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A fé vem pelo ouvir

REACT DE TEXTO: PRIMEIRA DICA DE LIVRO DE 2026

REACT DE TEXTO: PRIMEIRA DICA DE LIVRO DE 2026

REACT DE TEXTO: PRIMEIRA DICA DE LIVRO DE 2026

A tolice da inteligência Brasileira (2015) de Jessé Souza

Pix: bruno@reikdal.net

Legendas automáticas:

Fala minha gente, tudo bem? Espero
desejo que sim. Do fundo do meu coração.
Meu nome é Bruno Requidal, doutor em
economia política mundial, mestre
filosofia graduado em filosofia formado
em teologia. E hoje além de educador
popular, trabalhando com formação
popular, também sou coordenador de um
curso de pós-graduação bem bacana por
aí, que eu espero que a gente possa
falar isso em algum momento, mas não
agora. Essa é a primeira vez que você tá
chegando aqui no canal, considere curtir
esse vídeo, comentar para já espalhada a
palavra por aí e também quem sabe se
tornar membro, membro, membro e
membresia do canal, porque a gente tem
conteúdos exclusivos para você e todas
as outras pessoas que também são parte
aqui da membresia do canalzinho, ou
seja, não é bem só para você, mas curso
sobre marx e religião, evangélicos e
política no Brasil, como fazer o seu
projeto de pesquisa. a gente tenta dar
umas dicas além de outros conteúdos
exclusivos, outros cursos também tem
bastante coisa para você poder explorar,
mas a gente tá aqui para gravar um vídeo
para ser a primeira dica de leitura de
2026 e na verdade é um famoso react de
texto que a gente pratica aqui. React de
texto que é leitura comentada. E eu
queria começar indicando nesse 2026 um
texto que foi muito marcante para mim no
ano da graça de 2015 em que eu pude
conhecer o cara que escreveu esse livro.
Inclusive, eu tinha lido ele e
coincidentemente na mesma faculdade ele
ia aparecer para dar uma palestra. A
gente colou lá e eu consegui descolar o
autógrafo. A lista inteligência
brasileira de Gessé Souza. Não é
mentira. Descolei o autógrafo mesmo.
Cadê?
Totalmente excelente. Dito isso, queria
ler um trecho aqui da introdução, do
prefácio desse livro. Na verdade, eu
acho que vai ser bem bacana pra gente
poder discutir alguns elementos sobre a
análise da realidade social, sobre o
papel da ideologia, além da gente poder
entender um pouquinho o que que é
marxismo, weberianismo,
leitores de Weber que vão para Marx,
leitores de Marx vão para Weber e
pessoas curiosas que desejam apenas
aumentar o repertório aí de para poder
analisar a realidade. Mas para isso
vamos ler o texto, né? Eu sei que não dá
para eu ficar lendo aqui no meu físico,
mas a gente vai então para o digital, a
versão digital. E eu espero que vocês
curtam esse conteúdo. Esse conteúdo tá
saindo primeiro para quem é membresia
aqui do canal, né? Para quem é membro,
membro, membro, membresia do canal e
depois liberado para as demais pessoas.
E você que é pessoa, membro, membra,
membre, membresia do canal, já tá ligado
como funciona o rolê. Então, bora lá.
Deixa eu compartilhar a tela com vocês.
Espero que vocês se interessem por esse
conteúdo.
Foi, foi aí, moleque. Vamos lá ver esse
início fazendo uma leitura comentada que
eu acho que pode ser bem bacana.
Bem-vindo você que nunca chegou por
aqui, à primeira igreja barista do
YouTube, que também serve como espaço de
uma pequena comunidade muito saudável
que troca ideia. Eh, tem um WhatsApp
exclusivo, essa coisa toda. E a gente
pode papar esse tipo de conteúdo com
mais profundidade, caso você queira
participar das nossas discussões, nossos
debates lá no Zap. Fechou? Mas isso,
menos que um café expresso, você já faz
parte do nosso grupinho. Mas, ó, tem
elementos bem bacanas pra gente poder
papear aqui nesse prefácio. Comecemos de
onde se deve. do princípio.
A realidade social não é visível a Orio
nuu, o que significa que o mundo social
não é transparente aos nossos olhos.
