Documentário: O fim da comida? O que o sumiço dos insetos faria com você | Ep. 9 | ORIGENS
31/01/2026
Documentário: O fim da comida? O que o sumiço dos insetos faria com você | Ep. 9 | ORIGENS
E se os insetos deixassem de existir? Sem polinização, sem decomposição, sem alimento para outras espécies — o colapso seria global.
Neste episódio final de Pequenos Gigantes, ORIGENS investiga como os insetos sustentam a vida na Terra e por que proteger esses pequenos seres é proteger o planeta inteiro.
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🟧 ORIGENS é uma série documental da TV Novo Tempo que investiga os mistérios da vida, da natureza e do universo. A cada episódio, cientistas de áreas como biologia, física, genética e paleontologia ajudam a investigar os mistérios por trás da existência humana, sempre com uma linguagem acessível e visual impactante.
🟩 A série Pequenos Gigantes revela como os insetos — apesar de minúsculos — são fundamentais para a vida no planeta. Polinizadores, recicladores, arquitetos e estrategistas, eles sustentam a biodiversidade em cada detalhe invisível da natureza.
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Fonte: Origens NT
Legendas automáticas:
No coração das florestas, nos campos abertos e até mesmo nos jardins urbanos, uma relação silenciosa, porém essencial, se desenrola a cada instante. Insetos e plantas compartilham uma história antiga, um vínculo que sustenta a teia da vida na Terra. As plantas enraizadas no solo erguem suas flores como um chamado. Seus perfumes, cores vibrantes e néctares atoicados não são apenas adornos da natureza, mas convites para seus mais fiéis aliados, os insetos. Abelhas, borboletas, besouros e muitos outros voam de flor em flor, coletando pólen néctar, sem saber que carregam consigo a promessa de uma nova geração de plantas. Cada visita é um gesto de perpetuação, garantindo que sementes brotem, florestas se renovem e a vida siga seu curso. Apesar de sua importância, a aversão aos insetos ainda é grande e é compreensível. Eles parecem estranhos e a estranheza gera desconforto. Mas o que aconteceria com o mundo se de repente nos víssemos sem os insetos? O que seria das plantas, dos animais e de nós humanos? na Ao longo dessa temporada, já exploramos os insetos sobre os mais variados aspectos, sua importância econômica, o papel dos insetos sociais, como se comunicam, seus ciclos de vida e até mesmo suas estratégias de defesa, mas talvez a importância deles ainda não tenha te convencido, porque de fato eles são estranhos e alguns nos causam prejuízos. Mas há um motivo poderoso pelo qual muitas pessoas não gostam de insetos e que ainda não abordamos nessa temporada, a ideia de que eles são, acima de tudo, pragas, inimigos a serem combatidos, eliminados, erradicados. Mas será que todo inseto é uma ameaça? Há momentos em que realmente devemos exterminá-los e mais importante, o que acontece quando tentamos fazer isso de maneira indiscriminada? >> Vamos falar no contexto agrícola. Obviamente um produtor agrícola, ele não quer a presença de determinada praga que está na sua cultura, porque automaticamente está diminuindo a sua produção. Então nós vamos ter níveis de controle. Na verdade, os insetos, quando ele está aumentando a sua população, ele vai prezar a sua sobrevivência. E a sobrevivência através de um inseto vai ser pela alimentação. Então ele vai começar a se alimentar de uma determinada planta, no caso de insetos agrícolas que vão ocasionar danos econômicos. >> Então a gente considera praga tudo aquilo que prejudica a nossa produção. >> Uhum. >> Né? Especialmente na parte agrícola. Então, a borboleta ela, por exemplo, a gente tem uma que se alimenta da família Bracic, é um nome complexo, basicamente é o quê? A família da couve. >> Uhum. >> Aí ela vê aquele campo gigante de couve e é uma é uma borboleta que ela põe muitos ovos por vez. Então ela vai colocar, sei lá, 70, 80 ovos numa folha de couve. Ela vai consumir aquele pé de couve todo. >> Para quem é o produtor, isso é uma praga, porque ele vai perder a produção dele, >> né? Porém, na natureza, nas plantas onde ela naturalmente faria isso, que foi substituído por couve, aquelas plantas são adaptadas a coexistir com essa alimentação >> super voraz das lagartas. E isso pode inclusive servir de estímulo para aquela planta, para que ela entenda: "Nossa, eu tô sendo comida, eu preciso me reproduzir." Ela vai dar flor e vai dar fruto. Então a borboleta, ela a lagarta, ela faz uma poda natural na planta. Só que tudo em que afeta a produção e a parte econômica, agroeconômica pra gente vira praga. Mas na verdade não é. Se eu extingo 100% uma