EXISTE CRENTE GAY? É PECADO SER GAY E CRISTÃO? EXISTE CURA?
20/02/2026
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Fonte: Dois Dedos de Teologia
Legendas automáticas:
Você sabia que quando a gente fala sobre homossexualidade existem quatro grandes posições dentro do cristianismo e que provavelmente todo qualquer teólogo que você segue deve estar dentro de uma dessas quatro grande posições e que ela ser nomes muito horríveis, muito ruins. Lado A, conhecido como side A, tem o lado B, tem o lado X e o lado Y. Nomes que não te ajudam em nada para entender. Mas a gente quer, ó, dois d teologia é isso, descontinar os assuntos da teologia sistemática e ajudar a gente a entender o que é que significa. O que que a gente vai discutir no vídeo de hoje? Ser gay é pecado? Você pode se descrever como gay. Existe crente gay. Os cristãos devem esperar que homossexuais que se convertem larguem a homossexualidade no sentido prático ou no sentido de sentimento. Você pode se descrever um crente gay. Tem crente que se diz crente gay e aí segue o ceribato. Crente homossexual pode casar. Bom, no vídeo de hoje a gente vai discutir tudo isso, discutindo quatro grandes perspectivas sobre como o cristianismo acolhe, recebe e lida com pessoas que possuem tentações homossexuais. Este é o 2D de teologia. É o programa que dá nome a este canal. É onde a gente discutindo um tema teológico a partir palavra de Deus, geralmente voltado aí para alguma área da teologia sistemática. Se você não me conhece, sou o pastor Iago Martins, sou doutorando em teologia. Tenho produzido conteúdo no YouTube aqui há mais de 10 anos, tentando ensinar a boa e velha teologia cristã num linguagem fácil, não é? E acessível, não é, a quem não tem intimidade teológica. Se for do seu interesse, você pode estudar comigo lá no Instituto Chefes de Teologia e Cultura, onde a gente tem uma série de conteúdos gratuitos e os nossos cursos 100% online, onde você pode ter seu primeiro contato com a teologia no Teologia Descomplicada, se preparar pra obra missionária na academia de missionários, aprender grego a partir do zero, no simplificando grego bíblico, ou ir pra nossa Netflix de teologia, que é a escola de teologia, um ambiente onde você tem uma série imensa de minicursos e três encontros semanais de mentoria ao vivo. Se você quiser todos os nossos cursos ao mesmo tempo, você vai ter uma promoção especial no link aí na descrição. Dito isso, simbora pro vídeo de hoje. Polêmicas envolvendo homossexualidade não são não são coisas novas, tá? Não é uma coisa que inventaram ontem. As posições cristãs sobre homossexualidade são muitas. E talvez você venha para esse vídeo esperando uma teologia bíblica da homossexualidade. Não é isso que você vai encontrar nesse vídeo aqui, tá? Já tem um vídeo aqui no canal. Essa é talvez um dos vídeos mais vistos aqui do canal. É um vídeo a gente pergunta se homossexuais vão pro céu, se gays vão pro céu. É onde a gente olha pros textos bíblicos e a gente argumenta que sim, de uma perspectiva cristã, um homem deitar-se com outro homem, uma mulher ter intimidade sexual com outra mulher é pecado. A prática homossexual é uma prática pecaminosa. Depois desse vídeo aqui, você pode ir nesse outro vídeo se você quiser uma grande teologia da homossexualidade. Um outro tema que a gente já tratou aqui no canal e tratou muito delongadamente são sobre questões civis. gays deveriam ter o direito civil de casar, de contrair família e coisas do tipo. A gente tem uma web série documental, é coisa assim de nível documentário mesmo, tá em sete episódios, chamado A Nova Família, onde a gente argumenta sobre todas as complexidades desse assunto. entrevista uma série de especialistas, gente parruda aparece aí nesse nessa websérie. E a gente argumenta que não, uma união homossexual não deveria ser equiparada à família em um sentido jurídico, mas que deveria existir outro tipo de acordo civil que fornecesse garantias e direitos para homossexuais que desejam viver juntos de alguma forma. A gente explica isso em detalhes lá na Nova Família. Quando isso aqui acabar, você tiver interesse, você pode assistir lá também. Qual é a grande questão que a gente quer lidar nesse vídeo aqui? é sobre a questão da identificação do indivíduo com a homossexualidade. Pode existir o que nós chamamos de crente gay, cristão