí que
acontecem que eu acho bem legal. O texto
bíblico já tinha percebido isso aí muito
antes do George Martin, né?
E vamos lá, então.
Eh, moral versus ética, né? O o gnóstico
cristão tava falando, exato. A a
moralidade e a ética, que são conceitos
que se misturam um pouco, né? Mas aqui
quando eu eu tô falando moralidade,
muita gente muita gente usa ética para
se para descrever isso, mas quando eu tô
falando de moralidade, eu tô falando da
ideia do conceito de bem e mal, de
certo, errado, de forma geral, né? Tem
gente que diz que isso não seria
moralidade. A moralidade seria mais a
aplicação disso a normas e o conceito de
certo errado de forma geral seria a
ética. Mas eu tô falando de forma geral
usando aí a a expressão moralidade.
Aí o Egídio coloca aqui: "Você acha que
a ideia de um Deus fora do tempo espaço,
como defende a tradução, prejudica todo
o resto da leitura bíblica?
Qual tradição, Egídio, que defende isso?
Eh, essa ideia de um Deus fora do tempo
e do espaço, até onde eu sei, é uma
ideia mais moderna, inclusive ela não é
uma ideia muito antiga e ela não aparece
claramente no texto bíblico, tanto que
ela ela é uma ela é uma discussão, né?
Eu gosto da ideia de que Deus se
reduziu, se esvaziou e entrou na
história junto do ser humano.
Ele não tá vendo de fora, como alguns
falam. Ele entrou na história, ele
entrou no tempo, ele se ele criou o
tempo para se limitar e se eh e se
relacionar com criaturas temporais, como
nós somos.
Mas posso dar errado também.
Aí o gnóstico cristão coloca aqui:
"Elohims é igual deuses é igual
divindades."
Sim, o que pode ser confuso porque a
palavra Elohim
a gente usa esse que acontece, né? Eh,
a palavra serafins, por exemplo, no
plural,
ela estaria gramaticalmente errada,
porque a palavra plural de seraf no
hebraico é serafim. Um seraf, muitos
serafim.
O im é o plural masculino no hebraico.
Então, quando a gente fala Elohim, a
gente já tá falando de um plural. Eu não
vou comentar isso de novo aqui. A gente
já comentou um tempo atrás em outro
lugar, mas a expressão Elohim na Bíblia
é usada para pro Deus bíblico e ela é
assim a grosso modo, ela é uma palavra
no plural. Então, a gente poderia dizer
que o Deus bíblico, na verdade, são
vários deuses, não, porque existe toda
uma incongruência gramatical, uma
esquisitice gramatical, porque apesar da
palavra ter uma forma plural,
todos os adjetivos, todos os verbos,
tudo ligado a essa palavra, os
substantivos estão no singular.
Então, quando Elohim aparece com essa
incongruência gramatical, ela tá se
referindo a Deus. O Deus.
único, o Deus bíblico,
quando ela não tem essa incongruência,
quando ela tá concordando em número com
o verbo e no plural, então ele tá
falando de muitos deuses, que é, por
exemplo, lá o mandamento que aparece em
Gênesis 20, em Êxodo 20, que é: "Não
terás outros deuses diante de mim, Loiá,
Elohim aerim, outros deuses, né? Eh, e
aí ele tá falando de outros deuses, não
tá falando do Deus bíblico. E o Deus
bíblico aparece no dos 10 mandamentos
com a mesma expressão Elohim. Então
vocês vem que tem uma confusão aí como
se diferencia quando ele tá falando de
Deus ou de outros deus assim do que ele
usa a mesma palavra no plural. Deus no
texto bíblico, todos os pronomes, todos
os os eh todos os verbos, todos os
adjetivos estão sempre no singular,
enquanto os outros deuses estão no
plural. com uma ou outra exceção
curiosas que aparecem aí no texto, que
não é o não vou me estender muito nisso
agora.
Aí a Lilian comenta que a pessoa se
autocensura tanto que vira alguém
infeliz e amargo. Vamos comemorar Natal,
festa junina, aniversário. Exato. Exato.
A não ser que essa festa, essas
festividades em si, sejam na sua forma
uma
manifestação
de submissão uma uma outra entidade
divina que não seja Deus, né? Mas essas
festas que a gente tem, nenhuma é na
forma em si. Por exemplo, eu não vou
entrar em um templo pagão e me curvar ao
Deus pagão e adorar esse Deus pagão.
Falou: "Ah, isso aqui não não quer dizer
nada não. Dentro desse contexto quer
dizer essas coisas, a forma dessas
coisas tá fazendo em si tem esse
significado."
Mas quando você tira isso desse
significado, isso não tem poder nenhum,
né?
Eh, tenho tanto ros de gente que na hora
do parabéns muda a música e começa com
louvor. Af, na minha festa não. É,
acontece isso também, né? Eu até
entendo.
Eu eu vou até passar um pano aqui,
Lilian. Não que eu ache legal, eu também
acho pelo menos cafona, mas eu entendo
que as pessoas querem manifestar nessa
nessa canção tradicional
a fé delas. Então, tudo bem, né? Eu acho
que não combina. Eu acho meio meio
brega, mas mas tudo bem também, né? Cada
um faz o que quer. Eh,
aí o gnóstico cristão coloca aqui, pode
até ser psicológico, mas é uma dimensão
da nossa realidade e ninguém está livre
disso nas suas somatizações. Acho que
ele tá falando aqui desses rituais, né?
Carnes sacrificadas a ídolos é igual
Daniel e Paulo estão diante do mesmo
contexto.
Então, Oziel, aí a gente entra numa
questão difícil mesmo.
Daniel
colocou uma risca e falou: "Ó, eu não
vou passar daqui. Não vou comer essa e
da mesa do rei, essa comida da mesa do
rei que tem uma conotação
pagã. Eu vou me abster disso. Se
precisar morrer, eu morro. Mas isso,
essa linha eu não cruzo. Ao mesmo tempo,
esse mesmo Daniel
lá no capítulo um, ele tá participando,
na verdade de um grande concurso de quem
conhece mais o paganismo.
