Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Davar Live – 31/10

Davar Live – 31/10

Davar Live – 31/10

– Canal Davar
twitter – @rolnei
instagram – rolneibt

Legendas automáticas:

Fala, pessoal. Boa noite. Bem-vindos aí
mais uma live.
Eh, tenho ideias aí pra gente conversar
hoje.
Se vocês puderem aquele tradicional
feedback aí do do som, do áudio, né? O
som tá bom para vocês aí?
Bom, gente,
começa uma live de 31 de outubro, né?
Hoje é o dia da reforma protestante.
Eh, é o dia escolhido para representar
esse processo histórico que levou
diversos anos, né, que é no dia 31 de
outubro, o processo da reforma
protestante. Eh, eu não ia falar sobre
isso hoje, mas eu acho que é vale a pena
a gente comentar, né? E e eu queria
hoje, deixa eu explicar como que vai ser
hoje, o que que vai acontecer.
Eu na minha igreja, eu eu fiquei de
falar lá pro pessoal, vai ser amanhã,
então vão ser dois dias, vai ser amanhã
e no outro sábado.
Eh, deixa eu só dar um oi pro pessoal
aqui, pro João. Oi, boa noite, João. O
Levi e o José Lima. O Levi já disse aqui
que o som tá OK. Maravilha, né? E o
Thiago Cruz também.
Bom, então eu tinha para falar na minha
igreja amanhã e no outro sábado
e eu tinha uma ideia de uma coisa que eu
queria falar. Eh, e eu vou fazer isso,
só que aí eu vou usar vocês de cobaias.
Hoje eu vou falar com vocês, conversar
aqui na live o que que eu vou falar
amanhã. Tá bom porque eu já revisito
todo o assunto que eu vou falar amanhã.
Aqui na live eu não tenho limite de
tempo necessariamente, é tudo mais
livre, vão vir perguntas, vão vir
comentários diferentes do que vai vir
lá. Então, acho que é bacana dar essa
esquentada. E qual que é o tema que eu
vou falar em dois sábados, né?
Eu já comentei essa história aqui,
mas tem a ver com o canal surgiu, esse
nosso canal da VAR.
Isso foi lá para ir dos, eu não sei
exatamente a data. Na minha cabeça era
2011, só que eu acho que é um pouco mais
paraa frente. Deve ser de lá para 2014,
16. Era uma época que a o YouTube era
dominado por ateus. Era a época que o
ateísmo, aquele ateísmo
estilo Richard Dawkins, sabe? Tava muito
em alta. Tinha, o YouTube tinha muito
menos vídeos do que hoje, né? E os
vídeos religiosos eram basicamente
vídeos de ateus com essa maneira de, na
verdade, não é exatamente um ateísmo, é
antirreligiosidade.
São duas coisas diferentes, né? Então,
era um uma antirreligiosidade
militante que tinha no YouTube.
E eu gostava muito, via todos os
debates, via todos os vídeos, todas as
conversas que tinham, né? Eh, deixa eu
só continuar aqui dando um boa noite aí
pro Oiel, pro Edson e pro Neozil.
Eh,
e
aí eu encontrei um vídeo que a pessoa
falava assim, né?
eh tinha lido alguns livros lá de
história da religião e ele falou: "Ó, o
seguinte, a religião bíblica
é só uma cópia, é só uma continuação, é
só um, eh é só mais uma religião ali do
antigo Oriente Médio com os mesmos
elementos, é meio que a mesma coisa
e tem motivos até para você argumentar
nesse sentido. Eh, a gente vai comentar
aqui. E e aí ele dava esses motivos, ele
falava desses elementos e tal. E
nessa época eu tava lendo sobre esse
assunto. O Oel até perguntou: "Tu lembra
quem era? Era um canal chamado Ateu
Informa do Pedro. Pedro do Ateu Informa.
Nem sei se o canal existe mais. faz
séculos que eu não ouço ele eh falar
disso. Eh, eu acho que agora ele tá mais
numa vibe de fazer vídeos militantes
para defender o comunismo, uma coisa
assim, ele tá mais para essa vibe mais
política agora. Mas eh eu não sei onde
tá esse, aliás, eu nem faz muitos anos
que eu não vejo esse vídeo, então eu nem
lembro exatamente do conteúdo do vídeo.
Sei que no geral era essa a ideia. E eu
tava lendo sobre esse assunto na época
e
e eu fiquei com muita vontade de fazer
um vídeo para responder ele,
muita vontade. E eu
acabei não fazendo esse vídeo. Eu criei
um canal que é esse canal aqui, o canal
da VAR, para falar desse e de outros
assuntos. Mas esse vídeo especificamente
eu nunca fiz. Isso que é interessante,
né? O vídeo que gerou esse canal é um
vídeo que nunca foi feito. Tô fazendo
agora, né, pra gente ser histórico aqui.
Inclusive,
eu acho que é interessante a histórico.
Isso de, eu acho que de 10 anos do
canal, não é? Se eu não me engano, o
canal foi criado em 2015.
Eu não sei se o primeiro vídeo subiu em
2015. Tava vendo. É uma coisa assim, né?
Eh, eu sei que agora em novembro, eh, a
gente faz 10 anos de canal. Então vai
ser assim um vídeo 10 anos atrasado
e esse vídeo então eu decidi falar sobre
isso. Eh, quais são as similaridades
que existe na Bíblia, que existem na
Bíblia em relação a outros eh a a outras
religiões?
se a Bíblia é só uma cópia dessas outras
religiões ou se a Bíblia tem alguma
coisa que é essencialmente diferente
dessas outras religi dessas outras
religiões, né? Se o Deus bíblico, ele é
um Deus que tem alguma coisa na sua
essência que é diferente
do da de todos os outros deuses que
existem.
Então é disso que a gente vai falar. Eu
já vou começar disso, então, né? Eh, eh,
deixa eu só dar um um oi aqui pro
pessoal. Eu vi que o João já colocou
algumas questões aqui, né? Ele começou
já dizendo: "Boa noite, queria que
comentasse sobre o texto de Primeiro
Reis 14 verso 12 e 13 sobre Abias.
Eh, porquanto se e nele achou coisa boa
para com o Senhor Deus de Israel em casa
de Jeroboão. Isso é misericórdia
preventiva. Nos casos de matança no
Antigo Testamento, Deus pode ter usado.
A igreja usou na idade média como
justificativa, lembrando que das
crianças é o reino de Deus, é o reino
dos céus. E Isaia 7:15 mostra que parece
mostrar que numa idade a pessoa sabe
desprezar o mal, escolher o bem. Então,
João, essa é uma é uma pergunta
que eu eu não vou conseguir responder
agora, porque aí para isso eu teria que
dar uma olhadinha. Eu vejo que tem
coisas aí um pouco mais complexas.
Então eu não estudei. Eu vi que semana
passada você fez algumas perguntas que
tinham a ver com a lição da escola
sabatina. Aí para quem é adventista, eu
não sei se isso tem a ver com a lição.
Eu não estudei essa semana a lição, mas
eh eu vou ficar devendo essa
eh aí um pouco mais paraa frente aqui.
Eh Samili diz: "Que legal você ter saco
para assistir esses debates eu fico logo
reativa."
Eh, então é, tem que ter a a mente tem
que estar no lugar certo para conseguir
assistir um debate, principalmente desse
tipo de debate na época era assim, era
muito, era mais um deboche contra a as
religiões, sabe? Quando tem tem essa
vibe, né? Era bem assim, né? Hoje no já
não já não é tão desse jeito esse tipo
de debate. Hoje em dia não se debate
tanto isso. Hoje em dia o que se debate
mais é política. Tudo virou política,
né, na internet.
Eh, aí o Oziel fala aqui: "Tô desde a
semana passada ainda pensando na questão
da ressurreição não ser um tema
predominante no Antigo Testamento."
Exato, Ozeel. Eh, e eu acho isso
interessante. Tem gente que diz que,
inclusive, não existe nenhuma
ressurreição no Antigo Testamento.
A gente assim estudioso do assunto. Eh,
então,
e eu acho que tem, mas eu entendo que os
textos que tem deve ter uma maneira de
interpretar, dizendo que não é
exatamente sobre isso que ele tá
falando. Mas eu acho isso interessante
justamente no que a gente argumentou lá
semana passada, Ozel, que a religião, a
Bíblia não foi escrita para responder a
essa questão. Ela foi escrita para
responder outras questões e essa questão
ela é posterior, ela não é a questão
principal. A vida após a morte não é o
objetivo da religião da religião
bíblica.
Aí o Oel coloca aqui, primeiro vídeo
aqui é de 2015. É, então é 10 anos a
gente tá fazendo esse ano aqui, 17 de
novembro, daqui a a duas semanas aí,
mais ou menos, um pouquinho mais, né?
E aí a gente faz esses 10 anos do canal.
E é interessante porque eu vou fazer em
dois dias esse esse vídeo, fazer eh hoje
e na sexta-feira que vem.
Eh,
aí o Davi Silva,
ele coloca duas coisas aqui. Você tem um
livro preferido do Novo Testamento?
do Novo Testamento. Davi,
eu não sei se tenho um livro predileto.
Eu acho que vou ter mais de um. Eu
gosto.
Eu vou mudando, né? No Antigo
Testamento, o Eclesiastes fica ali no
coração, mas o Novo Testamento eu vou
mudando. Eu eu eu
gosto muito do Evangelho de João.
Eu gosto da carta aos Coríntios de de
Paulo, a primeira carta aos Coríntios.
Gosto bastante.
Eh, estranho, né? Normalmente as cartas
de Paulo não são as a as passagens
predjetas, principalmente ali por causa
de Primeiro Coríntios 13, né? Eh, ainda
que eu falasse língua dos homens, dos
anjos, se não tiver amor e tal, eh,
várias coisas interessantes aí nessa
nessa carta.
Eh, e tinha mais uma coisa que tava na
minha mente agora de Novo Testamento. Eu
tô gostando de Apocalipse. Estudei
Apocalipse não muito tempo para fazer um
estudo lá pra comunidade.
Eh,
deixa eu ver aqui. O Ambrosio tá falando
que o áudio está muito baixo.
Existe uma configuração do Windows que
sempre quando eu mexo nela, ela volta
atrás. Eu vou mexer nela aqui ao vivo,
correndo risco de dar tudo errado. Aí
vocês me falam. Eh, é isso daqui,
gente. Deixando o áudio assim, ele chega
a estourar, ele dá aquelas
estouradinhas.
Me diguem, me digam aí se o com áudio
nesse nível ele chega a estourar. Sabe
quando o áudio fica, quando ele fica
assim estourando, isso aqui é estourar,
mas quando eu tô falando assim, chega a
estourar. Eh,
e eu tô achando que sim um pouco, hein?
Vamos ver aí o o feedback de vocês.
Eh,
eu disse beleza aqui, vamos ver se segue
assim.
Eh,
e mais uma uma questão do do Davi, do
David Silva aqui. Biblicamente, o que
seria mais apropriado no ajuntamento da
igreja? Um monólogo, pregação, sermão ou
um diálogo, um estudo interativo da
Bíblia, onde todos podem falar? Isso é
bastante interessante, essa pergunta aí,
David. Bastante interessante, né?
Eh, o áudio tá OK aí, pelo jeito, né? O
João disse que estourou um pouquinho.
Vou dar uma baixadinha aqui e aí acho
que fechou. Deixar ele assim, nesse
nível aqui. Eh, aqui pelo meu mostrador
não chega a estourar.
Aí, eh, qual que é o ponto, né? O que
que é o sermão hoje na Bíblia? Eh,
aliás, como que como que funciona a
nossa liturgia na Bíblia? De onde ela
foi tirada da Bíblia essa liturgia, essa
maneira de se organizar a igreja hoje em
dia?
Primeiro, o que que é a igreja? Como a
igreja se forma? Eh,
eu tenho um vídeo aqui que eu comento
sobre isso,
porque a gente normalmente faz um
paralelo entre a igreja e o
entre a igreja e o santuário, né? A
gente pensa o santuário como igreja, a
gente canta salmos que falam do
santuário se referindo à igreja, né?
Alegria me disseram: "Vamos à casa do
Senhor" e tal. E você fala disso
pensando na igreja, a igreja é a casa do
Senhor. Mas biblicamente isso tá errado.
Isso é um erro. A igreja não é a casa de
Deus. A casa de Deus é o santuário e os
e a igreja é uma outra instituição que
não tem nada a ver uma coisa com a
outra. É claro, eu tô, deixa eu só abrir
um parênteses aqui. Isso eu tô falando
em uma interpretação eh eh que seja
exclusivamente bíblica, porque eu sei
que, por exemplo, dentro do catolicismo,
existe dentro da tradição católica essa
relação, né? Eh, e dentro do
catolicismo, não necessariamente
eh as teologias católicas elas precisam
tá 100% fundamentadas no texto bíblico,
porque dentro do catolicismo, a própria
tradição da igreja é uma revelação
divina, né? Então, é uma outra maneira
de se pensar aqui, né? Não, eu sei que
tem pessoas católicas aqui, a Lilian
inclusive tá aqui hoje. Boa noite. Eh, e
isso não é necessariamente um um uma
crítica ao catolicismo, mas é só uma
consideração aí ao a maneiras diferentes
de se pensar, né? Então, no catolicismo
existe teologicamente estabelecido essa
essa essa
eh não é nem uma semelhança, é a mesma
coisa. A igreja é o santuário. A parte
da frente da igreja é o altar. As
orações são sacrifícios, né? As orações
quando você confessa, você
tem as coisas que você tem que fazer,
são uma espécie de sacrifício. Você vai
na igreja pros pecados serem perdoados.