Acho que isso é uma coisa bastante
interessante logo de cara. Pode se
parecer um pouco óbvio, mas o modo de
observar os fenômenos sociais não é o
mesmo que observar outros tipos de
fenômeno que são mais transparentes ou
menos opacos ou que são mais de maior
fácil assimilação por um tipo de
experiência de contato. No caso da
realidade social, a gente tá atravessado
por alguns elementos que condicionam a
nossa capacidade de interpretar aquilo
que tá acontecendo. Isso por um lado.
Por outro, ainda tem a questão de que os
próprios fenômenos sociais em seu
desenvolvimento
atingem graus de complexidade que não
são fáceis de serem percebidos. Ou seja,
não é só uma questão de ajustar a
própria percepção da realidade. A
própria realidade se desenvolve de uma
tal maneira, se desenrola com tal
complexidade, especialmente aqui quando
a gente vai observar uma sociedade
moderna com modo de produção, seja ele
capitalista ou planificado, em que tem
um desenvolvimento acelerado das forças
produtivas, ou seja, a complexidade
aumenta tanto que é difícil da gente
perceber num primeiro momento o que que
tá acontecendo. a gente tá atravessado
não só na cabeça, mas no próprio corpo,
na realidade no qual a gente tá imerso,
no ambiente, por relações que não são
transparentes, imediatamente
transparentes. Elas são opacas, elas
estão ali, eh, se imbricando de tal modo
que a gente precisa aperfeiçoar aparatos
e mecanismos, ferramentas para poder
interpretar o que tá rolando, né? E
claro, mais um ponto, nunca
individualmente. É sempre um trabalho
que depende de diálogo, de construção
coletiva. Mas vamos lá. Primeiro ponto
aqui, a gente não consegue ver a
realidade social ali a olho nu, pareceu
na minha frente, tá transparente, vejo
como tal.
Tá sempre atravessado por outras, por um
certo grau de complexidade que torna ela
opaca.
No caso de uma teoria marxista, por
exemplo, a gente falaria que o
fetichismo, né, seja da mercadoria, seja
do dinheiro, seja do capital, seja das
próprias relações sociais que vão se
fetixizando, como por exemplo, o pessoal
da aqui na América Latina vai
desenvolver a partir de Marx, a gente
vai tendo cada vez mais dificuldade de
observar o fenômeno, o seu fundamento,
como ele funciona efetivamente. Ele tá
escondido. Feetiche é o feitiço, aquilo
que é feito à mão, mas que ganha vida
própria e funciona. Existe para além das
minhas intenções, daquele que fez, de
dos seus propósitos e tudo mais. Ele tá
ali como um feitiço, como algo que
esconde, que tem vida própria, que, por
exemplo, eu não consigo pegar de uma
primeira vez ou achar que eu tenho estou
manipulando ele. Não, ele tem poderes.
Parece um negócio meio místico, como
Marx mesmo diz ali no início do capital,
para quem já tem conhecimento a
respeito. Mas bora lá.
Afinal, não são apenas os músculos dos
olhos que nos permitem ver. Existem
ideias dominantes compartilhadas e
repetidas por quase todos que, na
verdade, selecionam e distorcem o que os
olhos vêm e escondem o que não deve ser
visto. O leitor pode se perguntar: "Mas
por que que alguém faria isso? Por que
existiria o interesse em esconder,
distorcer ou, como dizem na dizemos na
vida cotidiana, o interesse em mentir
sobre como o mundo social realmente é?"
Eu gosto desse jeito que o o GC constrói
a as frases, né? Porque ele vai saindo
de um âmbito mais técnico e cuidadoso no
que seria o julgamento do que tá
acontecendo para jogar mais claro e
direto o que tá ocorrendo, né? Por que
que seria aí eh alguém esconderia a
realidade social, né? Por que que esse
fenômeno seria importante? Por que que
esse fato de não aparecer aos nossos
olhos, né? A quem interessa isso? A quem
interessa isso aí? Beleza, esconder,
distorcer, né? Vai colocando palavras um
pouco mais amenas, mais técnicas e
objetivas. Até que ele joga ali no na
vida cotidiana mentir, né? Por que que
ele tá mentindo sobre a realidade
social, né? O mentir agora coloca um
grau de intencionalidade também. E aqui
é o momento que fica delicado, né?