Porque o que que tá acontecendo naquele
contexto? Ele tá estudando as culturas,
as religiões dos caldeus. E o cara que
mais manjasse ali da cultura dos caldeus
ia ser aquele que ia frequentar a corte
do rei. Então não é que Daniel fala:
"Não, eu não vou abrir mão de nada. Eu
estou preso nessa redoma e não posso
colocar o pé para fora porque senão vou
ser pego pelo paganismo". Não, eles de
certa forma é como se ele tivesse tão
imerso já naquela cultura pagã que ele
fala: "Não, pelo menos isso, pelo menos
a comida, eu vou eu vou eu vou ser
intransigente".
Nesse aspecto aqui, eu vou ser
intransigente, eu quero manter ele.
Então, às vezes a gente tem essa ideia
daquele Daniel que nunca cede por nada,
mas não, ele tava lá estudando as
culturas dos caldeus, coisas que a gente
na de igreja ia ficar escandalizado e
arrepiar os cabelos. Nossa, ele tá lá
sentado lendo um livro que tá falando de
como Marduk criou o mundo e tal. É, ele
fez isso, ele fez e era muito bom nisso.
Ele sabia contar a história dos deuses
provavelmente lá e tal, porque é nisso
que ele foi testado,
né? Ele não não ele não era um cara que
tinha medo do paganismo do jeito que às
vezes a gente tem hoje. Ele só
estabeleceu esse limite dentro lá do
contexto dele.
E aí, onde eu volto aqui, tá?
Eh,
nossa, perdi aqui. Onde que eu tava essa
mensagem? Achei a mensagem 12 aqui.
Aí a Lilian põe: "Entrou uma Cersei na
vida dele. Sansão era o era o o Jaime.
É,
tem essas Não sei se eu consigo fazer
uma uma relação direta, mas é mais ou
menos como se fosse isso, né? É mais ou
menos como se fosse isso. Eh, há algum
tempo, a produção cultural ocidental
rebelde contra tudo que possui algum
traço de cristinismo tem cada vez mais
se aproximado de outras formas de
religiosidade, a exemplo do
neopaganismo,
religiões, religiões orientais e assim
por diante. Nesse sentido, vejo um
patente enfraquecimento da identidade,
algo que dá oportunidade ao islamismo
vir de Europa.
Nesse contexto, grande parte do
entretenimento, além de ridicularizar o
Deus judaico cristão, coloca a magia no
centro da discussão, atingindo mentes
fracas. Diz aqui o flagis 07. Olha, eu
não discordo totalmente no sentido que
realmente a gente vive em uma sociedade.
Esse é o é o grande desafio de quem é
cristão nesse mundo. Nós não vivemos em
um mundo pagão
e a gente não vive num mundo
ateu neutro. A gente tá caminhando para
uma sociedade cada vez mais pós-cristã.
Então é, existe uma coisa que é natural,
um movimento pendular na sociedade.
Era uma sociedade muito religiosa, muito
cristã e tá deixando de ser cada vez
mais cristã.
E com isso vem um certo ranço do
cristianismo. Isso acontece mesmo.
Existe, eu não discordo de você, eu acho
que as pessoas que não são religiosas,
elas têm um certo ranço do cristianismo
e às vezes uma exaltação de outras
religiosidades.
E não é totalmente sem motivo também,
viu? Porque o cristianismo ainda hoje
pisa muito na bola também.
Então, eh, quando eu digo o
cristianismo, eu tô falando de alguns
cristãos mais fanáticos, alguns cristãos
que,
na minha opinião, não estão seguindo os
ensinamentos de Cristo, estão seguindo
essa religiosidade proforme e querendo
impor a todo mundo. Eh, e isso cria um
ranço das pessoas mesmo, né? Cria um
ranço nas pessoas.
E a gente tem nessa situação difícil,
porque as pessoas não estão só deixando
de ser religiosas e se tornando neutras
a religiosidade, mas elas estão se
deixando de ser cristãs e se tornando
avessas ao cristianismo.
E essa é a é o desafio de de você viver
em um mundo pós-cristão. Como falar de
Jesus quando o som da palavra Jesus na
mente das pessoas já se refere a um
monte de coisas. Você não tá falando de
uma ideia nova, mas você tá falando de
uma ideia velha, entre aspas, entende? É
uma ideia que as pessoas não é que elas
não são cristãs porque nunca ouviram
falar de Jesus. Elas não são cristãs
porque a família toda dela era cristã e
ela era cristã até a adolescência e a
vida dela na igreja às vezes para ela
foi um inferno e ela nunca mais quer
ouvir falar de cristianismo.
É uma situação muito diferente, muito
mais complicada.
muito mais complicado. Como quebrar esse
ranço que as pessoas têm com
cristianismo? Essa é uma pergunta muito
difícil. Eu gostaria muito de saber a
resposta
porque eu entendo até certo ponto, sim,
um ranço dessas pessoas existem. Como
existe muito cristão ainda dentro do
nosso contexto no Brasil existe muito
cristão sem noção
e existe muito cristão que não faz a
menor ideia do que que é cristianismo
também.
Eh, e essas pessoas vão queimar o filme,
entre aspas, do cristianismo.
Elas vão fazer com que as pessoas tenham
essa versão mesmo, né? E eu gostaria de
conseguir mostrar um cristianismo
diferente. Gostaria de mostrar, tudo
bem, você não quer ser cristão. Ninguém
pode obrigar nenhuma pessoa a seguir
nenhuma fé nem nada. Mas eu gostaria
pelo menos que você entendesse
que o que você pensa quando você ouve a
palavra cristianismo não é
necessariamente o que eu penso quando eu
ouço a palavra cristianismo. Eu não tô
seguindo essa religião que você tem esse
asco, essa religião que você tem esses
traumas, que essa religião que você já
tem essa história complicada. Eu sigo
uma religião diferente, com o mesmo
nome, com o mesmo nome, mas que a
essência dela é diferente desse outro
cristianismo esquisito, tosco que tem
por aí. Como fazer isso? Como fazer,
como passar essa mensagem para as
pessoas? É difícil demais. É difícil. Eu
gostaria de saber.
É muito mais difícil você quebrar uma
ideia negativa que se formou
do que trazer uma ideia nova onde não
existia nada antes. Quando uma coisa é
novidade, é muito mais fácil as pessoas
verem ela de uma forma positiva do que
quando uma coisa já tá desgastada,
quando uma ideia já tá desgastada,
né? eh,
eh, as pessoas que eu conheci,
a experiência própria, é, é experiência
anedótica,
evidência anedótica, né? Não, não, não
sei se isso é o olhando pra sociedade é
isso que acontece, mas a, na minha
experiência pessoal, as pessoas que eu
conheci que tinham mais aversão ao
cristianismo,
que queriam mais
se vestir
e falar e usar elementos
que estão culturalmente relacionados com
o oposto do cristianismo.