Eh, na Bíblia não existe esse paralelo,
porque o que acontece na Bíblia, né?
O santuário. Vamos falar bem brevemente
aqui que que é a instituição do
santuário, qual que era o objetivo dela,
para que que ela servia. O que que era o
santuário? O santuário era o lugar onde
as pessoas iam, onde Deus se manifestava
fisicamente e o povo se reunia para
perdoar pecados, para que tendo os
pecados perdoados, Deus possa habitar no
meio do povo, que é o que Deus fala lá
em Êxodo 25. É isso, né? e me farão um
santuário e eu habitarei no meio deles.
Ou ainda que é uma tradução possível e é
bem interessante, e eu habitarei dentro
deles, né? Eles vão me fazer um
santuário para eu habitar dentro deles,
eh, dentro de cada um dos israelitas,
né? O que já tem um paralelo aí com o
Novo Testamento, quando Paulo fala que o
vosso corpo é o templo do Espírito Santo
e tal.
Eh, e aí
esse era o objetivo do santuário.
Inclusive, existia uma intermediação no
santuário, porque você não podia chegar
no santuário, entrar lá dentro, oferecer
seu sacrifício, entrar lá dentro e
oferecer o sangue dentro do do do
santuário. Não era assim que funcionava.
As pessoas só podiam entrar no pátio do
santuário. As pessoas não entravam
dentro da do prédio do santuário, quando
o santuário era um prédio, né, ou da
tenda na época do tabernáculo. Então, as
pessoas não entravam dentro do
santuário, era só os sacerdotes que
entravam. E os sacrifícios que você
levava lá para oferecer, eles eram
intermediados pelo sacerdote. Então você
confessava seu pecado sobre o animal e
tal, mas era o sacerdote que oficiava
aquele aquele sacrifício.
Então vocês vem, é um funcionamento
diferente. O que acontecia no santuário?
Sacrifício.
Quem podia entrar no santuário?
Sacerdotes só, né? o povo só poderia
entrar no máximo ali no pátio. Eh, e
como acontecia e eh qual era o objetivo
principal? Perdão dos pecados.
Quando a gente vai pro Novo Testamento,
a teologia que o Novo Testamento faz de
todo o sistema sacrificial não passa
pela igreja, principalmente ali no livro
de Hebreus.
A teologia de Hebreus não passa pela
igreja. a igreja não vira um substituto
do santuário. Pelo contrário, o não é
nem a questão não é nem é contrário, mas
que não tem a ver com isso. O perdão dos
pecados acontece no Novo Testamento
através da confissão particular de cada
um. Todo mundo hoje, tá lá em Hebreus,
Hebreus diz, né? Vocês podem se achegar
confiadamente diante do trono de Deus,
né, para pedir perdão pelos pecados e
tal, porque agora é só você se ajoelhar
no seu quarto sozinho e pedir perdão
pelos pecados. E todo aquele sistema
acontece em um em uma de uma outra
maneira, né?
Então, eh, o objetivo do santuário é
cumprido na sua confissão particular e
sem intermediários, diretamente para
Cristo que oferece seu próprio
sacrifício e assim mesmo como sacerdote
e sacrifício diante de Deus para perdoar
os pecados. Então, no Novo Testamento é
isso que se diz. Então, qual que qual é
a função da igreja de onde ela veio?
Na época do exílio, quando o templo tava
destruído e quando os israelitas estavam
vivendo em outro lugar, eh, no exílio
babilônico,
eh, e depois na Pérsia, né, os os
israelitas construíram casas de estudos
da Torá,
porque existia uma lei eh uma lei que é
uma isso aparece no no livro de
Deuteronômio, se eu não me engano, que
diz que a lei de Moisés deveria ser
lida, se eu não me engano, acho que de
cinco em 5 anos. Você pegava aquele rolo
do Pentateu que lia ele inteiro, né, na
frente da congregação. Devia demorar o
dia inteiro ou dois dias, três dias, não
sei quanto devia demorar isso, mas você
lia o pentateuco na frente de todo
mundo. A lei era lida para todos. Eh, e
aí o que acontece?
para cumprir, para se cumprir essa lei
que normalmente era feita na tenda da
reunião e que às vezes o santuário
cumpria essa função.
Eh, isso acontece principalmente lá no
no templo já quando Davi constrói, que
ele constrói salas de estudo da eh como
se fosse e eh lugares pro povo se
encontrar. E aí tinham estudos da Torá
normalmente, né? eh, provavelmente
nesses lugares. Eh, então, para cumprir
essa lei de leitura da Torá sem o
santuário, sem um lugar de reunião pro
povo, as pessoas construíram diversas
casas e na verdade não não nem
necessariamente construíram nesse
período, mas as pessoas se reuniam
dentro das casas para estudar a Torá,
para se cumprir essa lei. Então, elas
estudavam a Torá, elas liam a Torá, o
Pentateuco dentro dessas casas de
estudo.
E depois mesmo quando o santuário é
reconstruído,
essa essa tradição se mantém. E é isso
que depois o povo vai chamar de
sinagogas. Que que são as sinagogas?
Então, as sinagogas é importante
entender, na época de Jesus, as
sinagogas elas funcionavam em paralelo
com o santuário, porque tinha um
santuário construído na época de Jesus,
né? O segundo templo, né? Você tinha o o
tabernáculo do deserto. Aí Davi constrói
o primeiro templo. Davi e Salomão, né?
constrói o primeiro templo e depois você
tem o segundo templo que é construído no
pós-es exílio. Então tinha o santuário e
ao mesmo tempo tinha essas casas de
estudos da Torá. E depois quando o
segundo templo é destruído,
o centro da religião israelita se volta
pra sinagoga agora que já existia.
A igreja não é uma herança do santuário,
mas uma herança da sinagoga. É desse
hábito de se reunir para estudar. que os
judeus faziam, que os judeus que
começaram a seguir a Jesus como o
Messias, começaram a se reunir e
estudar.
E a partir daí se faz aquilo que a gente
chama de igreja. Então, por que que eu
tô fazendo toda essa volta?
Porque a a liturgia do da sinagoga não é
a mesma liturgia do santuário, apesar de
tentar se fazer uma certa relação.
Existe, por exemplo, e na sinagoga hoje
você tem três cultos e esses três cultos
de manhã, tarde e e e no de manhã,
meio-dia e por do sol, se eu não me
engano, que deveriam ser eh relativos
aos sacrifícios que aconteciam no
santuário, porque esses casas estudo,
essas casas de estudo foram criadas no
início para se suprir uma falta de um
lugar de reunião que o santuário supria.
Então, se tem uma uma ideia de fazer uma
uma um paralelo entre as sinagogas e o
santuário no início, mas sem a função
principal que era o sacrifício, né? Eh,
então
a partir daí que se começa a construir
uma liturgia na sinagoga. E dentro dessa
liturgia você tem a parte principal que
era o objetivo da sinagoga, que era a
leitura do texto.
E essa leitura do texto foi sendo
acompanhada de toda uma liturgia que se
tinha. Então você para ler o texto você
tem um lugar onde se guarda o texto.
Então você retira o rolo do texto desse
lugar que era chamado arca, fazendo
referência a arca da aliança, o Aron. E
aí você tira o rolo da Torá, você abre,
você lê ele na frente de todo mundo. E
isso acontece até hoje nas sinagogas. A
leitura pública da Torá, em tese, eh, o
a parte mais importante da liturgia, que
é quando Deus fala diretamente ao ao
povo, né, através da leitura do texto. E
aos com o tempo foi passando, se
incorporou na liturgia da sinagoga a
discussão
sobre o texto bíblico, sobre o texto que
foi lido, né, uma deras, uma uma
explanação, uma derachá.
A derchar que essa explanação que era
uma discussão, passa a se tornar um uma
espécie de uma meditação sobre o texto
que foi lido. E no final, hoje no
cristianismo, você não tem uma leitura
pública mais da Bíblia. as pessoas não
abrem e leem a Bíblia para todo mundo,
porque hoje as pessoas têm a Bíblia em
casa e tal, por várias questões. Eh,
hum, e a gente ficou só com a explanação
sobre o texto. Então, o que era a
leitura do texto, que era a parte
principal, virou só uma explanação sobre
o texto. E essa virou a parte principal,
que é o sermão.
Então, o que a Bíblia fala sobre sermão?
Nada. Não existe uma explicação bíblica
de qual é o sermão. A Bíblia fala sobre
ensinamento, né? Principalmente as
cartas, as epístolas pastorais lá, né?
Eh, eh, Timóteo, que vai falar sobre a
você deve ensinar as pessoas e tal, né,
na nesse evangelho de Cristo e tal.
Eh, mas você não tem uma uma
algum tipo de explicação no Novo
Testamento em que momento isso
necessariamente tem que acontecer na
liturgia da sinagoga. Não, o que
tradicionalmente aconteceria era essa
derchar que essa discussão sobre o
texto. Então,
historicamente,
eh, o o que faz sentido é não ter um
sermão onde ficar todo mundo quieto
ouvindo uma pessoa falar, mas existir um
estudo sobre o texto. As pessoas
conversam sobre o texto.
Eh, historicamente tô falando em relação
à sinagoga ao primeiro século. Agora
também existe toda uma história do da do
cristianismo que construiu essa liturgia
que a gente tem, onde tem uma pessoa que
fala e as outras ouvem. Então assim, eu
não necessariamente eu vou dizer que
existe um modelo mais apropriado.
Eu gosto mais da ideia de igrejas
menores
em que o sermão alguém estuda sobre o
assunto e traz, mas ao mesmo tempo é
aberto para as pessoas conversarem sobre
esse assunto. Não é só uma fala, um
monólogo, né? Eh, então existe um
diálogo, existe uma construção junto,
né? Esse é o esse modelo, por exemplo, é
na igreja que eu frequento hoje, que é
uma igreja menor e dá para fazer isso.
Então, eu acho que faz mais sentido para
mim eh
o o modelo de igrejas menores, onde as
pessoas participam mais.
Eh, eu acho que faz muito mais sentido
um modelo onde você vai e presta um
culto. Alguém comentou isso semana
passada, que é uma uma ideia que eu
gosto também, muito mais sentido um
lugar onde você vai e oferece um culto,
você faz um culto, eh, você cultua a
Deus do que um lugar onde você vai e
assiste um culto, entende?
Então esse modelo mais passivo de
religiosidade para mim não faz muito
sentido. E olhando paraa Bíblia, o que
eu entendo da Bíblia, não era exatamente
essa ideia que se tem na Bíblia. Então,
respondendo a pergunta depois de muitas
voltas, né? Eh, agora chegando hoje, eu
acho que faz sentido a gente voltar um
pouco para aquele padrão antigo de ter
casas de estudo, lugares menores. Isso
tira um pouco a um um peso de eh de que
o líder é inquestionável, porque ele não
chega e faz um monólogo na hora do culto
e que é a parte mais importante é o
sermão e é um monólogo do do da pessoa
que tá conduzindo. Eu acho que faz mais
sentido o modelo que é mais comunitário.
são comunidades menores, dá para as
pessoas sentarem, conversarem sobre os
assuntos e tal. É mais ou menos o que a
gente faz aí nas escolas, escolas
bíblicas, né?
Eh, na igreja adventista é a escola
sabatina e tal. Em outras igrejas é a
Escola Bíblica Dominical, não é isso? A
EBD.
Então, eh, eu gosto mais desse modelo.
Não quer dizer que eu sou contra
sermões, viu? Eh, sermões que são
monólogos quando são bem feitos e tal.
Existe um motivo aí, toda uma tradição
da igreja que se foi levando para esse
esse modelo. E acho que esse modelo pode
ser proveitoso também, mas eu prefiro o
comunitário.
Eh, bom, beleza.
Aí o o o João fala: "Fiz a pergunta para
tentar entender a lição mesmo. O texto
de hoje não está na lição, mas estou
tentando entender a justiça e a
misericórdia de Deus". É, João, é aquela
pergunta que você fez no começo, né? Eu
precisaria dar uma olhada no texto para
entender melhor.
Ah, o Edson pergunta: "Somos salvos por
crer ou por obras?" Biblicamente, a
gente é salvo por pelo que a gente crê.
A gente não pode fazer nada para ser
salvo. Tem nada que a gente possa fazer.
É, o livro de Romanos é um livro inteiro
construído com um grande argumento, no
sentido que é absolutamente impossível
você fazer alguma coisa que possa te
levar à salvação, né? Deus encerrou
todos embaixo do pecado para ele mostrar
que quem salva é só ele mesmo. Eh, então
não não se fosse por obras não existia
salvação,
tava todo mundo perdido.
Eh,
vamos lá. Eh,
gente, se vocês puderem dar mais um
feedback aí sobre o som aí, o pessoal
falou um pouco aqui que tinha esturado.
