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A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 28/11

Davar Live – 28/11

Davar Live – 28/11

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Fala pessoal,
boa noite. Bem-vindos a mais uma
transmissão aí.
Como é que vocês estão?
Vamos entrando aí, vamos conversando.
E é isso. Tô vendo aqui que o Flávio já
tá aí. Boa noite, Flávio.
Vamos dar um minutinho aí pro pessoal ir
entrando, né?
Não sei se tem mais alguém aí para
entrar.
Bom, eh,
e aí, gente, como que vocês estão, hein?
Tudo certo?
Só um segundinho, só vendo uma coisinha
aqui.
Tá.
Então vamos lá.
Boa noite. Boa noite pro Flávio. Boa
noite pro José Lima. Como é que vocês
estão? Tudo bem? Então, gente, eh hoje
na live
eu não tinha nada muito específico para
falar com vocês. Eu separei aqui alguns
temas que a gente pode conversar.
Boa noite aí pro Caio Machado.
Eh, mas eu gostaria de saber também o
que que se de repente vocês têm alguma
coisa que vocês queriam falar. A gente
também não teve nada muito específico aí
durante a semana para
alguma pergunta, alguma questão pra
gente comentar. Então, a gente tá
tranquilo, né? Na última live que a
gente tinha uma coisa para falar, eu
lembro que a gente foi conversando até
que chegou uma hora que falou: "É,
gente, deixa eu só ir pro tema da live".
Porque
porque senão a gente vai ficar aqui só
conversando. Então eu pensei que hoje a
gente podia deixar um pouco mais livre,
sabe? Eh, eu tenho aqui um tema ou outro
que eu posso trazer, mas senão eh a
gente vai conversando. Vamos nós mesmos
aqui, tá bom?
Tô vendo aqui o José já dizendo aqui,
graças a Deus, né? Bem, holy, eh, fico
feliz aí, José, você tá bem?
Bom sábado. Bom sábado pro Kelvin,
o Daniel,
Rio Grande do Sul.
Boa noite aí pro João também.
Então é isso, gente. Só tô confirmando
aqui porque meu computador tava travando
logo antes de eu entrar na live. Então
eu só tô dando uma geral aqui, vendo se
tá tudo bem. Aliás, vocês já puderem dar
um retorno aí, se o som já tiver OK, né?
Se não tiver estourando, não tiver
baixo,
eu acho que está tudo certo, pelo que eu
tô conferindo aqui. Mas vamos ver, né? A
gente fica sabe, computador é aquele
negócio, né?
Era para ser uma coisa mais objetiva,
mas parece um organismo às vezes, né?
Engraçado, né, gente? Eu vou começar
comentando uns temas aqui que me pegam
às vezes durante sem às vezes nem é nada
muito assim o tema do canal, uma coisa
mais religiosa,
mas eu não sei se vocês estão
acompanhando aí como que anda esse
negócio de inteligência artificial,
sabe? Eu vejo
essas coisas e já tá chegando num nível
assim tão absurdo que
eu acho que a gente vai chegar numa era
em que imagens vão deixar de ser
eh de ser confiáveis.
Imagens vão deixar de ser confiáveis,
né? Porque hoje em dia a gente, qualquer
pessoa consegue criar qualquer imagem,
até vídeos, né, que são assim, você olha
o vídeo, você não consegue diferenciar
se é IA ou não. Eu tava até vendo um
vídeo outro dia que tava circulando
muito na internet e tal. É coisa de
política normalmente, que é o que engaja
mais, né? E aí quando eu comecei a
prestar atenção, os carros que estavam
passando na rua não tinham placa, né? E
eu já tava desconfiando que era porque o
conteúdo era muito com cara de bait, né,
que o pessoal fala, era tá muito com
cara de que alguém fez para ganhar
visualização, né?
Eh, então eu acho que a gente tá
chegando nessa era em que imagens
já não vou mais querer dizer mais nada.
Você pode ter imagem de qualquer coisa,
de qualquer pessoa fazendo qualquer
coisa que a gente vai ter que não
acreditar mais.
E aí vai chegar uma hora que imagem não
prova nada,
né? A gente já tá chegando, na verdade
nessa era. Imagem não prova mais nada,
né? Antigamente uma imagem serviria como
prova de alguma coisa. Não vai mais ser.
Eu acredito que não vai mais ser. Olha
aí a Rute aí. Tudo bom, Rut? Nossas
letras e algo mais.
Eh, o Oziel aí no teu trabalho mexe com
Iá ou é tudo na mão mesmo? Então, Oziel,
eu não sei se vocês sabem, eu trabalho
com animação, animação 3D
e
a gente chama de motion design, né, que
é aquela, sabe quando você vê numa
propaganda que tem letras animadas, uns
elementinhos animados, é como se fosse
um design animado, é isso que o pessoal
chama de motion, eh, que faço bastante
também.
E até um tempo atrás, Oziel, era só isso
que eu fazia
e só pensava que talvez ia chegar uma
chegar uma hora que eu ia mexer mais com
IA. E essa hora já chegou, já estou
usando o IA no meu trabalho também.
Então, eu também não sei o que que vai
ser a minha área de trabalho daqui a um
tempo.
Aliás, eh,
falo pouco sobre mim, né, nesse canal,
mas esse é um dos motivos também, porque
eu decidi
fazer uma coisa mais, né, na minha
profissão agora. Eu, na verdade, eu tô
abrindo para outra área, né? Eu tô
fazendo faculdade de psicologia, que não
tem nada a ver com que eu trabalho, né?
Já tô no meio já da da faculdade, então
acabou sendo assim uma alternativa.
Por um tempo vou trabalhar fazendo as
duas coisas, mas possível que chega uma
hora que eu decida qual das duas coisas
eu quero fazer na minha vida e abandone
uma delas, né? Vamos ver se vai ser o
design ou psicologia.
Normalmente as novidades que aparecem na
vida a gente abraça mais, né?
Vamos ver se vai ser esse o caso.
Eu não sei, gente, vocês já viram alguma
coisa de IA que vocês viram? Vocês não
sabiam que era IA. Vocês acreditaram,
talvez até engajaram ali, compartilharam
e depois ficaram sabendo que era IA, que
era inteligência artificial. Eu não sei
se vocês já tiveram essa essa
experiência aí na navegação
de internet de vocês,
mas se não tiveram, vai ter, né? Vai ser
cada vez mais comum isso daí.
É, vai chegar uma hora que a gente não
vai poder mais confiar em mais nada
mesmo. Mais nada.
Gente, eu tava eh pensando aqui umas
coisas. Eh,
sabe uma coisa que eu gosto? Eu
gosto de falar um pouco mais sobre arte
também, arte que tem alguma relação com
religião.
Então, às vezes tem alguma música, algum
quadro, alguma coisa assim que eu acho
que tem alguns insightes interessantes
pra religião.
E talvez esse seja um tema bacana da
gente começar conversando já, inclusive,
é arte e religião,
né? E o José Lima aqui falando: "Só não
abandone o canal, pois é muito bom. Eu
aprendo muito contigo. Que legal, José.
Não pretendo não, não pretendo abandonar
não.
Eh,
aí o pessoal tava aqui falando, né, no
eh, sim, com deep deep fake, né, o
Carlos Muniz. Pois é. Deep fake já é um
negócio que já existe faz um tempo já,
né? Para quem gosta aí de séries, coisas
assim, né? Tem aquela série do
mandaloriano que eu não sei se vocês
sabem essa história, né? E não tem, eu
sei que não tem muito a ver com o tema
do canal, mas só para quebrar o gelo um
pouco. O
tinha naquela série do série do
mandaloriano, tem lá uma temporada que
aparece um personagem da dos filmes
antigos que eles fizeram com computação
gráfica.