homoafetivo? Como é que um cristão lida com esses impulsos que a gente entende que provém de lugar de pecado? Alguns vão argumentar que um cristão ele pode viver sua vida homossexual como ele quiser, casar com outro homem, no caso sendo homem, desde que ele não seja promisco. Isso é uma posição que existe aí em alguns círculos. Outros vão argumentar que um cristão gay, ele pode se descrever como tal, sou um crente gay. E sendo um crente gay, ele só precisa viver em celibato. Outros vão argumentar que uma vez entrando na fé, o cristão, ele nunca mais vai sentir esse tipo de sentimento. Uma vez que você encontra Jesus, sua mente transformada, e você nunca mais vai ter esses sentimentos homossexuais, essas vontades homossexuais no seu coração, porque encontrar Jesus te muda nesses pecados terríveis. Outros vão argumentar que existe uma diferença entre uma inclinação homossexual, uma tentação interna no coração e a prática homossexual. Quem tá certo nesse debate todo? Bom, a gente pode facilitar isso discutindo sobre lado A, lado B, lado X e lado Y. [música] Vamos começar apresentando o que é o lado A, conhecidos também como cristãos afirmativos. Geralmente o que é conhecido como lado A são as igrejas afirmativas, conhecidas também como igrejas inclusivas. É o movimento que acredita que um relacionamento monogâmico entre pessoas do mesmo sexo são relacionamentos justos de uma perspectiva cristã, não são pecaminosos. O lado A defende a monogamia. Mesmo que seja monogamia entre pessoas do mesmo sexo, existem muitos nomes que defendem essa posição. Eu gosto de lembrar de Rob Bell, o famoso herege daquele livro O Amor vence, quando em uma entrevista pro Greg Carry, ele vai dizer: "Sou a favor do casamento, sou a favor da fidelidade, sou a favor do amor, seja entre um homem e uma mulher, entre duas mulheres ou entre dois homens". Penso que já passou o momento certo e penso que a igreja precisa. Penso que é o mundo que vivemos e precisamos acolher pessoas onde quer que estejam. Dentro do Brasil, nós temos alguns grupos que se definem como inclusivos. Você tem igrejas inclusivas onde os pastores são LGBT ou igrejas onde os pastores não são LGBT, mas que defendem esse tipo de perspectiva, como Ricardo Gondin, que na sua igreja já se declarou como uma igreja inclusiva. Esse é um movimento completamente alheio ao cristianismo histórico, ligado a teologias profundamente progressistas e que não pode ser considerado em nenhum sentido a perspectiva cristã conservadora. Você olha, Iago, mas como é que esses cristãos conseguem ler a Bíblia e sabe entender o texto bíblico? Bom, eles vão argumentar que os textos do Antigo Testamento sobre homossexualidade são típicos da antiga aliança. Não tem nada ali que seja relacionado à nova aliança. Então, por isso, os textos do Antigo Testamento sobre não deitar homem com homem, mulher com mulher, são textos que não se aplicam ao cristão dentro desse período, na história da revelação. Ele também vai argumentar que os textos paulinos sobre afeminados e sodomitas são, na verdade, textos sobre pedofilia e vão argumentar que ali a proibição não é para o relacionamento homossexual, é na verdade um homem deitando com o menino. E aí eles defendem um tipo de teoria da conspiração de que os textos bíblicos foram mal traduzidos ao longo de toda a era da igreja como uma forma de tentar ou proteger pedófil. E aí a teoria da conspiração vai para um outro nível. Eu chamo de teologia da conspiração, teologia da conspiração ou que era só uma forma de atacar homossexuais livremente. Eles vão ler também em Romanos 1, que é um texto muito claro contra a homossexualidade, como um texto ligado diretamente a cultos pagãos. E aí a homossexualidade que estava sendo condenada não era qualquer prática homossexual, mas era exclusivamente a prática homossexual que se dava dentro de tempos pagãos em adoração a falsos deuses, o que são leituras absolutamente progressistas, erradas, são claras falsificações do que tá escrito no texto bíblico. Não vou gastar muito tempo argumentando sobre isso, porque a gente já tem um vídeo inteiro só argumentando sobre esses textos bíblicos aqui no canal. A gente já resolve tudo isso só indo lá. Então, Iago, eu queria uma argumentação mais profunda sobre esses textos para poder contraargumentar com cristãos o lado a esses