As pessoas que eu conheci que queriam
mais se identificar como tudo que é o
mais oposto possível do cristianismo.
Eu tenho aqui uns dois ou três exemplos
aqui pipocando na minha cabeça. São
pessoas que tiveram histórias muito
complicadas com cristianismo, que já
foram cristãs
e que quando saíram do cristianismo,
elas
nunca mais vão conseguir retornar,
porque elas saíram com uma mente assim:
"Olha, o cristianismo fez mal para mim e
o cristianismo é isso". E eu sei porque
eu já tive a experiência e aquilo tá
fechado. Então, nessas mentes é muito
difícil você quebrar essa ideia, muito
difícil.
E tem cada vez mais pessoas com a mente
nesse nessa situação hoje em dia, né? As
pessoas que sofrem mesmo, porque as
igrejas erram mesmo com as pessoas, né?
Os cristãos erram com as pessoas. E o,
eu acho que é por isso que Jesus fala,
tem uma fala de Jesus que tem muito a
ver com isso, que ele fala:
"Era melhor que você amarrasse uma pedra
no seus no seu pescoço e jogasse ela no
mar do que você fizesse tropeçar um
desses meus pequeninos, né? e fazer
tropeçar. Aqui a expressão que é
tropeçar, que é a expressão escândalos,
que às vezes aparece como escandalizar
no texto bíblico, não é só fazer a
pessoa ficar chocada, mas é fazer a
pessoa se desviar do caminho. Quando
você é um motivo de escândalo, motivo de
alguém tropeçar e cair, se desviar do
caminho, você tem uma culpa muito grande
em cima de você, porque aquela pessoa
muito dificilmente vai retornar para
esse caminho,
entende? Eh, eu eu entendo dessa forma,
pelo menos a minha experiência pessoal
me leva a pensar assim,
muito difícil.
Tudo em nossa vida é predestinado por
Deus. Por exemplo, o dia de morrer, diz
a Roselie Parreira. Olha que pergunta
interessante.
Difícil isso. Eh, existem pessoas que
vão dizer que sim.
Existem textos bíblicos que parecem
dizer que sim, mas eu acho que não,
porque também existem textos bíblicos
que parecem dizer que não.
Eu acredito que Deus criou o mundo. É
mais ou menos como a gente estava
falando da natureza. Deus criou um
mecanismo e deixa o mecanismo funcionar
por si próprio.
Deus criou seres autônomos, moralmente
autônomos. Eu gosto dessa expressão
porque ela descreve bem essa condição da
humanidade de acordo com o o que a
Bíblia descreve como Deus criou o ser
humano. Nós somos seres que podem
escolher o bem ou o mal. Somos
moralmente autônomos. Inclusive, a a
ideia de bem e mal, nós podemos criar
ela dentro da nossa cabeça.
Eh, e Deus deu para essa para esses
seres moralmente autônomos o poder de
decidir sobre a vida deles.
E isso é um sistema absurdamente
complexo.
Como Deus conhece todas as
possibilidades, Deus entende o que tá
acontecendo e sabe onde vai parar.
Mas Deus não tá decidindo por você. Ele
sabe quais são as todas as
possibilidades e ele sabe o que tá
dentro da sua cabeça. Então, por isso
ele sabe o que que você vai fazer. É a
minha forma de ver, viu? Eu não tô
impondo isso não. E eu sei que existem
boas boas refutações a isso, mas dentro
do da complexidade que é a vida, é, você
acha uma boa explicação razoável. Então,
eh, Deus colocou esses seres moralmente
autônomos em um mundo que funciona
também de forma autônoma, segundo
seguindo regras que ele estabeleceu.
Mas quando
é a ideia de que não existe uma folha de
árvore que cai sem o consentimento
divino, para mim faz muito mais sentido
pensando que Deus estabeleceu as regras
que fazem com que a natureza funcione
desse jeito do que Deus tá
intencionalmente fazendo essa folha cair
agora dessa árvore, entende?
E eu penso dessa forma, pelo menos, né?
Eh, cadê a pessoa Roseli que perguntou?
Então eu não acho que essa predestinação
acontece desse jeito. Inclusive a
palavra predestinação é uma palavra de
de uma grande disputa teológica. Aí a
gente tem duas linhas de de teologia,
né? O calvinismo e armenianismo. O
calvinismo entende que Deus predestinou
inclusive a salvação das pessoas. Ele já
conhece. Eh, mas é você que acaba
decidindo, mas você já está de certa
forma predestinado, porque Deus já
conhece, já te estabeleceu para perdição
ou para salvação, porque ele é soberano,
está acima de tudo. Desculpa aí se tem
algum calvinista eh vendo a live e acha
que eu tô descrevendo de uma forma
totalmente errada e desonesta. Eu não
sou calvinista. Eu não entendo muito bem
a forma como se dá esse pensamento
calvinista. Eu sou mais muito, tô muito
mais pro Arminiano.
Embora eu acho, acho que o livre
arbítrio em si é um conceito mais
complicado do que parece, né?
Mas eh, voltando a a à resposta ali da
Roselie, mas eu entendo que não, que
Deus estabeleceu essas normas, Deus deu
um empurrão inicial e colocou no caminho
e agora as coisas andam por si próprias.
E ele pode interferir quando ele quiser
também, né? Deus estabeleceu as leis da
natureza, mas eu acredito que Deus pode
fazer milagres também. ele pode, a
qualquer momento, ele pode suspender
essas leis, como a gente vê muitas vezes
no texto bíblico. Então essa
essa ideia é é o jeito que eu penso, né?
As coisas estão funcionando. Existe um
mecanismo funcionando, estabelecido por
Deus. ele pode interferir, ele interfere
de vez em quando, mas não
necessariamente tudo é uma expressão
direta da vontade eh divina, de uma
deliberação divina, certo?
E vai ter discussões sobre isso.