E aquele negócio, né? Tem uma coisa que
a gente chama de o vale da estranheza,
que
o Steven Spielberg fez dinossauros
de computação gráfica lá no final dos
anos 90
e foram totalmente
assim e todo mundo acredita, né? Você
olha e você consegue emergir no filme,
você não fica notando defeito naquilo,
né? principalmente na época, talvez hoje
a gente olhe e já consiga perceber que
não é muito real, mas assim, chegou
muito perto do real. Mas o rosto humano
é uma coisa que até hoje ninguém
conseguiu fazer com computação gráfica,
pelo menos a inteligência artificial já
consegue fazer, mas com computação
gráfica gráfica não, né? E por que isso?
E aí tem umas teorias que eu acho
interessantes e uma delas é o rosto
humano, ele já é entranhado assim
profundamente na nossa mente. O rosto
humano é uma coisa que assim tá muito
dentro da nossa mente. Como é um rosto
humano, como ele se move, como ele
deveria se mover.
Então, por isso que é muito difícil
reproduzir um rosto humano com com
computação gráfica, né, 3D e tal. Eh,
e aí é curioso isso, né? Inclusive tem
até uma,
devagando um pouco aqui, né? E o pessoal
chama de vale da estranheza. Quer dizer,
você vai fazendo uma coisa ser realista,
então você faz uma coisa assim
totalmente cartoonesca assim em
computação gráfica, fica legal, todo
mundo gosta e tal e vai se aproximando
do real, mas chega um ponto que quando
você chega perto do real, de repente
fica muito esquisito
e e até você chegar no real real, né?
Então esse essa curva no gráfico que é
essa esse decaimento, o pessoal chama do
vale da estranheza, ou seja, antes de
uma coisa ficar totalmente real, ela
fica esquisita porque ela tá quase real,
você olha e acha estranho, né? Eh, então
tem essas essas coisas, esse é o tal do
vale da estranheza. E como eu tava
falando, é tão entranhado na nossa mente
o o rosto humano que hoje se sabe que
existe um uma parte do seu cérebro que é
dedicada a ler o rosto humano.
Inclusive, se você tem um problema nessa
parte do cérebro e você pode ter um um
tipo de transtorno chamado
prosopagnosia,
que é você não conseguir ler o rosto das
pessoas, né? Então, existem vários tipos
de agnosias que é dificuldade de
interpretar as imagens do teu cérebro
interpretar as imagens. E quando você
tem a prosopagnosia, você não consegue
diferenciar um rosto do outro.
Eh, eu conheço até uma pessoa que tem
esse esse transtorno.
Então, eh, você tem que se atentar a
outros detalhes e tal. os casos mais
severos, inclusive a pessoa não consegue
interpretar as expressões faciais das
pessoas. Então é muito interessante
isso, né? O nosso cérebro tem uma parte
dedicada, fica aqui no lobo temporal,
dedicada para interpretar o rosto
humano, né? Muito louco.
Bom, não sei nem como eu cheguei nesse
assunto, né? Mas eu acho que hoje a
gente vai divagar um pouco mais, né?
Daqui a pouquinho a gente fala sobre
arte e religião. Tem umas coisas bem
legais, tem uns insites interessantes
que a gente pode comentar sobre isso,
né?
Aí o João colocou aqui o canal do
árvoro, ele é jornalista e se enganou
essa semana. Ah, deve ser com Iá, né? Tá
falando, né, João? Vídeo de gato
protegendo criança de urso ou tig e
animais assim. Esses vídeos sempre fazem
a gente se enganar, né? Eh, vou
aproveitar tocou no assunto de arte e
vou divulgar meu Insta. Aqui, peço
licença. Diz aqui o Kelvin Fontes, né?
Kelvo. Quem puder dar uma olhada lá
compartilhando. Eh, porque crio arte de
temas num geral, mais especificamente
arte bíblica religiosa. Ah, que legal,
Kelvin.
Eh,
bacana, Kelvin. Eu também com computação
gráfica, assim, eu já pensei em algumas
coisas de arte bíblica, fazer artes que
sejam artes bíblicas, mas fora do que a
gente costuma fazer, de pensar, de
costuma imaginar em relação a artes
bíblicas, né? Eh, e é legal, vejo
bastante gente fazendo coisas assim aí.
Quem quiser ver aí Kelvo.
O Instagram do Kelvin aí. E o José tava
falando aqui de eu não abandonar os
vídeos, tá falando, inclusive te
acompanha muitos anos. Você ficou um
tempo sem conteúdo aqui. É verdade. Eh,
João, José, é verdade, José. Eu fiquei
um tempo sem postar conteúdo aqui. Eu
tava com muitas atividades, não tava
tendo uma ideia que eu falasse, não,
tenho que parar e fazer um vídeo sobre
isso e tal. E aí acabou, ficou um ficou
um iato no nosso canal aqui, né? E até
que eu tive a ideia de voltar fazendo
lives,
para mim funciona bem, é legal,
converso, interajo com vocês também,
coisa que nos vídeos eu não fazia. E eu
posso cortar e fazer fazer cortes.
Aliás, faz já uma umas duas semanas que
eu não coloco cortes dos nossas
conversas aqui no no canal, né? Aí o
Carlos Muniz coloca aqui o Arnoldon já o
Arnold, né? O Arnold Schneg, né? O
Arnoldão já apareceu como CGI em um dos
filmes do Exterminador. E você vê, né,
Carlos, quando você olha, você fala:
"Hum, é isso daí é animação 3D". por
mais perfeito e avançada e e que você
nem saiba exatamente identificar o que
que é que entregou, que é uma animação
3D e não um ser humano real. Eh, mas a
gente bate o olho e fala: "Não, tem
alguma coisa estranha, isso daí não é
real".
Aí o coloca o pessoal do Bible Project
faz uns negócios que parece que dá muito
trabalho para fazer e dá mesmo, viu,
Rosel? Não sei se entra no campo da arte
ou da publicidade. É, é arte, né? É
arte. É que a arte faz muita coisa. O
que se faz em publicidade é arte. Arte
voltada pra publicidade. Mas é, o
pessoal já falou comigo uma vez, falou:
"Ah, vamos fazer um negócio tipo o Bible
Project e tal". Mas se você parar para
para ver, eh, eu não sei se os créditos
aparecem em todos os os filmes deles, as
animações, e eu já corri atrás para ver
qual que é o orçamento de um, de cada
filme daqueles, assim, é um orçamento
altíssimo, é muito trabalho, é um
diretor de arte experiente, são vários
animadores, vários eh concept artist,
né, o pessoal que faz os desenhos e tal.
Então assim, não é uma coisa simples, é
muito complicado, o resultado é muito
legal, mas é muito trabalho e custa
muito caro, porque juntar uma equipe de
gente tão talentosa para fazer um
negócio que dá tanto trabalho, você não
vai fazer de graça, né? Esse pessoal
precisa comer também, né? Então é caro
fazer um negócio igual aquele do Bible
Project, viu? E é bonito, eu gosto. É o
tipo de arte assim de animação que eu
acho bonito. Assim, eu gosto do estilo
deles.
Aí o Kelvin responde aqui: "Total, tenho
seguido por essa linha de fazer arte
bíblica dentre vári dentre vários outros
motivos, especialmente por querer
construir ideias e conceitos fora do
comum, além para além somente de
tirinhas ou coisas assim, por mais que
esse tipo de formato também tenha o seu
valor." Hum. É verdade.
Eh, eu ficava pensando em temas que eu
queria,
que eu até pensava em eu queria fazer um
negócio artístico muito louco, viajado,
mas eu não tenho habilidade o
suficiente. Hoje com I eu conseguiria
fazer o que eu imagino, mesmo sem ter
toda a habilidade, né? Então, sei lá, eu
ficava pensando
a a árvore da vida, fazer uma árvore
que, tipo,
a tamanho de uma montanha assim, com
umas luzes em volta meio místicas assim,
um negócio muito louco. Eu tenho uns
detalhes visuais na minha mente pensando
em fazer isso, retratar isso
artisticamente, né? Porque a a nossa
imaginação religiosa,
eh, a nossa imaginação visual religiosa,
às vezes é muito pobre, né? A gente fica
com umas referências tão antigas e é
difícil a gente desprender daquilo e ter
conseguir imaginar mais, né? Pensei em
um Adão e Eva assim que fossem bem
tribais assim, sabe? um negócio assim,
eh, aquela imagem da ideia do do começo
do livro do Jó, né? Os filhos de Deus
vieram se apresentar diante de Deus e
veio, entre eles veio também Satã.