progressistas, inclusivistas, tá tudo lá no nosso vídeo de homossexualidade. Só sei lá se já tem tudo que precisa para lidar com esse tipo de coisa. Como eu já falei no começo do vídeo, o objetivo aqui é lidar uma estrutura sistemática, não é lidar com os textos bíblicos diretamente, que a gente já fez isso lá no vídeo. David Hiker, bem-vindo. Obrigado por contribuir um pouco com esse vídeo aqui do 2Dologia. >> Uma alegria tá aqui, >> Haiker. Se a pessoa, eu tô levantando essa hipótese, tá? Não tô afirmando. Se a pessoa nasce gay, por que que ela não pode viver a sua vida como gay dentro da fé cristã? Por que que é pecado ser gay se a pessoa nasce assim? >> É, primeiro vamos pensar pergunta dúvida. Eu sei, mas [risadas] >> Claro, claro, eu entendi. Mas primeiro vamos pensar do ponto de vista teológico e depois a gente pensa nas outras perspectivas. Então, do ponto de vista teológico, as pessoas elas dizem assim: "Ah, eu sinto isso. Eu sou criatura de Deus, então Deus me criou assim. Por que que ele diz que eu não posso viver uma vez que ele me criou assim?" Aí a pessoa fala: "Então, não sou criação de Deus. Então não foi Deus que fez isso? Então veja, tudo que nós sentimos hoje não é fruto apenas da criação de Deus. Toda a realidade foi afetada pela queda. E o ar que a gente respira, a natureza, a criação gême aguardando a expectativa de que um dia ela será liberta do cativeiro de corrupção que lhe foi imposta por causa da queda. Então os nossos corpos não são frutos só da criação. Se fosse eles nem morreriam, eles nem adoeceriam, né? Portanto, a nossa sexualidade, o que sentimos também não é fruto apenas da criação. Deus nos criou e nós fomos [música] afetados pela queda de uma forma ou de outra, por causa de fato de sermos filhos de Adão. Então, eh cuidado com essa ideia de que a Deus me fez assim, né? E, portanto, eu preciso viver isto, né? Deus Deus me manda, por exemplo, amar o meu inimigo, né? Amar o meu inimigo não é coisa natural a mim. se [música] depender apenas da minha condição eh atual, né, que é não é apenas como Deus me criou, mas também com ecos da queda. Então, toda a vida cristã precisa lembrar disto. Ah, do ponto de vista do eu nasci assim aí pensando agora nas outras perspectivas, né? Porque lembrando que a Bíblia não tem uma teoria biológica, psicológica ou sociológica para explicar a origem da da homossexualidade. A Bíblia não tem isso. A Bíblia tem uma uma uma ideia teológica que eu acabei de dizer, né? tem a ver com a criação e com a queda. Eh, pensando nas outras perspectivas, [música] eh, é muito é muito imaturo você começar a colocar expressões do tipo: "Eu nasci assim", porque isso remete a ideia de que, eh, a sexualidade é completamente definida por elementos biológicos ou genéticos ou inatos. E embora isso seja um eixo formativo, porque nós temos corpo de fato, nós temos biologia e tá tudo certo, ele é um eixo apenas, né? Não existe um determinismo completo. Se você for na OMS, eh, se você for no Google jogar sexualidade, segundo a Organização Mundial da Saúde, vai dizer lá que não é só biologia. Até a OMS vai dizer que é a sexualidade biológica, é social, é psicológica, ela é multifatorial sempre. Então, eh, a sexualidade é um complexo que tem a ver com elementos biológicos, tem a ver com elementos de aprendizado, tem a ver com elemento de subjetividade, porque cada indivíduo inédito reage de maneira irrepetível [música] a elementos que lhe acontecem, né? Eh, eh, e reage de maneira muito subjetiva, única, né? Tudo. Então, não tem essa explicação monolítica e apenas vinculada a elementos inatos para se explicar porque que alguém tem atração A ou B. Isso [música] vai além das escrituras. Estou falando da de como as perspectivas psicológicas e sociais vêm à própria sexualidade. Então, é mais do que apenas um erro teológico, é um erro técnico, é você dizer a nasceu assim e querer dizer com isso que é um determinismo total eh biológico eh na sexualidade. [música] Mas essa não é a única posição que temos, não é? Temos uma segunda posição chamada como lado B ou B. Cristãos do lado B não seguem a perspectiva inclusivista. Eles têm uma visão mais tradicional da sexualidade humana, onde eles entendem que um cristão não pode ter relacionamentos homossexuais. Então, qual seria a alternativa de um cristão com esse tipo de tentação? Seria basicamente