REACT DE TEXTO: PRIMEIRA DICA DE LIVRO DE 2026
02/01/2026
REACT DE TEXTO: PRIMEIRA DICA DE LIVRO DE 2026
A tolice da inteligência Brasileira (2015) de Jessé Souza
Pix: [email protected]
Fonte: Bruno Reikdal
Legendas automáticas:
Fala minha gente, tudo bem? Espero desejo que sim. Do fundo do meu coração. Meu nome é Bruno Requidal, doutor em economia política mundial, mestre filosofia graduado em filosofia formado em teologia. E hoje além de educador popular, trabalhando com formação popular, também sou coordenador de um curso de pós-graduação bem bacana por aí, que eu espero que a gente possa falar isso em algum momento, mas não agora. Essa é a primeira vez que você tá chegando aqui no canal, considere curtir esse vídeo, comentar para já espalhada a palavra por aí e também quem sabe se tornar membro, membro, membro e membresia do canal, porque a gente tem conteúdos exclusivos para você e todas as outras pessoas que também são parte aqui da membresia do canalzinho, ou seja, não é bem só para você, mas curso sobre marx e religião, evangélicos e política no Brasil, como fazer o seu projeto de pesquisa. a gente tenta dar umas dicas além de outros conteúdos exclusivos, outros cursos também tem bastante coisa para você poder explorar, mas a gente tá aqui para gravar um vídeo para ser a primeira dica de leitura de 2026 e na verdade é um famoso react de texto que a gente pratica aqui. React de texto que é leitura comentada. E eu queria começar indicando nesse 2026 um texto que foi muito marcante para mim no ano da graça de 2015 em que eu pude conhecer o cara que escreveu esse livro. Inclusive, eu tinha lido ele e coincidentemente na mesma faculdade ele ia aparecer para dar uma palestra. A gente colou lá e eu consegui descolar o autógrafo. A lista inteligência brasileira de Gessé Souza. Não é mentira. Descolei o autógrafo mesmo. Cadê? Totalmente excelente. Dito isso, queria ler um trecho aqui da introdução, do prefácio desse livro. Na verdade, eu acho que vai ser bem bacana pra gente poder discutir alguns elementos sobre a análise da realidade social, sobre o papel da ideologia, além da gente poder entender um pouquinho o que que é marxismo, weberianismo, leitores de Weber que vão para Marx, leitores de Marx vão para Weber e pessoas curiosas que desejam apenas aumentar o repertório aí de para poder analisar a realidade. Mas para isso vamos ler o texto, né? Eu sei que não dá para eu ficar lendo aqui no meu físico, mas a gente vai então para o digital, a versão digital. E eu espero que vocês curtam esse conteúdo. Esse conteúdo tá saindo primeiro para quem é membresia aqui do canal, né? Para quem é membro, membro, membro, membresia do canal e depois liberado para as demais pessoas. E você que é pessoa, membro, membra, membre, membresia do canal, já tá ligado como funciona o rolê. Então, bora lá. Deixa eu compartilhar a tela com vocês. Espero que vocês se interessem por esse conteúdo. Foi, foi aí, moleque. Vamos lá ver esse início fazendo uma leitura comentada que eu acho que pode ser bem bacana. Bem-vindo você que nunca chegou por aqui, à primeira igreja barista do YouTube, que também serve como espaço de uma pequena comunidade muito saudável que troca ideia. Eh, tem um WhatsApp exclusivo, essa coisa toda. E a gente pode papar esse tipo de conteúdo com mais profundidade, caso você queira participar das nossas discussões, nossos debates lá no Zap. Fechou? Mas isso, menos que um café expresso, você já faz parte do nosso grupinho. Mas, ó, tem elementos bem bacanas pra gente poder papear aqui nesse prefácio. Comecemos de onde se deve. do princípio. A realidade social não é visível a Orio nuu, o que significa que o mundo social não é transparente aos nossos olhos. Acho que isso é uma coisa bastante interessante logo de cara. Pode se parecer um pouco óbvio, mas o modo de observar os fenômenos sociais não é o mesmo que observar outros tipos de fenômeno que são mais transparentes ou menos opacos ou que são mais de maior fácil assimilação por um tipo de experiência de contato. No caso da realidade social, a