Ali não comenta aqui para mim, a pessoa
não quer manifestar a fé. A pessoa quer
se exibir como só como se só ele fosse
de Deus a mais fervorosa. Tem isso
também, Lilian. É uma coisa que o
próprio Jesus também fala lá no no
sermão do monte, né, que existe esse
tipo de religiosidade, gente que quer
no ficar orando alto no meio da praça
e ele já fala: "E esse não é o tipo de
oração que Deus valoriza, é a oração que
você faz sozinho dentro do seu quarto
fechado. É isso que o teu Deus que te vê
em segredo, né, faça a sua oração em
segredo. Deus que tiver em segredo, é
isso que que importa, né? Eh, a mesma
coisa paraas caridades, o que que você
faz de bem pros outros e tal. Eh, que
sua mão direita não saiba o que sua mão
esquerda tá fazendo e tal. olha lá,
tipo, Deus eh, o em relação ao seu
relacion
na perspectiva do seu relacionamento com
Deus, o que importa é o que você faz
longe da do que as pessoas estão vendo.
Então, aí eu me pergunto, como é a
religiosidade dessas pessoas que estão
no meio das praças querendo mostrar que
são muito religiosos? Como é a
religiosidade dessas pessoas quando elas
estão trancadas no quarto e ninguém tá
vendo? Eu tenho minhas, eu não colocaria
a mão no fogo, eu diria isso, certo?
Porque Jesus já alertou contra isso.
Lembro que nos que tempos atrás tinha os
Vamos lá, a pergunta do Eduardo Ramos.
Lembro que há tempos atrás tinha os
neoateus como Dawkins. Hoje a influência
deles diminuir, me parece que a religião
e figuras religiosas ganharam destaque
até na política. Pois é, Eduardo. Pois
é. Eu lembro dessa época, até comentei
um tempo atrás, o que eu tava falando
hoje na live e na na outra há duas lives
atrás é uma resposta a um vídeo de um
dessa época do YouTube, um vídeo que eu
nunca gravei, eh, que tinha um vídeo lá
de um ateu falando sobre a religião
bíblica. Ela é só mais uma religião, não
tem diferença das religiões e
politeistas.
E
nessa época eu lembro que eu tinha até
um pouco de medo. Eu falava: "Poxa, por
que ninguém na igreja tá falando disso?
Ninguém tá percebendo que o mundo vai
virar ateu?" É a impressão que a gente
tinha olhando pra internet, né? A gente
olhava pra internet e falava: "Nossa,
todo mundo é ateu os ateus estão
ganhando o debate público
e algumas figuras até hoje ainda tão aí.
Por exemplo, o o Pirula, né, que é um
cara que eu gosto muito inclusive da dos
vídeos dele de ciência e tal.
Eh, claro, apesar de discordar muito
dele, do do no ponto de vista religioso,
ele é ateu,
hoje ele hoje ele nem é muito militante,
ele quase não fala sobre o assunto, mas
ele começou na internet falando
principalmente sobre isso, né?
Eh, e essa época era muito forte essa
essa militância ateísta, principalmente
no YouTube, acho que lá pros idos de
2010 por aí, né? uns 15 anos atrás.
E
às vezes a a impressão das coisas na
internet se mostra falsa.
Eu achava que existia uma população
imensa de ateus se multiplicando e
quando viesse o próximo senso, a gente
ia tomar um imenso de um susto. Todo
mundo virou ateu. Mas era uma impressão
que a gente tinha por causa da internet.
A internet ela causa essas distorções. E
a distorção hoje acontece no sentido
oposto. Parece que todo mundo é cristão,
que o cristianismo manda em tudo. E não
é bem assim, não.
O senso mostrou esse último senso,
inclusive que eh quanto é que a gente
tem de evangélicos hoje no Brasil? 25,
30%
1/3 da população do Brasil é evangélica,
que é um número grande, mas pensa que
esse um esse 1/3 é todo tipo de
evangélico.
E esses evangélicos que são mais
fanáticos, esses evangélicos que
misturam a religião com política, esses
evangélicos que querem que todo mundo
siga, eh, que que querem impor uma lei,
inclusive brasileira, baseada na
religião evangélica e tal, eh são
minoria dentro desses 30% que já são
minoria dentro da população em geral.
Então, assim,
a internet ela distorce muito a nossa
percepção sobre as coisas.
Às vezes a gente tem a impressão que uma
pauta virou a pauta do país e não é bem
assim, né? Eu estou acalmando os meus
ânimos em relação, por exemplo, à
disputa política.
Eh, existe um conceito de de guerra
cultural
e eu acho que isso existe no Brasil, mas
a percepção que eu tenho hoje é mais
amena do que eu tinha há um tempo atrás,
que eu tô percebendo que eu tava muito
influenciado pela discussão na internet,
que é a ideia de que
existem duas populações no Brasil com
duas maneiras totalmente diferentes de
ver o mundo,
com duas com com com duas
eh eh moralidades diferentes, com duas
opiniões diferentes sobre todos os
aspectos da vida e que são
inconciliáveis
e que isso tá rasgando o país no meio e
daqui a pouco só vai ter esquerda e
direita e tudo vai ser questão de de
esquerda e direita. Nossa, você tá
usando um celular com a capinha preta,
então você é de direita, hein? Ah, não,
você tá bebendo uma garrafa que é
metálica por dentro. Ah, então você é de
esquerda e tal. Existe isso, mas isso eu
tô percebendo que é menos do que parece,
porque eu fico muito influenciado pela
internet. No mundo real, as pessoas são
menos extremistas, menos fanáticas em
relação a à ideologia política do que
parece na internet. Então eu acho que
também os evangélicos não são tão
tão fortes
quanto eles são estridentes,
principalmente na internet.
Acho que no mundo real as coisas não se
dão assim.
Eh,
espero eu também, porque eu não faço
parte desse tipo de de religiosidade,
não. Vocês já devem saber, né? Quem me
acompanha aqui, eu não vou muito para
essa linha não. E eu não gosto, eu tenho
horror. Eu tenho a versão completa, a
mistura de religião e e política.
Embora tenha uma discussão boa aí, né? O
um país laico não é um país ateu. Existe
uma diferença entre laicidade de estado
e estado ateu. Então o estado laico pode
ser um um estado laico em um país que é
extremamente religioso.
Uma coisa não interfere na outra.
Eh, mas aí muita gente também que que
defende estado laico não entende
exatamente o conceito de laicidade.
Eh, e fica tudo uma bagunça, né? Talvez
mais para frente a gente discuta essas
questões aí. Eu acho interessantes
também.