Depois não tá mais. Se vocês puderem só
me falar se tá OK. Aí a Lin fala aqui,
tinha uma época que eu tava meio de bode
de religião, muitas proibições, tudo era
proibido e pecado. Eu fiz a primeira
comumão, fiquei tão emocionada a tomar
as hostas da primeira vez, me senti
iluminada, escolhida, mas depois me
afastei. Senti o encanto acabar. É, isso
acontece muito, viu, Lilian? Acho que em
todas as igrejas o
a gente vai
a gente perde aquele a expressão que tem
no livro de Apocalipse, né? Perdeu o
primeiro amor, né?
você, a gente, aquela conversão do
início, ela causa uma reação na gente
emocional que depois parece não
acontecer mais do mesmo jeito, né? Isso
acontece. Pessoal falando que o áudio, o
áudio tá OK aí. Valeu, gente. Neusil
fala dashivas, né? Ashiivá, eu já não
sei a história dashivas. Eu sei que hoje
a Ia Shiva é o que seria um seminário, é
o é o lugar onde uma pessoa estuda pro
rabinato, ele estuda para virar rabino,
né? Não é a mesma coisa do que uma
sinagoga. Agora, como surgiu
historicamente, eu não sei dizer. As
Iivanas, né? Eh, bom,
vamos lá. Eh,
Neusil coloca aqui uma questão. Nossa,
eu discordo. Somos salvos pela graça,
por fé e por obras. É um tripé e não uma
um anula o outro. É bíblico isso.
Então, existe uma questão bíblica, eh,
existe uma discussão aí entre Paulo e
Tiago.
Paulo fala que somos salvos, exclus
somos justificados exclusivamente pela
fé. E a salvação vem pela justificação,
né? Então, somos justificados pela fé. E
ele faz todo esse argumento de Romanos.
Eh, Tiago vai falar que o exato oposto,
ele vai falar: "Não somos salvos somente
pela fé, mas pelas obras também. Não
somos justificados pela fé, mas pelas
obras também. Mas do jeito que Thago
fala e é o jeito que eu entendo essa
essa essa tensão entre essas duas
ideias, é que a ideia que que Thiago tá
falando é que se você é salvo, se você
está salvo, isso necessariamente tem que
se manifestar na sua vida em obras. Quer
dizer, o sujeito que é um assassino
e ele é salvo por Deus, ele vai
demonstrar essa salvação em deixar de
ser um assassino, entende?
Ele não vai ser salvo porque ele não
mata,
mas ele não mata
porque ele foi salvo, entende? Então, na
minha cabeça, Neuzi eu inverto as ordens
dessas coisas aí. Eh, a salvação vem
primeiro e as obras são consequência
delas, né? A gente chama de obras, né?
Ele coloca aqui, eu não sei, Neusil, se
é ele ou ela, você, Neusil, eh, e coloca
aqui mesmo, porque em Apocalipse tá
claramente escrito das obras
condenatórias. Exato. Isso existe na
Bíblia toda, né? Eh, na Bíblia toda fala
de de coisas que são condenatórias. Aí a
questão é
para você ser salvo, o que que você tem
que fazer? Não cometer nenhuma dessas
obras condenatórias.
Eh, é, se você não comete nenhuma delas,
você está salvo. Mas quem não comete
nenhuma, esse é o que o Paulo vai
colocar. Tem alguém que é perfeito, que
não erra, que não peca, né? E se tem
alguém, não precisaria. O Edson até
coloca aqui também, a obra de Cristo não
estaria consumado. Se tivesse alguém que
não pecasse, a gente precisaria de
Cristo morrer, porque aí o o critério ia
ser da salvação, ia ser as obras. Mas
Cristo vem morrer justamente porque a
gente não tem como se salvar sozinho e
ele oferece pra gente de graça a
salvação. Só que essa salvação, uma
demonstração da da salvação é justamente
as obras, né?
Eh,
mulher, a Sil, a mulher. Então, Sil, eh,
e a Sil coloca aqui: "As obras não te
salvam, mas as má obras te condenam. É
sutil, mas é cabal". É, o problema é que
todo mundo tem mais obras e tá todo
mundo condenado. E é o que Paulo fala:
"Quem vai me livrar do corpo da dessa
condenação?" Porque aquilo, o bem que eu
quero, eu não faço e o mal que eu não
quero fazer, isso eu acabo fazendo.
Então, se as má obras condenam, todo
mundo tá condenado. E é de fato, todos
estão condenados e as más obras
condenam, sim. Eh, graças a Deus que
Cristo nos livrou desse dessa dessa
perdição, né? Esse é o argumento que que
vai ser feito nas cartas de Paulo sobre
essa questão.
Eh,
bom, vamos lá, gente. Vamos então para
esse tema que eu tinha preparado hoje.
Já são 9 horas.
Eh,
qual que é a ideia? O que, qual que é
esse tema? De onde ele vem?
O que que é o que eu quero falar? Então,
eu preciso explicar antes o que que é
esse tema.
Eh,
tô vendo o pessoal do comentando ainda
coisas dessa ideia da salvação, né? Eh,
talvez no outro dia a gente também
comenta mais profundamente, pegue um
texto específico e fale sobre ele.
Talvez, ia ser legal, de repente traz
aqui os dois textos de Paulo e de de
Paulo e de Thago. E a gente coloca, lê
os dois textos e ver aqui. Eu não sei de
cabeça quais são os textos para eu abrir
aqui e já ir falando, né? Mas eu sei que
um tá em Thiago, no livro na na na no
livro de Thiago e outro tá num eh na
carta de Romanos, carta aos Romanos.
Agora, qual exatamente a passagem? Eu
não sei.
Bom, vamos lá. Então,
existe uma um problema que é que quando
a gente olha paraa Bíblia,
eh, e isso aconteceu lá por volta do
século XVI e X,
você começa a encontrar muitas
similaridades com outros textos
religiosos do Antigo Oriente Médio.
Então, o que aconteceu nessa época? Eh,
se fizeram muitas descobertas
arqueológicas, principalmente em relação
às religiões do antigo Oriente Médio.
E começou a se perceber
que coisas que a gente achava que eram
exclusivas da Bíblia não são tão
exclusivas assim.
Então, por exemplo, coisas as coisas
mais comuns que a gente vê na Bíblia e
em outras religiões, principalmente do
antigo Oriente Médio, mas não só também,
né?
A ideia de
um Deus que você cultua e que você vai
num santuário que tem um sacerdote e
você oferece um sacrifício.
A ideia de santuário, sacerdote e
sacrifício é uma ideia que é muitíssimo
comum no culto pagão, né? Então, quando
você olha pra antiga Grécia, as pessoas
ofereciam sacrifícios para os deuses e
isso aconteceu num santuário e era
intermediário intermediado por um
sacerdote.
Inclusive existia até a ideia no Tigor
Médio do templo tripartido, que é um
templo que é parecido com o templo que é
descrito na Bíblia, que é o templo onde
tem um pátio. Existe uma construção
principal que tem uma parte mais externa
e uma parte mais interna. E essa parte
mais interna, ela é mais separada das
outras. E no templo pagão é onde você
tem o ídolo. O ídolo fica nessa parte.
Então, não sei se vocês lembram o
episódio em que a a arca da aliança é
é levada
por um povo, eu não lembro se era os
filisteus,
e ela é levada e colocada dentro de um
templo na frente da estátua de um deus
chamado Dagon. Então o no pensamento
desse povo tem um paralelo. A arca da
aliança é o que ficava dentro do
santíssimo. Então ela vai ficar no que é
pra gente o santíssimo, que é essa parte
interna onde fica o o ídolo, né? E aí
tem aquela ideia de quando eles chegaram
de manhã o ídolo tava caído, depois
levantaram o ídolo, aí depois no outro
dia o ídolo tava caído e esquartejado,
quebrado no chão e tal. Eh, e aí começou
a aparecer as pragas e tal, né? Então, a
gente tem similaridades
entre o o a religião bíblica e de outros
povos. E quanto mais se estudava, mais
parecia que que tinham mais
similaridades.
Eh, e tem dois textos principais
que mostram diversos aspectos em comum
com várias ideias bíblicas, um que chama
Enumaeles e outro que é a epopeia de
Gilgames, né? O que vamos falar primeiro
do Enumaelis. O que que é o o
Enumaelish? E uma série de tabletes que
foram encontrados,
eh, que eles são mais antigos que o
texto bíblico.
Eles estão lá em entre o século XI e X
antes antes de Cristo, antes da era
comum.
E eles contam a seguinte história, o
enomelish é um é um é um é um texto, é
um mito de criação divina babilônico,
tá? Então, qual qual que é a história,
né? A palavra enumaelish, a expressão
enuma significa quando no alto, porque
ele começa com essa frase, quando no
alto não havia nada e tal, nada tinha
sido criado, havia só
eh Tiamate e Apso, que eram dois grandes
seres aquáticos, dois grandes dragões de
de água, vamos chamar assim. Eu já vou
fazer a a o paralelo com dragão, porque
é muito interessante quando você fala de
Tiamat e é um dragão. Para quem tem a
minha idade vai saber a referência, né?
E a caverna do dragão tirou essa ideia
da do mito babilônico do Enumaelis, que
Tiamate era um dragão muito importante,
né? Então, no início
só havia água e caos.
E nesse caos, desse caos, emerge Tiamate
e apso, representando o feminino e o
masculino.
E esses seres, eh, eles eles se
relacionam e começam a gerar outros
seres.
E você vai tendo várias gerações de
deuses e demônios nascidos de Tiamate e
Abso.
E quando você chega na sétima geração de
de deuses, começa a haver uma rebelião
entre os deuses nascidos e esses seres
primordiais. Isso daí é o que diz esse
mito eh babilônico do Enumaelish.
E quando começa essa essa esse conflito,
se estoura uma guerra. E nessa guerra,
esse deus Apso é morto.
E quando Abso é morto, Tia fala: "Eu vou
me vingar com toda a minha fúria sobre
vocês". E os deuses ficam com medo. E
eles se reúnem e fala: "O que que a
gente vai fazer? Quem vai conseguir
derrotar Tiate? E os deuses que são
aliados a ela agora. Depois que Abson
morreu, agora Kingu se torna o marido
dela e e o general dos exércitos dela.
Eh, e nessa reunião de deuses, um Deus
fala assim: "Não, vamos fazer o
seguinte, eu vou, eu, eu derroto Tamat,
só que vocês vão ter que jurar para mim
que vocês vão eh vão todos serem, né,
uma espécie de vassalos. Vocês vão ser
todos submetidos a mim, né? Se eu
conseguir fazer isso, se eu conseguir
matar Tiate, derrotar Tiate, e eu vou
ser o Deus soberano. Então, e as pessoas
concordam. E o nome desse Deus é Marduk,
que é a principal divindade da
Babilônia.
E aí eles vão para esse conflito, esse
grande conflito aí que Marduk ele sopra
um ventro na boca de Tiamate, a boca de
Tiamate se abre e ele joga uma seta
dentro da boca de Tiamate, acerta o
coração dela e ela morre, né?
muito interessante. Eu não sei se é uma
se é uma referência intencional ou não,
mas tem um filme do Godzilla, nesses
novos filmes do Godzilla que tem e com
aquele ator eh o o cara do
e o Brian
Cranston, que é o cara do Breaking Bad.
Esse filme do
do Godzilla, o Godzilla tá lutando
contra outros seres primordiais igual
ele e ele derrota esse ser justamente
soltando aquele aquele jato dentro da
boca desse outro bicho e e esse bicho é
destruído, né? Igual a ideia, a história
aqui de de Marduk e Tiamate, dessa
grande guerra entre os deuses, né?
Então, assim que Tiamate é morta
e o corpo dela é é é é dividido, então
ele usa esse corpo para que para criar a
terra e os céus com esse corpo dividido
de Tiamate. Então o mundo é feito do
corpo de Tiamate
e do general que eh que
não, isso é um pouco mais, isso é um
pouco para depois. Bom, o mundo é
criado, então.
E aí os deuses começam a se empenhar
para cuidar desse mundo recém criado
agora depois dessa grande batalha. Só
que eles vêm reclamar para Marduk e
falam: "Olha, é muito trabalhoso cuidar
desse mundo. Como que a gente vai
fazer?"
E aí Marduk fala: "Não, eu vou dar um
jeito". Então ele pega Kingu, que era o
general aliado a tia Mate, né? do da do
sangue desse general morto, ele mistura
com um barro e cria então o ser humano.
Então a função do ser humano dentro do
enuma é servir os deuses. Então o ser
humano é que vai fazer a manutenção
desse mundo no lugar dos deuses pros
deuses poderem descansar, né? E tudo
isso acontece então eh sob o domínio de
Marduk. E o Enoma termina com a
construção da cidade da Babilônia, que
seria a morada dos deuses e tal, né?
Então essa
esse conto do Enumaelish, eh, ele
provavelmente é um ele ele era um conto
litúrgico, ele ele era lido todo o fim
de todo o início de ano babilônico,
festival do ano novo babilônico, né?
Aquit.
E era a ideia que se parece é que havia
uma encenação do Enuma Elish quando isso
acontecia.
Eh, e tinha diversas funções aqui, né?
Tem um um outro escritor, o Nauns Sarn
que vai falar que eh o Enumel tem uma
função eh mitológica.