Porque do ponto de vista de uma ciência
social, eh, que descreve um fato, você
toma cuidado ao qualificar, ao julgar,
né, e tudo mais. Mas quando a gente
entende que não existe só o movimento da
descrição desse fato social, senão toda
vez que eu tô descrevendo, que eu tô
analisando, que eu tô observando, eu
também estou engajado, participante,
estou envolvido nesse processo, porque
eu sou parte dessa sociedade, não sou
observador externo. Saindo do ponto de
vista de observador, pelo ponto de vista
do sujeito, daquele que tá envolvido,
você consegue julgar. Na verdade, você
deve julgar, especialmente dependendo da
posição que você tá. Então tem o papel
do observador na ciência social, mas
esse observador nunca é só um
observador, ele tá sempre engajado na
realidade social e participante dela.
Está envolto nesse tipo de sociedade,
como ela funciona, como ela se reproduz.
Então, nessas dinâmicas tem o papel do
que observa e tem o julgamento desse
fato, né? Tem alguns humanos que vão se
embrenhar e dizer que ciência social não
pode fazer julgamentos.
Eh, tenho problemas com isso, mas outro
dia a gente discute especificamente. Tem
um autor que eu gosto muito chamado Fran
Kelamit, que tem um debate muito massa a
respeito, tá? Mas beleza. O grande ponto
que eu queria destacar desse trechinho
aqui é isso, né? Saída de um ponto de
vista de observador mais técnico para
cair na vida cotidiana ou mentir sobre a
realidade social, né? Então vou poder
julgar os sujeitos também envolvidos
nesse processo e que mantenha
aparentemente ideias dominantes, né, que
se aproveitam dela ou que estão em
usufruto dela para poder eh sustentar um
tipo de sociedade que não aparece o
nosso olho nu, né, tá ali transparente
de cara. Fechou? Acho que é bacana a
gente fazer essas reflexões. Depois a
gente faz algumas observações e
cuidados. Vamos na leitura.
Ora, como diria o insuspeito, não sei
bem para quem insuspeito também, né,
Jessicé?
É um pouco suspeito para mim.
Os ricos e felizes em todas as épocas e
em todos os lugares não querem apenas
ser ricos e felizes. Querem saber o e
que tem o direito à riqueza e à
felicidade. Isso significa que o
privilégio, mesmo flagrantemente
injusto, como o que se transmite por
herança, necessita ser legitimado, ou
seja, aceito mesmo por aqueles que foram
excluídos de todos os privilégios. Aqui
tem um elemento que eu acho muito massa,
tomando cuidado aqui para não só julgar
o sujeito que tá ali numa determinada
posição social privilegiada ou numa
posição social de coordenação da divisão
social do trabalho, por exemplo, que
coloca quem é o grande capitalista como
aquele que decide sobre sistema social,
né? se ele tem concentra capital, se ele
tá ali como proprietário do capital,
decide sobre os meios de produção,
decide sobre toda a divisão social do
trabalho. Essa é a grande vantagem que
ele tem. ele coordena sobre essa
divisão, a ação que ele toma afeta toda
a cadeia para baixo. Então ele tá numa
posição muito privilegiada nesse
sentido, mas tentando evitar cair nesse
ponto de julgar se ele tem interesse ou
não, se ele é maldoso, se ele é
bonzinho, não. Vamos colocar aqui nesse
momento, apesar do GC estar indiciando
isso, dá um passinho para trás e nos
colocarmos na posição de observador.
Toda pessoa, todo humano, todo sujeito
precisa legitimar e justificar suas
ações. Isso é muito importante da gente
considerar. Você não faz por fazer, você
justifica, você dá razões, dá razões uns
pros outros, né? Ah, mesmo aquele
maluco, aquele doido, beleza, ele dá
razões, ele busca razões para justificar
e legitimar o que ele tá fazendo. Ah,
matei um lá que é psicopata, que não sei
o que ela. Beleza. Exceções são outro
ponto. Eu tô falando do funeramento
normal de uma determinada sociedade ou
de determinadas relações. Elas precisam
ter um mínimo de regras claras e o
mínimo de legitimação e justificação das
ações. Isso é importante. Tem uma um
texto famoso do do Platão em que ele
comenta sobre isso. Ele fala sobre a
ética de ladrões, né? Que os ladrões
também precisam de de algum mínimo de
ética, né? Eles precisam de um mínimo de
organização ética. Os ladrões também
precisam disso. Até um bando de ladrões
tem o mínimo de regras, nem que seja as
regras para dizer assim: "Ó, a gente não
pode roubar do coleguinha
e a gente também não pode eliminar a
vida do coleguinha porque isso não
coloca a minha vida em risco". E mesmo
pro próximo roubo, vamos dizer assim.