A Lilian comenta aqui: "Tem um fenômeno
de vários evangélicos voltando ao
catolicismo. Fiquei surpresa. É verdade,
tá acontecendo sim também. Eu acho que é
um pouco desse efeito rebote, desse
efeito pêndulo
de umas décadas atrás, muita gente saiu
do catolicismo, foi pro protestantismo e
de repente algumas pessoas estão vendo
que o protestantismo
não atende as necessidades
espirituais dela, delas como elas
achavam, né? Talvez a gente tenha um
pêndulo voltando aí, né?
Eh,
a Lino até comenta aqui de uma live
sobre livre arbítrio. Eh,
é um bom tema de live. Eu eu dou uma
fugida disso, sabe por quê? Porque eu
sei que o livre arbítrio é um tema,
Santo Agostinho fala muito disso, tem
coisas, tem pensadores clássicos ali que
são pensadores cristãos que falam disso
e tal. E eu sei que se eu for mexer
nisso, eu vou ter que dar uma estudada
pelo menos sobre o que que esses caras
falam, não necessariamente ler os
livros. E é um assunto que eu eu não li
muito sobre o assunto. Então eu tô
fugindo do tema porque eu vou ter que me
eu não vou conseguir falar do assunto se
eu não souber pelo menos os o pensamento
mais geral sobre aí sobre eh as questões
filosóficas que que são colocadas aí em
relação ao livre arbítrio. Tenho a minha
opinião própria, que é mais bíblica em
relação ao livre arbítrio, mas eu vou
ter que dar uma estudada aí para saber
qual que é a as questões filosóficas em
relação ao assunto, né? Aí eu dou uma
fugida porque eu vou ter que ler
bastante. [risadas]
Aí o gnóstico cristão coloca: "Meu
pensamento é parecido. Os deuses são um
um conceito de mediação com um absoluto
incognocível.
É uma mediação. É,
eu não sei se eu entendi exatamente o
que você quis dizer, mas talvez essa
ideia do próprio CFM que a gente estava
falando de existir um reino metadivino,
né? Então os deuses eles não são as
entidades absolutas, mas elas obedecem
essas regras que foram impostas
anteriores a eles e das quais eles
também são derivados, né? Eles são seres
poderosos vivendo num mundo de regras.
É mais ou menos essa a ideia. Ou seja,
existe um absoluto que tá mais lá paraa
frente, eles são
mediadores. É mais ou menos isso.
Aí o pessoal tava comentando aqui por eh
por que você rejeita a hipótese da
depravação total quando diz que o ser
humano é livre?
Olha, Lobo Luiz, eu vou também vou dar
uma fugida dessa pergunta aí. Eu vou ter
que dar uma estudadinha sobre isso para
falar disso com um pouco mais de de
propriedade.
Eu faço uma ideia sobre o assunto, mas
eu eu não não quero falar e ficar
registrado aqui em live, eu falar alguma
bobagem muito grande, entendeu? Então eu
vou dar uma estudada antes sobre o
assunto.
Como você interpreta o evento da
feiticeira de Endor? Os espíritos dos
mortos, na verdade são manifestações
demoníacas. Olha, essa é uma pergunta
sobre a Bíblia que é uma que tem uma sua
importância e eu não sei responder.
Eu não sei
porque
a resposta de que a feiticeira de
Indoor, ela na verdade, para quem não
conhece a história, só explicar aqui
rapidinho, Samuel eh
já tinha morrido, Saul queria muito
eh eh
ele queria muito falar com Samuel, ele
queria muito ouvir da sabedoria de
Samuel. E aí ele faz uma coisa que era
proibida no antigo Israel, que é
proibido dentro do do da religiosidade
bíblica, que é você consultar um um
feiticeiro que que fala com os mortos.
Então ele vai nessa feiticeira e essa
feiticeira incorpora o espírito Samuel e
Samuel fala com ele e tal.
Qual que é o problema? Isso não se
encaixa
na visão que que a que a Bíblia coloca
sobre a morte, que é que é o que eu
entendo, né? Eu sou adventista. também
de que quem está morto está num estado
de inconsciência. Ele não tá ele não tá
vivo em outro em outro plano e que ele
pode ser trazido para esse plano. Não.
Quem está morto está dormindo, está
inconsciente, não sabe de nada. Os
mortos não sabem de nada, né? como diz
lá em Eclesiastes.
Eh, eu entendo assim, por outro lado, eu
entendo que a Bíblia não é um livro tão
simples assim, que existem passagens que
parecem querer dizer
que não é bem assim.
E aí, como eu decido o que que eu
acredito? Eu vejo primeiro e eh é mais
fácil
eu acreditar que os mortos estão
dormindo e entender que tem alguns
textos que são complicados ou é mais
fácil eu aceitar o que parece querer
dizer esses textos que são complicados.
Então não, os mortos estão por aí
vagando e tal a mente deles ou o corpo
tá dormindo, mas eles estão vagando e
tal a consciência deles. E aí eu vou ter
que explicar uma outra montanha de
textos bíblicos que que é claramente
contra essa ideia, entende?
Então eu olhando pro texto bíblico como
um todo, eu acho mais fácil acreditar
que os mortos não estão vivos. que os
mortos não estão vivos, que os mortos
não estão conscientes, que a que a mente
deles não está vagando em um outro
plano, que eles estão dormindo, eles
estão inconscientes, eles estão mortos
para todos os efeitos.
É mais fácil acreditar eh isso nisso,
olhando pra Bíblia como um todo, apesar
de terem textos que são difíceis, né? Se
eu acreditasse a outra crença, eu ia ter
que explicar muito mais texto. E que
tentar distorcer muito mais o texto
bíblico para acabar. Então, existem
questões na Bíblia que são difíceis
porque existem textos que parecem ser
contraditórios. precisaria estudar com
muita profundidade, com profundidade
cada um deles. Um texto que é
complicado, para minha visão sobre o o
pós pós-vida é esse texto da feiticeira
Jorp. Porque para mim no texto bíblico
não parece que o que tá acontecendo ali,
que é o que a explicação que normalmente
dão, é que um demônio que na verdade
estava possuindo aquela feiticeira, o
texto para mim parece ser construído de
um jeito que é o próprio Samuel mesmo
falando ali. Então como explica isso?
Não sei. Teria que estudar mais esse
texto para entender melhor.
