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O NOVO TESTAMENTO GREGO: EDIÇÃO DE LEITURA – MARCELO BERTI E PAULO WON | PODCAST VIDA NOVA #84

O NOVO TESTAMENTO GREGO: EDIÇÃO DE LEITURA – MARCELO BERTI E PAULO WON | PODCAST  VIDA NOVA #84

O NOVO TESTAMENTO GREGO: EDIÇÃO DE LEITURA – MARCELO BERTI E PAULO WON | PODCAST VIDA NOVA #84

🎙️ Está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!

Neste episódio, conversamos com Marcelo Berti e Paulo Won sobre o livro O Novo Testamento Grego: edição de leitura, originalmente publicado pela Tyndale House e traduzido para o português por Edições Vida Nova.

Ao longo da conversa, abordamos questões fundamentais, como:
– Como ler melhor o grego bíblico?
– Qual a diferença de ler o Novo Testamento em grego com uma versão de leitura?
– Como entender alguns textos inseridos por copistas na Bíblia?
– É possível um cristão comum entender o grego bíblico?

Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/novo-testamento-grego-o-edicao-de-leitura
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Legendas automáticas:

E aí, seja bem-vindo ao podcast da
editora Vida Nova. Eu sou o Saor Lucena
e é uma alegria estar aqui com você.
Aqui no podcast da Vida Nova, a gente
busca conversar com autores, pastores e
teólogos em geral sobre os livros
lançados pela editora Vida Nova e as
questões importantes que eles abordam. E
no podcast de hoje, nós vamos falar de
um livro muito especial, esse lançamento
que a Vida Nova tá trazendo aqui dessa
edição do Novo Testamento grego, um
livro que se chama justamente o Novo
Testamento grego, uma edição de leitura.
Se você quer aprender a ler mais o
grego, ter mais familiaridade, você já
tem algum conhecimento, quer desenvolver
e você quer entender mais sobre essa
versão aqui, o que é que ela traz pra
gente, o que é que é uma edição de
leitura, por que é mais fácil ler o
grego nessa edição do que em outras
edições que nós temos por aí, além de
outras questões, inclusive sobre porque
nós temos alguns textos que nós
encontramos nas nossas versões das
escrituras, [música] mas que estão entre
colchetes Se você quer entender a
respeito disso e entender as vantagens
de conhecer o grego e fazer a leitura do
seu Novo Testamento em grego, então você
precisa conhecer esse material por meio
da conversa de hoje aqui no podcast. E
quem vai conversar com a gente hoje são
dois especialistas em grego que nós
temos aqui nesse contexto brasileiro,
que é o Marcelo Bert e o Paulo Hom.
Então vamos à conversa e se você quer
realmente continuar acompanhando o
podcast, não esqueça aí de se inscrever
na sua plataforma preferida e também de
nos deixar o seu feedback e o seu
comentário. Marcelo, seja muito
bem-vindo ao podcast da Vida Nova. É um
prazer ter você aqui com a gente mais
uma vez, meu irmão.
>> Muito obrigado por me receber mais uma
vez. É sempre uma grande alegria poder
estar com vocês e compartilhar mais um
pouquinho daquilo que a gente tem
aprendido com o senhor sobre esses novos
lançamentos aqui que temos em mãos.
Excelente. E Paulo, primeira vez aqui
com a gente no podcast, né, meu irmão?
Paulo, seja muito bem-vindo. É muito bom
ter você aqui com a gente.
>> Pois é, que honra estar aí no podcast da
Casa da Vida Nova junto com você, Saur,
junto com meu querido amigo Marcelo Bert
também, para discutir de coisas que
particularmente nós gostamos de lidar,
que é o texto original do Novo
Testamento. E já parabenizando a Vida
Nova pelo lançamento dessa nova edição,
né, do Novo Testamento grego aqui da
editado aqui e publicado agora em língua
portuguesa originalmente pela Tinday
House, então vai ter muita coisa boa pra
gente falar sobre esse volume hoje.
>> Excelente. Excelente. Obrigado. Eu
agradeço a vocês pela participação.
Vocês são dois nomes que estão muito
associados aí na internet, no com no no
contexto brasileiro falando sobre o
texto original. Então é muito bom ter
vocês aqui para somar nesse podcast,
nessa conversa. Mas justamente para o
pessoal que tá chegando agora, que
talvez não esteja tão familiarizado com
vocês, vou pedir para que vocês se
apresentem. Então, Marcelo, eh, fala um
pouco aí de você, meu irmão, como é que
você tem servido a igreja? Fala aí do
seu ministério.
>> Hoje eu sou pastor na Igreja Batista
Fonte São Paulo, aqui na cidade de São
Paulo. Tenho trabalhado aqui desde 2018.
Ah, em termos acadêmicos ten ensinado em
diferentes seminários ao redor do
Brasil, de maneira digital, presencial.
A línguas originais t sido parte a
principal do meu do do meu ensino. Fui
professor de hebraico, tenho sido
professor de grego, ah, especialmente na
área de exegese e principalmente crítica
textual do Novo Testamento, ah, fazendo
aí a esse trabalho com diferentes
instituições ao redor do Brasil. Também
trabalhei como um dos tradutores da NVI,
do time de tradução da NVI. Ah, e tenho
servido a Igreja Brasileira através de
escrita, através de aulas, através de
vídeos, através de podcasts como esse.
Tem sido um grande privilégio poder
oferecer pra Igreja Brasileira aquilo
que o Senhor me permitiu absorver no meu
período de treinamento. Estamos servindo
aqui no Brasil já há algum tempo com
bastante alegria também.
>> Muito bom, meu irmão. Que Deus continue
te abençoando aí em tudo isso também. E
Paulo, você a primeira vez já é
conhecida também na internet, mas para
quem tá chegando aqui e lhe vendo pela
primeira vez, se apresenta também, meu
irmão.
>> Show de bola. Eu sou pastor na Igreja
Presisterana Metropolitana, na cidade de
Campinas e professor também em alguns
seminários de forma presencial e
virtual. Presencialmente eu estou mais
concentrado nas minhas atividades no
seminário Presbiteriano do Sul na cidade
de Campinas e também no seminário Servo
de Cristo e começando ano que vem também
a vários projetos importantes na
faculdade latino-americana que é a FLAN.
E temos também desenvolvido vários
trabalhos aqui na internet, sempre no
sentido de trazer um conteúdo bíblico e
teológico robusto e ao mesmo tempo fácil
das pessoas entenderem, com um toque aí
de preocupação pela edificação das
pessoas. E a gente já tem conquistado
esse espaço já há alguns anos e pela
graça de Deus ah, nós também ah,
conseguimos eh publicar alguns livros,
né? Eu publiquei, ah, em 2020 e Deus
falou na língua dos homens, alguns
artigos também. E é sempre bom, né,
poder lidar com um conteúdo que é um
conteúdo que particularmente fascina
tanto a mim quanto o Marcelo, que são as
línguas originais. E muito nosso
trabalho é diretamente relacionado e
baseado tanto no grego do Novo
Testamento quanto no hebraico do Antigo
Testamento.
>> Excelente, cara. Quer dizer que a gente
tá realmente todo mundo perto aqui, né?
Relativamente. Você, Marcelo, em São
Paulo, você Paulo em Campinas e eu aqui
no meio em Jundiaí, né? Tá tudo
conectado.
>> Isso. Jundiaí tá no meio, né? Exato. A
gente tem que marcar alguma coisa por
aqui, cara. Fazer um encontro. Já
imaginou aí, ó, a gente fazer um
encontro, falar das línguas originais
aqui de Jundiaí também ia ser muito bom
ter vocês. Vamos ver se a gente depois
marca algo nesse sabe a vida nova não
não faz alguma coisa legal aí pra gente.
>> Olha, ia ser legal.
>> Ex. Se você conseguir um espaço na
agenda do Paulo, o resto é fácil.
[risadas]
>> É isso.
>> Tem esse desafio aí com vocês. [risadas]
>> É, a gente não poôde se reunida a outra
vez porque literalmente São Paulo estava
debaixo da água, né? Hoje tá mais
tranquilo.
>> Nossa, verdade, cara. Tava todo mundo na
complicação. A gente ia gravar, né, para
o pessoal que tá nos ouvindo, só para
saber, ia gravar semana passada, tava
tudo certinho, com exceção da internet,
da energia que tava tava uma destruição,
amigo.
>> Mas tá bom, aprove a Deus. Eu tinha,
como eu tinha até falado para vocês, né,
tinha pregado sobre Romanos 8:28, todas
as coisas cooperam de alguma forma. Isso
cooperou pra gente também. que estamos
aí, vamos gravar agora no dia mundial da
folga pastoral, né? Na segunda-feira
aqui, vamos aproveitar a nossa folga,
que o pessoal acha que na segunda-feira
o pastor fica só deitado, né? Mas aqui
folga pastoral é para encaixar outras
coisas também, né, gente? Mas vamos lá,
gente. Eu agradeço vocês terem vindo pra
gente conversar sobre esse material
muito bom que a Vida Nova tá trazendo
aqui pra gente, o Novo Testamento grego,
uma edição de leitura. a gente vai falar
sobre várias características disso,
inclusive quero especificar depois essa
questão de ser uma edição de leitura.
Mas antes de mais nada, eu vou começar
com você, Marcelo, eh, fala um pouco pra
gente desse material, da onde é que ele
tá vindo, né? Ele eh você falou
brevemente aqui ou você ou Paulo sobre,
tá ligado a Tinday House. Então, conta
um pouco mais pra gente sobre essa
origem desse material, por favor.