Então, mesmo numa ética, num grupo de
ladrões, a gente tem que ter um mínimo
de estrutura ética. Eu é importante
considerar isso. Ou seja, precisa de um
mínimo de legitimação das das ações.
Então, eu legitimo, eu justifico o que
eu tô fazendo. E essa legitimação e essa
justificativa se dá em diálogo, em
diálogo com outras pessoas também. a
gente estabelece critérios, a gente
tenta se organizar para poder agir.
Aqueles que se privilegiam, que têm
vantagens dentro de uma relação social,
eles também precisam justificar e
legitimar essas vantagens. Então, vão
tentar explicar essa justificativa, vão
tentar legitimar ela de alguma maneira,
dar razões para, inclusive, aqueles que
não estão nessa posição privilegiada
aceitem essa situação, aceitem essa
condição, por exemplo, desigual. Tudo
bem? Então isso é uma coisa muito
importante. Ou seja, a gente tá
discutindo aqui uma relação social e a
justificativa para manutenção dessa
ordem. Precisamos de razões
justificativas para isso. E aqui vem o
jogo das ideologias e a brincadeira de
produzir ideologias, criticar
ideologias, transformar ideologias,
interpretar o que tá acontecendo. Porque
são essas justificativas, essas
legitimações que atravessam a nossa
análise dessa realidade. A realidade já
está justificada, ela está posta. E
quando alguém nos explica como funciona
o mundo, explica valendo-se das regras
que estão nele. Então eu aprendo,
aprendo, compreendo toda essa realidade
a partir dessas justificativas, dessas
legitimações. Então as ideias que vão se
conformando são ideias que tendem a ser
adequadas à manutenção da ordem, certo?
independentemente da minha posição. Daí,
então aqui a gente tá entrando em
elementos que eu acho muito
interessantes, que logo no prefácio aqui
desse livro vale demais da gente
refletir, tá bom?
Sigamos.
Nas sociedades do passado, o privilégio
era aberto e religiosamente motivado.
Alguns tinham sangue azul, né? Quem
nunca ouviu essa expressão do sangue
azul? Talvez hoje tenha sumido. Espero
que sim, mas nossa, ouvi muito isso aí.
por decisão supostamente divina, o que
os legitimava terem acesso a todos os
bens e recursos escassos. A sociedade
moderna, no entanto, diz de si mesma que
superou todos os privilégios injustos,
né? Ou seja, desde que teve a tal da
Revolução Francesa, a Revolução burguesa
propriamente disa, derrubada, né, do do
estado religioso, a derrubada da
monarquia, aparentemente estariam
superados os privilégios injustos.
Porque agora a gente tem uma observação
da realidade mais científica, mais
objetiva, né? A gente tem aqui um um
novo modo de região, mundo que não
depende do divino. Aparentemente, então,
aparentemente seria isso que tava
acontecendo.
Isso significa que os privilégios
injustos de hoje não podem aparecer como
privilégio, mas sim como, por exemplo,
mérito pessoal de indivíduos mais
capazes, sendo, portanto, supostamente
justificável e merecido. Aqui o tal a
tal da chamada meritocracia, né?
ideologia de meritocracia que era para
ser distopia se tornou justificativa
para ações de determinados humanos. Mas
o que o gestado tá chamando atenção é
muito massa, ó.
Aceitando aqui que foram superados esses
privilégios injustos, né? Eu olho pro
mundo e ainda vejo gente privilegiada.
Eu olho pro mundo e ainda vejo
desigualdade, ou seja, mesmo com essa
sociedade moderna, ainda tem aqui umas
paradas que não fazem muito sentido,
parece que tá desbalanceado. Bom, não há
mais o privilégio injusto, então deve
ter um justo. E qual que é o justo? Como
justifica e legitimo que haja tal
desigualdade? Como justifica o legitimo
que uma determinada pessoa possa ocupar
um cargo de coordenação na divisão
social do trabalho por herança, porque
acumulou capital e que agora decide
sobre a vida de todos os outros. Que que
justifica isso? Quais são as razões
dadas pra gente poder examinar elas? pra
gente poder botar elas em escrutínio,
certo?