gente tá atravessado por alguns elementos que condicionam a nossa capacidade de interpretar aquilo que tá acontecendo. Isso por um lado. Por outro, ainda tem a questão de que os próprios fenômenos sociais em seu desenvolvimento atingem graus de complexidade que não são fáceis de serem percebidos. Ou seja, não é só uma questão de ajustar a própria percepção da realidade. A própria realidade se desenvolve de uma tal maneira, se desenrola com tal complexidade, especialmente aqui quando a gente vai observar uma sociedade moderna com modo de produção, seja ele capitalista ou planificado, em que tem um desenvolvimento acelerado das forças produtivas, ou seja, a complexidade aumenta tanto que é difícil da gente perceber num primeiro momento o que que tá acontecendo. a gente tá atravessado não só na cabeça, mas no próprio corpo, na realidade no qual a gente tá imerso, no ambiente, por relações que não são transparentes, imediatamente transparentes. Elas são opacas, elas estão ali, eh, se imbricando de tal modo que a gente precisa aperfeiçoar aparatos e mecanismos, ferramentas para poder interpretar o que tá rolando, né? E claro, mais um ponto, nunca individualmente. É sempre um trabalho que depende de diálogo, de construção coletiva. Mas vamos lá. Primeiro ponto aqui, a gente não consegue ver a realidade social ali a olho nu, pareceu na minha frente, tá transparente, vejo como tal. Tá sempre atravessado por outras, por um certo grau de complexidade que torna ela opaca. No caso de uma teoria marxista, por exemplo, a gente falaria que o fetichismo, né, seja da mercadoria, seja do dinheiro, seja do capital, seja das próprias relações sociais que vão se fetixizando, como por exemplo, o pessoal da aqui na América Latina vai desenvolver a partir de Marx, a gente vai tendo cada vez mais dificuldade de observar o fenômeno, o seu fundamento, como ele funciona efetivamente. Ele tá escondido. Feetiche é o feitiço, aquilo que é feito à mão, mas que ganha vida própria e funciona. Existe para além das minhas intenções, daquele que fez, de dos seus propósitos e tudo mais. Ele tá ali como um feitiço, como algo que esconde, que tem vida própria, que, por exemplo, eu não consigo pegar de uma primeira vez ou achar que eu tenho estou manipulando ele. Não, ele tem poderes. Parece um negócio meio místico, como Marx mesmo diz ali no início do capital, para quem já tem conhecimento a respeito. Mas bora lá. Afinal, não são apenas os músculos dos olhos que nos permitem ver. Existem ideias dominantes compartilhadas e repetidas por quase todos que, na verdade, selecionam e distorcem o que os olhos vêm e escondem o que não deve ser visto. O leitor pode se perguntar: "Mas por que que alguém faria isso? Por que existiria o interesse em esconder, distorcer ou, como dizem na dizemos na vida cotidiana, o interesse em mentir sobre como o mundo social realmente é?" Eu gosto desse jeito que o o GC constrói a as frases, né? Porque ele vai saindo de um âmbito mais técnico e cuidadoso no que seria o julgamento do que tá acontecendo para jogar mais claro e direto o que tá ocorrendo, né? Por que que seria aí eh alguém esconderia a realidade social, né? Por que que esse fenômeno seria importante? Por que que esse fato de não aparecer aos nossos olhos, né? A quem interessa isso? A quem interessa isso aí? Beleza, esconder, distorcer, né? Vai colocando palavras um pouco mais amenas, mais técnicas e objetivas. Até que ele joga ali no na vida cotidiana mentir, né? Por que que ele tá mentindo sobre a realidade social, né? O mentir agora coloca um grau de intencionalidade também. E aqui é o momento que fica delicado, né? Porque do ponto de vista de uma ciência social, eh, que descreve um fato, você toma cuidado ao qualificar, ao julgar, né, e tudo mais. Mas quando a gente entende que não existe só o movimento da descrição desse fato social, senão toda vez que eu tô descrevendo, que eu tô analisando, que eu tô observando, eu também estou engajado, participante, estou envolvido nesse processo, porque eu sou parte dessa sociedade, não sou observador