duas coisas: ou o celibato ou um casamento de orientação mista. O celibato é alguém que por causa da falta de impulso e atração sexual para com uma pessoa do sexo oposto, ele não casa com ninguém, vive a sem nenhum tipo de relacionamento sexual ou amoroso nesse sentido mais físico, não é? Ou o que é chamado casamento de orientação mista, que é um termo geral para falar de pessoas que se casam tendo, como eu diria, identificações sexuais diferentes. Pode ser usado para falar de pessoas que são consideradas asexuais e pessoas sexuais. Pode ser um casamento em que um dos parceiros é bissexual e o outro é heterossexual. ou um casamento de alguém homossexual com alguém heterossexual. Geralmente as igrejas não não recomendam, não é, casamento de orientação mista, onde uma pessoa homossexual e a outra heterossexual ou mesmo dois homossexuais nesse sentido, porque é um casamento em que não vai existir nenhum tipo de intimidade física. É basicamente um casamento de fachada, tá? Mas outras orientações mistas, como um bissexual e um heterossexual, por exemplo, são pessoas que podem ter intimidade física, pode ter um casamento, ela até feliz quando a pessoa tá disposta, né, a viver dentro daquele tipo de situação, daquele tipo de circunstância. Agora, cristãos do lado B, eles acreditam em identificação com a homossexualidade. Ou seja, enquanto cristãos do lado A dizem: "Você pode ser gay e viver sua homossexualidade", cristãos do lado B vão dizer: "Você pode se identificar como gay. Isso é sua identidade, é quem você é". Você só não pode praticar isso. Daí vem termos como cristão gay, cristão LGBT, crente gay e por aí vai. Essa divisão terminológica, né? Lado A e lado B, começou com o movimento de 2011, criado por um cara chamado Justin Lee, quando ele fundou a Gay Christian Network. Enquanto você vai ter uma quantidade muito pequena de cristãos, defendendo o que chamado lado a essa inclusividade da prática homossexual como algo natural cristianismo, você vai ter uma quantidade um pouco maior de cristãos defendendo chamado lado B, que é uma perspectiva em certo sentido conservadora com relação à sexualidade, mas que assente a um tipo de identificação da sexualidade com o pecado que é um tanto perigosa. Se você me conhece aqui, você sabe que eu não sigo chamado lado A, obviamente, mas eu também não sigo chamado lado B, considerando que eu não acredito que esta identificação profunda entre homossexualidade e identidade seja algo que cristãos podem assumir. Se dizer crente gay não é muito diferente se dizer crente qualquer outro pecado contra o qual você lute. Um cristão não deveria assumir a o impulso homossexual como uma característica de sua identidade. Uma vez que o impulso homossexual provém de uma corrupção do plano de Deus pra sexualidade humana, nenhum cristão deveria tratá-lo como se fosse uma coisa moralmente neutra. O que acontece dentro de certos ambientes de de lado B do cristianismo é tratar o impulso homossexual como se fosse um impulso moralmente neutro e que o pecado tá exclusivamente na prática, algo que o cristianismo geralmente não segue. A gente pode usar essa terminologia crente gay ou cristão homossexual para descrever a experiência de alguém que tem atração pelo mesmo sexo e então se converte? Olha, eu particularmente não gosto da ideia porque ela reforça o termo de identidade ligada à atração e a condição afetiva. Isso para mim, eu acho que é uma perda bastante considerável quando a gente olha pra identidade cristã fundamentada em Cristo e na relação de fé com ele, não nos afetam, os sentimentos são volúveis, são que estão em outra categoria. Então eu particularmente acho que é uma perda a os cristãos começarem a se designarem eh primeiro LGBT, depois cristão, lésicas e gays cristãos. É como se a batalha pela identidade tivesse sido perdida, né? Então eu acho que é importante a gente lembrar que a sexualidade, embora embora fundamental, embora que seja algo que nos constitui, não é a nossa identidade do ponto de vista bíblico, né? Não existe nenhum problema eu me dizer um cristão heterossexual. Mas por que é que tem problema eu dizer me dizer um cristão homossexual? >> É que na verdade o a expressão heterossexual cristão também ela não reflete exatamente o que a Bíblia ensina nesse sentido, né? Porque é uma essa é uma palavra que surge no