Ele tem uma função de explicar como o
mundo surgiu. Ele tem uma função eh
política, porque existe uma relação
entre a ideia do rei e de Marduk. Então
o Marduk é o o deus soberano legítimo,
porque ele derrotou Tiamate. Então o rei
ele representa Marduk, então ele é o
legítimo. Então a gente deve eh obedecer
ao rei, assim como os deuses obedeciam a
Marduk.
E então existe toda essa relação, então
várias funções ali, né? E também de
colocar a Babilônia como uma cidade
central ali daquele império babilônico,
né?
O que que a gente vê de quando a gente
ouve pela primeira vez parece que não
tem nada a ver com a Bíblia, mas tem
algumas coisas semelhantes aí que vocês
cidades devem ter percebido. O mundo
começa na água, numa água caótica.
E aí você tem o número sete relacionado
com a criação, né? texto bíblico são
sete dias no Enomelist são sete gerações
de deuses.
Aí você tem a criação do mundo pelo Deus
soberano. E aí você tem o ser humano
criado a partir do barro.
E você tem no texto bíblico a criação do
jardim do Éden para finalizar essa obra
enquanto na tem a Babilônia. Então
várias coisas que você vai juntando os
pontos falando: "Olha, tem
similaridades,
né? tem similaridades.
E aí quando a gente olha paraa epopé
Gilgames, que é uma outra história, que
vai ter aqui uns outros elementos aqui,
né? Como que funciona a epopeia de
Gilgamesch? A epopeia de Gilgamesch já é
uma história um pouco diferente.
Gilgamesh era um rei da Suméria, era um
rei muito tirano
e os deuses criam para ele um uruk, né?
é o nome da da cidade que julga mais o
rei, os deuses, né? Eh, cria um a alguma
coisa para tentar diminuir a tirania
desse deus, desse rei, né? Então ela
cria em que ela cria a partir do barro,
ela cria um ser primitivo.
Esse ser primitivo, então, eh, ele se
torna amigo de Gilgameh. E tem toda uma
ideia também que ele é ele é criado como
um ser inocente, mas aí ele tem uma
iniciação sexual por sete dias e aí ele
se torna sábio como os deuses.
O número sete de novo aqui. É só que aí
o o
eh o Gil Games o W
e o Gilgamesch passa então a perceber
uma a mortalidade falando: "Olha, eh, eu
vou morrer também um dia e eu quero
saber como eu faço para evitar a morte".
E aí ele vai atrás de um sábio que sabia
como evitar a morte, um sábio chamado
Utonapistin.
E o Utonapistin, ele tinha, ele era
muito sábio porque ele tinha criado um
barco muito grande que salvou a
humanidade de um grande dilúvio que
aconteceu, que os deuses jogaram sobre a
terra.
E ele fala pro Gilgamesh que existe uma
forma de você não morrer, que é você
comendo do fruto da vida.
E Gil Gamash parte então no nessa nessa
jornada em busca do fruto da vida para
ele não morrer e ele encontra esse
fruto. Mas no final da da história, né,
esse fruto é roubado por uma serpente. E
aí Gilgameh tem que se confrontar com a
própria perspectiva de morte. Aqui tem
outros paralelos que parecem mais óbvios
ainda, né? De novo, a ideia do ser
humano ser criado a partir do barro, no
caso aqui o Enkidu, eh, você tem a
árvore da vida, o fruto da árvore da
vida que dá a
O pessoal tá falando que o som baixou. O
som baixou de repente, gente.
Eu não sei o que que acontece aqui. Eh,
deixa eu aumentar um pouquinho
aqui.
Bom, eh,
tão vários paralelos aqui. Vocês veem,
né?
A árvore da vida, o fruto da árvore da
vida é o que dá a imortalidade.
Existe uma serpente nessa história
relacionado com o fruto e essa serpente
acaba
acaba desviando ali. Tá baixo ainda,
gente.
Baixou. Deu umas estraladas e baixou.
Ai, gente, eu não sei o que eu faço
agora. Tá OK. Tá bom. Vou continuar,
então. Talvez eu tenha pisado no fio. É
possível também.
Eh,
então quando você começa a estudar e
começa a ver esses paralelos, fala:
"Pera aí, o texto bíblico não é tão
original quanto a gente pensava."
E surge então uma teoria que é criada
que é a teoria de um modelo de evolução
das religiões. Então o texto bíblico, o
Deus bíblico, a ideia bíblica de
religiosidade,
eh ela não é uma ideia que eh que
original, mas ela acontece a partir de
uma evolução do politeísmo.
Então qual que era a teoria? Bom, a
gente sabe que existem essas grandes
cidades,
eh, as cidades muradas da antiguidade e
que normalmente nessas cidades, como a
gente viu aqui no no Enumaelish, você
tem um Deus que é soberano sobre os
outros.
Então, o que deve ter acontecido é que
esse Deus acabou sendo muito cultuado ao
invés de outros. os outros deixaram de
ser cultuados. E aí a gente tem uma
monolatria, que eles vão chamar, não é
exatamente um uma monog, um uma mono eh
um monoteísmo.
Não é exatamente o monoteísmo, mas é uma
monoloatria, no sentido de que eu até
considero que existem outros deuses, mas
aqui a gente só adora esse daqui. E
depois desse desse processo de
monolatria, isso acaba virando com o
tempo um monoteísmo. Essa era a ideia
que se tinha. Então, a Bíblia surgiu
desse jeito.
Eh, essa é a ideia que a pessoa do vídeo
tava me falando, né? Um conceito ali do
século XIX, eh, aquele vídeo que eu
falei do ateu que tava argumentando
nesse sentido.
Só que aí
dentro desse contexto aparece um sujeito
chamado Iresz, que é o Kaufman ali no
começo do século XX e ele escreve um
livro chamado A religião de Israel. Eu
até tenho uma cópia aqui que eu consegui
de algum jeito, eh, de uma edição em
português, não existe mais, é dos anos
70. Eh,
e aí ele vai propor uma coisa diferente
e ele vai apontar para algumas coisas,
né? Eu falar: "Ol
isso". Só que quando a gente olha pro
texto bíblico, a gente não encontra
rastros disso, porque o texto bíblico
parece desconsiderar totalmente a
existência de outros deuses. Quando você
olha pro texto bíblico e ele comenta de
outros deuses, ele não fala que um que o
Deus o o Baal se levantou, andou, foi
até tal lugar e fez tal coisa. Isso não
acontece no texto bíblico, né? Ou que
Dagon, Dagon ficou enfurecido, falou
para não sei quem tal coisa, foi em tal
lugar e guerreou e tal. Não, os deuses
são sempre compreendidos no texto
bíblico como ídolos.
E a Bíblia vai falar que esses ídolos
são vazios. Então a Bíblia parece
ignorar a existência dos deuses. E aí o
Herescal Calvman, ele vai propor um
modelo diferente desse que é que tinha
sido colocado. Ele vai dizer: "A Bíblia
não é uma evolução do politeismo, mas
ela é uma revolução.
Porque o que acontece no texto bíblico
não é que a gente vê um um ponto de um
modelo de transformação da religião, mas
a gente vê na verdade um confronto total
com a com todas as outras visões sobre a
religião. Eh, e o que vai se dizer,
então, que o texto bíblico não é uma
evolução do politeísmo, mas é uma
polêmica contra o politeísmo. O texto
bíblico, ele parece tá se opondo assim
conscientemente
sobre o politeísmo. E aí vem o o
conceito principal do Calfman é a
diferença entre o Deus bíblico e os
deuses e e o e os deuses pagãos. Não é
uma diferença aritmética, não é a
questão, não é o número de deuses. E é
por isso que ele não usa a palavra
monoteísmo
e politeísmo. Ele vai falar de paganismo
e de religião bíblica. Porque não é só
uma questão de número de deuses, mas
existe um um esse Deus bíblico, ele é
essencialmente diferente desses outros
deuses.
Então, olha só que interessante.
Ele vai aqui, ele começa a explicar
sobre o que seria então o politeísmo ou
paganismo
que torna a religião bíblica tão
diferente dessas. Então ele vai falar:
"Olha, quando a gente olha pro
paganismo, a gente percebe algumas
coisas. Primeiro, você tem vários deuses
e o fato de existir vários deuses
significa que esses vários deuses eles
são limitados.
Não existe a ideia de um deus ilimitado
nas religiões do antigo Oriente Médio,
né? Os deuses sempre são limitados, até
porque existem domínios de outros
deuses.
Eh, quem cuida do mar é Poseidom,
quem cuida do submundo é Ades,
eh quem cuida do sol é Hélios. Então, os
deuses eles têm os seus domínios e um
não é dominador do domínio do outro.
Então, só o fato de existir diversos
deuses já impõe essa ideia de que os
deuses não são ilimitados.
E não só isso,
eh, esses deuses eh são limitados e
existe, parece que existe um tipo de
poder que tá acima desses deuses, que aí
vem um conceito que é um pouco
complicado do Calfman, que é o reino
metadivino. E o que que é o reino
metadivino?
O Calfman propõe então que dentro do
pensamento pagão existe uma esfera de
realidade
que tá acima dos deuses e paraa qual os
deuses estão submetidos a ela. Então,
por exemplo, e dentro do Enumaelish
existe uma ideia de caos, um caos
primordial.
De onde surgem os deuses? Eles eh eles
não existem, eles não sempre existiram.
Essa ideia é uma ideia esquisita. Eles
surgiram de algum lugar. É o caos que
gerou esses deuses, aquele caos
primordial das águas. E os deuses eles
lutam e se matam usando um poder que é
proveniente desse caos primordial, que
seria o reino meta divino aqui dentro do
pensamento do Enumaelish. Então, dentro
de do pensamento pagão, existe uma
esfera de realidade que submete os
deuses a a ela. Eu, né? Ele vai chamar
de reino metadivino, mas é como se esse
reino metadivino fosse uma mecânica
universal que afeta os deuses. Então,
só pra gente entender melhor, por
exemplo, né, o o que a gente poderia
chamar de reino metadino dentro do
pensamento grego é o destino.
Quando algum sacerdote, algum oráculo,
ele ele ele dá um um oráculo de um de
uma coisa que vai acontecer, o destino
tá tá o destino já foi eh traçado e os
deuses não conseguem fugir ao destino. É
interessante isso, né? Por exemplo, a
gente tem o titã Cronos, o pai dos
deuses do Olimpo.
Existe um oráculo de que um filho de
Cronos vai matar ele, ele vai ser
derrotado pelo seu filho.
E o que Cronos faz? Ele começa a devorar
os seus filhos. Falou: "Não, esse eu não
vou me submeter a esse destino".
Só que é como se fosse inevitável. Ele
não tem o que ele fazer, porque de
alguma forma ele é enganado quando nasce
Zeus. Uma pedra é colocada enrolada num
pano do bebê e ele engole essa pedra e
Zeus cresce e quando ele se torna
adulto, ele vem eh derrota Cronos,
libera os seus irmãos da barriga de
Cronos e tal, né? Ní algumas versões vão
dizer que Cronos vai ficar então eh
exilado no tártaro e tal. Eh,
então não há o que um deus, nem um titã,
nem ninguém possa fazer para evitar essa
os decretos do do reino metadivino.
Então, existe uma esfera de realidade
acima dos deuses. Inclusive, essa esfera
de realidade é a que gera os deuses e o
universo. E se você consegue
manipular essa mecânica, você consegue
derrotar os deuses e matar eles. Você
porque você tá acessando uma esfera de
poder que tá acima. Os deuses foram
gerados por essa esfera de poder, por
esse reino meta divino. Eh, eu não sei
se tá muito claro isso, né? Porque é um
conceito complexo, só que quando a gente
começa a olhar para o pro que o Calfman
tava olhando, vê, a gente vê que faz
sentido, né? É claro assim, o Calfum é
um pouco pretencioso, porque ele vai
falar que todas as religiões pagãs têm
esse reino metadivino.
E é um pouco pretencioso falar todos,
porque existem muitas maneiras de pensar
o mundo, né? Eh, talvez isso se aplique
ali às principais religiões do antigo
Oriente Médio, ali no contexto onde a
Bíblia foi escrita. Mas é interessante
que a gente vê que existe de fato,
parece existir um esse tipo de padrão,
que existe essa esfera de realidade,
esse reino metadivino, eh, ao qual os
deuses estão submetidos e de onde emana
o poder deles próprios.
Então, eh,
Calfon explica o o paganismo através
desse dessa dessa ideia,
né? Eh,
os deuses, então, eles eles são gerados
pelo reino metadivino e os deuses têm as
suas as suas especialidades, digamos
assim. Existem deuses que são sábios,
existem deuses que são eh que conhecem
os mistérios, existem deuses que são
guerreiros, então eles têm as suas
habilidades, têm os seus jeitos e tal,
mas todos eles se submetem ao reino meta
divino.
E o que que o Calfman propõe? Quando a
gente olha pro texto bíblico, isso
parece ser diferente.
Quando a gente abre Gênesis 1, verso 1,
a gente lê assim: "No princípio, e essa
expressão no princípio bereit, né, no
hebraico, ela parece ter alguma
similaridade com o enumais,
né, quando no alto não havia Deus e tal.
E uma maneira eh que provavelmente é uma
maneira, melhor maneira de se traduzir
ali, o Gênesis 1 verso 1, é eh quando
Deus começou a criar os céus e a terra,
a terra era sem forme, vazia, etc e tal.