Mesmo que você concorde e fale: "Não,
não, mas eu acho justo". Pois então,
demos razões e vamos analisar, vamos
criticar essas razões, vamos sofisticar
a nossa percepção dessa realidade
social, porque ela está permeada por
esse tipo de legitimação justificativa.
As ideias elas não existem soltas, elas
existem em relação a um tipo de
realidade, de sociedade, de modo de
vida.
É o que eu comentei agora h pouco, a
gente aprende, compreende, aprende o
mundo a partir de ideias que já são
colocadas na em sua explicação, na
legitimação, nas razões necessárias para
manutenção da ordem existente quando a
gente nasce.
A gente precisa aprender aí ter
critérios para julgar, certo? Mas vamos
lá.
É isso que faz com que o mundo social
seja sistematicamente distorcido e
falseado. Todos os privilégios e
interesses que estão ganhando dependem
do sucesso da distorção e do falseamento
do mundo social para continuarem a se
reproduzir indefinidamente.
A reprodução de todos os privilégios
injustos no tempo depende do
convencimento e não da violência. Melhor
dizendo, essa reprodução depende de uma
violência simbólica perpetrada com o
consentimento mudo dos excluídos dos
privilégios e não da violência física.
Aqui é um segundo momento que eu até
tencionaria um pouco com o Gessé, por
exemplo, a partir de um texto do Anibal
Kijano, agora eu não lembro, é
colonialismo,
eu acho que é colonização, colonialismo
e colonialidade. E aí tem mais alguma
coisa, algum trecho. Eu eu lembro que é
um texto que ele dá uma síntese mais
interessante desses conceitos, distingue
eles. E nesse texto tem uma frase do
Aníbal, Hannibal queano, filósofo
sociólogo peruano, que dizia assim: "As
ideias nem sempre chegam porque são boas
ideias. Muitas vezes elas se valem
porque chegam com canhões." Então, minha
gente, tá certo o que o José diz? Porque
eu dependo dessa dinâmica de não
violência ou de convencimento, mas esse
convencimento não se dá simplesmente
numa sentada de tomar um chá e um café,
né? A troca de ideia agradável é
amistosa. Muitas vezes essas ideias elas
vão se valer, vão se valer no primeiro
momento por violência, por imposição. E
depois vem, né? Vem primeiro o canhão,
depois vem a ideia para justificar o
porque o canhão foi útil. E o tempo
passa e a história anda. E é uma coisa
importante da gente considerar que à
medida que a história anda e os
desenlaces da vida se dão, os sujeitos
que nascem depois vão considerar que a
história anterior foi necessária. Ou
seja, teve que ser assim. E a gente vai
apagando ou justificando cada vez mais.
catástrofes e tragédias em nome do
progresso ou naquele tempo era
diferente. Não, pera aí, pera aí, pera
aí. Vamos devagar, vamos devagar.
Precisamos de critérios mais elaborados,
mas passo a passo. E essa é só uma
janelinha que eu abri aqui de parênteses
no comentário pra gente para colocar
reflexões e pulgas atrás das nossas
orelhas, do que exige provavelmente que
a gente tome um banho eh com shampoo
antidopulga, né,
imagino eu. Ou vá num spá de banho e
tosa. Vamos lá. É por conta disso que os
privilegiados são os donos dos jornais,
das editoras, das universidades, das TVs
e do que se decide nos tribunais e nos
partidos políticos. Aqui é uma pequena
inversão, me parece, porque primeiro tem
esse crescimento capital histórico, a
constituição de uma instituição
eh da instituição do mal de produção
capitalista para depois esses mecanismos
se converterem
em instituições, elementos, relações,
eh, e operações que vão ser cada vez
mais apropriadas e dominadas pelo
capital. Falo isso porque assim, a
imprensa ela surge inclusive muitas
vezes com meio de contestação, mas à
medida que o modo de produção de
capitalista se desenvolve, a forma
social capitalista e burguesa se
desenvolve, a apropriação desses
mecanismos dos meios de comunicação vai
se concentrando de acordo com a lógica
da produção. Então, claro, e as
universidades também, os espaços de
pensamento de produção de ciência, a
mesma coisa. Há uma dialética mais
complexa aqui ou mais sofisticada.