determinada praga, claro que o produtor agrícola não quer com que esta praga esteja no local. Só que se eu faço um extermínio, eu erradico esta população por um produto químico, um produto fitossanitário, pode ser que a próxima geração que vier venha mais resistente. Por isso que eu não posso fazer o extermínio completo. E até impossível eu fazer o extermínio completo de uma praga. Se o inseto ele adquire resistência, o próximo produto fitossanitário que popularmente as pessoas determinam como agrotóxico, este próximo que for utilizado não vai ocasionar mais resultado. Então, por isso que eu não posso fazer um extermínio completo. Não existe um extermínio 100%. Claro que eu preciso de bases de manejos que são denominadas de MIP. Manejo integrado de pragas. No ramo agrícola, eu não extermino 100%, mas eu vou trabalhar com ações que diminuam a população. Essa população, ela vai oscilar ao longo do ano, mas a partir do momento que eu entendo como que esta população cresce e diminui em número de indivíduos, eu sei quais estratégias eu posso adotar, que não necessariamente tem que ser um produto fitosanitário. Pode ser um manejo diferenciado, uma rotação de cultura, que é fazer um plantil alternado de outra cultura, não fornecendo mais alimento para este inseto que está reduzindo a minha plantação. >> Em ambientes domésticos, por outro lado, a erradicação de certos insetos é frequentemente desejada, pois aqueles adaptados ao nosso modo de vida podem atuar como vetores de doenças. No entanto, paradoxalmente, sua presença muitas vezes está associada à limpeza do ambiente, já que eles indicam um ciclo natural de reciclagem da matéria orgânica. Mas mesmo quando precisamos controlá-los, antes temos que conhecê-los e estudá-los. Veja, existem espécies de insetos parecidas entre si, porém uma espécie pode ser vetora de um microrganismo patogênico e a outra espécie não. A outra espécie pode ser eh pode servir para um uma outra finalidade na natureza. Então tem outros tipos de pernil longos muito parecidos com a edip, mas que não são transmissores e eles acabam gerando um benefício para o ecossistema, porque eles têm outras funções. E aí quando se fala, vamos exterminar então os pernilongos, vamos exterminar os mosquitos, não é bem assim, né? Porque se exterminar os de uma maneira grosseira, de uma maneira genérica os mosquitos, os pene longos, vai acontecer impacto ambiental em outras vertentes. O caso da ilha de Borné é um exemplo clássico de como a interferência humana em ecossistemas pode gerar efeitos colaterais inesperados. Nos anos 1950, a Organização Mundial da Saúde implementou uma campanha para erradicar a malária na ilha, utilizando o inteticida DDT. O objetivo era eliminar os mosquitos vetores de malária, mas o uso do inteticida desencadeou uma reação em cadeia desastrosa. Inicialmente, o intesticida DDT reduziu a população de mosquitos, diminuindo os casos de malária. No entanto, o inteticida também afetou outros organismos do ecossistema. Ele envenenou baratas que eram consumidas por lagartixas que, por sua vez serviam de alimento para gatos. Como resultado, muitos gatos morreram devido ao acúmulo de DDT na cadeia alimentar. Com a drástica redução da população de gatos, houve uma explosão populacional de ratos que não tinham mais predadores naturais em número suficiente. Isso levou a uma infestação de ratos na ilha, trazendo novas ameaças à saúde da população, como surtos de tifo e peste bubônica, o que precisou de novas medidas para conter a infestação. Apesar dessa história por vezes ser contada com contornos exagerados, até hoje esse episódio serve como um alerta sobre os riscos de intervenções ambientais, sem uma análise aprofundada dos impactos ecológicos. Ele ilustra a complexidade dos ecossistemas e a necessidade de abordagens sustentáveis no controle de pragas e doenças. Isso mesmo. A maioria das maneiras que tentamos controlar ou eliminar insetos é mais equivalente a uma bomba nuclear do que a um míssil guiado a laser. Ou seja, elas basicamente têm um impacto enorme em todos os insetos de uma determinada área. E na maioria das vezes, se você mata todos os insetos de uma região, o que volta para lá são mais insetos, geralmente do tipo que você não quer. Então, com frequência, ao usar esses pesticidas, esses inticidas que eliminam insetos de forma indiscriminada, acabamos causando mais danos do que benefícios. Por isso, é importante ter muito cuidado e pensar bem sempre que formos usar qualquer tipo de inteticida químico. Eh, são animais que muitas vezes não são tão carismáticos, né? não são assim tão fofinhos, tirando um ou outro, mas que tem uma