Então o texto começa falando sobre Deus,
sobre a criação do mundo, só que a gente
não tem o surgimento de Deus.
Quando começa, Deus já tá lá.
Então, existe uma ideia de uma teogonia,
que é a palavra que é a descrição de da
história da criação dos deuses, como os
deuses foram criados. Então, qual é a
teogonia do Olimpo? Essa história que eu
contei de Cronos. É assim que que nasceu
Zeus e seus irmãos, né? Os os principais
ali, Ades, eh o Poseidon e tal. Eh, é
assim que aconteceu,
né? Isso é a teogonia. Inclusive, existe
um livro, A Teogonia de Esildo, que
conta essas histórias, eh, que essa é a
teogonia, essa é a origem, a Genes, a de
gonia vem de de Gênes, o Gênesis dos
TOS, dos deuses, né? Eh, quando você
olha para outros relatos, você vê eh
outras teogonias, sempre tem uma
explicação de onde é que surgiram os
deuses e tal.
Eh,
quando você olha paraa Bíblia, não
existe teogonia. O Deus bíblico, ele não
tem história. Não existe uma história de
Deus. Como que Deus surgiu? Quem fez
ele? Como ele se tornou o Deus soberano?
Não existe. Eh, a Bíblia é desprovida de
teogonia. A Bíblia é desprovida de
teogonia e de mitologia.
Que a mitologia, nesse sentido, seria a
história de como os deuses se tornaram
soberanos. Então, a teogonia é a origem
dos deuses e a mitologia seria a
história dos deuses, dos deuses ou dos
heróis e de como eles se tornam aquilo
que eles são, né? Eh, a Bíblia
desprovida de teogonia e de mitologia. E
aí parece que o texto bíblico, a a
lógica bíblica aponta para um um jeito
de enxergar o mundo muito diferente de
de todos esses mitos pagãos. Justamente
porque no texto bíblico não é que Deus
ele é o reino metadivino, porque o reino
meta divino em todos esses essas essas
eh essas formas de ver o mundo, é uma
mecânica impessoal.
Só que o Deus bíblico, ele é pessoal,
assim como os outros deuses. Ele ele ele
fala, ele pensa, ele decide, ele tem
vontades. Eh, mas ele não tá submetido a
um reino metadivino. Não existe uma
instância de realidade acima de Deus.
Ele faz absolutamente tudo o que ele tem
vontade de fazer, o que ele quer fazer,
o que ele tem a intenção de fazer. E a
única coisa que impede a Deus é ele
mesmo, é a sua própria vontade de ser
mudada.
Eh, isso é muito interessante.
Ah, a gente chama de deuses, né? A
Bíblia usa a mesma palavra, Elohim, para
se referir tanto a essas entidades de
Deus quanto ao próprio Deus bíblico. Só
que quando a Bíblia descreve as ações de
Deus e e a natureza de Deus dentro da
das suas narrativas, o que acontece é
que Deus é essencialmente diferente
desses outros deuses. Ele é totalmente
limitado, ele não tem início e ele não
morre. Não existe uma esfera de
realidade que você consiga manipular a
Deus, né? Eh, não existe nada
que consiga fazer com que você eh
derrote
bíblico não pode ser derrotado.
Inclusive,
da perspectiva bíblica, quando Israel
perde uma guerra, que era compreendido
dentro da da mentalidade religiosa dos
outros povos como a derrota dos deuses
daquele daquela daquela nação, Israel
tem uma ideia muito interessante que é a
ideia de exílio, que é a gente foi
derrotado. Isso significa que Deus
venceu também, só que significa que Deus
venceu na nossa derrota. Ou seja,
eh, quem na verdade estava se opondo a
Deus não era o nosso povo inimigo, eram
nós mesmos. Nós é que nos opomos a Deus
e por isso fomos derrotados, porque não
existe dentro da lógica bíblica uma
forma de se derrotar a Deus, né?
Inclusive o Deus bíblico, ele é
ilimitado e ele é solitário de certa
forma, né? A gente comentou aqui
num um conceito de um outro escritor,
né, do Rudolf Otto, que é o Gansander,
que é a ideia de um deus eh que é o
totalmente outro, que é o essencialmente
outro. Ou seja, o Deus bíblico, ele é
solitário porque não existe ninguém na
mesma posição que ele, como há nos no
caso dos deuses. Então, por exemplo,
muitas vezes a gente olha para pra
Bíblia como um grande conflito entre
Deus e Satanás. Mas quando a gente olhar
pro texto mesmo, existe uma oposição
entre Satanás e Deus, porque ele,
Satanás decidiu se opor a Deus, mas não
existe nenhum tipo de contraposição como
se existisse um uma um uma uma
similaridade entre Deus e Satanás. Pelo
contrário, a gente até acha estranho,
porque parece que Satanás, mesmo sendo
oposto a Deus dentro da visão cristã,
né? O, existe uma visão que se tornou
predominante hoje no judaísmo, que pensa
diferente, mas eh
mesmo Satanás sendo oposto a Deus, ele
parece estar sempre submetido. Quando a
gente olha, por exemplo, lá pro eh pro
livro de Jó,
o Satanás só pode fazer aquilo que Deus
permita que ele faça, né? Não, não
existe nenhuma vez no texto bíblico eh
Satanás conseguindo medir forças com
Deus, mas parece que Satanás ele só se
aproveita de uma ideia que é o Deus
bíblico permite certa oposição.
Inclusive, essa certa oposição não
precisa ser um um um ser angelical. Você
pode se opor a Deus se você quiser. Você
pode se rebelar contra Deus se você
quiser, né? Eh, e isso só existe essa
condição porque Deus permite que ela
aconteça. Então, olha só, né? Esse é é a
primeira parte. a gente vai parar nessa
ideia e depois a gente vai ver outras
implicações. Mas quando a gente olha
para esses outros mitos que eu falei,
apesar dele ter similaridades,
parece que essas similaridades são só na
aparência, na forma, mas na essência
elas são totalmente diferentes. Então,
por exemplo, a gente falou aqui do Enum,
o ser humano sendo criado a partir do
barro, né? um barro misturado com o
sangue do general de Tiamati Kingo.
Só que qual é a função do ser humano
dentro dessa narrativa? A função dessa
desse ser humano é servir aos deuses.
Ele é criado como basicamente um servo,
um escravo dos deuses para manter o
mundo. Quando a gente olha pro texto
bíblico, tá? Deus também cria o homem do
pó da terra. Mas qual é a função desse
homem? Quando Deus olha para homem, Deus
fala: "Ah, eu vou criar um ser, a minha
imagem de semelhança." Isso é um
conceito totalmente estranho ao
pensamento pagão. E qual e qual é a
relação que Deus tem com esse ser? É
Deus que serve o ser humano. É Deus que
cria a comida pro ser humano. Fala: "Ó,
eu estou aqui, ó, eu estou te dando um
jardim. Eu tô te dando comida e você
pode ficar à vontade. Aqui eh, quando a
gente olha para pra essência, pro
pensamento, paraa função dessas
similaridades, a gente vê que existe a
similaridade só na casca. O resto é
totalmente diferente, né? Interessante
até é que o texto bíblico
parece tá consciente disso e ele é
irônico em relação a isso. Então, por
exemplo, isso que eu acho muitíssimo
interessante, né? Lembra? A gente falou
aqui que o enumelish é anterior ao texto
bíblico. E quando a gente lê o texto
bíblico lá em Gênesis capítulo 1 verso
verso 2, você tem uma parte que diz
assim, né? Eh,
havia trevas sobre a face do abismo.
Ah, gente, de novo. Tá pipocando. Só um
segundo, eu vou desligar, vou desplugar
o microfone e plugar de novo. Funcionou
da outra vez.
Eu não sei porque isso acontece. Então,
pausa de 30 segundos.
Pronto, gente, estou Estou de volta.
Me digam aí como que tá o áudio, se tá
pipocando, se tá estourando, se tá OK.
É uma pena, eu queria que esse vídeo
ficasse bom,
eh, que não tivesse problema. O Zé
disse: "Agora vai". Eh, eu queria que
esse vídeo ficasse legal. Bom, vamos ver
se se essas esses problemas de áudio eu
consigo consertar na edição pra gente
ter um vídeo OK, né?
Mas eh, como eu tava falando, essas
diferenças
parecem ser só na forma e não no
conteúdo.
Lá em Gênesis, então, no capítulo 1, no
verso 2, ele vai falar, eh, bom, no
princípio criou Deus os céus e a terra.
A terra era sem forma vazia, havia
trevas sobre a face da do abismo e o
espírito de Deus pairava sobre as águas.
Que que quer dizer essas trevas sobre a
face do abismo? E quando você lê o
texto, existe um uma coisa muito
interessante que essa expressão havia
trevas sobre a face do abismo, né? The
roser alphom,
a palavra terom, se você vê quais são as
consoantes de terrom, é thm, que são as
mesmas consoantes de tiamat. Tiamat.
E a palavra terom parece ter, tá?
etimologicamente ligada a tia Mat.
Então, é como se o texto bíblico tivesse
fazendo um certo deboche de tia Mate,
que ela tá também presente aqui no
relato bíblico de criação do mundo. Mas
o que que é tia Mate? É nada. É só um
abismo. E ele não faz nada. Não tem
poder nenhum.
Em oposição a Deus, todas as coisas são
inanimadas.
O único que é poderoso, que é vivo, que
faz coisas é Deus. As outras coisas
todas são desprovidas de alma, inclusive
tiamate, o terromo, né? Então, olha só
que coisa interessante.
Parece que o autor de Gênesis estava
consciente de tudo isso que a gente tá
falando. E ele escreve um texto que é
propositadamente
um eh como a gente tinha falado, uma
polêmica, né? é propó é é propositado da
mente um desafio,
é é um um é uma rebelião, como a gente
tava falando, contra essa visão de mundo
do paganismo do Antigo Oriente Médio.
Em oposição a Deus, tudo é inanimado,
né? em oposição. Inclusive, quando ele
vai falar, por exemplo, do dos luminares
lá do quarto dia, esses nomes também são
nomes de deuses no Antigo Oriente Médio,
né? Shamh, que é o sol no texto
hebraico, é o nome de um deus, um Deus
do sol também no Antigo Oriente Médio.
Só que aqui no texto bíblico até o nome
dele é tirado, é só chamado de um
luminar maior. Ele não é nada. E ele não
faz nada. Ele só obedece o que Deus
falou para ele fazer. Ele não fala, ele
não pensa, ele não age, ele só tá ali.
Então, olha, eh, a como esse eh o texto
bíblico parece se diferenciar
essencialmente, né? De certa forma, a
gente vê que Calfman tava certo, porque
o texto bíblico, apesar de falar de um
povo que tá sempre caindo de volta em
paganismo, apesar de ter expressões que
são tiradas dentro de um contexto
cultural, né, a própria palavra deus,
palavra e Elohim,
eh parece ter uma relação com el, que
era o nome de uma divindade cananéia,
mas no texto bíblico, ele é usado como
uma expressão divina, eh, genérica,
apesar de ter essas similaridades e
esses pontos de contato, a essência do
do texto bíblico é diferente da essência
do pensamento pagão, né? E aí a gente
vai ver no próximo estudo como isso vai
se manifestar em diversos outros
aspectos. Qual é a relação entre Deus, o
homem, a natureza, entre a moralidade,
né, e outras coisas mais. Tá bom?
Então é isso, deixa eu ver aqui os
comentários de vocês.
A Lilian até coloca aqui igual a série
American Gods, a luta entre os velhos e
os novos deuses pelo amor e temor dos
humanos. Então, Lilian, olha, eu gosto
desse tema porque ele me faz pensar
sobre o texto bíblico, sobre a essência
do texto bíblico, no que que o texto
bíblico é mais essencialmente diferente
do resto e me faz perceber como a gente
tende a um pensamento pagão normalmente.
Porque as histórias que a gente inventa
para contar, elas estão sempre dentro da
lógica pagã.
Eh, essa série eu não assisti essa série
com American Gods, mas eh
eu não lembro. Eu vi uma série que era
sobre deuses também, eu não lembro agora
qual que era, mas é sempre dentro dessa
lógica. Então, por exemplo, um um uma
série de filmes que eu gosto, né? Vocês
sabem que eu sou meio nerd, eu gosto do
Star Wars.
Quando você olha pro Star Wars, você tem
uma lógica que parece funcionar desse
dentro desse paganismo eh calfminiano
eh do Heres que é o Kaufman. Porque
existe uma espécie de um reino
metadivino, que é a força. Ela é a
origem do poder desses grandes
guerreiros sobrehumanos, que são os
gedais, né? Eh, mas ao mesmo tempo eles
estão submetidos a ela, né? Eles não são
eh aí tem um elemento a mais também, né?
Que os gedais eles já nascem com esse
poder e tal. E de certa forma existe sim
um um paralelo entre os heróis, os
heróis de cultura pop mesmo e os deuses
em relação à função narrativa e até
social. Eh, são seres sobrehumanos,
seres com poderes sobrehumanos e que
fazem grandes feitos,
mas a gente vê que sempre eles são
limitados a uma esfera de realidade, a
um reino metadivino, que é a fonte do
poder e da origem deles e que eles podem
ser manipulados, eles podem ser mortos,
eles podem ser derrotados quando você
acessa essa fonte que tá acima deles,
que é uma fonte de poder. o reino, o
seria o reino metadino, que é uma fonte
de poder, que é um um uma
mecânica impessoal que rege o universo,
né? A gente às vezes para criar os
nossos contos modernos, a gente pensa
nessa esfera de poder como a ciência.