>> É, esse material ele acho que ele se
origina da intenção inicial a de dois
editores principais, né? o Duck e Onkind
a e o Peter Williams de fazer uma
revisão do material grego de um homem
chamado Samuel Tregeles, que trabalhou
na produção de um texto grego
anteriormente a ao texto do West
Cottenhar Hort, que foi um texto que
ficou muito famoso, foi inclusive
utilizado por eles. Ah, mas esse era um
texto que diferente do texto de West
Cortenhar H, que acabou influenciando aí
a produção dos textos críticos
posteriores, ah, ele vem de uma
diferente metodologia que tinha uma
preocupação primária com a evidência
textual manuscrita. Então, na
perspectiva de Treggeles, ele ele queria
ter um um novo testamento que fosse
atestado primariamente por
eh por textos que estão expressos em
manuscritos antigos. E essa busca por um
texto antigo fez com que ele tomasse
diferentes caminhos nesse processo de
trabalho crítico. Ah, e o e e o Duck,
tanto Duck quanto o Peter, eles ah
trabalharam inicialmente com a revisão
desse texto e a ideia era atualizá-lo
para uma versão contemporânea baseada em
tudo que nós aprendemos nos últimos 100
anos aí ou mais. Ah, o que aconteceu foi
que a revisão se tornou tão profunda e
tão intensa que ela precisou ser
desconectada da própria da própria fonte
original e e para se tornar um texto
completamente novo, ainda que seguem os
mesmos processos editoriais. Então,
aquilo que nós aprendemos nos últimos
anos sobre os manuscritos, sobre os
escribas, os hábitos dos escribas, ah,
fez com que esse material fosse
produzido de uma perspectiva
profundamente documental, ah, se
distanciando do método da NA, né, Nestle
Alland, distanciando da UBS, que usam,
né, a ideia dos manuscritos mais
evidências internas e textuais, ah, que
são um pouquinho mais hermenêuticas e
subjetivas para alguns. A, e eles
gostariam de de um tipo de análise
external dos manuscritos que favorecesse
documentos antes a dessas questões mais
subjetivas. E daí nasceu o projeto da
Teil House, esse Greek New Testament,
né, esse grego do Novo Testamento da
Team Dale House, é o resultado desse
trabalho, desse esforço aí, ah, de
especialmente esses dois ah editores,
mas de um time todo por trás, a de
revisitar variante por variante todos os
livros do Novo Testamento, ah, para
identificar quais são as leituras que
seriam a melhor atestadas de maneira
documental e oferecer para nós uma
versão alternativa aos textos. críticos
a que nós conhecemos ou que são mais
famosos nos nossos dias, né, como Nesle
Alland e UBS.
>> Muito bom. Então, só resumindo aqui,
Paulo, você consegue deixar pra gente um
pouco claro aí essa questão de que
manuscritos ele segue somar aí com o
Marcelo. Marcelo já começou a falar um
pouco sobre isso, mas eh que manuscritos
então a gente vê esse material seguindo
pra sua Constituição? É, antes de nós
falarmos propriamente dos manuscritos,
nós precisamos deixar muito claro que
essa ciência que lida com toda essa
questão manuscritológica do Novo
Testamento é uma ciência muito complexa,
né? Nós temos milhares de manuscritos
que compõem todo corpus de evidências,
tanto antigas quanto de descobertas mais
recentes daquilo que nós temos no Novo
Testamento. E geralmente as pessoas
agrupam em tipos de manuscritos ou
chamados tipos de famílias ou variações
que podem seguir diferentes
metodologias, mas geralmente quando as
pessoas pensam em famílias ou em tipos
de textos, eles estão pensando numa
tradição alexandrina, ocidental,
bizantina, cesareense, etc. Ah, e essas
terminologias vieram muito à tona devido
ao trabalho aí de West Court Horts, né,
e foram se popularizando ao longo do
tempo e também devido a muitas
discussões de internet que a gente vê
acontecer por aí. Quanto a avaliação,
né, do tipo de família ou da das
inclinações que o texto do Novo
Testamento da Tind House ela segue, a
gente pode dizer que é baseado num tipo
de ecletismo, ou seja, num num arrazoado
mais equilibrado que não leva em conta o
peso de certos manuscritos ou de o peso
de certas tradições consolidadas, né, na
história da igreja e em toda a ciência,
mas ah, em questõesev
em questões relacionadas à sua
relevância histórica, obviamente, mas
também a sua antiquicidade, né, o uso
que esse documento teve e com certeza,
né, leva em conta um, pelo menos de
maneira mais direta, um apanhado de
documentos muito menor do que se
pretende, por exemplo, a Ness Allan de
28, que tem um viés muito mais de
análise de texto crítico e de uma
análise mais científica. Então, nós
temos aí avaliações de relações
históricas entre as leituras sendo
colocadas no centro da discussão, ah,
como e por variantes surgiram e como o
texto foi consolidado, privilegiando
a leitura que explica o texto, a
mensagem do texto e as
as eventuais variações que esse texto
pode ah apresentar baseado aí em textos
que são antiquíssimos, desde textos que
datam do século do final século século
né, a os papiros, ah, passando pelos
grandes onciais, que são documentos mais
completos escritos por volta do século
passando pelo século V, como codice
sinaítico vaticano. E a gente tem um
todo um esforço de apresentar menos a
questão de uma harmonização, mas também
uma um certa ênfase em preservar ou de
ou deixar mais explícito leituras que
for que sejam mais difíceis ou que
tenham um texto mais difícil e que foram
sendo explicados em outras edições de
outras maneiras, revelando estágios
anteriores da tradição textual ou é o
que pretensamente as pessoas esperam que
esse texto a presente. Então, não
estaria esse texto relacionado a uma
simples tradição, mas a uma análise
muito mais ampla que privilegia, né, e
esse é o objetivo, acho que mais
central, de privilegiar a leitura do
texto na sua forma mais fluente, na sua
forma mais normal, ah, como nós temos aí
retratado nos documentos mais antigos e
mais relevantes que nós temos em termos
de de evidência manuscritológica do Novo
Testamento. Nós temos vários tipos de
metodologias, vários tipos de pontos que
foram observados, mas em linhas gerais
nós temos essa análise inicial que pode
ser feita.
>> Excelente. E é interessante a gente
destacar para os ouvintes porque a gente
tem pessoas de diversos níveis de
conhecimento nos acompanhando. Vão ter
outras que também já são entusiastas da
da do grego, assim como vocês ali também
estão se debruçando sobre a língua
original já há bastante tempo, mas tem
aqueles que estão agora tentando
aprender um pouco mais. estão naquela
coisa do, ah, eu quero chegar mais perto
do que é o texto original. E a gente
inclusive falou bastante sobre isso, né,
Marcelo, no último podcast que a gente
gravou, o primeiro que você esteve aqui
com a gente, foi muito bom. Então fica
aí um um comentário para o pessoal que
está nos ouvindo. Ah, quer entender mais
sobre essa questão de como é que nós
chegamos no que é a o mais próximo
possível do que a gente entende ser o
texto grego original? como a gente faz
essa seleção desses pedaços de papiro,
desses textos, desses códices para
chegar nesse texto. O outro podcast a
gente conseguiu aprofundar um pouco mais
nisso, porque era o objetivo dele. Nesse
aqui a gente vai seguir mais a partir
disso, a estrutura aqui do que a Vida
Nova nos traz nessa edição. E é
interessante como essas são perguntas
que inevitavelmente já começam a
responder um pouco de outras que são
importantes a gente colocar, mas ainda
assim vale a pena também a gente eh
repetir, enfatizar algumas questões. E
eu creio que uma pergunta que muita
gente quer entender de forma muito bem
clara é: por que que isso é uma edição
de leitura? Qual é a diferença, por
exemplo, do que vocês dois já citaram do
Na, que talvez seja uma das edições mais
conhecidas que nós temos do Novo
Testamento grego e de outras que nós
temos por aí? O que é que caracteriza
essa versão aqui como uma edição de
leitura, Marcelo?
Esse daqui é é um material que foi feito
para o aluno, para o estudante, para
aquele o indivíduo, o pastor que tem o
interesse de voltar a ler o Novo
Testamento em grego depois de muitos
anos, especialmente o pastor, né, que há
muitos anos ele parou de estudar e ele
presume que você já tem algum
conhecimento na área. Ah, porque ele
apresenta o texto, ah, todo o texto, né,
essa parte a maior aqui em cima, dá para
perceber que é condensado o texto. Nós
temos essa parte aqui com as notas
embaixo que são exatamente os termos que
nós não temos tanto conhecimento. Por
exemplo, um estudante típico do Novo
Testamento vai estudar aí as palavras
mais conhecidas, os nossos vocabulários,
nos livros que a gente estuda, ah, nós
estudamos as palavras mais conhecidas e
nós não temos a condição, especialmente
no período inicial da nossa formação, de
de ter um vocabulário que seja grande o
suficiente para abarcar todo o Novo
Testamento. E nós temos palavras que
acontecem pouquíssimas vezes, uma vez
só. Então, essas palavras que são menos
utilizadas, elas aparecem embaixo ah com
em forma de a eh com uma maneira
explicada, com a breve tradução, uma
breve explicação ah de como essa palavra
deve ser utilizada, não necessariamente
no contexto, mas de um modo geral. Aí os
editores fizeram um exercício muito
bacana, porque eles colocam a o temo na
sua forma léxica, aquela que você vai
encontrar no dicionário na parte de
baixo, mas você vai encontrar as os
possíveis sentidos dessa palavra e eles
vão organizar do sentido mais provável
pro sentido menos provável nesse
contexto, a a organizando o a as
definições apresentadas, o que facilita
muito o trabalho de quem tá lendo. Ou
seja, é um texto feito para ser lido.
Você vai ler o texto que você não
souber, você vai consultar embaixo.
Então, ao invés de abrir um aplicativo
que você faria isso, talvez usando os
cliques ou alguma coisa assim, você tem
uma página, ah, você não tem, sem
nenhuma distração. Com a página aberta,
o Instagram não apita, o e-mail não
toca,
você consegue ficar você e o texto grego
com algumas ajudas dos editores que
facilitam o processo de leitura,
especialmente nas palavras que a gente
não vai lembrar.
>> Muito bom. E são ajudas muito
importantes, porque, por exemplo, nós
temos ajudas até de cunho gramatical,
né? As conjugações, os verbos estão
todos aqui, que costuma ser o a a o
grande gargalo do conhecimento
gramatical dos alunos, né?
por exemplo, recorrem
>> automaticamente aos softwares bíblicos
para tentar ver qual que é a conjugação,
qual que é o tempo, qual que é a pessoa,
para tentar entender o que tá
acontecendo
>> desse fraco, como é que a palavra tá
conjugada ali, a morfologia dela, né,
que é o que eles estão trazendo aqui.
>> E dependendo da forma com que um verbo é
conjugado, o radical muda, inverte, é
coisa indo para cima, indo para baixo, é
uma salada de frutos acontecendo. E essa
edição meio que nos ajuda ou ajuda o
estudante até a localizar essas formas
que nós consideraremos como irregulares,
né? Eh, privilegiando aí o acesso em um
volume só.
Então, eh, como o Bert disse, você
teoricamente com um razoável
conhecimento, não teria necessidade de
outros tipos de ferramenta para uma
leitura mais simples e mais direta, que
é o objetivo desse tipo de edição. Aqui
no Brasil não é muito comum, nós temos a
chamada edição de leitura, mais nos
Estados Unidos, no mundo de fala inglesa
e na Europa. Essas redições são ah bem
comuns, tanto do Novo Testamento quanto
do Antigo Testamento, trazendo palavras
para você, ao ir lendo, você ticando
embaixo para ver o que que ela
significa. Por quê? Porque o objetivo,
diferente do texto da Na28, que é com
objetivo mais técnico, que procura
trazer todas as informações textuais de
forma até que exaustiva, é um texto que
privilegia a leitura e até o layout,
como o texto é colocado aqui, sem
divisão de colunas, né, em um texto mais
linear, mais próximo do que nós estamos
acostumados a ler, privilegia não
somente a leitura, mas um eventual
prazer. Se a pessoa for muito firme aí,
tiver uma uma disciplina muito boa e uma
força de vontade muito legal de da
experiência ser até mais prazerosa.