Então, imaginar uma imagem de uns seres
assim tipo transcendentais, místicos e
no meio um ser decaído, assim, é muito
louco imaginar como a gente pode ter
ideias para retratar temas bíblicos
diferentes do que que a gente já viu,
né? Eh, parece que é uma coisa não tão
que não foi tão explorada ainda, mas tem
muita gente tendo ideias bacanas,
fazendo coisas legais assim, né?
Aí o João coloca aqui: "A Iá pode gerar
um ceticismo no pensamento da sociedade
no futuro?" Então, João, tem gente que
diz que é inevitável, vai chegar uma
hora que vai ter tanta IA enganando
tanto que a sociedade vai tipo reagir
sendo mais cética em relação ao que ela
vê.
Então vai chegar uma hora que você vai,
a internet vai ser só um entretenimento.
Você não vai mais acreditar no que você
vê na internet, porque você já foi
enganado tantas vezes que vai chegar uma
hora que, ah, olha aqui o o Lula e o
Bolsonaro fazendo não sei o quê. Você
vai falar: "Ah, tá, isso daí é Iá". Isso
daí não é de verdade, né? Eh, vai chegar
uma hora que as pessoas não vão mais
acreditar em nenhum vídeo ou imagem da
internet. Eu espero, né? Porque e que
quando chegar esse momento vai ser
porque já houve muita enganação.
Então eu espero que a gente chegue nesse
ponto em que já não dê mais para
acreditar. Eu já estou ajustando a minha
mente para tudo que eu vejo na internet.
Eu desconfio. Não é nem desconfio. Eu
não acredito. Eu só vou acreditar se uma
fonte oficial disser que está confirmado
aquilo, né? Ou seja, eu depender do da
de uma fonte oficial colocar em em em
voga a sua confiabilidade e não só pela
imagem em si. Imagem já não quer dizer
mais nada hoje. Na prática, imagem não
significa nada. Imagem de qualquer
coisa, em qualquer situação, já não
significa nada, né?
Aí o Kelvin voltando aqui, né? Tem uma
animação que vi recentemente sobre
Gênesis que é incrível, projeto
independente, mas que é muito autêntico.
Pô, Kelvin, compartilha aí com nós aí.
Tenho visto algumas tardes, algumas
artes a Lucilene, né? Boa noite,
Lucilene. Tenho visto algumas artes com
IA voltadas à escatologia. Expressar
conceitos espirituais nunca vistos é
terra fértil. É exato, exato. E concordo
super, diz aqui o Kelvin. Acho que ainda
tem um campo muito vasto de imaginação
na de criação bíblica, que seria
incrível ver artistas ocupando. Alguns
projetos fazem isso muito bem, como
Bible Project, né, que ele falou. É,
exato. Bom, vamos conversar um pouco
aqui então sobre religião e arte. Eu
acho esse tema bem interessante.
Eh, eu vou começar com uma história
que eu ouvi
que eu não sei se essa história é uma
história que consta em alguma fonte
histórica mesmo e eu não lembro qual é
sobre qual o grande filósofo que é essa
história. Não lembro se é Platão, se é
Aristóteles, mas a história é o
seguinte.
O oráculo falou pro filósofo e disse:
"Eh, você é o homem mais sábio que tem
sobre a terra". E o filósofo ficou ficou
inconformado com essa frase dita pelo
oráculo e falou: "Não, não é possível.
Isso não pode estar certo essa frase. Eu
não acho que eu sou tão sábio assim".
E aí ele passou a peregrinar sobre a
terra, buscando aquele que era mais
sábio do que ele para provar pro oráculo
que ele nem era tão sábio assim. Tem
outros mais sábios do que ele. Então ele
começa a andar e aí ele encontra
os os filósofos retóricos, né, debatendo
e tal, né, e olha, vamos ver aqui existe
uma verdadeira sabedoria. E depois ele
foi vendo que não, na verdade isso daqui
é muito mais retórica do que sabedoria
de fato. Então talvez os antigos, né, os
idosos, eles sejam muito mais sábios do
que eu. E ali foi conversar com os
idosos e viu que realmente existe muita
sabedoria acumulada com a idade, mas
também às vezes muita ignorância também
acumulada com a idade.
É. E aí ele viu que talvez não é porque
você é mais velho, que você é mais
sábio.
E ele foi procurando vários grupos, os
políticos, né? Porque a política
teoricamente, segundo Aristóteles,
deveria ser a mais nobre das das
ocupações.
E
de acordo com Sócrates, né? Eh, e aí ele
viu que, na verdade, não, os políticos
não eram tão sábios quanto ele achava
que eles eram.
E a parte que nos interessa, ele falou:
"Olha,
quem eu sei que é muito mais sábio do
que eu são os poetas".
Porque quando você lê as poesias, você
fala: "Cara, isso é muito absurdamente
profundo."
É, parece que isso daqui foi produzido
por uma mente que nem humana é, que é
muito além da humanidade. Então, com
certeza os artistas são muito mais
sábios do que eu. E aí ele conversou com
os poetas
e ele descobriu que, na verdade, os
artistas são pessoas comuns e o que elas
produzem
tá muito acima da própria sabedoria
delas.
E aí no final conclui que ele olha todo
aquilo que ele percorreu e fala: "Olha,
o oráculo tava certo. Eh, não que eu
seja exatamente mais sábio do que todo
mundo, mas todo mundo se acha muito
sábio e tudo que eu sei é que eu não sei
de nada. Então, pelo menos nisso, eu sou
mais sábio do que os outros, né? Mas o
foco aqui que a gente que eu queria
colocar é sobre essa ideia dos artistas.
Os artistas criam coisas que estão acima
deles mesmos.
Às vezes a gente tem a sensação de que
todos os insightes, toda, tudo que a
gente pensa sobre uma arte foi uma
concepção do artista,
mas a arte tem um truque nela, porque
arte é você fazer algo que tá aberto a
interpretações.
Quando uma pessoa escreve um artigo
científico, ela usa uma linguagem
técnica. Ela não pode eh chamar uma
coisa de um nome diferente do que aquilo
já se já é chamado, já é estabelecido.
Ela vai usar termos que já estão muito
bem estabelecidos e ela vai seguir
rigidamente essas regras. Quanto mais o
autor de um artigo científico foge
dessas regras, pior é considerado o
artigo dele, porque a
o objetivo, a intenção do artigo
científico é ser preciso.
A arte vai seguir o caminho oposto.
Muitas vezes no texto bíblico, a gente a
gente já chega no texto bíblico, mas o
artista muitas vezes ele vai pegar a
linguagem e vai usar a linguagem de uma
forma distorcida
para que o que ele fala não seja uma
coisa
precisa,
mas eu posso entender várias coisas
diferentes do que ele fala, entende?
para que eu possa ter várias sensações
que talvez nunca passaram pela cabeça do
artista. A arte tem esse esse poder de
ser tão aberto que cada um que se
encontra com a arte,
ele encontra algo diferente. Cada pessoa
encontra algo diferente. Talvez um
pouquinho diferente um do uma pessoa da
outra consiga ver algo um pouquinho
diferente na arte, mas a arte é feita
para ser assim, para ser multifacetada.
E quando você vê a arte, você vê uma
coisa diferente. E quando a arte vê
você, né, ela também faz você ficar
diferente, né? Então, como se o o seu
encontro com aquela obra que parece tão
aberta a interpretações
fizesse com que você refletisse sobre
várias coisas e tivesse sensações sobre
as coisas, né? A arte é muito
interessante.