século XIX. Então, a Bíblia também não apresenta a humanidade como hétero, homo, bi, trans, como se isso fosse, fossem identidades coesas e estabelecidas por Deus, né? A palavra heterossexual, ela apenas descreve uma característica, que é o fato de alguém ter atração pelo sexo oposto. A palavra homossexual descreve uma característica. A pessoa tem atração pelo mesmo por pessoas do mesmo sexo. Do ponto de vista bíblico, não descreve identidade. Ambas não descrevem identidade. Então a gente usa essas expressões por causa da questão mais pedagógica. Seão, até tu explicar tudo isso, você vai perder um dia inteiro. Aí você fala heterossexual, cristão, tal. Mas no fundo, no fundo, eh, nem mesmo o termo heterossexual é um termo bíblico capaz de expressar a identidade fundamental do do sujeito. Apenas descreve uma característica que está de acordo com a visão ortodoxa de que Deus criou um homem para se relacionar com uma mulher no casamento. O lado Y também se opõe ao relacionamento homossexual. Pessoas do mesmo sexo não podem deitar juntas, não podem viver juntas, mas ao contrário do lado B, acredita que existe algo errado no impulso homossexual. E por isso existe uma diferença entre três níveis de expressão de sexualidade. Existe o que nós chamamos de inclinação, existe o que nós chamamos de tentação e o que nós chamamos de prática. A prática homossexual é pecado. O lado A vai dizer que não, mas lado B, lado Y e o outro lado que eu vou apresentar com o lado X, todos vão dizer que a prática homossexual é pecado. Assentir ao impulso sexual do coração também é um pecado. A escritura fala de pecado no coração. Existe um pecado interior. Há um pecado dentro do ser humano. Quando eu olho para uma mulher e a desejo no meu coração, eu tô cometendo um pecado. Um pecado, obviamente, cometido apenas interiormente, mas ainda um pecado. Quando uma pessoa que tem inclinação homossexual assente a esses sentimentos, assente a esses impulsos e deseja alguém de homossexual, isso é um pecado também. Mas existe um tipo de inclinação da vontade que não necessariamente é um pecado praticado ou um pecado cometido no coração. É uma tentação. Vou dar um exemplo com alguém heterossexual. Eu sou um homem heterossexual. Eu tenho uma inclinação para mulheres, mas eu tenho uma mulher que é minha esposa. Se eu deito com uma mulher que não é minha, claramente pecado. Se eu desejo e cobiço a mulher que não é minha, claramente pecado. Mas existe uma inclinação interior ao sexo feminino dentro de todo homem. Essa inclinação interior é um pecado? Não. Essa inclinação interior é um tipo de tentação que provém do pecado que entrou no mundo. E essa inclinação ao gênero feminino de forma geral é algo que eu preciso lidar, qualificar e direcionar ao meu próprio casamento. Pessoas que possuem uma luta dentro da área da sexualidade agora homossexual possuem um tipo de inclinação no seu coração. E esta inclinação em direção a alguma coisa tem que ser avaliada e no caso rejeitada. Ela não pode ser direcionada para nada, já que o direcionamento dela seria pecaminoso, diferente da heterossexualidade, mas por si só não é um pecado cometido, nem um pecado assentido no coração. É um impulso, é uma tentação, provém da queda, provém do pecado ter entrado no mundo, mas ninguém é menos crente por por possuir desejos e vontades pecaminosas. Os desejos e as vontades pecaminosas proveitem do nosso coração pecaminoso. Todos nós possuímos vários, mas guardadas as devidas proporções, eu digo: "Ah, eu sou um crente, eu eu tenho vontade de roubar, sei lá, tenho vontade de me vingar, tenho raiva no meu coração, tenho ira". Todos esses impulsos estão dentro de mim não podem ser usados para me definir. Eu não posso me dizer um crente irado, não posso me dizer um crente ladrão, eu sou um crente adúltero. Por quê? Porque no meu coração eu tenho essas vontades. De uma perspectiva mais conservadora, o chamado lado Y não relaciona a inclinação homossexual com identidade homossexual. Por isso que nós não usamos termos como crente gay, crente homossexual, cristão homoafetivo ou algo desse tipo. Nós até podemos usar dentro de certo ambiente de de linguagem, de conversa comum, os termos porque são mais facilmente compreendidos dentro da sociedade e da cultura, mas não necessariamente são termos que que fazem sentido antropologicamente