>> Se eu posso pegar assim, eu com certeza
sou o que tenho menos conhecimento da
língua original aqui dentre vocês. Não
sou um especialista na língua, mas já
fiz o seminário, estudei grego, já até
essa parte inicial do grego, eu já pude
ajudar outros amigos a entender um pouco
mais. Mas a ideia aqui então é, ah, uma
pessoa como eu tem algum conhecimento já
introdutório da língua, ela vai pegar,
ela vai lendo aqui e ela pode ir
consultando. Eu gostei muito dessa
comparação que você fez, Marcelo, do
comparar com o clique ali, né? Você
passa o mouse em alguns softwares, você
vê qual é a morfologia da palavra, qual
é o significado mais comum. E aqui eles
trazem isso. E uma coisa que eu queria
eh enfatizar aqui, destacar com você é,
no caso, eles estão considerando bem o
contexto do texto para o significado das
palavras. Não é só um padrão que, tipo,
ah, essa palavra eh o significado mais
comum em qualquer contexto é esse.
>> É, e acho que esse é o principal
diferencial e eu acho que é o ponto mais
positivo desse tipo de trabalho,
>> porque no Brasil nós estivemos, pelo
menos os meus professores eram mais ah
mais apegados à ideia de interlineares.
>> Sim.
>> Então você aprendia o grego e você via o
interlinear. E o interlinear, ele propõe
para você o que eu vou chamar aqui,
entre aspas, de tradução literal. Ele
vai pegar literal, palavra por palavra,
mas mesmo aquela tradução literal é a
interpretação do editor sobre qual é o
uso comum daquela palavra. E geralmente
o uso comum e ele é definido pelo maior
uso. Então, se a palavra é usada 10
vezes e nove vezes ela significa coisa,
a eles vão usar coisa 10 vezes e assim
vai. Esse geralmente é o modo como os
interlineares funcionam. E ele vicia o
aluno de uma maneira errada a associar
aquela palavra grega com uma palavra ah
em português como se houvesse
equivalência completa entre as palavras.
Isso não existe nem no próprio
português, né? Sinônimos em português,
eles têm suas ah suas nuances. Imaginem
diferentes idiomas. Imaginem diferentes
num idioma de 2000 anos de idade. É, é,
tem bastante nuance. Por isso que esse
projeto é é ainda melhor ah do que o
interlinear, porque ele vai oferecer
para você opções de entendimento dessa
palavra baseado nos muitos usos dele no
Novo Testamento. Então você vai
encontrar dois, três
possíveis usos paraa palavra organizados
por aquele sentido que os editores
entendem ser o mais apropriado pro
contexto. Então você já tem o editor te
dizendo, mas ele está mostrando para
você que existem alternativas. Então, em
uma passagem desse texto, você pode
aprender muito sobre o texto grego,
muito sobre as palavras, o funcionamento
da língua e isso ajuda muito o leitor a
a desenvolver o seu vocabulário,
entendendo as muitas nuances que existem
nas palavras gregas em relação ao
português, né?
>> Legal. Então aqui a gente tanto tem a
oportunidade, né, um alguém tem um
conhecimento mais básico do grego como
eu, tanto tem a oportunidade de ter
acesso ao texto Novo Testamento em grego
e estudar ali a palavra de Deus, mas ao
mesmo tempo que a gente faz isso, a
gente tá meio que desenvolvendo o
conhecimento da língua, aprendendo a
língua de forma, vamos dizer, natural.
seria talvez comparável ao aprender o
inglês enquanto você fala, né, enquanto
você tá ali eh lendo algo que você
gosta, assistindo uma série que você
gosta, ao invés de necessariamente tá se
debruçando sobre uma gramática. Seria
mais ou menos isso a ideia aqui também.
>> Eu acho que a resposta pode ser, não é
tão simples assim, né? Aprender uma
língua, ela pode ser fruto de várias
metodologias trabalhadas de forma
separada ou trabalhadas de forma mais
conjunta. Há uma tendência mais moderna
de tornar o aprendizado da língua,
inclusive a língua grega, hum, muito
mais no seu aspecto orgânico, onde todo
o trabalho de construção de conhecimento
gramatical está intimamente relacionado
com o como essa gramática acontece na
vida real, no texto do grego do Novo
Testamento. Então, não adianta você
memorizar paradigmas que não ocorrem no
texto bíblico, por exemplo, com palavras
que não ocorrem lá. Então, há uma
convergência e uma tentativa muito boa
de isso acontecer. Ah, na medida em que
nós temos um texto que privilegia a
leitura, nós temos aí algo muito
relevante acontecendo, porque nós somos,
ah convidados a fazer aquilo que deveria
ser o aspecto primordial da
aprendizagem, da aprendizagem de
qualquer língua original bíblica, que
não é decorar paradigmas ou conceitos
gramaticais, ainda que isso seja muito
importante, ainda que isso Isso nos
facilita a própria leitura do texto, mas
o mais principal é a leitura do texto.
Então, como essa leitura é pensada? Ah,
tem aspectos interessantes, por exemplo,
nessa edição, porque ah, a língua é
dinâmica, certo? A língua é dinâmica. E
nós temos, por exemplo, nas edições
críticas, por exemplo, Anessa Alland, já
todo um trabalho de uniformização,
talvez, de palavras que têm, por
exemplo, grafias diferentes ao longo de
vários manuscritos e ao longo de tempos,
né? Há um trabalho de harmonização de
forma, por exemplo, evitarse iotacismo,
coisas assim, né? Um e iota faz
diferença ou não. O texto que nós temos
em mão, publicado pela Tindo House, ela
traz características de uma forma talvez
mais antiga, né? Ã, mantendo algumas
formas de se escrever, né? Algumas
letras da a o que nós falaríamos de
forma fácil. no como se soletra uma
palavra, muito mais próximo do que era a
convenção na antiguidade, do que talvez
ah depois de passar por um período já de
acomodação e de harmonização e de edição
mais forte do texto. Então, essas e
outras questões nos levam a pensar que
esse texto é um texto muito importante,
não somente no aspecto de você aprender
a língua, de você treinar a língua, mas
também no aspecto também mais amplo de
você conhecer a própria tradição, a
história e de como essa língua foi se
desenvolvendo ao tempo, porque existem
variações em um manuscrito que não
existem em outras e assim por diante.
Lógico que essa edição vai privilegiar
os manuscritos mais antigos, mas isso aí
pode serverificado.
>> Sim, sim. Muito interessante.
>> Esse esse é um elemento que é a ao mesmo
tempo um ponto muito forte e um ponto
muito fraco pro leitor novo. Muito
forte.
>> Olha pro leitor novo. Claro,
>> porque pra gente que tá olhando o essa
que a gente que já conhece um pouco da
da história da língua, as diferentes ah
movimentos históricos influenciando a
grafia, né? por exemplo, convenção de
como palavras eram escritas, elas são
regionais. Não existia um um grande
acordo da gramática ou da lexicografia
no mundo antigo. Eles eram meio que
regionais, eles representavam fonemas
muitas vezes como eram falados. Então,
diferentes regiões do mundo, você vai
encontrar diferentes grafias. E é por
isso que essas grafias são diferentes
nos manuscritos que nós temos, né, que
sobreviver.
>> Sim. E em alguns desses casos a gente
consegue explicar exatamente o que
aconteceu. Outros casos a gente tem um
pouquinho mais dificuldade, mas faz
parte do entendimento da história da
língua, da influência a dos da dos
outros idiomas a no modo como o grego
foi escrito. Ah, e tudo isso pra gente
que gosta desses detalhes é
impressionante. Então, você encontra o
mesmo verbo sendo usado com duas grafias
na mesma edição de propósito, você fala:
"Uau, que bacana. Eles estão dizendo pra
gente que os manuscritos tinham
diferentes formas de ler esse verbo. E
meu meu olhinho brilha, eu falo: "Nossa,
que que incrível". Mas o leitor novo,
ele vai falar assim: "Mas por que que
isso que aconteceu, professor?"
[risadas]
>> É, eu não vou achar no dicionário essa
forma.
>> É exato. Aí eu chegava pro, eu lembro de
fazer perguntas desse tipo, né? A pros
me pro Daniel Walas em particular e a
resposta dele era clássica. ele falava
assim: "Eh, é dessa maneira porque assim
que as mães gregas ensinavam seus
filhos." Ou seja, não sei. [risadas]
E aí entra o que seria o desafio pro
aluno novo. O primeiro contato do aluno,
quando ele olhar essas diferenças e
percebê-las, ah, ele vai precisar se
perguntar o que que tá acontecendo aqui.
Embora esteja explicado na introdução,
ah, na introdução você tem um, dois
exemplos de alguma coisa que vai se
repetir algumas vezes no texto, né? E
você vai precisar se informar a respeito
disso. E é por isso que eles criaram no
fundo uma sessão de lemas que são fáceis
de visualizar. Então, quando você chegar
numa dessas palavrinhas que mudou, eh,
essa edição, eles já colocaram até isso
pro aluno, para ele e no final ele vai
encontrar um glossário mais expandido,
onde o radical ou o lema, ah, que é a
linguagem que eles estão usando nessa
edição, ah, você vai encontrar o radical
e as diferentes possíveis formações
dessa palavra a no decorrer do texto. E
isso pro aluno vai ser incrível, mas ele
vai precisar de um professor que vai
dizer: "Olha para ele, olha, não se
assuste com isso. Isso é só o comum, não
fica preocupado." que tem hora que é e i
e tem hora que é i só ou o contrário.
Isso acontece, acontece com muita
frequência, faz parte do desenvolvimento
da língua. Ah, e eu vou dar mostrar para
você, tem um manual aqui no fundo, você
vai você vai tirar isso aí de letra.
>> Legal. Essa é a parte do da sessão de
formas observáveis para lemas, né, que
nós encontramos ao fim, certo?
>> Legal. Legal. Inclusive falando dessas
sessões do livro, né, destacando aqui
pro pessoal, né, quais são as sessões
que nós encontramos no livro. Nós temos
aqui logo no início o prefácio,
introdução e aí vem o próprio eh texto
grego do Novo Testamento. E ao fim a
gente tem três apêndices ou ah eles
preferem dar o nome apêndice
especificamente para um, mas em resumo,
temos esse de formas observáveis para
lemas que fala justamente do que vocês
acabaram de descrever. E depois a sessão
de glossário, que vai apontar para esses
lemas que mais se repetem, certo, na no
Novo Testamento. E por fim, o Apêndice,
onde ele vai falar de coisas, de uma
coisa que eu vou, a gente vai conversar
depois aqui, mas de alguns textos que
são removidos, né, do texto em si. Essa
palavra exato. Por isso que eu quero eu
quero trazer depois. Eu quero trazer
depois para não ficar mal explicado, né?