Esse seria o reino meta divino, porque é
através da ciência que surge eh o
Homem-Aranha e o Capitão América com
experimentos científicos. é a aranha
radioativa, é o soro do super sooldado e
tal, é a é a experiência com os raios
gama e tal. Então a gente sempre tá
mudando os nomes dessas desses reinos
metas divinas, mas eles sempre estão lá,
né? Eh, é interessante ver isso, como
isso se manifesta, essa lógica que o
Carfumando escreveu, ela se manifesta
ainda hoje nas histórias que a gente
inventa pra gente se entreter. Parece
que a gente não consegue fugir dessa
dessa dessa lógica pagã.
E não necessariamente isso, isso é uma
coisa assim, ah, não pode ver filme
porque tem uma lógica pagã. Tem uma
lógica pagã, né? Como a gente comentou
no último, não sei se foi no último ou
no outro estudo, o importante não é você
se abster dessas dessas coisas, mas você
tá consciente e crítico delas. É você
assistir um filme e você perceber a
lógica que existe por trás dele, como a
história é construída e e como ela como
quais são os elementos e como eles
funcionam entre si. E você percebe
padrões como esses que a gente tá
comentando, né?
Aí o Caio vai falar assim: "Tem a
questão de que o povo hebreu reconhecia
os deuses das outras nações. Então
alguns colocam a dúvida: Deus é único
porque só ele importa ou é único porque
só existe ele?" Então, Caio, essa é uma
questão. Eh, as pessoas comentam isso,
mas até hoje eu não vi um argumento que
me convencesse. Eu sei que existem
estudiosos até que falam disso, mas eles
vão citar assim no máximo um ou dois
textos de toda a Bíblia e que são
controversos para falar que olha, eles
os outros deuses fizeram alguma coisa.
Por exemplo, tem salmos que falam que
Deus se assenta na na assembleia dos
fortes e tal. E esses fortes seria a
palavra Elohim, seriam os deuses. Então,
a ideia de que existe uma assembleia de
deuses aparece na Bíblia, mas
curiosamente
nunca esses deuses são mencionados.
Então, parece que a Bíblia empresta a
ideia da Assembleia dos Deus que
significa um lugar muito importante onde
se toma grandes decisões. Deus está lá,
mas não tem outros deuses. A Bíblia
nunca descreve outros deuses, como a
gente comentou aqui, fazendo coisas.
Eles não têm ações.
A gente não tem falando, por exemplo,
Baal, que é um Deus que aparece o tempo
todo na Bíblia, a gente tá sempre
falando das pessoas adorando Baal, mas a
gente nunca vê Baal fazer nada. Ele
nunca se levanta e vai para algum lugar
e fala com alguém. Eh, eh, Baal é como
se fosse só uma ideia. Ele não é um Deus
de verdade. Então, nesse sentido, você
olha pro texto bíblico, ele é ateu em
relação à existência dos outros deuses
mesmo. Ele olha os deuses e fala: "Eles
não existem, eles são só ídolos vazios".
Esse ceticismo é uma coisa muito
estranha dentro do contexto, porque
dentro desse contexto as pessoas sempre
tinham receio dos outros deuses que eles
não conheciam, né? né? A gente vê o
próprio Israel, quando ele começa a
dominar a região ali eh de Canaã, a
história começa a se espalhar e falar:
"Nossa, esse Deus dos israelitos é muito
forte, hein? Qual é o Deus?" Não sei, eu
nunca ouvi falar antes, mas se eles
estão ganhando. Então, então sempre há
uma aceitação da da existência de outros
deuses muito facilmente dentro do
contexto pagão, o que não acontece
dentro do texto bíblico, né?
Aí a Sil fala que é o fado destino que é
superior. É isso dentro do contexto ali
da religião eh grega.
Aí de comenta eh o Enumel eu já li,
achei bem interessante, engraçado a
ideia dos deuses se incomundarem com o
barulho dos humanos. Isso é tem outra
coisa também, né? Isso acontece também
na na hipopé de Gilgamesch.
Existe um dilúvio universal. Olha,
igualzinho na Bíblia, né? É só que
quando você vai ver, existem coisas que
são mostram a essência do pensamento é
diferente. Por que os deuses decidem
fazer um dilúvio universal que
Utanapistin constrói a sua arca? Porque
os seres humanos são muito barulhentos,
eles não conseguem dormir.
E o texto descreve de um jeito que
parece que eles mandaram um dilúvio, mas
no meio do dilúvio eles meio que perdem
o controle, acaba virando uma grande
inundação.
Então, por mais que tenham coisas,
existem outras coisas que são similares,
que é interessante. A arca fica presa em
cima de uma montanha no final, ele solta
um pássaro para ver se já se as águas já
estavam baixando. Isso acontece também
nos relatos do do do Gil Gamesch. Eh,
então parece que existem coincidências
narrativas, mas o objetivo de toda a
narrativa é totalmente, completamente,
essencialmente diferente do texto
bíblico.
Ah, aí comenta: "Ata crítica com a
crítica das fontes tem como pressuposto
essa ideia evolutiva por base, a ideia
das fontes já vista, elo cerdo, tal".
Hoje eles têm uma ideia que eh que é
parecida, mas o o Kaufman deu uma
abalada nessa nessa nessa forma de de se
ver dentro de de uma perspectiva
histórico-crítica, né? Então essa era a
forma predominante de se ver. o Calfão
dá uma balada, então surgem outras
discussões. Falou: "Ah, tem que se
reconhecer que de fato o texto bíblico o
ele tem uma maneira de ver o o a
existência ou o universo, o mundo de um
jeito diferente do paganismo. Então eles
vão tentar conciliar meio que as duas
ideias, porque obviamente de um ponto de
vista histórico crítico, você não vai
falar que é Deus quem revelou esse
texto. Então assim, ah, tá. Então é um
povo que surgiu com uma ideia diferente
e que usou ali a referência dos deuses
que eles conheciam e tal, mas veio com
uma ideia diferente, né?
Aí se eu fala aqui, eu concordo com esse
pensamento judaico, o mal é submetido a
Deus e e e seu Deus diz que ele cria o
mal. Não existe oponente a Deus. Deus
não criou essa criatura. Os inimigos de
Deus são os homens oponente.
A gente pode falar disso um outro dia,
Sil, porque aí tem
aí tem várias questões, né? Mas só para
pincelar por cima, esse é o pensamento
judaico predominante hoje.
Eh, o judaísmo já considerou em outras
épocas, existem discussões que estão
registradas no talmode, inclusive sobre,
por exemplo, que a serpente do Éden é
Satanás e que Satanás não é um anjo a a
serviço de Deus, como se tornou
predominante no pensamento judaico hoje.
Então, dentro do próprio judaísmo
antigo, haviam essas discussões, mas
essa corrente se tornou predominante
hoje, né? E às vezes eu vejo judeus
falando como se isso, ah, o judaísmo
sempre pensou assim, é o único jeito de
pensar. Não, no judaísmo já houve outras
maneiras de se pensar isso.
E eu acho que o que a gente pode fazer é
olhar para esse pensamento judaico e
reconhecer coisas. Por exemplo, a gente
tende muito
a colocar de fato Satanás como um um
equivalente a Deus, um equivalente do
mal. É o Deus do mal.
A gente na prática faz isso muito.
Então, só pra gente ter uma ideia, né?
Vocês já devem ter visto, eu já faz
tempo que eu não vejo esse tipo de
postagem, mas principalmente no Facebook
tem uma imagem de Jesus e Satanás com a
fazendo queda de braço, né? Já viram
isso aí? Normalmente tá assim, né?
[risadas]
Eh, se você gosta de Jesus, compartilha.
Se você gosta do diabo, só olha, né? O
cara faz uma chantagem emocional para
você para você compartilhar o post dele
que não tem nenhum sentido. Mas as
pessoas têm esse pensamento, morrem de
medo do diabo e tal. Então, de fato, na
Bíblia, Satanás está submetido a Deus,
mas da forma como a gente enxerga.
Se você considera o Novo Testamento,
então não existe como você concordar com
essa visão, porque o Novo Testamento
fala claramente Satanás como um ser
rebelde a Deus, né? Apesar disso, ele
está submetido a Deus, porque tudo tá
submetido a Deus, né? Então, é
importante a gente admitir essa
soberania divina, inclusive sobre
Satanás. Mas por outro lado, se você é
cristão, se você considera o Novo
Testamento, não existe possibilidade de
você concordar com a ideia de que
Satanás é um ser criado por Deus para
cumprir o seu propósito de tentar o
homem e assim a humanidade, o o o ser
humano se tornar melhor, né? Eh, do
ponto de vista cristão, isso é
insustentável.
Eh, e a gente vê aqui, boa explicação. A
mídia gosta de usar esses textos antigos
para desqualificar a Bíblia, como se ela
fosse uma cópia. Parabéns, professor.
Obrigado. Eh, os escritas, os escribas
babilônicos modificavam o nome de
pessoas e deuses em uma ideia quase
mágica. modificando o nome,
modificava-se o o poder, o poder de
Deus, Gênesis não teria isso ou só é eh
é naturalista, como vem hoje? Então, o
que a gente percebe é que no texto
bíblico,
quando ele fala do sol, ele parece, ele
parece ser até assim eh irônico, porque
o sol é só um luminar, igual a ideia que
a gente falou de tiamate, como o abismo.
O abismo é só um abismo, ele não faz
nada, ele não levanta, ele não vai sair
dali, ele não vai fazer mal para você.
Pode deixar.
Eh,
é só um objeto e esse objeto tá
submetido à vontade de Deus. Ainda é
Deus quem estabelece os luminares e diz
o que que eles devem fazer ou não, né?
Eh, o João coloca aqui o Salmo 82, verso
6, que é um salmo que Jesus também
menciona ali numa numa discussão com com
eh estudiosos da lei, né? Eu disse:
"Sois deuses, sois sois todos filhos do
Altíssimo, né? Eh, então seria uma ideia
de que todos são deuses."
O que que é como que eu entendo esse
tipo de texto? Por exemplo, ele, se você
entende da forma como ele parece, tá
querendo dizer que todo mundo é um Deus,
isso parece desto muito de todo o
restante dos milhares de de versos da
Bíblia,
né? Então, para você entender dessa
forma, no sentido de que o ser humano é
divino,
você tem que mudar todo o restante do
texto bíblico. Então, eh, ou você pega
esse texto e entende ele da perspectiva
de todo o contexto da literatura
bíblica, ou você entende toda a
literatura bíblica do ponto de vista do
contexto desse único verso. Entende o
que eu quero dizer?
Esse é um princípio de hermenêutica, né,
que o texto fácil explica o texto
difícil. Esse seria um texto difícil,
que inclusive Jesus falou: "Ó, vocês não
sabem nem explicar esse texto e vocês
estão querendo aí discutir, vocês acham
que são mestres da lei." Eh, uma
explicação
para esse texto é que a palavra Deus aí,
o deuses Elohim e tal, eh, isso também
aparece no Salmo 29, eh, Ravula Dononibi
Bnei Elim, Ravula Adonói Cavodvaos.
Louvai o Senhor, filhos dos fortes.
Louvai, louvai o Senhor, dá ele glória e
força e tal. Mas esse filho dos fortes,
Elim, é o plural de L.
Então você pode traduzir como Deus,
mas a palavra Elohim, que é a a raiz de
a palavra Eloh que é a raiz de Elohim, é
uma palavra que significa força e poder.
Então o que me parece querer dizer é que
esse Salmo 82 verso 6 tá querendo dizer
que vocês são poderosos porque vocês são
filhos de eh aí ele vai dizer altíssimo,
né, de do Eliom. Vocês são filhos do
Deus todo- poderoso, então vocês também
são poderosos, né? Mas não acho que o
texto quer dizer que o ser humano é
divino no mesmo sentido que Deus é
divino, porque existe muitos outros
textos que fazem essa diferença entre o
humano divino. A gente vai falar isso
sobre o no próximo
estudo, sobre os limites entre o divino,
o humano e a natureza, né? Só para
resumir um spoiler aqui, no pensamento
pagão não existe muita divisão entre um
e outro,
né? O o os deuses eles têm alguma coisa
de humano e de natureza. E os seres
humanos têm uma coisa de natureza e de
Deus. E a natureza tem uma coisa de
divina e de humana também. Esses limites
não são muito bem estabelecidos. Já no
texto bíblico, tipo, existe uma
diferença essencial
entre Deus e todo o restante do cosmos,
né? Todo o restante do universo.
Aí assim eu falar: "Exato, enxergo como
tudo sometido a Deus. Vejo que os
cristãos vem Deus muito enfraquecido. É
o todo poderoso. Não há rival para ele."
É isso. É. É. Eu acho que é isso. Uma
coisa que o muitas vezes o cristianismo
tem que olhar que é uma mensagem
bíblica. Deus é absolutamente soberano.
Se Deus quisesse, se fosse da vontade de
Deus, falou: "Ah, gente, ó, cansei desse
conflito, vai, desaparece Satanás,
desaparece mal. Puf!