importância muito grande. Então, eh, a gente tem que agir realmente naqueles que causam um dano, né, pra gente no sentido, eh, principalmente de saúde, econômico também. Não podemos, eh, fingir que nada é nada. a gente tem que eh sobreviver e a e a economia também, mas a gente tem que eh saber que tem que fazer com parcimônia e tem que estudar. Por isso, por exemplo, quando a pergunta, né, o nome, por que saber? Preciso até saber quem eu tenho que combater. Então, estudar os insetos é importante, é pra gente entender essas relações e saber onde agir melhor, qual o melhor momento, né? Qual é a melhor situação pra gente tentar controlar uma possível praga, um possível vetor? Na natureza, cada ser vivo, independente de seu impacto sobre os humanos, tem um papel fundamental nos ecossistemas. Mosquitos, por exemplo, são vetores de doenças, mas suas larvas servem como fonte de alimento para peixes e outros animais aquáticos. Gafanhotos podem devastar plantações, mas também fazem parte da dieta de inúmeros predadores. E se olharmos mais de perto, veremos que os benefícios que os insetos trazem vão muito além. Diante das doenças que podem transmitir, dos prejuízos à agricultura e até do medo que despertam, é fácil enxergar os insetos apenas como uma ameaça. Mas se além dos desafios, eles também nos trazem benefícios, será que podemos simplesmente classificá-los como bons ou ruins? Ou sua existência é muito mais complexa do que isso? Acho que é difícil simplesmente rotular insetos como bons ou ruins. Certamente muitos insetos desempenham papéis muito positivos. Eles ajudam a polinizar nosso suprimento de alimentos. São uma fonte importante de alimento para muitas pessoas ao redor do mundo que consomem insetos regularmente em sua dieta. E tem outras utilidades que nem sempre percebemos, mas que são fundamentais para o que fazemos como seres humanos. Por outro lado, há insetos que podem nos morder ou picar, causando dor ou reações alérgicas que podem ameaçar nossa saúde. Além disso, muitas doenças importantes são transmitidas por insetos, o que é um aspecto realmente negativo do que alguns deles fazem. Mas ao mesmo tempo, a maioria desses insetos também desempenham funções valiosas. Então, não é tão simples dizer que são ruins e que estaríamos melhor sem eles. Na verdade, a maioria desses insetos realiza coisas importantes e sentiríamos falta deles se desaparecessem. Quando conheci o borboletário da Mata Santa Genebra, me impressionei não apenas com a beleza do voo delicado das borboletas, mas principalmente com a profunda conexão entre o modo de vida delas e a saúde do ecossistema ao seu redor. >> A borboleta pra gente, ela é um excelente bioindicador, que é esse termômetro da condição ambiental, >> porque elas precisam de condições muito específicas para estarem bem, se reproduzindo bem. Então, como o ciclo de vida delas é muito curto, né, falei para você até um ano, a resposta delas às mudanças é muito mais rápida do que em outros insetos, em outros animais ou em plantas. Então a gente consegue observar muito rápido essa mudança. Então esse ano eu esperaria que uma espécie criasse abundantemente durante o período ali de janeiro a março. Não tô vendo ela. O que que tá acontecendo? Aí você vai ver. A gente teve um índice de chuvas muito menor. >> Uhum. >> As temperaturas médias estão mais baixas. >> Uhum. >> Né? Tá. teve uma mudança, por exemplo, no uso do solo. Uhum. >> Próximo da área onde ela ocorre. Então, tudo isso vai afetar o ciclo de vida e vai responder muito rápido. Então, a partir dessa mudança na presença e na quantidade delas, o mesmo ao contrário, nossa, esse ano tá muito mais do que o normal. O que que mudou? A gente consegue buscar conhecendo o ciclo de vida. Por isso é importante estudar elas e conhecer bem o ciclo de vida delas pra gente saber o que que mudou para poder direcionar para um lado onde ela diminuiu ou pro lado onde ela aumentou. E aí a gente sabe, consegue identificar onde que tá o problema maior, né? Porque isso em longo prazo vai afetar o restante todo do sistema ecológico. >> Já se perguntou se o valor da natureza pode ser expresso em termos monetários? A maioria dos estudos sobre o valor econômico dos insetos trata do trabalho da polinização que eles fazem. e polinização nada mais é do que o processo de transferir grãos de pólen da parte macho da planta para a parte fêmea da planta, possibilitando a fertilização de frutos, vegetais e sementes. Ela pode ser feita pelo vento e pela água, mas a maioria das espécies vegetais depende de um animal para isso. Vários insetos fazem isso, mas os mais eficientes são as abelhas. Na medida que as