Para não assustar ninguém. Não se
assustem. a gente vai ter explicação
sobre esse comentário, mas basicamente
essas são as sessões e as notas de
rodapé que nós encontramos ao longo da
leitura, né, Marcelo, que você tava
mostrando aqui, o Paulo também
mencionou, eh, elas vão falar dessas
palavras que não necessariamente se
repetem tanto quanto as que estão no
glossário e vão tentar nos ajudar a
entender melhor o texto, certo?
Basicamente essa estrutura do que nós
temos em mão, certo? Certo? E eu acho
que é uma edição que realmente
privilegia a leitura, porque comparando
com o seu original em inglês, nós temos
uma preocupação muito mais acentuada
para que o aluno simplesmente leia o
texto. em outras versões da mesma edição
da mesma edição, né, nós temos até a
questões de aparato crítico, né, bem
mais resumido, presente, por exemplo, na
versão em inglês original, onde em cada
página você tem você tem explicações
textuais, tá? Mas como a ênfase é a
leitura, né, então essa parte mais
textual foi realmente substituída pelas
glossas, né, pela parte de vocabulário,
que é o mais importante para que você
tenha uma certa fluência na leitura.
>> Muito bom. E vamos falar de algumas
outras particularidades que podem chamar
a atenção do leitor. Uma que eu acho que
é a uma das primeiras assim que se
destaque para mim logo quando você pega
o sumário é que a ordem dos livros está
diferente do que seria a ordem canônica
mais comum para as nossas bíblias, né? E
por que isso mostrar isso aqui
>> como é? É,
>> eu não sei se eu consigo nem mostrar
isso, mas é realmente muito
interessante, né?
>> Eu vou tentar colocar na tela. Vamos ver
se sai aí na tela na na edição.
>> É porque é realmente muito interessante,
né? Uma das coisas que a gente esquece é
que canon é para nós uma informação
definida. Uhum.
>> Tá? Nós temos esse conceito de canon
muito bem femado. A primeira vez que a
gente pega numa Bíblia, a gente tá
segurando um canon que tá bem definido e
e para
>> até traduz pra gente, Marcelo, vai que
alguém não tá familiarizado. Desculpa te
interromper, mas a palavra canon, o que
é que ela significa? Do que é que a
gente tá falando em geral aí? E é
padrão. É essa a ideia de Canon. E e
Canon nós usamos para descrever essa
regra ou padrão dos livros que nós
usamos. Aí a igreja e ela precisou
debater quais eram os livros que seriam
incluídos e não seriam incluídos. Ah,
mas a gente pensa em Canon ou ou na
nossa Bíblia completa com 66 livros, né?
nosso Novo Testamento 27, nós pensamos
numa era já de impressão em que nós
conseguimos reduzir as letras, o papel é
fino, fica tudo bonitinho, cabe numa
edição de bolso, você pode fazer
pequenininho para levar onde você
quiser. O mundo antigo não era assim. Os
papiros eram grandes, as folhas de papir
eram grandes, as letras eram grandes,
eles escreviam tudo em letras
maiúsculas. Então, um livro do Novo
Testamento ocup ocuparia eh espaços
muito grandes. Então, era comum que eles
guardassem livros do Novo Testamento por
coleções. Então, com raríssimas
exceções, nós não temos manuscritos com
todos os livros do Novo Testamento. Por
exemplo, nos primeiros quatro séculos,
nós só temos dois. No quinto século, nós
teríamos talvez aí mais dois, ou talvez
três, dependendo de um deles. OK? quatro
ou cinco manuscritos dos primeiros 500
anos da igreja com todo o novo
testamento. Nós só vamos repetir esse
feito no no ano 1200, que é o manuscrito
1424, que vai ter todo o Novo Testamento
de novo, porque mesmo durante todo o
período medieval, os textos eles foram
armazenados em porções menores, que é o
que você consegue costurar à mão. Então,
os evangelhos costumavam ser costurados
juntos. Então, os quatro evangelhos
geralmente faziam parte de um desses
textos. eventualmente com apocalipse,
mas isso era incomum. Mas então nós
temos os evangelhos. O segundo grupo de
textos eram chamado de apóstolos.
E se você pensar na lógica faz todo
sentido. É o livro de Atos e o material
de todos os outros dos apóstolos que são
apresentados ali, as nossas epístolas
católicas. É por isso que tem essa ordem
diferente. E aí então vem os manuscritos
de Paulo e e paraa igreja durante
basicamente toda a história da igreja,
Hebreus era de Paulo. Então Hebreus
aparece junto com os documentos de Paulo
e nós temos Apocalipse. Apocalipse era o
livro que flutuava. Às vezes ele ficava
com Paulo, às vezes com as epístolas
pastorais, às vezes com os evangelhos,
mas geralmente na parte final da
coleção. Então apocalipse geralmente
ficava no final da da da coleção de
qualquer forma. Então essa maneira de
organizar que nós vamos ver no texto da
Tindale representa esse sentimento
antigo da igreja de organizar por
grandes sessões. Então nós vamos ter os
evangelhos, os apóstolos, Paulo e
Apocalipse. E essa foi a ordem com que
os livros foram lidos basicamente
durante toda a era dos manuscritos da
igreja. Eles eram organizados assim. Se
você abrir hoje qualquer site, qualquer
documento que ensina você a ler os
manuscritos ou conteúdo dos manuscritos,
você vai encontrar as letrinhas, ah,
esse aqui é o manuscrito tal, letrinha e
a p, que é evangelho, apóstolos, aí
Paulo e Revelations, Revelations que
vira Apocalipse. É, essas são as
letrinhas que descrevem o conteúdo
porque os manuscritos gregos eles eram
organizados assim. A a e a edição da
Tind traz isso pra gente. E eu acho, eu
novamente, eu como professor de grego,
professor de crítica textual, eu fico
encantado com isso, sendo apresentado
nessa.
>> Você gosta dessas particularidades, né?
Você gosta dessas, é fascinante. É
fascinante. A gente presume que o mundo
sem sempre foi como ele é agora. E ele
sempre foi assim, né? Todo mundo sentou
todo domingo e leu os mesmos 27 livros
todas as vezes, né? E não foi bem assim.
a gente tem várias nuances nessa
história e é interessante de observar.
Aí eu acho que nesse sentido o texto da
Tind House é um grande ganho para nosso
entendimento aí da tradição ah canônica
do Novo Testamento.
>> Legal. E Paulo, agora eu queria
perguntar para você uma outra
particularidade dessa edição que eu
achei interessante, que é a maneira que
eles estruturam os parágrafos, né? Na
verdade, eu queria que você falasse do
aspecto geral, né? de como essas
divisões de parágrafo são pensadas, mas
também com eles dividem eles, porque eh
normalmente a gente tá acostumado com
aquele padrão em que a primeira frase do
parágrafo ela vai mais para dentro do
texto, ela vai recuando mais pra
direita, mas aqui ele faz o contrário,
ele coloca ela mais no início, mais pra
esquerda e o restante do parágrafo
inteiro, aqui não tá dando para ver, vou
ver se eu consigo colocar na edição, mas
ah, fica o restante do parágrafo
inteiro, ele fica mais paraa direita, é
o contrário. Então, por que essas duas
questões? Como é que é feita a divisão
dos parágrafos pensada? E por que dessa
estrutura?
>> Primeiro a gente tem que dizer que
parágrafação ou a arte de colocar em
parágrafos é algo muito posterior ao
texto original,
>> tá? Então, se você pega os textos mais
antigos, nem em codice, mas ainda em
formato de papiro, você vê um texto
simplesmente corrente, às vezes sem
espaçamento, não tinha pontuação quase
que nenhuma na época. Então, assim, o
leitor tinha que se virar nos 30 para
saber o que que Paulo tava querendo
escrever e qual que era a ordem e a
lógica da conexão entre as ideias.
Então, ao longo do tempo, né, dentro do
contexto da própria igreja, hum, muitas
pessoas trabalharam em prol da nossa, de
facilitar a nossa vida em termos de nós
entendermos sentenças, blocos e o
relacionamento entre eles. Então, a
parágrafação, né, se nós podemos dizer
assim, não é um aspecto neutro, tá? Ela
depende de como as pessoas vão ler. E a
própria paragrafação não faz parte
daquilo que nós consideraríamos como o
texto inspirado na sua forma mais
original,
>> tá? Nem parágrafação, nem versículo, nem
capítulo, isso tudo é posterior.
>> Mas você verá, né? Eu acho que até
>> ah, o sor pode colocar na tela que a
parágrafação tem um recurso meio que
inverso do que nós estamos acostumados.
Nós estamos acostumados com parágrafos
cuja primeira linha ela está mais para
dentro, né, para dentro da mais, né, do
texto, lado do texto. E aqui nós temos
uma paragrafação diferente quando a
primeira linha está mais próxima da
margem, né, distinguindo do corpo do
texto. é uma forma de paragrafação que
nós temos novamente expresso em grandes
manuscritos que tinham esse padrão. Se
não me engano, o próprio, eu não sei se
o sinaético, mas o Vaticano tem mais ou
menos essa formatação, em que deixava um
pouquinho claro quais eram essas
diferenciações, por exemplo, de perícope
ou de grandes sessões do texto.
Reproduzir isso pode nos causar um
pouquinho de estranhamento, né? Mas eu
acho que funcionalmente nos faz
novamente vislumbrar aquilo que o
Marcelo ele falou, de nós recobrarmos
como que os antigos cristãos liam de
fato os textos. Lógico que a gente não
tem como fazer isso, né? Porque para
fazer isso o texto teria que ser copiado
à mão, né? Mas nós temos um texto
impresso, mas as paragrafações, esses
aspectos de conexão de textos, de
sentenças, elas vão muito na direção do
que era a convenção nesses primeiros
séculos, onde nós temos aí essas
práticas editoriais sendo sendo
colocadas em uso, né? Eu até pesquisei,
eu acho que essa até essa técnica de
colocar a primeira linha deslocada mais
pra margem, né? É a chamada ectesis, né?
que é a que é você colocar a linha do
novo parágrafo projetada à margem
esquerda e as linhas seguintes voltam ao
alinhamento normal, coisa que tá
presente, como eu falei, nos principais
unciais dos dos primeiros séculos. E
assim, por que raios, né, os editores
mantiveram o texto assim e não próximo
ao que é a nossa realidade? Talvez, né,
lendo a introdução e lendo um pouquinho
sobre isso, talvez para refletir algumas
práticas reais de leitura da antiguidade
pra pessoa se sentir mais perto daquilo
que era. Evitar impor ao texto divisões
modernas mais artificiais, né? Nós temos
as famosas epígrafes, né, nos nossos
textos traduzidos, né, as epígrafes não
são inspiradas, né, títulos ali das
sessões. Isso
>> é com exceção dos salmos, porque os
salmos, né, a maioria dos salmos tem as
suas epígrafes no próprio corpo do texto
e também tornar visíveis unidades
discursivas maiores, que na cabeça e no
contexto dos copistas, dos primeiros
leitores, eram conjuntos que não
poderiam ser separados de forma que hoje
nós talvez separaríamos,
né? Então, a própria, os próprios
editores diz o dizem o seguinte: "Esse
parágrafo não é uma invenção moderna,
dialoga com evidência manuscrita
antiga." Então, tá aí para aqueles que
gostam, para aqueles que querem entender
o texto como ele é,
>> né? Eh, é uma é uma forma aí até visual
e gráfica de você entender como que as
pessoas na antiguidade escreviam e liam
um texto.