Uma música pode dar uma sensação em você
e outra em mim. Quando eu leio uma
poesia, eu posso sair de lá com um uma
ideia muito louca na cabeça,
absolutamente diferente da ideia que
você teria quando você lesse aquela
poesia.
A arte pode dar sensações que a gente
não consegue nem explicar em palavras,
né? E isso é uma ideia bem interessante,
né? Eh,
se aproxima um pouco da ideia que o
Teodoro Adorno fala da aura, né? que a
arte traz, que a reprodutibilidade
técnica destruiu na arte, né, de acordo
com o pessoal lá da escola de Frankfurt,
que é essa impressão única que você tem
e que não é exatamente descritível por
palavras, porque é uma coisa que tá
muito dentro da sua mente, sabe?
Então, esses insightes artísticos, essas
sensações,
esses eh
eh tem uma palavra,
uma palavra que aí sim é de Aristóteles
e não de Platão, que eu não tô
conseguindo lembrar, que é uma palavra,
é uma palavra muito usada na psicanálise
também, quando
você tem, não é aura e que é quando você
tem um insight site específico.
Ai gente, eu não vou lembrar da da
palavra. Eu vou chegar nessa palavra só
um segundo, porque esse conceito é
interessante. Eh,
quando você Não é um não é um êxtase.
Eh,
só um segundo.
Não é epifania.
Eh,
uma revelação abrupta. Eu não tô achando
a palavra. Ah, que gente, eu tenho um
problema tão sério
de que às vezes falta uma palavra que é
a palavra assim chave para trazer uma
ideia. Vocês já tiveram isso? É, é uma
palavra assim que não tem outra palavra,
tem que ser aquela.
né? H, eu não consigo lembrar o nome da
palavra, não é a epifania.
É quando você tem
Hum,
gente, desculpa acabar com o ritmo aqui
da minha fala.
Eu
queria muito achar essa palavra, porque
esse conceito é importante,
não tô conseguindo encontrar porque é
que tá, é uma palavra que ela é mais
aberta, então assim,
eh, elas elas se referem a um, a um
conceito mais profundo. Então, é difícil
explicar até pro Google o que, qual é a
palavra que eu quero que ele me fale,
entende? Eu teria que explicar, muito
bem explicado aqui, qual é o é o
conceito.
Ai, que saco.
Não vou lembrar, não vou lembrar.
Se eu lembrar até o final da live, eu
falo. Bom, de qualquer forma, voltando
ao assunto agora que desestabilizou
total, né? A catarse. Isso. Obrigado,
gente. A Catarse. Momento catártico.
Obrigado aí, Oziel, a Jeisa Gomes.
Exatamente. A Catarce, o
o Aristóteles usa o conceito da catarse
e como exatamente esse tipo de insight
que a arte te dá.
uma espécie de um assombro, né, como o o
Carlos coloca aqui, uma epifania, um
insight, eh, que é essa catarça,
inclusive para Aristóteles, é o que faz
com que você tenha um pouco de vazão do
dos seus sentimentos. Então, por
exemplo, né, existe toda uma discussão
sobre a arte retratando a violência.
Então, em tese, muita gente diz,
acredita e defende que uma pessoa que
consome uma arte onde tem violência
faz com que essa pessoa pratique a
violência, porque aquilo normaliza, né?
Ela vê na arte aquela violência, então
isso normaliza para ela aquela violência
e ela vai agir de forma violenta. O
Aristóteles vai defender uma ideia que
vai um pouco no sentido.
Essa ideia que eu falei é um pouco
platônica. Porque o Platão defende mais
esse conceito de que o o que você
encontra na arte você reproduz, você eh
você internaliza.
O Aristóteles vai mais para um um outro
uma outra ideia que eu também vou
resumir bem aqui, né? uma ideia bem mais
complexa do que isso, mas de que quando
você, voltando, por exemplo, que a gente
deu, quando você joga um videogame que
tem violência,
aquela violência descarrega algo, tira
algo do seu ombro e no final das contas,
na sua vida real, você vai ter, você vai
ser agir, não, você não vai agir com
violência, porque o, o, o seu impulso de
violência, digamos assim, eu já voltando
aqui para para para termos
psicanalíticos, né? Esse seu impulso
violento, ele teria sido descarregado
nessa catarse,
né? Então, eu não sei se vocês já viram
algum filme, sei lá, um filme que tem
assim uma cena muito de vingança, quando
você
tem um personagem que se odiava muito e
tal, e finalmente o o mocinho do filme
vai e assim, tipo, bate muito nesse cara
ou mata o cara de um jeito muito
violento e você sente até um alívio.
Nossa, finalmente, né, deram um jeito
nesse sujeito tão tão terrível. Então
esse esse sentimento seria essa catar-se
aristotélica que a arte pode trazer, que
é quando você sente um uma espécie de
respiro, um um um você sente que foi
descarregado algo em você através da
arte, né? Então a arte tem esse poder
de fazer a nossa mente ir para vários
lugares,
falando coisas, mostrando coisas que tem
diversas facetas.
E o que que isso tem com tem a ver com
religião? Muita coisa. Muita coisa. Isso
tem tanto a ver com religião
que o objeto
religioso que a gente crê que é o objeto
da revelação divina, que é um livro que
é onde Deus se revela,
esse livro é recheado de de arte o tempo
todo. Então, a gente vê a a o texto
bíblico muitas vezes ele tá seguindo uma
às vezes uma linguagem até técnica
jurídica, né? aqueles textos lá do do
Pentateuco falando sobre o que que tem
que acontecer quando alguma pessoa faz
tal coisa e tal, mas quando vai falar
sobre Deus, principalmente,
você tem um texto mais poético, você tem
uma poesia, ela se abre mais, né? Eh,
essa sim é carne da minha carne, é osso
dos meus ossos, vai ser chamada de ichá
porque foi tirada do I.
A poesia que Adão fala quando ele vê
Eva, a ideia de ser carne da carne, osso
dos ossos, traz uma ideia que cada um
vai ter um insight um pouquinho
diferente, mas é a ideia de que você se
reconhece na pessoa que você ama e que
você sente que o corpo dela e o seu
corpo não tem um um não tem limites
muito bem estabelecidos, vira a mesma
coisa. Parece que o que machuca ela
também machuca você. Parece que o que
causa prazer e alegria para ela também
traz prazer e alegria para você. essa
ideia toda resumida
e uma frasezinha curta e uma poesia
curta que tem ali em Gênesis capítulo
2,
né, falado tão ali brevemente por por
Adão. Então, é essa esse poder que a
arte tem de explicar coisas que não são
muito precisas e que cada um entende de
um jeito um pouquinho diferente, usando
a linguagem, uma linguagem que usada de
uma forma como não conseguiria descrever
aquilo, mas quando ela é usada de um
jeito inesperado, quando ele usa
palavras
num contexto diferente do que essas
palavras costumam ser usadas e fazem a
gente pensar em uma coisa coisa que não
deveria ser aquilo. Como assim? Carne da
carne, osso dos ossos. No contexto ali
de Gênesis até literalmente, mas a gente
pode extrapolar isso, né? Como eu tava
fazendo aqui agora a pouco, né? Pra
nossa vida. Aí já não vira uma coisa tão
literal assim, mas ao mesmo tempo real.
E isso acontece muito. E uma coisa que é
muito interessante é que no texto
bíblico, o profeta
é também um poeta.
Porque para você
trazer uma mensagem para as pessoas
sobre o que Deus te revelou, isso não
cabe na linguagem usada de de um modo
convencional. Entendem o que eu quero
dizer? Quando você usa a linguagem de um
modo convencional, que a gente usa, como
eu tô usando agora, só para explicar
coisas,
essa linguagem
eh ela não dá conta de explicar coisas
tão profundas. Você tem que fazer, como
eu tava falando dos poetas naquele conto
que eu tava dizendo, você tem que usar a
linguagem para falar coisas que são
maiores do que você pode conceber
para você trazer conceitos que são
maiores do que você,
para você conseguir
tirar palavras de você que explicam
coisas que não estavam todas dentro de
você. Entende o que eu quero dizer?