pra gente. Por isso que sempre que eu vou usar esse termo, por exemplo, lá um cristão que é homossexual, eu sempre antes disso, eu tenho deixar claro, ó, eu não acho que nenhum cristão deveria se identificar dessa forma e tal. E aí dependendo do contexto, eu uso ou não aquela linguagem, dependendo do que eu quero chamar atenção naquele momento. Agora, um cristiano nunca deveria se apresentar assim, se descrever assim. Vários nomes do cristianismo e observador se identificam com esse estimado lado Y. A gente tem a Rosário Butterfield, que talvez seja o nome mais famoso dentro desse movimento. A gente tem o Sun Alberry, a Jack Hill Perry, que tem livro dela em português, e é um movimento muito comumente ligado à teologia reformada nos Estados Unidos. A Rosário Butterfield, por exemplo, ela é um ex-ativista LGBT, tá? Ela vai dizer o seguinte, que os adjetivos em termos gramaticais são modificadores. Sua função é me dizer que tipo de cristão você é. O problema com o termo como cristão gay é que ele modifica o cristão de acordo com a categoria da carne, natureza pecaminosa. Existe um livro muito bom do Ed Shall edições Vida Nova, chamado Atração por pessoas do mesmo sexo e a Igreja. O subtítulo é a plausibilidade do celibato. É um livro muito bom, eu li ele faz uns anos já. Ele tem algumas citações muito interessantes. Ele vai dizer o seguinte que ao me ouvirem dizer eu sou gay elas entenderão que abracei o estilo de vida e uma identidade homossexuais, o que é algo que eu não fiz. Se eu digo, eu sou gay, as pessoas imaginam já saber do que eu estou falando e não fazem mais perguntas. Todavia, se digo: "Eu sinto atração pelo mesmo sexo", isso as confunde e elas fazem mais perguntas. Isso me permite expressar de forma precisa o que quero dizer sobre minha sexualidade. Em um pouco mais à frente, ele vai dizer: "Por esse motivo, entendo que o cristão deve ter cautela ao fazer qualquer coisa que possa arraigar sua identidade em sua sexualidade. Precisamos estar na contracultura nesse aspecto. Nossa identidade, em vez disso, deve estar firmemente enraizada em Cristo." Eu acho que é uma perspectiva muito mais cristã do modo como a gente lida com homossexualidade dentro do contexto da igreja. A gente não pode ter a expectativa de que ao encontrarmos Cristo Jesus, ao nos convertermos, a gente vai perder qualquer atração homossexual. A conversão não muda quem nós somos nesse sentido. >> É, a conversão não muda necessariamente o que nós sentimos, né? os afetos, as atrações, eh, não são passíveis e serem magicamente alteradas no minuto em que a pessoa nasce de novo. Não porque Deus não possa fazer isso, porque evidentemente ele pode fazer o que ele quiser, mas eh eu não posso prometer isso pra pessoa. E a Bíblia também não promete, né? Então, ela nasce de novo, ela se torna filha de Deus, ela se torna templo do Espírito Santo, ela passa a se unir a Cristo, ela tem uma nova identidade em Cristo e agora ela é definida por aquilo que crê, independente daquilo que sente a sua vida. Então é marcada a sua identidade, a sua ética diária prática, é guiada pelo pela relação com Cristo, pela sua palavra e não pelos seus afetos eh quaisquer que eles sejam. Os heterossexuais também ao se ao se converterem, ao nascerem de novo, não tem não não são blindados de atrações heterossexuais capazes de levar a pecar. Agora essa discussão tem a diferenças porque [música] quando a atração é homossexual existem outros estigmas culturais, né, outros fardos aí diferentes pela pelo contexto que a gente vive. Mas no fundo, todo mundo convive com atrações contraditórias às decisões de fé eh em todo tempo. >> O pessoal do lado B costuma argumentar que o impulso homossexual ele é neutro em certo sentido de que, bom, ser LGBT no sentido interior, né, ter ser homossexual e se eu não pratico isso, isso não é algo necessariamente errado. Muitos cristãos do lado X ou do lado Y vão contraargumentar dizendo que não. O o próprio impulso sexual por si só é uma coisa pecaminosa. Como é que você enxerga isso? >> Olha, eu não uso a expressão neutro porque eu entendo que a origem teológica aí não é origem psicológica, social, biológica, é origem do ponto de vista teológico é a queda, né? Então, se a origem é a queda, a origem é o pecado, não da atração específica de cada uma em cada dia, né? quer dizer, da do