externo. Saindo do ponto de vista de observador, pelo ponto de vista do sujeito, daquele que tá envolvido, você consegue julgar. Na verdade, você deve julgar, especialmente dependendo da posição que você tá. Então tem o papel do observador na ciência social, mas esse observador nunca é só um observador, ele tá sempre engajado na realidade social e participante dela. Está envolto nesse tipo de sociedade, como ela funciona, como ela se reproduz. Então, nessas dinâmicas tem o papel do que observa e tem o julgamento desse fato, né? Tem alguns humanos que vão se embrenhar e dizer que ciência social não pode fazer julgamentos. Eh, tenho problemas com isso, mas outro dia a gente discute especificamente. Tem um autor que eu gosto muito chamado Fran Kelamit, que tem um debate muito massa a respeito, tá? Mas beleza. O grande ponto que eu queria destacar desse trechinho aqui é isso, né? Saída de um ponto de vista de observador mais técnico para cair na vida cotidiana ou mentir sobre a realidade social, né? Então vou poder julgar os sujeitos também envolvidos nesse processo e que mantenha aparentemente ideias dominantes, né, que se aproveitam dela ou que estão em usufruto dela para poder eh sustentar um tipo de sociedade que não aparece o nosso olho nu, né, tá ali transparente de cara. Fechou? Acho que é bacana a gente fazer essas reflexões. Depois a gente faz algumas observações e cuidados. Vamos na leitura. Ora, como diria o insuspeito, não sei bem para quem insuspeito também, né, Jessicé? É um pouco suspeito para mim. Os ricos e felizes em todas as épocas e em todos os lugares não querem apenas ser ricos e felizes. Querem saber o e que tem o direito à riqueza e à felicidade. Isso significa que o privilégio, mesmo flagrantemente injusto, como o que se transmite por herança, necessita ser legitimado, ou seja, aceito mesmo por aqueles que foram excluídos de todos os privilégios. Aqui tem um elemento que eu acho muito massa, tomando cuidado aqui para não só julgar o sujeito que tá ali numa determinada posição social privilegiada ou numa posição social de coordenação da divisão social do trabalho, por exemplo, que coloca quem é o grande capitalista como aquele que decide sobre sistema social, né? se ele tem concentra capital, se ele tá ali como proprietário do capital, decide sobre os meios de produção, decide sobre toda a divisão social do trabalho. Essa é a grande vantagem que ele tem. ele coordena sobre essa divisão, a ação que ele toma afeta toda a cadeia para baixo. Então ele tá numa posição muito privilegiada nesse sentido, mas tentando evitar cair nesse ponto de julgar se ele tem interesse ou não, se ele é maldoso, se ele é bonzinho, não. Vamos colocar aqui nesse momento, apesar do GC estar indiciando isso, dá um passinho para trás e nos colocarmos na posição de observador. Toda pessoa, todo humano, todo sujeito precisa legitimar e justificar suas ações. Isso é muito importante da gente considerar. Você não faz por fazer, você justifica, você dá razões, dá razões uns pros outros, né? Ah, mesmo aquele maluco, aquele doido, beleza, ele dá razões, ele busca razões para justificar e legitimar o que ele tá fazendo. Ah, matei um lá que é psicopata, que não sei o que ela. Beleza. Exceções são outro ponto. Eu tô falando do funeramento normal de uma determinada sociedade ou de determinadas relações. Elas precisam ter um mínimo de regras claras e o mínimo de legitimação e justificação das ações. Isso é importante. Tem uma um texto famoso do do Platão em que ele comenta sobre isso. Ele fala sobre a ética de ladrões, né? Que os ladrões também precisam de de algum mínimo de ética, né? Eles precisam de um mínimo de organização ética. Os ladrões também precisam disso. Até um bando de ladrões tem o mínimo de regras, nem que seja as regras para dizer assim: "Ó, a gente não pode roubar do coleguinha e a gente também não pode eliminar a vida do coleguinha porque isso não coloca a minha vida em risco". E mesmo pro próximo roubo, vamos dizer assim. Então, mesmo numa ética, num grupo de ladrões, a gente tem