Eh, eu gosto da ideia de que se Deus, se
ele só parar de pensar, as coisas deixam
de existir, porque elas dependem da elas
dependem da da intenção deliberada de
Deus de manter a existência delas para
elas se continuarem existindo.
Então, eh, Deus é soberano nesse ponto,
no texto bíblico, ele é absolutamente
soberano. A ideia de soberania absoluta
é uma ideia difícil pra gente às vezes,
mas a soberania absoluta é o que Deus é.
Então, se ele quiser, não, eu quero que
agora o universo seja de outro jeito.
Pronto, o universo é outro, ele pode
fazer isso. Por que ele não faz isso no
texto bíblico? Porque ele não parece
querer fazer isso. Então, as coisas são
do jeito que são porque Deus é do jeito
que ele é e ele mantém tudo. Ele criou
tudo e ele domina sobre tudo. Ele é
soberano sobre tudo. Então, se as coisas
são dessa forma, se o universo funciona
desse jeito, ele funciona assim porque é
de certa forma uma manifestação da
vontade de Deus, né? Eu sei que existe
essa discussão, por exemplo, nos quando
o aqueles eh aquela época do
renascimento que existia uma série de
quando começa a surgir o pensamento
científico moderno, eh só que ele ainda
é gerido por pesso gerado por pessoas
que eram bem religiosas, né? Eh, o
próprio Newton, né, escreveu mais sobre
teologia do que sobre ciência e é o cara
que revolucionou totalmente a ciência.
Então, a ideia, se eu não me engano,
Newton fala isso. Eu só não sei, não
tenho certeza, porque eu não li o texto
dele falando, mas eu já vi gente
comentando que para Newton
ele estuda a natureza porque a natureza
é uma manifestação da vontade de Deus.
Ela é assim porque Deus é do jeito que
ele é e ele quis criar desse jeito.
Então existe uma relação religiosa
no estudo que ele faz da natureza como
um cientista, né? Ele tem uma motivação
religiosa para ser um cientista.
Eh, e isso faz sentido, né? Porque
eh se Deus é totalmente soberano, então
tudo que existe é fruto da vontade de
Deus. Então, as coisas só não são de
outro jeito, só não deixam de ser do
jeito que é, porque Deus tem uma
intenção. Ele quer que seja desse jeito.
Então, enquanto a vontade dele não
mudar, o universo é do jeito que o
universo é.
E a gente pensa sobre a soberania de
Deus, né? a gente pensa pouco.
Eh, não existe oponente para o existe
oponente para o homem, não para Deus.
Isso, exato. É, eu penso assim também.
Se porque assim, a palavra Satanás,
palavra Satan,
eh, é um é um é um substantivo comum no
hebraico, significa adversário. Ela não
não necessariamente tá se referindo ao
que a gente chama de Satanás. Então,
quando a gente vem falar que alguém veio
aqui se opôs a tal pessoa, foi
adversário dela, tá usando a palavra
Satana.
Inclusive, se eu não me engano, aquele
texto de de Balaão, que o anjo de Deus,
né, eh, que é uma figura divina,
se opõe a a a jumenta de Balaão. Essa
expressão se opor é a forma verbal do
substantivo Satã.
Eh, ou seja, é só um substantivo comum.
Então, Satã, eh, R Satan, né, com o
artigo, que normalmente é o que se fala
de, tá falando de um ser específico,
esse adversário, ele é adversário de
quem? De Deus. Eu prefiro entender desse
jeito também, Se ele não é adversário de
Deus, ele é adversário do homem. Ele se
opõe ao homem. Ele se opõe a Deus no
sentido de que ele se rebela contra
Deus. Ele quer fazer algo diferente do
que Deus quer.
Pelo menos no Novo Testamento, a gente
eh a gente tem essa essa ideia mais
claramente,
mas ele só vai até onde Deus permite,
né? Como a gente comentou aqui, só
existe um ser rebelde a Deus, porque
Deus, o jeito de Deus ser permite que
isso aconteça. Eh, então não é que
Satanás ele ele tá em nível de igualdade
a Deus. Ele é tão rebelde contra Deus
quanto qualquer pessoa pode se rebelar
contra Deus também.
Não quer dizer que nós somos iguais no
nível dele.
Eh,
ó, o Carlos Muniz, então ele faria uma
nova versão da Matrix. Exato. É,
a própria ideia da Matrix é de certa
forma um reino metadivino, né? eh, no
sentido de que todo mundo que tá dentro
da matrix está submetido a ela. É claro
que vai ter um, não é exatamente a mesma
coisa, porque existe uma outra instância
de realidade depois fora da matrix, né?
Mas é um jeito de de
didático aqui de explicar, né? todo
mundo tá submetido à matrix, a a
mecânica que ela impõe. Então você pode
até ter o Nel lá que ele consegue ele
consegue quebrar as regras da matrix e
tal, mas ele ainda tá dentro da matrix
e se ele for desligado da matrix morre.
Acabou, né? Se se ele tá dentro da
matrix, né?
Eh,
bom,
El, Elion é um dos nomes de Deus. O
maligno não é nada para ele. É Elon é o
Altíssimo que tá al o que tá sobre acima
de tudo, né?
Aí Ed comenta, como tu interpreta
aqueles animais que aparecem no livro de
Jó? Eles são símbolos como o William
Blake interpretou ou é tipo os
criacionistas que tentam provar que eram
dinossauros? Olha aí, Dio, totalmente
dessa ideia de tentar achar qual bicho
que era. Não, porque ele era um
espinossauro, porque não sei o quê. O
jeito que J descreve são animais
fantásticos.
São animais fantásticos. O jeito que Jó
descreve é animais fantásticos. Por o
que que Jó queria dizer? Que ele
acreditava em dragões, em não sei o quê,
em seres fantásticos? Não, porque o que
ele tá argumentando dentro do contexto
do livro
é que mesmo as grandes maravilhas da
natureza se submetem a Deus, que é o
argumento que a gente tá falando,
inclusive, Deus é soberano, né? Então, é
eh qualquer história que a gente contar
sobre o universo, a gente tá falando de
uma coisa que tá submetida a Deus.
Então, Jó fala de uma forma poética,
exagera os um animal que tem vários
elementos de vários animais super
fortes, poderosos mesmo. Esse bicho, o
animal mais poderoso, mais forte que
existe, ele também é submisso à vontade
de Deus, né? É o isso aparece no
contexto ali do final do livro de Jó,
que é uma grande exaltação à soberania
de Deus.
Então, eh, é que tá, as pessoas se
prendem a um pedaço do texto sem pensar
em como esse pedaço de texto tá
funcionando no contexto que ele tá. Esse
animal, ele tem uma função no livro de
Jó. Ele não tá lá sendo jogado porque Jó
queria falar que existe um dinossauro.
Não, ele tá descrevendo um animal de uma
forma poética, porque o argumento final
dele não é o animal, não é o Leviatã e o
berremot, né? O argumento final dele é a
soberania divina. E a gente fica preso
aqui nesse no berremot e no e no
Leviatã. E a gente não pensa na
soberania divina, que é o argumento que
ele tá tendo. Ele tá falando desses
animais para chegar nesse nessa
conclusão
e a gente fica preso a eles, né?
Eh, eu penso desse jeito, pelo menos. É
só uma explanação poética. É possível
que até que Jó acreditasse que existisse
um ser assim. Sei, pode ser. Mas não é
que a Bíblia é uma revelação divina que
existe um um leviatã, um ser que solta
fogo pela boca, que não sei. Não, não é
isso. Eh, a revelação divina aí, o que é
revelado divinamente nesse texto é a
soberania de Deus e não a existência de
um animal fantástico, né?
Eh,
o Flávio Fernandes, os ateus usam essas
epopeias orientais para descredibilizar
a Bíblia, afirmando que ela seria uma
espécie de colcha de retalhos de
diversas histórias também dos povos ao
redor do céu. Exato. É isso que é no
começo do da live eu tava comentando.
Essa foi a minha motivação inicial,
inclusive para criar esse canal, né? Eh,
segundo Coríntios 4:4 dos eh nos quais o
Deus desse século cegou os entendimentos
dos incrédulos.
É, fala o Deus desse século não quer
dizer que exista um Deus, um Deus
literalmente, né? Mas é aquilo que as
pessoas culptuam, né?
Até que ponto essas outras histórias
teriam elas sim sido criadas a partir do
texto bíblico? Então, Flávio, eh a as
histórias precedem o texto bíblico. Elas
são mais antigas que o texto bíblico. O
que que algumas pessoas vão argumentar,
né? o o o Rodrigo Silva vai para esse a
linha é que na verdade essas histórias
estão baseadas em uma tradição que é
anterior que a ideia que o texto bíblico
descreve. Então seria como o texto
bíblico é mais fiel a essa tradição que
essas outras culturas perverteram. É
mais ou menos por aí que ele vai
argumentar. Eu não entro nessa
discussão. Para mim já não é tão
interessante isso, né? esse negócio de
tentar provar que o texto bíblico é
história historicamente preciso e tal,
não é muito minha pegada não, mas é o
jeito que eles vão tentar argumentar
nesse sentido, né? Mas os textos em si
são anteriores, né? Se eu não me engano,
os dois, a popedia de Gilgamesh e o
Enumelish.
Eh, como podemos revoltar a teus que
usam essas histórias mais antigas que a
Bíblia para dizer que as escrituras são
apenas uma atualização de outras
religiões? Então, Caio, é esse, é isso
que eu tava falando aqui. Eh,
o,
se você lê o texto bíblico, você não
consegue falar isso, porque apesar de
existir similaridades
na forma, a essência do pensamento é
absolutamente outro. A Bíblia tá
descrevendo uma outra visão do que que é
o universo, como funciona o a
existência,
né? é um outro jeito de pensar o mundo,
as divindades, a natureza e o ser
humano. Então,
não é só mais uma religião no meio das
outras, é um jeito diferente de pensar
as coisas. Eh, é que o pessoal faz isso,
né? Nada na Bíblia nunca é original. Tem
gente que sempre faz isso, né? Não, os
outros povos têm ideias originais, mas
as pessoas que escreveram a Bíblia nunca
tem nada de original. Mas quando você
vai para estudiosos sérios, que nem
precisam ser religiosos, pode ter, tem
os estudiosos do texto bíblico que falam
sobre isso, são ateus, inclusive alguns
deles, eles falam: "Ah, o texto bíblico
é uma ideia original, a ideia de um de
um deus ilimitado,
só isso já mata todo o argumento. A
ideia de um deus ilimitado é uma coisa,
uma inovação bíblica nesse sentido. Eh,
não aparece em outros textos. Então tudo
bem. Se você quer, se você é ateu e
acredita que a Bíblia foi, é só uma obra
literária dentro de um contexto, você
precisa pelo menos reconhecer que é uma
obra literária que tem uma ideia
original, que a ideia de Deus da Bíblia
é diferente da ideia de Deus dos deuses
do antigo Oriente Médio. É uma outra
ideia. Apesar de dessa ideia ser
articulada em uma linguagem do antigo
semítico, então ele vai usar palavras
que também tão relacionadas com a ideias
dos outros deuses. O que tá sendo
descrito lá é uma um outro tipo de
entidade.
Nossa, gente, 10:13 já. É, vamos
encerrar aqui, né? Eh, exatamente. Deus
tem propósito. A gente reflete muito
pouco sobre Deus Pai. Jesus fala: "O pai
é maior que eu. Eu faço vontade do pai".
Jesus manifesta o pai, sua vontade e sua
obra. É. Aí a gente entra, né, Sil? A
gente vai entrar aí em uma outra questão
também hiper complexa, que é a gente,
o cristão normalmente vai para uma ideia
de trindade e que acaba até se afastando
totalmente dessa essência do texto
bíblico, porque a ideia da trindade, ela
ela ela foi criada originalmente para
lidar com uma ideia de que Deus parece
ser múltiplo, apesar de ser o mesmo Deus
no texto bíblico. Mas tem gente que
entra nessa nessa ideia e vai para um
lado que já se afasta totalmente do
texto bíblico. Tem gente que já se
refere à trindade como se fossem três
três deuses diferentes que são
amiguinhos, né? Não que é o mesmo Deus
que se manifesta como pai, como filho e
como espírito santo, né?
que é o jeito que eu entendo, pelo
menos,
eh,
um argumento de Deus que está em Isaías
também, Deus pergunta: "Quem de vocês eu
consultei para formar?" É, é o, é o que
é falado em Jó, Isaías CET, e fala sobre
a soberania do Altíssima. Exatamente.
Exatamente. Um livro interessante sobre
esse tema é O pensamento do Antigo
Oriente próximo e o Antigo Testamento do
John Walton. É exato. Eu tô devendo um
vídeo, eu não lembro quem foi, não
lembro se foi você mesmo, Flávio, que
comentou de John Walton em outro em
outro momento, que eu tenho um livro
dele aqui que eu não terminei de ler,
que eu queria falar sobre ele um dia,
porque eu sei que tem ideias bem
interessantes lá. Um dia eu termino, a
gente faz essa, a gente fala sobre essas
ideias que é o eh Gênesis como uma
cosmogonia antiga. Acho que é isso. E
Gênesis a a enchente cosmonia.