fato de existir atrações que apontam para aquilo que Deus reprova em todos os seres humanos, uns de um jeito, outros de outro. Então, a origem não é boa, não está na criação, né? Muitas teologias afirmativas dizem que a origem está na criação. Então, Deus criou hétero a LGBTQ a mais. Ele celebra a diversidade criando, expressando a si mesmo nisso. Eu não acredito nisso. Então, eh, não é uma boa notícia, né, quando eu digo que veio da queda. Portanto, não é a ideia de neutralidade. Agora, eh, as atrações, melhor [música] dizendo, todos nós seres caídos de uma forma ou de outra, por causa do fato de sermos filhos de Adão, convivemos com atrações que podem levar a pecar. Essas atrações não são voluntárias, porque se eu pudesse decidir que elas sumissem, eu decidiria, né? A pessoa decidiria porque seria muito mais confortável. Então não existe a um botão para apertar e fazer não sentir. Ah, portanto, ela é involuntária nesse aspecto, mas ela não tem uma origem que não seja queda. Portanto, a neutra, né, é uma expressão que eu acho eh apropriada para ser usada, entende? Embora eu entenda que são atrações involuntárias. A pessoa não escolhe o que sente, ela escolhe o que vai fazer com aquilo que sente, que papel que ela atração terá na sua vida, se ela vai definir a identidade, se ela vai definir a prática diária ou não. O lado X é de longe, talvez a posição mais radical que a gente tem dentro dos ambientes cristãos sobre o nosso relacionamento com a sexualidade humana. O lado X vai argumentar também que o relacionamento homossexual é pecado, que a atração homossexual não pode ser assentida, que ninguém deve se identificar como crente gay, mas eles vão um pouco mais além. Geralmente o lado X vai considerar que um cristão que encontra crise genuinamente vai ter uma reorientação sexual muito profunda, de forma que vencer as atrações homossexuais no sentido de não senti-las mais é o que é esperado de todo cristão. Alguns desses autores, inclusive, vão defender terapias de ressignificação sexual. Você vai encontrar hoje não muitos dentro da academia cristiana defendendo essa essa posição. A posição, o lado Y é meio que é mais popular dentro dos círculos conservadores, quanto a lado B é a mais popular dentro dos círculos não conservadores. Mas há sim muitos que defendem essa posição. Ou seja, um cristão, uma vez que encontra Jesus, esses impulsos, essas vontades homossexuais, isso vai sair de você. Você vai virar um ex-gay, você vai gostar de mulher, se for mulher, vai gostar de homem, porque é isso que Deus vai fazer com você. E vamos lá. Eu preciso dar um um uma pequena vírgula, por mais que seja um cara identificado com lado Y, uma pequena vírgula pro ato X. Em que sentido? Que eu não acredito em terapia de reversão sexual. Isso não existe. Nós não temos absolutamente nenhuma evidência científica em nenhum tipo de contexto em que qualquer terapia de reversão sexual funcione ou exista, tá? Isso eu tô absolutamente longe do lado X. No entanto, eu acredito em milagre e eu acredito que uma mudança profunda no impulso sexual de um indivíduo é um milagre. Um milagre que Deus pode conceder. alguns indivíduos. Digo isso porque existe abundante evidência de pessoas que se descrevem como ex-giss, que apresentam sua própria vida como alguém que teve, que tiveram mudanças nos impulsos, nas vontades interiores, uma vez que encontraram Jesus. E esses testemunhos dos indivíduos sobre eles próprios não pode ser desconsiderado, não pode ser descartado. Um cristão que se converte pode orar e genuinamente ter, sabe, vontade da parte de Deus de largar a homossexualidade, de não ter mais esses impulsos, de gostar de uma pessoa do outro sexo, orar por isso e Deus conceder isso. E eu acho que qualquer cristão poderia orar por isso quando ele sente esse tipo de impulso. O que ele não pode ter a expectativa de que isso necessariamente vai acontecer e nem nós imporos sobre os indivíduos a necessidade de isso acontecer para que eles sejam cristãos genuínos. Mas tirando essa questão do milagre, não é? Não deve existir nenhuma expectativa por parte dos crentes de uma completa transformação da vontade quando alguém encontra Jesus, no sentido de que alguém não vai ter mais vontades pecaminosas. Pelo contrário, a gente continua lutando contra a nossa natureza adâmica. A gente continua lutando