que ter um mínimo de estrutura ética. Eu é importante considerar isso. Ou seja, precisa de um mínimo de legitimação das das ações. Então, eu legitimo, eu justifico o que eu tô fazendo. E essa legitimação e essa justificativa se dá em diálogo, em diálogo com outras pessoas também. a gente estabelece critérios, a gente tenta se organizar para poder agir. Aqueles que se privilegiam, que têm vantagens dentro de uma relação social, eles também precisam justificar e legitimar essas vantagens. Então, vão tentar explicar essa justificativa, vão tentar legitimar ela de alguma maneira, dar razões para, inclusive, aqueles que não estão nessa posição privilegiada aceitem essa situação, aceitem essa condição, por exemplo, desigual. Tudo bem? Então isso é uma coisa muito importante. Ou seja, a gente tá discutindo aqui uma relação social e a justificativa para manutenção dessa ordem. Precisamos de razões justificativas para isso. E aqui vem o jogo das ideologias e a brincadeira de produzir ideologias, criticar ideologias, transformar ideologias, interpretar o que tá acontecendo. Porque são essas justificativas, essas legitimações que atravessam a nossa análise dessa realidade. A realidade já está justificada, ela está posta. E quando alguém nos explica como funciona o mundo, explica valendo-se das regras que estão nele. Então eu aprendo, aprendo, compreendo toda essa realidade a partir dessas justificativas, dessas legitimações. Então as ideias que vão se conformando são ideias que tendem a ser adequadas à manutenção da ordem, certo? independentemente da minha posição. Daí, então aqui a gente tá entrando em elementos que eu acho muito interessantes, que logo no prefácio aqui desse livro vale demais da gente refletir, tá bom? Sigamos. Nas sociedades do passado, o privilégio era aberto e religiosamente motivado. Alguns tinham sangue azul, né? Quem nunca ouviu essa expressão do sangue azul? Talvez hoje tenha sumido. Espero que sim, mas nossa, ouvi muito isso aí. por decisão supostamente divina, o que os legitimava terem acesso a todos os bens e recursos escassos. A sociedade moderna, no entanto, diz de si mesma que superou todos os privilégios injustos, né? Ou seja, desde que teve a tal da Revolução Francesa, a Revolução burguesa propriamente disa, derrubada, né, do do estado religioso, a derrubada da monarquia, aparentemente estariam superados os privilégios injustos. Porque agora a gente tem uma observação da realidade mais científica, mais objetiva, né? A gente tem aqui um um novo modo de região, mundo que não depende do divino. Aparentemente, então, aparentemente seria isso que tava acontecendo. Isso significa que os privilégios injustos de hoje não podem aparecer como privilégio, mas sim como, por exemplo, mérito pessoal de indivíduos mais capazes, sendo, portanto, supostamente justificável e merecido. Aqui o tal a tal da chamada meritocracia, né? ideologia de meritocracia que era para ser distopia se tornou justificativa para ações de determinados humanos. Mas o que o gestado tá chamando atenção é muito massa, ó. Aceitando aqui que foram superados esses privilégios injustos, né? Eu olho pro mundo e ainda vejo gente privilegiada. Eu olho pro mundo e ainda vejo desigualdade, ou seja, mesmo com essa sociedade moderna, ainda tem aqui umas paradas que não fazem muito sentido, parece que tá desbalanceado. Bom, não há mais o privilégio injusto, então deve ter um justo. E qual que é o justo? Como justifica e legitimo que haja tal desigualdade? Como justifica o legitimo que uma determinada pessoa possa ocupar um cargo de coordenação na divisão social do trabalho por herança, porque acumulou capital e que agora decide sobre a vida de todos os outros. Que que justifica isso? Quais são as razões dadas pra gente poder examinar elas? pra gente poder botar elas em escrutínio, certo? Mesmo que você concorde e fale: "Não, não, mas eu acho justo". Pois então, demos razões e vamos analisar, vamos criticar essas razões, vamos sofisticar a nossa percepção dessa realidade social, porque ela está permeada por esse tipo de