Por isso que a Bíblia é tão artística. É
por isso que Gênesis,
Gênesis capítulo 1, capítulo 2, eh, é
recheado de elementos poéticos. É por
isso que Moisés, quando eu atravesso o
Mar Vermelho, ele faz um cântico, o
cântico de Moisés lá em Êxodo 15.
É por isso que Deus quando vai se
revelar para Moisés,
ele faz uma poesia que é o que os judeus
chamam do dos 13 atributos divinos.
Senhor, Senhor, Deus longânimo,
misericordioso, tardi em irar-se e tal.
É por isso que às vezes
as histórias bíblicas elas acontecem de
um jeito esquisito, porque elas não
estão só querendo contar uma história,
narrando factualmente o que que houve,
mas elas estão querendo passar um
conceito, elas estão querendo passar uma
ideia que não pode ser explicada, ela
tem elas, ela é melhor explicada quando
ela não é explicada. Ela é melhor
explicada quando você percebe essa ideia
através de uma história do que foi que
foi contada, em vez de alguém vir e te
explicar a ideia. Entende o que eu quero
dizer? Ah, a ideia, como a gente
comentou aqui umas lives passadas sobre
Jacózinho no meio do deserto.
E é nesse momento que ele começa a lutar
com Deus. E é quando ele luta com Deus
que ele tem o momento mais íntimo da
vida dele com Deus. E essa ideia tão
forte e poderosa não poderia ser
explicada de um jeito que não fosse,
contando a história daquele homem
que viveu há 3400 anos atrás, um nômade
do deserto, de uma outra cultura, de um
lugar tão distante de onde a gente vive,
mas que a gente se conecta com essa
pessoa
porque parece que ele tá contando uma
história que podia ter acontecido com a
gente também. A gente se imagina no
lugar de Jacó, a gente se imagina no
lugar dessas pessoas, dessas histórias
que são contadas. E a nossa imaginação,
ela começa a flutuar quando a gente lê
as poesias bíblicas, quando a gente lê
os salmos, quando a gente tenta entender
o que a pessoa tava querendo dizer com
aquelas palavras.
Então, arte
e religião estão totalmente ligados,
porque no final das contas a religião
tem a ver com o nosso relacionamento com
uma entidade
que não tem uma definição. Eu gosto
dessa ideia. Definir Deus é algo que não
deve ser feito,
porque a palavra definir significa
colocar um fim, um limite. E Deus é um
conceito daquilo que não pode ser
conceitualizado.
Deus é a definição daquilo que não pode
ser definido. Deus é uma ideia que a
gente se refere a ela, mas a gente sabe
que ela é muito maior do que qualquer
coisa que pode caber na nossa cabeça.
Então, a gente se refere a Deus como
algo que
eh
não pode ser compreendido, imaginado,
conceitualizado ou definido.
A gente usa uma linguagem humana para
descrever algo que tá muito além do
humano. A gente usa palavras
para se referir a alguém que jamais
poderia ser descrito com palavras,
jamais poderia ser referido apenas com
palavras.
E é isso que torna tudo tão
interessante. É por isso que arte e
religião são tão relacionados. Por isso
que
quando Deus se revela pro ser humano,
necessariamente
aquilo faz com que brote arte, porque o
ser humano começa a falar de coisas que
nem ele mesmo entende, que são muito
maiores do que ele. Ele começa, o ser
humano começa a explicar coisas que ele
não consegue explicar para si mesmo. E
aí isso vira arte, né? Arte é uma coisa
muito doida e arte é algo que Deus deu
pro homem para se referir a coisas que
estão além do próprio ser humano.
Deixa eu ver o que que vocês estão
falando aqui se eu tô viajando demais,
né?
O Caio até colocou aqui, acho que um
pouco antes de de eu começar a falar,
algo interessante na arte é a
arquitetura das igrejas. Hoje existe uma
reflexão crítica sobre as igrejas
evangélicas. terem se inspirado em
shoppings e galpões, hoje estão voltando
ao design sacro. Exatamente, Caio. Ou
seja, a igreja se refere muito mais a um
lugar de consumo
do que a um lugar de reflexão, né? É uma
é uma é uma reflexão boa isso, né? Eu
talvez a gente tenha visto até o mesmo
real na na internet de um de uma
arquiteta falando sobre isso, né? Como
as igrejas deixaram de ser monumentos de
beleza, se tornaram lugares que fazem
referência a locais de consumo, né?
A Lucilene coloca tecnicamente é
expressar com conceitos de duas
dimensões as realidades da terceira
dimensão ou de três dimensões para a
quarta dimensão, etc. Isso mesmo,
Lucilene, é isso mesmo. Você fala de
algo que tá além da própria linguagem
que você tá usando, né? Jesus fez isso
através das parábolas. Ela completa aqui
a arte literária. Exatamente. Não
adianta você só contar a moral da
história das parábolas, porque você não
ia entender do mesmo jeito causar tantas
reflexões quanto contar a história. E às
vezes contar a história sem explicar a
moral da história,
o que é mais interessante ainda, né?
porque faz as pessoas terem que mastigar
muito mais aquela história. Então, o
contato de Deus com a humanidade é um
contato artístico.
A linguagem que Deus fala pro ser humano
é uma linguagem artística.
E às vezes Deus tá se revelando pro ser
humano numa arte criada por outro ser
humano, porque aquele outro ser humano
falou de algo que ele não sabia, falou
de algo maior do que ele e tocou em
Deus, tocou em algo divino, né?
Quem aí já não teve um insight
religioso,
espiritual e uma obra de arte que não
era espiritual, que não tinha essa
intenção, né? A gente tava discutindo
isso lá na minha igreja uns tempos
atrás, né?
Às vezes, um sujeito que não acredita em
Deus fala algo que para você é
extremamente espiritual, extremamente
religioso, é Deus falando.
E é isso, gente.
Eh, o José Lea coloca aqui, o profeta
Natã fez isso quando repreendeu o Davi.
Acho que há algo de artístico em você
contar uma história, ao invés de só
explicar o conceito
do jeito que Natã fez.
Mas aqui eu tô me referindo mais do que
o profeta Natã falando para Davi, José,
eu tô me referindo mais a, eu vou voltar
no mesmo exemplo, a Moisés escrevendo um
cântico,
o cântico de Moisés lá em Gênesis 15
para falar do que que ele tava sentindo.
Não é nem é só o que ele tava sentindo
ou que ele não tá descrevendo emoções
ali, mas das sensações que estavam
passando na mente dele naquele momento
que ele foi libertado de uma coisa e que
não adianta só ele escrever: "Eu estou
meu e eu eu estou tendo uma sensação de
liberdade indescritível". Não, não é
isso, não é o suficiente. Você precisa
ver um cântico, uma poesia para você
entender do que que ele tá falando,
porque vai muito além do que só falar
que ele tá tendo sensações
indescritíveis, entende?
E isso acontece muito na Bíblia. Muitas
falas
dos profetas, eh, dos patriarcas,
dos apóstolos, do próprio Jesus são
enigmáticas. E são enigmáticas porque
elas abrem, elas se abrem, elas não
estão usando as palavras num sentido
restrito, mas o significado da palavra
fica aberto. Você falar: "Ah, não, essa
palavra não tá significando o que
normalmente ela significa". Quer dizer,
muito mais do que isso. E os
significados se abrem e você pode ter
insightes muito loucos sobre os textos
bíblicos quando ele faz essas coisas,
né?