Não é uma boa resposta, né? Porque
não é uma resposta,
n? Mas eu não posso não admitir que
existem textos muito difíceis
eh para minha forma de entender a
Bíblia. E se eu entendesse de outra
forma também existe outros muitos textos
difíceis para se adequar aquela outra
forma, entendeu? É, não sei se ficou
claro o que que eu tô falando aqui.
Ah, Nels coloca que é bíblico. Eu sou
absolutamente calvinista. É, então tem
que eu tava falando, tem, não sei se tem
calvinistas aqui ouvindo e eu não sei se
eu fui eh se eu fui
honesto, foi honesto, não, se eu fui
justo em relação ao que que o o
calvinismo entende, né? Essa é uma
discussão que eu nem sou tão dentro
dela, viu? Calminismo, calvinismo versus
armenianismo. Eu não tô assim tão
inteirado. Esse é o tipo de discussão
que não me atrai tanto assim, sabe?
eh parece muito muito
muito doutrinária,
muito dogmática,
eh embora talvez essas visões de da
Bíblia se essas teologias assim podem
ser interessantes, eh, fora desse embate
aí, né? Aí o Neusil vai colocar o
Neusil, a Neusil, eu não lembro, essa
pessoa já até me falou se é o Neusil ou
acho que é anel, não é?
Eh, os salvos já foram salvos desde o
princípio. Se o seu nome foi escrito,
foi. Mas isso não tem nada a ver com a
sua atuação no mundo. Você vai agir no
mundo, etc. Eh, você não sabe se
realmente vai se salvar. Deus sempre
soube. O que explica tudo é o conceito
de eternidade. Eternidade não é o tempo
sem fim. Eternidade é a ausência de
tempo. Tudo que foi, é, vai ser. É. Aí
está a unisciência de Deus. E Deus
sempre soube de tudo. Estamos salvos e
nossos nomes estão escritos no livro da
Bíblia desde o princípio que os nomes
não estão não entrarão. É o que diz
Isaías. Eu sei eh o fim desde o
princípio. A gente atua no mundo com o
nosso livre arbítrio. O que vai dar
exatamente no resultado final, Deus já
conhece.
Então é isso, gente. O calvinista, o
calvinismo por uma pessoa que é
calvinista, não eu tentando explicar o
calvinismo.
Porque você não é a favor do estado
teocrático versus o laico em juízes?
Eh, Deus não deve ser o rei. O estado
permitir não incentiva a apostasia.
Aparentemente hoje é isso. Diz aqui o
lobo Luiz.
Porque eu não sou a favor do estado
teocrático versus o estado laico?
como acontecia, por exemplo, no antigo
Israel, porque não existe uma
instituição que eu confie que seja o
intermediário entre Deus e o homem. No
antigo Israel, você tinha os sacerdotes
que consultavam diretamente a Deus pela
Urim e Tumim.
O líder do povo era Moisés, que falava
face a face com Deus.
Como eh eu não acredito nem na minha eu
não acredito que a minha igreja, a
igreja que eu pertenço, é uma
instituição que fala em nome de Deus na
terra. Eu não acredito nisso, mas não
acredito que haja uma instituição com
essa prerrogativa mais hoje.
Então, num estado teocrático, quem é que
decide
o que deve ser e o que não deve ser de
acordo com a vontade de Deus? Para mim,
essa é a grande incoerência do da
teocracia hoje.
A não ser que você acredita, não sei,
por exemplo, eu acredito que o papa, eh,
eu sou católico, por exemplo, e eu
acredito que o Papa, o que ele fala é a
vontade de Deus. Então, eu acredito que
o Papa pode ser o rei e ele decide,
porque tudo que ele vai decidir é
necessariamente a vontade de Deus, OK?
Mas você entende que aí você tem que ser
católico e você tem que ter essa visão
específica sobre o Papa.
Eh, eu eu sou muito religioso, mas eu
não acredito em uma figura humana que
representa a vontade de Deus na Terra.
Então não, essa sobreposição entre poder
político e religioso,
ela acaba sendo falha, porque se o
sujeito é um é um poder político, só que
ele age também de forma religiosa, ele
age de acordo com conceitos religiosos,
e se eu discordar desse conceito
religioso, essa é uma questão, né?
Liberdade
religiosa
e estado laico são exatamente a mesma
coisa, porque um estado teocrático é o
estado teocrático de qual religião?
Ah, de cristianismo. Mas qual o
cristianismo?
Quando esse estado teocrático tomar uma
decisão, por exemplo, sobre
o como você deve se referir a Maria,
eu que não sou católico, eu posso
discordar desse estado teocrático. E aí,
que que vai acontecer comigo? Estou
sendo contra a vontade de Deus ou estou
sendo contra a vontade do estado? Você
vê como começa a ficar complicado essas
coisas.
Estado teocrático adventista.
Aí é o adventismo que manda nele. Mas
mesmo dentro do adventismo, eu posso
discordar de uma coisa ou outra que um
líder ou outro adventista fala. Os
próprios líderes podem discordar de
detalhes de coisas. E como isso fica
politicamente?
Quem é que manda?
E se um sujeito que tá abaixo de o outro
numa hierarquia política,
ele ele declara que ele na verdade está
de acordo com a vontade de Deus e aquele
que tá lá em cima não está. O que
acontece com essa hierarquia? Ela vai
ser revertida?
É muito, um estado teocrático, ele não
para em pé, entende? Ele não para em pé
a não ser que
toda a população reconheça o mesmo líder
como uma voz inquestionável.
daquele que fala o que é a vontade do
próprio Deus eterno e soberano, saindo
da boca desse desse ser humano.
E é por isso que eu sou absolutamente
contra, porque eu não acredito nisso. Eu
acho isso uma heresia imensa.
O estado teocrato só funciona se você
tiver uma massa de pessoas que têm essa
crença em relação à mesma figura
política ou a mesma a mesma estrutura
política. Eh, eu não não
quando o Estado é teocrático, se eu
questiono a autoridade política, eu
estou questionando a Deus, entende? Eu
tô questionando uma um uma uma
autoridade religiosa e não só uma
autoridade política. E se eu não puder
mais xingar político, o que que eu vou
fazer da minha vida? [risadas]
Se a gente pode mais falar mal de
político, acabou. E esse essa é uma
consequência direta de um estado
teocrático. Você não pode falar mal de
um político porque vão vir ursas e vão
matar 42 crianças. Entendeu a
referência? Porque eu estou falando mal
de um homem de Deus e não estou falando
mal de uma autoridade que deveria servir
ao povo e seguir as leis da da
Constituição.