>> Muito legal. Eu acho que essa é mais uma
daquelas coisas que fazem seu olho
brilhar, Marcelo. Mais uma daquelas
particularidades que você faz, a eles
fizeram aí. [risadas]
>> É, eu ia falar dois duas coisas que me
chamam muito atenção. Primeiro lugar é
uma edição de leitura. Eles priorizam
leitura. Ah, os textos críticos eles são
cheios de símbolos no meio do texto
>> e paraa leitura comum e até um pouco
irritante.
Ah, então quando você quer ler
confluência, eu às vezes copiava o
texto, jogava no Word, imprimia para não
ter que ficar meio atrapalhando com
todos aqueles
>> Agora tá resolvido. Tá resolvido aqui,
né, Marcel? Aqui agora você não precisa
mais, você tem tudo. Mas pensa da
seguinte maneira. a igreja primitiva se
reuniria para fazer a a aquilo que eles
tinham aprendido com os apóstolos. Eles
leriam o texto inspirado publicamente.
Essa era uma prática da igreja antiga.
Que vai à frente, muito provavelmente
vai ler o texto. Ah, e ele é um irmão
comum da igreja. Talvez ele não fosse
tão alfabetizado como hoje, né? Hoje
você tem um pastor doutor na frente da
igreja. Não era incomum ter presbítero
iletrado dirigindo igrejas no mundo
antigo. Então esse indivíduo que vai
ler, ele ele é o leitor da igreja. Ele
precisa ter na sua frente a melhor
ferramenta paraa leitura. E onde que
começa e onde que termina o texto?
Fácil, ó. Eu vou puxar essa primeira
linha pro início e você vai ler daqui
até ali. Esse é o essa é a porção de
texto que a gente vai ler hoje na nossa
liturgia. Então, esse esse essa marcação
que você vê ali já é o desejo dos
escribas antigos para dizer pros
leitores antigos, olha, aqui tem uma
porção de texto do começo ao fim que
cabe numa leitura pública da igreja, né?
Posteriormente eles vão criar
lecionários que fazem isso em bloco de
uma maneira organizada, mas até a edição
desse material exigia muito mais
dinheiro com gasto muito mais amplo de
material e de diferentes especialidade
eh especialistas inclusive. Mas aí o o
texto antigo da igreja eram irmãos
comuns que precisavam ler a escritura. E
o que você o que hoje a gente tá vendo
aqui é é a tentativa de mostrar oralha.
Essa daqui era uma uma uma porção de
texto litúrgica que você vai ler do
começo ao fim e que serve paraa
edificação da igreja. Com certeza isso
faz meu olho brilhar e com certeza eu
fico animado de ver porque os se tinha
alguém que tinha acesso a um modo de
pensar mais próximo dos nossos autores
são os escribas antigos. Os editores
modernos, eles vão com todas as
ferramentas da exegese e ler todos os
textos, eh, considerando seus
versículos. E versículos são divisões
artificiais de capítulos que foram
artificialmente divididos. Então, voltar
a ler ao texto em grandes parágrafos é
um é um para mim um grande ganho da
edição. Favorece a leitura e me lembra
do caráter litúrgico do texto. Esse era
o texto lido pra igreja. Agora pro nerd
de plantão, a o Paulo falou: "Olha, isso
aqui é baseado nos melhores manuscritos,
ah, nos manuscritos mais antigos, né?
Mas eles sempre concordam, não? Os
manuscritos antigos nem sempre concordam
com as divisões de parágrafos. Eles não
são unânimes. É por isso que se você
pegar uma edição tipo UBS, você vai
encontrar além do do da do aparato de
variação textual, você vai encontrar
embaixo pequenininho o aparato de
parágrafos.
E é incrível observar o quanto das
nossas edições se parecem com outros
outras tradições textuais, né? Então,
olha, algumas alguns manuscritos colocam
um parágrafo aqui. Aí você vai olhar lá
embaixo na nota de rodapé, tem uma série
de de edições modernas que fazem o
mesmo. Você fala: "Puxa vida, que bacana
poder observar isso". Porque parágrafos
são interpretativos, acentuações são
interpretativas, ah, vírgulas, pontos
finais são todas interpretativas.
Ah, e e faz parte do projeto da leitura
do texto, investigar essas coisas e
passar por elas. E esse texto de leitura
vai favorecer muito isso pra gente,
porque nós vamos voltar a alguns anos
editoriais para relembrar o texto dos
manuscritos e lê-lo de uma maneira mais
clara.
>> Excelente. Esse aspecto interpretativo
do parágrafo a gente percebe até quando
nós vamos pregar, né? E aqui eu não falo
nem necessariamente daquele que vai
recorrer ao grego para fazer a pregação,
ainda que seja bom, mas a a pessoa vai
ver onde é que vai começar e onde vai
terminar a unidade de pensamento textual
que eu vou expor pra igreja. E a gente
vai olhando, a gente vai lendo o texto,
a gente também leva em consideração os
parágrafos feitos pelas edições que nós
estamos comparando. Mas até isso às
vezes a gente pode chegar e dizer:
"Olha, eu vou concordar com essa edição
hoje porque tá fazendo mais sentido pelo
que eu tô conseguindo estudar aqui, ser
a unidade de pensamento para expor." E
às vezes, inclusive vocês falaram dos
capítulos e versículos, né? às vezes,
inclusive não tá nem respeitando a
divisão dos capítulos que que foi feita
ali. Às vezes a gente vários, tem
vários,
>> tem vários, mas não vamos falar mal
disso hoje não.
>> Exato.
Contínua. Você passa por isso o tempo
todo.
>> Você fala: "Quero parar no meio desse
versículo aqui hoje." [risadas]
>> Ex.
Exatamente, exatamente. Mas e isso não é
um mau trabalho das edições, pelo
contrário, eles estão se esforçando para
apresentar um bom trabalho
interpretativo e a gente vai tentar
fazer também junto com eh outros
estudos, materiais que vão nos ajudar. E
aqui eu quero até fazer um um parêntese
de de algo meu, né, eh, de conselho para
outras pessoas que têm um nível
semelhante ao meu de estudo, que é tomar
cuidado com a crítica que a gente
oferece para edições e traduções, né,
que nós temos, que às vezes a gente tem
um nível muito básico da língua original
e a gente quer fazer uma crítica a uma
edição, uma versão que nós temos, como
senão eles erraram muito aqui. É um
absurdo eles terem traduzido assim,
porque eu aprendi no meu léxico, no meu
estudo aqui do da gramática introdutória
que deveria ser assim. Então, eh, eu
acho que esse é um cuidado que a gente
tem que ter. Eu até acho que vocês têm
coisas para comentar sobre isso, né?
Vocês já devem ter falado isso, eu
imagino, para alunos de vocês. Tô
enganado.
>> A gente já conversou sobre isso entre
nós, mas a gente precisa de um outro
episódio só, só para falar [risadas]
essas coisas.
Bom, vai exente lembrete, eu acho que
vale dizer, é um excelente lembrete. Às
vezes a gente tem, às vezes a gente
super estima a nossa capacidade
de conhecimento. Às vezes o editor tomou
uma decisão que é diferente da que a
gente tomaria, simplesmente porque eu
não sei quais eram os fatos na mão do
editor quando ele tomou aquela decisão.
E às vezes a ignorância é minha, eu só
não sei.
E e a gente tem que lembrar disso. o
pessoal que tá fazendo esse trabalho,
eles não começaram a fazer ontem, eles
não saíram da quarta série. Ah, ele é um
time de gente especialista que dedicou a
vida para isso. Então, tem gente que
estuda a que gastou a vida para
identificar onde ficam os parágrafos. A
especialidade do car. Ele escreve um
manual que tem um guia de como ajudar
você identificar os parágrafos, que são
livros que você vai ler em alemão, em
italiano, em francês, que não saiu aí em
português para ser lido ainda. E talvez
algumas dessas informações não vão
chegar no púlpito de maneira nenhuma.
Então, quando você vê uma idiossincracia
de uma tradução, considere a
possibilidade de que talvez os editores
tenham tido acesso a alguma coisa que
você não sabe, mesmo que você tenha tido
uma excelente formação.
>> Ótimo. Eu acho que é um bom adendo aqui
pra gente colocar sobre a nossa
humildade de respeitar o estudo dos
nossos irmãos, aprendermos juntos, né? É
duvidar de si mesmo também até nesse
existe um aspecto em que isso é é bom,
né? em conjunto com uma igreja saudável,
onde a gente tá crescendo junto ali. Mas
excelente. Agora vamos falar aí entra
uma das coisas que sobre o duvidar de si
mesmo de olhar para textos diferentes e
interpretação e comparação textual é é
tanto assunto junto que é é mais
complexo. Mas vamos falar do apêndice,
do apêndice desse material que
apresenta, como eu falei, até usei uma
palavra, um termo forte, que seria
textos removidos, mas não é o melhor
melhor ideia para descrever. Mas o que é
que nós temos nesse apise? São textos
que não estão ah que muitas vezes a
gente encontra nas nossas traduções, as
nossas versões em português, mas que
aqui eles colocam separado no apice.
Eles não removem completamente, mas eles
colocam no apende. Então, só para citar
alguns exemplos para quem tá nos
acompanhando. Então, deixa eu pegar aqui
um exemplo aqui. Mateus 17:21,
Lucas 23:17
e muito provavelmente aquele que vai
assustar mais, quem talvez não esteja
tão familiarizado com essa questão, o
texto de João 7:53 até o 811, tá? Então,
ah, vamos entrar nessa questão. Por que
nós temos esses textos no apênice? Eu
queria que o Paulo começasse a falar,
mas Marcelo também fica à vontade aí
para adicionar eh seus comentários. Olha
só, a decisão de colocar determinados
textos nesse bendito apêndice, né, que
nós temos na Team Day House, ah, não
equivale, e é muito importante a gente
bater nessa tecla, não equivale a
rejeitar esses textos como se fossem
heréticos, espúrios, irrelevantes ou até
falsos.