O rei Davi coloca aqui: "Roney, você viu
o vídeo da Aline em Israel sobre a tribo
de Dan?" Não vi. Não vi esse vídeo. A
Lucilene, o poder da simbologia está
nisso. Kaung trabalha sobre esse poder
da identidade humana. A arte e a
psicologia são convergentes nesse
sentido. Exatamente. Exatamente. Eh, eu
tô,
eu li um o livro um tempo atrás, eu
comentei aqui numa outra live, um livro
do de um autor chamado Mircea Eliad, que
é o sagrado e o profano,
que basicamente o livro tá tentando
explicar
a diferença
entre o pensamento. não tá querendo
explicar a diferença entre o pensamento,
mas ele tá falando sobre o pensamento do
homem tradicional,
de como ele via o mundo como um mundo
sagrado, como ele se manifestava num
sentido espiritual.
E às vezes ele fala como hoje o homem
secular, o homem moderno, ele se afastou
disso, né? Então ele usa exemplos que eu
acho muito interessantes. Por exemplo,
ele quando ele vai falar da casa, a casa
das pessoas nas sociedades antigas desse
homem eh desse homem tradicional que ele
usa,
a casa tinha um significado.
Você fazia um ritual para construir a
sua casa. Ela era construída em um lugar
que as pessoas viam aquele lugar como um
lugar
diferente do ponto de vista espiritual.
do que o terreno externo, do que as
terras distantes, onde você não vê as
coisas desconhecidas. Aquele lugar onde
está a sua casa tem um significado
espiritual
sagrado diferente dos outros lugares.
Você atribui significado aos lugares. O
homem tradicional atribuía significados
aos lugares e o homem moderno deixou de
fazer isso. A casa onde a pessoa mora é
só uma construção fria e despida de
significados e de simbologias.
Inclusive essa casa eu é só um lugar
útil, é tudo utilitário, é um lugar onde
eu uso para eu dormir e quando eu eu
precisar, eu mudo de casa para ficar
mais fácil, para ficar mais útil.
Então, essas diferenças é muito doido
quando a gente começa a ver isso, e esse
autor explora isso muito bem, que ele
começa a explicar sobre a
espiritualidade nesses sentidos,
eh, como a religiosidade, a
espiritualidade, a forma de você ver o
mundo em relação a Deus faz com que você
veja cores e camadas diferentes do que a
pessoa que não tem essa percepção
espiritual das coisas. Então, só um
exemplo aqui, eh, eu sou adventista, né?
E por ser adventista, eu faço uma
diferenciação entre o significado dos
tempos em que eu vivo.
Então, durante a semana, aquele tempo
tem um significado.
Quando eu chego no sábado, aquele tempo
tem um significado diferente, porque eu
entendo aquele tempo como um tempo
sagrado. Eu entrei dentro de um tempo
sagrado, né? Eh, não é uma dimensão
espacial, uma dimensão temporal que é
construída no sagrado.
Eh, ou seja, eu adiciono uma camada de
simbologia, eu adiciono uma camada de
percepção,
de sensação na minha realidade, que quem
não é religioso
não tem as ferramentas para fazer isso,
entende? Eh, e isso eu dei um exemplo
aqui, talvez muito específico, né? Muita
gente não tem essa essa percepção do
sábado, mas isso acontece com muitas
coisas. Por exemplo, quando você faz uma
oração para comer uma comida, quando
você faz essa oração, você tá falando
literalmente palavras que dão um
significado para aquela comida
que uma pessoa que é religiosa não dá
aquele significado pra alimentação, pro
ato de comer como uma bênção, como algo
dado por Deus, como sendo o ato de comer
em si, um ato espiritual.
A ideia de sagrado, que é o que esse
autor que eu falei traz o tempo todo, é
uma ideia que traz uma dimensão pra vida
que foi se perdendo com os tempos e na
sociedade secular
torna a vida assim empobrecida por não
ter essa dimensão a mais. Entendem?
Isso é uma vantagem de ser religioso.
É você adicionar camadas de simbologia,
de compreensão, de cor, de sensação
sobre atos comuns da vida.
E assim você faz com que esses atos
comuns eles tenham uma perspectiva
extraordinária,
uma perspectiva eterna, uma perspectiva
divina nos atos comuns.
Isso é uma coisa que, infelizmente, até
os religiosos estão perdendo, essa
percepção de uma do sagrado, a percepção
do sagrado nas coisas comuns, a
percepção do do sobrenatural, do divino,
no que é natural, do extraordinário, no
que é ordinário, do do que é divino
naquelas coisas que são simples e frias,
né? Existe uma perspectiva a mais sobre
as coisas quando você tem esse olhar
espiritual.
sobre elas.
Eh,
é, eu tava falando aqui desse comentário
da Lucen, né, eh, do Carl Jung, que fala
sobre isso e tal, né?
Aí o Caio Machado coloca: "Tem
missionários em lugares tribais na
África que usam o filme A Paixão de
Cristo para evangelizar e muitos aceitam
Jesus depois do filme."
É interessante. Aí já entra uma questão
pouco mais complexa, que é a questão eh
eh a questão cultural. Eu não sei
se a linguagem que eu usei, a linguagem
cinematográfica que eu usei para
retratar uma coisa dentro da minha
cultura,
se ela não quer dizer outra coisa dentro
de outra cultura, entende?
Eu tava vendo um vídeo de um cara,
um canal no YouTube tem quadrinhos na
sarjeta, é um professor de de
estética, que é uma área da filosofia, a
área da filosofia que estuda a arte. né?
E
e ele tava falando sobre como muitas
vezes obras que são feitas, isso
acontece às vezes no no contexto
publicitário,
eh artes que são criadas com a intenção
de gerar uma reação na pessoa gera uma
reação diferente. Então ele tava
contando, por exemplo, de uma propaganda
que fez de inteticida, mas eles fizeram
uns insetos assim para fazer a chamar a
atenção das pessoas para propaganda e
tal, lembrar da propaganda. Eles fizeram
uns insetos muito legais assim, muito
bonitinhos.
E aí as pessoas sentiam um pouco de dó
da ideia que você tá matando esses
insetos.
Então essa propaganda foi meio que um
tiro que saiu pela culatra
e depois disso se tornou um padrão. E a
gente vê isso claramente em toda a
propaganda de inteticida, os insetos
serem retratados como seres nojentos,
como bandidos, como assassinos cruéis,
né? assim, caricatos, né? Então eles se
tornam a caricatura de tudo aquilo que a
gente quer eliminar, sujos, né? Eles
estão trazendo essa sujeira, essa
podridão, essa maldade para dentro da
casa da família que é inocente e que só
quer viver bem com as crianças e tal.
Então eles tiveram que dar essa forçada
de barra porque aquela propaganda lá
atrás deu a sensação bem diferente do
que eles queriam. Então, nesse caso que
a gente estava falando aqui dos
africanos assistir o filme A Paixão de
Cristo,
eh, eu nem estou inferindo isso, eu só
estou abrindo a possibilidade. É, será
que eles entendem dentro da cultura
deles as coisas da mesma forma que a
gente entende? Eu quando assisti o filme
Paixão de Cristo, eu fiquei pensando,
esse é um filme, na verdade estranho,
porque ele não explica muito sobre quem
é Jesus. É claro que
o filme já conta com isso. Jesus é uma
figura já conhecida, então talvez você
não precisa explicar quem é Jesus, mas
se você for ver o filme em si, é um
filme de um sujeito que apanha, apanha,
apanha e morre. E no final ele aparece
de novo. Aí você fala: "Ué, mas o que
aconteceu? Ele morreu ou não morreu?"
Imaginando na cabeça de alguém que não
conhece a história de Jesus, né? Nossa,
por que que ele apanhou tanto? Para que
que ele teve morrido? Por que que eu
fiquei vendo 3 horas de uma tortura de
uma pessoa? Que que isso significa?
Mas quando você tá inserido numa
sociedade cristã ocidental, você já tem
um um pressuposto do significado da
morte de Jesus. Ele é uma morte
substitutiva. Ele tá te salvando através
daquela morte e tal. Isso não fica tão
claro no filme, que o filme nem tem esse
objetivo de ficar explicando coisas para
uma sociedade cristã, né? Mas é isso que
eu imagino às vezes. Será que uma pessoa
que tá inserida em um outro contexto
cultural, ela vai ter a mesma sensação
que a gente quando assiste o filme?