legitimação justificativa. As ideias elas não existem soltas, elas existem em relação a um tipo de realidade, de sociedade, de modo de vida. É o que eu comentei agora h pouco, a gente aprende, compreende, aprende o mundo a partir de ideias que já são colocadas na em sua explicação, na legitimação, nas razões necessárias para manutenção da ordem existente quando a gente nasce. A gente precisa aprender aí ter critérios para julgar, certo? Mas vamos lá. É isso que faz com que o mundo social seja sistematicamente distorcido e falseado. Todos os privilégios e interesses que estão ganhando dependem do sucesso da distorção e do falseamento do mundo social para continuarem a se reproduzir indefinidamente. A reprodução de todos os privilégios injustos no tempo depende do convencimento e não da violência. Melhor dizendo, essa reprodução depende de uma violência simbólica perpetrada com o consentimento mudo dos excluídos dos privilégios e não da violência física. Aqui é um segundo momento que eu até tencionaria um pouco com o Gessé, por exemplo, a partir de um texto do Anibal Kijano, agora eu não lembro, é colonialismo, eu acho que é colonização, colonialismo e colonialidade. E aí tem mais alguma coisa, algum trecho. Eu eu lembro que é um texto que ele dá uma síntese mais interessante desses conceitos, distingue eles. E nesse texto tem uma frase do Aníbal, Hannibal queano, filósofo sociólogo peruano, que dizia assim: "As ideias nem sempre chegam porque são boas ideias. Muitas vezes elas se valem porque chegam com canhões." Então, minha gente, tá certo o que o José diz? Porque eu dependo dessa dinâmica de não violência ou de convencimento, mas esse convencimento não se dá simplesmente numa sentada de tomar um chá e um café, né? A troca de ideia agradável é amistosa. Muitas vezes essas ideias elas vão se valer, vão se valer no primeiro momento por violência, por imposição. E depois vem, né? Vem primeiro o canhão, depois vem a ideia para justificar o porque o canhão foi útil. E o tempo passa e a história anda. E é uma coisa importante da gente considerar que à medida que a história anda e os desenlaces da vida se dão, os sujeitos que nascem depois vão considerar que a história anterior foi necessária. Ou seja, teve que ser assim. E a gente vai apagando ou justificando cada vez mais. catástrofes e tragédias em nome do progresso ou naquele tempo era diferente. Não, pera aí, pera aí, pera aí. Vamos devagar, vamos devagar. Precisamos de critérios mais elaborados, mas passo a passo. E essa é só uma janelinha que eu abri aqui de parênteses no comentário pra gente para colocar reflexões e pulgas atrás das nossas orelhas, do que exige provavelmente que a gente tome um banho eh com shampoo antidopulga, né, imagino eu. Ou vá num spá de banho e tosa. Vamos lá. É por conta disso que os privilegiados são os donos dos jornais, das editoras, das universidades, das TVs e do que se decide nos tribunais e nos partidos políticos. Aqui é uma pequena inversão, me parece, porque primeiro tem esse crescimento capital histórico, a constituição de uma instituição eh da instituição do mal de produção capitalista para depois esses mecanismos se converterem em instituições, elementos, relações, eh, e operações que vão ser cada vez mais apropriadas e dominadas pelo capital. Falo isso porque assim, a imprensa ela surge inclusive muitas vezes com meio de contestação, mas à medida que o modo de produção de capitalista se desenvolve, a forma social capitalista e burguesa se desenvolve, a apropriação desses mecanismos dos meios de comunicação vai se concentrando de acordo com a lógica da produção. Então, claro, e as universidades também, os espaços de pensamento de produção de ciência, a mesma coisa. Há uma dialética mais complexa aqui ou mais sofisticada. Contudo, nisso, o passado esse passo da violência, passado esse processo de constituição do capital, o que o GC tá chamando a atenção paraa vida cotidiana de hoje, é verdade. É necessário você se manter dono de universidade, dono de TV, dono de tribunal, ter partido político eh a