O movimento é outro. Trata-se de uma
decisão estritamente textual e
histórica, tá? não tem a ver com dogma,
tem a ver com ciência de texto, tá? Ah,
é um espaço de, vamos dizer assim, de
forma simples, de honestidade
eh, crítica, porque nós temos vários
textos que nós temos nas nossas Bíblias,
cujos manuscritos antigos
eles não apresentam certas porções,
tá? Certos textos. alguns deles que
estão aí na no próprio apêndice, eh, ou
eles estão ausentes ou eles aparecem com
outro ordenamento ou com outras palavras
ou segmentados,
ah, ou surgem de forma explicada. Várias
coisas podem acontecer. Alguns exemplos,
vocês citaram alguns, mas nós temos o
grande exemplo, talvez o mais famoso,
que é o tal do final de Marcos, né? Nós
temos algumas possibilidades de final,
mas nós vamos falar, vai, o final longo
de Marcos, de 9 a 20, que está ausente
em pelo menos dois códices mais antigos,
o sinaítico e o Vaticano, né? Fora
outros, né? Ah, que também refletem essa
ausência e estão presentes em
manuscritos que nós chamaríamos de
manuscritos mais recentes. Nós temos a
também a perícope da mulher adúltera,
né? João 7:53 a 811 também que está numa
parte separada no no apêndice que parece
refletir uma tradição antiga sobre algo
que aconteceu sobre Jesus que não
necessariamente fora escrito pelo
evangelista mas que foi preservado pela
igreja e inserido a posteriore no
evangelho de João. Só porque isso
aconteceu, isso quer dizer que esse
texto é um texto inventado, é um texto
falso? Não, muito provavelmente reflete
uma tradição forte, tão forte, ao ponto
dela ter sido incluída a no corpo do
texto, mais de forma mais ah recente.
Então, a questão é por simplesmente a
gente não deixou, ou ele a gente não,
né, eu não faço parte disso, mas por que
que eles não deixaram, né? Ahã. Eu acho
que isso tem a ver também com toda a
parte de crítica, toda a parte de
evidências, mas também toda a parte,
vamos dizer assim, de reconhecimento
histórico e do valor desses textos, né?
Ah, esses textos simplesmente não foram
eliminados e foram colocados no apêndice
porque eles têm uso litúrgico ao longo
da história, eles têm uso pastoral, eles
têm uso de ensino, de catequese. Ah,
imagina a história da mulher adúltera, o
quanto isso não moldou o universo de
pensamento dos cristãos ao longo dos
séculos e faz parte real da recepção do
Novo Testamento. Movê-los seria
historicamente desonesto nesse sentido,
seria irresponsável no sentido de você
simplesmente tirar e sem dar explicação,
trazendo danos inclusive pastorais.
E seria também de um reducionismo
acadêmico muito grande, porque se
simplesmente considera um grupo de
manuscritos como verdade e outros como
totalmente relevantes. Você cai numa
discussão meio que sabe, não bem
equilibrada.
A outra pergunta é: por que que colocar
no apêndice não em colchetes como nós
temos nas edições críticas aqui, que
elas estão no corpo do texto, muitos
deles estão no corpo do texto, né?
>> Aham.
>> Assim, é aquele negócio, o texto da
Tinder House, ele tenta trazer uma
tradição mais antiga, né, que privilegia
a leitura. E os colchetes seriam algum
tipo de ruído, vamos dizer assim, dentro
do texto que privilegia essa leitura
mais histórica, mais eh é mais inicial,
criando talvez uma ambiguidade visual,
confundindo leitores não especializados.
Então, separou-se
para efeitos de clareza,
ah, por honestidade metodológica daquilo
que o projeto desse, dessa edição propôs
e de alguma maneira
ensina aos leitores essa parte da
crítica textual de considerar textos que
em manuscritos antigos não estão
presentes e que nos outros mais recentes
estão presentes, levando aos pensando
eles a pensar o porquê de tudo existe,
tá? Mas nunca no sentido de desacreditar
esse texto ou de considerar esse texto
até como não canônico e não digno de ser
apreciado pela igreja no seu uso
litúrgico, no seu uso educacional, no
seu uso catequético.
>> Uhum. Marcelo, você quer acreditar? Tem
outro, é, eu acho que tem um elemento
prático aqui também. Eh, o que Paulo
falou reflete um pouco do desafio
técnico do entendimento histórico, mas
existe um aspecto pragmático que fez um
pouquinho tudo da diferença. A nossa
versão em português é uma versão de
leitura e como o Paulo mencionou, ah,
talvez o uso dos colchetes fossem
difíceis aqui, porque eles estão
querendo diminuir os ruídos, né? Ah, mas
na outra versão, que é a versão em
inglês, que tem um aparato, ah, eles
fizeram uma coisa diferente. Então,
todos os textos que na nossa edição
foram parar no final, eles estão em
forma de nota de rodapé no texto abaixo,
que aí não fica tão longe, não dá essa
sensação assim de tão distante a do
texto, ele continua lá. Mas na nossa
versão, como a nota de rodapé é pra
leitura, ficaram elas foram preferidas a
as leituras a críticas aí que seriam
colocadas em outro lugar. Então existe
um elemento prático. Você ter que
aumentar o número de rodapé, de nota de
rodapé, a se aumentaria aí o espaço da
diagramação. Isso tudo complica
tecnicamente a edição e faz uma
diferença bem grande na hora de produzir
esse material. Então, na versão de
leitura, só favoreceu-se a as questões
relacionadas a a à leitura do texto. E
os as questões críticas, elas não são
discutidas. Então, não existe
apresentação de aparato crítico, de
manuscritos que dão a suporte para cada
uma das leituras escolhidas, exceto
aquelas que seriam omitidas ou colocadas
em nota de rodapé no texto principal,
que é o que acontece na versão que nós
temos em inglês. Então, existe um
aspecto pragmático também. Ah, então
quem quiser um pouquinho mais de
informação sobre isso, pode buscar a
versão em inglês. A versão em inglês
está disponível de maneira digital no
logos ou ou física como essa aqui. Ah, e
pode também se tiver aí, tem que ser pro
nerd de plantão. Eu só tenho a forma
digital desse aqui. Eu vou mostrar no
meu no meu tablet.
>> É isso. Eu tenho também, ó. Eu tenho
porque eu comprei, tá?
>> [risadas]
>> Exato. Exato. Esse aqui é do Logos, que
chama Introdução ao Texto grego. E nesse
daqui, excelente, excelente,
>> é, nós temos a explicação dos editores
do o porquer algumas dessas coisas.
Então, o metodologia deles eh não é uma
metodologia ah crítica nos moldes da UBS
e da Nestle Alland, mas é uma
metodologia crítica. Eles também fazem
avaliações a relacionadas ao texto. Eles
precisam tomar decisões. E o capítulo
quatro desse livro, ele oferece quatro
princípios que norteiam as decisões que
eles tomam. Por exemplo, o primeiro
ponto para eles é o conhecimento das
evidências externas. Por exemplo, onde
estão os manuscritos? Onde eles foram
escritos, onde eles estão armazenados.
Ah, uma coisa que é bastante
característica dessa edição é qual que é
o perfil do manuscrito ou o hábito do
escriba, o que que esse manuscrito ele
tem o hábito de fazer, ah, grupos de
manuscritos, como eles se relacionam.
Ah, e tudo isso vai fazer parte de um de
eh desse processo de avaliar, não é
somente a data, não é somente o texto.
Você precisa aprofundar no conhecimento
desse ah desse documento. E aí eles vão
considerar questões relacionadas ao
processo de cópia, que seria o segundo
estágio. Ah, para eles, como que esse
texto escrito poderia ter vido a a ser
alterado? que tipo de erro ele pode ter
cometido ou com a mão, ou com o ouvido,
ou com a visão na hora de copiar, que
poderia influenciar a isso? Será que a
mente do do eh escriba pregou uma peça e
ele na hora que copiava o texto de
Marcos, colocou um pouquinho do texto de
Mateus junto, porque ele tinha
memorizado aquele texto e assim por
diante, né? Ah, questões de conhecimento
de padrão de cópia, como é que como é
que se copia textos? Esse é um texto que
ele tá copiando um a um. É ele o
manuscrito ou ele tá numa sala com um
monte de gente eh recebendo uma leitura
e e ele tá ouvindo esse texto? São são
questões importantes para serem
consideradas. E por fim, são as questões
da das influências possíveis do texto. A
harmonização é talvez a mais forte a a
influência que o texto pode ter, que é
quando você pega o texto de um outro
evangelho e coloca a ele em a numa
passagem similar e você harmoniza o
texto, porque agora eles ficam super
parecidinhos. e liturgia, o uso
litúrgico da igreja fez isso muitas
vezes. Então, se o estudante que pegar a
nossa a nossa edição e olhar no
apêndice, ele vai encontrar um pouco
disso. Por exemplo, o primeiro exemplo é
Mateus, capítulo 6, versículo 13, que
nós temos a doxologia ah da oração do
Pai Nosso, que muito provavelmente, pelo
menos a perspectiva dos editores, elas
eh elas ah fazia parte da liturgia da
igreja e não do texto original, por isso
que ela tá no apenas. Então são
influências litúrgicas influenciando o
texto. Ah, se você lê Mateus capítulo 18
versículo 11, a o texto apresentado aqui
em Mateus é o mesmíssimo texto de Lucas
19:10. Ou seja, aqui nós temos eh muito
provável a inclusão de um texto a de um
outro evangelista no texto de Mateus, as
famosas harmonizações. Então, quando
eles decidiram colocar essas essas notas
pra gente, eles estão dizendo que
decisões textuais precisaram ser
tomadas. Existem questões práticas, né,
como eu mencionei, mas existem questões
técnicas que são essas que a o Paulo
apresentou pra gente aqui. E esse
conjunto de avaliação deu para eles uma
a uma convicção suficiente para dizer
que esse texto provavelmente não
representa o texto original. Não que
eles sejam, como disse bem disse o
Paulo, né, eles não são espúrios ou ou
corrupções no sentido no sentido básico
do tema, mas que eles não seriam o texto
originalmente lido ou o mais antigo
texto lido, como eles têm aqui. Se e se
um o aluno, o curioso de plantão tiver
afim de fazer um exercício, ele pode
pegar essas mesmas passagens que são
apresentadas aqui e comparar com as
edições contemporâneas que nós temos. Se
você fizer isso, você vai perceber que
as nossas edições contemporâneas estão
bem parecidas com que a o que nós
encontramos aqui, exceto com a perícope
adulterá, né, essa períqu
a a a exceção, é a grande a diferença
dessa edição para qualquer outra, né?
Nem a Nestle Alland coloca na nota de
rodapéis colocar. Ah, mas no resto você
vai perceber que as nossas edições
contemporâneas elas estão bem próximas
disso que já está sendo apresentado
aqui.