Essa essa questão torna a ideia da da
teocracia muito frágil, muito frágil.
Qual é a teologia?
É teocracia em nome de quais
características divinas? Quando houverem
discordâncias
religiosas, quem é que tá certo, quem tá
errado? Quem vai decidir quem tá certo e
quem tá errado? Eh, não não tem como
funcionar. E o pior é que é o seguinte,
de certa forma, eu entendo que eu não
vou colocar isso na na nas costas dos
ateus, mas se eu fosse ateu, eu pensaria
assim, pelo menos, né? Você só entra
nesse lugar se você se ajoelhar e orar
para Deus. Tá bom, eu sou ateu, eu vou
fingir que eu tô orando aqui e eu entro.
Eu não, eu não teria problema se eu
fosse ateu e das pessoas me obrigarem a
fazer alguma coisa religiosa. Vou falar:
"Eu acho, eu não acredito nisso. Eu vou
só performar aqui o que que eles querem
e pronto.
Não acaba nem sendo ofensivo para mim.
Agora, como eu sou religioso,
se alguém falar que eu devo orar de um
jeito específico ou se eu devo
reconhecer tal pessoa específica como
autoridade religiosa, aí não, meu amigo,
não vou fazer. pode me prender, pode me
bater, porque tem a ver com a minha
crença pessoal, com a minha
religiosidade e eu não vou abrir mão
dela, entende?
Eh, muito difícil, muito difícil. E o
problema é
eh não é só uma questão de ou é
teocrático ou não é. A gente pode ter um
estado laico com problemas problemático.
E a gente pode ter um estado laico que
flerta com com aspectos teocráticos. E
quanto mais a gente se aproxima, cada
passo que a gente dá em direção a esse
caminho, esses problemas já começam a
aparecer, entende?
Então vai sair uma lei que tá baseado
nos princípios cristãos. Tá, mas quais
princípios cristãos? Quem disse que isso
daí é um princípio cristão? E se eu
discordar? E se eu te provar pela Bíblia
que não é? Você vai mudar a lei?
Entende? Essas questões começam ficar
muito complicadas.
Por isso que laicidade e e liberdade
religiosa são a mesma coisa, é o mesmo
conceito.
A o estado laico foi inventado por
pessoas religiosas
para elas poderem exercer a
religiosidade delas de forma livre.
justamente porque quando há um estado
teocrático não existe liberdade
religiosa. A única liberdade religiosa é
de uma cor só, de um tipo de religião
muito específica que vai ter que
pressupor muitas crenças. Se você pisa
fora dessa crença, você já tá fora da
liberdade religiosa. Então, para que a
gente possa cada um acreditar no que
quiser religiosamente, a gente só
estabelece algumas regras que não são
regras teológicas. Eu não não vou
definir o que o outro deve acreditar ou
não. Só vou definir, ó, independente do
que você acredita, você não pode só
fazer isso daqui
nesse contexto. Eh, independente do que
você acredita, você não pode sacrificar
um ser humano. Ah, mas a minha não, não
pode. Nesse país não dá, porque se você
for sacrificar um ser humano, você
começa a interferir no direito do outro
e tal. E você vê que é uma questão, não
é uma questão religiosa, é uma questão
de de organização da sociedade.
Eu,
eh, na minha visão política, eu eu gosto
da ideia de a gente criar um uma
sociedade onde a gente possa o máximo
possível fazer com que as pessoas vivam
as vidas delas de acordo com a
consciência pessoal delas.
Por mais que seja bizarro o que que elas
acreditam e o que elas pensam e a forma
como elas querem viver a vida delas, o
máximo possível que eu consigo conceder
isso, melhor.
O problema é que essas bizarristas que
todos nós acreditamos, elas acabam
inevitavelmente interferindo na
sociedade e na vida de outras pessoas.
Então, o difícil é ajustar isso. Até que
ponto dá para eu tolerar uma crença que
é muito extrema e estranha,
eh, ao ponto que ela começa a interferir
na vida dos outros. Se o cara só
acredita numa coisa muito bizarra e tal,
e ele faz isso, só pensa nisso dentro da
casa dele sozinho, eu, ótimo, maravilha.
Isso não é assunto do Estado, isso não é
assunto da sociedade, é a questão
pessoal dele.
Mas quando é uma teocracia, já não é uma
questão pessoal dele, entende? Aí eu não
consigo dar essa liberdade para as
pessoas acreditarem no que elas querem
acreditar,
porque eu eu tô fundamentando a
organização e a legitimação do poder
nessa sociedade com base em Deus e em
uma visão específica de Deus.
E aí tudo começa a ficar difícil, tudo
começa a ruir.
Eh, deixa eu ver aqui que eu tô vendo
que o pessoal já tá colocando um monte
de coisa aqui sobre isso, né?
Eh,
obrigado pela resposta da teocracia, diz
aqui o lobo Luiz. Eu acho que existe
algum nível ecumênico, mas a história
também mostrou sim que monarquias podem
ser muito perigosas para os cristãos.
Era mais curiosidade.
Eh, o problema que eu vejo é a sua
conclusão, que precisamos de leis
mínimas, como não matar alguém, mas sem
Deus não há o princípio de nada. Toda a
ideia tem algum pressuposto. E se não
for eh a Bíblia, o que é? Então,
eu não acho que necessariamente eh
a gente não é impossível organizar uma
sociedade que não esteja baseada
em Deus. Até porque quando você baseia
ela em Deus, que Deus esse Deus tem
quais características? E aí já começa a
discordância, entende? Então,
sobre questões que a gente não entra em
em
nossa, fugiu a palavra da minha cabeça.
Já tô ficando cansado. Hoje são 10:10.
Eh, já vamos terminar, tá, gente? e
sobre questões que a gente não consegue
concordar,
que é, por exemplo, o que é Deus, como é
Deus, o que que ele, o que que ele
definiu sobre como devemos viver e tal.
Essas questões a gente não concorda.
Então, cada um vive da sua forma, da sua
maneira. E existe uma forma de você
organizar uma sociedade, uma sociedade
boa de se viver, que não esteja baseada
no conceito que que alguma pessoa
particular tem sobre Deus.
que é só a gente definir quais são os
limites que podem interferir uma pessoa
na outra. Inclusive, existem boas
sociedades
de se viver
que tem essa visão laica, eh, uma visão
laica, o estado ele é formado sem partir
do pressuposto de Deus.