torta e à direita, mais a torta e mais à direita do que o se espera para você poder manter a justificativa e a legitimação da ordem, né? Então, capitalistas que vão concentrando essas instituições debaixo de suas asinhas. [Música] Apenas dominando todas essas estruturas, é que se pode monopolizar os recursos naturais que deveriam ser de todos, verdade, e explorar o trabalho da imensa maioria de não privilegiados sobre a forma de taxa de lucro, juro, renda da terra ou aluguel. É verdade. É verdade. A manutenção dessa ordem depende disso. Agora, ela não é a causadora. Há um processo aí que a gente tem que observar nesse movimento dialético, né? Hoje a gente observa e fala, eles são donos disso e precisam disso para manter essa ordem de exploração, mas a o estrutura de exploração, ela vem um pouquinho antes, a justificativa vem depois. É só pra gente poder ver essas transições, esses movimentos aí na realidade, a soma dessas dessas rendas de capital no Brasil é monopolizada em grande parte pelo 1% mais rico da população. É o trabalho dos 99% restantes que se transferem em grande medida para o bolso de 1% mais rico. Verdade. Este livro é uma reflexão acerca do que torna possível desigualdade tão abissal e concentração de renda tão grotesca em um país formalmente democrático como o Brasil de hoje. E isso é massa. Que o GC vai fazer algo que não é simplesmente a descrição das relações de desigualdade, a descrição das situações de exploração do trabalho, que é fundamental, tá? não pode abrir abrir mão disso, mas ele vai tentar fazer uma discussão sobre as justificativas e a legitimação destas relações que estão descritas por um uma observação das relações de exploração, das relações desiguais. Eu posso descrever e apresentar elas. E as pessoas olharem e falaram: "Tudo bem, eu abro o olho e posso até ver isso. Inclusive vejo, por exemplo, eu moro aqui no Capão Redondo, eh, 20 minutos aqui, eu chego no Paraisópolis, daí a pouco tá no Morumbi. Então, dá para ver eh olhando a olho num prédio de luxo e a quebrada do lado favelizado e pá. Então, essa desigualdade já tá descancarada. É uma maluquice. Dá para ver, ainda que não seja desigualdade mais bizarra, mas eu consigo ver que há uma estrutura desigual. Agora, o problema é como que se legitima e se mantenha essa bagaça? Qual eh quais são as relações que dão justificativas para que as pessoas assimilem, aceitem conviver com isso e talvez defendam isso enquanto acham, enquanto acham que estão se defendendo. Isso é massa da gente refletir. E esse acho que essa é a contribuição muito bacana do Gessé pra gente poder observar a realidade social brasileira. Não só observar na análise de descrição dos fenômenos, a gente observar também as legitimações e justificativas para a manutenção dessa ordem. A tese central desse livro é que tamanha violência simbólica só é possível pelo sequestro da inteligência brasileira para o serviço não da imensa maioria da população, mas de 1% mais rico, que monopoliza a parte do leão dos bens dos e recursos escassos. Esse serviço que a imensa maioria dos intelectuais brasileiros sempre prestou e ainda presta, é o que possibilita a justificação, por exemplo, de que os problemas brasileiros não vem da grotesca concentração de de riqueza social em pouquíssimas mãos, mas sim da corrupção apenas do estado. Vocês devem ter passado final de ano recentemente, porque estamos gravando esse bagulho aqui, dia 2/01/26 e deve ter tido conversa na família sobre política, sobre realidade, sobre havaianas, sobre chinelos e sobre quem sabe até a mega da virada. E imediatamente alguém fala: "Isso aí é fac estado mentiroso, estado corrupto, toda aí político corrupto, ladrão, vagabundo, sem vergonha, tudo do estado não funciona, tudo não presta. essas frases que a gente ouve no cotidiano e que a corrupção problema do Estado e ou que e com elementos moralistas para poder falar isso e teorias conspiratórias e tudo mais, são efeitos dos mecanismos fundamentais de legitimação e justificação da opressão que tem pretensa base científica e são