Aí o João coloca aqui: "Eu fui pra
igreja através do filme Paixão de
Cristo, vi no cinema aí". Tá vendo? Eh,
é interessante, né? Às vezes parecem que
existem umas barreiras até chegar na
arte do texto, não saber ler literatura,
depois a tradução. É isso. Isso é
verdade também, Eziel,
porque a arte tem as as suas ferramentas
também.
Às vezes, sem ter as ferramentas, já é o
suficiente pra gente entender algumas
coisas.
Às vezes você vê um quadro e a expressão
da pessoa já te causa uma sensação, já
mexe com você, apesar de você não
entender o contexto daquele quadro, você
não entender o que que significa aquele
tema clássico que tá retratado no quadro
e tal, mas ele já te caudar alguma
sensação. Mas de fato, às vezes ao tendo
algumas ferramentas, alguns pressupostos
que não tão na arte em si, mas você
precisaria ter eles teres antes de
acessar essa arte, eh se você tivesse
esses pressupostos, você ia ver camadas
nessa arte que você não vê, né? É o que
a gente comenta aqui no canal às vezes,
por exemplo, do da língua bíblica, né?
Você consegue ler o texto em português e
você consegue mudar sua vida lendo
aquele texto. Mas quando você entende
algumas coisas da linguagem original, do
texto original, você percebe umas
sacadas que não dá para aparecer na
tradução. Não faz o texto virar outra
coisa,
mas você adiciona camadas ali, camadas
de de símbolos de interpretação que
tornam a coisa mais interessante, sem
dúvida, né?
Aí o detetive os e aí detetive, tudo
bom? Coloca aqui no ensaio do CS Leology
poetry. Ó que interessante. Não sabia
que tinha isso não. Ele argumenta que
toda linguagem é uma forma de analogia.
Mesmo a ciência não explica tudo 100%
objetivamente. Religião usa arte porque
muitas vezes é a melhor forma de
expressar as realidades que fogem da
nossa compreensão. Olha que insite
interessante. Sem dúvida,
toda linguagem é uma forma de analogia.
Porque nesse momento,
o que que tá acontecendo agora na frente
de vocês? É um ser humano fazendo
barulhos com a boca. Vocês estão
assistindo isso? Então, quando eu falo a
palavra casa,
eu tô falando umas umas sequências de
sons estão saindo da minha boca, mexendo
a língua de um jeito específico e tal. E
essa sequência de sons,
ela em si não quer dizer nada. Não tem,
não é uma casa que tá sendo a minha
boca, é uma sequência de sons. Só que
existe um código, um código que que a
humanidade compartilha, que as pessoas
do Brasil compartilham, que é a língua
portuguesa.
Então, você já entende quando eu falo
essa sequência de sons que eu tô me
referindo a uma ideia,
só que a ideia de casa para você vai ser
diferente da ideia de casa para mim,
porque você viveu em casas diferentes da
minha, porque essa palavra, essa ideia
foi evocada em momentos da sua vida,
muitas vezes que não foi os mesmos
momentos que eu. Então, por mais que de
forma geral a palavra casa simbolize a
mesma coisa para nós dois, quando a
gente vai ver no mais específico, nas
nas sensações que essa palavra evoca,
nas ideias que tão conectadas com essa
ideia,
a palavra casa, essa sequência de sons
que saiu da minha boca, tem um
significado diferente para você do que
para mim. Então, de certa forma,
concordo totalmente, toda linguagem é
uma analogia, porque a linguagem não é a
coisa em si. A linguagem é uma
referência à coisa. A palavra casa é só
uma sequência de sons que faz referência
a uma ideia de casa. E essa ideia de
casa a gente usa o som que a gente já
entende, fica uma coisa viciada. A casa
em si, o que que é a casa em si? É
difícil transmitir essa ideia para você,
porque a gente tem experiências
diferentes sobre essa ideia. Então, não
é a mesma ideia. O que a gente pode
fazer é uma convenção social de que esse
som casa se refere a essa ideia que
vagamente é a mesma coisa para mim e
para você, né? Eh, é, é muito doido
isso. Quando a gente para para pensar
nisso, é de explodir a cabeça, né?
E às vezes eu fico pensando, né, olha
que interessante, tem um ser humano
produzindo sons pela boca.
E quando ele faz isso, ele tá
transmitindo ideias através desses sons,
através de uma codificação
que foi que foi acertada socialmente,
foi convencionada socialmente. Eh, a
própria linguagem é uma coisa muito
louca, né?
Aí, eh, o Zel continua falando aqui, né?
Às vezes parece que existe uma barreira
de chegar na arte do texto, não saber
ler a literatura depois da tradução,
porque muita coisa da simbologia do
Oriente a gente não tem contato,
conhecimento, etc. Isso. Isso, né?
Então, às vezes o texto faz referência a
uma coisa que dentro da cultura do texto
tem uma ideia e dentro da nossa tem
outra, né? O peso que o texto dá, a
ideia de um profeta se casando com uma
prostituta lá no livro de Oséias
é um peso que não é o mesmo peso pra
gente hoje,
né? A ideia de prostituição e a ideia de
profeta não são tão vívidos
dentro daquele sentido para aquele
profeta,
como é pra gente hoje.
E é uma outra ideia, né? eh é vagamente
a mesma coisa, mas evoca sensações e
reações e pensamentos diferentes eh para
pessoas dentro daquele contexto do que
paraa gente. E a gente tenta fazer
também isso. A gente tenta usar essas
ferramentas para tentar chegar o mais
próximo possível daquele contexto, das
ideias que circulavam naquela época para
ter a mesma sensação ou lendo o texto
hoje do que tinha naquela época. Mas
nunca vai ser a mesma coisa. A gente não
é pessoas da era do bronze no antigo
Oriente Médio.
Nós somos brasileiros modernos, né?
Então existe uma barreira que separa a
gente do do texto bíblico de fato, né?
Mas é interessante como mesmo existindo
essa barreira, ainda assim o texto afeta
a gente tão profundamente, né?
Aí o Ricardo Melo coloca aqui, conhece o
o canal Observatório 7? Não conheço,
Ricardo. Não conheço. Talvez deixa dê
uma olhadinha depois, né? Fato de usar
se o ouro e metais preciosos nas
profecias para se referir ao céu à
eternidade, por exemplo, quer dizer que
Deus é incorruptível e precioso. O
significado do mundo transcende o mundo.
É exato. A ideia de teremos ruas de ouro
no céu também tem uma ideia de subversão
dos valores, porque o ouro que as
pessoas se matam, as pessoas dedicam a
vida para esse metal. Claro que o ouro
aqui já virou até um simbolismo paraa
ideia de riqueza em geral. Lá vai ser o
que a gente vai pisar. A gente vai pisar
no ouro. Ele não significa mais nada
dentro daquela sociedade. Então essa
subversão da ideia da da das pedras
preciosas também é interessante. Você tá
andando e as paredes da cidade santa são
feitas de ônix e de jaspe, de esmeralda
e tal. Ou seja, a a
é uma riqueza tão grande que a própria
riqueza perde o significado naquele
lugar,
né? Mas muito interessante, o
significado do mundo transcende o mundo,
né? E sobre a casa está escrito no livro
A cidade antiga de Fust Colanges.
Recomendo. Pô, Carlos, não sabia não.
Que legal,
que legal. Olha que
eu eu não li esse livro.
E eu falei espontaneamente esse exemplo.
Talvez eu tenha visto em algum lugar há
muito tempo e eu não lembre mais, mas
ficou o exemplo na minha cabeça. Eh, ou
talvez a gente chegou ali na mesma
conclusão parecida, né, por ter
referências parecidas, né, eu e a pessoa
que escreveu o livro, mas eu não não
conheço esse livro específico. É
interessante. Vou dar uma olhada depois.
da cidade antiga, Fustel de Colanges. A
informação do filme usada pelos
missionários ou vi no podcast Jesuscope,
um missionário brasileiro na Tanzânia
disse isso. O Caio Machado falando aí do
filme A Paixão de Cristo. Legal, Caio.