Contudo, nisso, o passado esse passo da
violência, passado esse processo de
constituição do capital, o que o GC tá
chamando a atenção paraa vida cotidiana
de hoje, é verdade. É necessário você se
manter dono de universidade, dono de TV,
dono de tribunal, ter partido político
eh a torta e à direita, mais a torta e
mais à direita do que o se espera para
você poder manter a justificativa e a
legitimação da ordem, né? Então,
capitalistas que vão concentrando essas
instituições debaixo de suas asinhas.
[Música]
Apenas dominando todas essas estruturas,
é que se pode monopolizar os recursos
naturais que deveriam ser de todos,
verdade, e explorar o trabalho da imensa
maioria de não privilegiados sobre a
forma de taxa de lucro, juro, renda da
terra ou aluguel. É verdade. É verdade.
A manutenção dessa ordem depende disso.
Agora, ela não é a causadora. Há um
processo aí que a gente tem que observar
nesse movimento dialético, né? Hoje a
gente observa e fala, eles são donos
disso e precisam disso para manter essa
ordem de exploração, mas a o estrutura
de exploração, ela vem um pouquinho
antes, a justificativa vem depois. É só
pra gente poder ver essas transições,
esses movimentos aí na realidade, a soma
dessas dessas rendas de capital no
Brasil é monopolizada em grande parte
pelo 1% mais rico da população. É o
trabalho dos 99% restantes que se
transferem em grande medida para o bolso
de 1% mais rico. Verdade. Este livro é
uma reflexão acerca do que torna
possível desigualdade tão abissal e
concentração de renda tão grotesca em um
país formalmente democrático como o
Brasil de hoje. E isso é massa. Que o GC
vai fazer algo que não é simplesmente a
descrição das relações de desigualdade,
a descrição das situações de exploração
do trabalho, que é fundamental, tá? não
pode abrir abrir mão disso, mas ele vai
tentar fazer uma discussão sobre as
justificativas e a legitimação destas
relações que estão descritas
por um uma observação das relações de
exploração, das relações desiguais. Eu
posso descrever e apresentar elas. E as
pessoas olharem e falaram: "Tudo bem, eu
abro o olho e posso até ver isso.
Inclusive vejo, por exemplo, eu moro
aqui no Capão Redondo, eh,
20 minutos aqui, eu chego no
Paraisópolis, daí a pouco tá no Morumbi.
Então, dá para ver eh olhando a olho num
prédio de luxo e a quebrada do lado
favelizado e pá. Então, essa
desigualdade já tá descancarada.
É uma maluquice. Dá para ver, ainda que
não seja desigualdade mais bizarra, mas
eu consigo ver que há uma estrutura
desigual. Agora, o problema é como que
se legitima e se mantenha essa bagaça?
Qual eh quais são as relações que dão
justificativas para que as pessoas
assimilem, aceitem conviver com isso e
talvez defendam isso enquanto acham,
enquanto acham que estão se defendendo.
Isso é massa da gente refletir. E esse
acho que essa é a contribuição muito
bacana do Gessé pra gente poder observar
a realidade social brasileira. Não só
observar na análise de descrição dos
fenômenos, a gente observar também as
legitimações e justificativas para a
manutenção dessa ordem.
A tese central desse livro é que tamanha
violência simbólica só é possível pelo
sequestro da inteligência brasileira
para o serviço não da imensa maioria da
população, mas de 1% mais rico, que
monopoliza a parte do leão dos bens dos
e recursos escassos. Esse serviço que a
imensa maioria dos intelectuais
brasileiros sempre prestou e ainda
presta, é o que possibilita a
justificação, por exemplo, de que os
problemas brasileiros não vem da
grotesca concentração de de riqueza
social em pouquíssimas mãos, mas sim da
corrupção apenas do estado. Vocês devem
ter passado final de ano recentemente,
porque estamos gravando esse bagulho
aqui, dia 2/01/26
e deve ter tido conversa na família
sobre política, sobre realidade, sobre
havaianas, sobre chinelos e sobre quem
sabe até a mega da virada. E
imediatamente alguém fala: "Isso aí é
fac estado mentiroso, estado corrupto,
toda aí político corrupto, ladrão,
vagabundo, sem vergonha, tudo do estado
não funciona, tudo não presta.