>> Interessante demais. Eh, um parêntese
aqui no que vocês falaram é que Marcos,
o final de Marcos 16, que o próprio
Paulo mencionou, eles deixam, mas eles
deixam separado por o que parece ser um
comentário ali, né? Um um epígrafe e um
título ali dividindo
o texto, né? Mas eh a gente consegue
fazer um breve comentário sobre isso,
sobre a razão de tá, eu imagino aqui,
né, pensando até questões práticas que
seja porque ainda dá para deixar na
leitura conectado enquanto que tirar o
texto de João é no meio, né, do
evangelho. Mas eu não sei se vocês viram
isso.
>> É aqui. Ah, tô vendo aqui agora, ó. Tá
vendo? Não sei se os leitores, os nossos
ouvintes vão conseguir ver, né? Mas
antes, no final longo, existe uma
pequena nota que é a nota que está
presente no manuscrito no minúsculo. É
um manuscrito um, que é um manuscrito
inclusive usado por Erasmo de Rotan na
produção, ah, do texto que nós temos, do
texto recebido, né?
>> Ah, mas é basicamente uma nota dizendo,
olha, esse texto não foi lido, não, não
era encontrado nos manuscritos mais
antigos, mas era usado na leitura da
igreja.
>> Sim. Sim. Então, o o essa nota é uma
reprodução daquilo que um manuscrito aí,
não vou lembrar a data dele, eu vou
dizer 12º século, primeiro século, mas
alguém pode me corrigir depois.
>> Ah, mas que o escriba daquele período já
dizia, olha, não tava nos mais antigos,
mas ele era lido pela igreja. E ele
continua
>> a a com o texto querendo dizer, é, para
continuar sendo lido pela igreja.
>> E seguindo a tradição desse manuscrito,
eles fizeram a mesma coisa. Sim. e me e
me parece pode falar. É
interessantíssimo a gente ter esse tipo
de reprodução, inclusive desse
comentário de um copista, [risadas]
porque eh nos manuscritos, quando nós
vamos ver original mesmo dos
manuscritos, nós temos vários
comentários desses que aparecem por vez
ou outra no corpo de alguns textos
importantes e que nas nossas versões
elas simplesmente não são colocadas por
vários motivos, né, até para privilegiar
o próprio texto. Mas essa reprodução é
muito importante para você ver até como
que os copistas lidavam de forma
textual, registrando muito dos seus,
muito dos seus, né, das suas ideias ou
das suas formas de entender o texto, né?
Ah, fenômeno igual, né? Fenômeno igual,
não, mas fenômeno semelhante, muito mais
frequente, acontece nos textos do
próprio Antigo Testamento, onde nós
temos dentro do da tradição massorética
vários tipos de anotações que não são
texto canônico, mas que são muito
interessantes e que não são traduzidos,
porque aí seria outra coisa, né? Então
você acaba vendo como que a dinâmica da
leitura e da recepção acontece em certos
manuscritos por causa de dessas
observações.
>> Sim. E eu queria fazer um aspecto, um
comentário aqui prático de aplicação até
até devocional, eh, que é o seguinte,
né? Você olha para um texto desse e quem
não tá tão familiarizado com uma crítica
textual, com uma escritologia e tal, eu
lembro a primeira vez que eu tive
contato com qualquer comentário que
mencionasse que a gente tinha
divergência sobre alguns textos quando
eu comecei minha caminhada na conversão
e aquilo me impactou, né? Nossa, a gente
tem textos que a gente não tem certeza,
então, se faziam parte do original e
tal. Mas, cara, olha isso. Eu acho que
essa edição, ela trouxe um aspecto de
aplicação que eu achei legal. É uma
folha. É uma folha. São duas páginas.
Então você pega o Novo Testamento grego
inteiro com conteúdo e mais conteúdo,
páginas e páginas da palavra de Deus. E
a gente tem uma página aqui que a gente
uma folha aqui que a gente tem uma
dúvida mais séria de um conteúdo maior
sobre se ele faz parte ou não do que
seria o texto original. As outras coisas
são coisas pequenas. Então eu acho que
isso tem uma aplicação assim que eu eu
gostaria de destacar. Talvez eu até
chamasse atenção alguma pessoa da minha
igreja que esteja vendo esse podcast. Eu
digo: "Olha só, a gente tem um texto
confiável. a gente tem uma comparação
textual que nos mostra que nós temos um
texto eh nas nossas versões que é
confiável do que seria o texto original.
Não faz sentido isso.
>> Posso fazer um adendo aqui?
>> Sim, sim.
>> Eu vou fazer um adendo curioso aqui. Eu
eu concordo 100% com o que você tá
falando. São realmente poucas coisas.
Ah, são os críticos textuais que gostam
de detalhes. Eh, o pessoal gosta de ver
pelo novo, mas mesmo assim, mesmo os
críticos textuais, mesmo aqueles que não
confiam no texto, aí eu vou usar por
exemplo aqui agora o Bartema no livro O
Jesus disse e o que Jesus não disse. E
eu vou ler para vocês o que que ele
defende sobre o texto do Novo
Testamento. tá no capítulo sete dessa
edição que eu tenho em português aqui,
página 187,
ele diz o seguinte: "Pode, ol,
lembre-se, é provavelmente o maior
crítico textual anticristão ante Novo
Testamento, tá bom? Ele escreveu
basicamente para dizer pra gente que o
Novo Testamento não pode ser confiável.
Pelo menos as pessoas entenderam ele
assim. Mas olha o que que ele fala sobre
o texto. Pode-se dizer, eh, pode-se com
tranquilidade dizer que a cópia de
textos cristãos primitivos era de forma
geral um processo conservador. Os
copistas, fossem eles amadores nos
primeiros séculos ou profissionais da
Idade Média, tinham a intenção de
conservar a tradição textual que estavam
transmitindo. Sua preocupação
fundamental não era modificar a
tradição, mas preservá-las para si mesmo
e para aqueles que viessem depois de si.
Sem dúvida, a maioria dos copistas
buscava fazer um trabalho consciencioso,
certificando-se de que o textos que eles
reproduziram era o mesmo que eles tinham
herdado. Gente, [risadas]
os maiores críticos
>> só falta falar amém, né?
Exato. Maiores críticos que a gente tem,
eles sabem que o processo foi
profundamente conservador, de que nós
podemos confiar no texto. Existem
desafios a serem estudados? Existem. Nós
temos aqui meia dúzia no final que a
gente precisa tratar com atenção.
>> Ah, outros críticos vão apontar para um
grupo um pouquinho maior de, mas mesmo
assim eh eh ainda é um número menor que
1% de todo o texto.
>> Sim. são questões que nós temos
realmente dificuldade. Então mesmo uma
leitura crítica consegue entender que
existe um processo conservador de
preservação do texto. Então essa edição
acho que vem a confirmar isso e reforçar
a esse sentimento que a gente tem de
puxa vida, a gente de fato tem um texto
muito bem preservado e ainda que nós
tenhamos perguntas por resolver e temos
mesmo, a grande maioria já tá resolvida.
>> Amém. Amém. [risadas]
Fica aí esse feedback, né? Ah, e aí para
terminar, eu acho que teriam outras
perguntas muito legais pra gente tratar
aqui, mas a gente já conversou bastante.
Uma última pergunta que eu queria fazer
pro Paulo, mas de novo, Marcelo, fica à
vontade para para você comentar, eh, que
seria olhando para tudo isso, olhando
para esse material, né? Eh, isso aqui é
para todo mundo na igreja? Ou seja, eu
acho que a pergunta maior, na verdade,
é: todo cristão deveria saber o grego? E
quais as vantagens de saber, né? Quais
as vantagens de saber?
>> Com o professor de grego, lógico que eu
tenho que puxar a sardinha falar aqui o
ideal no mundo tópico, né?
>> Ah, sem
>> sem nenhuma nenhum tipo de crise
ocasionada pela queda do ser humano.
[risadas] No mundo ideal, todo mundo
deveria saber, inclusive grego e
hebraico com toda tranquilidade.
>> Aham. Mas nós não vivemos num mundo
ideal e nem tão próximo disso. Temos
muitas outras demandas. Eu diria que eh
saber grego ou não cai naquilo que nós
chamamos de obrigação moral, nem uma
obrigação universal,
>> mas saber te coloca em certa vantagem,
né? vantagem de você conhecer melhor as
escrituras, de você ter uma ferramenta
muito mais precisa na hora de manejar e
também na hora de ensinar as pessoas.
Porque quando você conhece
algo escrito numa língua original,
você ganha, em primeiro lugar muito mais
sensibilidade às nuances,
ao sentido das palavras, à aquilo que
quer se comunicar,
não somente por meio da gramática, por
meio do uso de palavras e símbolos
peculiares à aquela língua que não fazem
parte do arcabolso léxico cultural.
semântico da língua portuguesa, por
exemplo. Então, nós conhecermos uma
língua significa conhecermos a cultura,
conhecermos uma visão de mundo muito
específica. Isso nos ajuda a termos
profundidade e nitidez na hora de
entendermos as escrituras Sagradas. Você
não vai perder em nada em conhecer a as
Sagradas Escrituras no seu contexto
traduzido em questão de salvação. A
língua portuguesa, e eu falo isso sem
medo de errar, a nós aqui no Brasil
somos vanguarda de tradução bíblica no
mundo. Poucos povos têm tantas opções e
tem tantas coisas aí a oferecer, né? A
gente fala do contexto ah anglo, né? Eh,
eh, europeu, mas do Brasil não fica
muito atrás. Nós temos ótimos
pensadores, ótimos acadêmicos e leitores
também muito exigentes, né, que faz com
que nós tenhamos várias possibilidades
de termos textos muito bons em língua
portuguesa. E isso não vai ser não vai
não vai prejudicar nada a sua salvação e
o seu conhecimento de Deus. Mas aprender
as línguas originais significa olhar com
maior nitidez. você não tá mais
assistindo o jogo de televisão numa num
tubo, né, numa televisão de tubo. Tem um
ouvinte que não vai nem saber o que que
é isso hoje, né? você tava vendo numa
televisão de 4K, 8K, 16K e assim por
diante. Também temos aí a capacidade de
avaliar com mais critério certas
decisões de tradução. Eh, eu fico com
muito pé atrás de pessoas muito críticas
às nossas versões, falando a todo tempo,
não, essa tradução tá errada, eu faria
melhor. Bom, se a pessoa faria melhor,
isso isso é muito discutível, né? Mas
existe um
>> faria melhor, vai e faz, né?
>> É, vai e faz, né? faz os teu e apresenta
cientificamente o seu trabalho,
>> não tem problema nenhum. Mas esse
ceticismo colocado nas nossas traduções
é um ceticismo que, na verdade, quando
você lê a o contexto original não é às
vezes nem aquilo que as pessoas pintam
ser de diferença. Caiem em termo, em em
coisas relacionadas a nuances, a a
determinadas perspectivas. Então, nós
não precisamos ter medo. As línguas
originais nos ajudam a ter essa
percepção mais aguçada e também, né, a
termos uma percepção exegética,
interpretativa muito melhor, né? Ah,
toda a tradução faz com que certas
coisas fiquem no meio do caminho.