reproduzidas na história da sociologia brasileira. E é isso que o GC vai chamar atenção. E eu acho muito bacana isso. Ainda que a gente tenha críticas e não concorde com apontamentos, como eu tô fazendo aqui, né, uma leitura comentada, leitura crítica. É importante se apropriar desse recurso, desse tipo de conteúdo para poder começar a observar melhor os problemas, qualificar o nosso debate, a nossa conversa, a observação da realidade e ainda mais também a nossa capacidade de convencimento com outras pessoas. Porque a gente saber desarmar os argumentos que estão postos é fundamental. Não para convencer o outro para estar do meu lado, mas ao menos desarmar algumas armadilhas aí de manutenção da ordem, abrir uma oportunidade para pensar de outro modo, para perceber outras razões. Show. Vou ler um último capítulo aqui e vai ser massa. Último parágrafo ao capítulo. Isso leva a uma falsa oposição entre estado demonizado e mercado concentrado e superfaturado, como é o mercado brasileiro, como o reino da virtude e eficiência. É privatiza que melhora, não é essa frase que a gente tem que ouvir, né? E agora aqui em São Paulo, por exemplo, tem que privatizar enel privatiza a privatização para ver se melhora, porque fiquei três dias sem luz faz três semanas. Ih, fita embaçada, viu? Também meu bairro que eu moro aqui, é meu bairro mais menos tem luz em São Paulo. Saiu uma reportagem na Folha esse ano indicando isso, depressão. E em um contexto no qual não existe a fortuna de brasileiro que não tenha sido construída a sombra de financiamentos e privilégios estatais, nem corrupção estatal sistemática, sem a conivência e estímulo do mercado, que também percebe isso, né? Ó, frase de achavão marxista de dizer que o estado é mesa de negócio da burguesia. A gente ainda tem que deixar isso mais claro e mais explícito como funciona na realidade brasileira, que aqui a gente tem a ideia de de empreendedor virtuoso, o cara que cria empregos, ele cria empregos sozinho, ele tem mágico que cria empregos e depois descobre que o pessoal precisa trabalhar durante a pandemia e outras coiscitas aí que vão acontecendo. E também é um cenário em que as classes sociais que mais apoiam essa bandeira, como se fosse sua, os extratos conservadores da classe média tradicional e setores ascendentes da nova classe trabalhadora são precisamente as classes que mais sofrem com os bens e serviços superfaturados e de qualidade duvidosa que o 1% mais rico vende a elas. E aqui eu queria até chamar a atenção para mais um ponto que eu gosto bastante da gente considerar. O debate ideológico, ele se concentra especialmente nas classes médias, especialmente nas pessoas que possuem algum acesso a bens escassos sociais, que é a tal da educação formal, que é esse acesso à informação e a um determinado tipo de cultura, de formação, de qualificação, de educação formal propriamente dita, especialmente no âmbito universitário, mas não só, mas que vai se concentrando nesse grupo, que vai monopolizando e querendo manter sua posição ali privilegiada, que vai conseguir e potencialmente, né, cargos melhores, empregos melhores. E daí também tem que se converter num grande defensor dessa ordem. Qualquer momento ele pode perder o seu lugarzinho, né, ao sol e cair lá para baixo, grande classe média se é empobrecer, especialmente uma classe média ascendente ou dos, como o Gé chamou aqui, né, que eu acho mais interessante, setores ascendentes da classe trabalhadora, porque não são classe média tradicional, é uma galera que o vô, que a avó talvez seja meu caso, tá? conseguiram ir melhorando de vida, seja por sua luta, por ser um batalhador, uma batalhadora, seja também por condições específicas na história recente do Brasil que vão garantindo bens, espaços de recuperação, eh, de vida mesmo, de reparo social, reparo histórico, né? Seja você ali, minha casa, minha vida, financiamento, facilidade para crédito, para conseguir ter geladeira em casa pela primeira vez, microondas em casa pela primeira vez, alguém na família vai entrar na faculdade dos netos e tal. coisas