essas frases que a gente ouve no
cotidiano e que a corrupção problema do
Estado e ou que e com elementos
moralistas para poder falar isso e
teorias conspiratórias e tudo mais, são
efeitos dos mecanismos fundamentais
de legitimação e justificação da
opressão que tem pretensa base
científica e são reproduzidas na
história da sociologia brasileira. E é
isso que o GC vai chamar atenção. E eu
acho muito bacana isso. Ainda que a
gente tenha críticas e não concorde com
apontamentos, como eu tô fazendo aqui,
né, uma leitura comentada, leitura
crítica. É importante se apropriar desse
recurso, desse tipo de conteúdo para
poder começar a observar melhor os
problemas, qualificar o nosso debate, a
nossa conversa, a observação da
realidade e ainda mais também a nossa
capacidade de convencimento com outras
pessoas. Porque a gente saber desarmar
os argumentos que estão postos é
fundamental. Não para convencer o outro
para estar do meu lado, mas ao menos
desarmar algumas armadilhas aí de
manutenção da ordem, abrir uma
oportunidade para pensar de outro modo,
para perceber outras razões. Show. Vou
ler um último capítulo aqui e vai ser
massa.
Último parágrafo ao capítulo. Isso leva
a uma falsa oposição entre estado
demonizado e mercado concentrado e
superfaturado, como é o mercado
brasileiro, como o reino da virtude e
eficiência. É privatiza que melhora, não
é essa frase que a gente tem que ouvir,
né? E agora aqui em São Paulo, por
exemplo, tem que privatizar enel
privatiza a privatização para ver se
melhora,
porque fiquei três dias sem luz faz três
semanas. Ih, fita embaçada, viu? Também
meu bairro que eu moro aqui, é meu
bairro mais menos tem luz em São Paulo.
Saiu uma reportagem na Folha esse ano
indicando isso, depressão. E em um
contexto no qual não existe a fortuna de
brasileiro que não tenha sido construída
a sombra de financiamentos e privilégios
estatais, nem corrupção estatal
sistemática, sem a conivência e estímulo
do mercado, que também percebe isso, né?
Ó, frase de achavão marxista de dizer
que o estado é mesa de negócio da
burguesia. A gente ainda tem que deixar
isso mais claro e mais explícito como
funciona na realidade brasileira, que
aqui a gente tem a ideia de de
empreendedor virtuoso, o cara que cria
empregos, ele cria empregos sozinho, ele
tem mágico que cria empregos e depois
descobre que o pessoal precisa trabalhar
durante a pandemia e outras coiscitas aí
que vão acontecendo.
E também é um cenário em que as classes
sociais que mais apoiam essa bandeira,
como se fosse sua, os extratos
conservadores da classe média
tradicional e setores ascendentes da
nova classe trabalhadora são
precisamente as classes que mais sofrem
com os bens e serviços superfaturados e
de qualidade duvidosa que o 1% mais rico
vende a elas. E aqui eu queria até
chamar a atenção para mais um ponto que
eu gosto bastante da gente considerar. O
debate ideológico, ele se concentra
especialmente nas classes médias,
especialmente nas pessoas que possuem
algum acesso a bens escassos sociais,
que é a tal da educação formal, que é
esse acesso à informação e a um
determinado tipo de cultura, de
formação, de qualificação, de educação
formal propriamente dita, especialmente
no âmbito universitário, mas não só, mas
que vai se concentrando nesse grupo, que
vai monopolizando e querendo manter sua
posição ali privilegiada, que vai
conseguir e potencialmente, né, cargos
melhores, empregos melhores. E daí
também tem que se converter num grande
defensor dessa ordem. Qualquer momento
ele pode perder o seu lugarzinho, né, ao
sol e cair lá para baixo, grande classe
média se é empobrecer, especialmente uma
classe média ascendente ou dos, como o
Gé chamou aqui, né, que eu acho mais
interessante, setores ascendentes da
classe trabalhadora, porque não são
classe média tradicional, é uma galera
que o vô, que a avó talvez seja meu
caso, tá?
conseguiram ir melhorando de vida, seja
por sua luta, por ser um batalhador, uma
batalhadora, seja também por condições
específicas na história recente do
Brasil que vão garantindo bens, espaços
de recuperação, eh, de vida mesmo, de
reparo social, reparo histórico, né?