Nenhuma tradução é perfeitamente fiel
aos originais, no sentido de transmitir
integralmente 100% daquilo que eh temos
na língua original, né? Temos o
essencial, temos o suficiente, temos.
Mas existem muitas coisas que só olhando
com atenção o contexto original, nós
podemos efetivamente ter uma noção.
Indo pro começo, é para todo mundo? Bom,
bom fosse se fosse para todos, mas é
essencial para pastores, para aqueles
que querem manejar com fidelidade a
palavra de Deus. Esses não t desculpa,
ainda mais hoje em que o ensino das
línguas originais eh está ao alcance
imediato de qualquer um. Então, esses
não tem desculpa. Mas quanto ao leigo,
quanto a pessoa normal, tranquila, cara,
leia fielmente a sua versão de
preferência. Se puder, estude mais um
pouco, mas não coloque isso como uma
carga moral, mas como algo que seria
eventualmente vantagem na sua vida você
conhecer. Eu esses dias eu recebi um uma
interação muito interessante. Uma mãe me
procurou a dizendo que o filho dela de
16 anos, assim que viu o lançamento a
desse Novo Testamento, falou: "Mãe, eu
quero de Natal". Aí eu achei
sensacional, né? Garoto 16 anos.
>> Aí a mãe falou assim: "Que que eu faço?"
Eu falei: "Ele lê grego?" Ela falou:
"Não." Eu falei: "Então não compra, né?
Ele não vai conseguir [risadas] ler
agora. Que tal começar com curso de
grego com o Paulo? Começa com o curso de
grego. Compra o curso de grego e aí você
lê o texto grego. Mas eu achei muito
legal,
>> cada coisa no seu tempo, né?
>> Exato. Mas eu achei muito legal o
ínpeto. Eu preciso aprender isso. Eu
gostaria de aprender isso, porque isso
que o Paulo falou é muito verdade.
Existem muitas nuances no texto grego
que a gente ganha a a partir do momento
que a gente aprende. E para acessar
a essas informações, a gente precisa
conhecer a língua. Então, pastores, foi
treinado em línguas e tá tá enferrujado,
cara, esse é o Novo Testamento para
você. Esse é o livro que você vai ler,
porque vem com as com as a as traduções
embaixo, vem com ajuda no final. Ah, e e
tem uma série de recursos na sua página
para que você não tenha que fazer isso
com um computador ligado, porque a nossa
maior distração são os digitais, os
eletrônicos e as muitas demandas da
vida. Vai sentar você, o senhor e os
editores do texto para ler o texto. Vai
ser incrível. pastores eh que gostam de
que aprenderam esse um excelente livro,
estudantes, ah, seminarista que vai
fazer, ah, vai precisar comprar. Agora,
você é um irmão da igreja comum a e
gostaria de comprar, compra, vai, não,
não vai te fazer mal, mas você não vai
conseguir tirar dele a tudo que ele pode
te oferecer, por causa que o primeiro
degrau da leitura é o aprendizado da
língua. E talvez isso que o Paulo falou
seja um bom lembrete. Existem
ferramentas para fazer esse aprendizado
na internet. Existem seminários digitais
que servem você digitalmente. A o Paulo
tem vários cursos sobre isso. O seu
curso é completo, né, Paulo? De grego.
>> Meu curso de grego é.
>> Então você vai do começo ao fim com
Paulo aprendendo a ler desde o início. E
se você vai iniciar esse curso, é
excelente que você já tenha esse
material em mãos, porque você vai
treinar a sua leitura nele, só vai ter
ganho ah para você, né? Então, ah, se
você não sabe que presente dá pro seu
adolescente de 16 anos, aqui, ó, fica a
dica. [risadas]
Ah, ele tá
>> para que PlayStation 5, né? Para que
PlayStation 5? Dá isso aí.
>> Um Novo Testamento e um curso do Paulo
que ele vai ser muito mais abençoado do
que um
>> Poxa, a vida Chocotone é mais gostoso,
hein?
>> [risadas]
>> Mas, ó, o PlayStation 5 dá para se não
comprar ele, dá para comprar os três, o
Chocotone, o curso do Paulo e o Novo
Testamento. Pronto. O curso inteiro. Dá
para dá para comprar a biblioteca
inteira do Paulo com preferência.
[risadas]
>> Que isso? Ó, pensa bem, tem algumas
leituras falando sobre nuances, né, que
o Paulo falou. Você pega o evangelho de
João, que o autor tem a intenção de
fazer a apresentação do ensino de Jesus
sendo mediado pela má compreensão das
pessoas. E se você não entende a má
compreensão das pessoas, você não
consegue se apropriar do recurso
didático do autor do evangelho para te
ensinar a profundidade do ensino de
Cristo. Você fala: "Ó, Jesus tá
conversando com Nicodemos e de repente
Jesus fala sobre tem que nascer de
novo". Aí de repente ele fala: "Tem que
nascer do alto". Aí você fica no meio
daquela conversa. Como que isso
aconteceu? É que tem um trocadilho na
língua grega. Tem uma uma palavra que é
ambígua ali. A palavra anoten é a
palavra que significa do alto ou de
novo. Então Jesus fala: "Você tem que
nascer anotem". E aí Nicodemos fala de
novo? Jesus fala não do alto e você só
vai sacar que tá rolando essa dinâmica
ali de de mal entendimento e explicação
como um recurso de aproximar o leitor
que não tá entendendo o ensino de Cristo
Jesus como uma oportunidade de
apresentação da e com clareza do seu
ensino. Se você não consegue entrar no
Novo Testamento você não vai entender
essas nuances e não vai perceber essas
nuances. Então, todo mundo poderia
ganhar com estudo. Ninguém vai sair
perdendo se estudar mais grego, se
conhecer mais as línguas originais, mas
a gente sabe que esse não é para todo
mundo. Então, todo aquele que quiser
conhecer mais do ensino do Senhor, as
suas nuances, a estão convidados a a
conhecerem mais o texto grego. Ah, e
aqui tá que nós temos uma excelente
ferramenta para ajudar nesse processo.
>> Meus irmãos, obrigado por essa conversa.
Aqui nós temos realmente um ótimo
material. A vida nova também tem
gramáticas introdutórias que ajudam. Tá
aí o curso do Paulo. Marcelo também fala
bastante coisa. Inclusive a gente falou,
né, Marcelo, no sobre manuscritologia.
Tem também aulas tuas sobre
manuscritologia também para quem quer aí
um nível também a mais. Aí são várias
coisas que vão se somando, né? Vão se a
a gente pode ir aprofundando e usando a
nossa mente paraa glória de Deus. Apesar
de que nós continuaremos cristãos se
meditarmos na palavra de Deus em
português também e podemos ser eh
abençoados e edificados por ela. É isso
aí, pessoal. Deus abençoe vocês. Eu
agradeço por esse tempo junto. Marcelo,
últimas palavras então aí por essa
participação.
>> Queria terminar agradecendo, né, o
convite. Foi uma conversa muito bacana,
reencontrar o Paulo, a oportunidade de
falar sobre o texto do Novo Testamento,
os detalhes que chamam atenção. Ah, mas
eu gostaria de de deixar bastante claro
que o nosso estudo do idioma original,
nosso conhecimento da sua leitura, ele
tem que nos levar paraa edificação, na
proximidade de Cristo Jesus. É um
trabalho de operação do Espírito Santo.
Não é academicismo por vanglória ou por
conhecimento. É um é por realmente a
aproximar a nossa vida daquilo que o
Senhor espera de nós. E eu acredito
piamente que o conhecimento das línguas
originais elas favorecem esse processo
de maneira muito importante, não só nas
pregações, mas também na vida pessoal.
Então não despedicem oportunidades de
conhecer mais sobre a palavra do Senhor,
especialmente nos idioma original. E se
você tiver oportunidade, faça o seu
curso, estude, compre a esse Novo
Testamento, que vai ser de grande valia
pro seu desenvolvimento espiritual
também.
>> Muito bom tá aqui conversando com vocês
sobre um assunto tão legal, né? Pelo
menos a gente acha legal, né? Espero que
os nossos ouvintes tenham achado também
muito interessante. E aproveitando que
nós estamos aí no espaço da Vida Nova, a
Vida Nova deveria fazer, aproveitando
esse podcast, um pacote de Natal. Qual
que é o pacote? é o Novo Testamento em
grego e a gramática no sonhos de grego
bíblico, que é publicado pela Vida Nova,
que é a gramática que nós temos sendo
utilizada na maioria absoluta dos
seminários do Brasil para aprender e
para ensinar grego. Então, se você quer
ler isso daqui, é fundamental você ter
noções do grego bíblico, como o seu
manual, você vai aprender gramática,
você vai aprender as nuances,
vocabulário, tudo tá lá. Então junta
tudo, quer dar um presente Natal, então
pro para esse adolescente aí, né, Bert?
Dá junto com a gramática que pelo menos
você tem a garantia ou não, né? pelo
menos ele tem a ferramenta na mão de que
ele vai aprender para depois ler. E toda
a finalidade do que nós fazemos não é
para ficar remexendo em coisas apenas
acadêmicas, é para ler. É para ler a
palavra de Deus, é para ler a Bíblia, é
para ler o Novo Testamento e ser
transformado pelas Sagradas Escrituras
na operação do poder do Espírito Santo.
E é nessa direção que a gente sempre tem
que ir.
>> Excelente, gente. Muito obrigado mais
uma vez, viu? Você aí de casa que nos
ouviu, ficou interessado em adquirir
esse material, Novo Testamento Grego,
edição de leitura, ou em realmente
começar a aprender o grego e então
passar para essa fase aqui. Você tem
ferramentas que foram recomendadas, a
gramática da vida nova, nós temos esse
material maravilhoso chegando agora,
lançado pela editora e você pode então
desenvolver seu conhecimento para
glorificar o Senhor. também aprendendo
aqui um pouco mais do Novo Testamento em
grego. E se você tem gostado dos nossos
podcasts, que você deixa aí o seu like,
deixa o seu comentário, deixa aí também
recomendações de outros livros da Vida
Nova que você gostaria que nós
conversássemos aqui a respeito. E também
dê uma olhada nas dezenas de outros
episódios nós já gravamos, inclusive já
falei aqui do outro episódio que a gente
gravou com o Marcelo. Se Deus quiser,
mais para frente a gente vai ter outros
episódios com esses dois mestres aqui,
esses dois feras. Então fica de olho, se
inscreve na sua plataforma preferida
para isso e é isso aí. Até a próxima.
Deus abençoe.
>> [música]

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