que vão acontecendo, que vão melhorando, que agora assim a uma geração, duas gerações atrás, a gente tava no fio para cair no na na desgraça, na bagaceira e agora a gente conseguiu um estado minimamente organizado aqui, uma posição interessante para nós. Vou perder a qualquer momento, nem a pau. Vou lutar com unhas e dentes para manter esse privilégio. E aí essa esse grupo vai se convertendo em muito conservador, manutenção da ordem e aceitando as legitimações justificativas da própria manutenção, que não beneficia eles, beneficia quem tá em cima, porque quem mais vai sofrer nos processos, inclusive de manutenção da ordem são esses grupos, os ascendentes e a classe média tradicional. E o debate ideológico circula em geral por aí. E provavelmente você que tá assistindo esse vídeo nesse exato momento faz parte de um desses dois grupos aí. Difícil eu est falando com a galera muito na quebrada, difícil eu estar falando também com a galera muito rica. algoritmos e realidade social. Mas é bom a gente perceber isso e a gente ficar interessado sobre esses movimentos, porque o mercado é protegido, o estado é demonizado. E aqui não se trata em falar bem do Estado e falar mal do mercado, se trata em observar como as justificativas qualificam essas instituições desta ou daquela maneira e como elas são reproduzidas nas classes sociais. E aí a classe média tem um papel importante aqui, porque ela produz, especialmente universitários, os intelectuais que o JC falou, produz a ciência social que aparentemente explica a realidade do Brasil. E essa ciência social é reproduzidas nas escolas, ela é reproduzida nas universidades, ela vai aparecer na produção cultural das músicas, de novela, de filme e por aí vai. Então a gente vai ter um arsenal de conteúdos que tendem a manter e justificar a ordem. Ah, todos fazem isso. Não tendem. As disputas ideológicas se dão nas contradições desses processos. Tudo bem? Espero que sim. Espero que vocês tenham curtido aqui essa leitura, essa dica de livro. E vale muito a pena, porque daqui pra frente, nesse livrinho aqui, Aorista Inteligência Brasileira, o Gessé vai se aprofundar na análise das principais ideias produzidas pela Academia Brasileira na Tradição da Sociologia para fazer uma crítica a como elas desempenham um papel de manutenção da ordem. E se antes os privilégios eram de alguma maneira religiosamente mantidos e justificados, agora numa sociedade moderna que pretensamente tenta se libertar e se liberar desses elementos religiosos, vai aparecer uma ciência social também conservadora e que desempenha o papel conservador. E aí, independentemente, na verdade, da própria intenção dos autores, né? Eu acho especialmente o caso e a discussão que o GC faz com o Sérgio Bolanda muito interessante porque não depende ali necessariamente da intenção do autor, mas do papel que acaba desempenhando um tipo de interpretação do Brasil a partir daquilo que é chamado de homem cordial. E a gente pode concordar, discordar, não importa. O interessante é ler, debater, aprofundar as discussões. E aí fica a dica mais uma vez do livrinho aqui que vale muito a pena, é muito bacana e para quem gosta de queimar sinapse, sentir aquele cheirinho de ideias novas surgindo pelo cérebro, vale demais. Espero que você tenha curtido esse conteúdo. Não esquece de curtir esse esse vídeo mesmo aqui. Não esquece de comentar, deixa o comentariozinho aí, dá uma hypada, vai que sobra um momento que você de lucidez de ter chegado até aqui e falar: "Pô, vale a pena, hein? O menino aí não é tão ruim não. RPA. Além disso, você pode considerar ser membro, membra m membresia aqui do nosso canal, porque a gente tem aqui um um universo próprio da nossa igreja barista, com piadas internas, com discussões específicas, com conteúdos exclusivos, cursos para você que eu acho que você pode ser bem bacana, tá? Com um humor um pouco duvidoso, um pouco quebrado, mas a gente tenta se manter e seguir por aí. Fechou? Até breve. Fica bem que a gente se vê por aí e trazendo a boa nova todo dia útil até a vitória final. Valeu.