Eh, aliás, as melhores, isso, isso na
verdade acaba sendo uma coisa até mais
absoluta, as melhores sociedades de se
viver são as sociedades mais laicas do
possível.
E as piores sociedades de se viver são
sociedades em que há uma mistura muito
grande entre religião e estado. Eh, e eu
tô falando aqui, vamos lá, sociedades
boas de se viver. Em que sentido? Do que
que eu tô falando? Tô falando de países
nórdicos. Eu tô falando de alguns países
asiáticos que conseguiram se organizar
muito bem, tipo Singapura e tal, e que
países ruins de se viver que eu tô
falando. Arábia Saudita, por exemplo.
Eh, então,
e é claro que eu tô falando isso do
ponto de vista de uma pessoa ocidental.
Eu tenho essa visão de mundo, eu sei que
eu tenho essa visão de mundo, que eu
valorizo muito as liberdades
individuais, porque eu sou uma pessoa
ocidental. crescer nesse contexto, né?
Isso é um valor que eu tenho que faz
parte da da da minha da da tradição da
sociedade onde eu vivo. É que óbvio,
quem mora na Arábia Saudita prefere
morar na Arábia Saudita do que no dos
países nórdicos onde tem esses montes de
depravações
ocidentais, né? Eh,
mas eu acho que sim, é, dá pra gente
organizar muito bem uma sociedade boa de
se viver.
sem partir de pressuposto religioso
nenhum,
eh, só através da lógica, né? Como é
possível você fazer uma uma boa ciência
sem partir de pressuposto religioso
nenhum, só a partir da lógica. Eh, a
ciência de se organizar uma sociedade
também é uma ciência. E o ser humano tem
a capacidade de fazer isso através da
lógica. Eu acredito que é uma lógica que
foi dada por Deus, que dá ao ser humano
a capacidade de se organizar em uma boa
sociedade. Eh, outras pessoas vão
acreditar que não é Deus que deu essa
capacidade pro ser humano, né? Mas
entende onde eu quero chegar? Eu aí eu
acho que a gente não vai conseguir
concordar. Eu não concordo com isso, né?
Eu acho que existem boas maneiras de
organizar a sociedade sem partir de um
pressuposto
eh religioso.
Eh, existe toda a ideia de de lei
natural. Até Tomás de Jaquino menciona
bastante, mas vejo que ao longo do tempo
é um castelo de areia sem a Bíblia,
apesar de existirem estados como a China
de mais de 5.000 anos. Ao mesmo tempo,
Emirados Árabes, por exemplo, funciona
muito bem para quem é de lá. Tudo
funciona muito bem na China também
dentro das suas premissas deles, né? Eh,
é, pois é.
Aí o Lobo Luiz termina aqui agradecer
esse assunto. Vai longe. Muito obrigado.
Pois é, é difícil, né? É difícil. Vai
longe. Eh, é, vai longe. E e também tem
muito a ver com as crenças pessoais, né?
Quem é do de um país eh desses que tem
uma uma um vive numa sociedade mais
teocrática,
ele para ele é bom dentro de um contexto
muito específico, se ele não experimenta
outras formas de ver de de viver a vida
em outros países. Isso nem
necessariamente deixando de ser
islâmico, né? Tanto que você tem uma uma
migração muito grande de muçulmanos para
outros países onde a vida é melhor.
Eh, e ainda ainda que esses países sejam
assim muito pouco religiosos, né? Por
exemplo, os países eh os países europeus
que estão tendo até problemas de o que
fazer, problemas dentro, né? Discussões
dentro sobre o que que é esses esses
imigrantes eh muçulmanos. é bom paraa
nossa sociedade ou é ruim? Uma parte vai
dizer que é uma coisa péssima, que eles
têm que ser expulsos. Outra parte vai
dizer que não é boa essa mul, essa
multiculturalidade e fica uma briga
também muito grande, o que que que vai
acontecer e tal, porque essa migração
acontece de forma muito intensa, né?
Então, bom, tem essas questões, o
assunto vai longe mesmo,
a gente não vai conseguir resolver o a
sociedade agora no nessa live. Talvez na
nas próximas a gente resolve. Mas valeu,
gente. Obrigado aí pela conversa. Foi
bacana aí ter vocês aí.
Eh, Neozil coloca aqui: "Verdade, Roney,
quanto menos interferência do estado em
questões religiosas filosóficas, melhor
melhor a sociedade ainda se desenvolve."
Concordo com você. A crença de cada um
deve ser uma escolha pessoal. Eh, e eu
entendo que isso também é uma questão
de crença. Eu acredito que é melhor
assim. E claro que quem vive numa
sociedade onde eh que que tem esse
sistemas também prefere essa sociedade.
Eu eu consigo entender que um muçulmano
quando olha paraas sociedades ocidentais
ele olha e ele deve sentir um um negócio
dentro dele. Eh, assim, nossa, olha como
essas sociedades se depravaram, né? Olha
só, eh, sem lá, onde vai parar a
sociedade. Eu entendo que as pessoas têm
essa essa essa visão, né?
Mas eu sou um ocidental, eu cresci aqui
e para mim essa essa maneira de ver as
coisas faz muito sentido. Mas tá bom,
gente. Valeu. Boa noite para vocês.
10:15 já. A gente se vê aí num próximo,
talvez semana que vem. E aí, deixem aí
na nos comentários, eh, não aqui no no
chat, que o chat é mais difícil de eu
revisitar ele, mas nos comentários de
vídeos, comentários de qualquer vídeo
que tem no canal, pode ser nos
comentários dessa live mesmo, mas nos
comentários e não no chat. eh assuntos
que vocês acham interessantes, que a
gente pode discutir aí mais para frente
em outras eh em outras lives, que aí eu
posso dar uma olhadinha e trazer aqui.
Já vi que tem várias ideias boas aqui.
Eu vou tentar voltar aqui talvez para
esse chat e já colher algumas ideias
aqui com o pessoal. Livre arbítrio eu
sei que é uma, mas eu esse livre
arbítrio eu vou já deixar lá pra frente,
tá bom, gente? Valeu,
um abraço para todo mundo aí e até uma
próxima, talvez semana que vem a gente
se fala aí.

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