Interessante. O livro de Jó, por
exemplo, diz aqui o Oziel, quando Deus
começa a falar e explode um monte de
coisas da criação. Ou o próprio
Apocalipse que condena muita coisa no
conteúdo do texto.
O filme até parece coisa de Tarantino e
tal.
Aí a Lucilene coloca:
"As culturas pré-helênicas tinham mais
simbologias porque eram inconcebível à
realidade sem a existência de deuses. A
espiritualidade abstrata era intrínseca
ao dia a dia. Olha só que coisa
interessante também. O livro Arte da e
Fé do Macoto Fugimira traz reflexões
muito interessantes em relação a essa
questão da experiência artística e
religiosa. Pô, Kelvin, muito bom também.
Outras, olha, pessoal tá trazendo um
monte de referência legal hoje, hein?
Então, já fiquem espertos aí nessas
referências que olha, vou pedir para
vocês trazerem mais referências aí para
mim. Eu tô eh pessoal fala: "Não, eu
gosto de aprender com você" e tal. Eu
tenho que eu que tenho que fazer mais o
contrário. Eu tô gostando de aprender
com vocês, trazer mais coisas aí.
Mas é, gente, 9:40 já aqui.
Mas essas coisas eh me chamam atenção,
né? O que me chama a atenção em relação
a essa ideia de arte e religião,
eh, é como eu percebo que a nossa, o
nosso conceito de religiosidade hoje
é um pouco corrompido.
Há um ponto que a religião acaba olhando
pra arte com uma certa desconfiança
hoje.
Então, eh, a ideia de que a arte possa
abrir a a percepções, a insites
diferentes
do que se esperava, hoje é visto como
uma ideia perigosa.
Infelizmente.
comentei isso um tempo atrás, mas o que
eu acho uma coisa muito interessante, é
uma ideia um pouco difícil de explicar,
mas que eu acho que é uma ideia que
deveria ser mais de mais divulgada,
é a ideia de que o objetivo da religião
bíblica não é primeiramente a ideia da
salvação,
porque a religião bíblica por muito
tempo, por muitos séculos,
ela ela existiu e foi viva ainda sem
essa ideia da salvação, tá bem
estabelecida. No Pentateuco, por
exemplo, Pentateuco você não ou não não
não tem praticamente não há diretamente
com certeza não há nenhuma referência à
vida após a morte, não tem nenhuma
referência à ressurreição, ao céu, né,
ao reino de Deus. Eh, e isso não tem.
tem uma referência que outra ali que
olhando com a construção que a gente tem
depois, a gente consegue entender dentro
desse contexto, mas o texto em si não
faz, não estabelece essa ideia.
E esse foi o texto da referência de
referências do Deus bíblico por muitos
séculos até depois verem os profetas, os
salmos e o Novo Testamento que vai falar
disso mais diretamente, abertamente.
Então, a religião bíblica,
ela não surge com a motivação,
a literatura bíblica não surge com a
motivação
de falar sobre salvação,
sobre o que vai salvação da morte, mas
ela surge com uma motivação diferente,
que é a motivação de falar que
existe um transcendental,
existe algo além desse mundo que a gente
vê.
Então ela tá muito mais relacionada com
um assombro em relação ao esplendor
do que explicar que depois que você
morrer, você vai pro céu.
Percebem?
Isso é interessante porque muita gente
acusa a religião bíblica de ser
inventada só para responder uma angústia
do homem em relação à morte. Mas não, a
religião bíblica subsistiu por muitos
séculos sem nem tocar nessa questão. A
questão é outra. A questão não é a vida
após a morte, é o que há além da vida. O
que é na vida além da vida.
O que que há além das coisas que a gente
consegue ver e tocar? O que que há de
divino, de, como eu falei agora a pouco,
de extraordinário no ordinário, de
divino, no comum, de sagrado no profano.
O que que existe nesse mundo que a gente
vê que às vezes parece tedioso, mas que
na verdade
ele é algo muito acima de qualquer coisa
que a gente consegue imaginar. Então eu
vejo muito mais a religião bíblica tendo
essa a literatura bíblica tendo essa
motivação
do que fazer as pessoas não terem medo
de morrer.
É, e tem um bom argumento para isso, que
é justamente a ideia de vida após a
morte tá ausente no Pentateuco, que é a
base da religião bíblica e foi a única
Bíblia por muitos séculos, né?
Mas é isso, gente.
Às vezes é é estranho porque eu falo
aqui sozinho e às vezes eu fico
pensando, será que eu tô viajando muito?
Que que o pessoal tá pensando do que que
eu tô falando? Será que eles estão me
acompanhando nessa viagem, né? Ou eu
estou viajando sozinho e as pessoas
estão até fazendo outras coisas,
pensando: "Nossa, agora viajou, né?"
Mas hoje é isso. Hoje a gente fica por
aqui. Que que vocês acharam dessa
conversa? Eu gosto. Gostei das
referências. Vou atrás até depois aqui
para ver essas essas referências. Essas
duas principalmente que foram colocadas
aqui. A do cadê a do Carlos que tinha
falado do livro do CS Lewis.
sai do eh steology poetry
e desse outro aqui que foi colocado mais
paraa frente.
Estamos aqui. Muito bom o Zel. Legal.
Tá fazendo sentido, sim. Sempre bom
ouvir. Diz o Kelvin. Que legal. Muito
legal o papo. Estamos junto sim. Tá.
Bom, gente, valeu. Então, uma boa noite
para vocês.
Então,
a gente fica com isso essa noite. Eu vou
pensar em alguma coisa legal pra gente
comentar na próxima live. Eu acho que
funciona assim também, né? Falar de uma
coisa um pouco mais aberta, porque não
fica uma reflexão fechada. A gente
a gente eu só trago aqui algumas ideias
e a gente vai pensando junto. Eu acho
isso bacana. Eu tô gostando do que que a
gente tá fazendo aqui nas nossas lives.
A detetive coloca aqui, eu acho que saiu
em português também o livro do lives.
Não tenho certeza.
Seu canal é diferente porque pensamos
juntos sobre a supervisão sua. Legal,
Lucene,
no peso da glória, salvo engano.
No peso da glória, salvo engano, o
detetive tá falando de,
ah, talvez seja o nome do livro do Ces
Lewis.
Interessante também. É, aí que tá. Tem
coisas na na literatura bíblica que a
própria linguagem ela já é um pouco
poética, né? Porque é igual a glória. A
glória que a gente fala, né? E o pessoal
vira jargão às vezes no meio evangélico,
ô glória e tal. A palavra glória
cavod, ela tá relacionada à ideia de
peso
no hebraico. Então, a glória de Deus é o
peso de Deus, porque se refere a a a
presença tão intensa de Deus que ela
pesa, né? Tem tem essa ideia.
Deus é um artista, o universo é uma
arte, diz aqui o João. Aham. Exato. Ou
seja, a realidade é uma arte,
é uma arte feita intencionalmente por um
artista que tinha qual referência antes
do universo? Não sei, a mente dele
mesmo.
Boa noite, Deus abençoe a todos, diz o
detetive. Até a próxima. Aqui o Oziel do
livro onde eh o ensaio tem é
é poesia a teologia. Legal. Rex vai
dizer sobre a glória sendo a própria
presença. Isso, Kelvin.
A glória de Deus enchendo o tabernáculo,
né? Presença intensa de Deus.
O a glória de Deus é o sinônimo da
presença de a presença de Deus. Boa,
gente. Valeu. Então, boa noite para
vocês e a gente se vê aí talvez semana
que vem. Acho que semana que vem a gente
pode se
não tenho em mente nenhuma coisa que vai
impedir da gente tá aqui de novo.
Então um abraço para todos aí, pessoal
que tava aqui presente. Foi bacana o
papo aqui. Até a próxima live, gente.
Até mais. Boa noite,

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