contra o nosso pecado. Ainda existe uma guerra da carne contra o espírito dentro de nós o tempo inteiro. O livro de Efésios, no capítulo 2, vai deixar claro que nós quando nos convertemos, não é que nossos pensamentos são completamente transformados, é que agora nós não fazemos mais a vontade dos pensamentos. Ainda podemos ter impulsos e desejos interiores pecaminosos quando encontramos Jesus. A diferença é que nós não nos identificamos com esses impulsos e nós não praticamos mais de forma deliberada esses impulsos porque somos transformados pela pessoa de Cristo Jesus. David, ah, que palavra você traria para cristãos que encontraram Jesus, mas que se vê lutando contra essas tentações? Às vezes se sentem atraídos pela por uma visão lado B, porque é um pouco mais acolhedora em um sentido de de personalidade? talvez já tenham ido pro caminho da heresia ali no lado a querendo afirmar a vida homossexual como uma vida prática boa. Ou então se vem muitas vezes oprimidos pelo pessoal do lado X que vai dizer que eles têm que passar por uma terapia de reação sexual ou que a esse esse não tem como ser crente genuíno e continuar com esse tipo de batalha ou mesmo tá em um ambiente um pouco mais saudável teologicamente no do do que eu acredito que é o lado y mas que ainda se vê com crises de fé muito terríveis, não é? Lidando com esses próprios impulsos. Que palavra você traria como pastor ah, para cristãos que estão vivendo alguma dessas experiências? Eh, eu diria que a busca fundamental é por Cristo, não é pela heterossexualidade. O que é o ápice da fé cristã? é ser discípulo de Cristo e lembrar sempre que o discípulo de Cristo é aquele salvo pela graça, que está disposto a aprender a todo dia a amar a Cristo mais do que ama a si mesmo, mais do que ama a qualquer outra coisa, porque entende que a única maneira de ser realmente pleno e feliz e, portanto, é colocar a expectativa de felicidade, não no casamento ou na heterossexualidade. Não porque casamento seja uma coisa ruim, uma coisa boa e pode acontecer, mas não está condicionado a isto, a plenitude da vida, em sim a experiência de ter Cristo como centro de tudo. E aí está a esperança, aí estará a plenitude, a satisfação. É olhar pro evangelho. O evangelho como [música] aquilo que me leva à plenitude em Cristo, independente do que vai acontecer com os meus afetos ou condição de casar solteiro, se ele bate o casamento, se concentra muito em Cristo, concentra muito na na experiência com a com o evangelho de Cristo. Com relação às decepções relativas à igreja. A igreja é um lugar onde as pessoas estão vivendo eh muito os seus processos também, né, de tentar lidar com o outro. E nem sempre nós somos felizes em lidar com o outro, principalmente com aquilo que a gente não entende, com aquilo que a gente confunde. Eh, portanto, é importante eh pensar em Cristo. >> Lado A, lado B, lado Y, lado X. Quatro grandes movimentos sobre homossexualidade. Nós, cristãos, conservadores, reformados, estamos geralmente posicionados no lado Y. Existem cristãos genuínos do lado X. Existem, mas acho que eles cometem um erro muito grave do modo como recebem alguns homossexuais. Existe cristãos genuínos do lado B? Existem, mas acho que eles cometem um erro muito grave do modo como eles recebem homossexuais. Existem cristãos genuínos lado do ar? Difícil. é uma posição muito, muito, muito fora do que realmente representa a ética cristã e a fé cristã no que diz respeito à sexualidade. Aqui a gente marca a posição do lado Y, que é o lado que tem sido defendido pelo cristianismo já há muito tempo. E eu quero convidá-lo a assistir os outros materiais desse canal aqui, que discutem esses assuntos, como o nosso vídeo sobre homossexualidade e a nossa série sobre casamento gay. Vai est tudo isso aí na descrição. Se você quiser estudar com a gente, sabe o que fazer, só ir lá no Instituto Chef, vai ter o link na descrição também. E se esse vídeo foi útil para você, comenta aqui embaixo qual lado você se identifica, quais são os argumentos que você usa para defender sua posição, algum testemunho, alguma história que pode ser útil pra gente continuar conversando sobre esse assunto. Se você gostou desse vídeo, não deixa de clicar em gostei e assinar as notificações para ficar sabendo sempre que houver vídeo novo. Um cheiro no seu cangote e até a próxima.