Tem um vídeo na internet que um dos
autores de Matrix diz que o filme teve a
Bíblia como inspiração. Ele diz que
Morfeu é João Batista, né? É Jesus
Cristo, por exemplo. Ele descreve mais
os personagens. É, então, Caio, é, mas é
isso mesmo. Você começa a prestar
atenção em detalhes do filme.
É isso mesmo. Ele já tá falando de
Matrix agora.
várias obras de ficção. Eh, as pessoas
que sabem escrever histórias, elas não
vão desconsiderar
que o texto bíblico é uma história
extremamente poderosa.
O texto bíblico é uma história,
vamos supor, você não é religioso, você
é ateu.
Quando você olha pra literatura mundial,
você fala: "Cara, tem um livro, eu não
acredito nele". Mas uma coisa tem que se
admitir, esse livro ele cativa as
pessoas de um jeito diferente dos outros
livros.
A história dele é muito forte,
porque as pessoas parecem se apegar essa
história de um jeito que nada consegue
fazer elas desapegarem essa história.
Essa história mexe muito com elas.
Então, imagina que se você for um
escritor de histórias, você tem que
olhar para o que que tem nessa história
que que tem um apelo tão forte assim.
que faz as pessoas se apegarem tanto a
ela,
né? Então, muitos escritores de filmes,
de de de livros e tal, eles vão pegar
referências no texto bíblico. Matrix é
uma delas. A ideia do né, o Anderson,
Mr. Anderson. Anderson é o filho do
homem. Eh, Ander, vem de Andor,
significa homem no grego, né? Andrus,
né? Então, Anderson é o filho do homem.
Eh, ele é o o
ele é o o escolhido. Ele é aquele que
para cumprir a sua missão e assumir o
seu papel, ele precisa morrer. Então,
desculpa aí, dando spoiler de filme de
25 anos, eh, ele morre e depois que ele
morre, aí ele se torna o que ele deveria
se tornar. É quando ele morre que a
missão dele se cumpre. e ele se torna o
salvador de toda a humanidade e tal.
Então, tem vai ter várias várias eh
várias referências, assim, tem essas
referências. Eh, o Morfeu, João Batista,
essa isso daí, isso aparece mesmo no no
filme. Mesmo que os mesmo que os
escritores falassem que não, não é
verdade, a gente não se inspirou na
Bíblia, a referência tá lá. Mesmo se o
próprio autor falar que não é
referência, não é a isso, como se é você
pode, você criou, você tudo bem, mas o
que você criou realmente tem uma
referência aqui. Não importa o que o que
o criador falou contra, mas a referência
tá lá, né? Nesse caso, o próprio criador
tá admitindo, né?
E a gente vê diversos, eh, tem tem
ideias do Star Wars mesmo que eu
mencionei, tem ideias do texto bíblico
que são utilizadas. Por exemplo, o
grande escolhido, o cumpridor da
profecia, ele nasce de forma espontânea,
sem ter um pai, que é a história do
anaquim. É claro que a história não é um
paralelo total com Jesus Cristo, porque
ele, final das contas, Jesus Cristo não
se torna um um decaído
do mal, né, como o Anakin Skywalker, mas
tem elementos das histórias que você
consegue fazer paralelos, né? Inclusive
tem uma parte no Star Wars que o pessoal
até eh fala, né, que o o Anaquim tem uma
fala que é um texto bíblico, que ele
fala: "Ah, se você não está comigo,
então você está contra mim", né? E aí o
o Oban fala: "Olha só, um City que pensa
assim em absolutos e tal". Mas é um é
uma fala que Jesus fala: "Aquele que não
tá comigo, ele tá contra mim". Que é um
texto interessante também. a gente podia
falar dele outro dia, porque existem
dois textos que são opostamente
contraditórios que Jesus fala. Jesus
fala: "Ah, se ele não tá contra mim,
então ele tá comigo". Também tem esse
texto na Bíblia. Eh, eu vou dar uma
estudada melhor neles, a gente pode
falar sobre eles. Então, de qualquer
forma, essas obras de cultura, essas
histórias que a gente inventa,
grandes inventores de histórias,
eles praticamente não tm como fugir de
pelo menos alguns elementos das
histórias bíblicas nos personagens
deles. A gente pode ficar aqui falando
horas sobre diversos paralelos de ideias
bíblicas em histórias, porque não tem
como. grande história do mundo
ocidental, do mundo ocidental, mais do
que só o ocidente, né? Grande história
do do mundo é a história bíblica. Até
porque se você for considerar que o Islã
também é um filho da história bíblica,
né? Então a história, a grande história
da humanidade,
a grande história que influenciou a
humanidade é a história bíblica. Então
não tem como fugir dela se você quer
aprender a contar histórias, né?
Eh,
na maioria das vezes os ateus estão de
boa. A questão é que acaba tendo atrito
entre os próeligosos. É, é verdade,
Lilian. Eh, o que eu mencionei no começo
do vídeo, era uma época que você tinha
muito, muita militância antirreligiosa.
Então, eh, eu vi uma, um pensador uma
vez falando disso, qual que era o nome
do cara? Não lembro, mas que existe uma
diferença entre ateísmo e
antirreligiosidade.
Então, não necessariamente você ser até,
você é um antirreligioso. Então,
inclusive existem ateus que falam: "Ó,
eu até queria acreditar em Deus, eu acho
bacana a ideia e tal." E eu acho que a
religião é uma é uma coisa muito
importante, tem um legado
importantíssimo, mas eu não acredito que
Deus existe, né? Tem tem ateus que
pensam desse jeito. Agora quando o cara
quer falar não, a religião é o que tá
destruindo a humanidade, é a pior coisa
que existe. Então isso não é
necessariamente ateísmo, isso é
antirreligiosidade,
é uma um outro pensamento com outras
implicações, né? Eh, e são duas coisas
diferentes sobre o efeito da
religiosidade na humanidade e a
existência ou não de Deus. São dois
tópicos diferentes.
O David fala: "O que você acha da ideia
de Teoses?"
Pedro disse que seremos participantes da
natureza divina. Alguém disse que Deus
se fez homem para fazer dos homens
deuses. A gente vai falar na semana que
vem, David,
eh, teoses. Eu até fiquei perdido, mas é
o conceito de apoteosis. Eu conheço como
apoteosis, mas é essa ideia aí, essa
mesma ideia. vai falar na semana que vem
disso, que tem a ver com isso que a
gente que eu tava comentando de de o
limite entre o os deuses, o ser humano e
a natureza.
É isso, só para encerrar aqui, a ID
fala: "Pelo pouco que me informei,
parece que a alta crítica deu uma
quebrada das pernas com os achados do
Mar morto. A ideia de que uma evolução
de um primitivismo em direção ao
monoteísmo tardio."
Se concorda com a crítica do Tono, quem
é o paralelismo explícito nas crônicas
de Nárnia? Eh, tem a impressão de que
ele criticaria Cristo, porque as
parábolas são meio que isso.
Eh, bom, vamos lá. a primeira parte, né,
que a alta crítica deu uma quebrada de
pernas. Quando a Ed fala que a alta
crítica, para quem não sabe, esse termo
até não é tão usado hoje. Eu eu não sei
se hoje
hoje tem vários tipos de críticas, né?
Então, tem a crítica textual, tem a
crítica das fontes, tem eh o método
histórico crítico. São o que que é isso,
né? São maneiras de estudar a Bíblia que
não são religiosas. Você estuda a Bíblia
como eh como se estudaria qualquer outro
livro. Então você estuda a Bíblia
desconfiando se foi a pessoa que
escreveu mesmo que escreveu, que diz que
escreveu, se ela mesma é autora, que se
o texto tá correto ou se ele foi mudado
depois e tal. Então, seria um jeito mais
cético de ler a Bíblia.
Eh,
o manuscrito do Mar Morto quebrou um
pouco a perna das críticas em relação e
eu não sei como que é o nome dessa
crítica, mas é a crítica, é é a crítica,
eu acho que é a crítica textual mesmo,
que é a crítica de que se o texto que
temos acesso hoje é o mesmo texto
original,
porque isso estava totalmente
desacreditado. As pessoas já tinham
perdido totalmente a fé nisso. Na no
meio acadêmico era certeza. Não, o texto
que a gente tem não tem nada a ver com
texto original. E aí apareceu
manuscritos do Mar Morto, que eram 1000
anos mais antigos do que os manuscritos
mais antigos que se tinham. E quando
você compara é o mesmo texto, né? Ah,
tem uma uma ou outra palavra, uma outra
expressão, um ou outro erro de copista
de diferença, mas não dá para falar que
era um texto totalmente diferente, né?
Eh, e nesse sentido realmente deu uma
quebrada na perna do pessoal que pensava
isso. Então, hoje o pessoal um pouco
mais, não, pera lá, não posso afirmar
coisas que eu não tenho tanta certeza
assim, mas ainda assim o pessoal afirma
muitas coisas sem ter certeza, né? Eh, a
Crítica das Fontes faz muito isso.
Pessoal fala que o texto bíblico é uma
coxa de retalhos de quatro traduções
diferentes, né? A hipótese documental e
tal. Eh, beleza, mas existe uma uma
evidência disso, né? Eu tenho minha meu
ceticismo em relação ao método que leva
essas conclusões, sabe? Eh, eu eu eh eu
o meu jeito de pensar é sempre é se você
vai afirmar alguma coisa dentro de um
contexto acadêmico, você precisa mostrar
uma evidência do que você tá falando.
Ah, o texto parece indicar, tá bom?
Então, o texto parece indicar, não é uma
evidência,
eh,
é uma teoria, né? É uma hipótese. É uma
hipótese. Eh, e aí a outra pergunta:
"Concordo com a crítica de token ao
paralelismo explícito nas crônicas de
Nárnia?" Né? O que a ID tá falando é o
seguinte:
o token, quando ele escrevu, essa é uma
história interessante, né?
O token é o autor dos, é o autor do
Senhor dos Anéis. O Token era um cara
muito cristão, né? católico.
Eh, e até onde eu sei a história, o
Token era amigo do eh do nossa, me fugi
o nome do autor do do Cronic de Narnia.
Desculpa, gente. É um cara importante,
né? Mas ele era amigo do autor do
Crônicas de Narnia e esse cara não era
não era cristão, não era religioso, não
curtia, não era convencido das ideias.
foi conversando com o token
que é o cara que escreveu o cristianismo
puro e simples, sumiu o nome dele. Se
alguém souber aí pode pode colocar aí no
chat. Eh,
e
nessa conversa o token acaba convencendo
ele, ó,
e o CS Lewis, isso, obrigado, Carlos. o
Cesis, eh, e o token fala para ele,
então, dá uma olhada na Bíblia, se não
for para um aspecto religioso, vê ele
como uma obra literária. Você vai ver
que é uma obra interessante e é nessa é
nessa pegada que o C Lewis acaba se
convertendo ao cristianismo.
Mas o que acontece, o token, ele é muito
contra você fazer uma obra que é, na
verdade, uma alegoria a outra coisa, né?
Ele tem várias cartas que ele escreve
falando: "Olha, gente, vocês estão
procurando muita alegoria no meu livro.
Meu livro não é uma alegoria a nada. O o
senhor Anéis é só uma uma obra literária
inspirada nos contos mitológicos,
eh, germânicos, eh anglossaxônicos e
tal. Então, não tente achar paralelos.
Ele não é uma metáfora, ele não é uma
alegoria e tal. Então Token tinha muito
essa preocupação. Ele achava que uma
obra literária não pode ser uma alegoria
por outras coisas. O CS Lewis vai pro
oposto, né? As crônicas de Nardia é uma
alegoria explícita do do do evangelho,
né?
Então o token faz essa crítica ao ao CS
Le
token, eu gosto muito do token, então é
difícil discordar dele, mas eu entendo o
token no sentido de, pô, se você quer
falar sobre cristianismo, fala sobre
cristianismo, né? Ficar inventando
outros nomes para cristianismo e tal.
Então eu entendo o que o token quer
dizer, mas por outro lado eu acho que
não tem regra. Se o cara quer fazer uma
obra que é uma alegoria para alguma
coisa, ele pode fazer também. não deixa
da não se torna uma obra necessariamente
menor por causa disso, né? Mas é isso,
[risadas]
é isso que eu penso aí dessa polêmica do
token, do CS Lewis.
Eu não li as crônicas de Narne,
inclusive eu só li o Senhor dos Anéis e
o Hobbit.
Bom, gente, é isso.
Valeu aí. Semana que vem a gente retoma.
Eu ia falar alguma coisinha de reforma
protestante hoje, acabou não dando
tempo. A gente fala na semana que vem
também. Eh, e é isso. Última mensagem
aqui. A a Silv também fala: "Eu também
acho essa academia com critérios falhos,
sinceramente ineficientes. Não provam
veracidade de abol absolutamente nada.
Parece até piada para mim. É, eu entendo
quando você lê os argumentos dos caras,
eles têm argumentos que são fortes,
mas eu gosto dessa ideia de, beleza, é
um argumento forte, mas você não tem uma
evidência disso. Então, eu fico mais nas
evidências.
Mas é isso, gente. Valeu. Então, semana
que vem a gente continua essa essa
essa esse estudo sobre eh o que torna a
visão de mundo da Bíblia única e
diferente das outras. E de repente a
gente fala um pouco de reforma
protestante na próxima semana, tá bom?
Valeu, então, até mais. Boa noite para
vocês,

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