abelhas voam de flor em flor, coletando néctar e pólen, sem querer, elas transferem grãos de pólen nos pelos do corpo. Aliás, uma única abelha pode polinizar mais de 1000 flores por dia. Esse simples ato de coleta presta um papel imprescindível para incontáveis plantas, incluindo muitas plantações que dependemos para ter comida. A importância das abelhas para nosso sistema de agricultura é imprescindível. Sem as abelhas, nosso alimento seria muito menos diverso e nutritivo. Estudos estimam que o valor econômico dos serviços de polinização por insetos varie entre 235 e 577 bilhões de dólares por ano em todo o mundo. Então, diante desse quadro, o que seria do mundo sem os insetos? Olha, nós teríamos menos doenças, mas o mundo não existiria. Então, não teria mundo, provavelmente, né? A gente não teria, teria muito menos polinização, eh, fonte de alimentos para outros animais. Então, os insetos eles são vitais paraa manutenção, né, da vida da terra. Se não houvesse insetos, iria ocorrer um desequilíbrio ecológico, porque os insetos, como eu havia mencionado, eles estão condizentes em uma importância ecológica extremamente gigantesca. Eles são bases de cadeia alimentar. Eu vou ter insetos que consomem de maneira direta um vegetal e eu vou ter animais maiores que vão consumir este inseto e vão conseguir captar mais energia de que se ele não consumisse este inseto. Eu vou ter, por exemplo, muitos polinizadores. Todos os insetos eles fossem extintos, iria ocorrer um declínio na flora, porque os insetos são os maiores polinizadores. Claro que eu tenho outros animais que não são insetos, que também realizam polinização, mas é muito nítido, como que a presença de abelhas, vespas, moscas, borboletas e mariposas, visouros, dentre outros, eles têm uma facilidade e um papel ecológico muito grande para fazer uma polinização entre plantas, extinguindo os insetos, um desequilíbrio ecológico é certeiro que vai acontecer. >> Sim, se os insetos não existissem, muita coisa desmoronaria. Sabemos que os insetos são uma fonte importante de alimento para muitos outros animais. Um ótimo exemplo são os pássaros. Muitos pássaros dependem completamente dos insetos e simplesmente não existiriam se esses insetos desaparecessem. Além disso, há alguns animais que se especializaram em comer um tipo específico de inseto. Por exemplo, os tamandoás. Eles se alimentam de formigas e cupins. Se essas formigas e cupins não existissem, não teríamos tamandoás. E há muitas outras espécies assim que dependem de um tipo específico de inseto. Outra função extremamente importante dos insetos é a polinização. Não sabemos o número exato, mas algo em torno de 80% das plantas do mundo são polinizadas por insetos. Isso também inclui uma grande quantidade das culturas agrícolas que cultivamos para alimentação. Ou seja, os insetos não são apenas essenciais para a natureza. mas também para os humanos, pois dependemos desses polinizadores para ajudar as plantas a se reproduzirem. Tem um grande número de especialistas estudando, né, um número maior ainda de espécies. E eles são além de muito interessantes, né, a gente tem organismos que são bem menos complexos, mas que desempenham um grande número de funções bastante complexas pro seu nível estrutural. Então, eh, eles são fundamentais. Se a gente acabar com os insetos, realmente, acho que a gente não dura muito aqui na Terra. Eles estão por toda parte, no ar, na terra, na água, invisíveis para muitos, mas indispensáveis para todos. Apesar de pequenos, são os verdadeiros gigantes da natureza. Eles polinizam as flores que dão origem aos frutos, reciclam a matéria que alimenta os solos, mantém o equilíbrio dos ecossistemas e servem de base para incontáveis cadeias alimentares. Sua força está na diversidade e sua grandeza nos detalhes. Ainda assim, eles enfrentam ameaças crescentes. O desmatamento, os pesticidas, as mudanças climáticas e a ação humana colocam em risco não apenas suas populações, mas toda a teia da vida que depende deles. Protegê-los é garantir o futuro das florestas, das lavouras, da água e do ar. Se os insetos desaparecessem, o mundo perderia muito mais do que suas cores e sons. Perderia seu equilíbrio, sua abundância, sua capacidade de se renovar. Sem polinizadores, a produção de alimentos entraria em colapso. Sem decompositores, o acúmulo de matéria orgânica atrapalharia o ciclo de nutrientes. Sem os inúmeros elos que eles compõem na cadeia alimentar, uma reação encascata poderia desequilibrar ecossistemas inteiros. Podemos então enxergá-los com outros olhos, vê-los como aliados e entender que no mundo criado com tanta perfeição, nada existe por acaso.