Seja você ali, minha casa, minha vida,
financiamento, facilidade para crédito,
para conseguir ter geladeira em casa
pela primeira vez, microondas em casa
pela primeira vez, alguém na família vai
entrar na faculdade dos netos e tal.
coisas que vão acontecendo, que vão
melhorando, que agora assim a uma
geração, duas gerações atrás, a gente
tava no fio para cair no na na desgraça,
na bagaceira e agora a gente conseguiu
um estado minimamente organizado aqui,
uma posição interessante para nós. Vou
perder a qualquer momento, nem a pau.
Vou lutar com unhas e dentes para manter
esse privilégio. E aí essa esse grupo
vai se convertendo em muito conservador,
manutenção da ordem e aceitando as
legitimações justificativas da própria
manutenção, que não beneficia eles,
beneficia quem tá em cima, porque quem
mais vai sofrer nos processos, inclusive
de manutenção da ordem são esses grupos,
os ascendentes e a classe média
tradicional. E o debate ideológico
circula em geral por aí. E provavelmente
você que tá assistindo esse vídeo nesse
exato momento faz parte de um desses
dois grupos aí. Difícil eu est falando
com a galera muito na quebrada, difícil
eu estar falando também com a galera
muito rica.
algoritmos e realidade social. Mas é bom
a gente perceber isso e a gente ficar
interessado sobre esses movimentos,
porque o mercado é protegido, o estado é
demonizado. E aqui não se trata em falar
bem do Estado e falar mal do mercado, se
trata em observar como as justificativas
qualificam essas instituições desta ou
daquela maneira e como elas são
reproduzidas nas classes sociais. E aí a
classe média tem um papel importante
aqui, porque ela produz, especialmente
universitários, os intelectuais que o JC
falou, produz a ciência social que
aparentemente explica a realidade do
Brasil. E essa ciência social é
reproduzidas nas escolas, ela é
reproduzida nas universidades, ela vai
aparecer na produção cultural das
músicas, de novela, de filme e por aí
vai. Então a gente vai ter um arsenal de
conteúdos que tendem a manter e
justificar a ordem. Ah, todos fazem
isso. Não tendem. As disputas
ideológicas se dão nas contradições
desses processos. Tudo bem?
Espero que sim. Espero que vocês tenham
curtido aqui essa leitura, essa dica de
livro. E vale muito a pena, porque daqui
pra frente, nesse livrinho aqui, Aorista
Inteligência Brasileira, o Gessé vai se
aprofundar na análise das principais
ideias produzidas pela Academia
Brasileira na Tradição da Sociologia
para fazer uma crítica a como elas
desempenham um papel de manutenção da
ordem. E se antes os privilégios eram de
alguma maneira religiosamente mantidos e
justificados,
agora numa sociedade moderna que
pretensamente tenta se libertar e se
liberar desses elementos religiosos, vai
aparecer uma ciência social também
conservadora e que desempenha o papel
conservador. E aí, independentemente, na
verdade, da própria intenção dos
autores, né? Eu acho especialmente o
caso e a discussão que o GC faz com o
Sérgio Bolanda muito interessante porque
não depende ali necessariamente da
intenção do autor, mas do papel que
acaba desempenhando um tipo de
interpretação do Brasil a partir daquilo
que é chamado de homem cordial. E a
gente pode
concordar, discordar, não importa. O
interessante é ler, debater, aprofundar
as discussões. E aí fica a dica mais uma
vez do livrinho aqui que vale muito a
pena, é muito bacana e para quem gosta
de queimar sinapse, sentir aquele
cheirinho de ideias novas surgindo pelo
cérebro, vale demais. Espero que você
tenha curtido esse conteúdo. Não esquece
de curtir esse esse vídeo mesmo aqui.
Não esquece de comentar, deixa o
comentariozinho aí, dá uma hypada, vai
que sobra um momento que você de lucidez
de ter chegado até aqui e falar: "Pô,
vale a pena, hein? O menino aí não é tão
ruim não. RPA. Além disso, você pode
considerar ser membro, membra m
membresia aqui do nosso canal, porque a
gente tem aqui um um universo próprio da
nossa igreja barista, com piadas
internas, com discussões específicas,
com conteúdos exclusivos, cursos para
você que eu acho que você pode ser bem
bacana, tá? Com um humor um pouco
duvidoso, um pouco quebrado, mas a gente
tenta se manter e seguir por aí. Fechou?
Até breve. Fica bem que a gente se vê
por aí e trazendo a boa nova todo dia
útil até a vitória final. Valeu.

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